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Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M.

Schmitt] 1
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 2

PAULO MARCOS SCHMITT

DIREITO
&
JUSTIÇA DESPORTIVA
Volume 1
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 3

Direito & Justiça Desportiva


[Volume 1] - Edição Eletrônica 2013
Copyright ©2013. Paulo Marcos Schmitt

Email: paulomschmitt@gmail.com
Todos os direitos reservados

Capa: Natasha Sostag Meruvia

Paulo Marcos Schmitt. “Direito & Justiça Desportiva.” iBooks.


Publicado na iBookstore em 17.04.2013. Disponível em: https://itunes.apple.com/br/
book/direito-justica-desportiva/id634251949?mt=11

Ao eterno mestre e saudoso amigo Marcílio Cesar Ramos Krieger. Aos meus queridos
irmãos e amigos que também se foram desta vida, Kelson Roberto Schmitt, e Ismar
Lombardi.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 4

SOBRE O AUTOR

PAULO MARCOS SCHMITT1


Membro Comissão Estudos Jurídicos – Ministério do Esporte – CNE

Procurador-Geral STJD do Futebol


Presidente STJD Judô

Assessor Jurídico da Confederação Brasileira de Basketball


Assessor Jurídico Confederação Brasileira de Ciclismo

Assessor Jurídico da Confederação Brasileira de Ginástica


Consultor da Confederação Brasileira de Handebol

Sócio-administrador da Práxis Consultoria

1 PAULO MARCOS SCHMITT


Autor do Ibook “Código Brasileiro de Justiça Desportiva. CBJD Notas e Legislação
Complementar. Publicado em 01/04/2013. iBookstore: https://itunes.apple.com/br/book/codigo-
brasileiro-justica/id628122074?mt=11; Autor da obra NOVO CÓDIGO BRASILEIRO DE
JUSTIÇA DESPORTIVA – Legislação Complementar e Notas Remissivas, ed. Quartier Latin,
São Paulo/Sp, 2010; Coordenador da obra LEGISLAÇÃO DE DIREITO DESPORTIVO
(material de apoio ao I Fórum Brasileiro de Direito Desportivo), ed. Quartier Latin, São Paulo/
Sp, 2008; Autor da obra CURSO DE JUSTIÇA DESPORTIVA, ed. Quartier Latin, São Paulo/Sp,
2007; Co-autor da obra CURSO DE DIREITO DESPORTIVO SISTÊMICO, ed. Quartier Latin,
São Paulo/Sp, 2007; Coordenador e autor da obra CÓDIGO BRASILEIRO DE JUSTIÇA
DESPORTIVA COMENTADO, ed. Quartier Latin, São Paulo/Sp, 2006; Co-autor do CÓDIGO
BRASILEIRO DE JUSTIÇA DESPORTIVA - COMENTÁRIOS E LEGISLAÇÃO, Ass.
Comunicação Social do Ministério do Esporte, Brasília/DF, 2004; Co-autor do livro
ENTENDENDO O PROJETO PELÉ - Londrina/Pr - ed.Lido, 1997; Co-autor do COJDD -
GOVERNO DO PARANÁ (Curitiba, 1993-2006); Co-autor do CÓDIGO DE JUSTIÇA
DESPORTIVA COMENTADO - Cascavel/Pr - 1996/1997 - ed.Unioeste; Co-autor de trabalhos e
consultorias internacionais no 3º. Congresso Latino-americano Esporte, Educação e Saúde no
Movimento Humano – Ichper-SD (publicado); Palestrante e autor de trabalhos publicados nos
19º, 21º, 23º e 25º Congresso Internacional de Educação Física - Fédération Internationale
d’Éducation Physique – FIEP, Foz do Iguaçu/Pr, e nos 1º a 7º Fórum Internacional do Esporte.
Autor do texto original do CNOJDD - Código Nacional de Organização da Justiça e Disciplina
Desportiva (Brasília, 2002); Co-autor da proposta do CBJD - MINISTÉRIO DO ESPORTE -
Resolução 01/2003 CNE; Co-autor da proposta de alterações do CBJD - Resolução 11/2006
CNE; Co-autor da proposta de alterações do CBJD - Resolução 29/2009 CNE; Autor de
inúmeros artigos e textos publicados em periódicos e em meio eletrônico na área do Direito
Desportivo; Ministrante de inúmeros cursos de extensão e pós-graduação em Direito
Desportivo; Organizador dos seguintes eventos: I FÓRUM NACIONAL DE LEGISLAÇÃO
DESPORTIVA (Curitiba, Dez/1996); II FÓRUM NACIONAL DE LEGISLAÇÃO DESPORTIVA
(Curitiba, Dez/1997); I CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO E JUSTIÇA DESPORTIVA
(Curitiba, Dez/2003); I CONGRESSO NACIONAL DE JUSTIÇA DESPORTIVA (Curitiba, Nov/
2005); II CONGRESSO NACIONAL DE JUSTIÇA DESPORTIVA (Florianópolis, Abr/2006); I
FÓRUM BRASILEIRO DE DIREITO DESPORTIVO (São Paulo, Set/2008); Autor dos softwares
- Sistema JOGOS para organização de competições, PRÍMAX - Sistema de Gestão da
Informação e Administração Desportiva e JUSTIÇA DESPORTIVA DIGITAL.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 5

I. REGIME JURÍDICO DESPORTIVO!....................10

Introdução!..............................................................10

Eficácia do Regime Desportivo!..............................11

II. O DIREITO DESPORTIVO!.................................17

III. PRINCÍPIOS DO DIREITO DESPORTIVO!........26

Conceito de princípios!...........................................26

A função dos princípios!..........................................27

Conflito de princípios!.............................................28

Princípios constitucionais!......................................31

Autonomia desportiva!............................................31

Destinação prioritária de recursos públicos!...........33

Tratamento diferenciado entre o desporto profissional e o não profissional! 35

Esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva!38

Princípios infraconstitucionais - Lei nº 9.615/98 (Lei Geral Sobre Desporto - Lei


Pelé)!.......................................................................52

Princípios infraconstitucionais - Lei nº 10.672/03!..54

Princípios infraconstitucionais - Lei nº 10.671/03 (Estatuto do Torcedor), Decreto


7984/2013 (Regulamenta Lei Pelé) e CBJD - Justiça Desportiva! 56

Legalidade!.............................................................56

Moralidade e Espírito Desportivo (fair play)!..........58

Publicidade!............................................................59

Impessoalidade!......................................................60

Oficialidade!............................................................61

Devido Processo Legal, Contraditório e Ampla Defesa! 61

Oralidade, Economia Processual e Celeridade!.....63

Motivação!...............................................................64

Independência!.......................................................65

Razoabilidade e Proporcionalidade!.......................66

Tipicidade Desportiva!.............................................67
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 6

Prevalência, Continuidade e Estabilidade das Competições (pro


competitione)!.........................................................68

IV. JUSTIÇA DESPORTIVA!....................................70

Conceito de Justiça Desportiva!.............................70

Natureza jurídica dos órgãos judicantes!................70

A Justiça Desportiva e seu feixe de atribuições!....74

Autonomia e independência da Justiça Desportiva!78

V. ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIA NA JUSTIÇA DESPORTIVA! 85

Códigos de Justiça Desportiva - aplicabilidade e abrangência! 85

A experiência do Paraná!........................................93

Jurisdição e territorialidade dos tribunais desportivos! 98

Estrutura dos Órgãos da Justiça Desportiva!.........98

Instâncias da Justiça Desportiva - Estrutura dos órgãos judicantes que


funcionam junto às Federações, Confederações e Ligas! 98

Estrutura das instâncias desportivas que funcionam junto ao Ministério do


Esporte - CNOJDD (CBJDE proposta)!................102

Estrutura dos tribunais desportivos que funcionam junto à Secretaria de de


Estado do Esporte - Governo do Paraná!.............104

Composição dos órgãos da Justiça Desportiva!...105

Competência dos órgãos e membros da Justiça Desportiva! 109

Competência das instâncias desportivas!.............109

Funções na Justiça Desportiva!............................112

Presidente e Vice-presidente dos órgãos judicantes!115

Auditores!..............................................................117

Procuradoria da Justiça Desportiva!.....................118

Defensores!..........................................................137

Secretaria!.............................................................140

Posse, mandato e antiguidade!.............................141

Vacância!...............................................................142

Incompatibilidade!.................................................144
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 7

Suspeição e impedimento!....................................145

Livre acesso!.........................................................149

VI. DECRETO 7.984/2013 - ORDEM E JUSTIÇA DESPORTIVA! 151

ANEXO I. CÓDIGOS DE JUSTIÇA DESPORTIVA!157

1. Código Brasileiro de Justiça Desportiva - CBJD! 157

2. Código Nacional de Organização da Justiça e Disciplina Desportiva -


CNOJDD!...............................................................278

3. Código de Organização da Justiça e Disciplina Desportiva – COJDD/


Pr!...........................................................................327

4. Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o Desporto Educacional


(minuta de proposta que tramita na Comissão de Estudos Jurídicos do
Ministério do Esporte) !........................................393

CÓDIGO DISCIPLINAR DE COMPETIÇÕES DO DESPORTO


EDUCACIONAL!...................................................405

ANEXO II. LEGISLAÇÃO BÁSICA COMPLEMENTAR! 435

1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL!.............................435

2. LEI No 9.615/98 (LEI GERAL SOBRE DESPORTO - LEI PELÉ)!446

3. LEI 10.671/2003 (ESTATUTO DO TORCEDOR)!508

4. DECRETO No 7.984/2013 (REGULAMENTA LEI PELÉ) ! 533

5. CBF RGC - REGULAMENTO GERAL DAS COMPETIÇÕES! 574

6. REGULAMENTO ANTIDOPING DA FIFA!........618

7. REGIMENTO INTERNO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


DESPORTIVA DO FUTEBOL!...............................691

8. REGIMENTO INTERNO DA PROCURADORIA DO STJD DO


FUTEBOL!..............................................................709

9. REGRAS DE FUTEBOL!...................................717

REFERÊNCIAS - NORMAS Nacionais e Internacionais! 818

NORMAS INTERNACIONAIS !.............................818

[TAS-CAS CÓDIGO] CÓDIGO E ESTATUTOS DO TRIBUNAL ARBITRAL DO


ESPORTE TAS-CAS!...........................................818

[DOPING - CMA] CÓDIGO MUNDIAL ANTIDOPING.! 818


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 8

[DOPING - AMA] AGÊNCIA MUNDIAL ANTIDOPING - WADA.


PROCEDIMENTOS E LISTA DE SUBSTÂNCIAS PROIBIDAS.! 818

[FUTEBOL] ESTATUTOS DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - FIFA.! 818

[FUTEBOL] CÓDIGO DISCIPLINAR DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL -


FIFA.!.....................................................................818

[FUTEBOL] CÓDIGO DE ÉTICA DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL -


FIFA.!.....................................................................818

[FUTEBOL] REGULAMENTO ANTIDOPING DA FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - FIFA.!....................................818

[FUTEBOL] REGULAMENTO DISCIPLINAR DA CONFEDERAÇÃO


SULAMERICANA - CONMEBOL.!........................818

[BASQUETEBOL] REGULAMENTO ANTIDOPING DA FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - FIBA.!....................................819

[BASQUETEBOL] ESTATUTOS DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL -


FIBA.!....................................................................819

[CICLISMO] REGULAMENTO ANTIDOPING DA UNIÃO CICLÍSTICA


INTERNACIONAL - UCI.!.....................................819

[CICLISMO] CÓDIGO DE ÉTICA DA UNIÃO CICLÍSTICA INTERNACIONAL -


UCI.!......................................................................819

[GINÁSTICA] REGRAS DE PRÁTICA DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL -


FIG.!......................................................................819

[GINÁSTICA] CÓDIGO ANTIDOPING E CÓDIGO DISCIPLINAR DA


FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - FIG.!...............819

[HANDEBOL] ESTATUTOS E REGRAS DE PRÁTICA FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - IHF.!......................................819

[HANDEBOL] REGULAMENTOS ANTIDOPING DA FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - IHF.!......................................819

[JUDÔ] ESTATUTOS DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - IJF! 820

[JUDÔ] REGRAS DE PRÁTICA - FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - IJF! 820

[VOLEIBOL] REGRAS DE PRÁTICA - FEDERAÇÃO INTERNACIONAL -


FIVB!.....................................................................820

[VOLEIBOL] REGULAMENTOS ANTIDOPING - FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - FIVB!....................................820

NORMAS NACIONAIS !........................................820


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 9

[DOPING] DECRETO Nº 6.653/2008 - Promulga a Convenção Internacional


contra o Doping nos Esportes, celebrada em Paris, em 19 de outubro de
2005.!....................................................................820

[LEGISLAÇÃO GERAL] PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.! 820

[COB] ESTATUTOS DO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO.!820

[MINISTÉRIO DO ESPORTE] LEGISLAÇÃO CNE.!820

[CBF] CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL. Estatutos, Regimentos


STJD, CBJD, e Regulamento Geral de Competições.! 821

REGRAS DE PRÁTICA!.......................................821

[BASQUETEBOL]!................................................821

[CICLISMO BMX]!.................................................821

[CICLISMO ESTRADA PISTA MTB]!....................821

[FUTEBOL]!..........................................................821

[GINÁSTICA]!........................................................821

[HANDEBOL]!.......................................................821

[JUDÔ]!.................................................................821

[VOLEI DE QUADRA]!..........................................822

[VOLEI DE PRAIA]!...............................................822

ENTIDADES - LINKS ÚTEIS!...............................822

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS !....................824


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 10

I. REGIME JURÍDICO DESPORTIVO

Introdução

A existência de uma disciplina autônoma na área jurídica está


condicionada a um conjunto sistematizado de princípios e normas,
identificadoras e próprias de uma realidade, distintas de demais
ramificações do Direito. O reconhecimento do Direito Desportivo passa,
portanto, pela formação de uma unidade sistemática de princípios,
conceitos e normas.

Álvaro Melo Filho revela a indiscutível peculiaridade do direito


aplicável ao desporto, ao asseverar que o “desporto é, sobretudo, e antes
de tudo, uma criatura da lei. Na verdade, não há nenhuma atividade
humana que congregue tanto o direito como o desporto: os códigos de
justiça desportiva, as regras de jogo, regulamentos de competições, as
leis de transferências de atletas, os estatutos e regimentos das entidades
desportivas, as regulamentações do doping, as normas de prevenção e
punição da violência associadas ao desporto, enfim, sem essa
normatização o desporto seria caótico e desordenado, à falta de uma
regulamentação e de regras para definir quem ganha e quem perde.”2

Geraldo Ataliba, citado por Celso Antônio Bandeira de Mello3,


assevera que “o caráter orgânico das realidades componentes do mundo
que nos cerca e o caráter lógico do pensamento humano conduzem o
homem a abordar as realidades que pretende estudar, sob critérios
unitários, de alta utilidade científica e conveniência pedagógica, em

2 Diretrizes para a nova legislação desportiva: Revista Brasileira de Direito Desportivo, IBDD e
editora da OAB/Sp, segundo semestre/2002.

3 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. São Paulo, 20ª Ed,
Malheiros, 2006, p.44.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 11

tentativa de reconhecimento coerente e harmônico da composição de


diversos elementos em um todo unitário, integrado em uma realidade
maior. A esta composição de elementos, sob perspectiva unitária, se
denomina sistema”.4 Nesse panorama sistêmico, que ora emprestamos do
Direito Administrativo, é que se pretende fundamentar a existência do
Direito Desportivo a partir de um determinado regime jurídico, o regime
jurídico desportivo.

A exata noção de sistema, no sentido pretendido (assim


como no regime administrativo), é descrita por Kant como “reunião
coordenada e lógica de princípios ou idéias relacionadas de modo que
abranjam um campo do conhecimento”.

A doutrina pouco tem considerado o estudo do Direito


Desportivo, como disciplina formada a partir de um regime jurídico
desportivo, concebendo o estudo dos seus diversos institutos e legislação,
através de postulados isolados. Portanto, o Direito Desportivo é
reconhecido insuficientemente pela existência de um apanhado de leis e
normas aplicáveis ao esporte.

Ademais, o Direito Desportivo consiste em uma disciplina


normativa singular consagrada por um regime jurídico desportivo e
delineada em função dos princípios basilares insculpidos no art. 217 da
Carta Magna e outros contemplados nas normas infraconstitucionais. O
importante é, justamente, a tradução desses princípios no referido
sistema que informa o Direito Desportivo.

Eficácia do Regime Desportivo

4 Geraldo Ataliba, Sistema Constitucional Tributário Brasileiro. São Paulo, Ed. RT, 1968, p.4.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 12

O Direito Desportivo deve ser concebido através de um


regime jurídico composto de princípios e normas harmônicas, inter-
relacionáveis, sobretudo no aspecto metodológico, técnico e científico.

Na perspectiva do regime desportivo, o arcabouço de


princípios informativo de normas que consideram as atividades
desportivas em suas diversas prerrogativas e manifestações, estabelece
meio eficaz de aglutinação dessas mesmas normas e princípios. Exclui-se,
assim, um plano de normas e princípios estanques, restritos a
determinado método de interpretação.

Demais disso, admitir que o Direito Desportivo estabelece


vínculo indissociável, por dependência, de qualquer área do Direito
(Constitucional, Administrativo, Civil ou Penal, por exemplo) é retirar-lhe a
autonomia. Embora haja o influxo de regras e princípios de outros ramos,
os regimes que regulam o objeto de cada matéria, apesar de
semelhantes, não são iguais.

Alberto Puga Barbosa afirma que “conhecer a legislação do


desporto, dominá-la, aplicá-la, é sem dúvida uma das formas edificantes
do ‘sonhado’ Direito Desportivo, seja como área, seja como
especialidade, seja como ramo do Direito! Foi-se o tempo, que se falar
em Direito Desportivo era receber o rótulo, a chancela de Direito
‘Emergente’ ... A sociedade quer profissionais competentes e exercício
profissional de qualidade ... e isto consolida e legitima o Direito
Desportivo e seus profissionais.”5

No regime desportivo, todos os princípios e seus derivados,


encerram conceitos cuja única e exclusiva premissa está centralizada no
alcance, genérico ou operacional de uma determinada finalidade –

5 A atuação do advogado na área de Direito Desportivo. Legislação Desportiva. Texto


integrante do material didático do I Congresso Nacional de Justiça Desportiva: Curitiba/Pr, 16 a
18/11 de 2005.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 13

privada, escoimada na autonomia constitucional conferida às entidades


diretivas quanto a sua organização e funcionamento, ou pública,
porquanto o desporto também se insere no binômio “prerrogativas da
Administração” e “direitos dos administrados”. É essa cadeia de princípios
que, linearmente composta no regime desportivo, visa assegurar a
proteção dos direitos e garantias de todas as pessoas físicas e jurídicas
direta ou indiretamente relacionadas com as atividades desportivas. Seja
na execução direta dos fins almejados pela sociedade esportiva
organizada, seja no tratamento dispensado pelas entidades desportivas
de finalidade lucrativa ou não nos procedimentos para o atendimento das
referidas finalidades.

Em síntese, somente no regime desportivo, tido como


sistema coeso e harmônico, os princípios conferem absoluta compreensão
e inteligência das normas de Direito Desportivo, sem potencial limitação
do processo interpretativo.

É forçoso, portanto, reconhecer o princípio da legalidade


como a viga mestra, o centro gravitacional, mandamento nuclear de
qualquer regime jurídico. Dele resultam princípios próprios que visam
orientar as ações das entidades públicas e privadas do desporto na
solução ideal dos anseios sociais. O agente, investido na função
desportiva, deve concentrar esforços em todas as suas atividades no
contexto político, social, técnico, jurídico e administrativo, em estrita
observância da ordem legal vigente.

Mesmo em se tratando de uma perspectiva essencialmente


positivista, ao jurista ou operador do direito não cabe questionar se a lei
é justa ou não para fundamentar a sua mera não observância. O próprio
Estado Democrático de Direito, pautado no sistema tripartite de poder,
estaria ameaçado se o juízo de valor do indivíduo pudesse alterar a
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 14

ordem jurídica e social. É sempre bom lembrar que, na prática há uma


grande distorção, pois tanto o particular quanto a própria Administração
sobrepõe interesses pessoais ou secundários ao cumprimento da lei. E
não é por falta de leis, nem por ausência de instrumentos para aplicá-las,
que as necessidades e aspirações sociais não se tornam realidade.

Na esteira desse raciocínio, conjuntamente com Alexandre


Hellender de Quadros6, observamos que a conceituação do Estado
Democrático de Direito depende de uma análise aprofundada do próprio
conceito de democracia, além de necessitar de uma visão crítica acerca
da posição política e histórica da evolução das relações entre a sociedade
civil e o Estado. Optamos, portanto, por uma noção.

O Estado de Direito só pode existir em base democrática.


Contrapõe-se de um lado com o Estado totalitário, no qual o Estado
centraliza todo o poder, aniquilando as forças das pessoas e da sociedade
civil e, de outro lado, está o anarquismo, em que não há Estado, portanto
não há também relações de direito entre indivíduos.

O Estado Democrático de Direito se complementa e se


correlaciona com a sociedade civil. Nesse sentido, constatou-se que, na
atualidade, o Estado não pode ser incumbido apenas de cuidar da ordem
interna e da segurança externa do país. Deve reconhecer a divisão de
poderes, acatar a ordem jurídica, e respeitar os direitos e liberdades
individuais. Vale dizer, deve ter por objetivo primordial a distribuição de
justiça. E não apenas a justiça, que corresponde a criar e aplicar as leis,
mas a justiça social. Assim, cumpre o Estado desenvolver o bem estar da
sociedade, através do implemento de atividades para suprir suas
necessidades.

6 Silva, João Bosco e Schmitt, Paulo M. Entenda o Projeto Pelé: ed. Lido, Londrina/Pr, 1997,
cit. p. 84.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 15

Mas quem define qual a prioridade do Estado no


desenvolvimento do bem estar social? É a consciência, a educação, a
cultura e a opinião do povo, exteriorizada teoricamente na legislação. E a
Lei Maior de um País é a sua Constituição. No Estado de Direito a
constituição estabelece e orienta a ação do Estado, cuja finalidade é
manter uma sociedade livre e justa.

No Brasil, o Constituinte de 1988 assegurou aos indivíduos


diversos direitos que foram alcançar ao patamar legislativo máximo.
Conclui-se, portanto, que o Estado Democrático de Direito não existem
apenas direitos e deveres para os indivíduos, mas também direitos e
deveres para o Estado, como a saúde, a educação, o trabalho, o esporte,
o lazer, as artes, a cultura.

No que se refere ao esporte, a Constituição Federal


estabelece textualmente que é dever do Estado fomentar práticas formais
e não formais, como direito de cada um. Ademais, o "Estado deverá
incentivar o lazer como forma de promoção social".

Outrossim, o Estado de Direito, formal, que elabora, executa


as leis e sanciona o seu cumprimento, não pode fazê-lo, na modernidade,
sem que a devida representação social – democracia. Assim, o anseio
social é quem determina e legitima o Estado. Não é correto, nos dias de
hoje, como querem alguns doutrinadores, definir o Estado Democrático
de Direito separando o Estado de Direito do Estado Democrático. Não são
estanques. Interagem e se comunicam, na medida em que mera
legalidade não é suficiente para alcançar os fins almejados pelo cidadão.
É necessário que a lei reflita a necessidade popular, e é nesse ponto que
predomina a moralidade.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 16

O grande desafio é aproximar a representatividade, seja pelo


voto ou qualquer outro meio, da vontade da população. E ainda mais,
determinar uma radical mudança de comportamento.

No esporte isso se torna mais latente. É evidente que o


clamor do povo volta-se para um esporte brasileiro moderno, competitivo,
soberano, acessível, democrático, sem privilégios, assumindo o risco de
sua atividade, próximo da sociedade, “espetacular” e sob uma gestão
administrativa profissional.

Nesse sentido, reconhecido pela constituição Federal como


alicerce para o desenvolvimento social e exercício da cidadania, o
ESPORTE sempre corre o risco de não refletir ou integrar o verdadeiro
Estado Democrático de Direito, notadamente em face das inovações
legislativas.

Assim, o esporte e lazer são colocados à disposição de cada


brasileiro, com amplas possibilidades de repercutir no processo de
desenvolvimento humano e no pleno exercício da cidadania, criando
condições para auxiliar na sustentação do Estado Democrático de Direito.

Despojado de qualquer lampejo de romanticismos, as


restrições ao cumprimento do princípio da legalidade não estão apenas
em medidas excepcionais e urgentes previstas em lei. Estão, sim,
disseminadas na inversão de valores e crise moral de nossas instituições.
A constatação da existência de um Direito Desportivo, calcado em um
regime sistêmico de elementos formadores de um todo, contribui de
sobremaneira para ampliar as condições de gerir o interesse à cura das
entidades desportivas.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 17

II. O DIREITO DESPORTIVO

A teor do valor metodológico do regime jurídico desportivo


(ou simplesmente regime desportivo), observamos a formação de um
sistema, cujos elementos e princípios guardam uma unidade lógica. Tal
premissa pretende enfocar a existência de uma disciplina autônoma de
direito sob a perspectiva de um todo inserido em um regime composto de
princípios peculiares às manifestações do desporto e toda a gama de
produtos e serviços postos à disposição da sociedade consumidora.
Embora os elementos-parte dessa organicidade encontrem-se, no mais
das vezes, dispersos, o conjunto de princípios peculiares guarda
identidade e finalidade comum, formando uma unidade - o regime
desportivo.

Destarte, o regime desportivo não está inserido isoladamente


no ordenamento de determinados institutos do Direito Desportivo. No
entanto, alguns de seus enunciados encontram-se disciplinados por um
determinado regime, a exemplo dos processos desportivos disciplinares,
relações advindas do desporto profissional, observância de normas
nacionais e internacionais aplicáveis a diversas modalidades esportivas,
recursos financeiros ao financiamento do desporto, relações de consumo,
etc.

Na tentativa de elucidar o tema, emprestamos o verbete


“gênero” que significa “a classe cuja extensão se divide em outras
classes, as quais, em relação à primeira, são chamadas espécies”. Assim,
o regime desportivo é o gênero e os regimes adotados em cada instituto
do Direito Desportivo são as espécies (sub-regimes). Obviamente que
para delinear o regime é preciso que o gênero constitua princípios
formadores das espécies, e estas guardem coesão e harmonia com
aquele.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 18

Em que pese o nível de abstração e elevadas considerações


teóricas, o regime jurídico desportivo ainda carece ser investigado
minuciosamente. O desafio está em inter-relacionar alguns de seus
elementos-parte, quais sejam: princípios gerais, princípios derivados ou
sub-princípios, leis, normas e procedimentos. Essa inter-relação,
formadora de um todo (o regime desportivo), propicia identificar o Direito
Desportivo distinguindo-o dos demais ramos do direito.

Importante frisar que um sistema, formado pela acepção de


totalidade, encontra sustentação em outras áreas do conhecimento
humano. As relações humanas regidas por normas jurídicas, formadoras
do Direito, são enriquecidas pela interpretação do saber existente em
diferentes campos de estudo como na Filosofia, Antropologia, Psicanálise,
entre outros. Para a superação do dualismo cartesiano, Merleau-Ponty
assinala que “O corpo não é mais um objeto. (...) sua unidade é sempre
implícita e confusa”7 . Com isso, nem mesmo o ser-humano, essência da
expressão e do comportamento, pode ser objeto de um estudo
fragmentado.

De fato, um regime-sistema de elementos em um todo


unitário, admite que leis esparsas, de difícil conhecimento, sejam
interpretadas com a exatidão requerida pelos seus destinatários. Sempre
através da visão panorâmica do direito a que pertencem – no caso o
Direito Desportivo.

Ainda, revela-se como contributo valioso à sistematização


normativa, conceitual e principiológica do Direito Desportivo alguns
elementos auxiliares de todo esse processo de transformação e
reconhecimento científico dos seus institutos, quais sejam:

7 Merleau-Ponty, Fenomenologia da Percepção, 1971.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 19

(i) doutrina aplicada produzida por juristas consagrados e


recorrentes na matéria, cujos ensinamentos impulsionam toda uma nova
plêiade de estudiosos e futuros doutrinadores;

(ii) reconhecimento legal da profissão de educação física,


encerrando a criação de Conselho Federal e Conselhos Regionais de
fiscalização da atividade;

(iii) espaços organizados em grupos de Direito Desportivo e


Justiça Desportiva em redes sociais;

(iv) criação de entidades, sociedades, associações e institutos


de direito desportivo, justiça desportiva e outras;

(v) edição de periódicos sobre o tema, com destaque para a


Revista Brasileira de Direito Desportivo do Instituto Brasileiro de Direito
Desportivo (IBDD);

(vi) proliferação de congressos, seminários, fóruns, cursos de


extensão, inclusão de disciplinas em cursos de graduação e cursos de
pós-graduação na matéria;

(vii) formação de uma base jurisprudencial sobre o assunto;

(viii) organização e funcionamento de instâncias da Justiça


Desportiva nas mais variadas modalidades; e,

(ix) o avanço tecnológico com a inclusão digital através de


técnicas de comunicação eletrônica, Internet e sítios especializados em
desporto e direito desportivo.

É preciso consignar novamente que a Justiça Desportiva


constitui elemento essencial ao reconhecimento do Direito Desportivo
como área ou mesmo disciplina autônoma.

Aliás, é a própria codificação desportiva que conceitua o


processo desportivo como o instrumento pelo qual os órgãos judicantes
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 20

aplicam o Direito Desportivo aos casos concretos. Nesse contexto, os


Códigos de Justiça Desportiva tanto contemplam a figura de um processo
(desportivo) dissociado dos tradicionais (civil, penal, administrativo,
dentre outros), como recepcionam expressamente a existência de um
regime jurídico próprio ao desporto.

E quanto ao ordenamento desportivo vigente, vale destacar


as seguintes normas em rol não exaustivo:

CF/88 - DESPORTO (Art. 217)

LEGISLAÇÃO FEDERAL - LEIS ORDINÁRIAS

• [TREINADOR DE FUTEBOL] LEI Nº 8.650/1993. Dispõe


sobre as relações de trabalho do Treinador Profissional de Futebol.

• [LEI GERAL SOBRE DESPORTO - LEI PELÉ] LEI Nº


9.615/1998 - Institui normas gerais sobre desporto e dá outras
providências.

• [EDUCAÇÃO FÍSICA] LEI Nº 9.696/1998 - Dispõe sobre


a regulamentação da Profissão de Educação Física.

• [ESTATUTO DO TORCEDOR] LEI Nº 10.671/2003 -


Dispõe sobre o Estatuto de Defesa do Torcedor e dá outras
providências.

• [BOLSA-ATLETA] LEI Nº 10.891/2004 - Institui a Bolsa-


Atleta.

• [TIMEMANIA] LEI Nº 11.345/2006 - Dispõe sobre a


instituição de concurso de prognóstico destinado ao desenvolvimento
da prática desportiva.

• [INCENTIVO FISCAL] LEI Nº 11.438/2006 - Dispõe


sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter
desportivo e dá outras providências.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 21

• [ATO OLÍMPICO] LEI Nº 12.035/2009. Institui o Ato


Olímpico, no âmbito da administração pública federal, com a
finalidade de assegurar garantias à candidatura da cidade do Rio de
Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

• [DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA - EVENTOS FIFA] LEI Nº


12.350/2010. Dispõe sobre medidas tributárias referentes à
realização, no Brasil, da Copa das Confederações Fifa 2013 e da
Copa do Mundo Fifa 2014.

• [AUTORIDADE PÚBLICA OLÍMPICA]. LEI Nº


12.396/2011. Ratifica o Protocolo de Intenções firmado entre a
União, o Estado do Rio de Janeiro e o Município do Rio de Janeiro,
com a finalidade de constituir consórcio público, denominado
Autoridade Pública Olímpica – APO.

• [LEI GERAL DA COPA] LEI Nº 12.663/2012 - Dispõe


sobre as medidas relativas à Copa das Confederações FIFA 2013, à
Copa do Mundo FIFA 2014 e à Jornada Mundial da Juventude - 2013,
que serão realizadas no Brasil.

LEGISLAÇÃO FEDERAL - DECRETOS-LEIS

• [CBDU] DECRETO-LEI Nº 3.617/ 1941. Estabelece as


bases de organização dos desportos universitários

LEGISLAÇÃO FEDERAL - DECRETOS

• [BOLSA-ATLETA - REGULAMENTO] DECRETO Nº


5.342/2005 - Regulamenta a Lei Nº 10.891, de 9 de julho de 2004,
que institui a Bolsa-Atleta.

• [INCENTIVO FISCAL - REGULAMENTO] DECRETO Nº


6.180/2007 - Regulamenta a Lei no 11.438 / 2006, que trata dos
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 22

incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter


desportivo.

• [ T I M E M A N I A - R E G U LA M E N TO ] D E C R E TO N º
6.187/2007 - Regulamenta a Lei no 11.345 / 2006, institui o
concurso de prognóstico denominado Timemania.

• [DOPING] DECRETO Nº 6.653/2008. Promulga a


Convenção Internacional contra o Doping nos Esportes, celebrada
em Paris, em 19 de outubro de 2005.

• [LAUDOS - REGULAMENTO] DECRETO Nº 6.795/2009.


Regulamenta o art. 23 do Estatuto do Torcedor, que dispõe sobre o
controle das condições de segurança dos estádios desportivos.

• [LEGADOS] DECRETO Nº 7.258/2010. Cria a Empresa


Brasileira de Legado Esportivo S.A. - BRASIL 2016

• [AUTORIDADE PÚBLICA OLÍMPICA - PROCEDIMENTOS]


DECRETO Nº 7.560/2011. Dispõe sobre os procedimentos a serem
observados pelos órgãos da Administração Pública federal quanto às
ações do Poder Executivo federal no âmbito da Autoridade Pública
Olímpica - APO.

• [LEI GERAL DA COPA - REGULAMENTO] DECRETO Nº


7.783/2012 - Regulamenta a Lei nº 12.663 / 2012, que dispõe sobre
as medidas relativas à Copa das Confederações FIFA 2013, à Copa
do Mundo FIFA 2014 e à Jornada Mundial da Juventude - 2013.

• [LEI PELÉ - REGULAMENTO] DECRETO Nº 7.984/2013 -


Regulamenta a Lei nº 9.615 / 1998, que institui normas gerais sobre
desporto.

NORMAS NACIONAIS COMPLEMENTARES


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 23

• [CÓDIGO BRASILEIRO DE JUSTIÇA DESPORTIVA -


CBJD] Resolução CNE nº 01/2003 (Alterada pelas Resoluções CNE
06/2006 e 29/2009).

• [EDUCAÇÃO FÍSICA - ESTATUTO] ESTATUTO DO


CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA - CONFEF

• [EDUCAÇÃO FÍSICA - CÓDIGO DE ÉTICA] RESOLUÇÃO


CONFEF nº 056/2003 - Dispõe sobre o Código de Ética dos
Profissionais de Educação Física registrados no Sistema CONFEF/
CREFs.

• [RGC CBF] REGULAMENTO GERAL DAS COMPETIÇÕES


DA CBF

• [LAUDOS] PORTARIA No 238/2010 DO MINISTÉRIO DO


ESPORTE. Consolida os requisitos mínimos a serem contemplados
nos laudos técnicos previstos no Decreto no 6.795/2009.

• [FIFA ANTIDOPING] REGULAMENTO ANTIDOPING DA


FIFA

REFERÊNCIAS - NORMAS Nacionais e Internacionais

NORMAS INTERNACIONAIS

• [TAS-CAS] ESTATUTOS E CÓDIGO - TRIBUNAL


ARBITRAL DO ESPORTE

• [DOPING - CMA] CÓDIGO MUNDIAL ANTIDOPING.

• [DOPING - AMA] AGÊNCIA MUNDIAL ANTIDOPING -


WADA. PROCEDIMENTOS E LISTA DE SUBSTÂNCIAS PROIBIDAS.

• [ F U T E B O L ] E S TAT U TO S D A F E D E R A Ç Ã O
INTERNACIONAL - FIFA.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 24

• [FUTEBOL] CÓDIGO DISCIPLINAR DA FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - FIFA.

• [FUTEBOL] CÓDIGO DE ÉTICA DA FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - FIFA.

• [FUTEBOL] REGULAMENTO ANTIDOPING DA


FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - FIFA.

• [FUTEBOL] REGULAMENTO DISCIPLINAR DA


CONFEDERAÇÃO SULAMERICANA - CONMEBOL.

• [BASQUETEBOL] REGULAMENTO ANTIDOPING DA


FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - FIBA.

• [ B A S Q U E T E B O L ] E S TAT U TO S D A F E D E R A Ç Ã O
INTERNACIONAL - FIBA.

• [CICLISMO] REGULAMENTO ANTIDOPING DA UNIÃO


CICLÍSTICA INTERNACIONAL - UCI.

• [CICLISMO] CÓDIGO DE ÉTICA DA UNIÃO CICLÍSTICA


INTERNACIONAL - UCI.

• [GINÁSTICA] REGRAS DE PRÁTICA DA FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - FIG. 833

• [GINÁSTICA] CÓDIGO ANTIDOPING E CÓDIGO


DISCIPLINAR DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - FIG.

• [HANDEBOL] ESTATUTOS E REGRAS DE PRÁTICA


FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - IHF.

• [HANDEBOL] REGULAMENTOS ANTIDOPING DA


FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - IHF.

• [JUDÔ] ESTATUTOS DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL -


IJF
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 25

• [JUDÔ] REGRAS DE PRÁTICA - FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - IJF

• [VOLEIBOL] REGRAS DE PRÁTICA - FEDERAÇÃO


INTERNACIONAL - FIVB

• [VOLEIBOL] REGULAMENTOS ANTIDOPING -


FEDERAÇÃO INTERNACIONAL - FIVB

NORMAS NACIONAIS

• [DOPING] DECRETO Nº 6.653/2008 - Promulga a


Convenção Internacional contra o Doping nos Esportes, celebrada
em Paris, em 19 de outubro de 2005.

• [ C O B ] E S TAT U T O S D O C O M I T Ê O L Í M P I C O
BRASILEIRO.

• [MINISTÉRIO DO ESPORTE] LEGISLAÇÃO CNE.

• [CBF] CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL.


Estatutos, Regimentos STJD, CBJD, e Regulamento Geral de
Competições.

• REGRAS DE PRÁTICA
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 26

III. PRINCÍPIOS DO DIREITO DESPORTIVO

Conceito de princípios

O Direito Desportivo, como por vezes salientado, diferencia-


se dos demais ramos do direito justamente porque está sob a égide de
um determinado regime jurídico, composto de um conjunto sistematizado
de princípios e normas, reunidos de forma coordenada e lógica,
formadores de um todo unitário – o “regime jurídico desportivo”.
Portanto, o conjunto de princípios peculiares desse regime constitui o seu
elemento essencial.

Princípios são proposições norteadoras de uma ciência. José


Afonso da Silva observa que “princípios são ordenações que irradiam e
imantam o sistema de normas”8 . Na perspectiva de um sistema
desportivo são os seus sustentáculos, alicerces, bases e fundamentos.
Constituem a fonte ou causa de uma ação, resultante de um processo de
pensamentos gerais e abstrações a partir do real vivido. É a própria
essência de cada indivíduo constituindo, segundo Japiassu e Marcondes,
"um preceito moral, norma de ação que determina a conduta humana e à
qual um indivíduo deve obedecer quaisquer que sejam as circunstâncias.
Duas condições são necessárias: uma, que sejam tão claros e evidentes
que o espírito humano não pode duvidar de sua validade; a outra, que
seja deles que dependa o conhecimento de outras coisas, de sorte que
possam ser conhecidos sem elas, mas não reciprocamente elas sem
eles".9

8 José Afonso da Silva. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo, Malheiros, 1999.

9 Citação de João Bosco da Silva e Paulo Marcos Schmitt in Entenda o Projeto Pelé. Londrina/
Pr, Ed. Lido, 1997, p.49.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 27

É forçoso reconhecer que doutrina, legislação e


jurisprudência, contemplam um número cada vez maior de princípios
aplicáveis ao desporto. Percebe-se que ao eleger um dado princípio
minimiza-se o processo apropriado de tomada de decisão. Assim, um ato
que esteja em desconformidade com um determinado princípio aplicável,
pode constituir o seu fundamento revogatório ou anulatório.

A função dos princípios

A importância do estudo dos princípios que orientam o


regime jurídico desportivo reside, além do reconhecimento de tratarem-
se de preceitos de obrigatória observância, principalmente em aclarar o
sentido das normas – o espírito das leis. Preconiza-se, todavia, aplicar
métodos de interpretação dos textos das leis sem, contudo, distanciar-se
do objetivo para as quais foram editadas.

Para que se aplique uma lei, ou para que se compreenda


com exatidão determinado diploma legal, é imprescindível que se
evidencie qual o objetivo almejado na sua fase de elaboração (princípio
da finalidade).

Assim, para se implementar de forma correta determinada


lei, é necessário que o ato de aplicação se encontre compatível com o
escopo por ela almejado, de forma que, para o correto cumprimento do
princípio da legalidade, é necessário a satisfação da finalidade legal.

E os princípios têm a função de auxiliar no processo


interpretativo das regras, permitindo o adequado preenchimento de suas
lacunas. As leis, normas e regulamentos em geral reconhecem, para a
solução de casos omissos, o uso da analogia, jurisprudência, costumes e
princípios gerais de direito. Entretanto, embora não expresso
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 28

formalmente pelo notório reconhecimento doutrinário e jurisprudencial


que possui, o uso dos princípios precede qualquer omissão contida na lei.
Vai além, os princípios informam a correta interpretação de todo a
aparelho legal.

Não basta conhecer a lei, faz-se necessário o seu estudo


conceitual e principiológico. Uma lei é editada com uma finalidade
específica. Distanciar-se desse fim – o espírito da lei (mens legis)–
significa incorrer em erro invencível de interpretação, qual seja, desprezar
os seus princípios, explícitos ou implícitos.

Nem sempre os princípios se acham transpostos literalmente


no texto das leis (explícitos). Há aqueles consagrados no mandamento
interno inseridos no sistema ou regime de determinada disciplina do
Direito (implícitos). Os princípios implícitos não podem ser alçados como
tal por mera conveniência doutrinária. Ao contrário, decorrem do
raciocínio lógico compreendido pela órbita do sistema, no caso, do regime
jurídico desportivo.

Os princípios implícitos são tão importantes quanto os


explícitos; constituem, como estes, verdadeiras normas jurídicas. Por isso,
desconhecê-los é tão grave quanto desconsiderar quaisquer outros
princípios10.

Conflito de princípios

Embora devam estar dispostos harmonicamente em um


sistema coeso de normas nem todos os princípios são aplicáveis
indistintamente de modo a informar, ao mesmo tempo, um conjunto de
normas. Essa aparente incompatibilidade de observância de um princípio

10 Carlos Ari Sunfeld, Fundamentos de Direito Público, 1998.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 29

em detrimento de outro, pode ser dirimida através dos estudos de Robert


Alexy, na Teoria de Los Derechos Fundamentales (Centro de Estudios
Constitucionales, Madrid, 1993). O referido autor estabelece que os
princípios diferenciam-se das regras, especialmente, quando estudados
sob o prisma do conflito ou colisão.

Regras conflitantes são normalmente solucionadas através de


uma cláusula de exceção prevista em uma delas. Caso contrário, se
inexistente uma condição de previsibilidade ou exceção, uma das regras
deve ser invalidada e eliminada do ordenamento jurídico para que a outra
possa ser aplicada. Assim, os critérios adotados de invalidação, podem se
dar através da importância das regras em conflito, anterioridade da regra
ou preponderância de regras especiais sobre regras gerais.

No caso dos princípios a solução não é tão simples. Não se


pode, por exemplo, invalidar um princípio em detrimento de outro,
retirando-lhe do ordenamento jurídico. O que está em jogo não é a
validade do princípio, como no caso das regras. Ao contrário, parte-se do
pressuposto de que os princípios somente se acham em conflito se forem
válidos ou consagrados no ordenamento sistêmico.

Como já dissemos princípios são alicerces e anulá-los ou


retirar-lhes a validade, significa enfraquecer ou desestruturar a base de
um sistema. Em verdade, um conflito de princípios aplicáveis a um
mesmo caso concreto, determina que um princípio deve ceder para que o
outro seja aposto.

Nesse sentido, Alexy formula o que denomina de ´ley de


colisión’, para dirimir o conflito de princípios. A lei sob análise utiliza uma
didática de equacionamento exemplificativo para aclarar a solução de
princípios conflitantes.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 30

No entanto, o postulado principiológico pode ser


compreendido a partir de premissas de precedência incondicionada ou de
precedência condicionada. Na primeira hipótese, um princípio precede a
outro por razões puramente abstratas, sem considerar as condições ou
circunstâncias do caso concreto. Na segunda, um princípio antecede o
outro, consideradas algumas condições dessa precedência. Para que se
adote a preferência de um princípio sobre o outro, tais condições
constituem um peso, quantificado segundo determinadas circunstâncias e
suas conseqüências jurídicas. Quanto maior a complexidade e valores
envolvidos no caso concreto, maior o plexo condicional. Nesses casos, o
critério de preferência de um princípio é, em tese, mais objetivo e
concreto.

De qualquer forma, os princípios imantam um sistema de


normas, de tal sorte que refletem valores sociais. Nesse sentido, a
aplicação de um dado princípio precedente a outro, independentemente
de condição, não pode preterir a finalidade para a qual determinada
norma foi editada.

Como dito anteriormente, encontramos inúmeros princípios


relacionados para o Direito Desportivo. No momento, importa apenas
elencá-los com a adequada fundamentação constitucional ou
infraconstitucional, doutrinária e jurisprudencial, sem contraditá-los ou
deferir-lhes uma disposição sistemática.

Isto porque, à medida que nos apropriamos do conhecimento


principiológico, depuramos o processo de interpretação das normas.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 31

Princípios constitucionais

Autonomia desportiva

A autonomia das entidades desportivas, prevista no art. 217


da CF/88, não pode ser interpretada como independência, muito menos
como soberania. A constitucionalização não teve o condão de ampliar o
seu alcance, nem afastá-las do controle administrativo ou jurisdicional
competentes, pois autonomia é autodeterminação dentro da lei, e toda
entidade privada dela usufrui. 11

A autonomia desportiva, interpretada isoladamente pode


ensejar o surgimento de preceitos perversos que preservem o interesse
exclusivo e protecionista das entidades de prática e de administração do
desporto (interesses secundários), em detrimento dos interesses técnicos,
de performance, de consumo, comerciais, institucionais e de todo o corpo
social (interesses primários).

É bem verdade que alguns doutrinadores defendem que


inexiste interesse público nas atividades desportivas. Contudo, a defesa
indiscriminada da “autonomia desportiva” vem historicamente
ocasionando graves distorções e inversão de valores, a saber:

(i) a falta de credibilidade dos espetáculos desportivos;

(ii) a (des)organização do desporto em seus diversos níveis e


de representação nacional e internacional;

(iii) a crise de moralidade e ética no desporto;

11 STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, MS - MANDADO DE SEGURANÇA – 3318,


Processo: 1994.00.03012-6 UF: DF, Orgão Julgador: PRIMEIRA SEÇÃO, Data da Decisão:
31/05/1994, Documento: STJ000068650, Fonte DJ DATA:15/08/1994, PÁGINA:20271, LEXSTJ
VOL.:00070, PÁGINA:42 RDA VOL.:00197 PÁGINA:236 RSTJ VOL.:00078 PÁGINA:39 Relator
ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 32

(iv) o tratamento desigual àqueles que se encontram em


uma mesma situação jurídica;

(v) a falta de regulação e normatização adequadas em torno


do que se denomina atualmente de "desporto de rendimento / desporto-
espetáculo / desporto-trabalho...".

Enfim, toda essa problematização decorre de uma balbúrdia


interpretativa descontextualizada, viciada, assistêmica e inconstitucional
do que se poderia denominar isoladamente de "autonomia desportiva".

Entretanto, tal conclusão não permite que se efetive uma


interpretação destoada de sentido técnico-jurídico que pretenda afastar o
reconhecimento de que o desporto é uma manifestação econômica de
interesse público e, como tal, exige a atuação estatal pela denominada
“intervenção mínima”. Bem destaca a versão preliminar do voto do Dep.
Gilmar Machado, relator do Projeto de Lei do Estatuto do Desporto:

“A autonomia, que neste caso é uma garantia da preservação de um


ambiente de liberdade de pensamento, não se exerce como se fosse
soberania. O campus, não é um estado à parte, no qual se deixa de
aplicar, por exemplo, a lei penal. E assim com as demais normas de
ordem pública. A universidade é autônoma, mas submete-se ao controle
de qualidade previsto pela lei estatal. O mesmo raciocínio aplica-se
mutatis mutandi ao desporto. Isto é, afasta-se a idéia de qualquer
intervenção do Estado, ou de regulação de normas esportivas no sentido
estrito – mas não de regulação segundo normas de ordem pública que
garantam a eficácia de princípios e regras constitucionais.”
Portanto, confundir regulação estatal sobre uma atividade
econômica de interesse público com intervenção antidemocrática é ir
contra princípios arraigados e insculpidos pela própria Constituição
Federal brasileira. Mais do que isso, o ferimento aos princípios
constitucionais está na atribuição de ampla liberdade a entes que
exploram esta atividade de interesse público.

Não obstante tais considerações, não se pode deixar de


registrar que as últimas modificações do ordenamento desportivo
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 33

avançaram o sinal, especialmente com a promulgação do Estatuto de


Defesa do Torcedor (Lei nº 10671/03) e Lei de Moralização do Futebol
(Lei nº 10672/03). Ao mesmo tempo em que havia pretensa regulação de
atividade econômica, incorria-se em flagrante violação da sobredita
autonomia constitucional, à medida que alguns preceptivos legais, como
um “rolo compressor” aos poderes internos das entidades, estabeleceram
regras de consumo contraditórias e insubsistentes com a finalidade de
equiparar o espectador de um evento esportivo com o cidadão comum
que adquire um eletrodoméstico qualquer. Nesse particular aspecto, o
debate merece ser aprofundado para reforma ou regulamentação da
legislação de regência, embora o STF já tenha declarado a
constitucionalidade do referido estatuto, ampliando inclusive o seu
alcance a todas as modalidades esportivas.12

É imperioso que a autonomia das entidades diretivas seja


exercida precipuamente interna corporis, ou seja, para preservar a
organização interna das entidades e suas normas, não se prestando a
justificar o descumprimento das leis ou a invasão de competência em
matérias reservadas à apreciação da Justiça Desportiva, por exemplo.

Destinação prioritária de recursos públicos

A receita pública é arrecadada basicamente via carga


tributária que compreende impostos, taxas e contribuições. Portanto, é
dinheiro do contribuinte colocado a disposição do Poder Público através
do aparelho estatal para o seu adequado gerenciamento e de acordo com
uma finalidade pública que alcance os anseios sociais.

12STF ADI 2937


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 34

Dessa forma, o princípio da destinação prioritária de recursos


ao desporto é uma opção político-legislativa que o constituinte preferiu
colocar em ordem de precedência o desporto educacional e, apenas em
casos específicos, a manifestação do desporto de rendimento. Saliente-se
que a prática da atividade física no ambiente escolar, mediante a
utilização de uma modalidade esportiva ou não, foi eleita como prioridade
ao dispêndio de recursos financeiros.

Sobre o tema, vale transcrever as recentes inovações trazidas


com o regulamento da Lei Pelé (Decreto 7984/2013):

Art. 3º  O desporto pode ser reconhecido nas seguintes manifestações:


I - desporto educacional ou esporte-educação, praticado na educação
básica e superior e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a
seletividade, a competitividade excessiva de seus praticantes, com a
finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua
formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer;
(...)
§ 1º O desporto educacional pode constituir-se em:
I - esporte educacional, ou esporte formação, com atividades em
estabelecimentos escolares e não escolares, referenciado em princípios
socioeducativos como inclusão, participação, cooperação, promoção à
saúde, co-educação e responsabilidade; e
II - esporte escolar, praticado pelos estudantes com talento esportivo no
ambiente escolar, visando à formação cidadã, referenciado nos princípios
do desenvolvimento esportivo e do desenvolvimento do espírito esportivo,
podendo contribuir para ampliar as potencialidades para a prática do
esporte de rendimento e promoção da saúde.
§ 2º O esporte escolar pode ser praticado em competições, eventos,
programas de formação, treinamento, complementação educacional,
integração cívica e cidadã, realizados por:
I - Confederação Brasileira de Desporto Escolar - CBDE, Confederação
Brasileira de Desporto Universitário - CBDU, ou entidades vinculadas, e
instituições públicas ou privadas que desenvolvem programas
educacionais; e
II - instituições de educação de qualquer nível. 
Por outro lado, a Carta Constitucional traçou uma linha
específica de financiamento do desporto de rendimento o fazendo através
de “casos específicos”, como a participação de selecionados nacionais em
competições internacionais ou competições internas, e treinamentos
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 35

preparatórios, bem assim a sediação e organização de eventos


internacionais.

A codinominada Lei Agnelo-Piva (art. 56 da Lei 9615/98) é


um exemplo dessa destinação prioritária e específica ao desporto, assim
como o contrato de desempenho previsto no art. 56-A da Lei 9615/98. E
sua regulamentação pelo Decreto 7.984/2013 também revela uma
preocupação com a observância de regras e obtenção de resultados e o
cumprimento de metas de desempenho.

Tratamento diferenciado entre o desporto profissional e o não


profissional

O princípio do tratamento diferenciado pretende separar o


desporto profissional do não profissional com o intuito de conferir normas
e procedimentos específicos a cada qual, porquanto distinta é a realidade
que anima cada uma de suas manifestações.

Vejamos alguns dispositivos constantes do recém publicado


Decreto 7.984/2013 que regulamenta a Lei Pelé, acerca da prática
desportiva profissional e não-profissional:

Art. 4º  O desporto de rendimento pode ser organizado e praticado:


I - de modo profissional, caracterizado pela remuneração pactuada em
contrato especial de trabalho desportivo entre o atleta e a entidade de
prática desportiva empregadora; e
II - de modo não profissional, identificado pela liberdade de prática e pela
inexistência de contrato especial de trabalho desportivo, sendo permitido o
recebimento de incentivos materiais e de patrocínio.
Parágrafo único. Consideram-se incentivos materiais, na forma disposta
no inciso II do caput, entre outros:
I - benefícios ou auxílios financeiros concedidos a atletas na forma de
bolsa de aprendizagem, prevista no § 4º do art. 29 da Lei nº 9.615, de
1998;
II - Bolsa-Atleta, prevista na Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 36

III - bolsa paga a atleta por meio de recursos dos incentivos previstos na
Lei nº 11.438, de 29 de dezembro de 2006, ressalvado o disposto em seu
art. 2º, § 2º; e
IV - benefícios ou auxílios financeiros similares previstos em  normas
editadas pelos demais entes federativos. 
CAPÍTULO IX
DA PRÁTICA DESPORTIVA PROFISSIONAL 
Seção I
Da Atividade Profissional 
Art. 42.  É facultado às entidades desportivas profissionais, inclusive às de
prática de futebol profissional, constituírem-se como sociedade
empresária, segundo um dos tipos regulados pelos arts. 1.039 a 1.092 da
Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil.  
Seção II
Da Competição Profissional 
Art. 43. Considera-se competição profissional aquela promovida para
obter renda e disputada por atletas profissionais cuja remuneração
decorra de contrato especial de trabalho desportivo.
Parágrafo único. Entende-se como renda a receita auferida pelas
entidades previstas no § 10 do art. 27 da Lei nº 9.615, de 1998, na
organização e realização de competição desportiva com a venda de
ingressos, patrocínio e negociação dos direitos audiovisuais do evento
desportivo, entre outros. 
Seção III
Do Atleta Profissional 
Art. 44.  A atividade do atleta profissional é caracterizada por remuneração
pactuada em contrato especial de trabalho desportivo, firmado com
entidade de prática desportiva, na forma da Lei nº 9.615, de 1998, e, de
forma complementar e no que for compatível, pelas das normas gerais da
legislação trabalhista e da seguridade social.
§ 1º O contrato especial de trabalho desportivo fixará as condições e os
valores para as hipóteses de aplicação da cláusula indenizatória
desportiva ou da cláusula compensatória desportiva, previstas no art. 28
da Lei nº 9.615, de 1998.
§ 2º O vínculo desportivo do atleta com a entidade de prática desportiva
previsto no § 5º do art. 28 da Lei nº 9.615, de 1998, não se confunde com
o vínculo empregatício e não é condição para a caracterização da
atividade de atleta profissional. 
O Código Brasileiro de Justiça Desportiva - CBJD, editado
originariamente através da Resolução nº 01/2003 do Conselho Nacional
do Esporte, atendendo ao prescritivo constitucional de observância ao
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 37

princípio da diferenciação previsto no art. 2º., VI da Lei 9615/98,


expressamente prevê tal diferenciação logo no art. 1º, em seu § 2º13 .

E na aplicação de medidas disciplinares pelo CBJD foram


recepcionadas as seguintes regras:

(i) inaplicabilidade de penas pecuniárias a atletas não

profissionais (art. 170, § 2º); e

(ii) redução pela metade quando a infração for cometida

por atleta não-profissional ou por entidade partícipe de competição


que congregue exclusivamente atletas não-profissionais (art. 182):

a. Se a diminuição da pena resultar em número

fracionado, aplicar-se-á o número inteiro imediatamente


inferior, mesmo se inferior à pena mínima prevista no
dispositivo infringido;

b. se o número fracionado for inferior a um, o

infrator sofrerá a pena de uma partida, prova ou equivalente;

c. a redução também se aplica a qualquer pessoa

natural que cometer infração relativa a competição que


congregue exclusivamente atletas não-profissionais, como,
entre outras, membros de comissão técnica, dirigentes e
árbitros;

d. o infrator não terá direito à redução a que se

refere este artigo quando reincidente e a infração for de


extrema gravidade.

13Art. 1º.
...
§ 2º Na aplicação do presente Código, será considerado o ao desporto de prática profissional e ao de
prática não-profissional, previsto no . (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 38

Vale lembrar que a prática desportiva profissional encerra


uma realidade absolutamente distinta do desporto praticado de forma a
não vincular seus praticantes à atividade laboral. E não é apenas esse
aspecto que deve ser enfocado (praticante), mas toda uma gama de bens
e serviços colocados à disposição da sociedade advindos do
profissionalismo. Em verdade não é o desporto (ou modalidade
desportiva) que pode ser considerado profissional ou não, mas o
praticante (atleta).

E como se viu, a teor da legislação de regência (arts. 3º., III


e 26 da Lei 9615/98 regulamentados pelos arts. 4º., 42, 43 e 44 do
Decreto 7984/2013 acima), atleta profissional é aquele que mantém
contrato especial de trabalho desportivo com entidade de prática (clube)
com a finalidade precípua de participar de competições profissionais que,
dentre outros aspectos, visam a obtenção de renda.

Esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva

A Carta Magna reconhece e qualifica a Justiça Desportiva


como um conjunto de instâncias que possui atribuições de dirimir os
conflitos de natureza desportiva e competência limitada ao processo e
julgamento de infrações disciplinares (definidas em códigos desportivos).
Ainda, a estrutura orgânica da Justiça Desportiva proposta pela Lei n.º
9.615, de 24 de março de 1998, foi destinada às entidades de
administração do desporto de cada sistema, sendo deferido à
Administração Pública reconhecer suas peculiaridades e estabelecer a
organização, o funcionamento e as atribuições da Justiça Desportiva
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 39

incidente sobre suas competições, respeitados os princípios gerais


insculpidos na legislação de regência.14

Em suma, o constituinte de 1988 definiu o amplo espectro de


benefícios trazidos pela instituição da Justiça Desportiva, cujos limites de
atuação encontram-se estabelecidos às ações relativas à disciplina e às
competições desportivas.

A Constituição Federal de 1988 foi ainda mais longe,


reconhecendo um limite formal de conhecimento dos litígios desportivos
perante o Poder Judiciário, vinculado ao esgotamento das instâncias da
Justiça Desportiva.

Desde uma abordagem imediata é possível alcançar a


importância atribuída pela Constituição Federal à Justiça Desportiva,
configurando-se em mais um movimento de solução alternativa de
controvérsias, evitando os custos e a demora de um processo judicial.

Na realidade, a Justiça Desportiva revela-se como meio ideal


para solução de conflitos estabelecidos no âmbito desportivo, pois
permite a solução rápida e devidamente fundamentada, a custos mínimos
e de maneira eficiente, respeitados os princípios inerentes ao devido
processo legal.

O problema na aplicação indiscriminada do princípio


insculpido no art. 217 da CF/88 reside que, em diversas oportunidades,
as entidades desportivas quando acionadas judicialmente, apresentam
como tese preliminar de defesa o que se denomina de incompetência do
Poder Judiciário em apreciar a causa face ausência de esgotamento da
instância desportiva.

14 QUADROS, Alexandre H. e SCHMITT, Paulo M. Excertos do Código Nacional de


Organização da Justiça e Disciplina Desportiva. Administração Pública Federal. Ministério do
Esporte e Turismo: Brasília/DF, 2002, pp.5-7.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 40

No entanto, existem argumentos suficientes para justificar


tanto a busca direta da tutela jurisdicional quanto a desnecessidade de
esgotamento da Justiça Desportiva. Tudo depende do objeto da demanda
em matéria desportiva. Exemplo disso é uma demanda judicial a respeito
de alteração estatutária realizada em desconformidade com o
ordenamento jurídico para as entidades de administração do desporto.
Na realidade, em situações como tais, não se adapta ao sistema
constitucional do Estado Democrático de Direito, a exigência de
esgotamento de uma instância privada. É inconcebível a estipulação de
requisito de admissibilidade que restrinja a ampla possibilidade de
dedução de pedido junto ao Poder Judiciário, em benefício de uma
entidade de cunho administrativo privado e em detrimento da segurança
jurídica necessária para o exercício da cidadania no Estado Democrático
de Direito.

“Embora tenham sido alargadas as perspectivas do Judiciário, ao nível


‘social’ e ‘político’, é no exercício de sua função jurídica que se manifesta
de forma mais aparente o seu Poder. Nela, consoante visto, encontra-se a
legitimação democrática. A função jurídica do Judiciário coincide,
fundamentalmente, com a função atual do juiz, porque este é, em última
análise, o órgão encarregado de seu exercício. Por sua vez, a atividade
jurisdicional desenvolve-se através do processo, em cumprimento do
princípio constitucional da inafastabilidade do controle jurisdicional e da
cláusula do ‘due process of law’ e da qual se irradiam outras,
‘disciplinando, com isso, o exercício do poder e oferecendo a todos a
garantia de que cada procedimento a ser realizado em concreto terá
conformidade com o modelo preestabelecido’ (Dinamarco).”15
Sobre o tema, assim decidiu o E. Superior Tribunal de
Justiça:

“CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DESPORTIVA -


NATUREZA JURÍDICA - INOCORRÊNCIA DE CONFLITO.

15 CICHOSKI NETO, José. O papel do poder judiciário no moderno estado democrático. Ver.
Jurisprudência brasileira – JB 161 – págs. 25/42.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 41

1. Tribunal de JUSTIÇA DESPORTIVA não se constitui em autoridade


administrativa e muito menos judiciária, não se enquadrando a hipótese
em estudo no art. 105, I, g, da CF/88. 2. Conflito não conhecido.” 16
O princípio do esgotamento das instâncias da Justiça
Desportiva aparentemente sofreria de patente inconstitucionalidade, em
face da previsão estabelecida no artigo 5º, XXXV, da Carta de 1988:

“COMPETÊNCIA. ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL – Ação


intentada por atleta profissional de futebol visando a compelir a
associação desportiva empregadora ao pagamento de ‘luvas’
compulsórias (15%) pela cessão definitiva do atestado liberatório (passe).
Inaplicabilidade do art. 29, da Lei 6354/76, no que condiciona o
exaurimento da via administrativa para ingresso em juízo, o que somente
se tornou admissível quanto “as ações relativas a disciplina e as
competições desportivas” com o advento da CF/88 (art. 217, parágrafo
1º.). Prevalência do direito constitucional da ação (art. 5º, inciso XXXV).
Competência da Justiça do Trabalho reconhecida sem o esgotamento de
recursos administrativos na esfera da Justiça Desportiva.”17
Portanto, inafastável a apreciação do Poder Judiciário quando
sua tutela é legitimamente provocada, a teor do princípio do direito de
ação (due process of law).

Todavia, para dirimir o conflito de princípios do devido


processo legal, acesso à Justiça e esgotamento de instância
administrativa ao desporto, a Constituição fixou plexo de competência em
razão da matéria.

16 STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Classe: CA - CONFLITO DE ATRIBUIÇÃO – 53


Processo: 1996.00.57234-8 UF: SP Orgão Julgador: SEGUNDA SEÇÃO Data da Decisão:
27/05/1998 Documento: STJ000220441 Fonte DJ DATA:03/08/1998 PÁGINA:66 Relator
WALDEMAR ZVEITER.

17 TRT-PR-RO 8.366/91 – Ac. 1ª T 421/93 – Rel. Juiz Oreste Dalazen – DJPr. 15/01/93. (Base
Juris).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 42

É importante ressaltar que o requisito de admissibilidade


constitucional levado a efeito pelo §1º do art. 217, diz respeito ‘as ações
relativas à disciplina e as competições desportivas’. 18

Exemplifica-se: uma lide de natureza tributária ou criminal


não merece análise da Justiça Desportiva como requisito para
conhecimento do Poder Judiciário. Da mesma forma, a uma ação ajuizada
sobre a legalidade de uma determinada alteração estatutária. Portanto,
inaplicável a restrição de esgotamento da instância desportiva sob este
fundamento, porque a organização, o funcionamento e as atribuições da
Justiça Desportiva estão limitadas ao processo e ao julgamento das
infrações disciplinares e às competições desportivas (art. 50 – Lei Federal
9615/98).

A doutrina é assente em afirmar que o esgotamento da


instância desportiva visa, de um lado, propiciar a análise de matéria
desportiva - estritamente descumprimento de normas relativas à
disciplina e às competições desportivas - por uma instância administrativa
especializada e, de outro, desafogar o Judiciário.

Excetuadas hipóteses de regras estatutárias específicas


prevendo cláusula arbitral nesse sentido, não se pode pretender que o
STJD ou TJD de qualquer entidade desportiva julgue-se competente para
processar e julgar toda e qualquer contenda entre federações,
confederações e seus filiados ou associados. Seria ampliar de tal modo a
sua competência, inviabilizando a organização e funcionamento da Justiça
Desportiva da entidade a qual se encontra vinculada, além de retirar a

18 “Constituição Federal de 1988


Art. 217 – É dever do estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito
de cada um, observados:
...
§1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e a competições desportivas
após esgotarem-se as instâncias da Justiça Desportiva, regulada em lei.”
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 43

competência dos tribunais das federações estaduais e o direito


constitucional de ação das pessoas físicas e jurídicas quando a matéria
não versasse sobre competições e disciplina.

A real intenção da norma desportiva pretende tão somente


assegurar a continuidade das atividades no ambiente desportivo,
essencialmente em razão de que um litígio incidente em um torneio ou
campeonato, por descumprimento de normas ou prática de infrações
disciplinares, impetrado diretamente no Poder Judiciário, poderia paralisar
as atividades de interesse da comunidade esportiva. Assim manifesta-se a
jurisprudência:

“A regra é a inafastabilidade do controle de lesões ou de ameaças de


lesões a direitos pelo Poder Judiciário (art. 5º. XXXV, da Constituição
Federal), regra que pode ser limitada ou condicionada, como ocorre com o
artigo 217, §3º, da Constituição Federal, quanto ao prévio exaurimento da
instância desportiva, mas não afastado. O artigo 52, §2º, da Lei Pelé,
entretanto, foi além do preceito constitucional: simplesmente afastou o
controle judicial de lesões ou ameaças de lesões a um direito. Ao
estabelecer, para fins desportivos, que prevalece a decisão da justiça
desportiva, a norma ordinária restringiu o interesse dos clubes ou equipes
apenas ao lado econômico de um torneio ou campeonato, único aspecto
que poderia ser questionado na justiça, colocando ao largo de discussões
judiciais o desportivo em si, como se também a conquista do título não
fosse digna de tutela.”
Interessante destacar que o artigo 50 da Lei n.º 9.615, de 24
de março de 1998 (Lei Pelé), estabelece:

“Art. 50. A organização, o funcionamento e as atribuições da Justiça


Desportiva, limitadas ao processo e ao julgamento das infrações
disciplinares e às competições desportivas, serão definidas em Códigos
Desportivos...”
Entretanto, a redação apresentada pelo Poder Legislativo,
para sanção presidencial, era diferenciada:

Art. 50. A organização, o funcionamento e as atribuições da Justiça


Desportiva, serão definidas em Códigos de Justiça Desportiva de
cumprimento obrigatório para as filiadas de cada entidade de
administração do desporto, nos quais excetuar-se-ão as matérias de
ordem trabalhista e de Direito Penal Comum.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 44

O veto ao referido dispositivo, pelo Presidente da República,


após a manifestação do Ministério da Justiça, foi assim fundamentado,
justamente para garantir o acesso ao Poder Judiciário:

“RAZÕES DO VETO
Além disso, a exceção das matérias de ordem trabalhista e de direito
Penal Comum leva a falsa impressão de que outras não poderão ser
objeto de exame da justiça comum, o que é equivocado. Basta ver que o
texto constitucional deixa claro que a competência da Justiça Desportiva
circunscreve-se a ações relativas à disciplina e às competições
desportivas. Tudo o mais deverá ser apreciado por um juiz togado e
mesmo as ações relativas à disciplina e às competições desportivas
deverão submeter-se ao poder Judiciário após esgotarem-se as instâncias
da Justiça Desportiva. Deve, portanto, o dispositivo ser vetado por
contrariar o interesse público.”
O veto do Presidente da República objetivou não criar
qualquer obstáculo que impossibilitasse o acesso ao Judiciário.

Este também é o argumento para demonstrar a ilegalidade


de dilatação da competência de STJD, TJD ou outra instância desportiva
efetivada através, por exemplo, da análise de verbas trabalhistas,
alteração do estatuto de uma assembléia de entidade desportiva ou outra
matéria que não verse sobre disciplina e competição.

Sobre o tema também manifesta-se o Poder Judiciário:

“ ... não é matéria condicionada ao prévio exame pela via administrativa, a


teor do que dispõe o próprio artigo 217, I , da Constituição Federal
vigente, aludido na defesa. Isto porque o artigo 217, dispõe que o poder
judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições
desportivas após esgotarem-se as instâncias da Justiça Desportiva
reguladas em lei. (Grifos nossos). Deste modo, como a Constituição
estabeleceu os assuntos que não podem ser admitidos pela Justiça
Comum sem o exame prévio da Justiça Desportiva, como a matéria
controversa não se confunde com tais temas a evidência e admissível o
conhecimento da lide por este juízo. Oportuno adicionar acerca do tema
que, se o diploma constitucional limitou o prévio esgotamento da via
administrativa tão somente para os dois assuntos retro mencionados,
entende este juízo que nem a legislação infra constitucional, muito menos
o Regimento Interno do Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação
Brasileira de Hipismo podem ampliar o rol prévio da Justiça Desportiva,
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 45

pois isto fere o direito Constitucional de acesso ao judiciário, assentado no


inciso XXXV do art. 5º, da Constituição Federal. ... “ 19
O assunto em exame é relativamente polêmico e parte do
estudo acima foi publicado na Revista Brasileira de Direito Desportivo20, o
qual apresenta a seguinte síntese conclusiva:

(i) O conflito entre os princípios de esgotamento da instância


desportiva e do acesso ao Judiciário é apenas aparente e tais comandos
constitucionais podem conviver harmoniosamente pela aplicação do
princípio estruturante da cedência recíproca, inexistindo negação interna
ou qualquer obstáculo de compatibilidade de conteúdo;

(ii) a precitada convivência harmoniosa dos artigos 5º, XXXV


e 217, §§1º e 2º, CF/88 está diretamente relacionada com a observância
da competência conferida pela Carta da República à justiça desportiva em
matéria de competições e disciplina desportiva.

