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Licenciatura em Biologia - Pedagogia Didática

Licenciatura em Biologia - Pedagogia Didática

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DIDÁTICA

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SOMESB

Didática

Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda.
Gervásio Meneses de Oliveira William Oliveira Samuel Soares Germano Tabacof

Presidente ♦ Vice-Presidente ♦ Superintendente Administrativo e Financeiro ♦ Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão ♦

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FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância
♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ ♦ Coord. de Softwares e Sistemas ♦ Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦ Coord. de Produção de Material Didático ♦ Diretor Geral Diretor Acadêmico Diretor de Tecnologia Diretor Administrativo e Financeiro Gerente Acadêmico Gerente de Ensino Gerente de Suporte Tecnológico Waldeck Ornelas Roberto Frederico Merhy Reinaldo de Oliveira Borba André Portnoi Ronaldo Costa Jane Freire Jean Carlo Nerone Romulo Augusto Merhy Osmane Chaves João Jacomel

EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO:

♦PRODUÇÃO

ACADÊMICA ♦

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A DIDÁTICA COMO OBJETO DE ESTUDO NO CONTEXTO

EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DA PRÁXIS EDUCATIVA

RESTROSPECTIVA HISTÓRICA DA DIDÁTICA E AS INFLUÊNCIAS

SOCIOPOLÍTICAS NO PROCESSO EDUCATIVO

Origem da Didática Evolução Histórica da Didática A Didática como ato Político Ideológico Atividades Complementares

AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS

Tendência Liberal Pedagogia Liberal Tradicional Tendência Progressista Renovada Não-Diretiva Tecnicista Tendência Pedagógica Progressista Libertadora Libertária Crítico social dos conteúdos Sócio-Interacionista Atividades Complementares

O PLANEJAMENTO E A AVALIAÇÃO NA PRÁTICA

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PEDAGÓGICA

O PLANEJAMENTO COMO ELEMENTO POTENCIALIZADOR E ORGANIZADOR

DO TRABALHO PEDAGÓGICO

Fundamentos Teóricos e Práticos do Planejamento O que é planejar? Porque planejar? Para que planejar? Quem faz o planejamento? Como fazer o planejamento Características do Planejamento Adequação Exeqüibilidade Flexibilidade
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Sumário

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Fases do Planejamento 32 Preparação 32 Desenvolvimento 32 Aperfeiçoamento 32 Didática Tipos de Planejamento 32 Plano de curso 32 Plano de unidade 33 Plano de aula 33 Etapas do Plano de Disciplina 33 Conhecimento da realidade (sondagem) 34 Elaboração dos objetivos 34 Seleção e organização dos conteúdos 34 Operacionalização dos conteúdos 35 Planejamento de ensino e interdisciplinariedade: um processo integrador 35 entre a educação, escola e prática docente Planejamento: ação pedagógica essencial 36 Planejamento de ensino e interdisciplinaridade 39 40 É Hora de Trabalhar

A AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

Processo Histórico da Avaliação Avaliação Educacional no Contexto Autoritário Modalidades de avaliação Avaliação Somativa Avaliação Educacional para Humanização Verificação ou Avaliação É Hora de Trabalhar Atividade Orientada Glossário Referências

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41 43 44 46 46 47 50 53 54 55 41

Apresentação da Disciplina

A construção dessa disciplina pretende viabilizar ao aluno noções básicas de didática, na medida em que buscam apresentar, com clareza e simplicidade de vocabulário, os conceitos fundamentais para a compreensão da realidade e dinâmica na prática e teoria educativa. Neste sentido, ela apresenta-se como um instrumento para o aperfeiçoamento da percepção de cada um acerca do processo educacional. Através da Didática oportunizaremos ao educador conceber os pressupostos sociopolíticos, bem como debater os desafios e conscientizá-los enquanto profissional de ensino competente, tecnicamente e comprometido politicamente com o exercício pedagógico crítico e construtivo. Salienta-se, também, que através da Didática será oportunizado aos participantes o estudo acerca das diferentes tendências pedagógicas presentes na história da educação, determinando a compreensão de homem e de mundo de cada período analisado. Por fim, a Didática deve questionar por que educar, por que ensinar, o que ensinar, a quem ensinar, quando ensinar, como ensinar e com que ensinar, despertando a consciência crítica em relação à vida inserida em uma estrutura social, sendo modificada e modificando-a. Enfim, contribuindo com a transformação mútua, educador e educando. Profª Edleide Carvalho

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Didática

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A DIDÁTICA COMO OBJETO DE
ESTUDO NO CONTEXTO EDUCACIONAL E A CONSTRUÇÃO DA PRÁXIS EDUCATIVA

RETROSPECTIVA HISTÓRICA DA DIDÁTICA E AS
INFLUÊNCIAS SOCIOPOLÍTICAS NO PROCESSO EDUCATIVO

Origem da Didática
A Didática deriva-se da expressão grega ---------------------(techné didaktiké), que se traduz por arte ou técnica de ensinar. Enquanto adjetivo derivado de um verbo, o vocábulo referido origina-se do termo -----------(didásko) cuja formação lingüística - notese a presença do grupo-------(sk) dos verbos incoativos - indica a característica de realização lenta através do tempo, própria do processo de instruir. Alguns teóricos marcaram época com suas obras: Hugo de San Víctor - Eruditio Didascalia - no século XII, de Juan Luis Vives - De Disciplinis - no século XVI, e de Wolfgang Ratke - Aporiam Didactici Principio – que estão associadas aos primeiros tratados sistemáticos sobre o ensino. É, entretanto, com Commenius, através de sua Didáctica Magna, escrita no século XVII e considerada marco significativo no processo de sistematização da Didática, que esta se populariza na literatura pedagógica. Sua obra deve ser analisada no contexto em que surgiu: o Renascimento e a Reforma Religiosa.

João Amós Commenius, nasceu em 28 de março de 1592, na Morávia, região pertencente à antiga Boêmia, hoje República Tcheca. Filósofo e teólogo, começou a lecionar em 1614. Em sua primeira grande obra, Didática Magna, concluída em 1632, estão reunidas muitas idéias que contribuíram para reformas educacionais em diversos países da Europa. Faleceu aos 78 anos, em Amsterdã, na Holanda. (Nova Escola, 2003, p. 66)

Sendo considerado o criador da Didática moderna e um dos maiores educadores do século XVII, Commenius pregava uma teoria humanista e espiritualista da formação do homem, embasado no respeito ao estágio de desenvolvimento da criança no processo de aprendizagem, a construção do conhecimento através da experiência, da observação e da ação, bem como uma educação fundamentada no diálogo. Abordava, também, a importância da necessidade da interdisciplinaridade, da afetividade do educador e de um ambiente escolar arejado, bonito, com espaço livre e ecológico. Estão, ainda, entre

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as ações propostas por Commenius: coerência de propósitos educacionais entre família e escola, desenvolvimento do raciocínio lógico e do espírito científico e a formação do homem religioso, social, político, racional, afetivo e moral. Didática A partir de 1628, Commenius percorre a Europa, após ser expulso de sua terra natal em função da guerra político-religiosa, e dá continuidade aos seus projetos científicos e educacionais, alimentando e divulgando seu sonho reformista por meio da Pansophia para promover a harmonia entre os indivíduos e as nações. Esta educação, idealizada por Commenius, constitui uma forma de organização do saber, um projeto educativo e um ideal de vida, desejo e possibilidades de ensinar tudo a todos, uma educação universal. Neste período, Commenius desenvolveu, então, suas principais idéias sobre educação e aprofundou um dos grandes problemas epistemológicos do seu tempo – que era o do método.

Seu método didático constituiu-se basicamente de três elementos: compreensão, retenção e práticas.

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qualquer coisa que se ensine deverá ser ensinada em sua aplicação prática, no seu uso definido; ensinar as coisas em seu devido tempo; deve ensinar-se de maneira direta e clara; não abandonar nenhum assunto até sua perfeita compreensão; explicar primeiro os princípios gerais; tudo o que se deve saber deve ser ensinado; dar a devida importância às diferenças que existem entre as coisas; ensinar a verdadeira natureza das coisas, partindo de suas causas.

Em sua Didática Magna (1657) ele elabora uma proposta de reforma da escola e do ensino lançando as bases para uma pedagogia que prioriza a “arte de ensinar” por ele denominada de “Didática”, em oposição ao pensamento pedagógico da época, que era voltado para a educação sistemática, privilegiando alguns, cumprindo a função conservadora da instituição social.

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“A arte de ensinar é sublime, pois destina-se a formar o homem, é uma ação do professor no aluno, tornando-o diferente do que era antes.”

Commenius apontava a necessidade da constante busca do desenvolvimento do indivíduo e do grupo, pois o autoconhecimento desperta a autocrítica levando a uma melhor vida social. Salientava a importância da educação formal de crianças pequenas e preconizou a criação de escolas maternais por toda parte, pois deste modo às crianças teriam oportunidades de adquirir, desde cedo, as noções elementares das ciências que estudariam mais tarde. Defendia a idéia de que a aprendizagem se iniciava pelos sentidos, pois as impressões sensoriais obtidas através da experiência com objetos seriam internalizadas e, mais tarde, interpretadas pela razão. Sua proposta pedagógica dirige-se, sobretudo, à razão humana, convocando-a a assumir uma atitude de pesquisa diante do universo e de visão integrada das coisas. O homem deve ser educado com vistas à eternidade, pois, sendo Espírito imortal, sua educação deve transcender a mera realização terrena.

Evolução Histórica da Didática
O estudo da evolução da didática tem como objetivo promover uma visão crítica do processo histórico-educacional, ampliando conhecimentos e compreensão acerca de aspectos, procedimentos, execução e efetivação da prática educativa na modernidade. E como se deu essa evolução?

Para responder essa pergunta é necessário um olhar crítico quanto ao contexto histórico socioeconômico, político e educacional (a didática estava inserida no decorrer dessa evolução) para possibilitar a compreensão do passado com o presente. Perceber os caminhos e descaminhos da Didática que contribuíram para destoá-la da sua origem divulgado por Commenius por um determinado período. 1549 a 1930 Primórdios da Didática: Compreendendo o papel da disciplina antes da sua inclusão nos cursos de formação de professores a nível superior:
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Didática

Vamos falar de uma didática histórica brasileira. Entre 1549 e 1759, a sociedade era de economia agrário-exportadora e dependente, explorada pela Metrópole e a educação não tinha valor social importante. Contudo, nesse período colonial os jesuítas eram os principais educadores e sua função educativa era voltada para a catequese e instrução dos índios.

“A ação sobre os índios se resume na cristianização e na pacificação, tornando-os dóceis para o trabalho”. (Maria Lúcia Aranha, 1996). Segundo Aranha, existiam duas formas de educação: a dos catequizados e a dos instruídos. Na primeira, a didática se resumia a compreensão do português; para os filhos dos colonos, os jesuítas criaram três cursos: letras humanas, filosofia e teologia. Os jesuítas utilizavam o “Ratio Studiorum” que enfocava instrumentos e regras metodológicas em que o mestre prescrevia o método de estudo, a matéria e o horário. As aulas eram ministradas, de forma expositiva e repetitiva, visando à assimilação e estimulando a competição.

Primeira compilação de regras de estudo para normatizar o trabalho desenvolvido nos colégios jesuítas, em 1599, descrevendo procedimentos para a elaboração de planos, programas e métodos de estudo, delimitando tempos e espaços de trabalho e de convivência.

