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Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

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PETIÇÕES INICIAIS

ORIENTAÇÕES PRELIMINARES PARA SUA ELABORAÇÃO

São elementos essenciais da petição inicial:

a) Endereçamento: onde estará apontada a autoridade judiciária a quem é dirigida, observando-se as regras de

competência absoluta (art. 114, CR/88) e relativa (art. 651, CLT). Não há divisão por comarca. Ex.: Exmo. Sr. Juiz

da

Vara do Trabalho de <Local> - MG

b)

Qualificação/individualização das partes: onde deverão ser informados os seguintes dados:

-

do autor: nome; prenome; nacionalidade; estado civil; profissão; nº do CPF (09 números e dois dígitos); nº

da CI (M ou MG e 06 ou 07 números); nº da CTPS e série (05 números, 03 dígitos, série 03 dígitos); nº do PIS; local de residência e domicílio (não esquecer o CEP).

- do réu: se pessoa física, colocar os mesmos dados acima (exceto CTPS e PIS); se firma individual,

colocar o nome da firma (não do titular da firma); se sociedade, denominação (ou razão social) da pessoa jurídica (não o nome fantasia); local onde está sediada e estabelecida (não esquecer o CEP) e o nº do CNPJ.

Observação: no Exame da OAB, se não for fornecido qualquer dado além do nome das partes, o candidato deverá incluí-lo seguido de reticências, de modo a não produzir qualquer identificação da prova, tal como na sugestão seguinte:

1. XXX (colocar o nome do autor fornecido na prova), nacionalidade (conforme os dados do enunciado. Se não

estado civil (conforme os dados do enunciado. Se

profissão (conforme os dados do enunciado),

, XXXX (colocar o nome da cidade conforme dados do enunciado) – XX (colocar a UF correspondente), vem,

respeitosamente, perante V. Exa., por seu procurador que ao final assina (procuração anexa), ajuizar AÇÃO

, com

, UF correspondente).

c) Identificação da peça: indicar a peça elaborada, ou seja, que se trata de ação trabalhista.

d) Resumo dos fatos: falar a data de início e fim do contrato de trabalho; função exercida; local da prestação de

serviços (de forma a justificar o endereçamento para o juiz da vara do trabalho do local informado); forma da

dissolução; tipo de aviso prévio e sua projeção; e a última remuneração.

e) Libelo: onde deverá ser feita a exposição dos fatos e sua adequação ao direito, de onde resultará uma pretensão

que, negada pelo réu, constitui a lide.

NOTA: Recomenda-se a elaboração da peça através de silogismos. No caso da inicial, o silogismo é normalmente apresentado em ordem invertida, sendo apontada, em primeiro lugar, a premissa menor (os fatos) que, envolvidos pela premissa maior (o direito), levam à conclusão (eficácia negada). No entanto, não haverá qualquer prejuízo se o candidato apresentar a premissa maior e, após, a menor, de forma a chegar a uma conclusão (aliás, esta costuma ser a melhor ordem para a resolução das questões abertas).

f) Pedido: A eficácia negada, destacada em cada silogismo, deve ser novamente mencionada na

sede na rua

em YYYY (colocar o nome da cidade fornecido na prova) – YY (colocar a

TRABALHISTA em face de YYYYY (colocar o nome do réu fornecido na prova), inscrito no CNPJ sob nº

portador do CPF nº

em

houver indicação, coloque da seguinte forma: nacionalidade

não houver indicação, coloque da seguinte forma: estado civil

),,

),

e da CTPS nº

,

CEP

,

,

série

,

residente e domiciliado na rua

,

no bairro

,

CEP

,

,

no bairro

CONCLUSÃO” ou “PEDIDO”. Resume o autor sua pretensão apontando o PEDIDO IMEDIATO, que se refere à “espécie de garantia jurisdicional pretendida”, ou seja, uma sentença de natureza condenatória, constitutiva ou desconstitutiva, ou declaratória – inclusive declaratória negativa, e o PEDIDO MEDIATO, que diz respeito ao

que o autor “pretende do réu”. Em outras palavras, a especificação do pedido.

g) Requerimento de provas: deve-se demonstrar como se pretende provar a realidade dos fatos apresentados.

Trata-se de requerimento quanto à produção de provas e não simples “protesto”, que, no processo do trabalho, tem

natureza jurídica de agravo retido.

Quando houver controle de jornada e se pleitear pagamento de horas extras, deve-se requerer, nos termos do art. 355, do CPC, a intimação da ré para juntar os cartões de ponto do autor, sob as penas do art. 359, do CPC, isto é, presunção de veracidade dos fatos alegados na exordial.

h) Valor da causa: deverá ser fixado conforme os parâmetros estabelecidos no Código de Processo Civil – art.

259, II. No Processo do Trabalho, o valor da causa determina o rito a ser seguido, daí a sua grande importância.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan i) identificar a

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Material de Apoio

Prof. Bruno Hazan

i)

identificar a prova (colocar: Advogado

candidato apenas sinalizar que sabe que deve conter o tipo do logradouro, nome do logradouro, número, complemento, bairro, CEP, cidade, UF, telefone e e-mail.

LEMBRETES PARA TODA PETIÇÃO

É importante fazer, em toda petição, uma linha do tempo, que permita a visualização do problema, na qual

constem: loca da prestação de serviço, data de admissão, função, data da dispensa, projeção do aviso e salário.

Exemplo: Um mecânico que foi contratado, em Belo Horizonte, no dia 16/07/1991, mediante salário de R$1.000,00, tendo trabalhado até 31/08/2003, quando foi dispensado imotivadamente e liberado do cumprimento do aviso prévio.

Quanto ao endereço do advogado para intimação, deve o

Advogado e endereço para recebimento de intimações: aqui também deve-se ter cuidado para não

OAB

).

Local: BH;

Dispensa

Projetou-se o

Admissão:

imotivada:

aviso até:

16/07/1991

31/08/2003

30/09/2003

aviso até: 16/07/1991 31/08/2003 30/09/2003 Função: mecânico Salário: R$1.000,00 Aviso prévio (30
aviso até: 16/07/1991 31/08/2003 30/09/2003 Função: mecânico Salário: R$1.000,00 Aviso prévio (30
aviso até: 16/07/1991 31/08/2003 30/09/2003 Função: mecânico Salário: R$1.000,00 Aviso prévio (30
aviso até: 16/07/1991 31/08/2003 30/09/2003 Função: mecânico Salário: R$1.000,00 Aviso prévio (30

Função: mecânico

Salário: R$1.000,00

Aviso prévio

(30 dias)

Quanto ao direito propriamente dito, é importantíssimo dominar a matéria referente ao 13º salário e às férias. 13º salário

O direito ao 13º salário é assegurado pelo art. 7º, VIII da CR/88 e regulado pela Lei 4.090/62.

Para a contagem de 13º salário, deve-se considerar o ano civil, ou seja, o período compreendido entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. A contagem é feita mês a mês.

O 13º salário, embora seja devido em duas parcelas (sendo a primeira entre fevereiro e novembro e a segunda até o dia 20/12, art. 2º, da lei 4.749/65), por ocasião da extinção do contrato é pago na proporção de 1/12 da remuneração mensal por mês trabalhado. Sendo que a fração igual ou superior a 15 dias de trabalho é considerada como mês integral (art. 1º, §§ 1º e 2º da Lei 4.090/62).

A Lei 4.090/62 também assegura o pagamento do 13º salário de forma proporcional quando ocorrer: a) a

extinção do contrato de trabalho por prazo indeterminado, sem justa causa; b) a extinção do contrato de trabalho

por prazo certo; e, c) nos casos de aposentadoria do empregado, antes do mês de dezembro. Neste caso, será considerada a última remuneração para o cálculo.

Tendo em vista o exemplo acima, verifique na tabela (anos x meses trabalhados) o que é devido a título de gratificações natalinas:

 

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

1991

           

X

X

X

X

X

X

1992

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

1993

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

1994

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

1995

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

1996

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

1997

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

1998

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

1999

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

2000

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

2001

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

2002

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

2003

X

X

X

X

X

X

X

X

X

     
Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Pela tabela, verifica-se

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Pela tabela, verifica-se que, nos anos de 1992 a 2002, são devidas as gratificações natalinas de forma integral, pois houve labor durante todos os meses do ano. Deve-se atentar, de fato, para o primeiro e para o último ano do contrato.

A prestação de trabalho teve início em 16/07/91. Assim, no ano de 1991, é devido 13º salário proporcional,

de 6/12, porque no mês de julho trabalhou 16 dias (como é fração superior a 14 dias é considerado como um mês,

ensejando o cômputo de 1/12) e todos os dias dos meses subsequentes:

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

           

1/12

1/12

1/12

1/12

1/12

1/12

A dispensa ocorreu em 31/08/03, mas deve-se considerar a projeção do aviso para cálculo do 13º salário, a

qual findou em 30/09/03. Assim, no ano de 2003 é devido 13º salário proporcional, de 9/12:

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

1/12

1/12

1/12

1/12

1/12

1/12

1/12

1/12

1/12

     

Férias

Para a contagem das férias, não se considera o ano civil, mas os períodos aquisitivos.

O primeiro dia do período aquisitivo 1 (PA1) é o primeiro dia de trabalho do empregado. Assim, a título de

exemplo, se considerarmos que a data de admissão é 19/04/1995, o último dia do período aquisitivo 1 (PA1) ocorre

12 meses depois, isto é, em 18/04/1996 (conforme art. 130, da CLT).

Imediatamente após o fim de um período aquisitivo, inicia-se outro. Assim, o período aquisitivo 2 (PA2) inicia-se em 19/04/1996 e finda em 18/04/1997.

Cada vez que o empregado completa doze meses de trabalho, perfazendo um período aquisitivo, passa a ter direito de gozar e receber as férias, acrescidas de um terço (recomenda-se a leitura do capítulo de férias na CLT). O empregador deve conceder as férias nos doze meses subsequentes ao fim do período aquisitivo, isto é, dentro do período concessivo (art. 134, da CLT). Assim, no exemplo acima, o período concessivo 1 (PC1) inicia-se em 19/04/1996 e finda em 18/04/1997.

Deve-se ter em vista que, quando se inicia a contagem de um novo período aquisitivo, ao mesmo tempo, inicia-se a contagem do período concessivo referente ao período aquisitivo anterior, de forma que o período concessivo sempre coincide com o próximo período aquisitivo, senão vejamos:

Assim, ainda seguindo o exemplo acima, considere que a dispensa ocorreu em 28/07/01, tendo sido o autor liberado do cumprimento do aviso prévio, o qual se projetou até 27/08/01 e que somente foram gozadas férias nos anos de 1996, 1997, 1998 e 1999, nos meses de maio.

 

Período Aquisitivo

Gozo

PA1

19/04/95 a 18/04/96

01/05/96

PA2

19/04/96 a 18/04/97

01/05/97

PA3

19/04/97 a 18/04/98

01/05/98

PA4

19/04/98 a 18/04/99

01/05/99

PA5

19/04/99 a 18/04/00

-

PA6

19/04/00 a 18/04/01

-

PA7

19/04/01 a 27/08/01*

 

* Deve-se considerar a projeção do aviso.

Verifica-se que o PA7 não se completou e deve ser pago de forma proporcional (4/12), conforme assegura o art. 147, da CLT:

19/04/01 a 18/05/01

1/12

19/05/01 a 18/06/01

1/12

19/06/01 a 18/07/01

1/12

19/07/01 a 18/08/01

1/12

19/08/01 a 27/08/01 = 9 dias

-

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Para contagem das

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Para contagem das férias proporcionais, considera-se a data de início do período aquisitivo, mas procede-se à contagem por mês, até o último dia, atribuindo-se 1/12 da remuneração mensal para cada mês ou fração igual ou superior a 15 dias (art. 146, parágrafo único, da CLT).

No exemplo, as férias do PA5 deveriam ter sido concedidas até 18/04/01. Como não foram concedidas dentro do período concessivo, devem ser pagas em dobro, nos termos do art. 137, da CLT.

Já as férias do PA6, poderiam ter sido concedidas até 18/04/02. Como o contrato foi extinto antes disso,

ainda estando em curso o PC6, somente pode ser cobrado seu pagamento de forma simples (art. 146, caput da

CLT).

Ressalte-se que qualquer pagamento a título de férias (simples, em dobro ou de forma proporcional), deve ser acrescido do terço constitucional, conforme assegura o art. 7º, XVII da CR/88.

A lesão ao direito do obreiro às férias ocorre quando finda o período concessivo sem que tenham sido

concedidas, pelo empregador, as férias do período aquisitivo correspondente. Ao mesmo tempo em que ocorre a lesão o direito passa a ser exigível. Isto é, as férias tornam-se exigíveis em juízo após o término do período

concessivo (art. 137, da CLT), quando, então, começa a fluir o respectivo prazo prescricional.

Tendo em vista o art. 7º, XXIX da CR/88, os créditos decorrentes da relação de trabalho devem ser exigidos

em até cinco anos e, supondo que no exemplo acima, o obreiro não tivesse gozado qualquer período de férias e que

a ação tenha sido proposta em 28/05/2002, é certo que, conforme gráfico a seguir, a partir de 19/04/02, estariam prescritas as férias do PA1. Isso porque já teriam transcorrido cinco anos a partir do momento que se tornou exigível tal direito.

PA1 PA2 PA3 PA4 PA5 5 PA6 PA7 19/04/96 19/04/97 19/04/98 27/08/02 19/04/95 19/04/01 19/04/99
PA1
PA2
PA3
PA4
PA5 5
PA6
PA7
19/04/96
19/04/97
19/04/98
27/08/02
19/04/95
19/04/01
19/04/99
19/04/00
PC1
PC2
PC3
PC4
PC5
PC6
28/05/02

Início do prazo prescricional: 5 anos a contar do ajuizamento da ação (28/05/1997)

Destacam-se, ainda, outras dicas:

- Sempre observar que as horas extras, para refletirem nas demais verbas, devem ser HABITUAIS.

- Caso o rito seja sumaríssimo (até 40 salários mínimos, na data da propositura da ação – art. 852-A da CLT), os pedidos de pagamento devem ser todos liquidados.

- Caso haja discussão de jornada de trabalho, havendo controle de jornada (lembrando que quando a

empresa ré tiver mais do que 10 empregados, tal controle é obrigatório – art. 74, § 2º, da CLT), deve-se requerer a intimação da ré para apresentação dos cartões de ponto, sob as penas do art. 359 do CPC.

- Quando o pagamento das verbas rescisórias não for realizado a tempo e modo, o autor também fará jus ao

pagamento da multa do art. 477, §8º, da CLT, em valor equivalente ao seu salário. Os prazos, previstos no art. 477,

§ 6º, são:

alínea “a”: até o 1º dia útil após o término do cumprimento do aviso;

alínea “b”: até o 10º dia, quando não for dado aviso, for o aviso indenizado ou houver dispensa de seu cumprimento.

Se a mora perdurar após a 1ª assentada, caso é de aplicação do art. 467, da CLT, fazendo jus o empregado ao

pagamento das verbas rescisórias incontroversas acrescidas de 50%.

- Não deve esquecer o advogado que, sobre as verbas rescisórias salariais (saldo de salário e 13º salário),

bem como sobre o aviso prévio indenizado (súmula 305, TST), incide FGTS (art. 18, da Lei 8.036/90). No entanto, não incide FGTS sobre as férias (acrescidas do terço constitucional) pagas na rescisão (a título de indenização), diferentemente das férias gozadas e pagas ao longo do contrato (pois têm natureza salarial).

- Em caso de extinção do contrato de trabalho por ato do empregador (dispensa imotivada e rescisão

indireta), também faz jus o autor à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS) e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego, sob pena de indenização substitutiva).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan - Na extinção

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- Na extinção normal do contrato a termo e na culpa recíproca, faz jus o autor à entrega da guia TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS).

Antes da redação da petição inicial, aconselha-se:

a) Uma primeira leitura atenta do enunciado;

b) uma segunda leitura, durante a qual, deve-se destacar e separar dados referentes às partes e anotar no

rascunho tópicos conforme os direitos/pedidos que sejam identificados. Também devem ser anotadas, no rascunho, datas, valores, percentuais, etc, que se refiram a estes tópicos, ou feitos grifos de canetas com cores distintas, de forma a facilitar a visualização do problema;

c) por fim, deve-se fazer nova leitura, comparando-se as informações resumidas do rascunho com os dados

do enunciado de forma a se verificar se há algum dado importante que não tenha sido anotado e se as informações

foram anotadas de forma correta;

d) a partir das anotações do rascunho, deve-se buscar a fundamentação jurídica de cada tópico e fazer um

esboço dos silogismos;

e) fazer um esquema da ordem dos itens da inicial.

f) ainda no rascunho deverão ser feitos cálculos de férias e verbas rescisórias (e outras, se for pedido).

g) O esquema feito no rascunho deve ser usado para auxiliar na elaboração da peça.

Mas não se esqueça de que NÃO HAVERÁ TEMPO SUFICIENTE PARA FAZER A PEÇA NO RASCUNHO PARA DEPOIS PASSAR A LIMPO, ou seja, o rascunho é apenas um esboço.

MONTAGEM DE SILOGISMOS PARCIAIS

1. Suponha que você é advogado de um mecânico que foi contratado, em Belo Horizonte, no dia 16/7/1991, sendo que o ato volitivo para extinção do contrato se deu no dia 31/08/2003, após recebimento dos salários do mês de agosto, quando percebia salário de R$1.200,00 e levando em conta as seguintes hipóteses:

a) o autor se demitiu, cumpriu aviso e não recebeu as verbas rescisórias

O autor foi contratado pela ré no dia 16/07/1991, para exercer a função de mecânico, em Belo Horizonte, mediante

salário de R$ 1.200,00 mensais. No dia 31/08/2003 comunicou sua demissão ao empregador, tendo cumprido aviso prévio até o dia 30/09/2003. Contudo, até o momento, o autor não recebeu qualquer parcela rescisória, fazendo jus ao pagamento de saldo de salário (30 dias), 13º proporcional (9/12) e férias proporcionais + 1/3 (03/12), sem prejuízo do recolhimento do FGTS sobre 13º salário e saldo de salário (art. 18 da lei 8.036/90).

