Você está na página 1de 15

CRONSTRUÇÃO DE JINGLES

Jingle é um termo inglês cujo significado refere-se à música composta para promover
uma marca ou um produto em publicidades de rádio ou televisão.
O jingle publicitário é criado para cativar o público. Geralmente tem letras e melodias
simples para que sejam facilmente memorizadas e inconscientemente recordadas por
quem as ouve. Os jingles são geralmente curtos, quando muito, chega a um minuto de
duração.
Jingle também é o ato de fazer algo tilintarou soar. Por exemplo, o tilintar das chaves
seria dito em inglês jingle of keys. Esse tilintar muitas vezes é o som que resulta do
choque entre dois metais. O jingle é frequentemente descrito como o som de sinos,
como está descrito na famosa música natalícia conhecida como Jingle Bells.
Também existem jingles políticos, usados para que os políticos sejam reconhecidos
perante os eleitores.
Jingles famosos
Um dos mais famosos jingles brasileiros é de um comercial da Guaraná Antárctica,
com a inesquecível letra Pipoca com Guaraná. Mesmo passados muitos anos, há
quem se recorde da música:
“Pipoca na panela
Começa a arrebentar
Pipoca com sal
Que sede que dá
Pipoca e guaraná
Que programa legal
Só eu e você
E sem piruá!
Que tal?
Quero ver pipoca pular
(pipoca com guaraná)
Eu quero ver pipoca pular
(pipoca com guaraná)
Quero ver pipoca pular, pular
Soy loca por pipoca e guaraná
Ah, ah, Guaraná!”
Existem outros jingles bastante famosos, como o "Adoro Pizza com Guaraná", da
Antárctica, o do leite Parmalat (sobre os animais), e o do MacDonald's: "Dois
hambúrgueres, alface, queijo molho especial, cebola e picles no pão com gergelim."

A problemática que conduz contemplar a poética em dois prismas de entendimento. incidindo. sob as demais artes. no que tange o saber básico do aluno. 578). somos conduzidos a apreciá-la sob dois pontos de vista: Material (concreto) e imaterial (abstrato). pois. como ponto de partida ao entendimento da mudança de seu estado primitivo (imaterial) à concretude da escrita configurada polivalente e carregada de sentimento. torna-se comum a todo e qualquer ser humano conscientemente são: “A poesia é algo tão natural que mesmo pessoas sem instrução formal. a poesia significa. 7). que se situam no campo estético. e a não especialização docente. por confundirem e/ou dar sentido simples ao conceito histórico. ainda hoje se reflete no ambiente de ensino. das demais manifestações literárias como o poema e a prosa. 2008. estilístico. a poesia é a essência que conduz o autor à vontade e o leitor à contemplação da arte. de forma denotativa: “Arte de criar imagens. da poesia. adequada à subjetividade. a analisá-la em seu aspecto criativo e essencial à produção literária. Como não está relacionada ao campo estético. e etimologicamente amplo. portanto. nesta. de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons. apenas. diferente. p. homens simples do povo. Conforme veremos. p. e a poesia uma manifestação que transcende as barreiras da literatura. restringimo-nos.CRIAÇÃO POÉTICA. e sem análise às concepções individualistas dos estados emocionais que influem de maneira transformada do abstrato para . e como dita a concepção tradicional. a um sentido estritamente material. ela aparece relacionada. Sendo os dois campos muito vastos – muitas vezes confundidos –. no sentido explorado deste artigo. às vezes se revelam exímios poetas” (KORYTOWSKI. está situada no plano imaterial. e em outras tantas definições práticas. Quando estudamos a arte poética. ritmos e significados”. embora não comum. Como diz o verbete do dicionário Aurélio (2001. A poesia. inclusive.