A ação pedagógica jesuítica abalizada pelas formas dogmáticas de pensamento contra o pensamento crítico, privilegiava o exercício da memória e o desenvolvimento do raciocínio. Essa didática vai imprimir profundas marcas na cultura brasileira, pois dessa forma não se poderia pensar em uma prática pedagógica e muito menos em uma Didática que buscasse uma perspectiva transformadora na educação. Vale salientar que, após o movimento pedagógico dos jesuítas, não existiu nenhum outro movimento de força modificativa na educação. Com a criação de uma nova organização instituída por Pombal, provocou-se um retrocesso no processo pedagógico. Nessa ação pombalina, professores leigos começaram a ser admitidos para as “aulas régias”. Em 1870 com a expansão cafeeira e a modificação de um modelo econômico agrárioexportador para urbano-comercial-exportador, o Brasil inicia seu período de “iluminismo”. No ano de 1890, é aprovada a reforma de Benjamin Constant sob a influência do positivismo. No âmbito educacional, o ensino religioso nas escolas públicas é extinto e o Estado assume a laicidade e a escola passa a difundir uma visão burguesa com a intenção de garantir a consolidação da burguesia industrial como classe dominante. Nesse período, a Didática visa garantir aos futuros educadores orientações necessárias ao trabalho docente. A atividade docente é compreendida de forma autônoma face à política, dissociada das questões entre escola e sociedade fragmentando teoria da prática.

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A partir de 1930 Surgimento da Didática nos cursos de formação de professores Durante a revolução de 30, em meio às transformações sociais - políticas e econômicas sofridas pela sociedade brasileira, o âmbito educacional passa por profundas mudanças. A primeira delas é a constituída por Vargas na criação do Ministério de Educação e Saúde Pública organizando o ensino comercial, adotando o regime universitário e implantando a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, que surge como o primeiro instituto de ensino superior que funcionava de acordo com o modelo Francisco Campos. Essa modificação sofrida pela sociedade brasileira, em decorrência da crise mundial da economia capitalista, dá origem à Didática como disciplina dos cursos de formação de professores a nível superior. Segundo o art. 20 do Decreto-Lei nº 1190/39, a Didática passa a ser reconhecida como curso e disciplina, com duração de um ano, acentuando seu caráter prático-teórico do processo ensino-aprendizagem. 1945 a 1960 Predomínio das novas idéias e a Didática Momento de aceleração e diversificação do processo de substituição de importações e à penetração do capital estrangeiro na economia brasileira. Nesse contexto, o DecretoLei nº 9053 desobrigava o curso de Didática sob a vigilância da Lei Diretrizes e Bases, Lei 4024/61, o esquema de três mais um foi extinto pelo Parecer nº 242/62, do Conselho Federal de Educação. A Didática perdeu seus qualificativos geral e especial e introduziu-se a Prática de Ensino sob a forma de estágio supervisionado. Nesse mesmo período, é celebrado um convênio entre o MEC/Governo de Minas Gerais – Missão de Operações dos Estados Unidos criou-se o PABAEE (Programa Americano Brasileiro de Auxílio ao Ensino Elementar), voltado para o aprimoramento dos professores do Curso Normal. Tal fato marca início de uma tecnologia educacional importada dos Estados Unidos de caráter multiplicador. Em decorrência disso, a Didática passa a desconsiderar o contexto político-social no processo de ensino, acentuando um enfoque renovador tecnicista. Período Pós 1964 Os descaminhos da Didática

Instalou-se no país um movimento que alteraria a ideologia política, modificando através de um projeto desenvolvimentista que objetivava acelerar o crescimento socioeconômico do país, mudando a forma de governo e conseqüentemente a educação, que passa a contribuir com tal projeto na preparação adequada de recursos humanos (mãode -obra) necessários para o crescimento econômico e tecnológico da sociedade.

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Esse movimento é tratado como marco histórico, pois a Pedagogia Nova entra em crise e suas articulações passam a ser assumidas pelo grupo militar e tecnocrata. A partir daí, essa pedagogia embasa-se na neutralidade científica inspirando-se nos princípios da racionalidade, eficiência e Didática produtividade. Então, instalou-se na escola a divisão de trabalho sob a justificativa de produtividade. O acordo feito entre o MEC/USAID marcou o sistema educacional, sustentando as reformas do ensino superior e do ensino médio. Além disso, pelas influências dos professores americanos, foi implantada a disciplina “Currículos e Programas”, pelo Parecer 252/69 e Resolução nº 2/69, do Conselho Federal de Educação, nos cursos de Pedagogia, provocando a superposição de conteúdos da nova disciplina com a Didática. A Pedagogia Tecnicista enfoca o papel da Didática no desenvolvimento de uma alternativa não psicológica, trazendo uma perspectiva ingênua de neutralidade científica, tendo como preocupação básica a eficácia e a eficiência do processo de ensino. Logo, os conteúdos dos cursos de Didática passam a centrar-se na organização racional do processo de ensino, no planejamento didático formal e na elaboração de materiais instrucionais, nos livros didáticos descartáveis, o professor torna-se mero executor de objetivos instrucionais, de estratégias de ensino e de avaliação, desvinculando a teoria da prática. Vê-se então, neste período, a Didática assumindo um discurso reprodutivista. Diante disso, a Didática é questionada e surgem movimentos reivindicando sua revisão apontando-a a novos rumos. A década de 80 Momento atual da Didática
Será que agora ela se reencontra?

A situação socioeconômica do Brasil nesta época passava por problemas como: a alta elevação da inflação e desemprego, agravando a situação com o crescimento da dívida externa e pela política recessionária. Instala-se uma Nova República e o governo civil da Aliança Democrática finda a ditadura militar conservando, ainda, alguns aspectos desse regime. Os professores se empenham para reconquistar os direitos e deveres de participarem na definição da política educacional. Ao mesmo tempo, fora realizado a I Conferência Brasileira de Educação, marco importante na história da educação brasileira, pois constituiu um espaço para se discutir e disseminar a concepção crítica da educação.

A Didática assume a função de clarificar o papel sociopolítico da educação, da escola e do ensino. Seus pressupostos enfocam uma Pedagogia Crítica que trabalha no sentido de ir além dos métodos e técnicas, procurando associar escolasociedade, teoria-prática, conteúdo-forma, técnico-político, ensino-pesquisa e professor-aluno. Em seu âmbito pedagógico, passa a auxiliar no processo de politização do futuro professor despertando-o quanto à ideologia que inspira a natureza do conhecimento. Assim, a Didática crítica supera o intelectualismo formal do enfoque tradicional e recupera seus prestígios no âmbito educacional.

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A Didática como ato Político Ideológico
Como a Didática desenvolve na sua prática uma educação voltada a despertar uma consciência política-ideológica? A Didática após passar por encontros e desencontros busca superar-se de uma prática instrumental para uma construção questionadora. Então a disciplina didática assume o papel de ser altamente questionadora da realidade educacional, da escola, do professor, do ensino, do conteúdo, das metodologias, da aprendizagem, da realidade cultural, da política educacional, que investiga o universo da educação, busca saber encontrar novos processos. O objeto da Didática é o ensino que se propõe estabelecer os princípios para orientar a aprendizagem com segurança e eficiência. A Didática pretende orientar o agir do professor e do aluno na sua ação de ensinar, de educar e de aprender. Ela deve se pôr a serviço do educando como uma totalidade pessoal. Ela deve ser capaz de tomar decisões acertadas sobre o que e como ensinar, considerando quem são os alunos e porque o fazem, quando e onde e com que se ensina. A vida se caracteriza por contínuas e constantes decisões. A pessoa decide sobre si mesma e sobre os outros. É grande a responsabilidade da pessoa quando a sua decisão vai determinar novas atitudes, comportamentos e maneiras de agir, de viver e pensar. A Didática deve ajudar o educador a tomar sempre as melhores decisões sobre tudo que vier a interferir na formação do educando, como uma totalidade pessoal e social. Requer a capacidade de refletir com sabedoria para escolher entre as várias alternativas a mais segura e real. A Didática toma decisões sobre a educação, o educando, o ensino, o professor, as disciplinas, os conteúdos, os métodos e técnicas e a comunidade escolar, isso porque é completamente educativa.
O que ensinar? O que deve ser ensinado para que o aprendizado seja útil à vida? Será que todas as crianças são iguais e necessitam aprender as mesmas coisas? Quais os critérios e qual o referencial para selecionar conteúdos?

Para se ensinar é necessário que seja significativo e que surjam da própria realidade em que a criança vive. “Deve-se deixar jorrar nos programas, conteúdos, métodos utilizados, no clima de trabalho, nas pessoas presentes. Saber criar um meio de vida e não só idéias, onde todos encontrarão a força de crescer” (Etave, 1972, p. 92) O conteúdo deve ser educativo e formador de personalidades. A dimensão da pessoa não se limita ao intelectual, ela também é emoção, sentimentos e habilidades, daí é dever do ensino se ocupar da formação da pessoa como um todo. O professor necessita selecionar conteúdos que não sejam alienantes e mistificadores.

Por que ensinar? Será que o professor sabe realmente por que ensina? Será que o aluno entende por que está estudando?
Toda ação didática precisa estar imbricada com os objetivos, e a eficiência da ação educativa, vai depender do conhecimento e da plena conscientização que os indivíduos envolvidos no processo educativo têm dos objetivos, dos resultados e propósitos que se deseja alcançar. Porque são eles quem determinam à conduta, e os processos de ensino.

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Como ensinar?

Didática

Ensinar o docente a se organizar a empregar métodos e técnicas adequadas aos objetivos dos educandos é fator decisivo no processo ensino aprendizagem. O ensino não pode ser uma ação causal, tem de ser uma ação lógica e estruturada.

Quando ensinar?
A necessidade do redimensionamento da formação do educador tem por fim despertar a consciência crítica acerca da educação e do papel exercido por ela na sociedade, levando em consideração os limites e possibilidades da ação educativa em relação aos determinantes socioeconômicos e políticos que configuram determinada formação social.

Com que ensinar?
Os meios e recursos para ensinar auxiliam o professor e aluno no processo ensinoaprendizagem. Refere-se aos diversos tipos de componentes do ambiente de aprendizagem que dão origem à estimulação para o indivíduo. Antes de planejar o ensino deve ter claro os objetivos, pois são eles que vão possibilitar análise dos procedimentos, conteúdos e todas as possibilidades humanas e materiais. Esses meios despertam o interesse e provocam a discussão e debates, desencadeando perguntas e gerando idéias. Os recursos são elementos indispensáveis para desempenhar um bom ensino.

Onde ensinar?
A escola é o único local que se aprende? Escola para os gregos, o étimo, SKOLÉ, designava o tempo liberto de ocupações, que podia ser dedicado livremente à amizade e à cultura do espírito. Lugar onde os discípulos se reuniam para ouvir um mestre e discutiam idéias em busca do saber. “As escolas serão verdadeiros recreios, casas de delícias e encantos”, segundo Commenius. A escola é uma das muitas condições para se aprender, mas não única, pois a aprendizagem ocorre em qualquer lugar, a todo o momento, pois estamos em constante relação com todos e com tudo. O ensino fundamenta-se na estimulação. Ensinar é organizar as condições externas para que se processe a aprendizagem. Uma dessas condições é o educador.

O que é ser educador?
É aquele que desperta consciências adormecidas, ajuda a abrir caminhos, promove para a ação desencadeadora de liberdades, do pensar e de auto-realização em busca da verdade. Assim, a atuação do educador deve se basear na observação diária dos interesses e necessidades emergentes em seu grupo de alunos, bem como em seu conhecimento sobre as especificidades de cada estágio de desenvolvimento.

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Qual o papel da didática na formação do educador? O que seria formar o educador?
Seria criar condições para que o sujeito se prepare filosófica, científica, técnica e afetivamente para o tipo de ação que vai exercer. É o desenvolvimento de uma atitude dialeticamente crítica sobre o mundo e sua prática educacional. O educador nunca estará definitivamente [pronto], formado, pois que a sua preparação se faz no cotidiano, na mediação teórica sobre a sua prática. A sua atualização ocorrerá pela reflexão constante acerca de sua prática. Compreender globalmente na totalidade, o seu objeto de ação. “Formar” é um termo altamente autoritário e propiciador de uma “educação bancária”, de acordo com Paulo Freire, quando existe alguém que é formado e alguém que é o formador, processa-se uma relação autoritária do segundo sobre o primeiro. Formar o educador seria auxiliar o sujeito a adquirir uma atitude crítica frente ao mundo habilitando-o a agir junto a outros seres humanos num processo efetivamente educativo. Para assumir um papel significativo na formação do educador, a didática deverá ser um elo fundamental entre as opções filosófico-político e epistemológica de um projeto histórico de desenvolvimento do povo, exercendo o seu papel específico e apresentar-se como tradutor de posicionamentos teóricos em práticas educativas. O processo educacional e, conseqüentemente, a formação de educadores, é vista quase que exclusivamente como uma dinâmica de interação humana, uma organização sistemática e intencional de diferentes componentes de um sistema ou na linha da conscientização, com características eminentemente político-sociais. A educação é um processo multidimensional, pois apresenta uma dimensão humana, técnica e política-social. Estas dimensões precisam caminhar juntas entre si de forma dinâmica e coerente. Desta forma, a formação dos educadores também vai adquirir uma perspectiva multidimensional. Outra questão a ser analisada é a relação entre teoria e prática.

