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Elton Moura Campos Janchevis RA110157

Hegemonia coletiva e equilíbrio: a construção do mundo liberal (1815-1871)

O inicio das relações internacionais contemporâneas começa em 1815 , com


as decisões do Congresso de Viena que configuram uma nova ordem
internacional. Outro ponto importante é por volta de 1870 -1880 com a criação
do império alemão o retorno ao protecionismo e o aumento da concorrência
internacional.
No século XIX, o sistema internacional ampliou-se da Europa para o mundo
fato que o Adam Watson chama de "sociedade internacional européia". No
século XIX, a revolução industrial expandiu-se, mudando assim as relações
internacionais.
Com Napoleão Bonaparte no processo da Revolução Francesa rompeu o
sistema de equilíbrio que mesmo funcionando com dificuldades , caracterizava
as relações entre os Estados europeus nos séculos XVII e XVIII.
Na Idade Média, a Europa ocidental concebia as relações entre comunidade ou
Estado diferentemente do que acontecia nos antigos sistemas de Estados. A
cristandade era o traço daquela civilização que determinava conceitos e
práticas de governo. A Renascença italiana mudou o Estado e as relações
internacionais ao fazer avançar cidade-estado.
Após a Renascença , fragmentou-se a área da cristandade em Estados
territoriais com o fortalecimento de reis que ignoravam a autoridade central.
Associação anti-hegemônica, após-renascentista fez aflorar a idéia e estimulou
a busca da balança de poder entre europeus. Segundo Watson o século XVII
acabou por legitimar a "sociedade de Estados independentes". Com efeito, o
Congresso de Vestfália (1648) consagrou a superioridade do princípio da
independência dos Estados, a filosofia política de Vestfália fez avançar a
sociedade internacional européia em termos conceituais, legitimava uma
sociedade de Estados soberanos.
Do século XVI ao inicio do século XIX, o funcionamento da sociedade
internacional européia passaria por dois grandes desafios, a relações internas
ao sistema e as relações do sistema com o lado de fora com uma dimensão
econômica. Internamente, os europeus perceberam que a propensão para a
hegemonia era constante. O direito internacional tornou-se racional, soberania
e não-intervenção foram então incorporados ao um novo direitos dos povos.
Enquanto os europeus amadureciam o modo de praticar relações
internacionais em seu próprio espaço continental, movimentavam também para
fora, conquistando a América e tornaram-se clientes da Ásia.
O impulso radical para a ordem internacional ,tirou da Revolução Francesa e
do império Napoleônico seu preâmbulo político e da Revolução Industrial do
capitalismo seu fundamento econômico.
Napoleão fizera o pêndulo do poder atingir o ponto mais extremo da
hegemonia, como nunca ocorrera. Quando Napoleão caiu, as potências
européias, decidiram que não mais convinha restabelecer a idade da razão na
política internacional. A sociedade internacional européia vai evoluir para um
sistema de entendimento e colaboração controlado pelas grandes potências.
Brunello Vigezzi diferencia os conceitos de sociedade internacional e sistema
internacional. O sistema internacional corresponde a interação econômica,
política e estratégica. A sociedade internacional seria a evolução do sistema
internacional.
O encontro da sociedade internacional européia com o resto do mundo XVIII,
significou a construção de um sistema internacional mundial. Os europeus
determinaram as relações com os Estados que eles criaram na América, Africa
do Sul e na Oceania. O resto do mundo foi posto sob controle hegemônico dos
europeus, a revolução industrial forneceu-lhes os meios, e a sociedade
internacional européia, as regras, princípios e valores. Os europeus iriam impor
aos países menos desenvolvidos o seu sistema. A expansão européia do
século XIX galgou em três patamares: dominação estratégica, exploração
econômica e imperialismo cultural.
Oriunda do Congresso de Viena, sob a forma de uma hegemonia coletiva, a
organização dos Estados europeus ficou conhecida como Concerto Europeu.
As cinco grandes potências (Grã-Bretanha, Rússia, Áustria, Prússia e França)
haveriam de implantar a diplomacia de conferências e entender as questões da
política internacional.
