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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DO JUIZADO

ESPECIAL FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO


MATO GROSSO.

(qualificação da parte Autora) por interédio do seu


advogado que esta subscreve (procuração anexa), com escritório
profissional sito no rodapé desta, onde indica para receber as
comunicações e intimações de estilo, vem respeitosamente à ínclita
presença de Vossa Excelência, ajuizar

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS POR ATO ILICÍTO E
REPETIÇÃO DE INDÉBITO, com PEDIDO DE TUTELA
ANTECIPADA contra

Em desfafor da CEF –Caixa Econômica (ou outro nome da


instituição bancária), insituição financeira, com sede na
(endereço)) 2123-1166, em decorrência das justificativas de ordem
fática e de direito abaixo delineadas:
DOS FATOS

Em meados de outubro de 2010, a Autora deslocou-se


até a agência bancária do Banco do Brasil na cidade de oconé para
receber sua aposentadoria mensal.

Antes de fazer a retirada do dinheiro, passou no caixa


de alto atendimento e retirou um extrato da sua conta e constatou
que o valor da aposentadoria depositado naquele mês era inferior que
nos meses anteriores fato que lhe causou estranheza.

Ao indagar a atendente da agência sobre o valor


depositado a menor, foi informada que tinha ocorrido um desconto
referente a uma parcela de um empréstimo feito na Agência 1918
da Caixa Econômica Federal referente ao contrato de número
10191811........ no valor de R$ 5.841,00, que foi parcelado em 60
prestação de R$ 176,24, sendo que naquela oportunidade já haviam
sido debitados 03 parcelas do seu benefício de n.º ..................

Este fato causou mais estranheza ainda na Autora, pois,


esta não havia feito nenhum empréstimo com o dinheiro que recebia
da sua aposentadoria.

De posse dessas informações, imediatamente a Autora


dirigiu-se até uma delegacia de polícia e registrou um boletim de
ocorrência do acontecido (doc. Anexo).

Excelência cabe ressaltar, que tal infortúnio ocorreu


sem o consentimento da Autora, o que lhe vem causando problemas
diariamente, pois sua única fonte de renda é o benefício do qual esta
sendo descontado o referido empréstimo, que consequentemente,
diminuindo a renda familiar, diminuindo seu poder compra de
alimento na mesa, o que causa não só constrangimento e prejuízo
material, mais também moral e psicológico. ]

É oportuno ainda salientar Excelência, que o benefício


que a Autora percebe é totalmente assistencialista, ou seja, tem
cunho alimentício, sendo dele que provem o sustento de sua família,
paga as contas e compra remédios, ou seja, qualquer centavo que lhe
é retirado fará grande falta.

Com o fito de evitar maiores prejuízos a Autora viajou


até Cuiabá e dirigiu-se a agência bancária de onde tinha originado o
empréstimo. Lá estando explicou tudo ao gerente, que percebendo a
fraude fez o estorno das 03 parcelas que haviam sido descontadas
até aquela data, cujo o valor foi de R$ 528,72, conforme se faz prova
o comprovante de pagamento em anexo.

Acreditando, que tudo estava resolvido, uma vez que o


próprio gerente da Caixa Econômica constatou a fraude ocorrida no
seu benefício, voltou a Autora para sua lida diária em um sítio em
Poconé.

Todavia Excelência, no mês seguinte houve novamente


o desconto da parcela do empréstimo fraudulento no benefício da
Autora, fato que vem se repetindo desde então.

Impende salientar, que as parcelas que estão sendo


descontadas do benefício da Autora estão lhe causando um grande
prejuízo, por vez, colocando a Reclamante em dificuldade financeira,
pois, com o que lhe está sobrando não consegue mais adimplir seus
compromissos, o que em pouco tempo pode virar uma bola de neve.

Na esperança de resolver este impasse e evitar que


maiores prejuízos lhe aconteça, a Autora procurou o INSS de sua
cidade, explanando o ocorrido. Porém, não logrou êxito, tendo em
vista que o INSS disse que não poderia fazer nada e que era para a
Autora procurar seus direitos.

Excelência, como se vê, a Autora esgotou todos os


meios suasórios com o fito de resolver esse imbróglio ocorrido em seu
benefício, porém todas tentativas restaram infrutíferas.

