Você está na página 1de 14

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

INTITUTO POLITÉCNICO – Centro Universitário UNA

COMPARATIVO DE CUSTO-BENEFÍCIO ENTRE CONCRETO


USINADO E CONCRETO CONVENCIONAL PREPARADO EM
OBRA

ENGENHARIA CIVIL

Leonardo Marques Miranda Rocha

Orientador Técnico
(Laísa Emmanuelle Brandão Miguel Vida)

Orientador Metodológico
(Karina Silva Campos)

RESUMO
Devido ao grande consumo do concreto em obras, este material pode ter adquirido
alguns métodos de fabricação que resultam em uma baixa qualidade e/ou resistência,
causando uma possível patologia grave ou gasto financeiro desnecessário. Este artigo
objetiva, por meio de uma pesquisa quantitativa, evidenciar a qualidade e o custo-
benefício do concreto fabricado em obras de pequeno e médio porte, onde em sua
maioria dosa-se o concreto por unidade de volume, utilizando a disseminada “lata de
pedreiro”. A pesquisa apresenta o comparativo da resistência do concreto usinado e
concreto convencional preparado em obra, além do custo de cada método de preparo.
Onde conclui-se a grande desvantagem do concreto convencional em relação ao
concreto usinado.

1. INTRODUÇÃO
Como pode-se perceber atualmente, o concreto é utilizado em grande maioria das
construções. Ele é facilmente encontrado em casas, viadutos, pontes, pavimentação,
usinas nucleares e em edificações desde as mais baixas até as mais altas do mundo.
Segundo pesquisas da Federación Iberoamericana de Hormigón Premezclado (FIHP),
é estimado o consumo de 11 bilhões de toneladas de concreto todo ano, tornando-o
assim, o segundo material mais utilizado em todo planeta, perdendo somente para a
água. (PEDROSO, 2009).
Sendo assim, será que o preparo usinado (mistura mecânica com alta precisão) e o
preparo convencional em obra (mistura mecânica em betoneira ou manual), resultam
no mesmo resultado técnico do concreto?
Este artigo tem como enfoque esta comparação. Analisar se há viabilidade no preparo
do concreto em obra (pelos meios convencionais de preparo), quando se dosa o traço
do concreto por unidade de volume, ao contrário do concreto usinado, que se utiliza
unidade de massa dos mesmos para dosar o traço. Portanto, comparar a qualidade
do método de volume que é muito utilizado, em diversas obras, com o método de
massa que são utilizados nas concreteiras.

1.1 Justificativa
É recorrente a ideia de que o custo do concreto usinado é superior ao custo do
concreto convencional preparado em obra. Mas quando é fabricado o concreto
convencional em obra, dentre os insumos, não estão somente o cimento, agregados
e a água. Assim, desmistificando esta primeira ideia. (VOTORANTIM
CIMENTOS,2016).
A equipe de oficiais e meio-oficiais, gastam muito tempo preparando a massa de
concreto em obra, que por sua vez, é de difícil controle de qualidade, pois depende
do treinamento e cuidado do profissional responsável para esta tarefa. Contraditando
o princípio que o tempo é um bem precioso na construção civil. (VOTORANTIM
CIMENTOS,2016).
Para que esse comparativo chegue a uma equivalência, é necessário a soma de todos
os insumos. Os materiais, transportes, maquinário, energia elétrica, mão de obra
necessária para fabricação do concreto convencional preparado em obra, que devem
ser inclusos no custo do mesmo.
Quanto a sua eficácia técnica, é necessário um experimento comparativo de
resistência, entre os processos de fabricação do concreto para que se possa constatar
e contribuir na análise de custo-benefício do emprego entre concreto usinado e
concreto preparado em obra.
1.2 Objetivos
1.2.1 Objetivo Geral
Comparar os métodos utilizados para fabricação do material mais utilizado na
construção mundial, sendo eles: preparado em usina (traço por unidade de massa),
preparado em obra convencional (traço por unidade de volume).

1.2.2 Objetivos Específicos


Elaboração de Corpos de Prova (CPs) para cada método de preparação do concreto,
rompidos através de uma prensa hidráulica, em busca da resistência característica à
compressão (fck) de cada um. Um estudo, que consiste em contabilizar o custo final
de cada concreto, pronto para o lançamento em seu local de aplicação na obra, com
objetivo de comparar o custo-benefício de cada preparo de concreto.