A teoria e a prática, no geral, são bastantes dissociadas porque, na maioria das vezes, a realidade não permite a aplicação do conteúdo aprendido. Existe uma grande distância entre os conhecimentos adquiridos durante o curso e o que o aluno encontra na prática, sendo necessário uma revisão constante daquilo que é ensinado, a fim de garantir a aplicabilidade da teoria na prática.

Esta questão afeta a todas as áreas do conhecimento, porém é mais problemático e incidem diretamente nas áreas que atuam sobre a prática social. Para melhor compreender a questão da teoria e prática é necessário conhecer o sentido etmológico destas duas palavras. Ambos têm origem da Grécia. “Teoria” significava a viagem de uma missão festiva aos lugares do sacrifício. Daí o sentido de teoria como observar, contemplar, refletir. “Prática”, significa “práxis”, “práxeos”, tem o sentido de agir, a ação interna consciente.

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Há várias formas de se conceber a relação entre teoria e prática, uma delas é a visão dicotômica, que se centra na separação de ambas. Nesta visão é assumida uma posição dissociativa. Aqui a teoria e prática são componentes isolados e opostos. Frases como: “na prática a teoria é outra”, Didática “uma coisa é a teoria, outra, é a prática”, representam muito bem a fragmentação entre elas. Partindo deste princípio, corresponde aos “teóricos” pensar, elaborar, refletir, planejar e, aos “práticos”, executar, agir, fazer. Cada um tem a sua lógica própria e devem manter-se separados. A prática deve ser uma aplicação da teoria, pois a mesma não inventa, não cria, as descobertas vem sempre da teoria. Essa concepção é uma visão associativa que parte do positivo-tecnológica. Essa teoria é “saber para prever, prever para prover”. A Ciência tem por fim a previsão científica dos fatos com o objetivo de fornecer à prática um conjunto de regras e normas para exercer domínio, manipular e controlar a realidade natural e social. Percebe-se, então, que nesta perspectiva a prática está direcionada desde fora pela teoria. É enfatizado no planejamento, na racionalidade científica, na neutralidade da ciência, na eficiência, no encaminhar a teoria como forma privilegiada de guiar e orientar a ação. Diante desta postura, a tecnologia se destaca como elemento mediador. Refletindo assim uma postura de domínio, explicitando uma separação do trabalho intelectual e manual dentro de uma sociedade que está separada por classes. Já a visão de unidade centra-se na integração entre teoria e prática. A prática é a fonte da teoria da qual se nutre como objeto de conhecimento, interpretação e transformação. Nesta perspectiva, o progresso do pensamento humano se dá a partir das necessidades práticas do homem, da produção material de sua existência e expressa o modo pelo qual a teoria e a prática se unem e se fundem mutuamente. A unidade entre teoria e prática pressupõe necessariamente a percepção da prática como “atividade objetiva e transformadora da realidade natural e social e não qualquer atividade subjetiva, ainda que esta se oculte sob o nome de práxis, como faz o pragmatismo”. (Id.,p. 234). A prática se firma tanto como atividade subjetiva, desenvolvida pela consciência, como processo objetivo. A partir dessa caracterização, acredita-se que a visão de unidade expressa a síntese superadora da fragmentação entre teoria e prática.

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Complementares

Atividades

1.

Com base nos seus estudos, faça uma pesquisa aprofundada sobre João Amós Commenius (Didática Magna), para identificar seus estudos e contribuições para a construção da Didática. Resuma em 2 páginas. (A questão visa que o discente se aprofunde acerca da origem da Didática, pois João Amós é considerado o pai da Didática).

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Didática

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2.

O objetivo de estudo da didática é o processo de ensino-aprendizagem. Com base nos estudos do Bloco Temático 1, faça um texto crítico com a sua compreensão sobre o assunto “A didática como objeto de estudo no contexto educacional”. (A questão visa perceber se o aluno compreendeu o conteúdo e se ele tem habilidade de construção de análise crítica).

3.

Faça uma linha do tempo, analisando situações socioeconômicas e políticas, destacando as características da didática em cada período da retrospectiva histórica da mesma. (Espera-se que o aluno construa a linha do tempo destacando em cada período fatos que contribuíram para o avanço ou desencontros da didática). Orientação para a elaboração: fazer uma pesquisa histórica aprofundada com base nos estudos através do módulo, identificando os períodos, a situação políticosocioeconômica , educacional e as características da didática. Exemplo da tabela para construção da linha do tempo

Período

Situação socioeconômica e política

Educação

Características da Didática

4.

De acordo com os estudos realizados acerca do conteúdo “A Didática como ato político ideológico”, faça um quadro de tirocínio com o tema “O educador.” 1-Objeto (o que é), 2-Finalidade (para que é), 3-Justificativa (por quê?), 4-Método (como é), 5-Recursos materiais (com que) e Humanos (com quem). (Espera-se que o discente redija os conceitos com bases na metodologia científica (ex. o que é ser educador, para que o educador...).

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AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
Didática

Tendência Liberal
Estudaremos, neste bloco, a construção da práxis educativa, ou seja, vamos abordar as diversas tendências pedagógicas que pretenderam dar conta da compreensão e da orientação da prática educacional em diversos momentos e circunstâncias da história da didática.

Para refletir...
Será que você sabe a importância desse conhecimento na sua prática educativa? Esta discussão é bastante relevante, pois permite a cada professor reconhecer e situar-se teoricamente sobre suas opções, bem como articular ou redefinir nova perspectiva, bem como analisar e avaliar sua prática de sala de aula. Assim, temos duas principais tendências pedagógicas existentes no Brasil: a conservadora e a progressista, classificadas em liberais e progressistas mediante os critérios que adotam em relação às funções sociais e políticas da escola, e as respectivas pedagogias que se manifestam na prática docente. Na prática, essas tendências mesclam-se constantemente, e uma não afasta a possibilidade da outra. De acordo com FOERSTE (1996, p.16), “uma tendência não elimina a outra, o surgimento de uma nova corrente teórica não significa o desaparecimento de outra, a definição de um perfil predominante em uma concepção não descarta a possibilidade de outras formas de manifestação consideradas próximas entre si”.
PEDAGOGIA LIBERAL

A pedagogia liberal idealiza a escola como preparadora dos indivíduos para o desempenho de papéis sociais, fazendo uso de suas aptidões e adaptação às normas vigentes na sociedade de classes através do desenvolvimento da cultura individual. Difunde-

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se a idéia de igualdade de oportunidades, embora não leve em conta a desigualdade de condições, Historicamente, a educação liberal iniciou-se com a pedagogia tradicional e, por razões de recomposição da hegemonia da burguesia, evoluiu para a pedagogia renovada, o que não significa a substituição de uma pela outra, pois ambas conviveram e convivem na prática escolar.
TRADICIONAL

A tendência tradicional predomina há quatro séculos e meio de existência da nação brasileira que sempre se caracterizou pelo intelectualismo. Podemos dizer que essa tendência dominou fortemente no Brasil até 1930. É marcada pela concepção do homem em sua essência natureza, sua realização como pessoa através do seu próprio esforço. A pedagogia tradicional preocupa-se com a universalização do conhecimento. O treino intensivo, a repetição e a memorização são as formas pelas quais o professor, aqui considerado detentor do saber, transmite os conteúdos a seus alunos, que são agentes passivos deste processo. Os conteúdos são verdades absolutas, dissociadas do cotidiano do aluno e de sua realidade social.

Os métodos baseiam-se tanto na exposição verbal como na demonstração dos conteúdos, que são apresentados de forma linear, ignorando as experiências trazidas pelos alunos, tornando a prática pedagógica estática, sem questionamentos da realidade e das relações existentes, sem pretender qualquer transformação da sociedade, daí deriva o caráter abstrato do saber.

A avaliação do aluno é feita através de provas escritas, orais, exercícios e trabalhos de casa com uma enorme carga de cobrança e até mesmo punições, valoriza os aspectos cognitivos superestimando a memória e a capacidade de retorno do que foi assimilado. A aprendizagem, nessa tendência, torna-se artificial. Memorizar para “ganhar nota” e não estudar para abstrair o conhecimento, estimulando a competição entre os alunos que são submetidos a um sistema classificatório. A escola nesta tendência se institucionaliza a partir do Renascimento e da idade moderna, com o sistema de internatos, com disciplina rigorosa e vigilância constante, marcando, sobretudo, a escola secundária burguesa que objetiva a formação humanista. A escola é marcada pelo conservadorismo cultural, inspirando-se no passado para resolver os problemas do presente, enfatiza muito a experiência social e cultural que é transmitida sem considerar as capacidades e habilidades individuais. Ao refletir sobre a pedagogia tradicional, percebe-se que ela continua forte e persistente na grande maioria das escolas e universidades, onde os alunos acabam percebendo que o curso que freqüenta não possui uma linha definida e coerente, provocando, em alguns, uma grande frustração. Na atualidade, vemos profissionais da educação, de

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curso universitário, ensinando da forma como lhe foi ensinado, sem questionamento e análise sobre sua prática pedagógica.

Didática

TENDÊNCIA PROGRESSISTA

No final do século XIX surge um movimento educacional conhecido como escola nova, cuja proposta é indicar novos caminhos à educação como, por exemplo, o aspecto filosófico e social. No Brasil, o movimento da escola nova só começou no século XX, com diversas reformas no ensino público, suas idéias ficam mais claras no ano de 1932, num manifesto dos pioneiros da educação nova, Anísio Teixeira e Lourenço Filho. Esse manifesto foi muito importante na história da pedagogia brasileira por representar a tomada de consciência da discrepância entre a educação e as exigências do desenvolvimento, pois os manifestantes tinham plena convicção de que a educação é fundamental para a evolução econômica e acréscimo de riqueza de uma sociedade. Tal manifesto surgiu quando ocorria conflitos entre os adeptos da escola renovada e os católicos conservadores. Aos olhos da Igreja católica o manifesto representava uma heresia ao dizer que “é dever do Estado tornar a educação obrigatória, pública, gratuita e leiga”. Diferentemente da escola tradicional, esta nova proposta de educação é voltada para a pedagogia da existência, ou seja, o individuo é único, diferenciado, vive e interage em um mundo dinâmico.

A tendência liberal renovada manifesta-se por meio de duas versões: renovada progressivista ou programática, que tem em Anísio Teixeira seu principal expoente; renovada não-diretiva, com Carl Roger como elemento de destaque, o qual enfatiza também a igualdade e o sentimento de cultura como desenvolvimento de aptidões individuais.

Na concepção renovada progressivista, cabe à escola adequar as necessidades do indivíduo ao meio social em que está inserido, tornando-se mais próxima da vida. O processo de aprendizado é baseado na construção e reconstrução do objeto, numa interação entre estruturas cognitiva do indivíduo e estruturas do ambiente. Trata-se de “aprender a aprender”, onde a aquisição do saber assume maior importância do que o próprio saber. Assim, aprender torna-se uma atividade de descoberta, uma auto-aprendizagem, sendo o ambiente apenas o meio estimulador. A socialização assume também algumas características. A primeira é a dinâmica, ou seja, o indivíduo socializado não é passivo, mas reage de alguma forma às informações que lhe são transmitidas; não existe um domínio absoluto do processo por parte da sociedade. O processo do conhecimento é deveras importante cujo método é o aprender fazendo, através de experimentos, pesquisas, descobertas, adequando-as às experiências do aluno e às etapas do seu desenvolvimento. O conteúdo precisa ser compreendido e não decorado promovendo desafios cognitivos e situações problemas, estimulando a reflexão. O professor, aqui, é o facilitador da aprendizagem e do desenvolvimento livre e espontâneo do indivíduo promovendo uma relação positiva e instalando uma “vivência democrática”, preparando-o para a vida em sociedade. A avaliação representa apenas uma das etapas do aprendizado. Aprender é uma atividade de descoberta e auto-aprendizagem. A avaliação flui e se torna eficaz na medida

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em que o professor valoriza os esforços empreendidos e participação no processo de sala de aula. Esta tendência teve grande penetração no Brasil na década de trinta para o ensino de Educação Infantil e ainda influencia, na atualidade, muitas práticas pedagógicas.