Pois bem, pelo todo demonstrado não restam dúvidas


que a Autora, diante destes acontecimentos, deparou-se com uma
situação incômoda, vexatória, humilhante e absolutamente
constrangedora, merecendo, por certo, ver a Reclamada ser
responsabilizada por todo ocorrido.

DO DIREITO

DOS DANOS MORAIS

A moral é reconhecida como bem jurídico, recebendo


dos mais diversos diplomas legais a devida proteção, inclusive,
estando amparada pelo art. 5º, inc. V da Carta Magna/88:
“Art. 5º (omissis):
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional
ao agravo, além da indenização por dano material,
moral ou à imagem;
O art. 186 e art. 927 do Código Civil de 2002 assim
estabelecem:
“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, violar direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.”

“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187),
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.”

Ocorre que o dano moral, como sabido, deriva de uma


dor íntima, uma comoção interna, um constrangimento gerado
naquele que o sofreu e que repercutiria de igual forma em uma outra
pessoa nas mesmas circunstâncias. Esse é o caso em tela, onde o
demandante viu-se submetido a uma situação de estresse constante,
indignação e constrangimento.

A Requerida ao arrepio da Lei, ao invés de acatar o


pedido da Autora de cancelamento imediata da dívida e abster-se de
fazer o desconto do seu benefício, devolvendo a mesma o direito de
usufruir de sua aposentadoria integral livre de qualquer ônus, optou
por correr o risco de colocar a promovente nesta situação de
infortúnio e de constrangimento, levando esta a passar por um
verdadeiro martírio para conseguir restabelecer a honradez junto aos
seus fornecedores, conquistada ao longo dos anos.

Como informado anteriormente, o nome da


Autora é o seu bem valioso, conquistado ao longo de sua vida,
o qual foi pautado pela honradez de seus compromissos,
virtude esta, que lhe garantiu uma moral ilibada, isenta de
qualquer mácula. Contudo Excelência, no momento em que a
Autora mais precisa de paz, de despreocupação, , a mesma se
depara com um constrangimento que jamais tinha passado
durante toda sua existência, que lhe causou e vem causando
sérios dissabores e danos de difíceis reparações, tudo pelo
fato da Ré agir de forma negligente, sem a devida diligência
que se espera de uma instituição financeira, pois, permitiu
que o terceiros fizessem empréstimo no nome da Autora, sem
sua anuência. Está negligência a torna culpada pelo evento
danoso.

Vejamos o que ensina o Mestre SÍLVIO DE SALVO


VENOSA em sua obra sobre responsabilidade civil:

“Os danos projetados nos consumidores, decorrentes da


atividade do fornecedor de produtos e serviços, devem ser
cabalmente indenizados. No nosso sistema foi adotada a
responsabilidade objetiva no campo do consumidor, sem que
haja limites para a indenização. Ao contrário do que ocorre
em outros setores, no campo da indenização aos
consumidores não existe limitação tarifada.” (Sílvio Salvo
Venosa, Direito Civil. Responsabilidade Civil, São Paulo, Ed.
Atlas, 2004, p. 206).

Daí, o dano moral está configurado. Pois, o fato da


Autora ter sido submetido a uma situação de constrangimento e de
desrespeito que já perdura por quase 8 (oito) meses, configura sem
sombra de dúvidas em abalo a ordem psíquica e moral do
promovente.

Sendo assim, demonstrados o dano e a culpa do


agente, evidente se mostra o nexo causal. Como visto,
derivaram-se da conduta ilícita da empresa Ré, os
constrangimentos e vexações causados aa Autora, sendo
evidente o liame lógico entre um e outro.

Dessa forma, deve-se reconhecer a culpa da requerida


pelo fato de ter concedido um empréstimo indevido sem anuência da
Autora e por estar fazendo desconto indevido referente ao
empréstimo no benefício da mesma.