Com efeito, a regra geral é o esgotamento da instância


desportiva. Todavia, qualquer vício capaz de produzir lesão ou ameaça a
lesão a direito configurará o não cumprimento do seu papel
constitucional. Tais vícios decorrem comumente de inobservância dos
prazos constitucionais, composição irregular das instâncias desportivas,
supressão de instância desportiva ou mesmo de análise de matéria que
refoge da área delimitada, como por exemplo lides de ordem trabalhista,
societária, penal, dentre outras que não estão diretamente relacionadas a
competições e disciplina.

Mas, se de um lado, alguns litígios não podem sequer serem


avaliados por tribunais desportivos, notadamente em razão da matéria,
por outro, vale destacar que em matéria própria para tal análise

19 Autos n.º918/99 - 3ª Vara Cível da Comarca de Curitiba

20 Justiça Desportiva vs. Poder Judiciário: Um conflito constitucional aparente. Alexandre


Hellender de Quadros e Paulo Marcos Schmitt. Revista Brasileira de Direito Desportivo nº 04,
IBDD, Imprensa Oficial, segundo semestre/2003.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 46

(competição e disciplina), as decisões da Justiça Desportiva devem ser


prestigiadas dada a importância a ela conferida pela nossa Carta Magna:

“ A G R AV O D E I N S T R U M E N T O . D I R E I T O P R I VA D O N Ã O
ESPECIFICADO. COMPETIÇÃO DESPORTIVA. AUTONOMIA DAS
ENTIDADES DESPORTIVAS E O DIREITO À LIVRE ASSOCIAÇÃO E À
NÃO INTERVENÇÃO ESTATAL. ALEGAÇÃO DE INFRINGÊNCIA AOS
PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE
D O S P R O C E S S O S A D M I N I S T R AT I V O S . AUSÊNCIA DE
VEROSSIMILHANÇA A ENSEJAR A ANULAÇÃO EM SEDE DE
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE
PROVA CONTUNDENTE ACERCA DAS ALEGADAS IRRGULARIDADES
NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS QUE TRAMITARAM NO STJD.
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.
A antecipação de tutela depende da força da prova, esta capaz de
convencer o Magistrado da verossimilhança das alegações do autor.
Não emerge, no estado em que o feito se encontra, a prova inequívoca da
verossimilhança do direito almejado pela parte autora. A questão relativa a
terem os direitos do atleta CLÁUDIO ROBERTO SIQUEIRA FERNANDES
FILHO sido suprimidos no feito administrativo que determinou sua
suspensão por um jogo implica a produção probatória, envolvendo o
mérito. Isto também se aplica às demais alegações da inicial,
particularmente, no que respeita à busca de informações atinentes às
condições de jogo do atleta depois da realização da partida de 22 de julho
de 2010 (fl. 160).
Ademais, a Constituição Federal, no artigo 217, §1º, concede importância
ímpar à Justiça Desportiva. Em liminar, desconstituir uma decisão do
STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) exige elementos que não
se mostram presentes na situação atual do processo.
Logo, inviável reconhecer a nulidade do procedimento administrativo da
requerida, porquanto dependente de produção de prova inequívoca a
embasar as alegações autorais.
À unanimidade, preliminares rejeitadas. No mérito, agravo de instrumento
desprovido, por maioria.
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os Desembargadores integrantes da Décima Segunda Câmara
Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em rejeitar as
preliminares, e, por maioria, vencido o Relator, em desprover o agravo de
instrumento.
Custas na forma da lei.
Participou do julgamento, além dos signatários, a eminente Senhora Des.ª
Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira Rebout.
Porto Alegre, 14 de junho de 2012.
DES. JOSÉ AQUINO FLÔRES DE CAMARGO,
Presidente e Relator.
DES. UMBERTO GUASPARI SUDBRACK,
Redator.
...
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 47

A Constituição Federal, no artigo 217, §1º, concede importância ímpar à


Justiça Desportiva. Em liminar, desconstituir uma decisão do STJD
(Superior Tribunal de Justiça Desportiva) exige elementos que não se
mostram presentes na situação atual do processo. Com efeito, se a Carta
Constitucional empresta tal relevância à Justiça Desportiva, há que se
levar em conta esse dado. Por analogia, conceder a antecipação de
tutela, antevendo presentes os requisitos pertinentes, seria o mesmo que,
no Direito Administrativo, desconstituir o ato dessa natureza, o qual tem
presunção de legitimidade. Só com prova forte seria viável tal pleito.
(Agravo de Instrumento Nº 70048692768, Décima Segunda Câmara Cível,
Comarca de Porto Alegre.)

De outra parte, não obstante os princípios da inafastabilidade


do controle jurisdicional e acesso ao Poder Judiciário, algumas normas
internacionais aplicáveis a determinadas modalidades esportivas, de certa
forma, vedam que conflitos de interesse sejam dirimidos em tribunais
comuns.

E nesse particular aspecto é inegável reconhecer que o


sistema desportivo revela um modelo que possui uma estrutura
hierarquizada de filiações e aceitabilidade de normas e regras nacionais e
internacionais de prática desportiva.

Observe-se que da base para o topo da pirâmide temos


comumente: (1) o atleta é filiado, registrado ou inscrito por um clube
(entidade de prática desportiva, p.ex. Esporte Clube Pinheiros/SP) que,
por sua vez, (2) está vinculado a uma federação (entidade regional de
administração, p.ex. Federação Paulista de Basketball) que, (3) está
filiada a uma confederação (entidade nacional de administração da
respectiva modalidade, p.ex. Confederação Brasileira de Basketball -
CBB), e esta, a seu turno, (4) está filiada a uma entidade internacional na
modalidade (p.ex. Federação Internacional de Basketball - FIBA), sem
prejuízo por óbvio (5) de outras filiações ou vinculações no movimento
olímpico (Comitês Olímpicos Brasileiro e Internacional - COB e COI).

Vejamos a ilustração gráfica a seguir:


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 48

Nesse cenário, fica a pergunta: quando estamos diante do


esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva previsto no art. 217 da
CF que, em tese, autorizaria que o Poder Judiciário admitisse o
conhecimento de matéria relativa a competição e disciplina? E a resposta,
depende de análise criteriosa de normas nacionais e internacionais
aplicáveis, ao menos para o sistema privado / (con)federado, no caso a
Lei no. 9.615/98 e Estatutos, Regulamentos e Regras da modalidade
esportiva e instituições que a regulam.

É sempre bom lembrar que o parágrafo 1o. do art. 217 da CF


condiciona o esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva regulada
em lei para ingresso de demandas de natureza disciplinar junto ao Poder
Judiciário. No entanto, a lei a que se refere o texto constitucional é a Lei
no. 9.615/98 (Lei Geral Sobre Desporto) que, no seu art. 50 e ss. regula a
temática em apreço, porém, em seus arts. 1o. e 3o. faz remissiva a
normas internacionais, ao definir: (i) que a prática desportiva formal é
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 49

regulada por normas nacionais e internacionais e pelas regras de prática


desportiva de cada modalidade, aceitas pelas respectivas entidades
nacionais de administração do desporto e; (ii) desporto de rendimento,
praticado segundo normas gerais desta Lei e regras de prática desportiva,
nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados e integrar
pessoas e comunidades do País e estas com as de outras nações.

Ilustrativamente, na prática desportiva formal da modalidade


de futebol, que certamente possui a maior demanda de litígios,
logicamente impulsionada pela paixão que desperta, aliada ao interesse
econômico, a última instância da Justiça Desportiva, consoante
normas internacionais, é o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS-
CAS).21

Os fundamentos jurídicos estão devidamente consignados


nos seguintes dispositivos do Regulamento Geral de Competições da CBF,
Estatutos da FIFA e Estatutos e Código do TAS-CAS:

RGC - CBF (2013)


Art. 99 - Os clubes que tenham concordado em participar de quaisquer
das competições, reconhecem a Justiça Desportiva como instância
própria para resolver as questões relativas à disciplina nas competições
desportivas, nos termos do artigo 64 do Estatuto da FIFA 22.
[<http://imagens.cbf.com.br/201212/1644694637.pdf>]

ESTATUTO DA FIFA (2012)


66 Tribunal Arbitral do Esporte - Corte de Arbitragem do Esporte
(TAS/CAS)
1. A FIFA reconhece o direito de interpor recurso para o Tribunal Arbitral
do Esporte (TAS/CAS), um tribunal de arbitragem independente com sede
em Lausanne, na Suíça, para resolver disputas entre FIFA, membros,
confederações, ligas, clubes, jogadores, funcionários, agentes de partidas
e agentes licenciados de jogadores.
2. O procedimento de arbitragem é regido pelas disposições do Código de
Arbitragem em matéria desportiva do Tribunal Arbitral do Esporte - TAS. O
TAS aplica em primeiro lugar os regulamentos da FIFA e, adicionalmente,
a lei suíça.

21 www.tas-cas.org
22 Na versão de 2011 do estatuto da FIFA, sendo hoje o art. 68 do estatuto vigente - edição de 2012.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 50

67 Jurisdição do TAS/CAS
1. Todo recurso contra as decisões finais adotadas pela FIFA,
especialmente pelos órgãos jurisdicionais, e contra as decisões adotadas
pelas confederações, membros ou ligas deve ser apresentado ao TAS/
CAS no prazo de 21 dias após a notificação da decisão.
2. Somente pode ser apresentado um recurso ao TAS depois de esgotar
todas as instâncias jurisdicionais internas.
O TAS não admitirá recursos relacionados com:
a) violação as regras do jogo;
b) suspensão de até quatro jogos ou até três meses (com exceção de
decisões relacionadas a doping);
c) as decisões objeto de recurso para atender uma apelação perante
tribunal arbitral independente devidamente constituído, e reconhecido sob
as regras de uma associação ou confederação.
4. O recurso não tem efeito suspensivo. O órgão competente da FIFA, ou
se for o caso, o TAS/CAS pode conceder efeito suspensivo ao recurso.
5. Em conformidade com os itens 1 e 2 do presente artigo, a FIFA pode
apresentar um recurso no TAS/CAS contra as decisões internamente
finais e vinculativas das confederações, membros ou ligas em casos de
doping.
6. Em conformidade com os itens 1 e 2 do presente artigo, a Agência
Mundial Anti-Doping (WADA) pode interpor recurso ao TAS/CAS contra as
decisões internamente finais e vinculativas da FIFA, das confederações,
membros ou ligas em casos de doping.
7. A autoridade competente deve notificar a FIFA e a WADA decisões
internamente finais e vinculativas das confederações, membros ou ligas
em casos de doping. O período disponível para a FIFA ou a WADA para
recorrer começa a correr no momento em que a FIFA ou WADA recebe a
notificação da decisão final em uma das línguas oficiais da FIFA.
68 Obrigações
1. As Confederações, os membros e Ligas devem reconhecer o TAS/CAS
como uma autoridade judicial independente e comprometem-se a adotar
todas as medidas necessárias para os seus membros, jogadores e
funcionários acatem a arbitragem e decisões do TAS. Esta obrigação
aplica-se igualmente aos agentes de partida e os agentes dos jogadores.
2. São proibidos recursos aos tribunais comuns, a menos que
especificado no regulamento da FIFA. Além disso, são excluídos os
recursos na forma ordinária, no caso de medidas preventivas de todos os
tipos.
3. As associações são obrigadas a incorporar em seus estatutos ou
regulamentos uma cláusula, em caso de disputa da associação interna ou
disputas sobre a liga, um membro da liga, um clube, um membro de um
clube, um jogador, funcionário ou qualquer outra pessoa ligada à
associação, proibindo tribunais comuns de direito, a menos que os
regulamentos da FIFA ou de disposições vinculativas de lei
expressamente exigir recurso aos tribunais comuns. Em vez de os
tribunais comuns devem prever jurisdição arbitral. Tais litígios serão
submetidos a um tribunal arbitral independente devidamente constituído e
reconhecido de acordo com as regras da associação ou confederação, ou
TAS. Da mesma forma, as associações comprometem-se a garantir que
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 51

esta condição é implementada dentro da associação, se necessário,


impondo a obrigação de seus membros. Em caso de violação desta
obrigação, as Associações devem impor sanções adequadas precavendo
qualquer recurso contra essas penalidades e que serão estritamente
submetido igualmente à jurisdição arbitral e não aos tribunais comuns.
[Grifos nossos. Tradução livre: <http://www.fifa.com/mm/document/
affederation/generic/01/66/54/21/fifastatutes2012s.pdf>]

ESTATUTOS E CÓDIGO TAS-CAS


A Disposições comuns
S1 Com a finalidade de resolver disputas relacionadas ao esporte por
meio de arbitragem e mediação, dois órgãos ficam criados:
• o Conselho Internacional de Arbitragem do Esporte (ICAS)
• o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
Os litígios e disputas em que uma federação, associação ou um
organismo de esportes relacionado for parte, são uma questão de
arbitragem, nos termos deste Código, na medida em que os estatutos ou
regulamentos de órgãos ou um acordo específico assim proporcionar.
A sede do ICAS e do CAS é Lausanne, na Suíça.
S2 O objetivo da ICAS é facilitar a resolução de disputas relacionadas ao
esporte por meio de arbitragem ou de mediação, e para salvaguardar a
independência do CAS e os direitos das partes. Ele também é
responsável pela administração e financiamento do CAS.
S3 O CAS mantém uma lista de árbitros e prevê a resolução arbitral de
controvérsias relacionadas ao esporte por meio de arbitragem conduzida
por painéis compostos por um ou três árbitros.
O CAS é composto por uma Divisão de Arbitragem Ordinária e uma
Divisão de Arbitragem de Apelação.
O CAS mantém uma lista de mediadores e prevê a resolução de conflitos
relacionados com o desporto através da mediação. O procedimento de
mediação é regido pelas Regras de Mediação CAS.
...
C Tribunal Arbitral do Esporte (CAS)
1 Missão
S12 O CAS constitui painéis que têm a responsabilidade de resolver os
litígios que surjam no âmbito do esporte por meio de arbitragem e / ou
mediação de acordo com as regras processuais (artigos R27 e segs.).
Para tanto, o CAS fornece a infraestrutura necessária, os efeitos da
constituição de painéis e supervisiona a condução eficiente do processo.
As responsabilidades dos painéis, entre outras, são:
a. para resolver as disputas que se refere a eles por meio de arbitragem
ordinária;
b. para resolver as disputas através dos apelos a procedimento de
arbitragem, ou a respeito das decisões de federações, associações ou
outras entidades relacionadas com o desporto, na medida em que os
estatutos ou regulamentos de órgãos ou um acordo específico assim
proporcionar.
c. para resolver as disputas através da mediação.
[Grifos nossos. Tradução livre: <http://www.tas-cas.org/d2wfiles/document/
4962/5048/0/Code20201320corrections20finales20(en).pdf>]
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 52

Como se denota, por força de norma internacional, cogente e


referenciada pelo regulamento de competições da CBF, a última instância
da Justiça Desportiva, ao menos para o mundo do futebol profissional, é
o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS-CAS).

Não há que se falar, portanto, ao menos “prima facie”, em


esgotamento de TODAS as instâncias da Justiça Desportiva quando a
decisão objeto de impugnação na Justiça Comum for proferida pelo STJD
do Futebol, porquanto este se revela a mais alta Corte Desportiva no
Brasil, cabendo recurso ao TAS/CAS.

Princípios infraconstitucionais - Lei nº 9.615/98 (Lei Geral Sobre Desporto


- Lei Pelé)

A Lei nº 9.615/98, em seu art. 2º, arrola doze princípios


dispondo sobre suas principais características e conceitos, sendo
desnecessário maiores comentários acerca de tais proposições diretoras
da citada lei.

No entanto, é imperioso trazer à colação as anotações de


Marcílio Krieger quando aduz que tais “princípios fundamentais dão
viabilidade prática tanto à garantia constitucional do desporto como
direito fundamental, quanto ao da autonomia das entidades práticas e
dirigentes – autonomia que pressupõe o respeito às normas
constitucionais quanto às normas e regras internacionais e nacionais da
respectiva modalidade”. 23

Vejamos cada qual, na forma como se encontram transpostos


no ordenamento jurídico pátrio:

23 Lei Pelé e Legislação Desportiva Brasileira Anotadas: ed. Forense, Rio de Janeiro, 1999, p.
34.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 53

• Soberania, caracterizado pela supremacia nacional na


organização da prática desportiva;

• Autonomia, definido pela faculdade e liberdade de pessoas


físicas e jurídicas organizarem-se para a prática desportiva;

• Democratização, garantido em condições de acesso às


atividades desportivas sem quaisquer distinções ou formas de
discriminação;

• Liberdade, expresso pela livre prática do desporto, de


acordo com a capacidade e interesse de cada um, associando-se ou não
a entidade do setor;

• Direito social, caracterizado pelo dever do Estado em


fomentar as práticas desportivas formais e não-formais;

• Diferenciação, consubstanciado no tratamento específico


dado ao desporto profissional e não-profissional;

• Identidade nacional, refletido na proteção e incentivo às


manifestações desportivas de criação nacional;

• Educação, voltado para o desenvolvimento integral do


homem como ser autônomo e participante, e fomentado por meio da
prioridade dos recursos públicos ao desporto educacional;

• Qualidade, assegurado pela valorização dos resultados


desportivos, educativos e dos relacionados à cidadania e ao
desenvolvimento físico e moral;

• Descentralização, consubstanciado na organização e


funcionamento harmônicos de sistemas desportivos diferenciados e
autônomos para os níveis federal, estadual, distrital e municipal;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 54

• Segurança, propiciado ao praticante de qualquer


modalidade desportiva, quanto a sua integridade física, mental ou
sensorial;

• Eficiência, obtido por meio do estímulo à competência


desportiva e administrativa.

Princípios infraconstitucionais - Lei nº 10.672/03

A legislação desportiva, com a publicação da Lei nº


10.672/03, enuncia os seguintes princípios:

• Transparência financeira e administrativa;

• Moralidade na gestão desportiva;

• Responsabilidade social de seus dirigentes;

• Tratamento diferenciado em relação ao desporto não


profissional;

• Participação na organização desportiva do País.

Após uma análise detalhada dos princípios acima


referenciados, podemos nominá-la de uma "medida de boas intenções",
assim rotulado em razão de todos os princípios eleitos terem sido
emprestados do conceito de Responsabilidade Fiscal inseridos explícita ou
implicitamente na própria LRF.

Vejamos alguns princípios da LRF citados por Edson Ronaldo


do Nascimento e Ilvo Debus24 e que comparamos com a sobredita lei:

24 Gestão Fiscal Responsável: JM editora, Brasília/Df, 2001.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 55

• Equilíbrio e planejamento - não gastar mais do que se


arrecada e planejar, antes de executar (LRF) = moralidade na gestão
desportiva (Lei nº 10.672/03)

• Transparência - prestar contas e informar à sociedade (LRF)


= Transparência financeira e administrativa (Lei nº 10.672/03)

• Participação - governar com o cidadão e não contra o


cidadão (LRF) = Participação na organização desportiva do país (Lei nº
10.672/03)

Álvaro Melo Filho (Novo Regime Jurídico do Desporto, p. 14)


afirma que a Lei Pelé é um clone jurídico em 53% da Lei Zico. Então,
malcomparando constatamos que os princípios encartados na Lei nº
10.672/03 pode ser considerado um clone conceitual ou principiológico
da LRF.

É indene de dúvidas que a LRF contribuiu e vem contribuindo


para um maior controle do gasto público e moralização da atividade
administrativa, requerendo uma nova atitude dos administradores
públicos em matéria de finanças e orçamento. Todos esses valores
aplicados às atividades desportivas revelam, no mínimo, que a legislação
em comento se reveste, como antes afirmado, de “boas intenções", à
medida que não passarão de bons propósitos caso o debate não seja
aprofundado. Até porque as exigências de administração responsável com
sanções aos dirigentes desidiosos ou negligentes, no contexto da
pretensa lei, não trazem, em uma análise perfunctória, condições
materiais de aplicabilidade ou conformidade constitucional com a
autonomia associativa e desportiva.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 56

Princípios infraconstitucionais - Lei nº 10.671/03 (Estatuto do Torcedor),


Decreto 7984/2013 (Regulamenta Lei Pelé) e CBJD - Justiça Desportiva 25

A nova codificação desportiva (art. 2º do CBJD), em um feito


inédito perante os códigos até então vigentes, conjuntamente com o
Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei nº 10.671/03) e do Decreto
7984/2013 regulamentador da Lei 9615/98 (Lei Pelé), tratou de elencar
um rol de princípios orientadores da Justiça Desportiva (e não apenas
restrito ao processo disciplinar). Por questões metodológicas passamos a
estudá-los na forma que segue.

Legalidade

A legalidade é o princípio do Estado de Direito, pressuposto


de uma sociedade estável e politicamente organizada.

Cármen Lúcia Antunes Rocha prefere chamar o princípio da


legalidade de “juridicidade”:

“A preferência que se confere à expressão deste princípio da juridicidade,


e não apenas ao da legalidade como antes era afirmado, é que, ainda que
se entenda esta em sua generalidade (e não na especificidade da lei
formal), não se tem a inteireza do Direito e a grandeza da Democracia em
seu conteúdo, como se pode e se tem naquele. Se a legalidade continua a
participar da juridicidade a que se vincula a Administração Pública — é
certo que assim é —, esta vai muito além da legalidade, pois afirma-se em
sua autoridade pela legitimidade do seu comportamento, que não se
contém apenas na formalidade das normas jurídicas, ainda que
consideradas na integralidade do ordenamento de Direito.”26
O princípio da legalidade é um verdadeiro alicerce do Estado
de Direito, pois ao mesmo tempo em que confere uma garantia essencial

25 Código Brasileiro de Justiça Desportiva: comentários e legislação. Ministério do Esporte,


Brasília, Ass. Comunicação Social, 2004, pp. 25 a 31.

26 (ROCHA, Cármen Lúcia Antunes. Princípios constitucionais da administração pública. Belo


Horizonte: Del Rey, 1994. p. 69-70.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 57

aos administrados é, também, um dever de primeira ordem para a


Administração.27

Conforme García de Enterría:

“A legalidade atribui potestades à Administração precisamente. A


legalidade outorga faculdades de atuação, definindo cuidadosamente
seus limites, habilita a Administração para sua ação, conferindo-lhe, com
efeito, poderes jurídicos. Toda ação administrativa se nos apresenta,
assim, como exercício de um poder atribuído previamente pela lei e por
ela delimitado e constituído. Sem uma atribuição legal prévia de
potestade, a Administração não pode atuar, simplesmente”.28
Ressalta-se, também, que o princípio da legalidade não
privilegia a submissão da atividade administrativa tão-somente à Lei em
sentido formal, sujeita ao devido processo legislativo. Não é essa a
inteligência do princípio em alusão. Como afirma Odete Medauar,
“buscou-se assentar o princípio da legalidade em bases valorativas,
sujeitando as atividades da Administração não somente à lei votada pelo
Legislativo, mas também aos preceitos fundamentais que norteiam todo o
ordenamento”.29

Para o regime jurídico desportivo, a legalidade é quem


configura e rege a harmonia no sistema coeso de princípios e normas.
Constitui o contraveneno do poder soberano consagrado pelo Estado
totalitário.

27 Celso Antônio Bandeira de Mello assinala que “Em suma, a lei, ou, mais precisamente o
sistema legal, é o fundamento jurídico de toda e qualquer ação administrativa. A expressão
‘legalidade’ deve, pois, ser entendida como ‘conformidade ao Direito’, adquirindo então um
significado mais extenso”. (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito
administrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros, 1999 p. 36.).

28 García de Enterría, apud FIGUEIREDO, Lucia Valle. Curso de direito administrativo. 2. ed.
São Paulo: Malheiros, 1995, p. 112.

29 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
1999, p. 138.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 58

Moralidade e Espírito Desportivo (fair play)

Falar em moral é falar em juízo, comportamento, hierarquia


de valores e código de conduta. Parece-nos mais apropriado analisar a
moral pelo seu caráter pessoal. Para Maria Lúcia de Arruda Aranha e
Maria Helena Pires Martins “o aumento do grau de consciência e
liberdade, e portanto de responsabilidade pessoal no comportamento
moral, introduz um elemento contraditório que irá, o tempo todo,
angustiar o homem: a moral, ao mesmo tempo em que é o conjunto de
regras que determina como deve ser o comportamento dos indivíduos de
um grupo, é também a livre e consciente aceitação das normas”30.

Assim sendo, a conduta moral é aquela praticada com


lealdade, boa-fé, sinceridade e lhaneza que asseguram a liberdade e
consciência necessária à aceitação das normas. É fácil, portanto,
perceber porque a moralidade é princípio de diversos ramos do Direito,
inclusive o Direito Desportivo. Um regime jurídico desportivo pautado no
comportamento humano astucioso não é típico de um Estado
compromissado com a sociedade. Não há hipótese de que um ato seja
legal se for imoral. A imoralidade, quando praticada, contamina todo o
sistema desportivo, viciando todo e qualquer ato, sujeitando-o ao
controle da Justiça Desportiva.

No esteira do espectro da moralidade desportiva está o


espírito esportivo, muitas vezes denominado de “fair play”. Esse
demandado e indispensável “espírito desportivo”, ou “jogo justo” requer
prestígio permanente de valores basilares da prática desportiva como o
congraçamento, a competitividade, a socialização do desporto, o respeito
entre os competidores e às leis e regras da competição. É o contraveneno

30 Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, Introdução à Filosofia, 1987.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 59

do “jeitinho”, o antídoto da fraude, do “se dar bem” às custas do


adversário, enfim de qualquer forma de violência ou expediente que
contrarie regras e condutas em prol de um resultado que despreze a
melhor performance de atletas e equipes.

Publicidade

No âmbito da Justiça Desportiva, publicidade tem o sentido


de tornar público e transparente determinado ato ou comportamento. A
regra geral é a publicidade dos atos, oposto à exceção que é o sigilo,
admitido apenas em situações excepcionais previstas em lei. Em síntese,
as instâncias desportivas têm o dever de divulgar os seus atos para dar-
lhes conhecimento geral, assegurando o direito à informação da
sociedade desportiva ou para esclarecimentos de interesse individual.

Denota-se que a publicidade dos atos vinculados à Justiça


Desportiva é um dos componentes do mecanismo de controle da
legitimidade. Assim, ressalvadas as hipóteses de sigilo e circunstâncias de
ordem interna, as decisões e procedimentos exarados em atos da Justiça
Desportiva devem ser disponibilizados à sociedade por meio de regular
publicação, notadamente citações, intimações, denúncia, decisões, entre
outros. A forma mais comum de publicação se dá através de editais
sendo recepcionado também os meios eletrônicos. Já o processo
disciplinar que envolver menores deve observar as exigências
estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, tanto em
relação aos atos processuais de comunicação, quanto as audiências. Com
efeito, é direito da sociedade ou do indivíduo afetado por uma decisão da
Justiça Desportiva, a partir da publicação de determinado ato, insurgir-se
na mesma esfera ou no âmbito judicial, conforme o caso.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 60

A inobservância na divulgação de alguns atos obstaculiza


uma série de providências e procedimentos por parte do legitimamente
interessado, restringindo a sua oposição tempestiva diante de
determinada conduta.

Impessoalidade

Para as instâncias desportivas pouco importa se o


denunciado é dirigente, organizador, coordenador, árbitro, atleta ou até
mesmo membro da própria Justiça Desportiva. Se foi denunciado pela
prática de infração disciplinar, deve ser processado e julgado sem
distinção de qualquer natureza, inclusive de posição social ou desportiva,
admitindo-se, no entanto, que algumas pessoas em razão do foro, sejam
julgadas diretamente pelos órgãos colegiados de instâncias superiores.

Celso Antônio Bandeira de Mello, na seara administrativa e


sobre o princípio da impessoalidade, explica que “nele se traduz a idéia
de que a administração tem que tratar a todos os administrados sem
discriminações, benéficas ou detrimentos. nem favoritismo nem
perseguições são toleráveis. simpatias ou animosidades pessoais,
políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa e
muito menos interesses sectários, de facções ou grupos de qualquer
espécie. o princípio em causa não é senão o princípio da igualdade ou
isonomia. está consagrado no art. 37, caput, da constituição. além disso,
assim como ‘todos são iguais perante a lei’(art. 5º, caput), a fortiori
teriam de sê-lo perante a administração”.31

31 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 11. ed. São Paulo:
Malheiros, 1999 p. 70.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 61

A impessoalidade decorre, portanto, do tratamento isonômico


que a Justiça Desportiva deve dispensar a todos os participantes dos
eventos esportivos e destinatários das normas sob sua jurisdição.

Oficialidade

Este princípio permite que a Justiça Desportiva promova a


responsabilidade daqueles que transgrediram determinada norma
disciplinar por impulso oficial (de ofício), ou seja, sem a necessidade da
manifestação antecipada das partes envolvidas. Atualmente, não é
comum que as instâncias desportivas, em casos isolados, atuem de ofício.
Faz-se necessário que a parte interessada formule queixa,
encaminhando-a à Procuradoria para manifestação.

Nos casos notórios e mais complexos, que ponham em risco


a paz e moralidade desportiva, a atuação da Justiça Desportiva é
obrigatória. Isto ocorre em razão da evolução e profissionalização das
competições desportiva onde, nem sempre, os vencidos reconhecem suas
derrotas. Como existem muitos interesses envolvidos, é de praxe que
surjam reclamações infundadas e, se fosse obrigatória a atuação
jurisdicional, os casos mais relevantes ou devidamente provados e
instruídos ficariam sem julgamento.

Devido Processo Legal, Contraditório e Ampla Defesa

Expresso no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, a


ampla defesa e o contraditório devem ser respeitados em todos os
processos desportivos
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 62

Vejamos os ensinamentos de Antônio Carlos de Araújo


Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco sobre o
direito à ampla defesa:

“O juiz, por força de seu dever de imparcialidade, coloca-se entre as


partes, mas eqüidistante delas: ouvindo uma, não pode deixar de ouvir a
outra; somente assim dará a ambas a possibilidade de expor suas razões,
de apresentar suas provas, de influir sobre o convencimento do juiz.
Somente pela soma das parcialidades das partes (uma representando a
tese e a outra a antítese) o juiz pode corporificar a síntese, em um
processo dialético. É por isso que foi dito que as partes em relação ao
juiz, não tem um papel de antagonistas, mas de ‘colaboradores
necessários’: cada um dos contendores age no processo tendo em vista o
próprio interesse, mas a ação combinada dos dois serve à justiça na
eliminação do conflito ou controvérsia que os envolve.”32
A efetivação do devido processo legal também demanda a
aplicação do princípio do contraditório, significando a possibilidade da
parte interessada contradizer a posição contrária a seus interesses ou que
serviram de supedâneo à acusação.

Odete Medauar, explica o princípio do contraditório com


singular propriedade:

“Em essência, o contraditório significa a faculdade de manifestar o próprio


ponto de vista ou argumentos próprios, ante fatos documentos ou pontos
de vista apresentados por outrem. Fundamentalmente o contraditório quer
dizer “informação necessária e reação possível” (Cândido Dinamarco,
Fundamentos do processo civil moderno, 2. ed.., 1987, p. 93). Elemento
ínsito à caracterização da processualidade, o contraditório propicia ao
sujeito a ciência de dados, fatos, argumentos, documentos, a cujo teor ou
interpretação pode reagir, apresentando, por seu lado, outros dados,
fatos, argumentos, documentos. À garantia do contraditório para si próprio
corresponde o ônus do contraditório, pois o sujeito deve aceitar a atuação
no processo de outros sujeitos interessados, com idênticos direitos.” 33
O contraditório decorre, como se observa, da relação bilateral
do processo, significando que as partes em contradição devem ser
ouvidas igualmente. Quando uma das partes alega algo deve-se ouvir

32 Antônio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco,
Teoria Geral do Processo, 1994, p. 55.

33 MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais,
2005. pp. 194/195.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 63

também a outra parte, isto é, toda acusação deve ser seguida da


possibilidade de uma defesa.

Mesmo caracterizado regra geral pelo procedimento (e não


julgamento) sumário, não se afasta do devido processo legal, devendo
propiciar que o denunciado pela prática de determinada infração, em
regra, constitua advogado ou habilite pessoa maior e capaz para a sua
defesa, devendo ser concedido vista do processo, de indicar e produzir
provas, de servir-se de defesa técnica, de contestar ou impugnar atos
que forem contrários ao seu interesse, bem como na possibilidade de
acompanhá-los na fase de instrução e valer-se dos recursos cabíveis.

E ainda que obrigado a proferir decisões rápidas, portanto


com a celeridade processual inerente às competições, a instância
desportiva deve permitir que o acusado tenha todas as condições de
defesa. Assim, as decisões devem estar fundadas na certeza dos fatos,
não podendo subsistir qualquer decisão condenatória fundamentada na
dúvida.

Oralidade, Economia Processual e Celeridade

Devido à rapidez com que as decisões da Justiça Desportiva


devem ser proferidas alguns atos processuais são produzidos oralmente
(forma não escrita). Isto se dá, como já dito, pelas peculiaridades das
competições desportivas e está diretamente relacionado com o princípio
da celeridade. Diferentemente da justiça comum em que os atos em sua
maioria são escritos, a oralidade agiliza e acelera o julgamento de
processos disciplinares. Todavia alguns atos dependem da forma escrita
como os termos de citação, intimação, denúncia, etc.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 64

O princípio da Economia Processual visa evitar que atos


processuais desnecessários sejam praticados. Do contrário, a “máquina”
judicial desportiva será dotada do gravame da morosidade, desviando-a
plenamente de sua finalidade. Tal princípio é corolário do princípio
implícito da instrumentalidade das formas.

Em resumo, alguns atos se não praticados segundo uma


forma pré-determinada não geram qualquer efeito, devendo ser repetidos
ou até mesmo causando a nulidade de todo o processo. Entretanto, como
se disse, o rigor com o formalismo não essencial pode comprometer a
agilidade no alcance do fim do processo.

Já a celeridade se deve às peculiaridades e dinamismo do


desporto, à medida que decisões tardias ou infrações não apreciadas em
tempo acarretam prejuízos irreparáveis ao sistema desportivo e,
particularmente, às competições em frontal desobediência ao
ordenamento jurídico. Além disso, é preciso lembrar que o constituinte
elegeu o prazo de sessenta dias para a solução definitiva do litígio
desportivo. Nesse contexto, será fácil verificar que a imensa maioria dos
prazos processuais na esfera desportiva são incomparáveis à Justiça
Comum, justamente pela observância do princípio ora sob exame.

Motivação

Motivação significa a exposição das razões de fato e de


direito que serviram a providência adotada, qual seja a decisão. Tal
determinação legal impõe que os votos dos auditores sejam
adequadamente fundamentados, sendo ideal a expedição de ementas ou
do resultado dos julgamentos e respectivo dispositivo legal
fundamentador da decisão.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 65

Compete ainda ao auditor designado como relator, quando


requerido pela parte, a expedição de acórdãos, preferencialmente no ato
contínuo à respectiva sessão, revelando de maneira formal as razões que
permearam a correspondente decisão. Esta tarefa constitui, na realidade,
um desdobramento do princípio do devido processo legal, pois o
denunciado necessita acessar, conhecer e compreender as razões da
procedência ou não procedência de uma denúncia contra si formulada,
possibilitando, assim o exercício do amplo direito de recurso,
contrapondo-se aos fundamentos expedidos pelo colegiado a quo. Isso só
é possível se a instrução processual e os fundamentos da decisão
colegiada estiverem, de algum modo, consignados.

A motivação dos atos decisórios de qualquer processo,


inclusive o de natureza desportiva, é uma exigência para a manutenção
da transparência do próprio Estado Democrático de Direito e privilegia os
princípios da legalidade e da moralidade. A decisão sem a devida
motivação carece de pressuposto de validade.

Independência

A Justiça Desportiva deve atuar com independência e


autonomia das entidades de administração do desporto, sendo patente a
existência de vinculação apenas de ordem econômica, porquanto a
mantença da estrutura de tais instâncias compete as aludidas entidades.

Com efeito, a dependência econômica dos tribunais


desportivos junto a às respectivas entidades diretivas jamais deve
prejudicar ou obstar a liberdade na análise de provas no processo
desportivo, e o conseqüente o poder decisório.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 66

De outra parte, o princípio da independência também pode


ser compreendido a partir de pressupostos de definitividade das decisões
dos tribunais desportivos em razão de eventual julgamento do mesmo
fato em outras instâncias.

Razoabilidade e Proporcionalidade

Além da previsão no rol de princípios do CBJD, o art. 39. do


Decreto 7984/2013 que regulamenta a Lei Pelé, estabelece que “na
aplicação das penalidades por violação da ordem desportiva, previstas no
art. 48 da Lei nº 9.615, de 1998, além da garantia do contraditório e
ampla defesa, devem ser observados os princípios da proporcionalidade e
da razoabilidade”.

Eleger a razoabilidade como um princípio pode parecer


impróprio, vez que se trata de uma “qualidade de razoável”. Para a
Justiça Desportiva a razoabilidade é um predicado exigível dos membros
das instâncias desportiva. Significa atuar com ponderação, bom senso e
prudência ante a diversidade de situações deferidas ao encargo do
julgador.

Assim, condutas desarrazoadas, extravagantes ou eivadas


pelo sentimento pessoal, não atingem a finalidade pretendida em lei
sendo, portanto, ilegais. Como bem define Hely Lopes Meirelles a
razoabilidade “... pode ser chamado de princípio da proibição de excesso
que, em última análise, objetiva aferir a compatibilidade entre os meios e
os fins, de modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas por parte
da Administração, com lesão aos direitos fundamentais”.34

34 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, 1999.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 67

A linha que divide a razoabilidade da proporcionalidade é, por


demais, tênue. A margem de liberdade discricionária na apreciação das
provas e convencimento, muitas vezes, conferida ao auditor não o
autoriza a agir com excesso. Se assim o fizer, estará atuando em
desconformidade com o pretendido em lei, caracterizando excesso de
competência, desvio de finalidade e abuso no exercício do poder.
Portanto, o manejo do poder decisório requer, daquele que está investido
na função jurídico-desportiva, a exteriorização de atos coerentes e
sensatos. Destarte, “o plus, o excesso acaso existente, não milita em
benefício de ninguém. Representa, portanto, apenas um agravo inútil aos
direitos de cada qual”.35

Tipicidade Desportiva

As infrações disciplinares, que comumente encartam a parte


material da codificação desportiva, devem ser avaliadas em rol exaustivo
para efeitos de denúncias e julgamentos nas esferas desportiva.

Em suma não há espaço para a definição de novas infrações


ou desvalor de conduta que já não estejam adequadamente previstos nos
respectivos códigos. Portanto, vi de regra, parte-se da premissa de que
as condutas não previstas na parte material da codificação desportiva não
são proibidas, não merecendo qualquer reprimenda no campo disciplinar.

Outros ramos do Direito (Direito Penal, p.ex.) e outras


normas são imprestáveis para fins de identificação e qualificação de
infração disciplinar, e a responsabilização de agentes.

35 Celso Antonio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo, 1999.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 68

Prevalência, Continuidade e Estabilidade das Competições (pro


competitione)

Alguns procedimentos especiais (v.g. impugnação de


partida), bem assim o julgamento de determinadas infrações através do
procedimento sumário, como a participação irregular de atletas (art. 214
do CBJD), acarretam profundo impacto na classificação de equipes e
continuidade das competições.

Nesse cenário, o auditor/julgador deverá ter sempre em


mente que o trâmite processual, e muitas vezes a demora do autor em
provocar a Corte Desportiva, poderá não produzir o resultado pretendidos
pelo interessado. A perda de pontos, ou a designação de novas partidas,
dentre outras sanções e providências, dependendo da fase da competição
ao momento do julgamento na esfera desportiva, poderá não beneficiar
diretamente o postulante.

Isso não significa que o processo não deva ser julgado, ou


haja a completa perda e comprometimento de seu objeto. Ao contrário,
os vícios e infrações merecem rigorosa apuração, mas mesmo uma
eventual desclassificação de equipes e outras conseqüências, poderá
frustrar algumas expectativas. Desse modo, a agilidade em provocar a
resposta dos tribunais desportivos é fundamental, ao mesmo tempo que
auxilia para preservar os eventos de descontinuidades e desnecessárias
paralizações.

De outra parte, o auditor deve avaliar com critério os


princípios em "jogo", não havendo que se falar no "pro competitione"
para minimizar determinadas condutas infracionais. Ou seja, inexiste a
possibilidade de relativizar a aplicação de sanção a um determinado
atleta, que em tese deveria ser punido com suspensão por partida, mas
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 69

acaba sofrendo mera advertência ou penalidade de multa, ou convertida


em pecúnia, por exemplo, ao desprovido fundamento de que é
importante “ator” para o espetáculo desportivo. Muito ao contrário, além
de desprestigiar a competição, mediante violação dos princípios de
isonomia, legalidade e moralidade, estará aderindo a um verdadeiro
modelo de “vale-tudo” contra a ética no desporto, colocando preço na
indisciplina.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 70

IV. JUSTIÇA DESPORTIVA

Conceito de Justiça Desportiva

Justiça Desportiva é o conjunto de instâncias desportivas


autônomas e independentes, considerados órgãos judicantes, que
funcionam junto a entidades dotadas de personalidade jurídica de direito
público36 ou privado37, com atribuições de dirimir os conflitos de natureza
desportiva e de competência limitada ao processo e julgamento de
infrações disciplinares em rito sumário ou procedimentos especiais
definidos em códigos desportivos.

Natureza jurídica dos órgãos judicantes

No Brasil, os órgãos judicantes “desportivos” constituem


elementos despersonalizados incumbidos da realização das atividades
previstas na Constituição Federal, legislação desportiva, codificação
desportiva e regimentos internos. Assim, quem possui capacidade
postulatória é a respectiva entidade de administração ou, na hipótese de
sistema desportivo público como adiante se verá, o órgão da
Administração Pública promotora de eventos esportivos, o que afasta a
suposta vinculação ou interesse do órgão judicante ou de seus membros
em eventual “debate” no âmbito do Poder Judiciário.

Esta situação pode ser comparada ao Poder Executivo e à


Câmara municipais, que caracterizam plexos de competência, os quais,
no caso, emanam da própria Constituição da República e, a par de, na

36 Órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal, como Ministério do


Esporte, Secretarias de Esporte, Autarquias, Fundações ou mesmo departamentos
responsáveis pela atividade desportiva.

37 Comumente Confederações, Federações ou Ligas das diversas modalidades desportivas.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 71

estrutura constitucional, tratarem-se de Poderes instituídos, são


denominados órgãos independentes, conforme lição de Hely Lopes
Meirelles38:

“Nessa categoria encontram-se as Corporações Legislativas (Congresso


Nacional, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembléias
Legislativas, Câmara de Vereadores), as Chefias de Executivo
(Presidência da República, Governadorias dos Estados e do Distrito
Federal, Prefeituras Municipais), os Tribunais Judiciários e os Juízes
singulares (Supremo Tribunal Federal, Tribunais Superiores Federais,
Tribunais Regionais Federais, Tribunais de Justiça e de Alçada dos
Estados-membros, Tribunais do Júri e Varas das Justiças Comum e
Especial). De se incluir, ainda, nesta classe o Ministério Público federal e
estadual e os Tribunais de Contas da União, dos Estados e Municípios, os
quais são órgãos funcionalmente independentes e seus membros
integram a categoria dos agentes políticos, inconfundíveis com os
servidores das respectivas instituições".
Torna-se mesmo despiciendo ressaltar que, a despeito de
gozar de autonomia para assuntos internos e de independência decisória,
por força legal, os tribunais desportivos só podem ser reconhecidos como
órgãos integrantes das respectivas entidades diretivas. Assim se constata
quando (i) o artigo 23, I, da Lei n.º 9.615/98 estabelece que os estatutos
da entidades de administração do desporto deverão obrigatoriamente
regulamentar a instituição dos tribunais de justiça desportiva; (ii) o artigo
51 da Lei n.º 9.615/98 define que os órgãos da justiça desportiva são
autônomos e independentes das entidades de administração do desporto;
e, (iii) o artigo 3º do Código Brasileiro de Justiça Desportiva identifica a
jurisdição de cada órgão da justiça desportiva à respectiva atribuição
territorial da correspondente entidade de administração do desporto.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol, por


exemplo, não é detentor de personalidade jurídica própria e, portanto,
não se inclui na regra geral de legitimidade para ocupar o pólo ativo ou
passivo de ações judiciais, incumbindo tal representação à entidade de

38 “Órgãos independentes são os originários da Constituição e representativos dos Poderes de


Estado - Legislativo, Executivo e Judiciário (...)". (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito
administrativo brasileiro. 20. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1995, p. 66.).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 72

administração do desporto à qual encontra-se vinculado, qual seja a


Confederação Brasileira de Futebol – CBF.

Para além destas considerações, é preciso ordenar o


argumento de que – apesar de não deter personalidade jurídica – o STJD
poderia ser reconhecido como um órgão despersonalizado com
capacidade de compor o pólo de uma lide, como ocorreria com o espólio
ou o condomínio.

É esclarecedora, neste sentido, decisão expedida pelo


Superior Tribunal de Justiça, que reconhece:

“(...). A ciência processual, em face dos fenômenos contemporâneos que


a cercam, tem evoluído a fim de considerar como legitimados para estar
em juízo, portanto, com capacidade de ser parte, entes sem
personalidade jurídica, quer dizer, possuidores, apenas, de personalidade
judiciária. 8. No rol de tais entidades estão, além do condomínio de
apartamentos, da massa falida, do espólio, da herança jacente ou vacante
e das sociedades sem personalidade própria e legal, todos por disposição
de lei, hão de ser incluídos a massa insolvente, o grupo, classe ou
categoria de pessoas titulares de direitos coletivos, o PROCON ou órgão
oficial do consumidor, o consórcio de automóveis, as Câmaras Municipais,
as Assembléias Legislativas, a Câmara dos Deputados, o Poder
Judiciário, quando defenderem, exclusivamente, os direitos relativos ao
seu funcionamento e prerrogativas. 9. Precedentes jurisprudenciais.”39
Os tribunais de justiça desportiva não estão incluídos no rol
acima mencionado, especialmente porque a lei não lhe atribui a
capacidade de ser parte. Não obstante, mesmo que se entenda que o rol
elencado pelo Superior Tribunal de Justiça seja exemplificativo, é certo e
irrefutável que a atribuição de legitimidade para compor o pólo de um
litígio judicial para uma entidade despersonalizada está condicionado a
que estas entidades estejam defendendo exclusivamente, os direitos
relativos ao seu funcionamento e prerrogativas. Por isso, no precedente

39 Acordão Origem: STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Classe: ROMS – RECURSO


ORDINARIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – 8967. Processo: 199700675475 UF: SP
Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA. Data da decisão: 19/11/1998 Documento: STJ000253086.
Fonte DJ DATA:22/03/1999 PÁGINA:54 LEXSTJ VOL.:00120 PÁGINA:74. Relator(a)
HUMBERTO GOMES DE BARROS. Decisão Por maioria, vencido o Sr. Ministro Humberto
Gomes de Barros, conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 73

mencionado, a ementa menciona expressamente a ‘defesa de interesses


institucionais próprios e vinculados a sua independência e
funcionamento’40.

Em regra, não há qualquer interesse próprio das instâncias


desportivas, a não ser que em um dado caso concreto sejam debatidas
questões inerentes à independência ou às prerrogativas do órgão
judicante desportivo.

Por outro lado, ainda que fosse possível atribuir aos órgãos
judicantes a natureza de ente associativo, o que não se admite,
remanesceriam dúvidas elementares, sobretudo aquelas ligadas a
desvendar quem são os seus membros e quais foram as finalidades
mútuas que justificaram a sua personalização. Levar a frente a Justiça
Desportiva, conduzindo os procedimentos a ela inerentes, nem de longe
se assemelha com qualquer finalidade legítima que, proveniente do
arbítrio de qualquer sujeito, fosse capaz de justificar a reunião sob o
manto associativo. Em termos mais fáceis de serem digeridos, a
associação não dispensa a existência de uma finalidade mútua a ser
perseguida pela reunião de forças, o que, ressalvada eventual ausência
de senso elementar, não se mostra presente no caso dos tribunais
desportivos.

Ademais, parece ser preciso insistir: qual a tarefa


desempenhada por um colegiado incumbido das mais valiosas funções de
controlar a atividade esportiva por excelência do nosso País, que poderia
se inserir no bojo dos "fins não lucrativos ou não econômicos",
reclamados pela legislação civil? A resposta é uma só: nenhuma, pois

40 CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA. AÇÃO POPULAR. ATO DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO
PAULO. PERSONALIDADE JURÍDICA. CAPACIDADE PROCESSUAL EM JUÍZO. DEFESA DE
INTERESSES INSTITUCIONAIS PRÓPRIOS E VINCULADOS À SUA INDEPENDÊNCIA E
FUNCIONAMENTO. ATUAÇÃO COMO SUBSTITUTO PROCESSUAL. PRECEDENTES.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 74

finalidade capaz de justificar uma associação é aquela palpável e


perseguida pelo cidadão comum.

A Justiça Desportiva e seu feixe de atribuições

Alexandre Hellender de Quadros 41 lembra que a Constituição


de 1988 utiliza o termo ‘justiça’ sob dois sentidos. O primeiro sentido
atribuído ao termo relaciona-se ao ideal, à justiça como um dos ‘valores
supremos de uma sociedade fraterna’ (preâmbulo), um objetivo
fundamental da República (art. 3º), um balizador da atividade econômica
(art. 170). O segundo sentido tem caráter institucional, referindo-se aos
órgãos do Poder Judiciário (arts. 93 e ss.), às funções essenciais do
Ministério Público, da Advocacia Pública, da Advocacia e da Defensoria
Pública (arts. 127 e ss.), à justiça de paz (art. 98, II) e à justiça
desportiva (art. 217, §§1º e 2º).

Sob o aspecto institucional, a justiça desportiva é composta


por tribunais desportivos, cuja competência também se encontra imposta
pelos parágrafos do art. 217, CF/88. Esses tribunais que compõem a
justiça desportiva, ou simplesmente ‘tribunais de justiça desportiva’, não
estão elencados como órgãos do Poder Judiciário (arts. 93 e ss., CF/88).

A justiça desportiva constitui, portanto, um meio alternativo


de solução de conflitos de interesse. Alternativo porque não vinculado ao
Poder Judiciário que, para Ângelo Luiz de Souza Vargas “ao assumir fazer
justiça com suas próprias leis, o desporto toma as rédeas de seu próprio

41 SCHMITT, Paulo Marcos (coord). Código Brasileiro de Justiça Desportiva Comentado. Ed.
Quartier Latin, São Paulo, 2006; Justiça Desportiva vs. Poder Judiciário: Um conflito
constitucional aparente. Alexandre Hellender de Quadros e Paulo Marcos Schmitt. Revista
Brasileira de Direito Desportivo nº 04, IBDD, Imprensa Oficial, segundo semestre/2003.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 75

destino, inaugura sua autonomia e ratifica sua independência e sua


especificidade diante dos outros Direitos”.42

A justiça desportiva não pertence ao Poder Judiciário, nem


tampouco recebe o mesmo tratamento da arbitragem contratual. Os
órgãos do Poder Judiciário gozam de prerrogativas e envergam
atribuições específicas e delimitadas pela Constituição, notadamente
quando a Carta Constitucional tutela o processo judicial.

Apesar da referência doutrinária, por vezes mencionar que a


Justiça Desportiva constituiria uma instância administrativa, é certo que o
faz exclusivamente para diferenciá-la da instância jurisdicional. Em
verdade, a justiça desportiva exerce sua atividade em âmbito
estritamente privado sem qualquer influência de Direito Administrativo,
salvo em hipóteses de tribunais desportivos que atuam perante órgãos
públicos 43.

A arbitragem e a justiça desportiva são meios alternativos de


solução de conflitos de interesse. De um lado, a arbitragem, que é
opcional para as partes, que poderão (i) abdicar do Judiciário e definir a
solução de seus conflitos por árbitros privados ou (ii) submeter-se à
atividade jurisdicional do Estado. De outro, a justiça desportiva que, em
regra, é pressuposto a ser esgotado antes que a parte mova o Poder
Judiciário, composta de forma paritária pelos entes participantes da
atividade desportiva. Resguardadas as distinções, arbitragem e justiça
desportiva não tem poder para executar diretamente suas decisões,
porque a força executiva, o monopólio do exercício da força, permanece
inerente ao Estado.

42 VARGAS, Ângelo Luiz de Souza. Desporto, Fenômeno Social. Rio de Janeiro: Ed. Sprint,
1995. p. 52.

43 Ver jurisprudência do Capítulo II, item 3.3.4.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 76

Os tribunais de justiça desportiva poderão apresentar


natureza jurídica de direito público ou privado (pública ou particular).
Terão natureza particular quando vinculados a entidades de
administração do desporto (confederações, federações e ligas) e natureza
pública quando vinculados a competições promovidas pelo Poder Público
(União, Estados e Municípios).

As entidades de administração do desporto, segundo


definição da Lei n.º9.615/98, são pessoas jurídicas de direito privado (art.
16), enquanto os tribunais de justiça desportiva constituem unidades
autônomas vinculadas a essas entidades de administração (art. 52). A
justiça desportiva vinculada às entidades de administração do desporto,
portanto, tem natureza privada e deve seguir a estrutura imposta pelos
artigos 52 e seguintes da Lei n.º9.615/98. De outro lado, as pessoas
jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal e
Municípios) podem instituir seus próprios sistemas desportivos e compor
seus respectivos tribunais de justiça desportiva. Neste caso, considerando
a vinculação com o Poder Executivo, estes órgãos da justiça desportiva
serão regidos pelo regime de direito público.

A Administração Pública de modo geral e o Ministério do


Esporte em particular, integrantes do sistema brasileiro do desporto, não
estão inseridos no sistema nacional como entidades de administração do
desporto, pelo que é possível reconhecer-lhes completo descolamento da
estrutura organizacional da Justiça Desportiva prevista pela Lei
n.º9.615/98.

Por certo, esta afirmação não leva à conclusão de que esteja


deferido à Administração Pública, seja do nível federal, estadual ou
municipal, ampla liberdade para instituir dispositivos de caráter normativo
destinados a afastá-la das imposições da Constituição Federal e das
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 77

normas gerais sobre Justiça Desportiva impostas pela Lei n.º9.615/98. Na


prática, a Constituição Federal e a lei geral sobre desportos não apenas
alicerçam a atividade da Administração Pública na organização de eventos
desportivos, como também concedem fundamento de validade para a
elaboração de suas próprias codificações desportivas.

Entretanto, União, Estados e Municípios que desenvolvem a


prática do desporto no seu espectro de atuação (competições promovidas
por entes públicos), não estão obrigados a reproduzir a estrutura
organizacional dos órgãos da Justiça Desportiva tal qual previsto na Lei
n.º9.615/98. Como aquela estrutura foi prevista para as entidades de
administração do desporto e o regime jurídico administrativo prevê o
poder regulamentar, é plausível que a Administração Pública estabeleça
sua própria organicidade, de acordo com as peculiaridades de seus
respectivos eventos, desde que respeitados os princípios gerais
estabelecidos pela legislação de regência.

Esta construção estabelece o apoio jurídico necessário ao


reconhecimento de que à Administração Pública é deferido constituir seus
próprios órgãos judicantes desportivos, cuja organização, funcionamento
e atribuições também estarão definidos em códigos desportivos editados
pela própria Administração Pública.

Contudo, independente da natureza jurídica pública ou


privada, a justiça desportiva tem sua competência delimitada na disciplina
e nas competições desportivas. A Lei n.º9.615/98 aborda esta delimitação
de funções, relacionando a competência da justiça desportiva às infrações
disciplinares e às competições desportivas, previstas nos Códigos
Desportivos.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 78

Autonomia e independência da Justiça Desportiva

O artigo 52 da Lei nº 9.615/98 prevê uma estrutura orgânica


de caráter hierárquico para os denominados órgãos integrantes da Justiça
Desportiva, reconhecendo-os como entes “autônomos e independentes
das entidades de administração do desporto de cada sistema”.44

A autonomia consiste na relação equilibrada com os demais


poderes da entidade de administração do desporto (assembléia e
diretoria), de forma similar ao que ocorre no sistema de freios e
contrapesos entre os poderes estatais. Impõe-se o respeito às
prerrogativas de cada órgão interno e o trato respeitoso recíproco. Esta
autonomia dos órgãos integrantes da Justiça Desportiva se reflete, por
exemplo, na aparente dependência físico-financeira destes em relação às
entidades de administração do desporto (art 3º CBJD – custeio do
funcionamento promovido na forma da lei). A dependência é adjetivada
de aparente, visto que a diretoria da entidade de administração do
desporto está obrigada a suprir as necessidades materiais dos órgãos da
Justiça Desportiva, por força do § 4º do art. 50 da Lei 9615/98.

Como se vê, a independência da Justiça Desportiva está


relacionada à estruturação dos órgãos judicantes desportivos e, ainda, à
absoluta independência decisória blindando os tribunais de toda e
qualquer intervenção ou influência que se pretenda perpetrar através de
atos emanados das entidades diretivas públicas ou privadas.

44 Art. 52. Os órgãos integrantes da Justiça Desportiva são autônomos e independentes das
entidades de administração do desporto de cada sistema, compondo-se do Superior Tribunal
de Justiça Desportiva, funcionando junto às entidades nacionais de administração do desporto;
dos Tribunais de Justiça Desportiva, funcionando junto às entidades regionais da administração
do desporto, e das Comissões Disciplinares, com competência para processar e julgar as
questões previstas nos Códigos de Justiça Desportiva, sempre assegurados a ampla defesa e
o contraditório. (Redação dada pela Lei nº 9.981, de 14.7.2000)
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 79

A impossibilidade de qualquer interferência das entidades de


administração do desporto (Confederações) na organização da Justiça
Desportiva, é amplamente reconhecida pela própria jurisprudência do
STJD do Futebol :

“EMENTA: AUDITORES. MANDATO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA


DESPORTIVA. Compete a Justiça Desportiva apreciar matéria relativa a
sua organização e funcionamento a teor do previsto no Art. 217 da
Constituição Federal de 1988; Art. 50 da Lei n° 9.615/98 com as
modificações que lhe foram introduzidas pela Lei n° 9.981/00 e Lei n°
10.672/2003 e Resolução n° 01/03 do CNE – Código Brasileiro de Justiça
Desportiva – CBJD”.45
Destaca-se que o mesmo raciocínio (autonomia das
instâncias desportivas) consta de decisões no âmbito do Egrégio Tribunal
de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Senão vejamos:

“DECISÃO
(...)
A conclusão imediata que se retira dessa leitura é que, face à ausência de
excepcional autorização legal, são vedadas as ingerências no STJD. Por
isso, não pode a CBF pretender conduzir o processo de composição do
Tribunal e declarar instalado o mesmo, desempenhando função de
repercussão direta na administração do STJD.
(...)
Como se depreende dos artigos citados, cabe ao STJD declarar a
vacância do cargo de auditor (como no caso de falecimento, p. ex.),
atribuindo-se, então, ao presidente do Tribunal dar ciência da referida
vacância à entidade indicante. Mais do que razoável ultrapassar a leitura
restritiva desses dispositivos para entender como “caso de vacância” o
término do mandato dos auditores, cabendo, assim, ao presidente do
Tribunal convocar as entidades enumeradas nos incisos do art. 55 da Lei
nº 9615/98, receber as respectivas indicações e instalar o Tribunal. Afinal,
é também atribuição do presidente do Tribunal dar posse aos auditores.
Por conseguinte, no atual ordenamento normativo, à entidade de
administração do desporto é facultado tão-somente apresentar os seus
indicados ao STJD, como previsto no inciso I do art. 55 da Lei nº
9615/1998. O que for além desses limites é excesso de competência”.46

“DECISÃO
(...)

45 STJD. MG 20/04. Rel. Paulo Marcos Schmitt. J.01/04/2004

46 Processo n° 2004.209.005843-0, Medida Cautelar, Juízo de Direito da 4ª Vara Cível da


Comarca do Estado do Rio de Janeiro.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 80

8. De acordo com o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, artigo 9º, o


presidente do STJD, dentre suas atribuições, deve zelar pelo perfeito
funcionamento da Justiça Desportiva.
9. E mais. Como não há Regimento Interno regularizador da eleição do
presidente e do vice-presidente daquele Tribunal, conforme prescreve o
artigo 8º, do Código de Justiça Desportiva, em importância se avulta a
responsabilidade do presidente em exercício na garantia da transição de
seus membros.
10. Inegável, portanto, se reconheça, na hipótese dos autos, que, para o
perfeito funcionamento da Justiça Desportiva, deve o presidente do STJD
promover as medidas cabíveis para a composição do referido órgão
judicante.
(...)
14. Portanto, não cabe à Confederação Brasileira de Futebol – CBF
considerar instalado e composto o Superior Tribunal de Justiça
Desportiva, conforme fizera em Portaria PRE nº 11/2004, vez que não é
sua atribuição legal, não havendo qualquer permissivo que a permita tal
ingerência, muito ao contrário. Desta forma, irregular e ilegal os atos por
ela praticados para o fim de promover, manu militare, a transição do órgão
Judicante Maior.”47

Sobre a autonomia e independência dos órgãos da Justiça


Desportiva, confira-se Álvaro Melo Filho, in “Novo Regime Jurídico do
Desporto”, Brasília Jurídica, Brasília, 2001:

“Com a autonomia (face interna) e a independência (face externa)


realçadas, pretende-se colocar os órgãos da Justiça Desportiva
protegidos de subordinação ou sujeição aos demais poderes da entidade
de administração de desporto, seja estadual, seja nacional”. (p. 197)
O eminente mestre vai além e, na obra “Direito Desportivo.
Aspectos Teóricos e Práticos”, destaca o princípio da proteção da Justiça
Desportiva, inclusive sugerindo propostas para alteração da legislação
atual que reduzam a sua dependência econômica:

“f) Princípio da proteção da justiça desportiva – retratada em ditames da


Constituição Federal e na legislação vigorante que albergam órgãos
judicantes dotados de efetiva independência e autonomia, de
procedimentos que garantam e imediatidade, celeridade e transparência
nas decisões e de um conjunto de apenações especialmente incidentes
sobre a disciplina e competições desportivas, impondo-se, ainda, o prévio
exaurimento ou cogente esgotamento das instâncias da Justiça

47 Processo n° 2004.001.006333-3, Ação Declaratória, Comarca da Capital, 5ª Vara Cível


Regional da Barra da Tijuca.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 81

Desportiva para que as demandas desportivas possam ser admitidas na


Justiça Comum. 48
...
19) A Justiça Desportiva é contemplada no art. 217, §§ 1º e 2º do Texto
Constitucional, porquanto desempenha relevante função educacional-
disciplinadora no contexto desportivo, sobretudo em face de dois
aspectos:
a) a especificidade da codificação desportiva e as peculiaridades das
normas e regras promanadas dos entes desportivos, aliadas à
impreparação e insensibilidade dos tribunais comuns para sua adequada
compreensão;
b) as exigências de celeridade decisória no âmbito das competições
desportivas e o receio da inexistência de pronta e tempestiva resposta dos
órgãos da Justiça Comum.
A Justiça Desportiva insculpida na Lei nº 9.615/98, tem um concepção
dilargada e ajustada à instável e complexa realidade jusdesportiva,
estando a exigir, apenas, pequenos ajustes. Por exemplo, a previsão
recursos financeiros oriundos de um fundo a ser constituído destinados à
manutenção e funcionamento da Justiça Desportiva é uma regra salutar e
de amplo espectro, posto que, além da autonomia, asseguraria, de fato,
total independência financeira, administrativa e técnica dos órgãos
judicantes desportivos.”49
Nessa esteira, não se pode admitir que os órgãos da Justiça
Desportiva sejam ignorados ou desrespeitados e, ainda que desfrute da
autonomia atribuída pela Constituição Federal às entidades de
administração do desporto, reitera-se, seria inadmissível reconhecer que
entidades dirigentes públicas ou privadas gozassem de prerrogativa capaz
de superar a normatização expedida pelo Poder Público. Com efeito, a
autonomia consiste apenas em – e não mais do que – a
discricionariedade autorizada dentro dos limites estipulados pela norma
aplicável.

Neste ponto, não apenas o princípio da hierarquia


fundamentaria a superioridade da norma editada pelo Poder Público
(Códigos de Justiça Desportiva). Trata-se, retornando ao aspecto da

48 FILHO, Álvaro Melo. Direito Desportivo. Aspectos Teóricos e Práticos. Thomson / IOB, São
Paulo-SP, 2006, p 91.

49 Op. Cit., pp. 103-104


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 82

competência, do reconhecimento de que a norma superior identifica o


órgão competente para editar a normatização inferior.

A autonomia não se revela em instrumento capaz de


distorcer a hierarquia das normas e/ou desvirtuar a atribuição de
competência estabelecida pelo ordenamento jurídico.

Repisamos: a autonomia deferida pela Carta Constitucional


às entidades de administração do desporto não significa independência
do ordenamento jurídico. Mesmo autônomas, ou melhor, exatamente
porque autônomas, suas regulamentações internas dependem de limites
impostos pela legislação.

E essa autonomia conferida às entidades diretivas é que


possibilita o exercício de um poder decisório ex-officio e interna corporis.
No entanto, como repisado, a sobredita autonomia encontra limites na
lei, não podendo o dirigente desportivo ou a diretoria de entidade de
administração invadir a competência dos órgãos judicantes, por exemplo.

Uma prática absolutamente distorcida e abusiva em


competições de algumas modalidades desportivas tem se revelado nos
seus regulamentos, através das chamadas “medidas disciplinares
automáticas”, fixando penalidades sem que haja processo e julgamento
por instâncias desportivas.

Nesse sentido, é perfeita a observação de Alexandre


Hellender de Quadros:

“Outro problema enfrentado pelos tribunais de justiça desportiva consiste


na constante tentativa de interferência na competência
constitucionalmente atribuída àqueles órgãos. A previsão regulamentar de
aplicação de penalidades disciplinares automáticas – impostas
diretamente pela entidades de administração do desporto, sem o respeito
ao devido processo legal – é recorrente e preocupante.
Em verdade, de acordo com o disposto no art. 48, da Lei n° 9.615/98, as
entidades de administração desportiva somente podem aplicar as sanções
de advertência, censura escrita, multa, suspensão, desfiliação ou
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 83

desvinculação para manter a ordem desportiva com relação ao respeito


aos atos emanados de seus poderes internos, não existindo previsão legal
para aplicação de sanção ao cometimento de infrações disciplinares,
prerrogativa exclusiva da justiça desportiva.
Trata-se de preservar a prerrogativa constitucional, como um meio de
permitir que a solução de conflitos de interesse seja realizada de forma
justa e juridicamente adequada, evitando-se o arbítrio e a lesão a direitos
dos desportistas.”50
As medidas automáticas em referência são, portanto,
flagrantemente inconstitucionais, porquanto é consabido que a matéria
disciplinar ou de competição é de exclusiva e reservada competência da
Justiça Desportiva.

Inácio Nunes ao comentar o tema da ordem desportiva


destaca “que a lei andou bem, sendo a atual cópia da anterior, por não
me parecer justo que se cumpra uma pena conseqüente de uma
condenação antes de se esgotarem todos os meios e modos,
principalmente os recursos judiciais, de que se possa valer o indiciado
para provar não merecer tal apenação. Portanto, quando a pena imposta
por uma entidade de administração do desporto ou por uma entidade de
prática desportiva for de suspensão (inciso IV) ou desfiliação ou
desvinculação (inciso V), essa pena só poderá ser aplicada após o
trânsito em julgado da sentença definitiva proferida pela Justiça
Desportiva.” 51

Como se denota, as demais ações que visem restabelecer o


respeito aos poderes internos das entidades, ou mesmo quanto a
aspectos incidentes sobre cumprimento de regras e regulamentos, podem
ser objeto de algumas providências ou aplicação de sanções nos termos
dos arts. 48 e 49 da Lei 9.615/98 que, mesmo nas de maior gravidade,

50 Texto apresentando na XIX CONFERÊNCIA NACIONAL DOS ADVOGADOS. República,


poder e cidadania. Painel Direito Desportivo. Justiça Desportiva: Princípios e problemas.
Alexandre Hellender de Quadros e Paulo Marcos Schmitt.

51 NUNES, Inácio. Lei Pelé – Comentada e Comparada Lei Pelé x Lei Zico. Rio de Janeiro: Ed.
Lumen Juris, 1998. pp. 60.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 84

devem ser definitivamente julgadas pelos respectivos órgãos da Justiça


Desportiva mediante procedimento especial previsto pelo CBJD.

E foi justamente nessa linha de raciocínio que a


regulamentação da Lei, através do Decreto 7984/2013, em seu art. 38
prevê que a aplicação de qualquer penalidade prevista nos incisos IV ou
V do “caput” do art. 48 da Lei nº 9.615, de 1998, exige decisão definitiva
da Justiça Desportiva, limitada às questões que envolvam infrações
disciplinares e competições desportivas, em observância ao disposto no §
1º do art. 217 da Constituição.

E mais, o referido diploma normativo não se limitou a fixar


regras restritivas sobre a aplicação de sanções pelas entidades diretivas.
Foi muito além! Estabeleceu no seu art. 32 que, para a celebração do
contrato de desempenho, dentre outras exigências, será preciso que as
entidades de administração interessadas na obtenção de recursos
públicos, sejam regidas por estatutos que disponham expressamente
sobre o funcionamento autônomo e regular dos órgãos de Justiça
Desportiva referentes à respectiva modalidade, inclusive quanto a não
existência de aplicação de sanções disciplinares através de mecanismos
estranhos a esses órgãos.

É uma resposta clara e objetiva aos desmandos e soluções


de “penada” que muitas entidades diretivas encontram para punir sem
julgamento, em matéria de disciplina e competição. Seja qual for a
sanção, revela prática da centralização de poder em matéria
absolutamente estranha e diversa da prevista às suas atribuições
estatutárias e normativas.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 85

V. ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIA NA JUSTIÇA DESPORTIVA

Códigos de Justiça Desportiva - aplicabilidade e abrangência

Existem vários instrumentos displinares, mais conhecidos por


Códigos de Justiça Desportiva, que regulam a atividade desportiva com
vistas à aplicação de sanções de natureza disciplinar. A diferenciação
entre um ou outro codex fica por conta da sua aplicabilidade e
abrangência conforme o respectivo sistema desportivo - público ou
privado. E a codificação é editada conforme previsão legal, normalmente
remetendo ou delegando competência a ato administrativo ou resolução
de órgão colegiado consultivo, normativo, deliberativo e de
assessoramento de órgãos do Poder Executivo da União, Estados e
Municípios, como os diversos Conselhos de Esporte.

Alguns constitucionalistas “de plantão” que não economizam


em criticar a forma pela qual os Códigos de Justiça Desportiva são
editados (via de regra, mediante Resolução de órgãos colegiados, como
conselhos de esporte) esquecem que a Constituição Federal de 1988 em
seu artigo 217, § 1º, define que ao Poder Judiciário é facultado o exame
de matéria relativa à disciplina e competições após o esgotamento das
instâncias da Justiça Desportiva, quando até então toda matéria a ela
restringia-se.