Como as verbas rescisórias não foram pagas até o primeiro dia útil posterior ao término do aviso prévio trabalhado, conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “a” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário.

Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas

de 50% (multa do art. 467, da CLT).

b) o autor se demitiu, foi liberado do cumprimento do aviso em razão de novo emprego e não recebeu as verbas rescisórias

O autor foi contratado pela ré no dia 16/07/1991, para exercer a função de mecânico, em Belo Horizonte, mediante

salário de R$ 1.200,00 mensais. No dia 31/08/2003 comunicou sua demissão ao empregador, que o liberou de cumprir o aviso prévio em razão de ter obtido novo emprego (Súmula 276 do TST). Contudo, até o momento, o autor não recebeu qualquer parcela rescisória, fazendo jus ao pagamento de: 13º salário (08/12) e férias proporcionais + 1/3 (02/12), sem prejuízo do recolhimento do FGTS sobre o 13º salário (art. 18 da lei 8.036/90).

Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da comunicação da demissão, conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “b” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário.

Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas

de 50% (multa do art. 467, da CLT).

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c)

o autor foi dispensado, cumpriu aviso e não recebeu as verbas rescisórias

O

autor foi contratado pela ré no dia 16/07/1991, para exercer a função de mecânico, em Belo Horizonte, mediante

salário de R$ 1.200,00 mensais. No dia 31/08/2003, foi imotivadamente dispensado e cumpriu aviso prévio até 30/09/2003. Contudo, até o momento, não recebeu qualquer parcela rescisória, fazendo jus ao pagamento de: saldo de salário (30 dias); 13º salário (09/12); recolhimento do FGTS sobre 13º salário e saldo de salário (art. 18 da lei 8.036/90); indenização de 40% do FGTS; férias proporcionais + 1/3 (03/12); bem como, à liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS, garantida a integralidade dos depósitos) e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego, sob pena de indenização substitutiva).

Como as verbas rescisórias não foram pagas até o primeiro dia útil posterior ao término do aviso prévio trabalhado, conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “a” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário.

Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas

de

50% (multa do art. 467, da CLT).

d)

o autor foi dispensado, liberado do cumprimento do aviso e não recebeu as verbas rescisórias

O

autor foi contratado pela ré no dia 16/07/1991, para exercer a função de mecânico, em Belo Horizonte, mediante

salário de R$ 1.200,00 mensais. No dia 31/08/2003 foi imotivadamente dispensado e liberado do cumprimento do aviso prévio, que se projetou até o dia 30/09/2003. Contudo, até o momento, não recebeu qualquer parcela rescisória, fazendo jus ao pagamento de: aviso prévio (súmula 276, TST); 13º salário (09/12); recolhimento do FGTS sobre o 13º salário e aviso prévio (art. 18 da lei 8.036/90; súmula 305, TST); indenização de 40% do FGTS; férias proporcionais + 1/3 (03/12); bem como, à liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS, garantida a integralidade dos depósitos) e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego, sob pena de indenização substitutiva).

Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da dação do aviso prévio, conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “b” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário.

Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas

de

50% (multa do art. 467, da CLT).

e)

o autor rescindiu o contrato por culpa do empregador conforme uma hipótese do art. 483, da CLT

(escolha por conta do aluno) e não recebeu as verbas rescisórias

O autor foi contratado pela ré no dia 16/07/1991, para exercer a função de mecânico, em Belo Horizonte, mediante

salário de R$1.200,00 mensais.

No dia 31/08/2003, recebeu o salário de agosto de 2003 e constatou que a ré o reduzira unilateralmente para R$1.000,00 (um mil reais mensais), o que viola o princípio da irredutibilidade salarial (art. 7º, VI, da CR/88) e configura alteração lesiva do contrato de trabalho (art. 468, CLT), razão pela qual restou tipificada uma hipótese permissiva de rescisão indireta do contrato de trabalho, prevista no art. 483, alínea “d”, da CLT. Após se certificar do ato praticado pelo empregador, o obreiro comunicou à ré, imediatamente, a rescisão indireta de seu contrato de trabalho, deixando de trabalhar naquele mesmo dia (art. 483, § 3º, da CLT.

A ré, no entanto, não acolheu a referida rescisão indireta. E, até o momento, não foi baixada a CTPS do obreiro, o

que lhe é de direito, nem lhe foi paga qualquer parcela rescisória. Portanto, o autor faz jus ao pagamento de: aviso

prévio; 13º salário (09/12); recolhimento do FGTS sobre o 13º salário e aviso prévio (art. 18 da lei 8.036/90; Súmula 305, TST); indenização de 40% do FGTS; férias proporcionais + 1/3 (03/12); bem como, à liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS, garantida a integralidade dos depósitos) e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego, sob pena de indenização substitutiva), bem como da diferença decorrente da redução salarial.

Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da notificação da rescisão indireta (art. 477, § 6º, alínea “b” da CLT), faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário (multa do art. 477, § 8º, da CLT).

Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas

de 50% (multa do art. 467, da CLT).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

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2. Dando continuidade ao exercício, tem-se que o seu cliente trabalhava de 2ª a 6ª feira, de 07:00 às 11:00 e de

14:00 às 18:00 horas, conforme se constata em seus cartões de ponto. Faça o silogismo para pleito de horas extras, levando-se em conta, inclusive, que as convenções coletivas do período estabelecem adicional de horas extras de 75%.

Ao longo de todo o pacto, sempre laborou no horário de 07:00 às 18:00 horas, com intervalo de 11:00 às 14:00 horas (três horas), de segunda a sexta-feira, conforme cartões de ponto.

Tendo-se em vista que o art. 71, caput da CLT, estabelece que o intervalo para a jornada superior a seis horas é de, no máximo, duas horas, tem-se que, nos termos do art. 4º da CLT, o autor ficava uma hora à disposição do empregador, a qual integra a jornada de trabalho para todos os efeitos. Desse modo, tinha o autor uma jornada de nove horas diárias, extrapolando assim, o limite máximo de 8 horas (art. 7º, XIII, da CR/88) em uma hora por dia, ao longo de todo pacto. Assim, faz jus o autor a uma hora extra, acrescida do adicional de 75%, conforme previsto nos instrumentos normativos (anexos), que jamais foi paga. Por serem habituais, faz jus, ainda, aos seus reflexos no RSR, 13º salário, férias +1/3, aviso prévio, FGTS +40%.

NOTA:

A jornada legal de 8 horas dá direito a intervalo intrajornada de, no máximo, duas horas (art. 71, caput da CLT) e

de, no mínimo, uma hora.

Se for intervalo maior, a parte que exceder as duas horas é considerada como tempo à disposição (art. 4º, da CLT) e é computada na jornada como se fosse tempo efetivamente trabalhado.

Atenção! Intervalo a maior não implica, necessariamente, pagamento de hora extra! Fique atento para essas três

dicas:

1-

O tempo será somado à jornada e, se esta ultrapassar o limite legal, é que serão devidas as horas extras.

2-

Contrato individual de trabalho e instrumentos normativos podem estipular intervalo maior que o intervalo legal

(art. 71, caput, da CLT).

3- O intervalo do rural tem certas peculiaridades, admitindo-se um intervalo superior às duas horas conforme usos e

costumes da região (Lei 5.889/73, art. 5º), bem como se o obreiro laborar em serviço caracteristicamente intermitente (Lei 5.889/73, art. 6º), tais como tirar leite (de manhã e à tarde, com intervalo superior a duas horas).

3. Agora, suponha que o seu cliente tenha trabalhado de 2ª a 6ª feira, de 07:00 às 15:30 horas, com apenas

quarenta minutos de descanso, conforme se constata em seus cartões de ponto. Faça o silogismo para pleitear o que entender de direito, levando-se em conta que as convenções coletivas do período estabelecem adicional de horas extras de 75%.

O autor laborava de 2ª a 6ª feira, de 07:00 às 15:30 horas, com quarenta minutos de intervalo, conforme anotações

nos cartões de ponto, totalizando 7:50 horas de labor diário. Estabelece o art. 71, caput, da CLT que, no caso de jornada superior a seis horas, o trabalhador faz jus a um intervalo para descanso e refeição de, pelo menos, uma hora, sob pena de ser obrigado o empregador a remunerar o período correspondente com um acréscimo de, no mínimo, cinquenta por cento sobre o valor da remuneração da hora normal (conforme §4º do mesmo art. 71, da CLT). In casu, como o autor gozava de intervalo inferior a uma hora, faz jus ao pagamento de 01 (uma) hora extra (uma vez que o intervalo concedido não atendeu ao objetivo previsto na norma, qual seja, descanso e alimentação - OJ 307, SDI-I), acrescida de 75%, conforme garantem os instrumentos normativos da categoria no período (anexos). Habituais, as horas extraordinárias geram reflexos no RSR, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio e FGTS + 40% (OJ 354, do TST).

NOTA:

A jornada legal de 8 horas diárias dá direito a intervalo intrajornada de, no mínimo, uma hora (art. 71, caput da

CLT).

Se o intervalo for concedido a menor, há pelo menos duas teorias aplicáveis:

1ª Teoria (hoje majoritária): o intervalo menor que uma hora não cumpre sua função e deve ser desconsiderada sua concessão, nos termos da OJ 307. Deve-se pedir o pagamento do valor do intervalo mínimo previsto, acrescido de 50%. Por ter natureza salarial, gera reflexos em RSR, aviso prévio, 13º salário, férias + 1/3, FGTS e indenização de 40% do FGTS (OJ 354, SDI-1,TST). O adicional de horas extras mais favorável previsto nos instrumentos normativos é aplicável, pois se trata de hora extra.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Essa teoria também

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Essa teoria também foi encampada pela Súmula 27 do TRT da 3ª Região (aprovada em 25/10/2007), cujo conteúdo dispõe que a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo gera para o empregado o direito ao pagamento, como extraordinário, da integralidade do período destinado ao repouso e alimentação, nos termos do parágrafo 4º

do artigo 71, da CLT e da Orientação Jurisprudencial nº 307 da SDI-I/TST.

2ª Teoria: o pagamento do labor durante o período do intervalo como hora extra (art. 71, § 4º, da CLT). Deve-se pedir os minutos que faltarem para completar uma hora ou, se não era concedido intervalo algum, 60 minutos, acrescidos do adicional de 50%, salvo se previsto adicional (a título de horas extras) mais favorável em instrumentos normativos. O caráter é salarial e, portanto, gera reflexos em RSR, 13º salário, férias + 1/3, aviso prévio, FGTS e indenização de 40% sobre o FGTS.

4. A empresa contratou José de Alencar Abreu no dia 02/01/1994, mediante um salário de R$1.440,00

mensais, para exercer as mesmas atividades do seu cliente. Faça o que for possível por seu cliente.

A partir de 02/01/1994, o autor laborou juntamente com José de Alencar Abreu, o qual fica indicado como

paradigma, no exercício das mesmas funções de mecânico. No entanto, o paradigma percebia salário superior em, pelo menos, 20% ao do autor, o que configura discriminação. Estabelece o art. 461, caput, da CLT que será devido o mesmo salário para empregados que exerçam a mesma função, para o mesmo empregador e no mesmo local de trabalho, prestando trabalho de igual valor. Assim, o autor faz jus à equiparação salarial com o consequente

pagamento das diferenças salariais e de seus reflexos em 13º salário, férias + 1/3, aviso prévio e FGTS+40%.

NOTA:

Os requisitos para a equiparação salarial estão previstos no art. 461 da CLT. Na petição inicial, deve-se demonstrar:

a) identidade de função – desempenho das mesmas atividades, não importando o cargo para o qual o

empregado foi contratado (princípio da primazia da realidade sobre a forma). Súmula 6, III, do TST;

b) identidade de empregador – o empregador tem que ser o mesmo. Admite-se equiparação entre

empregados de empresas diferentes do mesmo grupo econômico porque todas as empresas são solidárias quanto à relação de emprego (tanto nos bônus quanto nos ônus);

c) identidade de localidade – a jurisprudência recente é no sentido de que tal conceito refere-se, em

princípio, ao mesmo município, ou a municípios distintos que, comprovadamente, pertençam à mesma região metropolitana (súmula 6, X, do TST).

Entendemos ser desnecessário fazer menção à produtividade e perfeição técnica (na petição inicial) pois a sua negativa é fato obstativo ao direito do autor e, portanto, ônus de prova do réu (art. 818 da CLT c/c art. 333, II do CPC – súmula 6, VIII, do C. TST). No entanto, alguns juízes costumam extinguir o processo sem resolução do mérito, suscitando, até mesmo de ofício, a inépcia da petição inicial. Não concordamos com tal atitude, mas aconselhamos a menção à produtividade e perfeição técnica na peça inicial, para evitar prejuízo ao cliente.

É desaconselhável, na petição inicial, fazer qualquer menção aos demais fatos obstativos à equiparação salarial.

Por outro lado, caberá à defesa alegar (e provar) fatos que impeçam a equiparação, quais sejam: diferença de tempo na mesma função (entre paradigma e paragonado = autor) superior a dois anos; não ter, o trabalho do paragonado, a mesma perfeição técnica ou mesma produtividade que o trabalho do paradigma; existência de quadro de carreira homologado pelo Ministério do Trabalho (Súmula 06, I, do TST), com promoções alternadas por merecimento e antiguidade; ser o paradigma readaptado no exercício de novas funções.

5. O mesmo cliente do exemplo anterior trabalhou em contato permanente com graxas, óleo diesel, gasolina,

querosene, sem nenhum equipamento de proteção individual. Monte o silogismo que possibilite o pedido referente a esta lesão, supondo que o piso da categoria, previsto nos instrumentos normativos, sempre foi igual a dois salários mínimos.

Estabelece o art. 192 da CLT que o trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional de insalubridade, em grau a ser definido em perícia

técnica (art. 195 da CLT). In casu, o autor trabalhava em contato permanente com graxas, óleo diesel, gasolina, querosene, sem a devida proteção contra tais agentes, cuja nocividade é reconhecida na NR/15 do Ministério do Trabalho. Como jamais recebeu qualquer verba pela prestação de serviços em tal situação mais gravosa à sua saúde, faz jus ao pagamento do adicional de insalubridade, em grau a ser fixado por perícia e calculado sobre o piso

da categoria, igual a dois salários mínimos, conforme constam dos instrumentos normativos anexos (súmulas 17 e

228 do TST) 1 .

1 A súmula 17 foi cancelada. A súmula 228, do TST encontra-se suspensa pelo STF, em função da súmula vinculante número 4.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Tendo-se em vista

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Tendo-se em vista a habitualidade e a natureza salarial do adicional, faz jus também aos reflexos nas gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio e FGTS acrescido da indenização de 40%.

6. O mesmo cliente do exemplo anterior trabalhava ao lado do depósito de combustível de um posto de

gasolina vizinho sem qualquer contraprestação correspondente. Monte o silogismo para fundamentar o seu direito.

O art. 193 da CLT prevê adicional de periculosidade, no importe de 30% do salário-base do obreiro (súmula 191 do

TST), aos trabalhadores em situação de risco acentuado de vida, quando em contato com inflamáveis, na forma da regulamentação do Ministério do Trabalho. A NR-16 da Portaria 3.214/85 assegura o adicional de periculosidade aos empregados que trabalham a menos de sete metros e meio de distância da bomba de gasolina. In casu, o autor laborava ao lado do depósito de combustível do posto de gasolina vizinho. Assim, faz jus ao pagamento do adicional de periculosidade, no importe de 30% do salário-base, e, tendo-se em vista a habitualidade, aos seus reflexos em gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio e FGTS + 40%.

7. No mês de janeiro de 2000, o seu cliente laborou no turno da madrugada, no horário de 22:00 às 06:00

horas, usufruindo uma hora de intervalo para descanso e refeição. No entanto, recebeu apenas o salário-base durante este período. Monte o silogismo para defesa do interesse do trabalhador.

Estabelece o art. 73 da CLT que o trabalho realizado no horário de 22:00 às 5:00 horas da manhã do dia seguinte será remunerado com um acréscimo de 20% em relação ao valor da hora diurna, sem o prejuízo do cômputo da hora ficta noturna como sendo de 52 minutos e 30 segundos e da extensão do direito ao adicional sobre as horas

laboradas além do fim do horário noturno, se cumprida integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta (súmula 60, II, TST). In casu, o obreiro laborou, no mês de janeiro de 2000, no horário de 22:00 às 6:00 horas

da manhã do dia seguinte, com uma hora de intervalo. Assim, faz jus ao adicional noturno (de 20% do valor da hora

diurna) sobre 8 horas diárias, bem como seus reflexos nos descansos semanais remunerados, gratificação natalina, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS acrescido da indenização de 40%.

8. Ainda o mesmo coitado do seu cliente trabalhou no mês de julho de 2000 no município de Araxá, mas

nada recebeu além do salário acima mencionado.

No mês de julho de 2000, o autor trabalhou, provisoriamente, no município de Araxá, sem receber nada por isso. Dispõe o art. 469, §3º, da CLT que, sendo provisória a prestação de serviços em outro local, é devido um adicional não inferior a 25% sobre os salários percebidos naquela localidade, enquanto perdurar a situação. Portanto, faz jus ao pagamento do adicional de transferência, no importe de 25% sobre os salários percebidos no período em que esteve em Araxá, bem como de seus reflexos em 13º salário, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS + 40%.

Nota: Não há reflexos em aviso prévio porque a transferência ocorreu antes de 12 meses, contados do fim do contrato. Não há reflexo no DSR porque a base de cálculo do adicional de transferência é o complexo salarial mensal que ele percebeu enquanto esteve naquele outro local.

9. Agora, para complicar um pouquinho mais, o seu cliente trabalhou todo este tempo sem carteira assinada,

sem nunca ter faltado a um só dia de serviço, sendo certo que sempre recebeu ordens do dono da oficina, bem como batia cartão de ponto.

Não obstante o autor, pessoa física, sempre tenha prestado serviço de forma pessoal (sem se fazer substituir por outrem), não eventual (ao longo de todo o pacto, em atividade essencial ao objeto social da empresa, 5 vezes por semana), onerosa (mediante salário previamente ajustado) e subordinada (com controle de jornada e recebendo ordens diretamente do dono da oficina), não teve sua CTPS anotada. Assim, atendidos os pressupostos da relação de emprego previstos nos artigos 2º e 3º, ambos da CLT, o autor faz jus à sua declaração e consequente anotação da CTPS, bem como à regularização dos depósitos previdenciários.

