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A LIBERDADE CRISTÃ (Gl 5.1-12).

INTRODUÇÃO

“Liberdade” é uma palavra que anda na


boca de todo mundo nos dias de hoje.
Há diferentes formas de liberdade, e
muitas e diferentes pessoas a advogam e
solicitam.
Temos o nacionalista africano que
obteve “Uhuru” para o seu país: liberdade
do governo colonial.
Temos o economista que crê no comércio
livre, na suspensão das tarifas.
Temos o capitalista que não gosta do
controle central porque impede o livre
empreendimento, e temos o comunista
que reivindica a libertação do
proletariado da exploração capitalista.

Temos as quatro famosas liberdades pela


primeira vez enunciadas pelo Presidente
Roosevelt, em 1941, quando ele falou de
“liberdade de falar em qualquer parte,
liberdade de prestar culto em qualquer
lugar, liberdade de miséria por toda
parte, e liberdade do medo em qualquer
lugar”.

O Evangelho: produz verdadeira


liberdade.
Portanto, que os gálatas permaneçam
firmes como Paulo, que se gloria na cruz
de Cristo
A. Para a liberdade foi que Cristo nos
libertou; portanto, permanecei livres.

Permanecei Firmes em Cristo

Paulo começou defendendo o evangelho e


o seu próprio apostolado (capítulos 1 e
2).
Então, ele ensinou que a justificação do
pecado vem pela fé no evangelho, e não
por guardar a lei de Moisés (capítulos 3
e 4).
Agora, tendo apresentado o argumento
que o cristão nasce à liberdade em Cristo
e não à escravidão (4:21-31), ele encerra
a carta com aplicações práticas da
liberdade cristã (capítulos 5 e 6).
SOTT diz: Uma vez nos ensinado que em
Cristo somos livres, agora somos (aqui es-
pecificamente os gálatas) exortados a
manter essa liberdade (v. 1) e a
entendê-la e aplicá-la corretamente (vv.
13ss).

Podemos dividir o capítulo 5 assim:

Liberdade em Cristo (5:1-12). Cristo


libertou esses discípulos do rigor da lei
mosaica, mas ainda corriam risco de
voltar à escravidão (5:1).
Paulo lhes avisou que, se eles se
submetessem à lei (especificamente à
circuncisão), não aproveitariam Cristo
(5:2).
Há dois motivos para isso.
Primeiro, a pessoa é justificada pela lei
somente se ela guardar “toda a lei” (5:3;
veja Tiago 2:10).
A circuncisão é o primeiro passo de uma
lei que precisaria ser guardada
inteiramente.
Segundo, procurando a justificação pela
lei nega a graça de Deus no sacrifício de
Cristo (5:4-5). Cristo derramou seu
sangue para a remissão dos pecados (veja
Mateus 26:28 e Hebreus 9:11-15).

Aqueles que procuram remissão dos


pecados através de obras da lei decaem
da graça (5:4).

Liberdade exige serviço (5:13-15).


Embora há liberdade, em Cristo, da lei de
Moisés, essa liberdade não quer dizer que
estamos sem lei (veja 1 Coríntios 9:20-21;
Tiago 1:22-25).
A vida do cristão é uma de serviço ao
Senhor e aos outros: a fé “atua pelo
amor” (5:6,13).
Esses irmãos foram divididos pelo
ensinamento falso no meio deles e
estavam atacando ao invés de servir um
ao outro (5:15).
No seu “zelo” pela lei, já estavam
negligenciando a lei em que esperavam a
salvação (5:14).

Andai no Espírito (5:16-26). O Espírito


e a carne são inimigos naturais (5:17).
Andando no Espírito excluirá,
naturalmente, andando na carne (5:16).
No contexto, andar no Espírito é a
mesma coisa de ser “guiados pelo
Espírito”. Não é alguma experiência
mística no Espírito Santo, e sim, o andar
claramente delineado em contraste com o
andar da carne.
Aqueles que continuam nas “obras da
carne” (5:19-21) não são guiados pelo
Espírito de Deus, e “não herdarão o reino
de Deus” (5:21).
Por outro lado, aqueles que cultivam “o
fruto do Espírito” (5:22-23) não recebem
nenhuma condenação pela lei; são
justificados (5:23).
O cristão cultiva fruto espiritual porque
ele se crucifica com Cristo e vive como um
ressurreto, no Espírito e não na carne
(5:24-25; veja Romanos 6:1-14;
Colossenses 2:11-12). Aquele que não
crucificou a si mesmo ainda faz as obras
da carne, tentando se exaltar por meios
carnais (5:26).

