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Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai

[Cantigas de Amigo] [LP]

Cantigas de amigo

Literatura Portuguesa Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e 2011-2012 ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E
ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por Escola Básica Secundária do Cerco cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran que eu sospiro!E ai Deus, se verrá

10.º C e 10.ºD
cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por que el gran cuidado!e ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar de vigo,se vistes meu amigo!E ai Deus, se verrá cedo!Ondas do mar levado,se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amigo!e por que eu sospiro!E ai Deus, se verrá cedo!Se vistes meu amado!e por

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ORIGEM DA POESIA TROVADORESCA Da literatura oral à literatura escrita

Em todas as sociedades a literatura oral é anterior à literatura escrita. A cultura oral , transmitida de geração em geração, comportava todos os conhecimentos que permitiam às pessoas compreender a vida e o mundo à sua volta. Era uma cultura essencialmente pragmática , mas onde havia também espaço para a dimensão lúdica e estética . Faziam parte dela lendas , histórias míticas , narrativas versificadas , cantigas ... É essa literatura oral que está na origem das literaturas europeias, propriamente ditas, que se começaram a constituir nos séculos XI e XII. Aconteceu assim na península ibérica, com a poesia trovadoresca; na França, com a poesia provençal e as canções de gesta, entre outras. Que essas literaturas nacionais tenham começado pela poesia é fácil de entender, dada a sua origem oral. De facto, o verso, a rima, o ritmo facilitam a memorização e eram utilizados até nas narrativas.
Poesia trovadoresca

A expressão "poesia trovadoresca" é utilizada para designar as composições em verso produzidas na Península Ibérica, entre os finais do século XII e meados do século XIV . Trata-se de um conjunto de cerca de 1600 cantigas de caráter profano, a que poderemos acrescentar cerca de 400 poemas de conteúdo religioso. Esses poemas foram reunidos em cancioneiros diversos, tendo chegado até nós três deles. O mais antigo, provavelmente uma cópia do século XIV, é o chamado Cancioneiro da Ajuda. Conhecem-se outros dois, posteriores e mais completos, o Cancioneiro da Biblioteca Nacional e o Cancioneiro da Vaticana, ambos cópias feitas no século XVI, em Itália, a partir de um manuscrito mais antigo. Apesar de escrita em galaico-português , não se trata de uma poesia estritamente portuguesa e galega, mas sim peninsular, uma vez que os cerca de 150 trovadores e jograis que as produziram eram oriundos de diversas regiões da península. Esses trovadores eram geralmente nobres, enquanto os jograis , que cantavam as cantigas nas feiras, romarias e até palácios, eram de origem popular. Nesses cancioneiros encontramos cantigas de amigo , em que o sujeito poético é uma donzela que exprime os seus sentimentos amorosos pelo amado (amigo), e cantigas de amor , nas quais o poeta dá expressão ao seu amor por uma dama. Há também cantigas de escárnio e maldizer ; de caráter satírico, como o nome indica, distinguindo-se pelo facto de as primeiras não nomearem diretamente a pessoa a que se referem, o que acontece no segundo grupo.
Origem do lirismo trovadoresco

Ao longo dos anos tem-se discutido muito a questão da origem desta poesia, tendo sido propostas várias explicações, nenhuma delas aceite de forma unânime. Alguns insistiram na origem popular: estas cantigas mais não seriam do que a apropriação de formas e temas populares por parte dos poetas. Outros quiseram fazê-las herdeiras da poesia em latim produzida por clérigos durante a Idade Média. Houve quem defendesse a sua dependência de formas poéticas moçárabes. Outros ainda pretenderam que ela teria surgido na península por simples imitação da poesia provençal (sul da França). Qualquer destas teses, se tomada em exclusividade, é radical e insuficiente para explicar o fenómeno. A posição mais consensual defende a ação combinada de todas essas influências. Na verdade, a arte reflete sempre a sociedade que a produz, com a sua diversidade e as suas contradições. Mesmo quando uma influência externa é evidente, há sempre um processo de adaptação à realidade local, que passa pela integração de elementos autóctones ou anteriormente absorvidos. No caso da poesia trovadoresca é visível a presença de duas tradições poéticas que, de 2

