GEOGRAFIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

3º Ano – Turma 3001. Colégio Estadual Ferreira da Luz Miracema-RJ Professor: Anderson S. Ferraz
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ÍNDICE
CARACTERÍSTICAS GERAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO...............................................................3 1- Localização.....................................................................................................................................................3 2- População........................................................................................................................................................3 3- Economia........................................................................................................................................................4 3.1 –Turismo e serviços...................................................................................................................................5 3.2 - Indústria..................................................................................................................................................5 3.3 - Agropecuária...........................................................................................................................................6 HISTÓRIA..............................................................................................................................................................6 1.1 - A chegada dos portugueses.........................................................................................................................6 1.2 - A colonização francesa...............................................................................................................................8 1.3 - A transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro.......................................................................9 1.4 - Século XIX..................................................................................................................................................9 1.5 – República e o Século XX...........................................................................................................................9 1.6 – Era contemporânea...................................................................................................................................10 DIVISÃO REGIONAL.........................................................................................................................................11 1.1 - Baixadas litorâneas...................................................................................................................................12 Microrregião dos lagos..................................................................................................................................13 São Pedro da Aldeia......................................................................................................................................14 Araruama.......................................................................................................................................................14 Armação dos Búzios......................................................................................................................................15 Cabo Frio.......................................................................................................................................................15 Arraial do Cabo.............................................................................................................................................15 1.2 – Centro fluminense....................................................................................................................................15 Nova Friburgo...............................................................................................................................................16 1.3 – Metropolitana do Rio de Janeiro..............................................................................................................18 Petrópolis.......................................................................................................................................................20 Rio de janeiro................................................................................................................................................21 1.4 – Noroeste fluminense.................................................................................................................................23 Itaperuna.......................................................................................................................................................24 1.5 – Norte Fluminense.....................................................................................................................................25 Quissamã.......................................................................................................................................................26 Campos dos Goytacazes................................................................................................................................27 Macaé............................................................................................................................................................28 1.6 – Sul Fluminense.........................................................................................................................................29 Volta Redonda...............................................................................................................................................30 Resende.........................................................................................................................................................31 RELEVO E HIDROGRAFIA...............................................................................................................................33 RELEVO...........................................................................................................................................................33 1.1 Baixada fluminense.....................................................................................................................................34 1.2 Planalto ou Serra fluminense.......................................................................................................................35 1.3 Maciços litorâneos.......................................................................................................................................36 HIDROGRAFIA...............................................................................................................................................36 CLIMA E VEGETAÇÃO.....................................................................................................................................41 CLIMA..............................................................................................................................................................41 O enclave de clima semi-árido .....................................................................................................................41 VEGETAÇÃO.......................................................................................................................................................45 GEOLOGIA..........................................................................................................................................................49 RECURSOS MINERAIS......................................................................................................................................49 REFERÊNCIAS....................................................................................................................................................55

CARACTERÍSTICAS GERAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 1- Localização
O Rio de Janeiro é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Situa-se na porção leste da região Sudeste, tendo como limites os estados de Minas Gerais(norte e noroeste), Espírito Santo (nordeste) e São Paulo (sudoeste), como também o Oceano Atlântico (leste e sul). Ocupa uma área de 43.696,054 km². Sua capital é a cidade homônima. Os naturais do estado do Rio de Janeiro são chamados de fluminenses (do latimflumen, literalmente "rio"). Carioca é o gentílico da cidade do Rio de Janeiro. REGIÃO SUDESTE

Fig. 1.

Localização do Estado

2- População
Com extensão territorial de 43.780,157 quilômetros quadrados, o Rio de Janeiro é o menor estado da Região Sudeste. Conforme contagem populacional realizada em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do estado totaliza 15.989.929 habitantes, sendo a densidade demográfica de 365,2 habitantes por quilômetro quadrado. O território que atualmente corresponde ao Rio de Janeiro era habitado por diversas tribos indígenas: Tupinambás, Goitacá, Guaianás, Tamoios, Botocudo, Tupiniquins, entre outros. Durante o processo de colonização, o Rio de Janeiro recebeu portugueses, franceses, além de escravos africanos. Posteriormente, o estado também foi destino de fluxos migratórios oriundos da Suíça, Alemanha, Itália, Espanha, etc.

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Fig. 2. Proporção dos grupos étnicos no Estado

O Rio de Janeiro obteve ao longo dos anos um aumento populacional extraordinário e, atualmente, é o terceiro estado mais populoso do Brasil. Seus mais de 15,9 milhões de habitantes estão distribuídos em 92 municípios. A cidade do Rio de Janeiro, capital estadual, é a mais populosa: 6.320.446 habitantes. Outros municípios fluminenses com grande concentração populacional são: São Gonçalo (999.728), Duque de Caxias (855.048), Nova Iguaçu (796.257), Niterói (487.562) e Belford Roxo (469.332). Com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,832, o Rio de Janeiro ocupa o 4° lugar no ranking nacional de IDH. A taxa de alfabetização é a terceira maior do país (96%), atrás somente do Amapá (97,2%) e do Distrito Federal (96,6%). O Rio de Janeiro apresenta a segunda melhor média de escolaridade do Brasil: 45,6% de sua população têm oito anos ou mais de estudos. A maioria da população reside em áreas urbanas: 96,7%, o que faz do Rio de Janeiro um dos estados mais urbanizados do Brasil. Os serviços de saneamento ambiental atendem 84,6% das residências fluminenses. A taxa de mortalidade infantil é de 18,3 óbitos a cada mil nascidos vivos, abaixo da média nacional, que é de 22.

Fig. 3. Cidades mais populosas do Estado

3- Economia
Dentre os estados brasileiros, o estado do Rio de Janeiro responde pela segunda maior economia. Seu PIB representa 10,91% do PIB nacional e a bolsa de valores daquele estado movimenta anualmente aproximadamente um bilhão de dólares. Sua capital é freqüentemente associada à produção audio-visual. Segundo dados do Ministério da Cultura, cerca de 80% das produtoras cinematográficas do país têm sede no Rio de Janeiro, e é da mesma proporção a produção de filmes do estado em relação ao total nacional. O 4

Rio é sede da Herbert Richers, maior empresa de tradução e dublagem do Brasil, e berço e quartelgeneral das Organizações Globo, maior conglomerado de empresas de comunicações e produção cultural da América Latina. Nominalmente, estão na cidade as sedes da Rede Globo de Televisão, da Globosat, maior empresa de televisão geradora de conteúdo por assinatura do país, da Rádio Globo e do jornal O Globo, primeira empresa da holding. Além da sede das organizações Globo, no estado está presente o RecNov, complexo de estúdios e dramaturgia daRede Record. Também se sediou no Rio de Janeiro a Rede Manchete, fundada em 1983 e extinta em 1999. O estado (e especificamente a Cidade do Rio de Janeiro), ultimamente tem se destacado como cenário para filmes estrangeiros, principalmente Norte-Americanos.

3.1 –Turismo e serviços
Grande parte da economia do estado do Rio de Janeiro se baseia na prestação de serviços (62,1%), tendo ainda uma parte significativa de indústria e pouca influência no setor de agropecuária. A cidade do Rio de Janeiro é sede da maior parte das operadoras de telefonia do país, como TIM, Oi, Telemar (Oi e Telemar são do mesmo grupo), Embratel,Vésper (a Embratel e Vésper também são do mesmo grupo) e Intelig (recentemente adquirida pelo grupo TIM). No setor de vendas em varejo o estado também ocupa posição de destaque. No Rio de Janeiro estão as sedes de grandes cadeias como Lojas Americanas - e, por conseguinte, de empresas por ela controladas como Blockbuster, Americanas.com e Submarino.com -, Ponto Frio e Casa & Vídeo. Uma das mais importantes atividades econômicas do Rio de Janeiro é o turismo. Na capital do estado existem praias belíssimas (Leme, Copacabana, Leblon, Ipanema, Barra da Tijuca, etc.) e lugares encantadores como o Pão de Açúcar, Pedra da Gávea, Corcovado, Jardim Botânico, etc. Há ainda outras lindas cidades litorâneas, dentre as quais podemos destacar Niterói (antiga capital do estado e unida à atual capital do estado pela ponte Rio-Niteroi); Parati e Angra dos Reis, situadas na região sul do estado com praias e ilhas muito bonitas que podem ser visitadas por barcos e Búzios, Arraial do Cabo e Cabo frio, situadas na região dos lagos. Outra opção de turismo são as cidades serranas, dentre elas podemos citar Petrópolis (Antigo refúgio de D. Pedro II), Teresópolis, Nova Friburgo, Itatiaia e Penedo.

3.2 - Indústria
Em seguida, com 37,5% do PIB vem a indústria - metalúrgica, siderúrgica, gás-química, petroquímica, naval, automobilistica, audiovisual, cimenteira, alimentícia, mecânica, editorial, têxtil, gráfica, de papel e celulose, de extração mineral, extração e refino de petróleo. A indústria química e farmacêutica também ocupa papel de destaque na economia fluminense. Segundo dados da Associação Comercial do Rio de Janeiro, dos 250 laboratórios existentes no país, 80 operam no estado, com destaque para Merck, Glaxo, Roche, Arrow, Barrenne, Casa Granado, Darrow Laboratórios, Gross, Baxter, Schering-Plough, Musa, Daudt, Lundbeck, Mayne e Mappel. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no bairro de Manguinhos, é o maior laboratório público da América Latina e um dos maiores do mundo e ocupa posição de destaque na pesquisa de remédios para diversas moléstias. A Ceras Johnson, fabricante de inúmeros produtos de limpeza e desinfetantes também tem sede no Rio de Janeiro. No sul do estado também se localiza um importante parque industrial, com destaque para a Companhia Siderúrgica Nacional, (maior complexo siderúrgico da América Latina) instalada em Volta Redonda, PSA Peugeot Citroën, Volksvagen Caminhões e Ônibus (maior fábrica de caminhões do Brasil), Coca-Cola (Companhia Fluminense de Refrigerantes), Guardian do Brasil, Galvasud, Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Michelin, White Martins, a Industria Nacional de Aços Laminados (INAL), Companhia Estanifera Brasileira (CESBRA), Usinas Nucleares Angra 1, 2 e 3, entre outras. A Nissan também irá construir uma nova fábrica no município de Resende no sul do Estado. 5

No setor de petróleo, estão sediadas no Rio de Janeiro as maiores empresas do país, incluindo a maior companhia brasileira, a Petrobras. Além dela, Shell, Esso, Ipiranga e El Paso mantêm suas sedes e centros de pesquisa no estado. Juntas, todas estas empresas produzem mais de quatro quintos dos combustíveis distribuídos nos postos de serviço do País. O Governo do estado monitora a produção de petróleo e gás através do CIPEG. A indústria naval tem destaque nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói. Na Baixada Fluminense podemos destacar as refinarias de petróleo e as indústrias petroquímicas na cidade de Duque de Caxias. Além destas grandes companhias, há uma série de empresas no setor de transporte, construção, fábricas de vidro, cimento, indústrias têxteis, estruturas metálicas, trefilações, laminações, indústrias farmacêuticas, Papel e celulose, etc. Este estado tem grandes reservas de gás natural e petróleo na Bacia de Campos, jazidas situadas na costa, próximas à cidade de Campos. Esta jazida submarina é responsável por 83% da produção brasileira de petróleo e ajudo o Brasil a tornar-se auto-suficiente na produção de óleo cru. O estado do Rio de Janeiro também produz grandes quantidades de sal marinho, nas cidades de Cabo Frio e Araruama.

3.3 - Agropecuária
Finalmente, respondendo por apenas 0,4% do PIB fluminense, a agropecuária é apoiada quase integralmente na produção de hortaliças da Região Serrana e do Norte Fluminense. No passado, cana-de-açúcar e depois, o café, já tiveram considerável impacto na economia fluminense. O estado do Rio de Janeiro é a segunda maior economia do Brasil, perdendo apenas para São Paulo, e a quarta da América do Sul, tendo um Produto Interno Bruto superior ao do Chile, com uma participação no PIB nacional de 15,8% (2005 – Fundação CIDE e IBGE).

