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Escola Secundária Artística António Arroio

Português

Andreia – nº 7 – 10º ano

Prof.ª Eli
No âmbito da disciplina de Português, foi-nos
proposta a leitura do livro Na berma de nenhuma estrada,
do autor moçambicano Mia Couto (Figura 1). Este é um
conjunto de trinta e oito contos, do qual escolhi um,
“Fosforescências”.

Figura 1

1) A síntese da acção

“Fosforescências” conta a história de uma viúva, dona Amarguinha, que era


respeitada por todos aqueles que frequentavam a sua sombria loja, sendo que quem lá
entrava fazia-o com grande temor.
Dona Amarguinha espreitava todos os que passavam na praça da vila e o
narrador deste conto não era excepção. Repetidamente a viúva lhe perguntava se
passara no cemitério e a resposta era sempre positiva. Acrescentava, logo em seguida,
mais uma pergunta: se teria visto fosforescências (corpos que brilham na obscuridade),
afirmando que estas seriam o sinal de que seu marido se estaria a divertir com outras
falecidas.
Na noite em que o narrador decide contar à viúva que lhe mentira
repetidamente, quando dizia passar sempre pelo cemitério, encontrou uma multidão
na cantina da mesma, pois dona Amarguinha teria enlouquecido.
Depois da multidão se dispersar, o narrador subiu ao quarto da viúva, que havia
sido levada, e encontrou vestígios de fosforescências, como se a viúva e seu falecido
ainda cumprissem conjugalidades. Em seguida, viu uma mancha na almofada que seria
batôn e conforme passou os dedos na fronha, a almofada foi-se desfazendo e os flocos
de algodão que irrompiam dirigiram-se aos céus, decorando-os com luzentes luzes.

2) Retrato das personagens

Dona Amarginha era uma senhora velha e magra, que usava repetidamente
roupa de luto. Era bisbilhoteira e curiosa. Uma viúva sensível e desconfiada, marcada
pela vida e insegura relativamente à relação que tinha tido com o seu marido, daí tal
desconfiança pelo mesmo. Acabava por ser irónica quando imitava o marido que lhe
prometera algo. Por fim, uma mulher desordenada que acabará por enlouquecer e ter
uma mente vadia.
O narrador acaba por ser participante. Parece ser bastante observador,
preocupado e sensível, pois sente uma estranha dor e tristeza ao ver a velha viúva
naquele estado. A princípio começa por mentir, todavia a honestidade fala mais alto e
o peso na consciência leva o narrador a dirigir-se à viúva para lhe admitir o erro e
assumir que tinha mentido. Indicia ser ainda jovem uma vez que frequentava aulas
nocturnas e que no momento de olhar no espelho se revê com um rosto de menino.

3) Palavras ou frases “plasticamente” surpreendentes

Ao longo do conto, descobri frases e palavras que me despertaram a atenção.


Como é o caso de “Emanavam das profundezas, cinzas luzentes pairando no
lugar dos mortos”, com esta longa perífrase, o leitor fica com a sensação de flutuar
num local sombrio como o caso de um cemitério. Supostamente este é um lugar de
angústia e tristeza e esta frase apresenta, a meu ver, uma oposição, dando-nos uma
sensação de calma e leveza num local tão frio e incómodo como este.
No entanto, minha frase favorita e que me chamou logo a atenção foi: “A
bisbilhotice é como o gafanhoto: só descansa quando não resta mais folha para roer”.
Esta comparação entre um gafanhoto e a bisbilhotice, chama bem a atenção para o
factor de coscuvilhice que existe, principalmente, nos meios mais pequenos. Esta
relação de semelhança é importante para a expressividade do conto e enriquecimento
do nível semântico.
Para finalizar, relevo também a expressão “doença caranguejando”, explica-nos
e transmite-nos muito bem o sentimento de dor vivido pelo narrador naquele
momento. Além de ser uma expressão que descreve bem uma sensação vivida pelo
narrador é uma expressão que ironiza o momento de dor do mesmo.

4) Um parágrafo que me emocionou...

Passo a transcrever o parágrafo que mais mexeu comigo: “E aconteceu


conforme meus dedos roçavam a fronha: a almofada se foi desfazendo. Do rompido
irrompia um algodãozinho miúdo que depois foi crescendo e se tornou bastante infinito
como se ansiasse habitar os além-céus. Abri a janela e aqueles flocos brancos foram
subindo, condecorando os céus com as mais luzentes nuvens que jamais por ali
esvoaram.”
Este último parágrafo foi o que mais me enterneceu e sensibilizou. Transmitiu-
me uma sensação de calma e levou-me a um momento de reflexão. Ao lê-lo imaginei
um cenário de pureza, em que os flocos brancos que foram subindo, representavam a
leveza do momento vivido.
5) O título...

