P. 1
África no Tempo do Tráfico de Escravos

África no Tempo do Tráfico de Escravos

|Views: 41|Likes:
Publicado porAntonia Castro

More info:

Published by: Antonia Castro on Apr 07, 2013
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/09/2014

pdf

text

original

AFRICA NA HISTORIA MUNDIAL

Até ao século XV o continente africano era um mundo completamente desconhecido dos europeus, com exceção do norte mediterrânico, com o qual mantinham contactos desde a Antiguidade. Alguns reinos mantinham relações com o Norte marroquino, como é o caso do Mali, o que o tornava próximo da religião islâmica, tendo mesmo, inclusivamente, acabado por ser absorvido pelo próprio Estado marroquino em finais do século XVI, assim como o império Songhai, nascido do reino de Gao, na região do Senegal. Os descobridores portugueses estabeleceram contactos ao longo da costa ocidental, iniciando-se um longo período de trocas comerciais com a Europa baseado no tráfico de escravos, ouro e matérias-primas. Contudo, o interior africano, praticamente virgem à exploração europeia até ao século XIX, assistiu ao nascimento e florescimento de reinos e impérios com uma estrutura política e social próprias. Também na bacia do rio Congo, correspondendo à área dos atuais Congo (ex-Zaire) e Angola, subsistiram alguns reinos e impérios, numa região de savana, isolada a norte pela floresta densa e a sul pelos desertos do Sudoeste africano. Um desses reinos foi de Louba, datado do século XV. Tratava-se de um agrupamento de povoados que reconhecia a autoridade de um rei, mas cada qual mantendo o seu chefe, sendo todos os chefes descendentes de um mesmo antepassado. Este reino estendeu-se até ao Índico, mas o tipo de organização pouco estável levou à sua dissolução. O século XVII marca o apogeu do império Lunda (no Nordeste de Angola), que conseguiu controlar as jazidas de sal e cobre da região, enriquecendo com as ligações comerciais que estabeleceu com os portugueses que comerciavam na região do Zambeze. A sua eficácia residia nos fortes laços de parentesco estabelecidos entre os diferentes chefes e entre cada sucessor. Um outro foco civilizacional africano de grande interesse está documentado na região do Zimbabwé, entre este rio e o Limpopo. As pesquisas arqueológicas encontraram cerca de 150 locais edificados entre os séculos XIV e XVIII, notáveis pela existência de cintas de muralhas em pedra de grandes dimensões. Outro grande reino da África central é o Kouba, que se fixou entre os rios Lulua e Sankum, local onde controlavam o comércio do sal, do cobre e dos cauris (conchas vindas do Índico que serviam de moeda em Angola). O rei exercia um poder divino perante uma sociedade patriarcal e linhagística. Este reino desenvolveu um conceito artístico próprio, aristocrático, sendo sinal de riqueza a posse de objetos de grande qualidade, incrustados de cauris e pedrarias. Este estado sucumbiu no século XIX sob os golpes árabes, génese da islamização dos reinos africanos, e sob a invasão zulo (do quicongo zulu, «céu»), que alterou também o xadrez étnico e regional do atual território da África do Sul. O reino Zulo é o último grande reino africano, baseado no poder militar do seu chefe e no carácter bélico da suas tribos. A sua expansão ficou a dever-se à vontade de Shaka, que fundou o reino Zulo na região do Natal, em 1816, e partiu à conquista de toda a região, confrontando-se com o poder dos colonos ingleses, pressionando também outras etnias.
1