Que tipo de liberdade é a liberdade


cristã?

Antes de tudo ela implica libertação.


Esta libertação às vezes é concebida como
sendo um resgate da culpa e
do poder do pecado (Rm 6.18); e,
portanto,
de uma consciência acusadora (Hb
10.22),
da ira de Deus (Rm 5.1; cf. Hb 10.27) e
da tirania de Satanás (2Tm 2.26; cf. Hb
2.14).
O contexto indica que ele está
pensando particularmente em ser
liberto da “lei”, ou seja, em ser liberto
daquela maldição que a lei pronunciou
contra o pecador que esteve tentando
com extremo esforço - decerto sem
qualquer sucesso -, alcançar sua própria
justiça (G13.13,22-26; 4.1 -7),

É uma liberdade de consciência. De


acordo com o evangelho cristão, nenhum
homem é verdadeiramente livre até que
Jesus Cristo o liberte do seu sentimento
de culpa. E Paulo diz aos gálatas que eles
foram “chamados” para essa liberdade.

Liberdade é mais que libertação. É uma


doação positiva.
O que a lei não conseguiu realizar, Deus
conseguiu através de Cristo e seu Espírito
(Rm 8.3,4).
Positivamente falando, a liberdade, tal
como Paulo a concebe, é o estado em
que uma pessoa anda e vive no Espírito
(G1 5.25), de modo que produza o fruto
do Espírito (5.22,23) e com alegria e
gratidão faz a vontade de Deus (G1 5.14;
Rm 8.4), em princípio cumpre a lei de
Cristo (G1 6.2), mesmo “a lei da
liberdade” (Tg 1.25).
Esta liberdade é o mesmo que deleitar-
se na lei de Deus no mais íntimo de
nosso ser (Rm 7.22).

Quais são as implicações da liberdade


cristã?
Será que inclui liberdade de todo o tipo de
restrição e repressão?
Será que a liberdade cristã é uma outra
palavra para anarquia?
O próprio Paulo foi acusado de ensinar
isso, e foi uma zombaria comum que os
seus detratores usaram. Assim, tendo
afirmado que fomos chamados para a
liberdade, ele imediatamente explica o
que é a liberdade para a qual fomos
cha-mados, a fim de esclarecer falsas
interpretações e protegê-la de abuso
irresponsável.
Resumindo, é liberdade da terrível
servidão de buscar o merecimento do
favor de Deus; não é liberdade de todo o
controle.
A Liberdade Cristã Não É Liberdade
para Satisfazer a Carne (v. 13)

Porque vós, irmãos, fostes chamados à


liberdade; porém não useis da liberdade
para dar ocasião à carne.
“A carne”, na linguagem do apóstolo
Paulo, não é aquilo que reveste nosso
esqueleto, mas a nossa natureza
humana caída, que nós herdamos de
nossos pais e que eles herdaram dos
seus, e que foi distorcida pelo
egocentrismo e, portanto, inclina-se ao
pecado.
Não devemos usar a nossa liberdade
cristã para satisfazer e dar “ocasião” a
essa “carne”.
A palavra grega aqui traduzida por
“ocasião” (aphorme) era usada no
contexto militar referindo-se a um lugar
do qual se lança uma ofensiva, ou uma
base de operações. Portanto significa um
lugar vantajoso, e assim uma
oportunidade ou pretexto. Assim, a nossa
liberdade em Cristo não deve ser usada
como um pretexto para a auto-
indulgência.