Com o intuito de normatizar a previsão Constitucional,


editou-se a Lei nº 9.615 de 24 de março de 1998 onde em seu artigo 50
delimitou sua atuação jurisdicional limitando-a, neste aspecto, às
matérias relativas ao processo e julgamento das infrações disciplinares e
às competições, definindo que sua forma de organização e
funcionamento seriam aquelas previstas em Códigos Desportivos que
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 86

deveriam observar critérios fixados na própria lei, como a forma de


composição de seus quadros.

Já o artigo 52 da referida lei dotou a Justiça Desportiva de


autonomia e independência das entidades de administração do desporto
ficando, elas, única e exclusivamente com a responsabilidade de prover o
custeio das despesas para o funcionamento dos Órgãos Judicantes, regra
esta inserta no § 4º do artigo 50.

Denota-se, pois, que a Constituição Federal colocou como


pré-requisito para o acesso ao Poder Judiciário o esgotamento da Justiça
Desportiva em matéria disciplinar e de competições, enquanto a Lei nº
9.615/98, com as modificações introduzidas pela Lei nº 9.981/2000 e Lei
nº 10.672/2003, definiu e separou a atuação da Justiça Desportiva em
atuação administrativa, que seriam aquelas previstas no Código quanto a
sua organização e funcionamento e, atuação jurisdicional, que limitar-se-
ia ao processo e julgamento das infrações disciplinares e às competições.

Dentro de tais normas é que o Conselho Nacional de


Esportes – CNE - pelo o poder que lhe foi conferido pelo artigo 11 da
citada Lei nº 9.615/1998, com os acréscimos daquelas que a sucederam,
editou o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Então, foi a própria Lei que inseriu no espectro de


competência do CNE, no âmbito daqueles que compõem o Sistema
Nacional do Desporto, a edição, atualização e reformulação da
codificação desportiva. O legislador optou, portanto, em prestigiar um
órgão representativo do segmento desportivo e da sociedade civil – in
casu CNE em matéria de Código de Justiça Desportiva – ou invés de
submeter o assunto ao regular processo legislativo, que poderia redundar
em discussões infindáveis no Congresso Nacional em torno de um tema
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 87

que a própria Constituição reconheceu a necessidade de uma Justiça


especializada, a Justiça Desportiva.

Ademais, como consabido, os atos de sanção ou veto, no


processo legislativo, são formas de intervenção do Executivo no
procedimento de elaboração da lei52. Sobre o tema, João Jampaulo
Júnior53 lembra que “a sanção e a promulgação são atos terminativos,
finais, do processo legislativo, que resultarão na formação da nova lei.
(...) O veto somente poderá ser aposto pelo Chefe do Executivo quando
este considerar o projeto inconstitucional, ilegal ou contrário ao interesse
público, em mensagem fundamentada.”

O ato de sanção ou veto no processo legislativo é um ato


eminentemente político, consubstanciado na concordância ou recusa,
total ou parcial, na aprovação de um projeto de lei. Nessa linha de
raciocínio, é imperioso dizer que esse ato político, quando a matéria em
lume é o desporto, costuma revestir-se de muita polêmica, notadamente
diante da manifestação do desporto profissional - futebol. Não é de hoje
que o Executivo Federal tenta modificar a legislação existente nesse
campo “minado” ou “movediço” da paixão nacional, eivado de interesses
contrapostos e dotados de muita obscuridade.

Em suma, não há que se falar em inconstitucionalidade deste


ou daquele Código apenas porque não decorreu de projeto de lei
aprovado pelas Casas Legislativas, mesmo porque, conforme dispõe a
própria Carta Magna, o controle de constitucionalidade é feito pelo Poder
Judiciário (no critério difuso, pelos juízes de primeiro grau e no critério

52 Cléve, Clémerson Merlin. Atividade Legislativa do Poder Executivo. 2ª ed., Editora RT, São
Paulo, 2000, p.110.

53 Júnior, João Jampaulo. O Processo Legislativo Municipal. Editora LED, São Paulo. p.114 a
117.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 88

concentrado pelo Supremo Tribunal Federal), não havendo previsão de


existência desse controle pelo Poder Executivo.

Acrescentamos a esse argumento, a constatação de que não


há, no ordenamento jurídico, autorização para que o administrador deixe
de aplicar a lei que entenda confrontar a Constituição da República. Mas
sim, muito pelo contrário, a determinação constitucional é no sentido de
que todas as leis vigentes devem ser aplicadas, pois são consideradas
constitucionais até o momento em que sejam formalmente declaradas
inconstitucionais pelo órgão competente. E não se tem notícia de que o
art. 11 da Lei nº 9.615/1998 que fixa a competência do Conselho
Nacional de Esporte para aprovação dos Códigos de Justiça Desportiva e
suas alterações tenha sequer sido objeto de ADIN (Ação Direta de
Inconstitucionalidade).

Aliás, as atribuições do CNE exigem a presença plural dos


segmentos que constituem o Sistema Brasileiro do Desporto e o Sistema
Nacional do Desporto, servindo para auxiliar o Executivo no cumprimento
de suas finalidades precípuas, ou seja, na orientação e implementação de
uma Política Nacional do Esporte, dentre outras atribuições conferidas por
lei, o que legitima sobremaneira os Códigos de Justiça Desportiva por ele
aprovados.

Superada a questão da constitucionalidade da codificação


desportiva pátria, os Códigos que elegemos como referência para o nosso
estudo são:

• CBJD - Código Brasileiro de Justiça Desportiva (Resolução


nº 01/2003 alterada pelas Resoluções nº 11/2006 e 29/2009 do
Conselho Nacional do Esporte – CNE);

• CNOJDD – Código Nacional de Organização da Justiça e


Disciplina Desportiva - Ministério do Esporte;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 89

• COJDD – Código de Organização da Justiça e Disciplina


Desportiva – Governo do Paraná – Resolução nº 03/2006 do Conselho
Estadual do Esporte e Lazer;

• CBJDE - Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o


Desporto Educacional (projeto ainda em tramitação para aprovação em
180 dias pelo CNE - exigência do art. 60 do Decreto 7984 de 08 de abril
de 2013).

Além dos Códigos acima, é preciso registrar que a existência


de Códigos de Justiça Desportiva em órgãos governamentais de Estados
e Municípios encontra respaldo no art. 25 da Lei 9.615/9854, e também da
proposta que tramita na Comissão de Estudos Jurídicos do Ministério do
Esporte, qual seja o Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o
Desporto Educacional - CBJDE, que nos termos do art. 60 do Decreto
7984/2013, se revela uma exigência para fins de aprovação em 180 dias
pelo CNE, ouvidas as Confederações Brasileiras de Desporto Universitário
(CBDU), e Desporto Escolar (CBDE).

O art. 8o. do Decreto 7.984/2013 reforça a autonomia dos


entes federados e municipalidades à criação de seus próprios sistemas
desportivos, o que inclui a estrutura orgânica e codificação para as
instâncias desportivas municipais e estaduais vinculadas ao Poder
Público:

Art. 8o. A relação entre o Sistema Brasileiro do Desporto e os sistemas de


desporto dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios observará o
princípio da descentralização, com organização e funcionamento
harmônicos de sistemas desportivos diferenciados e autônomos de cada
ente federativo. 

54 Art. 25. Os Estados e o Distrito Federal constituirão seus próprios sistemas, respeitadas as
normas estabelecidas nesta Lei e a observância do processo eleitoral.
Parágrafo único. Aos Municípios é facultado constituir sistemas próprios, observadas as
disposições desta Lei e as contidas na legislação do respectivo Estado.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 90

Nesse sentido, Giovani Rodrigues Mariot e Alexandre Beck


Monguilhott explicam que “em vista de tal permissivo é que existe o
Sistema Catarinense, fomentado e sustentado pelo Estado de Santa
Catarina e regulado pela Lei Estadual nº 9.808, de 26 de dezembro de
1994. Vale dizer que em Santa Catarina as competições promovidas e
desenvolvidas pela FESPORTE – Fundação Catarinense de Desporto – que
é parte integrante do Sistema Catarinense – estão sujeitas à jurisdição do
TJDSC e têm como regramento disciplinar aplicável um código próprio.
Não por mero capricho, mas, visando atender as peculiaridades dos
eventos promovidos no Sistema Catarinense, é que o Legislador Barriga
Verde optou por criar regramento disciplinar próprio, não se sujeitando ao
CBJD, o que não gera nenhuma ilegalidade ou contradição, mas uma
necessidade. Vale ressaltar, aliás, que este sistema, a exemplo do Sistema
Nacional sujeito ao CBJD, também contempla, além dos princípios
constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do duplo grau de
jurisdição, dentre outros princípios codificados como a oralidade,
razoabilidade, publicidade, etc.”55

Os Códigos de Justiça Desportiva indicam, logo nos seus


primeiros dispositivos, quais são os seus destinatários, sendo certo que
abrangem especificamente o desporto de prática formal, conceituado
pela legislação infraconstitucional (art. 1º, parágrafo 1º da Lei 9.615/98)
como aquele regulado por normas nacionais e internacionais e pelas
regras de prática desportiva de cada modalidade, aceitas pelas
respectivas entidades nacionais de administração do desporto (mais
conhecidas por Confederações).

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva - CBJD delimitava a


sua aplicabilidade basicamente às pessoas físicas ou jurídicas filiadas ou

55 MARIOT, Giovani Rodrigues (Organizador). OAB em Movimento. Florianópolis: Ed. OAB/


SC, 2006. p. 271.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 91

vinculadas às entidades que compõe o Sistema Nacional do Desporto,


assim delineado no parágrafo único do art. 13 da Lei 9.615/98:

“Art. 13 (...)
...
Parágrafo único. O Sistema Nacional do Desporto congrega as pessoas
físicas e jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos,
encarregadas da coordenação, administração, normalização, apoio e
prática do desporto, bem como as incumbidas da Justiça Desportiva e,
especialmente:
I - o Comitê Olímpico Brasileiro-COB;
II - o Comitê Paralímpico Brasileiro;
III - as entidades nacionais de administração do desporto;
IV - as entidades regionais de administração do desporto;
V - as ligas regionais e nacionais;
VI - as entidades de prática desportiva filiadas ou não àquelas referidas
nos incisos anteriores.”
Com a reforma do texto do CBJD, através da Resolução CNE
29/2009, ocorreu um verdadeiro detalhamento dessa abrangência, senão
vejamos:

Art. 1º. (...)


§ 1º Submetem-se a este Código, em todo o território nacional: (AC).
I - as entidades nacionais e regionais de administração do desporto; (AC).
II - as ligas nacionais e regionais; (AC).
III - as entidades de prática desportiva, filiadas ou não às entidades de
administração mencionadas nos incisos anteriores; (AC).
IV - os atletas, profissionais e não-profissionais; (AC).
V - os árbitros, assistentes e demais membros de equipe de arbitragem;
(AC).
VI - as pessoas naturais que exerçam quaisquer empregos, cargos ou
funções, diretivos ou não, diretamente relacionados a alguma modalidade
esportiva, em entidades mencionadas neste parágrafo, como, entre
outros, dirigentes, administradores, treinadores, médicos ou membros de
comissão técnica; (AC).
VII - todas as demais entidades compreendidas pelo Sistema Nacional do
Desporto que não tenham sido mencionadas nos incisos anteriores, bem
como as pessoas naturais e jurídicas que lhes forem direta ou
indiretamente vinculadas, filiadas, controladas ou coligadas. (AC).
Resta claro portanto que a estrutura orgânica proposta pela
legislação de regência ao CBJD vincula-se exclusivamente às competições
organizadas pelas chamadas entidades de administração do desporto
(Confederações e Federações) e eventuais ligas, porquanto a própria lei
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 92

exclui, em seu art. 51, a incidência de tais regras de Justiça Desportiva


aos Comitês Olímpico e Paralímpico.

Já Códigos como CNOJDD (que acabará sendo sucedido pelo


CBJDE), COJDD/Pr e outros, criados e vinculados diretamente a entidades
de personalidade jurídica de direito público, aplicam-se, “via de regra”,
tão-somente a pessoas físicas e jurídicas participantes, direta ou
indiretamente, de competições promovidas pelos próprios órgãos da
Administração Pública de qualquer esfera ou poder da União, Distrito
Federal, Estados e Municípios, conforme o caso.

Diz-se via de regra porque o Comitê Olímpico Brasileiro -


COB, mesmo sendo uma entidade privada mas que, como dito, não se
submete às normas da Lei 9.615/98 previstas para a Justiça Desportiva,
adota o CNOJDD às Olimpíadas Colegiais56. No mesmo sentido, é
perfeitamente possível que entes públicos de Estados e Municípios optem
por não criar uma codificação específica, mas elejam formalmente
determinado Código como o instrumento que regulará suas competições.

O que não poderá ocorrer no desporto de rendimento é uma


entidade privada que integra o Sistema Nacional do Esporte aplicar um
código que não o CBJD, porquanto não há permissivo legal para tanto. O
mesmo ocorrerá com o desporto educacional, que deverá observar o
CBJDE (Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o Desporto
Educacional) ainda a ser aprovado pelo CNE por força do parágrafo 2º.
do art. 11 do Decreto No 7.984/2013 (vide legislação complementar no
anexo).

Em outras palavras, a liberdade de criação ou utilização de


um instrumento disciplinar (Código de Justiça Desportiva) existente se
restringe a manifestação do desporto de participação e aos órgãos como

56 Fonte: www.cob.org.br
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 93

Governo da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e, eventualmente


e conforme o caso, ao Comitê Olímpico e Paralímpico Brasileiro que, na
hipótese de organizarem eventos classificados como desporto
educacional, poderão ser obrigados à observância do CBJDE.

De todo modo, a Justiça Desportiva, repita-se, é composta


por um conjunto de instâncias desportivas atreladas à jurisdição e
territorialidade das entidades organizadores ou promotoras das
competições, com atribuições de dirimir os conflitos de natureza
desportiva e de competência limitada ao processo e julgamento de
infrações disciplinares definidas em códigos desportivos.

A experiência do Paraná

Aliado ao presente estudo, utilizaremos para fins didáticos e


metodológicos como paradigma de sistema estadual do desporto (art. 25
da Lei 9.615/98), o Código de Organização da Justiça e Disciplina
Desportiva – COJDD do Governo do Paraná que serviu, tanto de modelo
para a criação do CNOJDD às competições do Governo Federal, como
para auxiliar nas propostas de unificação e alteração do CBJD
(Confederações, Federações, Clubes, Ligas etc - entidades privadas). A
idéia é trazer à colação uma codificação para servir de espelho para
Estados e Municípios que ainda não tenham, sob o panorama disciplinar,
criado seus sistemas desportivos.

A Justiça Desportiva da Administração Pública do Paraná é


também resultante do incansável trabalho de Renato Geraldo Mendes e a
escolha da referida codificação (COJDD), cujo texto original é de sua
autoria, pautou-se pela experiência prática regional, demonstrada ao
longo de mais de quinze anos de sua evolução.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 94

O Prof. Dr. Alberto Puga Barbosa faz o retrospecto histórico


da contribuição do Paraná no cenário da Justiça Desportiva, lembrando a
origem do Código Nacional de Organização da Justiça e Disciplina
Desportiva (CNOJDD):

“A experiência do Estado do Paraná nas competições de natureza pública,


a exemplo da obra de Schmitt, Quadros, Binhara e Silva (1996), ganha
cenário nacional nos VI Jogos da Juventude, Goiânia, julho de 2002,
quando é aplicado pela primeira vez o Código Nacional de Organização
da Justiça e Disciplina Desportiva (CNOJDD) num trabalho proposto por
Schmitt e Quadros (2002), para as competições organizadas pelo Poder
Público Federal, em especial, o atual Ministério do Esporte e sua
divulgação junto às delegações do estados brasileiros, partícipes
daquelas competições.” 57
Atualmente, é inconteste que o Poder Público é o promotor
de eventos esportivos com o maior número de participantes. Exemplo
disso, independente da nomenclatura, são os Jogos Abertos, Jogos da
Juventude e Jogos Escolares, competições poliesportivas que ocorrem na
maioria dos Estados e Municípios do Brasil. Somente no Paraná, em
competições promovidas apenas pelo Estado, são mais de 40.000
pessoas envolvidas nas mais variadas fases regionais e finais. Tais
competições assumem características muito próprias, mais precisamente
pelas suas condições de participação, número de modalidades, formas de
disputa e o seu período ininterrupto de realização.

O regulamento desse tipo de competição é um contrato entre


os participantes e os respectivos promotores, entes públicos e, como todo
contrato, faz lei entre as partes. Com isso, é forçoso que seja adotada
uma estrutura própria para que sejam dirimidos os casos disciplinares
decorrentes desse tipo de competição, onde há um envolvimento direto
da Administração Pública. No caso do Paraná, a Justiça Desportiva desse
tipo de competições já está totalmente consolidada. Em atividade desde

57 Texto integrante do material didático do I Congresso Nacional de Justiça Desportiva:


Curitiba/Pr, 16 a 18/11 de 2005.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 95

1988, possui organização e funcionamento comprometidos com a mais


adequada administração da justiça, orientando, fiscalizando, processando
e julgando as questões de natureza disciplinar.58

A experiência paranaense aliou, há mais de uma década,


acadêmicos e profissionais de Direito e Educação Física em um
movimento de estruturação que ampliou os horizontes da gestão
esportiva, pois alcançou de forma legítima a regulação das atividades
desportivas, reduzindo drasticamente a violência e disponibilizando aos
participantes dos seus eventos a segurança jurídica necessária, através
da interpretação dos dispositivos disciplinares e regulamentares.

Ana Paula Myszczuk ressalta a importância da composição


dos tribunais desportivo do sistema desportivo do Estado do Paraná por
profissionais da Educação Física:

“Há que se destacar, também, a importante participação dos profissionais


de Educação Física nos tribunais do poder público no Estado do Paraná.
Isto permite ao profissional de Direito um diálogo interdisciplinar, travando
contato com outro tipo de conhecimento desportivo, o técnico-científico.
Desta maneira, é oportunizada a oxigenação das bases fundamentais do
profissional da área jurídica, com elementos externos à sua a própria
ciência, podendo remodelar sua atuação com o objetivo de atender às
respostas da sociedade em favor de uma ordem social e jurídica mais
justa.”59
Atualmente, a estruturação aplicada pelo modelo paranaense
permite que a indisciplina e a violência sejam punidas de forma célere,
sem prejudicar a organização do evento e sempre respeitados os
princípios de contraditório e ampla defesa. A experiência demonstra que
o órgão julgador pode abranger todas as modalidades desportivas
desenvolvidas durante o evento. Daí um dos elementos que

58 SILVA, João Bosco e SCHMITT, Paulo Marcos. Entenda o Projeto Pelé. LIDO: Londrina/Pr,
1997, p. 93.

59 O papel dos Tribunais de Justiça Desportiva do Governo do Estado do Paraná na formação


dos profissionais que atuam na área do Direito Desportivo. Texto integrante do material didático
do I Congresso Nacional de Justiça Desportiva: Curitiba/Pr, 16 a 18/11 de 2005.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 96

impossibilitam a adoção da estrutura e composição de tribunais


desportivos propostas pelos arts. 50 e seguintes da Lei 9.615/98.

Da mesma forma, as questões de interpretação do próprio


Código e do Regulamento da competição, em casos concretos e no
âmbito do Poder Público, são deferidas ao órgão julgador, transmitindo
segurança jurídica às pessoas físicas e jurídicas participantes.

Assim, a codificação que ora emprestamos à análise e que


encontra respaldo na organização e funcionamento da Justiça Desportiva
do Paraná, é exemplo de seriedade, serenidade, celeridade e
reconhecimento no âmbito do desporto organizado, coordenado ou
supervisionado pelo Poder Público Estatal, tendo julgado mais de três mil
processos disciplinares desde o seu nascedouro e culminando com a
queda vertiginosa em mais de 60% das punições a pessoas físicas entre
1.988 e 2.005, conforme demonstra o gráfico a seguir.

Quadro de Puniçoes - Pessoas Físicas


300

225

150

75

0
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
00
01
02
03
04
05
19
19
19
19
19
19
19
19
19
19
19
19
20
20
20
20
20
20

QUADRO DE PUNIÇÕES - PESSOAS FÍSICAS


Ano 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996
Punidos 287 277 176 193 172 75 74 98 77
Ano 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
Punidos 80 65 70 72 68 70 75 90 89
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 97

A avaliação da Justiça Desportiva do Governo do Paraná


consta de trabalho de conclusão de curso de Mauro Myskiw, publicado
em parte na forma de artigo na versão impressa do CNOJDD60 e aponta
as seguintes conclusões e resultados:

“Resumo: Este estudo teve como objetivo analisar a percepção da


Comunidade Esportiva Paranaense sobre o trabalho dos Tribunais de
Justiça Desportiva nos Jogos Oficiais do Paraná. Para tanto, foram
abordadas 603 pessoas, dentre eles atletas (292), comissão técnica (99),
dirigentes (52), árbitros (114) e organizadores (40), sendo 420 do sexo
masculino e 183 do sexo feminino. Para obtenção dos dados utilizou-se
um questionário com perguntas objetivas. Face aos resultados obtidos
observou-se o reconhecimento de credibilidade no desempenho dos
Tribunais Desportivos ao atender a comunidade desportiva paranaense de
maneira qualificada, no exercício de sua função.
...
5. Considerações finais
Face as características dos resultados apresentados e discutidos
podemos inferir um reconhecimento de credibilidade no desempenho dos
Tribunais de Justiça Desportiva atuantes nos Jogos Oficiais do Paraná,
consubstanciado pela sua configuração administrativa sempre atenta aos
princípios legais do direito penal, administrativo e desportivo vigentes,
sobretudo, atendendo a comunidade desportiva paranaense de maneira
qualificada. A preparação preliminar certamente esta relacionada a
percepção positiva.
Na medida em que se aglomeram interesses no resultado de partidas e/ou
eventos, cresce a importância presencial dos Tribunais Desportivos. Jogos
ou provas ganham em motivação, emoção e responsabilidade. Qualquer
ato ilícito ou conflito de interesses necessita ser dissolvido no sentido de
valorizar a prática desportiva e o trabalho dos dirigentes e promotores do
evento, o que parece estar ocorrendo, tendo em vista os resultados desta
pesquisa.”
Valores percentuais gerais sobre a atuação da Justiça Desportiva da Paraná Esporte
50,00

37,50

25,00

12,50

0
Regular Boa Excelente

60 Mauro Myskiw e Paulo Marcos Schmitt. A percepção da comunidade esportiva sobre a


atuação dos tribunais nos Jogos Oficiais do Paraná. Brasília/DF: Ministério de Esporte e
Turismo, 2002, pp.137/142.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 98

Jurisdição e territorialidade dos tribunais desportivos

Em linhas gerais, os elementos que diferenciam os diversos


órgãos judicantes estão centrados na jurisdição, competência e
territorialidade.

Jurisdição, em sede de Justiça Desportiva, deve ser


compreendida como poder de deliberação regularmente conferida aos
órgãos judicantes para o conhecimento de certos litígios desportivos. Isto
se dá em razão da suposta inadequação da expressão para atividades
extrajudiciais, pois é tradicionalmente conceituada como designativo de
atribuições especiais aos magistrados, encarregados da administração da
justiça, o que inocorre em uma Justiça (Desportiva) que não integra o
Poder Judiciário.

Não obstante, a terminologia está coadunada à compreensão


contemporânea de que há meios alternativos de solução de conflitos de
interesse. E, neste cenário, a Justiça Desportiva ganha maior significação,
por seu reconhecimento constitucional, coadunando-se ao conceito atual
e abrangente de jurisdição. Da mesma forma, constata-se que a
competência territorial quer significar o estabelecimento de limitação de
espaço territorial em que o presidente do órgão judicante possui
jurisdição61 .

Estrutura dos Órgãos da Justiça Desportiva

Instâncias da Justiça Desportiva - Estrutura dos órgãos judicantes que


funcionam junto às Federações, Confederações e Ligas

61 Compilação e adaptação de expressões do Vocabulário Jurídico – De Plácido e Silva, 7ª


edição, 1982.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 99

INSTÂNCIAS E ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DESPORTIVA

De início, convém consignar que “instância” na Justiça


Desportiva tem o mesmo significado que na Justiça Comum. Ou seja, se
nos tribunais comuns quer dizer o grau de hierarquia do Poder Judiciário,
em sede de Justiça Desportiva quer significar a estrutura hierárquica dos
tribunais desportivos.

Comissões Disciplinares Nacionais ou Regionais, ressalvadas


as hipóteses de competência originária do STJD e TJD, são órgãos que
processam e julgam em primeira instância as pessoas físicas e jurídicas
submetidas ao CBJD.

O STJD e os TJDs de cada modalidade são órgãos judicantes


que via de regra (novamente fazendo a ressalva da competência
originária) atuam em grau de recurso (2ª instância -, ou até mesmo
como 3ª instância nas situações de esgotamento da matéria no TJD e
cabimento de recurso ainda ao STJD).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 100

O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS/CAS), conforme


previsão em norma internacional da respectiva modalidade esportiva
(como no caso do futebol), é a última instância da Justiça
Desportiva.

É importante destacar que a competência originária do STJD


ou TJD para processo e julgamento, via de regra, ocorre em razão da
pessoa (foro privilegiado) ou em face da matéria a ser submetida a
análise e julgamento.

Sob o aspecto da territorialidade, os órgãos judicantes


brasileiros estão diretamente relacionados com os limites de atuação das
entidades de administração do desporto (regionais ou nacionais). Os
Tribunais de Justiça Desportiva e Comissão Disciplinar Regional que
funcione junto a si, por exemplo, estão afetos, por modalidade esportiva,
às entidades regionais de administração do desporto (Federações -
abrangência estadual). Já o Superior Tribunal de Justiça Desportiva e sua
respectiva Comissão Disciplinar Nacional possuem a mesma abrangência
das entidades nacionais de administração do desporto, também por
modalidade esportiva (Confederações – todo o território nacional).

Outro ponto importante, diz respeito a possibilidade dos


Tribunais de Justiça Desportiva apreciarem, em grau de recurso,
processos oriundos de Comissões Disciplinares Regionais constituídas por
Ligas Municipais, desde que a referida liga esteja vinculada a entidade
regional de administração do desporto.

Muito embora a Lei n° 9.615/98 não trate de maneira direta


das Ligas Municipais, é inegável que as mesmas fazem parte do Sistema
Nacional do Desporto, uma vez que integram o sub-sistema relacionado
às entidades regionais de administração do desporto (Federações). E
exatamente por estarem atreladas às entidades regionais, as Ligas
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 101

Municipais estão submetidas ao sistema organizacional das respectivas


Federações, tanto no aspecto técnico/administrativo, quanto na questão
relacionada à Justiça Desportiva.

Vale destacar que os Tribunais de Justiça Desportiva devem


criar Comissões Disciplinares Regionais vinculadas à sua estrutura, e
podem instituir que funcionem junto às ligas existentes, conforme se
observa no art. 27, IV, do CBJD.

Já o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS / CAS - Corte Arbitral


do Esporte <www.tas-cas.org>) é um órgão judicante internacional que
tem sede em Lausane (Suíça) e, a exemplo dos nossos órgãos judicantes
no Brasil, goza de total independência de qualquer organização esportiva.
A sua competência está diretamente ligada a facilitar a resolução de
litígios relacionados com o desporto por meio de arbitragem ou de
mediação, através de normas processuais, adaptados às necessidades
específicas do mundo dos esportes.

O TAS/CAS, como é mais conhecido, foi criado em 1984 e é


colocado sob a autoridade administrativa e financeira do Conselho
Internacional de Arbitragem do Esporte (ICAS), e tem cerca de 300
árbitros de 87 países, escolhidos por seus conhecimentos de especialista
de arbitragem e direito desportivo.

Como se disse, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS-CAS) tem


a tarefa de resolver disputas legais no domínio do desporto por meio de
arbitragem. E faz isso por meio de sentenças arbitrais que têm a mesma
força executiva que sentenças dos tribunais comuns. Além disso, pode
emitir pareceres consultivos sobre questões jurídicas relacionadas com o
desporto.

Ainda, o TAS fixa e estabelece tribunais não permanentes,


quando da realização de Jogos Olímpicos ou outros grandes eventos
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 102

semelhantes. Para levar em conta as circunstâncias de tais eventos, as


regras processuais especiais são estabelecidos em cada ocasião.

Quaisquer disputas, direta ou indiretamente ligadas ao


esporte podem ser enviadas para o TAS-CAS, desde litígios de natureza
comercial (por exemplo, um contrato de patrocínio), como de natureza
disciplinar na sequência de uma decisão de uma organização desportiva
(por exemplo, um caso de doping ou outra infração disciplinar julgada no
tribunal desportivo brasileiro).

Estrutura das instâncias desportivas que funcionam junto ao Ministério


do Esporte - CNOJDD (CBJDE proposta)

JUSTIÇA DESPORTIVA - CNOJDD / CBJDE (proposta)

As Comissões Disciplinares Especiais são chamados órgãos


judicantes de 1ª instância, competentes para julgar originariamente os
processos disciplinares. Já a Comissão Permanente, como adiante
veremos, possui competência híbrida, pois, além de atuar em 1ª
instância, reanalisa os casos julgados pelas Comissões Especiais em
situações excepcionalíssimas nos casos de recursos de revisão.

As atribuições e competências das Comissões Disciplinares


Especiais estão intimamente relacionadas ao período em que se realiza
determinada competição. Como dito, é órgão que processa e julga
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 103

originariamente (1ª instância) tanto pessoas físicas como pessoas


jurídicas que, de qualquer modo, infringirem as disposições do Código,
Regulamento ou regras das modalidades em um evento esportivo
específico.

Como o que determina a competência das Comissões


Especiais é o seu caráter de transitoriedade, isto é, a atribuição de
julgamento dos processos durante a realização de eventos esportivos,
qualquer caso não disposto no Código, Regulamento, regras e demais
normas (casos omissos) também devem ser resolvidos por estas
Comissões.

Semelhante às Comissões Especiais, a Comissão Permanente


também julga em 1ª instância, entretanto o que a torna diferente é o
julgamento de processos antes ou após o encerramento dos trabalhos
realizados pelas Comissões em determinado evento. Quando surgirem
dúvidas veementes a respeito de qual Comissão deve apreciar
determinado processo, a Comissão Permanente é o órgão indicado para
resolver o “conflito de competência”. Também compete à Comissão
Permanente apreciar (i) os recursos de revisão e (ii) os embargos de
declaração interpostos contra suas próprias decisões.

A regra é que as Comissões Especiais possam processar e


julgar tudo que ocorrer durante uma competição, mas nem sempre isto é
possível. É comum que os fatos ocorridos no último dia dos jogos devam
ser apreciados pela Comissão Permanente. Vários motivos podem
determinar a remessa de determinado caso, seja pela complexidade da
causa, porque os denunciados não puderam ser encontrados, porque as
testemunhas mais importantes já se retiraram da competição, dentre
outros fatores.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 104

O importante é que existam possibilidades de defesa e da


busca da verdade. Do contrário, caso a situação fática não permita,
torna-se desaconselhado que o feito seja apreciado pela respectiva
Comissão Especial, devendo ser remetido à Permanente.

Como nas demais Comissões, a Comissão Disciplinar


Permanente julga os impedimentos de seus membros em determinado
processo disciplinar, os mandados de garantia e os casos omissos
quando já encerrado o evento.

Estrutura dos tribunais desportivos que funcionam junto à Secretaria de


de Estado do Esporte - Governo do Paraná

JUSTIÇA DESPORTIVA - COJDD

O que diferencia basicamente o Tribunal Permanente do


Tribunal Especial é a sua localização e o período de funcionamento.
Enquanto que o funcionamento do Permanente é ininterrupto na capital
do Estado, o Tribunal Especial atua transitoriamente e especificamente na
sede do evento, durante a sua realização. O Tribunal de Recursos
também tem sua sede na capital do Estado e como o Tribunal
Permanente funciona o ano todo sediado na Paraná Esporte, que é o
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 105

órgão mantenedor dos tribunais desportivos. Apesar disso, a atuação da


Justiça Desportiva no Estado é autônoma e independente, sendo que
suas decisões não podem ser afetadas por atos emanados dos órgãos da
Administração Pública, sob pena de tornarem-se sem efeito ou finalidade.

Os Tribunais Permanente e Especial são os chamados


tribunais de 1ª instância, que julgam os processos disciplinares pela
primeira vez em uma primeira análise. Já o Tribunal de Recursos,
reanalisa os casos julgados ou pelo Tribunal Especial ou pelo Tribunal
Permanente.

Composição dos órgãos da Justiça Desportiva

Os tribunais desportivos que funcionam junto às


Confederações, Federações e Ligas – Sistema Nacional do Desporto
(privado) STJD e TJDs, devem ser compostos de forma quase que
paritária, por nove membros indicados por segmentos desportivos e pela
Ordem dos Advogados do Brasil, consoante o previsto em lei (art. 55 da
Lei nº 9615/98) e o disposto nos arts. 4º e 5º do CBJD.

Tal representatividade, porém, não significa que a entidade


ou órgão indicante possa, a qualquer tempo, requerer a substituição do
indicado (em geral seria motivada pela atuação do auditor em
desconformidade aos interesses da entidade, como se dela representante
fosse). Em outras palavras o mandato não pertence às referenciadas
entidades ou órgãos, mas apenas a indicação. Enfim, o mandato deve ser
cumprido integralmente, a não ser em casos excepcionais como de
vacância, licenças e outros, como veremos adiante.

A regra para a composição do STJD ou TJD do sistema


federado é a seguinte:
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 106

• 2 (dois) indicados pela entidade nacional de administração


do desporto (STJD ou pela entidade regional de administração de
desporto (TJD);

• 2 (dois) indicados pelas entidades de prática desportiva que


participem da principal competição da entidade Nacional de
administração do Desporto (STJD) ou pelas entidades de prática
desportiva que participem da principal competição da entidade regional
de administração do desporto (TJD);

• 2 (dois) advogados indicados pelo Conselho Federal da


Ordem dos Advogados do Brasil (STJD) ou pela Ordem dos Advogados
do Brasil, por intermédio da seção correspondente à territorialidade
(TJD);

• 1 (um) representante dos árbitros, indicado por sua


entidade representativa (entidade de classe, conf. Lei 12.395/2011); e

• 2 (dois) representantes dos atletas, indicados por sua


entidade representativa (entidades sindicais, conf. Lei 12.395/2011).

As Comissões Disciplinares devem ser compostas por cinco


membros, mediante indicação dos respectivos STJD ou TJD, desde que
não pertençam aos referidos órgãos judicantes. Podem ser criadas tantas
Comissões Disciplinares quantas se fizerem necessárias (arts. 4º.-A e 5º-A
do CBJD).

A crítica fica por conta da indicação do segmento dos atletas.


De acordo com a legislação vigente (art. 55, V, da Lei 9.615/98, com
redação dada pela Lei 12.395/2011), dentre os nove auditores de cada
STJD, dois devem ser indicados pelos atletas. Na vigência do Decreto
2.574/98, a norma era regulamentada por intermédio da determinação
de que a representatividade de atletas se dava por “entidades de
classe” (artigo 57, §5º do Decreto n° 2.574/98).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 107

D i a n t e d a t ra n s p a r e n t e i n c o m p a t i b i l i d a d e e n t r e
representatividade desportiva e representatividade classista ou sindical, o
dispositivo foi revogado pelo Decreto n° 5.000/04.

A alteração da Lei Pelé, através da Lei 12.395/2011, acabou


por repisar o erro anterior, retomando a determinação de que os
representantes dos atletas, e também dos árbitros, devam ser indicados
por suas respectivas entidades sindicais e classistas, repristinando a
confusão entre representação sindical e representação desportiva.

A representação sindical diz respeito exclusivamente a


questões relacionadas no artigo 8º. da Constituição Federal e nos artigos
511 e seguintes da CLT. Não tem qualquer relação com a representação
desportiva.

O impacto da alteração legislativa é desastroso, pois: (i)


entidades sindicais representam atletas sob a perspectiva trabalhista e
empregatícia; vale dizer, são órgãos de classe da categoria dos atletas
profissionais; de outro lado, (ii) a única modalidade que, atualmente,
alberga atletas profissionais como regra, é o futebol. Assim, os STJDs das
demais modalidades ficariam carentes da representação de atletas, pois
os mesmos não são sindicalizados pelo simples fato de não serem, via de
regra, profissionais.

Como se vê, o legislador parece ter considerado que existe


apenas um STJD (o do futebol), quando – na verdade – cada modalidade
desportiva no Brasil tem seu próprio STJD e demais órgãos judicantes
desportivos. E mais, confronta a própria realidade ao desconsiderar que
os atletas das demais modalidades não são profissionais e, de
conseqüência, não são sindicalizados; portanto, não podem ser
representados por entidades de classe.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 108

E mesmo em relação à modalidade de futebol, o STJD não


julga apenas atletas profissionais, mas também atletas em formação (não
profissionais, na denominação legal vigente).

Em síntese, o STJD do Futebol não julga apenas atletas


profissionais, mas também os não profissionais e os em formação, além
de todos aqueles ligados direta ou indiretamente às competições. O
mesmo ocorre nas demais modalidades esportivas aonde, regra geral, as
entidades diretivas não se organizam de modo profissional. Assim,
mesmo no futebol, a representação por entidades de classe não abrange
todos os atletas, mas apenas sua minoria.

De outra parte, para os órgãos judicante que integram o


sistema público (competições promovidas pela Administração Pública da
União, Estados e Municípios) ou Comitê Olímpico Brasileiro, comumente
as áreas de envolvimento na atuação da Justiça Desportiva são advindas
das cadeiras de Educação Física e de Direito, sendo, portanto
interessante que a composição dos tribunais desportivos recaia sobre
profissionais e/ou acadêmicos dessas duas áreas do conhecimento. É
imperioso que sejam realizados, anualmente, cursos de Justiça
Desportiva, preferencialmente nas Instituições de Ensino Superior,
destinados à formação e preparação de acadêmicos para o exercício das
atividades das instâncias desportivas, como bem destaca Alessandro
Kioshi Kishino ao referir-se à estrutura dos tribunais desportivos que
funcionam junto à Paraná Esporte:

“E exatamente pelo fato dos membros dos órgãos judicantes se


submeterem a cursos de capacitação e serem previamente avaliados, a
Justiça Desportiva do Governo do Estado do Paraná é qualificada e
eficiente, sendo constantemente apontada como um celeiro de inovações
e de conquistas para o Direito Desportivo.”62

62 Justiça Desportiva do Governo do Estado do Paraná: algumas considerações. Texto


integrante do material didático do I Congresso Nacional de Justiça Desportiva: Curitiba/Pr, 16 a
18/11 de 2005.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 109

A criação de um Quadro Geral de Justiça Desportiva também


é uma alternativa extremamente interessante, a exemplo do que ocorre
no Estado do Paraná (COJDD). A criação do Quadro Geral, aliada ao
enquadramento do pessoal em categorias, viabiliza a estipulação e a
observância de parâmetros objetivos destinados à composição das
respectivas comissões disciplinares ou tribunais desportivos, conforme o
caso.

Ilustrativamente, no âmbito do Governo do Paraná, foi criado


efetivamente em 2005 o Conselho Estadual de Esporte e Lazer que
reconheceu e recriou na sua esfera uma comissão temática, qual seja a
Comissão Especial de Justiça Desportiva que, dentre suas atribuições,
encontra-se a de elaborar a composição dos tribunais desportivos
mediante atos administrativos próprios.

E o número de membros de cada tribunal ou comissão


disciplinar depende da realidade e necessidade em face das
características das competições que encontram-se sob sua jurisdição,
desde que expressamente previsto no Código (CNOJDD, COJDD etc).

Competência dos órgãos e membros da Justiça Desportiva

Competência das instâncias desportivas

Inicialmente é preciso salientar que a competência consiste


na aptidão e no poder de desenvolver determinadas atribuições, seja por
determinado órgão ou entidade, seja por parte de um dado agente. Em
nosso sistema desportivo, para ser válida, deve derivar e ser delimitada
por lei e ou codificação desportiva.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 110

A doutrina que melhor se aproxima das nuances do Direito


Desportivo é a já consagrada pelo Direito Administrativo. Vejamos alguns
posicionamentos sobre o tema, preliminarmente sob a definição de Hely
Lopes Meirelles 63:

"Entende-se por competência administrativa o poder atribuído ao agente


da Administração para o desempenho específico de suas funções. A
competência resulta da lei e por ela é delimitada. Todo ato emanado de
agente incompetente, ou realizado além do limite de que dispõe a
autoridade incumbida de sua prática, é inválido, por lhe faltar um elemento
básico de perfeição, qual seja, o poder jurídico para manifestar a vontade
da Administração. Daí a oportuna advertência de Caio Tácito de que 'não
é competente quem quer, mas quem pode, segundo a norma de
Direito''"64 .
Para Lucia Valle Figueiredo, competência “é o plexo de
atribuições outorgadas pela lei ao agente administrativo para consecução
do interesse público”.65 Bem salienta a autora que esse plexo de
atribuições conferidas ao agente administrativo é determinado pela lei, ou
seja, a competência não é ilimitada, pelo contrário.

A própria lógica do regime jurídico – no caso o regime


desportivo – elege o princípio da legalidade, definindo a competência em
matéria de Justiça Desportiva quando prescreve que o Conselho Nacional
do Esporte deverá aprovar os Códigos de Justiça Desportiva e suas
alterações. O mesmo raciocínio vale para as competições promovidas pelo
Poder Público, ou seja, deve existir previsão no ordenamento jurídico
para a edições de códigos de Justiça Desportiva. No mesmo sentido e em
capítulo próprio, a Lei 9615/98 define a competência das instâncias
desportivas, ressaltando a necessidade de previsão de infrações
disciplinares em códigos.

63 Direito Administrativo Brasileiro, 20a edição, Malheiros, São Paulo, 1999, p. 134.

64 Caio tácito, O abuso de Poder Administrativo no Brasil, Rio, 1959, p. 27.

65 FIGUEIREDO, Lucia Valle. Curso de direito administrativo. 2. ed. São Paulo: Malheiros
Editores, 1995, p. 111.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 111

Sob esse aspecto, haverá vício de competência na realização


de um ato perante a Justiça Desportiva quando este for praticado com
abuso de competência, ou seja, além dos lindes permitidos pela
codificação ou, ao contrário, por simples ausência de competência,
quando o código não a confere ao órgão judicante ou ao membro que,
ilegalmente, praticou o ato. Ainda, configurará o desvio de função ou de
competência, quando restar caracterizada a irregular investidura na
função.

É importante destacar que a competência originária de


instâncias desportivas para processo e julgamento, em geral, ocorre em
razão da pessoa (foro privilegiado) ou em face da matéria a ser
submetida a análise e julgamento.

Desta forma, são os Códigos de Justiça Desportiva que fixam


a competência de cada órgão judicante. No caso das instâncias que
funcionam nos limites de territorialidade de Confederações, Federações e
Ligas, confira-se o disposto nos arts. 25 a 28 do CBJD. Já para as
competições organizadas pelo Poder Público, exemplificativamente a
Justiça Desportiva que atua perante o Ministério do Esporte (União) e
Paraná Esporte (Estado do Paraná), interessa a análise do art. 19 do
CNOJDD e dos arts. 21 a 23 do COJDD, respectivamente.

Para finalizar este tópico, interessante destacar que a Justiça


Desportiva não possui natureza consultiva, não podendo se manifestar
sobre aspectos técnicos relacionados à classificação de equipes, cadastro,
ou estruturação de entidades, entre outros assuntos.

Pelo sistema adotado pela legislação vigente, os órgãos


judicantes têm atribuições de “processar e julgar”, não lhes competindo
exercer função meramente consultiva, até mesmo porque, em cenário
diverso, os mesmos estariam substituindo a função que originariamente é
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 112

administrativa e está sob atribuição das próprias entidades de


administração.

Por óbvio, estes atos administrativos estão – sem exceção –


sujeitos à observância das normas e regras, sujeitando-se a possível
revisão pelos órgãos judicantes desportivos, em sede, v.g., de mandado
de garantia.

Funções na Justiça Desportiva

O membro de tribunal desportivo exerce função considerada


de relevante interesse público (“munus” público) e, na hipótese de
ocupar cargo público, deverá ter abonadas suas faltas ao
comparecimento de sessões de instrução e ou julgamento, computando-
se como de efetivo exercício tal participação (art. 54 da Lei nº. 9615/98).

A esse respeito torna necessário trazermos à colação


definições da doutrina acerca do conceito de cargo e de função pública.

Cargo é a mais simples e indivisível unidade de competência


a ser preenchida por um agente público, com denominação e atribuições
próprias, com vencimento certo pago pelos cofres públicos, criados por
lei, a exceção dos cargos auxiliares do Poder Legislativo, os quais são
criados por resolução da respectiva Casa. Os ocupantes dos cargos estão
sujeitos ao regime próprio, estatutário ou institucional - não contratual,
para preenchimento em caráter efetivo ou em comissão66.

Assim conceitua Hely Lopes Meirelles:

“Cargo público é o lugar instituído na organização do serviço público, com


denominação própria, atribuições e responsabilidades específicas e

66 Nesse sentido: Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo. 17 ed. São
Paulo: Malheiros, 2004, p. 233
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 113

estipêndio correspondente, para ser promovido e exercido por um titular,


na forma estabelecida em lei.”67
Já funções públicas são as atribuições a serem
desempenhadas por servidores ocupantes de cargos efetivos, que
correspondem à chefia, direção e assessoramento. Nesse sentido
vejamos o conceito apresentado por Celso Antônio Bandeira da Mello:

“Funções Públicas são plexos de atribuições criados por lei,


correspondentes e encargos de direção, chefia ou assessoramento, a
serem exercidos por titular de cargo efetivo, da confiança da autoridade
que as preenche (art. 37, V, da Constituição, com a redação dada pelo
‘Emendão’). Assemelha-se, quanto à natureza das atribuições e quanto à
confiança que caracteriza seu preenchimento, aos cargos em comissão.”68
Trata-se, portanto, de função de relevante interesse público e
não de cargo ou função pública na acepção técnica dos referidos termos.

A maior parte da doutrina pátria afirma que, não havendo


acúmulo de remunerações, não será considerado acúmulo nos termos do
artigo 37, XVI e XVII, da Constituição da República. E a atividades
daqueles que integram os tribunais desportivos que funcionam perante
Confederações, Federações e Ligas é totalmente diletante.

Segundo Ivan Barbosa Rigolin, “não haverá qualquer


impedimento numa eventual acumulação não remunerada de cargos, se
isso fosse possível até mesmo por razão horária”69. Odete Medauar ensina
que “inexiste impedimento legal à acumulação de cargos, funções ou
empregos, se não houver duas remunerações”. 70

Adilson Abreu Dallari71 conclui que:

67 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 21 ed. São Paulo: Malheiros,
1996, p. 364.

68 Ob. Cit., p. 234.

69 RIGOLIN, Ivan Barbosa. Comentários ao regime único dos servidores públicos civis, 4ª
edição. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 216.

70 MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno, 4ª edição. São Paulo: RT, 2000, p. 331.

71 DALLARI, Adilson Abreu. Regime constitucional dos servidores públicos, 2ª edição. São
Paulo: 1990, p. 71.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 114

“parece ter ficado definitivamente sepultada a controvérsia existente a


respeito da possibilidade de exercício de um outro cargo ou função por
funcionário licenciado (sem remuneração) para tratar de assuntos
particulares. Com efeito, ainda que se conclua que o funcionário
licenciado, sem remuneração, mesmo assim continua titular de seu cargo,
isto não seria motivo legalmente impeditivo do exercício de outro cargo ou
função, até mesmo porque, nessa situação, não ocorre nem acumulação
de remuneração, nem acumulação de autoridade”.72
Como se disse, a teor do disposto no art. 54 da Lei nº.
9615/98, que os membros dos tribunais desportivos exercem função
considerada de relevante interesse público. E nesse aspecto, reiteramos:
o que existe é exercício de função de relevante interesse público e não a
ocupação ou investidura em cargo ou função pública remunerada (ver
item 6.2. deste Capítulo). E ainda que seja admitida a percepção de
valores a título de pró-labore, diárias ou quaisquer outras formas de
pagamento por serviços prestados na esfera desportiva, tais verbas
jamais integrariam o sistema remuneratório de qualquer trabalhador, o
que se dirá dos agentes públicos.

Cármen Lúcia Antunes Rocha é clara quando aduz que “a lei


– e apenas a lei – é fonte formal a fundamentar o dispêndio legítimo de
recursos públicos, inclusive o pagamento de pessoal”, que “não se
haveria sequer de cogitar de feitura de gastos públicos, a dizer,
comprometimento do patrimônio público, sem o prévio consentimento

72 No mesmo sentido, Diógenes Gasparini explana que: “E o licenciado para tratar de assunto
particular? Este pode acumular? A resposta é afirmativa se se cuidar de entidades diferentes.
Com efeito, esse servidor público, na situação de licenciado para tratar de assunto de interesse
particular, ainda que se pudesse assegurar que acumula cargo, não acumula, certamente,
remunerações. Será negativa, se o servidor licenciado vier a ocupar cargo na entidade da qual
se licenciou. Não, evidentemente, por que acumula remunerações, mas porque tal situação
afronta o princípio da moralidade administrativa.” (GASPARINI, Diogenes. Direito
administrativo, 5ª edição. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 165 e 166);
E Hely Lopes Meirelles aduz: “A proibição de acumular, sendo uma restrição de direito, não
pode ser interpretada ampliativamente. Assim, como veda a acumulação remunerada,
inexistem óbices constitucionais à acumulação de cargos, funções ou empregos do serviço
público desde que o servidor seja remunerado apenas pelo exercício de uma das atividades
acumuladas. Trata-se, todavia, de uma exceção, e não de uma regra, que as Administrações
devem usar com cautela, pois, como observa Castro Aguiar, cujo pensamento, neste ponto,
coincide com o nosso, ‘em geral, as acumulações são nocivas, inclusive porque cargos
acumulados são cargos mal desempenhados.’” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito
administrativo brasileiro, 25ª edição. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 404).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 115

livre do povo” e que “a legalidade formal impõe condição translúcida para


o cuidado com as despesas públicas voltadas ao conjunto de agentes
públicos”.73

Em face ao princípio constitucional da legalidade, de


observância obrigatória para a Administração Pública, todo e qualquer
gasto a ser efetivado com os agentes públicos, sejam eles servidores ou
agentes políticos, deverá ser precedido de autorização legal.

De outra parte, também não seria em tese possível se falar


em cargo de entidade privada (Confederação Brasileira ou Federação de
Futebol, Basketball, Ciclismo, Ginástica, Handebol, Judô, dentre outras
por exemplo), mesmo porque a teor do § 3º. do art. 55 da Lei nº.
9615/98, com redação dada pela Lei nº 9.981, de 14.7.2000, “é vedado
aos dirigentes desportivos das entidades de administração e das
entidades de prática o exercício de cargo ou função na Justiça
Desportiva, exceção feita aos membros dos conselhos deliberativos das
entidades de prática desportiva”.

As principais funções nas instâncias desportivas são: (i)


Presidente; (ii) Vice-Presidente; (iii) Auditor; (iv) Procurador; (v) Defensor
e; (vi) Secretário.

A seguir, passamos a analisar as atribuições de cada qual e


algumas circunstâncias que afetam diretamente a atividade e o seu
desempenho.

Presidente e Vice-presidente dos órgãos judicantes

73 ROCHA, Cármen Lúcia Antunes. Princípio constitucionais dos servidores públicos. São
Paulo: Saraiva, 1999, p. 286 e 287.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 116

Os presidentes dos tribunais desportivos são os responsáveis


pelo perfeito e célere funcionamento da Justiça Desportiva e do
andamento dos processos desportivos, recaindo tal cargo sobre
profissionais altamente capacitados para a função, com larga experiência
na direção dos trabalhos.

Em geral o Presidente deve orientar a preparação da pauta


de julgamento dos processos, marcando dia e hora das sessões; ter
elevada capacidade de condução das atividades para apuração dos fatos,
argumentos, depoimentos e alegações articulados durante a sessão. Mais
do que dirigir os trabalhos, o Presidente nomeará um auditor que relatará
o processo, votando por último e - conforme o caso e quando houver
empate -, via de regra, seu voto prevalecerá sobre os votos dos demais
auditores.

São as seguintes atribuições elencadas nos principais Códigos


de Justiça Desportiva (art. 9º. do CBJD), sem prejuízo daquelas
conferidas por Lei, Código e Regimento Interno ou delegadas:

• Zelar pelo perfeito funcionamento do Tribunal e fazer


cumprir suas decisões;

• ordenar a restauração de autos;

• dar imediata ciência, por escrito, das vagas verificadas no


Tribunal ao Presidente da entidade indicante;

• determinar sindicâncias e aplicar sanções aos funcionários


do Tribunal, conforme disposto no regimento interno;

• sortear ou designar os relatores dos processos de


competência do Tribunal Pleno;

• dar publicidade às decisões prolatadas;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 117

• representar o Tribunal nas solenidades e atos oficiais,


podendo delegar essa função a qualquer dos auditores;

• designar dia e hora para as sessões ordinárias e


extraordinárias e dirigir os trabalhos;

• dar posse aos auditores do Tribunal Pleno e dós órgãos de


primeira instância (Comissões Disciplinares), bem como aos secretários;

• exigir da entidade de administração o ressarcimento das


despesas correntes e dos custos de funcionamento do Tribunal e
prestar-lhe contas;

• receber, processar e examinar os requisitos de


admissibilidade dos recursos provenientes da instância imediatamente
inferior;

• conceder licença do exercício de suas funções aos


auditores, secretários e demais auxiliares;

• determinar períodos de recesso do Tribunal;

• criar comissões especiais e designar auditores para o


cumprimento de funções específicas de interesse do Tribunal.

Já o Vice-Presidente deve substituir o Presidente nos


impedimentos eventuais e definitivamente quando da vacância,
representar o órgão judicante a que pertença nas solenidades e atos
oficiais (apenas nas hipóteses de delegação) e exercer as funções de
Corregedor, na forma que dispuser o regimento interno.

Auditores

Os Auditores são responsáveis pelo julgamento das questões


disciplinares, devendo conhecer em profundidade o conjunto de normas
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 118

aplicadas nos trabalhos das instâncias desportivas (minimamente Código,


Regulamento e regras). Mais que isso, como veremos adiante, devem
estar totalmente isentos de qualquer influência das partes envolvidas
(imparcialidade e independência), das pressões exercidas pelos
interessados (serenidade) e empenhar-se nos trabalhos com a seriedade
que a Justiça Desportiva merece, competindo-lhes:

• Comparecimento obrigatório às sessões e audiências com a


antecedência mínima conforme previsão no Código, quando
regularmente convocado;

• empenho no sentido da estrita observância das leis, do


contido na codificação desportiva e zelo pelo prestígio das instituições
desportivas;

• manifestação rigorosa dentro dos prazos processuais;

• representação contra qualquer irregularidade, infração


disciplinar ou sobre fatos ocorridos nas competições dos quais tenha
tido conhecimento;

• livre apreciação da prova dos autos, tendo em vista,


sobretudo, o interesse do desporto, fundamentando, obrigatoriamente,
a sua decisão;

• devolução à Secretaria, no prazo legal antes da sessão de


julgamento, qualquer processo que tenha em seu poder e que esteja
incluído em pauta.

Procuradoria da Justiça Desportiva

A análise atenta das disposições dos códigos em geral


permite reconhecer que o rol de atribuições da Procuradoria de Justiça
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 119

Desportiva corresponde ao desempenho de um papel de máxima


relevância dentro do Processo Desportivo e demais atividades inerentes à
Justiça Desportiva.

Ao procurador é atribuída a função de promover a


responsabilidade das pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao
respectivo instrumento disciplinar (Código) que violarem as disposições
contidas, conforme o caso, no próprio Código, Regras ou Regulamentos,
cabendo ainda fiscalizar o cumprimento e a execução das leis esportivas
(fiscal da lei), zelando pela manutenção da paz no desporto. Trata-se, em
verdade, do verdadeiro titular da ação desportiva.

A Procuradoria junto aos órgãos judicantes pertencentes à


Justiça Desportiva guarda inegável similitude com o Ministério Público,
função essencial à Justiça; e, exerce um munus similar ao exercido pelo
Ministério Público na defesa da ordem jurídica.

Esta quase identidade de atribuições entre Ministério Público


e procuradoria dos tribunais desportivos é explorada pelo saudoso amigo
Marcílio Krieger (in Comentários ao CBDF, p. 14):

"A Procuradoria, na Justiça Desportiva, é quem toma a iniciativa para que


o processo se concretize – e o faz através da denúncia. É o órgão a quem
incumbe intentar a ação penal/disciplinar correspondente à infração
praticada, promovendo os termos acusatórios necessários. Compete-lhes,
igualmente, promover a fiscalização da execução das disposições legais e
infralegais aplicáveis ao futebol."
É imperioso lembrar que, nos termos do § 2º do art. 4º da
Lei nº 9.615/98 “A organização desportiva do País, fundada na liberdade
de associação, integra o patrimônio cultural brasileiro e é considerada de
elevado interesse social, inclusive para os fins do disposto nos incisos I e
III do art. 5º da Lei Complementar no 75, de 20 de maio de 1993.
(Redação dada pela Lei nº 10.672, de 2003)”.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 120

Assim, compete aos procuradores, em geral, oferecer


denúncia nos casos previstos em lei ou Código, dar parecer nos processos
de competência do órgão judicante ao qual esteja vinculado, formalizar
as providências legais e acompanhá-las em seus trâmites, requerer vistas
dos autos, interpor recursos nos casos previstos em lei ou neste código
ou propor medidas que visem à preservação dos princípios que regem a
Justiça Desportiva; requerer a instauração de inquérito, exercer outras
atribuições que lhes forem conferidas por lei, Código ou regimento
interno.

O CBJD prevê a necessidade de nomeação pelo respectivo


órgão judicante (apenas STJD ou TJD), com mandato idêntico ao dos
auditores de, no mínimo, dois procuradores à estrutura judicante de cada
modalidade desportiva, mesmo porque é preciso lembrar que, também
minimamente, devem existir duas instâncias, seja em sede de TJD74 como
STJD, mediante a criação de inúmeras Comissões Disciplinares, tendo em
mira a necessidade e demanda de litígios disciplinares.

Vale lembrar que todo o sistema de formação dos órgãos da


Justiça Desportiva brasileira para os cargos e funções de auditor é
paritário, congregando de modo equilibrado os partícipes das respectivas
competições e, ainda, a Ordem dos Advogados do Brasil.

Como já destacado, dentre os nove membros de cada STJD,


os clubes indicam dois auditores e os atletas indicam outros dois. Na
mesma linha, a entidade de administração do desporto (confederação ou
federação) indica dois auditores e a OAB indica outros dois. Os árbitros
completam as entidades representativas, indicando um auditor.

Contudo, no bojo da alteração da Lei 9615/98, o projeto que


culminou com a Lei 12.395/2011, atropelava essa paridade e atribuía

74 Salvo matérias que podem subir em grau recursal ainda ao STJD – três instâncias.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 121

competência desequilibrada em favor das entidades de administração do


desporto (confederações e federações), ao lhes conceder a indicação dos
procuradores que atuam junto aos STJDs e TJDs (então proposta de nova
redação ao artigo 55, §5º).

Isso é, pela redação originariamente proposta, além da


indicação de dois auditores – dentre nove – para o respectivo STJD, a
Confederação indicaria também todos os procuradores. Obviamente,
haveria enorme disparidade em relação às demais entidades
representativas, tais como os atletas, árbitros, clubes e a própria OAB.

O impacto desta proposta não era apenas desequilibrar as


relações de estruturação dos tribunais desportivos, mas criar verdadeiro
salvo-conduto para que as confederações e federações fiquem suscetíveis
a nomear apenas procuradores a si vinculadas, prejudicando
sobremaneira a imparcialidade da função acusatória e a efetiva
fiscalização da lei desportiva.

Ora, a própria Lei em seu art. 52 determina que os órgãos


integrantes da Justiça Desportiva sejam autônomos e independentes em
relação às entidades de administração do desporto de cada sistema. Com
efeito, a concentração de indicação de toda a composição do órgão
acusador, titular da ação desportiva, por um determinado segmento
desportivo como as Confederações e federações, certamente fereria de
morte a idéia mais comezinha de independência e autonomia.

A proposta, portanto, se não fosse ingênua, seria de


profundo desconhecimento da área, desprezando as pressões a que
estão sujeitos os dirigentes de entidades de administração quando se
defrontam com julgamentos que impactam diretamente nos seus filiados,
notadamente nos tribunais das paixões. Algo que pode parecer em um
primeiro momento interessante aos administradores de Federações e
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 122

Confederações poderia se transformar em uma avalanche de solicitação


de interferências na atuação dos Procuradores por eles indicados. E os
Procuradores sempre estariam na berlinda, se fizessem ou não o que lhes
competia, gerando permanente desconfiança em face da vinculação com
entidades diretivas. Um cartório desnecessário e pernicioso ao sistema
jusdesportivo vigente.

E justamente por tais motivos, dentre outros aspectos, a


proposta recebeu VETO da Presidência da República. O texto da
modificação criava o parágrafo 5º. do art. 55 nos seguintes termos:

“Os procuradores do Superior Tribunal de Justiça Desportiva e dos


Tribunais de Justiça Desportiva serão indicados pelas respectivas
entidades de administração do desporto”. [VETADO - Lei 12.395_2011] -
Razão do veto: “O procedimento hoje adotado pelo Código Brasileiro de
Justiça Desportiva para a escolha dos procuradores configura menor risco
à independência de sua atuação do que a presente proposta de indicação
direta pelas entidades a serem por eles fiscalizadas”.
Como se denota, foi prestigiada a regra prevista na atual
codificação desportiva nacional, qual seja a de que os Procuradores serão
nomeados pelo respectivo tribunal (STJD ou TJD). O único desequilíbrio,
se é que assim pode ser considerado, fica por conta da indicação do
Procurador-Geral, que depende de escolha do nome pelo tribunal, mas
desde que conste de uma lista tríplice enviada pela Federação (TJDs) ou
Confederação (STJD), conforme o caso.

Eis a normatização do tema pelo Código Brasileiro de Justiça


Desportiva - CBJD:

Art. 21. A Procuradoria da Justiça Desportiva destina-se a promover a


responsabilidade das pessoas naturais ou jurídicas que violarem as
disposições deste Código, exercida por procuradores nomeados pelo
respectivo Tribunal (STJD ou TJD), aos quais compete: (Redação dada
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
I - oferecer denúncia, nos casos previstos em lei ou neste Código;
(Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº 13 de 2006)
II - dar parecer nos processos de competência do órgão judicante aos
quais estejam vinculados, conforme atribuição funcional definida em
regimento interno; (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 123

III - formalizar as providências legais e processuais e acompanhá-las em


seus trâmites; -(NR).
IV - requerer vistas dos autos; (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de
2006 e Resolução nº 13 de 2006)
V - interpor recursos nos casos previstos em lei ou neste Código ou
propor medidas que visem à preservação dos princípios que regem a
Justiça Desportiva; (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e
Resolução CNE nº 13 de 2006)
VI - requerer a instauração de inquérito; (Incluído pela Resolução CNE nº
11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)
VII - exercer outras atribuições que lhe forem conferidas por lei, por este
Código ou regimento interno. (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de
2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)
§ 1º A Procuradoria será dirigida por um Procurador-Geral, escolhido por
votação da maioria absoluta do Tribunal Pleno dentre três nomes de livre
indicação da respectiva entidade de administração do desporto. (AC).
§ 2º O mandato do Procurador-Geral será idêntico ao estabelecido para o
Presidente do Tribunal (STJD ou TJD). (AC).
§ 3º O Procurador-Geral poderá ser destituído de suas funções pelo voto
da maioria absoluta do Tribunal Pleno, a partir de manifestação
fundamentada e subscrita por pelo menos quatro auditores do Tribunal
Pleno. (AC).
Do mesmo modo que para os auditores, é assegurado aos
procuradores o livre acesso às praças desportivas, sendo-lhes aplicáveis
as hipóteses cabíveis de incompatibilidades e impedimentos.

Diz-se “cabíveis” porque algumas circunstâncias, pela


natureza da função de auditor, são absolutamente inaplicáveis ao
procuradores, como por exemplo a vedação em manifestar sobre casos
que serão levados a julgamento. Ora, o Procurador não julga, e portanto
não está obrigado a não revelar as providências que adotará, o que
entende previamente, acerca de determinado caso concreto.

Vejamos como decidiu o Plenos do STJD do Futebol sobre o


tema em sede de preliminar no julgamento do Recurso Voluntário
016/2009, que examinava o caso que ficou conhecido por "super-mando"
no futebol do Paraná, e que o objeto da demanda estava centrado em
dispositivo do regulamento do certame estadual que fixava vantagem
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 124

excessiva através de mando de campo a equipes melhores classificadas


na primeira fase da competição:

“Recurso Voluntário 016/2009


RECORRENTE: Clube Atlético Paranaense
RECORRIDO: Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná
ARGUIÇÃO DE IMPEDIMENTO:
Chega aos autos Argüição de Impedimento aforada pela Federação
Paranaense de Futebol contra o Procurador Geral do STJD, Dr. Paulo
Schmitt.
Por se tratar de questão cuja decisão pode, em tese, importar na
impossibilidade do douto procurador de participar do julgamento da
questão, coloco-a em julgamento antes mesmo da leitura do relatório.
Em suas razões, a arguinte suscita que o Dr. Paulo Schmitt teria se
manifestado previamente sobre fato concreto objeto de causa em
julgamento, ofendendo assim o disposto no art. 18, II, cumulado com o art.
22 do CBJD.
Para comprovar suas alegações, junta prova de vídeo, em que o douto
Procurador participa de programa televisivo no qual concede entrevista;
além de juntar recortes de jornais“que transcrevem algumas citações que
teriam sido de sua autoria.
É o breve relatório.
Voto:
Rechaço integralmente a argüição de impedimento em mãos. As regras
do CBJD, como todas as normas de direito, devem ser interpretadas de
forma sistêmica, analisadas em cotejo com os princípios do direito e com
as demais normas. A interpretação literal, justamente por ser a mais fácil
de ser feita, é a mais sujeita a equívocos de todos os matizes.
Os dispositivos em análise dispõem ser proibido, sob pena de
impedimento, a manifestação prévia sobre fato concreto objeto de causa
em julgamento, estendendo essa proibição tanto aos auditores como aos
Procuradores. A sua interpretação deve ser realizada com temperamento,
levando-se em consideração as circunstâncias do caso, e, muito embora,
a norma não faça distinção expressa, é óbvio que a regra se aplica de
forma diferente aos auditores e aos procuradores.
É que os auditores possuem função decisória, ao passo que aos
procuradores cabe ora a função opinativa, ora a função impulsionadora do
processo desportivo (quando atuam como verdadeira parte titular da ação
disciplinar). Portanto, pela simples diferença de funções, percebe-se que a
vedação ao auditor de manifestar-se sobre causa em julgamento possui
“uma importância muito maior. O auditor só apresenta manifestação sobre
o mérito ao final do processo. Se revelar opinião prévia pode revelar o
futuro da causa.
Essa distinção entre as funções do auditor e do Procurador, bem como o
conhecimento amplo das peculiaridades da justiça desportiva, permite
aferir que o impedimento de manifestação do procurador relaciona-se
essencialmente as questões sobre as quais ele desconhece ou não tem
ainda analisado com profundidade. De outra forma, a vedação de
manifestação seria incompatível com diversas obrigações naturais do
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 125

Procurador, especialmente a apresentação de parecer, interposição de


recurso, oferecimento de denúncia (pois todas são, em tese,
manifestações prévias do Procurador sobre fato concreto objeto de causa
em julgamento).
Assim, quem milita na justiça desportiva sabe que o dispositivo que proíbe
a manifestação prévia do Procurador restringe-se a fatos sobre os quais
ele ainda não teve o conhecimento pleno, nem analisou com
profundidade. A proibição de manifestação prévia justifica-se para evitar
que o procurador, depois de analisar com mais cuidado a questão, fique
refém, por ter tornado pública, de uma posição anterior que, só depois,
verificou equivocada. Existe portanto como forma de assegurar o livre
convencimento. Todavia, uma vez possuindo o conhecimento pleno da
questão, o Procurador fica livre para manifestar-se previamente, pois
assim lhe é exigido em diversas ocasiões, como as citadas acima. O que
se busca impedir é a manifestação irresponsável, leviana, feita sem
conhecimento de causa mas capaz de, no futuro, impedir que o
procurador tenha posição diferente da original. O que se busca, volto a
dizer, é assegurar o seu livre convencimento.
Já disse em outras ocasiões que a Procuradoria da Justiça desportiva é,
ao lado da presidência, o órgão de maior importância desse tribunal. Isso
porque, por ser o titular da ação disciplinar, a Procuradoria detém inegável
e importante posição de representação política da justiça desportiva. Essa
representação se dá através da pessoa do Procurador Geral, que através
de orientações, esclarecimentos, apontamento de diretrizes, confere maior
transparência, independência e legitimidade aos atos da justiça
desportiva.
No caso concreto, todas as manifestações do douto Procurador foram
feitas com amplo conhecimento do caso, demonstram estudo
aprofundado, de forma que não se contempla a hipótese retroaludida de
irresponsabilidade ou leviandade. Pelo contrário, suas manifestações
encontram-se no rol das atividades de representação política de que a
Procuradoria é incumbida. Ressalte-se ainda que o litígio versa sobre
questão de direito, o que dispensaria a espera da análise do processo
para que se pudesse opinar sobre o caso.
Não vejo, tampouco, nas afirmações do procurador, nenhum desrespeito
ou desmoralização à Federação Paranaense.
Por tudo isso, rejeito a argüição de impedimento do Procurador.
(...)
É como voto.
Rio de Janeiro/RJ, 25 de março de 2009.
CAIO CESAR VIEIRA ROCHA
Auditor – STJD

Passamos agora a análise da estrutura, composição e


procedimentos da Procuradoria na esfera do Superior Tribunal de Justiça
Desportiva do Futebol. Recomendamos também sobre o assunto a leitura
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 126

do Regimento Interno da Procuradoria (vide legislação complementar no


anexo).

Nesse aspecto vale o destaque a algumas normas internas


são imprescindíveis ao regular funcionamento do órgão, em especial para
dotá-lo de preceitos básicos de coerência, harmonia e isonomia.

Confira-se:

• Fica a critério exclusivo do Procurador-Geral, ouvido o


respectivo Subprocurador-Geral, efetuar modificações na escala, a
qualquer tempo, conforme complexidade da causa/matéria ou eventual
impossibilidade do Procurador previamente escalado na elaboração da
denúncia e/ou Parecer.

• Visando conferir maior agilidade, o Subprocurador-Geral


deverá elaborar pré-escala com os membros de sua equipe, sendo
responsável também pela análise das denúncias, conferência do
enquadramento legal, controle de prazo e encaminhamento para a
Secretaria do STJD. Os Procuradores deverão acompanhar as datas de
realização das partidas, referências, grupos, rodadas etc., e a
publicação das súmulas diretamente no site da CBF (www.cbf.com.br).

• As denúncias deverão ser encaminhadas para a Secretaria


no prazo máximo de 02 (dois) dias da data de publicação na súmula na
Internet.

• Os procuradores deverão enviar as denúncias já com a


assinatura eletrônica para o e-mail do Subprocurador-Geral de seu
grupo. Em casos que necessitem urgência, os Subprocuradores irão
avocar a função de elaborar as denúncias. Na falha dos procuradores
quanto ao tempo de encaminhamento, o Subprocurador-Geral será
responsável por elaborar a peça, advertindo o procurador que não
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 127

realizou seu trabalho em tempo hábil e informando tal fato ao


Procurador-Geral para que ele adote as medidas que entender cabíveis.

• Pelo menos um Procurador deverá comparecer ao Tribunal


todo dia para fiscalização dos trabalhos de elaboração das denúncias
que lá já deverão estar impressas e prontas para autuação.

