UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSO”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

C O N TE X T U AL I Z AÇ Ã O CO NS TI TU CI O N AL E

T RI B U T ÁRI A D O AT O CO O P E R AT I V O

P o r : I Z E S M AR G A R E T H S AN T O S D A S I L V A

Apresentação de Monografia à

Universidade Candido Mendes – Instituto a

Vez do Mestre como requisito parcial para

a conclusão do curso de Pós-graduação

“Lato Senso” em Direito Público e

Tributário.

Por: Izes Margareth Santos da Silva

Orientador Prof. Willian Rocha

Rio de Janeiro

2010

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSO”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

RESUMO

Esta monografia objetiva aprofundar o assunto, estudando a natureza jurídica

das cooperativas, situando-as no cenário do direito tributário bem como, novos

enfoques acerca do ato cooperativo apreciando-o à luz do texto constitucional e, ao

final, apresentando o que conclui possa ser justo tratamento para estas

organizações, que se constituem em alternativa à crise atualmente existente no

cenário político e econômico nacional.

Esta dissertação busca contribuir para um melhor entendimento destas

sociedades e de seus atos, crescentemente encontráveis na nossa realidade

econômica e social e que têm se oferecido como alternativa de trabalho e renda

para milhares de brasileiros.

.

Rio de Janeiro

2010

SUMÁRIO

1. A SOCIEDADE COOPERATIVA E O ATO COOPERATIVO .................... 5
1.1. Um breve relato histórico ................................................................... 5
1.2. A legislação cooperativista brasileira. .............................................. 11
1.2.1. Fase anterior a CF/88................................................................. 11
1.2.2. Fase posterior à CF/88. .............................................................. 15
1.3. O sócio cooperativista: proprietário e consumidor. .......................... 18
1.4. O ato cooperativo. ........................................................................... 21
2. A TEORIA DO ATO COOPERATIVO ..................................................... 23
2.1. A teoria do fato e do ato jurídicos. ................................................... 23
2.2. A teoria do ato de comércio. ............................................................ 25
2.3. A teoria do ato administrativo .......................................................... 28
2.4. Caracterização do ato cooperativo. ................................................. 29
2.4.1. Competência .............................................................................. 30
2.4.2. Finalidade ................................................................................... 33
2.4.3. Forma e motivo. ......................................................................... 34
2.4.4. Objeto. ........................................................................................ 35
2.4.5. Os elementos do ato cooperativo. .............................................. 36
2.5. O ato não cooperativo ..................................................................... 39
2.6. Conceito de ato cooperativo. ........................................................... 42

3. O ATO COOPERATIVO E O SEU ADEQUADO TRATAMENTO
TRIBUTÁRIO ............................................................................................................ 47
3.1. O preceito constitucional. ................................................................ 47

devido ao elevado interesse e importância do assunto. escolhemos o último. especialmente a legislação trabalhista e a tributária. fator de estímulo à própria continuidade destas sociedades. a sua natureza jurídica.INTRODUÇÃO O cooperativismo se apresenta como um tema rico e que merece. por decorrência. . cada vez mais presentes no cenário nacional. como. o confronto de suas práticas e princípios com a legislação pátria. o papel que as cooperativas desempenham no contexto de uma sociedade carente de soluções sociais mais adequadas. de seus princípios cooperativistas e de sua peculiar natureza jurídica. concernente à questão tributária. Dos temas relacionados. as cooperativas tem sido entendidas como uma forma de escape dos elevados encargos vigentes no País e. sem sombra de dúvidas. que um número cada vez maior de estudiosos lhe dê atenção. tenta-se-lhes aplicar o mesmo regramento tributário a que estão submetidas as empresas caracteristicamente mercantis. além de outros. O seu estudo pode ser feito sob diversos enfoques. Mercê de um completo desconhecimento de suas características de funcionamento. por exemplo.

trabalho e sustento a desempregados. são considerados os fundadores do cooperativismo moderno. tendo. criados sobre sua atividade profissional pela Revolução Industrial.1 O Prof. especialmente contábeis. Fourrier (1772/1837) e Saint Simon (1760/1825). Os objetivos da associação eram comprar bens de primeira necessidade. Um breve relato histórico A história das cooperativas tem origem em meados do século XIX (1844). na Inglaterra. Cooperativismo e Lei. fabricar alguns bens e arrendar terras. Tributação das Cooperativas. assim. no entanto. . A SOCIEDADE COOPERATIVA E O ATO COOPERATIVO 1. as primeiras idéias cooperativistas surgido com os chamados socialistas utópicos. p. como são citados na bibliografia cooperativista. um grupo de tecelões uniu-se. 194. p. proximidades de Manchester. em Rochdale. quando.1. 1. tentando solucionar problemas comuns. bem como construir casas. 2 Vergílio Perius. propiciando. das missões jesuíticas que 1 Renato Lopes Becho. como hoje conhecido. Os pioneiros de Rochdale. 75. provendo alimentação e vestuário. Vergílio Perius2 noticia ter sido encontrados indícios de organização cooperativista em documentos. especialmente Robert Owen (1771/1858).

reconhecidas atualmente como os “princípios cooperativistas” e que são basilares de qualquer organização cooperativista. 6 haviam no sul do continente americano. . 51. 4. em 19484: “Será considerada como sociedade cooperativa. in Cooperativas e Tributação. Pagamento em dinheiro à vista. 4 Waldírio Bulgarelli. p. Adesão livre. 21. Retorno na proporção das compras. A idéia fundamental do cooperativismo é a ajuda mútua. 5. toda a associação de pessoas que tenha por fim a melhoria econômica e social de seus membros. qualquer que seja a sua conceituação legal. 7. como definiu o Congresso da ACI – Aliança Cooperativa Internacional. Fomento de educação cooperativa. através da exploração de uma empresa sobre a base de ajuda mútua e que observe os princípios de Rochdale”. no Paraguai. Argentina e no Brasil. Neutralidade política e religiosa. Os princípios de Rochdale a que se refere à definição são: 1. As Sociedades Cooperativas e sua Disciplina Jurídica.3 Os esforços associativos dos tecelões ingleses geraram um conjunto de regras. 6. 3. Administração democrática. 2. realizado em Praga. devendo ser por ela observadas. João Paulo Koslovski. p. Juro limitado ao capital. Associam-se a 3 No mesmo sentido.

no entanto. . indubitavelmente. sim.cit. p. “cooperativas são sociedades de pessoas. obter vantagem econômica. o seu objetivo econômico. sociedades. por seu intermédio. mas sim para seu trabalho”. objetivam. op. porém com fins econômicos. sem fins lucrativos. e “que não buscam na sociedade uma melhor remuneração para seus dinheiros. desinteressadamente. de cunho econômico. criadas para prestar serviços aos sócios de acordo com princípios jurídicos próprios e mantendo seus traços distintivos intactos”. a eles servir. neste objetivo. Não é. pois este é o objetivo de quem a ela se associa: obter vantagens econômicas para si próprio. deixando de obter vantagens para si próprias. Não é a sociedade cooperativa.5 Segundo Becho. pois a empresa que leva a cabo não busca lucrar à custa de seus associados e. de uma forma auxiliar. p. 80. pelo fato de que.6 Distinguem-se das demais. op. prestar serviços aos seus associados. auxiliando e sendo auxiliado. 80. como sociedade de pessoas.cit. 6 Idem. por seus sócios. 5 Renato Lopes Becho. uma vez presente. tão somente. espécie de organização filantrópica ou de caridade. Fins econômicos. 7 cooperativa aqueles que pretendem. como extensão do objeto de seus sócios. sociedade comercial. também.

intransferibilidade das cotas de capital a terceiros 8. mutualidade disciplinada 12. 8 Bulgarelli7 enumera 14 principais características das sociedades cooperativas. gestão democrática 5. autonomia 13. “sociedade de pessoas 2. distintivas de qualquer outra sociedade civil ou comercial: 1. ou “porta aberta”. dupla qualidade dos sócios 14. . neutralidade político-religiosa 7. pelo princípio da livre adesão (5). ausência de capital ou capital variável 4. haja vista que é absolutamente permitido o ingresso de associados. 53. número variável de sócios 3. não distribuição dos resultados líquidos ou sua distribuição em proporção às operações efetuadas pelos associados com a cooperativa 11. já que existem empresas capitalistas de mesma natureza. ausência de fins lucrativos 10. p. adesão livre 6. que se associam mediante aquisição de cota de capital e que livremente dela se afastam. indivisibilidade do Fundo de Reserva 9. fazendo com que o capital social varie de acordo com este movimento de associações / 7 Waldírio Bulgarelli. A variabilidade do número de sócios (2) e do seu capital (3) é característica própria desta sociedade. organização federativa”. O fato de se tratar de sociedade de pessoas (1) é a única das características das cooperativas comum às empresas comerciais. As Sociedades Cooperativas e sua Disciplina Jurídica.

via de regra. diferentemente das sociedades comerciais. prevalece a pessoalidade. também. um voto. 9 desassociações de cooperados. Na gestão da cooperativa (4). A administração será exercida por sócios. racial e social. como ocorre com o ingresso e retirada de sócios de uma empresa comercial de cotas com responsabilidade limitada. Interessante é. em detrimento do capital. são intransferíveis a terceiros (7). que. independentemente da quantidade de cotas que porventura possua o sócio. A lei veda a utilização da estrutura cooperativista por pessoas ou organizações cujos fins não sejam estritamente as da mutualidade e cooperação entre os sócios. As cotas.764/71. por definição legal. inciso IX da lei 5. por exemplo. por força do estatuído no artigo 4º. eleitos em Assembléias gerais ordinárias e a ela se poderão candidatar todos e quaisquer sócios da cooperativa. soma-se a indiscriminação religiosa. . À neutralidade político-religiosa (6). listada por Bulgarelli. vem sendo comparadas às sociedades cooperativas. mediante autorização da Assembléia Geral. este ingresso e saída de sócios da sociedade não implicam em constantes modificações de seu ato constitutivo. A única transferência possível é a de associado para associado. nas cooperativas. mesmo nas sociedades por ações. notar que. fazendo que vigore o critério de cada sócio.

