O PROFETA ISAÍAS INTRODUÇÃO O profeta Isaías tem seu livro classificado na sessão dos “profetas maiores” do Antigo Testamento

. Tal classificação deve-se à extensão dos escritos, contudo posso afirmar que ele também se destaca diante do conteúdo de suas mensagens, assim como a sua pessoa. Várias foram as designações dadas a ele, tais como “o rei dos profetas”, “o profeta messiânico” e “o profeta evangelista”. Seu livro é considerado por alguns como “a Bíblia em miniatura”1. Todos estes fatores destacam-se e atraem a atenção para esta personagem, que passa agora a ser analisada de forma sintética quanto à sua vida e obra. 1. A VIDA DO PROFETA 1.1. Seu nome. O nome de Isaías (whyesy) é uma combinação de duas outras palavras hebraicas cujo significado seria “Yahweh é salvação”, ou “Yahweh deu salvação”, ou “Salvação de Yahweh”. O nome na cultura hebraica é significativo podendo determinar uma situação presente, ou sendo determinada por ela; podendo ainda corresponder ao caráter presente do seu protagonista. Ridderbos (1986, p. 9) ainda faz uma conjectura interessante sobre as circunstâncias para o nome do profeta ao escrever: “Talvez os pais de Isaías lhe deram este nome para expressar a sua gratidão pela bênção experimentada por ocasião do nascimento do seu filho”. Apesar deste comentário não encontrar evidências internas e tradicionais, ainda assim, o nome de Isaías, certamente, cumpre o seu papel, uma vez que em sua mensagem ele apresenta o Santo de Israel promovendo a salvação do seu povo mediante seu Servo. Tal atribuição se deve a similaridade de sessões que são duas; no número de capítulos correspondente ao número dos livros bíblicos; nos enfoques relacionados à lei e a graça advinda com o Messias; na apresentação de uma “voz” que clama na segunda sessão, correspondente a João Batista no N. T.; e no interlúdio entre as sessões do livro correspondendo com o interlúdio histórico entre os testamentos bíblicos. Há no A. T. a ocorrência de outros homônimos (cf. 1º Cr 3:21; 25:3, 15, na LXX e traduzido por “Jesaías” nas versões portuguesas: RA, RC, TB). Portanto, o profeta é distinguido dos demais com a adição da frase “filho de Amoz”2 (cf. Is. 1:1; 2º Rs 19:2, etc), ou por sua designação profética: “o profeta” (cf. 2º Rs 20:1). 1.2. Sua família O próprio prólogo do livro (cf. Is 1:1) nos apresenta a filiação do profeta: “filho de Amoz”. Este é o máximo de informação. Não há registro algum sobre o seu pai, sua tribo ou dos seus primeiros anos de vida, exceto por algumas conjecturas e pela tradição rabínica. Segundo

Champlin (2001, p. 2779) alguns acreditam que o profeta descendia de uma família sacerdotal com base no texto de sua comissão no capítulo seis, dos versos um a oito. Por sua vez, a tradição rabínica identifica-o como membro da realeza de Judá. Ridderbos (1986, p. 9) argumenta ainda “a tradição rabínica de que Amoz, pai de Isaías, era irmão do rei Amassias, não tem confirmação adequada. Assim mesmo, alguns intérpretes crêem que podemos inferir, da sua conduta, que ele era de nobre descendência, e como tal, tinha influência na corte real”. Seu nascimento pode ser calculado entre 765 e 760 a.C., visto que seu chamado profético deu-se por ocasião da morte do rei Uzias em 740 a. C. (cf. Is 6:1). 1.2.2. Sua descendência. A vida familiar de Isaías, entretanto nos é descrita, mas igualmente sucinta. Era casado, e sua esposa é chamada de “a profetiza” (cf. Is 8:3). Mais uma vez há dúvidas quanto ao termo, pois pode descrever o fato dela também profetizar ou a sua condição de esposa de profeta. Não obstante, o Senhor usou a própria família de Isaías como instrumento de revelação da Sua mensagem ao povo. Dois filhos são mencionados no seu livro, e ambos receberam nomes simbólicos (cf. Is 8:18), que indicavam a iminência do juízo divino, sendo eles: “Um-Resto-Volverá” (cf. Is 7:3,14 RA) e “Rápido-Despojo-Presa-Segura” (cf. Is 8:3,4 - RA). O primogênito aparece no livro aparentemente já homem feito nos dias de Acaz, enquanto que o segundo nasce durante o mesmo reinado. Para Champlin (2001, p. 2779) os significados destes nomes podem 2É necessário ainda fazer uma distinção entre Amoz, pai do profeta Isaías, e Amós, o profeta. As grafias são diferentes, mesmo no original, apesar do som ser parecido. estar associados tanto ao cativeiro assírio quanto babilônico. Visto que quando o Reino do Norte foi levado, o Reino do Sul permaneceu apenas porque pagou tributo (2º Cr. 28:21). 1.3. Escopo. Diferente de Amós, que era boiadeiro profetizando para o Reino do Norte, Isaías viveu na cidade e concentrou suas atividades no palácio, em Judá. Como profeta advertiu vigorosamente os palacianos e ao povo contras as alianças com as nações vizinhas exortandoos a confiar no Senhor, tornando-o alvo de zombarias e de rejeição. Teve um ministério profético profícuo como se verá adiante, sendo um atento observador político de sua época e deixando transparecer nos seus escritos que era um homem culto. Quanto à sua morte não encontramos registro, e mais uma vez encontramos esta informação na tradição rabínica, de que ele teria sido colocado dentro de um tronco de árvore para depois ser serrado ao meio. Contudo Ridderbos (1986, p. 10) argumenta que “de acordo com a tradição rabínica, Isaías sofreu o martírio pela espada, ou foi serrado em dois durante o reinado de Manassés. Contudo, estas tradições tendem a não ser dignas de confiança. da mesma forma, a referência de Hebreus 11;37 ao martírio de pessoas que foram serradas ao meio não é prova de que esta foi a sorte de Isaías”. Pode-se dizer, seguramente sobre Isaías,