A liberdade cristã é liberdade do


pecado, não liberdade para pecar. É
uma liberdade irrestrita para aproximar-
se de Deus como seus filhos, não uma
liberdade irrestrita para chafurdar em
nosso egoísmo. A Bí-blia na Linguagem
de Hoje diz: “Porém vocês, irmãos, foram
chama-dos para serem livres. Mas não
deixem que essa liberdade se torne uma
desculpa para se deixarem dominar pelos
desejos humanos.”
Na verdade, essa “liberdade”, uma
licenciosidade desenfreada, não é
liberdade alguma; é outra forma mais
terrível de servidão, uma escravidão aos
desejos de nossa natureza caída. Jesus
disse aos judeus: “Todo o que comete
pecado é escravo do pecado” (Jo 8:34). E
Paulo nos descreve em nossa condição
antes da conversão como sendo “escravos
de toda a sorte de paixões e prazeres” (Tt
3:3).
A liberdade cristã é muito diferente.
Longe de serem livres para satisfazer a
carne, os cristãos “crucificaram a carne,
com as suas pai­xões e concupiscências”
(versículo 24). Isto é, repudiamos
totalmente as reivindicações de nossa
natureza inferior para nos governar. Em
uma imagem viva que Paulo empresta de
Jesus, ele diz que nós a “crucificamos”,
que a pregamos na cruz. Agora
procuramos viver no Espírito, recebendo
a promessa de que, se o fizermos, jamais
satisfaremos a concupiscência da carne
(versículo 16). Pelo contrário, o Espírito
Santo vai produzir o seu fruto em nossas
vidas, culminando com o domí-nio
próprio (versículo 23).

Liberdade Cristã Não É Liberdade para


Explorar Meu Próximo (vs. 13b, 15)

O versículo 13 termina assim: sede,


antes, servos uns dos outros, pelo
amor. A liberdade cristã não é liberdade
para fazer a minha vontade sem respeitar
o bem-estar do meu próximo, nem
tampouco fazer a mi-nha vontade para
satisfazer a minha carne. É liberdade
para me aproximar de Deus sem medo,
não liberdade para explorar o meu
próximo sem amor.

Na verdade, longe de ter liberdade para


ignorar, negligenciar ou abusar do nosso
próximo, recebemos ordem para amá-lo
e, através do amor, servi-lo. Não podemos
usá-lo como se fosse uma coisa para nos
servir; temos de respeitá-lo como pessoa
e nos dedicar a servi-lo.
Através do amor temos de nos tornar
“escravos” (a palavra grega é douleueté)
uns dos outros, “não um senhor com uma
porção de escravos, mas sendo cada um
um pobre escravo com uma porção de
senhores”, sacrificando o nosso bem pelo
bem dos outros, e não o bem deles pelo
nosso. A liberdade cristã é serviço, não
egoísmo.
É um paradoxo notável, pois, de um
determinado ponto de vista, a liberdade
cristã é uma forma de escravidão: não
escravidão para com a nossa carne, mas
para com o nosso próximo. Somos livres
em nosso relacionamento com Deus, mas
escravos em nosso relacionamento com
os outros.

Esse é o significado do amor. Se nos


amamos uns aos outros, servimo-nos uns
aos outros; e, se nos servimos uns aos
outros, não nos “mordemos” nem nos
“devoramos” uns aos outros (versículo 15)
com palavras ou atos maliciosos.

Morder e devorar são atos destrutivos,


“uma conduta mais apropriada a animais
selvagens do que a irmãos em Cristo”, ao
passo que o amor é construtivo: ele serve.
E Paulo prossegue mais adiante
(versículo 22) descrevendo alguns dos
sinais do amor, a saber, “longanimidade”,
“benignidade”, “bondade” e “fidelidade”.
O amor é paciente para com aqueles que
nos irritam e provocam. O amor tem bons
pensamentos e atitudes boas. O amor é
leal, digno de confiança, fidedigno,
confiável. Além disso, se nos amamos
uns aos outros, “levamos as cargas uns
dos outros” (6:2), pois o amor nunca é
cobiçoso nem ganancioso. É sempre
expansivo, nunca posses-sivo. Na
verdade, amar uma pessoa não é possuí-
la para mim, mas servi-la para ela
mesma.

A Liberdade Cristã Não É Liberdade


para Ignorar a Lei (v. 14)