RENOVADA NÃO-DIRETIVA

Já a concepção renovada não-diretiva relega à escola o papel de formar atitudes. Para isso, esta deve estar mais preocupada com os aspectos psicológicos do que com os aspectos pedagógicos ou sociais. A idéia de uma boa educação passa pelo propósito de favorecer a pessoa um clima de autodesenvolvimento e realização pessoal no sentido de bem estar próprio e do seu semelhante, onde o centro da atividade escolar não é o professor nem os conteúdos disciplinadores, mas sim o aluno ativo e curioso, visando formar sua personalidade através da vivência de experiências significativas. Na concepção renovada não-diretiva os conteúdos são dispensáveis, prioriza-se o desenvolvimento das relações e da comunicação, visando facilitar meios para que os alunos construam seu próprio conhecimento. Não existe uma metodologia definida, e sim um empenho do professor em desenvolver meios próprios que facilitem a aprendizagem do educando, utilizando técnicas de sensibilização que favoreçam o diálogo. O professor assume o papel de facilitador e especialista em relações humanas. A aprendizagem baseia-se na busca da auto-realização e capacidade de transformar suas próprias percepções. Desta forma a avaliação escolar torna-se desnecessária. Essa pedagogia apresenta-se mais democrática que a tradicional, baseada na crença de que a relação entre as pessoas pode ser mais justa e sem divisão de classes sociais. Assim como a pedagogia tradicional, ela também está presente em nossos dias.

TECNICISTA

Vamos verificar se você aplica essa tendência na sua prática em sala de aula.

A pedagogia tecnicista aparece nos Estados Unidos na segunda metade do século XX e é introduzida no Brasil entre 1960 e 1970, onde proliferou o que se chamou de “tecnicismo educacional’, inspirado nas teorias behavioristas da aprendizagem e da abordagem sistêmica do ensino, buscando adequar a educação às exigências da sociedade industrial e tecnológica”. Esta educação atua no aperfeiçoamento do sistema capitalista que é ordem social vigente, articulando-se diretamente com o sistema produtivo cujo interesse é produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho, onde é valorizado, nesta perspectiva, não o professor, mas sim a tecnologia. O professor passa a ser um mero especialista, sendo,apenas, um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno.

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Didática

Você já deu atenção e observou como as escolas passam o conhecimento para os educandos?

A prática escolar nessa pedagogia tem como função especial adequar o sistema educacional com a proposta econômica e política do regime militar, preparando, dessa forma, mão-de-obra para ser aproveitada pelo mercado de trabalho. É nesse período que o espírito crítico e reflexivo é banido das escolas. Para esta tendência, o ensino é um processo de condicionamento através do uso de reforçamento das respostas que se quer obter, sendo o conteúdo as informações objetivas que possam proporcionar, ao fim do processo, a adequada adaptação do indivíduo ao trabalho. Os conteúdos de ensino desta tendência são baseados em informações e princípios científicos de leis, estabelecidos e ordenados numa seqüência lógico-psicológica, ou seja, eles devem ser mensuráveis eliminando qualquer sinal de subjetividade. Sendo assim, os conteúdos devem estar embasados na objetividade do conhecimento. Seus métodos são programados por passos seqüenciados, empregada na instrução programada, nas técnicas de micro ensino, multimeios, módulos inclusive a programação de livros didáticos. Evidencia-se na relação professor-aluno que o professor administra as condições de transmitância da matéria. O aluno recebe, aprende e fixa não participando do programa educacional e a comunicação entre ambos é puramente técnica, tendo objetivo de garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. A avaliação se baseia na verificação do cumprimento dos objetivos propostos. No que diz respeito ao ensino-aprendizagem na tendência tecnicista podemos mencionar a ausência de fundamentos teóricos em detrimento do “saber construir” e saber exprimir-se. Ou seja, é um processo de sujeição através do uso de reforçamento das respostas que se pretende obter visando o controle da conduta individual diante de objetivos preestabelecidos. A orientação sobre esta tendência pedagógica foi dada para as escolas pelos organismos oficiais durante os anos 60 e perduram até hoje, em muitos cursos, com a presença de manuais didáticos com caráter estritamente técnico e instrumental. Segundo José Carlos Libâneo, deduz-se que as tendências pedagógicas liberais, ou seja, a tradicional, a renovada e a tecnicista, por se declararem neutras, nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade, embora, na prática, procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. Já as tendências pedagógicas progressistas, em oposição às liberais, têm em comum a análise crítica do sistema capitalista.

As Tendências da Pedagogia Progressista
Como essa tendência surgiu? Qual ideologia ela dissemina na sociedade? A tendência progressista é o resultado da inquietação de muitos educadores que, a partir da década de 60, suscitam uma discussão e questionamentos em relação ao rumo que vem tomando a educação, principalmente à escola pública, no que diz respeito à real contribuição desta para a sociedade.

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Essas discussões têm contribuído para mobilizar novas propostas pedagógicas que apontam para uma educação conscientizadora do povo e para um redimensionamento histórico do trabalho escolar público, democrático e de toda a população (FUSARI e FERRAZ, 1992, p. 40). Segundo LIBÂNEO, o termo progressista é tomado emprestado de Snyders e utilizado nesses estudos para: Designar as tendências que, partindo de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente às finalidades sociopolíticos da educação. Evidente que a pedagogia não tem como institucionalizar-se numa sociedade capitalista; daí ser ela um instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas sociais (1989, p. 32). Nesta proposta a atividade escolar pauta-se em discussões de temas sociais e políticos e em ações sobre a realidade social imediata; analisam-se os É oportuno mencionar que existia, problemas, os fatores determinantes e no Brasil dos anos 60 a 64, uma grande estrutura-se uma forma de atuação movimentação em torno da promoção da para que se possa transformar a cultura popular, que procurava resgatar a realidade social e política. Apresentaverdadeira cultura não-dominante, a cultura se, pois, como um instrumento de luta do povo. É em meio a esta efervescência dos professores ao lado de outras nacionalista e ideológica que surge a práticas sociais. pedagogia libertadora. Entre outras, surge
também a libertária e o crítico-social dos conteúdos.

LIBERTADORA Essa tendência tem sua origem ligada diretamente com o método de alfabetização de Paulo Freire. Nessa concepção, o homem é considerado um ser situado num mundo material, concreto, econômico, social e ideologicamente determinado. Sendo assim, restalhe transformar essa situação. A busca do conhecimento é imprescindível, é uma atividade inseparável da prática social, e não deve se basear no acúmulo de informações, mas, sim, numa reelaboração mental que deve surgir em forma de ação, sobre o mundo social. Assim, a escola deve ser valorizada como instrumento de luta das camadas populares, propiciando o acesso ao saber historicamente acumulado pela humanidade, porém reavaliando a realidade social na qual o aluno está inserido. A educação se relaciona dialeticamente com a sociedade, podendo constituir-se em um importante instrumento no processo de transformação da mesma. Sua principal função é elevar o nível de consciência do educando a respeito da realidade que o cerca, a fim de torná-lo capaz para atuar no sentido de buscar sua emancipação econômica, política, social e cultural. Os conteúdos de ensino são tirados da problematização da experiência de vida dos educandos, os conteúdos trazidos de fora dessas experiências são considerados como invasão cultural, se for preciso trabalhar com textos de leitura serão redigidos pelos educandos com auxílio do educador. A metodologia aplicada ocorre através de diálogos engajando os sujeitos do ato de conhecer: educador-educando-educador mediatizando o objeto a ser conhecido. Desta forma, preferência neste método o trabalho de grupo de discussão definindo conteúdo e a dinâmica das atividades.

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O professor nesta tendência mantém uma relação de igualdade com os alunos adaptando-se às suas características e ao desenvolvimento próprio de cada grupo, permanecendo vigilante para assegurar ao grupo um espaço humano que possibilite sua expressão evitando a neutralidade. Didática Contudo, a aprendizagem é motivada a um senso crítico de conhecimento pelo processo de compreensão e reflexão por meio de representações da realidade concreta, ou seja, a motivação se dá a partir da codificação de uma situação problema.

LIBERTÁRIA

agora ver Vamos a g or a v er como essa tendência atua no meio social? A pedagogia libertária procura a independência teórica-metodológica. Dá maior ênfase às experiências de autogestão (sem qualquer forma de poder), à prática da nãodiretividade, (o professor não dirige, mas cria as condições de atuação do aluno) e à autonomia (excluída qualquer direção de fora do grupo). Espera-se, assim, que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e autogestionario. Constitui-se em mais um instrumento de luta, ao lado de outras práticas sociais, pois não tem como institucionalizar-se na sociedade capitalista. Nessa concepção, a idéia de conhecimento não é a investigação cognitiva do real, mas, sim, a descoberta de respostas relacionadas às exigências da vida social. Essa tendência acredita na liberdade total; por isso dá mais importância ao processo de aprendizagem grupal do que aos conteúdos de ensino. O conteúdo e o método têm objetivos pedagógicos e também político. As matérias não são exigidas, são um instrumento a mais dentro do processo de vivências, de atividades e a organização do trabalho no interior da escola, ressaltando que os alunos têm liberdade de trabalhar ou não. A ênfase na aprendizagem informal vivenciada em grupos de discussão, cooperativas, assembléias, e a negação de toda forma de repressão, visam favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres e motivadas na satisfação de suas aspirações e necessidades.

Na relação professor aluno, embora diferentes, o professor se coloca à disposição, sem impor suas idéias e concepções. Seu papel é de orientar, se misturando ao grupo para refletirem coletivamente.

Entre os estudiosos e divulgadores da tendência libertária está Maurício Tragtenberg, que evidencia que o homem cria a cultura na medida em que, integrando-se nas condições de seu contexto de vida, reflete sobre ela e dá respostas aos desafios que encontra.
CRÍTICO SOCIAL DOS CONTEÚDOS

A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos surge no final dos anos 70 e início dos 80. Difere das duas progressistas anteriores pela ênfase que dá aos conteúdos, confrontandoos com a realidade social, bem como a ênfase às relações interpessoais e ao crescimento

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que delas resulta, centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo, em seus processos de construção e organização pessoal da realidade. Compreende que não basta ter como conteúdo escolar às questões sociais atuais, mas é necessário que o aluno possa se reconhecer nos conteúdos e modelos sociais apresentados para desenvolver a capacidade de processar informações e lidar com os estímulos do ambiente buscando ampliar as experiências e adquirir o aprendizado. Sendo a escola parte integrante do todo social deve servir aos interesses populares garantindo um bom ensino, preparando o aluno para o mundo, proporcionando-lhe a aquisição dos conteúdos concretos e significativos, fornecendo-lhe instrumental para a sua inserção no contexto social de forma organizada e ativa. Neste contexto o professor é o mediador, cuja função é orientar, abrir perspectivas numa relação de troca entre o meio e o aluno, a partir dos conteúdos. Os métodos desta tendência buscam favorecer a coerência entre a teoria e a prática, ou seja, a correspondência dos conteúdos com os interesses dos alunos. A princípio o professor busca verificar o que o aluno já sabe, pois o conhecimento novo se apóia numa estrutura cognitiva já existente, ou verificar a estrutura que o aluno ainda não dispõe para que haja uma compreensão tanto do aluno como do professor e, através da disposição de ambos, possa se fazer aprendizagens significativas. A aprendizagem se dá quando o aluno ultrapassa sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora.

