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Astigmatismo Ra ff aele Junior Aliberti Turma 5 Ano Letivo 2014 - 2015
Astigmatismo Ra ff aele Junior Aliberti Turma 5 Ano Letivo 2014 - 2015

Astigmatismo

Astigmatismo Ra ff aele Junior Aliberti Turma 5 Ano Letivo 2014 - 2015

Raaele Junior Aliberti Turma 5 Ano Letivo 2014- 2015

Índice

Introdução

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Fisiopatologia

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Classificações

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Etiologia

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Diagnóstico

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Tratamento

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Bibliografia

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Introdução

O sistema visual é um mecanismo complexo que utiliza um aparelho periférico, o

olho, que explora as leis de refracção, foca os raios de luz e converte-os em impulsos eléctricos, os quais são processados e interpretados no cérebro.

A refração é o desvio de um raio de luz ao passar de um meio para outro. O olho

tem diferentes sistemas de refracção que servem para concentrar os raios de luz provenientes do lado de fora para a retina.

O sistema córnea- humor aqueo - cristalino - humor vítreo é capaz de ter

normalmente (ou seja, com o cristalino lançado) uma potência de cerca de 60

dioptrias (40 da córnea 20 e do cristalino), e, em seguida, todos os raios vindos de uma distância superior a 6 metros estão focados na parte de trás do olho (isto é, 23-24 mm a partir do vértice da córnea). Esta situação é chamada emmetropia. Para distâncias mais curtas, a lente pode, variando o seu diâmetro, aumentar o poder de refracção do olho até convergir os raios provenientes de alguns

centímetros de distância. Este processo é chamado de acomodação, e está ligada

à contracção do músculo ciliar, o parassimpático.

Os defeitos de uma estrutura ou mecanismo da forma de visão podem gerar erros de refracção ou ametropia.

Podemos distinguir dois grandes grupos de defeitos de refracção: esférica, quando

a curvatura da córnea permanece normal e não-esférica, quando há uma alteração do raio da córnea. O astigmatismo pertence a este último grupo.

Fisiopatologia

A palavra “astigmatismo” deriva do grego (“a” significa sem, “stigma” significa

ponto), definindo-se como ausência de um ponto focal.

Num olho normal, a superfície da córnea tem a forma de uma bola de futebol, sendo esférica, e os raios de luz paralelos convergem num único ponto da retina. Por outro lado, num olho com astigmatismo, a córnea é mais ovalada, como uma bola de futebol americano, e os raios de luz paralelos focalizam em vários pontos. Esta característica resulta, então, na percepção de imagens distorcidas.

No astigmatismo, há uma diferença entre a curvatura dos meridianos da córnea. Uma vez que a curvatura da lente astigmática ao longo de um plano é menor do

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que a curvatura ao longo do outro plano, os raios de luz que atingem as porções periféricas da lente num plano não se curvam tanto como os raios que atingem as partes periféricas do outro plano. Na figura 2, observa-se que os raios de luz, no plano vertical (plano BD), são muito

refratados pela lente astigmática, devido à maior curvatura na direção vertical do que na direção horizontal. Pelo contrário, no plano horizontal (plano AC), os raios não se curvam tanto como no plano vertical. Consequentemente, os raios de luz que atravessam a lente astigmática não chegam todos ao mesmo ponto focal, pois os que atravessam um plano focalizam mais longe, à frente dos que atravessam o

outro plano. Forma-se, assim, uma imagem com origem em, pelo menos, dois pontos.

assim, uma imagem com origem em, pelo menos, dois pontos. Figura 2 – Astigmatismo, demonstrando que

Figura 2 – Astigmatismo, demonstrando que os raios de luz focalizam, na distância focal, em plano focal (plano AC) e em outra distância focal, no plano em ângulo reto (plano BD).

Normalmente um pequeno grau de astigmatismo é fisiológico e o olho vai compensar modificando a curvatura do cristalino.

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Classificações

Podemos classificar este defeito da refração através da estrutura que apresenta alterações. Vamos distinguir um astigmatismo externo ou corneano, onde a estrutura alterada é a superficie anterior ou posterior da córnea. Este é o mais comum, mas podemos ter também alterações do cristallino. Neste caso vamos

falar de astigmatismo interno ou lenticular. Raramente, uma curvatura não esférica da retina pode contribuir para este erro de refração.