“(. para que possa produzir os resultados que busca e. sendo um dos elementos que determina a inexistência da incidência tributária. A mutualidade disciplinada (11). centrais ou federações e confederações de cooperativas. possa manter-se viva na economia competitiva atual. diz respeito a necessidade da cooperativa assumir a forma organizada e disciplinada de qualquer empresa que opere na economia. última das características enumeradas por Bulgarelli. . p. segundo Reginaldo Ferreira Lima.8 A ausência de fins lucrativos (9). não podendo servir para a distorção do objetivo social e tampouco para a distribuição de resultados alheios à estrita operação dos cooperados”. 8 Reginaldo Ferreira Lima. um dos objetivos do cooperativismo. especialmente. diz com o permissivo legal que admite a organização das cooperativas em singulares. os depósitos nesses fundos servirão exclusivamente para o cumprimento de seus fins. Isto porque.. um pouco mais adiante. tendo destinação taxativa e determinada. 10 A indivisibilidade do fundo de reserva (8). 82..) mostra bem o aspecto peculiar da cooperativa. A organização federativa (14). a não distribuição de resultados (10) e a dupla qualidade dos sócios (13) serão mais aprofundados nesta dissertação. formas que facilitarão a intercooperação. Direito Cooperativo Tributário.

no entanto. 1.2. A legislação cooperativista brasileira. ampla liberdade de constituição. também. sobre os sindicatos rurais. pela primeira vez.984 e. de 05/01/1907. A legislação acerca de cooperativas no Brasil pode ser dividida em duas grandes fases: antes e depois da promulgação da Constituição Federal de 1988. o fazendo.9 Este decreto não conferiu às cooperativas forma própria. 11 1. o Decreto 9 Waldírio Bulgarelli.cit. Fase anterior a CF/88 O Decreto 1. Não criou nenhum órgão de controle estatal para essas entidades. sobre cooperativas no Brasil. em comandita e anônima – todas formas de sociedades comerciais. inspirado na lei francesa de 1867.2. legislou. dizendo dever estas se constituírem sob forma de empresas em nome coletivo. Atribuía-lhes.1. em 02/06/1926. Op. bastando.637. depositarem seus atos constitutivos na Junta Comercial. p. Em 21/12/1925 foi promulgada a Lei 4. para fazê-lo. . 64.

938.11 A partir de 1933. sem no entanto defini-la claramente. recolocando em vigência os Decretos-lei 22. Saturnino de Brito e Luciano Pereira.cit. e legislativa. Raiffeisen e Luzzatti eram denominações genéricas de nomes de organizações de crédito.239. como a edição do Decreto-lei 24. 11 Waldírio Bulgarelli. 65 e 66.239 e 581. a necessidade de. ser necessário. inclusive. Foi o primeiro ato a consagrar os princípios doutrinários do cooperativismo. como a criação da Diretoria do Sindicalismo Cooperativista. de 19/10/1943.627 e do Decreto-lei 23. considerando-a tão somente como sociedade “sui generis”. no entanto. foi promulgado o Decreto 22. para poder-se fundar cooperativa.10 Em 19/12/1932. impondo. . 10 Idem.cit. que indicavam um determinado modelo.893. antes. Os novos instrumentos confundiram o cooperativismo com o sindicalismo.cit.274.611. foi revogado o anterior Decreto-lei 22. criar-se um “consórcio”. elaborado por comissão constituída por Adolfo Credilha.229. o Decreto-lei 581. que disciplinaram Caixas Rurais Raiffeisen e Bancos Luzzatti. revogou os Decretos-leis 5. iniciativas administrativas. Op. pp.893 e 6.239. revogou o criticado Decreto-lei 24. Op. 12 17. de 19/12/1945. 65. de 01/08/1938.945. recolocando em vigor o antigo Decreto-lei 22.12 Em 1. p. distinguiu-a das demais sociedades.239. Em 1. 66. 12 Idem.401. ao permitir a distribuição de dividendos em proporção ao capital.627. Op. Pecou. p. o Decreto- lei 8. posteriormente substituído pelo Decreto-lei 5. no entanto.

o Decreto-lei 59 revogou todos estes decretos e leis. Em 21/11/1966. que havia sido instituída pelos Decretos-lei 581 e 8. de 19/04/1967. a Lei 3. p.13 Em 02/07/1957. além de estabelecer fomento através de isenções fiscais. 14 Idem. 18. foi o Decreto-lei 59 fortemente criticado.189 tratou sobre as cooperativas de transportes e cargas.cit. como a autorização prévia para o seu funcionamento e a limitação de sua área de ação a um conceito municipal.597. p. 67. Assim. o Decreto 6. O Decreto 60. o órgão a quem foi encarregado desta assistência e fiscalização das cooperativas foi a Divisão de Cooperativismo e Organização Rural do Serviço de Economia Rural do Ministério da Agricultura. qualquer que seja a sua 13 Waldírio Bulgarelli. que estabeleceu normais gerais. Op. 68.401. por ter submetido as cooperativas a um rigoroso controle central do poder executivo.14 Continha algumas novidades positivas. Segundo Bulgarelli. considerados como renda tributável. 13 Em 12/02/1941.cit. libertando as cooperativas de algumas fortes amarras deste último. que dispunha: “Os resultados positivos obtidos nas operações sociais das cooperativas não poderão ser. . em hipótese alguma. como o seu art. além de conceder a isenção de alguns impostos. exigindo posterior regulamentação.980 aprovou regulamento para a fiscalização das cooperativas. Op. Tratando-se de uma lei geral sobre o cooperativismo. o Estado criou órgão específico para assistir às cooperativas. regulamentou o Decreto-lei 59.

simples outorga de poderes amplos para a sua livre disposição. o segundo. na entrega da produção. mesmo que imperfeitamente. como pelos próprios órgãos de fiscalização do cooperativismo. que bem melhor satisfaziam os anseios cooperativistas. 68 a 71. ao estatuir. acabaram sendo substituídos pela Lei 5. 145. que “as relações econômicas entre a cooperativa e seus associados não poderão ser entendidas como operações de compra e venda. em 1967. Estes projetos. O Decreto 60. nas cooperativas de produtores. de autoria do Senador Flávio da Costa Britto. . tiveram sua 15 Idem. definiu a relação jurídica existente entre a sociedade e o cooperado. Também. o que. em seus artigos 106 e 112.764. afinal. Op. pela vez primeira na legislação pátria. no seu art. pp. considerando-se as instalações da cooperativa como extensão do estabelecimento cooperado”.597. o ato cooperativo. o primeiro deles e dos deputados federais Franco Montoro e Montenegro Duarte.15 Criticado profundamente pelas lideranças cooperativistas. dois projetos haviam sido propostos ao Congresso Nacional. 14 destinação”. estabelecendo ser a entrega de produção desta àquela. embora modificado por técnicos governamentais. construída a partir de anteprojeto elaborado pela Organização das Cooperativas Brasileiras. tanto pela Fazenda. Anteriormente. do Amazonas. espelhando-se. o Decreto-lei 59 e o seu regulamentador Decreto 60. não foi adotado. §1º. de 16/12/1971.597 definiu.cit. tão somente. o que significou o reconhecimento de uma não incidência do Imposto sobre a Renda.

2. Não apenas estatui o dever do Estado de apoiar o cooperativismo. como a possibilidade das cooperativas atuarem com terceiros. estabelecendo a necessidade de autorização prévia para esses fins.764/71. A tão pretendida liberalização do cooperativismo brasileiro encontra-se. . a participação da cooperativa em outras empresas. no entanto. como libera este último de todo e qualquer controle estatal. em virtude do Ato Institucional número 5.16 Não atendeu. qual seja o da liberdade de constituição e funcionamento.cit. 73 a 75. que atualmente regula a constituição e funcionamento das sociedades cooperativas no Brasil. Op.festejada como o grande marco liberalizador do movimento cooperativista nacional. inserida na Carta Magna nacional. a fixação da área de atuação a critério do estatuto da cooperativa. Fase posterior à CF/88. 15 tramitação barrada em face do fechamento do Congresso Nacional. 1. em seu artigo 5º. talvez o mais importante regramento jurídico relativo às liberdades individuais: 16 Idem. “cláusula pétrea”. a permissão às cooperativas centrais para manterem sócios individuais. A Lei 5. o restabelecimento das atividades creditórias nas cooperativas mistas. A Constituição Federal de 1988 é – justamente . afinal. um dos principais anseios do movimento. não cooperativas. pp.2. veio a atender alguns anseios do movimento cooperativista nacional.