Porque toda a lei se cumpre em um só


preceito, a saber: Amarás o teu próximo
como a ti mesmo. Devemos prestar muita
atenção ao que o apóstolo escreve aqui.
Ele não diz, como alguns dos “novos
moralistas”, que se nos amamos uns aos
outros podemos impunemente
trans-gredir a lei no interesse do amor;
pelo contrário, diz que se nos ama-mos
uns aos outros devemos cumprir a lei,
pois a lei se resume toda neste
mandamento: “Amarás o teu próximo
como a ti mesmo.”
Qual é o relacionamento do cristão com a
lei? A chamada “nova moralidade” insiste
nessa pergunta com certa urgência. É
realmente verdade que Paulo nos diz que,
se somos cristãos, fomos libertados da lei;
não estamos mais debaixo da lei e não
devemos nos submeter novamente ao
“jugo da escravidão”, que é a lei
(versículo 1).
Mas devemos nos esforçar para captar o
significado dessas expressões.
Essa liberdade cristã que nos libertou da
lei, a qual ele enfatiza, trata do nosso
relacionamento com Deus.
Significa que a nossa aceitação não
depende de nossa obediência às
exigências da lei, mas da fé em Jesus
Cristo, que assumiu a maldição da lei
quando morreu. Certamente não significa
que estamos livres para ignorar a lei ou
desobedecê-la.
Pelo contrário, embora não possamos ser
aceitos por guardar a lei, depois que
somos aceitos continuamos guardando a
lei por causa do amor que temos a Deus,
que nos aceitou e nos deu o seu Espírito
para nos capacitar a guardá-la.
Na terminologia do Novo Testamento,
embora a nossa justificação não dependa
da lei mas de Cristo crucifica-do, a nossa
santificação consiste no cumprimento
da lei. Cf. Romanos 8:3,4.

Além disso, se nos amamos uns aos


outros como também a Deus, acabamos
obedecendo à sua lei, pois toda a lei de
Deus (pelo menos a segunda tábua da lei,
que trata de nossos deveres para com o
nosso próximo) se cumpre neste único
ponto: “Amarás o teu próximo como a ti
mesmo”; e o homicídio, o adultério, o
roubo, a cobiça e o falso testemunho são
todos infrações dessa lei do amor. Paulo
diz amesma coisa em 6:2: “Levai as
cargas uns dos outros, e assim
cumprireis a lei de Cristo.”
Conclusão

Este parágrafo fala de maneira relevante


sobre a situação contempo-rânea do
mundo e da igreja, especialmente no que
se refere à moderna “nova moralidade” e
à moderna rejeição da autoridade. Diz
respeito ao relacionamento entre a
liberdade, a licenciosidade, a lei e o amor.

Logo no começo ele nos diz que somos


“chamados à liberdade”, liberdade essa
que é paz com Deus, purificação de
nossa consciência culpada através da
fé em Cristo crucificado, a inefável
alegria do per-dão, da aceitação, o acesso
à filiação, a experiência da misericórdia
sem méritos.

Não é liberdade para satisfazer a carne,


mas para controlar a carne; não é
liberdade par explorar o próximo, mas
para servi-lo; não é liberdade para ignorar
a lei, mas para cumpri-la.
Todos os que foram realmente libertados
por Jesus Cristo expressam sua
liber-dade dessas três maneiras: primeiro
no domínio próprio, depois no amor e no
serviço ao próximo e, em terceiro lugar,
na obediência à lei do seu Deus.

Essa é a liberdade com a qual “Cristo nos


libertou” (versículo 1) e para a qual fomos
“chamados” (versículo 13). Devemos
permanecer firmes nela, sem recair na
escravidão, de um lado, ou na
licenciosida-de, de outro.
O Senhor não se contenta apenas com
nossos lábios, mas quer nosso coração e
toda a nossa confiança. “Dá-me, filho
meu, o teu coração, e os teus olhos se
agradam dos meus caminhos” (Pv 23.26).

4. A circuncisão e o cristianismo.

O Dr. William Barclay (professor da


Universidade de Glasgow, Escócia) nos
oferece um bom exemplo para ilustrar o
ensino sobre a circuncisão. Ele diz que:
se alguém se submete a cumprir alguns
requisitos para adquirir a cidadania de
um país, significa estar ele disposto a
aceitar a demais leis daquele país. O que
Paulo está dizendo é, que se alguém se
submete à circuncisão, ou algum
requisito da lei como meio de salvação,
obrigatoriamente está assumindo o
compromisso de observar toda lei. Quem
pratica tal coisa já tem caído da fé, e a
morte de Jesus não significa nada para
tal pessoa: “De Cristo vos desligastes, vós
que procurais justificar-vos na lei; da
graça decaístes”.

IV. A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO

“Foi alguém chamado, estando


circunciso? Não desfaça a circuncisão.
Foi alguém chamado, estando
incircunciso? Não se faça circuncidar. A
circuncisão, em si, não é nada; a
incircuncisão também nada é, mas o que
vale é guardar as ordenanças de Deus”
(1ª Co 7.18-19).

