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MAIO 1996 NBR 13601

Solo - Avaliação da dispersibilidade de


solos argilosos pelo ensaio do torrão
ABNT-Associação (crumb test)
Brasileira de
Normas Técnicas

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Rio de Janeiro
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NORMATÉCNICA

Método de ensaio
Origem: Projeto 02:004.02-019/1993
CB-02 - Comitê Brasileiro de Construção Civil
CE-02:004.02 - Comissão de Estudo de Identificação e Compactação de Solos
NBR 13601 - Soil - Dispersive characteristics of clay soil by crumb test - Method
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ABNT–Associação Brasileira Descriptor: Soil
de Normas Técnicas
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Válida a partir de 01.07.1996
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SUMÁRIO 2.2 Este fenômeno ocorre quando as forças de repulsão


1 Objetivo entre as partículas individuais da argila sobrepujam as
2 Generalidades forças de atração, de modo que, em contato com água,
3 Documento complementar estas partículas são progressivamente destacadas da
4 Aparelhagem e material massa de argila e formam uma suspensão. Caso haja
5 Execução do ensaio fluxo de água, as partículas dispersas são carreadas, en-
6 Resultados sejando a ocorrência do fenômeno conhecido como ero-
são interna (piping) por dispersão.
1 Objetivo
2.3 A susceptibilidade de ocorrer erosão interna por dis-
Esta Norma prescreve o método para a avaliação da dis- persão está associada principalmente com a relação en-
persibilidade de solos argilosos pelo ensaio do torrão tre a quantidade de cátions de sódio e a quantidade de
(crumb test), como proposto por Sherard, Dunnigan e cátions de sódio, potássio, cálcio e magnésio dissolvidos
Decker(1). Para tanto, efetuam-se observações visuais em na água intersticial. O sódio age no sentido de aumentar
torrões do material, imersos em água destilada, e confor- a espessura da camada dupla de água difusa, que
me o seu comportamento o solo é classificado como envolve as partículas individuais de argila, daí decorrendo
dispersivo ou não-dispersivo. uma redução nas forças de atração entre partículas,
possibilitando assim que estas sejam destacadas da
2 Generalidades massa de argila com mais facilidade.

2.1 De acordo com Sherard, Decker e Ryker(2), as argilas 2.4 Segundo Sherard, Dunnigan e Decker(1), se o ensaio
muito erodíveis são denominadas solos dispersivos, do torrão indica que ocorre dispersão, é provável que o
mesmo quando comparadas com solos não-coesivos solo seja dispersivo. O inverso, contudo, não é necessa-
como areias finas e siltes, as quais, em presença de água riamente verdadeiro, isto é, o ensaio pode indicar que
em movimento, sofrem erosão por um processo conhe- não ocorre dispersão e, no entanto, o solo pode ter com-
cido como dispersão ou defloculação. portamento dispersivo.

(1)
Sherard, J.L., Dunnigan, L.P., and Decker, R.S. (1976). "Identification and Nature of Dispersive Soils". Journal of the Geotechnical
Engineering Division, ASCE, vol.102, nº GT4, p.p. 287-301.
(2)
Sherard, J.L., Decker, R.S., and Ryker, N.L. (1972). "Piping in Earth Dams of Dispersive Clay". Proceedings of
the Specialty Conference on Performance of Earth and Earth - Supported Structures, ASCE, vol. 1, Part 1, p.p. 589-626.
2 NBR 13601/1996

2.5 Por este motivo, o uso do ensaio do torrão é recomen- 5.2.2 Ao longo de 1 h, observar as reações ocorridas e
dado apenas em investigações preliminares. Para com- atribuir um grau, de acordo com o prescrito em 5.2.2.1 a
provações mais conclusivas, sugere-se a realização de 5.2.2.4.
outros ensaios, como o ensaio sedimentométrico com-
parativo (SCS dispersion test), ensaios químicos da água 5.2.2.1 Grau 1 - Comportamento não-dispersivo
intersticial ou o ensaio do furo de agulha (pinhole test).
O torrão de solo pode absorver água, sofrer esboroamen-
3 Documento complementar to e esparramar-se no fundo do béquer, formando uma
pilha achatada, mas não se observa sinal de turvação no
Na aplicação desta Norma é necessário consultar: líquido, provocado por colóides em suspensão.

NBR 7182 - Solo - Ensaio de compactação - Método 5.2.2.2 Grau 2 - Comportamento levemente dispersivo
de ensaio
Há indícios de turvação na água, próximos à superfície
4 Aparelhagem e material do torrão (se a turvação for facilmente visível, registrar
como grau 3).
A aparelhagem e material necessários à execução do
ensaio são os seguintes:
5.2.2.3 Grau 3 - Comportamento moderadamente dispersivo
a) três béqueres de vidro com capacidade de
200 mL; Observa-se uma nuvem de colóides em suspensão, ge-
ralmente finos veios espalhando-se no fundo do béquer,
b) água destilada. facilmente reconhecível.

5 Execução do ensaio 5.2.2.4 Grau 4 - Comportamento fortemente dispersivo

5.1 Preparação da amostra Observa-se uma nuvem coloidal, geralmente uma película
muito fina, cobrindo quase todo o fundo do béquer. Em
5.1.1 A partir da amostra indeformada, talhar três torrões casos extremos, toda a água torna-se turva.
de formato aproximadamente esférico, com diâmetro
compreendido entre 6 mm e 10 mm. Esta operação deve Nota: É recomendável fotografar os torrões imersos na água, os
ser efetuada de forma a não ocorrer perda da umidade quais tenham apresentado comportamento representativo
natural. do material.

5.1.2 Na falta de amostras indeformadas ou se julgado 5.2.3 Classificar o solo como não-dispersivo, se o grau
interessante, os torrões podem ser obtidos a partir de atribuído tiver sido 1 ou 2, ou dispersivo, se o grau tiver
corpos-de-prova compactados de maneira análoga ao sido 3 ou 4, de acordo com o comportamento médio dos
procedimento descrito na NBR 7182, nas condições que torrões.
se espera ocorrer no campo.
6 Resultados
5.2 Ensaio
6.1 Apresentar a classificação atribuída e o correspon-
5.2.1 Colocar um torrão em cada béquer, contendo cerca dente grau. Proceder analogamente, se o ensaio tiver
de 150 mL de água destilada. sido realizado também com o emprego de solução de hi-
dróxido de sódio, registrando este aspecto.
Notas: a)O ensaio pode ser realizado também com solução de
hidróxido de sódio, com concentração de 6.2 Assinalar a natureza da amostra - se indeformada ou
1 meq/L (0,001 normal), a qual é obtida pela dissolução compactada em laboratório.
de 0,04 g de hidróxido de sódio anidro em 1000 mL de
água destilada.
6.3 Apresentar as fotos, se o ensaio tiver sido fotografado.
b) Sherard, Dunnigam e Decker(3) assinalam que esta
condição pode ser excessivamente severa, visto que 6.4 Apresentar a caracterização tátil-visual da amostra.
pode indicar a ocorrência de dispersão, embora o solo
seja não-dispersivo. 6.5 Apresentar referência a esta Norma.

(3)
Sherard, J.L., Dunnigan, L.P., and Decker, R.S. (1976). "Identification and Nature of Dispersive Soils". Journal of the Geotechnical
Engineering Division, ASCE, vol.102, nº GT4, p.p. 287-301.