. à segurança e à propriedade..)” 19 In verbis: “Art.. § 2º21. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.) XXV – estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem.” 18 In verbis: “Art. a atividade agrícola.. que disporá. 16 “Art. Como agente normativo e regulador da atividade econômica. será regulado em lei complementar.. especialmente: (. sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. 5º . 187. sobre: (.) XVIII – a criação de associações e.. sem distinção de qualquer natureza. em forma associativa. VI19 e o crédito. como a garimpagem. VIII20.. XXV17 e no artigo 174.) § 3º O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas. §§ 3º e 4º18.. à igualdade..” Outros dispositivos constitucionais objetivam oferecer apoio e estímulo ao cooperativismo em setores específicos da atividade econômica... levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade.. nos termos seguintes: (.Todos são iguais perante a lei. no artigo 21... A política agrícola será planejada e executada. 174.) VIII – o funcionamento das cooperativas de crédito e os requisitos para que possam ter condições de operacionalidade e estruturação próprias das instituições financeiras. O sistema financeiro nacional. § 4º As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis (... 192. 21.. incentivo e planejamento.. A nível genérico. o estímulo ao cooperativismo acha-se expresso no artigo 174.. Compete à União: (. na forma da lei.. o Estado exercerá.. 17 In verbis: “Art...) VI – o cooperativismo. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. no artigo 192. na forma da lei. inclusive. envolvendo produtores e trabalhadores rurais. na forma da lei. bem como dos setores de comercialização. à liberdade.. as funções de fiscalização.. com a participação efetiva do setor de produção. levando em conta.” 20 In verbis: “Art.. de armazenamento e de transportes. no artigo 187.” 21 In verbis: . a de cooperativas independem de autorização.. (.

devendo garantir-lhes a qualidade.” 22 In verbis: “Art. De outro lado. III – Limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá tomar.094. V – Quorum. São características da sociedade cooperativa: I – Variabilidade. de 1989. ou (. especialmente sobre: (.) III – estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. em seu artigo 6323. De igual forma. Cabe à lei complementar: (. tenha. ainda por herança.) “§ 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. da CF/88. contém dispositivo que apóia e estimula o cooperativismo. os empregados terão preferência em assumi-las sob a forma de cooperativas”.094. 63 – Incumbe ao Estado a prestação de serviços públicos diretamente ou. IV – Intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade. 146.Na hipótese de privatização das empresas públicas e sociedades de economia mista. ou dispensa do capital social.. VI – Direito de cada sócio a um só voto nas deliberações.” 23 In verbis: “Art. fundado no número de sócios presentes à reunião. também objeto deste estudo. para a assembléia geral funcionar e deliberar. sob regime de concessão ou permissão. 1.. c22. II – Concurso de sócios em número mínimo a compor a administração da sociedade.. em seu art... e não no capital social representado. através de licitação. as sociedades cooperativas. § 1º . a Constituição ordena o “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo”. caracterizando-as da seguinte forma: “Art. atendendo o que estatui o artigo 174. 17 No artigo 146.... .) c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. III.. a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul.. o projeto do novo Código Civil prevê. 1. sem limitação de número máximo.

de natureza civil. . de 1999.3..)” (sem grifo no original). o projeto de lei do Senado. Em sua justificação. 1.. ainda em caso de dissolução da sociedade”. podendo ser atribuído ao capital realizado juro fixo. terá uma importância cada vez maior. diz o senador: “Não há dúvidas de que o cooperativismo. em que a ajuda mútua tende a amenizar e permitir a sobrevivência econômica”. VII – Distribuição dos resultados.764/71. distinguindo-as (. especialmente no contexto econômico de crise constante. entendido como a combinação do elemento social e econômico. proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade. em vigor. VIII – Indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios. Importante noticiar. não sujeitas à falência. constituídas para prestar serviços aos associados. ainda. “as cooperativas são sociedades de pessoas. Segundo o artigo 4º da Lei 5. 18 não. com forma e natureza jurídica próprias. proposto pelo senador Eduardo Matarazzo Suplicy.764/71. que pretende substituir a Lei 5. e qualquer que seja o valor de sua participação. número 605. a sociedade capital. O sócio cooperativista: proprietário e consumidor.

sem capital. Paralelamente já Raiffeisen concebera suas Caixas Rurais. e depois de obterem devolverem-no simplesmente”. cooperados. tanto na eleição dos seus administradores. p. tudo convergindo na sua estruturação para o patrimônio. Daí decorre a desnecessidade de objetivar lucro. e responsabilizando-se os associados ilimitadamente pelas obrigações da sociedade. mas tão-somente de se prevenir quanto às oscilações do mercado. O cooperado participa do capital da sociedade24. 19 A expressão “constituídas para prestar serviços aos associados” denuncia uma peculiaridade altamente distintiva desta para com todas as demais sociedades: o fim da cooperativa é prestar serviços aos seus proprietários.” 25 Waldírio Bulgarelli..cit. operam para eles e com eles. haveria o trabalho operando com o capital e não o trabalho atuando para o capital ou o seu possuidor... quanto na votação de suas prestações de contas.). faz retornar essa taxa ao cooperado. e ao final do exercício. não há como as cooperativas que são constituídas pelos associados. dos conselhos de administração e fiscal e da própria presidência da cooperativa. Por que lucrar. portanto. diferentemente das entidades capitalistas que são constituídas por um ou alguns para operarem com os não sócios. para que possa ser consumidor dos serviços da cooperativa. pp 57 e 58. Dessa forma. É para servi-lo que existe a sociedade e é condição “sine qua non” que seja proprietário. ainda. do processo decisório. . sem a necessária referência ao capital. que “É bem de ver[sic]. que nas cooperativas substituiu-se de certa forma o conceito de capital. formando a cooperativa seu patrimônio através das deduções dos resultados anuais. por uma razão que nos parece inatacável: é que as cooperativas representam os seus cooperados. objetivarem obter lucro de seus próprios membros. 54. op. quando se opera consigo próprio?25 24 Waldírio Bulgarelli refere. diz: “A cooperativa quando acresce uma taxa ao preço de custo não o faz com o intuito de lucrar. em seu As Sociedades Cooperativas e sua Disciplina Jurídica. é ele o cliente da sociedade.. podendo. que são os associados. Ao mesmo tempo. pelo de patrimônio. ser votado para qualquer um dos cargos diretivos. serviam exclusivamente para dotá-las das instalações e equipamentos necessários à execução dos serviços que seriam prestados a eles. Isto decorre da concepção dos pioneiros de Rochdale de que os recursos aportados pelo associados a título de capital. Não teria sentido o lucro ainda no sistema cooperativo. associados. (.

onde o capital é requisito essencial.. no entanto. op. em detrimento do cooperado. como ensina Pontes de Miranda. e o fará de 26 Reginaldo Ferreira Lima. . 20 Mesmo que. pp 53 e 54: “Diferentemente das sociedades capitalistas. op. possa a cooperativa operar com não cooperados. a pessoa do sócio passa à frente do elemento econômico e a conseqüência da pessoalidade da participação são profundas.. Segundo Reginaldo Ferreira Lima26. pois que se dá ênfase à pessoa do associado. “na sociedade cooperativa. na sua condição de ente personificado. nas cooperativas ele não exerce qualquer papel predominante. como pessoa jurídica. 28 Reginaldo Ferreia Lima. op. existe tão só para prestar serviços aos associados. 49. onde se processam os negócios nos quais pretendem os seus sócios obter vantagens econômicas. estes o farão em posição desvantajosa. p. ele possui direitos idênticos aos demais membros. 50.27 Segundo o mesmo autor: “Quanto ao fim. Contratará. o essencial é a pessoa do sócio. terá a cooperativa que operar no mercado. Para atingir seu objetivo social. a natureza jurídica própria da cooperativa consiste em ser ela uma ‘sociedade auxiliar’. eventualmente. p. Independentemente do seu capital. em nome de seus sócios. podendo votar e ser votado e operar livremente com a cooperativa”. a atividade econômica para a qual foi criada. de tal forma que a tornam uma espécie de sociedade”.cit. pagando maiores preços pelos serviços ou produtos e sendo os resultados dessas operações contabilizados separadamente. a qual. 27 No mesmo sentido.cit. de caráter institucional. Na cooperativa. independentemente da idéia de. atividade esta desenvolvida pelos seus sócios.cit. Waldírio Bulgarelli.. investido da dupla qualidade: de associado e utente dos 28 serviços cooperativos”. obter vantagens para si.

ou lucro para si própria. do que se cada um de seus cooperados o fizesse individualmente.” O leitor mais desatento entenderá tratar-se de ato cooperativo tão somente aquele praticado entre a sociedade cooperativa e seu sócio. Não auferirá a cooperativa.4. O ato cooperativo. Ao fazê-lo. dirigido a seu sócio-utente. qualquer vantagem. É para isto que se associam: para participar dos negócios da economia em que vivem. 1. para a consecução dos objetivos sociais. servindo como uma “longa manus” dos mesmos. porém. 79 – Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados. A lei 5. 21 forma muito mais vantajosa. obtendo a melhor remuneração possível neste labor. usuário de seus . resultado. estará a cooperativa tão somente auxiliando a seus associados. neste mister. entendido também estará o conceito de ato cooperativo: é todo o ato praticado pela sociedade na busca do atingimento de seu objeto social.764/71. Entendida a questão da dupla qualidade. haja vista que a real prestação do serviço se dará pelos próprios sócios. estatui: “Art. Parágrafo único – O ato cooperativo não implica operação de mercado. entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas. mas tão somente possibilitará que seus sócios obtenham as vantagens que motivaram a sua associação. nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias.