Presume-se que a Promovente sofreu lesão em sua


honra objetiva, pois, situando-se no âmbito psíquico do ofendido, o
dano moral reputa-se provado pela só demonstração de que a
inscrição fora indevida. É o que acentua Sergio Cavalieri Filho:

"... O dano moral existe in re ipsa; deriva inexoravelmente do


próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a ofensa,
ipso facto está demonstrado o dano moral à guisa de uma
presunção natural, uma presunção hominis ou facti, que
decorre das regras da experiência comum. ..." (Programa de
responsabilidade civil. 2.ª ed. Malheiros: 2000, p. 80).

Vejamos a jurisprudência da nossa Turma Recursal


acerca de casos semelhantes:
INDENIZAÇÃO - DANO MORAL
- EMPRÉSTIMO BANCÁRIO FORMALIZADO -
IMPORTÂNCIA NÃO CREDITADA - DÉBITO INDEVIDO NA
CONTA DO VALOR DA PRESTAÇÃO MENSAL - CULPA DA
VÍTIMA AFASTADA - FATO DE TERCEIRO -
INOCORRÊNCIA - RESPONSABILIDADE DO BANCO -
FALHA NO SERVIÇO - ART. 14, CDC - DANO EXISTENTE
- MINORAÇÃO DO QUANTUM - VALOR MANTIDO. Há
falha no serviço prestado pelo banco quando seu
funcionário deixa de creditar valor contratado pela
cliente, e mesmo assim procede ao desconto na conta
corrente de quatro prestações referentes ao
pagamento do empréstimo. O art. 14 do CDC
responsabiliza o prestador de serviço pelos erros
cometidos, devendo arcar com os danos materiais e
morais decorrentes da sua conduta. O valor arbitrado
traduz uma quantia suficiente para garantir a punição
do banco.
(QUINTA CÂMARA CÍVEL – TJ/MT- APELAÇÃO Nº
85142/2009 - CLASSE CNJ - 198 - COMARCA DE
PRIMAVERA DO LESTE – RELATOR DES. CARLOS
ALBERTO ALVES DA ROCHA)

“AÇÃO DE RECLAMAÇÃO – RESTRIÇÃO COMERCIAL


INDEVIDA – ALEGAÇÃO DE ILETITIMIDADE PASSIVA –
EMPRESAS QUE INTEGRAM O MESMO GRUPO
EMPRESARIAL – PRELIMINAR REPELIDA - DÉBITO
INEXISTENTE – ALEGAÇÃO DE FATO DE TERCIERO –
FATO PREVISÍVEL E EVITÁVEL- ATO ILÍCITO
CONFIGURADO – DANOS MORAIS PRESUMIDOS -
VALOR DA CONDENAÇÃO – OBSERVÂNCIA AOS
PRINCIPÍOS DA RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE – RECURSO IMPROVIDO. É ilícita
a conduta do fornecedor que indevidamente lança débitos ao
consumidor e encaminha o nome ao cadastro do SPC, por
débito contraído por terceiros.
O valor da indenização pelos danos morais, quando
ponderado, razoável e proporcional ao dano verificado, deve
ser mantido”(Processo Virtual nº 120080027327 –
RELATOR - JOÃO BOSCO SOARES DA SILVA – 2ª TURMA
RECURSAL)”

" INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS –


DESCONTO INDEVIDO DE PARCELA DE FINANCIAMENTO
NÃO CONTRATADO PELO CONSUMIDOR – INEXISTÊNCIA
DE DÉBITO – PREJUÍZO DE ORDEM MATERIAL E MORAL
– DANO OBJETIVO – CONSTRANGIMENTO
EXTRAPATRIMONIAL CARACTERIZADO – VERBA
INDENIZATÓRIA – CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO – GRAVIDADE
DA LESÃO E CAPACIDADE FINANCEIRA DO
RESPONSÁVEL – RAZOABILIDADE – RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO. (Recurso Cível nº.
001.2008.005.726-6 - 1ª Turma Recursal Cível - Juiz de
Direito – Relator Dirceu dos Santos).
Assim, Excelência, uma vez demonstrada a flagrante
violação à honra da Reclamante, que sofreu descontos indevidos em
seu benefício e transtornos que refletiram de maneira negativa no
seu conceito moral, deve-lhe ser assegurada por meio desta ação, a
satisfação de seu prejuízo, com a indenização pelo dano moral
sofrido.

DO “QUANTUM” INDENIZATÓRIO.

