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Aristóteles - Categorias

Aristóteles - Categorias

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Publicado poranalamounier
Resumo de parte do livro Categorias de Aristóteles feito para a disciplina Filosofia Antiga II da pós graduação em Filosofia na UnB.
Resumo de parte do livro Categorias de Aristóteles feito para a disciplina Filosofia Antiga II da pós graduação em Filosofia na UnB.

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Published by: analamounier on Dec 11, 2009
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ARISTÓTELES - CATEGORIAS

O livro Categorias de Aristóteles é um tratado distinto de suas outras obras, pois não há introdução, plano e método, nem o seu tradicional tratamento histórico do tema. Trata-se de um livro único, dividido em quinze capítulos, dos quais os nove primeiros falam das dez categorias e os seis últimos dos pós-predicamentos.

Capítulo 1
O primeiro capítulo das Categorias de Aristóteles é dedicado a três definições: 1) homônimas são coisas que têm o nome em comum, mas cuja definição do ser é diferente; 2) sinônimas são as coisas que têm o nome em comum e cuja definição do ser é a mesma; 3) parônimas são as coisas que recebem o seu nome de alguma outra coisa, com uma diferença de terminação.

Capítulo 2
Segundo Aristóteles, alguma expressões que dizemos são feitas por combinação (ex. O homem corre) e outras sem combinação (ex. homem, boi, corre). Para compreender a parte seguinte desse capítulo, é preciso compreender a noção de predicação: predicar significa dizer de um sujeito, afirmar de um sujeito, ser predicado de um sujeito. Também se deve lembrar da noção de inerência e imanência, que significa existir em um sujeito, implicando em uma dependência ontológica, diferente da noção de parte-todo. Aristóteles segue esse capítulo dando quatro definições, referentes às coisas que existem: 1) São ditas de algum sujeito, mas não existem em nenhum sujeito (ex. homem): as substâncias segundas; 2) existem em um sujeito, mas não são ditas de nenhum sujeito, no sentido de que existe em algo, e não é sua parte, que não pode existir separadamente daquilo em que existe (ex. um certo conhecimento gramatical, que existe na alma e um certo branco, que existe em um corpo): as qualia; 3) são ditas de um sujeito e existem em um sujeito (ex. o conhecimento, que existe na alma e é dito da gramática): os universais; 4) não existem em um sujeito, nem são ditas de um sujeito (ex. um certo homem, um certo cavalo): substâncias primeiras, as coisas do mundo sensível. Isso pode ser bem representado no quadrado ontológico, que se segue abaixo:

ENTES
SUJEITO

INERÊNCIA NÃO EXISTEM EM UM DITAS DE UM SUJEITO
SUBSTÂNCIA SEGUNDA EX. HOMEM SUBSTÂNCIA PRIMEIRA EX. UM CERTO HOMEM

EXISTEM EM UM SUJEITO
NÃO-SUBSTÂNCIA UNIVERSAL EX. CONHECIMENTO, VIRTUDE QUALIA (NÃO SUBSTÂNCIA PARTICULAR) EX. UM CERTO BRANCO, UM
CERTO CONHECIMENTO

PREDICAÇÃO NÃO DITAS DE UM SUJEITO

Para o entendimento do pensamento aristotélico nesse texto, deve-se ter em mente as noções de intensão e extensão. Ambos são termos introduzidos por Lebniz para expressar algumas noções da Lógica de Port-Royal. Intensão quer dizer a quantidade interna de uma noção, sua “compreensão, constituída por diferentes atributos cuja soma é o conceito”. Extensão diz respeito à “quantidade externa de uma noção, constituída pelo número de objetos que são pensados mediatamente através do conceito”. Assim, o predicado sempre tem maior extensão que o sujeito, enquanto este tem maior intensão do que o predicado.

Capítulo 3
Aqui, Aristóteles diz que sempre que se dá um predicado a uma coisa e se dá outro predicado a esse predicado, o segundo predicado também predica a primeira coisa. Por exemplo, diz se que um certo homem é homem e que homem é animal. Portanto, pode-se dizer que um certo homem é animal. Quando se tem gêneros distintos e não subordinados uns aos outros, as diferenças de cada gênero são de tipos distintos. Por exemplo, tomando-se os gêneros animal e conhecimento, as diferenças pedestre, voador, aquático e bípede são diferenças de animal, mas não de conhecimento. Contudo, quando se tem gêneros subordinados uns aos outros, as diferenças podem ser as mesmas, pois os gêneros mais elevados podem ser predicados dos gêneros abaixo deles.