Estabelece o art. 134 da CLT que as férias serão concedidas por ato do empregador nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito, devendo o empregador pagá-las em dobro, caso não o faça no período concessivo (art. 137 da CLT), acrescidas do terço constitucional (art. 7º, inciso XVII da CR/88). In casu, o autor nunca gozou ou recebeu férias. Assim, o autor faz jus ao recebimento das férias de 1991/92, 1992/93, 1993/94, 1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99, 1999/00, 2000/01 e 2001/02, de forma dobrada, eis que não concedidas dentro do respectivo período concessivo, as de 2002/2003, de forma simples, e as de 2003/2004 de forma proporcional (03/12), vez que se encontrava em curso o período aquisitivo quando extinto o contrato de trabalho (art. 146, parágrafo único, CLT), todas acrescidas do terço constitucional.

Estabelece o art. 1º da Lei 4.090/62 que, no mês de dezembro de cada ano, será paga pelo empregador uma gratificação salarial no importe de 1/12 (um doze avos) da remuneração por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 dias. In casu, o autor jamais recebeu referida gratificação. Assim, faz jus às gratificações natalinas dos anos de 1991 (06/12), 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003 (9/12, já computada a projeção do aviso prévio, conforme art. 487, §1º, da CLT).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan De acordo com

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

De acordo com o art. 15 da Lei 8.036/90, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 07 de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8% da remuneração do mês anterior. No caso em tela, esta importância jamais foi depositada. Assim, o autor faz jus ao recebimento do FGTS incidente sobre as verbas remuneratórias de todo o pacto, inclusive sobre as verbas rescisórias de natureza salarial.

10. Agora, encontre a melhor ordem para os silogismos supra e faça os pedidos, partindo do princípio de que a CTPS não foi assinada e que ocorreu a hipótese 1.d.

Exmo. Sr. Juiz da

(Espaço de 10 linhas em branco)

<AUTOR: nome, qualificação, documentação e endereço completo> vem, respeitosamente, perante V. Exa., por seu procurador in fine assinado (procuração anexa), ajuizar a presente AÇÃO TRABALHISTA em face de <RÉU: nome/denominação social, CPF/CNPJ, endereço completo> pelas seguintes razões de fato e de direito.

Vara do Trabalho de Belo Horizonte – MG

I – DOS FATOS E FUNDAMENTOS

1. O autor foi contratado pela ré no dia 16/07/1991, para exercer a função de mecânico, em Belo Horizonte,

mediante salário de R$ 1.200,00 mensais. No dia 31/08/2003 foi imotivadamente dispensado e liberado do cumprimento do aviso prévio.

2. Não obstante o autor, pessoa física, sempre tenha prestado serviço de forma pessoal (sem se fazer

substituir por outrem), não eventual (ao longo de todo o pacto, em atividade essencial ao objeto social da empresa),

onerosa (mediante salário previamente ajustado) e subordinada (com controle de jornada e recebendo ordens diretamente do dono da oficina), não teve sua CTPS anotada. Assim, atendidos os pressupostos da relação de emprego previstos nos artigos 2º e 3º, ambos da CLT, o autor faz jus à sua declaração e consequente anotação da CTPS, bem como à regularização dos depósitos previdenciários.

3. Estabelece o art. 134 da CLT que as férias serão concedidas por ato do empregador nos 12 (doze) meses

subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito, devendo o empregador pagá-las em dobro, caso não o faça no período concessivo (art. 137 da CLT), acrescidas do terço constitucional (art. 7º, inciso XVII da CR/88). In casu, o autor nunca gozou ou recebeu férias. Assim, faz jus ao recebimento das férias de 2002/2003, de forma simples, e as dos períodos 1991/92, 1992/93, 1993/94, 1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99,

1999/00, 2000/01 e 2001/02, de forma dobrada, eis que não concedidas dentro do respectivo período concessivo, todas acrescidas do terço constitucional.

4. Estabelece o art. 1º da Lei 4.090/62 que, no mês de dezembro de cada ano, será paga pelo empregador

uma gratificação salarial no importe de 1/12 (um doze avos) da remuneração por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 dias. In casu, o autor jamais recebeu referida gratificação. Assim, faz jus às gratificações natalinas dos

anos de 1991 (06/12), 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003 (9/12, já computada a projeção do aviso prévio, conforme art. 487, §1º, da CLT).

5. De acordo com o art. 15 da Lei 8.036/90, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 07

de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8% da remuneração do mês anterior. No caso em tela, tal importância jamais foi depositada. Assim, o autor faz jus ao recebimento do FGTS incidente sobre as verbas remuneratórias de todo o pacto, inclusive sobre as verbas rescisórias de natureza salarial (saldo de salário, aviso prévio e 13º salário).

6. Tendo em vista que a dispensa foi imotivada e que, até o momento, não recebeu qualquer parcela

rescisória, faz jus ao pagamento do saldo de salário, aviso prévio, 13º salário (09/12), férias proporcionais (03/12) + 1/3 e indenização de 40% do FGTS, bem como à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para

saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa do réu.

7. Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da dação do aviso prévio,

conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “b” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário. Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas de 50% (multa do art. 467 da CLT).

8. O autor laborava de 2ª a 6ª feira, de 07:00 às 18:00 horas, com 3 horas de intervalo, conforme anotações

nos cartões de ponto. Estabelece o art. 71, caput, da CLT, que, no caso de jornada superior a seis horas, o trabalhador faz jus a um intervalo para descanso e refeição de, no máximo, duas horas. Como o intervalo concedido pelo empregador era de três horas, tem-se que o autor ficava à disposição do empregador durante 1 hora, a qual integra a jornada de trabalho (art. 4º da CLT). Portanto, o autor laborava 9 horas diárias, razão pela qual restou

extrapolada a jornada máxima de 8 horas (art. 7º, XIII da CR/88) em 1 hora por dia, ao longo de todo o pacto laboral. Assim, o autor faz jus ao pagamento de uma hora extra diária, ao longo de todo o pacto, a qual deve ser acrescida do adicional de 75%, conforme garantem os instrumentos normativos do período. Sendo habituais as horas extras, geram reflexos no RSR, 13º salário, férias + 1/3, aviso prévio e FGTS+40%.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan 9. Estabelece o

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9. Estabelece o art. 73 da CLT que o trabalho realizado no horário de 22:00 às 5:00 horas da manhã do dia seguinte será remunerado com um acréscimo de 20% em relação ao valor da hora diurna, sem o prejuízo do cômputo da hora ficta noturna como sendo de 52 minutos e 30 segundos e da extensão do direito ao adicional sobre as horas laboradas além do fim do horário noturno, se cumprida integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta (súmula 06, II, TST). In casu, o obreiro laborou, no mês de janeiro de 2000, no horário de 22:00 às 6:00 horas da manhã do dia seguinte, com uma hora de intervalo. Assim, faz jus ao adicional noturno (de 20% do valor da hora diurna) sobre 8 horas diárias, bem como seus reflexos nos descansos semanais remunerados, gratificação natalina, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS acrescido da indenização de 40%.

10. A partir de 02/01/1994, o autor laborou juntamente com José de Alencar Abreu, o qual fica indicado

como paradigma, no exercício das mesmas funções de mecânico, com igual produtividade e perfeição técnica. No entanto, o paradigma percebia salário superior em pelo menos 20% ao do autor, o que configura discriminação. Estabelece o art. 461, caput, da CLT que será devido o mesmo salário para empregados que exercem a mesma função, para o mesmo empregador e no mesmo local de trabalho, prestando trabalho de igual valor. Assim, o autor faz jus à equiparação salarial com o consequente pagamento das diferenças salariais e de seus reflexos em 13º salário, férias + 1/3, horas extras, adicional noturno, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, adicional de transferência, FGTS+40% e aviso prévio.

11. Estabelecem o art. 7º, inc. XXIII da CR/88 e o art. 192 da CLT que o exercício de trabalho em

condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional de insalubridade, em grau a ser definido em perícia técnica (art. 195 da CLT). In casu, o autor trabalhava em contato permanente com graxas, óleo diesel, gasolina, querosene, sem a devida proteção contra tais agentes, cuja nocividade é reconhecida na NR/15 do Ministério do Trabalho. Como jamais recebeu qualquer verba pela prestação de serviços em tal situação mais gravosa à sua saúde, faz jus ao pagamento do adicional de insalubridade, em grau a ser fixado por perícia e calculado sobre o piso da categoria, igual a dois salários mínimos, conforme constam dos instrumentos normativos.

Tendo-se em vista a habitualidade, faz jus também aos reflexos nas horas extras, adicional noturno, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio e FGTS acrescido da indenização de

40%.

12. O art. 193 da CLT prevê que é assegurado o adicional de periculosidade, no importe de 30% do salário-

base do obreiro (súmula 191 do TST), aos trabalhadores em situação de risco acentuado de vida, quando em contato com inflamáveis ou explosivos, na forma da regulamentação do Ministério do Trabalho. A NR-16 do Ministério do Trabalho assegura o direito ao adicional de periculosidade aos empregados que trabalham a menos de sete metros e meio de distância da bomba de gasolina. In casu, o autor laborava ao lado do depósito de combustível do posto de gasolina vizinho. Como jamais recebeu qualquer verba pela prestação de serviços em tal situação mais gravosa à sua saúde, faz jus ao pagamento do adicional de periculosidade, no importe de 30% sobre o salário base, e, tendo-se em vista a habitualidade, aos seus reflexos em horas extras, adicional noturno, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio e FGTS + 40%.

13. No mês de julho de 2000, o autor trabalhou provisoriamente no município de Araxá, sem receber nada

por isso. Dispõe o art. 469 da CLT que, sendo provisória a prestação de serviços em outro local, é devido um adicional não inferior a 25% sobre os salários, enquanto perdurar a situação. Portanto, faz jus ao pagamento do

adicional de transferência, no importe de 25% sobre os salários, bem como de seus reflexos nas horas extras, gratificação natalina, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS + 40%.

II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, impossibilitado de ver satisfeitas, de forma espontânea, as suas pretensões, o autor requer a citação da ré para, sob as penas da lei, comparecer à audiência a ser designada e, querendo, apresentar defesa e acompanhar o processo até final sentença que, julgando procedentes os pedidos, declarará a relação de emprego e condenará a ré a assinar a CTPS do obreiro, entregar as guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa da ré, bem como condenará a ré a pagar ao autor as seguintes parcelas:

a) férias vencidas 91/92, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

a) férias vencidas 92/93, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

b) férias vencidas 93/94, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

c) férias vencidas 94/95, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

d) férias vencidas 95/96, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

e) férias vencidas 96/97, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

f) férias vencidas 97/98, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan g) férias vencidas

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

g)

férias vencidas 98/99, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

h)

férias vencidas 99/00, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

i)

férias vencidas 00/01, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

j)

férias vencidas 01/02, em dobro + 1/3

R$ 3.200,00;

k)

férias vencidas 02/03, simples + 1/3

R$ 1.600,00;

l)

férias proporcionais 03/12 + 1/3 (3/12)

R$ 400,00;

m)

13º salário de 1991 (6/12)

R$ 600,00;

n)

13º salário de 1992

R$ 1.200,00;

o)

13º salário de 1993

R$ 1.200,00;

p)

13º salário de 1994

R$ 1.200,00;

q)

13º salário de 1995

R$ 1.200,00;

r)

13º salário de 1996

R$ 1.200,00;

s)

13º salário de 1997

R$ 1.200,00;

t)

13º salário de 1998

R$ 1.200,00;

u)

13º salário de 1999

R$ 1.200,00;

v)

13º salário de 2000

R$ 1.200,00;

w)

13º salário de 2001

R$ 1.200,00;

x)

13º salário de 2002

R$ 1.200,00;

y)

13º salário (9/12)

R$ 900,00;

z)

FGTS de todo o pacto laboral, sobre todas as verbas remuneratórias

a apurar;

aa)

aviso prévio

R$ 1.200,00;

bb)

indenização de 40% do FGTS

a apurar;

cc)

multa do art. 477, §8º, da CLT

R$ 1.200,00;

dd)

diferenças salariais decorrentes da equiparação salarial e seus reflexos em horas extras, adicional noturno,

adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, adicional de transferência, FGTS+40%, gratificações

natalinas, férias + 1/3 e aviso prévio

ee) adicional de insalubridade sobre piso da categoria e reflexos em horas extras, adicional noturno, FGTS+40%,

13º salário, férias + 1/3 e aviso prévio

ff) alternativamente ao pedido anterior, com direito de escolha ao que for mais benéfico (sob o aspecto financeiro),

adicional de periculosidade e reflexos em horas extras, adicional noturno, FGTS+40%, 13º salário, férias + 1/3 e

aviso prévio

gg) adicional de transferência durante o mês de julho/2000 e reflexos nas horas extras, FGTS+40%, 13º salário e

a apurar;

a apurar;

a apurar;

férias + 1/3

 

a apurar;

hh)

1 (uma) hora extra diária, durante todo o pacto, acrescida de 75%

 

a apurar;

ii)

reflexos das horas extras diárias no RSR, FGTS+40%, 13º salário, férias + 1/3 e aviso prévio

a apurar;

jj)

adicional noturno (durante o mês de janeiro/2000) e reflexos nos descansos semanais remunerados,

gratificação

natalina,

férias

acrescidas

do

terço

constitucional

e

FGTS

acrescido

da

indenização

de

40%

a apurar;

kk)

multa do art. 467 da CLT (50%)

 

a apurar;

ll)

saldo de salário

a apurar.

Tudo corrigido e com juros nos termos da legislação trabalhista específica.

Requer, ainda, seja intimada a ré para juntar os cartões de ponto do autor, ao longo de todo o pacto laboral, sob pena de presumirem-se verdadeiros todos os horários alegados nesta exordial (art. 355 c/c art. 359, do CPC).

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal da ré, sob pena de confissão (art. 343, § 2º, CPC).

Dá à causa o valor de R$

Nestes termos, pede deferimento.

Local e Data.

Advogado

OAB

Endereço do advogado para intimação

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan INICIAL 01 –

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

INICIAL 01 – JOSÉ DA SILVA x METALÚRGICA SANTA CECÍLIA LTDA ENUNCIADO

Você foi procurado por JOSÉ DA SILVA que informou ter trabalhado para METALÚRGICA SANTA CECÍLIA LTDA., situada em Belo Horizonte, de 07.04.1995 a 25.01.2002, como técnico de manutenção, cumprindo jornada de trabalho de 07:00 às 17:00 horas, de segunda-feira a sábado. Quando começou a trabalhar, ajustou um salário mensal de R$2.700,00. No entanto, não foi registrado na empresa ao argumento de que, caso fosse anotada sua CTPS, sofreria ele um desconto de 20% no salário a título de previdência social. Durante todo o período do contrato de trabalho, contou com um intervalo de 11:00 às 14:00 horas. Por ocasião da extinção do contrato, o chefe de departamento de pessoal da empresa declarara que, por questão de reestruturação do quadro de pessoal, não mais precisaria dos seus serviços e que, como não fora registrado, não tinha qualquer crédito a receber, salvo os dias trabalhados em janeiro/2002 – R$2.250,00 – valor esse que somente poderia ser pago ao final de fevereiro. Não gozou qualquer período de férias e nem recebeu qualquer pagamento a título de 13º salário, uma vez que era considerado como trabalhador autônomo. No desenvolvimento de suas atividades, como todos os outros cinco técnicos, anotava os horários em cartões de ponto (inclusive quanto ao intervalo), estando subordinado diretamente ao chefe do setor. Examine a hipótese e redija a petição inicial. Desprezar qualquer alteração salarial sendo livre a qualificação das partes. DADOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DA PEÇA

I - Dados gerais:

Local da prestação do serviço: Belo Horizonte

Admissão: 07/04/95 – CTPS não foi assinada

Saída: 25/01/02 - dispensa imotivada - não houve aviso prévio – projetou-se até 24/02/02

Função: técnico de manutenção

Remuneração: R$ 2.700,00

II – Itens da petição:

a) Vínculo de emprego:

- Expor que estavam presentes os 5 requisitos que configuram a relação de emprego (artigos 2º e 3º, da CLT): prestava serviço de forma pessoal (sem se fazer substituir por outrem), não eventual (ao longo de todo o pacto, em atividade essencial ao objeto social da empresa), onerosa (mediante salário previamente ajustado) e subordinada (com controle de jornada e recebendo ordens diretamente do chefe do setor).

- Pedir reconhecimento do vínculo de emprego e consequente anotação da CTPS, fazendo constar: data de admissão - 07/04/95; data da extinção - 24/02/02 (com projeção do aviso); função - técnico de manutenção e remuneração - R$ 2.700,00.

- Pedir regularização dos depósitos previdenciários.

- Pedidos decorrentes do reconhecimento do vínculo de emprego:

a.1) FGTS, que ao longo de todo o pacto não foi depositado, inclusive sobre as parcelas rescisórias de natureza salarial (saldo de salário, aviso prévio indenizado e 13º salário).

a.2) Gratificações natalinas: 9/12 de 1995, integral de 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001.

a.3) Férias: 95/96; 96/97; 97/98; 98/99; 99/00, em dobro e 00/01, simples, todas acrescidas do terço constitucional.

b) Extinção do contrato (dispensa imotivada) / verbas rescisórias:

- Saldo de salário: 25 dias; aviso prévio; 2/12 do 13º de 2002; 11/12 de férias proporcionais acrescidas de 1/3; indenização de 40% do FGTS; liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade, e CD/SD e multas dos arts. 477, §8º, e 467, da CLT.

c) Jornada:

- 07:00 às 17:00 – segunda a sábado

- intervalo de 11:00 às 14:00 – 3 horas. Mas o máximo permitido pelo art. 71, caput, da CLT são 2 horas, salvo contrato individual ou instrumentos normativos em sentido contrário. Assim, inexistente qualquer previsão contrária, a outra 1 hora é tempo à disposição e compõe a jornada para todos os efeitos (art. 4º da CLT).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan - Assim, por

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

- Assim, por dia, trabalhava 10 – 2 = 8 horas * 6 dias = 48 horas semanais; 4 horas extras por semana.