No que concerne ao quantum indenizatório, forma-se o


entendimento jurisprudencial, mormente em sede de dano moral, no
sentido de que a indenização pecuniária não tem apenas cunho de
reparação do prejuízo, mas também caráter punitivo ou
sancionatório, pedagógico, preventivo e repressor: a indenização não
apenas repara o dano, repondo o patrimônio abalado, mas também
atua como forma educativa ou pedagógica para o ofensor e a
sociedade e intimidativa para evitar perdas e danos futuros.

Tal entendimento, inclusive, é defendido pelo ilustre


doutrinador SÍLVIO SALVO VENOSA, senão vejamos:

“Do ponto de vista estrito, o dano imaterial, isto é, não


patrimonial, é irreparável, insusceptível de avaliação
pecuniária porque é incomensurável. A condenação em
dinheiro é mero lenitivo para a dor, sendo mais uma
satisfação do que uma reparação (Cavalieri Filho, 2000:75).
Existe também cunho punitivo marcante nessa modalidade
de indenização, mas que não constitui ainda, entre nós, o
aspecto mais importante da indenização, embora seja
altamente relevante. Nesse sentido, o Projeto de Lei nº
6.960/2002 acrescenta o art. 944 do presente código que “a
reparação do dano moral deve constituir-se em
compensação ao lesado e adequado desestímulo ao lesante”.
Como afirmamos, se o julgador estiver aferrolhado a um
limite indenizatório, a reparação poderá não cumprir essa
finalidade reconhecida pelo próprio legislador.” (Sílvio Salvo
Venosa, Direito Civil. Responsabilidade Civil, São Paulo, Ed.
Atlas, 2004, p. 41).

E o ilustre mestre diz mais:


“Dano moral é o prejuízo que afeta o ânimo psíquico, moral e
intelectual da vítima.”
(...) “Por tais razões, dada a amplitude do espectro casuístico
e o relativo noviciado da matéria nos tribunais, os exemplos
da jurisprudência variam da mesquinhez à prodigalidade.
Nem sempre o valor fixado na sentença revelará a justa
recompensa ou o justo lenitivo para a dor ou para a perda
psíquica. Por vezes, danos ínfimos são recompesados
exageradamente ou vice-versa. A jurisprudência é rica de
exemplos, nos quais ora o valor do dano moral guarda uma
relatividade com o interesse em jogo, ora não guarda
qualquer relação. Na verdade, a reparação do dano moral
deve guiar-se especialmente pela índole dos sofrimentos ou
mal-estar de quem os padece, não estando sujeita a padrões
predeterminados ou matemáticos.”(Sílvio Salvo Venosa,
Direito Civil. Responsabilidade Civil, São Paulo, Ed. Atlas,
2004, p. 39/40).

Daí, o valor da condenação deve ter por finalidade


dissuadir o réu infrator de reincidir em sua conduta, consoante tem
decidido a jurisprudência pátria:

Classe do Processo : APELAÇÃO CÍVEL NO JUIZADO ESPECIAL


20020110581572ACJ DF Registro do Acordão Número :
191685 Data de Julgamento : 12/08/2003 Órgão Julgador :
Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e
Criminais do D.F. Relator : SOUZA E AVILA Publicação no
DJU:24/05/2004 Pág. : 53 (até 31/12/1993 na Seção 2, a
partir de 01/01/1994 na Seção 3)

Ementa CIVIL. CDC. DANOS MORAIS COMPROVADOS.


RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA PRESTADORA DE
SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. INDENIZAÇÃO DEVIDA.
VALOR FIXADO DENTRO DOS PARÂMETROS DETERMINADOS
PELA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA, A SABER:
COMPENSAÇÃO E PREVENÇÃO.I - RESTANDO PATENTES OS
DANOS MORAIS SOFRIDOS E O NEXO CAUSAL ENTRE A
LESÃO E A CONDUTA NEGLIGENTE DA INSTITUIÇÃO
PRESTADORA DE SERVIÇOS, ESTA TEM RESPONSABILIDADE
CIVIL OBJETIVA NA REPARAÇÃO DOS MESMOS, CONFORME
DETERMINA A LEI N.º 8.078/90 (CDC).II - CORRETA É A
FIXAÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS QUE LEVA
EM CONTA OS PARÂMETROS ASSENTADOS PELA DOUTRINA E
PELA JURISPRUDÊNCIA, MORMENTE OS QUE DIZEM RESPEITO
À COMPENSAÇÃO PELA DOR SOFRIDA E À PREVENÇÃO, ESTE
COM CARÁTER EDUCATIVO A FIM DE QUE. EVITAR A
REPETIÇÃO DO EVENTO DANOSO. III - RECURSO CONHECIDO
E IMPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA.
Decisão: NEGAR PROVIMENTO. UNÂNIME.(g.n.)