o comércio com a parte ocidental do Oceano Índico tinha se desenvolvido a tal ponto que um número considerável de mercadores da Arábia e do Oriente Próximo se instalara ao longo da costa oriental da África. dando início a um contato que não mais sofreria interrupções. e daí por todo norte do continente.a mais conhecida delas é a egípcia embora praticamente ignorada pelos demais povos. dando início a um contato que não mais sofreria interrupções. quando a conquista árabe passa por grande impulsão. anteriores mesmo a essa designação. o Africano. Assim.embora praticamente ignorado pelos demais povos. Os primeiros relatos sobre a África subsaariana são bem antigos. uma expedição chegou ao Sudão. quando a conquista árabe passa por grande impulsão. É esta região que será dominada pelos impérios africanos. Yakut. Após a conquista do norte da África.a mais conhecida delas é a egípcia . São escritos de mercadores mediterrânicos e de historiadores da civilização islâmica medieval. após a morte de Maomet. Abul-Fida. norte de Creta. O continente africano foi berço de diversas civilizações . Dois anos depois desta data. as obras de homens como al-Mas`Udi. Palestina. Dois anos depois desta data. A situação só começaria a mudar a partir de 632. uma expedição chegou ao Sudão.300 AC começam os registros da história da África com o florescimento da escrita na civilização faraônica do Egito Antigo. o islamismo se expandiu para o sul do Saara principalmente através das rotas comerciais e migrações. Ibn-Battuta e Hassan Ibn Mohammad (conhecido na Europa como Leão. Por outro lado. perdurou até 343 AC com diferentes graus de influência sobre outras áreas africanas ao longo do tempo. É esta região que será dominada pelos impérios africanos A história da África no começo do século sétimo foi marcada pela expansão do Califado Árabe Islâmico pelo Egito. "Os autores árabes eram mais bem informados. al Idrisi. A influência egípcia se espalhou até onde é hoje a Líbia. Africa antes do tráfico de escravos. A situação só começaria a mudar a partir de 632. uma vez que em sua época a utilização do camelo pelos povos do Saara havia facilitado o estabelecimento de um comércio regular com a África Ocidental e a instalação de negociantes norte-africanos nas principais cidades do Sudão Ocidental. al Bakri. 1494-1552 aproximadamente) são de grande importância para a reconstituição da História da África. Em torno de 3. (1) O continente africano foi berço de diversas civilizações . uma das primeiras e mais duradouras da história. dada ao continente como um todo pelos europeus no século XVII. em particular a do Sudão Ocidental e Central. após a morte de Maomet. e ao sul até o reino da 2 . durante o período compreendido entre os séculos IX e XV. A civilização egípcia.

Assentamentos romanos foram feitos onde é hoje a moderna Tunísia e em outros lugares ao longo da costa do Mediterrâneo. No século 9 DC uma série de estados dinásticos. A influência egípcia se espalhou até onde é hoje a Líbia. Palestina. A influência egípcia se espalhou até onde é hoje a Líbia.  Principais estados pre-colonial Na África pré-colonial houve provavelmente até 10. O cristianismo se espalhou por essas áreas desde a Palestina via Egito. e ao sul até o reino da Núbia. e ao sul até o reino da Núbia. Após a conquista do norte da África pelos romanos. expandiram-se pela savana subsaariana. Outra grande civilização ao norte da África antes da conquista romana foi a de Cartago. Outra grande civilização ao norte da África antes da conquista romana foi a de Cartago. das regiões ocidentais até o Sudão Central. Os mais poderosos desses estados eram Gana. essa área foi integrada economicamente e culturalmente ao resto do Império Romano. Em torno de 3. indo tam mais para o sul. norte de Creta. Palestina. indo também mais para o sul. Assentamentos romanos foram feitos onde é hoje a moderna Tunísia e em outros lugares ao longo da costa do Mediterrâneo. Kanem aceitou o Islã no século 11. além das fronteiras do Império Romano até a Núbia e Etiópia. além das fronteiras do Império Romano até a Núbia e Etiópia. Em torno de 3. Gao e o Império Kanem-Bornu.Núbia.300 AC começam os registros da história da África com o florescimento da escrita na civilização faraônica do Egito Antigo. O cristianismo se espalhou por essas áreas 3 . O cristianismo se espalhou por essas áreas desde a Palestina via Egito. Outra grande civilização ao norte da África antes da conquista romana foi a de Cartago. Gana declinou no século 11 e foi sucedido pelo Império Mali. A civilização egípcia.300 AC começam os registros da história da África com o florescimento da escrita na civilização faraônica do Egito Antigo.000 estados diferentes caracterizados por formas diversas de organizações políticas. perdurou até 343 AC com diferentes graus de influência sobre outras áreas africanas ao longo do tempo. uma da primeiras e mais duradouras da história. uma da primeiras e mais duradouras da história. incluindo os primeiros estados Hauçás. norte de Creta. Foi integrada economicamente e culturalmente ao resto do Império Romano. Foi integrada economicamente e culturalmente ao resto do Império Romano. Assentamentos romanos foram feitos onde é hoje a moderna Tunísia e em outros lugares ao longo da costa do Mediterrâneo. perdurou até 343 AC com diferentes graus de influência sobre outras áreas africanas ao longo do tempo. A civilização egípcia.

