Você está na página 1de 16

EMENTÁRIO DE VOTOS

(que, em matéria criminal, proferiu o Desembargador CARLOS


BIASOTTI, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Veja
a íntegra do voto no Portal do Tribunal de Justiça:
http://www.tj.sp.gov.br).

• “HABEAS CORPUS” (1A. PARTE)


(Art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.;
art. 647 e segs do Cód. Proc. Penal)

Voto nº 1058
HABEAS CORPUS Nº 327.434/2

Art. 157, § 2º, nº II, e 14, nº II, do Cód. Penal;


art. 33 do Cód. Penal

– À luz da boa doutrina, “o único direito em favor do qual se pode invocar o


habeas corpus é a liberdade de locomoção” (Pedro Lessa; apud M. Costa
Manso, O Processo na Segunda Instância, 1923, p. 390).
– Na via especial do “habeas corpus” não se examinam questões de cunho
subjetivo, como as que entendem com a concessão de regime semiaberto ao
sentenciado.
– Isto de deferir a Segunda Instância o benefício da progressão equivale a
suprimir grau de jurisdição; pois, na conformidade de Lei de Execução Penal
(art. 66, nº III, letra b ), após a expedição de guia de recolhimento, competente
para decidir sobre esse ponto é o Juízo encarregado da execução penal.
– Ainda que não se encontre na fase terminal da doença, o preso aidético
inspira sempre alguns acentos de compaixão no peito dos homens livres, dos
espíritos bem formados, notadamente dos constituídos em dignidade. É que
sua pena está associada a castigo corporal assaz aflitivo, que lhe quebranta as
energias e faz que, não raro, de humano só conserve a figura. Desses tais é
força que se amerceie a Justiça!
Voto nº 12.531
HABEAS CORPUS Nº 990.09.131649-0
Art. 168, § 1º, nº III do Cód. Penal;
art. 93 do Cód. Proc. Penal

— Em caso de “habeas corpus” fundado na alegação de falta de


justa causa, forçoso é proceder ao exame da prova, único
processo lógico de apreensão da verdade. “O que a lei não
permite e o que a doutrina desaconselha é a reabertura de um
contraditório de provas, no processo sumaríssimo de habeas
corpus” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 40, p. 271).
— Como a Justiça Criminal não é foro competente para dirimir conflitos que
entendam com o vasto campo do Direito das Obrigações, não entra em
dúvida que a instauração da persecução penal, nesses casos, constitui grave
exemplo de subversão de princípios capitais de nosso sistema jurídico.

–– Toda a ameaça ao “status dignitatis” do indivíduo deve o Juiz, tão logo lhe
venha de molde a ocasião, atalhar com firmeza e vigor, em ordem a não
sancionar, com sua autoridade e prestígio, situação a um tempo ilegal e
injusta; não raro, iníqua.

—“O Estado só deve recorrer à pena quando a conservação da ordem jurídica


não se possa obter com outros meios de reação, isto é, com os meios próprios
do direito civil (ou de outro ramo do direito que não o penal). A pena é um
mal, não somente para o réu e sua família, senão também, sob o ponto de vista
econômico, para o próprio Estado” (Nélson Hungria, Comentários ao
Código Penal, 1980, vol. VIII, p. 173).

Voto nº 1180
HABEAS CORPUS Nº 330.220/9
Art. 158, § 1º (1a. parte); art. 71, parág. único, do Cód. Penal

– Na esfera do “habeas corpus”, onde todas as alegações devem estar cabalmente


comprovadas, não se admite exame aprofundado de matéria de fato. Por isso,
pedido de trancamento de ação penal por falta de justa causa (art. 648, nº I,
do Cód. Proc. Penal) somente se defere quando demonstrada, além de toda a
dúvida, a ilegitimidade da coação.
– Presente o “fumus boni juris”, ou justa causa para a ação penal, é defeso
atalhar o curso do processo, visto constitui o meio regular “para a
averiguação do crime e da autoria e para o julgamento da ilicitude e da
culpabilidade” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. I, p. 3).