Classe do Processo : APELAÇÃO CÍVEL NO JUIZADO ESPECIAL


20040110053689ACJ DF Registro do Acordão Número :
197708 Data de Julgamento :18/08/2004 Órgão Julgador :
Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e
Criminais do D.F. Relator : ALFEU MACHADO Publicação no
DJU: 30/08/2004 Pág. : 41 (até 31/12/1993 na Seção 2, a
partir de 01/01/1994 na Seção 3)

Ementa CIVIL. CONSUMIDOR. DANOS MORAIS. INCLUSÃO


INDEVIDA DO NOME NO SERASA. QUANTUM ARBITRADO
CORRETAMENTE. SENTENÇA MANTIDA. 1-PARA A FIXAÇÃO
DO DANO MORAL DEVE-SE LEVAR EM CONSIDERAÇÃO OS
SEGUINTES FATORES: A RESPONSABILIDADE DO OFENSOR, A
SITUAÇÃO PATRIMONIAL DAS PARTES, A INTENSIDADE DA
CULPA DO RÉU, A GRAVIDADE E REPERCUSSÃO DA OFENSA;
ALÉM DE ATENDER AO CARÁTER PEDAGÓGICO PREVENTIVO
E EDUCATIVO DA INDENIZAÇÃO, NÃO GERANDO ASSIM
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. 2- NÃO HÁ DE SE FALAR EM
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS QUANDO NÃO EXISTE
ADVOGADO EM DEFESA DA PARTE EX ADVERSA. 3-
SENTENÇA MANTIDA. RECURSO IMPROVIDO. UNÂNIME.
Decisão CONHECER E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO,
SENTENÇA MANTIDA, POR UNANIMIDADE.(g.n.)
Ressalto, ainda, a reprovabilidade da conduta da
requerida, pois, não obstante os inúmeros transtornos que vem
causando aos consumidores em razão de sua desídia, continua
adotando a mesma sistemática para abertura de contas telefônicas,
reiterando a conduta ilícita e evidenciando seu descaso para com os
direitos do consumidor.

Por esses motivos, deve a indenização ser fixada em


patamar capaz de desencorajar novas condutas da parte requerida
nesse sentido.

DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO

Prescreve o Código de Defesa do Consumidor em seu


art. 42, parágrafo único, “que o consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual
ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção
monetária e juros legais, salvo hipótese de engano
justificável”.

A Jurisprudência é assente nesse sentido:

RECURSO INOMINADO - CONSUMIDOR - TELEFONIA -


SENTENÇA EXTRA PETITA - INOCORRÊNCIA -
APLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR - REVISIONAL - DIREITO A REPETIÇÃO DE
INDÉBITO EM DOBRO COMO PRESCREVE O ART. 42,
PARÁGRAFO ÚNICO, DO CDC - SENTENÇA MANTIDA -
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. .( Processo n.º
5725/2009, Magistrado Dr. Gonçalo Antunes de Barros
Neto, 3ª Turma Recursal)

RECURSO INOMINADO - LANÇAMENTO INDEVIDO DE


VALOR NA FATURA DO CARTÃO DE CRÉDITO DO AUTOR
- COMPRA NÃO EFETUADA - LIMITE ULTRAPASSADO -
FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO - DIREITO À
REPETIÇÃO DE INDÉBITO EM DOBRO COMO PRESCREVE
O ART. 42,PARÁGRAFO ÚNICO, DO CDC - DANO MORAL
CONFIGURADO IN RE IPSA - DESNECESSIDADE DE
PROVA DO DANO - QUANTUM INDENIZATÓRIO
MANTIDO - RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. .
( Processo n.º 7467/2009, Magistrado Dr. Gonçalo
Antunes de Barros Neto, 3ª Turma Recursal

No caso em tela, restou-se claro que o Autora foi


cobrado por quantia indevida, pois, inexistia a dívida.

