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Lê o excerto do capítulo CXV da Crónica de D. João I.

Per que guisa estava a çidade corregida pera sse deffemder, quamdo elrei de Castella
pos çerco sobrella
[…]
E hordenou o Meestre com as gemtes da çidade que fosse rrepartida a guarda dos muros
pellos fidallgos e çidadaãos homrados; aos quaaes derom çertas quadrilhas e beesteiros e
homeẽs darmas pera ajuda de cada huũ guardar bem a sua. Em cada quadrilha avia huũ sino
pera rrepicar quamdo tall cousa vissem; e como cada huũ ouvia o sino da sua quadrilha, logo
todos rrijamente corriam pera ella; por quamto aas vezes os que tiinham carrego das torres,
viinhã espaçar pella çidade, e leixavonas emcomendadas a homeẽs de que muito fiavom;
outras vezes nom ficavom em ellas senom as atallayas; mas como davom aa campãa, logos
os muros eram cheos, e muita gemte fora.
E nom ssomente os que eram asiinados em cada logar pera deffemssom, mas aimda as
outras gemtes da çidade, ouvindo rrepicar na See, e nas outras torres, avivavamsse os
coraçoões delles; e os mesteiraaes damdo follgamça a seus offiçios, logo todos com armas
corriam rrijamente pera hu diziam que os Castelaãos mostravom de viinr. Alli viriees os muros
cheos de gemtes, com muitas trombetas e braados e apupos esgrimimdo espadas e lamças e
semelhamtes armas, mostramdo fouteza comtra seus emmiigos.
[…]
E nõ embargamdo todo isto, ho Meestre que sobre todos tiinha espeçiall cuidado de
guarda e governamça da cidade, damdo seu corpo a mui breve sono, rrequeria per muitas
vezes de noite os muros e torres com tochas açesas amte ssi, bem acompanhado de muitos
que sempre comssigo levava. Nom avia hi nehuũs rrevees dos que aviam de vellar, nem tall a
que esqueeçesse cousa do que lhe fosse emcomemdado; mas todos muito prestes a fazer o
que lhe mamdavom, de guisa que a todo boom rregimento que o Meestre hordenava, nom
mimguãva avomdamça de trigosos executores. […]

LOPES, Fernão, 1994. Crónica de D. João I, Volume I. Capítulo CXV / 115. Porto: Civilização (pp. 222-226) (1.ª ed.: 1644)

4. O Mestre de Avis é mencionado em dois momentos no excerto. Com base no texto, refere
dois traços caracterizadores do Mestre, fundamentando a tua resposta.
5. Explica de que modo o patriotismo do povo português é evidenciado neste excerto.
6. Prova, com expressões do texto, de que forma as sensações visuais e auditivas conferem
expressividade à descrição dos acontecimentos.
Grupo II

Lê atentamente o texto.

É comum dizer-se da Idade Média que foi um período histórico de escuridão e estagnação.
Mas esta visão negativa, ampliada pela expressão "idade das trevas", não corresponde à verdade
para muitos historiadores. O legado dos seus dez séculos de duração vai muito além da barbárie e do
obscurantismo. Desde logo, a formação do reino de Portugal, como defendeu primeiro Alexandre
Herculano, que, também por isso, a chamava "idade de ouro".

Quando o mundo romano entrou em decadência, começou o longo período civilizacional que
ficou conhecido como Idade Média e que iria terminar muitos séculos depois, já na fase dos
Descobrimentos, embora a divisão cronológica não esteja completamente fechada para os
historiadores.

Foram mais de mil anos marcados por sucessivas invasões e guerras que provocaram um
clima de medo, instabilidade e insegurança, que resultaram numa desorganização social e económica
que os monarcas procuravam solucionar dividindo o seu poder, quer com os senhores feudais, quer
com a Igreja que, a partir dos mosteiros, terá um papel espiritual, cultural e político determinante no
modelo de vida medieval.

Quando esta vaga de violência acalmou no ocidente, com muito do seu território reconquistado
para a cristandade, registaram-se importantes alterações estruturais sustentadas, entre outras coisas,
em novas práticas e utensílios agrícolas e na revitalização do comércio, o que levou a um aumento
progressivo demográfico e ao desenvolvimento dos burgos medievais onde surgiram as primeiras
universidades do mundo, uma das “três heranças fundamentais para a atualidade”, salienta João
Gouveia Monteiro, um dos historiadores que, tal como Alexandre Herculano fizera no século XIX,
defende a Idade Média como um período de ouro da História de Portugal.

PINHEIRO, Paula Moura, 2019. “Três Heranças da Idade Média”. in Visita Guiada – Universidade de Coimbra e Museu
Machado de Castro, in http://ensina.rtp.pt/artigo/tres-herancas-da-idade-media/, consult. 2019-09-25.