• O Procurador responsável pela sessão chegará mais cedo


para exercer tal função e no dia em que não houver julgamento,
mesmo assim, comparecerá na sede do Tribunal.

• Os Procuradores têm autonomia e independência no


exercício de suas atribuições, entretanto, para manter um mínimo de
uniformidade de entendimento e procedimentos, a transação
desportiva, solicitação de imagens dos jogos, interposição de recursos,
oferecimento de pareceres, manifestações ou esclarecimentos, deverão
ser submetidos à análise do Procurador-Geral.

Abaixo a composição das equipes da Procuradoria do STJD


do Futebol, bem assim as escalas as mais variadas competições
organizadas pela CBF, e que estão sob sua jurisdição.

STJD - ESCALA DE PROCURADORES - 2013

Escala de distribuição de súmulas e presença por Comissões


Disciplinares e Tribunal Pleno

Copa do Nordeste, Copa Brasil, Copa Brasil de Futebol Feminino,


Campeonatos Brasileiros Séries A, B, C e D - 2013
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 128

Equipe/ Dia da Procuradores


Comissão Semana
1/ 1ª CD Segunda- Caio Pompeu Medauar de Souza (SP) -
feira Subprocurador-Geral
Sergio da Silva Santos (RJ)
Henrique Domenici (RJ)
Gustavo Normanton Delbin (SP)
Carlos José Eduardo Senger (SP)
2 / 2ª CD Terça-feira Wi l l i a m F i g u e i re d o d e O l i v e i r a ( R J ) -
Subprocurador-Geral
Aldo Abrahão Massih Jr (SC)
Gustavo Gomes Silveira (RJ)
Mislaine Scarelli da Silva (SP)
Giseli Amantino (PR)
Marcus Vinícius Campos (RJ)
3 / 3ª CD Quarta-feira R a f a e l F i o r a v a n t e A l v e s Va n z i n ( R J ) -
Subprocurador-Geral
Maran Carneiro da Silva (PR)
Marcelo Aparecido Tavares (SP)
Celso Xavier (SP)
Victor Gustavo Lobo Cortez Amado (GO)
4 / 4ªCD Sexta-feira Renata Quadros (PR) – Subprocuradora-Geral
Rodrigo José Teixeira de Oliveira (MG)
Rodrigo Moraes Mendonça Raposo (RJ)
Diego Gomes (RJ)
Marcelo Lopes Salomão (PR)
5 / 5a CD Quinta-feira Alessandro Kioshi Kishino (PR) – Subprocurador-
(5ª CD) Geral
Marcio Fernando Andraus Nogueira (SP)
Márcio de Almeida Azevedo (RJ)
Fernando Francisco da Silva Junior (DF)
Milton Jordão (BA)
PLENO Quinta-feira Paulo Marcos Schmitt (PR) - Procurador-Geral
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 129

COPA DO NORDESTE - 2013

Equipe Grupos
Responsável
1ª FASE
1 A
2 B
3 C
4 D
2ª FASE
5 E
1 F
2 G
3 H
3ª FASE
4 I
5 J
4ª FASE
1 K

COPA DO BRASIL DE FUTEBOL FEMININO - 2013

Equipe Grupos
Responsável
1ª FASE
5 1 – 5 – 9 –13
4 2 – 6 – 10 – 14
3 3 – 7 – 11 – 15
2 4 – 8 – 12 – 16
2ª FASE
1 17 – 21
5 18 – 22
4 19 – 23
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 130

3 20 – 24
3ª FASE
2 25
1 26
5 27
4 28
4ª FASE
3 29
2 30
5ª FASE
1 31
5 32

COPA DO BRASIL
2013

Equipe Grupos
Responsável
1ª FASE
1 1 – 6 – 11 – 16 – 21 – 26 – 31 – 35
2 2 – 7 – 12 – 17– 22 – 27 – 32 – 37
3 3 – 8 – 13 – 18 – 23 – 28 – 33 – 38
4 4 – 9 – 14 – 19 – 24 – 29 – 34 – 39
5 5 – 10 – 15- 20 – 25 – 30 – 35 – 40
2ª FASE
1 41 – 46 – 51 – 56
2 42 – 47 - 52 – 57
3 43 – 48 – 53 – 58
4 44 – 49 – 54 – 59
5 45 – 50 - 55 – 60
3ª FASE
1 61 – 66
2 62 – 67
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 131

3 63 – 68
4 64 – 69
5 65 – 70
4ª FASE
1 71 – 75
2 72 – 76
3 73 – 77
4 74 – 78
5ª FASE
5 79
1 80
2 81
3 82
6ª FASE
4 83
5 84
7ª FASE
1 85

CAMPEONATO BRASILEIRO
Série A – 2013

Equipe Rodada Referência – Nº Jogo


Responsável
1 1ª 1 a 10
2 2ª 11 a 20
3 3ª 21 a 30
4 4ª 31 a 40
5 5ª 41 a 50
1 6ª 51 a 60
2 7ª 61 a 70
3 8ª 71 a 80
4 9ª 81 a 90
5 10ª 91 a 100
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 132

1 11ª 101 a 110


2 12ª 111 a 120
3 13ª 121 a 130
4 14ª 131 a 140
5 15ª 141 a 150
1 16ª 151 a 160
2 17ª 161 a 170
3 18ª 171 a 180
4 19ª 181 a 190
5 20ª 191 a 200
1 21ª 201 a 210
2 22ª 211 a 220
3 23ª 221 a 230
4 24ª 231 a 240
5 25ª 241 a 250
1 26ª 251 a 260
2 27ª 261 a 270
3 28ª 271 a 280
4 29ª 281 a 290
5 30ª 291 a 300
1 31ª 301 a 310
2 32ª 311 a 320
3 33ª 321 a 330
4 34ª 331 a 340
5 35ª 341 a 350
1 36ª 351 a 360
2 37ª 361 a 370
3 38ª 371 a 380
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 133

CAMPEONATO BRASILEIRO
Série B – 2013

Equipe Rodada Referência – Nº Jogo


Responsável
5 1ª 1 a 10
4 2ª 11 a 20
3 3ª 21 a 30
2 4ª 31 a 40
1 5ª 41 a 50
5 6ª 51 a 60
4 7ª 61 a 70
3 8ª 71 a 80
2 9ª 81 a 90
1 10ª 91 a 100
5 11ª 101 a 110
4 12ª 111 a 120
3 13ª 121 a 130
2 14ª 131 a 140
1 15ª 141 a 150
5 16ª 151 a 160
4 17ª 161 a 170
3 18ª 171 a 180
2 19ª 181 a 190
1 20ª 191 a 200
5 21ª 201 a 210
4 22ª 211 a 220
3 23ª 221 a 230
2 24ª 231 a 240
1 25ª 241 a 250
5 26ª 251 a 260
4 27ª 261 a 270
3 28ª 271 a 280
2 29ª 281 a 290
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 134

1 30ª 291 a 300


5 31ª 301 a 310
4 32ª 311 a 320
3 33ª 321 a 330
2 34ª 331 a 340
1 35ª 341 a 350
5 36ª 351 a 360
4 37ª 361 a 370
3 38ª 371 a 380

CAMPEONATO BRASILEIRO
Série C – 2013

Equipe Grupo/Jogos
Responsável
1ª FASE – turno
1 A (1 a 5)
2 B (1 a 5)
3 A (6 a 10)
4 B (6 a 10)
5 A (11 a 15)
1 B (11 a 15)
2 A (16 a 20)
3 B (16 a 20)
4 A (21 a 25)
5 B (21 a 25)
1 A (26 a 30)
2 B (26 a 30)
3 A (31 a 35)
4 B (31 a 35)
5 A (36 a 40)
1 B (36 a 40)
2 A (41 a 45)
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 135

3 B (41 a 45)
1ª FASE – returno
4 A (46 a 50)
5 B (46 a 50)
1 A (51 a 55)
2 B (51 a 55)
3 A (56 a 60)
4 B (56 a 60)
5 A (61 a 65)
1 B (61 a 65)
2 A (66 a 70)
3 B (66 a 70)
4 A (71 a 75)
5 B (71 a 75)
1 A (76 a 80)
2 B (76 a 80)
3 A (81 a 85)
4 B (81 a 85)
5 A (86 a 90)
1 B (86 a 90)
2a. FASE
2 C (jogos de ida e volta)
3 D (jogos de ida e volta)
4 E (jogos de ida e volta)
5 F (jogos de ida e volta)
3ª FASE
1 G (jogos de ida e volta)
2 H (jogos de ida e volta)
4ª FASE
3 I (jogos de ida e volta)

CAMPEONATO BRASILEIRO
Série D – 2013
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 136

Equipe Grupos
Responsável
1ª FASE
5 A1
4 A2
3 A3
2 A4
1 A5
5 A6
4 A7
3 A8
2ª FASE
2 B1
1 B2
5 B3
4 B4
3 B5
2 B6
1 B7
5 B8
3ª FASE
4 C1
3 C2
2 C3
1 C4
4ª FASE
5 D1
4 D2
5ª FASE
3 E (jogo de IDA)
2 E (jogo de VOLTA)
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 137

COPA DO BRASIL SUB 20


2013

Equipe Grupos
Responsável
1ª FASE
1 1 – 5 – 9 –13
2 2 – 6 – 10 – 14
3 3 – 7 – 11 – 15
4 4 – 8 – 12 – 16
2ª FASE
5 17 – 21
1 18 – 22
2 19 – 23
3 20 – 24
3ª FASE
4 25
5 26
1 27
2 28
4ª FASE
3 29
4 30
5ª FASE
5 31

Defensores

Inicialmente, o CBJD mantinha a mesma redação dos códigos


anteriores (CBJDD e CBDF) para o exercício da função de defensor
perante órgãos judicantes a quem compete promover o assessoramento
e a defesa dos direitos das pessoas físicas ou jurídicas, apenas
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 138

suprimindo a regra dos 21 anos e acrescendo a capacidade civil como


pressuposto para atuação. Seguia-se a linha de dispensabilidade de
advogado em instâncias não judiciais, reconhecida pela maioria da
doutrina como não absoluta75, inclusive admitindo-se a autodefesa como
corolário do princípio do direito de defesa. O STF já decidiu que o
princípio constitucional insculpido no art. 133 admite exceções, como na
capacidade postulatória para impetração de habeas corpus, bem como
nas ações de revisão criminal76.

Exemplificativamente, em procedimentos administrativos


como licitações (Lei nº 8666/93) e processo administrativo disciplinar77
adota-se a mesma tese de desnecessidade da presença de advogado
para manifestações e postulações.

Confira-se o que diz Léo Da Silva Alves:

“No processo penal, o réu pode cuidar da sua própria defesa, desde que
seja habilitado. No processo disciplinar, pelas regras normalmente
consagradas nos estatutos, essa exigência não existe. Qualquer servidor
pode fazer a autodefesa”.78
No processo desportivo, a exigência de advogado para as
atividades de defensoria poderia criar um obstáculo ao direito de defesa,
dada a peculiaridade do procedimento no meio jurídico-desportivo,
diametralmente oposto ao processo judicial.

De outro lado, há parte da doutrina jurídico-desportiva que


ressalta a aplicação do devido processo legal como suporte
principiológico definitivo para exigir a participação obrigatória de

75 Ver Constituição Federal Anotada – Uadi Lammêgo Bulos, Saraiva, 4ª edição, p. 1036 e
Constituição do Brasil Interpretada – Alexandre de Moraes, Atlas, p. 1594.

76 Ob. Cit. 21, pp. 1035/1036.

77 Para defender o indiciado revel, a autoridade instauradora do processo, após solicitação do


presidente da comissão, designará um servidor como defensor dativo, ocupante de cargo de
nível igual ou superior ao do indiciado (Lei nº 8.112/90, art. 164, § 2º).

78 Léo Da Silva Alves, Questões relevantes da Sindicância e do Processo Disciplinar, Ed.


Brasília Jurídica, Brasília,1999, p.82.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 139

advogados no exercício da função de defensor no âmbito da Justiça


Desportiva. A Constituição Federal reconhece a advocacia como função
essencial à Justiça e, mais adiante, reconhece a Justiça Desportiva como
meio de solução de conflitos em competições e disciplina esportiva.
Portanto, não há como reconhecer a defesa – especialmente em matéria
sancionatória – patrocinada por indivíduo que não envergue o grau de
advogado.

E a Conferência Nacional da Advocacia realizada no mês de


setembro de 2005, em Florianópolis, no painel de Direito Desportivo,
foram aprovadas deliberações no sentido de indicar a necessidade da
presença de advogado para atuação como defensor na Justiça
Desportiva, bem assim a criação de defensorias públicas junto aos órgãos
judicantes.

Registre-se que a Justiça Desportiva do Governo do Paraná,


no COJDD (art. 25), já contempla a figura do defensor público integrante
de órgão auxiliar denominado Defensoria Pública, cujas funções são ser
exercidas, via de regra, por Advogado regularmente inscrito na OAB,
inclusive fazendo constar em ata o seu número da carteira de registro
profissional, tendo a sua efetiva participação assegurada em qualquer
julgamento.

A sugestão da Conferência acabou sendo acolhida na


proposta das sucessivas modificações do CBJD.

Atualmente, a regra do art. 29 do CBJD, com redação


conferida pela Resolução CNE nº 29 de 2009, prevê que qualquer pessoa
maior e capaz é livre para postular em causa própria ou fazer-se
representar por advogado regularmente inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil, observados os impedimentos legais.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 140

Demais disso, o estagiário de advocacia regularmente inscrito


na Ordem dos Advogados do Brasil também poderá sustentar oralmente,
desde que instruído por advogado regularmente inscrito na OAB,
mediante declaração por escrito do advogado, que assumirá a
responsabilidade pela sustentação oral do estagiário.

A representação em referência habilita o defensor a intervir


no processo, até o final e em qualquer grau de jurisdição, podendo as
entidades de administração do desporto e de prática desportiva
credenciar defensores para atuar em seu favor, de seus dirigentes, atletas
e outras pessoas que lhes forem subordinadas, salvo quando colidentes
os interesses, sendo lícito a quaisquer dessas pessoas a nomeação de
outro defensor.

E o que antes era uma faculdade, hoje vige a regra de que


os tribunais desportivos, tanto os STJDs, como TJDs locais, por meio das
suas Presidências, deverão nomear defensores dativos para exercer a
defesa técnica de qualquer pessoa natural ou jurídica que assim o
requeira expressamente, bem como de qualquer atleta menor de dezoito
anos de idade, independentemente de requerimento.

Secretaria

As atribuições mais comuns de Secretaria recaem sobre a


execução cartorial dos atos e termos processuais.

São atividades essenciais ao regular e célere


desenvolvimento da Justiça Desportiva e conseqüente prestação
jurisdicional, tais como:

• Receber, registrar, protocolar e autuar os termos da


denúncia e outros documentos enviados aos órgãos judicantes, e
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 141

encaminhá-los, imediatamente, ao Presidente do Tribunal, para


determinação procedimental;

• convocar os auditores para as sessões designadas, bem


como cumprir os atos de citações e intimações das partes, testemunhas
e outros, quando determinados;

• atender a todos os expedientes dos órgãos judicantes;

• prestar às partes interessadas as informações relativas ao


andamento dos processos;

• ter em boa guarda todo o arquivo da Secretaria constante


de livros, papéis e processos;

• expedir certidões por determinação dos Presidentes dos


órgãos judicantes;

• receber, protocolar e registrar os recursos interpostos.

Posse, mandato e antiguidade

A posse dos membros das instâncias desportivas deve


ocorrer através de ato formal do Presidente do Tribunal, via de regra, e
consoante o que determinar o Código ou, se houver, regimento interno
de cada órgão. Já o mandato, que significa o tempo de duração no
exercício da respectiva função depende de previsão legal ou
regulamentar -, atualmente no máximo de quatro anos permitida uma
recondução (art. 55, parágrafo 2º da Lei 9615/98) para aqueles que
compõem a estrutura da Justiça Desportiva que funciona junto a
Confederações, Federações e Ligas.

A regra de antigüidade dos auditores merece destaque diante


da ordem de votação nas sessões ou nas hipóteses de vacância
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 142

simultânea das funções de Presidente e Vice-Presidente do órgão


judicante, sendo regra geral assim definida:

• Data da posse;

• posse na mesma data - maior número de mandatos;

• persistindo o empate - auditor mais idoso.

Vacância

Os serviços das instâncias desportivas não se interrompem,


entretanto factível é a ocorrência de vacância, isto é, determinado cargo/
função ficar vago, sem auditor. Tais casos são bem específicos e ocorrem
quando um membro da Justiça Desportiva vem a falecer, renuncia ao
exercício de suas atribuições ou quando condenado pela própria Justiça
Desportiva ou pela Justiça Comum por infração que importe em
incapacidade moral do punido.

Não poderia ficar de fora a questão da assiduidade, isto é, do


comparecimento nas sessões marcadas. Ainda, a vacância pode vir a
ocorrer por declaração de incompatibilidade, decidida pelo colegiado.

A regra de preenchimento nas hipóteses de vacância


depende de previsão em Lei, Código ou Regimento Interno. O CBJD
determina que a vacância deve ser comunicada pelo órgão judicante à
entidade indicante para o regular preenchimento. Decorridos 30 (trinta)
dias do recebimento da comunicação, caso o órgão indicante competente
não houver preenchido a vaga, o respectivo órgão judicante (STJD ou
TJD) designará substituto para ocupar, interinamente, o cargo, até a
efetiva indicação (art. 15). O mesmo procedimento deverá ser adotado
pela respectiva entidade de administração do desporto e vale
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 143

exclusivamente para as hipóteses de inexistência de órgão judicante ou,


em existindo, por qualquer razão, deixar de funcionar (art. 281).

Vejamos algumas regras específicas sobre o tema no CBJD:

Art. 15. Ocorrendo a vacância do cargo de auditor no Tribunal Pleno, o


Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), no prazo de cinco dias,
comunicará a ocorrência ao órgão indicante competente para preenchê-la.
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
§ 1º Decorridos trinta dias do recebimento da comunicação, se o órgão
indicante competente não houver preenchido a vaga, o respectivo Tribunal
(STJD ou TJD) designará substituto para ocupar, interinamente, o cargo
até a efetiva indicação. (AC).
§ 2º A comunicação a que se refere este artigo far-se-á pela mesma forma
das citações e intimações. (AC).
§ 3º O descumprimento deste artigo pelo Presidente do Tribunal (STJD ou
TJD) ensejará a aplicação da penalidade prevista no art. 239. (AC).

Art. 15-A. Ocorrendo a vacância do cargo de auditor em Comissão


Disciplinar, o Presidente da respectiva Comissão Disciplinar comunicará,
no prazo de cinco dias, a ocorrência ao Presidente do Tribunal (STJD ou
TJD), e o Tribunal Pleno procederá na forma dos arts. 4º-A e 5º-A,
conforme o caso, na primeira sessão subsequente à vacância. (Incluído
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Parágrafo único. O descumprimento deste artigo pelo Presidente da
Comissão Disciplinar ensejará a aplicação da penalidade prevista no art.
239. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 15-B. Os auditores poderão afastar-se temporariamente de suas


funções, pelo tempo que se fizer necessário, conforme licença a ser
concedida pelo Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), o que não
interrompe nem suspende o transcurso do prazo de exercício do mandato.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
§ 1º Durante a licença dos auditores de Comissões Disciplinares, os
respectivos órgãos judicantes deverão indicar auditor substituto para a
composição temporária do colegiado, conforme o procedimento previsto
nos arts. 4º-A e 5º-A, conforme o caso. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).
§ 2º Durante a licença de auditor de Tribunal Pleno, o auditor substituto
será indicado pela mesma entidade elencada nos arts. 4º e 5º, conforme o
caso, que tiver indicado o auditor licenciado. (Incluído pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 144

Incompatibilidade

O CBJD impõe vedação ao exercício de qualquer função na


Justiça Desportiva aos membros do Conselho Nacional do Esporte e aos
dirigentes das entidades de administração e de prática do desporto. É
uma regra genérica de incompatibilidade entre as atribuições conferidas
aos membros do CNE e dirigentes desportivos em correspondência às
atividades precípuas de independência e imparcialidade dos membros da
Justiça Desportiva que devem estar totalmente desvinculados das
referidas entidades (art. 16).

No mesmo sentido, ocorre a incompatibilidade a partir da


condenação criminal, passada em julgado na Justiça Comum, ou
disciplinar, passada em julgado na Justiça Desportiva, quando, a critério
do Tribunal (STJD ou TJD), conforme decidido por dois terços dos
membros de seu Tribunal Pleno, e o resultado comprometer a probidade
necessária ao desempenho do mandato; (Art. 14, Parágrafo Único, I).

Valed Perry, explica que “a Justiça Desportiva exercida por


homens de notória experiência, desligados da direção das entidades e
das associações, trouxe para os desportos, no seu aspecto disciplinar,
fora de qualquer dúvida, maior tranqüilidade e possibilidade,
infinitamente maiores, de melhor aplicação dos dispositivos penais,
sabido que os dirigentes das entidades, quando lhes era atribuída
competência para julgar e apenar, viam-se pressionados pelos dirigentes
das associações interessadas no resultado do julgamento, dos quais,
afinal, dependiam para continuação em seus cargos, daí resultando
atritos ou a injustiça, o que é muito pior.”79

79 PERRY, Valed. Comentários à Legislação Desportiva Brasileira. 1965, p. 71.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 145

Importante destacar que não existe incompatibilidade entre o


cargo de auditor e o exercício de função meramente executiva em órgão
da administração do esporte ou a presença em comissão consultiva
também em entidades de administração do desporto, visto que tais
atribuições não conduzem necessariamente ao raciocínio de flagrante
exercício em cargo/função diretiva, este sim vedado pela legislação
desportiva em órgãos judicantes; mesmo porque, se a lei abre exceção a
membros de conselhos deliberativos de entidades de prática, nos termos
do art. 55, § 3º da Lei nº 9.615/98, não poderia ser diferente em relação
a membros de comissões temporárias de estudo ou de determinada área
desportiva.

Do mesmo modo, por óbvio, não há que se falar em


incompatibilidade quando o auditor (ou procurador) exerce cargo diretivo,
ou função em tribunal desportivo, em modalidade diversa da qual integra
o órgão judicante. Nesse aspecto, vale lembrar que toda a estrutura
prevista às instâncias desportivas encontra-se vinculada a cada
modalidade. O que não pode ocorrer, por certo e lógico, é o auditor e ou
procurador, vir exercer cargo ou função, em tribunal desportivo na
mesma modalidade. Em outras palavras, quem é auditor e ou procurador
n o TJ D d o F u t e b o l d e G o i á s , j a m a i s , a o m e s m o t e m p o
(simultaneamente), poderá ocupar a função de auditor e ou procurador
no STJD do Futebol, ou vice-versa.

Suspeição e impedimento

Suspeições e impedimentos são circunstâncias de ordem


individual, íntima, de parentesco (consangüíneo ou afim), que,
envolvendo, regra geral, a pessoa do denunciado com os membros da
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 146

Justiça Desportiva, testemunhas, peritos e autoridade julgadora,


impossibilitam estes de exercerem qualquer função no respectivo
procedimento disciplinar80.

Da mesma maneira que ocorre em processos judiciais, o


procedimento disciplinar desportivo é pautado em consolidados princípios
e garantias, possibilitando que as partes envolvidas tenham absoluta
certeza de que o resultado será correto e justo.

Destarte, princípios constitucionais – como contraditório e a


ampla defesa – são antídotos a qualquer juízo ou tribunal de exceção.
Desta feita, o processo disciplinar desportivo também necessita, para que
sua decisão possua eficácia e seja respeitada, que os componentes dos
órgãos judicantes tenham considerável conhecimento técnico-jurídico e
que estejam totalmente desvinculados do litígio em referência.

Certamente não há situação mais nefasta do que um


determinado procedimento disciplinar vir a ser apreciado por pessoa com
interesse no resultado.

Egon Bockmann Moreira81, ao comentar o art. 47 da Lei nº


9784/99 (legislação federal do processo administrativo), assevera que:

"A única peculiaridade do processo administrativo reside na possibilidade


de o órgão que participa da instrução não ser aquele que proferirá a
decisão (art. 47). Medida de todo saudável, vez que muitas vezes a
Administração é parte no processo. Ao transferir a competência decisória
para outro órgão a Lei 9.784, de 1999, prestigia a imparcialidade e
moralidade do processo administrativo."

80 Definição adaptada do Manual de Processo Administrativo Disciplinar – Apostila 6 – fonte


www.planalto.gov.br

81 MOREIRA, Egon Bockmann. Processo Administrativo. São Paulo: Malheiros, 2000, p.236.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 147

Interessante, ainda, transcrever as palavras de Sérgio Ferraz


e Adilson Abreu Dallari82 sobre o princípio da imparcialidade no processo
administrativo:

"Seria total e absurdamente inútil o processo administrativo se inexistisse


para os litigantes a garantia de imparcialidade na tomada de decisão. Do
administrador-julgador há, pois, de se exigir, como condição de
capacidade subjetiva, a inexistência de condições que, direta ou
indiretamente, sejam suscetíveis de prejudicar a total isenção que há de
marcar sua atuação em face dos direitos e interesses contrapostos (ainda
quando entre tais direitos e interesses figurem aqueles que titular da
própria Administração). Incumbe sublinhar: a) sequer é necessário que
tais condições afetem, efetivamente, o conteúdo da decisão; basta que
sejam em tese suscetíveis de fazê-lo; b) tão indeclinável é o dever de
imparcialidade que a simples suposição, em tese, de que, mesmo
indiretamente, possa ser ela comprometida há de conduzir o
administrador-juiz a afastar-se dessa atuação."
Ao que se vê, o vício de parcialidade nasce do justo receio
decorrente de circunstância determinante da condição de influenciar o
auditor a tomar atitude diversa do seu dever motivado subjetivamente
por aspectos alheios aos dados constantes do processo. Em síntese, os
impedimentos de atuação no julgamento de processos disciplinares se
originam quando o poder de discernimento e convencimento do auditor
não consegue se expressar livremente.

Nos termos do CBJD, não podem integrar


concomitantemente o Tribunal Pleno, ou uma mesma Comissão
Disciplinar, auditores que tenham parentesco na linha ascendente ou
descendente, nem auditor que seja cônjuge, companheiro, irmão, tio,
sobrinho, sogro, padrasto, enteado ou cunhado, durante o cunhadio, de
outro auditor (art. 17).

São circunstâncias configuradoras de impedimento quando o


auditor for credor, devedor, avalista, fiador, sócio, patrão ou empregado,
direta ou indiretamente, de qualquer das partes. E, ainda como visto

82 FERRAZ, Sérgio e DALLARI, Adilson Abreu. Processo Administrativo. São Paulo: Malheiros,
2000, pp.106/107.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 148

anteriormente, quando se houver manifestado, previamente, sobre fato


concreto do objeto da causa em julgamento. Esta última circunstância,
especificamente, deve ser analisada com ressalva, notadamente em face
de pressões dos meios de comunicação para que os membros de órgãos
judicantes pronunciem-se previamente. Tais manifestações não conduzem
necessariamente à uma condição de prevenção no processo desportivo.
Para tanto, é preciso que da sua manifestação prévia não reste dúvida
quanto à sua convicção em julgamento futuro.

E, do mesmo modo, nem sempre nas situações que um


auditor preside ou apresenta conclusões em sede de inquérito disciplinar
pode-se argüir tal condição como de impedimento. Isto em razão do
CBJD não recepcionar expressamente vedação nesse sentido. Já no
processo administrativo pode ocorrer justamente o oposto, à medida que
das conclusões de uma sindicância, por exemplo, pode até resultar a
aplicação de penalidade. Na Justiça Desportiva, em sentido diverso, o
inquérito ou sindicância possui natureza eminentemente investigativa e o
auditor que opina pela instauração do processo desportivo poderá,
conforme a produção de provas e argumentações de defesa, votar pela
absolvição.

Os impedimentos devem ser declarados pelo próprio auditor


tão logo tome conhecimento do processo, sob pena das partes ou a
Procuradoria argüi-los na primeira oportunidade em que se manifestarem
no processo, decidindo o respectivo órgão judicante em caráter
irrecorrível.

Nelson Nery Jr., Arruda Alvim e Celso Barbi destacam que “Os
motivos indicadores do impedimento do juiz são de natureza objetiva,
caracterizando presunção iuris et de iure, absoluta, de parcialidade do
magistrado (Arruda Alvim, CPCC, VI, 26; Barbi, Coment., n. 717, p. 413).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 149

Provada a causa de impedimento, o juiz deve ser inexoravelmente


afastado do processo, passando nele a funcionar seu substituto
automático, de acordo com a lei de organização judiciária respectiva. O
impedimento é pressuposto processual negativo.”83

Livre acesso

Para que os membros dos tribunais desportivos possam


desempenhar plenamente suas funções, não pode ser impedido o acesso
a nenhum local, público ou particular, destinado ao evento esportivo da
modalidade em questão, devendo ser-lhes reservado assento em setor
designado para as autoridades desportivas.

Muitos dos atos de comunicação são imprescindíveis de


serem realizados, às vezes, durante uma partida, prova ou equivalente.
Exemplo disso é a citação ou intimação de alguém para o julgamento
imediato de um processo disciplinar. Outra finalidade importante é a
presença dos membros dos tribunais desportivos, à medida que tanto
facilita o convencimento do que se visualiza como se verifica, neste
sentido, uma drástica redução da prática de infrações disciplinares, sendo
a atuação da Justiça Desportiva, nestes casos, classificada como
preventiva.

Assim, conforme expressamente previsto, é dever de todas


as entidades de prática desportiva garantir e disponibilizar o livre acesso
dos membros dos tribunais aos locais onde são realizadas as disputas,
sejam estes locais públicos ou privados e, ainda, reservar assento em
setor designado para autoridades.

83 CPC Comentado. 8ª ed. p. 603, citado por Alexandre Hellender de Quadros, STJD do
Futebol, Parecer em Recurso Voluntário, processo sob nº 012/2005.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 150

No entanto, o referido acesso, para os eventos promovidos


por federações, nos limites de suas territorialidade aos TJDs, e em
qualquer eventos aos membros de STJDs, somente será garantido se
informado pelo respectivo órgão judicante à entidade mandante da
partida, prova ou equivalente, com antecedência mínima de quarenta e
oito horas.

O descumprimento de tais normas acarreta a imediata


comunicação ao Presidente do órgão judicante, que poderá interditar,
liminarmente, o local para a prática de qualquer atividade relativa à
respectiva modalidade, intimando a entidade organizadora do evento
para que adote as medidas necessárias ao cumprimento da decisão, sob
pena de suspensão até que o faça.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 151

VI. DECRETO 7.984/2013 - ORDEM E JUSTIÇA DESPORTIVA

O Decreto que regulamentou a Lei 9615/98, ao que tudo


indica, procurou preservar os ditames legais já consolidados pela
legislação vigente e eficaz quanto ao tema, trazendo inovações e
alterações para o seu constante aperfeiçoamento.

Vale conferir algumas modificações e implementações


necessárias ao modelo já incorporado pelo sistema vigente para a
“Ordem Desportiva” e os limites ao poder sancionador das entidades
diretivas, bem assim à temática da “Justiça Desportiva”:

Art. 11.  Compete ao CNE:


...
VI - aprovar os Códigos de Justiça Desportiva e suas alterações, com as
peculiaridades de cada modalidade;
...
§ 2º Para o atendimento ao disposto no inciso VII do caput, o CNE
aprovará o Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o Desporto de
Rendimento - CBJD e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o
Desporto Educacional - CBJDE.  
...
Art. 32.  Para a celebração do contrato de desempenho será exigido das
entidades que sejam regidas por estatutos que disponham expressamente
sobre:
...
IV - funcionamento autônomo e regular dos órgãos de Justiça Desportiva
referentes à respectiva modalidade, inclusive quanto a não existência de
aplicação de sanções disciplinares através de mecanismos estranhos a
esses órgãos, ressalvado o disposto no art. 51 da Lei nº 9.615, de 1998;

CAPÍTULO VII
DA ORDEM DESPORTIVA 

Art. 38.  A aplicação de qualquer penalidade prevista nos incisos IV ou V


do caput do art. 48 da Lei nº 9.615, de 1998, exige decisão definitiva da
Justiça Desportiva, limitada às questões que envolvam infrações
disciplinares e competições desportivas, em observância ao disposto no §
1º do art. 217 da Constituição. 

Art. 39.  Na aplicação das penalidades por violação da ordem desportiva,
previstas no art. 48 da Lei nº 9.615, de 1998, além da garantia do
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 152

contraditório e ampla defesa, devem ser observados os princípios da


proporcionalidade e da razoabilidade.

CAPÍTULO VIII
DA JUSTIÇA DESPORTIVA 

Art. 40.   A Justiça Desportiva regula-se pela Lei nº 9.615, de 1998, por
este Decreto e pelo disposto no CBJD ou CBJDE, respectivamente
observados os seguintes princípios:
I - ampla defesa;
II -  celeridade;
III - contraditório;
IV - economia processual;
V -  impessoalidade;
VI - independência;
VII - legalidade;
VIII - moralidade;
IX - motivação;
X - oficialidade;
XI - oralidade;
XII - proporcionalidade;
XIII - publicidade;
XIV - razoabilidade;
XV - devido processo legal;
XVI - tipicidade desportiva;
XVII - prevalência, continuidade e estabilidade das competições; e
XVIII - espírito desportivo 

Art. 41.   Os órgãos integrantes da Justiça Desportiva, autônomos e


independentes das entidades de administração do desporto de cada
sistema, são os Superiores Tribunais de Justiça Desportiva - STJD,
perante as entidades nacionais de administração do desporto; os
Tribunais de Justiça Desportiva - TJD, perante as entidades regionais da
administração do desporto, e as Comissões Disciplinares, com
competência para processar e julgar questões previstas nos Códigos de
Justiça Desportiva, assegurados a ampla defesa e o contraditório. 
§ 1º Os tribunais plenos dos STJD e dos TJD serão compostos por nove
membros:
I - dois indicados pela entidade de administração do desporto;
II - dois indicados pelas entidades de prática desportiva que participem de
competições oficiais da divisão principal, por decisão em reunião
convocada pela entidade de administração do desporto para esse fim;
III - dois advogados com notório saber jurídico desportivo, indicados pela
Ordem dos Advogados do Brasil; 
IV - um representante dos árbitros, indicado pela entidade de classe; 
V - dois representantes dos atletas, indicados pelas entidades sindicais.
§ 2º Para os fins dispostos nos incisos IV e V do § 1º   na hipótese de
inexistência de entidade regional, caberá à entidade nacional a indicação. 
...
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 153

Art. 60.   No prazo de cento e oitenta dias da data da entrada em vigor


deste Decreto, o Conselho Nacional do Esporte - CNE aprovará o Código
Brasileiro de Justiça Desportiva para o Desporto Educacional - CBJDE,
ouvidas a CBDE e a CBDU. 
...
Art. 64.   Ao COB e ao CPB aplicam-se as disposições constantes do
inciso I do caput do art. 23 da Lei nº 9.615, de 1998, acerca da instituição
do Tribunal de Justiça Desportiva, quando estiverem atuando na
administração de modalidade desportiva em substituição a entidade
nacional de administração do desporto. 
 
O art. 217, I, da Constituição Federal consagra a autonomia
das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua
organização e funcionamento.

E essa autonomia conferida às entidades diretivas é que


possibilita o exercício de um poder decisório ex-officio e interna corporis.
No entanto, a sobredita autonomia encontra limites na lei, não podendo o
dirigente desportivo invadir a competência dos órgãos judicantes, por
exemplo. Uma prática absolutamente distorcida e abusiva em
competições de algumas modalidades desportivas tem se revelado nos
regulamentos, através das chamadas “medidas disciplinares automáticas”,
fixando penalidades que dependem de processo e julgamento por
instâncias desportivas.

Nessa esteira, a regulamentação visou coibir expressamente


essa ilegalidade através da impossibilidade de aplicação de recursos
públicos em entidades que não asseguram o regular e funcionamento dos
tribunais desportivos, preservando as competências de tais órgãos
judicantes e respeitando as suas decisões. Ora, é consabido que matéria
disciplinar ou de competição é de exclusiva e reservada competência da
Justiça Desportiva. As demais ações que visem restabelecer o respeito
aos poderes internos das entidades, ou mesmo quanto a aspectos
incidentes sobre cumprimento de regras e regulamentos, podem ser
objeto de aplicação de algumas providências ou aplicação de sanções
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 154

que, mesmo nas de maior gravidade, devem ser definitivamente julgadas


pelos respectivos órgãos da Justiça Desportiva.

O modelo disciplinar vigente consolidado na prática, mas


carente de algumas novas proposições, em parte contemplou no bojo do
texto algumas disposições que eliminam controvérsias, dúbias
interpretações sobre uma mesma situação concreta e, especialmente,
contribui para a construção de uma Justiça Desportiva séria e célere ao
mesmo tempo, sem interferências e pressões externas muito comuns em
atividades recheadas do ingrediente da paixão, como no desporto.

Passamos ao destaque das principais modificações e


inovações dessa proposta para a Justiça Desportiva:

• Delimitação da Justiça Desportiva prevista na proposta,


assim como já estava implícito na legislação vigente, aos componentes
do Sistema Nacional do Desporto, deixando que os órgãos do Poder
Público que organizam competições tenham seus próprios sistemas
desportivos, porém ao desporto educacional a imperiosa aplicabilidade
do ainda a ser editado Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o
Desporto Educacional, em tese em substituição ao CNOJDD que hoje é
utilizado praticamente apenas pelo COB ao organizar Olimpíadas
Escolares;

• enumeração de dezoito princípios que orientam a Justiça


Desportiva do país, conforme já previsto no CBJD;

• reconhecimento do Código Brasileiro de Justiça Desportiva


(e também do CBJDE) a partir da definição de matérias como
organização e funcionamento da Justiça Desportiva e sua aplicação
subsidiária na falta de disposições específicas;

• manutenção da estrutura hierarquizada STJDs, TJDs e CDs;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 155

• manutenção da forma de composição dos tribunais


desportivos, entretanto, com a possibilidade de indicação de entidades
nacionais de classe ou sindicatos na hipótese de inexistência de
representatividade regional de atletas ou árbitros para tal indicação;

• previsão de necessidade de instituir tribunais desportivos


também ao COB e CPB quando porventura atuarem em substituição de
entidades nacionais de administração do desporto.

Da análise da regulamentação em referência, e de tantas


propostas que encaminhamos e debatemos na Comissão de Estudos
Jurídicos do Ministério do Esporte, sendo a grande maioria contemplada
na sua edição, faltou a previsão expressa da possibilidade de
formalização de acordo, convênios, etc para propiciar que mais de uma
entidade de administração de modalidade desportiva possa compor sua
estrutura judicante, um reclame de inúmeras modalidades cuja realidade
não permite o regular funcionamento de sua Justiça Desportiva. Mas isso
não inviabiliza que tal venha a ocorrer, bastando que as representações
das diversas modalidade e segmentos indiquem os mesmo nomes para a
composição dos Tribunais Plenos.

Finalmente, merece destacar, ainda, a natureza da previsão


constitucional que impõe prazo de sessenta dias para a justiça desportiva
proferir decisão final (art. 217, §2º, CF/88), não podendo ser reconhecido
caráter decadencial ou prescricional à referida norma constitucional, até
porque, por prescrição entende-se a perda da pretensão punitiva ou
executória do Estado, no caso Justiça Desportiva, pelo decurso do tempo
sem o seu exercício. Porém, trata-se, na realidade, de um complemento
ao parágrafo anterior do mesmo artigo, pois o constituinte inicialmente
previu o esgotamento da instância desportiva como precedente
necessário à dedução da pretensão dos interessados junto ao Poder
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 156

Judiciário. Contudo, para impedir que a instância desportiva durasse


eternamente e, assim, ficasse esvaziada a possibilidade de acesso ao
Judiciário, a Constituição impõe o prazo de sessenta dias para o
esgotamento da instância desportiva.

A proposta aprovada infelizmente deixou de reforçar esse


entendimento, mas é indene de dúvida que há plena garantia que
decurso do referido prazo não retira da justiça desportiva a possibilidade
de proceder ao andamento do processo disciplinar desportivo, ou seja,
não lhe retira o direito material, nem tampouco impede o seu exercício.
Apenas autoriza o interessado, independente do esgotamento da
instância desportiva, a buscar a tutela jurisdicional do Poder Judiciário,
mas desde que não se proceda a análise de mérito.

De suma relevância que fique estabelecido que o acesso ao


Poder Judiciário só deveria ser permitido àqueles que não só estejam sob
o crivo jurisdicional da Justiça Desportiva, mas que tenham
obrigatoriamente dela antes se utilizado com o fim de buscar o direito a
ser perseguido quando então obterão a necessária legitimidade
postulatória.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 157

ANEXO I. CÓDIGOS DE JUSTIÇA DESPORTIVA

1. Código Brasileiro de Justiça Desportiva - CBJD

RESOLUÇÃO CNE Nº 01/2003 (ALTERADO PELAS


RESOLUÇÕES CNE 06/2006 e 29/2009).

CÓDIGO BRASILEIRO DE JUSTIÇA DESPORTIVA

(Texto Consolidado)

LIVRO I

DA JUSTIÇA DESPORTIVA

TÍTULO I

DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO PROCESSO


DESPORTIVO

Capítulo I

DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 1º A organização, o funcionamento, as atribuições da


Justiça Desportiva brasileira e o processo desportivo, bem como a
previsão das infrações disciplinares desportivas e de suas respectivas
sanções, no que se referem ao desporto de prática formal, regulam-se
por lei e por este Código. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Parágrafo Único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º Submetem-se a este Código, em todo o território


nacional: (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 158

I - as entidades nacionais e regionais de administração do


desporto; (AC).

II - as ligas nacionais e regionais; (AC).

III - as entidades de prática desportiva, filiadas ou não às


entidades de administração mencionadas nos incisos anteriores; (AC).

IV - os atletas, profissionais e não-profissionais; (AC).

V - os árbitros, assistentes e demais membros de equipe de


arbitragem; (AC).

VI - as pessoas naturais que exerçam quaisquer empregos,


cargos ou funções, diretivos ou não, diretamente relacionados a alguma
modalidade esportiva, em entidades mencionadas neste parágrafo, como,
entre outros, dirigentes, administradores, treinadores, médicos ou
membros de comissão técnica; (AC).

VII - todas as demais entidades compreendidas pelo Sistema


Nacional do Desporto que não tenham sido mencionadas nos incisos
anteriores, bem como as pessoas naturais e jurídicas que lhes forem
direta ou indiretamente vinculadas, filiadas, controladas ou coligadas.
(AC).

§ 2º Na aplicação do presente Código, será considerado o


tratamento diferenciado ao desporto de prática profissional e ao de
prática não-profissional, previsto no inciso III do art. 217 da Constituição
Federal. (AC).

Art. 2º A interpretação e aplicação deste Código observará


os seguintes princípios, sem prejuízo de outros: (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - ampla defesa;

II - celeridade;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 159

III - contraditório;

IV - economia processual;

V - impessoalidade;

VI - independência;

VII - legalidade;

VIII - moralidade;

IX - motivação;

X - oficialidade;

XI - oralidade;

XII - proporcionalidade;

XIII - publicidade;

XIV - razoabilidade;

XV - devido processo legal; (AC).

XVI - tipicidade desportiva; (AC).

XVII – prevalência, continuidade e estabilidade das


competições (pro competitione); (AC).

XVIII – espírito desportivo (fair play). (AC).

Art. 3º São órgãos da Justiça Desportiva, autônomos e


independentes das entidades de administração do desporto, com o
custeio de seu funcionamento promovido na forma da lei:

I - o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), com


jurisdição desportiva correspondente à abrangência territorial da entidade
nacional de administração do desporto; (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 160

II - os Tribunais de Justiça Desportiva (TJD), com jurisdição


desportiva correspondente à abrangência territorial da entidade regional
de administração do desporto; (NR).

III - as Comissões Disciplinares constituídas perante os


órgãos judicantes mencionados nos incisos I e II deste artigo. (NR).

Art. 3º-A. São órgãos do STJD o Tribunal Pleno e as


Comissões Disciplinares. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 4º O Tribunal Pleno do STJD compõe-se de nove


membros, denominados auditores, de reconhecido saber jurídico
desportivo e de reputação ilibada, sendo: (Redação dada pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

I - dois indicados pela entidade nacional de administração do


desporto;

II - dois indicados pelas entidades de prática desportiva que


participem da principal competição da entidade nacional de administração
do desporto;

III - dois advogados indicados pelo Conselho Federal da


Ordem dos Advogados do Brasil;

IV – um representante dos árbitros, indicado por entidade


representativa; e (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e
Resolução nº 13 de 2006)

V – dois representantes dos atletas, indicados por entidade


representativa. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução
nº 13 de 2006)

Art. 4º-A. Para apreciação de matérias relativas a


competições interestaduais ou nacionais, funcionarão perante o STJD,
como primeiro grau de jurisdição, tantas Comissões Disciplinares
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 161

Nacionais quantas se fizerem necessárias, compostas, cada uma, por


cinco auditores, de reconhecido saber jurídico desportivo e de reputação
ilibada, que não pertençam ao Tribunal Pleno do STJD. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Os auditores das Comissões Disciplinares serão


indicados pela maioria dos membros do Tribunal Pleno do STJD, a partir
de sugestões de nomes apresentadas por qualquer auditor do Tribunal
Pleno do STJD, devendo o Presidente do Tribunal Pleno do STJD preparar
lista com todos os nomes sugeridos, em ordem alfabética. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Cada auditor do Tribunal Pleno do STJD deverá, a partir


da lista mencionada no § 1º, escolher um nome por vaga a ser
preenchida, e os indicados para compor a Comissão Disciplinar serão
aqueles que obtiverem o maior número de votos, prevalecendo o mais
idoso, em caso de empate. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º Caso haja mais de uma vaga a ser preenchida em uma


ou mais Comissões Disciplinares, a votação será única e a distribuição
dos auditores nas diferentes vagas e Comissões Disciplinares far-se-á de
modo sucessivo, preenchendo-se primeiro as vagas da primeira Comissão
Disciplinar, e posteriormente as vagas das Comissões Disciplinares de
numeração subsequente, caso existentes, conforme a ordem decrescente
dos indicados mais votados. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Art. 4º-B. São órgãos de cada TJD o Tribunal Pleno e as


Comissões Disciplinares. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 5º Cada TJD compõe-se de nove membros,


denominados auditores, de reconhecido saber jurídico desportivo e de
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 162

reputação ilibada, sendo: (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

I - dois indicados pela entidade regional de administração de


desporto;

II - dois indicados pelas entidades de prática desportiva que


participem da principal competição da entidade regional de administração
do desporto;

III - dois advogados indicados pela Ordem dos Advogados do


Brasil, por intermédio da seção correspondente à territorialidade;

IV - um representante dos árbitros, indicado por entidade


representativa; e (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e
Resolução nº 13 de 2006)

V - dois representantes dos atletas, indicados por entidade


representativa. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução
nº 13 de 2006)

Art. 5º-A. Para apreciação de matérias relativas a


competições regionais e municipais, funcionarão perante cada TJD, como
primeiro grau de jurisdição, tantas Comissões Disciplinares Regionais
quantas se fizerem necessárias, conforme disposto no regimento interno
do TJD, compostas, cada uma, por cinco auditores, de reconhecido saber
jurídico desportivo e de reputação ilibada, que não pertençam ao Tribunal
Pleno do respectivo TJD. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Os auditores das Comissões Disciplinares serão


indicados pela maioria dos membros do Tribunal Pleno do TJD, a partir de
sugestões de nomes apresentados por qualquer auditor do Tribunal Pleno
do TJD, devendo o Presidente do Tribunal Pleno do TJD preparar lista,
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 163

com todos os nomes sugeridos, em ordem alfabética. (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Cada auditor do Tribunal Pleno do TJD deverá, a partir


da lista mencionada no § 1º, escolher um nome por vaga a ser
preenchida, e os indicados para compor a Comissão Disciplinar serão
aqueles que obtiverem o maior número de votos, prevalecendo o mais
idoso, em caso de empate. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º Caso haja mais de uma vaga a ser preenchida em uma


ou mais Comissões Disciplinares, a distribuição dos auditores nas
diferentes vagas e Comissões Disciplinares far-se-á de modo sucessivo,
preenchendo-se primeiro as vagas da primeira Comissão Disciplinar, e
posteriormente as vagas das Comissões Disciplinares de numeração
subsequente, caso existentes. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Art. 6º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 7º Os órgãos judicantes só poderão deliberar e julgar


com a presença da maioria de seus auditores, excetuadas as hipóteses de
julgamento monocrático admitidas por este Código. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 8º Os órgãos enumerados no art. 3º serão dirigidos por


um Presidente e um Vice-Presidente, eleitos pela maioria de seus
membros. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº
13 de 2006)

Parágrafo único. A Presidência e a Vice-Presidência do STJD


e do TJD serão exercidas pelos respectivos Presidentes e Vice-Presidentes
de seus Tribunais Plenos. (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 164

Art. 8º-A. Em caso de vacância na Presidência do órgão


judicante, o Vice-Presidente assumirá imediatamente o cargo vago, que
será exercido até o término do mandato a que se encontrava vinculado o
Presidente substituído. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Ao assumir a Presidência do órgão


judicante, o Vice-Presidente terá a incumbência de convocar sessão, a ser
realizada no prazo máximo de trinta dias, com o fim de preencher a Vice-
Presidência, que será exercida até o término do mandato a que se
encontrava vinculado o até então Vice-Presidente. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 8º-B. No caso de vacância concomitante na Presidência


e na Vice-Presidência do órgão judicante, a Presidência será
temporariamente exercida pelo auditor mais antigo, e a Vice-Presidência,
pelo segundo auditor mais antigo. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

§ 1º O auditor que assumir temporariamente a Presidência


terá a incumbência de convocar sessão, a ser realizada no prazo máximo
de trinta dias, com o fim de preencher os cargos vagos. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Os auditores eleitos ocuparão os cargos a que se refere


o caput até o término dos mandatos a que se encontravam vinculados os
auditores substituídos. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo II

DO PRESIDENTE E DO VICE-PRESIDENTE DO STJD,


DOS TRIBUNAIS E DAS COMISSÕES DISCIPLINARES
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 165

Art. 9º São atribuições do Presidente do Tribunal (STJD ou


TJD), além das que lhe forem conferidas pela lei, por este Código ou
regimento interno: (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - zelar pelo perfeito funcionamento do Tribunal e fazer


cumprir suas decisões;

II - ordenar a restauração de autos;

III - dar imediata ciência, por escrito, das vagas verificadas


no Tribunal ao Presidente da entidade indicante;

IV - determinar sindicâncias e aplicar sanções aos


funcionários do Tribunal, conforme disposto no regimento interno; (NR).

V - sortear os relatores dos processos de competência do


Tribunal Pleno; (NR).

VI - dar publicidade às decisões prolatadas;

VII - representar o Tribunal nas solenidades e atos oficiais,


podendo delegar essa função a qualquer dos auditores; (NR).

VIII - designar dia e hora para as sessões ordinárias e


extraordinárias e dirigir os trabalhos;

IX - dar posse aos auditores do Tribunal Pleno e das


Comissões Disciplinares, bem como aos secretários; (NR).

X - exigir da entidade de administração o ressarcimento das


despesas correntes e dos custos de funcionamento do Tribunal e prestar-
lhe contas;

XI - receber, processar e examinar os requisitos de


admissibilidade dos recursos provenientes da instância imediatamente
inferior; (NR).

XII (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 166

XIII - conceder licença do exercício de suas funções aos


auditores, inclusive aos das Comissões Disciplinares, secretários e demais
auxiliares; (NR).

XIV - exercer outras atribuições quando delegadas pelo


Tribunal; (NR).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

XV - determinar períodos de recesso do Tribunal; (AC).

XVI - criar comissões especiais e designar auditores para o


cumprimento de funções específicas de interesse do Tribunal. (AC).

Art. 10. Compete ao Vice-Presidente:

I - substituir o Presidente nas ausências ou impedimentos


eventuais e definitivamente quando da vacância da Presidência; (NR).

II - exercer as funções de Corregedor, na forma do


regimento interno. (NR).

III (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 10-A. No caso de ausência ou impedimento eventuais


concomitantes do Presidente e do Vice-Presidente do órgão judicante, a
Presidência será temporariamente exercida pelo auditor mais antigo, ao
passo que a Vice-Presidência será temporariamente ocupada pelo
segundo auditor mais antigo, salvo disposição diversa do regimento
interno do Tribunal (STJD ou TJD). (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Art. 10-B. No caso de impetração de mandado de garantia


em que o Presidente do STJD figure como autoridade coatora, competirá
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 167

ao Vice-Presidente do STJD praticar todos os atos processuais de


atribuição do Presidente do STJD. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Parágrafo único. Quando o Vice-Presidente do STJD estiver


afastado, impedido ou der-se por suspeito para a prática dos atos a que
se refere este artigo, o auditor mais antigo do Tribunal Pleno do STJD
cumprirá as atribuições ali mencionadas. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 10-C. Os Presidentes das Comissões Disciplinares terão,


no que for compatível, as mesmas atribuições dos art. 9º, I, V, VI, VII,
VIII e XIV, e os Vice-Presidentes, a mesma atribuição do art. 10, I.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 10-D. Salvo disposição diversa do regimento interno do


Tribunal (STJD ou TJD), os mandatos dos Presidentes e Vice-Presidentes
do Tribunal Pleno e das Comissões Disciplinares serão de dois anos,
autorizadas reeleições. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo III

DOS AUDITORES

Art. 11. O Presidente do Tribunal (STJD ou TJD) dará posse


aos auditores do Tribunal Pleno e das Comissões Disciplinares. (Redação
dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º A posse dos auditores do Tribunal Pleno dar-se-á na


primeira sessão subsequente ao recebimento, pelo Presidente do Tribunal
(STJD ou TJD), da indicação pela entidade a quem competir o
preenchimento do cargo. (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 168

§ 2º A posse dos auditores das Comissões Disciplinares dar-


se-á na primeira sessão subsequente à aceitação, pelo contemplado, da
indicação feita pelo Tribunal Pleno do Tribunal (STJD ou TJD). (AC).

§ 3º No caso de o auditor indicado, ao Tribunal Pleno ou a


Comissão Disciplinar, mesmo que não empossado, deixar de comparecer
ao número de sessões necessário à declaração de vacância do cargo,
haverá nova indicação pela mesma entidade, salvo justo motivo para as
ausências, assim considerado pelo Tribunal Pleno (STJD ou TJD). (AC).

Art. 12. O mandato dos auditores terá a duração máxima


permitida pela legislação brasileira, assim como poderá haver tantas
reconduções quantas forem legalmente admitidas. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 13. A antiguidade dos auditores conta-se da data da


posse. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Quando a posse houver ocorrido na mesma


data, considerar-se-á mais antigo o auditor que tiver maior número de
mandatos; se persistir o empate, considerar-se-á mais antigo o auditor
mais idoso. (AC).

Art. 14. Ocorre vacância do cargo de auditor:

I - pela morte ou renúncia;

II - pelo não-comparecimento a cinco sessões consecutivas,


salvo se devidamente justificado; (NR).

III - pela incompatibilidade. (NR).

IV (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Ocorre incompatibilidade para o exercício


do cargo de auditor: (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 169

I - a partir da condenação criminal, passada em julgado na


Justiça Comum, ou disciplinar, passada em julgado na Justiça Desportiva,
quando, a critério do Tribunal (STJD ou TJD), conforme decidido por dois
terços dos membros de seu Tribunal Pleno, o resultado comprometer a
probidade necessária ao desempenho do mandato; (AC).

II - quando o auditor, durante o mandato, incorrer nas


hipóteses do art. 16. (AC).

Art. 15. Ocorrendo a vacância do cargo de auditor no


Tribunal Pleno, o Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), no prazo de cinco
dias, comunicará a ocorrência ao órgão indicante competente para
preenchê-la. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º Decorridos trinta dias do recebimento da comunicação,


se o órgão indicante competente não houver preenchido a vaga, o
respectivo Tribunal (STJD ou TJD) designará substituto para ocupar,
interinamente, o cargo até a efetiva indicação. (AC).

§ 2º A comunicação a que se refere este artigo far-se-á pela


mesma forma das citações e intimações. (AC).

§ 3º O descumprimento deste artigo pelo Presidente do


Tribunal (STJD ou TJD) ensejará a aplicação da penalidade prevista no
art. 239. (AC).

Art. 15-A. Ocorrendo a vacância do cargo de auditor em


Comissão Disciplinar, o Presidente da respectiva Comissão Disciplinar
comunicará, no prazo de cinco dias, a ocorrência ao Presidente do
Tribunal (STJD ou TJD), e o Tribunal Pleno procederá na forma dos arts.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 170

4º-A e 5º-A, conforme o caso, na primeira sessão subsequente à


vacância. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. O descumprimento deste artigo pelo


Presidente da Comissão Disciplinar ensejará a aplicação da penalidade
prevista no art. 239. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 15-B. Os auditores poderão afastar-se temporariamente


de suas funções, pelo tempo que se fizer necessário, conforme licença a
ser concedida pelo Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), o que não
interrompe nem suspende o transcurso do prazo de exercício do
mandato. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Durante a licença dos auditores de Comissões


Disciplinares, os respectivos órgãos judicantes deverão indicar auditor
substituto para a composição temporária do colegiado, conforme o
procedimento previsto nos arts. 4º-A e 5º-A, conforme o caso. (Incluído
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Durante a licença de auditor de Tribunal Pleno, o auditor


substituto será indicado pela mesma entidade elencada nos arts. 4º e 5º,
conforme o caso, que tiver indicado o auditor licenciado. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 16. Respeitadas as exceções da lei, é vedado o


exercício de função na Justiça Desportiva:

a) (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

b) (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

c) (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - aos dirigentes das entidades de administração do


desporto; (AC).

II - aos dirigentes das entidades de prática desportiva. (AC).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 171

Art. 17. Não podem integrar concomitantemente o Tribunal


Pleno, ou uma mesma Comissão Disciplinar, auditores que tenham
parentesco na linha ascendente ou descendente, nem auditor que seja
cônjuge, companheiro, irmão, tio, sobrinho, sogro, padrasto, enteado ou
cunhado, durante o cunhadio, de outro auditor. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 18. O auditor fica impedido de atuar no processo:


(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - quando for credor, devedor, avalista, fiador, patrono,


sócio, acionista, empregador ou empregado, direta ou indiretamente, de
qualquer das partes; (NR).

II - quando se manifestar, específica e publicamente, sobre


objeto de causa a ser processada ou ainda não julgada pelo órgão
judicante; (NR).

III - quando for parte. (AC).

§ 1º Os impedimentos a que se refere este artigo devem ser


declarados pelo próprio auditor tão logo tome conhecimento do processo;
se não o fizer, podem as partes ou a Procuradoria argui-los na primeira
oportunidade em que se manifestarem no processo.

§ 2º Arguido o impedimento, decidirá o respectivo órgão


judicante, por maioria. (NR).

§ 3º Caso, em decorrência da declaração de impedimento,


não se verifique maioria dos auditores do órgão judicante apta a julgar o
processo, este terá seu julgamento adiado para a sessão subsequente do
órgão judicante. (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 172

§ 4º Uma vez declarado o impedimento, o auditor impedido


não poderá a partir de então praticar qualquer outro ato no processo em
referência. (AC).

§ 5º O impedimento a que se refere este artigo não se aplica


na hipótese de o auditor ser associado ou conselheiro de entidade de
prática desportiva. (AC).

Art. 19. Compete ao auditor, além das atribuições conferidas


por este Código e pelo respectivo regimento interno:

I - comparecer, obrigatoriamente, às sessões e audiências


com a antecedência mínima de vinte minutos, quando regularmente
convocado;

II - empenhar-se no sentido da estrita observância das leis,


do contido neste Código e zelar pelo prestígio das instituições
desportivas;

III - manifestar-se rigorosamente dentro dos prazos


processuais;

IV - representar contra qualquer irregularidade, infração


disciplinar ou sobre fatos ocorridos nas competições dos quais tenha tido
conhecimento;

V - apreciar, livremente, a prova dos autos, tendo em vista,


sobretudo, o interesse do desporto, fundamentando, obrigatoriamente, a
sua decisão.

VI – (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 20. O auditor, sempre que entender necessário para o


exercício de suas funções, terá acesso a todas as dependências do local,
seja público ou particular, onde estiver sendo realizada qualquer
competição da modalidade do órgão judicante a que pertença, à exceção
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 173

do local efetivo da disputa da partida, prova ou equivalente, devendo ser-


lhe reservado assento em setor designado para as autoridades
desportivas ou não. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. O acesso a que se refere este artigo


somente será garantido se informado pelo respectivo órgão judicante à
entidade mandante da partida, prova ou equivalente, com antecedência
mínima de quarenta e oito horas. (NR).

Capítulo IV

DA PROCURADORIA DA JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 21. A Procuradoria da Justiça Desportiva destina-se a


promover a responsabilidade das pessoas naturais ou jurídicas que
violarem as disposições deste Código, exercida por procuradores
nomeados pelo respectivo Tribunal (STJD ou TJD), aos quais compete:
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - oferecer denúncia, nos casos previstos em lei ou neste


Código; (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº 13
de 2006)

II - dar parecer nos processos de competência do órgão


judicante aos quais estejam vinculados, conforme atribuição funcional
definida em regimento interno; (NR).

III - formalizar as providências legais e processuais e


acompanhá-las em seus trâmites; -(NR).

IV - requerer vistas dos autos; (Alterado pela Resolução CNE


nº 11 de 2006 e Resolução nº 13 de 2006)

V - interpor recursos nos casos previstos em lei ou neste


Código ou propor medidas que visem à preservação dos princípios que
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 174

regem a Justiça Desportiva; (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de 2006


e Resolução CNE nº 13 de 2006)

VI - requerer a instauração de inquérito; (Incluído pela


Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

VII - exercer outras atribuições que lhe forem conferidas por


lei, por este Código ou regimento interno. (Incluído pela Resolução CNE
nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

§ 1º A Procuradoria será dirigida por um Procurador-Geral,


escolhido por votação da maioria absoluta do Tribunal Pleno dentre três
nomes de livre indicação da respectiva entidade de administração do
desporto. (AC).

§ 2º O mandato do Procurador-Geral será idêntico ao


estabelecido para o Presidente do Tribunal (STJD ou TJD). (AC).

§ 3º O Procurador-Geral poderá ser destituído de suas


funções pelo voto da maioria absoluta do Tribunal Pleno, a partir de
manifestação fundamentada e subscrita por pelo menos quatro auditores
do Tribunal Pleno. (AC).

Art. 22. Aplica-se aos procuradores o disposto nos artigos


14, 16, 18 e 20. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo V

DA SECRETARIA

Art. 23. São atribuições da Secretaria, além das


estabelecidas neste Código e no regimento interno do respectivo Tribunal
(STJD ou TJD): (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - receber, registrar, protocolar e autuar os termos da


denúncia e outros documentos enviados aos órgãos judicantes, e
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 175

encaminhá-los, imediatamente, ao Presidente do Tribunal (STJD ou TJD),


para determinação procedimental; (NR).

II - convocar os auditores para as sessões designadas, bem


como cumprir os atos de citações e intimações das partes, testemunhas e
outros, quando determinados; (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de
2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

III - atender a todos os expedientes dos órgãos judicantes;


(Incluído pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de
2006)

IV - prestar às partes interessadas as informações relativas


ao andamento dos processos; (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de
2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

V - ter em boa guarda todo o arquivo da Secretaria constante


de livros, papéis e processos; (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de
2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

VI - expedir certidões por determinação dos Presidentes dos


órgãos judicantes; (NR).

VII - receber, protocolar e registrar os recursos interpostos.


(Incluído pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de
2006)

TÍTULO II

DA JURISDIÇÃO E DA COMPETÊNCIA

Capítulo I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 24. Os órgãos da Justiça Desportiva, nos limites da


jurisdição territorial de cada entidade de administração do desporto e da
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 176

respectiva modalidade, têm competência para processar e julgar matérias


referentes às competições desportivas disputadas e às infrações
disciplinares cometidas pelas pessoas naturais ou jurídicas mencionadas
no art. 1º, § 1º. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo II

DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 25. Compete ao Tribunal Pleno do STJD: (Redação dada


pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - processar e julgar, originariamente:

a) seus auditores, os das Comissões Disciplinares do STJD e


os procuradores que atuam perante o STJD; (NR).

b) os litígios entre entidades regionais de administração do


desporto;

c) os membros de poderes e órgãos da entidade nacional de


administração do desporto;

d) os mandados de garantia contra atos ou omissões de


dirigentes ou administradores das entidades nacionais de administração
do desporto, de Presidente de TJD e de outras autoridades desportivas;
(NR).

e) a revisão de suas próprias decisões e as de suas


Comissões Disciplinares;

f) os pedidos de reabilitação;

g) os conflitos de competência entre Tribunais de Justiça


Desportiva;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 177

h) os pedidos de impugnação de partida, prova ou


equivalente referentes a competições que estejam sob sua jurisdição;
(NR).

i) as medidas inominadas previstas no art. 119, quando a


matéria for de competência do STJD; (AC).

j) as ocorrências em partidas ou competições internacionais


amistosas disputadas pelas seleções representantes da entidade nacional
de administração do desporto, exceto se procedimento diverso for
previsto em norma internacional aceita pela respectiva modalidade; (AC).

II - julgar, em grau de recurso:

a) as decisões de suas Comissões Disciplinares e dos


Tribunais de Justiça Desportiva;

b) os atos e despachos do Presidente do STJD; (NR).

c) as penalidades aplicadas pela entidade nacional de


administração do desporto, ou pelas entidades de prática desportiva que
lhe sejam filiadas, que imponham sanção administrativa de suspensão,
desfiliação ou desvinculação; (NR).

III - declarar os impedimentos e incompatibilidades de seus


auditores e dos procuradores que atuam perante o STJD; (NR).

IV - criar Comissões Disciplinares, indicar seus auditores,


destituí-los e declarar sua incompatibilidade; (NR).

V - instaurar inquéritos;

VI - uniformizar a interpretação deste Código e da legislação


desportiva a ele correlata, mediante o estabelecimento de súmulas de
jurisprudência predominante, vinculantes ou não, editadas na forma do
art. 119-A; (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 178

VII - requisitar ou solicitar informações para esclarecimento


de matéria submetida à sua apreciação;

VIII - expedir instruções às Comissões Disciplinares do STJD


e aos Tribunais de Justiça Desportiva; (NR).

IX - elaborar e aprovar o seu regimento interno;

X - declarar a vacância do cargo de seus auditores e


procuradores;

XI - deliberar sobre casos omissos;

XII - avocar, processar e julgar, de ofício ou a requerimento


da Procuradoria, em situações excepcionais de morosidade injustificada,
quaisquer medidas que tramitem nas instâncias da Justiça Desportiva,
para evitar negativa ou descontinuidade de prestação jurisdicional
desportiva. (AC).

Parágrafo único – (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Capítulo III

DAS COMISSÕES DISCIPLINARES DO STJD

Art. 26. Compete às Comissões Disciplinares do STJD:


(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - processar e julgar as ocorrências em competições


interestaduais e nacionais promovidas, organizadas ou autorizadas por
entidade nacional de administração do desporto, e em partidas ou
competições internacionais amistosas disputadas por entidades de prática
desportiva; (NR).

II - processar e julgar o descumprimento de resoluções,


decisões ou deliberações do STJD ou infrações praticadas contra seus
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 179

membros, por parte de pessoas naturais ou jurídicas mencionadas no art.


1º, § 1º, deste Código; (NR).

III - declarar os impedimentos de seus auditores. (Incluído


pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

Capítulo IV

DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 27. Compete ao Tribunal Pleno de cada TJD: (Redação


dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - processar e julgar, originariamente:

a) os seus auditores, os das Comissões Disciplinares do TJD


e os procuradores que atuam perante o TJD; (NR).

b) os mandados de garantia contra atos ou omissões de


dirigentes ou administradores dos poderes das entidades regionais de
administração do desporto; (NR).

c) os dirigentes da entidade regional de administração do


desporto; (NR).

d) a revisão de suas próprias decisões e as de suas


Comissões Disciplinares;

e) os pedidos de reabilitação;

f) os pedidos de impugnação de partida, prova ou


equivalente referentes a competições que estejam sob sua jurisdição;
(NR).

g) as medidas inominadas previstas no art. 119, quando a


matéria for de competência do TJD; (AC).

II – julgar, em grau de recurso:

a) as decisões de suas Comissões Disciplinares;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 180

b) os atos e despachos do Presidente do TJD; (NR).

c) as penalidades aplicadas pela entidade regional de


administração do desporto, ou pelas entidades de prática desportiva que
lhe sejam filiadas, que imponham sanção administrativa de suspensão,
desfiliação ou desvinculação; (NR).

III - declarar os impedimentos e incompatibilidades de seus


auditores e dos procuradores que atuam perante o TJD; (NR).

IV - criar Comissões Disciplinares e indicar os auditores,


podendo instituí-las para que funcionem junto às ligas constituídas na
forma da legislação em vigor; (NR).

V - destituir e declarar a incompatibilidade dos auditores das


Comissões Disciplinares; (NR).

VI - instaurar inquéritos;

VII - requisitar ou solicitar informações para esclarecimento


de matéria submetida a sua apreciação;

VIII - elaborar e aprovar o seu Regimento Interno;

IX – declarar vacância do cargo de seus auditores e


procuradores; (NR).

X - deliberar sobre casos omissos. (AC).

Art. 28. Compete às Comissões Disciplinares de cada TJD:


(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - processar e julgar as infrações disciplinares e demais


ocorrências havidas em competições promovidas, organizadas ou
autorizadas pela respectiva entidade regional de administração do
desporto; (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 181

II - processar e julgar o descumprimento de resoluções,


decisões ou deliberações do TJD ou infrações praticadas contra seus
membros, por parte de pessoas naturais ou jurídicas mencionadas no art.
1º, § 1º, deste Código. (AC).

III - declarar os impedimentos de seus auditores. (AC).

Capítulo V

DOS DEFENSORES

Art. 29. Qualquer pessoa maior e capaz é livre para postular


em causa própria ou fazer-se representar por advogado regularmente
inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, observados os impedimentos
legais. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º O estagiário de advocacia regularmente inscrito na


Ordem dos Advogados do Brasil poderá sustentar oralmente, desde que
instruído por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados
do Brasil. (AC).

§ 2º A instrução a que se refere o § 1º deverá ser


comprovada mediante declaração por escrito do advogado, que assumirá
a responsabilidade pela sustentação oral do estagiário. (AC).

Art. 30. A representação de que trata o art. 29 caput habilita


o defensor a intervir no processo, até o final e em qualquer grau de
jurisdição, podendo as entidades de administração do desporto e de
prática desportiva credenciar defensores para atuar em seu favor, de seus
dirigentes, atletas e outras pessoas que lhes forem subordinadas, salvo
quando colidentes os interesses. (Redação dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 182

Parágrafo único. Ainda que não colidentes os interesses, é


lícita a qualquer das pessoas mencionadas neste artigo a nomeação de
outro defensor.

Art. 31. O STJD e o TJD, por meio das suas Presidências,


deverão nomear defensores dativos para exercer a defesa técnica de
qualquer pessoa natural ou jurídica que assim o requeira expressamente,
bem como de qualquer atleta menor de dezoito anos de idade,
independentemente de requerimento. (Redação dada pela Resolução CNE
nº 29 de 2009).

Art. 32.(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

TÍTULO III

DO PROCESSO DESPORTIVO

Capítulo I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 33. O processo desportivo, instrumento pelo qual os


órgãos judicantes aplicam o direito desportivo aos casos concretos, será
iniciado na forma prevista neste Código e será desenvolvido por impulso
oficial.