HISTÓRIA 1.1 - A chegada dos portugueses
A chegada dos portugueses ao Brasil está diretamente relacionada com o grande processo de expansão marítima da Europa no século XV. Como os portugueses alcançaram o cobiçado território das Índias, era preciso estabelecer um contato definitivo com as ricas cidades asiáticas e iniciar as atividades comerciais. Assim, foi organizada uma poderosa expedição, composta por treze navios, comandada pelo fidalgo Pedro Álvares Cabral, com o objetivo de estabelecer o domínio português sobre o comércio das especiarias, quebrando o monopólio que, durante séculos, pertencia às cidades italianas.Em 22 de abril de 1500, a expedição alcançou a costa brasileira, avistando o Monte Pascoal, no atual estado da Bahia. A data do primeiro contato dos portugueses com o território brasileiro, assim como as primeiras impressões sobre a terra, foram registradas na Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manuel I. Visando reconhecer e mapear o território brasileiro, Portugal enviou a primeira expedição exploradora, comandada por Gaspar de Lemos em 1501. Nesta expedição estavam experientes navegadores e cartógrafos, com destaque para Américo Vespúcio. Foram anotados pontos importantes da nossa costa, dos quais destacamos: Cabo de São Roque – 16/08/1501 Rio São Francisco – 04/10/1501 Baía de Todos os Santos – 01/11/1501 Cabo de São Tomé – 21/12/1501 Rio de Janeiro – 01/01/1502 Angra dos Reis – 06/01/1502 6

O nome Rio de Janeiro foi um equívoco cometido pelos navegadores. Ao chegar à entrada da Baía de Guanabara, acreditavam estar diante da foz de um rio. Como era o primeiro dia do ano, chamaram-no Rio de Janeiro. A Baía de Guanabara é um nome de origem indígena, que significa “água escondida”. Com os mesmos objetivos da primeira, a segunda expedição exploradora, comandada por Gonçalo Coelho em 1503, deteve-se na Baía de Guanabara, na atual Praia do Flamengo. Esta expedição também trouxe consigo o experiente Américo Vespúcio, responsável pela fundação da feitoria de Cabo Frio para exploração do pau-brasil, na praia do Cabo da Rama, atual Praia dos Anjos, em Arraial do Cabo. Em abril de 1531, Martim Afonso de Souza chegou ao Brasil comandando a primeira expedição colonizadora. Permaneceu na Baía de Guanabara por cerca de oito meses, depois rumou para São Vicente, em São Paulo, onde fundou a primeira vila do Brasil, em 1532. As principais tribos que habitavam a região sudeste eram os goytacazes, paraíbas, puris, tamoios, goianás, que compunham os maiores grupos. Os grupos menores eram formados pelos coroados, coropós, caiapós, guarus, tupiminós ou temiminós. Com o abandono da feitoria de Cabo Frio, a região foi invadida pelos franceses, que passaram a explorar o pau-brasil. Em 1534, o rei D. João III dividiu o Brasil em quinze lotes latitudinais: as Capitanias Hereditárias. O futuro território fluminense ficou dividido entre duas Capitanias: de São Tomé, pertencente a Pero de Góis de Silveira, e a de São Vicente, pertencente a Martim Afonso de Souza. A divisa entre as duas Capitanias ficava no Rio Macaé – a Capitania de São Vicente era dividida em dois lotes descontínuos. Entre os dois lotes localizava-se a Capitania de Santo Amaro. Pero de Góis iniciou uma ocupação denominada Vila da Rainha, próxima ao Rio Itabapoana, origem do município de São João da Barra. Atacado pelos índios goitacazes, que defendiam suas terras, os colonos abandonaram o povoamento.

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Fig. 4. As capitanias hereditárias

A Capitania de São Vicente estendia-se do Rio Macaé até o atual estado do Paraná, e só foi ocupada na parte sul do atual estado de São Paulo Em 1548, foi criado o Governo Geral do Brasil, com sede em Salvador, na Bahia.

1.2 - A colonização francesa
Em 1555, os franceses, comandados por Nicolau Durand de Villegagnon, invadiram a Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, apoiados pelos índios tamoios. O então Governador Geral, Mem de Sá, enviou em 1560, uma expedição para combater os franceses. Em 1º de março de 1565, foi fundada por Estácio de Sá, a Cidade do Rio de Janeiro, entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, onde hoje se localiza o Centro de Capacitação Física do Exército e a Fortaleza de São João. Em 1567, com a derrota dos franceses, a cidade foi transferida para o Morro do Castelo, arrasado no século XX. A partir daí criou-se a Capitania Real do Rio de Janeiro. A distribuição de terras, as chamadas Sesmarias, para ocupação do território, principalmente na atual Baixada Fluminense, foi farta. O povoamento de Angra dos Reis, em 1559, de Magé, em 1567, de São Lourenço, em 1568, e Maricá, em 1594, deu-se em seguida. A expansão para Cabo Frio, no sentido de Araruama, foi uma conseqüência natural da guerra contra os índios tamoios, o que determinou o extermínio e a escravidão disfarçada dessa tribo. Pelo seu destaque na guerra contra os franceses e tamoios, Araribóia, chefe dos índios temiminós, recebeu, em 1568, do Governador Salvador Correia de Sá, as terras da Sesmaria de São Lourenço, atual Niterói. A doação das terras foi oficializada em 22 de novembro de 1573.

Fig. 5. Esquema da batalha entre franceses e portugueses, na baía de Guanabara, em 15 de Março de 1560

Em 1615, foi fundado o Forte São Mateus, em Cabo Frio, para livrar o Rio de Janeiro do tráfico promovido pelos franceses. São Pedro da Aldeia foi fundada pelos jesuítas para catequese 8

dos indígenas durante este período. A região do estado acima de Macaé pertencia à Capitania de São Tomé, ou Campos dos Goytacazes. Em 1677, foi fundada a Vila de São João, na região de Campos dos Goytacazes. Em função das lutas entre os Correia de Sá e os campistas, o Rei D. José I transferiu a região de Campos para a Capitania do Espírito Santo, retornando ao Rio de Janeiro em 1832. Destacou-se nesta luta a heroína campista, Benta Pereira. O açúcar era até então o principal produto do Rio de Janeiro que possuía grande quantidade de engenhos. No século XVIII, durante o governo de Gomes Ferreira de Andrada foi introduzido o plantio de café.

1.3 - A transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro
Em 1763, a capital do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. A descoberta e a exploração de ouro, em Minas Gerais, aumentaram a importância do Rio de Janeiro, principalmente a atividade portuária. A abertura do Caminho Novo ligando o Rio de Janeiro ao interior de Minas Gerais, intensificou as atividades do porto do Rio de Janeiro, pois as viagens para o interior passaram a ser mais rápidas. Pelo Caminho Velho saía-se do Rio para Parati por mar e, daí, subindo a Serra do Mar chegava-se a Minas Gerais pela Serra da Mantiqueira. O ouro e os diamantes passaram a ser escoados pelo porto do Rio de Janeiro, aumentando a sua importância econômica e política. Em função disso, em 1763, a capital do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro.

1.4 - Século XIX
A invasão de Portugal por tropas de Napoleão obrigou a Família Real Portuguesa a se transferir para o Brasil, em novembro de 1807. Em 1808, com a Abertura dos Portos às Nações Amigas, houve uma grande valorização das terras da cidade do Rio de Janeiro e proximidades. Isto deveu-se ao fato de a Corte portuguesa ter fixado residência no Rio de Janeiro e a cidade ter-se beneficiado com o aumento do comércio internacional. Na época havia apenas duas cidades: Rio de Janeiro e Cabo Frio e as Vilas: Angra dos Reis, Parati, Magé, Macacu, São Salvador (Campos dos Goytacazes) e São Gonçalo. Niterói só foi considerada Vila em 1819, com a criação da Vila Real de Praia Grande. A economia girava em torno do comércio marítimo entre o Rio de Janeiro e Lisboa e os portos da África, na Guiné, em Angola e Moçambique. O açúcar era o principal produto manufaturado da região de Campos e Baixada Fluminense, além do ouro e diamantes, embora decadentes. O tráfico de escravos, esse terrível e desumano comércio, também era de grande importância. Crescia a produção de café do Rio de Janeiro que se expandiu para a Baixada Fluminense e, daí, para o Vale do Rio Paraíba do Sul. Em 1822, o Rio de Janeiro passou a sediar o Império do Brasil, cuja capital era a cidade do Rio de Janeiro. Em 1834, com o Ato Adicional promulgado pelo Governo Regencial, foi criado o Município Neutro. Assim a Cidade do Rio de Janeiro ficou separada da Província do Rio de Janeiro. Até meados da década de 1870, a aristocracia cafeeira do Rio de Janeiro dominou o país, pois a província era responsável por 60% da produção nacional. Com o esgotamento das terras e a expansão do café para o Espírito Santo e São Paulo, a economia local começou a entrar em declínio. A Abolição da Escravatura, em 1888, e a Proclamação da República, em 1889, ambas ocorridas na cidade do Rio de Janeiro, foram fundamentais para a decretação da falência final da província. As novas relações econômicas capitalistas e o poder político eram liderados por São Paulo.

1.5 – República e o Século XX

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O século XX marcou o grande desenvolvimento do agora Distrito Federal,antigo Município Neutro, localizado na cidade do Rio de Janeiro, enquanto o Estado do Rio de Janeiro, antiga província, tinha sua economia estagnada. A capital federal foi palco de diversos acontecimentos políticos e sociais, como a Proclamação da República, a Promulgação da Constituição de 1891, a primeira da República, as revoltas da Armada e da Chibata, a revolta da Vacina, a revolta dos Dezoito do Forte, a Revolução de 1930, que provocou profundas mudanças políticas no país, o golpe de 1937, com a instalação da ditadura do Estado Novo, sob o comando de Getúlio Vargas, a redemocratização do país em 1946, a luta pela criação da Petrobras e o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, o.Golpe Militar de 1964, as passeatas de 1968, com a morte do estudante Edson Luiz, as memoráveis campanhas eleitorais, após a luta pela abertura política e pela anistia, o grande comício das Diretas Já, a Passeata dos caras-pintadas pelo impedimento do Presidente Fernando Collor de Mello, enfim o Rio de Janeiro é um grande centro gerador de riquezas e é, ainda hoje, um grande centro de acontecimentos políticos e sociais, que repercutem em todo o país. Em 1960, a cidade do Rio de Janeiro perdeu o título de Capital Federal para Brasília. Foi criado, então, o Estado da Guanabara, que possuía as terras do antigo Distrito Federal. O Estado do Rio de Janeiro continuava separado da cidade que lhe dera o nome. Em 1975, o Governo Federal, ainda sob o regime militar, resolveu reintegrar a cidade do Rio de Janeiro, então Estado da Guanabara, ao antigo Estado do Rio de Janeiro. Pela Lei Complementar nº 20, de 3 de junho de 1974, encaminhada ao Congresso Nacional pelo Presidente Ernesto Geisel, ficava estabelecida a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, com o nome de Estado do Rio de Janeiro. A fusão seria efetivada a partir de 15 de março de 1975. Com a abertura política e a volta das eleições diretas para governador, os fluminenses elegem no ano de 1982 Leonel de Moura Brizola (PDT), exilado político desde 1964 que voltava ao Brasil com a bandeira do trabalhismo varguista, o que conquistou o eleitorado insatisfeito com o segundo governo de Chagas Freitas. Brizola angaria nesse primeiro mandato a antipatia do eleitorado conservador devido as suas políticas de amparo às comunidades carentes, encaradas como de cunho populista. No seu primeiro governo, Brizola constrói o Sambódromo e dá início aos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), escolas projetadas por Oscar Niemeyer e idealizadas pelo professor Darcy Ribeiro para funcionarem em tempo integral. A crescente crise na área da segurança pública e os desgastantes atritos com as Organizações Globo acabaram por impedir que ele fizesse seu sucessor. Nas eleições de 1986, Moreira Franco é eleito governador pelo PMDB numa ampla aliança antibrizolista que ia do PFL ao PC do B. Moreira teve a ajuda do Plano Cruzado, plano econômico lançado no governo do presidente José Sarney que visava o controle da inflação e que malogrou ante a acusação, por parte da oposição, de ter sido eleitoreiro. A decepção com o governo Moreira Franco, que não cumpriu a promessa de acabar com a violência em seis meses, levou o eleitorado fluminense a eleger Leonel Brizola novamente, em 1990. Em seu segundo mandato Brizola conclui os CIEP, constrói a Linha Vermelha, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), amplia o sistema de abastecimento hídrico do Guandu e dá início ao Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG). Porém os problemas crônicos na área de segurança bem como nas contas públicas estaduais, fazem o estado sofrer uma "intervenção branca" do governo federal no ano de 1992, durante a conferência mundial sobre ecologia ECO-92, e também no ano de 1994. A utilização de tropas das Forças Armadas no patrulhamento das ruas da capital é amplamente apoiada pela população. Em meio a esses problemas, Brizola renuncia ao mandato a fim de concorrer às eleições presidenciais. O governo estadual é assumido pelo seu vice Nilo Batista que após 8 meses passa o comando para Marcello Alencar, eleito pelo PSDB em 1994 graças ao bom desempenho de sua passagem pela prefeitura da cidade do Rio e ao sucesso Plano Real. Marcello retoma as obras do Metrô paralisadas desde a gestão Moreira Franco, constrói a Via Light e implementa uma política de segurança pública mais voltada ao confronto armado, o que acaba por gerar antipatia da população de baixa renda, mais exposta aos enfrentamentos entre a polícia e bandidos.