- Pedir adicional de 50% e reflexos em RSR; FGTS + 40%; gratificações natalinas; férias acrescidas de 1/3 e aviso prévio.

- Horários anotados – pedir para intimar a ré para juntar cartões de ponto, sob as penas do art. 359 do CPC. RESPOSTA

Exmo. Sr. Juiz da

Vara do Trabalho de Belo Horizonte - MG

CPF

<endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>, vem, respeitosamente, perante

V. Exa., por seu procurador in fine assinado (procuração anexa), ajuizar a presente AÇÃO TRABALHISTA, em

face de METALÚRGICA SANTA CECÍLIA LTDA, empresa sediada em

<endereço completo: logradouro, nº,

bairro, CEP, cidade/uf>, CNPJ nº

JOSÉ DA SILVA, brasileiro, casado, técnico de manutenção, portador da CI nº

,

domiciliado em

,

pelas seguintes razões de fato e de direito.

,

CTPS nº

,

série

,

I – DOS FATOS E FUNDAMENTOS

1. O autor foi contratado, pela ré, no dia 07/04/1995, para exercer a função de técnico de manutenção,

mediante salário de R$ 2.700,00 mensais. No dia 25/01/2002, foi sumariamente dispensado, sem aviso prévio, pelo chefe do departamento de pessoal da empresa.

2. Não obstante o autor, pessoa física, sempre tenha prestado serviço de forma pessoal (sem se fazer

substituir por outrem), não eventual (ao longo de todo o pacto, em atividade essencial ao objeto social da empresa, 6 vezes por semana), onerosa (mediante salário mensal previamente ajustado) e subordinada (com controle de jornada e recebendo ordens diretamente do chefe do setor), não teve sua CTPS anotada. Assim, atendidos os pressupostos da relação de emprego previstos nos artigos 2º e 3º, ambos da CLT, faz jus à sua declaração e consequente anotação da CTPS.

3. Estabelece o art. 134 da CLT que as férias serão concedidas por ato do empregador nos 12 (doze) meses

subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito, devendo o empregador pagá-las em dobro, caso não o faça no período concessivo (art. 137 da CLT), acrescidas do terço constitucional (art. 7º, inciso XVII da CR/88). In casu, o autor jamais gozou férias. Assim, faz jus ao recebimento das férias dos períodos de 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99 e 1999/00, de forma dobrada, eis que não concedidas dentro do respectivo período

concessivo, e as do período de 2000/01, de forma simples, todas acrescidas do terço constitucional.

4. Estabelece o art. 1º da Lei 4.090/62 que, no mês de dezembro de cada ano, será paga pelo empregador

uma gratificação salarial no importe de 1/12 (um doze avos) da remuneração por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 dias. In casu, o autor jamais recebeu referida gratificação. Assim, faz jus às gratificações natalinas dos anos de 1995 (9/12), 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001.

5. De acordo com o art. 15 da Lei 8.036/90, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 07

de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8% da remuneração do mês anterior. No caso em tela, tal importância jamais foi depositada. Assim, o autor faz jus ao recebimento do FGTS incidente sobre as verbas remuneratórias de todo o pacto, inclusive sobre as verbas rescisórias de natureza salarial (saldo de salário, aviso prévio indenizado e 13º salário).

6. Tendo-se em vista a dispensa imotivada, faz jus às seguintes verbas rescisórias, que, até o presente

momento, não foram pagas: aviso prévio indenizado, saldo de salário (25 dias), 13º salário de 2002 (2/12, já computada a projeção do aviso prévio, conforme art. 487, §1º, da CLT), férias proporcionais do período de 2001/2002 (11/12) acrescidas do terço constitucional e indenização de 40% do FGTS, bem como à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa da ré.

7. Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias, contados da dação do aviso prévio

(art. 477, § 6º, alínea “b”, da CLT), faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe

de 01 (um) mês de salário (multa do art. 477, § 8º, da CLT). Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas de 50% (multa do art. 467, da CLT).

8. Ao longo de todo o pacto, sempre laborou no horário de 07:00 às 17:00 horas, com intervalo de 11:00 às

14:00 horas (três horas), de segunda a sábado, conforme cartões de ponto.

Tendo-se em vista que o art. 71, caput da CLT, estabelece que o intervalo para a jornada superior a seis horas é de, no máximo, duas horas, tem-se que, nos termos do art. 4º da CLT, o autor ficava uma hora à disposição do empregador, a qual integra a jornada de trabalho para todos os efeitos. Assim, tinha o autor uma jornada de oito horas, que, ao longo de 6 (seis) dias de trabalho, posto que laborava de segunda-feira a sábado, totalizava uma carga de trabalho semanal de 48 (quarenta e oito) horas.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Destarte, a jornada

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

Destarte, a jornada semanal máxima de 44 (quarenta e quatro) horas prevista no art. 7º, XIII da CR/88 restou extrapolada em 4 horas, razão pela qual o autor faz jus ao pagamento de 4 (quatro) horas extras semanais, ao longo de todo o pacto laboral, acrescidas do adicional de 50% (art. 7º, XVI, da CF/88), bem como ao pagamento dos seus reflexos no RSR, FGTS e indenização de 40%, 13º salário, férias + 1/3 e aviso prévio indenizado, eis que habituais.

II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, impossibilitado de ver satisfeitas, de forma espontânea, as suas pretensões, requer a citação da ré para, sob as penas da lei, comparecer à audiência a ser designada, e, querendo, apresentar defesa e acompanhar o processo até final sentença que, julgando procedentes os pedidos, declarará a relação de emprego e condenará a ré a assinar a CTPS do obreiro, a entregar as guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa da ré; a pagar custas, despesas processuais e, ao autor, as seguintes parcelas:

a) 4 (quatro) horas extras semanais, ao longo de todo o pacto laboral, acrescidas do adicional de 50% e reflexos

no RSR, gratificações natalinas, férias + 1/3, aviso prévio indenizado e FGTS + 40%

b) FGTS ao longo de todo o pacto laboral, inclusive sobre as verbas rescisórias de natureza salarial (saldo de

a apurar;

salário, aviso prévio indenizado e 13º salário), acrescido da indenização de 40%

a apurar;

c) gratificações natalinas de 1995 (9/12), 1996 a 2001 e 2002 (2/12)

R$18.675,00;

d) férias acrescidas do terço constitucional, sendo: as de 1995/1996, 1996/1997, 1997/1998, 1998/1999 e

1999/2000 em dobro; as de 2000/2001, de forma simples; as de 2001/2002, de forma proporcional (11/12) R$ 42.900,00;

e) saldo de salário (25 dias)

R$ 2.250,00;

f) aviso prévio

R$ 2.700,00;

g) multa do art. 477, §8º, da CLT

R$ 2.700,00.

h) multa do art. 467 da CLT

a apurar.

Tudo corrigido e com juros nos termos da legislação trabalhista específica.

Requer, nos termos do art. 355 e sob as penas do art. 359, ambos do CPC, a intimação da ré para juntar os cartões de ponto do autor, ao longo de todo o pacto laboral, sob pena de se presumirem verdadeiros os horários alegados nesta exordial.

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal da ré, sob pena de confissão (art. 343, § 2º, CPC).

Dá à causa o valor de R$

Nestes termos, pede deferimento.

Local e Data

Advogado

OAB

Endereço do advogado para intimação CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEÇA

ITENS ABORDADOS:

Relação de emprego (férias, gratificações natalinas, FGTS, assinatura da CTPS)

Dispensa imotivada (verbas rescisórias)

Jornada e intervalo intrajornada - cartões de ponto

Sempre que for dito que a CTPS não era assinada, é preciso pedir o reconhecimento do vínculo de emprego e demonstrar a presença dos pressupostos fático-jurídicos dele caracterizadores (arts. 2º e 3º, ambos da CLT). A não assinatura da CTPS implica a ausência de pagamento das gratificações natalinas, férias, recolhimentos previdenciários e do FGTS, salvo se o enunciado da questão disser expressamente que foram pagos.

Não importa o motivo sustentado pela ré quando da dispensa do empregado. Basta que se identifique se foi motivada ou não.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan INICIAL 02 –

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

INICIAL 02 – CLÁUDIO DE SOUZA x CASAS DO SUL LTDA ENUNCIADO

Cláudio de Souza, brasileiro, casado, comerciário, foi contratado por CASAS DO SUL LTDA, para exercer as

atividades de balconista, em Belo Horizonte, em 17.02.95, recebendo remuneração equivalente a 5% do valor de suas vendas, garantido o piso da categoria (1,5 salários mínimos). Suas atividades eram desempenhadas de 09:00 às 20:00 horas, com intervalo de uma hora, de segunda a sexta-feira, sendo que, aos sábados, trabalhava de 08:00 às 14:00 horas, com 15 minutos de intervalo. Esses horários eram regularmente anotados em controles de frequência.

A partir de 1997 e até 2000, gozou de férias sempre em janeiro. Apresentou os recibos salariais mensais onde se

verifica que o pagamento feito correspondia apenas ao valor relativo às comissões auferidas, sem qualquer outra parcela (lançando-se o débito da cota previdenciária). No dia 07/02/2002, recebeu os salários de janeiro de 2002 e pôde verificar que as comissões haviam sido pagas no importe de 2%, e não sobre 5%, conforme feito ao longo de todo o pacto. Procurou ele a sua chefia, ao que ficou surpreso com a resposta de que, a partir de janeiro/2002, todas as comissões estavam sendo reduzidas. Indignado, disse ao seu chefe imediato que estava rescindindo indiretamente o contrato, ao que lhe foi dito que poderia tomar as providências que quisesse, mas que com a rescisão indireta não concordava, não pagando mais nenhuma verba e não dando baixa na CTPS. Pelos recibos apresentados e para facilitar o trabalho, o valor das comissões anotado era, em média, de R$ 933,00 ao mês.

Examine a hipótese e elabore a petição inicial.

DADOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DA PEÇA

I - Dados gerais:

Local da prestação do serviço: Belo Horizonte

Admissão: 17/02/95 – CTPS assinada

Saída: 07/02/02 – despedida indireta - não houve aviso prévio – projetou-se até 09/03/02

Função: balconista

Remuneração: 5% do valor de suas vendas, garantido o piso da categoria (1,5 salários mínimos) - média de R$ 933,00 ao mês.

II – Itens da petição:

a)

Extinção do contrato (despedida indireta):

-

Houve alteração contratual lesiva (art. 468 da CLT) com a redução do percentual das comissões de 5% para 2%

a

partir de janeiro de 2002 e também violação do princípio da irredutibilidade salarial (art. 7º, VI, da CR/88).

-

Falta do empregador - pleitear a dissolução do contrato por culpa do empregador (art. 483, § 3º, da CLT), baixa

na

CTPS, considerando a projeção do aviso (OJ 82 da SDI-I) e o direito ao pagamento das verbas rescisórias: aviso

prévio; 7 dias de saldo de salário; 2/12 do 13º de 2002; 1/12 de férias proporcionais acrescidas de 1/3; FGTS (saldo

de salário, aviso prévio, 13º salário); indenização de 40% do FGTS; liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade, e CD/SD; multas dos arts. 477, §8º, e 467, ambos da CLT.

- Pedir também a diferença salarial de janeiro de 2002 e reflexos em RSR (porque as comissões só remuneram as

horas trabalhadas, não englobando os dias de descanso/feriado), aviso prévio, FGTS + 40%, gratificações natalinas

e férias acrescidas do terço constitucional.

b)

Férias acrescidas do terço constitucional:

-

99/00 e 00/01, em dobro; e 01/02 simples

c)

Repouso semanal remunerado - reflexos em gratificações natalinas, férias acrescidas de 1/3, aviso prévio,

FGTS e indenização de 40% sobre o FGTS.

d) Jornada:

- 09:00 às 20:00 – segunda a sexta c/ 1 hora de intervalo = 10 horas * 5 dias = 50 horas

- 08:00 às 14:00 – sábado c/ 15 min de intervalo = 5:45

- Total por semana = 55:45; 11 h. e 45 min. extras por semana

- Pedir adicional de 50% e reflexos em RSR; FGTS + 40%; gratificações natalinas; férias e aviso prévio.

- Horários anotados – pedir para intimar a ré para juntar cartões de ponto

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan RESPOSTA Exmo. Sr.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

RESPOSTA

Exmo. Sr. Juiz da Vara do Trabalho de Belo Horizonte - MG

(Espaço de 10 linhas para eventual despacho)

CLÁUDIO DE SOUZA, brasileiro, casado, vendedor, inscrito no CPF sob o nº

<endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>, comparece,

respeitosamente, à presença de V. Exa., por seu procurador in fine assinado (procuração anexa), para ajuizar

AÇÃO TRABALHISTA em face de CASAS DO SUL LTDA, com endereço em

logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>, CNPJ nº

série

,

,

portador da CI nº

,

CTPS nº

, residente e domiciliado em

<endereço completo:

,

pelos seguintes fatos e fundamentos:

I – DOS FATOS E FUNDAMENTOS

1. O autor foi admitido pela ré, em Belo Horizonte, em 17.02.95, para exercer a função de balconista,

recebendo comissões à razão de 5% do valor das vendas, na condição de comissionista puro. Em média, tais comissões totalizavam R$ 933,00 por mês.

2. No dia 07/02/2002, o autor recebeu o salário de janeiro/2002, ocasião em que constatou que a ré reduziu,

unilateralmente, o seu salário, diminuindo o percentual das comissões de 5% para 2%.

Trata-se de alteração lesiva do contrato de trabalho, vedada pelo art. 468 da CLT, e que também desconsidera o princípio da irredutibilidade salarial, consagrado no art. 7º, VI, da CR/88.

Assim sendo, restou tipificada a hipótese permissiva de rescisão indireta do contrato de trabalho prevista no art. 483, alínea “d”, da CLT, razão pela qual o obreiro comunicou, imediatamente, à ré a rescisão indireta de seu contrato de trabalho (art. 483, §3º, da CLT), deixando de trabalhar naquele mesmo dia.

A ré, no entanto, não acolheu a referida rescisão indireta, deixando de dar baixa na CTPS do obreiro.

4. Em face da ilegalidade da redução salarial, o autor faz jus à baixa em sua CTPS, considerando-se a

projeção do aviso prévio até o dia 09/03/2002, à diferença do salário de janeiro de 2002, bem como seus reflexos em RSR, aviso prévio, FGTS + 40%, gratificações natalinas e férias acrescidas do terço constitucional.

5. A ré também deixou de pagar as verbas rescisórias a que faz jus o autor, quais sejam: saldo de salário de

07 dias do mês de fevereiro de 2002; aviso prévio; 2/12 de 13º de 2002; 1/12 de férias proporcionais acrescidas de 1/3; FGTS sobre verbas rescisórias (saldo de salário, aviso prévio e 13º salário); indenização de 40% do FGTS.

E, tendo-se em vista a rescisão indireta, o autor faz jus, ainda, à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso não o receba por culpa do réu.

6. Estabelece o art. 134 da CLT que as férias serão concedidas por ato do empregador nos 12 (doze) meses

subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito, devendo o empregador pagá-las em dobro, caso não o faça no período concessivo (art. 137 da CLT), acrescidas do terço constitucional (art. 7º, inciso XVII da CR/88). In casu, o obreiro apenas gozou de férias no mês de janeiro dos anos de 1997 a 2000, não tendo gozado as férias referentes aos períodos 1999/00, 2000/01 e 2001/02. Assim, faz jus ao recebimento das férias 2001/02, de forma simples, e as dos períodos 1999/00, 2000/01, de forma dobrada, eis que não concedidas dentro do respectivo período concessivo, todas acrescidas do terço constitucional.

7. Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da dação do aviso prévio,

conforme prevê o art. 477, § 6º, alínea “b” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário. Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas de 50% (multa do art. 467 da CLT).

8. Seu horário de trabalho era de 09:00 às 20:00 horas, com intervalo intrajornada de 01 hora, de segunda a

sexta-feira e, aos sábados, de 08:00 às 14:00 horas, com 15 minutos de intervalo, conforme controle de jornada.

Não obstante a jornada de trabalho totalizasse 55:45 horas semanais, excedendo o limite constitucional de 44 horas semanais (art. 7º, XIII, da CR/88), o obreiro não recebeu o adicional de sobrejornada a que tinha direito, uma vez que as comissões pagas apenas remuneram as horas trabalhadas. Assim sendo, faz jus ao adicional de 50% sobre 11:45 horas extras por semana. E, sendo habituais as horas extras, o respectivo adicional gera reflexos no repouso semanal remunerado, FGTS + 40%, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional e aviso prévio.

9. Nos termos do art. 7º, XV, da CF/88 e art. 1º da Lei 605/49, é assegurado aos trabalhadores repouso semanal remunerado de vinte e quatro horas consecutivas, preferencialmente aos domingos e, nos limites das exigências técnicas, das empresas, nos feriados civis e religiosos de acordo com a tradição local. In casu, a ré nunca remunerou os repousos do obreiro, de vez que as comissões pagas não remuneram, per si, a parcela (Súmula 27 do TST). Assim, o autor faz jus à percepção dos repousos semanais remunerados na forma do art. 7º, “b”, da Lei 605/49, bem como seus reflexos no FGTS + 40%, gratificações natalinas, férias + terço constitucional e aviso prévio.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan II – DOS

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, impossibilitado de ver satisfeitas, de forma espontânea, as suas pretensões, requer a citação da ré para, sob as penas da lei, comparecer à audiência a ser designada, e, querendo, apresentar defesa e acompanhar o processo até final sentença que, julgando procedentes os pedidos, declarará a rescisão indireta do contrato de trabalho e condenará a ré a efetuar a baixa na CTPS do autor, fazendo constar como término do contrato de trabalho o dia 09/03/2002, a entregar as guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa da ré, bem como condenar a ré a pagar custas, despesas processuais e, ao autor, as seguintes parcelas:

a) Saldo de salário – 7 dias de fevereiro/2002

R$ 217,70;

b) Aviso prévio

R$ 933,00;

c) 13º salário proporcional 2002 (2/12)

R$ 155,50;

d) Férias proporcionais + 1/3 constitucional (1/12)

R$ 103,66;

e) Férias vencidas 2001/2002 + 1/3 constitucional, simples

R$ 1.243,97;

f) Férias vencidas 1999/2000 + 1/3 constitucional, em dobro

R$ 2.487,94;

g) Férias vencidas 2000/2001 + 1/3 constitucional, em dobro

R$ 2.487,94;

h) Repousos semanais remunerados, conforme item 9

a apurar;

i) Reflexos dos repousos semanais remunerados no FGTS + 40%, gratificações natalinas, férias + terço

constitucional e aviso prévio

a apurar;

j) Adicional de 50%, (art. 7º, XVI, CR/88) sobre 11:45 horas semanais

a apurar;

k) Reflexo dos adicionais de horas extras sobre o RSR, 13º salário, férias + 1/3, aviso prévio e FGTS + 40%

apurar;

l) Diferença de comissões de janeiro de 2002

m) Reflexos das diferenças salariais em RSR, gratificações natalinas, férias acrescidas de 1/3 e FGTS + 40%, a apurar;

a apurar;

a

n) Multa do § 8º, do art. 477, da CLT

R$ 933,00;

o) Multa do art. 467 da CLT

a apurar;

p) FGTS sobre saldo de salário, aviso prévio e 13º salário

a apurar;

q) Indenização de 40% sobre o FGTS

R$ 2.537,76;

Tudo corrigido e com juros nos termos da legislação trabalhista específica.