Voto nº 6056
HABEAS CORPUS Nº 476.400-3/4-00

Arts. 121, “caput”, e 14,nº II, do Cód. Penal;


arts. 156, 163 e 166 do Cód. Proc. Penal

–– Na esfera do “habeas corpus”, como não existe dilação probatória, compete


ao impetrante –– “ex vi” do art. 156 do Cód. Proc. Penal –– a demonstração
prévia da existência do fato alegado.

–– Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e


incontroversa de prejuízo das partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc.
Penal).

–– “Só a nulidade evidente, prima facie, autoriza a fulminação do processo no


Juízo do habeas corpus” (Rev. Forense, vol. 148, p. 415).

Voto nº 1445
HABEAS CORPUS Nº 341.184/9
Art. 168 do Cód. Penal;
art. 648, nº I do Cód. Proc. Penal

– Em caso de “habeas corpus” fundado na alegação de falta de justa causa,


forçoso é proceder ao exame da prova, único processo lógico de apreensão da
verdade. “O que a lei não permite e o que a doutrina desaconselha é a reabertura
de um contraditório de provas, no processo sumaríssimo de habeas corpus”
(Rev. Trim. Jurisp., vol. 40, p. 271).
– Coisas fungíveis, “ainda quando entregues para guardar (depósito), mas
ajustada ou autorizada a restituição do tantumdem ejusdem generis, qualitatis
et bonitatis, não podem ser objeto de apropriação indébita, porque no caso se
apresenta o depósito irregular, que é equiparado ao mútuo, de modo que o
depositário se faz dono do depositum” (Nélson Hungria, Comentários ao
Código Penal, 1980, vol. VII, p. 133).
– Como a Justiça Criminal não é foro competente para dirimir conflitos que
entendam com o vasto campo do Direito das Obrigações, não entra em dúvida
que a instauração da persecução penal, nesses casos, constitui grave exemplo
de subversão de princípios capitais de nosso sistema jurídico.
– Toda a ameaça ao “status dignitatis” do indivíduo deve o Juiz, tão logo lhe
venha de molde a ocasião, atalhar com firmeza e vigor, em ordem a não
sancionar, com sua autoridade e prestígio, situação a um tempo ilegal e
injusta; não raro, iníqua.

Voto nº 7800
HABEAS CORPUS Nº 1.017.059-3/0-00

Art. 330 do Cód. Penal; art. 5º, nº LXVIII da Const. Fed.;


art. 647 do Cód. Proc. Penal

–– Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas corpus”
meio apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário, mostra-se de
bom exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa pelo remédio
jurídico-processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e ilegalidades contra
o direito à liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º, nº LXVIII, da Const.
Fed.).
–– Apenas a certeza do procedimento arbitrário ou ilegal da autoridade coatora, apto
a causar coação física ou moral ao paciente, pode autorizar-lhe a concessão de
salvo-conduto, não o infundado receio de que venha a ser preso e processado
criminalmente (art. 647 do Cód. Proc. Penal).
— As ordens da Justiça Criminal, dadas segundo a lei, obrigam os agentes da
administração pública, pela necessidade de realizar um dos intuitos mais
preeminentes do Estado, que é distribuir justiça. Aos agentes administrativos,
portanto, não é lícito escusar-se de prestar colaboração aos atos do Juízo, que
se presumem praticados “secundum legem”.
— A dar-se o caso que o servidor não tenha competência para liberar preso e
apresentá-lo à barra da Justiça, então é resignar-se à discrição do Juiz, que
proverá em tudo segundo os ditames da lei e o arbítrio do bom varão.
— Isto de desatender o diretor do presídio às requisições de apresentação de réu
preso, sob color de que o acabara de receber de outra autoridade, a cuja
disposição e custódia ainda se achava, o mesmo fora que instaurar o caos na
esfera dos interesses da Justiça e coartar a atividade jurisdicional.

