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De acordo com os seus mecanismos de veiculação ou da forma como chegam até ao

homem, as doenças veiculadas pela água podem ser denominadas como doenças de

TRANSMISSÃO HÍDRICA e de ORIGEM HÍDRICA

As primeiras, são aquelas em que a água atua como veículo propriamente dito, do

agente infeccioso, as demais são aquelas decorrentes de certas substâncias denominadas

contaminantes tóxicos contidas na água em teor inadequado.

a) Doenças de transmissão hídrica

A água é um importante veículo de transmissão de doenças notadamente do aparelho
intestinal. Os microrganismos patogênicos responsáveis por essas doenças atingem a

água com os excretas de pessoas ou de animais infectados.

Entre os principais microrganismos encontrados nas águas contaminadas e as doenças

por eles veiculdas citam-se:

bactérias: febre tifóide, febres paratifóides, disenteria bacilar, cólera;
protozoários: amebíase ou disenteria amebiana;
vermes (helmitos) e larvas: esquistossomose;
vírus: hepatite infecciosa e poliomielite.
O quadro 4 apresenta os principais tipos de microrganismos associados a doenças de

transmissão hídrica.

A água é imprescindível também, ao ciclo biológico de muitos vetores animados,

responsáveis por graves doenças. Por exemplo, os mosquitos que transmitem a malária e a

febre amarela, têm a fase larvária, obrigatoriamente, em meio aquático. Assim, doenças,

como a malária, indiretamente, estão relacionadas com a água. Neste caso, a água não

atua como veiculo, mas o mosquito transmissor se procria nas coleções de água, e

portanto, ao se estudar a construção de um reservatório de acumulação destinado ao

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abastecimento de água deve-se investigar as espécies de mosquitos existentes na área de

inundação e vizinhanças, bem como aspectos epidemiológicos relacionados à malária.

Quadro 4 - Principais Doenças de Transmissão Hídrica.

DOENÇA

AGENTE

INFECCIOSO

OCORRÊNCIA

TRANSMISSÃO

Cólera

Víbrio comma

ocorrendo no Brasil

Água contaminada

Febre Tifóide

Salmonella
typhosa

freqüente no Brasil

água contaminada, leite,
ostras, insetos

Febre paratifóide

Salmonella
paratyphi

difundida no mundo

igual à febre tifóide

Amebíase

Entamoeba
histolytica

difundida no mundo.
Atinge até 50% da população
onde não há saneamento.

água contaminada,
alimentos crus, moscas,
baratas

Esquistossomose

S. mansoni, S.
haematobium,
S. japonicum

muito difundida no Brasil,
especialmente no Nordeste

água contaminada

Ancilostomose

Necator
americanus e
ancylostomo
duodenale

muito difundida no Brasil

água, alimentos crus

Hepatite infecciosa

Vírus da Hepatite
infecciosa

difundida no mundo

água, alimentos

Poliomielite

Vírus da
poliomielite

difundida no mundo

Contágio direto e através da
rede de esgoto

b) Doenças de origem hídrica

Os contaminantes tóxicos que dão origem a esta espécie de doença podem ser de

quatro tipos:

contaminantes naturais de uma água que esteve em contato com formações minerais
venenosas (fluor, arsênio, boro, etc...);

contaminantes naturais de uma água na qual se desenvolveram determinadas colônias
de microrganismos venenosos (maré vermelha);

contaminantes introduzidos na água em virtude de certas obras hidráulicas defeituosas
(principalmente tubos metálicos) ou práticas inadequadas no tratamento da água

(chumbo, alumínio);

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contaminantes introduzidos nos cursos d'água por certos despejos industriais.

Os contaminantes de origem mineral incluem o flúor, o selênio, o arsênio e o boro, e,

com exceção do flúor, raramente são encontrados em teores capazes de ocasionar danos.

Os contaminantes naturais ocasionados por colônias de microrganismos venenosos,

como certos tipos de algas, dão à água aspecto repulsivo ao homem, que tem assim uma

defesa natural através dos seus sentidos, não obstante, a mortalidade de gado que ingere

esses contaminantes tem sido verificada.

Os contaminantes introduzidos pela corrosão de tubulações metálicas podem ocasionar

distúrbios. Dos metais empregados nas tubulações, o único de toxidez comprovada e

acumulativa é o chumbo, que pode ocasionar o envenenamento conhecido como

saturnismo. Cobre, zinco e ferro, mesmo em pequenas quantidades, dão à água gosto

metálico característico e são responsáveis por certos distúrbios em determinadas

operações industriais.

O tratamento químico da água para a coagulação, desinfecção e destruição de algas

ou controle da corrosão pode ser uma fonte potencial de contaminação (alumínio, cobre,

cloro, flúor). Outras variedades de contaminantes tóxicas podem provir dos despejos

líquidos industriais. Daí a importância sanitária do controle dos desejos industriais.

Na água de abastecimento, o perigo maior está na possibilidade de que a mesma se tenha

contaminado recentemente por águas residuárias ou por excretos humanos ou de origem

animal. Se a contaminação é recente e para ela contribuíram doentes ou portadores de

doenças infecciosas, organismos patogênicos podem encontrar-se vivos na água e o seu

consumo poderá vir a provocar novos casos.

O quadro 5 apresenta alguns exemplos das conseqüências da presença de certos

contaminantes na água

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Quadro 5 – Contaminantes x conseqüências

IMPUREZAS

CONSEQUÊNCIAS

Flúor

Nitratos

Fenóis

Cloretos

Ferro

odo

Substâncias
radioativas

Cromo (VI)

Cobre

Chumbo

Selênio

Magnésio

Sulfatos

Sólidos totais

Fluorese dentária, quando o teor > l,5 mg/l
Prevenção contra a cárie dentária: 0,6 mg/l > teor <
l,5 mg/l

Produzem cianose para teores > 50 mg/l

Produzem morte em dose de 1,5 mg/l
Produzem cor, sabor e odor em teores > 0,00l mg/l

Produzem sabor em teores acima de l00 mg/l
Produzem influência nociva sobre afecções cardíacas
como hipertensão arterial

Produz cor e sabor em teores > 0,5 mg/l

A sua carência concorre para a existência do bócio

Podem produzir grandes malefícios ao
organismo,sendo as mais perigosas os isótopos (Sr90
e y90

) do estrôncio e do ítrio.

Produz irritações no organismo humano

Produz envenenamento para teores > 2 mg/l

Produz envenenamento (saturnismo)

Produz efeito tóxico

Produz incrustações nas caldeiras e aumenta o
consumo de sabão

Produzem efeitos laxativos

Tornam a água inadequada ao consumo

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