Requer, ainda, seja intimada a ré para juntar os cartões de ponto do autor, ao longo de todo o pacto laboral, sob pena de presumirem-se verdadeiros todos os horários alegados nesta exordial (art. 355 c/c art. 359, do CPC).

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal da ré, sob pena de confissão (art. 343, § 2º, CPC).

Dá à causa o valor de R$ Nestes termos, pede deferimento. Local e Data Pp. <Nome, nº da OAB e assinatura do advogado > <Endereço completo do advogado para intimação>

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan CONSIDERAÇÕES SOBRE A

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEÇA

ITENS ABORDADOS:

Comissionista puro – repouso semanal remunerado e horas extras.

Rescisão indireta - verbas rescisórias.

Férias.

Jornada - Cartões de ponto.

Houve alteração contratual lesiva (art. 468 da CLT) com a redução do percentual das comissões de 5% para 2% a partir de janeiro de 2002 e também foi violado o princípio da irredutibilidade salarial (art. 7º, VI da CR/88).

Esta falta do empregador abre, para o empregado, a prerrogativa de pleitear a dissolução do contrato por culpa do empregador (art. 483, § 3º, da CLT) e o direito ao pagamento das verbas rescisórias que seriam devidas em caso de dispensa imotivada.

Deve-se atentar para o fato de que, se está sendo pedida a rescisão indireta do contrato, a CTPS do obreiro não foi baixada. Logo, deve ser feito pedido neste sentido, considerando a projeção do aviso (OJ 82 SDI-I).

Trata-se de comissionista puro. Há peculiaridade quanto ao RSR porque, como recebe proporcionalmente às vendas, as comissões pagas não remuneram, per si, os repousos semanais (o que também pode acontecer com empregados que recebem por dia ou por semana).

Também há que se destacar uma diferença quanto às horas extras. Quanto mais trabalha, maior o volume de vendas e maior o montante das comissões auferido pelo obreiro. Assim, as comissões pagas remuneram, per si, as horas extras trabalhadas. Mas como o adicional de 50% é assegurado constitucionalmente, faz jus ao pagamento do adicional de 50% sobre o valor da hora (e não ao pagamento do valor de uma hora acrescido do adicional de 50%).

A frase “Apresentou os recibos salariais mensais onde se verifica que o pagamento feito correspondia apenas ”

ao valor relativo às comissões auferidas, sem qualquer outra parcela repousos semanais e as horas extras laboradas.

Quanto às férias do período aquisitivo 00/01, deveriam ter sido concedidas até 17/02/2002. Tendo em vista a projeção do aviso, considera-se que o contrato de trabalho foi extinto em 09/03/2002 (OJ 82 SDI-I), quando já findo o período concessivo em questão, devendo ser pagas em dobro as referidas férias. Seria possível sustentar que, como ainda não tinha acabado o período concessivo quando cessou a prestação do trabalho, as férias deveriam ser pagas de forma simples, pois poderia a ré, no dia 08/02/02, por exemplo, marcar as férias. Mas isso não poderia ser feito pois o aviso prévio é incompatível com a concessão e o gozo das férias. Ressalte-se que há divergência quanto a este entendimento.

demonstra que não foram remunerados os

INICIAL 03 – FABRÍCIO MENDES x CIA. COMBUSTÍVEIS FLUMINENSE ENUNCIADO

FABRÍCIO MENDES, brasileiro, casado, frentista, residente e domiciliado em Nova Lima na rua do Bosque, nº 456, CPF 000.111.222.333-44, CTPS 13.243, série 123, procurou-o apresentando a seguinte narrativa:

trabalhara para a COMPANHIA DE COMBUSTÍVEIS FLUMINENSE, empresa com sede em Niterói, na Av. Paulista, nº 1500, em uma de suas filiais em Betim, na Av. Castelo Negro, nº 9876. Fora contratado em 28 de agosto de 1995 tendo permanecido nas mesmas funções até 11 de setembro de 2001 quando, findo o período do aviso prévio (que comunicara ao empregador em 12 de agosto de 2001) desvinculou-se da empresa, baixa esta verificada em sua CTPS. Apresentou os recibos salariais onde se verifica que a empresa quitara apenas as verbas relativas ao salário em sentido estrito no importe de R$1.500,00 ao mês. Cumpria jornadas de trabalho que variavam a cada semana, sendo de 14:00 às 22:00 horas, de 22:00 às 06:00 horas e de 06:00 às 14:00 horas, com intervalo de 15 minutos para lanche, de 2ª feira a sábado. Esses horários eram registrados em cartões de ponto. Durante o período do contrato, a empregadora não concedeu qualquer aumento salarial malgrado ter sido estabelecido, em convenção coletiva da categoria, um reajuste salarial de 10% em setembro de 1999 e de 5% em setembro de 2000 (nos demais anos a categoria não conseguiu qualquer reajuste salarial quando das negociações coletivas). A empresa fundou a recusa no argumento de que o salário pago era bem superior ao piso da categoria – R$600,00 – razão por que não se justificava o aumento. A empresa não efetuou qualquer pagamento quando do término do contrato.

Examine a hipótese e redija a petição inicial.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan DADOS IMPORTANTES PARA

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DADOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DA PEÇA

I - Dados gerais:

Local da prestação do serviço: Betim

Admissão: 28/08/95 – CTPS assinada

Saída: 11/09/01 – demissão – cumpriu aviso prévio (comunicou em 12/08/01)

Função: frentista

Remuneração: R$ 1.500,00

II – Itens da petição:

a) Extinção do contrato (demissão) - verbas rescisórias: 11 dias de saldo de salário; 8/12 do 13º de 2001; férias

simples de 2000/2001 acrescidas de 1/3; férias proporcionais (1/12) + 1/3; FGTS sobre saldo de salário e 13º

salário; multas dos arts. 477, §8º e 467, da CLT.

b) Adicional de periculosidade - reflexos em férias, gratificações natalinas, FGTS, adicional noturno e horas extras.

c) Diferenças salariais – reajustes previstos em instrumentos normativos (10% e 5% a partir de set/99 e set/00,

respectivamente) e reflexos em férias, gratificações natalinas, FGTS, adicional noturno, adicional de periculosidade e horas extras.

d) Jornada variável por semana, c/15 min de intervalo:

Turno ininterrupto de revezamento: jornada legal = 6 horas c/ intervalo de 15 min

- 06:00 às 14:00 = 7 horas e 45 min / 1h e 45 min extras por dia

- 14:00 às 22:00 = 7 horas e 45 min / 1h e 45 min extras por dia

- 22:00 às 06:00 = hora noturna elastece a jornada de 8 horas em mais uma hora = 9 horas; adicional noturno de 20% sobre as 8h e 45 min; 2h e 45 min extras por dia.

- Adicional de 50% e reflexos em repouso semanal remunerado; FGTS; gratificações natalinas; férias.

- Horários anotados – intimação da ré para juntar cartões de ponto.

Nota: Não há que se falar, em quaisquer das parcelas acima, em reflexos no aviso prévio, porque ele foi cumprido e

o reflexo somente se dá no aviso prévio indenizado. Também não há reflexo na indenização de 40% do FGTS, porque na demissão essa parcela não é devida. RESPOSTA

Exmo. Sr. Juiz da Vara do Trabalho de Betim - MG

(10 linhas em branco, para possível despacho pelo juiz).

FABRÍCIO MENDES, brasileiro, casado, frentista, residente e domiciliado em Nova Lima, na rua do Bosque, nº 456, CEP 33.333-333, CPF 000.111.222.333-44, CTPS 13.243, série 123, vem, respeitosamente, perante V. Exa., por seu procurador in fine assinado (procuração anexa), ajuizar a presente AÇÃO TRABALHISTA em face de COMPANHIA DE COMBUSTÍVEIS FLUMINENSE, empresa com estabelecimento na av. Castelo Negro, nº 9876, bairro Centro, CEP 33.999-000, cidade de Betim, MG, CNPJ 12.123.123./0001-12, pelas seguintes razões de fato e de direito.

I – DOS FATOS E FUNDAMENTOS

1. O autor foi contratado pela ré no dia 28/08/1995, para exercer a função de frentista de posto de gasolina,

na cidade Betim, mediante salário de R$ 1.500,00 mensais. No dia 12/08/2001, comunicou sua demissão ao empregador. Cumpriu aviso prévio até o dia 11/09/2001.

2. Até a presente data, a reclamada não quitou as parcelas rescisórias, fazendo jus o obreiro à percepção das

férias do período 2000/2001, acrescidas do terço constitucional, bem como, considerada a projeção do aviso prévio, ao 13º salário (8/12), às férias proporcionais (1/12), acrescidas dos terço constitucional e ao saldo de salário de setembro (11 dias), sem o prejuízo do FGTS sobre as verbas rescisórias (saldo de salário e 13º salário).

3. Como as verbas rescisórias não foram pagas até o primeiro dia útil posterior ao término do aviso prévio trabalhado,

conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “a” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no

importe de 01 (um) mês de salário (multa do art. 477, §8º, da CLT). Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão

as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas de 50% (multa do art. 467, da CLT).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan 4. A ré

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4. A ré não se dignou em efetuar os reajustes de salário garantidos pelas convenções coletivas da categoria

(cópias anexas), nos meses de setembro/99 e setembro/2000, no importe de 10% e 5%, respectivamente. Portanto, o obreiro faz jus ao pagamento das diferenças salariais respectivas, a partir dos meses supra, e seus reflexos no adicional de periculosidade, adicional noturno, horas extras, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS.

5. No exercício das funções de frentista de posto de gasolina, o autor trabalhava em contato permanente com

agentes periculosos inflamáveis (gasolina, óleo diesel e álcool), reconhecidos na NR/16 do Ministério do Trabalho.

Como jamais recebeu qualquer verba pela prestação de serviços em tal situação mais gravosa à sua vida, restaram violadas as normas contidas no art. 7º, XXIII, da CR/88 e no art. 193, da CLT. Faz jus, assim, ao pagamento do adicional de periculosidade, no importe de 30% sobre o salário-base (Súmulas 191 e 39 do C. TST e Súmula 212 do STF), bem como aos seus reflexos no adicional noturno, horas extras, férias acrescidas do terço constitucional, gratificações natalinas e FGTS, eis que habituais.

6. O autor sempre laborou em turnos ininterruptos de revezamento semanal, nos seguintes horários que se

encontram nos cartões de ponto: de 14:00 às 22:00 horas; de 22:00 às 06:00 horas; e, de 06:00 às 14:00 horas.

Dispõe o art. 73, §1º que a hora do trabalho noturno será computada como de 52 minutos e 30 segundos. Nos termos do art. 73, § 2º, considera-se como noturno o trabalho executado entre 22:00 horas de um dia e 05:00 horas do dia seguinte. Portanto, nas semanas em que cumpria o horário de 22:00 às 06:00 horas, a jornada do autor deve ser elastecida em mais uma hora pela aplicação da hora ficta noturna, sendo, portanto, de 9 horas.

Conforme dispõe o art. 73, caput, da CLT, o trabalho noturno deve ser pago com adicional de 20% sobre o valor da hora normal, o que jamais ocorreu. Assim, faz jus ao adicional noturno no período em que laborou de 22:00 horas às 06:00 horas, mesmo sobre aquelas após as 05:00 horas da manhã, tendo-se em vista que a situação mais gravosa à saúde do trabalhador não foi suprimida, conforme entendimento jurisprudencial dominante (súmula 60, II, do TST). Faz jus, ainda, ao pagamento dos reflexos do adicional noturno nas horas extras, repousos semanais remunerados, feriados, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS.

7. Estabelece o art. 7º, XIV da CR/88 que a jornada dos turnos ininterruptos de revezamento é de seis horas

diárias. In casu, o obreiro sempre laborou no sistema de revezamento, extrapolando, contudo, a jornada legal em 1h 45min nas semanas em que trabalhava de 14:00 às 22:00 horas e de 06:00 às 14:00 horas, e em 2h 45min, tendo em vista a hora ficta noturna (art. 73, §1º, da CLT), na semana em que trabalhava no turno da madrugada. Assim, faz jus ao pagamento de horas extras, que devem ser pagas acrescidas do adicional legal (50%). Por serem habituais, geram reflexos nos repousos semanais remunerados, feriados, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS.

II - DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, impossibilitado de ver satisfeitas, de forma espontânea, as suas pretensões, requer a citação da ré para, sob as penas da lei, comparecer à audiência a ser designada e, querendo, apresentar defesa e acompanhar o processo até final sentença que, julgando procedentes os pedidos, condenará a ré a pagar custas, despesas processuais e, ao autor, as seguintes parcelas:

a) diferenças salariais decorrentes da ausência de reajustes previstos nas CCT, nos meses 09/99 e 09/2000, no

importe de 10% e 5%, respectivamente

b) reflexos das diferenças salariais nas horas extras, adicional de periculosidade, adicional noturno, 13º salário,

R$10.000,00;

férias acrescidas de 1/3 e FGTS

R$3.500,00;

c) adicional de periculosidade no importe de 30% do salário-base

R$10.000,00;

d) reflexos do adicional de periculosidade no adicional noturno, horas extras, férias acrescidas do terço

constitucional, gratificações natalinas e FGTS

R$3.500,00;

e) adicional noturno de 20% para as horas laboradas de 22:00 às 06:00 h

R$3.000,00;

f) reflexos do adicional noturno nas horas extras, repousos semanais remunerados, feriados, gratificações

natalinas, férias acrescidas de 1/3 e FGTS

R$1.500,00;

g) horas extras excedentes à 6ª hora diária, acrescidas do adicional de 50%

R$10.000,00;

h) reflexos das horas extras nos repousos semanais remunerados, feriados, gratificações natalinas, férias

acrescidas 1/3 e FGTS

R$5.000,00;

i) saldo de salário de setembro (11 dias)

R$400,00;

j) 13º salário proporcional (8/12)

R$1.000,00;

k) férias proporcionais (1/12), acrescidas do terço constitucional

a apurar;

l) férias vencidas de 2000/2001, acrescidas do terço constitucional

R$2.000,00;

m) FGTS sobre saldo de salário e 13º salário

a apurar;

n) multa do §8º, do art. 477, da CLT

R$1.732,50;

o) multa do art. 467 da CLT

a apurar.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Tudo corrigido e

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Tudo corrigido e com juros nos termos da legislação trabalhista específica.

Requer, ainda, seja intimada a ré para juntar os cartões de ponto do autor, ao longo de todo o pacto laboral, sob pena de presumirem-se verdadeiros todos os horários alegados nesta exordial (art. 355 c/c art. 359, do CPC).

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal da ré, sob pena de confissão (art. 343, § 2º, CPC).

Dá à causa o valor de R$

Nestes termos, pede deferimento.

Local e Data

Advogado

OAB

Endereço do advogado para intimação CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEÇA

ITENS ABORDADOS:

Demissão (verbas rescisórias)

Reajustes salariais decorrentes de instrumentos normativos

Adicional de periculosidade

Turnos ininterruptos de revezamento – jornada de 6 horas

Horas extras

Adicional noturno

Cartões de ponto

No enunciado, são mencionados vários locais. Portanto, deve-se ter atenção e identificar o local da prestação dos serviços para fazer corretamente o endereçamento.

O direito dos frentistas ao adicional de periculosidade encontra-se jurisprudencialmente consagrado na Súmula 39 do TST e na Súmula 212 do STF.

O turno ininterrupto de revezamento se caracteriza quando há prestação do trabalho em turnos que perfazem as 24 horas do dia ou que abrangem parte do horário diurno e do noturno de modo prejudicial à saúde do trabalhador (OJ 360 da SDI-I).

Ressalte-se, por oportuno, que, na época tratada pela questão (ano de 2001), o entendimento majoritário era de que o trabalhador continuaria com seu intervalo legal (de 15 minutos), devendo-se cobrar apenas as horas extras. Assim, o correto seria considerar a jornada legal e não a efetivamente desempenhada. Sendo a jornada legal de 6 horas, o intervalo era realmente o de 15 minutos (mesmo que o empregado trabalhasse, efetivamente, em jornada superior). No entanto, a partir de abril de 2010, o TST fixou novo entendimento (OJ 380 da SDI-1). Agora, se a extrapolação da jornada for habitual (como ocorreu neste caso), o trabalhador terá direito de pleitear o intervalo intrajornada de 01 hora e, consequentemente, devemos cobrar 1 hora extra ficta por dia pela não concessão do intervalo mínimo (art. 71, §4º da CLT c/c OJ 307, SDI-I do TST).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

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INICIAL 06 – JOSÉ ETERNAMENTE TERCEIRIZADO x ADSERVALÉM LTDA + 1 ENUNCIADO

JOSÉ ETERNAMENTE TERCEIRIZADO foi contratado por ADSERVALÉM LTDA para prestar serviços para a empresa TOMADORA PARA SEMPRE LEGAL LTDA, para exercer a função de faxineiro, no dia 20/01/2003, mediante um salário mensal de R$260,00. Sempre trabalhou em Nanuque, no horário de 07:00 às 19:30 horas, usufruindo apenas de meia hora de intervalo, de 2ª a 6ª feira, conforme cartões de ponto. No dia 31/03/2004, foi dispensado pelo Gerente de sua empregadora, sem nenhum motivo, apenas lhe informando que era para comparecer no sindicato da categoria, no prazo de 10 dias, para o acerto rescisório, o que restou em nada, pois lá não compareceu nenhum representante da empresa, conforme declaração do sindicato. Ao longo de todo o pacto, somente recebeu salário básico e gratificação natalina. Faça a defesa dos interesses do José Terceirizado. Pode inventar os dados das partes.

DADOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DA PEÇA

I – Dados gerais

Local da prestação do trabalho: Nanuque

Admissão: 20/01/03 – terceirização permanente

Saída: 31/03/2004

Função: faxineiro

Remuneração: R$ 260,00 mensais

II – Itens da petição:

a) Responsabilidade da 2ª corré

A terceirização era de atividade-meio e poderia ser permanente (Súmula 331, III, do TST).

Responsabilidade subsidiária da 2ª corré, por culpa in eligendo, in vigilando (Súmula 331, IV, do TST).

b) Dispensa imotivada – verbas rescisórias: saldo de salário (31 dias); aviso prévio; 13º salário de 2004 (4/12);

férias proporcionais acrescidas do terço constitucional (3/12); FGTS sobre saldo de salário, aviso prévio e 13º

salário; indenização de 40% sobre o FGTS; multas dos arts. 477 e 467, da CLT; liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade, e CD/SD.

c) Férias - período 2003/2004, simples.

d) Jornada – pedir intimação para juntar cartões de ponto

e) pedir baixa da CTPS (30/04/2004 – com a projeção do aviso prévio, nos termos da OJ 82, SDI-I do TST)

Intervalo de 30 minutos

01 hora extra por dia pela concessão do horário do intervalo menor que o mínimo legal (01 hora), conforme art. 71, §4º da CLT c/c OJ 307, SDI-I do TST.

De 07 às 19:30 h – segunda a sexta = 12 h por dia = 4 horas extras por dia

Adicional de 50% e reflexos em RSR, aviso prévio, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional e FGTS acrescido da indenização de 40%. RESPOSTA

Exmo. Sr. Juiz da Vara do Trabalho de Nanuque - MG

(Espaço de 10 linhas)

JOSÉ ETERNAMENTE TERCEIRIZADO, brasileiro, solteiro, faxineiro, portador da CI nº

,

CPF nº

,

residente e domiciliado em

, CTPS nº

, <endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>,

série nº

vem, por seu procurador in fine assinado (procuração anexa), respeitosamente, ajuizar AÇÃO TRABALHISTA em face de ADSERVALÉM LTDA, empresa de prestação de serviços regularmente constituída, com sede em

Nanuque, MG, em

e de

, TOMADORA PARA SEMPRE LEGAL LTDA, empresa também regularmente constituída, sediada em

Nanuque, MG, em

razões de fato e de direito.

<endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP>, CNPJ <nº do CNPJ>, pelas seguintes

<endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP>, inscrita no CNPJ sob o número

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

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I. DOS FATOS E FUNDAMENTOS

I.1 DA RELAÇÃO JURÍDICA. DO LITISCONSÓRCIO PASSIVO. DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA.

1. O autor foi contratado pela 1ª corré, via contrato de trabalho por prazo indeterminado, nos moldes da

CLT, para exercer a função de faxineiro na 2ª corré.

2. Ao que pese ser essa uma atividade-meio da 2ª corré e, por conseguinte, lícita a terceirização, a sua

inclusão e manutenção no pólo passivo da demanda se justifica, visto que vários direitos do autor foram lesados e

que esta, 2ª corré, teve culpa in eligendo e in vigilando, da qual ressai sua responsabilidade subsidiária pelos créditos trabalhistas do obreiro, nos termos do art. 186 do CC e Súmula 331, IV, do TST.

I.2 DO INÍCIO E FIM DO CONTRATO - DAS VERBAS RESCISÓRIAS.

1. O autor foi contratado pela 1ª corré para prestar serviços para a 2ª corré, no exercício da função de

faxineiro, no dia 20/01/2003, mediante um salário de R$260,00 mensais. No dia 31/03/2004, foi sumariamente

dispensado ficando desobrigado do cumprimento do aviso prévio.

2. Tendo em vista que a dispensa foi imotivada e que até o momento não foi dada baixa em sua CTPS e não

recebeu qualquer parcela rescisória, faz jus o obreiro à baixa de sua CTPS (30/04/2004), considerando-se a projeção do aviso prévio (OJ 82, SDI-I), e ao pagamento de: saldo de salário do mês de março; aviso prévio indenizado; 13º salário (4/12); férias proporcionais (3/12) e férias vencidas simples (uma vez que jamais gozou férias), todas acrescidas do terço constitucional; recolhimento do FGTS sobre o saldo de salário, 13º salário e aviso prévio; indenização de 40% sobre o FGTS. Faz jus também à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa da ré.

3. Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da dação do aviso prévio,

conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “b” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário. Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas de 50% (multa do art. 467 da CLT).

I.3 DA JORNADA DE TRABALHO

1. Ao longo de todo o pacto, sempre laborou o autor no horário de 07:00 às 19:30 horas, de 2ª a 6ª feira,

sempre com 30 minutos de intervalo para descanso e refeição.

2. Conforme art. 71 da CLT, por ter jornada superior a 6 horas de labor diário, faz jus o autor a um intervalo de, no mínimo, uma hora para refeição e descanso. Uma vez que o obreiro gozava apenas 30 minutos a título de intervalo, caso é de pagamento da integralidade do período destinado ao repouso e alimentação como hora extraordinária, devidamente acrescida do adicional de 50%, nos termos do parágrafo 4º do artigo 71, da CLT. Nesse sentido também é o entendimento da Orientação Jurisprudencial nº 307 da SDI-I/TST.

3. Uma vez que também restou violada a jornada máxima legal de 8 horas diárias, o autor faz jus ao

pagamento de 4 horas extras diárias acrescidas do adicional de 50%, conforme preceitua o art. 7º inciso XVI, da CR/88 pela extrapolação da carga horária.

4. Habituais, as horas extras geram reflexos nos descansos semanais remunerados (domingos e feriados), nas

gratificações natalinas, nas férias acrescidas do terço constitucional, no aviso prévio indenizado, FGTS acrescido da indenização de 40%.

II - DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Diante do exposto, impossibilitado de ver satisfeitas, de forma espontânea, as suas pretensões, requer a citação das corrés para, sob as penas da lei, comparecerem à audiência a ser designada e, querendo, apresentarem defesa e acompanharem o processo até final sentença que, julgando procedentes os pedidos, determinará que as rés procedam à baixa da CTPS e à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa da ré, bem como condenará ambas, a segunda de forma subsidiária à primeira, a pagar custas, despesas processuais e, ao autor, as seguintes parcelas:

a) saldo de salário (março/04)

R$ 260,00;

b) aviso prévio

R$ 260,00;

c) 13º salário (4/12)

R$ 86,67;

d) férias proporcionais (3/12) + 1/3

R$ 86,67;

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan e) férias vencidas

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e) férias vencidas simples + 1/3

R$ 346,67;

f) indenização de 40% sobre o FGTS

R$ 144,21;

g) multa do art. 477, §8º, da CLT

R$ 260,00;

h) multa do art. 467 da CLT

R$ 443,04;

i) uma hora extra (ficta) acrescida do adicional de 50%, por dia laborado, pela ausência da concessão do intervalo

mínimo de uma hora

j) quatro horas extras diárias acrescidas do adicional de 50% pela extrapolação da carga horária

k) reflexos das horas extras nos dias de descanso (domingos e feriados), gratificações natalinas, férias acrescidas

R$ 278,47; R$ 2.22 7,73;

do terço constitucional, aviso prévio indenizado e FGTS acrescido da indenização de 40%

R$ 1.253,10

l)

FGTS sobre saldo de salário, 13º salário e aviso prévio

R$ 48,53

Tudo devidamente corrigido e acrescido dos juros legais nos termos da legislação trabalhista específica.

Requer, ainda, sejam intimadas as corrés para juntar os cartões de ponto do autor, ao longo de todo o pacto laboral, sob pena de presumirem-se verdadeiros todos os horários alegados nesta exordial (art. 355 c/c art. 359, do CPC).

Requer provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial a prova documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal dos representantes das corrés, o que fica desde já requerido, sob pena de confissão.

Dá à causa o valor de R$ 5.695,09.

Nestes termos, pede deferimento.

Local e Data

Advogado

OAB

Endereço do advogado para intimação

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEÇA

ITENS ABORDADOS:

Terceirização lícita – Súmula 331, III, do TST

Responsabilidade subsidiária - Súmula 331, IV, do TST

Jornada – intervalo - horas extras

Dispensa imotivada – verbas rescisórias

Faça uma leitura atenta da Súmula 331 do TST.

Atentar quanto ao pólo passivo da ação, que deve ser proposta tanto contra a empresa fornecedora de mão- de-obra (empregadora) quanto contra a tomadora. Isso porque, como visto na peça, apesar da terceirização ter sido lícita (tratava-se de atividade de conservação e limpeza – Súmula 331, III, do TST), a empresa tomadora é responsável pelos créditos trabalhistas do obreiro. No entanto, tal responsabilidade é subsidiária, por culpa in vigilando ou in eligendo - Súmula 331, IV, do TST. A empresa tomadora tinha que ter controlado, fiscalizado a empresa prestadora. Como não o fez, deverá garantir o pagamento dos créditos decorrentes da relação de emprego se a empresa prestadora não o fizer.

Destaca-se que há dois pedidos de horas extras diferentes. São feitos separadamente porque há dois fundamentos distintos.

Primeiro, pede-se o pagamento de horas extras porque trabalhou efetivamente durante parte do intervalo (30 minutos) que é destinado a refeição e descanso. Aplicação do art. 71, caput e § 4º, da CLT. Ressalte-se que também poderia ser adotada a outra teoria quanto ao intervalo concedido a menor, em que pleiteia-se apenas o quantum faltante para o mínimo legal e não se computa na jornada o período concedido para descanso (posição minoritária).

Depois, pede-se o pagamento de horas extras pela extrapolação da jornada legal. Aplicação do art. 7º, XXIII e XVI, da CR/88.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan INICIAL 08 –

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INICIAL 08 – JOÃO DE DEUS x ESPECULADORA TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA ENUNCIADO

Você foi procurado em seu escritório por João de Deus, que declarou:

- ter trabalhado para Especuladora Trabalho Temporário Ltda, empresa registrada no Ministério do Trabalho, com

sede na rua dos Exploradores, nº 171, bairro do Aproveitamento, em Belo Horizonte, de 04 de fevereiro de 2002 a

18 de maio de 2002;

- quando de sua contratação fora designado para prestar serviços de pintor para a Construtora Esquivando Ltda,

empresa também sediada em Belo Horizonte, em obra sob a responsabilidade desta, na Av. Amazonas, nº 2345, ali tendo permanecido até a data de sua dispensa;

- a empresa de trabalho temporário vinha fornecendo a mão-de-obra para a construtora desde que esta ajustara a construção do prédio onde trabalhara João de Deus, há cerca de 2 anos, tudo mediante sucessivos contratos concluídos com oficiais, meio-oficiais e serventes. Os únicos empregados da construtora na obra eram os apontadores e o mestre de obras;

- como pintor, ajustara o salário de R$100,00 por dia, com recebimento semanal feito aos sábados;

- prestava suas atividades de 08:00 às 18:00 horas, de segunda a sábado, com uma hora de intervalo;

- trabalhava com “tinner”, tinta a óleo, solventes e outros elementos nocivos à saúde, sem que recebesse qualquer equipamento de proteção individual;

- quando de sua dispensa, comunicada pelo mestre de obras, tomara conhecimento de que o Juiz de Direito da 2ª

Vara de Falências decretara a falência de sua empregadora empresa de trabalho temporário – motivo pelo qual não mais poderia prestar suas atividades na obra e que deveria procurar o síndico da massa falida para tentar habilitar eventual crédito seu no juízo falimentar;

- o último recebimento de salário referia-se à semana de 05 a 11 de maio.

João de Deus entregava os recibos salariais relativos ao período de fevereiro a 11 de maio/2002 onde se verifica que durante todo o período do contrato de trabalho fora feito o pagamento de R$600,00 a cada semana.

Os dados relativos à qualificação das partes que não foram fornecidos são de livre escolha do aluno. DADOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DA PEÇA

I – Dados gerais

Local da prestação do trabalho: Belo Horizonte

Admissão: 04/02/02

Saída: 18/05/2002 – dispensa imotivada – não houve aviso prévio (c/ projeção: 17/06/02)

Função: pintor

Remuneração: R$ 100,00, por dia, pagamento aos sábados

II – Itens da petição:

a) Do vínculo de emprego

A terceirização foi ilícita por que:

1) não observou o art. 2º da Lei n. 6.019/74 (a tomadora vinha firmando contratos sucessivos com a prestadora há dois anos);

2) foi por prazo superior a 3 meses (prorrogáveis por mais 3 meses) - art. 10 da Lei 6.019/74.

Formação do vínculo diretamente com a tomadora dos serviços – (Súmula 331, I, do TST e art. 9º da CLT) com responsabilidade solidária da prestadora pelo ato ilícito – art. 927 c/c 942 do CC.

Não se reconhecendo a ilicitude da terceirização, a tomadora responderia subsidiariamente, por culpa in vigilando (Súmula 331, IV, do TST). No entanto, em virtude da falência da empresa prestadora de mão de obra, responderá solidariamente (art. 16 da Lei 6.019/74).

b) Extinção do contrato - dispensa imotivada: 07 dias de saldo de salário; 5/12 de 13º de 2002; 4/12 de férias

proporcionais acrescidas de 1/3; aviso prévio; FGTS sobre saldo de salário, aviso prévio e 13º salário; indenização de 40% sobre o FGTS; multas dos arts. 477 e 467, da CLT; liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade, e CD/SD.

c) RSR não era pago, pois, recebia por dia trabalhado, aos sábados (art. 7º, §2º da Lei 605/49).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan d) Adicional de

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d) Adicional de insalubridade: contato permanente com tínner, solventes, etc; requerer perícia para fixar o percentual

que deve ser pago sobre o salário mínimo (art. 7º, XXIII, da CR/88 c/c art. 192 da CLT).

e) Jornada – pedir intimação para juntar cartões de ponto

Intervalo de 1 hora De 08 às 18 h. – segunda a sábado = 9 * 6 = 54 – 44 = 10 horas extras por semana Adicional de 50% e reflexos em RSR, aviso prévio, 13º salário, férias acrescidas de 1/3, FGTS, indenização de 40% sobre o FGTS.

f) Pedir baixa na CTPS (17/06/2002, com a projeção do aviso prévio – OJ 82, SDI-I do TST).

RESPOSTA EXMO. SR. JUIZ DA VARA DO TRABALHO DE BELO HORIZONTE – MG (Espaço de 10 linhas)

residente

e domiciliado em

FALIDA DE ESPECULADORA TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA, empresa sediada na rua dos Exploradores, nº

e CONSTRUTORA

inscrita no

CNPJ sob o nº

ESQUIVANDO LTDA, empresa também sediada nesta Capital, na Av. Amazonas, nº 2345, bairro

JOÃO DE DEUS, brasileiro, solteiro, pintor, portador do CPF nº

,

da CI nº

e da CTPS nº

,

série nº

,

,

vem, por seu advogado (procuração anexa), propor AÇÃO TRABALHISTA em face de MASSA

,

,

CEP

,

171, bairro do Aproveitamento, em Belo Horizonte – MG, inscrita no CNPJ sob o nº

,

pelos fatos e fundamentos que passa a expor:

I – DOS FATOS E FUNDAMENTOS

1. Em 04/02/02, foi o autor contratado pela 1ª corré para prestar serviços de pintor para a 2ª corré, mediante

salário de R$ 100,00 por dia.

2. Formalmente, o contrato celebrado entre a 1ª corré e o autor era contrato de trabalho temporário, regulado

pela Lei n. 6.019/74. Observa-se, entretanto, que o fornecimento de mão-de-obra à tomadora era de forma permanente (há cerca de dois anos), mediante contratos sucessivos. Ademais, os únicos empregados da construtora eram os apontadores e o mestre de obras. Os demais trabalhadores prestavam serviços mediante contrato temporário. Vê-se, assim, que ocorria uma contratação definitiva na própria atividade-fim da empresa, camuflada de contratação temporária, que não se enquadra em qualquer das hipóteses que possibilitam a contratação por interposta pessoa (art. 2º da Lei n. 6.019/74). É, pois, clarividente a inequívoca intenção fraudulenta das corrés, o que atrai a aplicação do art. 9º da CLT.

Ainda que assim não se entenda, não poderia subsistir validamente a contratação nos moldes da Lei 6.019/74, vez que o vínculo perdurou por mais de 03 meses, limite expresso no art. 10 da referida Lei. Assim, tanto em decorrência da fraude como da irregularidade no prazo na contratação, deve ser declarado nulo

o contrato de trabalho temporário celebrado entre a 1ª corré e o autor. Uma vez que o autor prestava serviços de forma pessoal, não eventual, onerosa e subordinada diretamente aos prepostos da 2ª corré, tem-se que ele era em verdade seu empregado. Logo, deve ser reconhecida a formação do vínculo laboral diretamente entre autor e 2ª corré (Súmula 331, I, do TST), devendo ser retificada a CTPS do obreiro. Sendo, ainda, responsável solidariamente a 1ª ré, em razão do concurso na fraude (arts. 187, 927 e 942 do CC).

Na eventualidade de assim não entender este D. Juízo, permanecendo o vínculo com a 1ª corré, esse deve ser nos moldes da CLT. Mesmo que fosse lícita a terceirização, o que se diz somente por argumentar, ainda assim, responde a 2ª corré de forma solidária pelos créditos do obreiro, em virtude da falência da empresa prestadora, 1ª corré, nos termos do art. 16 da Lei 6.019/74.