que embora não se tenha certeza de sua ascendência real, ele tem sido chamado de “rei dos profetas” (Ridderbos. 1986, p. 10), pois através de seus escritos se percebe uma dignidade real por meio de suas ações intrépidas, pelo estilo nobre e belo de suas mensagens. 2. A OBRA DO PROFETA. Calcula que Isaías tenha exercido o seu ministério profético por cerca de cinqüenta anos ou mais no reino de Judá, sendo Jerusalém o palco de suas ações. Ao abrir seu livro, deparamos com esta realidade: “Visão de Isaías, filho de Amoz, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (Is 1:1). Portanto, ele profetizou mais ou menos entre 740 a 695 a.C. 2.1. O contexto histórico. Isaías viveu num momento importante para Israel e Judá. Alguns dos primeiros capítulos do livro refletem esse ambiente. Seu nascimento mesmo foi em dias de grande prosperidade para Judá, algo que não havia sido experimentado desde a divisão dos reinos. Entender os dias e o ambiente que cercava o profeta, certamente nos ajuda a entender a sua obra. 2.1.1. A situação política O período progressista em Judá tanto quanto em Israel, nos primeiros dias de Isaías, deve-se ao fato da mudança no cenário político internacional nos anos anteriores. Aproveitando a declaração do período do exercício ministerial de Isaías (cf. Is 1:1), apresento a situação política de acordo com os reinos judeus e as monarquias sulistas durante o exercício profético. 2.1.1.1. O reino de Israel Em Israel a pressão Síria minguava-se diante do novo império Assírio. Jeroboão II aproveitou o enfraquecimento do reino sírio recuperando suas fronteiras e expandindo o seu reino conforme a profecia de Jonas (2º Rs 14:25). Nesta época o novo império Assírio enfrentava problemas internos propiciando este período áureo para Israel. O sucesso militar e comercial de Jeroboão II trouxe as riquezas, assim como o declínio moral e a indiferença religiosa. Sob este tempo profetizaram Amós e Oséias. Após a morte de Jeroboão II sucedeuse nova disputa pelo poder no reino do norte, surgindo as dinastias de Salum, Menaém e Peca. Durante este período de decadência, a Assíria, agora fortalecida, invadiu a Palestina conquistando-a e posteriormente Samaria, em 722 a.C., expatriando-os. 2.1.1.2. Uzias, rei de Judá Em Judá, por ocasião da nova disputa pelo poder em Israel, Uzias exerceu sua liderança trazendo para o povo uma era de prosperidade,

ampliando as fronteiras para o sul e subjugando os amonitas ao oriente. Algumas justificativas para este período próspero no reinado de Uzias podem ser apresentadas como sendo o ambiente de cordialidade existente entre Uzias e Jeroboão II, uma vez que não há registro de ataques entre eles conforme apresentado por Schultz (1984, p. 197). Segundo, o enfraquecimento interno de Israel após Jeroboão II, possibilitando as expansões ao oriente. Terceiro, os problemas internos no império assírio impedindo sua ambição expansionista temporariamente. Quarto, os territórios expandidos faziam parte derotas comerciais importantes. Por fim, a direta dependência do regente ao Senhor (cf. 2º Cr 26:5,7). Infelizmente, Uzias, no auge do seu sucesso, forçou uma postura que era exclusiva dos sacerdotes, tentando oferecer incenso no templo. A lepra e a perda dos privilégios sociais foram resultados deste ato punível pelo Senhor. Jotão se torna co-regente. Ao final do reinado, o império Assírio novamente toma força com Tiglete-Pileser III. Numa política de oposição, Judá é vencida numa batalha contra os assírios em Arpade. Schultz comenta: “embora Tiglete-Pileser houvesse esmagado a oposição conduzida por Azarias (Uzias), não fez qualquer reivindicação de haver colhido tributo de Judá. Visto que Menaém pagara uma soma enorme a fim de evitar a invasão punitiva por parte dos ferozes assírios, Tiglete-Pileser não fez seus exércitos avançarem para o sul, na direção de Judá, nessa oportunidade. Por conseguinte, Uzias foi capaz de manter uma política antiassíra, ao mesmo tempo que contava com Israel, que era favorável à Assíria, como se fora um estado tampão” (1984, p. 198). Morre Uzias, mas deixa na história de Judá um reino que superou suas dificuldades internas e externas, tornando-se desenvolvido e próspero, sendo ultrapassado apenas pelo progresso experimentado nos dias de Davi e Salomão. 2.1.1.3. Jotão, rei de Judá Jotão foi um rei eclipsado por um antecessor forte e firme, mantendo-se em segundo plano até a morte do pai, e seguindo a política deste; e posteriormente por seu sucessor, Acaz, que diante da ameaça assíria tornou-se co-regente. Schultz sintetiza o reinado de Jotão relatando que seu “reinado total é computado como vinte anos, mas ele (Jotão) reinou sozinho apenas por três ou quatro anos. Na posição de co-regente com seu pai, ele teve pouquíssimas oportunidades de impor-se. Mais tarde, a ameaça assíria precipitou a crise que o forçou a retirar-se da vida ativa, enquanto Acaz advogava amizade com a capital nas margens do rio Tigre” (1984, p. 199 – acréscimo pessoal em negrito). O início do seu reinado coincide com o de Peca, no reino de Israel, cuja postura política foi de oposição aos assírios. Sem expressão política externa diante da pressão assíria na região, apesar de sufocar um levante entre os amonitas, não foi capaz de manter a cobrança de tributos. Por sua vez na política interna revelou-se sem grandes feitos, envolvendo a construção de cidades e torres para o estímulo à agricultura no país, assim como demonstrou interesse religioso ao construir um portão superior no templo, sem, contudo intervir no culto pagão dos lugares altos (2º Cr 27:2).