No Congresso de Viena, as grandes potências tinham desafios circunstanciais
a enfrentar, mas pretendiam nortear as relações internacionais ao longo prazo.
As potências européias foram dívidas em reacionárias ( Áustria, Prússia e
Rússia) e liberais ( Grã-Bretanha e França).
A hegemonia coletiva era móvel,visto que cada Estado tinha interesses
próprios. A Grã-Bretanha agregou à política internacional os interesses
macroeconômico de sua expansão capitalista, liberalismo, comércio e
constitucionalismo. A França acompanhava-a nessa via. As três monarquias
absolutistas esforçavam-se para esmagar as liberdades e aspirações por
representação política. O ponto de entendimento entre democracia e
absolutismo era um desafio do concerto. Os dois grupos agindo em sentido
antagônico a tal respeito, sobretudo nas vizinhanças. As aspirações dos
pequenos eram levadas às reuniões dos grandes, mas nelas não tinham o
direito de voz ou voto. Os grandes dirigiam o concerto sem consentimento dos
pequenos, presumindo, todavia que sua política estivesse refletindo realidades.
Entre 1815 e 1848, os cinco grandes agiam como diretório, usando o direito de
intervenção coletiva. As divergências situavam-se mais na administração do
sistema do que nas relações bilaterais, em fazer prevalecer a raison de
systheme sobre a raison d´Etat. Os cinco acabaram por admitir independência
na América e na Europa e governos liberais na Espanha e Portugal. Agiam
tendo em vista a estabilidade e o equilíbrio. Grã-Bretanha e Rússia voltavam-se
para fora da Europa, mas zelavam pelo equilíbrio sem seu interior.
A expansão dos europeus para fora não teve ritmo acelerado. O imperialismo
contentava-se em estabelecer bases para operações futuras e em desfechar
golpes localizados. Entre 1848 e 1871, as questões européias permaneceram
centrais para o sistema internacional.
A partir de 1840, um novo ela revolucionário colocou a Europa em crise,
embora os princípios básicos da ordem de Viena ainda sobreviveram e o
movimento revolucionário foi controlado.
Cantões suíços revoltaram-se em 1847, reivindicando democracia e
federalismo e desencadeando a crise européia. Lutava-se por democracia na
Alemanha e na Itália.
O avanço da revolução industrial pela Europa coincidia com essas novas idéias
e aspirações. Três idéias-força européias fazem curso e afetam as relações
internacionais: nacionalismo, democracia e interesse popular.
No inicio da segunda metade do século XIX, o quadro europeu prenunciava,
pois, relações internacionais intensas e agitadas, sob o impulso dessas novas
forças econômicas, políticas, espirituais e demográficas. O sistema de
hegemonia coletiva passaria por três guerras de reajuste.
A primeira crise do exercício da hegemonia coletivo adveio das ambições
russas sobre o Império Otomano.
Para a Grã-Bretanha, havia interesse em preservar o estatuto dos estreitos de
1841 e as vantagens comerciais que obtivera pelo tratado de 1838. Os
franceses aparentemente desejavam exercer seu protetorado sobre todos os
cristãos do império.
Na guerra iniciada em 1853, os aliados atacaram Sebastopol e conseguiram
tomá-la. A Rússia aceitou as condições de paz. O Tratado de Paris
contrariavam os interesses da Rússia, que era um triunfo dos interesses
ingleses e uma reparação ao prestigio francês.
A Áustria acabou entrando no conflito sob pressão dos aliados e quebrou assim
sua entente com a Rússia. A Itália teve pequena participação. A França
comprometeu-se a apoiar o movimento italiano contra a Áustria. Ao apoiar o
movimento italiano contra a Áustria, Napoleão III, aproveitando-se do
enfraquecimento de sua rival na Europa Central, acabaria por engrandecer-se
e liquidá-lo.
Nos anos 1860, a Prússia estabeleceu como objetivo externo a conquista da
hegemonia alemã, que a Áustria não cederia voluntariamente. A Prússia
amparou-se dos ducados e fundou a Confederação Germânica do Norte.
Derrotou a Áustria, Rússia, Inglaterra e França.