2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Composição do Concreto Portland
O concreto é um material que se origina de um longo processo de reformulações e
desenvolvimento, durante a história da humanidade, até que se resulte no concreto
de cimento Portland, o material estrutural mais importante na construção civil da
atualidade. (HELENE; ANDRADE, 2010).
Esse material é composto atualmente pela mistura de Cimento Portland, água,
agregado miúdo, agregado graúdo e aditivos (se necessário).
Cimento Portland: aglomerante hidráulico, composto principalmente por Clínquer
(calcário e Argila) e adições. Dentre as variações de adições, destaca-se o gesso, as
escórias de alto-forno, os materiais pozolânicos e os materiais carbonáticos.
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND, 2002).
Agregado miúdo: areia.
Agregado graúdo: pedra britada.
Aditivos: todo produto não indispensável à composição e finalidade do concreto. Faz
aparecer ou reforçar certas características como, trabalhabilidade, resistência
mecânica, compacidade, tempo de pega e endurecimento (retardar ou acelerar),
impermeabilidade, entre outros. (BAUER, 2000).
2.2 Relação água/cimento (a/c)
Segundo a NBR 12655:2015 - Concreto de cimento Portland - Preparo, controle,
recebimento e aceitação - Procedimento, a relação a/c é a relação em massa entre o
conteúdo efetivo de água e o conteúdo de cimento Portland e outros materiais
cimentícios.
Esta relação é extremamente importante para o resultado do concreto, pois não
interfere somente na trabalhabilidade do mesmo, mas influencia diretamente na
resistência e durabilidade do concreto.
Conforme demostra a Tabela 1, os valores máximos de a/c para cada classe de
agressividade, são fixados pela NBR 12655:2015.
TABELA 1 - Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto.

Fonte: ABNT,2015.

Treval Powers (1966), um grande pesquisador da área de concreto, desenvolveu uma


equação matemática, que relaciona a resistência à compressão do concreto, o grau
de hidratação do cimento e a relação a/c: (HELENE; ANDRADE, 2010).

0,68 × 𝛼 𝑛
𝑓𝑐 = 𝑘 [0,32 × 𝛼 + 𝑎/𝑐 ] (Equação 1)

Onde:
𝑓𝑐 : resistência à compressão numa certa idade, em MPa;
𝑘: constante que depende dos materiais utilizados;
𝑛: constante que depende dos materiais utilizados;
𝑎/𝑐: relação água/cimento ou água/aglomerantes, em massa;
𝛼: grau de hidratação do cimento em porcentagem.

2.3 Concreto convencional preparado em obra


O processo de preparo do concreto em obra, atualmente, já é considerado um método
rudimentar, devido a todos equipamentos e instrumentos já utilizados pelas centrais
de concreto. Assim, este processo pode ocasionar baixa precisão em sua realização,
comparado ao processo que as centrais têm disponível, e influenciar negativamente
nos resultados finais do concreto (UFJF, 2012).
Este primeiro processo, consiste na mistura do concreto em betoneira ou no chão
(com auxílio de enxada) e sua dosagem é feita por meio de padiolas (caixotes
previamente dimensionados para dosagem), projetando uma padiola para cada
material do traço. Entretanto em muitas obras utiliza-se um recipiente de 10, 12 ou 18
litros, chamado de lata de pedreiro, para dosar o traço do concreto, ele servirá de
dosagem para todos os materiais, possibilitando uma imprecisão para o resultado final
do concreto. Sendo assim, o traço do concreto é realizado por volume. Conforme
demonstra a figura 1 (UFJF, 2012).
FIGURA 1 - Procedimentos para o preparo do concreto, com auxílio de enxada.

Fonte: UFJF (2012).

Pelo comparativo do concreto convencional preparado em obra, com o concreto


usinado, é possível descrever algumas vantagens e desvantagens do primeiro sobre
o segundo (UFJF, 2012).
Dentre as vantagens que o preparo convencional apresenta, estão, a não
dependência de empresa terceirizada, para produção do concreto, produção de
concreto no horário desejado e na quantidade desejada, por menor que ela seja.
Dentre as desvantagens estão, a destinação de uma boa parte da área do canteiro de
obra, para armazenagem dos materiais, sendo que o local de armazenagem do
cimento deve ser vedado e coberto, devido ao isolamento da umidade com o ambiente
externo, caso contrário, é possível uma perda considerável do material. Além da falta
de precisão na dosagem do concreto devido as latas de pedreiro, grande influência
na limpeza e organização do canteiro de obra e possível gasto exagerado de
materiais, como a água e energia elétrica.

