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Justificativa

Uma pergunta torna-se pertinente para o levantamento da inquietude do tema proposto:


Qual tem sido o espaço reservado para a educação em direitos humanos no Projeto
Político Pedagógico das escolas?

Ao responder a esse questionamento é necessário a observação de diversos elementos


que analisam se a resposta é satisfatória ou não.

Dessa forma é importante a ánalise de todos os momentos que permearam a construção


do Projeto Político Pedagógico, se esses momentos contribuíram para uma proliferação
da educação em direitos humanos e quais os impactos sociais essa elaboração trouxe
para o ambiente escolar.

Entretanto esse instrumento de potencial ofensivo no combate a intolerância tem apenas


representado documento burocrático, centralizado na decisão de algumas pessoas, que
em parte ou até mesmo quase nada condiz com a realidade do espaço no qual fora
construído.

O sociólogo português Boaventura Souza Santos expressa bem o significado de um


Projeto Político Pedagógico centralizador e autoritário:
“Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos
inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos
descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as
diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as
desigualdades.” (2003, p. 56)

Esse, não leva em consideração as características individuais, as peculiaridades, ou


melhor; as identidades. Nessa perspectiva não são inseridas como por exemplo,
estratégias de atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades. A escola portanto, não atua afirmando a
igualdade, tampouco assegura o direito à diferença quando a igualdade descaracteriza.
Afinal, é preocupante como essa escola lida com questões complexas como a inclusão.

O artigo 6° da Constituição Federal do Brasil aponta a educação como um direito social,


também nomeado de fundamental. Tamanha é sua importância que necessitou ser
expressamente declarada em texto normativo. A escola se torna portanto, o espaço pelo
qual esse direito devera ser discutido, elaborado e efetivado.

Entretanto os meios de comunicação cada vez mais exibem notícias de episódios que
vão de encontro à uma cultura de paz, uma cultura em direitos humanos. Atos de
vandalismo, intolerância religiosa, racismo, violência física, mental, preconceito de raça
ou qualquer outro tipo vêm sendo comum nas escolas de Pernambuco. Isso favorece o
surgimento de um espaço onde nem se educa, nem se aprende, de difícil convivência
entre seus personagens.

Fato esse que pode contribuir para professores desestimulados , depressivos;


alunos insubordinados e comunidade inimiga da escola. O Plano Nacional de Educação
em Direitos Humanos aponta a escola como espaço privilegiado para construção e
consolidação em direitos humanos, deve pois, assegurar que os objetivos a serem
adotados sejam coerentes com os valores e princípios da educação em direitos humanos

Nessa perspectiva é preciso a indagação se em todos os momentos de elaboração do


Projeto Político Pedagógico , sua construção, explicitação, execução, avaliação ,
práticas e princípios dos Direitos Humanos receberam atenção e tratamento especial, ou
seja, se conceitos e concepções fundadas na idéia de Direitos Humanos estiveram
permeando todo o processo de produção do documento e se estão presentes no texto e
na implementação e avaliação do PPP.

Nessa perspectiva as Diretrizes Nacionais de Educação em Direitos Humanos apontam


para uma lista de metodologias, nas quais podem e devem ser aplicadas na educação
básica em direitos humanos que podem ser contempladas no Projeto Político
Pedagógico.

Dentre elas podemos citar algumas como: a) construir normas de disciplina e de


organização da escola, com a participação direta dos/as estudantes; b) desenvolver
projetos para discutir questões relacionadas à vida da comunidade, tais como problemas
de saúde, saneamento básico, educação, moradia, poluição de rios e defesa do meio
ambiente, transporte, entre outras.

Ante o exposto é importante o estudo do tema apresentado pois o mesmo tem a


capacidade de trazer impactos positivos para toda comunidade escolar. Dentre os
benefícios trazidos pelo estudo em epígrafe pode-se citar a seguir:

O tratamento do tema trará conhecimento ao professor sobre a educação em direitos


humanos, bem como subsídios pra o trabalho metodológico do mesmo em sala de aula,
pois através dos debates o professor terá mais propriedade direcionando seu caminho a
seguir;

Além disso, tal projeto poderá fomentar uma cultura de paz baseada no diálogo, dando
vez e voz aos segmentos da escola sendo capaz de reproduzir essa cultura em cada canto
da escola e até mesmo fora dela;

Não obstante, tal estudo também contribuirá para proliferação de uma educação em
direitos humanos da comunidade da qual a escola encontra-se inserida, que
necessariamente deverá entender como um processo sistemático e multidimensional
que orienta a formação do sujeito de direitos e vai além de uma aprendizagem
cognitiva, incluindo não só o desenvolvimento sócia, mas também emocional de quem
se envolve no processo de ensino-aprendizagem. Esse processo tem como fundamento
o reconhecimento da pluralidade e da alteridade, condições para exercício da liberdade
de crítica, de criação, de debate de idéias, e valorização da diversidade.

A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para
todos os homens que eles são portadores de direitos e, por outro lado, significa que não
é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. A declaração de
direitos inscreve os direitos no social e no político, afirma sua origem social e política e
se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o
consentimento social e político. (Chauí, 1989, p.20)