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certo modo, se fundiram. É evidente que as cantigas de amigo, pela singularidade do sujeito poético feminino, pelo ambiente doméstico e rural que as caracteriza, pela sua estrutura paralelística, manifestam uma origem popular . Já as cantigas de amor refletem claramente a influência provençal É sensato imaginar que o início deste surto poético entre a nobreza peninsular tenha surgido por influência da literatura provençal. Os contactos da península com a França eram mais intensos do que se poderia imaginar: a luta contra os mouros trouxe à península ibérica nobres franceses (o pai de Afonso Henriques, por exemplo); Santiago de Compostela era um dos principais centros de peregrinação e a ele acorriam, não apenas cristãos da península, mas também do resto da Europa; a corte portuguesa tinha relações intensas com a corte de Aragão, junto à Provença; o futuro rei Afonso III passou vários anos em França, na região de Bolonha. E uma vez iniciado o processo, a lírica popular acabou por ser também assimilada pelos trovadores, cruzando-se as duas influências, de tal modo que aspetos característicos das cantigas de amigo aparecem nas cantigas de amor e vice-versa.
CANTIGAS DE AMIGO Lirismo feminino

As cantigas de amigo são uma das manifestações da poesia trovadoresca. Têm em comum com as cantigas de amor o facto de a sua temática ser amorosa , mas, enquanto nestas o sujeito poético é o homem, naquelas é a mulher que exprime os seus sentimentos para com o "amigo" . Do ponto de vista didático, as cantigas de amigo têm uma vantagem suplementar: permitem distinguir com clareza o autor (ser real, com existência empírica cronologicamente datável) do sujeito poético (um ser de ficção, que só existe verdadeiramente no poema). É que, na formulação de Fernando Pessoa, "o poeta é um fingidor". Isto é, não devemos nunca confundir o poeta, ser de carne e osso, com o sujeito poético, uma espécie de ser de papel, que só no papel existe, tal como, no discurso narrativo, é necessário distinguir o "autor" do "narrador". Ora, nos primórdios da literatura portuguesa, exatamente nas cantigas de amigo, encontramos já essa distinção feita com absoluta clareza. Assim, sabemos, sem margem para dúvidas, que o trovador (ou jogral) Pero Viviaez compôs a cantiga "Pois nossas madres vam a San Simion", na qual uma donzela exprime o seu desejo de exibir a sua graça e beleza na festa do santo.
Poesia tradicional e influência provençal

Sabemos que as cantigas de amigo têm um caráter tradicional, ou seja, constituem a apropriação literária de antigas cantigas populares por parte dos trovadores rendidos à moda do trovar provençal. Na Idade Média, o termo "Provença" designava a região do sul da França com frente para o Mediterrâneo. O clima ameno, a equilibrada distribuição da propriedade, o comércio florescente, propiciaram o aparecimento nessa região de uma sociedade próspera, favorável a uma cultura do prazer. Foi aí que os membros da aristocracia encontraram condições para exprimirem através da poesia e da música sentimentos requintados . A poesia perde aqui o caráter didático que a Igreja lhe havia atribuído e passa a ser utilizada como forma de alcançar o prazer estético, de exprimir sentimentos mais humanos que divinos. A moda da poesia provençal espalhou-se pela Europa e chegou inclusive ao extremo da Península Ibérica. É que, nessas épocas remotas (séculos XI e XII) o isolamento não era absoluto. Havia já, entre as várias regiões, contactos bastante intensos, historicamente documentados, que faziam com que as novidades circulassem e se fizessem sentir a grande distância. Vale a pena lembrar que a monarquia portuguesa tem a sua origem num fidalgo de além Pirenéus, D. Henrique de Borgonha, pai do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques; frequentemente a casa real portuguesa procurava noivas em Aragão, região oriental da Península Ibérica, vizinha da Provença; Santiago de Compostela constituía na época um dos principais centros de peregrinação, atraindo gentes de toda a Europa; a ordem religiosa de Cister, originária da França, implantou-se