O príncipe Leopoldo von Hohenzollern candidatou-se ao trono espanhol. A
França exigiu a retirada e foi atendida porem quando exigiu que fosse
perpetuada a retirada, Bismarck não só recusou, mas tornou público. Com essa
jogada, alcançou dois resultados que procurava: humilhar a França e arrancar
uma declaração de guerra.
A derrota francesa foi tão rápida que as outras potências não tiveram tempo de
reagir, assim fundou-se o Império Alemão sobre os escombros do francês.
A Alemanha de Bismark esteve fora do Concerto Europeu até poder controlá-
lo. A distração das potências favoreceu seu intento, mas a diplomacia de
conferências teria de reconstruir o Concerto Europeu.
O centro do poder mundial, configurado no Concerto Europeu e exercido sob a
forma de hegemonia coletiva dos cinco grandes, ocupou-se, no século XIX até
por volta de 1870.
Após as independências da América Latina, o continente americano manteve-
se como zona de baixa pressão política e estratégica das grandes potencias
européias.A análise das relações internacionais do século XIX revela que
algumas nações da periferia reagiram com o objetivo de integrarem-se à
economia-mundo em condições de interdependência, demonstrando que a
possibilidade do desenvolvimento estava ao alcance dos povos.
Os líderes continentais do início do século XIX ficaram mal impressionados
com o principio de intervenção que compôs as regras de conduta da
hegemonia coletiva fixadas em Viena. A intervenção e a sua legitimidade
seriam proscritas do ideário político americano.
Duas versões do ideário político americano tomaram alento: a norte-americana
chamada de Doutrina Monroe e a versão bolivariana. Ambas manifestações
tinham fundamento realista: os Estados Unidos desejavam enfraquecer a
preeminência européia na America Latina.
O regente D. João procedeu à chamada “abertura dos portos” quando chegou
ao Brasil.
O capitalismo do século XIX caracterizou-se pelo principio da liberdade de
trabalho e de mercado. Duas fases marcaram a conquista do mundo pelo
liberalismo. Na primeira as potências capitalistas européias impuseram o livre
comércio para fora de suas fronteiras. Na segunda os países industrializados
introduziram o livre comércio nas transações para dentro de suas fronteiras.
Consumada a expansão do liberalismo para fora das próprias fronteiras, as
matrizes capitalistas voltaram-se para dentro delas, com o intuito de
estabelecê-lo nos negócios recíprocos. O livre comércio incorporou-se à
política exterior. Desde aí, a Inglaterra iria desencadear a luta pelo livre-
comércio entre todas elas. O estabelecimento do livre-comércio não era
suficiente para estimular os negócios. O aumento da concorrência resultou na
ampliação do livre-comércio provocou a elevação da produtividade econômica.
As independências dos Estados Unidos e da América Latina deixaram Estados
europeus enfraquecidos e feriram de morta companhias de comércio. A
dominação de tipo colonial entrou em crise e pouco avançou. ”. Uma grave
acusação vinha da consciência religiosa e humanista: o vínculo que
anteriormente se estabelecera entre colonialismo e tráfico negreiro.
Em 1806, a Inglaterra aboliu o tráfico. A marinha britânica incumbiu-se do
exercício da função de polícia dos mares. A vitória estava assegurada e
apenas dois fluxos de tráfico ainda permaneceriam, para Cuba e para o Brasil.
A escalada da dominação européia do século XIX, até por volta de 1870,
compreendeu as seguintes etapas, métodos e regiões:
Eurásia russa: O império dos Czares imitava os outros, expandiu-se para o
oeste, para o sul e principalmente para o leste até atingir o Alasca. Essa
extraordinária expansão territorial resultou, na construção de um imenso
império sobre a extensão de 17 milhões de quilometro quadrados.
Império Britânico: Os ingleses mantiveram , o mais vasta império criado,
hesitando entre o governo responsável e a exploração colonial. A Índia foi a
grande base de operações coloniais dos ingleses.
O caso francês: Sem as colônias de povoamento e desfalcada pelo derrota de
1815, a França envolveu-se lentamente em conquistas, sem um programa.
Ibéricos e holandeses: Portugal, Espanha e Países Baixos, pioneiros do
colonialismo no Antigo Regime, foram os perdedores do século XIX. Portugal
quis fazer suas possessões africanas para compensar a perda da colônia sul-
americana. A Espanha no final do século perdeu as possessões. A Holanda
manteve pequenas possessões e a rentável colônia de Java.