Não resta dúvida também de que houve má-fé do


Banco Reclamado em cobrar do Autor à quantia indevida, conquanto,
era sabedor que o empréstimo que originou a dívida foi conseguindo
mediante fraude e sem anuência da Autora. Dessume-se então
dessas premissas que o Banco Reú agiu com dolo, o que dá causa
para a punição prevista no art. 42, parágrafo único do CDC, devendo
por isso o mesmo ser condenado a repetição de indébito em dobro do
valor indevidamente cobrado, equivalente as parcelas que foram
descontadas do benefício da Autora, que até o presente momento
perfazem 08, cujo total descontado foi de R$ 1.409,92 (um mil e
quatrocentos e nove reais e noventa e dois centavos)

DA TUTELA ANTECIPADA

O bom direito milita a favor da Autora, eis que a dívida


que esta sendo cobrada é indevida, conquanto, proveniente de um
empréstimo que não teve sua anuência e que utilizou seu benefício
de aposentadoria, o que torna o empréstimo inexistente, portanto,
nada está a dever a Requerida ou a quem quer que seja.

A tutela jurisdicional constitui-se em dever estatal, a


fim de garantir e consagrar os padrões de convívio social e do próprio
Estado de Direito.

Restando exaustivamente demonstradas as lesões


provocadas aos direitos da Autora, nada mais justo que lhe prestar a
tutela jurisdicional inaudita altera pars, a fim de não retardar ainda
mais o sofrimento da Autora, em ver seu dinheiro sendo retirado de
sua aposentadoria de forma indevida.

O risco a que está sujeito a Requerente agrava-se com


o passar dos dias, eis que todo mês está sendo descontado de sua
aposentadoria mensal o valor das parcelas do empréstimo, sendo,
que ainda restam 53 prestações a serem debitadas do seu benefício.
Caso continuem debitando, provocará maiores e constantes prejuízos
a Autora, conquanto, estreitará seu poder de compra e de adimplir
com seus compromissos, além de aumentar o número de pessoas
(físicas e jurídicas) que passarão a ter uma ideia errônea do
comportamento da Autora, pois, deixando de adimplir com alguma
obrigação será certamente taxada de caloteira.

Por mais que o rito procedimental e os serviços


judiciários sejam rápidos e eficientes, entre o pedido e a entrega
definitiva da tutela jurisdicional, durante os períodos nos quais
exercerão o contraditório e a ampla defesa, ocorrerá um lapso de
tempo considerável, não sendo justo que a Autora continue sofrendo
os prejuízos que virá com os descontos das parcelas do empréstimo
que foi feito de forma indevida.

Ademais, em situações de risco de dano, ou ainda


quando esse já se efetivou, a tutela antecipada deve ser concedida
de urgência, desde que a requerida, o que se faz na forma prevista no
artigo 273 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito:
"O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar,
total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida
no pedido inicial, desde que, existindo prova
inequívoca, se convença da verossimilhança de
alegação e: I - haja fundado receio de dano irreparável
ou de difícil reparação".

A prova inequívoca e a verossimilhança, não deixam


margens para qualquer dúvida, uma vez que o empréstimo foi feito
mediante fraude, que inclusive ficou constatado pelo gerente da
Reclamada, que ao tomar ciência do ocorrido, efetivou o estorno das
parcelas até então debitadas no benefício da Autora, conforme se
constata no comprovante de depósito em anexo.

Finalmente, necessário ressaltar que, a antecipação da


tutela que ora se requer, em nada irá alterar o suposto empréstimo.
Some-se ainda, que deferindo Vossa Excelência a Tutela Antecipada a
fim de determinar que a Reclamada se abstenha de fazer os
descontos das parcelas, a qualquer momento tal desconto poderá ser
renovado, caso a Requerida comprovem que as argumentações até
aqui expendidas não tenham qualquer fundamento.