Voto nº 2198
HABEAS CORPUS Nº 361.424/4
Art. 112 da Lei de Execução Penal
– Atenta a sua natureza jurídica de remédio heroico, o “habeas corpus” pode ser
impetrado, ainda que pendente recurso interposto com o escopo de conjurar
constrangimento por ilegalidade de ato judicial ou abuso de poder.
– Para que se conheça, no entanto, de “habeas corpus” substitutivo de recurso
ordinário, a prova da alegação de abuso de poder há de ser mais clara que a luz
meridiana.

Voto nº 2213
HABEAS CORPUS Nº 364.284/7
Art. 169 do Cód. Penal; art. 647 do Cód. Proc. Penal

– Conforme princípio jurídico altamente reputado, não é o “habeas corpus” via


adequada para aferir o elemento subjetivo do tipo penal, o que requer exame
percuciente de provas, possível apenas na instrução criminal do processo.
– Não há atalhar a “persecutio criminis”, sob color de constrangimento ilegal, se
o fato imputado ao paciente constitui delito em tese, pois o fim a que tira o
inquérito policial é precisamente esclarecer a ocorrência de caráter criminoso
(art. 6º do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 2214
HABEAS CORPUS Nº 361.856/1
Art. 107, nº IV, do Cód. Penal; art. 197 da Lei de Execução Penal

– Isto de prescrição da pretensão executória da pena, segundo consagrada


orientação de nossos Tribunais, não se decreta na via judicial do “habeas
corpus”, cujo âmbito estreito não permite exame de questões que só podem ser
bem aferidas no Juízo das Execuções Criminais, como a incidência de eventual
causa interruptiva da prescrição (art. 117 do Cód. Penal), etc.
– De ordinário, não é o “habeas corpus” substitutivo do recurso próprio,
máxime quando a matéria de seu objeto reclame percuciente análise de
circunstâncias que lhe excedam os limites e a natureza jurídica.

Voto nº 2233
HABEAS CORPUS Nº 364.362/1
Art. 647 do Cód. Proc. Penal
– “É exclusiva missão do habeas corpus garantir a liberdade individual na
acepção restrita, a liberdade física, a liberdade de locomoção” (Pedro Lessa;
apud M. Costa Manso, O Processo na Segunda Instância, 1923, p. 390).
– Nisto de “habeas corpus”, “não cabe reiteração com fundamento nos mesmos
elementos. Satisfeita a prestação jurisdicional, é incabível novo pedido sob os
mesmos fundamentos” (Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 13a. ed., p. 462).

Voto nº 2422
HABEAS CORPUS Nº 369.560/8
Art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução Penal

– Não é o “habeas corpus” via adequada para apressar decisões na esfera das
Execuções Criminais, pois somente ao Juiz do processo cabe avaliar da
oportunidade de render sua jurisdição.
– Sob pena de subverter a organização judiciária do Estado, com supressão de
instância, não pode o Tribunal, exceto em grau de recurso, entender em
questão de regime prisional, de competência privativa do Juízo de Direito da
Vara das Execuções Criminais (art. 66, nº III, alínea b, da Lei de Execução
Penal).

Voto nº 12.528
HABEAS CORPUS Nº 990.09.185892-7
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal

— Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser processado,


rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da liberdade — bem
preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-lhe o sofrimento,
dilatando os dias de sua permanência no cárcere.

— É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que somente


o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal, não a demora
decorrente da natural complexidade da causa ou de incidentes processuais, pois
não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente, prevenir motivos de força
maior que obstam à realização do ato processual.
––“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo ou
ao Ministério Público” (Jurisp. do STJ, vol. 8º, p. 236).

—Salvo casos especiais (ao prudente arbítrio do juiz), primariedade, bons


antecedentes, prova de ocupação lícita e de residência no foro da culpa não valem
a autorizar a concessão de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód.
Proc. Penal) àquele que, acusado de crime grave — como é o roubo —, tem
contra si a presunção de periculosidade.