de 1954. Há que. sempre a sociedade cooperativa estará agindo em nome e a serviço de seu sócio. 133. p. Isto.337/73. quando praticado com aquele que. não cooperados. que. desde que o negócio tenha por objeto os fins sociais da cooperativa. não o é.30 O ato será considerado não-cooperativo. mesmo reunindo as condições necessárias e suficientes para ser seu sócio. no entanto. 30 Idem. pelo que configuram ditos atos. cuidar-se de entender que. com o último objetivo de lhe prestar serviços. 29 Renato Lopes Becho.cit. op. sua classificação na teoria dos atos e fatos jurídicos.. disse: “O ato cooperativo é o suposto jurídico.29 A exposição de motivos da lei argentina 20. diz: “quando a cooperativa realiza atos jurídicos com terceiros – é dizer. 134. em sua obra Derecho Cooperativo.. que realiza a organização cooperativa em cumprimento de um fim preponderantemente econômico e de utilidade social”. p. atos cooperativos”. fora do âmbito interno – sempre opera em cumprimento de seu objeto social e consecução de seus fins institucionais. seus limites. a seu respeito.cit. ausente de lucro e de intermediação. serão mais aprofundadamente analisados nos próximos capítulos. mesmo quando estiver praticando atos no mercado. Renato Lopes Becho cita Antonio Salinas Puente. 22 serviços. ainda que praticado com terceiros. op. . O ato cooperativo.

A TEORIA DO ATO COOPERATIVO .2.

para podermos. nesta dissertação. só serão jurídicos. discorrer-se-á rapidamente acerca da teoria do ato e do fato jurídicos. por último. São fatos jurídicos lato sensu. A teoria do fato e do ato jurídicos. Curso de Direito Civil. o ato administrativo. 2. do ato de comércio e do ato administrativo. vol.)”. por que importa.1. Quando não produzirem estes 31 Washington de Barros Monteiro. a subsistência e a perda dos direitos.31 Quando decorrentes da vontade humana ou da ação do homem. p.. por que o seu estudo auxiliará na defesa da teoria do ato cooperativo. melhor dizendo. contemplados em lei (. 169. conhecer as características do ato de comércio. aqueles “acontecimentos. são conhecidos como atos jurídicos. quando provocarem resultados que interessem ao mundo jurídico. Os primeiros. após. mais especificamente do direito das obrigações. de que decorrem o nascimento. produzirem conseqüências no mundo jurídico. E.. por constituírem sustentáculo do direito civil. . O segundo. analisar as suas semelhanças e diferenças em relação ao ato cooperativo. I. Para melhor conceituar o que seja o ato cooperativo. Os fatos decorrentes da força da natureza.

resguarda. modifica ou extingue direitos. Distingue-se do ato ilícito que. transfere. modificar ou extinguir direitos. 134. nº II. pois. Concernem à forma do ato. que podem os elementos dos atos jurídicos ser classificados em essenciais. que exige escritura pública.cit. não se situa dentre os atos jurídicos e. é um ato lícito através do qual se adquire. que tenha por fim imediato adquirir. naturais e acidentais. Todo o ato lícito. podendo ser gerais ou particulares. São essenciais aqueles sem os quais o ato não existe. resguardar. se denomina ato jurídico. sim. 32 Idem. decorre da vontade. entre os fatos jurídicos. Os atos jurídicos possuem regulação no próprio Código Civil Brasileiro: “Art. 181 a 182.” O ato jurídico. como as pessoas que intervêm nos mesmos. 81. Ensina-nos o mestre civilista Washington de Barros Monteiro32. Gerais são os que dizem com a generalidade dos atos. como o caso da transmissão de direitos reais sobre imóveis. serão totalmente desprezíveis para o Direito.resultados. o objeto destes atos e o consentimento dos interessados. pp. sendo especificamente dirigidos a alguns. mesmo produzindo efeitos jurídicos. de acordo com o que preceitua o art. transferir.. op. Particulares são aqueles que dizem respeito a determinadas espécies de atos. .

diz Rubens Requião: “Do conhecimento da opinião de dois eméritos mestres comercialistas pode-se perceber as dificuldades para se encontrar uma teoria científica dos atos de comércio...) a declaração privada de vontade que visa a produzir determinado efeito jurídico”33. como ensina Waldemar Ferreira. Elementos naturais. op. também os comercialistas têm noticiado haver controvérsias e impasses no estudo e conceituação do ato de comércio. por força de lei e acidentais. com efeito. Por isso.2. Este ato jurídico lícito será. 39. A teoria do ato de comércio. (. Semelhantemente às dificuldades que se enfrenta na conceituação do ato cooperativo. 2. 34 Rubens Requião. como ele próprio. Curso de Direito Comercial... com simples noções ou critérios para explicarmos os atos de comércio. a generalidade dos juristas. dividido no ato jurídico propriamente dito e no negócio jurídico.. ... este último entendido como sendo “(. desde que coexistam.” 33 Idem.) Temos que nos contentar. são as conseqüências que decorrem do ato. p. 181. p. as cláusulas acessórias do ato jurídico.cit. ainda. Ao comentar acerca das teorias sobre o ato de comércio dos professores Gaston Lagarde e Alfredo Rocco. considera que a mediação e a especulação são os elementos marcantes do ato de 34 comércio.

o fato de a lei considerar comerciais quaisquer sociedades que se constituam como sociedades anônimas. é de suma importância. pela tradição. em tal caso. visto ser esta a sua atividade profissional. constitui tese que tem sido refutada pela doutrina. p. que torna a anônima comercial. de 15 de dezembro de 1976). segundo Fran Martins35. com a transferência material. segundo Rubens Requião37. 43. Fran Martins. mas sim com a transferência da propriedade da coisa.cit. A circulação não diz. 76. isto é. que de um lado configura um ato civil e de outro um ato comercial. envolve as idéias de circulação e de lucratividade. está presente na idéia de ato de comércio. Sem dúvida. 6. a questão da comercialidade. que. tem-se que “ato de comércio são aqueles praticados pelos comerciantes no exercício da profissão. pois.. o animus lucrandi. Curso de Direito Comercial. Isso porque só pode constituir-se como anônima aquela sociedade que tenha por objeto ‘fim lucrativo’ (Lei no. p.. bem como os considerados por força 35 Fran Martins. . necessariamente. E lucratividade. 75. expõe: “Aliás. o que significa o valor que tem para a conceituação da comercialidade o objeto econômico do ato.404. na profissão do comerciante. op. op. 37 Rubens Requião. haja vista a vis atractiva do direito comercial. que pretende tenha o ato a característica bifronte. 36 Idem. p. para o ponto de vista que defendemos. é o fim lucrativo. Ora. caráter econômico. em favor de sua tese.”36 A teoria do ato misto. por que tradicionalmente entende-se existir.cit.

as que derivarem de contratos de locação. do Título Único do Código Comercial.cit. op. que são os “atos de comércio por força ou autoridade da lei”. as operações sobre títulos da dívida pública e outros papéis do Governo. entendidos como sendo estes. mas visando promover. 40 Paulo R. 44. letras de câmbio. com exceção das que forem relativas a locação de prédios rústicos e urbanos. por decorrência da teoria do acessório (o acessório segue o principal).38 A primeira parte do conceito atende ao critério subjetivo de classificação dos atos de comércio. presentes na própria atividade do comerciante. Teoria Geral do Direito Comercial. facilitar ou realizar o exercício do comércio. trazem consigo as características da intermediação e da especulação. p. seguros. questões de companhias ou sociedades. . mesmo que sem habitualidade e objetivo de lucro. 46. os atos praticados pelo comerciante.de lei. que. Há que estar presente a intenção de lucratividade. inevitavelmente. São os relacionados nos artigos 19. 39 Rubens Requião. 46. Colombo Arnoldi.. op. e 20 do Regulamento 737. mesmo que praticados por não-comerciantes”. 38 Paulo R. na ação permanente (ou habitual) do sujeito praticante do ato.cit. riscos e fretamento. isto é. Colombo Arnoldi.. diz com os atos classificados como comerciais pelo critério objetivo. em que se defende o fato de que são comerciais todos os atos praticados pelo comerciante. A segunda parte do conceito de Arnoldi40. Isto nos permite chegar à classificação dos atos tidos como comerciais por dependência ou conexão39. p. p.

podemos conceituar o ato administrativo com os mesmos elementos fornecidos pela Teoria Geral do Direito.3. aquele praticado pela Administração Pública. a finalidade pública que é própria da espécie e distinta do gênero ato jurídico. p. acrescentando-se. como acentuam os administrativistas mais autorizados. agindo nessa qualidade. 42 Idem. denominado ato administrativo. Direito Administrativo Brasileiro. resguardar. art. não se admite possa haver ato administrativo. tenha por fim imediato adquirir. 131. A teoria do ato administrativo Dentre os atos jurídicos.cit. . Hely Lopes Meirelles conceitua o ato administrativo: “Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que.”42 Positivamente. extinguir e declarar direitos. transferir.. igualmente. destaca-se.2. p. no exercício de sua função executiva. 81). sem que esteja nele presente a finalidade pública ou que o mesmo desvie-se de sua finalidade específica.”41 Também acentua o mestre ser a finalidade pública o traço característico que o diferencia dos demais atos jurídicos: “partindo desta definição legal (CC. apenas. ou impor obrigações aos administrados ou a si própria. 131. 41 Hely Lopes Meirelles. op. modificar.