O nome do país era Aukar . (Ca.  A cidade do Songhai originou-se na região de Dendi. Por diversos séculos. formando um único império AL-Mas`Udi.desde a Palestina via Egito. Bakir nos dá conta da riqueza do reino ao relatar que Ghana “é a cidade mais importante de todo o território dos negros”. mas o primeiro de que se tem notícia é o de Ghana. visitada por ricos mercadores dos países vizinhos e de todos os países do Magrebe Ocidental. Sua base de poder era sobre a volta do rio Níger nos dias atuais Níger e Burkina Faso. o Africano. além das fronteiras do Império Romano até a Núbia e Etiópia. do noroeste de Nigéria e o rio expandido chega gradualmente de Níger. fazendo a cidade proeminente de Gao a sua nova capital. Do início do século XV até o final do século 16. pois essa região possuía grandes minas de sal. al Idrisi. AL Bakri. Ghana era o título usado pelos reis. Este império tinha o mesmo nome de seu grupo étnico líder. ossonghai conquistaram Mali. No ano 800. dominaram os estados adjacentes pequenos. em Mali. onde um pequeno estado Songhai já existia desde o século XI. Antes do Império Songhai. Ibn-Battuta e Hassan Ibn Mohammad (conhecido na Europa como Leão. fundado. e os lendários hajj de Mansa Musa. durante o período compreendido entre os séculos IX e XV. Seus relatos nos permitem ter 4 . 1500) 1591 Império Songhai destruído por Marrocos (ouro. em particular a do Sudão Ocidental e Central. Mali tornou-se famoso devido à sua imensa riqueza obtido através do comércio com o mundo árabe. quando foram controlados ao mesmo tempo pelo império poderoso de Mali ao oeste. As disputas pela sucessão enfraqueceram a coroa e muitos afastaram-se. no século IV e que foi grande produtor de ouro.  GHANA: As origens de alguns desses reinos são imprecisas. também conhecido como o Império Songhay foi um estado précolonial africano e grande civilização ocidental. os Songhai. o Império do Mali começou a declinar. Yakut. provavelmente. Os Songhai's viviam da pesca e do comercio local do ouro e do sal. uma das civilizações mais ricas da história do mundo. a região tinha sido dominada pelo Império Mali.  O Império Songhai. Songhai foi um dos maiores impérios africanos da história. Aceitaram o Islão em torno do ano 1000. No início do século XV. indo tam mais para o sul. Na verdade. 1494-1552 aproximadamente) são de grande importância para a reconstituição da História da África. Sua capital era a cidade de Gao. No seculo XV. estabeleceram uma cidade do mercado florescendo em Gao. Abul-Fida. no século VIII. sal e cobre também foram comuns no império) O Império Songhai. Os Songhai foram um deles.

assim como à repetição do ciclo agrícola”. emergindo daí linhagens novas e potenciais na sucessão do futuro . que cavavam os poços ao longo das rotas de comércio. O conhecimento que detinham das técnicas agrícolas e artesanais “permitia a prática de uma agricultura de produtividade suficientemente elevada para satisfazert as necessidades alimentares necessárias à conservação e à reprodução de seus membros. • Os povos de Ghana comercializavam o ouro em troca de sal e de outros produtos mediterrânicos com os mercadores e estes. e dos nômades do deserto. também se beneficiavam do intenso comércio de longa distância tributando os mercadores que passavam por suas terras. cativos etc) . O rei. organizadas em torno da família ampliada (patriarca. caracterizado pela formação de comunidades familiares e aldeãs. do poderio do soberano e do funcionamento da economia naquela sociedade. A acumulação de bens e poder. Ao povo. “Os reinos comerciais deram lugar a reinos escravizadores. caso dos berberes sanhadjas. praticavam o modo de produção de linhagem ou doméstico. Nessas sociedades. filhos casados e solteiros. aparentemente igualitárias. que conta com a ajuda de governadores e vizires para a administração do território. por sua vez. cabe somente o pó do ouro. Ao patriarca do clã. Embora se dedicassem à agricultura e à produção de artesanato. desenvolvida pelos segmentos senhoriais negros. encontravam-se em posição diferenciada em relação aos homens e velhos. aqui e ali existiam grupos de populações escravizadas que trabalhavam para os soberanos” . em particular esta última. agrárias em sua maioria. encarregado de gerir os bens familiares e conceder as esposas ou dotes matrimoniais. além dos escravos. Este novo tipo de economia (escravismo) também veio alterar a própria estrutura política no que se refere ao poder.uma visão da extensão do reino. O intenso comércio de ouro sal entre Gana e outras cidades propiciou o enriquecimento não só dos povos deste reino mas também de vários outros que. Estas comunidades-aldeãs desenvolviam o que se convencionou chamar de modo de produção de linhagem ou doméstico e funcionavam organizadas em torno da família ampliada. que traziam o sal. “No entanto. os jovens e as mulheres. ganha sobre cada burro carregado de sal que entra em seu país e sobre cada carregamento de sal exportado. Estas comunidades. direta ou indiretamente participavam dessa atividade e partilhavam os lucros dela resultante. em grande parte. passou a ser efetuada. uma medida implantada pelo soberano e que visa impedir a circulação de grande quantidade de pepitas e a consequente desvalorização do metal. e ainda de outros grupos árabes ou arabizados . além de deter o poder sobre todas as pepitas de ouro encontradas nas minas de seu império. era devido um tributo. pagavam tributos às comunidades cujos territórios precisavam atravessar para chegar à capital do império. Ghana reinou absoluto até a expansão dos berberes das costas 5 . através da expatriação de jovens africanos reduzidos ao cativeiro” .