1. A intenção comunicativa subjacente a este texto é


(A) informar.
(B) apresentar uma opinião.
(C) narrar experiências.
(D) promover uma época.

2. A afirmação “O legado dos seus dez séculos de duração vai muito além da barbárie e do
obscurantismo.” (ll. 3 e 4) significa que
(A) a Idade Média durou até ao século X.
(B) a Idade Média foi para além de dez séculos.
(C) a herança da Idade Média caracteriza-se pela barbárie e pelo obscurantismo.
(D) a herança da Idade Média não se resume à violência extrema e à ignorância.

3. Na expressão “que, também por isso, a chamava "idade de ouro", o pronome sublinhado
refere-se a
(A) barbárie.
(B) formação do reino.
(C) Idade Média.
(D) duração.

4. Com a afirmação “a Idade Média como um período de ouro da História de Portugal” o autor
recorre à
(A) personificação.
(B) adjetivação.
(C) metáfora.
(D) hipérbole.

5. A expressão “que foi um período histórico de escuridão e estagnação.” (ll. 1 e 2) representa


uma oração subordinada
(A) adverbial causal.
(B) substantiva completiva.
(C) substantiva relativa restritiva.
(D) substantiva relativa explicativa.

6. Indica as funções sintáticas desempenhadas pelas expressões seguintes:


a) “um período histórico de escuridão e estagnação.” (ll.1 e 2)
b) “negativa” (l. 2)

7. Identifica os processos fonológicos que ocorreram na evolução da palavra:


Seniorem > seniore > senhor
Grupo III

“Non chegou, madr’, o meu amigo,


e oj’ est’ o prazo saído!
    Ai, madre, moiro d’ amor!”

As mulheres assumiram, durante muitos séculos, um papel passivo na sociedade.


Num texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de
trezentas palavras, defende uma perspetiva pessoal sobre a evolução do papel da mulher na
sociedade, referindo a sua representação nas cantigas de amigo.

No teu texto:
- explicita, de forma clara e pertinente, o teu ponto de vista, fundamentando-o com dois
argumentos, cada um deles ilustrado com um exemplo significativo;
- utiliza um discurso valorativo (juízo de valor explícito ou implícito).

Módulo 1 – Poesia Trovadoresca | Fernão Lopes

Cotações

Grupo Item
Cotação (em pontos)
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
I 16 16 8 16 16 16 16 104
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
II 8 8 8 8 8 8 8 56

III Item único 40


TOTAL 200

Grupo I

PARTE A

1. Trata-se de uma cantiga de amigo, pois o sujeito poético é uma donzela que, num discurso
simples e emotivo, exprime os seus sentimentos. Nesta cantiga, o sujeito de enunciação, num
primeiro momento, começa por se revelar preocupada e triste pelo atraso do seu amigo e,
depois, desgostosa por perceber que o amigo a enganou voluntariamente “pesa-mi, pois per
si é falido”.
2. Como podemos verificar no refrão “ai, madre, moiro d’ amor!”, o sujeito poético dirige-se à
mãe, que lhe serve de confidente e apoio num momento de sofrimento e desgosto
provocados pela traição do amigo.

3. Através da hipérbole, o sujeito poético dá conta da dimensão do seu amor e,


simultaneamente, do sofrimento que a atitude do amigo lhe causa.
Parte B
4. A forma como o Mestre de Avis trata da organização da defesa da cidade revela a sua
capacidade de liderança e determinação; a sua coragem e solidariedade para com o povo
está patente na sua atitude de alerta constante para defesa da cidade de Lisboa “ho Meestre
que sobre todos tiinha espeçial cuidado de guarda e governamça da çidade, damdo seu
corpo a mui breve sono”.

5. O patriotismo do povo português é visível na forma como se organizam para defesa da


cidade “logo todos com armas corriam rrijamente”. Povo, fidalgos e cidadãos honrados, todos
estavam dispostos a defender lisboa, “mostramdo fouteza comtra seus emmiigos.”

6. As sensações visuais e auditivas permitem narrar os acontecimentos de forma mais


realista, permitindo ao leitor a impressão de “ver” e “ouvir” “e como cada huũ ouvia o sino da
sua quadrilha, logo todos rrijamente corriam pera ella”.

Parte C

7. Fernão Lopes trouxe consigo um novo conceito sobre história marcado principalmente por
conta da imparcialidade. As suas crónicas caracterizam-se por uma grande riqueza de
detalhes. O realismo, a dramatização, a presença de descrições extremamente minuciosas e
muitos detalhes são algumas das características mais marcantes das crónicas do autor. Estas
características relacionam-se com uma verdadeira simplicidade no uso da língua portuguesa.

GRUPO II

1. A; 2. D; 3. C; 4. C; 5. B;

6. a. Predicativo do sujeito; b. modificador restritivo do nome.

7. apócope do “m”; palatalização; apócope do “e”.