Mais do que provado o dano irreparável e, maior ainda


será caso persista os descontos, motivos que justificam plenamente a
concessão da antecipação assecuratória, diante do risco que é
concreto.

Ora, se por forca da Constituição, tem os litigantes o


dever da submissão às vias processuais estabelecidas, também por
forcas Constitucional tem eles o direito de não sofrer danos
irreparáveis no curso do processo, o que fatalmente ocorrerá pela
natural delonga inerente ao contraditório e ampla defesa, das quais,
com certeza se valerá a Requerida, o que provocará maiores e mais
sérios danos à honra e à moral da Requerente.

Diferente não se posicionam os nossos Tribunais:

6a. Câmara do T. Alç. RS: O envio do nome do devedor


a serviço de informação de crédito, bem como a
apresentação a protesto de títulos referente a débitos
em discussão, representam prejuízos em suas
relações comerciais, a justificar a concessão de tutela
antecipada de sustentação daquelas medidas até
solução do litígio ( 11.04.1.996, RT 731/410).

É oportuno ainda salientar Excelência, que o benefício


que a Autora percebe é totalmente assistencialista, ou seja, tem
cunho alimentício, sendo dele que provem o sustento de sua família,
paga as contas e compra remédios, ou seja, qualquer centavo que
falte, para a Autora fará grande falta.
Isto posto, requer seja concedida a liminar, para
que a Reclamada se abstenha de debitar as parcelas, que
estão sendo efetuadas na conta da Autora no Banco do Brasil
– ...............

DO PEDIDO.

Diante de todo o exposto, requer a Autora que Vossa


Excelência digne-se de:

a) Conceder a tutela antecipada inaudita altera


pars, em regime de urgência ordenando a Reclamada que se
abstenha de debitar as parcelas do empréstimo na conta do
Banco do Brasil – Agência , conta , referente ao benefício de
titularidade da Autora, sob pena de multa.

b) Conceder, nos termos do art. 6º, inc. VIII do CDC, a


inversão do ônus da prova em favor do demandante;

c) Determinar a citação da Requerida, no endereço


fornecido nesta inicial na pessoa de seu representante legal para,
querendo, contestarem a presente em prazo legal, sob pena de
revelia e confissão quanto à matéria de fato;

d) JULGAR PROCEDENTE A PRESENTE DEMANDA E


ACOLHER OS PEDIDOS para:

d1) declarar nula o empréstimo consignado que esta


sendo cobrado da Autora, vez que foi gerada sem anuênca da mesma
e de forma unilateralmente e indevidamente pela empresa Ré, fato
este que vem causando grande transtorno na vida da Autora.

D.3) CONDENAR A DEMANDADA, nos termos dos


art. 5º, inc. V da CF/88 c/c art. 186 e art. 927 do CC/2002 e
art. 6º, inc. VI da Lei. 8.078/90 A PAGAR A AUTOR OS DANOS
MORAIS A ELE CAUSADOS, devido a cobrança de dívida
inexistente, devendo a mesma ser condenada no valor do
teto máximo do Juizado Especial Federal

D5) condenar os Reclamados na repetição do indébito,


nos termos do artigo 42, parágrafo único, da Lei 8.078/90, Código de
Defesa do Consumidor, condenando-os a ressarcir em dobro o que
cobrou indevidamente.

e) conceder a parte autora os benefícios da Justiça


Gratuita, eis que não tem condições de arcar com o pagamento das
custas do processo e honorários de advogado.
f) Requer ainda a condenação do Requerido em custas
e honorários advocatícios.

DOS MEIOS DE PROVA.

O autor protesta provar o alegado por todos os meios


de prova em direito admitidos, inclusive prova testemunhal,
depoimento pessoal da representante da demandada sob pena de
confissão, juntada ulterior de documentos e tudo mais que se fizer
necessário para a perfeita resolução da lide, o que fica, desde logo,
requerido.

DO VALOR DA CAUSA.

Dá-se à causa, nos termos do art. 259, inc. II do CPC, o


valor de R$ 30.600,00 (trinta mil e seiscentos reais).

Nestes Termos,
Pede e aguarda deferimento.

Cuiabá, 14 de março de 2011.