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também em Portugal, onde fundou vários conventos, entre eles o de Alcobaça. Sob influência da poesia provençal, alguns nobres da península começaram também a compor cantigas de amor e cantigas satíricas (escárnio e maldizer). Depois de familiarizados com a poesia amorosa de inspiração provençal, os trovadores apropriaram-se das cantigas de cunho popular e submeteram-nas, em maior ou menor grau, aos artifícios versificatórios da arte de trovar. É assim que, a par de formas puras de um e outro tipo, encontramos formas híbridas: cantigas de amor com refrão, por exemplo, e cantigas de amigo em que o paralelismo tradicional se encontra diluído. Características das cantigas de amigo Além do sujeito poético feminino , as cantigas de amigo têm outras características marcantes. O sujeito poético é, não apenas mulher, mas donzela , isto é, uma rapariga solteira, pertencente aos estratos médios do povo. Essas cantigas documentam bem a importância social da mulher, que era, na época, o garante da estabilidade familiar, dado que os homens tinham que se ausentar frequentemente, envolvidos nas campanhas militares de defesa e ataque que opunham cristãos e mouros. A donzela aparece-nos inserida num ambiente doméstico e burguês, muitas vezes em diálogo com as amigas e a própria mãe e as cantigas documentam todas as fases e sentimentos do namoro. A natureza não é um simples cenário em que decorre a ação; apresenta uma espécie de vida própria, que documenta o animismo típico de sociedades mais primitivas. É sempre uma espécie de testemunha viva das alegrias e tristezas da donzela. Por vezes a sua personificação é total, como por exemplo na famosa cantiga ―Ai flores, ai flores do verde pino‖ , onde as flores respondem e tranquilizam a donzela, saudosa e preocupada com a ausência do amigo. Essa natureza é frequentemente representada pela fonte, o rio, a praia, o campo. A atestar a antiguidade deste tipo de cantigas temos os arcaísmos que os trovadores conservaram, provavelmente porque tomavam do povo anónimo temas e versos inteiros que depois desenvolviam. Tendo em conta os temas e sobretudo os ambientes retratados é usual distinguir várias variedades nas cantigas de amigo: bailias ou bailadas; cantigas de romaria ; marinhas ou barcarolas; albas ou alvoradas, entre outras. Finalmente, as cantigas de amigo caracterizam-se pelo recurso em maior ou menor grau ao paralelismo , que consiste na repetição da ideia expressa numa estrofe na estrofe seguinte, formando pares, sendo cada uma delas encerrada por um refrão . As cantigas paralelísticas perfeitas têm as seguintes características: Coplas de dois versos (dísticos), seguidos de refrão (um verso); As coplas organizam-se em pares, de tal modo que a copla par repete integralmente as ideias expressas na copla ímpar anterior – paralelismo semântico (1-2, 3-4, 5-6, ...); Utilização do leixa-prem — o 2º verso da copla 1 é o 1º verso da copla 3; o 2º verso da copla 2 é o primeiro da copla 4, etc. Uma cantiga paralelística perfeita obedece, portanto, ao seguinte esquema:
Copla 1 Verso A Verso B Refrão 1º par Copla 2 Verso A' Verso B' Refrão 2º par Copla 4 Verso B' Verso C' Refrão Copla 3 Verso B Verso C Refrão

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Características: * Feição autóctone (origem galaico-portuguesa). * A donzela (moça solteira) exprime a sua situação amorosa ou os seus dramas na relação com o amigo. * A donzela é uma moça simples, por vezes ingénua, mas enamorada. * O amor é natural, espontâneo. * O ambiente é rural ou marinho (sempre em contacto com a natureza). A natureza é muitas vezes a confidente ou reflete o estado de espírito da donzela. * O paralelismo é um elemento distintivo, bem como o uso do refrão. * Possuem uma estrutura simples. * Confidentes: a mãe; a irmã; as amigas e a natureza. * Sentimentos: - o sofrimento de amor; - a morte de amor; - cuidados e ansiedade; - tristeza e saudade; - alegria na volta do amigo; - ódio aos mexericos. * Ambientes:- a fonte e o rio; - a praia e o campo; a casa. Estabelecem-se algumas relações entre a natureza e a vida interior dos protagonistas das canções .

Pois nossas madres van a San Simon de Val de Prados candeas queimar, nós, as meninhas, punhemos d'andar con nossas madres, e elas entón queimen candeas por nós e por si, e nós, meninhas, bailaremos i. Nossos amigos todos lá irán por nos veer e andaremos nós bailand'ant'eles, fremosas, en cos, e nossas madres, pois que alá van, queimen candeas por nós e por si, e nós, meninhas, bailaremos i. Nossos amigos irán por cousir como bailamos, e poden veer, bailar moças de mui bon parecer, e nossas madres, pois lá queren ir, queimen candeas por nós e por si, e nós, meninhas, bailaremos i. Pero Viviaez

1. Caracteriza, física e psicologicamente, o sujeito de enunciação da cantiga. 2. Indica as razões que conduzem cada uma das personagens à romaria. 3. As cantigas de amigo são, sob vários aspetos, uma «tradução poética da realidade». 3.1. O que há de intemporal na «realidade» que esta cantiga traduz? 4. Refere o tema da cantiga. 5. Indica os recursos estilísticos dominantes na cantiga. 6. Classifique esta cantiga, considerando quer o assunto quer a forma.