Sobre o astigmatismo podemos falar também de regularidade. Um astigmatismo é

dito regular se envolve apenas dois meridianos. Um astigmatismo é irregular se os meridianos envolvidos são mais que dois ou não são perpendiculares entre si. Esta situação produz múltiplos pontos focais e uma imagem completamente desfocada da retina.

focais e uma imagem completamente desfocada da retina. Quanto à posição do meridiano com maior poder

Quanto à posição do meridiano com maior poder de refração (mais curvo): A favor da regra: Situa-se verticalmente, entre 70° e 110°. É a forma mais comum. Contra a regra: Situa-se horizontalmente, entre 160° e 20°. Oblíquo: Tem posição oblíqua, entre 20° e 70° ou entre 110° e 160°.

oblíqua, entre 20° e 70° ou entre 110° e 160°. Num olho com astigmatismo, como já

Num olho com astigmatismo, como já se disse, são produzidos dois pontos focais diferentes, um deles pode ser emetrópico, enquanto o outro foco pode incidir á frente ou atrás da retina.

Podemos, então, distinguir um astigmatismo míope e uma hipermetropia. No astigmatismo míope, pelo menos um foco

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será projetado à frente da retina. Se o outro foco é sobre a retina, teremos um astigmatismo míope simples. Podemos ter um astigmatismo míope composto se ambos os focos incidirem à frente da retina mas em posições diferentes.

No caso de astigmatismo misto, um dos focos incide à frente da retina enquanto que o outro incidirá atrás.

Etiologia

O astigmatismo pode ser congénito, estando presente desde o nascimento, ou adquirido, desenvolvendo-se após uma lesão ocular, uma doença ou uma cirurgia. Os indivíduos com antecedentes familiares de elevados graus de astigmatismo (>3

dioptrias) ou de queratocone têm um risco aumentado de desenvolver astigmatismo. Além disso, quem trabalha com ferramentas sem usar óculos de segurança está mais sujeito às lesões que podem originar astigmatismo adquirido. Pensa-se que o astigmatismo regular seja causado por uma tensão excessiva da pálpebra, que conduz a alterações na superfície da córnea. Por sua vez, o

astigmatismo irregular associa-se a úlceras da córnea com consequente cicatrização, traumatismos penetrantes na córnea, queratocone avançado, cataratas e lenticone. Os tipos mais comuns de astigmatismo não podem ser prevenidos. Contudo, a prevalência de casos devido a traumatismos da córnea pode diminuir se se prestar

mais atenção à segurança dos olhos.

Diagnóstico

O diagnóstico de astigmatismo é feito, facilmente e sem causar dor, durante um exame oftalmológico completo. Isto pode incluir a avaliação da refração, um teste com a lâmpada de fenda e a medida da curvatura da córnea, usando várias formas de luz e algoritmos de computador.

Embora se possa suspeitar de erros de refração através da história ou do teste da acuidade visual, o diagnóstico é confirmado pelo uso de uma lâmpada de fenda. Este instrumento contém diferentes lentes que permitem focar as imagens na retina. Além de ser utilizada no diagnóstico, serve para medir a gravidade do erro refrativo para prescrever lentes corretivas.

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O retinoscópio e o buraco estenopeico também podem ser usados na avaliação. O retinoscópio permite medir objetivamente o erro refrativo sem estar dependente da resposta do doente. Este instrumento projeta um feixe de luz no olho através da pupila e o examinador vê o reflexo. Ao observar o comportamento deste reflexo

sob determinadas condições, pode identificar o erro de refração. Por sua vez, o buraco estenopeico consiste num oclusor com um orifício pequeno central, sendo uma forma simples de concentrar a luz. Uma vez que a luz passa apenas através do centro da lente do olho, os erros refrativos não têm efeito. Isto pode permitir estimar o máximo de melhoria que a visão de um doente pode obter com lentes

corretivas. Com o queratoscópio (ou disco de Plácido), o examinador avalia as imagens de espelho dos anéis na córnea do doente. No astigmatismo regular, os anéis são ovais, enquanto que, no astigmatismo irregular, são desigualmente distorcidos. A topografia corneana computorizada (videoqueratoscopia) permite obter uma

imagem da distribuição dos valores de refração por toda a córnea. Um oftalmómetro de Helmholtz ou de Javal pode, ainda, ser utilizado para medir a curvatura corneana central, a qual determina o poder refrativo da córnea.