Ali. beneficiando o reino songai de Gao. com centenas de escolas coranistas e uma população que incluía muitos médicos. Também nas relações comerciais o Mali superou Gana. às novas classes dominantes. o Grande. Atua dividindo o império em quatro vice-reinos. O poder almorávida chegou ao fim no século XII. revelaria ao mundo árabe toda a riqueza do continente africano. é tido como grande estadista. unifica os pesos e as medidas e forma um exército regular constituído por escravos e prisioneiros. torna-se conhecido graças ao soberano Mansa-Mussa. juízes e livreiros. Os governantes malinkes estenderam esse contato para a Tripolitânia (região da Líbia) e para o Egito. que deu origem à dinastia almorávida e resultou no seu domínio sobre o Magrebe e a Espanha muçulmana. seus governantes. as exigências que pesavam sobre os agricultores e pastores. Os territórios do reino foram reduzidos. De acordo com os relatos de historiadores árabes. a maioria de sua população convertida ao islamismo e obrigada a pagar tributos aos almorávidas.400 coincide com o abandono da rota comercial do Saara ocidental em detrimento daquela que ligava a bacia do Níger à Tunísia e à Cirenaica. com o passar dos tempos. entretanto. Os centros de civilização começavam a deslocar-se para o leste. Um de seus reis. sem haver revolucionado ou modificado as relações sociais de produção. após dominar as cidades de Sidjilmassa e Audaghost. Esta última se tornaria um dos principais centros comerciais do Sudão ocidental. o que resultou na perda do apoio da população. organiza um sistema regular de impostos. ou avanço. Esse dinamismo nos reinos africanos pré-coloniais é reconhecido por Ki-Zerbo para quem havia uma “passagem incessante e alternada do dominum de um ao da outra forma de 6 . das estruturas político-econômicas. Mussa teria levado a Meca 12 mil escravos ricamente vestidos e 80 carregamentos de ouro em pó. que haviam empunhado a bandeira da moralização e da lealdade a Alá tornaram-se despóticos. que comerciava basicamente com o sul do Marrocos. entretanto. inicialmente. “Os hábitos e necessidades mais simples da nova aristocracia. provocando o surgimento de cidades mercantis como Djenne e Tombuctu. o último grande estado mercantil-tributário do Sudão ocidental. Pode-se falar em aprimoramento.atlânticas da África.  A decadência do Império do Mali A partir de 1. apesar de impor-se pela força. uma vida de fausto. O Império Almorávida sobrepôs-se em grandeza à Gana. Contudo. Os ricos artesanato e agricultura ibéricos permitiam. que ao fazer uma peregrinação a Meca no começo do século XIV. Foram muitas e variadas às sociedades africanas do período pré-colonial e esses reinos não se limitaram a dominar e suceder uns aos outros simplesmente. originária de pobres regiões do norte da África havia diminuido. à qual elas se entregavam sem hesitações. então importantes centros comerciais. O império. Os almorávidas conquistaram Ghana em 1077.