e do poema. por exemplo. até então latentes. também. não transformados. que seguem a concepção estruturalista. de uma ferramenta auxiliar para a expressão do eu-poético (poesia). De acordo com o nosso estudo. veremos. das escolas literárias das quais se expressa a poesia diferentemente. pela visualização abstrata e ampliada acerca do fenômeno poético. pela explanação e teorização. como elemento concreto (objeto literário). o poema se trata. necessárias. aquele que transmite e indica uma carga de sentimentalismo através dos signos linguísticos. por sua visão filosófica e à linha de Aristóteles. Para isso. neste. Machado de Assis (1946) e Carlos Bousoño (1966). em escolas. as duas palavras como análogas. a sua estrutura poemática. Para Boileau-Despréaux (1979). e quando. portanto. trabalharemos um dialogismo entre autores de diferentes correntes teóricas como Boileau-Despréaux (1979). o poema. senão pela interpretação. a fim de didática. ela está desenvolvida. portanto. pelos críticos e teóricos. ou seja. Para isso. se deve ao fato natural de se entender. a prosa literária e seus respectivos gêneros. e até quando. a diferença que não se costuma. Estes autores nos conduzirão a um estudo que enxergará a poesia expressa nos mais diversos períodos da arte literária. fator decisivo à compreensão da imaterialidade poética. assim. abstrata. não obstante. Nosso objetivo. aqui. analisaremos as características e as formas do “eu-poético”. Entendemos. ensinar da poesia. na construção da literatura. a interpretação da . Alfredo Bosi (2006). enfim. Voltando ao campo de ensino. hoje. e concreta. quaisquer manifestações artísticas que têm por limite o apuramento intelectual lírico através das letras. em suas diferentes dimensões. em suas etimologias. a poesia. como elemento abstrato.o concreto. Massaud Moisés (2003) e Ivo Korytowski (2008). apenas. as singularidades da poética e as formas com que se manifesta nos gêneros lírico e épico. divididos. será a leitura da poesia.

segundo a verossimilhança ou a necessidade” (ARISTÓTELES. foi anunciada aos mortais. por liame de necessidade e verossimilhança. 23). p. p. 2. porque “el pensiamento que en ella reside no es. é atribuído a um “indivíduo de determinada natureza. 2007. p. Para o poeta e crítico literário espanhol Carlos Bousoño (1966. ou seja. Este caráter universal. la . com auxílio dos versos. Horácio chega a comparar.poesia a partir de um objeto literário trata-se de um processo inverso ao ato criativo. o que nos remete aos princípios da diferenciação entre o universal (a poesia) e o específico (a história): “[. pensamentos e emoções nada mais são que uma releitura de mundo e de indivíduo. anteriormente citado. nada há mais de novo. os poetas aos pintores. por liame de necessidade e verossimilhança. Algumas questões Quando tratamos a poesia sob jugo de algo abstrato. 55). importante é considerar a sua essência e o verdadeiro sentido da palavra. 43).. convém a tal natureza”. 81-2). 69-70). na concepção de Moisés (2003. expressa em mil escritos famosos. 1979. o possível. quando refere que “La pintura menos figurativa.. já indicada pelo conceito aristotélico como “filosófica e de caráter mais elevado que a história”. ou seja. em um sentido mais amplo. p. pensamentos e ações que. mas sim o que poderia ter acontecido. introduzindo-se pelos ouvidos. já que tende da racionalidade para a emoção. do concreto para o abstrato: “A sabedoria.] é evidente que não compete ao poeta narrar exatamente o que aconteceu. seus preceitos venceram os espíritos. quando diz: “Os pintores e poetas sempre tiveram o comum privilégio de tudo ousar” (HORÁCIO apud BOILEAU-DESPRÉAUX. e entrando nos corações” (BOILEAU-DESPRÉAUX. a universalidade não está associada aos “pensamentos e ações que. convém a tal natureza”. p. 1979. en postrer esquematización. e por toda a parte. pensamento este reforçado e ampliado pelo espanhol. nuevo”.

a beleza que a poesia nos faz perceber intrinsecamente. a-temporal. caráter de modificador da língua. p. A par e passo disto. pois sendo a literatura uma linguagem que se desenvolve “como uma constelação de signos carregada duma enorme taxa de subjetividade” (idem. ou “um tipo de conhecimento expresso por palavras de sentido polivalente” (idem. E conforme pontuou Hermes Vieira (19--). 34). mas veículo que conduz a este sentido. ibidem. . No saber de Bousoño (1966. 41) como “a habilidade agradável de um pincel delicado transforma o mais horrendo objeto num objeto fascinante”. portanto. ahistórico e. por consequência. isto é. Partindo. p. a poesia.poesía más metafórica. existen en cuanto que se refieren a la vida. um dos quais constituído de emoção e pensamento” (MOISÉS. A ousadia citada por Horácio é vista por Boileau-Despréaux (1979. através de nossas sensações e emoções. na concepção aqui exposta. como expressão elevada da subjetividade. não estranho fica. “tensão dialética entre vários pares. distinguir ou criar. a respeito do pensamento de Órris Soares. então. deste pressuposto. 2003. classificar a poesia não como produto. 43). mais precisamente o verso (poema). a realidade não é tal qual a enxergamos. p. a-narrativo. Por seu estado lírico e abstrato. possui. ibidem p. e a sua consonância com os gêneros literários. p. 1966. logo. 28). tanto para o poeta como para o pintor. pode tanto ser construído ao crivo de poesia como não. p. ainda. y pensar lo contrario es ignorar que los seres humanos no podrían interesarse por un supuesto arte que no los implique de un modo o de otro” (BOUSOÑO. 37). mas como queremos ou podemos. o fazer literário. 174). “El término „poesía‟ es más amplio que el término „poema‟”. notarse-ão relevantes diferenças da poesia para a prosa não literária. chega-se à constatação de que ela age como núcleo literário.