1.6 – Era contemporânea
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Na eleição seguinte, Anthony Garotinho, apadrinhado à época por Brizola e que anteriormente havia perdido a eleição para Alencar, é eleito governador pelo PDT, apoiado por uma aliança de esquerda que inclui como vice na chapa a então senadora Benedita da Silva, do PT, que o substitui em 2002 quando ele também renuncia, como Brizola, visando a corrida presidencial. Benedita assume em meio a problemas de ordem política - Garotinho rompe a aliança com o PT, sob acusações de fisiologismo - e fiscal que acabam por impedi-la de se reeleger, sendo derrotada por Rosinha Garotinho, esposa de Anthony Garotinho, que procura, após eleita, manter o estilo por vezes controvertido de governar de seu marido, enfrentando ainda duras críticas com relação à situação da segurança pública. Nas eleições de 2006 o eleitorado fluminense elegeu Sérgio Cabral Filho como o novo governador. A vitória ocorreu no segundo turno após vencer a ex-juíza Denise Frossard, apoiada por Cesar Maia. Apesar de pertencer ao mesmo partido de Garotinho e Rosinha (PMDB) Cabral vem dissociando, desde a campanha, sua imagem da do casal. A aproximação com o presidente Lula, a nomeação de Benedita da Silva eJoaquim Levy para o seu secretariado e a extinção de projetos como o Cheque-Cidadão e Jovens pela Paz (considerados como marcas registradas do período Garotinho/Rosinha) foram atitudes tomadas por Cabral que sinalizam este distanciamento, mas que permitiram ao mesmo alcançar a reeleição no ano de 2010.

DIVISÃO REGIONAL
O estado do Rio de Janeiro é divido estatisticamente dezoito microrregiões e 92 municípios, segundo o IBGE. em seis mesorregiões,

Fig. 6. Mesorregiões do Estado do Rio de Janeiro

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MICRORREGIÃO

MUNICÍPIO
Casemiro de Abreu

BACIA DE SÃO JOÃO Rio das Ostras Silva Jardim Araruama Armação dos Búzios LAGOS Arraial do Cabo Cabo Frio Iguaba Grande São Pedro da Aldeia Saquarema

1.1 1.2 1.3

1.1 - Baixadas litorâneas
É formada por dez municípios divididos em duas Microrregiões. A região apresenta grandes áreas de baixada e restinga, compondo, no seu litoral, um conjunto formado por vários lagos e grandes extensões de praias, um dos motivos que faz com que essa região seja um dos pontos turísticos do estado que atrai milhares de pessoas em períodos de férias, festas ou feriados prolongados.

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Fig. 7. Mesorregião Baixadas Litorâneas

Microrregião dos lagos
A Microrregião dos Lagos, usualmente conhecida como Região dos Lagos atualmente classificada como Região da Costa do Sol[1] é uma região do Estado do Rio de Janeiro pertencente à mesorregião das Baixadas Litorâneas. Possui uma área de 2.004,003 km², sua população atual é de 538.650 habitantes e está dividida em sete municípios em torno das lagoas de Araruama e Saquarema, a leste da capital do Rio de Janeiro. É considerada uma das mais belas regiões No total, a Região dos Lagos é formada por sete municípios que compreendem mais de 100 quilômetros de litoral: Araruama, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia e Saquarema. Todas elas são marcadas por inúmeras lagoas e praias, desde as de mar aberto até aquelas de enseada, com águas calmas, favoráveis para o mergulho. Dentre os municípios citados, os principais são Araruama e Cabo Frio, que são os maiores em questões econômicas, territoriais e turísticas (Nesse quesito podem-se incluir também Arraial do cabo e Búzios). do litoral fluminense, marcada pelo turismo e pela indústria do sal. A região conta com um aeroporto internacional, o Aeroporto de Cabo Frio, um dos principais do Estado do Rio de Janeiro e que serve a toda a região. A via de acesso à capital fluminense se dá principalmente pela Via Lagos, ou RJ-124, rodovia pedagiada que corta a região no sentido lesteoeste. A atividade mais tradicional encontrada na região continua sendo a extração de sal marinho, presente em abundância por toda a costa fluminense. Geralmente junto às salinas encontram-se os moinhos de ventos, considerados também um dos símbolos da região, juntamente com os 300 dias de sol por ano. Ao visitar as várias cidades que compõem o cenário dessa região litorânea, não é difícil encontrar colônias de pescadores espalhadas pelas praias mais calmas. Apesar de todo o desenvolvimento, ainda existem muitas famílias que vivem em função da pesca, o que intensifica ainda mais a tonalidade rústica de algumas de suas paisagens. O turismo compõe atualmente uma grande parcela do PIB da região, principalmente dos municípios de Araruama, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios. Dentre todas essas citadas, as mais 13

visitadas por turistas são Cabo Frio e Búzios. A região é conhecida por sua vida noturna, belezas naturais e praias. A partir dos anos 60, com o desenvolvimento da indústria automobilística no País, a região transformou-se num grande pólo de atração de veranistas, constituindo-se num grande mercado imobiliário com uma demanda localizada principalmente na capital do Estado, o que se acentuou com a construção da Ponte Rio-Niterói. Tal impulso imobiliário provocou grandes transformações na região, que viu ampliar a sua malha urbana de forma excepcional nos últimos 30 anos, sem estar devidamente preparada para absorver os impactos desta expansão indiscriminada. No seu interior, a região compõe-se de grandes extensões de áreas planas com potencial para a agricultura que, no entanto, vêm também sendo substituídas pelo parcelamento do solo decorrente da expansão das grandes manchas urbanas. Junto às áreas de encosta da Serra do Mar ocorre a produção olerícola e plantações de banana e nos vales dos rios São João e Una desenvolvem-se a cana-de-açúcar, a rizicultura e a bovinocultura. O quadro natural e a localização estratégica da região se constituem num grande potencial de desenvolvimento social e econômico. No entanto, o equilíbrio ambiental encontra-se ameaçado como o principal entrave ao desenvolvimento regional sustentável, de acordo com o Planejamento da Secretaria de Estado.

São Pedro da Aldeia
São Pedro da Aldeia é destaque por ser a cidade conservadora da história não só do município, mas de toda a região. Na cidade é possível encontrar a Casa da Flor e a Igreja Matriz, ambas tombadas pelo Patrimônio histórico; o único Museu da Aviação Naval do Brasil, e em fase de conclusão o Museu ferroviário da Região dos Lagos na Antiga estação São Pedro. As praias são um capítulo a parte, águas termicamente agradáveis banhadas pela Laguna Araruama, a maior laguna hipersalina do mundo. Esportivamente São Pedro da Aldeia é excelente para prática de esportes náuticos, como kitesurf, Windsurf e Iatismo, por ter ventos fortes e águas tranquilas.

Fig. 8. São Pedro da Aldeia

Araruama
Araruama é conhecida pela sua vocação turística familiar. Existem dentro do território da cidade, cerca de 20 praias, que estão entre as melhores para prática de esportes náuticos no mundo. Na cidade ficam localizados os distritos de Araruama (centro e bairros próximos), famoso pela característica urbana e pelas suas praias calmas e rasas, e o de Praia Seca (Bairros afastados do centro), famoso pelas praias oceânicas com águas cristalinas e ondas ideais para a prática do Surf, e as famosas salinas. Por um tempo a cidade passou por um período de esquecimento turístico, que ao longo dos anos vem se recuperando e retomando seu fôlego. Hoje além das praias, Araruama é reconhecida pela sua qualidade de vida e comércio atuante. Junto com Cabo Frio a cidade se torna um dos principais centros urbanos da Região dos Lagos. 14

Armação dos Búzios
Búzios é muito famosa também por suas praias, que ganharam atenção mundial desde a passagem da atriz Brigitte Bardot pela cidade. Desde a década de 1980 é muito frequentada por argentinos e uruguaios. A partir da sua emancipação do Município de Cabo Frio em 1995, Búzios se consolidou como um dos principais destinos turísticos fluminenses e brasileiros.

Cabo Frio
Cabo Frio se mantém, junto com Araruama, como o grande centro político e urbano da região, aliando a infra-estrutura aérea com maior quantidade de serviços. Além disso, possui praias famosas por suas águas tranquilas e cristalinas, que fazem da cidade o principal cartão postal da região, sendo um grande destino turístico dos fluminenses e de mineiros. a cidade também é uma as favoritas do estrangeiros.

Arraial do Cabo
Arraial do Cabo é conhecida pelo fenômeno da ressurgência, comum a toda a região mas que atinge seu ponto alto nas praias do município, e com isso recebe a alcunha de a capital do mergulho.

Fig. 9. Arraial do cabo

1.2 – Centro fluminense
A mesorregião do Centro Fluminense ou região metropolitana de Nova Friburgo é uma das seis mesorregiões do estado brasileiro do Rio de Janeiro. É formada pela união de dezesseis municípios agrupados em quatro microrregiões. É a única mesorregião que faz divisa com todas as outras mesorregiões do estado. Suas principais cidades são Nova Friburgo, Três Rios e Paraíba do Sul.As geadas nos meses de inverno na região serrana,são frequentes em Nova Friburgo,Petrópolis, e Teresópolis a menor temperatura relatada na região e no interior do estado foi e -7°C graus negativos no pico da Caledônia em Nova Friburgo,e sendo que a única cidade do interior estado do Rio de Janeiro que a registro de neve no século XIX. MICRORREGIÃO
Cantagalo CANTAGALO-CORDEIRO Carmo Cordeiro Macuco Bom jardim NOVA FRIBURGO Duas Barras Nova Friburgo Sumidouro SANTA MARIA MADALENA Santa Maria Madalena

MUNICÍPIO

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São Sebastião do Alto Trajano de Morais Areal Comendador Levy Gasparian TRÊS RIOS Paraíba do Sul Sapucaia Três Rios

Nova Friburgo
O município tem um forte apelo para o turismo devido à sua paisagem, aos seus rios e trilhas, e aos seus lugares bucólicos. A rede hoteleira instalada é a segunda do estado, perdendo apenas para a capital do estado, Rio de Janeiro. O distrito urbano é procurado por famílias e casais devido ao clima frio, à tranquilidade e ao romantismo. Friburgo possui também atrações afastadas de centro, procuradas por praticantes de ecoturismo e esportes de aventura. Um dos distritos mais conhecidos é o vilarejo de São Pedro da Serra. O município também é conhecido como a Capital Nacional da Moda Intíma, por sua enorme produção (em torno de 600 000 000 de reais) com grande variedade de modelos. Suas marcas estão começando a competir no mercado exterior (exporta, atualmente, 4 600 000 dólares estadunidenses). 25 por cento da produção nacional de lingerie é produzida no município. Nova Friburgo é a segunda maior produtora de flores do Brasil, sendo superada apenas por Holambra, em São Paulo. Nos últimos anos, o município tem recebido muitos estudantes, que procuram as universidades do município, evitando os grandes centros. Apesar da grande tradição industrial trazida pela imigração alemã desde o final do século XIX, com fábricas como a Arp Fios e Bordados, Ypu, Filó, Sinimbu, entre outras, desde 1990 o município tem experimentado um lento crescimento econômico, principalmente no setor industrial, mas que desde 2004 vem se recuperando expressivamente. Esse período foi marcado em todo país pela abertura do mercado interno às importações, realizada pelo então presidente Fernando Collor de Mello. As principais indústrias do município são do setor têxtil, seguido pelo setor metalúrgico. O município tem no setor agrícola uma fatia considerável de sua receita. A maior parte do PIB derivase do setor dos serviços, seguido pela indústria e a agricultura. A cidade também tem o quarto melhor nível de vida do estado do Rio de Janeiro, com um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,818.

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Fig. 10. Nova Friburgo

Fig. 11. Mesorregião Centro Fluminense

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1.3 – Metropolitana do Rio de Janeiro
É formada pela união de trinta municípios agrupados em cinco microrregiões. É a maior, mais rica e mais densamente povoada mesorregião do estado. Nela se localiza a capital e a maior parte dos municípios com mais de cem mil habitantes. Dentro do conceito político, administrativo e cultural fluminense a microrregião de Vassouras pertence à Mesorregião do Sul Fluminense, a microrregião Serrana insere-se na mesorregião do Centro Fluminense. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tal como considerada pelo IBGE (incluídos os municípios de Itaguaí, Mangaratiba e Maricá), ostenta um PIB de R$172,563 bilhões, constituindo o segundo maior pólo de riqueza nacional. Concentra 70% da força econômica do estado e 8,04% de todos os bens e serviços produzidos no país. Há muitos anos congrega o segundo maior pólo industrial do Brasil, contando com refinarias de petróleo, químicas, siderúrgicas, têxteis, gráficas, editoriais, farmacêuticas, de bebidas, cimenteiras e moveleiras. No entanto, as últimas décadas atestaram uma nítida transformação em seu perfil econômico, que vem adquirindo, cada vez mais, matizes de um grande pólo nacional de serviços e negócios. Reúne os principais grupos nacionais e internacionais do setor naval e os maiores estaleiros do país e do estado – o qual detém cerca de 90% da produção de navios e de equipamentos offshore no Brasil. No setor de petróleo, verifica-se um arranjo consentâneo de mais de 700 empresas, dentre as quais as maiores do Brasil (Shell, Esso, Ipiranga, Chevron Texaco, El Paso, Repsol YPF). A maioria mantém centros de pesquisa espalhados por todo o estado e, juntas, produzem mais de 4/5 do petróleo e dos combustíveis distribuídos nos postos de serviço do território nacional.

