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I

Responda, da forma mais completa e possível, e fundamentadamente, às seguintes


questões:

1) Refira qual o significado da regra da consensualidade e a sua excepção.

2) Qual o âmbito da liberdade negocial no Direito Português?

3) Enuncie os elementos da relação jurídica obrigacional.

4) Qual a amplitude da relação de comissão na responsabilidade objectiva?

5) Distinga garantia geral e garantias especiais das obrigações e seus efeitos.

(5 X 2 valores = 10 valores)

II

André promete comprar a Basílio, que lhe promete vender, um lote de terreno no qual
pretende vir a encarregar César de lhe construir uma moradia.

Porém, na data definida para celebração do contrato, por outorga da respectiva escritura
pública, André alega que não há possibilidade de, entre ambos, formalizar a promessa
de forma tão onerosa. Assim, decidem consagrá-la em 2 guardanapos de papel de uma
pastelaria onde se deslocam.

Neste momento a intenção de André já é outra uma vez que viu uma moradia por preço,
e em local, que lhe agradaram. Vem, pois, a celebrar contrato de compra e venda sobre
esta com o proprietário David, acordando desde logo, que o imóvel apenas será entregue
dentro de um mês, altura em que o vendedor assegura que este estará desocupado.

Entretanto, André descobre que o imóvel pertence a uma terceira pessoa, que não a
David, a qual por sua vez não mandatou este para vender e nem o pretende fazer.

Perante estes acontecimentos, Basílio começa a comentar em público a frustração da sua


promessa, referindo que André não cumpridor das suas obrigações e que é "caloteiro".
Para além disso diz ter a intenção de exigir deste uma indemnização a que tem direito
pela introdução, de sua iniciativa, de uma cláusula penal no contrato por ambos
estabelecido.

Questões:

1) Qual o vínculo jurídico estabelecido entre André e Basílio e a validade do mesmo?

2) Qual a figura contratual potencialmente existente entre André e César?


3) Qual o contrato estabelecido entre André e David, e a forma a respeitar por ambos os
contraentes? Que efeitos jurídicos produz?

4) André considera melindrado o seu bom nome. Como sugeria que actuasse
juridicamente?

5) Analise a pretensão de Basílio quanto à sua validade e exigibilidade?

RESOLUÇÃO:

1) Consensualidade representa o princípio relativo à forma de manifestação da vontade


negocial. Significa a liberdade do modo de apresentação das declarações negociais.
Princípio presente no art. 219º do C.C..

Princípio aplicável em todos os casos em que a lei não preveja uma forma rígida para
celebração válida de contratos. A não observância desta exigência legal é sancionada
com a nulidade das declarações negociais, cfr. art. 220º C.C..

2) Liberdade Contratual - art. 405º C.C.:

- liberdade de estipulação;

- liberdade de celebração;

- liberdade de selecção do tipo negocial.

Desenvolver.

3) Elementos da relação jurídica obrigacional: sujeitos, objecto, facto jurídico, garantia.

4) Desenvolver conteúdo do art. 500º C.C.

5) A garantia geral das obrigações é o património do devedor, todo aquele que é


susceptível de penhora. Deste modo por qualquer dívida do titular responde todo o seu
património ilimitadamente.

As garantias especiais conferem ao credor o direito a ver satisfeito o seu crédito com
recurso a um outro património, diverso e a acrescer ao do próprio devedor, ou com uma
preferência sobre um determinado bem e relativamente a outros devedores.

II
1) O vínculo estabelecido entre A e B é um contrato-promessa de compra e venda de
um imóvel. Exige a lei, no art. 410º nº 2 do C.C. que tal contrato conste de documento
escrito assinado pelas partes que se vinculam. Não obstante ter sido consagrado em
guardanapos de papel, é respeitada a forma escrita, sem que seja infringida qualquer
outra estipulação legal, que para o caso inexiste. É válida a promessa e produz os
pretendidos efeitos jurídicos.

De forma a produzir plenos efeitos, oponíveis a terceiros, ou seja, atribuindo eficácia


real à promessa, deveriam A e B respeitar os requisitos de forma exigidos pelo art. 413º
do C.C., termos em que a forma adoptada não se enquadra.

2) Contrato de empreitada regulado no art. 1207º e seguintes do C.C..

3) Contrato de compra e venda - art. 874º do C.C.. Forma deste contrato: escritura
pública - art. 875º do C.C..

De acordo com o art. 892º do C.C. o contrato de compra e venda é nulo porque se trata
de venda de bem alheio.

4) Acção judicial exigindo indemnização por ofensa do seu bom nome - art. 484º e 562º
do C.C..

5) Embora seja admissível a introdução de cláusula penal. cfr. art. 810º C.C., terá que
ser sempre por acordo entre as partes / contratantes, não produzindo quaisquer efeitos a
sua fixação de modo unilateral. Não é, portanto, exigivel ao devedor.