Os hauças eram. no Sudão central. já existissem cargos e funções administrativos claramente estabelecidos. vendido até no Norte da África. como por exemplo. o império árabe no Norte da África estava em franco declínio. OS HAUÇAS A civilização dos hauças começou a ser construída por volta do século XI. para dar origem a uma espécie de progressão em espiral”. as cidades-Estado haulá funcionaram de forma independente. chefe dos negócios com os brancos e o de responsável pelas florestas . não é de se estranhar que no reino de Gao. foram inicialmente governados pelos Ogisos (Reis do Céu). ouro. sal. Queda 7 . A cidade de Ubini (mais tarde chamada Benin City) foi fundada em 1180 AD. Assim. No século XVI. As principais exportações foram de couro.civilização. os povos originais e fundadores do Império de Benim. e henna. Foi o caso das cidades-estados hauças. Sua principal força estava nos frutos do trabalho. pano.  O Império de / o Benim Foi um grande estado africano pré-colonial da moderna Nigéria. sem que esse ritmo seja cíclico. o povo Bini. Apogeu Os reinos hauçás emergiram antes do século XIII como centros comerciais vibrantes que competiam com Kanem-Bornu e o Império Mali. Alguns hauças eram seguidores do islamismo. kola nuts. Segundo um conto tradicional. O artesanto era de alta qualidade. o de chefe do tesouro. Exceto alianças menores. na verdade. pois se reproduz a cada vez em um nível superior. peles dos animais. atacado pelos europeus e pelos turcos. Os hauças não tinha tradição de guerreiros. Eles viviam em cidades-estados localizadas no centro e no noroeste de onde hoje está a Nigéria. Não deve ser confundido com o país dos nossos dias chamado Benim (outrora chamado Daomé) O Império de Benim ou Império Edo (1440-1897) Foi um grande estado africano pré-colonial da moderna Nigéria. As rivalidades geralmente inibiam a formação de uma autoridade centralizada. Essa situação provocou a decadência de muitos Estados africanos que viviam do comércio com os árabes. diversos povos que falavam uma língua semelhante. o último império africano antes da chegada dos portugueses ao continente.

eles foram atacados pelos muçulmanos jihadistas de 1804 a 1808. que determinavam quem embarcava ou não para o Novo Mundo. criando muitos estados coloniais e deixando apenas duas nações independentes: Libéria e Etiópia. Essa organização encontrava-se baseada nos três continentes do Atlântico. as cidades apesar do crescimento relativamente constante. havia o desejo de converter os habitantes ao cristianismo. eles foram atacados pelos muçulmanos jihadistas de 1804 a 1808. Mercado árabe de escravos. mineração e outras atividades comerciais. O domínio europeu na África continuou até o final da Segunda Guerra Mundial. Adicionalmente. Em 1808 o último Estado hauçá foi finalmente conquistado por Usuman dan Fodio e incorporado no califado de Sokoto. quando todos os estados coloniais africanos gradualmente ficaram independentes. Em 1808 o último Estado hauçá foi finalmente conquistado por Usuman Dan Fodio e incorporado no califado de Sokoto. embora a grande maioria dos seus habitantes eram de muçulmanos até o século XVI. O tráfico exigia uma organização comercial complexa para a venda e o transporte dos escravos. mas revela um lado pouco conhecido da participação africana nessa atividade. Na metade do século 19 exploradores europeus ficaram cada vez mais interessados no coração do continente africano para abrir áreas de comercio.Apesar do crescimento relativamente constante. as cidades-Estados eram vulneráveis à agressão e. os africanos também participaram ativamente dessa atividade.Estados eram vulneráveis à agressão e. Na África ela concentrava-se nas mãos dos próprios africanos. 8 . embora a grande maioria dos seus habitantes eram de muçulmanos até o século XVI. Isso em nada diminui o envolvimento dos países europeus e americanos no tráfico de escravos.  Apesar de o tráfico negreiro ser geralmente caracterizado como obra dos países europeus e americanos. No final do século 19 as potências européias entraram em disputa por territórios na África.  Génesis do tráfico de escravo História da África no período colonial Na África ocidental o declínio do comércio de escravos pelo Atlântico depois de anos 1820 causou mudanças dramáticas na economia e política.

