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Universidade Federal de Pernambuco

CCEN - Departamento de Fı́sica


Terceiro Exercı́cio Escolar - Fı́sica Geral I (2008.1)
Data: 16/06/2008

Nome: Turma: CPF:


Só serão consideradas respostas acompanhadas de seu desenvolvimento.
NÃO é permitido o uso de calculadoras.

Questão 1) (“fortemente baseada” no problema 84 do cap. 10 da 7a edição do livro-texto)


Um corpo rı́gido que tem a forma da letra H é construı́do usando-se três hastes finas idênticas, onde cada uma possui
comprimento L e massa M . O corpo pode girar livremente em torno de um eixo horizontal E que passa por uma das hastes
que compõem as “pernas” da letra H, conforme mostrado na figura. Suponha que este corpo esteja inicialmente num plano
horizontal e seja abandonado a partir do repouso (veja a figura). Nos itens abaixo, expresse seus resultados em função
dos dados do enunciado e da aceleração gravitacional g. Dado: momento de inércia de uma haste fina de massa M e
comprimento L em relação a um eixo perpendicular à haste que passe por seu centro de massa = M L2 /12.

a) (1,5) Calcule o momento de inércia


deste corpo rı́gido em relação ao eixo de
rotação E.

b) (1,5) Quanto vale a velocidade angu-


lar do corpo rı́gido exatamente quando
ele passa pela posição vertical?

Questão 2) Uma esfera maciça de raio R e massa m, inicialmente em repouso no ponto A, rola sem deslizar ao longo de
toda a superfı́cie ABC mostrada na figura (sem nunca perder o contato com ela). Apenas o trecho AB é retilı́neo, fazendo
um ângulo θ com a horizontal. A diferença de altura entre A e C é h, e a aceleração gravitacional é g. Deixe suas respostas
indicadas em termos dos dados do enunciado. Dado: momento de inércia de uma esfera maciça de massa m e raio R em
relação a um eixo que passe por seu centro de massa = 2mR2 /5.

m a) (1,0) Escreva as equações decorrentes da segunda lei de


R Vcm = 0 Newton (nas formas translacional e rotacional) para a esfera
A no trecho AB.
g
b) (1,5) Obtenha os módulos da aceleração do centro de
θ B massa da esfera e da força de atrito no trecho AB.
h

c) (1,0) Calcule a velocidade angular da esfera ao passar


pelo ponto C.
C

ANTES
Questão 3) Um tubo oco horizontal transparente gira sem atrito em torno de um
O
eixo vertical que passa pelo seu centro de massa. Dentro do tubo existem duas es-
feras iguais, de raio desprezı́vel e 0,010 kg de massa cada uma. Inicialmente, cada s s
esfera está conectada ao eixo de rotação por um fio de massa desprezı́vel e compri- D
mento s = 0,10 m e o sistema todo gira com velocidade angular ω0 = 5,0 rad/s.
Num dado instante os fios se rompem e as esferas ficam presas nas paredes das
DEPOIS
extremidades do tubo. Sabendo que o momento de inércia do tubo em relação
ao eixo de rotação vale 2,0 × 10−4 kg m2 e que seu comprimento é D = 0,40 m, O
determine:

a) (1,0) o módulo do momento angular inicial do sistema, em relação ao ponto O (sobre o eixo de rotação) indicado na figura;

b) (1,5) a velocidade angular final do sistema;

c) (1,0) a variação da energia cinética do sistema.


Gabarito
Questão 1)
a) Como as hastes são finas, o momento de inércia da haste pela qual passa o eixo é nulo. Já a outra haste paralela ao
eixo contribui como se fosse uma partı́cula de massa M , isto é, com I = M L2 . Usamos o Teorema dos Eixos Paralelos para
calcular a contribuição da haste perpendicular ao eixo: I = M L2 /12 + M (L/2)2 = M L2 /3. Somando todas as contribuições,
4M L2
o momento de inércia total é I = .
3
b) Por simetria, a distância do centro de massa (CM) ao eixo de rotação é L/2. Na queda, há portanto uma variação de
energia potencial gravitacional ∆U = −(3M )g(L/2). Por conservação de energia mecânica, temos −∆U = ∆K = Kf − Ki =
r
2
p 9g
Kf = Iω /2 ⇒ ω = 3M gL/I = .
4L

Questão 2)
a) As forças que atuam sobre a esfera são a força peso m~g, a força de atrito F~a (paralela ao plano, apontando para cima) e
~ , conforme a figura abaixo.
a força normal ao plano N
Portanto, da 2ª lei de Newton translacional, temos
N Fres = mg sin θ − Fa = ma , onde a é a aceleração do CM.
Fa Para aplicar a 2ª lei de Newton na forma rotacional, observamos
g
A que, em relação ao CM da esfera, o único torque não-nulo é o da
Ia 2maR
força de atrito. Assim, obtemos τres = Fa R = Iα = = ,
R 5
mg θ B onde a penúltima igualdade deve-se à condição de não-deslizamento
a = αR (onde α é a aceleração angular).
b) Substituindo Fa = Ia/R2 [da 2ª equação do item (a)] na 1ª equação do item (a), obtemos mg sin θ = ma 1 + I/mR2 ⇒
 

5g sin θ
a = g sin θ/[1 + I/mR2 ]. Substituindo I = 2mR2 /5, obtemos a = . Como Fa = Ia/R2 = 2ma/5, temos
7
2mg sin θ
Fa = .
7
2 2
c) A energia cinética no ponto C inclui o termo de translação mV
 cm /2e o termo de
 rotação
 Iω /2. Mas como não há
2

1 mR 1 2 5 7
deslizamento, temos Vcm = Rω, portanto K = Iω 2 1 + = mR2 ω 2 1 + = mR2 ω 2 . Como não há
2 I 2 5 2 10
deslizamento, a força de atrito é estática e não realiza trabalho, portanto há conservação de energia mecânica: mgh =
r
7 2 2 10gh
mR ω ⇒ ω = .
10 7R2

Questão 3)
a)
Li = (Itubo + ms2 + ms2 )ω0 = (2 × 10−4 + 2 × 0,01 × 0,12 )5 = 2,0 × 10−3 kg m2 s−1 .
b) Em função do deslocamento das esferas, o momento angular final será
"  2 #
D
Lf = Itubo + 2m ωf = [2 × 10−4 + 2 × 0,01 × 0,22 ]ωf = 1,0 × 10−3 ωf .
2

Como nenhum torque externo atua no sistema, o momento angular total se conserva: Li = Lf , portanto 2,0 × 10−3 =
1,0 × 10−3 ωf ⇒ ωf = 2,0 rad/s .
c) Antes dos fios se romperem, temos Ki = Itotal ω02 /2 = Li ω0 /2 = 2,0×10−3 ×5/2 = 5×10−3 J. Depois dos fios se romperem,

temos Kf = Itotal ωf2 /2 = Lf ωf /2 = Li ωf /2 = 2,0 × 10−3 × 2/2 = 2 × 10−3 J. A variação da energia cinética será portanto

∆K = Kf − Ki = −3,0 × 10−3 J .