O que seria importante para um cristão


que deseja ter uma vida intima com Deus.
Cumprir as regras humanas e
secundárias? Não. A circuncisão nada é.
O ato exterior não serve para santificar,
pois é uma satisfação da carne. Mas
guardar as ordenanças (ensinos e
princípios) de Deus no coração, leva o
homem ter uma comunhão intima com o
Senhor.

[...] Alguns dos judeus crentes, havendo


interpretado a lei para afirmar que a
circuncisão era necessária para a
salvação, começaram a dar demais
importância a este ato simbólico. Da
mesma maneira, hoje necessitamos ser
cuidadoso para não permitir que rituais e
cerimônias passem a ter valor como
agente da salvação. Somente Cristo pode
nos dar a salvação [GIBBS P. 74].
1. Paulo tinha todas as credenciais para
se gloriar na lei:

a. Segundo a lei e seus direitos de


nascimento: “Bem que eu poderia confiar
também na carne. Se qualquer outro
pensa que pode confiar na carne, eu
ainda mais: Circuncidado ao oitavo dia,
da linhagem de Israel, da tribo de
Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à
lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor
da igreja; quanto à justiça que há na lei,
irrepreensível” (Fl 3.4-6).

b. Segundo a graça ao escolher Cristo:


“Mas o que, para mim, era lucro, isto
considerei perda por causa de Cristo.
Sim, deveras considero tudo como perda,
por causa da sublimidade do
conhecimento de Cristo Jesus, meu
Senhor; por amor do qual perdi todas as
coisas e as considero como refugo, para
ganhar a Cristo e ser achado nele, não
tendo justiça própria, que procede de lei,
senão a que é mediante a fé em Cristo, a
justiça que procede de Deus, baseada na
fé; para o conhecer, e o poder da sua
ressurreição, e a comunhão dos seus
sofrimentos, conformando-me com ele na
sua morte; para, de algum modo,
alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Não que eu o tenha já recebido ou tenha
já obtido a perfeição; mas prossigo para
conquistar aquilo para o que também fui
conquistado por Cristo Jesus” (Fl 3.7-12).

Á primeira vista parece que Paulo está se


gabando de suas realizações (vv. 4-6).
Mas, na verdade, ele está fazendo o
oposto quando mostra que as conquistas
humanas, por mais surpreendentes que
sejam não podem levar uma pessoa à
salvação e à vida eterna com Deus. Paulo
tinha credenciais impressionantes:
origem, nacionalidade, formação familiar,
herança, ortodoxia na religião, atividade
e moralidade. Entretanto, sua conversão
à fé em Cristo (At 9) não estava baseada
no que havia feito, mas na graça de
Jesus. Paulo não dependia de suas
próprias obras para agradar a Deus,
porque até as mais notáveis credenciais
estão longe de se comparar aos santos
padrões divinos. Será que você depende
de pais cristãos, filiação à igreja, tutores
para levar aos céus, ou apenas de ser
bom para tornar-se agradável a Deus.
Credenciais, realizações ou reputações,
não trazem a salvação como um
pagamento. A salvação vem pela fé
genuína em Cristo.

Paulo alega em seu discurso, que poderia


“confiar na carne”, pois gozava de títulos
e privilégios. Paulo não fez. Com isso ele
denuncia a fraqueza da lei. Para Paulo
Cristo é o fim da lei. Desta oposição
apresentada por Paulo, ele exorta a
comunidade a ser seus imitadores como
ele é de Cristo (Fl 3.17).

Quando Paulo fala de “o que para mim


era ganho” (v. 7), está se referindo à suas
credenciais, reputação e sucessos.
Depois de mostrar que poderia vencer os
judaizantes conforme as regras e padrões
deles (pois demonstravam orgulho de sua
identidade e realizações), Paulo mostrou
que estavam errados. Tenha cuidado ao
atribuir uma importância excessiva às
realizações do passado, pois elas podem
intervir em seu relacionamento com
Deus.

Depois que Paulo avaliou o que havia


conquistado em sua vida, disse que tudo
aquilo era “perda” (v. 8) quando
comparado à grandeza de conhecer a
Cristo. Essa é uma profunda declaração
a respeito de valores. Um relacionamento
de uma pessoa com Cristo é mais
importante do que qualquer outra coisa.
Será que você está colocando algumas
coisas acima de seu relacionamento com
Cristo? Será que você está agradando a
Cristo com tuas tradições?

Nenhuma medida de obediência à lei,


aperfeiçoamento próprio, disciplina ou
esforço religioso poderá nos tornar
agradáveis a Deus. A justiça vem somente
d’Ele.

