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Estudo de revisão

Estudo de revisão

Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson: estudo de revisão

Evaluation of apraxia of speech in elderly patients with the diagnoses of parkinson’s disease: review study

Monia Presotto¹ Maira Rozenfeld Olchik²

RESUMO A doença de Parkinson é um dos distúrbios do movimento mais encontrados na população idosa. As manifestações do parkinsonismo se caracterizam por sinais e sintomas basicamente motores: rigidez muscular, bradicinesia, tremor e distúrbios posturais. Tais sinais acabam por influenciar a produção de fala, interferindo de forma negativa na expressão comunicativa e na qualidade de vida desses indivíduos. A apraxia de fala é definida como um déficit na habilidade de sequencializar controles motores necessários para o posicionamento correto dos articuladores durante a produção voluntária da fala. Constitui uma perda da capacidade de execu- tar movimentos voluntários com um determinado fim, apesar dos sistemas neuromusculares permanecerem intactos. A avaliação da apraxia de fala pode fornecer dados para uma melhor compreensão deste distúrbio e, consequentemente, para o desenvolvimento de novas avaliações específicas e de novas propostas terapêuti- cas. O objetivo deste estudo foi realizar um levantamento bibliográfico sobre a avaliação das habilidades verbal e não verbal da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson (DP). A revisão bibliográfica foi baseada em base eletrônica de dados (Medline, Biblioteca Cochrane e Scielo). Também fez parte do estudo obras literárias publicadas em forma de livro e dissertação de mestrado com busca no Portal Domínio Público. Os resultados demonstraram que, a maioria dos estudos que avaliam a apraxia de fala são internacionais, e na literatura nacional há apenas um protocolo (Martins e Ortiz, 2004); que não existe nenhum protocolo específico para a avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de DP, tanto na literatura nacional quanto na in- ternacional. Os resultados sugerem a necessidade de pesquisas com objetivos diagnósticos precisos, conside- rando parâmetros que possam fornecer subsídios para o diagnóstico diferencial e procedimentos terapêuticos direcionados às apraxias de fala.

PALAVRAS-CHAVE Apraxia – Fala – Avaliação - Parkinson.(negrito e parágrafo)

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¹Fonoaudióloga Clínica. Especialista em Gestão da Atenção à Saúde do Idoso pelo Centro de Educação Tecnológica e Pesqui- sa em Saúde – Escola GHC. Graduada em Fonoaudiologia pelo Centro Universitário Metodista IPA. ²Professora Adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Departamento de Cirurgia e Ortopedia - Curso de Fonoaudiologia. Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson ABSTRACT Parkinson’s
Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson ABSTRACT Parkinson’s

Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson

ABSTRACT Parkinson’s Disease is one of the movement disorders most found in the elderly population. The manifesta- tions of the parkinsonism characterize basically by motor signals and symptoms: muscle stiffness, bradykinesia, trembling and postural disorders. Such signs end up influencing the production of speech, interfering negatively in the communicative expression and in the quality of life of these individuals. The Apraxia of speech is defined as a deficit in the ability of sequencer control motors necessary for the right positioning of the articulators dur- ing the voluntary production of speech. Constitutes in a loss of the ability to execute voluntary movements with a particular purpose, although the neuromuscular systems remain intact. The Apraxia evaluation of speech might provide data for a better comprehension of this disorder and, consequently, for the development of new particular evaluations and new therapeutic proposals. The aim of this study was based on literature about the evaluation of the verbal and non-verbal abilities of apraxia of speech in elderly patients diagnosed with Parkin- son’s disease (PD). The literature review was based on electronic database (Medline, Cochrane, Library and Scielo). Also was part of the review studies published in book form and dissertation to search the Public Domain Portal. The results demonstrated that, most of the studies that evaluate the apraxia of speech are international, and in the national literature there is only one record (Martins e Ortiz, 2004); there is not any record of particu- lar evaluation of apraxia of speech in elderly patients with diagnoses of PD, both in the national literature as well as the international literature. The results suggest the need for studies with diagnoses aim, considering parameters that might supply subsidies for the differential diagnoses and therapeutic procedures directed to the Apraxia of speech.