Parágrafo único. O órgão judicante poderá declarar extinto o


processo, de ofício ou a requerimento de qualquer interessado, quando
exaurida sua finalidade ou quando houver a perda do objeto. (NR).

Art. 34. O processo desportivo observará os procedimentos


sumário ou especial, regendo-se ambos pelas disposições que lhes são
próprias e aplicando-se-lhes, obrigatoriamente, os princípios gerais de
direito.

§ 1º O procedimento sumário aplica-se aos processos


disciplinares.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 183

§ 2º O procedimento especial aplica-se: (NR).

I - ao inquérito;

II - à impugnação de partida, prova ou equivalente; (NR).

III - ao mandado de garantia;

IV - à reabilitação;

V - à dopagem, caso inexista legislação procedimental


aplicável à modalidade; (NR).

VI (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

VII - à suspensão, desfiliação ou desvinculação imposta pelas


entidades de administração ou de prática desportiva;

VIII - à revisão;

IX - às medidas inominadas do art. 119; (NR).

X - à transação disciplinar desportiva. (Inclusão dada pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo II

DA SUSPENSÃO PREVENTIVA

Art. 35. Poderá haver suspensão preventiva quando a


gravidade do ato ou fato infracional a justifique, ou em hipóteses de
excepcional e fundada necessidade, desde que requerida pela
Procuradoria, mediante despacho fundamentado do Presidente do
Tribunal (STJD ou TJD), ou quando expressamente determinado por lei
ou por este Código. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º O prazo da suspensão preventiva, limitado a trinta dias,


deverá ser compensado no caso de punição. (Incluído pela Resolução
CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 184

§ 2º A suspensão preventiva não poderá ser restabelecida


em grau de recurso. (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e
Resolução CNE nº 13 de 2006)

Capítulo III

DOS ATOS PROCESSUAIS

Art. 36. Os atos do processo desportivo não dependem de


forma determinada senão quando este Código expressamente o exigir,
reputando-se válidos os que, realizados de outro modo, atendam à sua
finalidade essencial. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Os órgãos judicantes poderão utilizar meios


eletrônicos e procedimentos de tecnologia de informação para dar
cumprimento ao princípio da celeridade, respeitados os prazos legais.
(AC).

Art. 37. Não correm em segredo os processos em curso


perante a Justiça Desportiva, salvo as exceções previstas em lei.

Art. 38. Todas as decisões deverão ser fundamentadas,


mesmo que sucintamente.

Art. 39. O acórdão será redigido quando requerido pela


parte ou pela Procuradoria, e deverá conter, resumidamente, relatório,
fundamentação, parte dispositiva e, quando houver, a divergência. -
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. O auditor incumbido de redigir o acórdão


terá o prazo de dois dias para fazê-lo, devolvendo os autos à Secretaria.
(NR).

Art. 40. As decisões proferidas pelos órgãos da Justiça


Desportiva devem ser publicadas na forma da legislação desportiva,
podendo, em face do princípio da celeridade, utilizar-se de edital ou
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 185

qualquer meio eletrônico, especialmente a Internet. (Redação dada pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 41. A Secretaria do órgão judicante numerará e


rubricará todas as folhas dos autos, e fará constar, em notas datadas e
rubricadas, os termos de juntada, vista, conclusão e outros. (Redação
dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo IV

DOS PRAZOS

Art. 42. Os atos relacionados ao processo desportivo serão


realizados nos prazos previstos por este Código.

§ 1º Quando houver omissão, o Presidente do órgão


judicante fixará o prazo, tendo em conta a complexidade da causa e do
ato a ser praticado, que não poderá exceder a três dias.

§ 2º Não havendo preceito normativo nem fixação de prazo


pelo Presidente do órgão judicante, será de três dias o prazo para a
prática de ato processual a cargo da parte.

§ 3º Nas hipóteses de competições que se realizem


ininterruptamente e findem em prazo não superior a vinte dias, o
Presidente do órgão judicante fixará o prazo, tendo em conta a
complexidade da causa e do ato a ser praticado, que não poderá exceder
a três dias. (AC).

Art. 43. Os prazos correrão da intimação ou citação e serão


contados excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia do
vencimento, salvo disposição em contrário. (Alterado pela Resolução CNE
nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

§ 1º Os prazos são contínuos, não se interrompendo ou


suspendendo no sábado, domingo e feriado.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 186

§ 2º Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil


se o início ou vencimento cair em sábado, domingo, feriado ou em dia em
que não houver expediente normal na sede do órgão judicante.

Art. 44. Decorrido o prazo, extingue-se para a parte e para a


Procuradoria, exceto em caso de oferecimento de denúncia, o direito de
praticar o ato. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo V

DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS

Art. 45. Citação é o ato processual pelo qual a pessoa


natural ou jurídica é convocada para, perante os órgãos judicantes
desportivos, comparecer e defender-se das acusações que lhe são
imputadas. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 46. Intimação é o ato processual pelo qual se dá ciência


à pessoa natural ou jurídica dos atos e termos do processo, para que faça
ou deixe de fazer alguma coisa. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

Art. 47. A citação e a intimação far-se-ão por edital


instalado em local de fácil acesso localizado na sede do órgão judicante e
no sítio eletrônico da respectiva entidade de administração do desporto.
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º Além da publicação do edital, a citação e a intimação


deverão ser realizada por telegrama, fac-símile ou ofício, dirigido à
entidade a que o destinatário estiver vinculado. (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 187

§ 2º Poderão ser utilizados outros meios eletrônicos para


efeito do previsto no § 1º, desde que possível a comprovação de entrega.
(AC).

Art. 48. O instrumento de citação indicará o nome do citado


a entidade a que estiver vinculado, o dia, a hora e o local de
comparecimento e a finalidade de sua convocação. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 49. O instrumento de intimação indicará o nome do


intimado, a entidade a que estiver vinculado, o prazo para realização do
ato e finalidade de sua intimação. (Redação dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 50. Feita a citação, por qualquer das formas


estabelecidas, o processo terá seguimento, independentemente do
comparecimento do citado. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Parágrafo único. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º O comparecimento espontâneo da parte supre a falta ou


a irregularidade da citação(AC).

§ 2º Comparecendo a parte apenas para arguir a falta ou a


irregularidade da citação e sendo acolhida, considerar-se-á feita a citação
na data do comparecimento, adiando-se o julgamento para a sessão
subsequente. (AC).

Art. 51. O intimado que deixar de cumprir a ordem expedida


pelo órgão judicante fica sujeito às cominações previstas por este Código.

Art. 51-A. Se a pessoa a ser citada ou intimada não mais


estiver vinculada à entidade a que o destinatário estiver vinculado, esta
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 188

deverá tomar as providências cabíveis para que a citação ou intimação


seja tempestivamente recebida por aquela. (Incluído pela Resolução CNE
nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Sujeitam-se às penas do art. 220-A, III, a


entidade que deixar de tomar as providências mencionadas no caput,
salvo se demonstrada a impossibilidade de encontrar a pessoa a ser
citada ou intimada. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo VI

DAS NULIDADES

Art. 52. Quando prescrita determinada forma, sem


cominação de nulidade, o órgão judicante considerará válido o ato se,
realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 53. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira


oportunidade em que couber à parte manifestar-se nos autos e só será
declarada se ficar comprovada a inobservância ou violação dos princípios
que orientam o processo desportivo.

Parágrafo único. O órgão judicante, ao declarar a nulidade,


definirá os atos atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim
de que sejam repetidos ou retificados.

Art. 54. A nulidade não será declarada:

I - quando se tratar de mera inobservância de formalidade


não essencial;

II - quando o processo, no mérito, puder ser resolvido a


favor da parte a quem a declaração de nulidade aproveitaria;

III - em favor de quem lhe houver dado causa.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 189

Capítulo VII

DA INTERVENÇÃO DE TERCEIRO

Art. 55. A intervenção de terceiro poderá ser admitida


quando houver legítimo interesse e vinculação direta com a questão
discutida no processo, devendo o pedido ser acompanhado da prova de
legitimidade, desde que requerido até o dia anterior à sessão de
julgamento. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. As entidades de administração do desporto


têm a prerrogativa de intervir no processo no estado em que se
encontrar. (NR).

Capítulo VIII

DAS PROVAS

Seção I

Das Disposições Gerais

Art. 56. Todos os meios legais, ainda que não especificados


neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos alegados no
processo desportivo. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 57. A prova dos fatos alegados no processo desportivo


incumbirá à parte que a requerer, arcando esta com os eventuais custos
de sua produção. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Independem de prova os fatos:

I - notórios;

II - alegados por uma parte e confessados pela parte


contrária;

III - que gozarem da presunção de veracidade.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 190

Art. 58. A súmula, o relatório e as demais informações


prestadas pelos membros da equipe de arbitragem, bem como as
informações prestadas pelos representantes da entidade desportiva, ou
por quem lhes faça as vezes, gozarão da presunção relativa de
veracidade. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º A presunção de veracidade contida no caput deste


artigo servirá de base para a formulação da denúncia pela Procuradoria
ou como meio de prova, não constituindo verdade absoluta.

§ 2º Quando houver indício de infração praticada pelas


pessoas referidas no caput, não se aplica o disposto neste artigo.

§ 3º Se houver discrepância entre as informações prestadas


pelos membros da equipe de arbitragem e pelos representantes da
entidade desportiva, ausentes demais meios de convencimento, a
presunção de veracidade recairá sobre as informações do árbitro, com
relação ao local da disputa de partida, prova ou equivalente, ou sobre as
informações dos representantes da entidade desportiva, nas demais
hipóteses. (Inclusão dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 58-A. Nos processos disciplinares, o ônus da prova da


infração incumbe à Procuradoria. (Inclusão dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 58-B. As decisões disciplinares tomadas pela equipe de


arbitragem durante a disputa de partidas, provas ou equivalentes são
definitivas, não sendo passíveis de modificação pelos órgãos judicantes
da Justiça Desportiva. (Inclusão dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Parágrafo Único. Em caso de infrações graves que tenham


escapado à atenção da equipe de arbitragem, ou em caso de notório
equívoco na aplicação das decisões disciplinares, os órgãos judicantes
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 191

poderão, excepcionalmente, apenar infrações ocorridas na disputa de


partidas, provas ou equivalentes. (Inclusão dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 59. A matéria de prova relativa à dopagem será


regulada pela legislação específica. (Redação dada pela Resolução CNE
nº 29 de 2009).

Seção II

Do Depoimento Pessoal

Art. 60. O Presidente do órgão judicante pode, a


requerimento da Procuradoria, da parte ou de terceiro interveniente,
determinar o comparecimento pessoal da parte a fim de ser interrogada
sobre os fatos da causa. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

§ 1º O depoimento pessoal deve ser, preferencialmente,


tomado no início da sessão de instrução e julgamento.

§ 2º A parte será interrogada na forma determinada para


inquirição de testemunhas.

Seção III

Da Prova Documental

Art. 61. Compete à parte interessada produzir a prova


documental que entenda necessária.

Seção IV

Da Exibição de Documento ou Coisa

Art. 62. O Presidente do órgão judicante poderá ordenar, a


requerimento motivado da parte, de terceiro interveniente ou da
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 192

Procuradoria, a exibição de documento ou coisa necessária à apuração


dos fatos. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. A desobediência da determinação a que se


refere o caput implicará as penas previstas no art. 220-A, I, deste Código.
(Inclusão dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Seção V

Da Prova Testemunhal

Art. 63. Toda pessoa pode servir como testemunha, exceto


o incapaz, o impedido ou o suspeito, assim definidos na lei.

§ 1º A testemunha assumirá o compromisso de bem servir


ao desporto, de dizer a verdade sobre o que souber e lhe for perguntado,
devendo qualificar-se e declarar se tem parentesco ou amizade com as
partes.

§ 2º Quando o interesse do desporto o exigir, o órgão


judicante ouvirá testemunha incapaz, impedida ou suspeita, mas não lhe
deferirá compromisso e dará ao seu depoimento o valor que possa
merecer.

Art. 64. Incumbe à parte, até o início da sessão de instrução


e julgamento, apresentar suas testemunhas.

§ 1º É permitido a cada parte apresentar, no máximo, três


testemunhas.

§ 2º Nos processos com mais de três interessados, o número


de testemunhas não poderá exceder a nove.

§ 3º As testemunhas deverão comparecer


independentemente de intimação, salvo nos casos previstos nos
procedimentos especiais.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 193

§ 4º É vedado à testemunha trazer o depoimento por escrito,


ou fazer apreciações pessoais sobre os fatos testemunhados, salvo
quando inseparáveis da respectiva narração.

§ 5º Os auditores, diretamente, a Procuradoria e as partes,


por intermédio do Presidente do órgão judicante, poderão reinquirir as
testemunhas.

§ 6º O relator ouvirá as testemunhas separada e


sucessivamente, primeiro, as da Procuradoria e, em seguida, as das
partes, providenciando para que uma não ouça os depoimentos das
demais.

Seção VI

Dos Meios Audiovisuais

Art. 65. As provas fotográficas, fonográficas,


cinematográficas, de vídeo tape e as imagens fixadas por qualquer meio
ou processo eletrônico serão apreciadas com a devida cautela,
incumbindo à parte que as quiser produzir o pagamento das despesas
com as providências que o órgão judicante determinar. (Redação dada
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 66. A produção das provas previstas no art. 65 deverá


ser requerida pela parte até o início da sessão de instrução e julgamento.
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 67. As provas referidas no art. 65, quando não houver


motivo que justifique a sua conservação no processo, poderão ser
restituídas, mediante requerimento da parte, depois de ouvida a
Procuradoria, desde que devidamente certificado nos autos.

Seção VII

Da Prova Pericial
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 194

Art. 68. A prova pericial consiste em exame e vistoria.

Parágrafo único. O Presidente do órgão judicante indeferirá a


produção de prova pericial quando:

I - o fato não depender do conhecimento especial de técnico;

II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas


ou passíveis de produção;

III - for impraticável;

IV - for requerida com fins meramente protelatórios.

Art. 69. Deferida a prova pericial, o Presidente do órgão


judicante nomeará perito, formulará quesitos e fixará prazo para
apresentação do laudo.

§ 1º É facultado às partes indicar assistente técnico e


formular quesitos, no prazo de vinte e quatro horas.

§ 2º A nomeação de perito deverá recair sobre pessoa com


qualificação técnica comprovada. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de
2006 e Resolução nº 13 de 2006)

§ 3º O prazo para conclusão do laudo será de quarenta e


oito horas, podendo o Presidente do órgão judicante prorrogá-lo a pedido
do perito, em casos excepcionais.

Seção VIII

Da Inspeção

Art. 70. O relator, de ofício, a requerimento da Procuradoria


ou da parte interessada, poderá promover a realização de inspeção, a fim
de buscar esclarecimento sobre fato que interesse à decisão da causa,
sendo-lhe facultado requerer auxílio de outros auditores. (Redação dada
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 195

Art. 71. Concluída a inspeção, o relator mandará lavrar auto


circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da
causa.

Capítulo IX

DO REGISTRO E DA DISTRIBUIÇÃO

Art. 72. O registro e a distribuição dos processos


submetidos à Justiça Desportiva serão regulados no regimento interno do
respectivo Tribunal (STJD ou TJD). (Redação dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

TÍTULO IV

DAS ESPÉCIES DO PROCESSO DESPORTIVO

Capítulo I

DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO

A r t . 7 3 . O p ro c e d i m e n t o s u m á r i o s e r á i n i c i a d o
privativamente mediante denúncia da Procuradoria e destina-se à
aplicação de medidas disciplinares. (Redação dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 74. Qualquer pessoa natural ou jurídica poderá


apresentar por escrito notícia de infração disciplinar desportiva à
Procuradoria, desde que haja legítimo interesse, acompanhada da prova
de legitimidade. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º Incumbirá exclusivamente à Procuradoria avaliar a


conveniência de promover denúncia a partir da notícia de infração a que
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 196

se refere este artigo, não se aplicando à hipótese o procedimento do art.


78. (AC).

§ 2º Caso o procurador designado para avaliar a notícia de


infração opine por seu arquivamento, poderá o interessado requerer
manifestação do Procurador-Geral, no prazo de três dias, para reexame
da matéria. (AC).

§ 3º Mantida pelo Procurador-Geral a manifestação contrária


à denúncia, a notícia de infração será arquivada. (AC).

Art. 75. A súmula e o relatório da competição serão


elaborados e entregues pelo árbitro e seus auxiliares dentro do prazo
estipulado em lei ou, em sendo omissa, no regulamento.

§ 1º A inobservância do prazo previsto no caput não


impedirá o início do processo pela Procuradoria, sem prejuízo de eventual
punição dos responsáveis pelo atraso.

§ 2º A entidade responsável pela organização da competição


dará publicidade aos documentos previstos no caput, na forma da lei.

Art. 76. A entidade de administração do desporto, quando


verificar existência de qualquer irregularidade anotada nos documentos
mencionados no art. 75, os remeterá ao respectivo Tribunal (STJD ou
TJD), no prazo de três dias, contado do seu recebimento. (Redação dada
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 77. Recebida e despachada a documentação pelo


Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), a Secretaria procederá ao registro,
encaminhando-a à Procuradoria para manifestação no prazo de dois dias.
(NR) (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 78. Se a Procuradoria requerer o arquivamento, o


Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), considerando procedentes as
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 197

razões invocadas, determinará o arquivamento do processo, em decisão


fundamentada. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Se o Presidente do Tribunal (STJD ou TJD) considerar


improcedentes as razões invocadas, fará remessa dos autos a outro
procurador, para reexame da matéria. (NR).

§ 2º Mantida a manifestação contrária à denúncia, os autos


serão arquivados.

§ 3º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

III -(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

IV (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 78-A. Recebida a denúncia, os autos serão conclusos ao


Presidente do respectivo Tribunal (STJD ou TJD) que, no prazo de dois
dias a contar de seu recebimento: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

I - sorteará relator; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

II - analisará a incidência da suspensão preventiva, caso já


não tenha sido determinada; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

III - designará dia e hora da sessão de instrução e


julgamento; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 198

IV - determinará o cumprimento dos atos de comunicação


processual e demais providências cabíveis. (Incluído pela Resolução CNE
nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Sendo de competência da Comissão


Disciplinar o processamento da denúncia, será a ela encaminhada,
procedendo o Presidente da Comissão Disciplinar na forma dos incisos I,
III e IV deste artigo. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 78-B. O regimento interno dos Tribunais (TJD ou STJD)


poderá atribuir aos Presidentes de Comissões Disciplinares os trâmites
processuais estabelecidos pelos arts. 77, 78 e 78-A. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 79. A denúncia deverá conter:

I - descrição detalhada dos fatos; (NR).

II - qualificação do infrator;

III - dispositivo supostamente infringido. (NR).

Parágrafo único. A indicação de dispositivo inaplicável aos


fatos não inquina a denúncia e deverá ser corrigida pelo procurador
presente à sessão de julgamento, podendo a parte interessada requerer
o adiamento do julgamento para a sessão subsequente. (AC).

Capítulo II

DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS

(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Seção I

Das Disposições Gerais

Art. 80. Nos procedimentos especiais, o pedido inicial deverá


ser, obrigatoriamente, acompanhado do comprovante do pagamento do
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 199

preparo, quando incidente, no valor e forma estabelecidos pelo regimento


de emolumentos a ser editado pelo STJD de cada modalidade, sob pena
de indeferimento. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. A Procuradoria e as entidades de


administração do desporto são isentas do recolhimento de emolumentos.
(AC).

Seção I-A

(Incluída pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

DA TRANSAÇÃO DISCIPLINAR DESPORTIVA

(Incluída pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 80-A. A Procuradoria poderá sugerir a aplicação


imediata de quaisquer das penas previstas nos incisos II a IV do art. 170,
conforme especificado em proposta de transação disciplinar desportiva
apresentada ao autor da infração. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

§ 1º A transação disciplinar desportiva somente poderá ser


admitida nos seguintes casos: - (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

I - de infração prevista no art. 206, excetuada a hipótese de


seu § 1º; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II - de infrações previstas nos arts. 250 a 258-C; (Incluído


pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

III - de infrações previstas nos arts. 259 a 273. (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Não se admitirá a proposta de tramitação disciplinar


desportiva quando: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 200

I - o infrator tiver sido beneficiado, no prazo de trezentos e


sessenta dias anteriores à infração, pela transação disciplinar desportiva
prevista neste artigo; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II - o infrator não possuir antecedentes e conduta desportiva


justificadores da adoção da medida; (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

III - os motivos e as circunstâncias da infração indicarem não


ser suficiente a adoção da medida. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

§ 3º A transação disciplinar desportiva deverá conter ao


menos uma das penas previstas nos incisos II a IV do art. 170, que
poderão ser cumuladas com medidas de interesse social. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º Aceita a proposta de transação disciplinar desportiva


pelo autor da infração, será submetida à apreciação de relator sorteado,
que deverá ser membro do Tribunal Pleno do TJD ou STJD competente
para julgar a infração. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 5º Acolhendo a proposta de transação disciplinar


desportiva, o relator aplicará a pena, que não importará em reincidência,
sendo registrada apenas para impedir novamente a concessão do mesmo
benefício ao infrator no prazo de trezentos e sessenta dias. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 6º Da decisão do relator que negar a transação disciplinar


desportiva acordada entre Procuradoria e infrator caberá recurso ao
Tribunal Pleno. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 7º A transação disciplinar desportiva a que se refere este


artigo poderá ser firmada entre Procuradoria e infrator antes ou após o
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 201

oferecimento de denúncia, em qualquer fase processual, devendo sempre


ser submetida à apreciação de relator sorteado, membro do Tribunal
Pleno do TJD ou STJD competente para julgar a infração, suspendendo-
se condicionalmente o processo até o efetivo cumprimento da transação.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 8º Quando a denúncia ou o recurso já houver sido


distribuído, o relator sorteado, membro do Tribunal Pleno do TJD ou STJD
competente para julgar a infração, será o competente para apreciar a
transação disciplinar desportiva. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Seção II

Do Inquérito

Art. 81. O inquérito tem por fim apurar a existência de


infração disciplinar e determinar a sua autoria, para subsequente
instauração da ação cabível, podendo ser determinado de ofício pelo
Presidente do Tribunal competente (STJD ou TJD), ou a requerimento da
Procuradoria ou da parte interessada. (Redação dada pela Resolução CNE
nº 29 de 2009).

§ 1º O requerimento deve conter a indicação de elementos


que evidenciem suposta prática de infração disciplinar, das provas que
pretenda produzir, e das testemunhas a serem ouvidas, se houver, sendo
facultado ao Presidente do Tribunal (STJD ou TJD) a determinação de
atos complementares. (NR).

§ 2º Sendo o inquérito requerido pela parte interessada,


ouvir-se-á obrigatoriamente a Procuradoria, que poderá: (Incluído pela
Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 202

I - opinar pela rejeição, caso a parte interessada não


apresente qualquer elemento prévio de convicção; (Incluído pela
Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

II - acompanhar o feito até a conclusão. (NR).

Art. 82. Deferido o pedido, o Presidente do Tribunal (STJD


ou TJD) sorteará auditor processante, que terá o prazo de quinze dias
para sua conclusão, prorrogável por igual período. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Para a realização das diligências e oitiva de


testemunhas, facultar-se-á ao auditor processante requerer auxílio de
outros auditores ou solicitar que depoimentos sejam prestados por
escrito, caso o deslocamento de depoentes ao órgão judicante se
demonstre de difícil consecução. (NR).

§ 2º Realizadas as diligências e ouvidas as testemunhas, não


havendo atos investigatórios remanescentes, o inquérito, com o relatório,
será concluído por termo nos autos. (NR).

§ 3º Caracterizada, pelo auditor processante, a existência de


infração e determinada sua autoria, os autos de inquérito serão
remetidos à Procuradoria, para as providências cabíveis. (NR).

§ 4º Não restando caracterizada infração ou não determinada


a autoria, os autos de inquérito serão arquivados, por decisão
fundamentada do auditor processante. (AC).

Art. 83. O requerimento de instauração de inquérito será


indeferido pelo Presidente quando verificar a inexistência dos elementos
indispensáveis ao procedimento. (Redação dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Seção III
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 203

Da Impugnação de Partida, Prova ou Equivalente

Art. 84. O pedido de impugnação deverá ser dirigido ao


Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), em duas vias devidamente
assinadas pelo impugnante ou por procurador com poderes especiais,
acompanhado dos documentos que comprovem os fatos alegados e da
prova do pagamento dos emolumentos, limitado às seguintes hipóteses:
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - modificação de resultado; (Incluído pela Resolução CNE


nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

II - anulação de partida, prova ou equivalente. (Incluído pela


Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

§ 1º São partes legítimas para promover a impugnação as


pessoas naturais ou jurídicas que tenham disputado a partida, prova ou
equivalente em cada modalidade, ou as que tenham imediato e
comprovado interesse no seu resultado, desde que participante da
mesma competição. (NR).

§ 2º A petição inicial será liminarmente indeferida pelo


Presidente do Tribunal competente quando: (NR).

I - manifestamente inepta;

II - manifesta a ilegitimidade da parte;

III - faltar condição exigida pelo Código para a iniciativa da


impugnação;

IV - não comprovado o pagamento dos emolumentos.

§ 3º O Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), ao receber a


impugnação, dará imediato conhecimento da instauração do processo ao
Presidente da respectiva entidade de administração do desporto, para
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 204

que não homologue o resultado da partida, prova ou equivalente até a


decisão final da impugnação. (NR).

§ 4º Não caberá pedido de impugnação no caso de inclusão


de atleta sem condição legal de participar de partida, prova ou
equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução
CNE nº 13 de 2006)

Art. 85. A impugnação deverá ser protocolada no Tribunal


(STJD ou TJD) competente, em até dois dias depois da entrada da
súmula na entidade de administração do desporto. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 86. Recebida a impugnação, dar-se-á vista à parte


contrária, pelo prazo de dois dias, para pronunciar-se, indo o processo,
em seguida, à Procuradoria, por igual prazo, para manifestação.

Art. 87. Decorrido o prazo da Procuradoria, o Presidente do


Tribunal (STJD ou TJD) sorteará relator, incluindo o feito em pauta para
julgamento. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Seção IV

Do Mandado de Garantia

Art. 88. Conceder-se-á mandado de garantia sempre que,


ilegalmente ou com abuso de poder, alguém sofrer violação em seu
direito líquido e certo, ou tenha justo receio de sofrê-la por parte de
qualquer autoridade desportiva.

Parágrafo único. O prazo para interposição do mandado de


garantia extingue-se decorridos vinte dias contados da prática do ato,
omissão ou decisão.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 205

Art. 89. Não se concederá mandado de garantia contra ato,


omissão ou decisão de que caiba recurso próprio e tenha sido concedido
o efeito suspensivo. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 90. A petição inicial, dirigida ao Presidente do Tribunal


(STJD ou TJD) e acompanhada do comprovante do pagamento dos
emolumentos, será apresentada em duas vias, devendo os documentos
que instruírem a primeira via serem reproduzidos na outra.

Parágrafo único. Após a apresentação da petição inicial não


poderão ser juntados novos documentos nem aduzidas novas razões.

Art. 91. Ao despachar a inicial, o Presidente do Tribunal


(STJD ou TJD) ordenará que se notifique a autoridade coatora, à qual
será enviada uma via da inicial, com a cópia dos documentos, para que,
no prazo de três dias, preste informações. (Redação dada pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

Art. 92. Em caso de urgência, será permitido, observados os


requisitos desta Seção, inclusive a comprovação do pagamento dos
emolumentos, impetrar mandado de garantia por telegrama, fac-símile ou
meio eletrônico que possibilite comprovação de recebimento, desde que
comprovada a remessa do original no prazo do parágrafo único do artigo
88, sob pena de extinção do processo, podendo o Presidente do Tribunal
(STJD ou TJD), pela mesma forma, determinar a notificação da
autoridade coatora. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 93. Quando relevante o fundamento do pedido e a


demora possa tornar ineficaz a medida, o Presidente do Tribunal (STJD
ou TJD), ao despachar a inicial, poderá conceder medida liminar.
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 206

Art. 94. A inicial será, desde logo, indeferida quando não for
caso de mandado de garantia ou quando lhe faltar algum dos requisitos
previstos neste Código.

Parágrafo único. Do despacho de indeferimento caberá


recurso para o Tribunal Pleno do respectivo Tribunal (STJD ou TJD). (NR).

Art. 95. Findo o prazo para as informações, com ou sem


elas, o Presidente do Tribunal (STJD ou TJD), depois de sortear o relator,
mandará dar vista do processo à Procuradoria, que terá dois dias para
manifestação. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Restituídos os autos pela Procuradoria, será


designada data para julgamento.

Art. 96. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 97. Os processos de mandado de garantia têm


prioridade sobre os demais.

Art. 98. O pedido de mandado de garantia poderá ser


renovado se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito.

Seção V

Da Reabilitação

Art. 99. A pessoa natural que houver sofrido eliminação


poderá pedir reabilitação ao órgão judicante que lhe impôs a pena
definitiva, se decorridos mais de dois anos do trânsito em julgado da
decisão, instruindo o pedido com a documentação que julgar conveniente
e, obrigatoriamente, com a prova do pagamento dos emolumentos, com
a prova do exercício de profissão ou de atividade escolar e com a
declaração de, no mínimo, três pessoas vinculadas ao desporto, de
notória idoneidade, que atestem plenamente as condições de
reabilitação. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 207

Parágrafo único. No caso de infrações por dopagem,


observar-se-á o disposto no art. 244-A. (AC).

Art. 100. Recebido o pedido, será dada vista à Procuradoria,


pelo prazo de três dias, para emitir parecer, sendo o processo
encaminhado ao Presidente do órgão judicante, que, sorteando relator,
incluirá em pauta de julgamento. (Redação dada pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Seção VI

Da Dopagem

Art. 100-A. Aplicar-se-ão as regras desta Seção caso a


legislação da respectiva modalidade não estabeleça regras
procedimentais específicas para as infrações por dopagem. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 101. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 102. Configurado o resultado anormal na análise anti-


dopagem, o Presidente da entidade de administração do desporto ou
quem o represente, em vinte e quatro horas, remeterá o laudo
correspondente, acompanhado do laudo da contraprova, ao Presidente
do Tribunal (STJD ou TJD), que decretará, também em vinte e quatro
horas, o afastamento preventivo do atleta, pelo prazo máximo de trinta
dias.

§ 1º No mesmo despacho, assinará ao atleta, à entidade de


prática ou entidade de administração do desporto a que pertencer e aos
demais responsáveis, quando houver, o prazo comum de cinco dias, para
oferecer defesa escrita e as provas que tiver.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 208

§ 2º Não havendo se manifestado o atleta no prazo legal,


será designado defensor dativo para apresentação de defesa escrita, no
prazo de dois dias. (NR).

§ 3º Esgotado o prazo a que se refere o § 2º, com defesa ou


sem ela, o Presidente do Tribunal (STJD ou TJD) competente, nas vinte e
quatro horas seguintes, remeterá o processo à Procuradoria para oferecer
denúncia no prazo de dois dias. (AC).

Art. 103. Oferecida a denúncia, o Presidente do órgão


judicante, nas vinte e quatro horas seguintes, sorteará o auditor relator e
marcará, desde logo, data para a sessão de julgamento, que se realizará
dentro de dez dias. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 104. Na sessão de julgamento, as partes terão o prazo


de quinze minutos para sustentação oral. (Redação dada pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

Art. 105. Proclamada eventual decisão condenatória, haverá


detração nos casos de cumprimento do afastamento preventivo.
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 106. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Seção VII

Das Infrações Punidas Com Eliminação

Art. 107. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 108. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Art. 109. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 110. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 209

Seção VIII

Da Suspensão, Desfiliação ou Desvinculação Impostas


pelas Entidades de Administração ou de Prática Desportiva

Art. 111. A imposição das sanções de suspensão, desfiliação


ou desvinculação, pelas entidades desportivas, com o objetivo de manter
a ordem desportiva, somente serão aplicadas após decisão definitiva da
Justiça Desportiva.

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§1º A decisão administrativa expedida para aplicação de


suspensão, desfiliação ou desvinculação imposta pelas entidades de
administração ou de prática desportiva será homologada pelo respectivo
Tribunal (STJD ou TJD), mediante remessa de ofício. (AC).

§2º Caso identificada nulidade, esta será declarada pelo


Tribunal competente (STJD ou TJD) e os autos serão devolvidos à
entidade de administração ou de prática desportiva. (AC).

Seção IX

Da Revisão

Art. 112. A revisão dos processos findos será admitida:

I - quando a decisão houver resultado de manifesto erro de


fato ou de falsa prova;

II - quando a decisão tiver sido proferida contra literal


disposição de lei ou contra a evidência da prova;

III - quando, após a decisão, se descobrirem provas da


inocência do punido ou de atenuantes relevantes. (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 210

Art. 113. A revisão é admissível até três anos após o


trânsito em julgado da decisão condenatória, mas não admite reiteração
ou renovação, salvo se fundada em novas provas.

Art. 114. Não cabe revisão da decisão que importe em


exclusão de competição, perda de pontos, de renda ou de mando de
campo. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 115. A revisão só pode ser pedida pelo prejudicado,


que deverá formulá-la em petição escrita, desde logo instruída com as
provas que a justifiquem, nos termos do art. 112.

Art. 116. O órgão judicante, se julgar procedente o pedido


de revisão, poderá alterar a classificação da infração, absolver o
requerente, modificar a pena ou anular o processo, especificando o
alcance da decisão. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 117. Em nenhum caso poderá ser agravada a pena


imposta na decisão revista.

Art. 118. É obrigatória, nos pedidos de revisão, a


intervenção da Procuradoria.

Seção X

Das Medidas Inominadas

Art. 119. O Presidente do Tribunal (STJD ou do TJD),


perante seu órgão judicante e dentro da respectiva competência, em
casos excepcionais e no interesse do desporto, em ato fundamentado,
poderá permitir o ajuizamento de qualquer medida não prevista neste
Código, desde que requerida no prazo de três dias contados da decisão,
do ato, do despacho ou da inequívoca ciência do fato, podendo conceder
efeito suspensivo ou liminar quando houver fundado receio de dano
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 211

irreparável, desde que se convença da verossimilhança da alegação.


(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Recebida pelo Presidente do Tribunal (STJD ou TJD) a


medida a que se refere este artigo, proceder-se-á na forma do art. 78-A.
(AC).

§ 2º Os réus, a Procuradoria e as partes interessadas terão o


prazo comum de dois dias para apresentar contra-razões, contado a
partir do despacho que lhes abrir vista dos autos. (AC).

§ 3º Caberá recurso voluntário da decisão do Presidente do


Tribunal (STJD ou TJD) que deixar de receber a medida a que se refere
este artigo. (AC).

Seção XI

Do Enunciado de Súmula

Art. 119-A. O Tribunal Pleno do STJD poderá, após


reiteradas decisões sobre matéria de sua competência, editar enunciado
de súmula que, a partir de sua publicação na forma do art. 40, poderá ter
efeito vinculante em relação a todos os órgãos judicantes da respectiva
modalidade, nas esferas nacional e regional, bem como proceder à sua
revisão ou cancelamento. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º A edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de


súmula dependerão de decisão tomada por dois terços dos membros do
Tribunal Pleno do STJD. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a


interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja
controvérsia que acarrete insegurança jurídica e multiplicação de
processos sobre questão idêntica. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 212

§ 3º A revisão ou cancelamento de enunciado de súmula


poderão ser propostos: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - por qualquer auditor do Tribunal Pleno do STJD; (Incluído


pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II - pelo Procurador-Geral do STJD; (Incluído pela Resolução


CNE nº 29 de 2009).

III - pela entidade nacional de administração do desporto;


(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

IV - pelas entidades de prática desportiva que participem da


principal competição da entidade nacional de administração do desporto;
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

V - pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do


Brasil; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

VI - por entidade representativa dos árbitros; (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

VII - por entidade representativa dos atletas; (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

VIII - pelos Tribunais de Justiça Desportiva. (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º O Procurador-Geral do STJD, nas propostas que não


houver formulado, manifestar-se-á previamente à edição, revisão ou
cancelamento de enunciado de súmula. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

§ 5º A súmula terá eficácia imediata, mas o Tribunal Pleno do


STJD, por decisão de dois terços dos seus membros, poderá excluir ou
restringir os efeitos vinculantes, bem como decidir que só tenha eficácia a
partir de outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica ou
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 213

de excepcional interesse do desporto. (Incluído pela Resolução CNE nº 29


de 2009).

§ 6º Revogada ou modificada a norma em que se fundou a


edição de enunciado de súmula, o Tribunal Pleno do STJD, de ofício ou
por provocação, procederá à sua revisão ou cancelamento, conforme o
caso. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 7º A proposta de edição, revisão ou cancelamento de


enunciado de súmula não autoriza a suspensão dos processos em que se
discuta a mesma questão. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo III

DA SESSÃO DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

Art. 120. Nas sessões de instrução e julgamento será


observada a pauta previamente elaborada pela Secretaria, de acordo com
a ordem numérica dos processos.

§ 1º Terão preferência os procedimentos especiais e os


pedidos de preferência das partes que estiverem presentes, com
prioridade para as que residirem fora da sede do órgão judicante.

§ 2º As sessões de instrução e julgamento serão públicas,


podendo o Presidente do órgão judicante, por motivo de ordem ou
segurança, determinar que a sessão seja secreta, garantida, porém, a
presença da Procuradoria, das partes e seus representantes.

§ 3º Na impossibilidade de comparecimento do relator


anteriormente sorteado, o processo poderá ser redistribuído e julgado na
mesma sessão. (NR).

Art. 121. No dia e hora designados, havendo quorum, o


Presidente do órgão judicante declarará aberta a sessão de instrução e
julgamento.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 214

Art. 122. Deverá ser lavrada ata da sessão de instrução e


julgamento em que conste o essencial. (Redação dada pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

Art. 123. Em cada processo, antes de dar a palavra ao


relator, o Presidente indagará das partes se têm provas a produzir.

Parágrafo único. Compete ao relator deferir ou não a


produção das provas. (AC).

Art. 124. Durante a sessão de instrução e julgamento, após


a apresentação do relatório, as provas deferidas serão produzidas na
seguinte ordem:

I - documental;

II - cinematográfica;

III - fonográfica;

IV - depoimento pessoal;

V - testemunhal;

VI - outras pertinentes.

Art. 125. Concluída a fase instrutória, com a produção das


provas, será dado o prazo de dez minutos, sucessivamente, à
Procuradoria e cada uma das partes, para sustentação oral.

§ 1º Quando duas ou mais partes forem representadas pelo


mesmo defensor, o prazo para sustentação oral será de quinze minutos.

§ 2º Quando houver apenas um defensor a fazer uso da


palavra na tribuna, este poderá optar entre sustentar oralmente antes ou
após o voto do relator. (NR).

§ 3º Em casos especiais, poderão ser prorrogados os prazos


previstos neste artigo, a critério do Presidente do órgão judicante. (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 215

§ 4º Quando houver terceiros intervenientes, o Presidente do


órgão judicante fixará prazo para sustentação oral, que ocorrerá após a
sustentação oral das partes. (AC).

Art. 126. Encerrados os debates, o Presidente indagará dos


auditores se pretendem algum esclarecimento ou diligência e, não
havendo, prosseguirá com o julgamento. (Redação dada pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Se algum dos auditores pretender esclarecimento, este


lhe será dado pelo relator.

§ 2º As diligências propostas por qualquer auditor e


deferidas pelo órgão judicante, quando não puderem ser cumpridas
desde logo, adiarão o julgamento para a sessão seguinte.

Art. 127. Após os votos do relator e do Vice-Presidente,


votarão os demais auditores, por ordem de antiguidade e, por último, o
Presidente.

Art. 128. O auditor, na oportunidade de proferir o seu voto,


poderá pedir vista do processo e, quando mais de um o fizer, a vista será
comum.

§ 1º O pedido de vista não impedirá que o processo seja


julgado na mesma sessão, após o tempo concedido pelo Presidente para
a vista.

§ 2º Quando a complexidade da causa assim o justificar, o


auditor poderá pedir vista pelo prazo de uma sessão, prorrogável, no
máximo, por mais uma sessão. (NR).

§ 3º Reiniciado o julgamento, prosseguir-se-á na apuração


dos votos, podendo-se rever os já proferidos; quando o reinício do
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 216

julgamento se der em outra sessão, as partes e a Procuradoria poderão


proferir nova sustentação oral. (NR).

§ 4º Nenhum julgamento será reiniciado sem a presença do


relator. (AC).

Art. 129. O auditor pode usar da palavra duas vezes sobre a


matéria em julgamento.

Art. 130. Só poderá votar o auditor que tenha assistido ao


relatório.

Art. 131. Nos casos de empate na votação, ao Presidente é


atribuído o voto de desempate, salvo quando se tratar de imposição de
qualquer das penas disciplinares relacionadas no art. 170. (Redação dada
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 132. Nas hipóteses de imposição de quaisquer das


penas disciplinares relacionadas no art. 170, prevalecerão, nos casos de
empate na votação, os votos mais favoráveis ao denunciado, não
havendo atribuição de voto de desempate ao Presidente. (Redação dada
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Quando os votos pela condenação do denunciado não


forem unânimes a respeito da qualificação jurídica da conduta, serão
computados separadamente os votos pela absolvição e os votos
atribuídos a cada diferente tipo infracional; somente haverá condenação
se o número de votos atribuídos a um específico tipo infracional for
superior ao número de votos absolutórios. (AC).

§ 2º Na hipótese condenatória do § 1º, apenas os votos


atribuídos ao tipo infracional prevalecente serão computados para
quantificação da pena. (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 217

§ 3º Havendo empate na votação para quantificação da


pena, em virtude da diversidade de votos computáveis, prevalecerão,
entre os votos empatados, os mais favoráveis ao denunciado. (AC).

§ 4º Quando o tipo infracional prevalecente permitir a


aplicação simultânea de mais de uma penalidade, far-se-á
separadamente o cômputo dos votos para aplicação, e, se for o caso,
quantificação de cada pena específica, aplicando-se o § 3º em caso de
empate. (AC).

§ 5º Na aplicação deste artigo, considerar-se-á a pena de


multa mais branda do que a de suspensão. (AC).

Art. 133. Proclamado o resultado do julgamento, a decisão


produzirá efeitos imediatamente, independentemente de publicação ou
da presença das partes ou de seus procuradores, desde que
regularmente intimados para a sessão de julgamento, salvo na hipótese
de decisão condenatória, cujos efeitos produzir-se-ão a partir do dia
seguinte à proclamação. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Parágrafo único. Nenhum ato administrativo poderá afetar as


decisões proferidas pelos órgãos da Justiça Desportiva. (Incluído pela
Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

Art. 133-A. As decisões que contemplem condenações


definitivas relativas às penas dos arts. 234 a 238 e 243-A, bem como nos
casos de dopagem, serão encaminhadas pelo Presidente do órgão
judicante ao Presidente da entidade nacional de administração do
desporto, a fim de que sejam comunicadas à entidade internacional da
respectiva modalidade. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 134. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 218

Art. 135. Se até sessenta minutos após a hora marcada


para o início da sessão não houver auditores em número legal, o
julgamento do processo será obrigatoriamente adiado para a sessão
seguinte, desde que requerido pela parte, independentemente de nova
intimação. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

TÍTULO V

DOS RECURSOS

Capítulo I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 136. Das decisões dos órgãos judicantes caberá recurso


nas hipóteses previstas neste Código.

§ 1º As decisões do Tribunal Pleno do STJD são irrecorríveis,


salvo disposição diversa neste Código ou na regulamentação internacional
específica da respectiva modalidade. (NR).

§ 2º São igualmente irrecorríveis as decisões dos Tribunais


de Justiça Desportiva que exclusivamente impuserem multa de até R$
1.000,00 (mil reais). (NR).

Art. 137. Os recursos poderão ser interpostos pelo autor,


pelo réu, por terceiro interveniente, pela Procuradoria e pela entidade de
administração do desporto. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Parágrafo único. A Procuradoria não poderá desistir do


recurso por ela interposto.

Art. 138. O recurso voluntário será protocolado perante o


órgão judicante que expediu a decisão recorrida, incumbindo ao
recorrente: (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 219

I - oferecer razões no prazo de três dias, contados da


proclamação do resultado do julgamento; (AC).

II - indicar o órgão judicante competente para o julgamento


do recurso; (AC).

III - juntar, no momento do protocolo, a prova do pagamento


dos emolumentos devidos, sob pena de deserção. (AC).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Se constar da ata de julgamento a


necessidade de elaboração posterior do acórdão, o prazo estipulado no
inciso I deste artigo terá sua contagem iniciada no dia posterior ao da
intimação da parte recorrente para ciência da juntada do acórdão aos
autos. (AC).

Art. 138-A. Protocolado o recurso, o Presidente do órgão


judicante que expediu a decisão recorrida encaminhará os autos no prazo
de três dias à instância superior, sob as penas do art. 223, para o devido
processamento. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 138-B. Recebidos os autos pela instância superior, onde


o recurso passará a ter toda a sua tramitação, o Presidente do órgão
judicante competente para julgá-lo fará análise prévia dos requisitos
recursais. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 138-C. Se o Presidente do órgão judicante considerar


presentes os requisitos recursais, sorteará relator, designará sessão de
julgamento, determinará a intimação e abrirá vista dos autos para as
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 220

partes contrárias e interessados impugnarem o recurso no prazo comum


de três dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Em caso de pedido de efeito suspensivo, os autos serão


encaminhados ao relator para apreciação; em hipóteses excepcionais,
dada a urgência, cópia dos autos poderá ser remetida ao relator por fac-
símile, via postal ou correio eletrônico, e o relator poderá apresentar seu
despacho utilizando os mesmos meios. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

§ 2º A Procuradoria será intimada e terá três dias para emitir


parecer. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º, mesmo que a


Procuradoria não tenha se manifestado, os autos retornarão ao relator.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 139. Em caso de urgência o recurso poderá ser


interposto por telegrama, fac-símile, via postal ou correio eletrônico, com
as cautelas devidas, devendo ser comprovada a remessa do original no
prazo de três dias, sob pena de não ser conhecido. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 140. No recurso voluntário, salvo se interposto pela


Procuradoria, a penalidade não poderá ser agravada.

Art. 140 - A. A penalidade poderá ser reformada em


benefício do réu, total ou parcialmente, ainda que o recurso tenha sido
exclusivamente interposto pela Procuradoria, por outro réu ou por
terceiro interveniente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 141. Passada em julgado a decisão do recurso


voluntário, a Secretaria, no prazo de dois dias, devolverá o processo ao
juízo de origem. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 221

Art. 142. O recurso devolve à instância superior o


conhecimento de toda a matéria discutida no processo, salvo quando só
tiver por objeto parte da decisão.

Parágrafo único. Qualquer instância superior poderá


conhecer de parte da decisão que não tenha sido objeto do recurso caso
seja possível reduzir a penalidade imposta ao infrator, total ou
parcialmente. (AC).

Capítulo II

(Revogado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução


CNE nº 13 de 2006).

DO RECURSO NECESSÁRIO

(Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução


CNE nº 13 de 2006).

Art. 143. (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e


Resolução CNE nº 13 de 2006).

I (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução


CNE nº 13 de 2006).

II (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e


Resolução CNE nº 13 de 2006).

III (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e


Resolução CNE nº 13 de 2006).

Art. 144. (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e


Resolução CNE nº 13 de 2006).

Art. 145. (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e


Resolução CNE nº 13 de 2006).

Capítulo III
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 222

DO RECURSO VOLUNTÁRIO

Art. 146. Ressalvados os casos previstos neste Código, cabe


recurso voluntário de qualquer decisão dos órgãos da Justiça Desportiva,
salvo decisões do Tribunal Pleno do STJD, as quais são irrecorríveis, na
forma do art. 136, § 1º. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Capítulo IV

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 147. O recurso voluntário será recebido em seu efeito


devolutivo. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 147-A. Poderá o relator conceder efeito suspensivo ao


recurso voluntário, em decisão fundamentada, desde que se convença da
verossimilhança das alegações do recorrente, quando a simples
devolução da matéria puder causar prejuízo irreparável ou de difícil
reparação. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Não se concederá o efeito suspensivo a que se refere


este artigo quando de sua concessão decorrer grave perigo de
irreversibilidade. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º A decisão que conceder ou deixar de conceder o efeito


suspensivo a que se refere este artigo será irrecorrível, mas poderá ser
revogada ou modificada a qualquer tempo, pelo relator, em decisão
fundamentada. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 147-B. O recurso voluntário será recebido no efeito


suspensivo nos seguintes casos: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 223

I - quando a penalidade imposta pela decisão recorrida


exceder o número de partidas ou o prazo definidos em lei, e desde que
requerido pelo punido; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II - quando houver cominação de pena de multa. (Incluído


pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º O efeito suspensivo a que se refere o inciso I apenas


suspende a eficácia da penalidade naquilo que exceder o número de
partidas ou o prazo mencionados no inciso I. (Incluído pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

§ 2º O efeito suspensivo a que se refere o inciso II apenas


suspende a exigibilidade da multa, até o trânsito em julgado da decisão
condenatória. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º O efeito suspensivo a que se refere este artigo aplica-se


a qualquer recurso voluntário interposto perante qualquer órgão
judicante da Justiça Desportiva, independentemente da origem da
decisão recorrida. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 148. Os recursos serão julgados pela instância superior,


de acordo com a competência fixada neste Código.

Art. 149. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 150. Em instância recursal não será admitida a


produção de novas provas. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006
e Resolução nº 13 de 2006)

Parágrafo único. Excepcionalmente, a critério do relator, será


admitida durante a sessão de julgamento a re-exibição de provas,
especialmente a cinematográfica, bem como a retomada de depoimentos,
caso este não tenha sido reduzido a termo. (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 224

Art. 151. A Secretaria dará ciência aos interessados ou a


seus defensores e à Procuradoria, com a antecedência mínima de dois
dias, da inclusão do processo na pauta do julgamento.

Art. 152. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo IV

DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Art. 152-A. Cabem embargos de declaração quando:


(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - houver, na decisão, obscuridade ou contradição; (Incluído


pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o


órgão judicante. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Os embargos serão opostos, no prazo de dois dias, em


petição dirigida ao relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório
ou omisso, não estando sujeitos a preparo; aplica-se aos embargos de
declaração o disposto no art. 138, parágrafo único. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º O relator julgará monocraticamente os embargos de


declaração, no prazo de dois dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

§ 3º Em casos excepcionais, o relator poderá remeter os


embargos a julgamento colegiado, apresentando-os em mesa na sessão
subsequente à oposição, quando considerar relevantes as alegações do
embargante. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º Quando o relator entender que os embargos de


declaração mereçam ser providos com efeitos infringentes, deverá
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 225

remetê-los a julgamento colegiado, na forma do § 3º. (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 5º Os embargos de declaração interrompem o prazo para a


interposição de outros recursos, por qualquer das partes ou interessados.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 6º Sendo considerados manifestamente protelatórios os


embargos de declaração, o relator poderá aplicar multa pecuniária ao
embargante, que não poderá ser inferior ao valor da menor pena
pecuniária constante deste Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

LIVRO II

DAS MEDIDAS DISCIPLINARES

TÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 153. É punível toda infração disciplinar tipificada no


presente Código.

Art. 154. Ninguém será punido por fato que lei posterior
deixe de considerar infração disciplinar, cessando, em virtude dela, a
execução e os efeitos da punição.

Parágrafo único. A lei posterior que de outro modo favoreça


o infrator aplica-se ao fato não definitivamente julgado.

Art. 155. Considera-se praticada a infração no momento da


ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

TÍTULO II

DA INFRAÇÃO
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 226

Art. 156. Infração disciplinar, para os efeitos deste Código, é


toda ação ou omissão antidesportiva, típica e culpável.

Parágrafo único – (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º A omissão é juridicamente relevante quando o omitente


deveria e poderia agir para evitar o resultado. (AC).

§ 2º O dever de agir incumbe precipuamente a quem: (AC).

I - tenha, por ofício, a obrigação de velar pela disciplina ou


coibir a prática de violência ou animosidade; (NR).

II - com seu comportamento anterior, tenha criado o risco da


ocorrência do resultado.

Art. 157. Diz-se a infração:

I - consumada, quando nela se reúnem todos os elementos


de sua definição;

II – tentada, quando, iniciada a execução, não se consuma


por circunstâncias alheias à vontade do agente.

III - dolosa, quando o agente quis o resultado ou assumiu o


risco de produzi-lo;

IV - culposa, quando o agente deu causa ao resultado por


imprudência, negligência ou imperícia.

§ 1º Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com


a pena correspondente à infração consumada, reduzida da metade.

§ 2º Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta


do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível
consumar-se a infração.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 227

§ 3º O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo


disposição expressa em contrário, não são puníveis, se a infração não
chega, pelo menos, a ser tentada. (AC).

Art. 158. O agente que, voluntariamente, desiste de


prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só
responde pelos atos já praticados.

Art. 159. O erro quanto à pessoa contra a qual a infração é


praticada não isenta o agente de pena.

Art. 160. Se a infração é cometida em obediência à ordem


de superior hierárquico, não manifestamente ilegal, ou sob coação
comprovadamente irresistível, só é punível o autor da ordem ou da
coação.

Art. 161. Não há infração quando as circunstâncias que


incidem sobre o fato são de tal ordem que impeçam que do agente se
possa exigir conduta diversa.

Art. 161-A. A responsabilidade das pessoas jurídicas não


exclui a das pessoas naturais, autoras, co-autoras ou partícipes do
mesmo fato. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. A pessoa natural responsável pela infração


cometida por pessoa jurídica será considerada co-autora. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

TÍTULO III

DA RESPONSABILIZAÇÃO PELA ATITUDE


ANTIDESPORTIVA PRATICADA POR MENORES DE QUATORZE
ANOS

Art. 162. Os menores de quatorze anos são considerados


desportivamente inimputáveis, ficando sujeitos à orientação de caráter
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 228

pedagógico. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº


13 de 2006)

Parágrafo único. Nos casos de reincidência da prática de


infrações disciplinares previstas neste Código por menores de quatorze
anos, responderá o seu técnico ou representante legal na respectiva
competição, caso não tenham sido adotadas as medidas cabíveis para
orientar e inibir novas infrações. (NR).

TÍTULO IV

DO CONCURSO DE PESSOAS

Art. 163. Quem, de qualquer modo, concorre para a


infração incide nas penas a esta cominadas, na medida de sua
participação. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Se a participação for de menor importância, a pena


pode ser diminuída de um sexto a um terço. (AC).

§ 2º Se algum dos concorrentes quis participar de infração


menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena desta. (AC).

§ 3º A pena a que se refere o § 2º será aumentada até


metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. (AC).

TÍTULO V

DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

Art. 164. Extingue-se a punibilidade:

I - pela morte da pessoa natural infratora; (NR).

II - pela extinção da pessoa jurídica infratora; (NR).

III - pela retroatividade da norma que não mais considera o


fato como infração; (NR).

IV - pela prescrição. (NR).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 229

V – pela reabilitação. (Revogado pela Resolução CNE nº 29


de 2009).

Art. 165. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 165-A. Prescreve:

§ 1º Em trinta dias, a pretensão punitiva disciplinar da


Procuradoria relativa às infrações previstas nos arts. 250 a 258-D.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Em sessenta dias, a pretensão punitiva disciplinar da


Procuradoria, quando este Código não lhe haja fixado outro prazo.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º Em dois anos, a pretensão ao cumprimento das


sanções, contados do trânsito em julgado da decisão condenatória.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º Em oito anos, a pretensão punitiva disciplinar relativa a


infrações por dopagem, salvo disposição diversa na legislação
internacional sobre a matéria. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

§ 5º Em vinte anos, a pretensão punitiva disciplinar relativa


às infrações dos arts. 237 e 238. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

§ 6º A pretensão punitiva disciplinar conta-se: (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

a) do dia em que a infração se consumou; (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

b) do dia em que cessou a atividade infracional, no caso de


tentativa; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 230

c) do dia em que cessou a permanência ou continuidade, nos


casos de infrações permanentes ou continuadas; (Incluído pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

d) do dia em que o fato se tornou conhecido pela


Procuradoria, nos casos em que a infração, por sua natureza, só puder
ser conhecida em momento posterior àqueles mencionados nas alíneas
anteriores, como nos casos de falsidade. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 165-B. Não haverá, em nenhuma hipótese, prescrição


intercorrente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 166. (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e


Resolução CNE nº 13 de 2006.)

Art. 167. (Revogado pelas Resolução CNE nº 11 de 2006 e


Resolução CNE nº 13 de 2006.)

Art. 168. Interrompe-se a prescrição:

I - pela instauração de inquérito; (Alterado pela Resolução


CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº 13 de 2006)

II - pelo recebimento da denúncia; (NR).

III (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

IV (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

V (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 169. A prescrição interrompida recomeça a correr do


último ato do processo que a interrompeu. (Redação dada pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

Art. 169-A. Os prazos de prescrição ou decadência previstos


neste Código ficarão suspensos durante período de recesso do órgão
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 231

judicante; suspensa a prescrição, o prazo remanescente será contado a


partir do término do período de suspensão. (Incluído pela Resolução CNE
nº 29 de 2009).

Art. 169-B. Os direitos relacionados às provas, torneios e


campeonatos, salvo os vinculados a infrações disciplinares e aqueles que
tenham prazo diverso estipulado por este Código, estão sujeitos à
decadência caso não sejam exercidos durante a respectiva fase da
competição. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

TÍTULO VI

DAS PENALIDADES

Capítulo I

DAS ESPÉCIES DE PENALIDADES

Art. 170. Às infrações disciplinares previstas neste Código


correspondem as seguintes penas:

I - advertência;

II - multa;

III - suspensão por partida;

IV - suspensão por prazo;

V - perda de pontos;

VI - interdição de praça de desportos;

VII - perda de mando de campo;

VIII - indenização;

IX - eliminação;

X - perda de renda;

XI - exclusão de campeonato ou torneio.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 232

§ 1º As penas disciplinares não serão aplicadas a menores de


quatorze anos.

§ 2º As penas pecuniárias não serão aplicadas a atletas de


prática não-profissional.

§ 3º Atleta não-profissional é aquele definido nos termos da


lei.

§ 4º As penas de eliminação não serão aplicadas a pessoas


jurídicas. (AC).

§ 5º A pena de advertência somente poderá ser aplicada


uma vez a cada seis meses ao mesmo infrator, quando prevista no
respectivo tipo infracional. (AC).

Art. 171. A suspensão por partida, prova ou equivalente


será cumprida na mesma competição, torneio ou campeonato em que se
verificou a infração.

§ 1º Quando a suspensão não puder ser cumprida na mesma


competição, campeonato ou torneio em que se verificou a infração,
deverá ser cumprida na partida, prova ou equivalente subsequente de
competição, campeonato ou torneio realizado pela mesma entidade de
administração ou, desde que requerido pelo punido e a critério do
Presidente do órgão judicante, na forma de medida de interesse social.
(NR).

§ 2º Quando resultante de infração praticada em partida


amistosa, a suspensão será cumprida em partida da mesma natureza ou
executada na forma de medida de interesse social.

§ 3º A suspensão a que se refere este artigo não excederá a


vinte e quatro partidas, provas ou equivalentes, exceto nas hipóteses
relativas a infrações por dopagem. (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 233

§ 4º O cômputo das partidas, provas ou equivalentes ficará


suspenso a partir do momento em que o infrator punido transferir-se para
o exterior, voltando a computar-se a partir do seu retorno, desde que não
tenha se consolidado a prescrição do art. 165-A, § 2º. (AC).

Art. 172. A suspensão por prazo priva o punido de participar


de quaisquer competições promovidas pelas entidades de administração
na respectiva modalidade desportiva, de ter acesso a recintos reservados
de praças de desportos durante a realização das partidas, provas ou
equivalentes, de praticar atos oficiais referentes à respectiva modalidade
desportiva e de exercer qualquer cargo ou função em poderes de
entidades de administração do desporto da modalidade e na Justiça
Desportiva. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º A critério e na forma estabelecida pelo Presidente do


órgão judicante, e desde que requerido pelo punido após o trânsito em
julgado da decisão condenatória, até metade da pena de suspensão por
prazo poderá ser cumprida mediante a execução de atividades de
interesse público, nos campos da assistência social, desporto, cultura,
educação, saúde, voluntariado, além da defesa, preservação e
conservação do meio ambiente. (AC).

§ 2º A suspensão a que se refere este artigo não excederá a


setecentos e vinte dias, exceto nas hipóteses relativas a infrações por
dopagem. (AC).

§ 3º O cômputo do prazo ficará suspenso a partir do


momento em que o infrator punido transferir-se para o exterior, voltando
a computar-se a partir do seu retorno, desde que não tenha se
consolidado a prescrição do art. 165-A, § 2º. (AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 234

§ 4º O cômputo do período de execução da suspensão por


prazo poderá ser suspenso pelo Presidente do órgão judicante nos
períodos em que não se celebram competições. (AC).

Art. 173. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Art. 174. A interdição de praça de desportos impede que


nela se realize qualquer partida da respectiva modalidade, até que sejam
cumpridas as exigências impostas na decisão, a critério do órgão
judicante. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 175. A entidade de prática punida com a perda de


mando de campo fica obrigada a disputar suas partidas, provas ou
equivalentes, na mesma competição em que ocorreu a infração.

§ 1º Quando a perda de mando de campo não puder ser


cumprida na mesma competição, deverá ser cumprida em competição
subsequente da mesma natureza, independentemente da forma de
disputa. (NR).

§ 2º A forma de cumprimento da pena de perda de mando


de campo, imposta pela Justiça Desportiva, é de competência e
responsabilidade exclusivas da entidade organizadora da competição,
torneio ou equivalente, devendo constar, prévia e obrigatoriamente, no
respectivo regulamento. (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e
Resolução CNE nº 13 de 2006)

Art. 176 (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 235

Art. 176-A. Os prazos e condições para cumprimento da


pena de multa serão definidos pelo Presidente do Tribunal (STJD ou TJD).
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º O recolhimento das penas pecuniárias deverá ser


efetuado à Tesouraria da entidade de administração do desporto que
tenha a abrangência territorial correspondente à jurisdição desportiva do
Tribunal (STJD ou TJD), devendo a parte comprová-lo nos autos.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º A critério e na forma estabelecida pelo Presidente do


Tribunal (STJD ou TJD) e desde que requerido pelo punido, até metade
da pena pecuniária imposta poderá ser cumprida por meio de medida de
interesse social, que, entre outros meios legítimos, poderá consistir na
prestação de serviços comunitários. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

§ 3º Faculta-se ao Presidente do órgão judicante (STJD ou


TJD), de ofício ou a requerimento do punido, a concessão de
parcelamento das penas pecuniárias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

§ 4º As entidades de prática desportiva são solidariamente


responsáveis pelas penas pecuniárias impostas àquelas pessoas naturais
que, no momento da infração, sejam seus atletas, dirigentes,
administradores, treinadores, empregados, médicos, membros de
comissão técnica ou quaisquer outras pessoas naturais que lhes sejam
direta ou indiretamente vinculadas. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

§ 5º A solidariedade estabelecida pelo § 4º não se afasta no


caso de o infrator desligar-se da entidade de prática desportiva, e não se
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 236

transmite à nova entidade de prática desportiva à qual o infrator venha a


se vincular. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 177. A pena de eliminação priva o punido de qualquer


atividade desportiva na respectiva modalidade, em todo o território
nacional.

Capítulo II

DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE

Art. 178. O órgão judicante, na fixação das penalidades


entre limites mínimos e máximos, levará em conta a gravidade da
infração, a sua maior ou menor extensão, os meios empregados, os
motivos determinantes, os antecedentes desportivos do infrator e as
circunstâncias agravantes e atenuantes.

Art. 179. São circunstâncias que agravam a penalidade a ser


aplicada, quando não constituem ou qualificam a infração:

I - ter sido praticada com o concurso de outrem;

II - ter sido praticada com o uso de instrumento ou objeto


lesivo;

III - ter o infrator, de qualquer modo, concorrido para a


prática de infração mais grave;

IV - ter causado prejuízo patrimonial ou financeiro;

V - ser o infrator membro ou auxiliar da justiça desportiva,


membro ou representante da entidade de prática desportiva; (NR).

VI - ser o infrator reincidente.

§ 1º Verifica-se a reincidência quando o infrator comete nova


infração depois de transitar em julgado a decisão que o haja punido
anteriormente, ainda que as infrações tenham natureza diversa. (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 237

§ 2º Para efeito de reincidência, não prevalece a condenação


anterior se, entre a data do cumprimento ou execução da pena e a
infração posterior, tiver decorrido período de tempo superior a um ano.
(Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº 13 de 2006)

Art. 180. São circunstâncias que atenuam a penalidade:

I - ser o infrator menor de dezoito anos, na data da infração;

II (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

III (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

IV - não ter o infrator sofrido qualquer punição nos doze


meses imediatamente anteriores à data do julgamento; (Alterado pela
Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº 13 de 2006)

V - ter sido a infração cometida em desafronta a grave


ofensa moral;

VI - ter o infrator confessado infração atribuída a outrem.

Art. 181. No caso de agravantes e atenuantes, a pena deve


aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes,
observados os critérios fixados no art. 178. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 182. As penas previstas neste Código serão reduzidas


pela metade quando a infração for cometida por atleta não-profissional
ou por entidade partícipe de competição que congregue exclusivamente
atletas não-profissionais. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e
Resolução nº 13 de 2006)

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 238

§ 1º Se a diminuição da pena resultar em número


fracionado, aplicar-se-á o número inteiro imediatamente inferior, mesmo
se inferior à pena mínima prevista no dispositivo infringido; se o número
fracionado for inferior a um, o infrator sofrerá a pena de uma partida,
prova ou equivalente. (AC).

§ 2º A redução a que se refere este artigo também se aplica


a qualquer pessoa natural que cometer infração relativa a competição
que congregue exclusivamente atletas não-profissionais, como, entre
outras, membros de comissão técnica, dirigentes e árbitros(AC).

§ 3º O infrator não terá direito à redução a que se refere


este artigo quando reincidente e a infração for de extrema gravidade.
(AC).

Art. 182-A. Além dos elementos de dosimetria previstos


neste Capítulo, a fixação das penas pecuniárias levará obrigatoriamente
em consideração a capacidade econômico-financeira do infrator ou da
entidade de prática desportiva. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Art. 183. Quando o agente, mediante uma única ação,


pratica duas ou mais infrações, a de pena maior absorve a de pena
menor.

Art. 184. Quando o agente mediante mais de uma ação ou


omissão, pratica duas ou mais infrações, aplicam-se cumulativamente as
penas.

TÍTULO VII

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

CAPÍTULO I

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 239

Art. 185. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA -(Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 186. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo II

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 187. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA -(Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA -(Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

III (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA -(Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 240

§ 5º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 188. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA -(Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Art. 189. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA -(Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

TÍTULO VIII

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo I

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 190. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo Único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

LIVRO III

DAS INFRAÇÕES EM ESPÉCIE

Capítulo I

DAS INFRAÇÕES RELATIVAS À ADMINISTRAÇÃO


DESPORTIVA, ÀS COMPETIÇÕES E À JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 191. Deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento:

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - de obrigação legal; (AC).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 241

II - de deliberação, resolução, determinação, exigência,


requisição ou qualquer ato normativo ou administrativo do CNE ou de
entidade de administração do desporto a que estiver filiado ou vinculado;
(AC).

III - de regulamento, geral ou especial, de competição. (AC).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a 100.000,00 (cem


mil reais), com fixação de prazo para cumprimento da obrigação. (AC).

§ 1º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


multa pela de advertência se a infração for de pequena gravidade. (AC).

§ 2º Se a infração for cometida por pessoa jurídica, além da


pena a ser-lhe aplicada, as pessoas naturais responsáveis pela infração
ficarão sujeitas a suspensão automática enquanto perdurar o
descumprimento. (AC).

Art. 192. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 193. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 194. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 195. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 196. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 197. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 242

Art. 198. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 199. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 200. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 201. Recusar acesso em praça de desporto, pública ou


particular, aos auditores e procuradores atuantes perante os respectivos
órgãos judicantes da Justiça Desportiva, na hipótese do art. 20 deste
Código. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 10.000,00 (dez


mil reais), com fixação de prazo para cumprimento da obrigação,
podendo ser cumulada com a interdição do local para a prática de
qualquer atividade relativa à respectiva modalidade enquanto perdurar o
descumprimento. (NR).

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de multa pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade. (AC).

Art. 202. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 203. Deixar de disputar, sem justa causa, partida, prova


ou o equivalente na respectiva modalidade, ou dar causa à sua não
realização ou à sua suspensão. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29
de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 243

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e perda dos pontos em disputa a favor do adversário, na
forma do regulamento. (NR).

§ 1º A entidade de prática desportiva também fica sujeita às


penas deste artigo se a suspensão da partida tiver sido
comprovadamente causada ou provocada por sua torcida. (AC).

§ 2º Se da infração resultar benefício ou prejuízo desportivo


a terceiro, o órgão judicante poderá aplicar a pena de exclusão da
competição em disputa. (AC).

§ 3º Em caso de reincidência específica, a entidade de


prática desportiva será excluída do campeonato, torneio ou equivalente
em disputa. (AC).

§ 4º Para os fins do § 3º, considerar-se-á reincidente a


entidade de prática desportiva quando a infração for praticada em
campeonato, torneio ou equivalente da mesma categoria, observada a
regra do art. 179, § 2º. (AC).

Art. 204. Abandonar a disputa de campeonato, torneio ou


equivalente, da respectiva modalidade, após o seu início.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), sendo as consequências desportivas decorrentes do
abandono dirimidas pelo respectivo regulamento. (NR).

Art. 205. Impedir o prosseguimento de partida, prova ou


equivalente que estiver disputando, por insuficiência numérica intencional
de seus atletas ou por qualquer outra forma. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 244

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e perda dos pontos em disputa a favor do adversário, na
forma do regulamento. (NR).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

§ 1º A entidade de prática desportiva fica sujeita às penas


deste artigo se a suspensão da partida tiver sido comprovadamente
causada ou provocada por sua torcida. (AC).

§ 2º Se da infração resultar benefício ou prejuízo desportivo


a terceiro, o órgão judicante poderá aplicar a pena de exclusão do
campeonato, torneio ou equivalente em disputa. (AC).

§ 3º Em caso de reincidência específica, a entidade de


prática desportiva será excluída do campeonato, torneio ou equivalente
em disputa. (AC).

§ 4º Para os fins do § 3º, considerar-se-á reincidente a


entidade de prática desportiva quando a infração for praticada em
campeonato, torneio ou equivalente da mesma categoria, observada a
regra do art. 179, § 2º. (AC).

§ 5º Para os fins deste artigo, presume-se a intenção de


impedir o prosseguimento quando o resultado da suspensão da partida,
prova ou equivalente for mais favorável ao infrator do que ao adversário.
(AC).

Art. 206. Dar causa ao atraso do início da realização de


partida, prova ou equivalente, ou deixar de apresentar a sua equipe em
campo até a hora marcada para o início ou reinício da partida, prova ou
equivalente. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 245

PENA: multa de R$ 100,00 (cem reais) até R$ 1.000,00 (mil


reais) por minuto. (NR).

§ 1º Se o atraso for superior ao tempo previsto no


regulamento de competição da respectiva modalidade, o infrator
responderá pelas penas previstas no art. 203. (AC).

§ 2º Quando duas ou mais partidas forem disputadas no


mesmo horário e verificar-se que o atraso da equipe permitiu ao infrator
conhecer resultados de outras partidas antes que a sua estivesse
encerrada, a multa será de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00
(cem mil reais). (AC).

Art. 207. Ordenar ao atleta que não atenda à requisição ou


convocação feita por entidade de administração de desporto, para
competição oficial ou amistosa, ou que se omita, de qualquer modo.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais). (NR).