Paulo está falando em uma renúncia de


valores, renúncia dos odres velhos e dos
remendos de panos novos em panos
velhos, isto é uma renúncia passada (v.
13), um alvo para o presente (v. 14) A
graça é o único valor para Paulo. O
homem não deve mais confiar e por sua
confiança no esforço humano, mas
unicamente no sacrifício de Cristo.

Para herdarmos as promessas de Deus


não devemos usar certos tipos de
sacrifícios, quer sejas da lei mosaica ou
humana. Paulo ao escrever aos Filipenses
é claro neste ponto, pois não é a
circuncisão literal, mas interior e
espiritual.

O primeiro erro doutrinário que se


infiltrou na igreja primitiva se chama
“legalismo”, que é tentar agradar a Deus
pela obediência a lei e as doutrinadas de
homens, para deste modo obter a
salvação.

“Tentando mostrar o erro de “confiar na


carne”, Paulo refere-se a sua própria vida.
Se fosse possível obter salvação através
do cumprir regras, Paulo certamente teria
sido bem sucedido. Deste modo, ele não
teria necessitado de Cristo. Enfatizando
sua linhagem impressionante, Paulo
afirma que ele era “irrepreensível” no que
concernia à justiça legalista (v. 6). Mas
Paulo chegou à importante conclusão que
ele era um pecador sem nenhuma
esperança de salvação, até ao momento
em que ele renunciou seus próprios
esforços para receber a justiça pela fé em
Cristo Jesus (v.7).

Está claro que Paulo no início de sua vida


teve somente um motivo para servir a
Deus: Egoísmo. Tudo que ele fazia era
para preencher um único propósito: o de
fazer a si mesmo aceitável aos olhos de
Deus. Ele estava preocupado somente
consigo próprio e em sua justiça a ponto
de consentir na morte de Estevão. Mas,
depois de passar anos lutando para se
fazer aceitável aos olhos de Deus através
de uma obediência egocêntrica, ele
desistiu de tudo em troca da justiça que
pode vir somente através de um
relacionamento com Cristo (v.8).

[...] Alguns dos crentes de Filipos, embora


salvos através da fé em Cristo, estavam
tentando manter sua salvação pelo
aperfeiçoamento de suas regras. Esta
falta de entendimento resultou numa
obediência a Deus baseado no medo, e
isso tirou o gozo deles no Senhor. Paulo
adiantou-se a explicar mais ainda que a
verdadeira perfeição era impossível até
para ele mesmo (v.12). Em Cristo o crente
já é aceitável aos olhos de Deus; ele não
tem que lutar para ser perfeito, de acordo
com o padrão dos homens para ganhar o
amor de Deus. É claro que Paulo não
estava encorajando os crentes a viverem
de maneira libertina. Ao contrário, ele os
encorajava a serem crentes maduros, a
viverem uma vida de obediência aos
desejos de Deus, motivados por um
profundo amor a Deus, não pelo medo de
perder a salvação [CARL B. GIBBS P. 51].

Por preocupação, Paulo revê as noções


básicas com estes crentes. A Bíblia é
nossa salvaguarda, tanto moral como
teologicamente falando. Quando a lemos
individualmente ou em público, ela nos
alerta para as correções que devem fazer
em nossos pensamentos, atitudes e
ações.

“Irmãos, sede imitadores meus e observai


os que andam segundo o modelo que
tendes em nós. Pois muitos andam entre
nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos
dizia e, agora, vos digo, até chorando, que
são inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3.17-
18).
Paulo nos mostra que aqueles que
confiam na salvação pelas suas obras,
tornam-se inimigos da Cruz de Cristo.

Os justos são justificados somente


através do sangue de Cristo; a lei é para
os transgressores citados no versículo 9 e
10, e Paulo acrescenta: “tudo quanto se
opõe à sã doutrina”.

1. A circuncisão de Cristo. “No qual


também estais circuncidados com a
circuncisão não feita por mão no despojo
do corpo da carne: a circuncisão de
Cristo. Sepultados com ele no batismo,
nele também ressuscitastes pela fé no
poder de Deus, que o ressuscitou dos
mortos. E quando vós estáveis mortos
nos pecados e na incircuncisão da vossa
carne, vos vivificou juntamente com ele,
perdoando-vos as ofensas. Havendo
riscado a cédula que era contra nós nas
suas ordenanças, a qual de alguma
maneira nos era contrária, e tirou do
meio de nós, cravando-a na cruz. E,
despojando os principados e as
potestades, publicamente os expôs ao
desprezo, triunfando deles na cruz. (Cl
2.11-15).