SÓCIO-INTERACIONISTA

Para Vygotsky, as funções psicológicas superiores, que são características do ser humano, por um lado, estão ancoradas nas características biológicas da espécie humana e, por outro, são desenvolvidas ao longo de sua história social. É o grupo social que fornece o material (signos e instrumentos) que possibilita o desenvolvimento das atividades psicológicas. Isso significa que se deve analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior dos indivíduos a partir da interação destes com a realidade. Ainda, segundo Vygotsky, para que o indivíduo se constitua como pessoa, é fundamental que ele se insira num determinado ambiente cultural. As mudanças que ocorrem nele, ao longo de seu desenvolvimento, estão ligadas à interação dele com a cultura e a história da sociedade da qual faz parte. Por isso, e de acordo com os conceitos desenvolvidos por Vygotsky, o aprendizado envolve sempre a interação com outros indivíduos e a interferência direta ou indireta deles. Esse enfoque é completamente diferente do enfoque de Piaget. Formado em Letras e em Psicologia, Vygotsky elegeu a linguagem como objeto de estudo. Para ele, a linguagem tinha papel fundamental na mediação entre as relações sociais e a aprendizagem. O objeto de estudo de Vygotsky era o desenvolvimento humano, a partir do processo histórico que o indivíduo estava vivendo.

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Didática

Complementares

Atividades

1. 2.

Escolha 01(um) dos contribuidores de uma das Tendências Pedagógica Liberal e faça uma pesquisa biográfica, destacando sua importância para a educação.

3.

Escolha 01 (um) dos contribuidores de uma das Tendências Pedagógica Progressista, e faça uma pesquisa biográfica, destacando sua importância para a educação.

Após estudo das Tendências Pedagógicas, construa um quadro comparativo entre as mesmas (Progressista e Liberal), abordando:
a. o papel da escola; b. conteúdo de ensino;

c. metodologia;
d. relação professor-aluno;
Relação Professor Aluno

e. pressupostos da aprendizagem; f. contribuidores; g. avaliação.
Aprendizagem Contribuidores Avaliação

Tendência Liberal

Papel da Escola

Conteúdo de Ensino

Metodologia

Tendência Progressista

Papel da Escola

Conteúdo de Ensino

Metodologia

Relação Professor Aluno

Aprendizagem

Contribuidores

Avaliação

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4.

Após a construção deste quadro, reflita sobre sua prática para situar-se em qual ou quais das tendências você aplica ou aplicaria na sua práxis docente. Depois de refletir construa uma dissertação de, no mínimo, 30 linhas evidenciando a sua escolha e explicando o porquê da mesma.

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O PLANEJAMENTO E A AVALIAÇÃO
Didática

NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

O PLANEJAMENTO COMO ELEMENTO POTENCIALIZADOR E
ORGANIZADOR DO TRABALHO PEDAGÓGICO

Fundamentos teóricos e práticos do planejamento
O ato de planejar faz parte da história do ser humano, pois o desejo de transformar sonhos em realidade objetiva é uma preocupação marcante de toda pessoa. Em nosso dia-a-dia, sempre estamos enfrentando situações que necessitam de planejamento, mas nem sempre as nossas atividades diárias são delineadas em etapas concretas da ação, uma vez que já pertencem ao contexto de nossa rotina. Entretanto, para a realização de atividades que não estão inseridas em nosso cotidiano, usa-se os processos racionais para alcançar o que se deseja. O homem primitivo, no seu modo e habilidade de pensar, imaginou como poderia agir para vencer os obstáculos que se interpunham na sua vida diária. Pensava as estratégias de como poderia caçar, pescar, catar frutas e de como deveria atacar os seus inimigos. A história do homem é um reflexo do seu pensar sobre o presente, o passado e o futuro. O homem no uso da sua razão sempre pensa e imagina o seu “quê fazer”, o ato de pensar não deixa de ser um verdadeiro ato de planejar. Algumas pessoas planejam de forma sofisticada e altamente científica, obedecendo aos mais rígidos princípios técnicos e seguindo os esquemas sistêmicos que orientam o processo de planejar, executar e avaliar. Outros, que nem se quer conhecem a existência das teorias sobre planejamento, os fazem sem muitos esquemas e dominações técnicas; contudo, são planejamentos que podem ser agilizados de forma simples, mas com bons e ótimos resultados. Pode-se deduzir, então, que é impossível se livrar do ato de planejar mesmo que não se consiga executar.

Planejar é ...
Um processo que “visa dar respostas a um problema, estabelecendo fins e meios que apontem para a sua superação de modo a atingir objetivos previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro”, mas considerando as condições do presente, as experiências do passado, os aspectos contextuais e os pressupostos filosóficos, culturais, econômicos e político de quem planeja e com quem se planeja”. (Padilha, 2001, p.63). “Um processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego dos meios materiais e dos recursos humanos disponíveis, a fim de alcançar objetivos concretos, em prazos determinados e etapas definidas, a partir do conhecimento e avaliação cientifica da situação original”.(Martinez e Oliveira Lahone, 1977, p.11).

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O que é planejamento de ensino?
Significa estabelecer um conjunto de ações que visam a sistematização do trabalho docente.

Por quê?
Desde o início do século, com as exigências da sociedade industrial, o movimento da escola nova sensibilizou os professores para a importância do planejamento; Houve necessidade desde os setores mais simples aos mais complexos da atividade humana de planejar, diante das exigências de desenvolvimento científico e tecnológico do mundo moderno.

ara Para quê?
Para fugir da rotina, da repetição mecânica dos cursos e das aulas; Para evitar a improvisação o que pode provocar ações soltas, desintegradas; Para garantir: a eficiência, eficácia e efetividade do processo ensino-aprendizagem; a continuidade do trabalho do professor; o cumprimento da programação estabelecida; a distribuição racional do tempo disponível; a seleção cuidadosa dos objetivos, dos conteúdos, assim como de metodologia, recursos e procedimentos de avaliação; o conhecimento por parte dos alunos, das metas do trabalho do professor.

Quem faz?
O professor ou os professores da mesma disciplina e os alunos.

Como fazer?
De acordo com dados diagnósticos; De modo participativo entre os interessados: professores e alunos. Se os alunos não puderem participar no primeiro momento, que sejam consultados, ou apresentado aos mesmos o plano, para que eles indiquem sugestões, tornando o instrumento real.

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Características do Planejamento

Didática

Adequação à realidade O diagnóstico dará condições a esta qualidade: avaliação constante desde o primeiro momento para reestruturar sempre que necessário.

Exeqüibilidade O plano deve ser real, concreto, realizável, a ponto de ser possível executá-lo integralmente, dentro das condições previstas. Não se concebe um trabalho burocrático apenas para apresentar aos superiores ou para constar de exigências outras. Flexibilidade O planejamento é concebido com dinamismo próprio, de natureza dialética. Posto isto, a avaliação constante e permanente deve permear todo processo para que sejam efetuadas estruturações desejadas. Não se concebe algo estático, imutável.

Fases do Processo de Planejamento
Preparação Previsão de todas as etapas que concorrem para assegurar a sistematização do trabalho docente, visando o alcance do objetivo do ensinar, que é o aprender. Desenvolvimento Execução do plano onde o professor e o aluno são o alvo desta atuação, visando sempre o ato de ensinar e o ato de aprender. Aperfeiçoamento A avaliação deve estar presente desde o primeiro momento, tomando maior corpo no final do processo, no sentido de análise sistemática dos resultados, proporcionando reestruturação do planejamento, caso os objetivos não tenham sido alcançados. Preparar bem o trabalho docente significa apenas elaborar um bom plano? Junto a um plano eficiente, estarão envolvidos outros componentes que vão do preparo do professor quanto ao domínio do conteúdo à sua postura enquanto educador, ao seu compromisso como cidadão, à sua metodologia, às relações que ocorrem na sala de aula com seus alunos. Logo, a questão do planejamento não pode ser entendida de modo desvinculada da realidade, da competência técnica e do compromisso político do educador e ainda das relações entre escola, educação e sociedade.

Tipos de Planejamento
Plano de curso O plano de curso é a previsão para o professor em geral do trabalho a ser realizado no ano letivo.

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Plano de unidade O plano de unidade constitui parte do plano de curso. Cabe ao professor dividir racionalmente, o conteúdo programático em unidades, tendo em vista o assunto e o método de ensino a ser usado. A realização dos objetivos de cada unidade deverá possibilitar o alcance dos objetivos previstos no plano de curso. Plano de aula O plano de aula é a previsão de atividades que professor e alunos devem realizar durante o período escolar diário. Apesar do plano de unidade deixar bem claro o conteúdo que será desenvolvido, as atividades, o material didático, o plano de aula é indispensável. O professor tem necessidade de refletir sobre o sentido de cada aula, seus objetivos imediatos, rever seu conteúdo, conferir o material a ser utilizado. As aulas constituem-se de um conjunto significativo divididos em partes proporcionais, com início, meio e fim; podem comportar com conteúdo de uma subunidade, parte dela ou de uma unidade, dependendo da extensão dessa e do período de aula. Os planos de aula deverão ser sempre flexíveis.

Plano de disciplina e as etapas para sua construção:

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Conhecimento da realidade (Sondagem) É tentar conhecer a fundo uma situação concreta e real sobre qual situação se deve atuar. Esse procedimento dá condição de realizar um diagnóstico de todos os fatores que interfiram, positiva ou negativamente, sobre o comportamento de seus alunos e possibilita também professor e aluno se

Didática
conhecerem.

Elaboração dos objetivos Os objetivos indicam as linhas, os caminhos e os meios para toda a ação. A partir do conhecimento da realidade escolar e da realidade da clientela, o primeiro passo a ser dado no processo de planejamento é definir os objetivos gerais e específicos das disciplinas.

Características dos objetivos:
clareza – é fundamental e necessária para que o objetivo se torne algo concreto, inteligível e possível de ser trabalhado e avaliado. Deve ter clareza na sua expressão, comunicação, elaboração e construção; simplicidade – é uma exigência da própria realidade concreta dos alunos, dos professores e das escolas não deixando de transmitir as profundas idéias e os mais importantes valores; validade – quando os objetivos são válidos e útil de forma explícita e clara, demonstrando consistência e profundidade no seu contexto e conteúdo; operacionalidade – é algo que se quer alcançar através de uma agir possível, concreto e viável; observável – quando no final da ação pode-se perceber os resultados podendo ser verificado em longo, médio ou curto prazo.

Os níveis dos objetivos podem ser:
gerais – amplos e abrangentes (observáveis a longo prazo); específicos – são concretos e delimitados (observáveis a médio e a curto prazo); operacionais – torna o específico mais completo e detalhado, para ser mais bem trabalhado e avaliado.

Seleção e organização dos conteúdos Devem ser significativos e realistas para serem trabalhados em sala de aula.

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Critérios para seleção e organização:

significação: deve condizer com a realidade pessoal, social e cultural do aluno e expressar
os verdadeiros valores existenciais;

adequação às necessidades sociais e culturais: os conteúdos devem refletir os
amplos aspectos da cultura, tanto no passado, quanto no presente e possibilidades futuras, atendendo as necessidades sociais e individuais do aluno;

interesse: validade: utilidade:

deve refletir os interesses dos alunos e resolver os seus problemas; é necessário selecionar conteúdos que sejam válidos para toda vida do indivíduo; levar a atender diretamente o problema do uso posterior do conhecimento em novas situações;

possibilidade de reelaboração: possibilita ao aluno realizar elaborações e aplicações
pessoais a partir daquilo que aprendeu;

flexibilidade: os conteúdos devem ser estabelecidos de maneira flexível possibilitando
alterações se for necessária.

Operacionalização dos conteúdos Seleção dos recursos Os recursos servem para despertar o interesse, provocar discussão e debates que auxilia o professor e o aluno na interação do processo ensino-aprendizagem. Seleção e procedimento da avaliação Os instrumentos e os meios para avaliação devem ser adequados aos objetivos e que atendam as condições intelectuais, emocionais e as habilidades psicomotoras dos alunos, é fundamental que os alunos possam verificar e perceber com clareza o porquê das avaliações, como serão avaliados e quais critérios serão utilizados na avaliação da sua aprendizagem.