notamos. um período avesso à imaterialidade poética. filósofo alemão. que esta visão estética. que foi o Parnasianismo. diferenciandose.. o romance e o teatro passam a existir no momento em que as idéias e os sentimentos de um grupo tomam a forma de composições. o verdadeiro ato criador. chama-se Natureza. considerado o maior prosador brasileiro. está num conjunto de fatores que desencadeiam a sensibilidade do receptor em interação com a obra vista. a seu aspecto palpável. 84). p. como afirmou Bosi (2006. que se relacionava unicamente à estética. 96): A poesia. para usar do velho termo rico de significados humanos. classificando-a em um plano ainda maior: O místico. o sentimento transgredido do abstrato para o concreto. através das ferramentas que a literatura aplica no campo de produção subjetiva. com a sonda da poesia. Assim foi que Machado de Assis. consoante à própria vida. p. os simbolistas retomam os valores abstratos da poesia. integrada a uma espécie de “vida cósmica”. Suas ideias foram acolhidas pelos literatos da escola do Romantismo. um fundo comum que susteria os fenômenos. “A poesia está em nós”. que também entendiam a poesia de forma imaterial. p. não era acatada com unanimidade pelos parnasianos. ou seja. esperam ir além do espírito e tocar. desta maneira. Nesta mesma linha. Conforme destacou Bosi (2006. da poesia. definiu a poesia como o “reino infinito do espírito” (HEGEL apud MOISÉS. 2003. material. Embora tenha existido. Absoluto. arranjos intencionais de signos. do pensamento da “arte pela arte”. e após a febre parnasianista. enfim. e um dos maiores . 2. 90).elemento criador que propaga.] recusavam-se a limitar a arte ao objeto. porém. a inspiração e o lirismo. à técnica de produzi-lo. portanto. estruturas ou ainda. p. ambos. sob o ponto de vista metafísico. da idealização do Romantismo até o Simbolismo. transmitidos pelo artista em um dado momento fecundo de criação. 263): [. Deus ou Nada. Correntes teóricas Frederich Hegel (1770-1831).. Como afirma Moisés (2003. no momento que os assuntos viram obras (grifo do autor).

Si el poema comunicase lo que se siente. visto que se acaso fosse sentida.] la poesía no comunica lo que se siente. apenas. nas páginas alheias. Todas estas ideias complementam a base de um longo período que identifica a poesia como elemento incorporado ao campo do abstrato. contrariou a visão parnasianista ao enxergar que a arte poética não se constitui apenas da pureza estética. le dolerían las muelas al lector.. como crítico. “Miragens”. cuando escribise que estaba enamorado. 2005. para tanto. 77). p. força é dar-lh‟o. na Ásia e na América do Norte. sino la contemplación de lo que se siente. Aprofundando o pensamento machadiano. melhor. e como toda alma precisa de um corpo. “evocación serena de impresiones y de sensaciones”.. aconselhava. como também do elemento de inspiração que dá vida a uma obra de arte. mas nem tudo deve ser corpo. 21): [. Machado de Assis (1946. el lector se enamoraria.. é harmonia das partes. A perfeição. p. 338-9): [. Estas duas correntes teóricas e críticas da literatura surgiram no limiar das primeiras décadas do século XX. cuando el autor escribiese que le dolían las muelas. e quanto mais bello. mas à sua contemplação. todas as sensações do autor se refletiriam no leitor de igual maneira e intensidade.] no esmero do verso não vá ao ponto sem cercear a inspiração. a partir do Formalismo Russo e do New Criticism. do qual denominou poesia.. e de cujas bases serão revistas. em prefácio à obra de Enéas Galvão. o famoso crítico Middleton Murry enxergava-a como a “expressão natural dos mais violentos modos de emoção pessoal” (MURRY apud MOISÉS. e abordavam a poesia de forma materialista.representantes do parnasianismo no Brasil. até então aspirante ao parnaso nacional. Bousoño (1966. o autor àquele poeta. “A poesia é linguagem em sua função estética” (JAKOBSON apud FRANCO . Bousoño (1966) alerta que a poesia não está relacionada à comunicação ou percepção do sentimento. p. Ainda não diferindo deste plano imaterial da poesia. respectivamente. Esta é a alma da poesia. n‟este caso.