—“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-


gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

—“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não


contraditória e que não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF; HC;
rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).

— Só é admissível trancamento de ação penal por falta de justa causa, quando esta
se mostre evidente à primeira face.

— “Se o fato atribuído ao paciente constitui violação da lei penal, existe justa causa
para o processo” (Rev. Forense, vol. 172, p. 426).

Voto nº 12.441
HABEAS CORPUS Nº 990.09.195405-5
Art. 659 do Cód. Proc. Penal

–– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.

––“Julga-se prejudicado o pedido, se à impetração sobreveio sentença


condenatória” (STJ; HC nº 1.959-8; rel. Min. José Dantas; DJU 23.8.93, p.
16.585).
Voto nº 12.438
HABEAS CORPUS Nº 990.09.156456-7
Art. 112 da Lei de Execução Penal

–– Declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em sessão de 23.1.06, a


inconstitucionalidade do art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos), é o art. 112 da Lei de Execução Penal que serve de fundamento ao
pedido de progressão de regime do condenado por crime hediondo cometido
antes da promulgação da Lei nº 11.464, de 28.3.07, pois, segundo princípio basilar
de Direito Penal, a lei posterior mais severa não pode retroagir.

— A decisão da Suprema Corte, conforme o sentimento comum dos melhores


intérpretes, “é autoaplicável, dispensando a atuação do Senado Federal para
suspender a sua execução (CF/88, art. 52, X)” (René Ariel Dotti, in Rev. Tribs.,
vol. 400, p. 415).

— Na conformidade do que têm proclamado nossos Tribunais Superiores, os


condenados por crimes hediondos cometidos antes da Lei nº 11.464/07, para efeito
de progressão, caem sob o regime do art. 112 da Lei da Execução Penal:
cumprimento de 1/6 da pena e bom comportamento carcerário.

—“O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes
hediondos e equiparados cometidos antes da entrada em vigor da Lei nº 11.464, em
29 de março de 2007, é aquele previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal” (HC
nº 88.037/SP; 5a. Turma; relª Minª Laurita Vaz; j. 25.10.07; DJU 19.11.07, p.
264);

—“Fazer justiça não é, em muitos casos, obedecer à lei e, sim, obedecer ao direito
que é a fonte da lei” (Eliézer Rosa, A Voz da Toga, 1a. ed., p. 41).

—“Não trepidei em mudar de voto, pública e declaradamente, toda vez que novos
argumentos ou provas concludentes me convenceram do desacerto do veredictum
anterior: acima do melindre pessoal de cada um está a sacrossanta causa da
Justiça” (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 16a. ed., p.
377).

Voto nº 12.004
HABEAS CORPUS Nº 990.09.107443-8

Art. 29 do Cód. Penal;


arts. 647 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 40, “caput”, § 1º, e 68, da Lei nº 9.605/98

–– Sob pena de constituir violência contra o “status dignitatis” do indivíduo, a


instauração de persecução penal unicamente se admite em face de prova cabal da
existência do crime e de indícios veementes de sua autoria.
–– Comprovada a falta de justa causa, ou de fundamento razoável para a
acusação, será força obstar à persecução penal, em obséquio ao “status
dignitatis” do indivíduo, que deve estar ao abrigo de procedimentos ilegítimos
e temerários.
–– Comprovada a falta de justa causa para a persecução criminal — Isto é a
“inexistência de fundamento razoável para a acusação” (José Frederico
Marques, Exposição de Motivos do Anteprojeto do Código de Processo
Penal) —, merece deferida a ordem impetrada para trancar a ação penal (arts.
647 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 900
HABEAS CORPUS Nº 321.812/1
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal

– Não se conhece de “habeas corpus” preventivo de que não conste, precisa e


claramente, a indicação da autoridade coatora, faltando-lhe pois uma das
condições objetivas de procedibilidade: a legitimação passiva “ad causam”.
– “Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt” (o que em linguagem
quer dizer: nada alegar e não provar o alegado implicam o mesmo).
– “No Juízo criminal, todos os fatos devem ser provados, ainda quando não
determinem controvérsia a seu respeito” (Bento de Faria, Código de
Processo Penal, 1960, vol. I, p. 252).