O título foi, a meu ver, o factor crucial que marcou este conto, na medida em
que este foi o facto que me chamou mais a atenção e me levou a optar por escolhê-lo
para a minha apresentação.
Sendo que a acção se baseia na observação, por parte das personagens, de
fosforescências, que têm um significado (para a viúva estas significam que o seu
falecido marido estaria a divertir-se com outras falecidas), o título foi bastante bem
escolhido. Além de fosforescer, ter como significado emitir um brilho fosforescente e
pouca gente o saber, é apelativo e cativante para o leitor.
Fosforescências são propriedades que têm corpos que brilham na obscuridade
e esta acção baseia-se na simbologia das mesmas, logo este é, quanto a mim, um título
bastante interessante tendo em conta a acção neste conto.

6) O final...

O final do conto foi mesmo do que mais gostei, pois foi o momento mais alto da
acção. Esta fase é cativante e tem suspense, porque, ao contrário de certos contos,
este final é imprevisível e inesperado.
Além de acabar de uma maneira sobrenatural e nada realista, este final mexe
com as emoções e liberta a nossa imaginação, fazendo-nos parecer que somos como
os flocos de algodão que esvoaram aqueles céus. O terminar deste modo, dá asas à
nossa imaginação e permite-nos entrar num mundo de fantasia onde certos factos
irreais podem acontecer.
Tendo em conta o desenvolvimento da acção considero este final lógico,
contudo surpreendente, deixando-nos a reflectir sobre o mesmo e obrigando-nos a
reler o conto e pensar em factos anteriores.
Na minha opinião este tipo de finalização é o que mais cativa o leitor de um
conto, pois acaba por ser uma narrativa fechada, porque deixa ao critério do leitor a
simbologia desses flocos de algodão e ao mesmo tempo dá um final convicto ao conto.

7) Ilustração do conto

Para ilustrar “Fosforescências”, escolhi a Figura 2.


Ao ler este conto fiquei com a ideia de que a velha viúva vivia presa a uma
ilusão, alimentada pelo facto de pensar existirem fosforescências. Toda a sua vida era
sombria, fria e escura e as fosforescências eram como que fios de luz que a mantinham
viva.
Estas fosforescências apareciam na sua vida sempre que perguntava ao rapaz
se as teria visto e este confirmava. Contudo no dia que decide ir dizer-lhe que mentira
e nunca passara sequer pelo cemitério a viúva enlouquece de vez. Então, nesta figura
consigo ver, no meio da escuridão, corpos brilhantes que prendem o observador como
as fosforescências que agarravam a velha viúva a uma ilusão!
Observo também manchas esverdeadas que parecem estar a surgir do lado
direito da imagem, que me lembram o momento final do conto quando os flocos de
algodão começam a voar formando uma espécie de nuvens luzentes.

Figura 2
8) O tema...

Nesta narrativa é essencial a simbologia das fosforescências, pois são elas que
retratam a relação que D. Amarguinha teria tido com o marido, e desenvolvem uma
acção onde fica explicito a carácter das personagens.
Cada personagem vai ter a sua reacção perante a acção e o encontro de ambas
dá-se em consequência de uma suposta observação dos corpos que brilham na
obscuridade.
Outro aspecto que é importante para esta acção é o ultimo acontecimento em
que o algodão “esvoara” para os céus pois deixa o leitor a pensar e a tentar relacionar
esse facto com as diversas fases da acção.

9) Apresentação oral

A minha apresentação oral em aula será organizada da seguinte maneira:


- Começarei por sintetizar a acção para que os meus colegas possam perceber em que
se baseia o meu conto.
- Em seguida farei referência à frase de que mais gostei e que mais interesse me
desperto, fazendo uma reflexão sobre a mesma e explicando o que me levou a
escolhê-la.
- Farei uma pequena referência ao final do conto e vou expor a minha opinião sobre o
mesmo.
- E, para finalizar, mostrarei a imagem que escolhi para ilustrar o conto e justificarei o
motivo pelo qual seleccionei tal ilustração para a minha narrativa.

10) Apreciação

O trabalho que desenvolvi em relação ao conto foi pensado e ponderado.


Tentei ser explícita, evitando repetições e expondo de maneira clara e concisa a minha
opinião.
A escolha do conto também facilitou porque trabalhei com mais empenho e
dedicação. Tentei explorar a narrativa e aplicar os conhecimentos até agora
adquiridos, para a realização de um trabalho conciso, objectivo e de qualidade.
Sei que existem ainda aspectos a melhorar e é com a realização de trabalhos
deste género que nos deparamos com os obstáculos e as dúvidas. Estes contribuem
para o nosso desenvolvimento intelectual e obrigam-nos a momentos de esforço e
reflexão. Penso que este é um trabalho que revela empenho, contudo existem
aspectos que terei que melhorar num trabalho futuro como, por exemplo, o
aprofundamento das questões.