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Ondas do mar de vigo, se vistes meu amigo! E ai Deus, se verrá cedo! Ondas do mar levado, se vistes meu amado! E ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amigo! e por que eu sospiro! E ai Deus, se verrá cedo! Se vistes meu amado! e por que el gran cuidado! e ai Deus, se verrá cedo! Martin Codax

1. Identifica o sujeito de enunciação e o destinatário desta cantiga. 2. Qual o estado sentimental do sujeito de enunciação? 2.1. Que causa lhe deu origem? 3. O sujeito de enunciação manifesta uma preocupação e um desejo. 3.1. Refere uma e outro, explicando quais os recursos linguísticos utilizados para os expressar. 4. Qual o papel das «ondas do mar»? 5. Indica os recursos estilísticos dominantes na cantiga. 6. Refere o tema da cantiga. 7. Explica os motivos que nos levam a inserir esta cantiga de amigo no tipo das «barcarolas» ou «marinhas».

Em Lixboa sobre lo mar barcas novas mandei lavrar, ay mia senhor velida! Em Lisboa sobre lo lez barcas novas mandei fazer, ay mia senhor velida! Barcas novas mandei lavrar e no mar as mandei deitar, ay mia senhor velida! Barcas novas mandei fazer e no mar as mandei meter, ay mia senhor velida! João Zorro

Bailemos nós já todas tres, ai amigas, so aquestas avelaneiras frolidas e quem for velida como nós, velidas, se amigo amar, so aquestas avelaneiras frolidas verrá bailar. Bailemos nós já todas tres, ai irmanas, so aqueste rarno destas avelanas, e quem for louçana como nós, louçanas, se amigo arnar, so aqueste rarno destas avelanas verrá bailar. Por Deus, ai amigas, mentr' al non fazemos, so aquesto rarno frolido bailemos, e quen ben parecer, corno nós parecemos, se amigo amar, so aqueste ramo so' l que nós bailemos verrá bailar. Airas Nunes

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Ai flores, ai flores do verde pino, Se sabedes novas do meu amigo! Ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, Se sabedes novas do meu amado! Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo, Aquel que mentiu do que pôs comigo! Ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, Aquel que mentiu do que mi á jurado! Ai Deus, e u é? - Vós me perguntades polo voss' amigo, E eu ben vos digo que é san e vivo. Ai Deus, e u é? - Vós me perguntades polo voss' amado, E eu ben vos digo que é viv' e sano. Ai Deus, e u é? E eu ben vos digo que é san' e vivo E seerá vosc' ant' o prazo saído. Ai Deus, e u é? E eu ben vos digo que é viv' e sano E seerá voac' ant' o prazo passado. Ai Deus, e u é? D. Dinis 1. Indica o tema e o assunto desta composição. 2. Divide a composição em partes, justificando devidamente a sua resposta. 3. Caracteriza globalmente o sujeito poético. Justifique com expressões textuais. 4. Caracterizao objeto poético. 5. Explicao tipo de relacionamento existente entre o sujeito e o objeto poéticos. 6. Explicita o valor do refrão nesta composição e analise-o: a. quanto ao tipo de frase nele presente; b. quanto à alternância das formas verbais. 7. Deteta na composição tipos de paralelismo e explicitao seu valor estilístico-formal.
Paralelismo: Princípio estrutural fundamental da lírica galega-portuguesa, que resulta em diversos processo estilísticos: repetição de palavras, de estruturas sintáticas e rítmicas e de conceitos. Na paralelística de esquema típico, em dísticos, o verso do segundo do primeiro dístico é o primeiro verso do terceiro; o segundo do segundo dístico será o primeiro do quarto, etc. Para obviar à monotonia que pode resultar deste princípio rítmico, os trovadores trabalham a variação, dentro dos esquemas paralelísticos, a vários níveis (substituição da palavra rimante por um sinónimo, por exemplo). Processo que documenta a ligação indissociável entre a poesia e a música.