compreendia que além de uma carga puramente racional. mas que poderia ser percebido num campo racional-emotivo. p. autor/leitor. de igual maneira. 2005. relacionada ao ato de criar. retomemos sua origem etimológica grega (poiesis). “a poesia reclama ânimos bem dotados ou capazes de se entusiasmarem” (ARISTÓTELES. ou seja. constrói-se a distinção entre forma e fôrma. pois. p. sensações individualistas. 2003. In: BONNICI & ZOLIN. aqui entendido. In: BONNICI & ZOLIN. o New Criticism.JÚNIOR. sentimento. por sua vez. Embora se concentrasse na reflexão da estrutura estética. ao que pressupomos: A codificação do artista dificilmente será a decodificação do espectador. como de ferramenta.. diferentemente do Formalismo Russo. Aristóteles. já exploradas. que nos remete a uma imagem abstrata. a poesia. . neste caso. ato criativo. à sua significação. compunha. sabia o filósofo que sendo a poesia um estado emocional do qual o artista torna concreto. reverenciando. também. pelos parnasianos. primeiro filósofo a tomar nota do fenômeno poético em estudo. 81). não apenas em sua essência como. no espectador. em seu sentido imaginativo (MOISÉS. 2005. Já tendo explorado algumas correntes acerca da poesia. 64). as estruturas auxiliares que compunham os recursos poéticos como transmissão cognitiva. na segunda metade do século XIX. 106). 2007. em outras palavras. esta concretização nada mais é que um apanhado de símbolos que auxiliam. relevante: “A poesia triunfa porque tudo ou quase tudo que nela se diz ou se encontra implícito é relevante [. p.. a segunda exerce uma função concreta. por isso. de “invólucro” (CORTEZ & RODRIGUES. sabia que para o seu perfeito ciclo. em que consistindo a primeira em abstração. cujas mensagens transgredidas em símbolos a tornavam peculiar e. 2005. um leque de entendimento situado em um patamar de difícil classificação. 95). A partir disto. p. ou provocam.]” (WIMSATT & BEARDSLEY apud FRANCO JÚNIOR. p.

críticos que inferem a interrelação entre abstrato e concreto de tal maneira que. Antes de tratarmos de sua primeira característica. mas que paira sobre o seu afã de exprimir-se. 217): A poesia é. Em síntese. ou mesmo semânticas. a fim de torná-lo codificado. ao fim de contas. p. “a poesia está morta ou rasteja sem vigor e o poeta não é mais que um prosador tímido” (BOILEAU-DESPRÉAUX. no sentido de criação. é a própria arte concluída. p. intuída nas brumas do poema a escrever. Das características da poesia A poesia possui em sua essência características que a tornam peculiar em sentido de transformação da realidade concreta. 1966. o seu grau de intensidade: “a la transmisión verbal de un contenido psíquico particular que nuestro espírito ha conocido previamente” (BOUSOÑO. e a sua forma expressa. São elas que a configuram num patamar amplo e não específico. onde experiências e/ou conhecimentos prévios é que mediam. morfossintáticas. 3. Para Moisés (2003. não no objeto. é a arte não transformada. individualmente. como um norte ignorado e implícito. em verso ou prosa literária. como é o caso das limitações do verso e da prosa. Há. precisa utilizar de convenções para que ela se torne expressão. p. este. 63). p. a procura de uma palavra que. por sua vez. 24). a poesia. retomemos a afirmação construtivista que impunha que a poesia “está em nós”. a língua “é um sistema de signos que . porém.61) carregado de elementos que conduzem o leitor a pistas que decodifiquem as angústias e alegrias expressas pelo autor no ato criativo. a língua. sem as estruturas fônicas. 1979. 46). Neste sentido. que é a de modificadora da língua. Assim. ao qual estivesse imantado sem saber. a poesia surge como o sentimento primitivo e próprio do ser humano. necessário se faz a compreensão do que se é. Para Ferdinand Saussure (2006. se torna o ponto de partida de toda a criação poética: o poeta desdobra em infinitas metáforas a palavra que não conhece ainda. enfim.