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KEYWORDS Apraxia – Speech – Evaluation – Parkinson.

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de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson Introdução Atualmente, o Brasil encontra-se em
de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson Introdução Atualmente, o Brasil encontra-se em

Introdução Atualmente, o Brasil encontra-se em avançado es- tágio de transição tanto para mortalidade quanto para

fertilidade, o que permite prever de maneira confiável

a distribuição etária e o tamanho da população nas

próximas quatro décadas. (NASRI, 2008). Na doença de Parkinson (DP), o envelhecimento

é um fator muito importante, visto que, na maioria

dos casos, o início da doença se dá entre os 55 e 65 anos de idade. As alterações da DP somam-se ao processo de envelhecimento, tornando a perda de capacidade funcional multifatorial e cumulativa, o que torna tais pacientes bastante frágeis. (PFEIFFER, 1985; ANDRADE et al., 1999).

Por ser a fonoaudiologia a ciência que atua com

a comunicação humana, envolvendo os aspectos de

linguagem (oral e escrita), voz, de motricidade oro- facial e da audição, torna-se imperativo que os con- hecimentos sobre o envelhecimento sejam por ela absorvidos, dado a transição demográfica que esta- Jeckel-Neto e Cunha (2006) fundamentam o termo senescência como as mudanças que ocorrem num organismo, relacionadas com a idade, e que afeta de forma adversa a sua vitalidade e funções, aumentan- do a taxa de mortalidade em função do tempo. Rowe e Kahn (1998) propõem três trajetórias do envelhecimento humano: normal, patológica e saudável. A definição de envelhecimento saudável proposta por estes autores prioriza baixo risco de doenças e de incapacidades funcionais relacionadas às doenças; funcionamento mental e físico exce- lentes; e envolvimento ativo com a vida.

Doença de Parkinson A DP é uma doença neurológica progressiva, idi- opática que afeta igualmente homens e mulheres, na maioria das vezes após os 50 anos (SHULZ e GRANT, 2000). É uma doença crônica e degenerativa de caráter progressivo que acomete um em cada mil indivíduos da população em geral (CAMARGO et al.,

2004).

Pesquisas recentes têm relatado que a DP é con- siderada uma doença neurológica degenerativa, pro- gressiva, caracterizada pela presença de disfunção monoaminérgica múltipla, incluindo o déficit de sis- temas (TEIVE, 2005).

Segundo Teive e Meneses (1996), a DP é um dos distúrbios do movimento mais encontrados na popu- lação idosa, representando até 2/3 dos pacientes que visitam os grandes centros de distúrbios do movimento em todo o mundo. A prevalência da DP tem sido estimada entre 85 e 187 casos por 100.000 pessoas e a incapacidade funcional produzida pela doença é comparável à causada pelos acidentes vas- culares encefálicos. Não se conhecia a causa da DP até Tretiakoff pub- licar sua tese, na qual concluiu que a DP era causada pela degeneração da substância negra do mesencé- falo (PEARCE, 1992; FINGER 1994). A degeneração da substância negra do mesencéfalo minimiza a liber- ação da dopamina – neurotransmissor – na região do corpo estriado (FERRAZ e MOURÃO, 2003). A não transmissão de informações para o corpo estriado deixa-o excessivamente ativo, causando aferência contínua dos sinais excitatórios para o controle mo- tor cortico-espinal, provocando rigidez. A falta de dopamina provoca o desequilíbrio entre os sistemas excitatório e inibitório, “trancando” o movimento em uma direção com dificuldade de progressão, causan- do a bradicinesia (MACHADO, 1993). A combinação desses sinais leva a alterações fonoarticulatórias caracterizadas por diminuição da intensidade da voz, articulação imprecisa, alterações

na velocidade de fala e disfagia (BIGAL et al., 2007).