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ALBA Levad', amigo, que dormides as manhanas frias; todalas aves do mundo d'amor diziam: leda m' and' eu. Levad', amigo, que dormides las frias manhanas; todalas aves do mundo d' amor cantavan: leda m' and' eu. Todalas aves do mundo d'amor dizian: do meu amor e do voss' en ment' avian: leda m' and' eu. Todalas aves do mundo d' amor cantavan, do meu amor e do voss' i emmentavan: leda m' and' eu. Do meu amor e do voss' en ment' avian; vós lhi tolhestes os ramos em que siian: leda m' and' eu. Do meu amor e do voss' i emmentavan; vós lhis tolhestes os ramos en que pousavan: leda m' and' eu. Vós lhis tolhestes os ramos en que siian; e lhis secastes as fontes en que bevian: leda m' and' eu. Vós lhis tolhestes os ramos en que pousavan e lhis secastes as fontes u se banhavan: leda m' and' eu. Nuno Fernandes Torneol Alba Para Fátima Maldonado

Olhavam-se, viera com os outros, ficava depois de terem ido. Viam-se no mesmo espelho os dois. Uma alegria dolorosa calava-se. Os autocarros voltavam a ouvir-se para além do parque. A medo prendiam os olhos a sorrir. Desapertavam os atacadores. Abriam os colarinhos. Perdiam-se no ardente tecido em redor do peito. Na raiz do sexo o sobressalto da primeira claridade nos estores. A mistura de sorte e de prazer a que chamamos o bem. Joaquim Manuel Magalhães (séc. XXI)

Levou-s’a louçana, levou-s’a velida: vai lavar cabelos, na fontana fria. Leda dos amores, dos amores leda. levou-s’a velida, Levou-s’a louçana: vai lavar cabelos, na fria fontana. Leda dos amores, dos amores leda. Vai lavar cabelos, na fontana fria: passou seu amigo, que lhi bem queria. Leda dos amores, dos amores leda.

Vai lavar cabelos, na fria fontana: passa seu amigo, que a muit’amava. Leda dos amores, dos amores leda. Passa seu amigo, que lhi bem queria: o cervo do monte a augua volvia. Leda dos amores, dos amores leda. Passa seu amigo, que a muit’amava: o cervo do monte volvia a augua. Leda dos amores, dos amores leda Pero Meogo

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Sedia-m'eu na ermida de San Simion e cercaron-mi as ondas que grandes son: eu atendo'o meu amigo, eu atend'o meu amigo. Estando na ermida ant'o altar, cercaron-mi as ondas grandes do mar; eu atend'o meu amigo, eu atend'o meu amigo. E cercaron-mi as ondas que grandes son: nem hei i barqueiro nem remador; eu atend'o meu amigo, eu atend'o meu amigo. E cercaron-mi as ondas do alto mar; non hei i barqueiro nem sei remar; eu atend'o meu amigo, eu atend'o meu amigo. Non hei i barqueiro nem remador: morrerei eu, fremosa, no mar maior: eu atend'o meu amigo, eu atend'o meu amigo. Nem hei i barqueiro nem sei remar, e morrerei eu, fremosa, no alto mar: eu atend'0 meu amigo, eu atend'o meu amigo. Meendinho

Tópicos de análise:
a temática; A expressividade da cantiga, considerando: - os níveis fonológico; morfossintático e semântico. Contaminação do género lírico com o género dramático Repetição de uma ideia completa ao longo das estrofes Importância do refrão

Numa primeira leitura, a mensagem desta cantiga, é simples: uma formosa donzela aguarda na ermida de S. Simion, sita numa ilha escarpada da ria de Vigo regresso do seu amigo. Obcecada pela ideia desse regresso, alienada da realidade circundante, só se dá conta de que nem o amigo virá, nem poderá fugir dali quando as águas do mar a cercam e batem furiosamente nas rochas. Só lhe resta esperar pela morte. Estar na ermida  ser cercada pelas ondas  verificar que não tem salvação  prever a morte
MEDO: Das ondas do mar Das ondas da emoção De não poder escapar ao ímpeto amoroso do amigo Da própria paixão Da espera indefinidado amigo

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Fostes, filha, eno bailar e rompestes i o brial: pois o namorado i ven, esta fonte seguide-a ben, pois o namorado i ven. Fostes ,filha, eno loir e rompestes i o vestir: poi-lo cervo i ven, esta fonte seguide-a ben, poi-lo cervo i ven. E rompestes i o brial, que fezestes ao meu pesar: poi-lo cervo i ven, esta fonte seguide-a ben, poi-lo cervo i ven. E rompestes i o vestir, que fezestes apesar de min: poi-lo cervo i ven, esta fonte seguide-a ben, poi-lo cervo i ven. Pero Meogo 1. Esta bailia associa várias realidades. Explica-as, seguindo o percurso apresentado.