Planejamento de Ensino e interdisciplinaridade: um processo integrador entre educação, escola e prática docente
Atualmente, na prática pedagógica, o processo de planejamento do ensino tem sido objeto de constantes questionamentos quanto à sua validade como efetivo instrumento de melhoria qualitativa do trabalho do professor. Os motivos das indagações são diversos, mostrando-se em diferentes níveis na prática do educador.

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Com o cotidiano escolar, percebe-se, de início, que os objetivos educacionais propostos nos currículos dos cursos apresentam-se confusos e desvinculados da realidade social. Os conteúdos trabalhados são definidos autoritariamente, sem a participação dos professores na escola. Desse modo, Didática podem apresentar-se sem elos significativos com as experiências de vida dos alunos, seus interesses e necessidades. Observa-se, também, que os recursos disponíveis para melhora dos trabalhos didáticos são utilizados de forma inadequada, usada simplesmente para ilustração de aulas, ou seja, professor utiliza a metodologia de transmissão de conhecimentos, sem espaço para discussão ou debates dos conteúdos. Dessa maneira, o aluno torna-se mais passivo que ativo, bloqueando sua criatividade e liberdade de questionar. Sendo assim, o planejamento do ensino tem-se apresentado como desvinculado da realidade social, caracterizando-se como uma ação mecânica e burocrática do professor, contribuindo pouco para levantar a qualidade da ação pedagógica desenvolvida no meio escolar.

Para refletir...
Ao fazer referência ao planejamento de ensino no âmbito escolar, passa-se a idéia de um processo onde são definidos os objetivos, o conteúdo programático, os procedimentos de ensino, os recursos didáticos, a sistemática de avaliação da aprendizagem, bem como a bibliografia básica a ser utilizada no decorrer de um curso ou disciplina de estudo. Logo, este é o planejamento padrão utilizado pela maioria dos professores que valorizam a eficiência do ensino desenvolvido pela educação tecnicista.

Considerando que o processo de planejamento visto sob uma perspectiva crítica de educação para transformação passa a extrapolar a simples tarefa de se elaborar um documento contendo todos os componentes tecnicamente recomendáveis. Planejamento: ação pedagógica essencial O planejamento dirigido para uma ação pedagógica crítica e transformadora, possibilitará ao educador maior segurança para lidar com a relação educativa que ocorre na sala de aula e na escola em geral. Sendo assim, o “planejamento adequado” e seu resultado “o bom plano de ensino”, se traduzirá pela ação pedagógica direcionada de forma a se integrar dialeticamente ao concreto do educando, visando transformá-lo. Segundo SAVIANI (1984, p.9), a escola existe “para propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como o próprio acesso aos rudimentos desse saber”. Os conteúdos que formam esse saber elaborado não poderão ser visto de maneira estática e acabado, uma vez que são conteúdos dinâmicos,

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articulados dialeticamente com a realidade histórica. Desse modo, além de transmitir a cultura acumulada, ajuda na elaboração de novos conhecimentos. A concepção de produzir conhecimentos significa refletir constantemente sobre os conteúdos aprendidos, procurando analisá-lo por diversos ângulos, para desenvolver a curiosidade científica de investigação da realidade. O planejamento do ensino não poderá ser visto de forma mecânica, separada das relações entre escola e realidade histórica. Sendo assim, os conteúdos trabalhados precisam estar relacionados com a experiência de vida dos alunos. Esta relação torna-se condição necessária para que ocorra a transmissão de conhecimentos e sua reelaboração, visando à produção de novos conhecimentos. Esta reelaboração consiste em aplicar os conhecimentos aprendidos sobre a realidade com o objetivo de transformá-la. Observa-se que a tarefa de planejar passa a existir como uma ação pedagógica essencial ao processo de ensino, ultrapassando sua concepção mecânica e burocrática no desenvolvimento do trabalho docente.

Planejamento do ensino: um processo integrador entre escola e contexto social.

Uma nova alternativa para um planejamento de ensino globalizante seria a ação resultante de um processo que integre escola e contexto social, consistida de forma crítica e transformadora. Sendo assim, as atividades educativas seriam planejadas tendo como objetivo a problemática sociocultural, econômica e política do contexto onde a escola está inserida. Por essa ótica, o planejamento estaria visando à transformação da sociedade, buscando tornar as classes mais justa e igualitária. Esta proposta basea-se nos princípios do planejamento participativo, caracterizado pela união de todos os segmentos da atividade humana com atitudes globalizantes procurando resolver problemas comuns.

De acordo com a etimologia da palavra, participação origina-se do latim “participatio” (pars + in + actio) que significa ter parte na ação.

Observa-se que, esta forma de ação, propicia uma relação entre pessoas que discutem, decidem, executam e avaliam atividades propostas coletivamente. Logo, a partir desta convivência, o processo educativo passa a desenvolver mais facilmente seu papel transformador, provocando a discussão, a reflexão, o questionamento, conscientizando as pessoas dos problemas coletivos, despertando-as a lutar para melhorar sua condição de vida.

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Você sabia ?
Didática
De acordo com SNYDERS, (1974), os alunos possuem uma experiência que não deve ser ignorada pela escola, como experiências de situações de vida, relações pessoais, como também, uma gama de informações e conhecimentos, embora de forma fragmentada e dispersa. Dessa maneira, a identificação dos temas ou problemas de interesse do educando constitui fator importante na escolha do material, da realidade a ser estudada no decorrer do processo de ensino.

O resultado desse primeiro momento do planejamento seria um diagnóstico sincero da realidade concreta do educando, desenvolvida de forma consciente e comprometida com seus interesses e necessidades. Portanto, a escolha dos objetivos a serem alcançados, a sistematização do conteúdo programático e a situação dos procedimentos de ensino a serem utilizados, consistem ações necessárias para a segunda etapa do planejamento. Vale salientar que um processo de ensino transformador não poderá deixar-se guiar por objetivos que visam somente a simples aquisição de conhecimentos. Logo, na definição dos objetivos, será necessário a especificação dos diferentes níveis de aprendizagem a serem atingidos.

Paulo Freire (1987) diz: se educadores e educandos exercessem o poder de produzir novos conhecimentos a partir dos conteúdos impostos pelos currículos escolares, estariam realmente concretizando seu poder de contribuir para a transformação da sociedade. Porquanto, a organização dos conteúdos estará intimamente relacionada com o objetivo maior da educação escolar, que é proporcionar a obtenção do saber sistematizado (ciência), tido como instrumento fundamental de libertação do homem (SAVIANI, 1984).

Partindo do princípio de que a reelaboração e produção dos conhecimentos visam a aprendizagem em diferentes níveis, a norma utilizada na escola dos procedimentos de ensino será a criatividade. O trabalho do educador neste momento será, articular uma metodologia de ensino que se caracterize pela variedade de atividades que estimulem a criatividade dos educandos, sendo a participação dos alunos de grande relevância. Desse modo, a avaliação nessa visão de planejamento, onde valoriza a criatividade dos alunos, terá o caráter de acompanhamento desse processo, num julgamento conjunto de educadores e educandos. A preocupação deverá ser com a qualidade da reelaboração e produção de conhecimentos empreendida por cada educando e não na quantidade de conteúdos assimilados. Contudo, como a educação pretendida através da ação, o planejamento deverá ser integrador em toda a sua extensão. A partir daí, é que proporcionará um ensino voltado para a formação crítica, questionadora e atuante. Diante do exposto, concebe-se que a visão de planejamento do ensino aqui demonstrada, justifica-se pelo fato de que, como a educação, a ação de planejar não pode ser encarada como uma atividade neutra. Por outro lado, a opção do educador por um ensino crítico e transformador só se concretizará através de uma sistemática de planejar seu trabalho de forma participativa e problematizadora, que permita dar oportunidade aos

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educandos de reconstruir os conteúdos do saber sistematizados e produzir novos conhecimentos. Portanto, o professor deverá utilizar o planejamento de ensino como uma ação pedagógica consciente e comprometida com a totalidade do processo educativo transformador, o qual, emergido do social, a ele retorna numa ação dialética. Planejamento de ensino e interdisciplinaridade O planejamento elaborado e executado numa perspectiva interdisciplinar proporciona a integração entre disciplinas “devolvendo a identidade das mesmas fortalecendo-as” e evidenciando uma mudança de postura na prática pedagógica, num processo que pode ir da simples comunicação de idéias até a união recíproca de finalidades, objetivos, conceitos, conteúdos, terminologia, procedimentos, dados e formas de organizá-los e sistematizá-los no processo de elaboração do conhecimento. Tal atitude embasa-se no reconhecimento da provisoriedade do conhecimento, no questionamento constante das próprias posições assumidas e dos procedimentos adotados, no respeito à individualidade e na abertura à investigação em busca da totalidade do conhecimento. Refere-se à criação de movimentos que propiciem o estabelecimento de relações entre as mesmas, tendo como ponto de convergência a ação que se desenvolve num trabalho cooperativo e reflexivo. Assim, alunos e professores, sujeitos de sua própria ação, se engajam num processo de investigação, redescoberta e construção coletiva de conhecimento. Ao compartilhar idéias, ações e reflexões, cada participante é, ao mesmo tempo, “ator” e “autor” do processo.

Mais... Saiba Mais...
A interdisciplinaridade é a reunião das contribuições de todas as áreas do conhecimento. É um termo que não tem significado único, possui diferentes interpretações, mas em todas elas está implícita uma nova postura diante do conhecimento, uma mudança de atitudes em busca da unidade do pensamento. Desta forma, a interdisciplinaridade difere da concepção de pluridisciplinaridade ou multidisciplinaridade, as quais apenas justapõe conteúdos. A partir desses referencias, é importante que os conteúdos das disciplinas sejam vistos como instrumentos culturais, necessários para que os alunos avancem na formação global e não como fim de si mesmo.

A interdisciplinaridade favorecerá que as ações se traduzam na intenção educativa de ampliar a capacidade do aluno de expressar–se através de múltiplas linguagens e novas tecnologias; posicionar-se diante da informação; interagir de forma crítica e ativa com o meio físico e social. Concebemos, então, a interdisciplinaridade como campo aberto para que, de uma prática fragmentada por especialidades, possa-se estabelecer novas competências e habilidades através de uma postura pautada em uma visão holística do conhecimento e uma porta aberta para os processos transdisciplinares. Tem-se então o desafio de assegurar a abordagem global da realidade, através de uma perspectiva holística, transdisciplinar, onde a valorização é centrada não no que é transmitido e sim no que é construído. Assim, a prática interdisciplinar se envolve no processo de aprender a aprender.

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Didática

1.

2.

Com base nos estudos e pesquisas feito no decorrer do módulo, construa um plano de disciplina.

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1.2 Objetivo específico: 1.1 Objetivo geral:

Colégio: Coordenação Pedagógica: Disciplina: Prof.:

1.Finalidade

Conforme o que foi estudado, construa um plano de aula. Segue exemplo abaixo.

2.Conteúdo

[

3.3 Conclusão 3.2 Desenvolvimento
3.Método (introd. desenvimento e conclusão)

3.1Introdução
PLANO DE AULA

TRABALHAR

Agora é hora de

4.Recursos materias

5. Avaliação 6.Bibliografia 7.Observações

]

AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM
Como avaliar? O que é avaliar? Por que avaliar? Para que avaliar? Com o que avaliar? Quem avaliar?

Fazendo uma retrospectiva sobre seu processo de formação, você lembra como era avaliado? Concorda com os meios que eram utilizados? Qual a sua visão atual sobre a avaliação, fazendo um paralelo da sua época com a atual, será que houve mudanças?

Para refletir...
Esses e outros questionamentos importam para que o educador, enquanto profissional da educação, oportunize com clareza o ato de avaliar, numa ação coerente com a realidade escolar na qual está inserido, sendo ele, o avaliador e o avaliado, pois, sua prática pedagógica demonstra sua flexibilidade ou rigidez diante do fator principal na educação que é a realidade. O que devemos compreender é que a avaliação deve estar coadunada com a realidade do educando e da escola, assim sendo, o processo de ensino-avaliado da aprendizagem demonstrará sucesso.