O diagnóstico da DP, essencialmente clínico,

baseia-se nos dados coletados na anamnese e no exame físico. As manifestações do parkinsonismo se caracterizam por sinais e sintomas basicamente

motores: rigidez muscular, bradicinesia (lentidão dos movimentos), tremor e distúrbios posturais. Tais si- nais acabam por influenciar a produção de fala e, ainda, por acarretar uma expressão facial em “más- cara” (denominada hipomimia), interferindo de forma negativa na expressão comunicativa e na qualidade de vida desses indivíduos (ANDRÉ, 2004; BARROS et al., 2004; SILVEIRA e BRASOLOTTO, 2005).

Os sintomas e sinais cardinais do parkinsonismo

são tremor de repouso, bradicinesia, rigidez muscu- lar do tipo plástica, podendo haver o sinal da roda dentada e instabilidade postural. Outros dados clíni- cos de importância são: distúrbios da marcha, fácies em máscara, alteração de voz, disartria, sialorréia,

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Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson disfunção sexual,
Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson disfunção sexual,

Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson

disfunção sexual, câimbras, dores, parestesias, dis- fagia, incontinência urinária, obstipação intestinal, al- terações da escrita (micrografia), distúrbios do sono, bradifrenia, depressão e demência (PALERMO et al.,

2009).

Vitorino e Homem (2001) chegaram a afirmar que

a articulação é um dos aspectos mais comprometidos na fala do parkinsoniano, em função da degeneração nervosa, que impede a transmissão neuromuscular, privando músculos orofaciais de se movimentarem adequadamente a fim de alcançar uma articulação efetiva. Tal articulação imprecisa é uma característica claramente visível em nossa prática clínica, ou mes- mo ao simples contato informal com um indivíduo portador de DP.

O comprometimento físico-mental, emocional,

social e econômico associados aos sinais e sintomas

e às complicações secundárias da DP interferem no

nível de capacidade do indivíduo e podem influenciar negativamente a qualidade de vida (QV) do mesmo, levando-o ao isolamento e a pouca participação na vida social (BOER et.al, 1996).

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Apraxia de Fala Segundo Pereira et al. (2003), a apraxia de fala caracteriza-se pela falha na programação da muscu-

latura para a produção dos sons. Ou seja, esta pa- tologia consiste no prejuízo do planejamento e da execução de movimentos necessários à articulação dos sons da fala.

As apraxias, em geral, são divididas em apraxia

ideatória e apraxia ideomotora. A primeira consiste na inabilidade de fazer uso de um objeto ou gesto, devido à perda do conhecimento de suas funções. A outra se refere ao distúrbio no desempenho dos movimentos necessários para o uso de objetos, para realização de gestos ou uma sequência de movimen- tos isolados (LURIA, 1983; LURIA, 1984; FREED,

2000).

A apraxia ideomotora divide-se em três subcate- gorias. A primeira, chamada limb apraxia, é descrita como uma inabilidade para sequencializar os movi- mentos dos braços, pernas, mãos e pés durante uma atividade voluntária. A segunda é a apraxia não-ver- bal ou bucofacial (orofacial), em que há um déficit na habilidade de sequencialização dos movimentos