como sendo um ato jurídico de natureza civil ou comercial. 44 Idem. da motivação e do objeto. procuraremos. 133. Para podermos melhor caracterizar o que seja o ato cooperativo. Caracterização do ato cooperativo. que deverá o ato administrativo atender também os requisitos da competência. entendidos. na explanação do mestre Hely Lopes Meirelles. o motivo. 134.cit. p. finalmente.. 45 Idem. melhor dizendo. o objeto. 46 Idem op.cit. a competência.. Desnecessário relacionar. . p. op. que “identifica-se com o conteúdo do ato. op. “o revestimento exteriorizador do ato administrativo”44.cit. p. não se pode pretender classificar um ato que tenha esta característica.4.cit. os cinco requisitos por ele considerados indispensáveis e que devem ser atendidos pelo ato jurídico 43 Idem. a forma. da forma. 2. para os efeitos desta dissertação. Desta conceituação. como “o poder atribuído ao agente da Administração para o desempenho específico de suas funções”43. “ou causa. pp 135 e 136. depreende-se tanto o aspecto positivo como o seu aspecto negativo. 135.. ou atesta simplesmente situações preexistentes”46. ao exigir que o ato administrativo possua a característica única da finalidade pública. é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo”45 e.. através do qual a Administração manifesta seu poder e sua vontade. op.

op.1. 133 . Nesse exame comparativo entre os requisitos indispensáveis ao ato administrativo e o ato cooperativo.4. ou “a condição primeira de sua validade”47.cit. Apenas o agente da Administração.cit. nas palavras do mestre Hely Lopes Meirelles.para aquilo que se pretende seja um ato administrativo: a competência. a lei 5. quando diz que “o mexicano precursor do 47 Idem. também. a forma. Becho cita Antonio Salinas Puente. o motivo e o objeto.. 48 Idem. 2. no caso específico. “Nenhum ato – discricionário ou vinculado – pode ser realizado validamente sem que o agente disponha de poder legal para praticá- 48 lo”. a finalidade. imbuído do poder a ele atribuído pelo exercício de sua função pública possui competência para a prática de atos administrativos. apenas a cooperativa. op.. p. p. Competência A competência é requisito essencial do ato administrativo. será competente para praticar atos cooperativos. Assim.764/71. 133. buscamos compreender esse último. legalmente constituída e operando de acordo com os ditames legais.

com o que não concordam a grande maioria dos autores pesquisados: “Consideramos que la ley argentina. é lógico. ao caracterizar como sendo cooperativo.. que implican la actuación de los principios cooperativos. p. O exame superficial da lei pátria não sugere esta interpretação. que reconoce como fuente a la brasileña ya citada.estudo do ato cooperativo faz referência à cooperativa como sujeito necessário. En efecto.49 Faz ele referência à definição de Puente. 50 Idem. . ausente de lucro e de intermediação.50 Desta forma. 133. expresa el concepto com mayor precisión a la vez que le otorga una formulación más amplia. que realiza a organização cooperativa em cumprimento de um fim preponderantemente econômico e de utilidade social”. “También dijamos que es más amplio. resulta más concisa en cuanto hace mención de los fines institucionales. Assim visto. p.cit. não-associados. e não menciona associados ou não-associados. porque dentro del concepto de 49 Renato Lopes Becho. op. em um dos polos da relação termos uma organização cooperativa – desde que.. o ato praticado “entre as cooperativas e seus associados e pelas cooperativas entre si quando associadas”. o ilustre magistrado paulista manifesta seu entendimento de que basta. estariam excluídos da classificação os atos praticados com terceiros. demonstrando sua posição ante a polêmica atual”. lo que significa enfatizar la necesidad de que el objeto se debe cumplir teniendo en cuenta dichos principios en todo momento.cit. em sua obra Derecho Cooperativo: “O ato cooperativo é o suposto jurídico. op. 133. estejam atendidos os demais requisitos – e teremos caracterizado um ato cooperativo.

A força atrativa do direito comercial 51 Claudio Rubens Dufau y Marcelo Esteban Zarlenga.” De fato. em sua exposição de motivos52: “Quando a cooperativa realiza atos jurídicos com terceiros – é dizer. . no que respeita à cooperativa e comercial. respeto de las cooperativas. Carvalho de Mendonça à tese do ato misto. X. 134. Consideramos que a lei argentina. Está. quanto ao outro sujeito da relação jurídica. expressa o conceito com maior precisão de vez que lhe outorga uma formulação mais ampla. a respeito das cooperativas. que reconhece como fonte a brasileira já citada. 137. 52 Renato Lopes Becho. porque dentro do conceito de ato cooperativo se incluem. op. los actos jurídicos que com idéntica finalidad realicen éstas com usuarios no 51 asociados (actos mixtos). ao comentar a existência de defensores do bifrontismo do ato de comércio. fora do âmbito interno – sempre opera em cumprimento de seu objeto social e consecução de seus fins institucionais. complementa a definição. Com efeito. atos cooperativos”. que implicam a atuação dos princípios cooperativos. in Derecho Cooperativo. justificando. assim. em seu artigo 4º. Também dizemos que é mais amplo. p. acto cooperativo se incluyen. a respeito das cooperativas. p.cit. cita o combate exercido por J. os atos jurídicos que com idêntica finalidade realizem estas com usuários não associados (atos mistos). ao definir o ato cooperativo. El acto cooperativo. dizendo haver ele sustentado que “a força atrativa (vis atractiva) do direito comercial os submete ao seu domínio. (tradução livre do autor). resulta mais concisa enquanto faz menção dos fins institucionais. a lei argentina. Rubens Requião. pelo que configuram ditos atos. a legislação argentina a admitir possa um mesmo ato jurídico ser considerado cooperativo. os atos jurídicos que com idêntica finalidade realizem com outras pessoas”. a seu respeito.. o que significa enfatizar a necessidade de que o objeto se deve cumprir tendo em conta estes princípios a todo o momento. dizendo que “também o são.

o mais importante. pela legislação comercial”.cit. uma vez classificado como cooperativo. de que “não se admite ato administrativo sem finalidade pública ou desviado de sua finalidade específica.impossibilita a figura de duas faces.. permanece disciplinado. op. pp. o “colorido” do especialmente definido. 2.cit..54 Refere-se ao princípio de que a lei especial prefere à geral. 133 e 134. Carvalho de Mendonça – assumindo o colorido comercial pelo fato da intervenção do primeiro. sendo nulos quando satisfizerem pretensões descoincidentes do interesse coletivo. seus atos hão de se dirigir sempre e sempre para um fim público.4. só se justifica como instrumento de realização do interesse de seus sócios. op.”55. . 43.53 “O ato praticado entre comerciante e não-comerciante – diz J. 43. p. para ambos. emprestando ao ato. 54 Rubens Requião. Valendo-nos. qual a deusa Jano”. outra vez. Finalidade A finalidade é. 55 Hely Lopes Meirelles.. que se poderia considerar civil.2. dos requisitos citados. também a sociedade cooperativa. Desde que a Administração Pública só se justifica como fator de realização do interesse coletivo. X. 53 Rubens Requião. op.cit. p. talvez. Um ato. Tal fenômeno também ocorre no caso do ato cooperativo. dos ensinamentos de Hely Lopes Meirelles. cooperados (grifo no original). será cooperativo para todos os sujeitos da relação.

O motivo. podendo. Assim como no ato administrativo. não sujeitas à falência. em seu artigo 4º56. distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características:” 57 Hely Lopes Meirelles. “é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo”57. também previstos na lei.3. op. haja vista situar-se o mesmo dentre os praticados pela vontade dos particulares. desviados da finalidade. especialmente. quanto a este requisito. nulos os atos praticados pela sociedade cooperativa. com forma e natureza jurídica próprias. Não há exigência de forma especial ao ato cooperativo. este requisito. no dizer de Hely Lopes Meirelles.4. que a lei 5. de natureza civil. Não serão. não se admite possa haver ato cooperativo desvinculado da finalidade da prestação de serviços aos cooperados.764/71 impõe às sociedades cooperativas. A forma e o motivo. 56 In verbis: º “Art.. portanto. com o direito administrativo. Forma e motivo. constituídas para prestar serviços aos associados. . não são exigíveis ao ato cooperativo. dizendo. embora requisitos do ato administrativo. desta forma.cit. sim. p 135. 4 As cooperativas são sociedades de pessoas. como ocorre com os atos administrativos e. 2. que exige haja anterior previsão legal à ação do administrador público. no entanto. pertencerão ao grupo dos atos não cooperativos. ser praticado livremente.

se o seu objeto identificar-se com o seu objetivo social.4. Becho cita Ruy Barbosa Nogueira. 135.4. Mesmo autores que não se dedicaram ao estudo do direito cooperativo. reconhecem esta especial característica do mesmo. . que o ato cooperativo se opera – em atenção ao objeto social e finalidade da cooperativa . não têm preço.58 O objeto. 59 Hely Lopes Meirelles.59 Semelhantemente. no ato administrativo. pois não são serviços explorados. op. não são remunerados. tributarista.sem a intenção do lucro. pelas 58 Celso Antônio Bandeira de Mello. será sempre concernente com pessoas. Objeto. p. 352.2. Curso de Direito Administrativo. vez que motivado pelo especial objetivo de auxílio mútuo aos sócios cooperados. neste ponto. qualquer ato praticado por sociedade cooperativa somente será classificado como ato cooperativo. p. Importante destacar.cit. coisas ou atividades sujeitas à ação do Poder Público. “Objeto é aquilo sobre que o ato dispõe”. mas apenas serviços cooperativos prestados aos associados por determinação do regime cooperativo estatuído como função de colaboração ao Estado. que diz: “Eis aí a explicação necessária e suficiente contida no próprio texto da lei nacional: os serviços fornecidos aos seus associados não incidem no imposto de serviços..