em si. cit). por exemplo. o sincrónica o etimológicamente metafórica (idem. 149).exprimem idéias. Com este pensamento. como a metáfora. com isto. à escrita. por conseguiente. p. segundo o crítico espanhol. p. concreta e abstratamente. Para Bousoño (1966. de propiedad expresiva es. e é comparável. tanto em la poesía escrita como em la hablada. aos sinais militares”. concluímos que a poesia. sendo. tanto em las composiciones literarias. este caráter modificador é que dá o real sentido ao ato poético. 1966. eis . ao alfabeto dos surdos-mudos. 89) também acentuou esta mesma visão modificadora da poesia à realidade. p. 72. tal qual já nos foi aqui estudado sobre poesia. como elemento modificador da língua. ibidem. a metonímia. grifo do autor). de duas maneiras. estão. em efecto. p. em nossa fala cotidiana. o eufemismo.. aos ritos simbólicos. La necesidad de justeza. também. expressas tanto na escrita quanto na fala. presentes não apenas em nossa manifestação literária como. loc. cuanto em las frases del lenguaje ordinario (BOUSOÑO. gran parte de nuestro léxico és. Assim. entre outras. com onomatopeyas o com esqueletos de onomatopeyas. pode se caracterizar.. o mestre genebriano da linguística sincrônica deixa claro que a língua. principais ferramentas que modificam a língua a partir da poesia. o citado deixa claro que o tempo explorado na poesia não é o mesmo explorado na história. 63). Moisés (2003. As figuras de linguagem. a condição necessária para a sua existência: “la labor poética consiste em modificar la lengua: el poeta ha de trastornar la significación de los signos o las relaciones entre los signos de la lengua porque esa modificación es condición necesaria de la poesía”. por isso. por isso o motivo pelo qual: [. condição que faz com que entendamos que “a obra toda de um poeta é uma macrometáfora ou uma polimetáfora”. está relacionada aos fatores que influem. às formas de polidez. el origem de los procedimientos o sustituciones líricas: es la razón de su frecuencia.] hablamos com metáforas o com esqueletos de metáforas. a transformação semântica que as palavras sofrem através das figuras de linguagem. 2003. “O tempo da poesia é o tempo da palavra” (MOISÉS.

localizado no campo da poesia épica. Usemos.] o tempo da poesia se manifesta na enunciação das palavras que constituem o poema. a saudade do passado. p. matéria de angústia e meditação [. todavia. pois. não se confunda: “o tempo da poesia pode conter laivos de cada uma das três dimensões. para uma quarta e única dimensão. valemo-nos da expressão que dita que o “eu-poético” não influi sobre o tempo em seus sentidos específicos. sua análise.. enfim. 147-8). gestado pela enunciação dos signos verbais e numa seqüência irrepetível. nem o tempo gasto na leitura” (MOISÉS. 2003. não declina a visão ampliada à prosa literária. a efemeridade da existência. nem mítico – é um tempo imanente. desde sempre. ele está como “substância da poesia (ou/e do poema). a análise das diferentes formas de manifestação do eu-poético pode nos levar ao pensamento de que o eu-social. embora. ou seja. o tempo poético é mais amplo. não sustente o caráter “a-histórico”.. tudo quanto constitui. o tempo na dimensão poética está mais relacionado ao “carpe diem. não o situe em um estado “a-narrativo”. não o tempo a que se refere. Conforme veremos no capítulo seguinte. p. as incertezas do futuro..o motivo de ser considerado “a-temporal” ou. p. No geral. uma citação que. Moisés (2003. tende. com elas. ibidem. portanto.147. psicológico e mítico. no campo da poética.. agregadora das demais dimensões. pois cada poema é único. a sucessão de vocábulos articula-se num tempo que não é histórico. apesar de se relacionar ao gênero do poema. p. “a-histórica”. sempre. o tempo da poesia segue uma regra: . o tempo da poesia (ou/e do poema). por exemplo. ibidem. antes. o tempo no qual a poesia transcorre. sem identificar-se com qualquer uma delas” (idem. 149-150): [. 148). nas três dimensões conhecidas: Cronológico.]” (idem. grifo do autor) que se refletem através da decodificação dos signos linguísticos. e por cantar os anseios de uma nação. por situar o leitor em um plano histór iconarrativo. nem psicológico.