Voto nº 1021

HABEAS CORPUS Nº 325.402/1


Art. 331 do Cód. Penal (desacato)

– Remédio constitucional específico para garantir o direito deambulatório, o


“habeas corpus”, por seu rito peculiar, não sofre a análise aprofundada de
provas. Se, para concedê-lo, houver mister exame de “alegações e provas, que
devam ser exibidas em uma ação qualquer, sob qualquer forma processual, ao
juiz cumpre indeferir o pedido” (Pedro Lessa; apud M. Costa Manso, O
Processo na Segunda Instância, 1923, p. 391).
– Para que, em foro de “habeas corpus”, se decrete o trancamento da ação penal,
é mister que a falta de justa causa se patenteie ao primeiro aspecto e induza ao
convencimento da ilegalidade do ato impugnado.

Voto nº 1405
HABEAS CORPUS Nº 339.366/5
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal; art. 112 da Lei de Execução Penal

– Conforme doutrina comum, não tem o “habeas corpus” função de apressar


decisões de órgãos do Poder Judiciário nem é via adequada para solução de
incidentes de execução penal.

Voto nº 2198
HABEAS CORPUS Nº 361.424/4
Art. 112 da Lei de Execução Penal

– Atenta a sua natureza jurídica de remédio heroico, o “habeas corpus” pode ser
impetrado, ainda que pendente recurso interposto com o escopo de conjurar
constrangimento por ilegalidade de ato judicial ou abuso de poder.
– Para que se conheça, no entanto, de “habeas corpus” substitutivo de recurso
ordinário, a prova da alegação de abuso de poder há de ser mais clara que a luz
meridiana.

Voto nº 2213
HABEAS CORPUS Nº 364.284/7
Art. 169 do Cód. Penal; art. 647 do Cód. Proc. Penal

– Conforme princípio jurídico altamente reputado, não é o “habeas corpus” via


adequada para aferir o elemento subjetivo do tipo penal, o que requer exame
percuciente de provas, possível apenas na instrução criminal do processo.
– Não há atalhar a “persecutio criminis”, sob color de constrangimento ilegal, se
o fato imputado ao paciente constitui delito em tese, pois o fim a que tira o
inquérito policial é precisamente esclarecer a ocorrência de caráter criminoso
(art. 6º do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 2214
HABEAS CORPUS Nº 361.856/1
Art. 107, nº IV, do Cód. Penal; art. 197 da Lei de Execução Penal

– Isto de prescrição da pretensão executória da pena, segundo consagrada


orientação de nossos Tribunais, não se decreta na via judicial do “habeas
corpus”, cujo âmbito estreito não permite exame de questões que só podem ser
bem aferidas no Juízo das Execuções Criminais, como a incidência de eventual
causa interruptiva da prescrição (art. 117 do Cód. Penal), etc.
– De ordinário, não é o “habeas corpus” substitutivo do recurso próprio,
máxime quando a matéria de seu objeto reclame percuciente análise de
circunstâncias que lhe excedam os limites e a natureza jurídica.

Voto nº 2233
HABEAS CORPUS Nº 364.362/1
Art. 647 do Cód. Proc. Penal

– “É exclusiva missão do habeas corpus garantir a liberdade individual na


acepção restrita, a liberdade física, a liberdade de locomoção” (Pedro Lessa;
apud M. Costa Manso, O Processo na Segunda Instância, 1923, p. 390).
– Nisto de “habeas corpus”, “não cabe reiteração com fundamento nos mesmos
elementos. Satisfeita a prestação jurisdicional, é incabível novo pedido sob os
mesmos fundamentos” (Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal
Anotado, 13a. ed., p. 462).