2.4 Concreto usinado


Existem dois tipos de centrais de preparação de concreto. As dosadoras e as
misturadoras. A central dosadora consiste somente em dosar os insumos do concreto
e os lançar no balão do caminhão betoneira, assim, o concreto é misturado no próprio
caminhão, conforme estrutura ilustrada na figura 2. Já a central misturadora também
é uma dosadora, porém acrescenta-se um equipamento que aumenta a qualidade de
produção, os misturadores, conforme figura 3. Com o movimento deste equipamento,
a ação dos agitadores e demais componentes, é possível uma distribuição uniforme
em toda a massa de concreto. Por consequência as centrais misturadoras produzem
um concreto mais homogêneo, apresentando as mesmas propriedades de resistência
e durabilidade projetadas, em toda a batelada (porção) e até mesmo em outros ciclos
de produção (REVISTA M&T, 2010).
FIGURA 2 - Central dosadora de concreto.

Fonte: RCO, 2017.


FIGURA 3 - Misturador planetário, com eixo vertical.

Fonte: Nowo Máquinas, 2017.

Pelo comparativo do concreto usinado com o convencional preparado em obra, é


possível descrever algumas vantagens e desvantagens do primeiro sobre o segundo
(REVISTA M&T, 2010).
Dentre as vantagens que o concreto usinado apresenta, estão, a não necessidade de
área no canteiro central, para armazenagem dos materiais, responsabilidade da
central sobre o controle dos materiais, dosagem, mistura, transporte e a resistência
do concreto, segundo a NBR 12655:2015, resultado final com melhor precisão, devido
os traços serem dosados por unidade de massa e a necessidade de mão de obra
própria somente no lançamento do concreto.
Dentre as desvantagens estão, a dependência nos horários disponíveis na
programação da empresa detentora da central, a quantidade solicitada à central, deve
atender a quantidade mínima padrão da mesma e a validade do concreto, pois devido
a um grande volume de concreto dentro do “balão” do caminhão, que entregará esse
material na obra, é necessário o consumo relativamente rápido do material, devido a
sua validade (período máximo em que o concreto ainda apresenta trabalhabilidade).

3. METODOLOGIA DA PESQUISA
3.1 Qualidade técnica
A comparação da qualidade técnica, consistiu na moldagem de quatro CPs de
concreto para fck de 15 MPa e dois CPs de concreto para fck de 30 MPa. Entre os
CPs de concreto usinado estão, dois para fck de 15 MPa e um para fck de 30 MPa,
conforme figura 4. O restante dos CPs, foram moldados através de concreto
convencional.
Foram realizados dois métodos para se obter o traço em volume do concreto
convencional, sendo, por meio da conversão do traço em unidade de massa em
unidade de volume, para o fck de 15 MPa e por meio de tabela prática de traços de
concreto, para o fck de 30 MPa.
Para moldagem e cura dos corpos de prova, todos os procedimentos foram
executados conforme a NBR 5738/2015 - Concreto - Procedimento para moldagem e
cura de corpos-de-prova. Para o ensaio de compressão foi consultada a NBR
5739/2007 - Concreto - Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos.
O concreto usinado, para fck de 15 MPa, foi composto por 216,2 kg de cimento
Portland CP IV, 1.010,0 kg de areia, 932,6 kg de brita nº 01, 120,6 kg de água. Para
obter o traço unitário em relação à 1 kg de cimento, é necessário a divisão de cada
material pelo peso total de cimento, resultando no seguinte traço unitário por unidade
de massa 1:4,67:4,31:0,56, sendo cimento Portland, areia, brita nº 01 e água
respectivamente.
FIGURA 4 - Corpos de prova de concreto usinado moldados.

Fonte: Autor, 2018.