2.1.1.4. Acaz, rei de Judá Acaz teve um reinado de vinte anos cheio de dificuldades (2º Rs 16:1-20; 2º Cr 28:117), cedendo à pressão externa imposta pelo império assírio, tornando-se seu partidário. A Assíria impunha seu desejo de conquista do Crescente Fértil, levando Peca, rei de Israel, a aliar-se com Rezim, rei de Damasco, numa coalizão de oposição ao expansionismo assírio. Como parte desta estratégia, compeliram Acaz para que se juntase a eles. Acaz recusa-se, evidenciando sua política pró-assíria. A postura partidária de Acaz, neste momento, lhe trouxe a ameaça da coligação Israel e Síria3, que tinham a intenção de depô-lo e estabelecer um novo regente favorável a política anti-Assíria. Este é um dos momentos de intervenção do profeta Isaías, pois Acaz comete a insensatez de pedir auxílio à Assíria. Judá se torna um estado satélite do império assírio. Em 732 a. C., Damasco é conquistada e os território ao norte de Israel. Oséias é colocado como rei em Samaria numa posição de vassalo assírio, mas rebela-se. Em 722 a. C. Samaria é finalmente sitiada e destruída. Acaz encontra-se com Tiglete-Pileser em Damasco lhe assegurando vassalagem. Deste encontro, ele lidera o regresso de Judá ao paganismo, atraindo a condenação e o juízo divino. “Durante todo o seu reinado Acaz manteve uma política pró-assíria. Enquanto havia troca de soberanos na Assíria e o reino do Norte chegava ao fim, por causa da rebelião de Oséias, Acaz guiava com sucesso sua nação através das crises internacionais. Embora Judá houvesse perdido a sua liberdade, e tivesse tido de pagar pesado tributo à Assíria, prevaleceu a prosperidade econômica que fora estabelecida sob os ditames rígidos de Uzias. As riquezas estavam melhor distribuídas do que no reino do Norte, onde haviam beneficiado exclusivamente a aristocracia. Enquanto o “status quo” não fosse perturbado por exércitos invasores, Judá suportaria o pagamento de pesado tributo à Assíria. Embora contasse com o grande profeta Isaías como seu contemporâneo, Acaz promoveu as mais esdrúxulas práticas idólatras. de acordo com costumes pagãos, ele fez seu filho passar pelo fogo. Não somente retirou muitos tesouros do templo, para satisfazer às exigências do rei assírio, MS também introduziu cultos estrangeiros no lugar onde só Deus era adorado. Não admira que Judá houvesse incorrido na ira de Deus” (Schultz, 1984, p. 200). 2.1.1.5. Ezequias, rei de Judá Ezequias reinou de 716 a 695 a. C. Sua liderança se destacou por sua extraordinária reforma religiosa operada em toda a história de Judá. Compromisso espiritual que lhe trouxeram benefícios materiais, gozando de um reinado pacífico. Apesar do cerco assírio (701 a. C.), ele sobreviveu pela intervenção divina. Durante sua última década de governo teve. Esta coalizão é conhecida como sírio-efrainita. Apesar de Jerusalém ter sido sitiada nesta guerra, a cidade não foi tomada. Mas experimentou uma grande perda, entre mortos e cativos, os quais foram levados para Samaria e Damasco. Só não houve maior dano, pois alguns dentre o povo de Israel ainda seguiam ao Senhor, que sendo exortados por um profeta, deixaram livres seus cativos judeus.

Manassés como co-regente. Seu sepultamento foi honroso, diferente de alguns de seus antepassados. Schultz sintetiza este reinado demonstrando Ezequias como um rei “dotado de sincera devoção à tarefa, [...] conduziu seu povo à maior reforma que houve na história de Judá. Visto que o reino do Norte já não possuía governo independente, essa reforma religiosa atingiu aquele território. Excetuando a ameaça Assíria, Ezequias gozou de um reinado pacífico” (1984, p. 205). O reinado tem início nos vinte e cinco anos de Ezequias. Ele foi testemunha da desintegração do Reino do Norte pela Assíria, percebendo que tal fato era resultado de juízo divino uma vez que eles haviam abandonado ao Senhor. Judá encontrava-se numa posição de vassalagem ao império assírio, com Sargão II, assim não foi incomodado nestes anos iniciais. Sendo um governante de percepção, diante do quadro que se desenrolava de rebelião no reino assírio depois da morte de Sargão II (705 a.C), antecipou o ataque assírio concentrando suas atenções num programa de defesa em Jerusalém. Fortificações foram reforçadas; escudos e armas foram fabricados; o exército capacitado; e por fim foram planejados e executados os meios de aumentar a capacidade de obtenção e armazenamento de água para Jerusalém durante um cerco. Contudo, tais atos não substituíram sua confiança e dependência do Senhor (2º Cr 32:8). Em 701 a. C. Senaqueribe concretizou as ameaças de subjugar totalmente o reino de Judá. Numa primeira tentativa assíria, Ezequias se vê obrigado a pagar um pesado tributo (cf. 2º Rs 18:14). Schultz (1984, p. 204) argumenta que a doença de Ezequias desenvolve-se neste período de intensa pressão assíria. Isaías adverte que o rei se prepare para a morte, mas o Senhor concede-lhe a graça de ter sua saúde restabelecida e que ficaria livre dos assírios. O Senhor interveio com uma revolta na Babilônia fazendo com que parte do exército retornasse e aqueles que caminhavam para o cerco de Jerusalém fossem destruídos pelo anjo do Senhor (2º Cr 32:21). A aclamação e o reconhecimento das nações vizinhas foram expressos na forma de presentes enviados à Ezequias. Dentre estes, veio uma comitiva babilônica, que estava fomentando a rebelião na Babilônia, para prestar suas homenagens. Foi nestas circunstâncias que Ezequias mostra a riqueza de Jerusalém e recebe a advertência profética do cativeiro babilônico. 2.1.2. A situação espiritual Há uma oscilação na espiritualidade em relação ao reino de Judá, enquanto que em Israel o povo estava corrompido e impenitente, apesar de algumas poucas exceções. Amós e Oséias foram os instrumentos de Deus para Israel, enquanto Isaías e Miquéias atuaram em Judá. A prosperidade no reinado de Uzias induziu o povo de Judá a luxúria e autoconfiança, motivo pelo qual rejeitaram a mensagem profética de Isaías ao arrependimento (cf. Is 6:1011), passando então a descrever o juízo divino. Assim começava o declínio espiritual do povo, na mesma proporção que o político. É neste ambiente de decadência que Isaías recebe o seu chamado. Entretanto é no reino de Acaz que o culto ao Senhor no templo é substituído pela idolatria pagã. O envolvimento de Acaz com as alianças estrangeiras deve-se a sua incapacidade de confiar