Voto nº 5848
HABEAS CORPUS Nº 470.177-3/1-00
Art. 647 do Cód. Proc. Penal;
art. 214 do Cód. Penal
–– Por vontade expressa da lei, não faz jus ao benefício da liberdade provisória
quem responde a processo por atentado violento ao pudor (art. 214 do Cód.
Penal), crime do número dos hediondos (art. 1º, nº VI, da Lei nº 8.072/90).

–– Pedido de desclassificação do fato criminoso não cabe na esfera angusta do


“habeas corpus”, onde não têm entrada questões de alta indagação, ou que
impliquem aprofundado exame da prova dos autos.

Voto nº 5909
HABEAS CORPUS Nº 470.537-3/5-00
Arts. 299 e 29 do Cód. Penal;
art. 647 do Cód. Proc. Penal

––Ainda na esfera do “habeas corpus”, é admissível a análise de provas para


aferir a procedência da alegação de falta de justa causa para a ação penal;
defeso é apenas seu exame aprofundado e de sobremão, como se pratica na
dilação probatória.

––Para trancar a ação penal, sob o fundamento da ausência de “fumus boni


juris”, há mister se mostre a prova mais clara que a luz meridiana, a fim de se
não subverter a ordem jurídica, entre cujos postulados se inscreve o da
apuração compulsória, pelos órgãos da Justiça, da responsab’ilidade criminal
do infrator.

Voto nº 5943
HABEAS CORPUS Nº 474.006-3/1-00

Art. 647 do Cód. Proc. Penal

— Não tem lugar reiteração de pedido de “habeas corpus” pelos mesmos


fundamentos.

—“Não se conhece de habeas corpus que seja reiteração de outro, já indeferido”


(Rev. Forense, vol. 158, p. 340).

Voto nº 5970
HABEAS CORPUS Nº 474.415-3/8-00
Art. 121, § 2º, ns. I e IV do Cód. Penal;
art. 14, nº II, do Cód Penal; arts. 408 e 416 do Cód. Proc. Penal;
art. 647 do Cód. Proc. Penal; Súmula nº 21 do STJ

—Contra o parecer de notáveis juristas, que sustentam não ser o “habeas


corpus” meio apropriado a impugnar decisão de que caiba recurso ordinário,
mostra-se de bom exemplo conhecer da impetração, porque, em tese, passa
pelo remédio jurídico-processual mais célere e eficaz para conjurar abusos e
ilegalidades contra o direito à liberdade de locomoção do indivíduo (art. 5º, nº
LXVIII, da Const. Fed.).

—Na fase da pronúncia, o Magistrado afastará as circunstâncias qualificativas


do crime somente se convicto de sua inexistência, não no autorizando a mera
dúvida (art. 416 do Cód. Proc. Penal).

—“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da


prisão por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21, do STJ).

HABEAS CORPUS Nº 476.367-3/2-00


Voto nº 6010

art. 14da Lei nº 10826/03(Estatuto do Desarmamento);


art. 647 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVIII, da Const. Fed.

—Ainda que instrumento processual de dignidade constitucional, próprio a


tutelar a liberdade do indivíduo, não pode o “habeas corpus” substituir o
recurso ordinário, máxime quando a “causa petendi” respeita a questões
de alta indagação.

— “O habeas corpus não é meio idôneo para corrigir possível injustiça da


sentença condenatória” (Rev. Forense, vol. 119, p. 242; rel. Nélson Hungria).

Voto nº 7782
HABEAS CORPUS Nº 1.021.004-3/5-00

art. 310 do Cód. Proc. Penal; art. 12 da Lei nº 6.368/76;


art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90; art. 647 do Cód. Proc. Penal

— Conforme a doutrina comum, o pedido de “habeas corpus” deve ser instruído com
as peças e documentos que comprovem as alegações do paciente.
— O Colendo Supremo Tribunal Federal, em copiosos arestos, tem proclamado que se
não toma conhecimento do pedido de “habeas corpus” quando não está devidamente
instruído (José Frederico Marques, Elementos de Direito Processual Penal, 1a. ed.,
vol. IV, p. 417).