Fig. 12. Refinaria de Duque de Caxias

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Fig. 13. Porto de Itaguaí Fig. 14. Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro MICRORREGIÃO ITAGUAÍ MACACU-CACERIBU RIO DE JANEIRO MUNICÍPIO Itaguaí Mangaratiba Seropédica Macacu Rio Bonito Belford Roxo

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SERRANA

VASSOURAS

Duque de caxias Guapimirim Itaboraí Japeri Magé Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Queimados Rio deJaneiro São Gonçalo São João de Meriti Tanguá Petrópolis São José do Vale do Rio Preto Teresópolis Engenheiro Paulo de Frontin Mendes Miguel Pereira Paracambi Paty do Alferes Vassouras

Petrópolis
O clima ameno, as construções históricas e a abundante vegetação são grandes atrativos turísticos. Além disso, a cidade possui um movimentado comércio e serviços, além de produção agropecuária (com destaque para a fruticultura) e industrial. Fundada por iniciativa de Dom Pedro II, é constantemente chamada de Cidade Imperial. Petrópolis é a sede do Laboratório Nacional de Computação Científica, uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia. A história da cidade começou a configurar-se mais propriamente em 1822, quando dom Pedro I, a caminho de Minas Gerais pelo Caminho do Ouro, mais precisamente pelo Caminho do Proença ou Variante do Caminho Novo da Estrada Real, hospedou-se na fazenda do padre Correia e ficou encantado com a região. Tentou comprar as terras, porém sem sucesso. Por fim, adquiriu uma fazenda vizinha, a fazenda do Córrego Seco, que renomeou Imperial Fazenda da Concórdia, onde pretendia construir o Palácio da Concórdia. Hoje, a propriedade corresponde, com alguns acréscimos, à área do primeiro distrito de Petrópolis. Os planos do primeiro imperador não foram concluídos, mas dom Pedro II continuou com os planos e, em 1843, assinou um decreto pelo qual determinava o assentamento de uma povoação e a construção do sonhado palácio de verão, que ficou pronto em 1847. A partir de então, durante o verão, a cidade tornava-se a capital do Império com a mudança de toda a corte. Pedro II governou por 49 anos e, em pelo menos quarenta verões, permaneceu em Petrópolis, eventualmente por até cinco meses. Independentemente da época do ano, era em Petrópolis que moravam os representantes diplomáticos estrangeiros. Entre 1894 e 1903, foi capital do estado do Rio de Janeiro, em substituição a Niterói, devido à Revolta da Armada. Também neste período, foi eleito Hermogênio Silva, o único vice-governador fluminense cuja base política era Petrópolis. O sanitarista Oswaldo Cruz foi nomeado seu primeiro prefeito em 1916. A importância política da cidade perdurou por décadas, mesmo depois do fim do Império. Todos os presidentes da república, de Prudente de Morais a Costa e Silva, passaram pelo menos alguns dias na cidade imperial durante seus mandatos. O mais assíduo dentre eles foi Getúlio Vargas, cujas estadias, durante o Estado Novo, duravam até três meses. Como consequência da transferência da capital do Brasil para Brasília, Petrópolis perdeu consideravelmente sua importância no contexto político do país.

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Fig.15. Catedral de São Pedro de Alcântara

Rio de janeiro
Capital do estado homônimo, é a segunda maior metrópole do Brasil, situada no Sudeste do país. Cidade brasileira mais conhecida no exterior, maior rota do turismo internacional no Brasil e principal destino turístico na América Latina e em todo Hemisfério Sul, a capital fluminense funciona como um "espelho", ou "retrato" nacional, seja positiva ou negativamente. É um dos principais centros econômicos, culturais e financeiros do país, sendo internacionalmente conhecida por diversos ícones culturais e paisagísticos, como o Pão de Açúcar, o Morro do Corcovado com a estátua do Cristo Redentor, as praias dos bairros de Copacabana, Ipanema e Barra da Tijuca (entre outros), o Estádio do Maracanã, o Estádio Olímpico João Havelange, as florestas da Tijuca e da Pedra Branca, a Quinta da Boa Vista, a ilha de Paquetá, o Réveillon de Copacabana e o Carnaval. Representa o segundo maior PIB do país (e o 30º maior do mundo), estimado em cerca de 140 bilhões de reais (IBGE/2007), e é sede das duas maiores empresas brasileiras - a Petrobras e a Vale, e das principais companhias de petróleo e telefonia do Brasil, além do maior conglomerado de empresas de mídia e comunicações da América Latina, as Organizações Globo. Contemplado por grande número de universidades e institutos, é o segundo maior pólo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, responsável por 17% da produção científica nacional - segundo dados de 2005. Rio de Janeiro é considerada uma cidade global beta - pelo inventário de 2008 da Universidade de Loughborough (GaWC). Foi capital do Brasil Colônia a partir de 1763, capital do Império Português na época das invasões de Napoleão, capital do Império do Brasil, e capital da República até a inauguração de Brasília, na década de 1960. É também conhecida por Cidade Maravilhosa, e aquele que nela nasce é chamado de carioca. A cidade ocupa a margem ocidental da baía de Guanabara e algumas de suas respectivas ilhas (como Governador e Paquetá), e desenvolveu-se sobre estreitas planícies 21

aluviais comprimidas entre montanhas e morros. A serra do Mar, rebordo do planalto Atlântico, ergue-se a noroeste, distando cerca de 40 quilômetros do litoral, e divisa a metrópole do interior. O Rio de Janeiro está assentado sobre três grandes maciços: o da Pedra Branca, que atravessa a cidade no sentido leste-oeste (onde se encontra o ponto culminante do município, o pico da Pedra Branca, de 1 024 metros; o de Gericinó, ao norte (com o pico do Guandu, de 900 metros); e o da Tijuca ou da Carioca, sobre o qual irrompem morros e picos, alguns cobertos por exuberante vegetação, de grande interesse turístico: o pico da Tijuca (1.022 m), o Bico do Papagaio (975 m), o Andaraí (900 m), a Pedra da Gávea (842 m), o Corcovado (704 m), o Dois Irmãos (533 m) e o Pão de Açúcar (395 m), que se encontra à entrada da baía. Seu litoral tem 197 quilômetros de extensão, inclui mais de 100 ilhas que ocupam 37 km², e desdobra-se em três partes, voltadas à baía de Sepetiba, ao oceano Atlântico e à baía de Guanabara. O litoral da baía de Sepetiba tem como únicoacidente geográfico de expressão a Restinga da Marambaia e é arenoso, baixo e pouco recortado. O litoral da baía de Guanabara é recortado, baixo, abarca muitas ilhas (como a do Governador, de 29 km², local do Aeroporto Internacional do Galeão) e, em suas margens, situam-se o centro comercial e os subúrbios industriais.O litoral Atlântico expressa alternâncias consideráveis, apresentando-se ora alto, quando em contato com as ramificações costeiras dos maciços da Pedra Branca e da Tijuca, ora baixo, trecho pelo qual se estendem as praias de Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, todas integradas à paisagem urbana. Diversas lagoas, como as da Tijuca, Marapendi, Jacarepaguá e Rodrigo de Freitas formaram-se nas baixadas, muitas de terreno pantanoso a ainda não completamente drenado.

Fig. 16. Urca e Copacabana vistas do Pão-de-açúcar.

Em razão da alta concentração de indústrias na região metropolitana, o Rio de Janeiro, como a maioria das grandes metrópoles brasileiras, tem enfrentado sérios problemas de poluição ambiental. A baía de Guanabara, vitimizada pela perda secular das áreas de mangue, agoniza com resíduos provenientes de esgotos domiciliares e industriais, além dos derrames de óleo e da crescente presença de metais pesados. Não obstante suas águas se renovem ao confluírem para o mar, a baía é receptora final de todos os afluentes gerados nas suas margens e nas bacias dos 22

muitos rios e riachos que nela deságuam. Mais de 14 mil estabelecimentos industriais e quatorze terminais marítimos de carga e descarga de produtos oleosos estão entre os principais causadores da poluição. Os níveis de material particulado no ar também se encontram duas vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, em parte devido à numerosa frota de veículos em circulação. Em uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, o Rio de Janeiro foi apontado como a quinta capital mais poluída do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba. As águas da baía de Sepetiba seguem lentamente o caminho traçado pela baía de Guanabara, embora com características de degradação distintas. Esgotos domiciliares produzidos por uma população da ordem de 1,29 milhão de habitantes degradam diretamente a qualidade sanitária das águas quando lançados sem tratamento em valões, córregos ou rios. Com relação à poluição industrial, rejeitos de grande toxicidade, dotados de altas concentrações de metais pesados - principalmente zinco e cádmio -, já foram despejados ao longo dos anos por fábricas dos distritos industriais de Santa Cruz,Itaguaí e Nova Iguaçu, implantados sob orientação de políticas estaduais voltadas, sobretudo, à polarização da expansão fabril em áreas menos congestionadas. A lagoa de Marapendi e a lagoa Rodrigo de Freitas têm sofrido com a leniência das autoridades e o avanço dos condomínios no local. O despejo de esgoto por ligações clandestinas e a consequente proliferação de algas diminuem a oxigenação das águas, ocasionando a mortandade de peixes. Estima-se que, a contar do início do século passado até os dias atuais, o espelho d'água da lagoa tenha perdido 40% de sua cobertura original. Algumas praias da orla carioca, na maior parte do ano, encontram-se impróprias para o banho. É comum após um grande temporal a formação de "línguas negras" nas areias das praias, originadas de detritos trazidos dos morros pelas chuvas. Segundo boletim da Secretaria Municipal do Meio Ambiente , parte de Ipanema, Arpoador e Praia Vermelha, além de Bica, Guanabara e Central (Urca), são consideradas impróprias para o banho, haja vista que suas areias têm alta concentração de coliformes e da bactéria Escherichia coli, que indica a presença de lixo e fezes. Há, por outro lado, sinais de despoluição na lagoa Rodrigo de Freitas, um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro. Uma parceria público-privada estabelecida em 2008 visa garantir que, até 2011, as águas da lagoa estejam próprias para o banho. As ações de despoluição envolvem a planificação do leito, com transferência de lodo para grandes crateras presentes na própria lagoa, e a criação de uma nova ligação direta e subterrânea com o mar, que contribuirá no sentido de aumentar a troca diária de água entre os dois ambientes. O Rio de Janeiro é uma cidade de fortes contrastes econômicos e sociais, apresentando grandes disparidades entre ricos e pobres. Enquanto muitos bairros ostentam um Índice de Desenvolvimento Humano correspondente ao de países nórdicos (Gávea: 0,970; Leblon: 0,967; Jardim Guanabara: 0,963; Ipanema: 0,962; Barra da Tijuca: 0,959), em outros, observam-se níveis bem inferiores à média municipal, como é o caso do Complexo do Alemão (0,711) ou da Rocinha (0,732). Embora classificada como uma das principais metrópoles do mundo, uma porção significativa dos 6,1 milhões de habitantes da cidade vive em condições de pobreza. Parte de seus numerosos subúrbios é composta por favelas, aglomerados urbanos normalmente construídos sobre morros, onde as condições de moradia, saúde, educação e segurança são extremamente precárias. Um aspecto original das favelas do Rio é a proximidade aos distritos mais valorizados da cidade, simbolizando a forte desigualdade social, característica do Brasil. Alguns bairros de luxo, como São Conrado, onde se localiza a favela da Rocinha, encontram-se "espremidos" entre a praia e os morros. Nas favelas, ensino público e sistema de saúde deficitário ou inexistente, aliado à saturação do sistema prisional, contribuem com a intensificação da injustiça social e da pobreza.