3. Em 18/05/02 foi extinto o contrato de trabalho firmado entre autor e a 1ª corré, até o momento, não foi dada baixa

na CTPS do autor. Tampouco recebeu qualquer parcela rescisória, fazendo jus o obreiro, portanto, à baixa de sua CTPS, considerando-se a projeção do aviso prévio (OJ 82, SDI-I), e ao pagamento de: 7 dias de saldo de salário (última semana); aviso prévio; 13º salário proporcional (5/12); recolhimento de FGTS sobre saldo de salário, aviso prévio e 13º proporcional

(Súmula 305, TST e art. 18, Lei 8036/90); férias proporcionais acrescidas do terço constitucional (4/12) e indenização de 40% sobre o FGTS, bem como à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso

o autor não o receba por culpa das corrés.

4. Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da dação do aviso prévio,

conforme dispõe o art. 477, § 6º, alínea “b” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário (multa do art. 477, § 8º, da CLT). Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas de 50% (multa do art. 467, da CLT). 5. O autor trabalhava de 08:00 às 18:00 h., com uma hora de intervalo, de segunda-feira a sábado, cumprindo, portanto, uma carga semanal de 54 horas. Verifica-se, assim, que a jornada máxima legal de 8 horas diárias e 44 horas semanais, garantida no art. 7º, XIII, CR/88, era extrapolada em 10 horas, por semana. Preceitua o art. 7º, inciso XVI da CR/88 que, havendo trabalho extraordinário, este terá remuneração superior em, no mínimo, 50% a do normal. Logo, faz jus o autor ao pagamento das referidas horas extras, acrescidas do adicional de 50% (art. 7º, XVI da CR/88). Uma vez que prestadas habitualmente, também faz jus aos seus reflexos no repouso

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan semanal remunerado, férias

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semanal remunerado, férias acrescidas do terço constitucional, 13º salário, aviso prévio, FGTS e indenização de 40% do FGTS.

6. Conforme o art. 7º, inciso XV da CR/88 é assegurado aos trabalhadores o direito ao descanso remunerado,

a cada semana, preferencialmente aos domingos.

Muito embora este descanso tenha sido concedido pela ré, o mesmo não era remunerado, visto que o autor era remunerado apenas pelos dias trabalhados, já que trabalhava seis dias e recebia R$600,00, por semana, conforme demonstram os recibos salariais (art. 7º, §2º da Lei 605/49). Logo, faz jus, ao pagamento dos repousos semanais durante todo o pacto laboral, no importe de um dia normal de trabalho, bem como às diferenças da gratificação natalina, das férias acrescidas do terço constitucional e dos depósitos de FGTS, tomando por base o salário acrescido do repouso.

7. O autor trabalhava em contato permanente com tinner, tinta a óleo e solventes, sem qualquer proteção contra

a nocividade de tais agentes, a qual é reconhecida na NR/15 do Ministério do Trabalho. Estabelece o art. 192 da CLT,

que nos trabalhos em condições insalubres acima dos limites de tolerância, é assegurada a percepção de um adicional de insalubridade de 10%, 20% ou 40% do salário mínimo, conforme o grau de risco seja mínimo, médio ou máximo à saúde. Como jamais recebeu qualquer verba pela prestação de serviços em tal situação mais gravosa à sua saúde, restou violada a norma contida no art. 7º, XXIII, da CR/88. Assim, o autor faz jus ao pagamento do adicional de insalubridade, em grau a ser fixado por perícia.

Também tem direito aos reflexos de tal adicional nas horas extras, férias acrescidas do terço constitucional, 13º salário, aviso prévio e FGTS acrescido da indenização de 40%.

II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, impossibilitado de ver satisfeitas, de forma espontânea, as suas pretensões, requer a citação das corrés para, sob as penas da lei, comparecerem à audiência a ser designada e, querendo, apresentarem defesa e acompanharem o processo até final sentença que julgará procedentes os pedidos para declarar a nulidade do contrato firmado entre o autor e a 1ª corré, reconhecer o vínculo de emprego com a 2ª corré, determinando que se proceda a retificação e baixa da CTPS, e, ainda que esse d. Juízo não entenda nulo o contrato com a primeira corré, em qualquer caso, condenar ambas, SOLIDARIAMENTE, a entregar as guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa das rés, bem como a pagar custas, despesas processuais e, ao autor, as seguintes parcelas:

a) saldo de salário (01 semana)

R$ 600,00;

b) aviso prévio indenizado

R$ 3.000,00;

c) 5/12 de 13º proporcional

R$ 1.250,00;

d) 4/12 de férias proporcionais + 1/3

R$ 1.333,33;

e) Depósitos do FGTS sobre saldo de salário, aviso prévio e 13º proporcional

R$ 431,65;

f) indenização de 40% sobre o FGTS

R$ 443,20;

g) multa do art. 477, §8º, CLT

R$ 3.000,00;

h) multa do art. 467 da CLT

a apurar;

i) 10 horas extras por semana

R$ 4.090,91;

j) reflexos das horas extras no repouso semanal remunerado, 13º salário, férias +1/3, FGTS+40% e aviso prévio

R$ 2.045,45;

k) repouso semanal remunerado durante todo o pacto

R$ 1.300,00;

l) reflexo do repouso no FGTS +40%, 13º salário, férias +1/3

R$ 400,00;

m) adicional de insalubridade

R$ 5.400,00;

n) reflexo do adicional de insalubridade nas horas extras, férias +1/3, 13º salário, aviso prévio e FGTS + 40%

R$ 1.782,00.

Tudo corrigido e com juros nos termos da legislação trabalhista específica. Requer, ainda, sejam intimadas as corrés para juntar os cartões de ponto do autor, ao longo de todo o pacto laboral, sob pena de presumirem-se verdadeiros todos os horários alegados nesta exordial (art. 355 c/c art. 359, do CPC).

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal das rés, sob pena de confissão (art. 343, § 2º, CPC). Dá à causa o valor de R$ 25.075,55. Termos em que pede e espera deferimento. Local e Data Advogado OAB Endereço do advogado para intimação

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan CONSIDERAÇÕES SOBRE A

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEÇA

ITENS ABORDADOS:

Terceirização ilícita – Lei n. 6.019 e Súmula 331, I e IV, do TST

Adicional de insalubridade

Jornada – horas extras

Dispensa imotivada – verbas rescisórias

RSR

Fazer uma leitura atenta do Súmula 331 do TST e da Lei 6.019/74 que trata do trabalho temporário, casos de cabimento, prazo de vigência, responsabilidade.

Atentar quanto ao polo passivo da ação: esta deve ser proposta tanto contra a empresa fornecedora de mão- de-obra (empregadora) quanto contra a tomadora. Isso porque, como visto na peça, houve fraude na contratação, de forma que ambas respondem pelas obrigações trabalhistas (a primeira como responsável extracontratual vez que participou do ilícito – arts. 187 c/c 927 c/c 942 do Código Civil de 2002; a segunda responde por que o vínculo passa a se configurar com ela). A responsabilidade de ambas é, pois, solidária.

No entanto, se o juiz entender que deve manter o vínculo com a empresa prestadora, não obstante a terceirização ilícita, a tomadora continua solidariamente responsável - art. 927 e 942 do CC. Isto ocorreria numa hipótese de terceirização ilícita quando, por exemplo, a lei veda o vínculo com a tomadora, caso típico do art. 37, II, da CR/88, onde

se exige o concurso público para a formação do vínculo com a administração pública direta e indireta, tomadora dos serviços.

Outro fundamento da responsabilidade solidária da 2ª corré é a falência da empresa prestadora – art. 16 da Lei 6.019/74, quando a terceirização for lícita.

Lado outro, se o juiz entender que não houve fraude, que foi regular a contratação, a empresa tomadora continua sendo responsável. Mas, tal responsabilidade é subsidiária, por culpa in vigilando e/ou in eligendo - Súmula 331, IV, do TST. A empresa tomadora tinha que ter controlado, fiscalizado a empresa prestadora. Como não o fez, deverá garantir o pagamento dos créditos decorrentes da relação de emprego, se a empresa prestadora não o fizer.

Deve-se observar que, como recebia por semana, não lhe era pago o repouso semanal remunerado, regulado pela Lei 605/49, inobstante desfrutasse do mesmo (não trabalhava aos domingos).

Também sugerimos uma verificação das condições em que é devido o adicional de insalubridade, o qual compõe a base de cálculo das horas extras, além de refletir em outras verbas (não no repouso semanal remunerado vez que a base de cálculo do adicional já remunera os dias de repouso).

Uma peculiaridade a respeito da base de cálculo do adicional de insalubridade: a CLT estabelece que ele incide sobre o salário mínimo (art. 192). No entanto, o STF, por meio da súmula vinculante nº 4, entendeu que o salário mínimo não pode ser usado como indexador e, por conseguinte, como base de cálculo do referido adicional mas, enquanto não houver uma nova lei definindo qual seja a base de cálculo, continua sendo o salário mínimo.

Em função desse entendimento, o TST cancelou a súmula 17 e a alterou súmula 228, estabelecendo que a base de cálculo passou a ser o salário base, salvo norma mais favorável.

Ocorre que foi ajuizada uma reclamação constitucional contra a nova redação da súmula 228, do TST, por contrariar a súmula vinculante. O STF, em sede de liminar, suspendeu a eficácia da súmula 228 do TST naquilo que contrariar a sua súmula vinculante 4.

Ocorre que, até a presente data, não houve a fixação, por lei, de outra base de cálculo para o adicional de

insalubridade. Assim, até que seja promulagada a lei, o entendimento esposado pelo STF é de que a base de cálculo

a ser adotada é o salário mínimo, salvo se existir norma mais favorável prevendo piso salarial ou salário profissional.

Obs.: Sobre o tema, veja o tópico “GRUPO SALÁRIO MÍNIMO” na apostila de Direito Material, quando tratamos de salário.

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Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan

INICIAL 21 – JOSÉ TERCEIRIZADO x ADSERVALGO LTDA + 1 ENUNCIADO

José Terceirizado foi contratado por ADSERVALGO LTDA para prestar serviços para a empresa TOMADORA ILEGAL LTDA, para exercer as funções de soldador, no dia 20/01/2003, mediante um salário mensal de R$260,00. Sempre trabalhou no horário de 07:00 às 19:30 horas, usufruindo apenas de meia hora de intervalo, de 2ª a 6ª feira, conforme controle de frequência estabelecido, controlado e fiscalizado pela empresa tomadora. No dia 31/03/2004, foi dispensado pelo Gerente da empresa cliente, uma vez que estava insatisfeito com os serviços prestados. Compareceu na empresa terceirizada para receber os salários do mês, o que foi em vão. Apenas estipularam que deveria comparecer no sindicato da categoria para o acerto rescisório, o que também não restou em nada, pois lá não compareceu nenhum representante da empresa, conforme declaração do sindicato. Ao longo de todo o pacto, somente recebeu salário básico e gratificação natalina. Faça a defesa dos interesses do José Terceirizado, que, após assinar procuração e declaração de pobreza, também lhe contou que na empresa cliente havia um outro soldador, de nome João Tranquilo, contratado no dia 03/01/1999 como auxiliar de serviços gerais e posteriormente promovido a soldador, no dia 02/01/2003, que percebia salário igual a R$360,00. Você consultou os instrumentos normativos da empresa cliente, localizada em Aimorés, e pôde perceber que o piso da categoria era de R$460,00. Consultou também a junta comercial e obteve cópia do contrato social da empresa onde consta que a atividade da empresa tomadora é a de metalurgia. Indagado, José lhe informou que trabalhava com solda de peças para fornecimento a várias montadoras de veículos de Minas Gerais e São Paulo. O extrato da CEF demonstra que não foi efetuado nenhum depósito no ano de 2004. Invente os dados das partes.

DADOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DA PEÇA

I – Dados gerais

Local da prestação do trabalho: Aimorés

Admissão: 20/01/03

Saída: 31/03/2004 – dispensa imotivada – não houve aviso prévio (c/ projeção: 30/04/04)

Função: soldador

Remuneração: R$ 260,00 mensais

II – Itens da petição:

a) Do vínculo de emprego

A terceirização era da atividade-fim e para ser lícita teria que ser nos moldes da contratação temporária (Lei

6.019/74), o que não ocorreu.

Nulidade do contrato de terceirização

Demonstrar a formação do vínculo diretamente com a tomadora dos serviços – (Enunc. 331, I, do TST e art. 9º da CLT) e da existência, entre autor e 2ª corré, dos 5 requisitos que configuram a relação de emprego (arts. 2º e 3º, da CLT).

Responsabilidade solidária da prestadora pelo ato ilícito – arts. 186 e 927 c/c 942 do CC/02.

1º Pedido eventual e sucessivo: mantendo-se o vínculo com a prestadora, a tomadora continua solidariamente responsável porque se beneficiou dos serviços prestados e agiu em conluio com a prestadora - arts. 927 c/c 942 do

CC/02.

2º Pedido eventual e sucessivo: não se reconhecendo a ilicitude da terceirização, ainda assim a tomadora responderá

subsidiariamente, por culpa in vigilando - Súmula 331, IV, do TST.

b) Extinção do contrato - dispensa imotivada: 31 dias de saldo de salário; 4/12 de 13º de 2004; 3/12 de férias

proporcionais + 1/3; aviso prévio; FGTS sobre saldo de salário, aviso prévio e 13º salário; indenização de 40% do FGTS; multas dos arts. 477 e 467, da CLT; liberação das guias TRCT, com a chave de conectividade, e CD/SD.

c) Diferenças salariais - piso da categoria era R$460,00. Eventualmente, equiparação salarial. Ainda eventual e

sucessivamente, aplicação por analogia do art. 12, alínea “a” da Lei 6.019/74 – tratamento isonômico com João

Tranquilo, que exercia função de soldador a partir de 02/01/03 e recebia R$360,00.

Reflexos em horas extras, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio, FGTS e indenização de 40% sobre o FGTS.

d) Jornada – Requerer juntada dos cartões de ponto.

De 07 às 19:30 h, com 30 minutos de intervalo, de segunda a sexta-feira

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan O intervalo concedido

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O intervalo concedido era menor que o mínimo legal. De acordo com a Orientação Jurisprudencial nº 307 da SDI-

I/TST, a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo gera para o empregado o direito ao pagamento, como

extraordinário, da integralidade do período destinado ao repouso e alimentação, nos termos do parágrafo 4º do artigo 71, da CLT.

Portanto, temos:

19h30 - 07h = 12h30min - 30min (intervalo) = 12 horas (jornada cumprida)

12h (jornada cumprida) – 8h (jornada legal) = 4 horas extras pela extrapolação da jornada legal + 01 hora extra por dia pela não concessão do intervalo em sua integralidade.

NOTA: A análise da extrapolação de jornada é feita por dia trabalhado, posto que o empregado trabalhava apenas de segunda a sexta-feira.

Adicional de 50% e reflexos em RSR, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio, FGTS e indenização de 40% sobre o FGTS.

e) FGTS não depositado.

f) Férias período 03/04, simples.

g) Pedir baixa da CTPS.

RESPOSTA

Exmo. Sr. Juiz da Vara do Trabalho de Aimorés – MG

(Espaço de 10 linhas em branco)

, <endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>, vem, por seu

procurador in fine assinado (procuração anexa), respeitosamente, ajuizar AÇÃO TRABALHISTA em face de ADSERVALGO LTDA, empresa de prestação de serviços regularmente constituída, com sede em Aimorés, MG,

residente e domiciliado em

JOSÉ TERCEIRIZADO, brasileiro, solteiro, soldador, portador da CI nº

,

CTPS nº

,

série

,

CPF nº

no endereço

TOMADORA ILEGAL LTDA, empresa também regularmente constituída, sediada em Aimorés, MG, no

endereço

seguintes razões de fato e de direito.

pelas

e de

<endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>, inscrita no CNPJ sob o nº

,

,

<endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>, inscrita no CNPJ sob o nº

I. DOS FATOS E FUNDAMENTOS

I.1 DO LITISCONSÓRCIO PASSIVO

O autor foi contratado pela 1ª corré, via contrato de trabalho por prazo indeterminado, nos moldes da CLT, para exercer as funções de soldador no fornecimento de peças automotivas para as empresas clientes da 2ª corré, empresa metalúrgica (contrato social anexo).

Como se verifica, o autor estava inserido na dinâmica empresarial da 2ª corré, razão pela qual se pode-se concluir que se trata de terceirização permanente de atividade-fim, não permitida pelo nosso ordenamento jurídico, bem como pela maioria da doutrina e jurisprudência (Súmula 331 do C. TST).

Ademais, vale destacar que o autor estava sujeito a controle de jornada especialmente criado e fiscalizado pela 2ª corré, bem como recebia ordens de seus prepostos, haja vista que, inclusive, foi dispensado pelo Gerente da

2ª corré, fato este corroborado pela 1ª corré, que apenas determinou o comparecimento do obreiro ao sindicato

profissional para acerto rescisório. Logo, era o autor subordinado à 2ª corré.

Por ser o autor pessoa física que prestou os serviços com pessoalidade (sem se fazer substituir por outrem),

de forma não eventual (ao longo de todo o pacto), onerosa (recebendo salários de R$260,00 mensais) e subordinada

à 2ª corré, faz jus à declaração da nulidade do contrato antes firmado com a 1ª corré e ao reconhecimento da relação

de emprego com a 2ª corré, com consequente retificação da CTPS. Nesse sentido também é a jurisprudência, ex vi Súmula 331, I do C. TST, segundo a qual, “a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços”.

Uma vez que as corrés praticaram ato ilícito em detrimento do autor, respondem elas de forma solidária pelos créditos do obreiro (art. 942 do Código Civil), o que também justifica a inclusão de ambas no pólo passivo da demanda.

Na eventualidade desse D. Juízo não entender pela nulidade do vínculo com a 1ª corré, o que se admite apenas por amor ao debate, caso é de manutenção do vínculo com a 1ª corré, nos moldes da CLT, permanecendo a

2ª corré, por força de culpa in eligendo e in vigilando, subsidiariamente responsável (súmula 331, IV, TST).

