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Microsoft Word - Resenha Pronta

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Published by: Lívia Villas Boas on Mar 09, 2011
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Resenha Crítica

Kenski, Vani Moreira; Tecnologias e Ensino Presencial e a Distância; Campinas: São Paulo, Papirus; 8ª. Edição, 2010 – Série Práticas Pedagógicas. Os desafios e possibilidades do uso das tecnologias de comunicação e informação atualmente afetam todas as áreas da sociedade, entretanto Kenski se debruça nas alterações provocadas por este uso na área da educação para escrever sua obra, analisando as alterações na atuação docente e destacando as novas formas de ensinar e aprender que esta nova conjuntura demanda. Para montar esta obra de 151 páginas a autora reuniu textos resultantes de palestras proferidas nos principais congressos educacionais realizados no Brasil, nos últimos anos. Estes textos foram organizados em nove capítulos seguindo uma lógica e mantendo o seu foco narrativo que é descrever as influências das tecnologias no ensino presencial e a distância. Kenski inicia sua obra fazendo uma análise do termo Tecnologia e como a sociedade vem se adaptando às transformações proporcionadas pelas tecnologias ao longo dos tempos. Dando continuidade a sua reflexão sobre as alterações no espaço e tempo trazido pelas tecnologias a autora caminha para a tais influências nas formas de ensinar e aprender. No capítulo seguinte Kenski trata das escolas presenciais e virtuais destacando as características e as linguagens científicas e comunicacionais de cada modalidade. Neste momento do texto a autora traz as múltiplas linguagens de ensinar como as linguagens midiatizadas e as linguagens audiovisuais descrevando-as como relevantes para a comunicação entre as pessoas que fazem parte do contexto da escola à distância e também na escola presencial, ressaltando que na modalidade presencial o corpo é tido como um recurso que se comunica e produz aprendizado. Para melhor compreender a atual conjuntura das formas de ensinar e aprender, Kenski traz um capítulo comentando sobre as mudanças que se fazem necessárias nas instituições de ensino e no trabalho docente. Dentre tais mudanças ela aponta: a melhoria na infraestrutura tecnológica, mudança na forma de pensar a educação que deveria passar pela formação adequada dos professores para atuarem nesta nova lógica pedagógica que exige do profissional da educação habilidades docentes específicas para o trabalho com as novas tecnologias e por fim a mudança no que diz respeito a gestão destas instituições não ficando apenas restrito aos aspectos administrativos e sim uma gestão que contemple essa nova lógica educacional. A atuação do docente é o tema de um dos capítulos desta obra onde a autora retoma a fala sobre as influências das tecnologias na educação ressaltando que esta perspectiva de educação tecnológica exige a superação de alguns desafios tais como: reestruturação das teorias educacionais, da percepção e da ação educativa a fim de perceber que a possibilidade do desenvolvimento de redes de aprendizagem criou a internacionalização da educação. Para que o professor esteja articulado com este momento da educação é necessário que ele perceba a sua atualização permanente como condição fundamental para sua prática docente.

Nesta obra Kenski dedica três capítulos para tratar da nova lógica do ensino e da aprendizagem na sociedade da informação. Analisando as novas conjunturas na sociedade e como a velocidade com que as informações são compartilhadas, múltiplas formas de comunicação entre as pessoas trazem uma mudança para os paradigmas da educação tradicional onde a concepção da educação como compulsória e massiva não satisfazem mais. A nova lógica da educação traz o professor para o meio do grupo de alunos onde ele passa a ser mais um na equipe de trabalho que irá lançar os desafios e servirá como o mediador da aprendizagem com diversas possibilidades de interação conectadas em rede através de comunidades que tenham um objetivo em comum tendo como característica a cooperação e colaboração para o desenvolvimento pleno da aprendizagem. Kenski reflete sobre a aprendizagem tradicional e a aprendizagem colaborativa e monta um quadro sinótico com as características de cada um. Para finalizar sua obra a autora traz nas considerações finais uma análise sobre o papel do professor e o papel do aluno nesta nova conjuntura da educação. Para Kenski professor, aluno e tutor não podem ser definidos como papéis isolados e estratificados hierarquicamente, pois a possibilidade de permanente diálogo e de colaboração de todos com todos através das tecnologias de informação e comunicação traz uma nova forma de tratar tais atores do sistema educacional para a autora o maior desafio desta nova lógica educacional seria fazer com que estes atores educacionais repensassem e transformassem as suas práticas no ambiente educacional. Neste livro a autora traz com uma linguagem de fácil compreensão e usando exemplos do cotidiano através de suas vivências uma análise das transformações trazidas pelos avanços das tecnologias nas formas de ensinar e de aprender. Concordo com alguns desafios apontados pela autora como fatores fundamentais para fazer uma educação de qualidade para todos que corresponda às necessidades da sociedade na atualidade dentre tais pontos destacaria a formação docente. A formação docente sem dúvida pode não ser o único desafio, mas é sobremaneira o mais relevante quando pensamos na inclusão das tecnologias na educação. Não se trata apenas ensinar o professor a usar os recursos e aparatos tecnológicos disponibilizados pelas instituições de ensino, é necessário que o professor repense o seu papel de docente e comece a perceber que a função de professor detentor do saber não cabe mais na nova lógica da educação. Talvez cursos de preparação com leituras e novas práticas possibilitem esta mudança, mas ainda penso que estamos engatinhando para um dia, quem sabe, possamos ter uma nova educação que considere o aluno como produtor de conhecimento lembra-me da fala do professor André Lemos quando comenta que estamos vivendo na sociedade da escrita e que nunca produzimos tantos escritos quanto hoje, desta forma, cabe a nós, professores nos apropriarmos das tecnologias e auxiliarmos nossos alunos para que eles possam transformar tantas informações em conhecimento.

A leitura desta obra é indicada para estudantes, professores e pesquisadores da área da educação que tem interesse em conhecer e aprofundar os estudos sobre as influências dos avanços tecnológicos na práxis docente e queira compreender de que forma a Educação está adaptando-se a este novo cenário tecnológico. Vani Moreira Kenski nasceu no Rio de Janeiro. È graduada em Pedagogia e Geografia

pela UERJ, com mestrado pela UnB e doutorado em Educação pela Unicamp. Foi professora e pesquisadora das Faculdades de Educação da Universidade de Brasília, da Unicamp e da USP. Atualmente é pesquisadora da CNPq e orienta teses e dissertações no Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade de São Paulo. È diretora de Divulgação e Publicação da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae), membro do Comitê Científico da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação de Educação (Anped) e membro do Conselho de Ética da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed). Coordena o Grupo de Estudo e Pesquisas sobre Memória, Ensino e Novas Tecnologias (Ment) e dirige a Site Educacional Ltda., empresa incubadano Cietec/Ipen/USP, voltada para a formação de professores e para assessoria em educação pela internet. Possui várias publicações de estudos e pesquisas sobre as novas tecnologias digitais de comunicação e informação e sobre a memória social e individual, vinculadas à questão do conhecimento, do ensino e da educação, em sentido amplo, na sociedade contemporânea. Outra obra da autora é Educação e tecnologias: O novo ritmo da informação. Esta resenha foi elaborada por Lívia Oliveira Villas Bôas, aluna do curso de Pós Graduação em Tecnologias e Novas Educações na Universidade Federal da Bahia.

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