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voluntários não-verbais da língua, lábios, mandíbula e outras estruturas orais associadas. A terceira, de- nominada apraxia de fala, é definida como um déficit na habilidade de seqüencializar controles motores necessários para o posicionamento correto dos artic- uladores durante a produção voluntária da fala. Ortiz (2006) cita que Dronkers em 1996, verificou em seus estudos a associação entre apraxia de fala e orofacial em 48% dos casos por ele estudados. Para Maciel Júnior (1998), as apraxias, também chamadas de distúrbio das atividades executivas, podem ser originadas por lesões localizadas em dif- erentes topografias do sistema nervoso central, cor- ticais e subcorticais. A revisão da literatura permite concluir que os sintomas e sinais classicamente ref- erenciados ao acometimento cortical-retro-rolândico, direito e esquerdo podem ser encontrados também quando de lesões subcorticais de núcleos (tálamo e outros núcleos da base) e da substância branca ence- fálica. Os mecanismos fisiopatológicos implicados na gênese dos sintomas e sinais nas apraxias são de natureza multifatorial: equilíbrio funcional entre os hemisférios cerebrais, processamento sensorial, sis- tema atencional seletivo, etc. Além disso, a noção sobre desconexão intra e inter-hemisférico, bem como o papel, ainda pouco conhecido, dos distúrbios neuroquímicos cerebrais nas apraxias não devem ser negligenciados. São vistas algumas citações do termo dispraxia no lugar de apraxia. Essa preferência terminológica provavelmente está relacionada aos prefixos, que significam, respectivamente, diminuição e ausência. Preferimos seguir a nomenclatura apraxia que é mais utilizada nos tratados de neurologia e publicações. As lesões que causam a apraxia geralmente comprom- etem a área pós-central do lobo parietal, podendo es- tar envolvido o lobo temporal. (SYDER, 1997; ORTIZ, 2006). A apraxia constitui uma perda da capacidade de executar movimentos voluntários com um deter- minado fim, apesar dos sistemas neuromusculares permanecerem intactos. Isto quer dizer que um mov- imento pode ser realizado, automaticamente, mas não voluntariamente. A apraxia pode afetar qualquer movimento motor voluntário, mas quando a fala está afetada, é denominada apraxia articulatória, apraxia verbal ou apraxia da fala. Embora a apraxia venha co-

Avaliação da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson

de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson mumente associada a algum grau de
de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson mumente associada a algum grau de

mumente associada a algum grau de disfasia, as ha- bilidades lingüísticas podem estar comparativamente intactas, assim como o nível de consciência. Conse- quentemente, as frustrações são muito grandes. O indivíduo busca um som específico e produz algo muito diferente daquilo que pretendia. As condições etiológicas dessa desordem da falam incluem aci- dentes vasculares cerebrais, doenças degenerativas, traumas e tumores, desde que essas lesões centrais se localizem em áreas responsáveis pela sequenciali- zação dos comandos motores da fala. De acordo com Souza e Payão (2008, p.196) a apraxia da fala pode ser identificada pelas seguintes características:

• inabilidade para realizar movimentos voluntários

envolvidos no ato da fala, na ausência de alter-

ações na musculatura dos órgãos fonoarticulatóri- os;

• comprometimento primariamente na articu-

lação e, secundariamente, na prosódia;

• esforço para achar posturas articuladoras cor-

retas e as suas sequências; são comuns as mími- cas faciais, acompanhadas por movimentos silen-

ciosos dos lábios de forma contorcida e forçada;

• as habilidades linguísticas do apráxico podem

estar intactas, assim como a consciência da própria dificuldade; consequentemente, as frus-

trações são muito grandes: o indivíduo busca um som específico e produz algo muito diferente daquilo que pretendia;

• as falhas articulatórias mais comuns dizem re-

speito às substituições, seguidas das omissões,

inversões, adições, repetições, distorções e pro- longamentos dos fonemas;

• os erros de articulação aumentam à medida

que aumenta a complexidade do ajuste motor exigido: as vogais provocam menos erros que as consoantes isoladas; os fonemas fricativos são os que provocam mais erros; as produções mais difíceis são as sílabas constituídas por grupos

consonantais; a consoante inicial apresenta alto grau de inconsistência de erros e esses aumen- tam à medida que aumenta o comprimento da palavra;

• a repetição de um único fonema isolado é re-

alizada com maior facilidade que a repetição de

sequência de fonemas, e essa repetição é mais

fácil em pontos articulatórios anteriores do que em posteriores;

• os fonemas que são produzidos com mais

frequência nas palavras tendem a ser articulados com maior precisão do que os fonemas que são produzidos com menos frequência;

• há grande discrepância entre a boa execução

na produção da fala automática e reativa e a ex-

ecução deficiente na produção voluntária e inten- cional; as respostas imitativas se caracterizam por apresentarem mais erros de articulação do que na produção da fala espontânea;