Processo Histórico da Avaliação
Para abordarmos esse tema na contemporaneidade, é necessário fazermos uma viagem no processo histórico educacional, descobrindo o ponto inicial e/ou surgimento da avaliação para que tenhamos clareza e compreensão do porque o processo avaliativo “aterroriza” os indivíduos quando avaliados. Ao estudarmos o bloco temático 2, podemos verificar o surgimento das tendências pedagógicas dos séculos passados num processo de cristalização da sociedade burguesa. A pedagogia jesuítica nas normas para orientação dos estudos das escolas nas classes

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inferiores ou superiores definiam com rigidez os procedimentos a serem levados em conta no ensino eficiente preferenciando provas e exames. A pedagogia Comeniana desenvolveu-se insistindo na atenção especial que deve dar a educação como centro de interesse da ação do professor, Didática mas não abstrai também do uso dos exames como meio de estimular os alunos ao trabalho intelectual da aprendizagem. Ele dizia que o aluno não deixaria de se preparar para os exames finais do curso superior se soubesse que o exame para colocação de grau seria “pra valer”. Segundo ele, o medo é um excelente fator para manter a atenção dos alunos, então, os mesmos aprenderiam facilmente, sem fadiga e em menos tempo. Estamos mergulhados nos processos econômicos, sociais e políticos sob a hegemonia da pedagogia tradicional da sociedade burguesa que insurgiu e enraizou-se traduzindo a sua essência. Com o passar do tempo, a sociedade burguesa melhorou seus mecanismos de controle destacando a seletividade escolar e seus processos de formação das personalidades dos educandos. O medo e o fetiche são mecanismos indispensáveis numa sociedade que opera nos subterfúgios. Ao longo da história de educação moderna e de nossa prática educativa, a avaliação da aprendizagem escolar por meio de exames e provas foi se tornando um fetiche ganhando foros de independência da relação professor-aluno. As provas e os exames são realizados conforme o sistema de ensino e o interesse do professor. Muitas vezes, não considerando o que foi ensinado como se nada tivesse a ver com a aprendizagem. O medo é um fator importante no processo de controle social, pois gera a dependência, modos permanentes e petrificação de ações.

O medo está ligado ao desconhecido. Ele é gerado pelo pensamento que quando não está certo de estar seguro o projeta gerando submissão.

O castigo é um instrumento gerador do medo. Hoje sendo utilizado de forma mais sutil – o psicológico. A ameaça (previamente) é um tipo de castigo psicológico e as nossas instituições de ensino adotam esse tipo de avaliação da aprendizagem. A pedagogia do exame traz conseqüências: pedagógicas, psicológicas e sociológicas.

1
A conseqüência pedagógica centralizada nas provas e exames, deixa de cumprir a sua real função, que seria auxiliar a construção da aprendizagem de forma satisfatória secundarizando, assim, o significado do ensino.

Na conseqüência psicológica, a sociedade, através do sistema de ensino e dos professores, desenvolve formas de ser da personalidade dos indivíduos que aceitam as suas imposições, utilizando a avaliação da aprendizagem de modo fetichado porque tem utilidade para desenvolver a autocensura, que é a forma como os padrões externos cerceiam os sujeitos, sem que a coerção externa continue a ser exercitada.

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3
Na conseqüência sociológica, a sociedade é estruturada em classes e, portanto, de modo desigual, logo a avaliação pode ser posta sem dificuldade a favor da seletividade, assim a avaliação está mais articulada com a reprovação do que com a aprovação.

No Brasil a avaliação da aprendizagem está a serviço de uma pedagogia dominante que serve a um modelo social dominante, podendo ser identificado como social liberal conservador, originado da estratificação dos empreendimentos transformadores que culminou na Revolução Francesa. As pedagogias hegemônicas, que se definiram historicamente nos períodos subseqüentes à Revolução, estiveram e ainda estão a serviço desse modelo social. Concomitantemente, a avaliação educacional em geral e a aprendizagem em específico, contextualizada dentro dessas pedagogias estão instrumentalizadas pelo mesmo entendimento teórico prático da sociedade. A prática da avaliação escolar, dentro do modelo liberal conservador, obrigatoriamente será autoritária, exigindo controle dos indivíduos, seja pela utilização de coações explícitas ou por diversas modalidades de propaganda ideológica. Enquanto a avaliação permanecer atrelada a uma pedagogia ultrapassada, a desistência ao estudo permanecerá e o aluno, o cidadão, o povo brasileiro continuará escravo de uma elite intelectual, voltada para os valores da matéria e ditadura, fruto de uma democracia opressora.

Avaliação Educacional no Contexto Autoritário
Você tem idéia de como se processa uma avaliação autoritária?

Pode-se caracterizar a avaliação como um juízo da qualidade do objeto avaliado, implicando em tomada de posição a respeito do mesmo, para aceitá-lo ou transformá-lo. Segundo Luckesi, (1978), a avaliação é definida como: um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão. Após afirmativa de Luckesi, faremos uma análise dessa frase. É preciso compreender que a frase exprime três elementos que oportunizam uma prática escolar baseada em atos arbitrários e autoritários. Contudo, dentre os três, um tem maior poder de impacto possibilitando ao professor enquanto “detentor” do conhecimento utilizar em suas ações educacionais um tipo de avaliação que lhe dê uma maior autoridade.

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Salienta-se a importância de conhecer conceitos acerca da avaliação do ponto de vista de outros autores:

Didática

a avaliação educativa é um processo complexo, que começa com a formulação de objetivos e requer a elaboração de meios para obter evidencia de resultados, interpretação dos resultados para saber em que medida foram os objetivos alcançados e formulação de um juízo de valor.(Sarrabbi, 1971). é um processo contínuo, sistemático, compreensivo, comparativo, cumulativo, informativo e global, que permite avaliar o conhecimento do aluno.(Juracy C. Marques, 1956). a avaliação significa a uma dimensão mensurável do comportamento em relação a um padrão de natureza social ou científica. (Bradfield e Moredock, 1963).

Conforme os conceitos acima expressos, ficou evidenciado que os autores consideram-na como um processo e não como condição que produz dinamismo à prática escolar, pois diagnóstica uma situação e permite modificá-la de acordo com as necessidades detectadas. Pode-se também relacionar como dificuldade a ausência de orientação na elaboração de um programa de avaliação. Enquanto a avaliação estiver voltada para o aluno, sem haver um despertamento, uma conscientização para as necessidades de uma nova metodologia e uma inclusão da própria escola neste processo, a qualidade do ensino permanecerá comprometida.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de se questionar: O que deve ser avaliado? Quando fazer a avaliação? Quem deve fazer a avaliação? Que instrumental pode ser usado para coletar e registrar informações? O que se pode fazer com as informações obtidas?

Porquanto, uma vez contestado este fator, passamos a ter professores e a escola no papel de investigadores da melhor situação para avaliar, as mais eficientes formas de coleta e sistematização dos dados, sua compreensão e utilização além do processo mais eficiente de capacitação dos professores em avaliação. Segundo Bloom, a avaliação escolar está pautada em modalidades de avaliações que são seguidas na prática docente por profissionais de educação. Modalidades de avaliação Quais os tipos de avaliação que você conhece? Você recorda com que tipos de avaliação lhe avaliaram no decorrer do seuprocesso de construção do conhecimento?

Avaliação Diagnóstica Visa determinar a presença, ou ausência, de conhecimentos e habilidades, inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. Permitindo

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averiguar as causas de repetidas dificuldades de aprendizagem. Normalmente se faz quando o aluno chega à escola, em geral no início do ano letivo, durante as primeiras semanas para observar e conhecer características relevantes do aluno; chegada de novo aluno para saber onde enturmá-lo e como recuperar a falta de base ou de pré-requisitos; no início de cada unidade para provocar interesse pelo tema e identificar o que já sabem sobre o assunto. Podendo ser feita em qualquer momento que o professor ou a escola detectarem problemas graves de aprendizagem, motivação e aproveitamento. Alunos e professores, a partir da avaliação diagnóstica de forma integrada, reajustarão seus planos de ação fazendo uma reflexão constante, crítica e participativa.

Como avaliar diagnosticamente?

* * * * * *

Entrevistas com alunos, ex-professores, orientadores, pais e familiares; Exercícios ou simulações para identificar colegas com quem o aluno se relaciona melhor; Consulta ao histórico escolar/ficha de anotações da vida escolar do aluno; Observações dos alunos, particularmente durante os primeiros dias de aula; Questionários, perguntas e conversa com alunos; Testes padronizados (tipo prontidão, ritmo de leitura e nível de conhecimento de línguas).

Avaliação Formativa ou Processual É realizada com o propósito de informar o professor e o aluno sobre o resultado da aprendizagem, durante o desenvolvimento das atividades escolares. Localiza deficiências na organização do ensino-aprendizagem de modo a possibilitar reformulações no mesmo e assegurar o alcance dos objetivos. É denominada formativa porque demonstra como os alunos estão se modificando em direção aos objetivos. A avaliação formativa ou processual pode ser feita de maneira contínua e informal, no dia-a-dia da sala de aula, e pode também ser feita em oportunidades regulares, incluindo o uso de instrumentos mais formais como sabatinas, testes, provas, apresentações de relatórios de trabalhos, competições e jogos.

Quando realizar e como avaliar?

* * *

Diariamente: ao rever os cadernos, o dever de casa, fazer e receber perguntas, observar o desempenho dos alunos, nas diversas atividades de classe; Ocasionalmente: por meio de provas ou outros instrumentos, mais ou menos formais, para aferir a aprendizagem e outros desempenhos dos alunos; Periodicamente: utilizando testes ao final de cada sub-unidade, unidade, projeto, bimestre ou semestre.

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Para que av aliar? ara av

Didática

* * *

Para corrigir rumos, rever, melhorar, reformar, adequar o ensino de forma que o aluno atinja os objetivos de forma de aprendizagem; Obter as evidências que descrevem o evento que nos interessa; Estabelecer critérios e os níveis de eficiência para comparar os resultados.

Avaliação Somativa É uma decisão que leva em conta a soma de um ou mais resultados. Normalmente refere-se a um resultado final – uma prova final, um concurso, um vestibular. Nas escolas, de um modo geral, a avaliação somativa é a decisão tomada no final do ano para deliberar sobre a promoção de alunos. É usada, tipicamente, para tomar decisões a respeito da promoção ou reprovação dos alunos que não obtiveram êxito no processo de ensino-aprendizagem.

av Como avaliar?
Existem três formas mais usadas de avaliação somativa:

* * *

uma prova ou trabalho final; uma avaliação baseada nos resultados cumulativos obtidos ao longo do ano letivo; uma mistura das duas formas acima.

Avaliação Educacional para Humanização

Ser mestre é educar, e educação é sinônimo de: fé, amor, sabedoria, ação, participação, construção, transformação, problematização, criação e realização.

(Ilza Martins Santanna, 1995).

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A avaliação educacional em geral e a avaliação da aprendizagem escolar em específico são meios e não fins em si mesmas, estando deste modo delimitadas pela teoria e prática que as circunstancializam . Entende-se que a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico do mundo e da educação, traduzido em prática pedagógica. A atual prática da avaliação escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação. Esta se constitui num instrumento estático e frenador do processo de crescimento. Esse fato se revela com maior força no processo de obtenção de médias de aprovação ou médias de reprovação. Para um verdadeiro processo de avaliação, não interessa a aprovação ou reprovação de um educando, mas sim sua aprendizagem e, conseqüentemente, o seu crescimento. O ideal de avaliação na prática pedagógica escolar é a com função diagnóstica, ela constitui-se no momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação, do crescimento para a autonomia e competência e habilidades, portanto, ser inclusiva, enquanto não descarta, não exclui, mas sim convida para a melhoria, visando a transformação do indivíduo conseqüentemente da sociedade. Essa prática não significa menor rigor na prática da avaliação, mas um rigor técnico e científico. Nesta visão, garante ao professor um instrumento mais objetivo de tomada de decisão. Em função disso, sua ação poderá ser mais adequada e mais eficiente na perspectiva da transformação, pois “avaliar é movimento, é ação e reflexão”.