1.4 – Noroeste fluminense
É formada pela união de treze municípios agrupados em duas microrregiões. É a mesorregião que concentra os maiores índices de pobreza do estado. 23

Fig. 17. Mesorregião Noroeste Fluminense

MICRORREGIÃO

MUNICIPÍO Bom Jesus do Itabapoana Italva Itaperuna

ITAPERUNA

Laje do Muriaé Natividade Porciúncula Varre-Sai Aperibé Cambuci

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA

Itaocara Miracema Santo Antônio de Pádua São José de Ubá

Itaperuna
Itaperuna vem se tornando um pólo estudantil no estado do Rio de Janeiro por agrupar faculdades particulares e determinados cursos em faculdades públicas, como a UFF, CEDERJ, FAETEC e FUNITA. O Fluxo de estudantes vindos de cidades vizinha diariamente é muito grande. 24

Muitos também fixam residencia na cidade durante o período de estudos, muitos vindos também de outros estados como Minas Gerais (Zona da Mata Mineira), Espirito Santo e Bahia. Em 2009, o Instituto Federal Fluminense, antigo CEFET CAMPOS, iniciou suas atividades na cidade ofertando os cursos técnicos de Eletrotécnica e Guia de Turismo. Hoje, o campus também conta com os cursos de informática e eletromecânica. Isto devido a faixa etária média dos habitantes da cidade ter decaído mais do que o esperado na última década. É também composta por várias faculdades particulares, dentre elas a Sociedade Universitária Redentor Faculdade Redentor, Centro Universitário São José e UNIG. A cidade conta com vários cursos como administração de empresas, arquitetura, comunicação social, ciências biológicas, ciências contábeis, direito, educação física, enfermagem, engenharia civil, engenharia mecânica, engenharia de produção, engenharia de petróleo, farmácia, física, fisioterapia, fonoaudiologia, geografia, história, letras, matemática, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, pedagogia, psicologia, serviço social e sistema de informação. É a mais desenvolvia e a maior cidade do Noroeste Fluminense. Na cidade há universidades, grandes empresas e um comércio bem desenvolvido. Destaque também para agropecuária, que está em pleno Desenvolvimento. Entre as grandes empresas situadas em Itaperuna estão a Fábrica de Freios Boechat, a Parmalat (Leite Glória), a Camargo Correia, a Rocha Costa Engenharia e a Fábrica de Laticínios Marília. Itaperuna também possui o comércio mais desenvolvido do Noroeste e atende um enorme fluxo de pessoas diariamente , de Itaperuna e cidades vizinhas. Na Avenida Cardoso Moreira, Rua Assis Ribeiro e Rua 10 de Maio estão localizados o maior numero de lojas e escritórios comerciais da cidade. Itaperuna também é um polo de confecções, e atende de forma significativa a demanda regional. As grandes lojas de confecções que estão situadas na Rua José Rafael Vieira, ao lado do Terminal Rodoviário, recebem muitas excursões de revendedores de toda a região.

Fig. 18. Itaperuna

1.5 – Norte Fluminense
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É formada pela união de nove municípios em duas microrregiões. É a mesorregião com maior PIB per capita do estado, devido à grande exploração de petróleo. A "capital" do Norte Fluminense é Campos dos Goytacazes, com aproximadamente 465 000 habitantes. É um grande polo universitário; em Campos, localiza-se a UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), além de quatro universidades públicas e mais de dez particulares. Destaca-se o CEFET de Campos dos Goytacazes, um dos melhores CEFETs do Brasil. Vale ressaltar que a região situa-se, na verdade, na região nordeste do estado do Rio de Janeiro. Por esta razão, sua denominação mais coerente seria "região nordeste fluminense".

Fig. 19. Mesorregião Norte Fluminense

MICRORREGIÃO

MUNICÍPIO Campos dos Goytazaces Cardoso Moreira

CAMPOS DOS GOYTACAZES

São Fidelis São Francisco do Itabapoana São João da Barra Carapebus

MACAÉ

Conceição de Macabu Macaé Quissamã

Quissamã
Quissamã possui um dos maiores patrimônios históricos e culturais do Estado do Rio de Janeiro, especificamente relacionado com o desenvolvimento e apogeu da produção do açúcar no norte fluminense. 26

Destacam-se várias construções bem preservadas e abertas à visitação como a Casa da Fazenda Mato de Pipa de 1777 (a mais antiga casa de senhor de engenho do norte fluminense) e a Casa da Fazenda Quissamã de 1826 (que pertenceu aos viscondes de Araruama e de Quissamã e, atualmente, é um museu). Existem vários outros solares do século XIX bem preservados como os das fazendas São Manoel, Santa Francisca, Melo, Floresta, entre outros. Outras construções de importância história estão abandonadas, como a Casa da Fazenda Mandiqüera e o Engenho Central de Quissamã (o primeiro da América Latina). Há ainda ruínas imponentes como a Casa da Fazenda Machadinha, que pertenceu a um neto do duque de Caxias, cujas senzalas estão ainda habitadas por pessoas que preservaram uma culinária típica e o canto e dança do "fado de Quissamã", uma forma de jongo. Com a verba dos royalties pagos pela Petrobras, Quissamã pode investir em obras de infraestrutura como asfalto, saneamento básico, eletrificação rural e irrigação para pequenos e médios produtores. O principal desafio vivido pelo município, hoje, é alcançar autonomia em relação à monocultura da cana-de-açúcar sem tornar-se dependente da receita gerada pelo petróleo. O governo municipal desenvolve políticas de incentivo a outros gêneros de agricultura, como o plantio de coco, abacaxi e aipim. Quissamã é o maior produtor de coco do estado do Rio de Janeiro. Um setor promissor é o de turismo ecológico, histórico e rural. O resgate do patrimônio histórico-cultural foi feito com a restauração da Casa da Fazenda Quissamãe criação do Museu de Quissamã e do Parque Municipal; a restauração do complexo arquitetônico da fazenda de Machadinha; restauração da Casa da Fazenda Mandiqüera e no esforço pela preservação do Fado de Quissamã. O turismo ecológico foi incentivado com a criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba.

Fig. 20. Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba

Campos dos Goytacazes O município de Campos dos Goytacazes é um dos principais centros políticos do estado do Rio de Janeiro desde o período colonial, quando foi referência tanto econômica como política para o Brasil. A história de Campos é rica em importantes acontecimentos políticos. O município foi um dos 27

primeiros do Brasil a embarcar voluntários para a guerra do Paraguai, em 28 de janeiro de 1865, pelo vapor Ceres. O movimento abolicionista também encontrou eco em Campos. A campanha abolicionista teve seu ponto alto em 17 de julho de 1881, com a fundação da Sociedade Campista Emancipadora, que propagava a luta pela emancipação dos negros, tendo, na pessoa do jornalista Luiz Carlos de Lacerda, o seu maior expoente. O grande vulto José Carlos do Patrocínio, o "tigre da abolição", foi também um dos principais nomes da luta pelo fim da escravidão, que mudaria os destinos políticos do Brasil imperial, o preparando para a proclamação da república. Vários campistas governaram o estado do Rio de Janeiro, como Nilo Peçanha, eleito pela primeira vez para o período de 1903 a 1906 e, pela segunda vez, de 1914 a 1917. Nilo Peçanha foi eleito vice-presidente do Brasil e assumiu o mandato, de 1909 a 1910, com a morte de Afonso Pena. Mais recentemente, o ex-prefeito de Campos, o radialista Anthony Garotinho foi eleito governador, em 1998, com a sua esposa Rosinha tendo concorrido à sua sucessão e tendo sido eleita em 2002. A cidade é um importante polo comercial e financeiro que abrange o nordeste fluminense e o sul capixaba. No centro da cidade, há um forte e diversificado comércio popular. Na rua João Pessoa, está a maior concentração de lojas de roupas populares. No bairro da Pelinca, na avenida de mesmo nome, podemos encontrar o segundo centro comercial e financeiro da cidade, onde estão as lojas mais renomadas e diversos shoppings. Por conter a maior parte dos bares e restaurantes da cidade, a Pelinca é considerada rica e sempre movimentada, principalmente à noite. Assim, se tornando um bairro nobre. Na região, também está localizado o Shopping Avenida 28. Ao largo de suas costas, no oceano Atlântico, há um forte polo de exploração de petróleo e gás natural pela Petrobras, na plataforma continental. A cidade é a maior produtora de petróleo do Brasil, além de concentrar a maior parte da indústria cerâmica fluminense. Das sete usinas de açúcar e álcool do estado, seis estão em Campos. Várias indústrias se fazem presentes; apenas em 2007, mais de cinco foram instaladas através do Fundecam (Fundo de Desenvolvimento de Campos). Macaé É conhecida como A Capital do Petróleo Brasileiro. Desde a década de 1970, quando a Petrobras escolheu Macaé para sediar sua sede na Bacia de Campos, a cidade deu um salto de crescimento. Mais de quatro mil empresas se instalaram no município e a população foi multiplicada por sete - hoje são mais de 200 mil habitantes. Surgiram hotéis de luxo e uma série de empreendimentos do setor de serviços, principalmente no ramo de restaurantes. O turismo de negócios aumentou. O petróleo é maior força econômica de Macaé. Nos próximos dois anos, a meta da Petrobras é produzir 2 milhões e 200 mil barris de óleo por dia. Até 2010, a Petrobras investiu US$ 25,7 bilhões na Bacia de Campos, o equivalente a 80% dos recursos da empresa em Exploração e Produção para todo o país. O município tem a maior taxa de criação de novos postos de trabalho do interior do estado, de acordo com pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan): 13,2% ao ano. A economia da cidade cresceu 600% desde 1997. Um levantamento elaborado em 2007 pelo IBGE demonstrou que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita da cidade é de R$ 36 mil/ano, 200% maior do que a média nacional. O município atrai empresas de todo o país e do mundo: a cidade recebeu recentemente quatro hotéis de luxo (Blue Tree, Sheraton, Confort e Royal). Uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) apontou a cidade como a que mais se desenvolveu na última década no eixo Rio-São Paulo. Por sua ótima economia, Macaé foi eleita pelo jornal A Gazeta Mercantil como a cidade mais dinâmica do estado, levando em consideração o Índice de Desenvolvimento Humano. Em 2004, a Fundação Getúlio Vargas apontou Macaé como a segunda melhor cidade brasileira para se trabalhar. A cidade também recebeu o título de Município Amigo da Criança, em 28

reconhecimento às ações nas áreas de educação e saúde. O prêmio foi dado pela Organização Pan-Americana de Saúde. Macaé sedia a Brasil Offshore, feira que reúne quase 500 empresas do setor de petróleo de 50 países. A feira é realizada no Centro de Convenções JornalistaRoberto Marinho, o segundo maior do estado, construído em uma área de 110 mil metros quadrados no bairro São José do Barreto. O crescimento trouxe (e ainda traz) também milhares de pessoas de outras regiões do país, em sua grande maioria sem qualquer qualificação profissional, que esperavam encontrar trabalho farto. Porém, a realidade é que a oferta de empregos é grande para quem tem boa qualificação profissional, sendo exigência mínima, quase sempre, o domínio da língua inglesa. Esses migrantes ajudaram a aumentar enormemente o tamanho e a quantidade de favelas na cidade, sob os olhos complacentes e assistencialistas dos seguidos governos municipais durante os quais a migração ocorreu. Além disso, Macaé ganhou, em 11 de Setembro de 2008, o Plaza Macaé, um shopping que, por possuir lojas importantes, incluindo grandes franquias internacionais. Este shopping, ao oferecer mais opções de comércio para a cidade e região, cria a expectativa de maior desenvolvimento para a economia da cidade.

1.6 – Sul Fluminense
Está subdividida nas microrregiões da Baía da Ilha Grande, de Barra do Piraí e do Vale do Paraíba Fluminense sendo que as duas últimas são cortadas de Oeste para Leste pelo rio Paraíba do Sul.

Fig. 21. Mesorregião Sul Fluminense

MICRORREGIÃO BAÍA DA ILHA GRANDE

MUNICÍPIO Angra dos Reis Parati Barra do Piraí Rio das Flores Valença

BARRA DO PIRAÍ

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Barra Mansa Itatiaia Pinheiral Piraí VALE DO PARAÍBA FLUMINENSE Porto Real Quatis Resende Rio Claro Volta Redonda

Volta Redonda
Em 3 de outubro de 1832, foi criado o município de Barra Mansa. Parte considerável de Volta Redonda pertencia às suas terras. As primeiras aspirações de autonomia do lugarejo surgem em 1874, quando os moradores pleitearam a elevação do povoado à categoria de freguesia, sendo que, em 1926, Volta Redonda conseguiu o seu estabelecimento definitivo como oitavo distrito de Barra Mansa. Dessa época até a chegada da Companhia Siderúrgica Nacional, o então distrito denominado Santo Antônio de Volta Redonda (o oitavo do Município de Barra Mansa) cresceu lentamente, com o aparecimento de pequenas indústrias e cooperativas e pouco desenvolvimento estrutural e social. Então, por volta de 1941, quando a usina começou a ser construída, Volta Redonda ganhou um desenvolvimento incomum, com a chegada de milhares de pessoas em busca de trabalho no "Eldorado" brasileiro. Em 1946, a CSN entrou em operação e a população de Volta Redonda continuou crescendo vertiginosamente com o surgimento de edificações por todos os lados. Em 17 de julho de 1954, a "Cidade do Aço" se emancipou de Barra Mansa. No entorno da siderúrgica, foi-se erguendo (na margem direita do Rio Paraíba) a vila operária, chamada então de "Cidade Nova", que só passaria à administração municipal em 1968 e que possuía melhor infraestrutura urbana e de serviços públicos que o restante do município, também chamado de "Cidade Velha". Até essa data, a prefeitura da cidade somente administrava a área correspondente à margem esquerda e alguns poucos bairros situados na margem direita, que ainda careciam de vários serviços básicos. Em 1973, a cidade foi declarada pelo governo federal "Área de segurança nacional", situação que perdurou até 1985 e que impossibilitou a população de eleger o prefeito do município, sendo este indicado pelopresidente da República. Na década de 1980, várias greves na CSN (que contava com mais de 30 000 empregados diretos e indiretos na própria empresa e em outras coligadas, somente em Volta Redonda) agitaram o meio político e social do município, que culminaram, durante a Greve de 1988, com a morte de três operários no interior de sua usina por militares do Exército, o que foi acompanhado de grande mobilização popular. Em 1993, com a privatização da CSN, a cidade enfrentou grave problema econômico que só pôde ser contornado com a intervenção do poder público e com a reorientação da economia municipal para o comércio e a prestação de serviços, sendo a mais forte nesses quesitos no Sul Fluminense. A partir de meados da década de 1990, diversas obras de urbanização, remodelamento do mobiliário urbano bem como outras de engenharia de grande porte (viadutos, novo Estádio Municipal, praças, escolas, ginásios) deram nova feição à cidade, tida hoje como a de melhor qualidade de vida no interior do estado do Rio, segundo pesquisa feita pela Universidade Federal Fluminense.