Para a conversão do traço de unidade de massa em unidade de volume, é necessário


a divisão das unidades em massa pelo peso específico aparente de cada material. A
Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 6120/1980 - Cargas para o cálculo
de estrutura de edificações, apresenta estes valores, sendo o do cimento 1,4 kg/dm³,
areia 1,7 kg/dm³, pedra britada 1,8 kg/dm³ e água, material com peso específico já
conhecido, 1 kg/dm³.
Com a divisão da unidade de cada material do traço em massa, pelo seu respectivo
peso específico aparente, obtêm-se o seguinte traço por unidade de volume
0,71:2,75:2,39:0,56. Porém, para facilidade da dosagem em obra, é fundamental a
transformação desse traço para um traço unitário, em relação à uma unidade de
cimento. Dividindo todas as porções pela unidade de cimento Portland, é atingido o
seguinte traço unitário por unidade de volume 1:3,87:3,37:0,79.
Apresentado o traço do concreto convencional para fck de 15 MPa, foi executada a
moldagem dos CPs, conforme figura 5.
Utilizada a tabela 2, extraiu-se o traço por unidade de volume, para execução do
concreto convencional objetivando fck de 30 MPa.
FIGURA 5 - Corpos de prova de concreto convencional moldados.

Fonte: Autor, 2018.

TABELA 2. Traços de concreto para uso em obras

Fonte: Universidade Potiguar, 2012.

Todos os materiais utilizados no concreto usinado, foram utilizados para o preparo do


concreto convencional, sendo da mesma natureza e lote, estocados na concreteira,
maximizando a precisão da comparação dos métodos de preparo. O método
executado para a execução do concreto convencional foi o manual, com auxílio de
enxada.
Após a moldagem dos CPs, os mesmos foram dispostos sobre uma superfície plana
e rígida durante 24 horas, para que seja feita a sua cura inicial. Após o prazo descrito,
esses foram totalmente submersos em um tanque com solução saturada de hidróxido
de cálcio, não expostos a água em movimento e gotejamento, até o momento do seu
rompimento.
3.2 Custo financeiro
Para quantificar os custos de cada método, foi adotado um local para obra onde a
mesma está localizada, hipoteticamente, a quinze quilômetros de distância da
concreteira, do areial (local destinado a extração de areia) e da pedreira.
O representante comercial da concreteira, localizada na região metropolitana de Belo
Horizonte/MG, afirmou que para a entrega do concreto para fck de 15 MPa, segundo
a distância adotada até a obra, o valor é de R$ 170,00 por metro cúbico.
Para calcular o custo do mesmo concreto, porém preparado convencionalmente em
obra, foi utilizada a 13ª edição da TCPO - Tabelas de Composições de Preços para
Orçamentos e as tabelas de Preços de Insumos e Custo de composições - sintético
do SINAPI - Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil,
visando a composição desta atividade.
O item 03310.8.1, da 13ª edição da TCPO, apresenta o consumo médio de seis horas
de servente, para o preparo de 1 m³ de concreto, executado em betoneira de 1,5 KW
e capacidade de 400 litros.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Qualidade técnica
Rompidos os CPs, decorridos 7, 14 e 33 dias após sua moldagem, os mesmos
apresentaram as seguintes resistências características à compressão, conforme a
Tabela 3.
TABELA 3. Resultados dos ensaios de compressão
Resistência característica à compressão (MPa)
Concreto usinado Concreto convencional
Fck 30 MPa Fck 15 MPa Fck 30 MPa Fck 15 MPa
7 dias 14 dias 33 dias 7 dias 14 dias 33 dias
22,22 14,89 21,06 10,4 6,74 11,08
Fonte: Autor, 2018.

Para analisar os fcks apresentados pelos CPs, foi consultada a NBR 6118:2014 -
Projeto de estruturas de concreto - Procedimento, onde a mesma apresenta
expressões para determinar a resistência de cálculo do concreto, para datas iguais ou
superiores a 28 dias de idade do concreto, conforme equação 2 e para datas
anteriores aos 28 dias, conforme as equações 3 e 4.
𝑓𝑐𝑘
𝑓𝑐𝑑 = (Equação 2)
𝛾𝑐
𝑓𝑐𝑘
𝑓𝑐𝑑 = 𝛽1 (Equação 3)
𝛾𝑐
1⁄
28 2
𝛽1 = 𝑒𝑥𝑝 {𝑠 [1 − ( 𝑡 ) ]} (Equação 4)

Onde:
𝑓𝑐𝑑 : resistência de cálculo do concreto, em MPa;
𝛾𝑐 = 1,4 para combinações normais: coeficientes de ponderação das resistências,
adimensional;
𝑡: idade efetiva do concreto, em dias;
𝑠 = 0,38 para concreto de cimento CPIII e IV.