Art. 208. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 209. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 210. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 211. Deixar de manter o local que tenha indicado para


realização do evento com infra-estrutura necessária a assegurar plena
garantia e segurança para sua realização.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 246

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e interdição do local, quando for o caso, até a satisfação
das exigências que constem da decisão. (NR).

Parágrafo único. Incide nas mesmas penas a entidade


mandante que não assegurar, à delegação visitante, livre acesso ao local
da competição e aos vestiários. (Incluído pela Resolução CNE nº 11 de
2006 e Resolução CNE nº 13 de 2006)

Art. 212. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 213. Deixar de tomar providências capazes de prevenir


e reprimir: (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - desordens em sua praça de desporto; (AC).

II - invasão do campo ou local da disputa do evento


desportivo; (AC).

III - lançamento de objetos no campo ou local da disputa do


evento desportivo. (AC).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais). (NR).

§ 1º Quando a desordem, invasão ou lançamento de objeto


for de elevada gravidade ou causar prejuízo ao andamento do evento
desportivo, a entidade de prática poderá ser punida com a perda do
mando de campo de uma a dez partidas, provas ou equivalentes, quando
participante da competição oficial. (NR).

§ 2º Caso a desordem, invasão ou lançamento de objeto seja


feito pela torcida da entidade adversária, tanto a entidade mandante
como a entidade adversária serão puníveis, mas somente quando
comprovado que também contribuíram para o fato. (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 247

§ 3º A comprovação da identificação e detenção dos autores


da desordem, invasão ou lançamento de objetos, com apresentação à
autoridade policial competente e registro de boletim de ocorrência
contemporâneo ao evento, exime a entidade de responsabilidade, sendo
também admissíveis outros meios de prova suficientes para demonstrar a
inexistência de responsabilidade. (NR).

§ 4º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 5º(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 6º(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 214. Incluir na equipe, ou fazer constar da súmula ou


documento equivalente, atleta em situação irregular para participar de
partida, prova ou equivalente. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

PENA: perda do número máximo de pontos atribuídos a uma


vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado
da partida, prova ou equivalente, e multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$
100.000,00 (cem mil reais). (NR).

§ 1º Para os fins deste artigo, não serão computados os


pontos eventualmente obtidos pelo infrator. (NR).

§ 2º O resultado da partida, prova ou equivalente será


mantido, mas à entidade infratora não serão computados eventuais
critérios de desempate que lhe beneficiem, constantes do regulamento da
competição, como, entre outros, o registro da vitória ou de pontos
marcados. (NR).

§ 3º A entidade de prática desportiva que ainda não tiver


obtido pontos suficientes ficará com pontos negativos.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 248

§ 4º Não sendo possível aplicar-se a regra prevista neste


artigo em face da forma de disputa da competição, o infrator será
excluído da competição. (NR).

Art. 215. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Capítulo II (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 216. Celebrar contrato de trabalho com duas ou mais


entidades de prática desportiva, por tempo de vigência sobrepostos,
levados a registro. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de trinta a cento e oitenta dias, podendo


ser cumulada com multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem
mil reais). (NR).

Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas: (AC).

I - aquele que requerer inscrição por mais de uma entidade


de prática desportiva ou omitir, no pedido de inscrição, sua vinculação a
outra entidade de prática desportiva; (AC).

II - a entidade de prática desportiva que celebrar, no mesmo


ato, dois ou mais contratos de trabalho consecutivos com o mesmo
atleta, para períodos seguidos. (AC).

Art. 217. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 218. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 249

Art. 219. Danificar praça de desportos, sede ou


dependência de entidade de prática desportiva.

PENA: suspensão de trinta a cento e oitenta dias, podendo


ser cumulada com multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem
mil reais), além de indenização pelos danos causados, a ser fixada pelo
órgão judicante competente. (NR).

Capítulo II

DAS INFRAÇÕES REFERENTES À JUSTIÇA


DESPORTIVA

Art. 220. Deixar a autoridade desportiva que tomou


conhecimento de falsidade documental de comunicar a infração ao
competente órgão judicante.

PENA: suspensão de trinta a noventa dias, e, na reincidência,


eliminação.

Art. 220-A. Deixar de: (Incluído pela Resolução CNE nº 29


de 2009).

I - colaborar com os órgãos da Justiça Desportiva e com as


demais autoridades desportivas na apuração de irregularidades ou
infrações disciplinares; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II - comparecer, injustificadamente, ao órgão de Justiça


Desportiva, quando regularmente intimado; (Incluído pela Resolução CNE
nº 29 de 2009).

III - tomar providências para o comparecimento à entidade


de administração do desporto, ou a órgão judicante da Justiça
Desportiva, de pessoas que lhe sejam vinculadas, quando convocadas por
seu intermédio. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 250

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), com fixação de prazo para cumprimento da obrigação.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


multa pela de advertência se a infração for de pequena gravidade.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Se a infração for cometida por pessoa jurídica, além da


pena a ser-lhe aplicada, as pessoas naturais responsáveis pela infração e
pelo respectivo cumprimento da obrigação ficarão sujeitas à suspensão
automática enquanto não a cumprir. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

Art. 221. Dar causa, por erro grosseiro ou sentimento


pessoal, à instauração de inquérito ou processo na Justiça Desportiva.
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de quinze a trezentos e sessenta dias à


pessoa natural ou, tratando-se de entidade de administração ou de
prática desportiva, multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem
mil reais). (NR).

Art. 222. Prestar depoimento falso perante a Justiça


Desportiva.

PENA: suspensão de noventa a trezentos e sessenta dias e,


na reincidência, eliminação.

Parágrafo único. A infração deixa de ser punível se o agente,


antes do julgamento, se retratar e declarar a verdade.

Art. 223. Deixar de cumprir ou retardar o cumprimento de


decisão, resolução, transação disciplinar desportiva ou determinação da
Justiça Desportiva. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 251

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais). (NR).

Parágrafo único. Quando o infrator for pessoa natural, a pena


será de suspensão automática até que se cumpra a decisão, resolução ou
determinação, além de suspensão por noventa a trezentos e sessenta
dias e, na reincidência, eliminação. (NR).

Art. 224. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 225. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 226. Deixar a entidade de administração do desporto da


mesma jurisdição territorial de prover os órgãos da Justiça Desportiva dos
recursos humanos e materiais necessários ao seu pleno e célere
funcionamento quando devidamente notificado pelo Presidente do
Tribunal (STJD ou TJD), dentro do prazo fixado na notificação.

PENA: suspensão do Presidente da entidade desportiva, ou


de quem faça suas vezes até o integral cumprimento da obrigação.

Art. 227. Admitir ao exercício de cargo ou função,


remunerados ou não, quem estiver eliminado ou em cumprimento de
pena disciplinar, na mesma modalidade.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais). (NR).

Art. 228. Exercer cargo, função ou atividade, na modalidade


desportiva, durante o período em que estiver suspenso por decisão da
Justiça Desportiva.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 252

PENA: suspensão de noventa a cento e oitenta dias, sem


prejuízo da pena anteriormente imposta.

Art. 229. Dar ou oferecer vantagem a testemunha, perito,


tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a
verdade em depoimento, perícia, tradução ou interpretação.

PENA: suspensão de trezentos e sessenta a setecentos e


vinte dias e eliminação no caso de reincidência. (NR).

Parágrafo único. Na mesma pena incorrer aquele que aceita


a vantagem oferecida. (AC).

Art. 230. Não devolver os autos à Secretaria no prazo


estabelecido:

PENA: multa de até R$ 1.000,00 (mil reais) por dia de atraso.


(Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº 13 de 2006)

Art. 231. Pleitear, antes de esgotadas todas as instâncias da


Justiça Desportiva, matéria referente à disciplina e competições perante o
Poder Judiciário, ou beneficiar-se de medidas obtidas pelos mesmos
meios por terceiro.

PENA: exclusão do campeonato ou torneio que estiver


disputando e multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil
reais). (NR).

Capítulo IV (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 232. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 233. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

TÍTULO IX (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 253

Capítulo I (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo V

DAS INFRAÇÕES CONTRA A ÉTICA DESPORTIVA

Art. 234. Falsificar, no todo ou em parte, documento público


ou particular, omitir declaração que nele deveria constar, inserir ou fazer
inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, para o fim
de usá-lo perante a Justiça Desportiva ou entidade desportiva.

PENA: suspensão de cento e oitenta a setecentos e vinte


dias, multa de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) e
eliminação na reincidência; se a infração for cometida por qualquer das
pessoas naturais elencadas no art. 1º, § 1º, VI, a suspensão mínima será
de trezentos e sessenta dias. (NR).

§ 1º Nas mesmas penas incorrerá quem fizer uso do


documento falsificado na forma deste artigo, conhecendo-lhe a falsidade.

§ 2º No caso de falsidade de documento público, após o


trânsito em julgado da decisão que a reconhecer, o Presidente do órgão
judicante encaminhará ao Ministério Público os elementos necessários à
apuração da responsabilidade criminal.

§ 3º Equipara-se a documento, para os efeitos deste artigo,


as provas fotográficas, fonográficas, cinematográficas, de vídeo tape e as
imagens fixadas por qualquer meio eletrônico.

Art. 235. Atestar ou certificar falsamente, em razão da


função, fato ou circunstância que habilite atleta a obter registro, condição
de jogo, inscrição, transferência ou qualquer vantagem indevida.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), suspensão de cento e oitenta a setecentos e vinte dias e
eliminação no caso de reincidência. (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 254

Art. 236. Usar, em atividade desportiva, como própria,


carteira de atleta ou qualquer documento de identidade de outrem ou
ceder a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza,
próprio ou de terceiro.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), suspensão de cento e oitenta a setecentos e vinte dias e
eliminação no caso de reincidência. (NR).

Capítulo II (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 237. Dar ou prometer vantagem indevida a quem


exerça cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade
desportiva ou órgão da Justiça Desportiva, para que pratique, omita ou
retarde ato de ofício ou, ainda, para que o faça contra disposição
expressa de norma desportiva.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), suspensão de trezentos e sessenta a setecentos e vinte
dias e eliminação no caso de reincidência. (NR).

Art. 238. Receber ou solicitar, para si ou para outrem,


vantagem indevida em razão de cargo ou função, remunerados ou não,
em qualquer entidade desportiva ou órgão da Justiça Desportiva, para
praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou, ainda, para fazê-lo contra
disposição expressa de norma desportiva.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), suspensão de trezentos e sessenta a setecentos e vinte
dias e eliminação no caso de reincidência. (NR).

Art. 239. Deixar de praticar ato de ofício, por interesse


pessoal ou para favorecer ou prejudicar outrem ou praticá-lo, para os
mesmos fins, com abuso de poder ou excesso de autoridade.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 255

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), suspensão de cento e vinte a trezentos e sessenta dias e
eliminação no caso de reincidência. (NR).

Art. 240. Aliciar atleta autônomo ou pertencente a qualquer


entidade desportiva.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão de sessenta a cento e oitenta dias. (NR).

Parágrafo único. Comprovado o comprometimento da


entidade desportiva no aliciamento, será ela punida com a pena de multa
de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). (NR).

Art. 241. Dar ou prometer qualquer vantagem a árbitro ou


auxiliar de arbitragem para que influa no resultado da partida, prova ou
equivalente.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e eliminação. (NR).

Parágrafo único. Na mesma pena incorrerá:

I - o intermediário;

II - o árbitro e o auxiliar de arbitragem que aceitarem a


vantagem.

Art. 242. Dar ou prometer vantagem indevida a membro de


entidade desportiva, dirigente, técnico, atleta ou qualquer pessoa natural
mencionada no art. 1º, § 1º, VI, para que, de qualquer modo, influencie
o resultado de partida, prova ou equivalente. (Redação dada pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e eliminação.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 256

Parágrafo único. Na mesma pena incorrerá o intermediário.

Art. 243. Atuar, deliberadamente, de modo prejudicial à


equipe que defende.

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão de cento e oitenta a trezentos e sessenta
dias. (NR).

§ 1º Se a infração for cometida mediante pagamento ou


promessa de qualquer vantagem, a pena será de suspensão de trezentos
e sessenta a setecentos e vinte dias e eliminação no caso de reincidência,
além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil
reais). (NR).

§ 2º O autor da promessa ou da vantagem será punido com


pena de eliminação, além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$
100.000,00 (cem mil reais). (NR).

Art. 243-A. Atuar, de forma contrária à ética desportiva,


com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão de seis a doze partidas, provas ou
equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, ou pelo prazo de cento e oitenta
a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa
natural submetida a este Código; no caso de reincidência, a pena será de
eliminação. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Se do procedimento atingir-se o resultado


pretendido, o órgão judicante poderá anular a partida, prova ou
equivalente, e as penas serão de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 257

100.000,00 (cem mil reais), e suspensão de doze a vinte e quatro


partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se
suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, ou pelo
prazo de trezentos e sessenta a setecentos e vinte dias, se praticada por
qualquer outra pessoa natural submetida a este Código; no caso de
reincidência, a pena será de eliminação. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 243-B. Constranger alguém, mediante violência, grave


ameaça ou por qualquer outro meio, a não fazer o que a lei permite ou a
fazer o que ela não manda. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão de trinta a cento e vinte dias. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 243-C. Ameaçar alguém, por palavra, escrito, gestos ou


por qualquer outro meio, a causar-lhe mal injusto ou grave. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão de trinta a cento e vinte dias. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 243-D. Incitar publicamente o ódio ou a violência.


(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão pelo prazo de trezentos e sessenta a
setecentos e vinte dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Quando a manifestação for feita por meio


da imprensa, rádio, televisão, Internet ou qualquer meio eletrônico, ou
for praticada dentro ou nas proximidades da praça desportiva em que for
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 258

realizada a partida, prova ou equivalente, o infrator poderá sofrer, além


da suspensão pelo prazo de trezentos e sessenta a setecentos e vinte
dias, pena de multa entre R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e R$
100.000,00 (cem mil reais). (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Art. 243-E. Submeter criança ou adolescente, sob sua


autoridade, guarda ou vigilância, a vexame ou a constrangimento.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão pelo prazo de trezentos e sessenta a
setecentos e vinte dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Nas mesmas penas incorre, na medida de sua


culpabilidade, o técnico responsável pelo atleta desportivamente
reincidente na mesma competição. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

§ 2º O Presidente do Tribunal (STJD ou TJD) encaminhará


todas as peças dos autos, assim que oferecida denúncia, ao Conselho
Tutelar da Criança e do Adolescente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

§ 3° Comprovada a culpabilidade do agente, os autos serão


enviados ao Ministério Público, após o trânsito em julgado. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 243-F. Ofender alguém em sua honra, por fato


relacionado diretamente ao desporto. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00


(cem mil reais), e suspensão de uma a seis partidas, provas ou
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 259

equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,


médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de
quinze a noventa dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural
submetida a este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Se a ação for praticada por atleta, mesmo se suplente,


treinador, médico ou membro da comissão técnica, contra árbitros,
assistentes ou demais membros de equipe de arbitragem, a pena mínima
será de suspensão por quatro partidas. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

§ 2º Para todos os efeitos, o árbitro e seus auxiliares são


considerados em função desde a escalação até o término do prazo fixado
para a entrega dos documentos da competição na entidade. (Incluído
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou


ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça,
sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por


atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão
técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta
dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este
Código, além de multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem
mil reais). (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Caso a infração prevista neste artigo seja praticada


simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma
mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a
perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da
competição, independentemente do resultado da partida, prova ou
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 260

equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de


pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição,
independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso
não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a
entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou
equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º A pena de multa prevista neste artigo poderá ser


aplicada à entidade de prática desportiva cuja torcida praticar os atos
discriminatórios nele tipificados, e os torcedores identificados ficarão
proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo
de setecentos e vinte dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º Quando a infração for considerada de extrema


gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas dos incisos V, VII e
XI do art. 170. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo III

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 244. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 5º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 6º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 7º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 261

Art. 244-A. As infrações por dopagem são reguladas pela lei,


pelas normas internacionais pertinentes e, de forma complementar, pela
legislação internacional referente à respectiva modalidade esportiva.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 245. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Art. 246. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 247. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo Único.(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009)..

Art. 248. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 249. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo VI

DAS INFRAÇÕES RELATIVAS À DISPUTA DAS


PARTIDAS, PROVAS OU EQUIVALENTES

(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 262

Art. 249-A. A interpretação das infrações previstas neste


Capítulo observará as peculiaridades de cada modalidade desportiva
submetida a este Código; sempre que este Capítulo oferecer exemplos de
infrações, estes não serão exaustivos, e o pressuposto de sua aplicação
será a compatibilidade com a dinâmica da respectiva modalidade
desportiva. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo IV

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 250. Praticar ato desleal ou hostil durante a partida,


prova ou equivalente.

PENA: suspensão de uma a três partidas, provas ou


equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de
quinze a sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural
submetida a este Código. (AC).

§ 1º Constituem exemplos da infração prevista neste artigo,


sem prejuízo de outros: (AC).

I - impedir de qualquer forma, em contrariedade às regras de


disputa do jogo, uma oportunidade clara de gol, pontuação ou
equivalente; (AC).

II - empurrar acintosamente o companheiro ou adversário,


fora da disputa da jogada. (AC).

§ 2º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade.
(AC).

Art. 251. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 263

Art. 252. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 3º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 4º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 5º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 253. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 254. Praticar jogada violenta:

PENA: suspensão de uma a seis partidas, provas ou


equivalentes.

§ 1º Constituem exemplos da infração prevista neste artigo,


sem prejuízo de outros: (AC).

I - qualquer ação cujo emprego da força seja incompatível


com o padrão razoavelmente esperado para a respectiva modalidade;
(AC).

II - a atuação temerária ou imprudente na disputa da


jogada, ainda que sem a intenção de causar dano ao adversário. (AC).

§ 2º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade.
(AC).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 264

§ 3º Na hipótese de o atingido permanecer impossibilitado


de praticar a modalidade em consequência de jogada violenta grave, o
infrator poderá continuar suspenso até que o atingido esteja apto a
retornar ao treinamento, respeitado o prazo máximo de cento e oitenta
dias. (AC).

§ 4º A informação do retorno do atingido ao treinamento


dar-se-á mediante comunicação ao órgão judicante (STJD ou TJD) pela
entidade de prática desportiva à qual o atingido estiver vinculado. (AC).

Art. 254-A. Praticar agressão física durante a partida, prova


ou equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de quatro a doze partidas, provas ou


equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de trinta
a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural
submetida a este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).§
1º Constituem exemplos da infração prevista neste artigo, sem prejuízo
de outros:

I - desferir dolosamente soco, cotovelada, cabeçada ou


golpes similares em outrem, de forma contundente ou assumindo o risco
de causar dano ou lesão ao atingido; (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

II - desferir chutes ou pontapés, desvinculados da disputa de


jogo, de forma contundente ou assumindo o risco de causar dano ou
lesão ao atingido. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Se da agressão resultar lesão corporal grave, atestada


por laudo médico, a pena será de suspensão de oito a vinte e quatro
partidas.(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 265

§ 3º Se a ação for praticada contra árbitros, assistentes ou


demais membros de equipe de arbitragem, a pena mínima será de
suspensão por cento e oitenta dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

§ 4º Na hipótese de o agredido permanecer impossibilitado


de praticar a modalidade em consequência da agressão, o agressor
poderá continuar suspenso até que o agredido esteja apto a retornar ao
treinamento, respeitado o prazo máximo de cento e oitenta dias.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 5º A informação do retorno do agredido ao treinamento


dar-se-á mediante comunicação ao órgão judicante (STJD ou TJD) pela
entidade de prática desportiva à qual o agredido estiver vinculado.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 254-B. Cuspir em outrem: (Incluído pela Resolução


CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de seis a doze partidas, provas ou


equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de trinta
a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural
submetida a este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Se a ação for praticada contra árbitros,


assistentes ou demais membros de equipe de arbitragem, a pena mínima
será de suspensão por trezentos e sessenta dias, qualquer que seja o
infrator. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 255. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 256. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 266

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Art. 257. Participar de rixa, conflito ou tumulto, durante a


partida, prova ou equivalente.

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

PENA: suspensão de duas a dez partidas, provas ou


equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de
quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa
natural submetida a este Código. (NR).

§ 1º No caso específico do futebol, a pena mínima será de


seis partidas, se praticada por atleta. (AC).

§ 2º Não constitui infração a conduta destinada a evitar o


confronto, a proteger outrem ou a separar os contendores. (AC).

§ 3º Quando não seja possível identificar todos os


contendores, as entidades de prática desportiva cujos atletas,
treinadores, membros de comissão técnica, dirigentes ou empregados
tenham participado da rixa, conflito ou tumulto serão apenadas com
multa de até R$ 20.000,00 (vinte mil reais). (AC).

Art. 258. Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou


à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código.
(Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de uma a seis partidas, provas ou


equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 267

quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa


natural submetida a este Código. (NR).

§ 1º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade.
(AC).

§ 2º Constituem exemplos de atitudes contrárias à disciplina


ou à ética desportiva, para os fins deste artigo, sem prejuízo de outros:

I - desistir de disputar partida, depois de iniciada, por


abandono, simulação de contusão, ou tentar impedir, por qualquer meio,
o seu prosseguimento; (AC).

II - desrespeitar os membros da equipe de arbitragem, ou


reclamar desrespeitosamente contra suas decisões. (AC).

Art. 258-A. Provocar o público durante partida, prova ou


equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de duas a seis partidas, provas ou


equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de
quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa
natural submetida a este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Art. 258-B. Invadir local destinado à equipe de arbitragem,


ou o local da partida, prova ou equivalente, durante sua realização,
inclusive no intervalo regulamentar. (Incluído pela Resolução CNE nº 29
de 2009).

PENA: suspensão de uma a três partidas, provas ou


equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador,
médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 268

quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa


natural submetida a este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

§ 1º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 2º Considera-se invasão o ingresso nos locais mencionados


no caput sem a necessária autorização. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 258-C. Dar ou transmitir instruções a atletas, durante a


realização de partida, prova ou equivalente, em local proibido pelas
regras ou regulamento da modalidade desportiva. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: suspensão de uma a três partidas. (Incluído pela


Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 258-D. As penalidades de suspensão decorrentes das


infrações previstas neste Capítulo poderão ser cumuladas com a aplicação
de multa de até R$ 10.000,00 (dez mil reais) para a entidade de prática
desportiva a que estiver vinculado o infrator, observados os elementos de
dosimetria da pena e, em especial, o previsto no art. 182-A. (Incluído
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo V

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo VII
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 269

DAS INFRAÇÕES RELATIVAS À ARBITRAGEM

Art. 259. Deixar de observar as regras da modalidade.

PENA: suspensão de quinze a cento e vinte dias e, na


reincidência, suspensão de sessenta a duzentos e quarenta dias,
cumuladas ou não com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00
(mil reais). (NR).

Parágrafo único (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º A partida, prova ou equivalente poderá ser anulada se


ocorrer, comprovadamente, erro de direito relevante o suficiente para
alterar seu resultado. (AC).

§ 2º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade.
(AC).

Art. 260. Omitir-se no dever de prevenir ou de coibir


violência ou animosidade entre os atletas, no curso da competição.

PENA: suspensão de trinta a cento e oitenta dias e, na


reincidência, suspensão de cento e oitenta a trezentos e sessenta dias,
cumuladas ou não com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00
(mil reais). (NR).

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade. (AC).

Art. 261. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 270

Art. 261-A. Deixar o árbitro, auxiliar ou membro da equipe


de arbitragem de cumprir as obrigações relativas à sua função. (Incluído
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Pena: suspensão de quinze a noventa dias, cumulada ou não


com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00 (mil reais). (Incluído
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Constituem exemplos da infração prevista neste artigo,


sem prejuízo de outros: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

I - não se apresentar devidamente uniformizado ou


apresentar-se sem o material necessário ao desempenho das suas
atribuições: (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

II - deixar de apresentar-se, sem justo motivo, no local


destinado à realização da partida, prova ou equivalente com a
antecedência mínima exigida no regulamento para o início da
competição. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

III - não conferir documento de identificação das pessoas


naturais constantes da súmula ou equivalente. (Incluído pela Resolução
CNE nº 29 de 2009).

IV - deixar de entregar ao órgão competente, no prazo legal,


os documentos da partida, prova ou equivalente, regularmente
preenchidos; (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

V - dar início à partida, prova ou equivalente, ou não


interrompê-la quando, no local exclusivo destinado a sua prática, houver
qualquer pessoa que não as previstas nas regras das modalidades,
regulamentos e normas da competição. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 271

§ 2º É facultado ao órgão judicante substituir a pena de


suspensão pela de advertência se a infração for de pequena gravidade.
(Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 262. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 263. Deixar de comunicar à autoridade competente, em


tempo oportuno, que não se encontra em condições de exercer suas
atribuições.

PENA: suspensão de cinco a sessenta dias, cumulada ou não


com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00 (mil reais). (NR).

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade. (AC).

Art. 264. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 265. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 266. Deixar de relatar as ocorrências disciplinares da


partida, prova ou equivalente, ou fazê-lo de modo a impossibilitar ou
dificultar a punição de infratores, deturpar os fatos ocorridos ou fazer
constar fatos que não tenha presenciado.

PENA: suspensão de trinta a trezentos e sessenta dias,


cumulada ou não com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00
(mil reais). (NR).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 272

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade. (AC).

Art. 267. Deixar de solicitar às autoridades competentes as


providências necessárias à segurança individual de atletas e auxiliares ou
deixar de interromper a partida, caso venham a faltar essas garantias.

PENA: suspensão de trinta a trezentos e sessenta dias,


cumulada ou não com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00
(mil reais). (NR).

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade. (AC).

Art. 268. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 269. Recusar-se, injustificadamente, a iniciar a partida,


prova ou equivalente, ou abandoná-la antes do seu término.

PENA: suspensão de trinta a cento e oitenta dias, cumulada


ou não com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00 (mil reais).
(NR).

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade. (AC).

Art. 270. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 271. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 273

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 272. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 273. Praticar atos com excesso ou abuso de autoridade.

PENA: suspensão de quinze a cento e oitenta dias, cumulada


ou não com multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 1.000,00 (mil reais).
(NR).

Parágrafo único. É facultado ao órgão judicante substituir a


pena de suspensão pela de advertência se a infração for de pequena
gravidade. (AC).

Capítulo VI

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 274. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 275. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado pela Resolução CNE nº 29 de


2009).

Art. 276. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 277. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 278. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 274

Art. 279. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 280. (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único (Revogado Resolução CNE nº 29 de 2009).

TÍTULO X

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo I

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

LIVRO COMPLEMENTAR

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS, TRANSITÓRIAS E FINAIS

Capítulo I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 281. Não existindo ou, se existindo, deixar de funcionar


o órgão judicante, a entidade de administração do desporto designará os
seus representantes, que procederão na forma do § 1º do art. 15 deste
Código.

Art. 281-A. Para os fins dos arts. 4º e 5º deste Código, não


existindo ou, se existindo, deixar de funcionar alguma das entidades por
eles listadas, as indicações a serem feitas por tais entidades sê-lo-ão pela
respectiva entidade de administração do desporto. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Caso as entidades inexistentes sejam


constituídas ou as inativas voltem a funcionar, poderão elas substituir os
auditores interinos indicados na forma deste artigo, mediante
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 275

comunicação dirigida ao Presidente do Tribunal. (Incluído pela Resolução


CNE nº 29 de 2009).

Art. 282. A interpretação das normas deste Código far-se-á


com observância das regras gerais de hermenêutica, visando à defesa da
disciplina, da moralidade do desporto e do espírito desportivo. (Redação
dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

§ 1º Na interpretação deste Código, os termos utilizados no


masculino incluem o feminino e vice-versa. (AC).

§ 2º Para os fins deste Código, o termo “regional”


compreende tanto as Regiões como os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, conforme o caso. (AC).

§ 3º Para os fins deste Código, os termos “partida”, “prova”


ou “equivalentes” compreendem todo o período entre o ingresso e a
saída dos limites da praça desportiva, por quaisquer dos participantes do
evento. (AC).

Art. 283. Os casos omissos e as lacunas deste Código serão


resolvidos com a adoção dos princípios gerais de direito, dos princípios
que regem este Código e das normas internacionais aceitas em cada
modalidade, vedadas, na definição e qualificação de infrações, as
decisões por analogia e a aplicação subsidiária de legislação não
desportiva. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 284. Após o trânsito em julgado das decisões


condenatórias, serão elas remetidas, quando for o caso, aos respectivos
órgãos de fiscalização do exercício profissional, para as providências que
entenderem necessárias. (Redação dada pela Resolução CNE nº 29 de
2009).

Capítulo II
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 276

(Revogado pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Capítulo II

DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS E FINAIS

Art. 285. (Revogada pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 285-A. Os mandatos e as funções dos atuais auditores


e procuradores ficam mantidos até o seu término, observadas as novas
atribuições estipuladas por este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº
29 de 2009).

Art. 286. Este Código e suas alterações entram em vigor na


data de sua publicação, mantidas as regras anteriores aos processos em
curso. (Alterado pela Resolução CNE nº 11 de 2006 e Resolução nº 13 de
2006)

Art. 286-A. Faculta-se às entidades nacionais de


administração do desporto propor a adoção de tábua de infrações e
penalidades peculiares à respectiva modalidade desportiva em
complementação àquelas constantes deste Código. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. A proposta referida no caput é limitada às


infrações e penalidades peculiares, condicionada à prévia apreciação do
Conselho Nacional de Esporte, e, se aprovada, será publicada como
Anexo ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva, sendo seu campo de
incidência restrito à respectiva modalidade desportiva. (Incluído pela
Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 286-B. Os Tribunais de Justiça Desportiva e o STJD de


cada modalidade, bem como as Procuradorias que atuam perante estes
órgãos, terão o prazo de trezentos e sessenta dias para aprovar seus
respectivos regimentos internos, caso inexistentes, sob pena de aplicar-se
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 277

ao Presidente do órgão judicante, ou ao Procurador-Geral, se for o caso,


a penalidade do art. 191. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 286-C. Incumbe aos Tribunais de Justiça Desportiva e


ao STJD, no prazo de trezentos e sessenta dias, emitir ato normativo, no
âmbito de sua competência, dispondo sobre critérios para conversão de
pena, quando assim admitido por este Código, em medida de interesse
social, que, entre outros meios legítimos, poderá se dar mediante a
prestação de serviço comunitário nos campos da assistência social, do
desporto, da cultura, da educação, da saúde, do voluntariado, além da
defesa, preservação e conservação do meio ambiente. (Redação dada
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Art. 287. Ficam revogadas as Portarias MEC nº 702, de 17


de dezembro de 1981; nº 25 de 24 de janeiro de 1984; nº 328, de 12 de
maio de 1987; relativas ao Código Brasileiro Disciplinar de Futebol
(CBDF); Portarias MEC nº 629, de 2 de setembro de 1986; nº 877, de 23
de dezembro de 1986, relativas ao Código Brasileiro de Justiça e
Disciplina Desportivas (CBJDD), e as Resoluções de Diretoria das
entidades de administração do desporto que se tenham incorporado às
Portarias ora revogadas, e demais disposições em contrário.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 278

2. Código Nacional de Organização da Justiça e Disciplina


Desportiva - CNOJDD

MINISTÉRIO DO ESPORTE E TURISMO

CÓDIGO NACIONAL DE ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA

E DISCIPLINA DESPORTIVA - CNOJDD

LIVRO I

DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO

PROCESSO DISCIPLINAR DESPORTIVO

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º - A organização da Justiça Desportiva, o processo e


as medidas disciplinares relativas aos eventos esportivos sob a
organização, coordenação e/ou supervisão do Ministério do Esporte e
Turismo (MET) / Secretaria Nacional de Esporte (SNE), regulam-se por
este Código, a que ficam submetidas, em todo o território nacional, as
pessoas físicas, jurídicas ou equiparadas que de forma direta ou indireta
neles intervenham ou participem.

Parágrafo único - Integram o presente Código os dispositivos


legais e regulamentares que lhes forem aplicáveis, especialmente as
normas gerais estabelecidas pela legislação desportiva em vigor.

TÍTULO II - DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA

CAPÍTULO I - DAS COMISSÕES DISCIPLINARES


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 279

Art. 2º - Ficam instituídas as Comissões Disciplinares, as


quais compete a aplicação do Código Nacional de Organização da Justiça
e Disciplina Desportiva dos eventos organizados pela SNE/MET.

§ 1º - a comissão disciplinar especial terá sede e jurisdição


durante a realização dos eventos específicos organizados, coordenados e/
ou supervisionados pelos órgãos referenciados no caput do art. 1º.

§ 2º - a comissão disciplinar permanente de justiça


desportiva terá sede na capital federal e jurisdição em todo o território
nacional.

Art. 3º - a comissão disciplinar especial e a comissão


permanente, serão constituídas de 01 (um) presidente, dois (02)
auditores efetivos, 01(um) procurador e 01 (um) defensor público.

Art. 4º - os auditores efetivos e eventuais suplentes das


comissões disciplinares acima instituídas, serão nomeados por ato
administrativo do Ministério do Esporte e Turismo / Secretaria Nacional de
Esporte, através das respectivas comissões executivas ou organizadoras
dos eventos esportivos.

Art. 5º - Aos membros dos órgãos instituídos no art. 2º, será


garantido livre ingresso em todos os locais onde se realizarem os eventos
realizados, coordenados e/ou supervisionados pelo Ministério do Esporte
e Turismo/Secretaria Nacional de Esporte.

Art. 6º - As Comissões Disciplinares só poderão deliberar e


julgar com a maioria simples de seus membros.

Art. 7º - Ocorrerá vacância nos cargos dos auditores pela:

I - morte, renúncia ou exoneração;

II - condenação transitada em julgado, no âmbito da Justiça


Desportiva ou Criminal;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 280

III - não comparecimento a duas (02) sessões consecutivas


ou três (03) intercaladas, salvo justo motivo assim considerados pela
Comissão.

Art. 8º - O(s) auditor(es) fica(m) impedido(s) de atuar no


processo quando:

I - em relação à parte, ocorrerem os vínculos de parentesco


e afinidade;

II - for inimigo ou amigo íntimo da parte;

III - prejulgar a causa.

§ 1º - Os impedimentos a que se refere este artigo devem


ser declarados pelo próprio auditor, tão logo tome conhecimento do
processo; se o auditor não o fizer, podem as partes argüi-los na primeira
oportunidade em que se manifestarem nos autos.

§ 2º - Argüido o impedimento, decidirá a Comissão em


caráter irrecorrível.

Art. 9º - Os membros das Comissões Disciplinares, Sendo


servidores públicos, terão abonadas suas faltas ao trabalho e sendo
acadêmico nas respectivas instituições de ensino na forma da lei.

S E Ç Ã O I - D O S P R E S I D E N T E S D A S C O M I SS Õ E S
DISCIPLINARES

Art. 10 - São atribuições dos auditores presidentes das


Comissões Disciplinares:

I - Zelar pelo perfeito funcionamento da justiça Desportiva e


fazer cumprir a decisão do respectivo órgão;

II - determinar a instauração de sindicância;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 281

III - dar a imediata ciência, por escrito, da vacância na


Comissão à autoridade competente;

IV - representar a Comissão nas solenidades e atos oficiais,


podendo delegar esta atribuição a outro auditor;

V - comparecer obrigatoriamente a todas as sessões, salvo


justo motivo;

VI - designar dia e hora para as sessões ordinárias e


extraordinárias e dirigir os trabalhos;

VII - nomear o auditor relator;

VIII - votar e, se necessário, proferir voto de qualidade,


durante as sessões, havendo empate na votação;

IX - determinar a instauração de processos;

X - declarar-se impedido ou suspeito, quando for o caso;

XI - declarar a incompetência da Comissão;

XII - recorrer de ofício nos casos expressos neste Código;

XIII - empenhar-se no sentido da estrita observância das leis


e do prestígio das instituições esportivas;

XIV - suspender preventivamente;

XV - apresentar à autoridade competente relatório das


atividades do órgão no termo final do mandato;

XVI - praticar os demais atos deferidos por este Código ou


afetos à função.

Parágrafo único - Na ausência ou impedimento do


Presidente, e não havendo suplência, os membros da respectiva
Comissão escolherão dentre seus pares, um (01) para presidí-lo
interinamente.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 282

SEÇÃO II - DOS AUDITORES

Art. 11 - São atribuições dos demais auditores, além das


definidas no art. 10, incisos V, X, XIII e XV:

I - requerer vistas dos autos;

II - requerer a declaração de incompetência da Comissão;

III - requerer a instauração de sindicância da Comissão;

CAPÍTULO II - DOS ÓRGÃOS AUXILIARES

Art. 12 - Ficam instituídos os seguintes órgãos auxiliares,


cuja competência é definida neste Código:

I - Procuradoria;

II – Defensoria;

III - Secretaria.

Parágrafo único - Os órgãos auxiliares funcionarão junto às


Comissões Disciplinares.

Art. 13 - Os órgãos auxiliares serão representados por um


(01) membro efetivo.

Parágrafo único - Quando o volume de serviço o exigir,


poderão ser nomeados, pelo presidente da Comissão, membros
assistentes.

Art. 14 - Os membros dos órgãos auxiliares serão nomeados


pelas respectivas comissões executivas ou organizadoras dos eventos sob
a organização, coordenação e/ou supervisão do Ministério do Esporte e
Turismo / Secretaria Nacional de Esporte, com mandato fixado no
respectivo termo de nomeação.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 283

Parágrafo único - A nomeação dos membros dos órgãos


auxiliares previstos no art. 12, incisos I e II, deverá recair,
preferencialmente, sobre pessoa habilitada para o exercício da advocacia.

Art. 15 - Aplica-se aos membros dos órgãos auxiliares o


disposto nos artigos 7º, 9º e 11 deste Código.

SEÇÃO I - DOS PROCURADORES

Art. 16 - São atribuições dos procuradores, além das


definidas no art. 10, incisos V, XIII e XV:

I - apresentar à Comissão Disciplinar competente, no prazo


legal, denúncia ou parecer sobre os fatos narrados nos relatórios dos
jogos, bem como sobre toda e qualquer irregularidade ou infração da
qual presencie ou tenha conhecimento;

II - formalizar as providências legais e acompanhá-las em


seus trâmites;

III - manifestar-se nos prazos;

IV - sustentar oralmente, durante as sessões, as acusações


formuladas;

V - requerer vistas dos autos;

VI - contra-arrazoar os recursos interpostos;

VII - impetrar recursos nos casos previstos neste Código;

VIII - requerer a declaração de incompetência da Comissão;

IX - requerer a instauração de sindicância.

SEÇÃO II - DOS DEFENSORES

Art. 17 - São atribuições dos defensores, além das definidas


no art. 10, incisos V, XIII e XV.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 284

I - formalizar as providências e acompanhá-las em seus


trâmites;

II - manifestar-se nos prazos;

III - sustentar oralmente, durante as sessões, as razões de


defesa;

IV - requerer vista dos autos;

V - contra-arrazoar os recursos interpostos;

VI - impetrar recursos nos casos previstos neste Código;

VII - requerer a declaração de incompetência da Comissão;

VIII - requerer a instauração de sindicância.

SEÇÃO III - DOS SECRETÁRIOS

Art. 18 - São atribuições dos secretários das Comissões além


das definidas no art. 10, incisos V, XIII e XV:

I - receber, registrar, protocolar e autuar os termos da


denúncia, queixa e outros documentos enviados à Comissão e
encaminhá-los imediatamente, ao presidente do respectivo órgão, para
determinação procedimental;

II - convocar os auditores para as sessões designadas, bem


como cumprir os atos de citações e intimações das partes, testemunhas e
outros, quando determinados;

III - atender a todos os expedientes da Comissão;

IV - prestar às partes interessadas as informações relativas


ao andamento dos processos;

V - ter em boa guarda, todo o arquivo da secretaria


constante de livros, papéis e processos;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 285

VI - expedir certidões por determinação do presidente;

VII - receber, protocolar e registrar os recursos interpostos.

TÍTULO III - DA COMPETÊNCIA DAS COMISSÕES


DISCIPLINARES E ÓRGÃOS AUXILIARES.

CAPÍTULO I - DA COMPETÊNCIA DAS COMISSÕES


DISCIPLINARES

Art. 19 – A competência das Comissões Disciplinares é


definida pelas disposições do presente artigo.

§ 1º - Compete à Comissão Disciplinar Especial processar e


julgar:

I - As pessoas físicas ou jurídicas que infringirem, durante a


realização do evento esportivo sob a organização, coordenação e/ou
supervisão do Ministério do Esporte e Turismo / Secretaria Nacional de
Esporte, as disposições contidas neste Código e/ou regulamento do
evento;

II - os embargos declaratórios interpostos sobre suas


decisões;

III - os mandados de garantia, durante a realização dos


eventos;

IV - as impugnações de partida, modalidade coletiva, nos


termos definidos neste Código;

V - os impedimentos opostos aos seus membros;

§ 2º - Compete à Comissão Disciplinar Permanente processar


e julgar:

I - As irregularidades às disposições deste Código, cometidas


por pessoas físicas ou jurídicas, quando os eventos sob a organização,
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 286

coordenação e/ou supervisão do Ministério do Esporte e Turismo /


Secretaria Nacional de Esporte não estiverem ocorrendo, ou que
decorram de evento específico, após o encerramento dos trabalhos da
Comissão Disciplinar Especial;

II - os embargos declaratórios interpostos sobre suas


decisões;

III - os impedimentos opostos aos seus membros;

IV - os recursos de revisão, de conformidade com as


disposições deste Código.

§ 3º - Os casos omissos de natureza disciplinar serão


resolvidos pelas Comissões Disciplinares.

CAPÍTULO II - DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS AUXILIARES

SEÇÃO I - DA COMPETÊNCIA DA PROCURADORIA

Art. 20 - Compete à Procuradoria promover a


responsabilidade das pessoas físicas, jurídicas ou equiparadas que
violarem as disposições deste Código e/ou Regulamento de evento
específico, e a todo tempo fiscalizar o cumprimento e execução das leis
desportivas.

SEÇÃO II - DA COMPETÊNCIA DA DEFENSORIA

Art. 21 - Compete à Defensoria promover o assessoramento


e a defesa dos direitos das pessoas físicas, jurídicas ou equiparadas
contra as quais for instaurado processo disciplinar, desde que não
desconstituída, podendo atuar em conjunto com o Defensor constituído
pela parte.

SEÇÃO III - DA COMPETÊNCIA DA SECRETARIA


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 287

Art. 22 - Compete à Secretaria das Comissões Disciplinares o


trabalho de execução cartorial dos atos e termos processuais.

TÍTULO IV - DO PROCESSO DISCIPLINAR

CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 23 - O processo disciplinar desportivo orientar-se-á pelos


princípios da legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade,
eficiência, oficialidade, contraditório, ampla defesa, verdade real,
oralidade, lealdade, economia processual, instrumentalidade das formas e
supremacia do interesse público.

Art. 24 - O processo disciplinar é o instrumento pelo qual as


Comissões Disciplinares aplica o direito desportivo aos casos concretos e
será iniciado na forma prevista neste Código e se desenvolverá por
impulso oficial.

Art. 25 - A súmula e o relatório da arbitragem ou


coordenação de modalidade, que consubstanciem infração disciplinar,
serão, por intermédio da comissão dirigente, encaminhados, no prazo
legal, à Procuradoria para as providências cabíveis.

CAPÍTULO II - DA SINDICÂNCIA

Art. 26 - A sindicância tem por fim apurar a existência de


infrações disciplinares e determinar a sua autoria, para subseqüente
instauração do processo disciplinar.

Parágrafo único - Só haverá instauração de sindicância, como


antecedente necessário do processo disciplinar, quando não for conhecida
a autoria ou elementos necessários à sua identificação.

Art. 27 - A instauração de sindicância iniciar-se-á por


determinação do presidente, a requerimento da Procuradoria ou da parte
interessada e será dirigida à Comissão competente.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 288

§ 1º - Ao formular o pedido de instauração de sindicância a


Procuradoria ou a parte interessada requererá as diligências necessárias e
a oitiva das testemunhas, se houver, sendo facultado ao presidente do
órgão determinar atos complementares.

§ 2º - Sendo a sindicância instaurada a requerimento de


terceiro interessado, ouvir-se-á, obrigatoriamente a Procuradoria que
acompanhará o feito até final conclusão.

Art. 28 - Realizadas todas as diligências e ouvidas todas as


testemunhas e não havendo mais ato investigatório a ser praticado, a
sindicância será concluída por termo nos autos.

Art. 29 - Estando caracterizada qualquer infração e


determinada a autoria, os autos de sindicância serão remetidos à
Procuradoria para as providências cabíveis.

Art. 30 - Não restando caracterizada infração ou determinada


a autoria, os autos de sindicância serão arquivados, por determinação do
presidente da Comissão.

CAPÍTULO III - DA SUSPENSÃO PREVENTIVA

Art. 31 - Quando a decisão justificadamente não puder ser


proferida desde logo, mas houver indícios veementes contra pessoa física
pela prática de infração disciplinar, o presidente da Comissão competente
poderá suspendê-la, preventivamente, por prazo não superior a dez (10)
dias.

Parágrafo único - O prazo da suspensão preventiva sempre


será computado na suspensão definitiva.

CAPÍTULO IV - DO LITISCONSÓRCIO E DA ASSISTÊNCIA


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 289

Art. 32 - Poderão figurar no processo disciplinar, em


conjunto, no pólo ativo ou passivo da relação processual, duas ou mais
pessoas, quando:

I - Entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações


relativas à demanda;

II - Os direitos ou as obrigações derivam do mesmo


fundamento de fato ou de direito.

Art. 33 - Poderá intervir no processo disciplinar, o terceiro


que tiver interesse jurídico no resultado da causa.

CAPÍTULO V - DAS CITAÇÕES E INTIMAÇÕES

Art. 34 - Citação é o ato processual pelo qual a pessoa física


ou jurídica é convocada para, perante as Comissões Disciplinares,
comparecer e defender-se das acusações que lhe é imputada.

Art. 35 - Intimação é o ato processual pelo qual se dá ciência


à pessoa física ou jurídica dos atos e termos do processo, para que faça
ou deixe de fazer alguma coisa.

Art. 36 - As citações e intimações das pessoas jurídicas ou


equiparadas far-se-ão através de seu representante legal ou credenciado
perante os eventos esportivos, na forma definida neste Código.

Art. 37 - As citações e intimações das pessoas físicas e


jurídicas durante a realização dos eventos far-se-ão por edital ou
pessoalmente.

§ 1º - Nos demais casos, os atos de comunicação processual


far-se-ão por telegrama, telex, fac-símile, ofício OU E-MAIL e, só
excepcionalmente, por edital.

§ 2º - As citações e intimações das pessoas físicas ou


jurídicas poderão ser dirigidas aos representantes credenciados das
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 290

delegações a que pertencem ou às entidades que os representam, desde


que o mesmo ato de comunicação esteja publicado em edital.

Art. 38 - O instrumento de citação indicará o nome do


citando, sua qualificação e a entidade a que pertencer, dia, hora e local
de comparecimento e a finalidade de sua convocação.

Art. 39 - O citado que não apresentar defesa escrita ou oral,


será considerado revel desde que seja desconstituída a Defensoria.

Parágrafo único - A revelia importa, como conseqüência


jurídica, na confissão quanto à matéria de fato.

Art. 40 - O comparecimento espontâneo da parte supre a


falta ou a irregularidade da citação.

CAPÍTULO VI - DAS PROVAS

SEÇÃO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 41 - Todos os meios legais, bem como os moralmente


legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para
provar a verdade dos fatos alegados no processo disciplinar.

Art. 42 - A prova dos fatos alegados no processo disciplinar,


caberá à parte que os formular.

Parágrafo único - Não dependem de prova os fatos:

I - notórios;

II - formulados por uma parte e confessados pela parte


contrária;

III - que gozarem da presunção de veracidade.

Art. 43 - A súmula e o relatório do árbitro, auxiliares ou


coordenadores técnicos, gozarão da presunção de veracidade.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 291

§ 1º - A presunção de veracidade contida no “caput” deste


artigo servirá de base para a formulação da denúncia e meio probatório
da procuradoria, não constituindo verdade absoluta, devendo ser
produzida e ratificada na instrução.

§ 2º - Não se aplica o disposto neste artigo quando se tratar


de infração praticada pelo árbitro, auxiliares e coordenadores técnicos.

SEÇÃO II - DO DEPOIMENTO PESSOAL

Art. 44 - O presidente da Comissão pode, de ofício, ou a


requerimento da Procuradoria ou da parte interessada, antes de encerrar
a fase de instrução processual, determinar o comparecimento pessoal
da(s) parte(s) a fim de interrogá-la sobre os fatos da causa.

§ 1º - O depoimento pessoal deve ser, preferencialmente,


tomado no início da sessão de instrução e julgamento.

§ 2º - A parte será interrogada na forma determinada para


inquirição de testemunhas.

SEÇÃO III - DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA

Art. 45 - O presidente da Comissão poderá ordenar que a


parte ou pessoa vinculada ao evento exiba documento ou coisa que se
ache em seu poder.

Parágrafo único - Ao determinar a exibição, o presidente


individualizará o documento ou a coisa e determinará a razão da sua
apresentação.

SEÇÃO IV - DA PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL

Art. 46 - Compete à Procuradoria ou à parte interessada


instruir a peça de denúncia ou queixa, ou a sua resposta, com os
documentos destinados a provar-lhe as alegações.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 292

Parágrafo único - É lícito às partes, até o término da sessão


de instrução e julgamento, juntar aos autos documentos novos,
destinados a fazer prova dos fatos pertinentes à causa.

Art. 47 - O presidente da Comissão Disciplinar requisitará às


comissões organizadoras do evento, documentos de interesse da justiça
desportiva.

SEÇÃO V - DA PRODUÇÃO DA PROVA TESTEMUNHAL

Art. 48 - A produção da prova testemunhal será sempre


admitida no processo disciplinar, exceto quando o fato a ser provado
depender, exclusivamente, de prova documental ou pericial.

Art. 49 - Podem depor como testemunhas todas as pessoas,


exceto os incapazes, impedidos ou suspeitos:

§ 1º - São incapazes:

I - o que, acometido por enfermidade, ou debilidade mental,


ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerní-los, ou, ao
tempo em que deve não está habilitado a transmitir as percepções;

II - o menor de catorze (14) anos;

III - o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender


dos sentidos que lhes faltam.

§ 2º - São impedidos o cônjuge, bem como o ascendente e o


descendente em qualquer grau, ou colateral, até o terceiro grau, de
alguma das partes, por consangüinidade ou afinidade, salvo se o exigir o
interesse público.

§ 3º - São suspeitos:

I - o condenado por crime de falso testemunho, havendo


tramitado em julgado a sentença;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 293

II - o que, por seus costumes, não for digno de fé;

III - o inimigo da parte, ou o seu amigo íntimo;

IV - o que tiver interesse na causa.

§ 4º - Quando o interesse do desporto o exigir, a Comissão


ouvirá testemunhas incapazes, impedidas ou suspeitas, mas não lhes
deferirá compromisso e dará aos seus depoimentos o valor que possam
merecer.

Art. 50 - A testemunha não é obrigada a depor sobre fatos a


cujo respeito, por estado ou profissão deva guardar sigilo.

Art. 51 - Incumbe à parte, até o início da sessão de instrução


e julgamento, apresentar o rol de testemunhas, qualificando-as.

§ 1º - É permitido a cada parte apresentar, no máximo três


(03) testemunhas.

§ 2º - Nos processos com mais de três (03) interessados, o


número de testemunhas não poderá exceder a nove (09).

§ 3º - As testemunhas arroladas poderão ser substituídas, a


critério da parte que as arrolou, até o início da sessão de instrução e
julgamento.

§ 4º - A Comissão poderá, em casos excepcionais, ouvir


testemunhas devidamente arroladas, antes da sessão da instrução e
julgamento, desde que as partes interessadas tenham sido intimadas
para acompanhar o depoimento.

§ 5º - As testemunhas arroladas, exceto as da Procuradoria,


deverão comparecer independentemente de intimação, e só em casos
excepcionais, assim considerados pelo presidente da Comissão, serão
intimadas.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 294

SEÇÃO VI - DA PROVA PERICIAL

Art. 52 - A prova pericial consiste em exame e vistoria.

Parágrafo único - O presidente indeferirá a produção de


prova pericial quando:

I - o fato não depender do conhecimento especial de técnico;

II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas


ou passíveis de produção;

III - for impraticável;

IV - for requerida com fins meramente protelatórios.

Art. 53 - Sendo deferida a prova pericial, o presidente do


órgão nomeará o perito, fixará os quesitos e determinará o prazo para a
apresentação do laudo.

§ 1º - É facultado às partes indicar assitente técnico e


formular quesitos.

§ 2º - A nomeação de peritos deverá, necessariamente,


recair sobre agente público com qualificação técnica.

§ 3º - O prazo para conclusão do laudo será de quarenta e


oito (48) horas, podendo o presidente prorrogá-lo a pedido do perito, em
casos excepcionais.

SEÇÃO VII - DA INSPEÇÃO

Art. 54 - O presidente da Comissão, de ofício ou a


requerimento da Procuradoria, pode, até o término da fase de instrução,
inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que
interesse à decisão da causa.

Parágrafo único - O presidente da Comissão fará a inspeção


diretamente ou com o auxílio de pessoa habilitada.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 295

Art. 55 - Concluída a inspeção, o presidente mandará lavrar


auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao
julgamento da causa.

CAPÍTULO VII - DOS PRAZOS

Art. 56 - Prazo é o lapso de tempo no qual os atos


processuais desportivos devem ser praticados.

§ 1º - Considera-se prazo legal aqueles que devem realizar-


se em conformidade com o previsto neste Código e, prazos de ofício,
aqueles fixados pelo presidente da Comissão no curso do processo, na
ausência de expressa previsão legal.

§ 2º - Os prazos de ofício serão de até quatro (04) horas.

Art. 57 - Contam-se os prazos da publicação do ato, na forma


definida neste Código.

Art. 58 - O prazo para o árbitro e, quando for o caso, para o


coordenador da modalidade entregar a súmula e o relatório na Comissão
Dirigente é de até duas (02) horas contadas do encerramento do período.

Parágrafo único – A entrega da súmula ou relatório arbitral


fora do prazo prescrito no caput não importará na impossibilidade de
apuração de eventual infração disciplinar, cabendo somente a
responsabilização da arbitagem pela inobservância injustificada.

Art. 59 - O prazo para a Comissão Dirigente remeter a


súmula e o relatório, que consubstancie infrações, à Procuradoria é de
até duas (02) horas, contadas do seu recebimento.

Parágrafo único – A remessa da súmula ou relatório arbitral


fora do prazo prescrito no caput não importará na impossibilidade de
apuração de eventual infração disciplinar, cabendo somente a
responsabilização do agente desportivo pela inobservância injustificada.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 296

Art. 60 - O prazo para a lavratura de acórdão é de vinte e


quatro (24) horas, contadas da publicação da decisão.

Art. 61 - No caso de Defensor constituído pela parte o prazo


para a juntada da procuração é de até 24 (vinte e quatro) horas.

CAPÍTULO VIII - DAS NULIDADES

Art. 62 - A nulidade processual somente terá cabimento se


ocorrer inobservância ou violação dos princípios que orientam o processo
disciplinar.

Art. 63 - A nulidade processual será requerida pela


Procuradoria ou parte interessada, na primeira oportunidade em que se
manifestar nos autos, e será declarada por termo no mesmo.

Parágrafo único - A Comissão, ao pronunciar a nulidade


declarará que atos são atingidos, ordenando as providências necessárias,
a fim de que sejam retificados ou anulados.

Art. 64 - A nulidade não será pronunciada em favor de quem


lhe houver dado causa, como não o será também, quando o processo, no
mérito, puder ser resolvido a favor da parte que a aproveitaria.

Art. 65 - Não será decidida a nulidade processual quando se


tratar de mera inobservância de formalidade não essencial, que impeça a
busca da verdade.

CAPÍTULO IX - DOS PROCEDIMENTOS

Art. 66 - Os processos de competência das Comissões


Disciplinares observarão o procedimento sumário definidos neste Código.

Art. 67 - O processo disciplinar desportivo será iniciado por


denúncia da Procuradoria ou através de queixa da parte interessada.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 297

Parágrafo único - A denúncia ou a queixa será dirigida à


Comissão competente, e conterá:

a) a qualificação do requerente;

b) os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido;

c) as provas que o requerente pretende produzir;

d) o requerimento para a citação do indiciado, se houver.

Art. 68 - Registrada e autuada a denúncia ou a queixa, serão


os autos conclusos ao presidente para designar o relator e dia e hora da
Sessão de Instrução e Julgamento, incontinente proceder-se-á a citação e
os demais atos de comunicação.

§ 1º - Quando o processo iniciar-se através de queixa, o


presidente, antes de designar o relator e dia e hora da sessão, remeterá
os autos à Procuradoria para retificá-la, aditá-la ou opinar sobre a sua
rejeição.

§ 2º - A queixa será rejeitada, de plano pela Procuradoria ou


no curso processual, quando:

a) o fato relatado, não constitui infração passível de


punição;

b) já estiver extinta a punibilidade.

Art. 69 - Cumpridos os atos de comunicação processual a


que se refere o artigo anterior, seguir-se-á com a sessão de instrução e
julgamento.

CAPÍTULO X - DA SESSÃO DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

Art. 70 - No dia e hora designados, o presidente da


Comissão, havendo número legal, declarará aberta a sessão de instrução
e julgamento, mandando apregoar as partes.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 298

Parágrafo único - As sessões de instrução e julgamento serão


publicas, podendo o presidente da Comissão, por motivo de ordem ou
segurança, determinar que a sessão seja secreta, garantida, porém, a
presença das partes e seus representantes legais.

Art. 71 - Nas sessões de instrução e julgamento será


observada a pauta previamente elaborada pela Secretaria, de acordo com
a ordem numérica dos processos, ressalvados os pedidos de preferência
das partes que estiverem presentes, com prioridade para os casos que
exijam pronta decisão.

Art. 72 - Em cada processo, antes de dar a palavra ao relator,


o presidente indagará das partes se tem provas a produzir, inclusive
testemunhais, mandando anotar as que forem indicadas, para os devidos
efeitos.

§ 1º - Deferida pela Comissão a produção das provas, serão


ouvidas as testemunhas separadamente e, em seguida, serão os seus
depoimentos reduzidos a termo, na própria ata da sessão.

§ 2º - Se estiver presente, o denunciado ou o requerente


será tomado, inicialmente, o seu depoimento e, em seguida, reduzido a
termo na ata da sessão.

§ 3º - Se houver prova fonográfica ou cinematográfica, será


produzida antes das testemunhais.

Art. 73 - Concluída a fase instrutória, com a produção das


provas deferidas, será dado o prazo de dez (10) minutos,
sucessivamente, à Procuradoria e a cada uma das partes, para as suas
razões finais.

Parágrafo único - Quando duas ou mais partes forem


representadas pelo mesmo defensor, o prazo será de vinte (20) minutos.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 299

Art. 74 - O presidente, encerrados os debates, indagará dos


auditores se estão em condição de votar e, no caso afirmativo, dará a
palavra ao relator, para proferir o seu voto.

§ 1º - O Relator, findo o relatório, prestará aos demais


auditores os esclarecimentos que se fizerem necessários.

§ 2º - Em casos excepcionais, o presidente poderá, a pedido


de qualquer auditor, deferir diligências complementares, tendentes a
esclarecer questão condicionante à solução da causa.

§ 3º - As diligências complementares, quando deferidas,


deverão ser realizadas desde logo e o processo, obrigatoriamente, ser
reincluído na pauta da sessão subseqüente.

Art. 75 - Não sendo permitida a reclassificação, os votos dos


auditores devem ser fundamentados e estar vinculados aos pedidos da
Procuradoria e Defensoria.

Art. 76 - Após tipificada a infração, quando não se verificar


maioria, em virtude de diversidade de votos, na votação para aplicação
da pena considerar-se-á o auditor que houver votado por pena maior
como tendo votado pela pena em concreto imediatamente inferior.

Art. 77 - Proclamado o resultado do julgamento, a decisão


será irrecorrível e passa a produzir efeitos imediatos independente de sua
publicação, salvo se já tiver se operado a prescrição, decadência ou o
cumprimento da pena.

Art. 78 - A lavratura do acórdão será determinada pelo


presidente do órgão.

§ 1º. O registro da punição, quando aplicada, será efetuado


em um quadro de punições ou documento equivalente.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 300

§ 2º. A data de início para cumprimento da pena ocorrerá a


partir da data do julgamento do processo disciplinar, ou, da data de
ocorrência do fato se assim dispuser expressamente o presidente do
respectivo órgão judicante.

TÍTULO V - DOS PROCESSOS ESPECIAIS

CAPÍTULO I - DO MANDADO DE GARANTIA

Art. 79 - Conceder-se-á mandado de garantia sempre que,


ilegalmente ou com abuso de poder, alguém sofrer violação de direito
líquido e certo ou tenha justo receio de sofrê-la, por parte de qualquer
autoridade desportiva.

Parágrafo único - Para efeitos deste Código, considera-se


autoridade desportiva, qualquer pessoa física que detenha poder
decisório em qualquer função durante o evento.

Art. 80 - Não se concederá mandado de garantia tendo por


objeto:

I - Ato ou decisão da Comissão Disciplinar quando houver


recurso previsto neste Código;

II - A suspensão de pena disciplinar.

Art. 81 - A petição inicial, dirigida ao presidente da Comissão


Disciplinar, será apresentada em duas vias, com os documentos que a
instruírem.

Parágrafo único - Após a apresentação da petição, não


poderão ser juntados novos documentos nem aduzidas novas razões.

Art. 82 - Ao despachar a inicial, o presidente da Comissão


ordenará que se notifiquem a autoridade coatora, à qual será enviada
uma das vias da petição inicial, juntamente com cópia dos documentos, a
fim de que preste informações no prazo de vinte e quatro (24) horas.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 301

Art. 83 - Em caso de urgência, será permitido, observados os


requisitos deste Código, impetrar Mandado de Garantia por telegrama,
fac-símile, telex OU E-MAIL, podendo o presidente da Comissão, pela
mesma forma, determinar a notificação da autoridade coatora.

Art. 84 - Quando for relevante o fundamento do pedido, e a


demora possa tornar ineficaz a medida, o presidente da Comissão, ao
despachar a inicial, poderá conceder medida liminar.

Parágrafo único - Não caberá concessão de liminar sempre


que se tratar de pedido que venha, de qualquer modo, alterar tabela ou a
realização de eventos oficiais.

Art. 85 - A inicial será desde logo indeferida quando não for


caso de mandado de garantia ou quando lhe faltar algum dos requisitos
previstos neste Código.

Art. 86 - Findo o prazo do art. 82, o presidente da Comissão


concederá vista ao procurador para pronunciar-se.

§ 1º - Restituídos os autos do processo pelo procurador, será


designada sessão de julgamento, tenham ou não sido prestadas as
informações requeridas à autoridade coatora.

§ 2º - O presidente da Comissão, para o julgamento do


mandado de garantia impetrado, poderá convocar, se necessário, sessão
extraordinária.

Art. 87 - Os processos de mandado de garantia têm


prioridade sobre os demais.

Art. 88 - O mandado de garantia poderá ser renovado se a


decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito.

CAPÍTULO II - DA IMPUGNAÇÃO DE PARTIDA OU PROVA


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 302

Art. 89 - É admitida a impugnação de partida ou prova, ou


alteração de seu resultado, de conformidade com o procedimento
adotado neste capítulo.

Art. 90 - O pedido de impugnação de partida ou prova será


dirigido à Comissão competente, obrigatoriamente, subscrito pelo Chefe
de Delegação da autoridade requerente, no prazo de até uma (01) hora a
contar do encerramento da partida ou prova, ou manifestação e quando
houver, da junta de decisão, nos termos do art. 91.

§ 1º - Protocolado e registrado o pedido de impugnação na


Comissão, os autos serão remetidos, em caráter de urgência, ao
presidente do órgão, que imediatamente dará vistas ao procurador para
emitir parecer, sendo em seguida incluído em pauta para julgamento, em
sessão ordinária, se possível, ou extraordinária.

§ 2º - Processado o feito, a Comissão decidirá, em caráter


irrecorrível.

Art. 91 - O pedido de impugnação de prova ou partida, será


dirigido, conforme o caso e se houver, à Junta de Decisão, verbalmente
ou por escrito e, obrigatoriamente, formulada pelo técnico responsável
pela equipe, no prazo de até uma (01) hora, a contar do encerramento
da partida ou prova.

§ 1º - A Junta de Decisão será composta de acordo com as


regras admitidas em cada modalidade esportiva.

§ 2º - Formulada a impugnação, a Junta decidirá de


conformidade com as leis e normas pertinentes podendo, após sua
decisão, o legitimamente interessado formular impugnação à Comissão
Disciplinar competente, que decidirá em caráter irrecorrível.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 303

Art. 92 - São partes legítimas para formular impugnação a


entidade diretamente lesada ou terceira que tenha legítimo e comprovado
interesse.

Art. 93 - O pedido de impugnação será liminarmente


indeferido pelo presidente da Comissão se manifesta a ilegitimidade do
requerente ou se formulado fora do prazo legal.

Art. 94 - O impugnante de partida ou prova, ou de seu


resultado, estará sujeito às penalidades do art 184, nos casos de
formulação de pedidos flagrantemente infundados ou motivados por erro
grosseiro ou sentimento pessoal.

TÍTULO VI - DOS RECURSOS

CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 95 - São cabíveis os seguintes recursos:

I - Revisão;

II - Embargos Declaratórios.

Parágrafo único - As decisões finais das Comissões


Disciplinares são irrecorríveis.

Art. 96 - A revisão dos processos findos será admitida:

I - Quando a decisão houver resultado de manifesto erro de


fato ou de falsa prova;

II - quando a decisão tiver sido proferida contra literal


disposição de lei ou contra evidência da prova contida nos autos;

III - quando, após a decisão, se descobrirem provas da


inocência do punido.

§ 1º - A revisão é admissível até dois (02) anos após o


trânsito em julgado da decisão condenatória. A renovação do recurso de
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 304

revisão só será admitida, tendo por objeto o mesmo pedido, se fundada


em novas provas.

§ 2º - O recurso de revisão só poderá ser interposto pelo


punido ou seu representante, que deverá formulá-lo mediante petição
escrita, de ofício, pela parte vencida, por terceiro interessado e pela
Procuradoria e conterá a qualificação do recorrente, os fundamentos do
pedido e o requerimento.

§ 3º - A Comissão Disciplinar Permanente, julgando


procedente o recurso de revisão, poderá alterar a classificação da
infração, absolver o recorrente, modificar a pena imposta ou anular o
processo e, em nenhum caso, poderá ser agravada, no mesmo processo,
a pena imposta na decisão revista.

§ 4º - É obrigatória, nos pedidos de revisão, a intervenção da


Procuradoria.

Art. 97 - Os embargos declaratórios serão interpostos no


mesmo processo disciplinar, após o pronunciamento da decisão pela
Comissão Disciplinar.

§ 1º - O prazo para a interposição do embargo será de até 2


(duas) horas após a publicidade do acórdão, no caso da Comissão
Especial, e de até 2 (dois) dias úteis, no caso da Comissão Permanente.

§ 2º- Cabe embargo de declaração quando:

I - Há na decisão obscuridade, dúvida ou contradição;

II - for omitido ponto sobre o que devia a Comissão


pronunciar-se.

CAPÍTULO II - DO JULGAMENTO DOS RECURSOS

Art. 98 - Os recursos serão julgados pela respectiva instância


disciplinar, de acordo com a competência fixada neste Código.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 305

§ 1º - Os embargos de declaração serão processados e


julgados imediatamente pela Comissão que proferir a decisão e poderão
ter caráter modificativo, excepcionalmente, quando utilizados para
correção de erro material manifesto, suprimento de omissão, ou
extirpação de contradição, desde que a infringência do julgado esteja
limitada à conseqüência do provimento do recurso.

§ 2º - Protocolado o recurso de revisão na Secretaria da


Comissão de origem, será o mesmo juntado aos autos e, em seguida,
concedida vistas ao recorrido, por quarenta e oito (48) horas para as suas
contra-razões.

§ 3º - Decorridos os prazos fixados no parágrafo anterior, os


autos serão remetidos, através de despacho, à Comissão Disciplinar
Permanente.

§ 4º - Registrado o recurso de revisão na Secretaria da


Comissão Disciplinar Permanente, os autos serão conclusos ao presidente
para designação do relator e Sessão de Julgamento.

§ 5º - A Secretaria, em seguida, intimará as partes da Sessão


de Julgamento, com antecedência mínima de quarenta e oito (48) horas.

§ 6º - Declarada aberta a Sessão de julgamento, o


presidente, após a manifestação do auditor relator, concederá quinze (15)
minutos, inicialmente, ao recorrente e, em seguida, ao recorrido para
sustentação oral de suas razões, incontinente serão proferidos os votos a
partir do relator.

§ 7º. - Proferidos os votos, o presidente determinará a


lavratura do acórdão. A decisão que resultar em minoração da pena
anteriormente imposta, esta será computada a partir da data de início da
punição registrada no respectivo quadro de punições ou documento
equivalente.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 306

LIVRO II

DAS MEDIDAS DISCIPLINARES

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 99 - É punível toda infração disciplinar, ressalvadas as


hipóteses legais.

Art. 100 - Ninguém será punido por fato que lei posterior
deixe de considerar infração disciplinar, cessando em virtude dela a
execução e os efeitos da punição.

§ 1º - A lei posterior que, de outro modo favoreça o infrator,


aplica-se ao fato não definitivamente julgado.

§ 2º - A lei posterior que comine pena menos rigorosa,


aplica-se ao fato julgado por decisão irrecorrível, a requerimento da
parte, desde que a pena imposta suplante o máximo previsto, sendo
analisado pela Comissão Disciplinar.

Art. 101 - Considera-se praticada a infração no momento da


ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

TÍTULO II - DA INFRAÇÃO

Art. 102 - Infração disciplinar é toda ação ou omissão anti-


desportiva, típica e culpável.

Parágrafo único - A omissão é juridicamente relevante


quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de
agir incumbe precipuamente a quem:

a) Tenha por ofício a obrigação de velar pela disciplina ou


coibir violências ou animosidades;

b) com seu comportamento anterior, criou o risco da


ocorrência do resultado.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 307

Art. 103 - Diz-se a infração:

I - Consumada, quando nela se reúnem todos os elementos


de sua definição;

II - Tentada, quando iniciada a execução, não se consuma


por circunstâncias alheias à vontade do agente.

§ 1º - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa


com a pena correspondente à infração consumada, diminuída de dois
terços (2/3).

§ 2º - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia


absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível
consumar-se a infração.

Art. 104 - O agente que, voluntariamente, desiste de


prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só
responde pelos atos já praticados.

Art. 105 - Diz-se a infração:

I - Dolosa, quando o agente quis o resultado ou assumiu o


risco de produzi-lo;

II - Culposa, quando o agente deu causa ao resultado por


imprudência, negligência ou imperícia.

Art. 106 - O erro quanto à pessoa contra a qual a infração é


praticada não isenta de pena.

Art. 107 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em


estrita obediência à ordem, não manifestamente ilegais, de superior
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

Art. 108 - Não há infração quando o agente pratica o fato:

I - Em estado de necessidade;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 308

II - em estrito cumprimento de dever de ofício;

III - em legítima defesa;

IV - no exercício regular do direito.

Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste


artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.

TÍTULO III - DA RESPONSABILIDADE DESPORTIVA

Art. 109 - É isento de punição o agente que, por doença


mental era, ao tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato.