Tratamento

Uma correção precoce pode ser crucial. De facto, um astigmatismo não tratado em crianças vai, possivelmente, originar uma ambliopia refrativa incorrigível, por não

serem projetadas na retina imagens nítidas. Tal como nas outras ametropias, as opções de correção da refração incluem:

óculos

lentes de contacto

cirurgia refrativa

Na escolha do tipo de tratamento, devem ter-se em consideração vários fatores, incluindo o estado de saúde ocular, a condição refrativa e o estilo de vida do doente. Por exemplo, apenas o astigmatismo regular pode ser corrigido com a utilização de óculos. Enquanto que na miopia e na hipermetropia são usadas lentes esféricas

(divergentes ou convergentes, respetivamente), no astigmatismo, usam-se lentes cilíndricas. Porém, quando o astigmatismo surge associado a miopia ou a hipermetropia, pode ser utilizada uma combinação de lentes esféricas com lentes cilíndricas, ou seja, lentes tóricas.

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Pode considerar-se o olho astigmático como um sistema de lentes, composto por duas lentes cilíndricas de forças diferentes e colocadas em ângulo reto entre si. Para corrigir o astigmatismo, o procedimento habitual é encontrar, por tentativa e

erro, uma lente esférica que corrija o foco num dos dois planos do cristalino. Usa- se, então, uma lente cilíndrica adicional para corrigir o erro no outro plano. Para fazer isto, é necessário determinar o eixo e a força da lente cilíndrica necessária. Vários métodos existem para determinar o eixo do componente cilíndrico anormal do sistema de lentes do olho. Um desses métodos baseia-se no uso de barras

negras paralelas, tais como as representadas na figura 10. Algumas dessas barras paralelas são verticais, outras horizontais e outras fazem vários ângulos com os eixos vertical e horizontal. Após colocar várias lentes esféricas à frente do olho astigmático, geralmente, encontra-se um conjunto de lentes que produz um foco nítido de um conjunto de

barras paralelas, mas não corrige a falta de nitidez do conjunto de barras em ângulo reto com essas barras nítidas. Segundo os princípios físicos da ótica, o eixo do componente cilíndrico fora do foco do sistema ótico é paralelo às barras que não estão nítidas. Uma vez encontrado este eixo, o examinador experimenta lentes cilíndricas positivas ou negativas progressivamente mais fortes e mais fracas,

cujos eixos estejam alinhados com as barras fora do foco, até que o doente veja todas as barras cruzadas com igual nitidez. Posteriormente, é produzida uma lente, específica para cada doente, combinando

a correção esférica e a correção cilíndrica no eixo apropriado.

Concluindo, o eixo do cilindro da lente que será prescrita é posicionado perpendicularmente ao meridiano que se pretende corrigir. Por exemplo, para um doente que apresente o meridiano horizontal emétrope e o meridiano vertical

hipermétrope de +2,0 dioptrias (astigmatismo hipermetrópico simples), prescreve- se uma lente cilíndrica de poder equivalente (+2,0D) posicionada no eixo de 180°. No caso do astigmatismo, a cirurgia refrativa da córnea tem como objetivo regularizar a sua curvatura. O LASIK (laser in situ keratomileusis) é a cirurgia realizada para corrigir o astigmatismo, tendo como vantagens ser rápida e segura

e ter também um pós-operatório rápido. No entanto, valores iguais ou superiores a 5,0 dioptrias constituem uma contra-indicação para a realização da cirurgia e, mesmo para valores inferiores, é necessário ter em consideração o equivalente esférico.

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Bibliografia

Guyton, A.C.; Hall, J.E.; “Tratado de Fisiologia Médica”, Capítulo 49 – O Olho: I. Óptica da Visão Elsevier; 12a Edição; 2011

Lang, G.K. et al; “Ophthalmology – A Short Textbook”, Capítulo 16 – Optics and

Refractive Errors Thieme; 2000

Torres, Paulo; “Exame oftalmológico”Aula de Oftalmologia, ICBAS-CHP-UP; Setembro de 2014

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