pois é através dela que os seus associados decidiram cooperar. op. 61 Roberto Jorge Pastorino. O ato cooperativo é executado por pessoas que têm uma determinada qualidade: ser associadas. p. “la cooperativa. porque é dentro dela que é possível cooperar (tradução livre do autor). Os elementos do ato cooperativo. A digressão antes desenvolvida.. nos permite refletir sobre os elementos do ato cooperativo.. y no puede ejecutarse en outra parte. elas são as que integram a cooperativa (tradução livre do autor). 60 Cooperativas” (grifos no original).cit. 50. op.cit. el asociado. 50.61 A cooperativa é elemento necessário.4. É ela a sociedade. p. 142. op. o associado. por força de lei. 62 Idem. .62 O associado: “el acto cooperativo es ejecutado por personas que tienen una determinada calidad: ser asociadas.63 60 Renato Lopes Becho. 63 Idem. p. Pastorino diz serem elementos do ato cooperativo.5. Teoria General del Acto Cooperativo. Quero dizer que o ato cooperativo se executa dentro da cooperativa e não pode executar-se em outra parte.. 58. p. la democracia. 2.cit. a democracia. o serviço (tradução livre do autor). el servicio”. A cooperativa. ellas son las que integran la cooperativa”. porque es dentro de ella donde es posible cooperar”. dentro da qual se pratica o ato: “quiero decir que el acto cooperativo se ejecuta dentro de la cooperativa. visível ao universo jurídico.

se ele se prestar ao serviço para o 64 Idem.cit. op. p. es una herramienta”.65 Dos quatro elementos expostos. . A cooperativa não persegue um benefício. los cooperadores fundan la cooperativa para subvenir sus necesidades. O serviço: “La finalidad del acto cooperativo es que el asociado obtenga el servicio. 81. senão responder às necessidades dos cooperados. 65 Idem. COUTANT o caracteriza deste modo: “designa-se geralmente por princípio democrático a regra especificamente cooperativa pela qual o papel jogado por cada um dos membros no funcionamento da Sociedade é rigorosamente independente do capital por ele subscrito” (tradução livre do autor). COUTANT lo caracteriza de este modo: ‘Se designa generalmente por princípio democrático la regla específicamente cooperativa por la cual el papel jugado por cada uno de los miembros en el funcionamiento de la Sociedad es rigurosamente independiente del capital suscripto por él’”64 (grifo no original).cit. visto ser dela a prerrogativa de prática do ato previsto na legislação que a instituiu e o serviço. a cooperativa. para lo cual se asoció. entendemos ser necessários ou essenciais. o associado e o serviço. A democracia: “Los autores enuncian este princípio com la fórmula: ‘un hombre = un voto’. Os autores enunciam este princípio com a fórmula: “um homem = um voto”.. um lucro. distintiva de demais atos. es decir. sino responder a las necesidades de los cooperadores. pp. 85 e 86. op. una ganancia. La cooperativa no persigue un benefício. é uma ferramenta (tradução livre do autor). porque só se admitirá possuir a especial característica. especialmente do ato de comércio. pelos critérios de classificação dos elementos dos atos jurídicos de Washington de Barros Monteiro. A cooperativa. A finalidade do ato cooperativo é que o associado obtenha o serviço para o qual se associou.. é dizer que os cooperados fundam a cooperativa para satisfazer as suas necessidades. por óbvio.

qual a cooperativa foi fundada.

Quanto ao associado, apesar do fato de, estando a cooperativa exercendo

mandato gratuito, estará, pois, automaticamente presente o seu associado, nos atos

que a mesma praticar, o fato de a lei admitir que possa a sociedade praticar os

chamados atos não-cooperativos, com não-associados, torna-o elemento essencial

ao ato cooperativo. Por que só será cooperativo o ato praticado com a presença do

sócio cooperado.

Efetivamente, como diz Reginaldo Ferreira Lima66, a cooperativa atua apenas

como extensão do próprio cooperado, como sua “longa manus”, confundindo-se,

pois, um e outro: onde estiver a cooperativa, estará, via de conseqüência, presente o

seu sócio, cooperado.

No entanto, por autorização legislativa, pode a cooperativa operar no

mercado, com não associados, operações estas que deverão merecer destaque em

sua contabilidade e que, por isto, se diferenciam essencialmente dos atos

cooperativos67.

Por este motivo, no ato praticado deverá estar presente o sócio cooperado,

para que seja o mesmo admitido como ato cooperativo.

A democracia, por sua vez, é requisito de validade de existência da própria

sociedade cooperativa, não sendo, pois, exigência que se refaça na oportunidade da

66
Reginaldo Ferreira Lima. Op.cit., p. 51.
67
Idem, op.cit., pp. 55 e 56.

prática de atos cooperativos, pois, a legitimidade na existência da cooperativa,

presume esteja presente o requisito nos atos que ela praticar.

Aliás, a respeito dos elementos essenciais do ato cooperativo, relata João

Bellini Júnior:

“Primeiramente, cumpre ressaltar que, por ocasião do I Congresso
Continental de Direito Cooperativo (Venezuela, 1969), os
participantes consolidaram, através da Carta de Mérida, os
elementos essenciais do ato cooperativo, que permitem sejam estes
distinguidos de outros atos jurídicos:
a) sujeitos: associado e cooperativa, constituída e funcionante
de acordo com os princípios cooperativos universalmente
aceitos;
b) objeto: de acordo com os fins de uma cooperativa;
68
c) serviço: sem intenção de lucro” (grifo no original).

2.5. O ato não cooperativo

Considerando o permissivo legal que admite poder a sociedade cooperativa

praticar atos que não se caracterizem como sendo atos cooperativos, o que é, então,

o ato não cooperativo?

João Bellini Júnior, ao manifestar-se contrário ao que chamou de “tese ampla

do ato cooperativo, propagada entre nós por REGINALDO FERREIRA LIMA”69,

68
João Bellini Júnior. Sociedades Cooperativas – Regime Jurídico e Aspectos Tributários, p. 11.
69
Idem, op.cit., p. 13.

classificou os atos cooperativos da seguinte forma:

“Temos, deste modo, três famílias de atos que podem ser praticados
pelas cooperativas: atos cooperativos, atos não-cooperativos
intrínsecos e atos não-cooperativos extrínsecos à atividade
70
cooperativa”.

Os atos cooperativos são os expressamente citados na lei 5.764, no seu

artigo 79: os atos “interna corporis”, praticados no âmbito da sociedade cooperativa,

entre esta e seus associados, ou entre esta e outra cooperativa, associada (neste

caso, igualmente, associada). São os “atos-fim, operações internas, operações

privativas dos associados ou negócios cooperativos” de Walmor Franke, como cita

Bellini Júnior.71

Já os atos não-cooperativos intrínsecos, ainda segundo Bellini Júnior, são:

“Atos-meio, operações externas, operações de contrapartida ou
operações instrumentais – são os atos que a cooperativa perfaz
com terceiros no atendimento de seu objetivo social, sendo meio ou
instrumento por intermédio do qual a cooperativa se coloca na
posição de poder realizar aquelas operações internas que dizem
respeito à prestação de serviços aos sócios. As atividades exercidas
externamente pelas cooperativas, principalmente quando, como é a
regra, agem em nome próprio, embora por conta do associado, têm a
mesma aparência das atividades econômicas exercidas por
sociedades de fins lucrativos. Essa semelhança não permite,
muitas vezes, perceber que, em relação ao associado, a
72
sociedade não opera, coopera”. (grifos no original)

70
Idem. op.cit., p. 14.
71
Idem. op.cit., p. 13.
72
Idem. op.cit., p. 15.

p. ou simplesmente. Art.. a cooperativa interage no mercado realizando atos não- cooperativos correlacionados indiretamente com seus objetivos sociais. 16 e 17. os atos de intermediação de serviços alheios aos da sociedade: “. 74 In verbis: “Art. 75 Acréscimo nosso.cit. no dizer de Bellini Júnior. 85 e 86. mencionados nos arts. 87. 73 Idem. visto tratar o documento de estudo sobre a incidência do Imposto de Renda sobre as atividades das cooperativas. 17. seus artigos 86 e 87..cit. conforme a classificação de Bellini Júnior.764. estão expressamente previstos na Lei 5. haja vista que o próprio autor preconiza “que os atos cooperativos e os atos intrínsecos à atividade cooperativa estão fora da incidência do imposto (de renda)75. porém dentro do objeto da cooperativa” (grifos no original). 76 João Bellini Júnior. . É indireta a relação. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não-associados. Os resultados das operações das cooperativas com não-associados. op. serão levados à conta do ‘Fundo de Assistência Técnica e Social’ e serão contabilizadas em separado. entre os atos cooperativos e os atos não-cooperativos intrínsecos. de molde a permitir cálculo para a incidência de tributos”. 4º e 7º) e nos referidos atos teremos sempre a prestação de 73 serviços a não-associados. As operações da cooperativa mediante prática de atos não-cooperativos extrínsecos. atos não- cooperativos. conforme Reginaldo Ferreira Lima. Os atos não-cooperativos extrínsecos são. op.. por não gerarem lucro”76. 86. desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei.. pois a cooperativa é constituída e se caracteriza pela prestação direta de serviços aos associados (arts. pp.74 Parece-nos despicienda a distinção operada por Bellini Júnior.