no Senhor (cf. Is 7:2). Finalmente a esperança e a renovação espiritual renovam-se no reinado de Ezequias. Vê-se que a reforma religiosa começou ainda no primeiro mês de seu reinado. Certamente a destruição do reino de Israel, como evidência das palavras de juízo divino, tornava mais forte ainda o movimento de reforma. A páscoa foi celebrada contando com alguns remanescentes do reino de Israel. Isaías estimulou Ezequias a confiar no Senhor apesar da pressão internacional para o estabelecimento de alianças. A tendência de aceitar tais alianças traziam mais pressão, contudo a fé e a confiança renovada nas ações divinas, garantiram o favor do Senhor. Assim, conforme Stanley (1993, p. 218-219) indica, houve uma mudança direção do braço justiceiro do Senhor que salvou Judá de um destino igual ao de Israel. 2.2. O chamado profético “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor” (Isaías 6:1). É desta forma que o profeta inicia o testemunho de sua comissão. A situação política estava insustentável tanto interna quanto externa. A situação internacional tendia para uma oposição à Assíria, que encontrava em Jotão uma inclinação favorável seguindo a política de Uzias. Entretanto internamente havia uma pressão para uma mudança política de apoio à Assíria, cujo enfoque encontrava respaldo em Acaz. Era um tempo de grande incerteza. Para Schultz a comissão profética de Isaías estabeleceuse nas seguintes circunstâncias: “Foi durante aquele ano de tensão doméstica e no exterior que o jovem Isaías recebeu seu chamamento profético. é possível que ele tivesse observado os acontecimentos internacionais com agudo interesse, ao dissiparem-se as esperanças de sobrevivência nacional por parte de Judá, diante dos exércitos assírios que avançavam. Qual teria sido a atitude religiosa de Isaías, nesse tempo, não é indicado. Talvez ele conhecesse a Amós e Oséias, que se mostravam ativos no reino do Norte. Em sua juventude pode ter entrado em contato com Zacarias, o profeta que exercia tão favorável influência sobre Uzias. Nesse ano crucial, pois, Isaías foi chamado para ser porta-voz de Deus – anunciar a mensagem de Deus a uma geração que enfrentava acontecimentos históricos sem precedentes”. (Schultz, 1984, p. 286). Fato notório é a disposição de Isaías em ser este mensageiro divino, pois ao ouvir a convocação responde prontamente. A disposição não muda diante a afirmação do Senhor que o povo não responderia favoravelmente à mensagem. Sua responsabilidade ela proclamar, até quando os juízos se confirmassem. Entretanto, do toco cortado um renovo ressurgiria como fruto deste ministério árduo (cf. Is 6). Têm-se início a “visão de Isaías, filho de Amoz, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (cf. Is 1:1). 2.3. O ministério profético O período vivido por Isaías, assim como o exercício do seu ministério profético envolveu o levante e queda de reinos e impérios. Destacou-se que as tribulações do povo de Deus, tanto Israel quanto Judá, nada mais