forma com a qual o artista vê. razão pela qual se utiliza dos elementos emotivo. em que a poesia não é produto. “dialoga” com o leitor. sujeito. o “eu do poeta”. até. mas esse tempo não pudesse ser medido pela História. p. recebem nomes diferentes: “eusocial”. emotiva e conceptual ou semântica” (MOISÉS. estas. é a da dialética. a quarta dimensão. utilizaremos. por sua vez. tendem para uma . a forma com que captamos a nossa realidade e a exprimimos. 150). 140). eis que necessário se faz analisar o “eu-poético”. meio este com que o “eu do poeta” usa para tornar-se expressivo.“principia no tempo histórico e finaliza no mítico” (idem. na linguagem de Moisés (2003). constrói-se em três estados interrelacionados: o conceitual. Das diferentes formas de manifestação do eu-poético Na construção poética. 2003. o autor. rítmico. estabelecem vínculos à “natureza rítmica. “eu-odioso” e “eu-profundo”. neste caso. objeto. aqui. existem dois “eus”. Em resumo. de certa forma. Trata-se da representação interior. o impulso sentimental que conduz a emoção tornar-se explícita. cit). Através dele. gestual. É como se pudéssemos. em outras palavras. Como este artigo tem por finalidade a expressão da poesia como ato de criação. mas veículo que conduz à expressão do sentimento. Estes estados. p. analisaremos aqui o “eu-poético” (a emoção explicitada). Embora o núcleo da poesia seja o “eu do poeta”. 4. cada um deles. nomenclatura esta que. o eu-poético. porque está localizado na enunciação das palavras. e que na visão de Bousoño (1966). ibidem. o que nos faz recordar o já dito acima. por ser ele o “eu do poeta” manifestado. loc. o sensorial e o sentimental. 2003. em apuração artística. ainda na visão de Moisés (2003). dizer que a poesia se movesse em um tempo. semântico e. Embora separados pelos autores. que configura o tempo da poesia. se enxerga e se expressa no mundo: “um „eu‟ tornado objeto de um „eu‟ sujeito” (MASSAUD.

diferenciando-se dela. mas a sua imagem refletida num espelho. não prevalecendo. em seu interior. uma preocupação com o externo. pela transportação desta visão interna para um contexto histórico e em sintonia com o meio ambiente. pois. o escritor reflete a sua realidade sob realidades congêneres. Em outras palavras. essencialmente. porém. p. o lírico. com isso. antes. Sobre este todo. com o “não eu”. o “eu”. completamente.. de uma nação. Moisés entende que “A Poesia não aprisiona o todo.mesma razão. inserido numa estrutura sociológica ambígua. O “eu” incorpora na sua voz a voz coletiva e passa a cantar e representar os anseios de um povo. Neste sentido. “revelar o que há de belo. própria da estrutura psicológica. a imagem reduzida do todo da realidade. 238): [. p. crenças ou mitologias. que explica o ser ou. 220). focado. 88). que. vê-se. implica numa “dilatação do „eu‟”. inclusive. para Moisés (2005). o escritor se coloca em contato direto com o mundo. a razão que o esclareça como parte de um todo ou mesmo o entendimento deste todo. a condensação do real com todas as suas partes originárias” (2003. e o “eu” coloca-se na dualidade de aceitação ou rejeição. p. o “eu-social”. 172). p. Esta reflexão é o que o diferencia dos demais estados poéticos. diferente do lírico. a essência individualista (intimista). Em primeiro caso. 2005. buscando explicações através da natureza. já que “O poeta esteta seria.] todo poeta “superior” tende para o épico. manifestado na épica. 2003.. nele. qualidade esta. Ainda Moisés (2003. Dispondo em partes o pensamento. papel este que configura a poesia como um todo refletido em palavras. observam-se as inércias e ascensões que caracterizam os ditames sociais. mas os fatos e as cotidianidades que influem sob sua percepção de existência. observamos que o poeta épico se caracteriza pela dilatação do “eu” ao infinito de . e o poeta filósofo o épico” (MOISÉS. de hediondo e de trivial o que há no mundo o que é nosso” (CORTEZ & RODRIGUES.