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Fig. 22. Companhia Siderúrgica Nacional

Além da maior siderúrgica da América Latina, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Volta Redonda abriga também as fábricas de cimento Votoran (do Grupo Votorantim), CSN Cimentos (do grupo CSN) e Tupi (da CP "Cimento e Participações"), a Usina de Oxigênio e Nitrogênio da White Martins, a Industria Nacional de Aços Laminados (INAL), além da Companhia Estanifera Brasileira (CESBRA) e da S/A Tubonal (antiga Forjas Nacionais SA - FORNASA). Em diversos pontos da cidade, principalmente às margens da Rodovia dos Metalúrgicos, há outras indústrias de menor porte, voltadas tanto para a área de metal-mecânica, alimentos e vestuário. Está previsto a criação de um novo pólo industrial às margens da Rodovia Nelson dos Santos Gonçalves, e outro na Rodovia Presidente Dutra. Companhia Siderúrgica Nacional - CSN A CSN foi fundada em 9 de abril de 1941, e iniciou suas operações em 1º de outubro de 1946. A usina é um marco no processo brasileiro de industrialização, pois foi a primeira produtora de aço do país. Privatizada em abril de 1993, no governo Itamar Franco, passou por um profundo processo de reestruturação, o que a transformou num dos maiores complexos siderúrgicos da América Latina, com capacidade de produção de 5,8 milhões de toneladas anuais de aço bruto.

Resende
Resende é um importante polo industrial, automotivo, metalúrgico, de energia nuclear, turístico e sede do segundo maior complexo militar do mundo, aAcademia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a única na formação de oficiais combatentes do Exército no país. Com uma área total de 67 km². Resende tem importância nacional e é conhecida internacionalmente por abrigar a Fábrica de Combustível Nuclear, complexo das Indústrias Nucleares do Brasil, única capaz de promover o enriquecimento de urânio no país. O pólo automotivo de Resende abriga a MAN Latin America (antiga Volkswagen Caminhões e Ônibus), maior fábrica de caminhões e ônibus do Brasil, limítrofe à PSA Peugeot Citroën e Michelin (pneus). Dentre suas indústrias de destaque está a moderna siderúrgica do Grupo Votorantim, que ocupa uma área de quatro km². O município abriga os seguintes polos turísticos: Visconde de Mauá, Parque Nacional do Itatiaia, Engenheiro Passos, AMAN, Serrinha do Alambari, o limítrofePenedo e o próprio casario do Centro Histórico da cidade, que possui muita história. Resende é a sede da TV Rio Sul, emissora afiliada à Rede Globo no oeste do estado do Rio de Janeiro. Na cidade, localiza-se o maior teatro da América Latina, o Teatro Acadêmico, com capacidade para 2 884 pessoas. Resende é atravessada pela Rodovia Presidente Dutra, a mais importante do Brasil. O município de Resende possui grande extensão territorial, 1.113 km², a maior do eixo RioSão Paulo, dentre os municípios percorridos pela rodovia que liga as duas metrópoles. 31

Resende é o único município brasileiro que possui um entreposto da Zona Franca de Manaus, armazém-geral que redistribui produtos da Zona Franca no Centro-Sul do Brasil. Possui também uma Estação Aduaneira do Interior EADI (Porto Seco), sendo a única do interior do estado do Rio e o único aeroporto de sua região. Com seu alto PIB per capita, longa expectativa de vida e alto nível de infraestrutura, industrialização e potencial de crescimento, Resende é apontada como a terceira melhor cidade fluminense, segundo o Índice FIRJAN de Desenvolvimento.

Fig. 23. Fábrica da Volkswagen em Resende

Angra dos Reis Em meados do século XX, tornou-se crucial na implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, sendo o porto por onde a mesma era abastecida de carvão de coque proveniente de Santa Catarina. Atualmente, a empresa também utiliza o porto para exportar aço. Sua importância atual se dá pelo fato de ter, como instalação subordinada, o terminal marítimo da Baía da Ilha Grande (TEBIG), da Petrobras, localizado região da Ponta Leste. O terminal movimenta grandes quantidades de petróleo e posiciona o porto de Angra como um dos mais movimentados do país. 32

Hoje em dia, devido à beleza de suas praias e das regiões próximas, Angra virou ponto forte do turismo não só estadual, mas também nacional. Possui mais de trezentas ilhas, muitas delas tendo por donos celebridades nacionais e internacionais, sendo a maior de todas denominada de Ilha Grande. A maior parte da cidade é cercada por morros, o que contribuiu para que, no início de 2010, várias residências e pousadas sofressem com os efeitos de deslizamentos principalmente em ilha Grande. As usinas nucleares da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto situam-se em Angra dos Reis, no distrito de Cunhambebe e são responsáveis pelo fornecimento de grande parte da energia elétrica consumida no estado do Rio de Janeiro. As atividades econômicas giram em torno da pesca, de atividades portuárias, da geração de energia nas usinas Angra I e Angra II, de comércio e de serviços, da indústria naval — estaleiro Keppel Fels, antigo Verolme — e também do turismo, em suas praias, ilhas e locais de mergulho submarino, principalmente na Ilha Grande.

Fig. 24. Angra dos Reis

RELEVO E HIDROGRAFIA

RELEVO

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O embasamento cristalino do Brasil constitui a estrutura fundamental do relevo do estado do Rio de Janeiro. Suas rochas, gnaisses e granitos, os mais antigos do território nacional, sofreram alterações tectônicas, particularmente as falhas terciárias, origem dos alinhamentos de serra que acompanham a linha do litoral. O estado possui relevo bastante variado, com grandes desníveis e elevações pronunciadas. Cerca de metade do território encontra-se abaixo de 200m de altitude, 32% entre 200 e 600m, 11% entre 600 e 900m, 6% entre 900 e 1.500m e 1% acima de 1.500m. Três unidades compõem o quadro morfológico: a baixada fluminense, o planalto ou serra fluminense e os maciços litorâneos.

1.1 Baixada fluminense
A Baixada Fluminense acompanha todo o litoral e ocupa cerca de metade da superfície do Estado. Apresenta largura variável, bastante estreita entre as baías da Ilha Grande e de Sepetiba, alargando-se progressivamente no sentido leste, até o rio Macacu. Nesse trecho, no município da capital, erguem-se os maciços da Tijuca e da Pedra Branca, que atingem altitudes um pouco superiores a 1.000 metros. Da baía da Guanabara até Cabo Frio, a baixada volta a estreitar-se uma sucessão de pequenas elevações, de 200 a 500 metros de altura, os chamados maciços litorâneos fluminenses. A partir de Cabo Frio, alarga-se novamente, alcançando suas extensões máximas no delta do rio Paraíba do Sul. As baixadas litorâneas são planas, apenas entalhadas pelos rios, e mais para o interior dão lugar a morros argilosos, onde as rochas do cristalino se acham profundamente decompostas. A baixada estende-se ao longo do território e descreve um arco de nordeste para sudoeste. Muito estreita em sua porção ocidental, alarga-se consideravelmente na parte oriental. Observa-se na baixada uma complexa morfologia: morros e colinas talhadas em rochas cristalinas; praias; areais formados pela justaposição de cordões litorâneos; campos de dunas; amplas várzeas ou planícies de inundação, desenvolvidas ao longo dos baixos cursos dos rios, e um grande delta, formado pelo rio Paraíba do Sul em sua foz. Numerosas lagoas ocorrem ao longo do litoral fluminense, que registra ainda três grandes recortes: a baía de Guanabara, a baía de Sepetiba e a baía da Ilha Grande. Entre as duas últimas, está situada a ilha Grande e, fechando parcialmente a baía de Sepetiba, pelo sul, a restinga de Marambaia.

Fig. 25. Restinga da Marambaia

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1.2 Planalto ou Serra fluminense
O Planalto ou Serra Fluminense ocupa o interior do estado, por isso está localizado entre a Baixada Fluminense, ao sul e o vale do rio Paraíba do Sul. A elevação da Serra do Mar, ao norte da baixada, forma o seu rebordo. A Serra do Mar recebe diversas denominações locais: serra dos Órgãos, com o Pico Maior de Friburgo (2.316 metros), a Pedra do Sino (2.263 metros) e PedraAçu (2.232 metros), das Araras, da Estrela e do Rio Preto. A serra da Mantiqueira cobre o noroeste do Estado, ao norte do vale do rio Paraíba do Sul, onde é paralela à Serra do Mar. O ponto mais alto do Rio de Janeiro, pico das Agulhas Negras(2.787 metros) localiza-se no maciço de Itatiaia, que se ergue da serra da Mantiqueira. Para o interior, o planalto vai diminuindo de altitude, até chegar ao vale do rio Paraíba do Sul, onde a média cai para 250 metros. A nordeste observa-se uma série de colinas de baixas altitudes, conhecidas como "mar de morros". O planalto ocupa a maior parte do território e seu rebordo oriental é formado pela Serra do Mar, que atravessa o estado do Rio de Janeiro acompanhando o seu litoral. Inicia-se ao norte do estado de Santa Catarina e se estende por mais de 1.000km até o norte do estado do Rio de Janeiro. Ao longo desse percurso, recebe diferentes denominações, como Serra da Bocaina, ao sul do estado, Serra da Estrela e serra dos Órgãos, ao fundo da baía de Guanabara. Na Serra dos Órgãos, as elevações chegam a mais de 1.000m. O planalto decai suavemente para o interior até o vale do rio Paraíba do Sul. Para além desse vale e seguindo aproximadamente a divisa com Minas Gerais, encontra-se a Serra da Mantiqueira, que apresenta as maiores altitudes do estado. Seu rebordo montanhoso, genericamente chamado serra do Mar e localmente serra dos Órgãos, da Estrela etc., domina a baixada, a partir do norte, com seu paredão escarpado. Eleva-se freqüentemente a mais de mil metros de altitude, em particular no trecho conhecido como serra dos Órgãos, onde a pedra do Sino atinge 2.263m. A superfície do planalto inclina-se suavemente para o interior, em direção ao vale do rio Paraíba do Sul. Para além desse vale, e seguindo aproximadamente a divisa com Minas Gerais, encontra-se a serra da Mantiqueira, e é nessa região que se encontram as maiores altitudes do estado, que atingem o ponto mais elevado no pico das Agulhas Negras, com 2.787m. A planície de inundação ou várzea do rio Paraíba do Sul proporciona os únicos tratos de terreno plano de extensão razoável nessa área de relevo recortado. Além do rio Paraíba do Sul, junto ao limite com o estado de Minas Gerais, num rumo grosseiramente paralelo à linha divisória, ergue-se outro paredão montanhoso semelhante à serra do Mar. É a serra da Mantiqueira, que forma o rebordo do planalto mineiro.

Fig. 26. Pico Dedo de Deus, Teresópolis

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1.3 Maciços litorâneos
Os maciços litorâneos erguem-se em meio à baixada e formam um alinhamento montanhoso com 200 a 500m de altura. As elevações prolongam-se desde Cabo Frio até a margem oriental da baía de Guanabara, em rumo paralelo à costa. Do lado ocidental da baía, ganham maior altitude no município da capital, e formam os maciços de Jericinó (900m no pico do Guandu), da Pedra Branca (1.024m) e da Tijuca (1.021m).