• não há alterações ligadas às funções estoma-

tognáticas de sucção, mastigação e deglutição;

• na leitura oral de um texto, os erros articulatóri- os não acontecem ao acaso, são mais frequentes nas palavras que têm maior valor linguístico ou psicológico e que são essenciais para a comuni- cação;

• a correção da articulação está influenciada pelo

modo de apresentação do estímulo: tendem a ar- ticular com maior precisão quando os estímulos da fala são apresentados por um examinador visível (modo auditivo-visual), comparando- se o desem- penho de quando é pedido que imitem o estímulo oferecido por meio de gravador (modo auditivo) ou que produzam, de maneira espontânea, uma palavra escrita no papel (modo visual);

• a obtenção do ponto articulatório é facilitada por ensaios repetidos de uma palavra, mais do que pelo aumento do número de estímulos apresen- tados.

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Avaliação da apraxia de fala Segundo Bickerstaff (1975), a maneira de testar a apraxia é inicialmente nos certificarmos de que não há déficit motor, alteração sensitiva ou ataxia que difi- cultem a realização das provas e que o paciente com- preenda as ordens dadas. Pedimos para o paciente estender os braços, pôr a língua para fora, mostrar os dentes, etc. Se não conseguirmos que estes movi- mentos sejam realizados voluntariamente, procurare- mos que sejam feitos de modo automático, fazendo, por exemplo, que o paciente aperte nossa mão em um cumprimento, sorria e lamba os lábios.

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Avaliação da apraxia da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson 40 De
Avaliação da apraxia da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson 40 De

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De acordo com Syder (1997), nas avaliações clíni- cas formais, pede-se ao paciente que produza grupo de sons e palavras que apresentem uma complexi-

dade crescente. Desta forma são analisados o tipo e

o nível de erros, formando-se, assim, um quadro de

natureza e da extensão da apraxia. O Apraxia Battery for Adults - Dabul, 1979 - e o Test for Oral Dyspraxia - Darley et.al, 1975 - são testes específicos para o uso clínico comum (SYDER,1997). Para Ortiz (2006), ao avaliarmos um paciente com

a apraxia de fala, certamente deveremos avaliar se ele possui também uma apraxia não-verbal ou oro- facial. Para avaliação específica, sugere realizar uma observação minuciosa da fala; a fala deve ser gra-

vada e analisada quanto ao tipo e prevalência de er- ros. Para que a avaliação seja completa, devem-se utilizar estímulos de diferentes extensões: palavras monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas. Quando o paciente demonstra uma apraxia de fala tão grave que o impede de emitir palavras, avaliar a possibilidade de o paciente emitir sílabas isoladas sob padrão e com pista visual do avaliador. Na avaliação da apraxia de fala, é sempre necessária a realização das séries automáticas que também podem ser con- sideradas mais fáceis ou mais difíceis. Devem ser observadas a emissão oral espontânea e o desem- penho do paciente na repetição e na leitura em voz alta. Na avaliação da apraxia não verbal, observar os movimentos realizados pelo paciente quanto à: ad- equação, tempo-hesitação, resposta parcial, demon- stração e ajuda. Caberá ainda nas desordens motoras da fala, a avaliação da sensibilidade. Segundo Souza e Payão (2008), a identificação do grau do comprometimento apresentado pelo pa- ciente é outro dado importante a ser considerado quando se trata de diagnóstico de apraxia de fala, uma vez que esse distúrbio da comunicação pode aparecer em diferentes graus, desde o mais leve, que se caracteriza como um distúrbio articulatório, até o mais severo, quando há ausência total ou quase total da fala. Dessa maneira, é importante conhecer detalh- adamente esse quadro complexo, bem como suas características, para poder planejar o tratamento de forma adequada. Isso porque a terapia de apraxia de fala apresenta-se como uma das terapias mais difíceis