relacionado ao campo da poesia lírica. anarquia. p. ibidem. para ser as que nascem das universais inquietudes humanas: ser e não-ser” (idem. 30). ibidem. cit). Como se vê. pois. 85). complexos. o próprio “eu” “que supomos que somos” (MOISÉS. p. 85). loc. logo cambiantes. ibidem. e é neste campo que o “eu-odioso” de Moisés trava profundo dialogismo com o aspecto sensorial de Bousoño. na realidade. alogicidade. 242).. cit). já que para o artista barroco “A paisagem e os objetos afetam-no pela multiplicidade dos seus aspectos mais aparentes. ou seja.. O caráter universalista do “eu-social” ainda é classificado por Moisés (2003) de duas formas: Universalismo individualista e universalismo universalista.] onde se depositam as vivências decorrentes do contacto com o mundo exterior. p. a partir da imaginação e da sensibilidade. e por casualidade identificáveis por ele” (idem. Neste “não-eu” “As agruras poéticas deixam de ser aquelas do simples „eu-tegostovocê-me-gosta‟ do verso drummondiano. impermeável ao mundo exterior. recalques. instável para consigo. reino de caos.. analogias profundas entre o inconsciente individual e coletivo. O “eu-odioso”. salvo na medida em que abriga os arquétipos. o “eu-profundo” é uma espécie de subconsciência que absorve. é a camada íntima: [. este “o poeta está voltado integralmente no sentido de captar e expressar os grandes conflitos humanos situados via de regra fora do seu „eu‟. É.suas possibilidades. com os quais a imaginação estética vai compondo a obra em função de analogias sensoriais” (BOSI. e dele se desenvolve todo o processo da literatura. difusas. onde o “eu” é sempre visto em dualidade. 2006. ainda não verbalizadas. composto de sensações vagas. p. e transfiguradas pelos outros “eus” e pela imaginação. loc. 2003. a ponto de romper as próprias barreiras e invadir o plano do “não-eu”. neste “eu” que está centralizada a poesia. etc. enquanto aquele “resulta do encontro e subsequente expressão das universais e perenes inquietações humanas” (idem. No “eu-profundo” o ser visita o próprio interior e faz uma releitura. Como afirma Moisés (2003. . muito bem observado na literatura no período do barroco. dos demais “eus”. é.

tornar -se artístico. Sua existência. é apenas um objeto. o mais ampliado. à procura de uma interpretação lírica para.compreende e transforma profundamente um plano subconsciente em consciente.] a poesia remonta aos inícios da cultura ocidental. Como dito pelo teórico Moisés (2003).. em especial. A poesia está em tudo quanto se resuma em conotação ou polivalência. figuras e gêneros o coloca na superfície. em reflexão ao nosso íntimo. se colocada restrita ao campo literário. para a produção da arte e. como meio de se chegar a mais pura forma do estado lírico de um mundo transcendental.. o faz dialogar com os níveis da materialidade e imaterialidade ao mesmo tempo. a partir da percepção e da anamnese. e que a arte. e que na filosofia de Platão denominou-se o “mundo das ideias”. 2003. sem a poesia. à literatura. e presidiu ao nascimento de todas as literaturas. pode ser defendida: Há poesia em toda e qualquer manifestação que gere. 5. uma carga emotiva. situado. Isto se deve pela importância que teve. . poderíamos dizer que a poesia é a própria ferramenta que transforma o sentimento em arte. independe de signos linguísticos. embora estes auxiliem como espelhos a sensibilidade humana. que dá vida ao objeto. E não só inaugurou as literaturas ocidentais como nelas predominou durante séculos” (MASSAUD. “[. e tem. Seu caráter de busca pela compreensão. Considerações finais O estudo da poética é um campo muito vasto e palco milenar de discussões entre teóricos. p. Uma sentença. por vezes. talvez. paralelo ao que vivemos. e através dos signos. à análise da própria essência humana: Uma parte se liga ao sentimento. enfim. 80). Dos “eus”. ao estudo deste objeto. Seus entendimento e implicação confundem-se. filósofos e tratadistas. e a outra. e expressão verossimilhante. Se houvesse uma regra da qual pudéssemos utilizar para bem defini-la. porém.