Fig. 27. Morro Pão- de – açúcar, Rio de janeiro

HIDROGRAFIA
A rede de drenagem do estado do Rio de Janeiro é integrada por numerosos rios que correm diretamente para o mar. O principal é o Paraíba do Sul, que, procedente do estado de São Paulo atravessa o estado de oeste para leste, até lançar-se no Atlântico, próximo aos limites com o Espírito Santo, recebendo muitos afluentes (Paraibuna, Pomba, Piraí, Piabanha, Dois Rios). Para ele converge todo o sistema fluvial que nasce no alto da serra do Mar, ao passo que os rios que partem da escarpa atingem rapidamente o oceano. Todos os demais rios independentes têm dimensões muito menores. Entre esses, destacam-se o Itabapoana, o Macaé, o São João e o Macacu. Numerosas lagoas ocorrem ao longo do litoral fluminense. Entre a baía de Guanabara e Cabo Frio encontram-se lagoas resultantes do fechamento de antigas baías por cordões litorâneos (Maricá, da Barra, Guarapina, Saquarema e Araruama). Junto à Guanabara, e a oeste, encontram-se as lagoas Rodrigo de Freitas, da Tijuca, de Jacarepaguá e de Marapendi; e, junto a Campos dos Goitacases, no norte do estado, ocorrem lagoas cuja formação se prende à morfologia do delta do Paraíba do Sul (Feia, de Dentro, dos Coqueiros, e do Taí Pequeno, entre outras menores).

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Fig. 28. Mapa Físico do Estado do Rio de Janeiro

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Fig. 24. Legenda do mapa físico do Rio de Janeiro

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Fig. 29. Mapa de relevo do Estado do Rio de Janeiro

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Fig. 30. Legenda do Mapa de relevo do Estado do Rio de Janeiro

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CLIMA E VEGETAÇÃO
CLIMA
O estado do Rio de Janeiro registra os tipos climáticos Aw, Am, Af, Cfa, Cfb, Cwb- e Cwa do sistema de Köppen. O clima Aw, tropical semi-úmido, com chuvas de verão e invernos secos, ocorre na porção ocidental da baixada. O clima Am prevalece nas proximidades dos maciços e encostas baixas do município da capital, por efeito das chuvas de relevo. A temperatura média anual registra 24°C e a pluviosidade 1.250mm anuais. O clima Af, tropical úmido, com chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, ocorre na porção mais rebaixada da escarpa do planalto (serra do Mar), onde as chuvas de relevo determinam uma elevação de pluviosidade para 2.500mm anuais. O clima Cfa, tropical de altitude, com verões quentes e chuvas bem distribuídas, corresponde a porções elevadas da escarpa, onde a altitude provoca queda das temperaturas médias anuais para 20°C. O tipo Cfb corresponde a porções mais elevadas onde os verões já se fazem frios e a temperatura média anual cai para 18°C. Os climas Cwb e Cwa ocorrem no reverso da serra do Mar, isto é, no dorso do planalto, em áreas onde desaparecem as chuvas de relevo e a pluviosidade se restringe aos períodos de verão, caindo para 1.500mm. O clima Cwb domina as porções mais elevadas do planalto, situadas junto à serra do Mar, o que determina a ocorrência de verões frios, e o clima Cwa, nas partes mais rebaixadas do planalto, vale do rio Paraíba do Sul, onde os verões se fazem quentes, subindo as médias anuais para 20° C. Uma anormalidade nesse quadro ocorre no litoral de Cabo Frio, onde o menor volume de chuvas favorece a extração de sal na lagoa de Araruama. O enclave de clima semi-árido A cidade de Cabo Frio, na Baixada litorânea, tem precipitação significativamente menor que o seu entorno, ao mesmo tempo em que se assemelha à caatinga, quanto à precipitação, evaporação, insolação e umidade relativa. Este contraste pluviométrico em relação ao restante do Estado do Rio de Janeiro proporciona dois climas distintos a uma reduzida distância: um clima tropical úmido, dominando o estado, e um clima semi-árido em Cabo Frio. As razões que respondem pela existência desse enclave climático são múltiplas e complexas, destacando-se a flutuação climática ocorrida no Quaternário, que se observou no litoral leste (Ab’ Saber, 1973) e as condições climáticas especiais da área. Estas peculiaridades climáticas têm sido explicadas por fatores como a grande distância da linha de costa até a Serra do Mar e a emergência de águas frias em uma costa dominada por correntes quentes (fenômeno da ressurgência), resultando na atenuação das precipitações e numa dinâmica climática diferenciada durante os meses de janeiro e fevereiro (Barbiére, 1975). Esta ressurgência é do tipo intermitente, intensificada pelos fortes ventos de nordeste, os quais são fortalecidos durante a primavera-verão. Um fator topográfico explica porque este fenômeno é mais intenso na região de Cabo Frio. Nesse ponto, a costa brasileira muda da direção norte-sul para leste-oeste, inflexão que provoca uma zona de divergência entre a costa e a corrente marítima do Brasil.

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Fig. 31. Localização da cidade de Cabo Frio

Fig. 32. Água semi-congelada na cidade de Itatiaia

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Fig. 33. Mapa climático do Rio de Janeiro, IBGE

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Fig. 34. Legenda dos tipos de climas encontrados no Brasil

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VEGETAÇÃO
A maior parte do território do Estado faz parte do bioma da Mata atlântica e pouco resta da cobertura vegetal primitiva. Atualmente, as florestas ocupam um décimo do território fluminense, concentrando-se principalmente nas partes mais altas das serras. Há grandes extensões de campos produzidos pela destruição, próprios para a pecuária, e, no litoral e no fundo das baías, registra-se a presença de manguezais (conjunto de árvores chamadas mangues, que crescem em terrenos lamacentos). A ocupação agropastoril levou a uma quase completa extinção das florestas que recobriam outrora cerca de 91% da superfície do atual estado. Dessas florestas restam nos dias atuais apenas pequenas manchas situadas em locais menos acessíveis ou muito acidentados, impróprios para a agricultura e pecuária (encostas mais íngremes das serras do Mar e Mantiqueira). Além das florestas, a cobertura vegetal compreendia também manguezais e formações de restinga e praia, na fímbria litorânea; campos de altitude, nas porções mais elevadas das serras (serra dos Órgãos e maciço do Itatiaia) e os campos da planície deltaica do rio Paraíba do Sul (Campos dos Goytacazes). Todos sofreram profunda interferência da ocupação humana. O que restou da vegetação nativa apresenta grande diversidade devida à configuração de seu relevo e de fatores climáticos. Sendo assim, encontra-se distribuída pelo território fluminense, conforme se segue. Região da floresta ombrófila densa Vegetação característica das regiões altas da serra do Mar, cujos representantes são os Parques Nacionais, da Serra dos Órgãos e da Bocaina e o Parque Estadual da Ilha Grande. Região da floresta ombrófila mista Compõe a floresta pluvial subtropical. Possui representantes da floresta tropical amazônica e da flora australásica, caracterizados pelos planaltos da Bocaina e do Itatiaia (em altitudes de mais de 800m). Região da floresta estacional semidecidual Área com mais de 60 dias secos. Cobre a região do médio Paraíba até a do Norte Fluminense. Região da savana (cerrado) Restringe-se a uma pequena área do município de Resende, hoje substituída por pastagens. Região da estepe (caatinga) Vegetação constituída por plantas cactáceas e espinhosas. Localiza-se nos maciços costeiros próximos a Cabo Frio. Formações pioneiras Referem-se às vegetações concentradas em áreas cujos solos estão submetidos às influências marinha, fluvial e fluviomarinha. Seus principais representantes são as restingas, os mangues e demais ambientes com acúmulo d’água e sujeitos a inundações periódicas. No território fluminense, as restingas ocupam trechos do litoral desde a Marambaia, a oeste do município do Rio de Janeiro, até o norte do estado. Já os manguezais se situam no entorno das baías de Guanabara e de Sepetiba.

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Fig. 35. Mapa de vegetação do Rio de Janeiro, IBGE

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Fig. 32. Legenda dos tipos de vegetações encontrados no Brasil

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GEOLOGIA
O estado do Rio de Janeiro pode ser compartimentado em dois domínios morfoestruturais: o Cinturão Orogênico do Atlântico e as Bacias Sedimentares Cenozóicas. O Cinturão Orogênico do Atlântico pode ser subdividido nos seguintes domínios morfoestruturais: Maciços Costeiros e Interiores, Maciços Alcalinos Intrusivos, Superfícies Aplainadas nas Baixadas Litorâneas, Escarpas Serranas, Planaltos Residuais, Depressões Interplanálticas, Depressões Interplanálticas com Alinhamentos Serranos. O soerguimento de blocos decorrentes da tectônica sustentou algumas zonas planálticas, remanescentes de antigas superfícies de aplainamento não-dissecadas no Cenozóico Superior, tais como os planaltos da Bocaina e do Varre-Sai, mas produziu, em contrapartida, depressões interplanálticas, tais como o médio vale do rio Paraíba do Sul. Junto à zona das baixadas litorâneas sobressaem terrenos colinosos de baixa amplitude topográfica na Região dos Lagos e entre Macaé e Campos, que se caracterizam por superfícies de aplainamento que foram modeladas até o Terciário Superior. As Bacias Sedimentares Cenozóicas podem ser subdivididas nos seguintes domínios morfoestruturais: Tabuleiros de Bacias Sedimentares, Planícies Fluviomarinhas (Baixadas) e Planícies Costeiras. Essas rochas sedimentares estão armazenadas em bacias tafrogênicas continentais resultantes da tectônica extensional gerada no início do Cenozóico. Nesse contexto, foram formadas as bacias de Itaboraí e Resende. Os Tabuleiros da Formação Barreiras, presente no norte do estado, também são tentativamente correlacionados ao mesmo período de sedimentação das bacias continentais. Por fim, os sedimentos inconsolidados das baixadas costeiras foram gerados ao longo dos ciclos transgressivos e regressivos da linha de costa durante o Quaternário, que promoveram o afogamento generalizado do relevo junto à atual linha de costa, registrado nas atuais rias, baías e lagunas nas colinas e morros isolados no recôncavo das baixadas.

RECURSOS MINERAIS
O Estado do Rio de Janeiro caracteriza-se pela disponibilidade de recursos minerais nãometálicos, especialmente materiais para construção civil e água mineral. Destaca-se, também, pelas grandes reservas de óleo e gás natural da Bacia de Campos, responsável pela maior produção de petróleo do país. No que diz respeito aos recursos minerais metálicos, destacam-se as areias portadoras de rutilo, ilmenita e zirconita. Os principais recursos minerais do Estado do Rio de Janeiro estão relacionados a seguir, juntamente com as ocorrências típicas no território fluminense. Águas Minerais: são procedentes de fontes naturais ou captadas, possuem características físicoquímicas distintas das águas comuns e dotadas de propriedades terapêuticas. O Estado do Rio de Janeiro conta com águas minerais das seguintes variedades: potáveis de mesa e radioativas na fonte (Petrópolis, Teresópolis, Magé, Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Rio Bonito, Nova Iguaçu, Seropédica e Rio Claro); fluoretadas (Miguel Pereira, Carmo, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Magé, São Gonçalo e Nova Iguaçu); alcalino-bicarbonatadas e alcalino-terrosas (Paraíba do Sul, Cantagalo, Itaperuna e Cardoso Moreira), carbogasosas (Itaperuna, Santo Antônio de Pádua e São Fidélis); e raras (Três Rios, Cachoeiras de Macacu, Santo Antônio de Pádua e Macaé). Areia Monazítica: concentração natural de minerais pesados que pode ocorrer ao longo do litoral (depósitos de praia) e em determinados trechos de rios (depósitos fluviais). Minerais pesados têm alta densidade, elevada estabilidade química e grande resistência física ao transporte. No Estado do Rio de Janeiro, a principal jazida de areia monazítica encontra-se em Buena, município de São 49

Francisco do Itabapoana. Outros depósitos menores ocorrem em Parati, Angra dos Reis, Cabo Frio e Campos dos Goytacazes. Pequenos depósitos fluviais ocorrem em Sapucaia e Valença. Essas areias são constituídas principalmente monazita, zircão, ilmenita e rutilo. monazita: fosfato de elementos de terras raras (ETR), com quantidades variáveis de tório e urânio, apresentando radioatividade. Várias utilizações, principalmente na fabricação de vidros especiais (tubo de televisão, catalizadores para "cracking" do petróleo e fibras óticas). zircão: silicato de zircônio, podendo conter háfnio. Utilizado na fabricação de produtos refratários, moldes de fundição e peças para reatores nucleares. ilmenita: óxido de ferro e titânio. Tem ampla aplicação na indústria aeroespacial, como ligas em motores e turbinas. rutilo: óxido de titânio. Usado principalmente na fabricação de pigmentos nas indústrias de tintas. Areia Quartzosa: material composto essencialmente por grãos de quartzo depositados ao longo dos rios (areias fluviais) ou da costa (areias litorâneas ou de praia). As areais fluviais são impuras, constituídas por grãos angulosos e pouco selecionados, misturados a torrões de argila, fragmentos de rochas e detritos orgânicos. Já as areias litorâneas, devido ao retrabalhamento, possuem grãos bem arredondados e selecionados, podendo ter fragmentos de conchas e sais marinhos. As areias de praia são utilizadas na indústria de fundição (moldagem); como abrasivo (para jateamento e fabricação de lixas); na obtenção de farinha de sílica (carga tanto em produtos de limpeza como em tintas); e na siderurgia para fabricação de ferro-silício. No Estado do Rio de Janeiro, os principais depósitos de areias litorâneas localizam-se em Macaé, Cabo Frio, Araruama, Maricá e Parati. As areias fluviais, usadas na construção civil, ocorrem em todos os municípios, porém grande parte da produção está próxima aos grandes centros urbanos. Os principais municípios produtores são Seropédica, Itaguaí, Queimados, Nova Iguaçu, Paracambi, Rio de Janeiro, Barra Mansa, Três Rios, Casimiro de Abreu e Silva Jardim. Argilas: material composto de partículas extremamente finas denominadas argilo-minerais. Quando molhadas são plásticas, mas secas e convenientemente aquecidas tomam-se rígidas. Geralmente, resultam da alteração química supergênica de rochas feldspáticas e passam por processos de tratamentos. As argilas são usadas principalmente para: cerâmica vermelha ou estrutural (tijolos, telhas, manilhas, ladrilhos e azulejos); cerâmica branca (louça sanitária e doméstica, pastilhas e também azulejos e ladrilhos); cerâmica especial (fins artísticos). Também são empregadas nas indústrias de cimento, papel, cosméticos e farmacêutica, veículo para inseticidas e tratamento de substâncias oleosas (petróleo). Os principais municípios produtores são: Campos dos Goytacazes, Rio Bonito, Itaboraí, Três Rios e Paraíba do Sul.