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dentro dos distúrbios de fala e de linguagem, pois é uma alteração da articulação, normalmente difícil de ser reabilitada e, geralmente, os processos terapêu- ticos são longos (ORTIZ, 2004). (PARÁGRAFO)De acordo com Martins e Ortiz (2004), a avaliação por meio de um instrumento objetivo permite a obtenção de dados quantitativos, que favorecem a comparação entre desempenhos de diferentes pacientes, além de possibilitar a comparação do quadro de um mesmo paciente antes e depois de um processo terapêu- tico. Pensando nisso, foi elaborado, com base em avaliações utilizadas em outros países, um protocolo destinado a avaliar distúrbios na programação moto- ra da fala. O protocolo proposto é dividido em duas

partes: a avaliação da apraxia não-verbal e a avaliação da apraxia verbal. Kent e Read (2002) citam uma pesquisa que mos- tra que, associada ao uso de protocolos, a análise acústica pode ser útil ao estudo da apraxia de fala, uma vez que esta, no indivíduo com apraxia, tende

a ser lenta, intermitente e variável. As análises es- pectrográficas constatam as diferenças evidentes na duração de palavras, sendo duas vezes mais longas que em um falante com controle de fala normal. Os estudos da apraxia da fala com base acústica mos- tram variações de “Voice Onset Time” (VOT) e erros com padrões fonéticos. Para Cera e Ortiz (2009), a avaliação da apraxia deve envolver todas as variáveis que possam influ-

enciar no desempenho de fala: os erros são mais fre- quentes em palavras compostas por fonemas menos frequentes na língua, mais extensas ou com grupos consonantais, com fonemas fricativos, que contêm fonemas com pontos articulatórios distantes, entre outras. Desta forma, os fonemas devem aparecer em palavras com diferentes extensões e frequên- cias de ocorrência na língua, bem como os fonemas devem aparecer em diversas posições das palavras apresentadas. Porém, os fonemas não apresentam uma mesma porcentagem de ocorrência na língua,

o que dificulta a seleção de palavras que envolvam

todas estas variáveis. Portanto, para que a avaliação envolva todas estas variáveis, não é possível apre- sentar tarefas foneticamente balanceadas. (PARÁGRAFO)De acordo com Zadikoff e Lang (2005) mais estudos, incluindo a avaliação clínica

Avaliação da apraxia da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson

da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson cuidadosa, são necessários para responder a
da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson cuidadosa, são necessários para responder a

cuidadosa, são necessários para responder a mui- tas perguntas que surgem na avaliação de apraxia em pacientes com transtorno de movimento. Ref- erem que métodos padronizados de avaliação são necessários.

A prática clínica fonoaudiológica ainda carece de

formas diagnósticas precisas e objetivas que ava- liem o sistema estomatognático, principalmente no que se refere à praxia não verbal. Ainda não existem protocolos validados ou critérios de normalidade já estabelecidos. Métodos rápidos, simples e fáceis de serem aplicados possibilitariam o diagnóstico correto e a terapia (FARIAS et al., 2006).

Objetivo

O objetivo deste estudo foi realizar um levanta-

mento bibliográfico sobre a avaliação das habilidades verbal e não verbal da apraxia de fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson (DP).

Métodos A revisão bibliográfica foi realizada nas bases

eletrônica de dados Medline, Biblioteca Cochrane

e Scielo, com busca bibliográfica padronizada,

procurando artigos com os Descritores em Ciências

da Saúde (DeCs): Apraxia; Dispraxia; Fala; Avaliação,

Parkinson, em inglês, espanhol e português. Não houve restrição no ano de publicação, ou seja, foram analisados os estudos de 1975 até 2011. Para a in- clusão dos artigos científicos levantados na busca foram selecionados apenas os que tivessem os de- scritores citados. Também fez parte do estudo obras literárias publicadas em forma de livro e dissertação de mestrado em português com busca no Portal Domínio Público.

