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Direito Constitucional | Material Complementar

Professor Cristiano Lopes

Aplicabilidade das Normas Constitucionais

Existem diversas classificações das normas constitucionais quanto à eficácia e à aplicabilidade. No Brasil, a
mais conhecida, e também utilizada pelo Supremo Tribunal Federal, é a seguinte classificação elaborada por José
Afonso da Silva:
a) normas constitucionais de eficácia plena,
b) normas constitucionais de eficácia contida e
c) normas constitucionais de eficácia limitada.

São auto-aplicáveis (não


dependem de lei) e não
Normas Constitucionais de podem se reduzidas. Ex.:
eficácia plena CRFB/88, art. 2°.

São auto-aplicáveis e podem


APLICABILIDADE DAS Normas Constitucionais de ter sua eficácia reduzida pelo
NORMAS CONSTITUCIONAIS eficácia contida legislador infraconstitucional.
Ex.: OAB; CRFB/88, art. 37, I.

Não são auto-aplicáveis,


dependendo de ato
Normas Constitucionais de
infraconstitucional posterior
eficácia limitada
para inteira aplicabilidade. Ex.:
CRFB/88, art. 224.

a) Normas constitucionais de eficácia plena


A normas constitucionais de eficácia plena são aquelas que preenchem todos os requisitos necessários para
que surtam eficácia total. Estas normas têm aplicabilidade imediata, pois estão aptas a produzir efeitos
imediatamente, com a simples promulgação da Constituição; direta, pois não dependendo de norma
infraconstitucional regulamentadora para produção de seus efeitos e integral, porque já produzem seus integrais
efeitos, sem sofrer quais restrições ou limitações. Por exemplo, os arts. 2º, 19, 20, 21, 22 e 69, todos da CRFB/88.
b) Normas constitucionais de eficácia contida
A normas constitucionais de eficácia contida são aquelas que, embora tenha eficácia imediata, podem ter
sua aplicabilidade reduzida ou restringida por uma norma infraconstitucional e/ou outros atos do Poder Público.
Trata-se de normas as quais o constituinte dotou de todos os elementos necessários à produção de efeitos
concretos, sem prejuízo, porém, de regras de contenção ou de reserva de lei restritiva que lhes restrinjam parte da
eficácia inicial.
Estas normas têm aplicabilidade imediata, pois estão aptas a produzir efeitos imediatamente, com a simples
promulgação da Constituição e direta, pois não dependendo de norma infraconstitucional regulamentadora para
produção de seus efeitos, mas, possivelmente, não-integral, por não produzem seus integrais efeitos, já que estão
sujeitas à restrições ou limitações. Por exemplo: o art. 5º, XIII, da Constituição assegura a liberdade de exercício “de
qualquer trabalho, ofício ou profissão”, desde que “atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.
c) Normas constitucionais de eficácia limitada
As normas constitucionais de eficácia limitada são normas que, por si sós, não reúnem as condições
suficientes para que sejam imediatamente exigíveis. Só produzem seus pleno efeitos depois da exigida
regulamentação, já que é imprescindível a edição, posterior, de lei ou de atos administrativos. Possuem eficácia
limitada, como o próprio nome diz, pois precisam da intermediação do legislador ou da Administração Pública.

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Todavia, como já decidiu o STF, “em linha de princípio e sempre que possível”, têm “a imediata eficácia negativa de
revogar as regras preexistentes que sejam contrárias”, pelo que também podem ser utilizadas como normas
interpretativas e como parâmetro para controlar a constitucionalidade de normas infraconstitucionais. Estas normas
têm aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses, apos
uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade.
As normas constitucionais de eficácia limitada e aplicabilidade mediata subdividem-se em: Normas
constitucionais de princípio institutivo e Normas de princípio programático. As normas constitucionais de princípio
institutivo (princípio orgânico ou organizativo) são normas pelas quais o legislador constituinte esquematiza a
estruturação e as atribuições de órgãos, entidades ou institutos, deixando para o legislador ordinário a tarefa de
traçar a disciplina mais detalhada a respeito. Exemplos: arts. 20, § 2º; 33; 88; 107; 131 e 224, da CRFB/88. Já as
normas de princípio programático são normas nas quais o constituinte se limita a traçar princípios e diretrizes de
atuação do Poder Público. Exemplos: arts. 3º; 7º, XX; 196 e 205, da CRFB/88.

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