.. 175. exceto a constituição da própria entidade.) (tradução livre do autor).. op. mas também os “negócios- auxiliares”. expor o que entendemos possa ser o conceito de ato cooperativo. op. 78 Roberto Jorge Pastorino. mantém ou extinguem relações cooperativas... . e é através dele como. praticados tendo em vista a realização dos objetivos da sociedade. (. Melhor nos parece.. a conceituação de Reginaldo Ferreira Lima. que entende serem cooperativos todos os atos praticados pela sociedade cooperativa... alcanzan el objeto 78 social. após individualmente.6. p. Reuniremos. p. não só os “negócios-fim” ou “negócios-internos”.. y es a través de él como. alcançam o objeto social (.. Conceito de ato cooperativo.cit.cit.) os atos jurídicos que criam. portanto.) el acto cooperativo es el negocio jurídico con el que los cooperadores dan efectividad y funcionamiento al contrato plurilateral de organización que funda la cooperativa. 54. (.) o ato cooperativo é o negócio jurídico com o qual os cooperadores dão efetividade e funcionamento ao contrato plurilateral de organização que funda a cooperativa. de acordo 77 Reginaldo Ferreira Lima. ao final.)” Becho: “(. para.. neste ítem. Pastorino diz: “(.77 2.. primero colectivamente y luego individualmente. uma série de definições do ato cooperativo. primeiro coletivamente e.

op. procuraram na Cooperativa quando se associaram. por serem clientes. 79 Renato Lopes Becho. Ato que não é lucrativo e cuja realização não implica. . 80 Marco Túlio de Rose Incidência do ISS sobre a atividade de Cooperativas. incorporando-se a ele e dando-lhe o seu cunho incomum”. inconfundíveis que são com os pertinentes aos outros ramos do Direito Privado. 81 Waldírio Bulgarelli. Marco Túlio de Rose: “O conjunto de ações que uma Cooperativa realiza. Em primeiro lugar. associados. op. p. através da prática de atos característicos que por isso mesmo cooperativos devem denominar-se. p.cit. Muito embora. por expressa disposição legal. após discorrer sobre as especiais características da sociedade cooperativa: “Ao lado do aspecto societário. a sua peculiaridade. 145. convém acentuar que o alto objetivo da sociedade cooperativa não está ausente do objetivo dos seus atos. operação de mercado ou contrato de compra e venda do produto. a sua análise perante a teoria do Direito Cooperativo e os princípios doutrinários que os regem. 33. Bulgarelli.. ele não permanece ao redor e até fora da prática do ato. com seus associados. 22. tendo sido os atos das sociedades cooperativas examinados apenas à luz do Direito positivo ou da doutrina jurídica. prestando a eles o serviço que eles. em cumprimento de seus fins institucionais”. este serviço é o que a lei chama de ato cooperativo.. p. 79 com o objeto social. serviço que não os diferencia da qualidade de associados.cit. mas se impregna em todas as suas 81 facetas. 80 serviço ou mercadoria”. há a assinalar também que essa originalidade se estende às atividades da cooperativa. deixam entrever sem rebuços.

independientemente de que 84 exista o no vínculo asociativo entre ellas”.) Si un acto es cooperativo para una sola de las partes las demás 82 Carlos Jorge Corbella..) los actos jurídicos que las cooperativas realicen en el cumplimiento del objeto social y la consecución de los fines institucionales son actos cooperativos.. (. 83 Alfredo Roque Corvalán y Armando Alfredo Moirano..” Dufau y Zarlenga: “(. 84 Claudio Rubens Dufau y Marcelo Esteban Zarlenga. Corvalán y Moirano: “Entendemos entonces por acto cooperativo. Entendemos então por ato cooperativo. mantener o extinguir relaciones cooperativas. 140.. Gambetta: “(. Acto Cooperativo de Trabajo. o ato voluntário lícito que tem por fim imediato estabelecer relações jurídicas cooperativas (tradução livre do autor). .. El Acto Cooperativo. celebrados conforme al 82 objeto social y en cumplimiento de sus fines institucionales”. 127. p. manter ou extinguir relações cooperativas. 122. celebrados conforme ao objeto social e em cumprimento de seus fins institucionais (tradução livre do autor). Atos cooperativos são aqueles atos jurídicos dirigidos a criar.. Corbella: “Actos cooperativos son aquellos actos jurídicos dirigidos a crear. p. independentemente de que exista ou não vínculo associativo entre eles (tradução livre do autor).) os atos jurídicos que as cooperativas realizem no cumprimento do objeto social e consecução do fins institucionais são atos cooperativos. El Acto Cooperativo. el acto voluntario lícito que tiene por fin inmediato establecer relaciones jurídicas 83 cooperativas. p..

pois. 56. Se um ato é cooperativo para somente uma das partes as demais ficam submetidas a lei e sua jurisdição cooperativas. possa ser conceituado o ato cooperativo como sendo o ato jurídico praticado pelos próprios cooperados. É dizer que enquanto se constitua ou haja uma cooperativa atuando legalmente. se restringem às atividades de pessoas que potencialmente poderiam se associar. Esta definição. por exclusão. Es decir que mientras se constituya o haya una cooperativa actuando 85 legalmente. portanto. com outros associados ou com terceiros. e que são contratadas em face de um bem maior. não sócios. Reginaldo Ferreira Lima discorrendo sobre todas as operações realizadas pelas cooperativas. em nome e a serviço de seus associados. internamente ou “em círculo fechado”. sua mandatária. 146. 86 Reginaldo Ferreira Lima. hay un acto cooperativo”. através da sociedade cooperativa a qual estão associados. modificam ou extinguem relações cooperativas. Direito Cooperativo Tributário. nele abarcando toda a operação praticada pela sociedade. . de acordo com o seu objeto e fim sociais. acaba por definir os atos não-cooperativos: “Os atos não cooperativos. Entendemos. originários do não exclusivismo. p. de acordo com o objeto social e com o seu 85 Osvaldo Rubén Gambeta. há um ato cooperativo (tradução livre do autor). p. como diz Bulgarelli e externamente. quedan sometidas a la ley y su jurisdicción cooperativas. atos estes que criam. acaba por estabelecer um conceito amplo de ato cooperativo. El Acto Cooperativo Necesita Outra Regulacion Legal. mantém. ou o interesse de melhor se desenvolver o objeto da 86 cooperativa”. com não-associados.

Por isto. c. assim de qualquer ato. no capítulo concernente à ordem econômica e tributária. erigindo assim. estatui regras que compõem o que chamam os doutrinadores de sub-sistema constitucional tributário. sob regime tributário. dentre outras finalidades.1 O preceito constitucional. além do conhecimento acerca do regramento tributário. permitindo ao legislador infra-constitucional apenas a possibilidade de fixar disposições complementares. portanto. A Constituição. a de subsidiar a aplicação da norma tributária ao ato cooperativo. de forma bastante rígida. deverá ser este “adequado tratamento tributário”? Quem ou o que deverá merecê-lo? 3. que . fato ou situação. Os capítulos anteriores tiveram. Qual. III. À luz. diz Geraldo Ataliba. deva ser dispensado “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”. 3. perquirir quanto ao que se refere o texto constitucional quando ordena. para sua exata compreensão. ao final. um conjunto normativo completo. dos ensinamentos adquiridos pela leitura dos renomados juristas que compuseram o apoio doutrinário do estudo empreendido. deve-se. agora. depende. O ATO COOPERATIVO E O SEU ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO O tratamento tributário do ato cooperativo. da sua interpretação sistemática perante a Constituição Federal e seus princípios constitucionais. no artigo 146.

como já visto. 146. Tal comando recebe. relembrar os ensinamentos de Rui Barbosa e de vários outros juristas notáveis. palavras inúteis. especialmente sobre: c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”. com ele. que. seria admitir possa a Constituição haver concedido tratamento inadequado em outro ponto qualquer?88 Ainda. o comando constitucional prescreve uma ordem. pois. . mais adiante. p. referir ao ato cooperativo praticado por sociedade cooperativa representaria redundância desnecessária.87 In literis. só pode ser praticado por sociedade cooperativa. 38. Mesmo que criticável. op. op. neste ponto. Convém.“conhecer direito tributário acima de tudo é estudar a Constituição Federal”. III..cit. inúmeras críticas pela imprecisão da linguagem empregada. afirmam que não há. no entanto. apud Reginaldo Ferreira Lima.cit. adequado tratamento. quanto à sua clareza. pois o ato cooperativo. Cabe à lei complementar: III – estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. que deverá ser corretamente interpretada e acolhida. na Constituição. nos fornece os elementos 87 Geraldo Ataliba. E é a própria Constituição que. que: “Art. da doutrina. 88 Renato Lopes Becho. Exigir. 148. p. refere-se a Constituição Federal. c.. no seu artigo 146.