Para refletir...
sou, és, Eu sou, tu és, nós somos humanos!

Verificação ou Avaliação
Nesse texto, far-se-á uma análise crítica da prática avaliativa, identificando-a com o conceito de verificação ou avaliação dando possibilidades de encaminhamentos coerentes e consistentes acerca do assunto. Verificação surge do latim: verum facere – e significa “fazer verdadeiro”. O processo de verificar configura-se pela observação, obtenção, análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o processo ou ato com o qual se está trabalhando. Já a avaliação, também se origina do latim: a-valere que quer dizer “dar valor a...”. Esse ato implica coleta, análise e síntese dos dados que configuram o objeto da avaliação, acrescido de uma atribuição de valor ou qualidade. Verificação e avaliação da aprendizagem representam dois aspectos do mesmo fenômeno, que é o de saber como se está efetuando a aprendizagem comportamental do educando e resultante do processo ensino-aprendizagem.

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Didática

Avaliação é o processo de ajuizamento, apreciação, julgamento ou valorização do que o educando revelou ter apreendido durante um período de estudo ou de desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Sendo assim, não pode haver avaliação, sem que antes tenha havido verificação. Verifica-se antes de avaliar.

Verificação é um processo de constatação, de contagem; logo, é um processo quantitativo. É a fonte que fornece dados a respeito da aprendizagem efetivada pelo educando. Na prática do aproveitamento escolar, os professores realizam, basicamente, os seguintes procedimentos: medida do aproveitamento escolar, transformação da medida em nota ou conceito e utilização dos resultados identificados.

Medida do aproveitamento escolar A medida é uma forma de comparar grandezas, tomando uma como padrão e outra como objeto a ser medido, tendo como resultado a quantidade de vezes que a medida padrão cabe dentro do objeto medido. Nas instituições, os resultados da aprendizagem são obtidos, de início, pela medida, variando a especificidade e a qualidade dos mecanismos e dos instrumentos utilizados para obtê-la. Os professores utilizam como padrão de medida o acerto de questões e a medida dá-se com a contagem dos acertos do educando sobre um conteúdo, dentro de um certo limite de possibilidades equivalente à quantidade de questões que possui o teste, prova ou trabalho dissertativo. Em um teste com dez questões, o padrão de média é o acerto e a extensão máxima possível de acertos é dez. Em dez acertos possíveis, um aluno pode chegar ao limite máximo dos dez ou a quantidades menores. A medida da aprendizagem do educando está relacionada à contagem das respostas certas que lançadas sobre um determinado conteúdo que se esteja desenvolvendo. Normalmente, na prática escolar, os acertos nos testes, provas ou outros meios de coleta dos resultados da aprendizagem são transformados em “pontos”, o que não altera o caráter de medida. Logo, o padrão de medida passa a ser pontos. A cada acerto corresponderá um número de pontos previamente estabelecidos. Os professores, em suas aulas, para coletar os dados e proceder à medida da aprendizagem dos educandos, apropriam-se de instrumentos que variam da observação até sofisticados testes, gerados segundo normas e critérios técnicos de elaboração e padronização.

Mais... Saiba Mais...
Após leitura e compreensão do texto, cabe questionar se o processo de medir utilizados pelos professores na sua prática, tem as qualidades de uma verdadeira medida.

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Transformação da medida em nota ou conceito Nessa conduta, o professor no aproveitamento escolar utiliza a conversão da medida em nota ou conceito. A transformação dos resultados medidos em nota ou conceito ocorrerá através de estabelecimento de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos obtidos pelos educandos e uma escala anteriormente definida de notas ou conceitos. Exemplo: o resultado MS = Médio Superior; SS = Superior; ME = Médio; MI = Médio Inferior; IN =
Inferior e SR = Sem rendimento ou Muito Bom, Bom, Regular, Inferior e Péssimo.

Para compreender como se dá esse processo: para uma prova de dez questões, a correspondência a cada questão vale um décimo da nota máxima, que seria dez. Logo, um aluno que acertou oito questões obtém nota oito. A transformação de acertos em conceitos poderia ser feita na seguinte forma: SR (sem rendimento) = nenhum acerto; IN (inferior) =
um ou dois acertos; MI (médio inferior) = três ou quatro acertos; ME (médio) = cinco ou seis acertos; MS (médio superior) = sete ou oito acertos; SS (superior) = nove ou dez acertos.

Notas e conceitos, em princípio, anunciam a qualidade que se atribui à aprendizagem do educando, medida sob a forma de acertos ou pontos. No caso das notas, a média é facilitada pelo fato de estar operando com números, transformando indevidamente símbolos qualitativos em quantitativos; no caso dos conceitos, a média é obtida após a conversão dos conceitos em números. Exemplo: S representa a nota dez e MS à nota oito.

Na sua opinião é cabível a transposição da avaliação qualitativa para a quantitativa?
Utilização dos resultados
Nesse momento com o resultado em mãos, o professor tem diversas possibilidades de utilizá-lo, tais como: registrar simplesmente num diário de classe ou caderneta de alunos; atentar para as dificuldades e desvios da aprendizagem do educando, ajudando a superar na construção efetiva da aprendizagem; oferecer ao educando, caso ele tenha obtido uma nota ou conceito inferior, uma “oportunidade” de melhorar a nota ou conceito. Se o educando possui uma nota ou conceito de reprovação diante dos dados verificados, poderá ocorrer simplesmente um registro no diário ou ele terá uma “oportunidade” para melhorar seu conceito. Porém, não é para que o educando estude a fim de aprender melhor, mas estude “tendo em vista a melhoria da nota”.

Estudar para melhorar a nota, não possibilita uma aprendizagem efetiva?
Quanto a estar atento às dificuldades do educando, esta não tem sido conduta habitual dos educadores nas escolas, normalmente preocupam-se com a aprovação ou reprovação do indivíduo. E nas ocasiões em que se possibilita uma revisão dos conteúdos é para “melhorar” a nota do educando e, conseqüentemente, aprová-lo.

49

Propõe-se que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educandos, tendo por fim seus aspectos essenciais e, como objetivo, uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e, concomitantemente, o Didática desenvolvimento do educando. É importante que tanto a prática educativa como a avaliação sejam direcionadas com um determinado rigor científico e técnico, para que se tornem um instrumento subsidiário e significativo em prol do desenvolvimento do educando.

[
1.

Agora é hora de

TRABALHAR

]

Escolha uma série do ensino fundamental das séries iniciais, selecione um conteúdo da disciplina que desejar e crie uma avaliação com 05 (cinco) questões, sendo que (02) duas com questões subjetivas e (03) três com questões objetivas. Não esqueça de colocar os critérios avaliativos.

50

2.

Após estudo acerca da avaliação e reflexão do texto abaixo, produza um texto com duas páginas no mínimo, apontando qual a melhor forma de se avaliar para se obter uma aprendizagem satisfatória do conhecimento.

PORTAS
Se você abre a porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o medo, e entra, dá um grande passo: Nesta sala vive-se. Mas também tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes, quebra-se a cara; às vezes, curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual a porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos Quando com eles se aprende. Não existe a segurança de acerto eterno. A vida é generosa. A cada sala que se vive, descobrem-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassa a porta, terá sempre a mesma porta pela frente e a repetição perante a criação, e a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, e a estagnação da vida. Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens...

Içami Tiba

3.

A avaliação é um assunto muito polêmico no meio acadêmico. O como avaliar é historicamente marcado pela pedagogia utilizada pelos jesuítas no início da história da Didática, antes já visto no bloco 1. Hoje, vários teóricos trazem novas perspectivas sobre o ato de avaliar. Então, pesquise um téorico que demonstre nos seus estudos esta nova perspectiva.

51

Didática

Após informações acerca do assunto Planejamento de Ensino, vamos agora, sistematizar esses conhecimentos. Faça uma dissertação com o tema “O planejamento como ato político pedagógico” É necessário estar bastante evidente na dissertação, como e porquê o planejamento é um ato político pedagógico.

4.

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Orientada
Etapa

Atividade

1 2 3

Refletindo sobre a história da didática, faça um diagnóstico da educação do período moderno, seus pontos positivos e negativos. Construa um quadro comparativo.

Etapa

Dando continuidade à primeira etapa, construa um texto fazendo um paralelo com a educação atual.

Etapa

Desenvolva uma proposta sobre suas perspectivas de uma educação futura e sua atuação como educadora dentro de um processo didático transformador.

53

Glossário
Didática

FETICHE - como uma “entidade” criada pelo ser humano para satisfazer uma necessidade, mas que se torna independente dele e o domina universalizando-se. LAICIDADE – deriva-se de laico que significa leigo. DICIONÁRIO COMPACTO DA LÍGUA PORTUGUESA, (com as regras do jogo do dicionário). Editora Rideel Ltda. PANSOPHIA – Ciência Universal; todo o saber. BIOGRAFIA DE COMMENIUS. Disponível em: [http://www.novaescola.com.br/index.htm/ed 166_out03/html]. Acesso em 02. jan. 2004. RATIO STUDIORUM – Manual de ensino que os jesuítas utilizavam para catequizar os índios. A DIDATICA. Disponível em: [www.pedroarrupc.com.Br/glossarioltm-71k]. Acesso em 02 jan.2004

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Bibliográficas
ANTUNES, Celso. A avaliação da aprendizagem escolar. 2 ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2002. ARRANHA, Maria Lúcia. Filosofia da educação. 2 ed. São Paulo: Editora Moderna Ltda. 1996. CANDAU, Vera Maria (Org.) Rumo a uma nova didática. 2 ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1993. _______________. A didática em questão. 5 ed. Petrópolis. RJ: Editora Vozes, 1998. _______________. Didática currículo e saberes escolares. Santa Teresa, RJ: DP&A Editora, 2000. _______________. A didática em questão. 11 ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1983. BIOGRAFIA DE COMMENIUS. Disponível em: [http://www.novaescola.com.br/index.htm / ed 166_out03/html]. Acesso em 02. jan. 2004. DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir. 8 ed. São Paulo: Cortez editora, 2003. FRANCO, Ângela, Metodologia de ensino didática. Rio de Janeiro: Editora Lê, 1997. GANDIN, Danilo. Planejamento como prática educativa. 7 ed. São Paulo: Edições Loyola, 1993. INTERACIONISMO. Disponível em:[http://www.aticaeducacional.com.br]. Acesso em 06. jan. 2004. INTERACIONISMO. Disponível em:[http://www.decorpointeiro.com.br/texto_08.htm]. Acesso em 06. jan. 2004. KRUPPA, Sonia M. Portella. Sociologia da educação. São Paulo: Cortez editora,1994. LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. 12 ed. São Paulo: Cortez editora, 2002. ____________________. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez editora, 2002. MARTINS, Pura Lúcia Oliver. Didática teórica e didática prática para além do confronto. 3 ed. São Paulo: Edições Loyola, 1993. MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: As abordagens do processo. São Paulo: E.P.U. – Editora Pedagógica e Universitária Ltda. 1986.

Referências

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Didática

OLIVEIRA, Maria Rita Neto Sales. A reconstrução da didática, elementos teórico-metodológicos. 2 ed. São Paulo: Papirus editora. 1993. SANT’ANNA, Ilza Martins; MENEGOLLA, Maximiliano. Didática: Aprender a ensinar. 2 ed. São Paulo: Edições Loyola, 1991.

____________________. Por que planejar? Como planejar? Currículo – área – aula, escola em debate. 6 ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1998. SANT’ANNA, ilza Martins. Por que avaliar? Como avaliar? Critérios e instrumentos. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1995. VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Repensando a didática. 9 ed. São Paulo: Papirus editora, 1994. ________________________. Didática: O ensino e suas relações. 2 ed. São Paulo: Papirus editora, 1997. _______________________. A prática pedagógica do professor de didática. 3 ed. São Paulo: Papirus editora, 1994. WACHOWICZ, Lílian Anna. O método dialético na didática. 3 ed. São Paulo: Papirus editora, 1995.

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Anotações

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Anotações
Didática

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Anotações

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Didática

FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância Democratizando a Educação.

www.ftc.br/ead

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