era do que a resposta divina à infidelidade. Assim o Senhor que controla todas as coisas usou a Assíria para dar início ao seu processo de vindicação enquanto que a Babilônia o encerra. Apresento a seguir alguns aspectos especiais dentro do ministério profético de Isaías. 2.3.1. Os períodos de atividades proféticas O trabalho profético de Isaías pode ser dividido em quatro períodos conforme Ridderbos (1986, p. 12-16). O primeiro período vai do ano em que morreu Uzias até a ascensão de Acaz ao trono de Judá, abrangendo o reinado de Jotão. As profecias deste período se encontram reunidas em sua maior parte nos capítulos dois a seis. Foi um período cujo conteúdo da mensagem profética consistia de condenações das condições corruptas existentes em Jerusalém, em Judá e em Israel, anunciando o julgamento divino sobre eles. Nesse primeiro período o arrependimento foi pregado, mas não houve resposta, havendo uma associação aos temíveis assírios como instrumentos deste juízo divino. O segundo período abrange o reinado de Acaz, focalizando essencialmente a guerra siro-efraimita. As profecias importantes deste período se concentram nos capítulos sete a nove, como provavelmente o capítulo um. Schultz (1984, p. 286-287) comenta que as atividades de Isaías durante o resto do reinado de Acaz são obscuras, assim como não há indícios de que este rei tenha reconhecido Isaías como profeta autêntico. Conjectura ainda sobre seus interesses e ansiedades em relação á Judá uma vez que Samaria caiu nas mãos dos assírios em 722 a.C. O terceiro período focaliza o princípio do reinado de Ezequias advertindo contra a cooperação com alianças anti-Assíria. O quarto período concentra-se por ocasião da invasão de Senaqueribe, estimulando o rei a não cooperar com alianças anti-Assíria, principalmente com o Egito, mas confiar inteiramente ao Senhor. Unger (cit. in Champlin 2001) sumariou as atividades proféticas de Isaías relatando que “[...] seu ministério, enfatizava os fatores espirituais e sociais. ele feriu as dificuldades da nação em suas raízes – sua apostasia e idolatria – e procurou salvar Judá da corrupção moral, política e social. Porém não conseguiu fazer com que seus compatriotas se voltassem para Deus. Sua comissão divina envolvia a advertência de que sobreviveria o castigo final (Is 6:9-12). Dali por diante, ele declarou, ousadamente, a inevitável queda de Judá e a preservação de um pequeno remanescente fiel a Deus (Is 6;13)”. 2.3.2. A mensagem profética. Unger (cit. in Champlin 2001) ainda descreve o conteúdo da mensagem de Isaías: “Todavia, alguns raios de esperança alegram as suas predições. Através desse pequeno remanescente, ocorrerá uma redenção de âmbito mundial, quando viesse o Messias, em seu primeiro advento (IS 9:2,6; 53:1-12). E, por ocasião do segundo advento do Messias, haveria a salvação e a restauração da nação (Is 2;1-5; 9:7; 11:1-16; 35:1-10; 54:11-17). O tema de que Israel, um dia, será a grande nação messiânica no mundo, um meio de bênção para todos os povos (o que terá cumprimento somente no

futuro), que fez parte tão constante das predições de Isaías, tem atraído para o título de profeta messiânico”. Diante desta percepção pode-se apresentar a mensagem profética através da seguinte proposição: “A salvação prometida de Javé consiste na remoção punitiva da atual ordem antropocêntrica rebelde e no estabelecimento de uma nova ordem teocêntrica por meio do Seu Servo, em Quem se realiza a promessa de bênção sobre a terra” (Carlos Osvaldo, 1985). 2.3.3. Propósito e teologia das mensagens. Como um mensageiro do Senhor que faz aliança com Israel e Judá, Isaías alertou que o povo de Deus estava para ser julgado por infringir a aliança com Ele. Mas também profetizou e testemunhou que a cidade de Jerusalém seria miraculosamente libertada da Assíria. Suas mensagens destacam a soberania de Deus sobre as nações. O Senhor levantou a Assíria e a Babilônia como instrumentos para punir seu povo rebelde, mas depois as destruiria por causa de sua arrogância e crueldade. Contudo neste contexto, será levantado o “Servo do Senhor” que desempenhará um papel importante na restauração de Israel. A revelação bíblica subseqüente identifica esse servo com Jesus Cristo. Matthew Henry destaca acertadamente que Isaías é chamado de “o profeta evangelista”, passando a descrever o propósito e a teologia destas mensagens: “Ele é corretamente chamado de “o profeta evangelista” devido às suas numerosas profecias acerca da vinda, do caráter, do ministério, da pregação, dos sofrimentos e da morte do Messias, e da extensão e continuação de seu reino. Sob o véu da libertação do cativeiro, Isaías aponta para uma libertação muito maior, que iria ser efetuada pelo Messias; raras vezes menciona uma sem ao mesmo tempo fazer alusão à outra; sim, ele está muitas vezes tão extasiado com a perspectiva da libertação mais distante que perde de vista a outra que está próxima, para dedicar-se à pessoa, ofício, caráter e reinado do Messias” (2003, p. 560). Outros temas teológicos importantes são encontrados nestas mensagens, tais como o nascimento virginal do Messias (Is 7:14); a santidade de Deus; a queda de Lúcifer (Is 14:4-20) e o conceito de “retidão e justiça”. 2.3.4. O valor ético e teológico das mensagens. Para Isaías, Deus era “O Santo de Israel” e “O Criador dos fins da terra”. Esse Deus exigia pureza moral e justiça de seu povo e de todas as nações. Isaías desafia os cristãos a esperarem em Deus, que não cortou relações com a criação. O Israel do Antigo Testamento concretizou apenas parcialmente a salvação e a paz divina. Deus, que agiu para salvar os cristãos no passado por intermédio do Servo Sofredor Jesus, agirá novamente para conduzir a história ao fim por ele desejado: um novo céu e uma nova terra. 2.3.5. A forma literária das mensagens.

As mensagens apresentam-se numa grande variedade de formas literárias, muitas vezes interligadas de maneira altamente artística e com retórica eficiente. Entre as formas mais comuns estão o discurso de julgamento, a exortação ao arrependimento, o anúncio da salvação, o oráculo de salvação, o discurso de disputa e o discurso de tribunal. Há ainda mensagens de caráter preditivo, principalmente nos capítulos de quarenta a sessenta e seis que identificam pessoas e situações que surgiram posteriormente na história. Tal característica tem levantado dúvidas pelos críticos a partir do século XVIII, que apresentam até mesmo mais de dois autores para estas mensagens. Contudo, creio no ponto de vista tradicional, que apresenta um único autor. CONCLUSÃO. Dentro todos os profetas do Antigo Testamento, Isaías sempre me fascinou, talvez por seu conteúdo profético retratando de forma especial o Senhor Jesus como o “servo sofredor”. Portanto pesquisar sobre sua vida e obra tornou-se um prazer e momentos de edificação. Certamente a designação dada a ele de “o rei dos profetas” lhe faz justiça. Fica uma lição pessoal diante deste trabalho e aproveito para registrá-la. Não importam quaisquer que sejam as circunstâncias da vida, Deus, o Santo, tem um plano que se descortina em bênçãos através do Senhor Jesus, mediante minha inteira confiança e dependência da Sua Pessoa. Esta é sem dúvida a mensagem apresentada pela vida e obra deste profeta. 4Visto que o presente trabalho enfoca apenas a vida e obra do profeta Isaías, não vejo necessidade de discorrer sobre a questão crítica dos capítulos quarenta a sessenta e seis, sendo objeto de estudo para outro trabalho.