Capítulo 4
Nesse capítulo, Aristóteles enumera as dez categorias. Categorias são os gêneros mais gerais do ser. São irredutíveis entre elas e irredutíveis a categorias do tipo único, como Bem, Ser, Verdadeiro,

que são transcendentes e não têm conteúdo concreto. Essa lista é exaustiva, não havendo qualquer expressão simples que esteja fora disso. As expressões ditas sem combinação podem ser: 1) Uma substância: homem, cavalo; 2) Uma quantidade: dois côvados; 3) Uma qualificação: branco, gramatical; 4) Um relativo: dobro, metade, maior; 5) Um lugar (“onde”): no Liceu, na praça; 6) Um tempo (“quando”): ontem, no ano passado; 7) Uma posição: deitado, sentado; 8) Uma posse (“ter”): calçado, armado; 9) Uma ação (“fazer”): cortar, queimar; 10) Um efeito (“ser afetado”): ser cortado, ser queimado. Nenhuma dessas expressões é uma afirmação, pois as afirmações são produzidas apenas pela combinação. Por isso, tais expressões não podem ser verdadeiras nem falsas. Os gêneros, por sua vez, dividem-se em espécies, que se dividem em outras espécies anteriores, até a última espécie, que se divide nos indivíduos. Essa divisão é uma classificação feita por Porfírio, que foi chamada nos tratados medievais de árvore de Porfírio. Os cinco princípios filosóficos que apresentam uma subordinação lógica que parte dos mais gerais para os menos extensos são: gênero, espécie, diferença, próprio e acidente.

Capítulo 5
O capítulo 5 é todo dedicado à substância. Aristóteles começa definindo a substância primeira: é aquilo que nem existe em um sujeito, nem é dito de nenhum sujeito (ex. um certo homem, um certo cavalo). Substâncias segundas, por sua vez, são as espécies a que as substâncias primeiras pertencem e os gêneros das espécies (ex. homem, animal). O nome e a definição da coisa se predicam necessariamente do sujeito (ex. a palavra “homem” se predica de um certo homem e também a definição de homem). Ao contrário, com relação às coisas que existem em um sujeito, na maioria das vezes não se predicam nem o nome nem a definição do sujeito, embora algumas vezes o nome pode se predicar do sujeito (ex. o branco, existindo num sujeito, predica-se do sujeito, mas não a definição de branco). Todas as outras coisas ou são ditas das substâncias primeiras como de sujeitos ou existem nelas como em sujeitos. Por exemplo, animal é predicado do homem e também de um certo homem, assim como a cor existe no corpo e também em um certo corpo. Por isso, se as substâncias

primeiras não existissem, nada mais poderia existir. Aqui, revela-se a primazia ontológica que a substância primeira tem para Aristóteles. Isso é uma crítica direta ao platonismo. Com relação às substâncias segundas, Aristóteles diz que a espécie é mais substância do que o gênero, pois está mais próxima da substância primeira, sendo assim mais informativa do que o gênero (ex. homem é mais informativo do que animal, a respeito e um certo homem e árvore é mais informativo do que planta, a respeito de uma certa árvore). Além disso, como as substâncias primeiras são sujeitos de todas as outras coisas e todas as outras coisas ou se predicam delas ou existem nelas, ela é mais substância do que todas as outras coisas; e assim como as substâncias primeiras estão para todas as outras coisas, a espécie está para o gênero. Isso quer dizer que a substância primeira tem maior intensão e menos extensão do que a substância segunda. Dentre as próprias espécies, não há uma que seja mais substância do que a outra, assim como nenhuma substância primeira é mais do que outra. Por isso, além das substâncias primeiras, as espécies e os gêneros são as únicas outras coisas que são chamadas de substâncias segundas, pois entre todas as coisas que se predicam elas são as únicas que revelam a substância primeira (ex. dizer de um certo homem que ele é homem é mais informativo do que dizer “branco” ou “corre”). E assim como a substância primeira está para todas as outras coisas, também as espécies e os gêneros estão para todas as outras coisas, pois tudo se predica deles (ex. se um certo homem é gramático, também o é o homem e o animal). É comum a todas as substâncias não existirem em um sujeito. A substância primeira, como já se viu, nem é dita nem existe em um sujeito. A substância segunda, por sua vez, não existe em um sujeito. E enquanto algumas vezes nome das coisas que existem em um sujeito possa ser predicado do sujeito, a definição jamais o pode ser. Por outro lado, tanto o nome como a definição das substâncias segundas se predicam do sujeito (ex. a definição de um homem se predica de um certo homem, assim como a definição de animal). A diferença, assim como a substância, não existe em um sujeito (ex. pedestre e bípede são ditos do homem, mas não existem em nenhum sujeito). Também, a definição da diferença é predicada daquilo de que a diferença é dita (ex. definição de pedestre é predicada de homem, pois o homem é pedestre). Além disso, as partes das substâncias não são substâncias, nem fazem parte do segundo tipo de coisas explicado no capítulo 2, como ficou claro anteriormente.

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