Parágrafo único - A irresponsabilidade só será reconhecida,


pela Comissão, se houver prova médica que ateste a debilidade mental.

Art. 110 - Os menores de quatorze (14) anos são


considerados desportivamente irresponsáveis na referida competição,
ficando apenas sujeitos à orientação de caráter pedagógico.

Parágrafo único – Nos casos de reincidência da prática de


infração disciplinar por atletas desportivamente irresponsáveis,
responderá o seu técnico ou representante legal na respectiva
competição, caso não tenham sido adotadas as medidas cabíveis para
orientar e coibir novas infrações.

Art. 111 - Excetuadas as hipóteses acima, não será


reconhecida qualquer outra espécie de irresponsabilidade desportiva.

TÍTULO IV - DA ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Art. 112 - Os atletas desportivamente irresponsáveis que


praticarem qualquer infração disciplinar na referida competição,
receberão apenas orientação pedagógica, a ser ministrada por
profissional habilitado e/ou técnico responsável.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 309

TÍTULO V - DO CONCURSO DE PESSOAS

Art. 113 - Quem, de qualquer modo, concorre para a


infração, incide nas penas a esta cominadas, na medida de sua
culpabilidade.

Parágrafo único - Se a participação for de menor importância,


a pena pode ser diminuída até a metade.

TÍTULO VI - DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

Art. 114 - Extingue-se a punibilidade:

I - Pela morte do infrator;

II - pela retroatividade da lei que não mais considera o fato


como infração;

III - pela prescrição ou perempção;

IV - pelo cumprimento da penalidade;

V - pela reabilitação.

Art. 115 - Prescreve a ação em dois (02) anos, contados da


data do fato ou, nos casos de falsidade ideológica ou material, e nas
infrações permanentes ou continuadas, contados do conhecimento da
falsidade ou da cessação da permanência ou continuidade.

Art. 116 - Prescreve a condenação, igualmente, em dois (02)


anos, quando não executada, a contar da data que transitou em julgado
a decisão.

Art. 117 - Ocorre a perempção quando o queixoso deixa o


processo paralisado por mais de trinta (30) dias.

Art. 118 - Interrompe a prescrição:

I - Pelo recebimento da denúncia ou queixa;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 310

II - pela instauração de sindicância;

III - pela decisão condenatória.

Parágrafo único - Interrompida a prescrição, todo o prazo


começa a correr, novamente, do dia da interrupção.

TÍTULO VII - DAS PENALIDADES

CAPÍTULO I - DAS ESPÉCIES DE PENALIDADES

Art. 119 - As infrações disciplinares previstas neste Código,


tem como conseqüência as seguintes penalidades:

I - Advertência;

II - Censura escrita;

III - suspensão por prazo;

IV - Exclusão da respectiva competição.

Art. 120 - Aplicar-se-á a pena de Advertência ou Censura


Escrita, aos casos de mera inobservância das regras ou regulamentos
desportivos e desde que não resultem em danos a terceiros ou aos
órgãos públicos e privados participantes ou promotores dos eventos
desportivos.

Parágrafo único - A Censura Escrita deverá ser aplicada nos


casos em que não couber Advertência, pela análise de gravidade da
infração.

Art. 121 - A suspensão por prazo priva a pessoa física ou


jurídica de participar de todo e qualquer evento esportivo sob a
organização, coordenação e/ou supervisão do Ministério do Esporte e
Turismo / Secretaria Nacional de Esporte, pelo prazo fixado na decisão.

§ 1º - A pessoa física a que se refere o “caput”, não terá


acesso aos recintos reservados de praças desportivas e não poderá
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 311

exercer qualquer função ou cargo nas entidades participantes e


comissões do evento, e a suspensão é extensiva a todas as competições
referenciadas no caput, independente da faixa etária, sexo, modalidade
ou função.

§ 2º - A suspensão proferida contra as pessoas jurídicas,


serão estabelecidas de acordo com a modalidade e sexo, nas
competições dos Jogos em que foram punidas.

Art. 122 - A exclusão priva a pessoa jurídica ou equiparada


de continuar participando da respectiva competição desportiva,
implicando no seu afastamento imediato.

CAPÍTULO II - DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE

Art. 123 - A Comissão, na fixação das penalidades entre


limites mínimos e máximos, levará em conta a gravidade da infração, a
sua maior ou menor extensão, os meios empregados, os motivos
determinantes, os antecedentes desportivos do infrator e as
circunstâncias agravantes e atenuantes.

Art. 124 - São circunstâncias que agravam a penalidade a ser


aplicada:

I - Ter sido praticada com o concurso de outrem;

II - ter sido praticada com o uso de intrumento ou objeto


lesivo;

III - ter causado prejuízo patrimonial ou financeiro;

IV - ser o infrator, membro ou auxiliar da Justiça Desportiva,


técnico ou capitão da equipe, dirigente de entidade, membro da
delegação sede ou integrante de órgão ou comissão vinculada ao evento;

V - ser o infrator reincidente.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 312

§ 1º - Verifica-se a reincidência quando o infrator comete


nova infração, depois de transitar em julgado a decisão que haja punido
anteriormente.

§ 2º - Para efeito de reincidência, não prevalece a


condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou execução da
pena e a infração posterior tiver ocorrido período de tempo superior a
três (03) anos.

Art. 125 - São circunstâncias que sempre atenuam a


penalidade a ser imposta:

I - Ser o infrator menor de dezoito (18) anos, na data da


infração;

II - ter o infrator prestado relevantes serviços ao desporto


estadual ou nacional;

III - ter sido o infrator agraciado com prêmio conferido na


forma das leis do desporto;

IV - não ter o infrator sofrido qualquer punição nos três (03)


anos imediatamente anteriores à data do julgamento.

Art. 126 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena


deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam da gravidade
da infração, os motivos determinantes, personalidade do infrator e
reincidência.

Art. 127 - A pena será fixada atendendo-se ao critério fixado


no art. 123 deste Código, em seguida serão consideradas as
circunstâncias atenuantes e agravantes, bem como as causas de
aumento e de diminuição da pena, se houver.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 313

§ 1º - Se houver equivalência entre agravantes e atenuantes,


A Comissão não considerará qualquer delas.

§ 2º - Preponderando causa agravante ou atenuante, a pena


base será aumentada ou diminuída em até um terço (1/3), exceto se já
houver causa de aumento ou diminuição prevista para a infração, desde
que o quantum final não suplante o máximo ou diminua o mínimo
previsto.

Art. 128 - Sendo considerada gravíssima a infração praticada,


poderá a Comissão aplicar a penalidade de exclusão, sem prejuízo da
cominada na respectiva infração.

Art. 129 - Haverá concurso de infrações:

§ 1º - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão,


pratica duas ou mais infrações, idênticas ou não, aplicar-se-lhe-á a mais
grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas
aumentada em qualquer caso, de um terço (1/3) até a metade.

§ 2º - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou


omissão, pratica duas ou mais infrações, idênticas ou não, aplicam-se
cumulativamente as penas, se a ação ou omissão é dolosa e as infrações
concorrentes resultam de desígnios autônomos.

Art. 130 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou


omissão, pratica duas ou mais infrações, da mesma espécie e, pelas
condições de tempo, lugar, maneira de execução e outros semelhantes,
devem as subseqüentes ser havidas continuação da primeira, aplicando-
se-lhe a pena de uma só das infrações, se idênticas, ou a mais grave, se
diversos, aumentada, em qualquer caso, de um terço (1/3) até a metade.

TÍTULO VIII - DAS INFRAÇÕES CONTRA PESSOAS

CAPÍTULO I - DAS AGRESSÕES FÍSICAS


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 314

Art. 131 - Praticar agressão física:

I - Contra pessoa subordinada ou vinculada a delegações


desportivas, equipe de arbitragem ou comissões do evento, por fato
ligado ao desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 09 meses a 02 anos.

II - Contra membros das entidades ou órgãos promotores, da


Justiça Desportiva, autoridades públicas ou desportivas, por fato ligado
ao desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

CAPÍTULO II - DAS OFENSAS MORAIS

Art. 132 - Ofender moralmente:

I - Pessoa subordinada ou vinculada às delegações


desportivas, equipe de arbitragem ou comissões do evento por fato
ligado ao desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

II - Os membros das entidades ou órgãos promotores, da


Justiça Desportiva e autoridades públicas ou desportivas, por fato ligado
ao desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 09 meses a 02 anos.

CAPÍTULO III - DAS INFRAÇÕES CONTRA A LIBERDADE


INDIVIDUAL

Art. 133 - Constranger alguém, mediante violência, grave


ameaça ou por qualquer outro meio, a não fazer o que a lei permite ou a
fazer o que ela proíbe.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 315

Parágrafo único - A pena será majorada em até dois terços


(2/3) quando, para a execução da infração se reúnem mais de duas
pessoas, ou há emprego de armas.

Art. 134 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gestos ou


por qualquer outro meio causar-lhe mal injusto ou grave.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

CAPÍTULO IV - DA RIXA

Art. 135 - Participar de rixa, salvo para separar os


contendores.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

TÍTULO IX - DAS INFRAÇÕES CONTRA O PATRIMÔNIO


DESPORTIVO

CAPÍTULO I - DA SUBTRAÇÃO

Art. 136 - Subtrair, para si ou para outrem, bem pertencente


ao patrimônio desportivo, com ou sem emprego de violência.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

CAPÍTULO II - DO DANO

Art. 137 - Danificar, destruir, inutilizar ou deteriorar bem


desportivo, por natureza ou destinação, de que tenha ou não posse ou
detenção.

PENA: Indenização e/ou suspensão pelo prazo de 04 a 18


meses.

CAPÍTULO III - DA APROPRIAÇÃO INDEVIDA

Art. 138 - Apropriar-se de bem de natureza desportiva, de


que tenha a posse ou a detenção.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 316

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

TÍTULO X - DAS INFRAÇÕES CONTRA A PAZ E MORALIDADE


DESPORTIVA

Art. 139 - Incitar publicamente a prática de infração.

PENA: Suspensão pelo prazo de 03 meses a 01 ano.

Art. 140 - Assumir atitude contrária à disciplina ou à moral


desportiva, em relação a qualquer pessoa vinculada direta ou
indiretamente ao evento desportivo.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 364 dias.

TÍTULO XI - DAS INFRAÇÕES CONTRA A FÉ DESPORTIVA

CAPÍTULO I - DAS FALSIDADES

Art. 141 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público


ou particular, omitir declaração que nele deveria constar, inserir ou fazer
inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, para o fim
de usá-lo perante os órgãos desportivos.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Parágrafo único - Nas mesmas penas incorrerá quem fizer o


uso do documento falsificado, conhecendo-lhe a falsidade.

Art. 142 - Atestar, certificar ou omitir, em razão da função,


fato ou circunstância que habilite o atleta a obter registro, inscrição,
transferência ou qualquer vantagem indevida.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Art. 143 - Usar como próprio qualquer documento de


identidade de outrem ou ceder a outrem para que dele se utilize.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 317

Art. 144 - Obter, perante a organização do evento, para si ou


para outrem, vantagem indevida, mediante artifício ardil.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

C A P Í T U L O I I - D A C O R R U P Ç Ã O, C O N C U S S Ã O E
PREVARICAÇÃO

Art. 145 - Dar ou prometer vantagem indevida a quem


exerça função de natureza desportiva, para que pratique, omita, ou
retarde ato de ofício, ou ainda para que pratique ato contra expressa
disposição de norma desportiva.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Art. 146 - Receber ou solicitar, para si ou para outrem,


vantagem indevida em razão de função de natureza desportiva para
praticar, omitir ou retardar ato de ofício ou ainda, para praticá-lo contra
expressa disposição de norma desportiva.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Art. 147 - Deixar de praticar ato de ofício, por interesse


pessoal, para favorecer ou prejudicar pessoas físicas ou jurídicas, com
abuso de poder ou excesso de autoridade.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Art. 148 - Dar ou prometer qualquer vantagem a árbitro,


auxiliar ou coordenador técnico, para que influa no resultado da
competição.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Parágrafo único - Na mesma pena incorrerá o proponente ou


o intermediário.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 318

Art. 149 - Dar ou prometer qualquer vantagem a dirigente,


técnico ou atleta para que ganhe ou perca pontos na competição com a
intenção de prejudicar terceiros.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Parágrafo único - Nas mesmas penas incorrerá o proponente


ou o intermediário.

Art. 150 - Aliciar atleta ou técnico vinculado a qualquer


equipe.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

TÍTULO XII - DAS INFRAÇÕES CONTRA A ORGANIZAÇÃO E


ADMINISTRAÇÃO DESPORTIVAS

CAPÍTULO I - DAS INFRAÇÕES CONTRA ENTIDADES


PARTICIPANTES, ORGANIZADORAS E COMISSÕES DO EVENTO

Art. 151 - Manifestar-se de forma desrespeitosa ou ofensiva


contra ato, decisão ou providência da entidade participante, organizadora
e comissões do evento.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 152 - Deixar de cumprir deliberação, resolução,


determinação ou requisição de órgão público, entidades organizadoras ou
comissões de evento.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 153 - Veicular, sem prévio consentimento, o nome e/ou


logomarca do Ministério do Esporte e Turismo / Secretaria Nacional de
Esporte ou de Competição Oficial, em eventos esportivos.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 319

Art. 154 - Recusar, sem justa causa, sua praça ou instalações


desportivas, quando requisitada.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 155 - Recusar o ingresso, aos membros da organização


do evento, em suas praças ou instalações desportivas.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 156 - Abandonar a disputa do evento, após o seu início.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Art. 157 - Não comparecer para a disputa de partida ou


prova oficialmente programada, ou comparecer fora do prazo
regulamentar, sem condições materiais exigidas pelas regras específicas
da respectiva modalidade para atuação.

PENA: Advertência e/ou suspensão pelo prazo de 01 a 18


meses.

§ 1º - A suspensão e/ou advertência aplicam-se à pessoa


jurídica na modalidade/sexo em questão.

§ 2º - A suspensão somente será aplicada,


preferencialmente, quando existir previsão regulamentar ou restar
plenamente caracterizada a má-fé ou o dolo no cometimento da infração.

§ 3 º - N a s h i p ó t e s e s d e n ã o c o m p a r e c i m e n t o,
comparecimento fora do prazo regulamentar ou sem as condições
materiais exigidas para atuação, em relação a atletas pertencentes a uma
mesma pessoa jurídica, nos casos das modalidades que comportam a
disputa individual “simples”, aplicar-se-á exclusivamente a pena de
advertência.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 320

Art. 158 - Deixar de comparecer, comparecer tardiamente ou


sem condições exigidas para solenidade de abertura de evento esportivo.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 12 meses e/ou censura


escrita para a modalidade/sexo participante.

Art. 159 - Impedir, sem justa causa, a realização de partida


ou prova marcada para sua praça ou instalação desportiva.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 mês a 01 ano e/ou


censura escrita.

Art. 160 - Ordenar ou dificultar que o atleta atenda à


convocação oficial.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 18 meses.

Art. 161 - Deixar de encaminhar ou exibir às entidades


organizadoras dos eventos documentos solicitados de interesse público.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 mês a 01 ano.

Art. 162 - Tomar atitudes, assumir compromissos ou adotar


providências em seminários, gerenciamentos, congressos ou reuniões
com fins desportivos, capazes de comprometer a organização de
competições oficiais.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 15 meses e/ou censura


escrita para a modalidade/sexo participante.

§ 1º - A suspensão e/ou censura aplicam-se à pessoa jurídica


na modalidade/sexo em questão.

§ 2º - A suspensão somente será aplicada quando restar


plenamente caracterizada a má-fé ou o dolo no cometimento da infração.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 321

Art. 163 - Deixar de cumprir obrigação de natureza


desportiva, referente a sediação de eventos desportivos, assumida
oficialmente em qualquer documento.

PENA: Censura escrita.

Art. 164 - Deixar de manter praças ou instalações desportivas


em condições de assegurar plena garantia aos membros da organização,
da Justiça Desportiva, da equipe de arbitragem e das comissões do
evento, para desempenho de suas funções.

PENA: Censura escrita.

C A P Í T U L O I I - D A S I N F R A Ç Õ E S R E LAT I VA S À S
COMPETIÇÕES PROPRIAMENTE DITAS

Art. 165 - Ordenar ao(s) atleta(s) que se omita(m), de


qualquer modo, na disputa da partida ou prova.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 166 - Submeter criança ou adolescente sob sua


autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento, sendo,
neste caso, os autos remetidos ao Conselho Tutelar da Criança e do
Adolescente.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 meses a 02 anos.

Parágrafo único – Nas mesmas penas incorre, na medida de


sua culpabilidade, o técnico responsável pelo atleta desportivamente
irresponsável reincidente na mesma competição.

Art. 167 - Omitir-se na disputa da partida ou prova depois de


iniciada, por abandono, simulação ou contusão e desinteresse nas
jogadas ou tentar impedir, por qualquer modo, o seu prosseguimento.

PENA: Suspensão pelo prazo de 09 meses a 02 anos.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 322

Art. 168 - Permitir a participação em suas equipes de


atleta(s) sem condições legais de atuação, exigidas pelo(s)
Regulamento(s) da(s) Competição(ões).

PENA: Exclusão ou Suspensão pelo prazo de 09 meses a 02


anos.

§ 1º - A suspensão aplica-se tão somente à modalidade/


prova/sexo que houver a participação da pessoa física sem as condições
legais de atuação.

§ 2º - Sujeitam-se às penas deste artigo o técnico e o atleta


sem as condições legais de atuação, na medida de suas culpabilidades.

Art. 169 - Impedir o prosseguimento ou dar causa à


suspensão de partida ou prova.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 meses a 01 ano.

Parágrafo único - A entidade fica, também, sujeita às penas


desse artigo se a suspensão da partida ou prova tiver sido,
comprovadamente, causada ou provocada por sua torcida.

Art. 170 - Praticar ato hostil, desleal ou inconveniente


durante a competição.

PENA: Advertência ou suspensão pelo prazo de 01 dia a 09


meses.

Art. 171 - Praticar jogada violenta.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

Parágrafo único - Se a jogada resultar lesão de natureza


grave, a pena será majorada em até dois terços (2/3).

Art. 172 - Reclamar ou desrespeitar por meio de gestos,


atitudes ou palavras, a arbitragem ou coordenação de modalidade.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 323

PENA: Advertência ou suspensão pelo prazo de 01 dia a 09


meses.

Art. 173 - Deixar de cumprir obrigação de ofício, cumpri-la


com excesso ou abuso de autoridade.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 dia a


18 meses.

Art. 174 - Omitir-se no dever de prevenir ou de coibir


violência ou animosidade entre as pessoas físicas constantes na súmula.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 dia a


01 ano.

Art. 175 - Não se apresentar devidamente uniformizado ou


apresentar-se sem o material necessário ao desempenho de suas
atribuições de ofício.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 a 364


dias.

Art. 176 - Deixar de comunicar à autoridade competente, em


tempo oportuno, que não se encontra em condições de exercer suas
atribuições.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 a 364


dias.

Art. 177 - Deixar de comparecer regularmente no local da


partida ou prova para a qual foi designado.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 dia a


18 meses.

Art. 178 - Não conferir os documentos de identificação das


pessoas físicas constantes da súmula.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 324

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 dia a


02 anos.

Art. 179 - Deixar de entregar ao órgão competente, no prazo


legal, os documentos de partida ou prova, regularmente preenchidos.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 a 364


dias.

Art. 180 - Permitir a permanência no recinto de jogo, de


pessoas que não as autorizadas.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 a 364


dias.

Art. 181 - Abandonar, de ofício, sem justa causa, a


competição antes do seu término ou recusar-se a iniciá-la.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 dia a


02 anos.

CAPÍTULO III - DAS INFRAÇÕES CONTRA A JUSTIÇA


DESPORTIVA

Art. 182 - Deixar os auditores, a Procuradoria, a Defensoria e


o secretário, salvo justo motivo, de observar os prazos legais.

PENA: Advertência ou censura escrita.

Art. 183 - Deixar, a autoridade que tomou conhecimento de


falsidade documental, de encaminhar os elementos da infração à
Comissão competente da Justiça Desportiva.

PENA: Censura escrita ou suspensão pelo prazo de 01 dia a


02 anos.

Art. 184 - Oferecer queixa ou noticiar infração


flagrantemente infundada ou dar causa, por erro grosseiro ou sentimento
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 325

pessoal, à instauração de inquérito ou processo disciplinar na Justiça


Desportiva.

PENA: Exclusão ou suspensão pelo prazo de 01 dia a 02


anos.

Art. 185 - Prestar depoimento falso perante a Justiça


Desportiva.

PENA: Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 dia a 03


anos.

Parágrafo único - A penalidade será reduzida até à metade,


se antes da decisão o depoente se retratar e declarar a verdade.

Art. 186 - Deixar de cumprir ou retardar o cumprimento de


decisão da Justiça Desportiva.

PENA - Exclusão e/ou suspensão pelo prazo de 01 dia a 02


anos.

Art. 187 - Deixar de comparecer, sem justa causa, à Justiça


Desportiva, quando regularmente intimado.

PENA - Suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 188 - Admitir, como integrante da delegação, em


qualquer função ou cargo, remunerados ou não, quem estiver eliminado
ou em cumprimento de pena disciplinar.

PENA - Suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 189 - Dar, prometer ou oferecer dinheiro ou qualquer


outra vantagem à testemunha, perito, tradutor, intérprete, para fazer
afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia,
tradução, interpretação, ainda que a oferta não seja aceita.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 326

PENA: Exclusão ou suspensão pelo prazo de 01 dia a 02


anos.

TÍTULO XIII - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 190 - As infrações previstas no presente Código e


passíveis de sanção penal e/ou administrativas propriamente ditas, serão
objeto de notificação à autoridade competente para a apuração e
promoção das responsabilidades, a critério discricionário dos presidentes
dos órgãos da Justiça Desportiva.

Art. 191 - As condutas reincidentes nas penalidades de


Advertência ou Censura escrita implicará na aplicação da pena de
suspensão, quando houver sua previsão alternativa no respectivo tipo
infracional.

Art. 192 - Os casos omissos e as lacunas deste Código, serão


resolvidos de acordo com os costumes, princípios gerais de direito,
analogia e a jurisprudência aplicada à espécie.

Art. 193 - A interpretação das normas contidas neste Código,


reger-se-á pelas regras gerais da hermenêutica e buscará sempre a
defesa da disciplina e da moralidade do desporto.

TÍTULO XIV - DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 194 - Nenhum ato administrativo poderá prejudicar as


decisões proferidas pelas Comissões Disciplinares.

Art. 195 - Este Código entrará em vigor na data de sua


publicação, ficando revogadas as disposições em contrário.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 327

3. Código de Organização da Justiça e Disciplina Desportiva –


COJDD/Pr

GOVERNO DO PARANÁ

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – PARANÁ


ESPORTE

CONSELHO ESTADUAL DE ESPORTE E LAZER

RESOLUÇÃO Nº 03, DE 15 DE MARÇO DE 2006

CÓDIGO DE ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E


DISCIPLINA DESPORTIVA - COJDD

LIVRO I

DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA E DO

PROCESSO DISCIPLINAR DESPORTIVO

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º - A organização da justiça desportiva, o processo e as


medidas disciplinares regulam-se por este código, a que ficam
submetidas, em todo o território do Estado do Paraná, as pessoas físicas,
jurídicas ou equiparadas que de forma direta ou indireta intervém ou
participam dos eventos esportivos sob a organização, coordenação e/ou
supervisão da Paraná Esporte.

§ 1º - Para efeitos deste código são consideradas


equivalentes as expressões Secretaria de Estado da Educação - SEED,
Paraná Esporte ou PRES.

§ 2º - Integram o presente código os dispositivos legais e


regulamentares que lhe forem aplicáveis, especialmente as normas gerais
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 328

da Lei Federal nº 9.615, de 24 de março de 1998 e alterações


posteriores, especificamente nos termos do seu art 25.

§ 3º - A jurisdição e a competência quanto à aplicabilidade


do presente código ficam condicionadas à previsão expressa no
regulamento da respectiva competição.

TÍTULO II - DA ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DESPORTIVA

CAPÍTULO I - DOS TRIBUNAIS DESPORTIVOS

Art. 2º - Ficam instituídos os seguintes tribunais desportivos,


aos quais compete a aplicação do código de organização da justiça e
disciplina desportiva:

I - Tribunal Especial de Justiça Desportiva (TEJD);

II - Tribunal Permanente de Justiça Desportiva (TPJD);

III - Tribunal De Recursos de Justiça Desportiva (TRJD).

Art. 3º - Os Tribunais Especiais de Justiça Desportiva, com


sede especial e jurisdição durante a realização dos eventos específicos,
organizados, coordenados e/ou supervisionados pela Paraná Esporte, são
constituídos de 03 (três) auditores efetivos.

§ 1º - Excepcionalmente, os Tribunais Especiais vinculados às


fases regionais dos Jogos Oficiais poderão ser constituídos, minimamente,
de 02 (dois) auditores, ou convertidos em órgão singular composto por
01 (um) auditor.

§ 2º - Os Tribunais Especiais das fases finais dos Jogos


Oficiais deverão contar com a composição de 05 (cinco) auditores
efetivos.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 329

Art. 4º - O Tribunal Permanente de Justiça Desportiva, com


sede na capital do Estado e jurisdição em todo o território do Paraná, é
constituído de 05 auditores efetivos.

Art. 5º - O Tribunal de Recursos de Justiça Desportiva, com


sede na capital do Estado e jurisdição em todo o território do Paraná, é
constituído de 05 (cinco) auditores efetivos.

Art. 6º - Os auditores dos Tribunais Desportivos acima


instituídos serão nomeados pela Comissão Especial de Justiça Desportiva
que funciona junto ao Conselho Estadual de Esporte e Lazer, mediante
delegação do Diretor Presidente da Paraná Esporte através de ato
administrativo próprio, com mandato fixado no respectivo termo de
nomeação.

§ 1º - Os auditores dos Tribunais de Justiça Desportiva serão


integrantes do quadro geral da justiça desportiva.

§ 2º - O Quadro Geral da Justiça Desportiva será organizado


pela Comissão Especial de Justiça Desportiva que funciona junto ao
Conselho Estadual de Esporte e Lazer, sendo composto por profissionais e
acadêmicos das áreas de direito e de educação física que já tenham
atuado na Justiça Desportiva do Estado, ou que tenham participado de
curso ou capacitação para o exercício da função, organizados ou
homologados pela referida Comissão Especial.

Art. 7º - Aos membros dos órgãos instituídos no art. 2º, será


garantido livre ingresso em todos os locais onde se realizarem os eventos
realizados, coordenados e/ou supervisionados pela Paraná Esporte.

Art. 8º - os Tribunais Desportivos só poderão deliberar e


julgar com a maioria simples de seus membros, à exceção das hipóteses
previstas no artigo 3º, § primeiro deste código.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 330

Parágrafo único - A Comissão Especial de Justiça Desportiva


poderá nomear membros suplentes, respeitados os mesmos requisitos
impostos aos membros efetivos, para o exercício de qualquer função nos
Tribunais Desportivos, no caso de insuficiência de membros e para as
hipóteses legalmente previstas de vacância, impedimento ou suspeição.

Art. 9º - Ocorrerá vacância nos cargos dos auditores pela:

I - Morte, renúncia ou exoneração;

II - Condenação transitada em julgado, no âmbito da justiça


desportiva ou criminal;

III - Não comparecimento a duas (02) sessões consecutivas


ou três (03) intercaladas, salvo justo motivo assim considerado pelo
tribunal e homologado pela comissão especial de justiça desportiva.

Art. 10 - O(s) auditor(es) fica(m) impedido(s) de atuar no


processo quando:

I - Em relação à parte, ocorrerem os vínculos de parentesco


e afinidade;

II – For(em) inimigo(s) ou amigo(s) íntimo(s) da parte;

III – Prejulgar(em) a causa.

§ 1º - Os impedimentos a que se refere este artigo devem


ser declarados pelo próprio auditor, tão logo tome conhecimento do
processo; se o auditor não o fizer, podem as partes argüi-los, na primeira
oportunidade em que se manifestarem nos autos.

§ 2º - Argüido o impedimento, decidirá o tribunal em caráter


irrecorrível.

Art. 11 - Os membros dos Tribunais de Justiça Desportiva


serão remunerados de acordo com resolução ou portaria do Diretor
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 331

Presidente da Paraná Esporte. Sendo servidor público terá abonadas suas


faltas ao trabalho e sendo acadêmico nas respectivas instituições de
ensino.

SEÇÃO I - DOS PRESIDENTES DOS TRIBUNAIS


DESPORTIVOS

Art. 12 – Um dos auditores componentes dos respectivos


Tribunais de Justiça Desportiva previstos no artigo 2º deste Código será
nomeado presidente, ao qual caberá as seguintes atribuições:

I - Zelar pelo perfeito funcionamento da justiça desportiva e


fazer cumprir a decisão do respectivo órgão;

II - Determinar a instauração de sindicância ou seu


arquivamento;

III - Dar a imediata ciência, por escrito, da vacância no


tribunal à comissão especial de justiça desportiva;

IV - Representar o tribunal nas solenidades e atos oficiais,


podendo delegar esta atribuição a outro auditor;

V - Comparecer obrigatoriamente a todas as sessões, salvo


justo motivo, mantendo sua permanência, quando da atuação em
tribunais especiais, até o final do evento que ocorrerá pela homologação
do resultado da última partida ou prova, a não ser que haja liberação
mediante autorização expressa da Comissão Especial de Justiça
Desportiva;

VI - Designar dia e hora para as sessões ordinárias e


extraordinárias e dirigir os trabalhos;

VII - Nomear o auditor relator;

VIII - Votar e, se necessário, proferir voto de qualidade,


durante as sessões, havendo empate na votação;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 332

IX - Determinar a instauração e presidir os processos


desportivos;

X - Declarar-se impedido ou suspeito, quando for o caso;

XI - Declarar a incompetência do tribunal;

XII - Recorrer de ofício nos casos expressos neste Código;

XIII - Empenhar-se no sentido da estrita observância das leis


e do prestígio das instituições desportivas;

XIV - Suspender preventivamente;

XV - Apresentar, à Comissão Especial de Justiça Desportiva,


relatório das atividades do órgão no termo final do mandato;

XVI - Praticar os demais atos deferidos por este código ou


afetos à função.

Parágrafo único - Na ausência ou impedimento do


presidente, os membros do respectivo Tribunal escolherão dentre seus
pares, um (01) para presidí-lo interinamente.

SEÇÃO II - DOS AUDITORES

Art. 13 - São atribuições dos demais auditores, além das


definidas no art. 12, incisos V, X, XIII e XV:

I - Requerer vistas dos autos;

II - Requerer a declaração de incompetência do Tribunal;

III - Requerer a instauração de sindicância do Tribunal;

IV - Estar presente do início ao final de todas as sessões de


instrução e julgamento, salvo nas hipóteses excepcionadas neste código;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 333

V - Votar, fundamentadamente, nos processos desportivos.

Parágrafo único - Quando da atuação em Tribunais Especiais,


o auditor deverá manter a sua permanência e o exercício de suas
atribuições até o encerramento do evento, que deverá ocorrer com a
homologação do resultado da última partida ou prova, a não ser que haja
liberação mediante autorização expressa da Comissão Especial de Justiça
Desportiva.

CAPÍTULO II - DOS ÓRGÃOS AUXILIARES

Art. 14 - Ficam instituídos os seguintes órgãos auxiliares,


cuja competência é definida neste Código:

I - Procuradoria Desportiva;

II - Defensoria Pública;

III - Secretaria.

Art. 15 - Os órgãos auxiliares serão representados por um


(01) membro efetivo vinculado a cada um dos Tribunais de Justiça
Desportiva previstos neste Código.

Parágrafo único - Poderão ser nomeados, pelo presidente do


Tribunal, membros assistentes ou ad hoc.

Art. 16 - Os membros dos órgãos auxiliares serão nomeados


pela Comissão Especial de Justiça Desportiva, mediante delegação do
Diretor Presidente da Paraná Esporte através de ato administrativo
próprio, com mandato fixado no respectivo termo de nomeação.

Parágrafo único - A nomeação dos membros dos órgãos


auxiliares previstos no art. 14, incisos I e II, deverá recair,
preferencialmente, sobre pessoa habilitada para o exercício da advocacia.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 334

Art. 17 - Aplica-se aos membros dos órgãos auxiliares o


disposto nos artigos 7º, 9º e 11 deste Código.

SEÇÃO I - DOS PROCURADORES

Art. 18 - São atribuições dos procuradores, além das


definidas no art. 12, incisos V, XIII e XV:

I - Apresentar ao Tribunal competente, no prazo legal,


denúncia ou parecer sobre os fatos narrados nos relatórios dos jogos,
bem como sobre toda e qualquer irregularidade ou infração da qual
presencie ou tenha conhecimento;

II - Formalizar as providências legais e acompanhá-las em


seus trâmites, mantendo sua permanência, quando da atuação em
Tribunais Especiais, até o final do evento que ocorrerá pela homologação
do resultado da última partida ou prova, a não ser que haja liberação
mediante autorização expressa da Comissão Especial de Justiça
Desportiva;

III - Manifestar-se nos prazos;

IV - Sustentar oralmente, durante as sessões;

V - Requerer vistas dos autos;

VI - Apresentar contra-razões aos recursos interpostos;

VII - Interpor recursos nos casos previstos neste Código;

VIII - Requerer a declaração de incompetência do Tribunal;

IX - Requerer a instauração de sindicância.

SEÇÃO II - DOS DEFENSORES PÚBLICOS

Art. 19 - São atribuições dos defensores públicos, além das


definidas no art. 12, incisos V, XIII e XV.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 335

I - Formalizar as providências e acompanhá-las em seus


trâmites, mantendo sua permanência, quando da atuação em Tribunais
Especiais, até o final do evento que ocorrerá pela homologação do
resultado da última partida ou prova, a não ser que haja liberação
mediante autorização expressa da Comissão Especial de Justiça
Desportiva;

II - Manifestar-se nos prazos;

III - Sustentar oralmente, durante as sessões, as razões de


defesa;

IV - Requerer vista dos autos;

V - Apresentar contra-razões aos recursos interpostos;

VI - Interpor recursos nos casos previstos neste Código;

VII - Requerer a declaração de incompetência do Tribunal;

VIII - Requerer a instauração de sindicância.

SEÇÃO III - DOS SECRETÁRIOS

Art. 20 - São atribuições dos secretários dos Tribunais além


das definidas no art. 12, incisos V, XIII e XV:

I - Receber, registrar, protocolar e autuar os termos da


denúncia, queixa e outros documentos enviados ao Tribunal e
encaminhá-los imediatamente, ao presidente do respectivo órgão, para
determinação procedimental;

II - Convocar os auditores para as sessões designadas, bem


como cumprir os atos de citações e intimações das partes, testemunhas e
outros, quando determinados;

III - Atender a todos os expedientes do Tribunal;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 336

IV - prestar às partes interessadas as informações relativas


ao andamento dos processos;

V - Ter em boa guarda, todo o arquivo da secretaria


constante de livros, papéis e processos;

VI - Expedir certidões por determinação do presidente;

VII - Receber, protocolar e registrar os recursos interpostos;

Parágrafo único - Aplica-se o disposto neste artigo ao


secretário do Tribunal de Recurso de Justiça Desportiva, naquilo em que
for pertinente.

TÍTULO III - DA COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS


DESPORTIVOS E ÓRGÃOS AUXILIARES

CAPÍTULO I - DA COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS


DESPORTIVOS

SEÇÃO I - DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL ESPECIAL DE


JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 21 - Compete ao Tribunal Especial de Justiça Desportiva


processar e julgar:

I - As pessoas físicas ou jurídicas que infringirem, durante a


realização do evento específico, sob a organização, coordenação e/ou
supervisão da Paraná Esporte, as disposições contidas neste Código e/ou
regulamento do evento;

II - Os embargos declaratórios interpostos sobre suas


decisões;

III - Os mandados de garantia, durante a realização dos


eventos;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 337

IV - As impugnações de partida ou prova, modalidade


coletiva ou individual, nos termos definidos neste código;

V - Os impedimentos opostos aos seus membros;

VI - Os casos omissos de natureza disciplinar, durante a


realização de evento específico.

SEÇÃO II - DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL PERMANENTE


DA JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 22 - Compete ao Tribunal Permanente de Justiça


Desportiva processar e julgar:

I - As irregularidades que infringirem as disposições deste


Código, cometidas por pessoas físicas ou jurídicas, quando os eventos
organizados, coordenados e/ou supervisionados pela Paraná Esporte não
estiverem ocorrendo, ou que decorram de evento específico, após o
encerramento dos trabalhos do Tribunal Especial de Justiça Desportiva;

II - Os embargos declaratórios interpostos sobre suas


decisões;

III - Os pedidos de reabilitação;

IV - Os mandados de garantia, sempre que o evento


específico não esteja se realizando;

V - Os impedimentos opostos aos seus membros.

VI - Os casos omissos de natureza disciplinar, ressalvada a


hipótese prevista no art.21, VI.

SEÇÃO II - DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DE RECURSOS


DE JUSTIÇA DESPORTIVA

Art. 23 - Compete ao Tribunal de Recursos de Justiça


Desportiva processar e julgar:
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 338

I - Os recursos interpostos às decisões do Tribunal Especial


de Justiça Desportiva e do Tribunal Permanente de Justiça Desportiva,
observadas as disposições deste código;

II - Os membros do Tribunal Especial de Justiça Desportiva


pela prática de infração prevista neste código;

III - Os embargos declaratórios interpostos sobre suas


decisões;

IV - Os conflitos de competência entre órgãos de Justiça


Desportiva;

V - Os recursos de revisão, de conformidade com as


disposições deste Código.

CAPÍTULO II - DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS AUXILIARES

SEÇÃO I - DA COMPETÊNCIA DA PROCURADORIA

Art. 24 - Compete à procuradoria promover a


responsabilidade das pessoas físicas, jurídicas ou equiparadas que
violarem as disposições deste Código e/ou regulamento de evento
específico e, a todo tempo, fiscalizar o cumprimento e execução das
normas desportivas.

SEÇÃO II - DA COMPETÊNCIA DA DEFENSORIA PÚBLICA

Art. 25 - Compete à defensoria pública promover o


assessoramento e a defesa dos direitos das pessoas físicas, jurídicas ou
equiparadas contra as quais for instaurado processo disciplinar ou pela
interposição de impugnação de partida ou prova, conforme o caso, desde
que não desconstituída, podendo atuar em conjunto com o defensor
constituído pela parte.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 339

SEÇÃO III - DA COMPETÊNCIA DA SECRETARIA

Art. 26 - Compete à secretaria dos Tribunais desportivos o


trabalho de execução cartorial dos atos e termos processuais.

Parágrafo único – Nas atividades cartoriais de organização e


funcionamento dos Tribunais Desportivos poderão ser utilizados serviços
de terceiros, mediante contrato ou convênio firmado entre a Paraná
Esporte e instituições públicas ou privadas. Caso haja necessidade dos
referidos serviços serem remunerados, tal encargo será de exclusiva
responsabilidade da Paraná Esporte.

TÍTULO IV - DO PROCESSO DESPORTIVO

CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 27 - O processo desportivo é o instrumento pelo qual os


órgãos judicantes aplicam o direito desportivo aos casos concretos, será
iniciado na forma prevista neste código e se desenvolverá por impulso
oficial.

Art. 28 - O processo desportivo orientar-se-á pelos princípios


da legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade, eficiência,
oficialidade, contraditório, ampla defesa, verdade real, oralidade,
l e a l d a d e , e c o n o m i a p ro c e s s u a l , d u p l o g ra u d e j u r i s d i ç ã o,
instrumentalidade das formas e supremacia do interesse público.

Art. 29 - O trâmite do processo desportivo respeitará os


procedimentos sumário ou especial, regendo-se ambos pelas disposições
que lhes são próprias e aplicando-se-lhes, subsidiariamente, os princípios
deste Código e os princípios gerais de direito processual.

§ 1º - O procedimento sumário destina-se aos processos


disciplinares.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 340

§ 2º - O procedimento especial destina-se ao mandado de


garantia, impugnação de partida ou prova e reabilitação.

CAPÍTULO II - DOS ATOS PROCESSUAIS

Art. 30 - Os atos do processo desportivo não dependem de


forma determinada senão quando este código expressamente a exigir,
reputando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a
finalidade essencial.

Art. 31 - Os atos do processo desportivo são públicos.


Correm, todavia, em segredo, os processos:

I - Em que o interesse público exigir, desde que assim


definido por decisão fundamentada do presidente do órgão judicante
competente para o julgamento;

II - Em que a demanda envolva interesse de criança ou


adolescente.

Parágrafo único - Nos processos desportivos que tramitarem


em segredo:

I - A comunicação pública deve ser feita de maneira cifrada,


permitindo a comunicação dos atos apenas às partes;

II - Dos acórdãos, será publicada apenas a conclusão;

III - Os membros dos órgãos judicantes e seus auxiliares, a


procuradoria, as partes e seus procuradores têm o dever de zelar pelo
sigilo de todo o contido no processo.

Art. 32 - Em todos os atos do processo é obrigatório o uso do


vernáculo.

Art. 33 - Todas as decisões serão redigidas, datadas e


assinadas pelos auditores que as proferirem. Quando forem proferidas
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 341

verbalmente, a secretaria as registrará, submetendo-as aos auditores


para revisão e assinatura.

Art. 34 - Os acórdãos serão proferidos com observância dos


seguintes requisitos essenciais:

I – O relatório, que conterá o nome das partes, a suma do


pedido e da resposta, bem como o registro das principais ocorrências
havidas no andamento do processo;

II – Os fundamentos, em que os auditores analisarão as


questões de fato e de direito;

III – O dispositivo, em que os auditores decidirão as


questões que fundamentaram o processo.

Parágrafo único - Todas as demais decisões proferidas no


curso do processo serão fundamentadas, ainda que de modo conciso.

Art. 35 - As decisões proferidas pelos Tribunais de Justiça


Desportiva órgãos da justiça desportiva devem ser, em qualquer hipótese,
motivadas e publicadas.

Art. 36 - Salvo disposição em contrário, a secretaria


encaminhará ao presidente do Tribunal todo o documento não
endereçado a um processo específico, para que seja definida sua
destinação.

Art. 37 - A secretaria numerará e rubricará todas as folhas


dos autos, assim como fará constar em notas datadas e rubricadas os
termos de juntada, vista, conclusão e outros semelhantes.

CAPÍTULO III - DOS PRAZOS

Art. 38 - Os atos relacionados ao processo desportivo


realizar-se-ão nos prazos legais previstos por este código e pelas normas
aplicáveis. Quando estes forem omissos, o presidente do órgão judicante
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 342

fixará os prazos de ofício, tendo em conta a complexidade da causa e do


ato a ser praticado.

§ 1º - Os prazos de ofício fixados pelos presidentes dos


Tribunais Especiais de Justiça Desportiva não poderão suplantar vinte e
quatro (24) horas.

§ 2º - Os prazos de ofício fixados pelos presidentes dos


Tribunais Permanente e de Recursos de Justiça Desportiva não poderão
suplantar quatro (04) dias.

§ 3º - Não havendo preceito normativo, nem fixação de


prazo pelo presidente do respectivo Tribunal, serão aplicados os prazos
máximos previstos nos parágrafos primeiro e segundo deste artigo, para
a prática de ato processual a cargo da parte.

Art. 39 - Salvo disposição em contrário e sempre que


aplicável, computar-se-ão os prazos excluindo o dia do começo e
incluindo o dia do vencimento.

§ 1º - Os prazos são contínuos, não se interrompendo ou


suspendendo nos dias feriados.

§ 2º - Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil


se o vencimento cair em dia em que não houver expediente normal na
sede do tribunal competente.

§ 2º - Salvo casos expressos, os prazos correrão da


intimação da parte ou de seu representante.

Art. 40 - Decorrido o prazo, extingue-se para a parte,


independentemente de declaração, o direito de praticar o ato.

Parágrafo único - O descumprimento dos prazos impróprios,


pelos auditores, árbitros, representantes das entidades de administração,
procuradores ou secretários, não acarreta nenhuma conseqüência
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 343

processual, mas sujeita o agente a processo disciplinar pela inobservância


injustificada.

Art. 41 - O prazo para o árbitro e, quando for o caso, para o


coordenador da modalidade entregar a súmula e o relatório na Comissão
Dirigente é de até duas (02) horas contadas do encerramento do período.

Art. 42 - O prazo para a Comissão Dirigente remeter a


súmula e o relatório, que consubstancie infrações, à procuradoria, é de
até duas (02) horas, contadas do seu recebimento.

Art. 43 - O prazo para a lavratura de acórdão é de vinte e


quatro (24) horas, contado da formalização da decisão.

Art. 44 - No caso de defensor constituído pela parte o prazo


para a juntada da procuração é de até setenta e duas (72) horas.

CAPÍTULO IV - DAS COMUNICAÇÕES DOS ATOS

Art. 45 - Citação é o ato processual pelo qual a pessoa física


ou jurídica é convocada para, perante os Tribunais de Justiça Desportiva,
comparecer e defender-se das acusações que lhe são imputadas.

Art. 46 - Intimação é o ato processual pelo qual se dá ciência


à pessoa física ou jurídica dos atos e termos do processo, para que faça
ou deixe de fazer alguma coisa.

Art. 47 - As citações ou intimações das pessoas físicas e


jurídicas far-se-ão pessoalmente, por telegrama, por telex, por fac-símile,
por ofício, por e-mail ou, excepcionalmente, por edital.

Parágrafo único - As citações e intimações das pessoas físicas


e jurídicas poderão ser dirigidas aos representantes credenciados das
delegações a que pertencem ou às entidades que os representam.

Art. 48 - O instrumento de citação indicará o nome do


citando, sua qualificação, a entidade a que estiver vinculado, dia, hora e
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 344

local de comparecimento, finalidade de sua convocação, cópia da decisão


que determinou a citação, prazo da defesa e a cominação, se houver.

Art. 49 - O instrumento de intimação indicará o nome do


intimando, sua qualificação, a entidade a que estiver vinculado, prazo
para realização do ato, finalidade de sua intimação e a cominação, se
houver.

Art. 50 - O citado que não apresentar defesa escrita ou oral,


pessoalmente ou através de defensor público ou particular, será
considerado revel, desde que seja desconstituída a defensoria pública.

Parágrafo único - A revelia importa, como conseqüência


jurídica, em confissão quanto à matéria de fato.

Art. 51 - O intimado que deixar de cumprir a ordem expedida


pelo órgão judicante fica sujeito às cominações previstas por este Código.

Art. 52 - O comparecimento espontâneo da parte supre a


falta ou a irregularidade da citação.

CAPÍTULO V - DAS NULIDADES

Art. 53 - Quando a norma prescrever determinada forma,


sem cominação de nulidade, o órgão judicante considerará válido o ato
se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.

Art. 54 - A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira


oportunidade em que couber à parte manifestar-se nos autos e só será
declarada se ficar constatada a inobservância ou violação dos princípios
que orientam o processo desportivo.

Parágrafo único – O presidente do Tribunal, ao declarar a


nulidade, definirá os atos atingidos, por termo nos autos, ordenando as
providências necessárias, a fim de que sejam repetidos ou retificados.

Art. 55 - A nulidade não será declarada:


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 345

I – Quando se tratar de mera inobservância de formalidade


não essencial, que impeça a busca da verdade;

II – Quando o processo, no mérito, puder ser resolvido a


favor da parte a quem a declaração de nulidade aproveitaria;

III – Em favor de quem lhe houver dado causa.

CAPÍTULO VI - DO LITISCONSÓRCIO E DA ASSISTÊNCIA

Art. 56 - Poderão figurar no processo desportivo, em


conjunto, no pólo ativo ou passivo da relação processual, duas ou mais
pessoas quando:

I – Entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações


relativas à demanda;

II – Os direitos ou as obrigações derivem do mesmo


fundamento de fato ou de direito.

Art. 57 - O terceiro que comprovar interesse jurídico no


resultado da causa poderá ser admitido a intervir no processo desportivo
para assistir quaisquer das partes.

Parágrafo único - O assistente pode ser admitido em


qualquer fase do procedimento, mas recebe o processo no estado em
que se encontra.

CAPÍTULO VII - DAS PROVAS

SEÇÃO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 58 - Todos os meios legais, bem como os moralmente


legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para
provar a verdade dos fatos alegados no processo desportivo.

Art. 59 - A prova dos fatos alegados no processo desportivo,


caberá à parte que os formular.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 346

Parágrafo único - Não dependem de prova os fatos:

I - Notórios;

II - Formulados por uma parte e confessados pela parte


contrária;

III - Que gozarem da presunção de veracidade.

Art. 60 - A súmula, o relatório do árbitro, auxiliares ou


coordenadores técnicos, bem como os relatórios elaborados pela
comissão organizadora ou membros da justiça desportiva gozarão da
presunção de veracidade.

§ 1º - A presunção de veracidade contida no “caput” deste


artigo não constitui verdade absoluta, podendo ser descaracterizada
durante a instrução.

§ 2º - Não se aplica o disposto neste artigo quando se tratar


de infração praticada pelos signatários dos respectivos documentos.

SEÇÃO II - DO DEPOIMENTO PESSOAL

Art. 61 - O presidente do Tribunal pode, de ofício ou a


requerimento da procuradoria ou da parte interessada, determinar o
comparecimento pessoal da(s) parte(s) a fim de interrogá-la sobre os
fatos da causa.

§ 1º - O depoimento pessoal deve ser, preferencialmente,


tomado no início da sessão de instrução e julgamento.

§ 2º - A parte será interrogada na forma determinada para


inquirição de testemunhas.

SEÇÃO III - DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 347

Art. 62 - O presidente do Tribunal poderá ordenar que a


parte ou pessoa vinculada ao evento exiba documento ou coisa que se
ache em seu poder.

Parágrafo único - Ao determinar a exibição, o presidente


individualizará o documento ou a coisa e determinará a razão da sua
apresentação.

SEÇÃO IV - DA PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL

Art. 63 - Compete à procuradoria ou à parte interessada


instruir suas peças processuais com os documentos destinados a provar-
lhes as alegações.

Parágrafo único - É lícito às partes, até o término da fase de


instrução, juntar aos autos documentos novos, destinados a fazer prova
dos fatos pertinentes à causa.

Art. 64 - O presidente do Tribunal requisitará às comissões


do evento, documentos de interesse da justiça desportiva.

SEÇÃO V - DA PRODUÇÃO DA PROVA TESTEMUNHAL

Art. 65 - A produção da prova testemunhal será sempre


admitida no processo desportivo, exceto quando o fato a ser provado,
depender, exclusivamente, de prova documental ou pericial.

Art. 66 - Podem depor como testemunhas todas as pessoas,


exceto os incapazes, impedidos ou suspeitos:

§ 1º - São incapazes:

I - O que, acometido por enfermidade, ou debilidade mental,


ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerní-los, ou, ao
tempo em que deve não está habilitado a transmitir as percepções;

II - O menor de catorze (14) anos;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 348

III - O cego e o surdo, quando a ciência do fato depender


dos sentidos que lhes faltam.

§ 2º - São impedidos o cônjuge, bem como o ascendente e o


descendente em qualquer grau, ou colateral, até o terceiro grau, de
alguma das partes, por consangüinidade ou afinidade, salvo se o exigir o
interesse público.

§ 3º - São suspeitos:

I - O condenado por crime de falso testemunho, havendo


transitado em julgado a sentença;

II - O que, por seus costumes, não for digno de fé;

III - O inimigo da parte, ou o seu amigo íntimo;

IV - O que tiver interesse na causa.

§ 4º - Quando o interesse do desporto o exigir, o tribunal


ouvirá testemunhas incapazes, impedidas ou suspeitas, mas não lhes
deferirá compromisso e dará aos seus depoimentos o valor que possam
merecer.

Art. 67 - A testemunha não é obrigada a depor sobre fatos a


cujo respeito, por estado ou profissão deva guardar sigilo.

Art. 68 - Incumbe à parte, até o início da sessão de instrução


e julgamento, apresentar o rol de testemunhas, qualificando-as.

§ 1º - É permitido a cada parte apresentar, no máximo três


(03) testemunhas.

§ 2º - Nos processos com mais de três (03) interessados, o


número de testemunhas não poderá exceder a nove (09).
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 349

§ 3º - As testemunhas arroladas poderão ser substituídas, a


critério da parte que as arrolou, até o início da sessão de instrução e
julgamento.

§ 4º - O Tribunal poderá, em casos excepcionais, ouvir


testemunhas devidamente arroladas, antes da sessão da instrução e
julgamento, desde que as partes interessadas tenham sido intimadas
para acompanhar o depoimento.

§ 5º - Nos processos de competência do Tribunal Especial de


Justiça Desportiva, as testemunhas arroladas, exceto as da procuradoria,
deverão comparecer independentemente de intimação, e só em casos
excepcionais, assim considerados pelo presidente do Tribunal, serão
intimadas.

SEÇÃO VI - DA PROVA PERICIAL

Art. 69 - A prova pericial consiste em exame e vistoria.

Parágrafo único - O presidente indeferirá a produção de


prova pericial quando:

I - O fato não depender do conhecimento especial de


técnico;

II - For desnecessária em vista de outras provas produzidas


ou passíveis de produção;

III - For impraticável;

IV - For requerida com fins meramente protelatórios.

Art. 70 - Sendo deferida a prova pericial, o presidente do


órgão nomeará o perito, fixará os quesitos e determinará o prazo para a
apresentação do laudo.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 350

§ 1º - É facultado às partes indicar assistente técnico e


formular quesitos.

§ 2º - A nomeação de peritos deverá, necessariamente recair


sobre agente público com qualificação técnica.

§ 3º - O prazo para conclusão do laudo será, nos processos


de competência do Tribunal Especial de Justiça Desportiva, de quarenta e
oito (48) horas e, nos processos de competência do Tribunal Permanente,
de setenta e duas (72) horas podendo o presidente prorrogá-lo a pedido
do perito, em casos excepcionais.

§ 4º - Os custos periciais recairão sobre a parte que


requisitá-la.

SEÇÃO VII - DA INSPEÇÃO

Art. 71 - O presidente do Tribunal, de ofício ou a


requerimento da procuradoria, pode, até o término da fase de instrução,
inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que
interesse à decisão da causa.

Parágrafo único - O presidente do Tribunal fará a inspeção


diretamente ou com o auxílio de pessoa habilitada.

Art. 72 - Concluída a inspeção, o presidente mandará lavrar


auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao
julgamento da causa.

CAPÍTULO VIII - DO PROCESSO DISCIPLINAR

SEÇÃO I - DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO

Art. 73 - O processo disciplinar será iniciado por:

I - Denúncia da procuradoria;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 351

II - Queixa da vítima, da parte interessada ou de quem tiver


qualidade para representá-las.

Art. 74 - A súmula e o relatório da arbitragem ou


coordenação de modalidade, que consubstanciem infração disciplinar,
serão encaminhados à procuradoria, por intermédio da Comissão
Dirigente, no prazo legal, para as providências cabíveis.

Art. 75 - Qualquer pessoa vinculada ao evento desportivo


poderá provocar a iniciativa da procuradoria, fornecendo-lhe informação
sobre o fato e a autoria, indicando o tempo, o lugar e os elementos de
convicção.

Art. 76 - A secretaria procederá o registro do documento,


encaminhando-o ao presidente.

Art. 77 - Ao receber informação, relatório ou queixa, o


presidente determinará, após autuação, a instauração de sindicância ou
encaminhará os documentos à procuradoria, para providências de
oferecimento de denúncia, emissão de parecer, requerimento de
diligências ou requerimento de instauração de sindicância.

Art. 78 - Se o órgão da procuradoria, ao invés de apresentar


a denúncia, requerer o arquivamento da informação, do relatório ou da
queixa, e o presidente considerar procedentes as razões invocadas,
determinará o arquivamento do processo, em decisão fundamentada.

Art. 79 - Se o órgão da procuradoria, ao invés de apresentar


a denúncia, requerer o arquivamento da informação, do relatório ou da
queixa, o presidente do Tribunal, no caso de considerar improcedentes as
razões invocadas, nomeará dentre os auditores um procurador ad hoc e
lhe fará remessa dos autos. O procurador ad hoc oferecerá a denúncia ou
insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o presidente
obrigado a atender.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 352

Art. 80 - A procuradoria poderá manter, aditar, retificar ou


opinar pelo arquivamento da queixa, assim como intervir em todos os
termos do processo iniciado pela queixa, fornecer elementos de prova,
manifestar-se na audiência de instrução e julgamento e interpor recursos.

Parágrafo único - A queixa será rejeitada nas seguintes


hipóteses:

I - O fato relatado não constituir infração;

II - Já estiver extinta a punibilidade.

Art. 81 - A denúncia ou a queixa serão dirigidas ao Tribunal


competente e conterão:

I - A qualificação do requerente;

II - Os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido;

III - As provas que o requerente pretende produzir;

IV - O requerimento para a citação do denunciado ou


querelado.

Art. 82 - Recebida a denúncia ou a queixa analisada pela


procuradoria, os autos serão conclusos ao presidente para:

I - Nomeação de relator;

II - Análise da incidência da suspensão preventiva, caso não


tenha sido determinada antes deste momento processual;

III - Designação de dia e hora da sessão de instrução e


julgamento;

IV - Determinação do cumprimento dos atos de comunicação


processual e demais providências cabíveis.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 353

Art. 83 - Cumpridos os atos de comunicação processual a


que se refere o artigo anterior, realizar-se-á a sessão de instrução e
julgamento.

SEÇÃO II - DA SINDICÂNCIA

Art. 84 - A sindicância tem por fim apurar a existência de


infração disciplinar e determinar a sua autoria, para subseqüente
instauração do processo disciplinar.

Parágrafo único - Só haverá instauração de sindicância, como


antecedente necessário do processo disciplinar, quando não for conhecida
a autoria ou os elementos necessários à identificação da infração.

Art. 85 - A instauração da sindicância será determinada de


ofício pelo presidente do Tribunal competente, a pedido da procuradoria
ou da parte interessada.

§ 1º - Ao formular o pedido de instauração de sindicância, a


procuradoria ou a parte interessada requererá as diligências necessárias e
a oitiva das testemunhas, se houver, sendo facultado ao presidente a
determinação de atos complementares.

§ 2º - Sendo a sindicância requerida pela parte interessada,


ouvir-se-á obrigatoriamente a procuradoria, que poderá:

I - Opinar pela rejeição da sindicância, caso a parte


interessada não apresente qualquer elemento prévio de convicção.

II - Acompanhar o feito até final conclusão.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 354

Art. 86 - Realizadas todas as diligências e ouvidas as


testemunhas, não havendo atos investigatórios remanescentes, a
sindicância será concluída por termo nos autos.

§ 1º - A sindicância deverá estar concluída no prazo de dez


dias a contar de sua instauração.

§ 2º - Concluída a sindicância na forma do caput, os autos


serão encaminhados à procuradoria para manifestação.

Art. 87 - Caracterizada qualquer infração e determinada sua


autoria, os autos de sindicância serão remetidos à procuradoria, para
formulação da denúncia.

Art. 88 - Não restando caracterizada infração ou determinada


a autoria, os autos de sindicância serão arquivados, por decisão
fundamentada do presidente do Tribunal.

SEÇÃO III - DA SUSPENSÃO PREVENTIVA

Art. 89 - Quando a decisão justificadamente não puder ser


proferida desde logo, mas houver indícios veementes contra pessoa física
pela prática de infração disciplinar, o presidente do tribunal competente
poderá suspendê-la, preventivamente, por prazo não superior a dez (10)
dias.

§ 1º - O prazo da suspensão preventiva, devidamente


cumprido, será comutado na suspensão definitiva.

§ 2 º - A s u s p e n s ã o p r e ve n t i va c o n s t i t u i m e d i d a
excepcionalíssima e requer análise criteriosa da sua necessidade, não
sendo suficiente a motivação decorrente de falta de planejamento na
organização da pauta de julgamento do Tribunal.

SEÇÃO IV - DA SESSÃO DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 355

Art. 90 - Nas sessões de instrução e julgamento será


observada a pauta previamente elaborada pela secretaria, de acordo com
a ordem numérica dos processos, ressalvados os processos especiais e os
pedidos de preferência das partes que estiverem presentes, com
prioridade para as que residirem fora da sede do órgão judicante.

Parágrafo único - As sessões de instrução e julgamento serão


públicas, podendo o presidente do órgão judicante, por motivo de ordem
ou segurança, determinar que a sessão seja secreta, garantida, porém, a
presença das partes e seus representantes.

Art. 91 - No dia e hora designados, definida a pauta e após


conferência do quorum, o presidente do Tribunal declarará aberta a
sessão de instrução e julgamento, mandando apregoar as partes.

Art. 92 - Os atos realizados durante a sessão de instrução e


julgamento serão reduzidos a termo, do qual constará apenas o
essencial.

Art. 93 - Em cada processo, antes de dar a palavra ao relator,


o presidente indagará das partes se tem provas a produzir, inclusive
testemunhais, mandando anotar as que forem indicadas, para os devidos
efeitos.

Art. 94 - Durante a sessão de instrução e julgamento, após a


apresentação do relatório, as provas serão produzidas na seguinte
ordem:

I - Provas cinematográficas ou de vídeo-tape;

II - Provas fonográficas;

III - Depoimento do querelante, se houver;

IV - Depoimento do denunciado;

V - Oitiva das testemunhas de acusação;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 356

VI - Oitiva das testemunhas de defesa.

§ 1º- É lícito às partes, até o término da fase de instrução,


juntar aos autos documentos novos, destinados a fazer prova dos fatos
pertinentes à causa.

§ 2º- Se presentes razões de interesse público, o presidente


do Tribunal poderá proceder a inversão da produção de provas,
declinando as razões da providência e a ordem a ser adotada.

Art. 95 - Concluída a fase instrutória, com a produção das


provas deferidas, será dado o prazo de dez (10) minutos,
sucessivamente, à procuradoria e cada uma das partes, para as suas
razões finais.

§ 1º- Quando duas ou mais partes forem representadas pelo


mesmo defensor, o prazo de razões finais será de vinte minutos.

§ 2º- Em casos especiais, poderão ser prorrogados os prazos


previstos neste artigo.

Art. 96 - O presidente, encerrados os debates, indagará dos


auditores se estão em condições de votar e, no caso afirmativo, dará a
palavra ao relator para proferir o seu voto.

§ 1º- Se algum dos auditores pretender esclarecimento, este


lhe será dado pelo relator.

§ 2º- As diligências propostas por qualquer auditor e


deferidas pelo presidente do Tribunal, quando não puderem ser
cumpridas desde logo, adiarão o julgamento para a sessão seguinte.

Art. 97 - Após o voto do relator, votarão, por ordem


determinada pelo presidente do Tribunal, os auditores efetivos e, em
seguida, quando for o caso, os auditores substitutos, votando por último
o presidente.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 357

Art. 98 - O auditor, na oportunidade de proferir o seu voto,


poderá pedir vista do processo e, quando mais de um o fizer, a vista será
comum.

§ 1º- O pedido de vista, porém, não impedirá que o processo


seja julgado na mesma sessão, após o tempo concedido pelo presidente
para a vista pedida.

§ 2º- É vedado aos auditores, mesmo que entre si, a


discussão sobre suas razões de convencimento antes da prolação dos
votos.

Art. 99 - O auditor pode, sem ser interrompido, usar da


palavra 2 (duas) vezes sobre a matéria em julgamento, inclusive para
modificação de voto.

Art. 100 - Os auditores presentes à sessão e que hajam


assistido ao relatório serão obrigados a votar.

Parágrafo único - Não poderá votar o auditor que não tenha


assistido ao relatório.

Art. 101 - Os votos dos auditores devem ser


fundamentados..

Art. 102 - Nos casos de empate na votação para tipicação do


fato, ao presidente é atribuído o voto de qualidade, desde que o voto do
presidente não seja divergente dos votos empatados.

Parágrafo único – Na hipótese do presidente proferir voto


divergente dos votos empatados, ao auditor relator será atribuído o voto
de qualidade.

Art. 103 - Quando, na votação para a aplicação da pena, não


se verificar maioria, em virtude da diversidade de votos, considerar-se-á o
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 358

auditor que houver votado por pena maior como tendo votado pela pena
em concreto imediatamente inferior.

Art. 104 - Proclamado o resultado do julgamento, a decisão


produzirá efeitos imediatos, independentemente da presença das partes
ou de seus procuradores, desde que regularmente comunicados para a
sessão de julgamento.

Art. 105 - Compete ao auditor relator ou àquele que proferiu


o voto vencedor, na própria assentada de julgamento, fazer a redação,
ainda que sucinta, dos fundamentos da decisão, que será, então,
proclamada pelo presidente.

Art. 106 - A lavratura do acórdão será de responsabilidade do


auditor relator, a ser elaborada no prazo máximo de 24 (vinte e quatro)
horas da formalização da decisão e conterá, minimamente, a ementa,
síntese das razões finais da defesa e procuradoria, voto vencedor, voto
divergente (se for o caso) e a decisão.

§ 1º - O registro da punição, quando aplicada, será efetuado


no quadro de punições ou documento equivalente.

§ 2º - A data de início para cumprimento da pena ocorrerá a


partir da data do julgamento do processo disciplinar, ou, da data de
ocorrência do fato se assim dispuser expressamente o presidente do
respectivo órgão judicante.

§ 3º - A data de início de nova punição para denunciados


em cumprimento de pena, deverá ser assentada em data imediatamente
posterior ao término da última punição aplicada.

CAPÍTULO IX - DOS PROCESSOS ESPECIAIS

SEÇÃO I - DO PROCEDIMENTO ESPECIAL


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 359

Art. 107. Consideram-se processos especiais a reabilitação, o


mandado de garantia e a impugnação de partida ou prova, respeitados os
procedimentos estabelecidos nas seções seguintes.

SEÇÃO II - DA REABILITAÇÃO

Art. 108 - O desportista que houver sofrido pena de


eliminação poderá pedir reabilitação ao Tribunal Permanente de Justiça
Desportiva, instruindo o pedido com a documentação que julgar
conveniente e, obrigatoriamente, com a prova do exercício de profissão
ou atividade escolar e com a declaração de quatro (04) pessoas de
notória idoneidade vinculadas ao desporto, que atestem plenamente as
suas condições de reabilitação.

§ 1º - O requerimento de reabilitação só poderá ser


formulado decorridos dois (02) anos após o trânsito em julgado da
decisão.

§ 2º - A reabilitação só será concedida uma única vez.

Art. 109 - Recebido o requerimento, será concedido vistas à


procuradoria pelo prazo de cinco (05) dias, para emitir parecer, sendo os
autos, em seguida, incluídos em pauta para julgamento.

SEÇÃO III - DO MANDADO DE GARANTIA

Art. 110 - Conceder-se-á mandado de garantia sempre que,


ilegalmente ou com abuso de poder, alguém sofrer violação de direito
líquido e certo ou tenha justo receio de sofrê-la, por parte de qualquer
autoridade desportiva.

Parágrafo único - Para efeitos deste Código, considera-se


autoridade desportiva, qualquer pessoa física que detenha poder
decisório em qualquer função durante o evento.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 360

Art. 111 - Não se concederá mandado de garantia tendo por


objeto:

I - Ato ou decisão da Justiça Desportiva quando houver


recurso previsto neste Código;

II - A suspensão de pena disciplinar.

Art. 112 - A petição inicial, dirigida ao presidente do Tribunal,


será apresentada em duas vias, com os documentos que a instruírem.

Parágrafo único - Após a apresentação da petição, não


poderão ser juntados novos documentos nem aduzidas novas razões.

Art. 113 - Ao despachar a inicial, o presidente do Tribunal


ordenará que se notifique a autoridade coatora, à qual será enviada uma
das vias da petição inicial, juntamente com cópia dos documentos, a fim
de que preste informações no prazo fixado pelo presidente do órgão, que
será de cinco (05) dias nos processos de competência do Tribunal
Permanente de Justiça Desportiva e de vinte e quatro (24) horas nos de
competência do Tribunal Especial de Justiça Desportiva.

Art. 114 - Em caso de urgência, será permitido, observados


os requisitos deste Código, impetrar mandado de garantia por telegrama,
fac-símile, telex ou e-mail, podendo o presidente do Tribunal, pela
mesma forma, determinar a notificação da autoridade coatora.

Art. 115 - Quando for relevante o fundamento do pedido, e a


demora possa tornar ineficaz a medida, o presidente do Tribunal, ao
despachar a inicial, poderá conceder medida liminar.

Parágrafo único - Não caberá concessão de liminar sempre


que se tratar de pedido que venha, de qualquer modo, alterar tabela ou a
realização de eventos oficiais.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 361

Art. 116 - A inicial será desde logo indeferida quando não for
caso de mandado de garantia ou quando lhe faltar algum dos requisitos
previstos neste código.

Parágrafo único - Do despacho de indeferimento do mandado


caberá recurso sem efeito suspensivo para o Tribunal competente.

Art. 117 - Findo o prazo para apresentação de informações, o


presidente do tribunal concederá vista ao procurador para pronunciar-se.

§ 1º - Restituídos os autos do processo pelo procurador, será


designada sessão de julgamento, tenham ou não sido prestadas as
informações requeridas à autoridade coatora.

§ 2º - O presidente do Tribunal, para o julgamento do


mandado de garantia impetrado, poderá convocar, se necessário, sessão
extraordinária.

Art. 118 - Os processos de mandado de garantia têm


prioridade sobre os demais.

Art. 119 - O mandado de garantia poderá ser renovado se a


decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito.

SEÇÃO IV - DA IMPUGNAÇÃO DE PARTIDA OU PROVA

Art. 120 - É admitida a impugnação de partida ou prova, ou


alteração de seu resultado, de conformidade com o procedimento
adotado neste capítulo.

Art. 121 - O pedido de impugnação de partida, modalidade


coletiva ou o seu resultado, será dirigido ao Tribunal competente, em
duas vias de igual teor e forma e, obrigatoriamente, subscrito pelo chefe
de delegação da autoridade requerente, no prazo de até duas (02) horas
a contar do encerramento da partida.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 362

§ 1º - Protocolado e registrado o pedido de impugnação no


Tribunal competente, os autos serão remetidos, em caráter de urgência,
ao presidente do órgão, que imediatamente dará vistas ao procurador
para emitir parecer, sendo em seguida incluído em pauta para
julgamento, em sessão ordinária, se possível, ou extraordinária.

§ 2º - Processado o feito, o Tribunal decidirá, em caráter


irrecorrível.

Art. 122 - O pedido de impugnação de prova ou partida,


modalidade individual ou o seu resultado, será dirigido à Junta de
Decisão, verbalmente ou por escrito e, obrigatoriamente, formulada pelo
técnico responsável pela equipe, no prazo de até uma (01) hora, a contar
do anúncio oficial do resultado.

§ 1º - A Junta de Decisão a que alude o “caput” deste artigo


é constituída de três (03) membros efetivos e um (01) suplente.

§ 2º - A constituição de que trata o parágrafo 1º deste


artigo, recairá sobre o coordenador de modalidade, um (01)
representante da Justiça Desportiva e dois (02) técnicos escolhidos entre
seus pares, sendo um (01) efetivo e outro suplente.

§ 3º - A escolha dos técnicos que integrarão a Junta de


Decisão será renovada no início de cada período de realização da
modalidade, não sendo vedada a recondução dos mesmos técnicos para
os períodos subseqüentes.

§ 4º - Formulada a impugnação, a Junta decidirá de


conformidade com as leis e normas pertinentes podendo, após sua
decisão, o legitimamente interessado formular impugnação ao Tribunal
competente, que decidirá em caráter irrecorrível.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 363

Art. 123 - São partes legítimas para formular impugnação a


entidade diretamente lesada ou terceira que tenha legítimo e comprovado
interesse.