O PROFETA JEREMIAS INTRODUÇÃO O ministério profético de Jeremias foi dirigido ao reino do sul, Judá, durante os últimos quarenta anos de sua história (626—586 a.C.). Ele viveu para ser testemunha das invasões babilônicas de Judá, que resultariam na destruição de Jerusalém e do templo. Como o chamado de Jeremias propunha-se a que ele profetizasse à nação durante os últimos anos de seu declínio e queda, é compreensível que o livro do profeta esteja cheio de prenúncios sombrios. Jeremias filho de sacerdote, nasceu e cresceu na aldeia sacerdotal de Ananote (mais de 6 Km ao nordeste de Jerusalém) durante o reinado do ímpio rei Manassés, Jeremias começou seu ministério profético durante o décimo terceiro reinado do bom Rei Josias, e apoiou seu movimento de reforma. Não demorou para perceber, no entanto, que as mudanças não estavam resultando numa verdadeira transformação de sentimentos do povo, Jeremias advertiu que, a não ser que houvesse verdadeiro arrependimento em escala nacional, a condenação e a destruição viriam de repente. 1. A VIDA DE JEREMIAS 1.1 Seu Nome O nome Jeremias foi construído em torno do nome hebraico de Deus, Yahweh. Significa Yahweh estabelece. Ele era filho de Hilquias, que operava em Ananote, no território de Benjamim (Jr. 1.1). Muitos estudiosos tem pensado que seu pai foi o sumo sacerdote do mesmo nome (II Rs. 22.8), que se encontrava o rolo do livro da lei, no décimo oitavo ano do reinado de Josias. Porém muitos eruditos pensam que isso é improvável, pois Jeremias em seus escritos não menciona nada disso. Naturalmente seu pai era sacerdote, mas não necessariamente aquele sumo sacerdote. O nome Hilquias era bastante comum na época. Além disso os sacerdotes que residiam em Ananote eram da casa de Abiatar (I Rs. 2.26,35), enquanto que o sumo sacerdote era da linhagem de Eleazar. Salomão havia banido Abiatar para Ananote, e dessa linhagem nunca mais surgiu um sumo sacerdote. O próprio Jeremias nunca serviu como sacerdote. Ele cresceu em Ananote e ficou familiarizado com a vida rural daquele lugar. Sem dúvida, ele aprendeu sobre os escritos dos profetas anteriores, e tinha excelente educação religiosa. 1.2. A Chamada de Jeremias Jeremias residia na cidade rural de Ananote, uma aldeia cerca de três quilômetros a nordeste de Jerusalém. Quando ainda era bem jovem, recebeu sua chamada divina e foi nomeado profeta pelo Senhor (Jr. 1.4-

10). Como era usual, ele sentiu sua incapacidade para tão elevada tarefa; mas a vontade de Deus acabou prevalecendo. Logo ele recebeu duas visões, uma de uma vara de amendoeira e outra de um caldeirão fervente, cuja boca estava voltada para o norte (Jr. 1.11-19). A vara de amendoeira simbolizava a ameaça do governo pelo poder estrangeiro de Nabucodonozor. E o caldeirão fervente tem um sentido obvio, porque todas as nações vindas do oriente atacavam Israel pelo norte. Assim a ira divina, sob a forma de guerra e cativeiro, logo devastaria Judá. O Juízo divino viria da parte do norte. Foi assim que Jeremias deu início as suas predições , a começar cerca de 627 a.C., até algum tempo depois de 580 a.C., provavelmente já no Egito. Ele deu início ao seu ministério do décimo terceiro ano do reinado de Josias, cerca de sessenta anos após a morte de Isaías. Sofonias e Habacuque foram contemporâneos seus, na primeira parte dos seus labores; e Daniel foi outro contemporâneo seu, na Segunda metade de suas atividades. 2. O MINISTÉRIO PROFÉTICO DE JEREMIAS Jeremias viveu em num período histórico crucial tanto para Judá quanto para o Oriente próximo e Médio em geral. O império assírio havia declinado e caído. Sua capital, Nínive, fora capturada pelos caldeus e pelos medos em 612 a.C. . Sete anos mais tarde por causa da batalha de Carquêmis, os egípcios e os remanescentes dos assírios, foram derrotados pelos caldeus. Assim a nova potência mundial veio a ser o império Neobabilônico, governado por uma dinastia caldeia, cuja figura principal era o rei Nabucodonozor II, que governou em cerca de 605—562 a.C.. O minúsculo reino de Judá havia sido vassalo da Assíria, antes disso. Mas teve de mudar a sua lealdade primeiramente para o Egito e, então, para a Babilônia; mas, finalmente, caiu com a captura de Jerusalém, em 587 a.C. Seguiu-se então o famoso cativeiro babilônico. Seu ofício profético ampliou-se por mais de quarenta anos. Jeremias recebeu a desagradável tarefa de advertir sobre os envolvimentos e destruições que um poderoso inimigo, que não dava quartel, haveria de impor. Os falsos profetas porém, eram sempre otimistas, predizendo o bem, embora falsamente, para a nação de Judá. Jeremias por sua vez anunciava a terrível verdade. A exatidão de suas predições era tão grande que seus compatriotas sentiam que, de algum modo, ele era responsável pelos acontecimentos adverso, perseguindo-o como se fosse traidor. Porém Jermias nunca se esquivou da tarefa, mesmo diante de falsas acusações e de ameaças de morte. Seu senso de missão era muito forte e ele serviu com grande zelo até o fim, um fim que, segundo alguns foi a morte de um mártir, às mãos de sua própria gente. 3. A ÉPOCA DE JEREMIAS 3.1 A Condição Espiritual dos Reis Contemporâneos 3.1.1 Josias. Reinou por um período de 31 anos em Jerusalém e fez o que era reto