Dependência informal: O colonialismo do século XIX trazia retorno efetivo em
poucos casos (Índia, Java, Filipinas, Caribe). A cobiça dos europeus dirigia-se
com mais intensidade para regiões densamente povoados do globo.
Na África negra, o comércio "legítimo" do século XIX sofisticou-se com relação
ao anterior. O intercâmbio clássico envolvia como sempre, as manufaturas e
plantações. Nessa área não operava diferente e se fazia sem imperialismo.
Os asiáticos abrir-se-iam por consentimento, ameaça ou força. Os europeus
inventaram ou ensaiaram, na China todos os métodos da política e da
estratégica que caracterizaram o imperialismo selvagem. A produção e o
consumo de droga era proibido pela sabedoria chinesa, porém os europeus
disseminaram o vício por meio de contrabando, e enfim pelo livre-comércio.
Império Otomano: A autonomia do Império Otomano, era ilusória. Presa do
expansionismo russo nos Bálcãs e nos mares do interior.Como os latino-
americanos,os otomanos investiam na terra e deixaram aos estrangeiros as
iniciativas de modernização.
Pérsia e Marrocos: Esses dois impérios muçulmanos tiveram a mesma sorte do
otomano, cederam seus mercados ao livre-comércio, não empreenderam
qualquer esforço de modernização.
Reações positivas aos desafios internacionais do século XIX: O núcleo central
do capitalismo europeu haveria de acompanhar o progresso econômico,
ideológico e político, porque desenvolvia o conhecimento, os meios técnicos,
as instituição políticas. O continente americano, após as independências, optou
entre industrialização e o mercado interno ou mercado externo. Os casos
descritos a seguir foram escolhidos como orientação de pesquisa e não
esgotavam a segunda modalidade:
Estados Unidos: A independência dos Estados Unidos foi a mais bem-sucedida
revolta contra o colonialismo. Os colonos quiseram tudo de uma vez: o
comércio, a produção e o governo. Foram à guerra por essas causas e
venceram. A política adaptava-se às necessidades da modernização interna. O
México foi a grande vítima da expansão territorial norte-americana. Mesmo fora
do Conserto Europeu, os Estados Unidos se portavam como grande potência.
Brasil: A atitude do Brasil e da Argentina diante da preeminência européia,
esteve longe de ser passiva. O Brasil firmou duas dezenas de tratados
desiguais com as potências. Um pensamento industrialista emergiu na década
de 1840. O refluxo do pensamento liberal radial, eco dos interesses fundiários
freou o projeto industrialista e a modernização voltada para dentro. Aliou-se ao
Uruguai e Argentina para revidar a agressão do Paraguai.
Argentina: O país não cedeu o livre-comércio por um tratado, como fizeram o
Brasil e a maioria dos países latino-americanos. Franceses e ingleses tentaram
pelas armas, demovê-lo de suas resistências protecionistas.
Egito: Tradicional exportador de cereais, por meio da revolução agrícola e
econômica, o novo Egito desenvolveu as indústrias. De exportador de
alimentos, evoluiu para também exportador de tecidos, produtos metalúrgicos e
navios. Em nome dos "superiores interesses europeus" Palmerston comprimiu
a expansão regional do Egito, forçou à extinção dos monopólios estatais e abrir
largamente seu mercado aos produtos externos.
Japão: Os ocidentais ameaçavam o Japão desde os sucessos alcançados na
China. Em 1853, duas esquadras, uma russa e outra norte-americana
entregaram ultimatos, exigindo liberdade de navegação e abertura comercial. O
Japão ofereceu facilidades para a navegação, porem os ocidentais queriam
mais. Os bombardeios da costa japonesa por britânicos, franceses e norte-
americano forçou a ratificar os tratados, que fixaram a tarifa de 5% ad
valorem.Dois eram os parâmetros da nova política: desenvolvimento
econômico, tecnológico, político e social ao estilo dos ocidentais; e sem
confrontação. Essas decisões de política interna e externa fizeram o Japão
mergulhar no mundo moderno.