Fig. 36. Extração de areia quartzosa em Seropédica

Fig. 37. Extração de argila em Campos dos Goytacazes

Barita ou Baritina: é um sulfato e praticamente a única fonte de bário. Tem sua principal aplicação na indústria petrolífera, sendo adicionada à lama de perfuração das sondas, com a finalidade de equilibrar a pressão de fluidos dos poços. Utiliza-se também na fabricação de tintas, vidros, cerâmica, papel, plásticos, asfalto e borracha. No município de Seropédica tem uma pequena ocorrência de barita, sob a forma de veio hidrotermal, assim como em Tribobó. 50

Bauxita: é o principal minério para obtenção de alumínio. Trata-se de uma mistura de minerais ricos em hidróxidos de alumínio, geralmente gibbsita, boemita e diásporo, contendo impurezas de óxidos de ferro e titânio, sílica e argilominerais. No Estado do Rio de Janeiro, as ocorrências de bauxita são derivadas do intemperismo químico de rochas de complexos alcalinos, situados nos municípios de Resende (Itatiaia e Morro Redondo), Nova Iguaçu (Mendanha) e Rio Bonito. Brita ou Pedras Britadas: compreendem fragmentos rochosos no intervalo granulométrico entre 10 cm a 6 mm. São usadas principalmente no concreto para construção civil e no asfalto para revestimento de estradas. No que diz respeito à qualidade dos materiais, são utilizadas rochas cristalinas de alta resistência mecânica, baixa porosidade, composição mineralógica favorável e sem minerais de alteração, por exemplo, granitos, gnaisses, basaltos, quartzitos e calcários cristalinos. Os maiores produtores de brita estão no noroeste fluminense e nos municípios de Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Magé. Calcário: rocha de origem sedimentar constituída predominantemente de carbonato de cálcio. Em função da estrutura e/ou presença de outro composto, recebe denominações variadas: calcário dolomítico (calcário com dolomita); calcário pisolítico (com pequenas esferas de origem química, cimentadas entre si); calcário margoso (mistura de calcário e argila); calcário fossilífero (contém fósseis). O calcário tem sua principal utilização na fabricação de cimento, corretivo de solos, obtenção da cal que é usada, por sua vez, na construção civil, indústria química e purificação de águas. Também tem aplicação na indústria de borracha, vidros e muito apreciada como rocha ornamental. Quando o calcário passa por pelo processo de metamorfismo, passa a denominar-se mármore. No Estado do Rio de Janeiro, as maiores reservas e produção de mármore para cimento são encontradas no munícípio de Cantagalo. Até a década de 80, em Itaboraí, calcário foi explotado para a indústria cimenteira. Caulim: é o termo comercial para argilas constituídas principalmente por caulinita (silicato de alumínio hidratado). Provém da alteração de rochas ricas em feldspatos. Devido à baixa reatividade química, alvura, e maciez tem larga utilização, por exemplo, indústrias de papel, têxteis, cosméticos, borracha, porcelanas e veículo para inseticidas. As baixadas Fluminense e Campista possuem consideráveis depósitos de caulim. Conchas Calcárias: trata-se de calcário conchífero muito puro de origem orgânica. As conchas se acumulam em pequenas lentes ao longo das praias ou formam depósitos consideráveis em lagunas. Até recentemente, eram extraídas conchas da Lagoa de Araruama, para obtenção de barrilha (bicarbonato de sódio), material este empregado na fabricação de sabões, tecidos, vidros e fibras sintéticas. Córindon (óxido de alumínio): Devido sua elevada dureza, é usado como abrasivo no polimento. No Estado do Rio de Janeiro, raríssimas vezes ocorre com qualidade gemológica de grande valor, nas variedades vermelha (rubi) ou azul (safira). Há uma ocorrência de córindon (tipo safira) associado às rochas alcalinas, no município de Duque de Caxias. Diatomito: Rocha sedimentar constituída de carapaças silicosas de algas diatomáceas. São porosas e quando puras, brancas. Tem sua principal utilização como abrasivo suave para polimento, absorvente para nitroglicerina líquida, na filtração de líquidos, como isolante térmico e como suporte para inseticidas. Em Campos existem jazidas de diatomito. Feldspato (aluminossilicato de potássio, sódio e cálcio): É um dos principais minerais constituintes das rochas. Nos pegmatitos os cristais são grandes e muitas vezes incluem cristais de quartzo, mica, turmalina, etc. Ocorre em São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, Porciúncula, Cantagalo, Casimiro de Abreu, Campos, etc. É utilizado principalmente na manufatura de porcelana, indústria de vidro, na fabricação de esmaltes, azulejos, papel, entre outros. 51

Fluorita (fluoreto de cálcio): Apresenta-se em cristais de cores variadas. É utilizada principalmente como fundente em metalurgia, em cerâmica, na indústria química e na fluoretação de águas. Ocorre em Tanguá e Rio Bonito. Único minério explorado em mina subterrânea no RJ. Garnierita: É um termo geral para silicatos hidratados de níquel. É a única fonte de níquel dos minérios lateríticos. O campo de aplicação do níquel é muito vasto devido às suas propriedades físicas e de alta resistência à corrosão. Suas principais aplicações são em ligas ferrosas e não ferrosas, indústria automobilística, indústria química, indústria aeronáutica, fabricação de aços inoxidáveis, ímãs permanentes, etc. Em Areal há uma pequena ocorrência sem valor econômico. Gnaisse: Rocha metamórfica constituída principalmente por quartzo, feldspato e micas. É utilizado quase sempre como brita, as vezes em revestimentos e pisos. Ocorre praticamente em todo Estado. Grafita (carbono): Mineral de cor escura, mole (dureza 1,5) e untuoso ao tato. Apresenta-se geralmente em palhetas e pequenos cristais lamelares. Ocorre sempre em rochas metamórficas diversas. É utilizado na fabricação de minas de lápis, cadinhos refratários, tintas anti-ferrugem e lubrificantes secos. Há diversas ocorrências em São Fidélis e Itaperuna, tendo sido algumas delas lavradas durante a Segunda Guerra Mundial. Granito: Rocha ígnea intrusiva predominantemente constituída de quartzo, feldspato e micas. É utilizado na fabricação de brita, paralelepípedos, placas para revestimento, pisos e na decoração. Da mesma forma que o Gnaisse, ocorre em praticamente todo Estado. Na Região Metropolitana existem inúmeras pedreiras. Muscovita (aluminossilicato básico de potássio): Possui a propriedade de se partir com facilidade, se separando em lamelas finíssimas. Como o quartzo e o feldspato, é um dos principais constituintes dos pegmatitos. Tem utilização como isolante térmico e elétrico e, quando moída, é empregada na fabricação de tintas de proteção contra a ferrugem. Ouro (Au): Apresenta-se na natureza quase sempre como metal nativo. Possui cor amarelobrilhante, brilho metálico e dureza baixa (3). No Estado do Rio o ouro já produzido provém dos rios Paraíba do Sul, Muriaé, Itabapoana, Pomba e Negro. A garimpagem está proibida no Estado do Rio devido à utilização do mercúrio pelos garimpeiros durante a retirada do ouro do concentrado de minerais pesados. Utilizado na fabricação de moedas e jóias, odontologia, galvanoplastia, fotografia, indústria eletrônica e química e como lastro de reservas da economia. Petróleo: Óleo mineral natural de cor e viscosidade variadas. A matéria-prima do petróleo constituise de restos de vegetais de origem marinha depositados em bacias oceânicas e progressivamente recobertas por sedimentos, transformando-se lentamente em hidrocarbonetos. Através do refino do petróleo obtém-se inúmeros derivados como a gasolina, a querosene, o óleo diesel, gás, além de outros que são utilizados na produção de plásticos, fertilizantes, etc. Na Bacia de Campos é extraída a maior parte do petróleo produzido no Brasil.

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Fig. 38. Plataforma petrolífera na Bacia de Campos

Quartzo (óxido de silício): O quartzo é um dos principais minerais constituintes das rochas. Apresenta-se sob forma maciça ou em cristais. A ametista é a variedade violeta do quartzo. Ocorre em pegmatitos e filões hidrotermais. Sua utilização como gema é conhecida desde a Antiguidade. Há uma pequena ocorrência em Campos, porém sem interesse gemológico. É utilizado na indústria eletrônica e ótica. Rochas Ornamentais e de Revestimentol:As rochas ornamentais e de revestimento, também designadas pedras naturais, rochas lapídeas, rochas dimensionais e materiais de cantaria, abrangem os tipos litológicos que podem ser extraídos em blocos ou placas, cortados em formas variadas e beneficiados através de esquadrejamento, polimento, lustro, etc. (in CETEM/ABIROCHAS, 2001). Três tipos podem ser distinguidos: a) Mármores: rochas calcárias ou dolimíticas, sedimentares ou metamórficas, que possam receber desdobramento, seguido de polimento, apicotamento ou flameamento; b) Granitos: nome comercial dado a qualquer rocha não calcária ou dolomítica, que apresenta boas condições de desdobramento, seguido de polimento, apicotamento ou flameamento; e c) Rochas de Revestimento: compreendem outros materiais de revestimento na construção civil, não sujeitos a processo industrial de desdobramento de blocos, tais como: ardósias, arenitos, basaltos, gnaisses, quartzitos, serpentinitos, além de outras passíveis de serem extraídas já em forma laminada ou que sejam utilizadas em revestimento independente da mencionada forma. (ConDet, 1999)

Fig. 39. Indústria de rochas de revestimento, Santo Antônio de Pádua

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Sal Marinho (cloreto de sódio): Também chamado de halita, é um dos produtos naturais de uso mais remoto pelo homem. O sal é utilizado na alimentação humana, na indústria química, na indústria de conservação de alimentos, de borracha, etc. Ocorre dissolvido nos oceanos ou no estado sólido em depósitos resultantes da evaporação dos mares em períodos geológicos anteriores. Em ambos os casos, sempre acompanhado de outros sais (de magnésio, de potássio, de cálcio, entre outros). A obtenção do sal proveniente dos oceanos se dá através da utilização da energia solar. É produzido nos municípios de Araruama, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Saquarema.

Fig. 40. Extração de sal marinho, Araruama

Sílex: Rocha composta principalmente de calcedônia (SiO2). É utilizada como material triturante em moinhos de bola. Ocorre em São Gonçalo. Turfa: Matéria vegetal constituída principalmente por musgos e plantas de pântanos acumulados embaixo da água, onde não há oxidação. Como o petróleo, a turfa é um combustível fóssil. Pode ser utilizada tanto na produção de calor para consumo direto, como em usinas termoelétricas. Também tem uso na agricultura como condicionador de solos. Ocorre em várias regiões do Estado, desde Campos até Resende.

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REFERÊNCIAS
COE & CARVALHO. SERIA CABO FRIO UM ENCLAVE SEMIÁRIDO NO LITORAL ÚMIDO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO? Trabalho apresentado no II Seminário Ibero-Americano de Geografia Física Universidade de Coimbra, Maio de 2010. DAVIS, E.G. e NAGHETTINI, M.C., Estudo de Chuvas Intensas no Estado do Rio de Janeiro. Brasília, CPRM, 2ª ed., 2000. Histórico do Estado do Rio de Janeiro. http://www.drm.rj.gov.br/index.php? option=com_content&view=article&id=99%3Apedagogicorecurso&catid=44%3Apedagogico&Itemid= 91 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. http://www.ibge.gov.br/mapas_ibge/ Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro. DRM-RJ. http://www.drm.rj.gov.br/index.php? option=com_content&view=article&id=99%3Apedagogicorecurso&catid=44%3Apedagogico&Itemid= 91 Wikipedia, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P %C3%A1gina_principal

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