Discussão/Resultados Foram achados sete artigos que abordam a ava- liação da apraxia da fala. Quatro deles, falam sobre a necessidade e a importância do diagnóstico da apraxia da fala, e três descrevem sobre a avaliação em casos específicos, como em acidente vascular cerebral (AVC), em gagos e no diagnóstico diferencial das síndromes parkinsonianas. Os artigos referidos estão ordenados abaixo:

De acordo com Zadikoff e Lang (2005) mais es-

tudos, incluindo a avaliação clínica cuidadosa, são necessários para responder a muitas perguntas que surgem na avaliação de apraxia em pacientes com transtorno de movimento. Referem que métodos pa- dronizados de avaliação são necessários. A prática clínica fonoaudiológica ainda carece de formas diagnósticas precisas e objetivas que ava- liem o sistema estomatognático, principalmente no que se refere à praxia não verbal. Ainda não existem protocolos validados ou critérios de normalidade já estabelecidos. Métodos rápidos, simples e fáceis de

serem aplicados possibilitariam o diagnóstico correto

e a terapia (FARIAS et al., 2006). Na pesquisa de Rechia et al. (2009), para definir

a hipótese diagnóstica de apraxia verbal, foram uti-

lizados os critérios diagnósticos a partir dos sinais de apraxia verbal, relatados na literatura, sobretudo alterações de vogais ou de acento; presença de tateio articulatório (acompanhado pelo olhar fixo na articulação oral do interlocutor e tentativa de imitar fonemas movimentando silenciosamente lábios e língua); presença de variabilidade articulatória (foram consideradas distintas produções de uma mesma palavra-alvo); múltiplos apagamentos de sílabas e segmentos; imitação de sons pobre ou ausente; au- mento da dificuldade de produção com o aumento da extensão de enunciados e sequencialização pobre de sons (dificuldades importantes de alternar ponto articulatório) induzindo a extensas assimilações. Uma das principais dificuldades encontradas por profissionais da saúde que ministram programas de reabilitação para pacientes com apraxias é diagnos- ticar tal distúrbio, para que as terapias sejam dirigidas às causas reais dos déficits funcionais e, consequen- temente, obtenha-se êxito quanto à sua reabilitação (VAZ et. al., 1999). Os autores realizaram um estudo com o objetivo de escolher uma bateria de testes para avaliar as apraxias, aplicável por profissionais da saúde envolvidos na recuperação neuromotora de pacientes neurológicos. Cada um dos tipos de apraxias pode ser identificado por testes específi- cos, de fácil aplicabilidade e praticidade. O protocolo inclui as apraxias dinâmica, ideomotora, ideatória, construtiva, mielocinética, da marcha, de vestir, bu- cofacial, agnóstica e diagonística. Na avaliação de praxia bucofacial refere testes de movimentos de lín-

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gua e movimentos faciais ao comando verbal, e na ava-liação da praxia ideomotora refere testes como mandar beijo. O objetivo do estudo realizado por Mumby et al.

(2007) era pequisar se eram confiáveis os dignósti- cos de apraxia de fala usando o julgamento clínico de quatro fonoaudiólogos. Analisaram vídeos grava- dos de quarenta e duas pessoas com dificuldades de comunicação após acidente vascular cerebral (AVC). Os fonoaudiólogos não receberam nen- hum treinamento e não houve nenhum encontro para discutirem sobre os casos anteriormente. Os resultados indicaram que é altamente consistente

o diagnóstico de apraxia da fala pelos fonoaudiól-

ogos. Houve um alto nível de concordância entre a presença e a gravidade da apraxia de fala. Apesar do debate teórico sobre a existência e a natureza da apraxia de fala, estes resultados indicam que os terapeutas estão identificando uma população clinicamente significativa. Estes resultados for- mam uma base para futuras pesquisas sobre a natureza da apraxia de fala, que é essencial para

a adaptação de reabilitação para este distúrbio de comunicação. Brabo e Shiefer (2009) realizaram uma pesquisa

