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PALAVRAS 11

Proposta de correção - 11.º ano

Grupo I
A
1. O excerto transcrito é a parte inicial do capítulo II do Sermão de Santo António aos Peixes,
de Padre António Vieira, e insere-se na exposição, constituindo o louvor dos peixes em
geral, como se verifica em “Começando, pois, pelos vossos louvores”. O pregador destaca
as virtudes dos peixes, sem denominar algum.
2. No primeiro parágrafo do texto, Padre António Vieira faz referência ao seu auditório. O
pregador utiliza os peixes como estratégia discursiva, retirada de Santo António, para poder
criticar ironicamente os homens, já que estes “se não aproveitam”. Os seres humanos,
apesar de todos os seus vícios, não são bons ouvintes da palavra de Deus porque nem
sequer a querem escutar, não se deixando “salgar” nem se convertendo. O auditório
humano continua, assim, a ser visado nas fortes críticas do orador, quer por contraste com
os louvores que vai fazer aos peixes, quer por semelhança, através das críticas. Enfim, a
alegoria encontrada vai permitir ao orador expor, de forma concreta, os defeitos humanos.
3.1. Neste excerto, o pregador apresenta de forma evidente a organização do seu sermão. De
facto, começa por antecipar a forma como vai estruturar o seu raciocínio, referindo que as
pregações têm duas propriedades: “Uma é louvar o bem, outra repreender o mal (…)”. De
seguida, querendo proceder com clareza, explicita aos peixes que o seu sermão apresentará
duas partes distintas: “(…) dividirei, peixes, o vosso sermão em dois pontos: no primeiro
louvar-vos-ei as vossas atitudes, no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios.”. Conclui-
se que o pregador aplicará as duas propriedades do sal ao seu sermão.
4. Vieira emprega com frequência diversos recursos expressivos. Na verdade, este excerto
privilegia a antítese, pois está ao serviço da intencionalidade de Padre António Vieira, que
era contrapor virtudes e vícios para, finalmente, criticar os homens. Assim, este recurso
expressivo aparece ora em “repreender o mal: louvar o bem”, ora em “E onde há bons e
maus”, como forma de valorizar a contradição entre os vícios e as virtudes que vai
enumerar.

B
O conceito de alegoria associa-se ao “Sermão de Santo António aos Peixes”, pois o
Padre António Vieira toma os peixes como metáfora dos vícios dos homens.
Efetivamente, o louvor aos peixes deve ser entendido como uma crítica indireta
aos homens, que são, durante o discurso, acusados de não se quererem converter (“ é
serem gente os peixes, que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária que já pelo
costume quase se não sente ”). Quando fala aos peixes, na verdade, é aos homens que se
dirige, e assim, com o elogio daqueles (“ Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de
ouvintes: ouvem, e não falam. ”), o pregador destaca, por oposição, defeitos que abundam
nos seres humanos.

1
PALAVRAS 11

Grupo II
1. C
2. A
3. C
4. C
5. D
A lei revelava-se inútil – oração
subordinante;
que regulava as liberdades e
restrições desse povo – oração
subordinada adjetiva relativa
6.
restritiva;
enquanto não fosse evitada a
intervenção civil na sua
cristianização – oração subordinada
adverbial temporal.
Embora os homens sejam os
destinatários das críticas do
pregador, as reprimendas são
apresentadas no sermão de modo
velado.
7. ou
Apesar de os homens serem os
destinatários das críticas do
pregador, as reprimendas são
apresentadas no sermão de modo
velado.
8 Complemento do nome.

Grupo III
• competência de leitura é estruturante para o desenvolvimento do indivíduo;
• nível de literacia constrói-se pelo contacto direto precoce com a literatura;
• solicitações atuais orientam os jovens no sentido de dar à leitura, em particular à dos
clássicos da literatura, um papel cada vez menos relevante;
• substitutos da leitura: televisão, música, cinema, internet para aceder a produtos
culturais;
• adesão à imagem tende a tornar-se dominante: consumo mais fácil e mais passivo;
• leitura da obra integral exige concentração;
• incentivos à leitura: livros digitais, Plano Nacional de Leitura, Clubes de Leitura,
Livros CD, livros de dimensão reduzida…
• clássicos da literatura, nomeadamente para jovens, são determinantes na formação de
qualquer indivíduo: ensinam a ler, a escrever, a estudar, a pensar, a conhecer o mundo,
estimulando o desejo de outras leituras;
• (…)