Bailar  loir
Cervo  fonte  água  amiga Amigo

O brial Romper O vestir corpo

Namorado

namorada

experiência sexual

2. Comenta, agora, a atitude da mãe e as suas recomendações.

3. Qual será, então, o tema a nível superficial e a nível profundo

4. Num estudo diacrónico, estabelece algumas diferenças e semelhanças entre as bailias da poesia trovadoresca, que já estudaste, e o Cantar de Amigo de José Régio (séc. XX)

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Cantar de Amigo À beira do rio fui dançar... Dançando Me estava entretendo, Muito a sós comigo, Quando na outra margem, como se escondendo Para que eu não visse que me estava olhando, Por entre os salgueiros vi o meu amigo. Vi o meu amigo cujos olhos tristes Certo se alegravam De me ver dançar, Fui largando as roupas que me embaraçavam, Fui soltando as tranças... Olhos que me vistes, Doces olhos tristes, não no ireis contar! Que o amor é lume bem eu sei... que logo Que vi meu amigo Por entre os salgueiros, Melhor eu dançava, já não só comigo, Toda num quebranto, ao mesmo tempo em fogo, Melhor eu movia mãos e pés ligeiros. Que Deus me perdoe, que aos seus olhos tristes Assim ofertava Minha formosura! Se não fora o rio que nos separava, Cruel com nós ambos, olhos que me vistes, Nem eu me mostrara tão de mim segura... José Régio

Os símbolos são uma constante na poesia trovadoresca, por isso deixo aqui uma síntese dos que ocorrem com mais frequência nas cantigas de amigo: * a fonte é origem da vida, da maternidade e da graça; as suas águas límpidas podem indicar também a pureza da donzela; * igualmente a alva é símbolo da inocência, da pureza e da virgindade; * os cervos simbolizam a fecundidade, do ritmo do crescimento ou da virilidade (do amigo) e do ardor amoroso; no entanto, quando os cervos turvam a água, pretende-se simbolizar a confusão e o aturdimento de espírito que os encontros amorosos provocam; * as flores podem remeter-nos para a delicadeza e feminilidade; * as ondas traduzem o tumulto interior; * as aves, com a beleza do seu canto, representam a sedução e o enamoramento que podem ressurgir em qualquer momento; * o vento também pode relacionar-se com as inquietações ou representar a fecundidade... * a luz traduz o deslumbramento do amor e, tal como a luz nos pode cegar, também o amor nos pode impedir de ver as situações com clarividência e com sensatez; * a noite (longa, escura, silenciosa e misteriosa) representa as incertezas do amor... (cf. Dimensão Literária, V. Moreira e H. Pimenta, Porto Ed., 1997)

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[Cantigas de Amigo] [LP]

Como vivo coitada, madre, por meu amigo, ca m’enviou mandado que se vai no ferido: e por el vivo coitada! Como vivo coitada, madre, por meu amado, ca m’enviou mandado que se vai no fossado: e por el vivo coitada! Ca m’enviou mandado que se vai no ferido, eu a Santa Cecília de coraçon o digo. e por el vivo coitada! Ca m’enviou mandado que se vai no fossado, eu a Santa Cecília de coraçon o falo: e por el vivo coitada! (Martim de Ginzo)

I 1. Classifica esta cantiga, tendo em conta o emissor. 2. Caracteriza a situação sentimental vivida pelo sujeito poético. 3. A quem revela o sujeito poético o seu estado de espírito ? 3.1 Com base no estudo de outras cantigas do mesmo tipo, mencione outros elementos que desempenhem a mesma função. 4. Descreve a estrutura externa da cantiga e procede à sua classificação formal. 5. Indica os valor semântico das palavras ―amigo‖ , ―madre‖ e ―coitada‖ nesta cantiga e o uso vulgar que delas se fazem na atualidade. 6. Indica o valor expressivo da pontuação utilizada no refrão da cantiga. 7. Refere a causa do desabafo do sujeito e o contexto histórico-social sugerido por esta cantiga.