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan I.2 DO INÍCIO

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I.2 DO INÍCIO E FIM DO CONTRATO - DAS VERBAS RESCISÓRIAS

O autor foi contratado pela 1ª corré para prestar serviços para a 2ª corré, no exercício das funções de soldador, no dia 20/01/2003, mediante um salário de R$260,00 mensais. No dia 31/03/2004, foi sumariamente dispensado pelo gerente da 2ª corré, fato este confirmado pela 1ª corré.

Assim, tendo em vista que a dispensa foi imotivada e que até o momento não foi dada baixa em sua CTPS e não recebeu qualquer parcela rescisória, faz jus o obreiro à baixa de sua CTPS, considerando-se a projeção do aviso prévio (OJ 82, SDI-I), e ao pagamento de: saldo de salário do mês de março (31 dias); 13º salário de 2004 (4/12); aviso prévio indenizado; férias proporcionais (3/12) e férias vencidas do período de 2003/2004, de forma simples, todas acrescidas do terço constitucional; recolhimento do FGTS sobre aviso prévio, saldo de salário e 13º salário (art. 18 da Lei 8.036/90 e Súmula 305, do TST) e indenização de 40% sobre o FGTS. Faz jus também à entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa das rés.

Como as verbas rescisórias não foram pagas no prazo de 10 (dez) dias contados da dação do aviso prévio, conforme dispõe o art. 477, §6º, alínea “b” da CLT, faz jus ao recebimento da multa prevista no § 8º do mesmo artigo, no importe de 01 (um) mês de salário (multa do art. 477, §8º, da CLT). Caso perdure a mora após a primeira assentada, deverão as verbas rescisórias incontroversas ser pagas acrescidas de 50% (multa do art. 467 da CLT).

I.3 DA DIFERENÇA SALARIAL

I.3.1 DO PISO SALARIAL

Tendo em vista a formação da relação de emprego com a 2ª corré, aplicam-se ao autor os instrumentos normativos da categoria (anexos), que garantem piso salarial de R$460,00 mensais. Contudo, o autor sempre recebeu R$260,00 mensais. Logo, faz jus ao pagamento das diferenças salariais mensais, ao longo de todo o pacto, bem como seus reflexos nas horas extras, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio indenizado e FGTS acrescido da indenização de 40%.

I.3.2 DA EQUIPARAÇÃO SALARIAL

Na eventualidade absurda de não se deferir o pleito de pagamento do piso salarial, o autor faz jus à equiparação salarial com o Sr. João Tranquilo.

Isso porque dispõe o art. 461 da CLT que a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador e na mesma localidade deve corresponder igual salário. O autor sempre exerceu as mesmas funções, no mesmo estabelecimento que o paradigma, Sr. João Tranquilo, também empregado do réu. No entanto, o paradigma recebia salário de R$ 360,00 mensais, enquanto o autor percebia salário igual a R$ 260,00, o que configura a discriminação.

Assim, estando atendidos os requisitos do art. 461 da CLT, o autor faz jus à equiparação salarial, com o paradigma acima indicado, e consequente pagamento das diferenças salariais, ao longo de todo o pacto laboral, bem como o pagamento de seus reflexos em horas extras, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, aviso prévio, FGTS e indenização de 40% sobre o FGTS.

I.3.3 DO TRATAMENTO ISONÔMICO

vínculo de emprego com a prestadora, o que se

admite apenas por argumentar, devem ser pagas as diferenças salariais, sob o fundamento da isonomia.

Conforme disposto no art. 12, alínea “a” da Lei 6.019/74, o trabalhador temporário tem direito à mesma remuneração percebida pelos empregados da mesma categoria da empresa tomadora, de forma a se evitar discriminação. Desta forma, também se aplica ao autor o piso salarial imposto a todos os empregados da empresa tomadora (2ª corré), qual seja, R$460,00 mensais.

No entanto, o autor sempre recebeu R$ 260,00 mensais, o que configura a lesão. Desse modo, faz jus às diferenças salariais mensais, ao longo de todo o pacto, bem como seus reflexos nas horas extras, aviso prévio, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, FGTS e indenização de 40%.

Na eventualidade deste d. juízo entender que o autor não faz jus ao pagamento do piso salarial, previsto nos instrumentos normativos, ainda assim, faz jus o autor ao pagamento de diferenças salariais. Isso porque, os funcionários da tomadora que trabalhavam com o autor, no exercício das mesmas funções (como é o caso do Sr. João Tranquilo, soldador da 2ª corré), percebiam salário de R$ 360,00 mensais, ao passo que o autor percebia apenas R$260,00 mensais.

E, ainda que esse D. Juízo entenda pela manutenção do

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Assim, sob pena

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Assim, sob pena de restar configurada a discriminação vedada pelo art. 12, alínea “a” da Lei 6.019/74, o autor faz jus ao pagamento das diferenças salariais mensais, ao longo de todo o pacto, bem como seus reflexos em horas extras, aviso prévio, gratificações natalinas, férias acrescidas do terço constitucional, FGTS e indenização de

40%.

I.4 DA JORNADA DE TRABALHO

Ao longo de todo o pacto, o autor laborou de 07:00 às 19:30 horas, de 2ª a 6ª feira, sempre com 30 minutos de intervalo, totalizando uma jornada de 12 horas, conforme constam dos controles de frequência estabelecidos, controlados e fiscalizados pela 2ª corré.

Conforme art. 71 da CLT, por ter jornada superior a 6 horas de labor diário, faz jus o autor a um intervalo de, no mínimo, uma hora para refeição e descanso. Uma vez que o obreiro gozava apenas 30 minutos a título de intervalo, caso é de pagamento da integralidade do período destinado ao repouso e alimentação como extraordinária, devidamente acrescida do adicional de 50%, nos termos do parágrafo 4º do artigo 71 da CLT. Nesse sentido também é o entendimento da Súmula 27 do TRT da 3ª Região e da Orientação Jurisprudencial nº 307 da SDI-I/TST.

Restou, ainda, ultrapassada a jornada máxima diária. Prevê a Constituição no art. 7º, XIII que a carga horária máxima de trabalho diário é de 8 horas, sendo que, havendo trabalho extraordinário, este terá remuneração superior em, no mínimo, 50% a do normal (art. 7º, XVI da CR/88). No entanto, o autor laborava 12 horas diárias, sem receber qualquer adicional. Logo, faz jus ao pagamento de 4 horas extras por dia, ao longo de todo pacto laboral, acrescidas do adicional de 50%.

Habituais as horas extras, faz jus, ainda, aos seus reflexos no repouso semanal remunerado, férias acrescidas do terço constitucional, gratificações natalinas, aviso prévio, e FGTS acrescido da indenização de 40%.

I.5 DAS FÉRIAS

Estabelece o art. 134 da CLT que as férias serão concedidas por ato do empregador nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito, devendo o empregador pagá-las em dobro, caso não o faça no período concessivo (art. 137 da CLT), acrescidas do terço constitucional (art. 7º, inciso XVII da CR/88). In casu, o autor não gozou as férias referentes ao período 2003/04. Assim, faz jus ao recebimento das férias desse período de forma simples acrescidas do terço constitucional.

I.6 DO FGTS

De acordo com o art. 15 da Lei 8.036/90, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 07 de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8% da remuneração do mês anterior. Entretanto, conforme consta do extrato da Caixa Econômica Federal anexado, na conta vinculada do FGTS do obreiro não constam os depósitos relativos ao ano de 2004. Desse modo, faz jus o autor ao recebimento do FGTS incidente sobre as verbas remuneratórias do ano de 2004.

II. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante do exposto, impossibilitado de ver satisfeitas, de forma espontânea, as suas pretensões, requer a citação das corrés para, sob as penas da lei, comparecerem à audiência a ser designada e, querendo, apresentarem defesa e acompanharem o processo até final sentença que jugará procedentes os pedidos para declarar a nulidade do contrato firmado entre o autor e a 1ª corré, reconhecer o vínculo de emprego com a 2ª corré, determinando que se proceda à retificação e baixa da CTPS, e a entrega das guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva, caso o autor não o receba por culpa das rés, bem como condenar ambas, SOLIDARIAMENTE, a pagar as custas e despesas processuais, e, ao autor, as seguintes parcelas:

a) saldo de salário (março/04)

R$ 260,00;

b) aviso prévio

R$ 260,00;

c) 13º salário (4/12)

R$ 86,67;

d) férias proporcionais (3/12) + 1/3

R$ 86,67;

e) férias vencidas simples + 1/3

R$ 346,67;

f) indenização de 40% sobre o FGTS

R$ 144,21;

g) diferenças de FGTS não depositado

R$ 90,13;

h) FGTS sobre saldo de salário, aviso prévio e 13º salário

R$ 48,53;

i) multa do art. 477, §8º, da CLT

R$ 260,00;

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan j) multa do

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j) multa do art. 467 da CLT

k) diferenças salariais pelo não pagamento do piso salarial da categoria, e seus reflexos em horas extras, 13º

salário, férias acrescidas de 1/3, aviso prévio e FGTS acrescido da indenização de 40%

l) na eventualidade de indeferimento do pedido anterior, equiparação salarial com o paradigma João Tranquilo e

consequente pagamento das diferenças salariais mensais, ao longo de todo o pacto, bem como seus reflexos em

horas extras, 13º salário, férias acrescidas de 1/3, aviso prévio, FGTS acrescido da indenização de 40% R$ 2.000,00;

m) na eventualidade de se manter o vínculo com a 1ª corré, isonomia salarial em relação aos empregados da

tomadora e consequente pagamento das diferenças salariais mensais, ao longo de todo o pacto, bem como seus reflexos horas extras, 13º salário, férias acrescidas de 1/3, aviso prévio, FGTS acrescido da indenização de 40% R$ 2.000,00;

n) 01 hora extra acrescida do adicional de 50%, por dia laborado, pela ausência da concessão do intervalo mínimo

de uma hora

o) 04 horas extras diárias acrescidas do adicional de 50% pela extrapolação da carga horária R$ 3.941,36;

p) reflexos das horas extras repouso semanal remunerado, férias acrescidas do terço constitucional, gratificações

R$ 443,04;

R$ 4.000,00;

R$ 492,67;

natalinas,

aviso

prévio,

e

FGTS

acrescido

da

indenização

de

40%

R$2.217,02;

Tudo devidamente corrigido e acrescido dos juros legais nos termos da legislação trabalhista específica.

Requer, ainda, seja intimada a ré para juntar os cartões de ponto do autor, ao longo de todo o pacto laboral, sob pena de presumirem-se verdadeiros todos os horários alegados nesta exordial (art. 355 c/c art. 359, do CPC).

Requer os BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA, eis que é o autor pobre no sentido legal, conforme declaração de pobreza anexa, encontrando-se, inclusive, desempregado.

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal da ré, sob pena de confissão (art. 343, §2º, CPC).

Dá à causa o valor de R$ 16.676,97.

Local e Data

Advogado

OAB

Endereço do advogado para intimação

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PEÇA

ITENS ABORDADOS:

Terceirização ilícita – Súmula 331, I e IV, do TST

FGTS

Jornada – intervalo - horas extras

Férias

Dispensa imotivada – verbas rescisórias

Diferenças salariais, equiparação salarial e tratamento isonômico

Fazer uma leitura atenta do Súmula 331 do TST e da Lei 6.019/74 que trata do trabalho temporário, casos de cabimento, prazo de vigência, responsabilidade.

Atentar quanto ao polo passivo da ação: esta deve ser proposta tanto contra a empresa fornecedora de mão- de-obra (empregadora) quanto contra a tomadora. Isso porque, como visto na peça, a terceirização era da atividade- fim da empresa, de forma permanente, o que não é admitido (Súmula 331, I, do TST). A irregularidade na contratação faz com que ambas respondam pelas obrigações trabalhistas (a primeira como responsável extracontratual vez que participou do ilícito – arts. 187 c/c 927 e 942, do Código Civil. Já a segunda responde por que o vínculo passa a se configurar com ela). A responsabilidade de ambas é, pois, solidária.

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Podem ser feitos dois pedidos eventuais e sucessivos para que o silogismo fique mais completo:

solidariamente responsável. Trata-se de responsabilidade aquiliana, extracontratual por ter se beneficiado dos serviços prestados e ter agido em conluio com a prestadora - art. 927 do CC.

sendo responsável. No entanto, tal responsabilidade é subsidiária, por culpa in vigilando ou in eligendo - Súmula 331, IV, do TST. A empresa tomadora tinha que ter controlado, fiscalizado a empresa prestadora, como não o fez, deverá garantir o pagamento dos créditos decorrentes da relação de emprego se a empresa prestadora não o fizer.

O pedido de diferenças salariais pelo não pagamento do piso da categoria tem como fundamento a existência de instrumentos normativos que asseguram tal direito. Assim, como o vínculo de emprego formou-se diretamente com a empresa tomadora dos serviços, pela ilicitude na contratação, ao autor se aplicam tais instrumentos. Logo, ele faz jus ao piso da categoria.

Como a equiparação salarial, no caso, traria menor benefício ao autor, deve ser pedida eventual e sucessivamente.

Outro pedido eventual e sucessivo que pode ser feito é, na hipótese de ser mantido o vínculo de emprego com a prestadora, o pagamento das diferenças salariais, sob o fundamento da isonomia previsto no art. 12, “a” da Lei n. 6.019/74, que garante aos trabalhadores temporários remuneração equivalente à percebida pelos empregados da mesma categoria da empresa tomadora.

Destaca-se que há dois pedidos de horas extras diferentes. São feitos separadamente porque há dois fundamentos distintos.

Primeiro, pede-se o pagamento de horas extras porque trabalhou efetivamente durante parte do intervalo (30 minutos) que é destinado a refeição e descanso. Aplicação do art. 71, caput e § 4º, da CLT. Ressalte-se que foi adotado o entendimento da OJ 307, SDI-I do TST.

Depois, pede-se o pagamento de horas extras pela extrapolação da jornada legal. Aplicação do art. 7º, XXIII

e XVI da CR/88.

Atentar para o fato de que o enunciado fala que foi feita declaração de pobreza. Isto indica que deve ser feito

o

2º: Se o juiz entender que não houve fraude, que foi regular a contratação, a empresa tomadora continua

1º: Se o juiz entender que deve manter o vínculo com a empresa prestadora a tomadora continua

pedido de justiça gratuita. Recomenda-se leitura do art. 790, §§ 1º e 3º, da CLT e art. 14 da Lei 5.584/70.

INICIAL 26 – ATENOR ATIVO x INDÚSTRIA DE LAMINADOS BARRA SUJA LTDA. ENUNCIADO

Atenor Ativo foi contratado por Indústria de Laminados Barra Suja Ltda., empresa com sede no Rio de Janeiro, na Av. Copacabana, n. 2.435 e estabelecimento industrial em Nova Lima/MG, na Rua Esquerda, n. 85, bairro das Indústrias, em 25 de setembro de 1998. Sempre trabalhou como operador de laminação, em Nova Lima, percebendo salário mensal de R$ 1.500,00. Em 01.06.2007 tomou posse como dirigente sindical após ser eleito por sua categoria profissional, com mandato de dois anos. Ocorre que por constantemente defender interesses contrários aos da empresa, em 20.02.2008 foi convocado ao “Departamento Pessoal”, ali recebendo a notícia de que estava sendo dispensado. A empresa determinou que comparecesse dentro de dez dias ao sindicato da categoria para o acerto rescisório. Chegando lá, a empresa não compareceu para o acerto. Examinar a hipótese e redigir a petição inicial.

DADOS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DA PEÇA

I – Dados gerais

Local da prestação do trabalho: Nova Lima

Admissão: 25/09/1998

Saída: 20/02/08 – dispensa imotivada – liberado do aviso (projeção do aviso: 22/03/08)

Função: operador de laminação

Remuneração: R$ 1.500,00

Eleição como dirigente sindical: 01/06/2007 (mandato de 2 anos)

II – Itens da petição:

a)Reintegração: quando o autor foi dispensado ainda era detentor de garantia de emprego.

Prática Trabalhista – OAB 2ª Fase Material de Apoio Prof. Bruno Hazan Em decorrência da

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Em decorrência da reintegração, faz jus ao pagamento dos salários desde o ato da dispensa até a efetiva reintegração, garantidas todas as vantagens advindas da lei e de instrumentos normativos, incluindo recolhimentos para o FGTS, INSS, férias e 13º salário.

b) Indenização substitutiva: pedido sucessivo eventual no caso de ser desaconselhável a reintegração. Nesse caso, são devidos todos os créditos do autor, até o final do período da garantia de emprego, incluindo salário, 13º salário, férias + 1/3, FGTS + 40% e aviso prévio.

c)Na eventualidade de não ser reintegrado, caso é de se condenar a ré a:

- proceder à baixa na CTPS (22.03.2008);

- entregar as guias TRCT, com a chave de conectividade (para saque do FGTS), garantida a integralidade dos depósitos, e CD/SD (para recebimento do seguro-desemprego), sob pena de indenização substitutiva caso o autor não o receba por culpa da ré;

- pagar as seguintes parcelas: saldo de salário (20 dias de fevereiro); aviso prévio indenizado (30 dias);13º salário proporcional (3/12 de 2008); FGTS sobre o saldo de salário, aviso prévio e 13º salário; férias proporcionais + 1/3 (6/12 de 2007/2008); indenização de 40% sobre o FGTS, garantida a integralidade dos depósitos; multa do art. 477, §8º, da CLT;multa do art. 467 da CLT.

RESPOSTA

Excelentíssimo Senhor Juiz da Vara do Trabalho de Nova Lima/MG.

<10 linhas>

,

<endereço completo: logradouro, nº, bairro, CEP, cidade/uf>, vem, perante Vossa

Excelência, por seu procurador in fine assinado (procuração anexa), ajuizar a presente AÇÃO TRABALHISTA

em face de INDÚSTRIA DE LAMINADOS BARRRA

Esquerda, n. 85, bairro das Indústrias, Nova Lima/MG, CEP direito.

SUJA LTDA., empresa com estabelecimento na Rua

pelas seguintes razões de fato e de

CPF nº

ATENOR ATIVO, brasileiro, solteiro, operador de laminação, portador da CI nº

,

domiciliado em

,

CNPJ nº

,

,

CTPS nº

,

série

I. DOS FATOS E FUNDAMENTOS

1. O autor foi contratado pela ré no dia 25.09.1998 para exercer a função de operador de laminação, em

Nova Lima/MG, mediante salário m