— Na esfera do “habeas corpus”, é admissível a


análise de provas para aferir a procedência da alegação de falta de justa causa
para a ação penal; defeso é apenas seu exame aprofundado e de sobremão, como
se pratica na dilação probatória.
— O crime de tráfico de entorpecentes a lei equipara a hediondo e, pois, em
princípio é insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da
Lei nº 8.072/90).

Voto nº 8945
HABEAS CORPUS Nº 1.090.806-3/5-00
Art. 647 do Cód. Proc. Penal

–– Apenas a certeza do procedimento arbitrário ou ilegal da autoridade coatora,


apto a causar coação física ou moral ao paciente, pode autorizar-lhe a
concessão de salvo-conduto, não o infundado receio de que venha a ser preso
e processado criminalmente (art. 647 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 7799
HABEAS CORPUS Nº 1.003.154-3/7-00
Art. 171, “caput”, e 176, parág. único, do Cód. Penal;
Arts. 647 e 659 do Cód. Proc. Penal

—“As atribuições do Ministério Público, bem compreendidas, são as mais belas


que existem” (De Molénes; apud J.B. Cordeiro Guerra, A Arte de Acusar, 1a.
ed., p. 99).
— Segundo a comum opinião dos doutores e a jurisprudência de nossos Tribunais,
não comete crime de estelionato o acadêmico de Direito que, por festejar a data
comemorativa da instituição dos cursos jurídicos no País — 11 de agosto —,
pratica a denominada “pendura”, isto é: dirige-se a uma casa de pasto e, após
comer à tripa forra e entrar galhardamente pelas bebidas, chama a seu pé o dono
do estabelecimento e comunica-lhe, em discurso de pompa e circunstância, que
aquele troço de estudantes quer homenageá-lo como a amigo e benfeitor da velha
e gloriosa Academia de Direito do Largo de São Francisco, além de significar-lhe
eterna gratidão pelo “oferecimento” do memorável banquete.
— Em escólio ao art. 176 do Código Penal escreveu Damásio E. de
Jesus:“Entendeu-se haver mero ilícito civil e não penal, uma vez que o tipo
exige que o sujeito não possua recursos para o pagamento dos serviços”
(Código Penal Anotado, 17a. ed., p. 674).
Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
––“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante a
ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma; rel. Min.
Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 12.000
HABEAS CORPUS Nº 990.09.141950-8
Arts. 161, § 1º, nº II, e 288 do Cód. Penal;
arts. 312 e 648, nº I, do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, nº LVII, e 93, nº IX, da Const. Fed.

–– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de


inocência, consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII),
subsiste a providência da prisão preventiva, quando conspiram os
requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a
aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
— Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve
encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de
Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova
bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu”
(cf. Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 253).
–– Matéria de alta indagação, como a que entende com a autoria do crime, é
insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de rito
sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com observância da
regra do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa
causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de
vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº
I, do Cód. Proc. Penal).
––“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixa alternativa à convicção do julgador” (STF;
HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
—“O dia em que se não cumprirem as decisões judiciais transitadas em
julgado perecerá o direito, e com ele a liberdade, que faculta a plena
realização da pessoa humana na sociedade em que vive” (Carlos Alberto
Menezes Direito, Manual do Mandado de Segurança, 4a. ed., p. 200).
— Entre nós, tem o direito à propriedade garantia constitucional (art. 5º da
Const. Fed.). Por isso, no limiar de toda propriedade (choupana, chácara,
sítio e fazenda), haveremos de ler, sob a forma de advertência legítima, a
imaginária inscrição: “Aqui, sem a minha autorização, só entra o Sol e
ninguém mais!”.

FINIS
(Em breve, novas ementas).