A circuncisão na carne era um rito que


tinha alto significado entre os judeus (Gn
17.10-12). A circuncisão física era um
sinal do Antigo Testamento, concernente
a uma aliança firmada entre Deus e o
homem (Rm 4.11-12). Como já vimos em
Atos dos Apóstolos, os convertidos ao
cristianismo eram pressionados pelo
legalismo judaico (At 15.10). Pedro teve
de enfrentar a oposição (At 11.2). Paulo
exortou-os dizendo: “No qual também
estais circuncidados com a circuncisão
não feita por mão no despojo do corpo da
carne: a circuncisão de Cristo” (v. 11).

A circuncisão de Cristo era (e é) espiritual


(Rm 2.28-29). A circuncisão de Cristo (v.
11) não é um sinal corpóreo no crente,
mas uma mudança de coração (Rm 2.28-
29; Gl 6.15). Uma nova vida em Cristo, ou
seja, o novo nascimento.

V. CARACTERISTICA DA RELIGIÃO
CRISTÃ

1. A diferença entre a religião verdadeira


e a religião falsa.

Nem a circuncisão nem a incircuncisão


podem melhor a situação do cristão. A
ênfase em Gálatas é o relacionamento
pessoal com Cristo e não com a lei. A
dinâmica da fé cristã se baseia no amor a
Cristo e não na obediência à lei ou a
qualquer sistema de regras. Quem se
dirige cegamente ao sistema legalista faz
a sua religião o seu Deus. Disse Thomas
Erskine: “Aquele que fazem de sua
religião o seu Deus não terão Deus para
sua religião”.

A volta ao judaísmo é uma ruptura com


Cristo e a sua obra (5.4), sai-se da graça,
da misericórdia, da liberdade e da
justificação mediante a fé para uma
justificação adquirida mediante o
cumprimento de rituais segundo suas
própria justiças.

2. Vida cristã na direção do Espírito.

“Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a


esperança da justiça que provém da fé”
(Gl 5.5).

Aqui o apóstolo muda o pronome de vós


para vós. Dos que se deixam circuncidar
(os judaizantes) para o cristão autêntico.

Os legalistas vivem por meio da carne,


dependendo dela, mas nós vivemos por
meio do Espírito Santo.

VI. CARACTERISTICA DOS FALSOS


MESTRES

1. Corrida cristã.
“Vós corríeis bem; quem vos impediu de
continuardes a obedecer à verdade?” (Gl
5.7).

Paulo, então, cita o Espírito Santo,


representante de Cristo e Fiel
Testemunha de que Cristo morreu,
ressuscitou e deixou um legado:
esperança da justiça e fé (5.5). Fé e amor
são dois sentimentos de âmbito
espiritual. Para os cidadãos dos céus,
circuncisão e incircuncisão são aspectos
terrenos que Paulo não vai considerar
(5.6). A volta ao judaísmo seria um
grande impeditivo para o corredor da fé e
o apóstolo diz não ter parte nisso (5.7).
Sua fala era de total repúdio, apenas o
assunto circuncisão era suficiente para
levedar a massa do Pão Novo =
Cristianismo (5.9). O prejuízo que esses
galacionistas causaram ao ensino do
apóstolo. Esses baderneiros estariam nas
mãos de Deus que julgaria a todos (5.10).
Se querem a circuncisão que para nada
serve, Paulo recomenda que haja a
mutilação (5.12).

“Vós corríeis bem; quem vos impediu de


continuardes a obedecer à verdade? Esta
persuasão não vem daquele que vos
chama” (Gl 5.7-8).

Só existe uma verdade, a verdade está na


palavra que não está algemada. Você
quer conhecer a verdade? Veja na Bíblia.
Os mistérios que estiverem ocultos, são
as insondáveis riquezas de Cristo. Mas é
claro que se eu me ponho a viver nas
obras dos sacrifícios eu vou anular toda
graça de Deus.

Então ele continua: “Esta persuasão não


vem daquele que vos chama”.