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[Cantigas de Amigo] [LP]

Origem Sujeito poético

Origem autóctone: Norte da Península Ibérica (Galiza e Minho) Feminino: uma donzela, uma ―dona virgo‖ Autocaracterização da donzela:

Caracterização do sujeito:

Louçana, velida, bom parecer, fremosa, fremosinha, corpo velido, corpo delgado, bela, jurada de amor, dona virgo, bem talhada, leda, loada

Caracterização do Caracterização direta e indireta. O amigo é traidor, mentiroso, apaixonado, bom trovador, fiel, ... objeto: Relação eu/ natureza - Intimidade e comunhão. - A natureza é humanizada e solidariza-se com a donzela . - as aves tranquilizam –na - a donzela confidencia as suas inquietações às flores e às ondas  Amor correspondido  Amor não correspondido: TEMAS - Separação: infidelidade, ciúme, sofrimento - Proibição: da mãe, circunstâncias político-sociais (guerras)  Campo: fonte, rio, ermida, ―flores do verde pino‖ , Cenário  Mar  Casa Características lirismo feminino: os sentimentos, as emoções, as inquietações que se gerais exprimem são sempre de mulher. É ela quem expõe a sua intimidade Ruralismo: o ambiente é Predominantemente rural (ou marítimo) Presença de animais simbólicos Paralelismo Simplicidade (estrutura extremamente simples e repetitiva) Motivos muito simples Classificação formal  Paralelísticas perfeitas  Paralelísticas imperfeitas  Cantigas de refrão  Tenções (cantigas dialogadas) Classificação temática Bailadas ou bailias Albas ou alvoradas Cantigas de Romaria Barcarolas ou marimbas Pastorelas (as pastorelas são um género híbrido dado que colhem características das cantigas de amigo e das cantigas de amor.) Os sentimentos Coita de amor Saudade do amigo Tristeza pela ausência do amigo Ciúme Alegria por se ter encontrado com o amigo Alegria por ir ver o amigo, ... Os confidentes A mãe As irmãs A amigas A natureza Sociedade rural - séculos XII – XIII

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Subgéneros das cantigas de amigo

- Barcarolas ou marinhas são assim chamadas as cantigas de amigo que versam sobre assuntos referentes ao mar ou ao rio. Os temas são geralmente de grande singeleza. Afora um certo número em que a moça vai apenas banhar-se ao rio, ou da margem vê o barco deslizar pelas águas, nas barcarolas ela geralmente se lamenta do amado, ou, durante a sua ausência, pede às ondas notícias dele, ou ainda, ansiosa, vai esperar os navios que chegam para tornar a vê-lo. - A bailia ou bailada versa, como o próprio nome indica, sobre dança, baile. Na realidade nada mais é do , que a letra que acompanhava a melodia da dança. Dal a importância , que nelas assume o aspeto musical. De regra, o tema cantado é a alegria de viver e de amar, no que contrasta com o tom triste de outras variedades das cantigas de amigo. - Cantigas de Romaria : a donzela propõe-se a ir a um santuário ou ermida, mas não se pense porém que tais cantigas reflitam piedade religiosa. Se em algumas este sentimento parece real - como naquelas em que a donzela vai ao santuário cumprir uma promessa ou pedir ao padroeiro que faça o amado voltar da guerra vivo e são , em outras a peregrinação é mero pretexto para namorar ou para se divertir. - alba ou alvorada trata da lamentação dos amantes que, depois de passarem a noite juntos são obrigados a separarem-se. -A Pastorela (à semelhança da alba) é de origem provençal e é um género misto, entre a cantiga de amigo e a cantiga de amor. Originalmente, a pastorela é a narração de um encontro entre uma pastora e um cavaleiro, em que após um breve diálogo, esta é seduzida. Os trovadores peninsulares evitam, de regra, o diálogo e preferem a forma da pastora cantadeira, dando à pastorela um colorido novo, ao gosto das cantigas de amigo. Daí se contentarem por vezes com descrever apenas o solilóquio da pastora, o seu suspirar pelo amado sem fazê-lo participar diretamente da cena.

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