perante o Senhor. É considerado um dos reis mais justos e devotados a Deus. As conseqüências do reinado de seu pai e de seu avô influenciaram muito sua vida, para que odiasse o pecado. Foi coroado aos oito anos de idade e buscou a face do Senhor desde o início. Aos vinte anos de idade ele liderou uma reforma religiosa nacional, e aos 26 iniciou a reforma do templo. É considerado como um rei bom (II Rs. 23.25), destruiu os focos de idolatria em Judá, reconstruindo o templo de Deus. Na reconstrução foi achado o Livro da Lei (II Cr. 34.15), que ao que tudo indica era a réplica ou cópia fiel escrita por Moisés. Ao ouvir as palavras do livro, Josias, chorou seus pecados e os de seu povo, e se humilhou perante Deus. Com esta atitude o Senhor protelou a Josias de ver o castigo daquela geração (II Rs. 22.19-20). Com auxílio do profeta Jeremias Josias empenhou no estabelecimento de uma cuidadosa reforma espiritual da nação. Com a envolvência dessa reforma religiosa, notadamente o povo prometeu obedecer a lei do Senhor e com isto o povo passou a remover do templo os vestígios do paganismo. Josias destruiu também o ídolo Tofete, utilizado para sacrifício humano (II Rs. 23.10). Retirou os altares pagãos do monte das oliveiras, que estava infestada de ídolos. A purificação nacional abrangeu a eliminação de médiuns espiritas, falsos sacerdotes e terafins (ídolos domésticos), (II Rs.23.24). Num confronto fatídico, na Batalha de Carquêmis, quando fora a caminho do Egito em 609 a.C. para impedir que o rei do Egito agisse contra a babilônia, inesperadamente morre. Três anos após sua morte, Babilônia invade ao Egito e leva a primeira leva de cativos em 606 a.C. 3.1.2 Jeoacaz Esse monarca de Judá governou por três meses. Faraó Neco depôs Jeoacaz e impôs a Judá um pesado tributo (II Rs. 23.31-33). Jeoaquim irmão de Jeoacaz foi nomeado rei em seu lugar, por autoridade de Neco. Jeremias lamentou o destronamento de Jeoacaz e seu exílio no Egito (Jr. 22.10-12). Jeoacaz fez o que era mau ao olhos do Senhor, conforme tudo o que fizeram seus pais (II Rs. 23.32). 3.1.3 Jeoaquim Este reinou de 608 a 597 a.C.. Ele foi apenas um vassalo do poder Egípcio. Ora, Jeremias era o principal representante do grupo que favorecia a supremacia dos caldeus. Isso o expôs a um grande perigo, ele foi aprisionado. Chegou a ser proposta a pena de morte (Jr. 26.11). Alguns dos príncipes de Judá tentaram protege-lo, apelando para o precedente estabelecido por Miquéias, o Morastita, que havia profetizado tempos antes de Jeremias. Os oráculos de Jeremias contra o Egito (46.3-12), pois atraíram muitas pertubações contra ele; mas não nos deveríamos esquecer que ele também estava denunciando os pecados do povo judeu, e isso servia para aumentar o ódio por ele. Jeoaquim também procedeu impiamente como seus antecessores. 3.1.4 Joaquim

Em Jr. 22.24,28 e 24.1 o nome dele aparece como Jeconias. Ele sucedeu o trono de seu pai Jeoaquim e colheu a péssima colheita que fora semeada por Judá e seus governantes anteriores. Tinha apenas dezoito anos de idade quando assumiu o trono e ficou ali durante três meses (II Rs. 24.8). Jerusalém se rendeu em 597 a.C. e Joaquim e muita gente de Judá foram levados para o cativeiro. Jeremias havia predito a sorte de Joaquim, que o profeta lamentou em (Jr. 22.24-30). Trinta e seis anos mais tarde Joaquim foi libertado, pelo filho e sucessor de Nabucodonozor (II Rs. 25.27-30). 3.1.5 Zedequias Nabucodonozor nomeou para o trono a Zedequias, tio de Jeoaquim. Zedequias era o filho mais novo de Josias, e foi o ultimo rei de Judá. Foi um governante fraco, que procurava contrabalancear as facções adversárias que lutavam pelo poder, em Judá. Ele começou a ouvir mais a Jeremias do que seus antecessores; porém era tarde demais para isso fazer qualquer diferença. Zedequias governou por dez anos, pagando tributos a Babilônia. Quando Zedequias deixou de pagar tributo e firmou um acordo com o Egito, Nabucodonozor perdeu a paciência e mandou um exercito para por fim ã cidade de Jerusalém. 4. POR QUE DEUS ENVIOU O PROFETA JEREMIAS Deus nunca age antes de comunicar suas ações aos seus profetas. O profeta Jeremias foi enviado para mostrar os pecados do povo e caso eles não se arrependessem seriam destruídos. Jeremias detalhou como seria essa punição, mas o povo não deu ouvidos e as profecias se cumpriram. 5. AS PRETENSÕES DE JEREMIAS AO ALERTAR O POVO DO CATIVEIRO INEVITÁVEL O intuito de Jeremias era conclamar o povo de Judá ao arrependimento, visto que ele via a potência do norte, Babilônia, erguerse, pela providência divina, para castigar uma nação desobediente como era Judá. Ele exortou os habitantes de Jerusalém a abandonarem sua idolatria e apostasia. Jeremias via um cativeiro de setenta anos no horizonte (Jr. 25.1-14). Ele via que o conflito entre três potências mundiais, a Assíria , o Egito e a Babilônia terminaria em triunfo desta última. E advertiu os judeus acerca dos pactos firmados com o Egito, que redundariam em desastre a longo prazo. Visto que Jeremias viu um resultado desfavorável para Judá, que era um pequeno reino, entalado em meio de lutas de poderes gigantescos, esse profeta acabou merecendo a desconfiança de seu próprio povo e foi desprezado. Suas profecias de condenação soavam estranhas, quando comparadas com as palavras consoladoras dos profetas falsos. Todavia a esperança messiânica resplandece em seus escritos, onde é prometida a restauração e a glória finais, para Israel e para Judá juntamente (Jr. 23.5; 30.4-11; 31.31-34; 33.15-18).