bebidas alcoólicas. Desde a antiguidade clássica.  A escravidão na África serviu de base para o desenvolvimento do tráfico transatlântico de escravos. Na África. uma vez que já estavam longamente familiarizados com o comércio de escravos. e pólvora. decidiram por um método menos agressivo para a obtenção de escravos. A escravidão foi uma instituição presente na maior parte do mundo. As condições de trabalho eram geralmente precárias e pouco gratificantes. Havia várias maneiras de um indivíduo se tornar escravo na África. de maneira que mesmo prisioneiros ou indivíduos obrigados a um termo de trabalho raramente se sujeitavam a trabalhar nas plantações de açúcar do Novo Mundo. demandando cada vez mais mão de obra. A maioria dos objetos importados pelos africanos consistia em bens supérfluos como panos asiáticos e europeus. Eles eram vendidos entre os egípcios. tabaco. por outro lado. Os africanos rarissimamente venderam escravos por bens de primeira necessidade. e talvez mais eficiente. Guerras entre vizinhos geralmente produzia um 9 . Portanto. e não quinquilharias como geralmente se anuncia. adotando o comércio no lugar da força bruta. Por isso. onde eram recebidos como mercadorias exóticas. os africanos serviam como escravos em diversas funções. as populações nativas do Novo Mundo. Inicialmente. Na própria África. O mais comum. um novo mercado surgiu para o comércio africano de escravos. era a guerra. dizimadas em grande parte pelas doenças trazidas pelos europeus. armas de fogo. ela surgiu antes mesmo da era dos descobrimentos marítimos dos europeus. Os africanos responderam positivamente a essa decisão. os riscos e os custos dessas expedições eram muito altos em comparação aos ganhos.  Com a colonização das Américas. Os europeus. os romanos e os muçulmanos. do Mar Vermelho e do Oceano Índico. Contudo. mas há notícias de escravos negros vendidos em mercados ainda mais distantes. tanto as escravidões como o comércio africano de escravos precederam à chegada dos europeus e à abertura do comércio marítimo com o Novo Mundo. os europeus organizaram expedições marítimas para capturar e transportar escravos pelo Atlântico. O problema da escassez de mão de obra foi solucionado com o tráfico transatlântico de escravos. desde simples trabalhadores até comandantes ou altos funcionários de Estado. escravos negros eram vendidos para os mercados da Europa e da Ásia através do Deserto do Saara. mal podiam atender essa demanda. como a Pérsia e a China. As plantações de açúcar do Brasil e do Caribe expandiam progressivamente. viam poucos motivos para trabalharem voluntariamente nas plantações de açúcar. A abertura do comércio transatlântico com os europeus proporcionou aos africanos acesso a objetos que eles consideravam como de luxo. Contudo.

Contudo. Em geral. Outros métodos de escravização menos dispendiosos e abertos às sociedades africanas descentralizadas incluíam as razias. que somente sociedades centralizadas ou estatais poderiam sustentar. As crianças também eram consideradas escravos ideais pelos africanos. em tempos de carestia. as guerras eram um método de escravização caro. Primeiro porque as mulheres eram responsáveis pelo trabalho agrícola na maioria das sociedades africanas. e segundo porque eles poderiam tomar essas mulheres por esposas. a demanda por escravos do comércio transatlântico pouco alterou a maneira como os africanos concebiam a escravidão na África. 10 . o endividamento. pelo abandono ou por outras ameaças.número de indivíduos capturados que poderia ser facilmente vendido na costa como escravo. Finalmente. na qual indivíduos livres entregavam-se à escravidão movida pela fome. aumentando assim a sua família e a sua influência política na comunidade local. e o julgamento por crimes ou heresias. No entanto. O tráfico transatlântico consumiu mais escravos do que qualquer outro mercado da África. os africanos preferiam mulheres como escravas por dois motivos. havia ainda a possibilidade de escravização voluntária.

e ao sul até o reino da Os africanos escravizavam-se uns aos outros por uma questão de identidade cultural. 11 . e ainda bem depois disso. língua. deve-se atentar para essa diferença. os africanos não se reconheciam como africanos. tribo. uma das primeiras e mais duradouras da história. Palestina. norte de Creta. clã. etnia.” Poucos vales distinguem -las neste momento. Ao contrário dos europeus. como pela sua família.CONCLUÇAO Em torno de 3. país ou Estado. no princípio do tráfico negreiro. perdurou até 343 AC com diferentes graus de influência sobre outras áreas africanas ao longo do tempo. A civilização egípcia. Essa diversidade sugere uma sociedade bem mais complexa do que aquela a que estamos acostumados e designamos por “africana. Eles se identificavam de diversas maneiras. uma vez que ela ajuda a entender a origem do tráfico de escravos e da escravidão africana no Novo Mundo. religião. A influência egípcia se espalhou até onde é hoje a Líbia. Contudo.300 AC começam os registros da história da África com o florescimento da escrita na civilização faraônica do Egito Antigo.

12 .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->