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Mia Couto

“Na berma de nenhuma estrada”

Escola Secundária Artística António Arroio

Ana Catarina Ribeiro

Nº3

10ºF

2008/2009
A minha leitura
“Isaura, para sempre dentro de mim” é um conto que narra o amor inesquecível de
Isaura e Raimundano.

Isaura e Raimundano eram empregados domésticos na mesma casa, no tempo


colonial. Ela, empregada de dentro, ele, de fora. Ambos eram muito jovens. Aos fins da
tarde, juntavam-se para Isaurinha contar as novidades, segredos dos seus patrões
brancos e pegava nas beatas deixadas no cinzeiro do salão e chupava umas boas
passas. Chegava-se a Raimundano e “vizinhavam-se, cara com cara. Depois, boca com
boca, os lábios faziam concha um no outro até o fumo sair dentro de Isaurinha para
ele.” Até que, certa vez, o patrão os surpreende naquelas disposições. Raimundano,
para defender Isaura, para que esta não fosse despedida, assumiu a culpa de tudo.
Nesse mesmo dia fora expulso da casa e nunca mais ouvira falar da sua amada
Isaurinha.

Vinte anos mais tarde, Isaura entra pelo bar como se entrasse pela última porta que
encontrara, e lá estava Raimundano. Então, sentou-se na mesma mesa que ele e, sem
se olharem, recordaram, em poucas palavras, a infância. Isaura revelou-lhe que
deixara de o amar por ter mentido para a proteger. Isso fê-la sentir-se muito mal.
Desde o momento em que Raimundano a defendera, o sentimento tombara.

Raimundano pede-lhe: “-Sopre-me outra vez um fumo Isaura. Um fuminho, só.”,


nestas palavras, Isaura e Raimundano voltaram aos velhos hábitos mas, “Nessa tarde,
eu fumei Isaurinha.”

Frases interessantes

Pág. 40

“Praticávamos o quê? Fumigação boca-a-boca? Uma coisa era de certeza,


meu endereço era o céu, nesses instantes.”

Pág.42

“ Nessa tarde, eu fumei Isaurinha.”


Categorias da narrativa
Acção
- Delimitação: aberto (solução não solucionada).

Personagens
- Relevo/ Papel: central: Raimundano e Isaura

secundária: patrões
- Caracterização: Isaura - “Magra, como sempre fora. Olhos acesos como réstias de
brasa.

Espaço
- Físico: bar

Tempo
- Histórico: tempo colonial

Narrador
- Presença: presente

- Focalização: interna (o narrador conta consoante as próprias emoções e as emoções


dos outros)

Apresentação Oral

A minha apresentação oral do conto Isaura, para sempre dentro de mim foi feita numa
“encarnação” da personagem de Isaura, assumindo eu a função de narrador-personagem
principal, tendo-me, para tanto, caracterizado fisicamente, vestuário, penteado, fala, de
acordo com o modo como li, interpretei e senti a personagem de Isaura.