Art. 124 - O pedido de impugnação será liminarmente


indeferido pelo presidente do Tribunal ou pelo menos da Junta de
Decisão; se manifesta a ilegitimidade do requerente; se desacompanhada
da taxa prevista no Art. 125 ou se formulado fora do prazo legal.

Art. 125 - O impugnante de partida ou prova, ou de seu


resultado, juntamente com a formulação do pedido de impugnação,
recolherá a taxa correspondente de r$ 100,00 (cem reais), que será
devolvida se julgada procedente a impugnação.

Parágrafo único - A taxa para impugnação a que alude o


“caput” deste artigo, será devida sem exceção, por todos os participantes
dos eventos organizados, coordenados e/ou supervisionados pela Paraná
Esporte. No caso de impugnação formulada ao Tribunal competente, após
a apreciação da Junta de Decisão, conforme o parágrafo 4º do art.97, a
taxa deverá ser cobrada novamente e em dobro.

TÍTULO VI - DOS RECURSOS

CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 126 - São cabíveis os seguintes recursos:

I - Ordinário;

II - Revisão;

III - Embargos declaratórios.

Parágrafo único - As decisões do Tribunal de Recursos de


Justiça Desportiva são irrecorríveis, à exceção do recurso previsto no
inciso III deste artigo.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 364

Art. 127 - Os recursos serão interpostos, por petição escrita,


de ofício, pela parte vencida, por terceiro interessado e pela procuradoria
e conterão:

I - A qualificação do recorrente;

II - Os fundamentos do pedido;

III - O requerimento.

Parágrafo único - A procuradoria não poderá desistir do


recurso por ela interposto.

Art. 128 - Os recursos ordinários são:

I - Necessário, quando interposto por determinação do


presidente do Tribunal na própria decisão, nos casos previstos neste
código;

II - Voluntário, quando interposto pela parte vencida, terceiro


interessado ou a procuradoria, até o final do evento, nos processos de
competência do Tribunal Especial de Justiça Desportiva, e no prazo de
setenta e duas (72) horas, nos processos de competência do Tribunal
Permanente de Justiça Desportiva.

§ 1º - 0 prazo para interposição do recurso voluntário,


contar-se-á da publicação da decisão.

§ 2º - A interposição de recurso será gratuita.

§ 3º - Os recursos serão recebidos no efeito meramente


devolutivo, e jamais no efeito suspensivo.

Art. 129 - Interposto o recurso voluntário, o presidente do


Tribunal concederá ao recorrido, o prazo de quarenta e oito (48) horas,
nos processos de competência do Tribunal Especial de Justiça Desportiva
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 365

e setenta e duas (72) horas, nos processos de competência do Tribunal


Permanente de Justiça Desportiva, para as contra-razões.

Art. 130 - Decorrido o prazo de que trata o artigo anterior, os


autos do processo serão remetidos ao Tribunal de Recursos de Justiça
Desportiva.

Art. 131 - No recurso voluntário, salvo se interposto pela


procuradoria ou pelo querelante, a penalidade não poderá ser agravada.

Art. 132 - O recurso devolve à instância superior o


conhecimento de toda a matéria discutida no processo, salvo quando só
tiver por objeto parte da decisão.

Art. 133 - O conhecimento do recurso não será prejudicado


pela falta de fundamentação jurídica ou fática.

CAPÍTULO II - DO RECURSO NECESSÁRIO

Art. 134 - Cabe recurso necessário da decisão:

I - Que comine pena de eliminação;

II - Que julgue processo de falsidades, corrupção, concussão


ou prevaricação;

III - Que condene membro de órgão da Justiça Desportiva ou


pessoa vinculada à Paraná Esporte.

CAPÍTULO III - DO RECURSO VOLUNTÁRIO

Art. 135 - Caberá recurso voluntário de qualquer decisão


definitiva dos Tribunais de Justiça Desportiva de primeiro (1º) grau,
excetuados os casos expressamente previstos neste Código.

CAPÍTULO IV - DO RECURSO DE REVISÃO

Art. 136 - A revisão dos processos findos será admitida:


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 366

I - Quando a decisão houver resultado de manifesto erro de


fato ou de falsa prova;

II - Quando a decisão tiver sido proferida contra literal


disposição de lei ou contra evidência da prova contida nos autos;

III - Quando, após a decisão, se descobrirem provas da


inocência do punido.

Art. 137 - A revisão é admissível até cinco (05) anos após o


trânsito em julgado da decisão condenatória.

Parágrafo único - A renovação do recurso de revisão só será


admitida, tendo por objeto o mesmo pedido, se fundada em novas
provas.

Art. 138 - O recurso de revisão só poderá ser interposto pelo


punido ou seu representante, que deverá formulá-lo de conformidade
com o Art. 127.

Art. 139 - O Tribunal, julgando procedente o recurso de


revisão, poderá alterar a classificação da infração, absolver o recorrente,
modificar a pena imposta ou anular o processo.

Parágrafo único - Em nenhum caso poderá ser agravada, no


mesmo processo, a pena imposta na decisão revista.

Art. 140 - É obrigatória, nos pedidos de revisão, a


intervenção da procuradoria.

CAPÍTULO V - DO RECURSO DE EMBARGOS


DECLARATÓRIOS

Art. 141 - Cabe recurso de declaração quando:

I - Há na decisão obscuridade, dúvida ou contradição;


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 367

II - For omitido ponto sobre o que devia o Tribunal


pronunciar-se.

Art. 142 - Os embargos de declaração poderão ser


interpostos no prazo de até 04 (quatro) horas do anúncio da decisão e
suspenderão o prazo para a interposição de outros recursos.

CAPÍTULO VI - DO JULGAMENTO DOS RECURSOS

Art. 143 - Os recursos serão julgados pela instância superior,


de acordo com a competência fixada neste Código, excetuados os
embargos declaratórios, que serão processados e julgados pelo Tribunal
que proferir a decisão sobre a qual foi interposto o recurso.

Art. 144 - Protocolado o recurso na secretaria do Tribunal de


origem, será o mesmo juntado aos autos e, em seguida, concedida vistas
ao recorrido, por quarenta e oito (48) horas nos processos de
competência do Tribunal Especial de Justiça Desportiva e setenta e duas
(72) horas nos processos de competência do Tribunal Permanente de
Justiça Desportiva, para as suas contra-razões.

Parágrafo único - Excetua-se do disposto neste artigo os


embargos declaratórios, que serão julgados imediatamente pelo Tribunal.

Art. 145 - Decorridos os prazos fixados no artigo anterior, os


autos serão remetidos, através de despacho, ao Tribunal de Recursos de
Justiça Desportiva.

Art. 146 - Registrado o recurso na secretaria do Tribunal de


Recursos de Justiça Desportiva, os autos serão conclusos ao presidente
para designação do relator e sessão de julgamento.

Art. 147 - A secretaria, em seguida, intimará as partes da


sessão de julgamento, com antecedência mínima de quarenta e oito (48)
horas.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 368

Art. 148 - Declarada aberta a sessão de julgamento, o


presidente, após a manifestação do auditor relator, concederá quinze (15)
minutos, inicialmente, ao recorrente e, em seguida, ao recorrido para
sustentação oral de suas razões, incontinente serão proferidos os votos a
partir do relator.

§ 1º - Em grau de recurso não será admitida a produção de


novas provas ou de qualquer forma de instrução processual.

§ 2º - O prazo para sustentação oral, previsto neste artigo,


poderá ser prorrogado, a critério do presidente.

Art. 149 - Proferidos os votos, o presidente determinará a


lavratura do acórdão.

Parágrafo único – A decisão que resultar em minoração da


pena anteriormente imposta, esta será computada a partir da data de
início da punição registrada no respectivo quadro de punições ou
documento equivalente.

LIVRO II

DAS MEDIDAS DISCIPLINARES

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 150 - É punível toda infração disciplinar, ressalvadas as


hipóteses legais.

Art. 151 - Ninguém será punido por fato que lei posterior
deixe de considerar infração disciplinar, cessando em virtude dela a
execução e os efeitos da punição.

§ 1º - A lei posterior que, de outro modo favoreça o infrator,


aplica-se ao fato não definitivamente julgado.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 369

§ 2º - A lei posterior que comine pena menos rigorosa aplica-


se ao fato julgado por decisão irrecorrível.

Art. 152 - Considera-se praticada a infração no momento da


ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

TÍTULO II - DA INFRAÇÃO

Art. 153 - Infração disciplinar é toda ação ou omissão anti-


desportiva, típica e culpável.

Parágrafo único - A omissão é juridicamente relevante


quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de
agir incumbe precipuamente a quem:

A) Tenha por ofício a obrigação de velar pela disciplina ou


coibir violências ou animosidades;

B) Com seu comportamento anterior, criou o risco da


ocorrência do resultado.

Art. 154 - Diz-se a infração:

I - Consumada, quando nela se reúnem todos os elementos


de sua definição;

II - Tentada, quando iniciada a execução, não se consuma


por circunstâncias alheias à vontade do agente.

§ 1º - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa


com a pena correspondente à infração consumada, diminuída de dois
terços (2/3).

§ 2º - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia


absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível
consumar-se a infração.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 370

Art. 155 - O agente que, voluntariamente, desiste de


prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só
responde pelos atos já praticados.

Art. 156 - Diz-se a infração:

I - Dolosa, quando o agente quis o resultado ou assumiu o


risco de produzi-lo;

II - Culposa, quando o agente deu causa ao resultado por


imprudência, negligência ou imperícia.

Art. 157 - O erro quanto à pessoa contra a qual a infração é


praticada não isenta de pena.

Art. 158 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em


estrita obediência à ordem, não manifestamente ilegais, de superior
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

Art. 159 - Não há infração quando o agente pratica o fato:

I - Em estado de necessidade;

II - Em estrito cumprimento de dever de ofício;

III - Em legítima defesa;

IV - No exercício regular do direito.

Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste


artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.

TÍTULO III - DA RESPONSABILIDADE DESPORTIVA

Art. 160 - É isento de punição o agente que, por doença


mental era, ao tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato.

Parágrafo único - a irresponsabilidade só será reconhecida,


pelo tribunal, se houver prova médica que ateste a debilidade mental.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 371

Art. 161 - Os menores de quatorze (14) anos são


considerados desportivamente irresponsáveis na referida competição,
ficando apenas sujeitos à orientação de caráter pedagógico.

Parágrafo único - Nos casos de reincidência da prática de


infração disciplinar por atletas desportivamente irresponsáveis,
responderá o seu técnico ou representante legal na respectiva
competição, caso não tenham sido adotadas as medidas cabíveis para
orientar e coibir novas infrações.

Art. 162 - Excetuadas as hipóteses acima, não será


reconhecida qualquer outra espécie de irresponsabilidade desportiva.

TÍTULO IV - DA ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Art. 163 - Os atletas desportivamente irresponsáveis que


praticarem qualquer infração disciplinar na referida competição,
receberão apenas orientação pedagógica, a ser ministrada por comissão
de ética, profissional habilitado e/ou técnico responsável.

Parágrafo único – A Comissão de Ética seguirá


procedimentos constantes de regulamento específico, observadas as
normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e outras leis
pertinentes.

TÍTULO V - DO CONCURSO DE PESSOAS

Art. 164 - Quem, de qualquer modo, concorre para a


infração, incide nas penas a esta cominadas, na medida de sua
culpabilidade.

Parágrafo único - Se a participação for de menor importância,


a pena pode ser diminuída até a metade.

TÍTULO VI – DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

Art. 165 - Extingue-se a punibilidade:


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 372

I - Pela morte do infrator;

II - Pela retroatividade da lei que não mais considera o fato


como infração;

III - Pela prescrição ou perempção;

IV - Pelo cumprimento da penalidade;

V - Pela reabilitação.

Art. 166 - Prescreve a ação em dois (02) anos, contados da


data do fato ou, nos casos de falsidade ideológica ou material, e nas
infrações permanentes ou continuadas, contados do conhecimento da
falsidade ou da cessação da permanência ou continuidade.

Art. 167 - Prescreve a condenação, igualmente, em dois (02)


anos, quando não executada, a contar da data que transitou em julgado
a decisão.

Art. 168 - Ocorre a perempção quando o querelante deixa o


processo paralisado por mais de trinta (30) dias.

Art. 169 - Interrompe a prescrição:

I - Pelo recebimento da denúncia ou queixa;

II - Pela instauração de sindicância;

III - Pela decisão condenatória.

Parágrafo único - Interrompida a prescrição, todo o prazo


começa a correr, novamente, do dia da interrupção.

TÍTULO VII - DAS PENALIDADES

CAPÍTULO I - DAS ESPÉCIES DE PENALIDADES

Art. 170 - As infrações disciplinares previstas neste Código,


tem como conseqüência as seguintes penalidades:
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 373

I - Multa;

II - Suspensão por prazo;

III - Perda de mandato;

IV - Indenização;

V - Eliminação.

Art. 171 - Aplicar-se-á a pena de multa, cumulativa ou não,


aos casos de infração que resultem em danos a terceiros, à Paraná
Esporte e órgãos públicos desportivos.

Parágrafo único - A pena de multa proferida pelos órgãos


judicantes, contra pessoas jurídicas, serão estabelecidas de acordo com a
modalidade e sexo, à exceção dos casos previstos no parágrafo único do
Art. 245.

Art. 172 - A suspensão por prazo priva a pessoa física ou


jurídica de participar de qualquer evento esportivo pelo prazo fixado na
decisão.

§ 1º - A pessoa física a que se refere o “caput” não terá


acesso aos recintos reservados tanto de praças desportivas, como de
alojamentos, refeitórios, vestiários e demais locais destinados direta ou
indiretamente para o evento, além de não poder exercer qualquer função
ou cargo nas entidades participantes e comissões do evento e a
suspensão é extensiva a todas as competições, independente da faixa
etária, sexo, modalidade ou função.

§ 2º - A suspensão proferida contra as pessoas jurídicas,


serão estabelecidas de acordo com a modalidade e sexo, nas
competições dos jogos em que foram punidas.

Art. 173 - A perda de mandato priva a pessoa jurídica ou


equiparada de sediar ou, juntamente com a Paraná Esporte, organizar,
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 374

coordenar e/ou supervisionar eventos esportivos, pelo prazo fixado na


decisão.

Art. 174 - A indenização constitui a reparação pecuniária


imposta às pessoas físicas ou jurídicas, que causem prejuízo de ordem
patrimonial ou financeira a terceiros, à Paraná Esporte e órgãos
desportivos.

§ 1º - O não pagamento da indenização prevista no “caput”


deste artigo, implicará na pena de suspensão enquanto não liquidada a
obrigação, independente das medidas judiciais cabíveis.

§ 2º - A entidade a que pertencer o desportista, responde


subsidiariamente.

Art. 175 - A penalidade de eliminação implica no afastamento


permanente das pessoas físicas da participação nos eventos desportivos
sob a organização, coordenação e/ou supervisão da Paraná Esporte, salvo
por força de reabilitação.

Parágrafo único - É vedada a eliminação de pessoas jurídicas


ou equiparadas.

CAPÍTULO II - DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE

Art. 176 - O auditor, na fixação das penalidades entre limites


mínimos e máximos, levará em conta a gravidade da infração, a sua
maior ou menor extensão, os meios empregados, os motivos
determinantes e os antecedentes desportivos do infrator.

Art. 177 – O Tribunal, na fixação das penalidades,


considerará a pena base aplicada, as circunstâncias agravantes e
atenuantes e as causas de aumento e diminuição de pena.

Art. 178 - São circunstâncias que agravam a penalidade a ser


aplicada:
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 375

I - Ter sido praticada com o concurso de outrem;

II - Ter sido praticada com o uso de arma;

III - Ter causado prejuízo patrimonial ou financeiro;

IV - Ser o infrator, membro ou auxiliar da justiça desportiva,


técnico ou capitão da equipe, dirigente de entidade, membro do
município sede ou integrante de órgão ou comissão vinculada ao evento;

V - Ser o infrator reincidente.

§ 1º - Verifica-se a reincidência quando o infrator comete


nova infração, depois de transitar em julgado a decisão que haja punido
anteriormente.

§ 2º - Para efeito de reincidência, não prevalece a


condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou execução da
pena e a infração posterior tiver ocorrido período de tempo superior a
três (03) anos.

Art. 179 - São circunstâncias que sempre atenuam a


penalidade a ser imposta:

I - Ser o infrator menor de dezoito (18) anos, na data da


infração;

II - Ter o infrator prestado relevantes serviços ao desporto


estadual ou nacional;

III - Ter sido o infrator agraciado com prêmio conferido na


forma das leis do desporto;

IV - Não ter o infrator sofrido qualquer punição nos três (03)


anos, imediatamente anteriores à data do julgamento.

Art. 180 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena


deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 376

preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam da gravidade


da infração, os motivos determinantes, personalidade do infrator e
reincidência.

Art. 181 - A pena será fixada atendendo-se ao critério fixado


no art. 176 deste código. Em seguida serão consideradas as
circunstâncias atenuantes e agravantes, bem como as causas de
aumento e de diminuição da pena, se houver, sendo, neste último caso, o
cômputo de responsabilidade do presidente do respectivo Tribunal.

§ 1º - Se houver equivalência entre agravantes e atenuantes,


o Tribunal não considerará qualquer delas.

§ 2º - Preponderando causa agravante ou atenuante, a pena


base será aumentada ou diminuída em até um terço (1/3), exceto se já
houver causa de aumento ou diminuição prevista para a infração, desde
que o quantum final não suplante o máximo ou diminua o mínimo
previsto.

Art. 182 - Sendo considerada gravíssima a infração praticada,


poderá o Tribunal aplicar a penalidade de eliminação, independente da
cominada na respectiva infração.

Art. 183 - Quando o agente mediante uma única ação,


pratica duas ou mais infrações, aplica-se a pena maior aumentada de um
terço (1/3).

Art. 184 - Quando o agente mediante mais de uma ação ou


omissão, pratica duas ou mais infrações, aplicam-se cumulativamente as
penas.

TÍTULO VIII - DAS INFRAÇÕES CONTRA PESSOAS

CAPÍTULO I - DAS AGRESSÕES FÍSICAS

Art. 185 - Praticar agressão física:


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 377

I - Contra pessoa subordinada ou vinculada a delegações


desportivas, equipe de arbitragem ou comissões do evento, por fato
ligado ao desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 09 meses a 02 anos.

II - Contra membros das entidades ou órgãos promotores, da


justiça desportiva, autoridades públicas ou desportivas, por fato ligado ao
desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

CAPÍTULO II - DAS OFENSAS MORAIS

Art. 186 - Ofender moralmente:

I - Pessoa subordinada ou vinculada às delegações


desportivas, equipe de arbitragem ou comissões do evento por fato
ligado ao desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

II - Os membros das entidades ou órgãos promotores, da


justiça desportiva e autoridades públicas ou desportivas, por fato ligado
ao desporto.

PENA: Suspensão pelo prazo de 09 meses a 02 anos.

Parágrafo único - A ofensa moral, quando revelar


preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, etnia, condição de pessoa
idosa ou portadora de deficiência e quaisquer outras formas de
discriminação, será punida com suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

CAPÍTULO III - DAS INFRAÇÕES CONTRA A LIBERDADE


INDIVIDUAL
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 378

Art. 187 - Constranger alguém, mediante violência, grave


ameaça ou por qualquer outro meio, a não fazer o que a lei permite ou a
fazer o que ela proíbe.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

Parágrafo único - A pena será majorada em até dois terços


(2/3) quando, para a execução da infração se reúnem mais de duas
pessoas, ou há emprego de armas.

Art. 188 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gestos ou


por qualquer outro meio causar-lhe mal injusto ou grave.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

CAPÍTULO IV - DA RIXA

Art. 189 - Participar de rixa, salvo para separar os


contendores.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

TÍTULO IX - DAS INFRAÇÕES CONTRA O PATRIMÔNIO


DESPORTIVO

CAPÍTULO I - DA SUBTRAÇÃO

Art. 190 - Subtrair, para si ou para outrem, bem pertencente


ao patrimônio desportivo, com ou sem emprego de violência.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses e indenização


do(s) bem(s) subtraído(s).

CAPÍTULO II - DO DANO

Art. 191 - Danificar, destruir, inutilizar ou deteriorar bem


desportivo, por natureza ou destinação, de que tenha ou não posse ou
detenção.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 379

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses e indenização


dos danos causados.

CAPÍTULO III - DA APROPRIAÇÃO INDEVIDA

Art. 192 - Apropriar-se de bem de natureza desportiva, de


que tenha a posse ou a detenção.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses e indenização


de bem apropriado.

TÍTULO X - DAS INFRAÇÕES CONTRA A PAZ E MORALIDADE


DESPORTIVA

Art. 193 - Incitar publicamente a prática de infração.

PENA: Suspensão pelo prazo de 03 meses a 01 ano.

Art. 194 - Assumir atitude contrária à disciplina ou à moral


desportiva, em relação a qualquer pessoa vinculada direta ou
indiretamente ao evento desportivo.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 364 dias.

Parágrafo único – A pessoa jurídica cuja torcida manifestar


preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, etnia, condição de pessoa
idosa ou portadora de deficiência e quaisquer outras formas de
discriminação, será punida com suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

TÍTULO XI - DAS INFRAÇÕES CONTRA A FÉ DESPORTIVA

CAPÍTULO I - DAS FALSIDADES

Art. 195 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público


ou particular, omitir declaração que nele deveria constar, inserir ou fazer
inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, para o fim
de usá-lo perante os órgãos desportivos.

PENA: Eliminação.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 380

Parágrafo único - Nas mesmas penas incorrerá quem fizer o


uso do documento falsificado, conhecendo-lhe a falsidade.

Art. 196 - Atestar, certificar ou omitir, em razão da função,


fato ou circunstância que habilite o atleta a obter registro, inscrição,
transferência ou qualquer vantagem indevida.

PENA: Eliminação.

Art. 197 - Usar como próprio qualquer documento de


identidade de outrem ou ceder a outrem para que dele se utilize.

PENA: Eliminação.

Art. 198 - Obter, perante a Paraná Esporte, para si ou para


outrem, vantagem indevida, mediante artifício ardil.

PENA: Eliminação.

C A P Í T U L O I I - D A C O R R U P Ç Ã O, C O N C U S S Ã O E
PREVARICAÇÃO

Art. 199 - Dar ou prometer vantagem indevida a quem


exerça função de natureza desportiva, para que pratique, omita, ou
retarde ato de ofício, ou ainda para que pratique ato contra expressa
disposição de norma desportiva.

PENA: Eliminação.

Art. 200 - Receber ou solicitar, para si ou para outrem,


vantagem indevida em razão de função de natureza desportiva para
praticar, omitir ou retardar ato de ofício ou ainda, para praticá-lo contra
expressa disposição de norma desportiva.

PENA: Eliminação.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 381

Art. 201 - Deixar de praticar ato de ofício, por interesse


pessoal, para favorecer ou prejudicar pessoas físicas ou jurídicas, com
abuso de poder ou excesso de autoridade.

PENA: Eliminação.

Art. 202 - Dar ou prometer qualquer vantagem a árbitro,


auxiliar ou coordenador técnico, para que influa no resultado da
competição.

PENA: Eliminação.

Parágrafo único - Na mesma pena incorrerá o proponente ou


o intermediário.

Art. 203 - Dar ou prometer qualquer vantagem a dirigente,


técnico ou atleta para que ganhe ou perca pontos na competição com a
intenção de prejudicar terceiros.

PENA: Eliminação.

Parágrafo único - Nas mesmas penas incorrerá o proponente


ou o intermediário.

Art. 204 - Aliciar atleta ou técnico vinculado a qualquer


equipe.

PENA: Eliminação.

TÍTULO XII - DAS INFRAÇÕES CONTRA A ORGANIZAÇÃO E


ADMINISTRAÇÃO DESPORTIVAS

CAPÍTULO I - DAS INFRAÇÕES CONTRA ENTIDADES


PARTICIPANTES, ORGANIZADORAS E COMISSÕES DO EVENTO

Art. 205 - Manifestar-se de forma desrespeitosa ou ofensiva


contra ato, decisão ou providência da entidade participante, organizadora
e comissões do evento.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 382

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 206 - Deixar de cumprir deliberação, resolução,


determinação ou requisição de órgão público, entidades organizadoras ou
comissões de evento.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 207 - Veicular, sem prévio consentimento, o nome e/ou


logomarca da Paraná Esporte ou de competição oficial, em eventos
esportivos.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 208 - Recusar, sem justa causa, sua praça ou instalações


desportivas, quando requisitada.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 209 - Recusar o ingresso, aos membros da Paraná


Esporte, em suas praças ou instalações desportivas.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 15 meses.

Art. 210 - Abandonar a disputa do evento, após o seu início.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Art. 211 - Não comparecer para a disputa de partida ou


prova oficialmente programada, ou comparecer fora do prazo
regulamentar, sem condições materiais exigidas pelas regras específicas
da respectiva modalidade para atuação ou sem as condições exigidas
pelo regulamento da competição quanto à utilização de uniformes.

PENA: Suspensão pelo prazo de 12 a 18 meses e/ou multa


de 100 a 300 reais.

§ 1º - A suspensão e/ou multa aplicam-se à pessoa jurídica


na modalidade/sexo/categoria/prova ou equivalente em questão.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 383

§ 2º - A suspensão somente será aplicada quando restar


plenamente caracterizado dolo no cometimento da infração.

§ 3 º - N a s h i p ó t e s e s d e n ã o c o m p a r e c i m e n t o,
comparecimento fora do prazo regulamentar ou sem as condições
materiais exigidas para atuação, em relação a atletas pertencentes a uma
mesma pessoa jurídica, nos casos das modalidades que comportam a
disputa individual “simples”, aplicar-se-á exclusivamente a pena de multa,
cujo “quantum” será fixado na decisão.

Art. 212 - Deixar de comparecer, comparecer tardiamente ou


sem condições exigidas para solenidade de abertura de evento esportivo.

PENA: Suspensão pelo prazo de 03 a 12 meses e/ou multa


de 50 a 150 reais por modalidade/sexo participante.

Art. 213 - Impedir, sem justa causa, a realização de partida


ou prova marcada para sua praça ou instalação desportiva.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 meses a 01 ano e/ou


multa de 100 a 250 reais.

Art. 214 - Ordenar ou dificultar que o atleta atenda à


convocação oficial.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

Art. 215 - Deixar de encaminhar ou exibir à Paraná Esporte


ou órgão desportivo documentos solicitados de interesse público.

PENA: Suspensão pelo prazo de 03 meses a 01 ano.

Art. 216 - Tomar atitudes, assumir compromissos ou adotar


providências em seminários, gerenciamentos, congressos ou reuniões
com fins desportivos, capazes de comprometer a organização de
competições oficiais do estado.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 384

PENA: Suspensão pelo prazo de 12 a 15 meses e/ou multa


de 200 a 500 reais por modalidade/sexo participante.

§ 1º - A suspensão e/ou multa aplicam-se à pessoa jurídica


na modalidade/sexo em questão.

§ 2º - A suspensão somente será aplicada quando restar


plenamente caracterizado dolo no cometimento da infração.

§ 3º - Nas mesmas penas incorrerão as pessoas jurídicas que


não oficializarem a desistência de participação nos prazos estipulados
pelo regulamento da competição.

Art. 217 - Deixar de cumprir obrigação de natureza


desportiva, referente a sediação de eventos desportivos, assumida
oficialmente em qualquer documento.

PENA: Perda de mandato pelo prazo de 01 a 04 anos e/ou


indenização equivalente ao dano causado.

§ 1º - Na impossibilidade de liquidação do valor da


indenização, esta deverá ser aplicada entre 50 e 1000 reais.

§ 2º - A desistência de sediação fora do prazo legal, não


comprovadamente justificada, importa na suspensão automática das
equipes do infrator na competição em que pleiteou sediação.

Art. 218 - Deixar de manter praças ou instalações desportivas


em condições de assegurar plena garantia aos membros da Paraná
Esporte, da Justiça Desportiva, da equipe de Arbitragem e das Comissões
do Evento, para desempenho de suas funções.

PENA: Perda de mandato pelo prazo de 06 meses a 02 anos


e/ou multa de 100 a 250 reais.

C A P Í T U L O I I - D A S I N F R A Ç Õ E S R E LAT I VA S À S
COMPETIÇÕES PROPRIAMENTE DITAS
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 385

Art. 219 - Ordenar ao(s) atleta(s) que se omita(m), de


qualquer modo, na disputa da partida ou prova.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 220 - Submeter criança ou adolescente sob sua


autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento, sendo,
neste caso, os autos remetidos ao Conselho Tutelar da Criança e do
Adolescente.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 meses a 02 anos.

Parágrafo único – Nas mesmas penas incorre, na medida de


sua culpabilidade, o técnico responsável pelo atleta desportivamente
irresponsável reincidente na mesma competição.

Art. 221 - Omitir-se na disputa da partida ou prova depois de


iniciada, por abandono, simulação ou contusão e desinteresse nas
jogadas ou tentar impedir, por qualquer modo, o seu prosseguimento.

PENA: Suspensão pelo prazo de 09 meses a 02 anos.

Art. 222 - Permitir a participação em suas equipes de


atleta(s) sem condições legais de atuação, exigidas pelo(s)
regulamento(s) da(s) competição(ões).

PENA: Suspensão pelo prazo de 06 meses a 02 anos.

§ 1º - A suspensão aplica-se tão somente à modalidade/


prova/sexo que houver a participação da pessoa física sem as condições
legais de atuação.

§ 2º - A responsabilidade desportiva do técnico e do atleta


sem as condições legais de atuação será promovida concorrentemente
com a da pessoa jurídica, na medida de suas culpabilidades.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 386

§ 3º - O disposto neste artigo não se aplica aos casos de


utilização irregular de uniformes, já tipificado nos termos do art. 211
deste Código.

§ 4º - Ficará a critério da coordenação geral, as respectivas


conseqüências técnicas, no caso de suspensão aplicada em processo
julgado pelo Tribunal Permanente cujas queixas ou denúncias forem
formuladas após a realização do evento.

§ 5º - Serão de até vinte e quatro (24) horas, para os


processos de competência do Tribunal Especial de Justiça Desportiva, os
prazos para a apresentação de documentos de regularidade de
participação de atletas com a finalidade de descaracterizar a infração
prevista neste artigo; e, de até quatro (04) dias para os processos de
competência dos demais Tribunais desportivos, conforme o caso,
considerando sempre a complexidade da infração, conteúdo probatório e
as conseqüências decorrentes de eventual solução de continuidade da
competição ou comprometimento dos seus resultados.

§ 6º - Nas mesmas penas incorrerá qualquer dirigente


desportivo que não tenha condição legal de atuação em partida ou prova,
sem prejuízo da aplicação do parágrafo único do art. 244 do presente
Código.

Art. 223 - Impedir o prosseguimento ou dar causa à


suspensão de partida ou prova.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 meses a 01 ano.

Parágrafo único - A entidade fica, também, sujeita às penas


desse artigo se a suspensão da partida ou prova tiver sido,
comprovadamente, causada ou provocada por sua torcida.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 387

Art. 224 - Praticar ato hostil, desleal ou inconveniente


durante a competição.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 09 meses.

Art. 225 - Praticar jogada violenta.

PENA: Suspensão pelo prazo de 04 a 18 meses.

Parágrafo único - Se a jogada resultar lesão de natureza


grave, a pena será majorada em até dois terços (2/3).

Art. 226 - Reclamar ou desrespeitar por meio de gestos,


atitudes ou palavras, a arbitragem ou coordenação de modalidade.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 09 meses.

Art. 227 - Deixar de cumprir obrigação de ofício, cumpri-la


com excesso ou abuso de autoridade.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 18 meses.

Art. 228 - Omitir-se no dever de prevenir ou de coibir


violência ou animosidade entre as pessoas físicas constantes na súmula.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 01 ano.

Art. 229 - Não se apresentar devidamente uniformizado ou


apresentar-se sem o material necessário ao desempenho de suas
atribuições de ofício.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 364 dias.

Rt. 230 - Deixar de comunicar à autoridade competente, em


tempo oportuno, que não se encontra em condições de exercer suas
atribuições.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 364 dias.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 388

Art. 231 - Deixar de comparecer regularmente no local da


partida ou prova para a qual foi designado.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 18 meses.

Art. 232 - Não conferir os documentos de identificação das


pessoas físicas constantes da súmula.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 233 - Deixar de entregar ao órgão competente, no prazo


legal, os documentos de partida ou prova, regularmente preenchidos.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 364 dias.

Art. 234 - Permitir a permanência no recinto de jogo, de


pessoas que não as autorizadas.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 364 dias.

Art. 235 - Abandonar, de ofício, sem justa causa, a


competição antes do seu término ou recusar-se a iniciá-la.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

CAPÍTULO III - DAS INFRAÇÕES CONTRA A JUSTIÇA


DESPORTIVA

Art. 236 - Deixar os auditores, a procuradoria, a defensoria


pública e o secretário, salvo justo motivo, de observar os prazos legais.

PENA: suspensão pelo prazo de 01 a 364 dias.

Art. 237 - Deixar, a autoridade que tomou conhecimento de


falsidade documental, de encaminhar os elementos da infração ao
tribunal competente da Justiça Desportiva.

PENA: suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.


Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 389

Art. 238 - Oferecer queixa ou noticiar infração


flagrantemente infundada ou dar causa, por erro grosseiro ou sentimento
pessoal, à instauração de inquérito ou processo disciplinar na Justiça
Desportiva.

PENA: suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 239 - Prestar depoimento falso perante à Justiça


Desportiva.

PENA: Suspensão pelo prazo de 01 a 03 anos.

Parágrafo único - A penalidade será reduzida até à metade,


se antes da decisão o depoente se retratar e declarar a verdade.

Art. 240 - Deixar de cumprir ou retardar o cumprimento de


decisão da Justiça Desportiva.

PENA - Eliminação.

Art. 241 - Deixar de comparecer, sem justa causa, à Justiça


Desportiva, quando regularmente intimado.

PENA - Suspensão pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 242 - Admitir, como integrante da delegação, em


qualquer função ou cargo, remunerados ou não, quem estiver eliminado
ou em cumprimento de pena disciplinar.

PENA - Suspensão da pessoa física ou jurídica, conforme o


caso, pelo prazo de 01 dia a 02 anos.

Art. 243 - Dar, prometer ou oferecer dinheiro ou qualquer


outra vantagem à testemunha, perito, tradutor, intérprete, para fazer
afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia,
tradução, interpretação, ainda que a oferta não seja aceita.

PENA: Eliminação.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 390

TÍTULO XIII - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 244 - As infrações previstas no presente Código e


passíveis de sanção penal e/ou administrativas propriamente ditas, serão
objeto de notificação à autoridade competente para a apuração e
promoção das responsabilidades, a critério discricionário dos presidentes
dos órgãos de Justiça Desportiva.

Parágrafo único - Após o trânsito em julgado das decisões


condenatórias, serão elas remetidas, quando for o caso, aos respectivos
órgãos de fiscalização do exercício profissional, para as providências que
entenderem necessárias.

Art. 245 - As penalidades de multa, bem como os depósitos


obrigatórios definidos neste código deverão ser recolhidos para a Paraná
Esporte, no prazo de quarenta e oito (48) horas a contar da publicação
da decisão, sendo que após este prazo, conforme o caso, os valores
deverão ser corrigidos por índice oficial do Governo Federal.

Parágrafo único - O não pagamento da multa, implicará na


pena de suspensão, independentemente da modalidade, sexo e
categoria, enquanto não liquidada a obrigação, sujeitando o infrator às
penas previstas nos Arts. 222, 240 e 242 do presente Código quando
houver participado de nova competição sem a respectiva quitação do
débito.

Art. 246 - A identificação dos participantes dos eventos


promovidos ou organizados pela Paraná Esporte, sem prejuízo de
observância de normas específicas constantes de regulamento, será
realizada mediante a apresentação, preferencialmente, de qualquer dos
seguintes documentos, desde que possua fotografia capaz de retratar as
atuais condições físicas do seu portador, seja apresentado na sua forma
original e dentro do prazo de validade: (I) Cédula de Identidade (RG)
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 391

expedida pelas Secretarias de Segurança Pública através dos Institutos de


Identificação de qualquer um dos Estados-membros da República
Federativa do Brasil; (II) Carteira de Identidade Militar; (III) Cédula de
Identidade de Estrangeiro expedida pela Polícia Federal; (IV) Carteira
Nacional de Habilitação; (V) Carteira do Conselho Regional de Educação
Física; (VI) Passaporte Brasileiro expedido pela Polícia Federal.

§ 1º - A utilização de documento diverso do previsto no


“caput” deste artigo ou de documentos danificados, somente será
possível desde que tenha fé pública e seja autorizado pelo respectivo
Tribunal de Justiça Desportiva que observará a legislação pertinente
quanto às entidades de profissões regulamentadas, conforme o caso.

§ 2º – Não caberá aos órgãos judicantes apreciar questões


referentes ao eventual exercício ilegal de profissão, cuja competência é
de exclusiva responsabilidade das entidades fiscalizadoras.

Art. 247 - Os casos omissos e as lacunas deste Código serão


resolvidos de acordo com os costumes, princípios gerais de direito,
analogia e a jurisprudência aplicada à espécie.

Art. 248 - A interpretação das normas contidas neste Código,


reger-se-á pelas regras gerais da hermenêutica e buscará sempre a
defesa da disciplina e da moralidade do desporto.

TÍTULO XIV - DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 249 - Os processos em curso, ao entrar em vigor a


republicação deste Código, serão julgados pela forma nele indicada,
adotadas, porém, as penalidades mais brandas.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 392

Art. 250 - Nenhum ato administrativo poderá prejudicar as


decisões proferidas pelos Tribunais de Justiça Desportiva.

Art. 251 - Este Código entrará em vigor na data de sua


publicação, ficando revogadas as disposições em contrário.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 393

4. Código Brasileiro de Justiça Desportiva para o Desporto


Educacional (minuta de proposta que tramita na Comissão de
Estudos Jurídicos do Ministério do Esporte)

PARECER do Relator do Grupo de Trabalho constituído em 27


de agosto de 2010.

DESPORTO EDUCACIONAL

CÓDIGO DISCIPLINAR DE COMPETIÇÕES ESTUDANTIS –

COM EQUIPARAÇÃO AO CÓDIGO NACIONAL DE


ORGANIZAÇÃO DE JUSTIÇA E DISCIPLINA DESPORTIVA - CNOJDD

Grupo de Trabalho:

RELATOR

Heraldo Luiz Panhoca.

MEMBROS

Enio Poubel de Carvalho

Paulo Marcos Schmitt

COMISSÃO de ESTUDOS JURÍDICOS DESPORTIVOS

CONSELHO NACIONAL DE ESPORTES

BRASÍLIA - DF

DEZEMBRO DE 2010

INTERESSADO: COMITÉ OLÍMPICO BRASILEIRO – COB

ASSUNTO: INSTITUIÇÃO DO CÓDIGO DISCIPLINAR DE


COMPETIÇÕES ESTUDANTIS (DESPORTO EDUCACIONAL) COM
EQUIPARAÇÃO AO CÓDIGO NACIONAL DE ORGANIZAÇÃO DE JUSTIÇA E
DISCIPLINA DESPORTIVA - CNOJDD
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 394

PARECER DO RELATOR.

Cuida-se de pedido do Comitê Olímpico Brasileiro – COB,


apresentado a Comissão de Estudos Jurídicos Desportivos, em reunião
realizada no Rio de Janeiro em 29 de agosto de 2010, para posterior
encaminhamento ao plenário do CONSELHO NACIONAL DE ESPORTE,
pleiteando a apreciação de uma proposta “(estudo provisório realizado
pelo COB em reunião na cidade de João Pessoa – PB no ano de 2007)” de
implantação de um Código Disciplinar para aplicação nas Competições
Estudantis (Desporto Educacional) sob coordenação e realização do
Comitê Olímpico Brasileiro – COB, nos termos do art. 51 da Lei 9.615, de
24 de março de 1998, tendo por norte o contido no CÓDIGO NACIONAL
DE ORGANIZAÇÃO DE JUSTIÇA E DISCIPLINA DESPORTIVA – CNOJDD.

PRELIMINARES - COMO BARREIRAS A SE VENCER.

Por Desporto Educacional, encontramos na Constituição


Federal vigente, que este direito do educando está estabelecido nos
artigos:

6º “a educação”,
art. 22-XXIV – “diretrizes e bases da educação nacional”;
art. 24 – IX – “educação – cultura, ensino e desporto”;
art. 24 – XV – “proteção a infância e juventude”;
art. 205 “ a educação, direito de todos e dever do estado e família”;
art. 207 “ as universidades gozam de autonomia didático-científica”;
art. 208, I, “o ensino fundamental obrigatório e gratuito”,
art. 217 II, “a destinação de recursos públicos para a promoção
prioritária do desporto educacional”
Desporto Educacional ou “Desporto Estudantil”.

No revogado Decreto nº. 2.754 de 30 de abril de 1998, que


até 2004 regulamentava a Lei nº. 9.615 de 24 de março de 1998 estava
estabelecido que:

Art.2º - “I” – DESPORTO EDUCACIONAL, praticado nos sistemas de


ensino e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a
seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 395

de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação


para o exercício da cidadania e a prática do lazer;
Art. 47. É vedada a prática do profissionalismo, em qualquer modalidade,
quando se tratar de:
I - desporto educacional, seja nos estabelecimentos escolares de 1º e 2º
graus ou superiores;
Art. 53. A organização, o funcionamento e as atribuições da Justiça
Desportiva, limitadas ao processo e julgamento das infrações disciplinares
e às competições desportivas, serão definidas em Código Desportivo, que
tratará diferentemente a prática profissional e a não-profissional.
§ 3º As penas disciplinares não serão aplicadas aos menores de quatorze
anos.
Art. 62. A organização e o funcionamento do desporto educacional
obedecerão aos princípios o às diretrizes referentes ao desporto e à
educação nacionais.
Art. 63. O desporto educacional terá estrutura específica, compreendendo
sistemas diferenciados para a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios acompanhando a organização descentralizada dos sistemas
de ensino.
Parágrafo único. A organização dos sistemas dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios será fixada na legislação concorrente que cada
Unidade da Federação expedir no exercício de sua competência legal.
Art. 64. Aos praticantes do desporto educacional é assegurado o direito de
optarem pelas manifestações participativas e de rendimento.
Art. 65. O desporto educacional no Sistema Federal do Desporto
congrega os integrantes do Sistema Federal de Ensino, os dos Sistemas
dos Estados e os do Distrito Federal.
Art. 66. O papel curricular do Desporto Educacional será definido em cada
Estado, no Distrito Federal e nos Municípios, pelos respectivos sistema de
ensino.
Art. 67. As instituições de ensino superior regularão a prática desportiva
curricular, formal e não-formal, de seus alunos.
Art. 68. À entidade nacional de administração do desporto universitário,
com competência e poderes equivalentes aos das entidades nacionais de
administração do desporto, cabe administrar o desporto universitário de
rendimento.

Na Lei nº. 10.891, de 9 de julho de 2004, que instituiu a


bolsa atleta, com a redação dada pela Lei 11.096/2005, o legislativo,
também deixou de observar a idade limite de 14 anos para a iniciação da
atividade de prática desportiva formal, ao determinar que o educando,
com idade compreendida entre 12 e 16 anos fará jus a concessão do
benefício se estiver concomitantemente matriculado em instituição de
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 396

ensino pública ou privada e com vinculo desportivo registrado nas


entidades de administração regional e ou nacional do desporto.

No Código Brasileiro de Justiça Desportiva - CBJD (prática


desportiva formal) encontra-se codificado em seu artigo 62 que os
menores de 14 (quatorze) anos são considerados desportivamente
irresponsáveis, ficando apenas sujeitos a reorientação de caráter
pedagógico que deverá constar no Regulamento da competição, tudo por
decorrência do quanto previsto na Lei 9.615 de 24 de março de 1998 no
qual as penas disciplinares não serão aplicadas à menores de 14
(quatorze) anos.

A idade base de 14 anos, foi, no Brasil, utilizada pela


primeira vez no universo desportivo para caracterizar o inicio da atividade
formal desportiva de um atleta em formação e está pacificada no artigo
29 da Lei nº. 9615, de 24 de março de 1998, bem como, por
complemento, em todos os instrumentos legais editados posteriormente à
março de 1998. Neste sentido encontramos as normas de
regulamentação previdenciária sobre atletas em formação contribuintes
obrigatórios e/ou isentos e o próprio Código Brasileiro de Justiça
Desportiva.

Na legislação ordinária de normas gerais do desporto não é


encontrado nenhuma menção à atividade de iniciação desportiva do
educando durante o ensino fundamental (de 6 anos até 14 anos).

Igual ausência de regulamentação ou normatização, é


verificada na Lei 9.696, de 1º de setembro de 1998, que trata do
profissional de “educação física” limitados em sua graduação à
licenciatura e bacharelado, sendo que o primeiro pode ministrar aulas de
atividades físicas no sistema educacional regular, enquanto que o
segundo poderá ministrar iniciação, formação e manutenção de prática
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 397

desportivas lúdicas e/ou formais, nos estabelecimentos fora do sistema


educacional.

Com estes paramentos, percebe-se, que o desporto


educacional encontra uma série de óbices a serem transpassados.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação remete ao


estabelecimento de ensino credenciado o estabelecimento da grade
curricular especifica para o ensino e prática da atividade física, sendo
certo que as instituições de ensino (públicas e particulares) introduzem
na sua grade a atividade física-desportiva não formal, perpetuando,
portanto, na maioria dos instrumentos buscados a inexistência da prática
formal do desporto no sistema educacional, assim, praticamente, inexiste
o DESPORTO EDUCACIONAL como forma curricular de alcance do
educando no curso fundamental.

As medidas disciplinares aplicáveis no sistema educacional


são de caráter pedagógico.

No Estatuto da Criança e do Adolescente vem identificando


como criança o individuo com idade até 12 anos e o adolescente com
idade compreendida entre 13 e 18 anos.

Este mesmo diploma remete como obrigação do Estado e da


família assegurar como prioridade a efetivação do direito à vida, à saúde,
à alimentação, ao esporte,(...), vindo em seguida a parte importante das
garantias ofertadas, ou seja, o esclarecimento de como dever ser
interpretado o ECA, que deverá observar os fins sociais, o bem comum,
os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da
criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.

Constata-se, ainda, que embora o ECA tenha um capítulo


especial sobre os direitos da criança e no título principal esteja elencado
o “direito ao esporte”, na seqüência de artigos regulamentadores a
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 398

atividade física ou desportiva não recebe qualquer citação ou


regulamentação.

Para os maiores de 14 anos existe no ECA uma ampla


explicitação dos direitos e deveres, inclusive das formas de medidas
pedagógicas ou punitivas, aos menores de 12 anos a norma é escassa.

Apenas por uma citação analógica a Convenção 138 da OIT


determina que não seja aplicada a trabalho efetuado por crianças e
jovens em escola de educação vocacional ou técnica ou em outras
instituições de treinamento em geral ou a trabalho por pessoa de no
mínimo 14 anos.

Entretanto e diferentemente da legislação brasileira, as


entidades internacionais de administração do desporto, albergam a
prática desportiva formal para crianças de tenra idade, sendo de
conhecimento que competições acontecem em algumas modalidades a
partir de quando a criança completa 6 anos de idade.

No futebol a FIFA legisla como inicio da atividade de prática


desportiva formal (direitos aos clubes formadores) aos 12 anos. Em São
Paulo, a Federação Paulista de Futebol, integrante do Sistema Federal do
Desporto organiza, promove e dirige competições de prática desportiva
formal com crianças com idade igual ou inferior a 11 anos.

Na ginástica a idade mínima para competições formais pela


norma internacional nas atividades olímpicas é de 16 anos.

No basquetebol idade mínima para competições formais pela


norma internacional é de 11 anos de idade.

No voleibol e no atletismo suas entidades nacionais de


administração do desporto, respeitam a norma nacional vigente e a
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 399

prática formal só é permitida após o adolescente completar 14 anos, no


atletismo inicia-se aos 15 anos.

No futsal, desde os 13 anos de idade verifica-se a exposição


do educando as regras do desporto formal. Inúmeras teses de mestrado
e doutorado já exploraram este exemplo de mutilação precoce,
entretanto, a prática continua.

Deixamos de considerar a natação como exemplo negativo


de iniciação e mutilação precoce tendo em vista “que a atividade física
profilática desenvolvida no individuo pela prática regular da natação se
assemelha à prática formal da modalidade”, caracterizando-se muito mais
pelo desenvolvimento e manutenção da saúde e aprimoramento do
cidadão do que pela própria disputa competitiva.

São muito poucos os casos em que a natação pode ser contra indicada.
Podemos citar os indivíduos com alergia grave ao cloro, portadores de
sinusite crônica e indivíduos com histórico de patologias articulares no
ombro, como bursite. Nos demais casos a natação pode ser utilizada
como auxílio profilático.
Na prática da natação inexiste contra-indicação genérica, em
todas as demais atividades de prática desportiva formal as contra-
indicações são patentes em face da exigência de atividade física além da
capacidade de suporte pela criança.

Na motricidade humana os parâmetros de carga motriz na


atividade desportiva da criança estão balizados tendo por base uma faixa
etária entre 13 e 15 anos para o seu início de atividades formais e
c o m p e t i t i va s , c o n d e n a n d o - s e a s a n t e c i p a ç õ e s c o m o v i s t o
abundantemente no Brasil.

Toda prática desportiva oferecida às crianças e aos adolescentes é


permeada por ações adultas - dos pais, dos dirigentes, dos professores,
dos técnicos, dos árbitros; todos interferem de alguma forma nas
experiências desportivas de seus praticantes. Essa influência não diz
respeito simplesmente aos comportamentos e às atitudes dos adultos no
momento da competição, mas também aos valores e aos princípios que
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 400

norteiam a forma como o desporto é ensinado e praticado (KORSAKAS,


2002).
A pedagogia do desporto não se resume a métodos de treinamento é mais
complexa (princípios, objetivos, estratégias, comunicação, conteúdos,
sensibilidade, diálogo com o sistema humano). Valores que permeiam o
competir, como participação, alegria, entrega, cooperação, perseverança,
auto-estima e o próprio aprendizado técnico e tático, raramente são
considerados relevantes (...). O que se pode discutir, e talvez isso seja
relevante, é o tratamento que os professores dão à competição
(SANTANA, 2004).
O desporto, como um legado deixado para a humanidade através dos
tempos, envolve outras variáveis como competitividade, vitória, derrota,
glória, etc. que se não visto com um olhar crítico e amplo dentro de uma
prática educativa, pode ser muito prejudicial ao desenvolvimento de
crianças e jovens. Como por exemplo, o uso excessivo de competições
toma um caráter seletivo e restrito ao invés de se tornar um meio de
motivação estimulante de si mesmo (MACHADO & PESOTO, 2001).
Parece haver muita disparidade entre como a criança faz e pensa e como
os regulamentos e os adultos a obrigam a agir. Parece haver muita
cobrança, formalidade, preciosismo, discriminação (SANTANA, 2001).
Muitas dessas competições seguem moldes e normas determinadas para
a competição adulta, espelhando-se em modelos pouco recomendados
para as diferentes faixas etárias e outras variáveis importantes como o
sexo, o estágio de desenvolvimento e o nível de habilidade dos
praticantes, entre outras (DE ROSE JR, 2002).
Freire (1989) refere-se àqueles que criam os mecanismos de competição
entre as crianças na escola como "(...) formadoras de campeões,
selecionadoras de raça, disseminadoras de sentimentos preconceituosos,
reprodutoras da forma mais abominável de competição que orienta as
relações entre as pessoas de nossa sociedade, e que encontra sua
expressão ritual mais importante nos jogos olímpicos modernos. Vencer a
qualquer custo é o lema que orienta a competição, nas relações sociais e
nos jogos desportivos". O mesmo podemos dizer daqueles que organizam
as competições, entre crianças, fora da escola! O que deve ficar bem
claro é que esse tipo de comportamento, esse modelo, precisa ser,
efetivamente, abandonado, pois é incompatível à criança. A criança está
iniciando (SANTANA, 2001).
A verdadeira natureza da competição é que ela cria mais perdedores do
que vencedores. Nesse ponto a competição passa a ser tanto
desencorajadora quanto ameaçadora àqueles que não possuem
capacidades e habilidades suficientes para desempenhar adequadamente
e obter o desejado sucesso (DE ROSE JR, 2002).
OUTROS INCOVENIENTES DA VINCULAÇÃO DESPORTIVA
PRECOCE.

Recentemente, os jornais noticiaram que o Ministério Público


do Rio Grande do Sul denunciou por assédio sexual, maus tratos e
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 401

coação, à Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Sr. José Alzir,


coordenador das categorias de base do Grêmio de Porto Alegre, por ter
praticado tais abusos com muitas crianças de 11 e 13 anos que ficam
alojadas nas dependências do clube, ou nas viagens que fazem como
“atletas em formação”. Tudo sob o manto da integração pelo desporto.

A REALIDADE

A participação do educando, com obtenção de colocação até


o terceiro lugar nos “Jogos Escolares e Universitários Brasileiros”
organizados pelo Ministério do Esporte, é condição obrigatória para a
conquista da bolsa estudantil ao educando com idade superior a 12 anos.

Recentemente, através de alteração legislativa do art. 56 da


Lei 9615/98, foram transferidos ao Comitê Olímpico e Paraolimpico
brasileiro a competência e os recursos (receitas próprias), para a
realização das atividades do desporto educacional em todo Brasil.

Art. 56. Os recursos necessários ao fomento das práticas desportivas


formais e não-formais a que se refere o art. 217 da Constituição Federal
serão assegurados em programas de trabalho específicos constantes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
além dos provenientes de:
VI – dois por cento da arrecadação bruta dos concursos de prognósticos e
loterias federais e similares cuja realização estiver sujeita a autorização
federal, deduzindo-se este valor do montante destinado aos prêmios.
§  1º    Do total de recursos financeiros resultantes do percentual de que
trata o inciso VI do caput, oitenta e cinco por cento serão destinados ao
Comitê Olímpico Brasileiro e quinze por cento ao Comitê Paraolímpico
Brasileiro - COB, devendo ser observado, em ambos os casos, o conjunto
de normas aplicáveis à celebração de convênios pela União. (Redação
dada pela Medida Provisória nº 502, de 2010)
 § 2º Dos totais de recursos correspondentes aos percentuais referidos no
§ 1º, dez por cento deverão ser investidos em desporto escolar e cinco
por cento, em desporto universitário.
§ 3º Os recursos a que se refere o inciso VI do caput:
I – constituem receitas próprias dos beneficiários, que os receberão
diretamente da Caixa Econômica Federal, no prazo de dez dias úteis a
contar da data de ocorrência de cada sorteio;
Como visto, a atividade de iniciação do educando em
atividades físicas desportivas, ou seja, a gestão do desporto educacional
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 402

(que tem prioridade constitucional), passou a ser gerida por entidades de


direito privado que, pela Constituição Federal e Normas Gerais do
Desporto, somente reúnem competência para representar o Brasil no
movimento olímpico e paraolimpico internacional, atividade
essencialmente do desporto formal de rendimento, o que conflita com o
espírito pedagógico da atividade acadêmica do desporto educacional, que
deve ser ministrado na manifestação não formal ou lúdica, embora a
“competição pela vida” faça parte constante do diário do individuo.

A grande diferença entre o desporto educacional e o


desporto formal de rendimento está no conceito no qual o primeiro busca
a melhoria da saúde e do corpo, o estímulo ao estudo, a ocupação do
tempo livre, o desenvolvimento de habilidades motoras, o incentivo ao
grupo, novos amigos, o colegiado, enquanto que no desporto formal de
rendimento os únicos objetivos são: a vitória, a conquista, o sucesso.

Quando esta exigência é precoce, o desestimulo e o


abandono da atividade física-desportiva também é precoce, enfatizando a
evasão da prática desportiva e, em muitos casos a escolar.

Desta forma, constata-se que a adoção de medidas


disciplinares desportivas pela prática formal da modalidade, a educandos
com idade inferior a 14 anos, resta vedada, não só pela norma insculpida
na legislação desportiva, mas por todas as demais normas e
regulamentos que norteiam a atividade do educando, sendo certo, que
apenas medidas pedagógicas poderão surtir efeitos e deixar de
descaracterizar o direito da prática da atividade física e de iniciação
desportiva;

No modelo de Código proposto pelo COB foram atendidas as


recomendações sobre a inaplicabilidade da punição disciplinar ao
educando menor de 14 anos, entretanto, a preocupação maior está na
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 403

imposição da atividade de prática formal do desporto de rendimento ao


educando em iniciação desportiva, por entidade que não reúne condição
pedagógica para o ensino da atividade do desporto educacional, nem
mantém em sua equipe de trabalho profissionais de educação física com
licenciatura e capacitação pedagógica para acompanhamento.

Assim, entendo que a aprovação do Código como proposta


não apresenta qualquer óbice no tocante às penalidades, já que
inexistentes aos menores de 14 anos. A atenção a ser dispensada deverá
ser pela reformulação do dispositivo legal vigente no sentido de não mais
ser permitido que se realize nos termos, condições e métodos do
desporto formal de rendimento competições entre crianças e educandos
menores de 14 anos.

Para os atletas da prática do desporto educacional, ou seja,


aqueles que já ostentam 14 anos ou mais, inexiste óbice a adoção do
Código proposto, com as adaptações sugeridas.

Para o desporto universitário entendo que a existência de


uma confederação específica já contempla em poderes a realização
destes atos estando não albergado pelo presente Código que se restringe
somente às competições estudantis (desporto educacional) promovidas
pelo COB com os recursos previsto no art. 56 da Lei 9615/98.

Desse modo, creio que a aprovação do Código proposto pelo


COB, restrito às competições por ele elencadas, por não alcançar o
educando menor de 14 anos, pode ser objeto de aprovação.

É o meu parecer.

São Paulo, 14 de dezembro de 2010.

Heraldo Luiz Panhoca.

Relator
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 404

DE ROSE JR, Dante. A criança, o jovem e a competição esportiva:


considerações gerais. In: DE ROSE JR, Dante (organizador). Esporte e
atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem
multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2002.
FREIRE, João B. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 1989.
_________. Da criança, do brinquedo, do esporte. Revista Motrivivência,
junho, 1993. In: SANTANA, Wilton C. Futsal: metodologia da participação.
Londrina: Lido, 2001.
KORSAKAS, Paula. Esporte infantil: as possibilidades de uma prática
educativa. In: DE ROSE JR, Dante (organizador). Esporte e atividade
física na infância e na adolescência: uma abordagem multidisciplinar.
Porto Alegre: Artmed, 2002.
MACHADO, A. A. & PESOTO, D. Iniciação esportiva: seu
redimensionamento psicológico. In: BURITI, Marcelo A. (organizador).
Psicologia do esporte. Campinas: Alínea, 2001.
PINI, Mário C. & CARAZZATTO João G. Idade de início da atividade
esportiva. In: Fisiologia esportiva. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
1978.
SANTANA, Wilton C. Futsal: metodologia da participação. Londrina: Lido,
2001.
_________. Futsal: apontamentos pedagógicos na iniciação e na
especialização. Campinas: Autores Associados, 2004.
SILVA, João B. Educação física, esporte, lazer: aprender a prender
fazendo. Londrina: Lido, 1995.
SINGER, R. N. Psicologia dos esportes: mitos e verdades. São Paulo:
Happer & Row do Brasil, 1977
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 405

CÓDIGO DISCIPLINAR DE
COMPETIÇÕES DO DESPORTO
EDUCACIONAL
ESTUDO PROVISÓRIO APRESENTADO PELO COB COM AS
ALTERAÇÕES SUGERIDAS PELO RELATOR.

ÍNDICE

LIVRO I
DA ORGANIZAÇÃO E DO PROCESSO DISCIPLINAR DESPORTIVO

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

TÍTULO II - DA ORGANIZAÇÃO
CAPÍTULO I - DAS COMISSÕES DISCIPLINARES
SEÇÃO I - DOS PRESIDENTES DAS COMISSÕES
DISCIPLINARES
SEÇÃO II - DOS AUDITORES
CAPÍTULO II - DOS ÓRGÃOS AUXILIARES
SEÇÃO I - DOS PROCURADORES
SEÇÃO II - DOS DEFENSORES
SEÇÃO III – DOS SECRETÁRIOS

TÍTULO III - DA COMPETÊNCIA DAS COMISSÕES DISCIPLINARES E


ÓRGÃOS AUXILIARES.
CAPÍTULO I - DA COMPETÊNCIA DAS COMISSÕES DISCIPLINARES
CAPÍTULO II - DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS AUXILIARES
SEÇÃO I - DA COMPETÊNCIA DA PROCURADORIA
SEÇÃO II - DA COMPETÊNCIA DA DEFENSORIA
SEÇÃO III - DA COMPETÊNCIA DA SECRETARIA

TÍTULO IV - DO PROCESSO DISCIPLINAR


CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
CAPÍTULO II – DO INQUÉRITO
CAPÍTULO III - DA SUSPENSÃO PREVENTIVA
CAPÍTULO IV - DO LITISCONSÓRCIO E DA ASSISTÊNCIA
CAPÍTULO V - DAS CITAÇÕES E INTIMAÇÕES
CAPÍTULO VI - DAS PROVAS
SEÇÃO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
SEÇÃO II - DO DEPOIMENTO PESSOAL
SEÇÃO III - DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA
SEÇÃO IV - DA PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL
SEÇÃO V - DA PRODUÇÃO DA PROVA TESTEMUNHAL
SEÇÃO VI - DA PROVA PERICIAL
SEÇÃO VII - DA INSPEÇÃO
CAPÍTULO VII - DOS PRAZOS
CAPÍTULO VIII - DAS NULIDADES
CAPÍTULO IX - DOS PROCEDIMENTOS
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 406

CAPÍTULO X - DA SESSÃO DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

TÍTULO V - DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS


CAPÍTULO I - DO MANDADO DE GARANTIA
CAPÍTULO II - DA IMPUGNAÇÃO DE PARTIDA, PROVA OU
EQUIVALENTE

TÍTULO VI - DOS RECURSOS


CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
CAPÍTULO II - DO JULGAMENTO DA REVISÃO E DOS EMBARGOS
LIVRO II
DAS MEDIDAS DISCIPLINARES

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

TÍTULO II - DA INFRAÇÃO

TÍTULO III - DA RESPONSABILIDADE DESPORTIVA

TÍTULO IV - DA ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

TÍTULO V - DO CONCURSO DE PESSOAS

TÍTULO VI - DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

TÍTULO VII - DAS PENALIDADES


CAPÍTULO I - DAS ESPÉCIES DE PENALIDADES
CAPÍTULO II - DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE

TÍTULO VIII - DAS INFRAÇÕES CONTRA PESSOAS


CAPÍTULO I - DAS AGRESSÕES FÍSICAS
CAPÍTULO II - DAS OFENSAS MORAIS
CAPÍTULO III - DAS INFRAÇÕES CONTRA A LIBERDADE
INDIVIDUAL
CAPÍTULO IV - DA RIXA

TÍTULO IX - DAS INFRAÇÕES CONTRA O PATRIMÔNIO DESPORTIVO


CAPÍTULO I - DA SUBTRAÇÃO
CAPÍTULO II - DO DANO
CAPÍTULO III - DA APROPRIAÇÃO INDEVIDA

TÍTULO X - DAS INFRAÇÕES CONTRA A PAZ E MORALIDADE


DESPORTIVA

TÍTULO XI - DAS INFRAÇÕES CONTRA A FÉ DESPORTIVA


CAPÍTULO I - DAS FALSIDADES
CAPÍTULO II - DA CORRUPÇÃO, CONCUSSÃO E PREVARICAÇÃO

TÍTULO XII - DAS INFRAÇÕES CONTRA A ORGANIZAÇÃO E


ADMINISTRAÇÃO DESPORTIVAS
CAPÍTULO I - DAS INFRAÇÕES CONTRA ENTIDADES
PARTICIPANTES, ORGANIZADORAS E COMISSÕES DO EVENTO
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 407

CAPÍTULO II - DAS INFRAÇÕES RELATIVAS ÀS COMPETIÇÕES


PROPRIAMENTE DITAS
CAPÍTULO III - DAS INFRAÇÕES CONTRA A ORDEM DISCIPLINAR

TÍTULO XIII - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

TÍTULO XIV - DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

CÓDIGO DISCIPLINAR DO DESPORTO EDUCACIONAL

COMPETIÇÕES ESTUDANTIS SOB A ÉGIDE DO MINISTÉRIO DO


ESPORTE

LIVRO I
DA ORGANIZAÇÃO E DO
PROCESSO DISCIPLINAR DESPORTIVO

TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º - A organização da disciplina desportiva, do processo e das medidas


disciplinares relativas às competições Desportivas Educacionais sob
coordenação ou realização do Comitê Olímpico Brasileiro – COB, nos termos
do art. 51 da Lei nº. 9.615/98 regulam-se por este Código, a que ficam
submetidas, em todo o território nacional, as pessoas físicas, jurídicas ou
equiparadas que de forma direta ou indireta nelas intervenham ou participem.

Parágrafo 1º - Integram o presente código os dispositivos legais e


regulamentares que lhe forem aplicáveis.

Parágrafo 2º - A jurisdição e competência quanto à aplicabilidade do


presente código fica condicionada à previsão expressa no regulamento
da respectiva competição.

Justificativa – como se trata de Código com uso único “desporto


educacional em competições promovidas pelo COB”, a condicionalidade
não pode prevalecer, pois não seria crível, usá-lo ou não, a vontade do
dirigente.

TÍTULO II - DA ORGANIZAÇÃO

CAPÍTULO I - DAS COMISSÕES DISCIPLINARES

Art. 2º - Ficam instituídas as seguintes Comissões Disciplinares:


I - Comissão Disciplinar Especial, que terá sede e jurisdição durante a
realização de competições Desportivas Educacionais sob coordenação
ou realização do Comitê Olímpico Brasileiro – COB;
II - Comissão Disciplinar Permanente, que terá sede junto ao COB e
jurisdição em todo o território nacional.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 408

Art. 3º - As comissões disciplinares serão constituídas de 1 (um) presidente, 2


(dois) auditores efetivos, que será auxiliada por 1(um) procurador, e quando
for o caso por 1 (um) defensor, admitindo-se suplência.

Art. 4º - Os auditores das comissões disciplinares serão nomeados por ato


administrativo do COB.

Art. 5º - Aos membros das comissões disciplinares será garantido livre


ingresso em todos os locais onde se realizarem as respectivas competições
Desportivas.

Art. 6º - As comissões disciplinares só poderão deliberar e julgar com a


maioria de seus membros.

Art. 7º - Ocorrerá vacância nos cargos dos auditores pela:


I - morte, renúncia ou exoneração;
II - condenação decorrente de decisão definitiva ou transitada em
julgado, na esfera desportiva ou criminal;
III - não comparecimento a 2 (duas) sessões consecutivas ou 3 (três)
intercaladas, salvo justo motivo assim considerado pela respectiva
Comissão.

Art. 8º - O auditor fica impedido de atuar no processo quando:


I - em relação à parte, ocorrerem os vínculos de parentesco e afinidade;
II - for inimigo ou amigo íntimo da parte;
III - prejulgar a causa.
Parágrafo 1º - Os impedimentos a que se refere este artigo devem ser
declarados pelo próprio auditor, tão logo tome conhecimento do
processo; se o auditor não o fizer, podem as partes argüi-los na primeira
oportunidade em que se manifestarem nos autos.
Parágrafo 2º - Argüido o impedimento, decidirá a Comissão em caráter
irrecorrível.

Art. 9º - Os membros das comissões disciplinares, na forma da lei, poderão


ter abonadas as suas faltas ao trabalho e, sendo acadêmico, nas respectivas
instituições de ensino.

SEÇÃO I - DOS PRESIDENTES DAS COMISSÕES DISCIPLINARES

Art. 10 - São atribuições dos auditores presidentes das comissões


disciplinares:
I - Zelar pelo perfeito funcionamento da Comissão e fazer cumprir as
suas decisões;
II - determinar a instauração de sindicância;
III - dar a imediata ciência, por escrito, da vacância na Comissão à
autoridade competente;
IV - representar a Comissão nas solenidades e atos oficiais, podendo
delegar esta atribuição a outro auditor;
V - comparecer obrigatoriamente a todas as sessões, salvo justo motivo;
VI - designar dia e hora para as sessões ordinárias e extraordinárias e
dirigir os trabalhos;
VII - nomear o auditor relator;
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 409

VIII - votar e, se necessário, proferir voto de qualidade, durante as


sessões, havendo empate na votação;
IX - determinar a instauração de processos;
X - declarar-se impedido ou suspeito, quando for o caso;
XI - declarar a incompetência da Comissão;
XII - empenhar-se no sentido da estrita observância das leis e do
prestígio das instituições educacionais e quando for o caso das
entidades de administração desportiva;
XIII – aplicar suspensão preventiva;
XIV - apresentar à autoridade competente relatório das atividades do
órgão no termo final do mandato;
XV - praticar os demais atos deferidos por este Código ou afetos à
função.

Parágrafo Único - Na ausência ou impedimento do Presidente, e não


havendo suplência, os membros da respectiva Comissão escolherão
dentre seus pares, um (01) para presidi-la interinamente.

SEÇÃO II - DOS AUDITORES

Art. 11 - São atribuições dos auditores, além das definidas no art. 10, incisos
V, X, XII e XV:
I– comparecer, obrigatoriamente, às sessões e audiências quando
regularmente convocado;
II – empenhar-se no sentido da estrita observância das leis, do
contido neste Código e zelar pelo prestígio das instituições educacionais
e, quando for o caso, das entidades de administração desportiva;
III – manifestar-se rigorosamente dentro dos prazos processuais;
IV – representar contra qualquer irregularidade, infração disciplinar
ou sobre fatos ocorridos nas competições dos quais tenha tido
conhecimento;
V– apreciar, livremente, a prova dos autos, tendo em vista,
sobretudo, o interesse do desporto, fundamentando, obrigatoriamente,
a sua decisão.

CAPÍTULO II - DOS ÓRGÃOS AUXILIARES

Art. 12 - Ficam instituídos os seguintes órgãos auxiliares, cuja competência é


definida neste Código:
I - Procuradoria;
II – Defensoria dativa;
III - Secretaria.

Art. 13 - Os órgãos auxiliares, serão representados por 01 um membro


efetivo podendo ser nomeados membros assistentes pelo presidente da
Comissão.

Art. 14 - Os membros dos órgãos auxiliares serão indicados pelo presidente


da respectiva Comissão e nomeados por ato administrativo do COB.
Parágrafo Único - A nomeação dos membros dos órgãos auxiliares
previstos no art. 12, incisos I e II, deverá recair, preferencialmente,
sobre pessoa habilitada para o exercício da advocacia.
Direito & Justiça Desportiva Vol.1 [Paulo M. Schmitt] 410

Art. 15 - Aplica-se aos membros dos órgãos auxiliares o disposto nos artigos
7º, 9º e 11 deste Código.

SEÇÃO I - DOS PROCURADORES

Art. 16 - São atribuições dos procuradores, além das definidas no art. 10,
incisos V, XII e XV:
I - apresentar à Comissão Disciplinar competente, no prazo legal,
denúncia ou parecer sobre os fatos narrados súmulas, relatórios e
outros documentos da competição, bem assim toda e qualquer
irregularidade ou infração da qual presencie ou tenha conhecimento;
II - formalizar as providências legais e acompanhá-las em seus
trâmites;
III - manifestar-se nos prazos;
IV - sustentar oralmente, durante as sessões, as acusações formuladas;
V - requerer vista dos autos;
VI - impetrar embargos declaratórios para a respectiva Comissão nos
casos previstos neste Código;
VII - requerer a declaração de incompetência da Comissão;
VIII - requerer a i