6. O CATIVEIRO BABILÔNICO 6.1 Início, Levas e Destruição de Jerusalém Egípcios e Babilônicos disputavam a supremacia no Oriente Próximo. O Egito encorajou Judá a rebelar-se contra Judá e o controle Babilônico, o que fez Jeoaquim em 600 a.C., retendo os tributos. Isso provocou a invasão da babilônia a Judá em 598, além de invasões dos inimigos vizinhos de Judá, particularmente dos edomitas no sul. O jovem Joaquim quando da morte de seu pai, sucedeu-o no trono de Judá , mas não foi capaz de fazer frente a pressão babilônica. Rendeu-se em Jerusalém no ano de 597. Ele e muitos judeus nobres foram deportados para a Babilônia , enquanto um rei fantoche, Zedequias, era colocado no trono (II Rs. 24.18). Mais uma vez Judá deixou-se persuadir a rebelar-se, e Jerusalém viuse cercada de novo em 589 a.C.. Hofra, rei do Egito, enfrentou os babilônicos no oeste, mas foi derrotado. O cerco de Jerusalém foi retomado. Apesar de resistir por quase dois anos, a cidade foi finalmente incendiada em 586, e seus habitantes levados para o exílio (II Rs. 25.112). 6.2 Número de Levas e Exilados A primeira leva foi no sétimo ano do reinado de Nabucodonozor (Jr. 52.28) em 597 a.C. e foram levados 3023 pessoas. A Segunda leva foi no decimo oitavo ano ele levou cativo 832 pessoas em 586 a.C. (Jr. 52.29). A terceira leva foi no vigésimo terceiro ano ele levou 745 almas (Jr. 52.30), em 582 a.C. No total foram levadas 4600 pessoas. 7. AS ATITUDES DO PROFETA JEREMIAS 7.1 Ao Ver Jerusalém e o Templo Queimados e Povo Destruído Jeremias escreveu uma série de cinco lamentações a fim de expressar sua intensa tristeza e dor emocional por causa da trágica devastação de Jerusalém que compreende: (1) a queda humilhante da monarquia e do reino davídico; (2) a destruição total dos muros da cidade, do templo, do palácio real e da cidade em geral; (3) a lamentável deportação da maioria dos sobreviventes para a distante Babilônia. "Jeremias ficou sentado chorando, e lamentou sobre Jerusalém com esta lamentação", diz um subtítulo do livro da Septuaginta e na Vulgata latina. No livro, a mágoa do profeta jorra como a de um enlutado no sepultamento de um amigo íntimo que teve a morte trágica . As lamentações reconhecem que a tragédia era o juízo divino contra Judá pelos longos séculos de rebeldia contra Deus. Chegará o dia da prestação de contas, e foi muito terrível. Em lamentações, Jeremias não somente reconheceu que a tragédia é reto e justo em todos os seus caminhos, como também que é misericordioso e compassivo com todos aqueles que nEle esperam (3.22,23,32). Assim sendo, Lamentações levou o povo a Ter esperança em meio ao desespero , e a olhar além do juízo daquele

momento, para o tempo futuro que Deus restauraria o seu povo. CONCLUSÃO Podemos tirar muitas lições estudando a vida do profetas Jeremias, freqüentemente chamado de "o profeta das lágrimas", era um homem com uma mensagem severa, mas de coração sensível e quebrantado. Seu sofrimento aumentava a medida que a palavra de Deus era rejeitada por seus familiares e amigos, sacerdotes e reis, e pelo povo em geral. Jeremias era um homem solitário e rejeitado, mas isso não impediu o seu ministério, ele foi um dos profetas mais ousados. O escritor Farley disse: "Nunca foi imposto sobre um homem mortal fardo mais esmagador. Em toda a história da raça judaica, nunca houve semelhante exemplo de intensa sinceridade, sofrimento sem alívio, proclamação da mensagem de Deus e intercessão incansável pelo povo. A tragédia da sua vida foi esta: pregava aos ouvidos surdos e só recebia ódio em troca do seu amor pelos compatriotas.

BIBLIOGRAFIA CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. 8 vols. 2. ed. São Paulo, SP: Editora Hagnos, 2001. _ Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia . Ed. Candeia 3. Edição 1995 São Paulo DOUGLAS, J. D. (ed.). O Novo Dicionário da Bíblia. 2 vols. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1984. ELLISEN, Stnaley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. Traduzido por Emma Anders de Souza Lima. São Paulo, SP: Editora Vida, 1993. HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 3. ed. Traduzido por Degmar Ribas Júnior. Rio de Janeiro, RJ: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003. PINTO, Carlos Osvaldo de “Síntese do Velho Testamento”. Síntese do Velho Testamento. Atibaia, SP: Seminário Bíblico Palavra da Vida, 1985. RIDDERBOS, J. Isaías: Introdução e Comentário. Traduzido por Adiel

Almeida de Oliviera. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1986. SCHULTZ, Samuel J. A história de Israel no Antigo Testamento. Traduzido por João Marques Bentes. São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1984.

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