Turma. na forma da lei. incentivo e planejamento. relatado pelo Min. o Estado exercerá. §2º. c. c).cit. A expressão adequado tratamento tributário configura conceito jurídico indeterminado. Leandro Paulsen. no julgamento do recurso extraordinário RE-141800/SP. as funções de fiscalização. desta forma sobre o tema: “Adequado tratamento tributário. sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. In literis: “Art. 78. Moreira Alves. III. cita acórdão do STF. no entanto.. Leandro Paulsen. Há outro dispositivo constitucional – o art. Além de várias outras menções às cooperativas em diversos outros pontos – sempre no sentido de incentivá-las – a Constituição estabelece. III. A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo”. . 1a. Como agente normativo e regulador da atividade economica.necessários para a compreensão do que seja o preceito do art. 146.89 Manifesta-se. que decide afirmando que “tratamento adequado não significa necessariamente tratamento privilegiado”. Incentivo às cooperativas. 174 89 Leandro Paulsen. 174. p. Neste dispositivo está a razão e a explicação da expressão “adequado” que adjetiva o tratamento tributário que reclama o texto constitucional seja concedido ao ato cooperativo. ao analisar o disposto no artigo 146. muito clara e objetivamente que há que se apoiar e incentivar o cooperativismo. op.

Dizendo ser as normas gerais de direito tributário sempre relacionadas aos conflitos de competência ou às limitações constitucionais ao poder de tributar. indica 90 Idem.. §2º do capítulo sobre os princípios gerais da ordem econômica – que também trata do cooperativismo e que auxilia na sua interpretação. § 2º. ao dizer que o comando contido no artigo em comento constitui “prescrição limitadora ao poder do legislador ordinário de tributar os fatos decorrentes da atuação em sociedade cooperativa”91. pelo princípio da tipologia tributária. p.cit.92 A segunda parte do dispositivo. Isto porque. 90 estaria inviabilizando o cooperativismo).cit. 65. 91 Reginaldo Ferreira Lima. op. os fatos e as repercussões materiais destes identificam um tipo de tributo e apenas um fato típico”. tenho que se pode inferir. que a lei o apoiará e estimulará. Dispõe o art. op. Sendo assim. que indica o “ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas” como o alvo do tratamento tributário adequado. no mínimo.cit. 77. .” Reginaldo Ferreira Lima vai além. “Desta forma. quando implicar carga tributária que não seja mais gravosa que a incidente sobre outras atividades (do contrário. incentivando-o ou.. os fatos provenientes da atuação em sociedades cooperativas não podem ser equiparados para configurar as hipóteses de incidência próprias de outros fatos aos quais se prescreve efeitos jurídicos. que será adequado o tratamento tributário do ato cooperativo quando implicar carga tributária inferior a das demais atividades produtivas. p. 174. p. 92 Idem. da alínea em questão. classifica o dispositivo entre as últimas. independentemente da edição da lei complementar. 65. bem como a outras formas de cooperativismo. op. ao invés de estimular..

(. caracterizando-as como atos não cooperativos. que não os cooperativos.” Este entendimento encontra total guarida. op. quando presta serviços aos sócios e age em nome destes.) Só exercitando atividades com não associados é que a relação jurídico-tributária vai emergir. A estes. nas atividades das cooperativas. dentro do sub-sistema tributário. como 93 Idem. Esta distinção. atender as prescrições da lei.. obviamente. Está. que não deverão merecer o tratamento excepcional. totalmente abrigada da incidência de tributos. no entanto. é clara.. já explicitada em capítulo anterior. ou operações com pessoas alheias ao quadro de sócios mas que têm qualificação para se associar à sociedade. 67.haver. que capitaneia os valores vigentes no Direito Tributário brasileiro. exigindo-lhes.) “Deverão as cooperativas. a lei 5. a Constituição não pretende conceder tratamento tributário privilegiado. se tornarão obrigadas a pagar o respectivo tributo. no direito cooperativo: trata-se de diferenciar o ato cooperativo do ato não cooperativo. á luz do princípio da capacidade contributiva. quando interpretado sistemáticamente.. escriturando a parte as operações em questão. Realmente. todavia.cit. . (. quando realizarem atos não cooperativos. p. atos outros.674/71 permitiu às cooperativas que participassem do competitivo jogo econômico. iguais a seus eventuais concorrentes.. que tais operações sejam distinguidas das demais nos seus registros contábeis.. a fim de que seus resultados revertam para 93 um fundo legal e sejam oferecidos à tributação. como bem refere Reginaldo Ferreira Lima: “Na medida em que as cooperativas venham a realizar atos não cooperativos. como protagonistas comuns.

E diz o princípio da capacidade contributiva. 156. todos se igualar. recolhendo os 94 mesmos tributos e com as mesmas base de cálculo e alíquota?” E conclui.95 Não há negar a afirmativa do magistrado paulista. portanto.. op. expressão do princípio da igualdade no campo do direito tributário.. a resposta precisa ser. para que possam.) sendo tão desiguais as cooperativas e as sociedades comerciais. viu-se que as mesmas.. pela exclusiva característica de dupla qualidade de seus cooperados. a de sócio e de usuário de seus serviços. Que devem. diferenciam-se das demais sociedades. p. que historiou e descreveu as sociedades cooperativas. devem elas ter o mesmo tratamento fiscal. assim.cit.cit. aqueles que 94 Renato Lopes Becho. necessariamente. ser onerados.. Enumerando as diferenças entre as cooperativas e as demais sociedades. dizendo que.anteriormente descrito. Em capítulo anterior. que deve-se tributar a todos na justa medida de sua capacidade. 95 Idem. .. 156. visto dizer o princípio da igualdade que deve-se tratar igualmente aos iguais e desigualmente aos desiguais. negativa”. por sua finalidade não lucrativa. indiscutivelmente. (. Renato Lopes Becho pergunta: “(. op. pela precípua missão de prestação de serviços ao seu corpo social. “em face do princípio da igualdade. p.).. por sua característica de sociedade auxiliar à atuação de seus sócios.

sem que sacrifício demasiado lhes seja imposto. .suportarem o ônus e que não devem ser obrigados a contribuir aqueles que não tiverem condições de fazê-lo.

E somente sendo proprietários poderão eles ser os clientes da cooperativa. pois é a eles que deve a sociedade servir. de práticas não encontráveis nas demais sociedades e que vêm sendo utilizadas em inúmeros países do mundo – especialmente nas nações mais desenvolvidas – de forma bastante intensa. na cooperação mútua. que passam a possuir uma especial dupla condição: a de proprietários e a de clientes ou usuários da sociedade. se corretamente explorada. Baseiam-se. servem de instrumento. ou sociedades auxiliares para que os seus associados possam melhor desenvolver a sua atividade econômica. mercê de princípios próprios. Existem tão somente para prestar serviços aos seus associados. oferecer alternativas de solução a inúmeros setores da economia nacional. essencialmente. por não possuir o componente indispensável . distinto dos atos praticados por sociedades mercantis. CONCLUSÃO O desenvolvimento do presente estudo permitiu conhecer uma forma de organização da atividade produtiva extremamente interessante e que pode. fundadas para este fim. Inquestionavelmente. pratica o chamado ato cooperativo. Em suas atividades. as sociedades cooperativas constituem-se em formas organizativas essencialmente diferenciadas das demais. constituindo-se em organizações que.

no entanto. no sentido de que se possa apaziguar entendimento sobre os conflitos interpretativos atualmente existentes. mediante aplicação da técnica hermenêutica da interpretação sistemática. no entanto. Esta complementação das disposições constitucionais faz-se necessária e se apresenta como altamente desejável. devem os intérpretes do direito utilizar. pacificando desta forma o assunto e instaurando maior segurança jurídica no funcionamento das cooperativas. entendidos à luz do comando constitucional que estatui dever ser o cooperativismo apoiado e estimulado no País. da CF/88. porém não foi. este sim revestido das características e elementos dos demais atos mercantis.764/71. III. submetendo a aplicação das leis vigentes aos princípios da igualdade e da capacidade contributiva. da finalidade especulativa. a cooperativa. ainda. proibida de encetar negócios e prestar serviços a terceiros. . nascida após inúmeros outros instrumentos legais que vigeram desde o início do século. que ordena um adequado tratamento tributário a este ato cooperativo. Apenas que. estará praticando o chamado ato não cooperativo. a lei 5. 55 do lucro. a hierarquização axiológica. 146. construída a lei complementar exigida pelo art. c. em o fazendo. A legislação nacional trata do tema mediante lei federal própria. Não está. Enquanto a lei reclamada não surge.

não auferem resultados. e a capacidade contributiva. não há. o de que apenas aqueles que possuam condições de suportar o ônus. ao restringirem a sua atividade aos seus atos cooperativos. E. ou capacidade econômica. . a Constituição orienta e ordena no sentido preconizado. como a medida de graduação dos impostos nacionais. nem mesmo produzem receita. deverão ser onerados. extrai-se comandos muito claros no sentido de orientar uma interpretação favorável às cooperativas no tocante à tributação dos atos que pratica. Ora. haja vista que toda a movimentação econômico financeira se faz em substituição ao seu sócio. qual seja. Portanto. no “ato cooperativo. as cooperativas. praticado pelas sociedades cooperativas”. 56 No atual Estado de Direito em que se encontra o País. do texto magno. o que tributar. cooperado. Ao eleger a igualdade como um dos valores supremos que devem viger no Brasil. especialmente na comunidade jurídica. a tarefa interpretativa deve naturalmente apoiar-se na hierarquização dos valores em jogo. em que o tema da constitucionalização do direito pátrio é vivo e candente.

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