para caracterizar as habilidades de praxias verbal

e não verbal em 40 indivíduos gagos, com idade

igual ou superior a 18 anos. Para a avaliação das praxias verbal e não verbal, os indivíduos foram submetidos à aplicação do Protocolo de Avaliação da Apraxia Verbal e Não verbal (MARTINS e ORTIZ, 2004). Concluíram que, com relação às habilidades de praxia verbal, os gagos apresentaram frequên- cia maior de rupturas da fala, tanto de disfluências típicas quanto de atípicas, quando comparado ao grupo controle. Já na realização de movimentos práxicos isolados e em sequência, ou seja, nas ha- bilidades de praxia não verbal, os indivíduos gagos não se diferenciaram dos fluentes não confirman- do a hipótese de que o início precoce da gagueira poderia comprometer as habilidades de praxia não verbal. Os autores Ozsancak et al. (2004), realizaram um estudo para determinar se a avaliação da praxia orofacial é útil para o diagnóstico diferencial das síndromes parkinsonianas e entender os meca-

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nismos neurais subjacentes à apraxia orofacial, procurando os respectivos papéis de estruturas corticais e subcorticais. Foram avaliados 44 pa- cientes foram avaliados, sendo que, 12 tinham di- agnóstico de doença de Parkinson idiopática (DPI), 8 com diagnóstico de atrofia de múltiplos sistemas (AMS), 12 com diagnóstico de paralisia supranu- clear progressiva (PSP) e 12 com diagnóstico de degeneração corticobasal (DCB). A praxia orofa-

cial foi avaliada através de gestos como: esticar a língua, tocar a ponta do nariz com a língua, tocar

o queixo com a língua, lateralizar a língua para es-

querda, lateralizar a língua para a direita e mostrar os dentes. Quatro gestos eram acompanhados

pela produção de um ruído: soprar, mandar um be-

ijo, estalar a língua e assobiar. Finalmente, os dois últimos itens foram múltiplas sequencias de ges- tos (estourar as bochechas e em seguida, morder

o lábio inferior; mostrar a língua, estalar a língua e

assoprar). Foi realizada esta avaliação simplificada, pois a avaliação da praxia orofacial não era precisa- mente relatada. Resultados: pacientes com DCB foram significativamente mais prejudicados do que aqueles com DPI, AMS ou PSP. A avaliação não foi capaz de distinguir entre o DPI, AMS e grupos PSP. Em DCB houve um grande comprometimento em vários gestos sequenciais. Conclusão: a avaliação da praxia orofacial auxilia no diagnóstico clínico da DCB. Pacientes com DPI, AMS e PSP não apre- sentaram apraxia orofacial. Sugerem que o déficit em múltiplos gestos sequenciais no DCB está rela- cionado com lesões simultâneas do lóbulo parietal

e a área motora suplementar.

Comentários finais Nesta revisão, conclui-se que:

• Os resultados demonstraram que a maioria

dos estudos que avaliam a apraxia de fala são

internacionais e na literatura nacional há apenas um protocolo - Martins e Ortiz, 2004.

• Nas pesquisas nacionais o mesmo protocolo

de avaliação é aplicado em diferentes diagnósti- cos, não considerando suas especificidades.

• Não foi encontrado, na literatura nacional ne- nhum estudo avaliando as habilidades práxicas verbal e não verbal em idosos com DP.

• Na literatura internacional foi encontrado so- mente um estudo, abordando apenas a apraxia orofacial.

• Não existe nenhum protocolo específico para

a avaliação da apraxia de fala em pacientes com diagnóstico de DP, tanto na literatura nacional

Avaliação da apraxia em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson

apraxia em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson quanto na internacional. • Os resultados sugerem
apraxia em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson quanto na internacional. • Os resultados sugerem

quanto na internacional. • Os resultados sugerem a necessidade de pesquisas com objetivos diagnósticos, conside- rando parâmetros que possam fornecer subsídi- os para o diagnóstico diferencial e procedimentos terapêuticos direcionados às apraxias de fala.

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Avaliação da apraxia da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson Referências ANDRADE,
Avaliação da apraxia da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson Referências ANDRADE,

Avaliação da apraxia da fala em idosos com diagnóstico de doença de Parkinson

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