Paulo esta falando isto a quem? Aos


Gálatas, quer dizer que havia uma
persuasão. E Paulo começou a perceber:
Mas, vocês estavam correndo bem, quem
vos impediu? Esta persuasão não vem
daquele que vos chama. Paulo diz vocês
são selos do meu Apostolado, vocês são
gentios, há uma verdade, há um
evangelho, vocês têm que viver a graça de
Deus, mas tem alguém persuadindo
vocês para outra coisa.

Esta persuasão não vem daquele que vos


chama! Deus lhe chamou para viver a
verdade, você está aqui para viver a
verdade, você não vai ser nunca mais
enganado na vida! A graça de Deus está
no seu coração! Um pouco de fermento
leveda toda massa, então, isso se chama
rebelião contra Deus e rebelião é pior que
feitiçaria, a pessoa que se mete nas obras
da lei que Cristo nos resgatou de lá, mas
os altares jogam para a vida das pessoas.
Fazer isto, é desprezar a obra de Cristo é
anular o que Ele fez na cruz. “De Cristo
vos desligastes, vós que procurais
justificar-vos na lei; da graça decaístes”
(Gl 5.4).

2. Os falsos mestres.
Os Gálatas estavam indo muito bem na
sua corrida espiritual, mas alguém
persuadiu e impediu essa caminhada;
foram os falsos mestres. Paulo está
deixando claro que os ensinos destes
judaizantes vinham de fontes estranhas,
não de Deus: “a persuasão não vem
daquele que vos chamou” (v.8). Está
persuasão impediu os Gálatas de
obedecerem à verdade (v.7).

Basta um pouco de fermento para levedar


toda massa. A heresia se alastra de
maneira assustadora. Eles estavam
levando o povo ao desviou doutrinário.
Por isso que o apóstolo amaldiçoou (Gl
1.8-9).

“Confio de vós, no Senhor, que não


alimentareis nenhum outro sentimento;
mas aquele que vos perturba, seja ele
quem for, sofrerá a condenação” (Gl
5.10).

3. O Fim da Lei é o Amor – 5.13-15.


“Porque vós, irmãos, fostes chamados à
liberdade; porém não useis da liberdade
para dar ocasião à carne; sede, antes,
servos uns dos outros, pelo amor. Porque
toda a lei se cumpre em um só preceito, a
saber: Amarás o teu próximo como a ti
mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e
devorais uns aos outros, vede que não
sejais mutuamente destruídos” (Gl 5.13-
15).

“No original grego eleuyeria eleutheria, a


verdadeira liberdade consiste em viver
como devemos, não como queremos.

A “chamada” está associada com


eleutheria, a “liberdade” (Gl 5.13).
Responder à chamada de Deus é achar,
não a escravidão, mas a libertação. O
homem que responde ao convite de Deus
é liberto do próprio eu, do pecado, e de
Satanás.

A discórdia que havia na igreja estava


acirrada e as palavras MORDER e
DEVORAR não foram usadas por acaso,
representavam grande confusão (5.15). O
amor é mencionado como o único meio de
acabar com facções e findar a
preocupação com o cumprimento da lei.
Cristo excedeu a lei ao amar a
humanidade. Com esse exemplo, quem
ama está desobrigado de cumprir a lei
(5.14). Lei significa prisão, Amor significa
exceder a lei e ampliar o acesso à
liberdade em Cristo Jesus (5.13).

[...] A questão da liberdade cristã é muito


relevante para nós hoje. A religião cristã
pode ser comparada a uma ponte estreita
que atravessa um lago onde duas
correntes poluídas deságuam. Uma é
chamada “legalismo” e a outra,
“libertinagem”. O crente não deve perder
seu equilíbrio, caindo da ponte e
mergulhar no erro das regras e
regulamentos anti-bíblicos, ou, por outro
lado, nos vícios grosseiros do paganismo.
Deve trilhar o caminho seguro e estreito.
Paulo sustenta que o cristão é chamado
para a liberdade (Gl 5.13), porém sem
abusar da liberdade que Cristo nos deu
para dar ocasião a carne. Até mesmo
hoje, quantas vezes acontecem que más
práticas, tais como freqüência a lugares
de diversão mundana, vícios de
tabagismo, droga, bebedeira, literatura
pornográfica, novelas indecentes, a
sensualidade, programas e filmes imorais
no cinema ou na Tv, são tidos como parte
da liberdade cristã. E isto é abusar da
liberdade que Cristo nos deu. (Epistolas
Paulinas I – EETAD).

Pr. Elias Ribas