Utilizando as expressões sobre os resultados dos ensaios, o concreto para o fck de


30 MPa, com idade igual a 7 dias, deveria atingir no mínimo 14,65 MPa, enquanto o
concreto para o fck de 15 MPa, com idade igual a 14 dias, deveria atingir no mínimo
9,15 MPa e o concreto para o fck de 15 MPa, com idade igual ou superior a 28 dias,
deveria atingir no mínimo 10,71 MPa.
Deste modo, somente o concreto convencional não atingiu, nas idades anteriores a
28 dias, o fck mínimo necessário, ultrapassando o limite que o coeficiente de
ponderação das resistências assegura, tornando-o irregular para projetos estruturais
onde será exigido.
Entretanto, o concreto convencional, por mais que não tenha atingido os 15 MPa de
fck, está dentro da faixa assegurada pelo coeficiente de ponderação, porém muito
próximo do mínimo necessário.

4.2 Custo financeiro


Atribuídas as quantidades necessárias de cada material, mão de obra e insumos em
geral, foi possível a execução de uma planilha de custo, conforme tabela 4, para
estimar o custo da execução por metro cúbico, do concreto convencional preparado
em obra, objetivando fck de 15 MPa, conforme traço utilizado pela concreteira.
TABELA 4. Planilha de custo
Planilha de custo - Concreto convencional preparado em obra (m3)
Item Código Descrição Unidade Quantid. Preço unit. Preço total
1 34753* Cimento Portland pozolânico CP IV-32 kg 216,2 R$ 0,33 R$ 71,35
2 370* Areia média - posto jazida/fornecedor
(retirado na jazida, sem transporte) m³ 0,6 R$ 60,00 R$ 36,00
3 97914** Transporte com caminhão basculante de 6
m3, em via urbana pavimentada, dmt até 30
km (unidade: m3xkm). Af_01/2018 (areia) m³xkm 9 R$ 1,47 R$ 13,23
4 4721* Pedra britada n. 1 (9,5 a 19 mm) posto
pedreira/fornecedor, sem frete m³ 0,52 R$ 58,75 R$ 30,55
5 97914** Transporte com caminhão basculante de 6
m3, em via urbana pavimentada, dmt até 30
km (unidade: m3xkm). Af_01/2018 (pedra
britada) m³xkm 7,8 R$ 1,47 R$ 11,47
6 copasa Abastecimento de água - Residencial (0 a
5m³) m³ 0,12 R$ 0,96 R$ 0,12
7 14250* Energia elétrica comercial, baixa tensão,
relativa ao consumo de até 100 KWh,
incluindo ICMS, PIS/Pasep e COFINS KW 0,459 R$ 0,47 R$ 0,22
8 - Aluguel de betoneira - 400 l - 2 cv dia 1 R$ 8,18 R$ 8,18
9 37666* Operador de betoneira
estacionária/misturador hora 6 R$ 11,58 R$ 69,48
Total R$ 240,58
* SINAPI - Preços de Insumos
** SINAPI - Custo de composições - sintético
Fonte: Autor, 2018.

Onde o preço unitário do item 6 foi estipulado com informações oficiais da ARSAE-
MG (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento
Sanitário do estado de Minas Gerais) e preço unitário do item 8, obtido através da
divisão do valor mensal de locação da betoneira por 22 dias úteis. Valor mensal obtido
pelo resultado da média do valor mensal, entre três locadoras de equipamentos para
construção civil, região metropolitana de Belo Horizonte/MG.

5. CONCLUSÕES
Atingidos os objetivos de evidenciar as resistências características à compressão e o
custo final de cada método, conclui-se que o concreto usinado, onde se utiliza a
dosagem do traço por meio de unidades de massa, é vantajoso em diversos aspectos
apresentados neste artigo. Dentre os principais, destaca-se, a garantia de obtenção
do fck conforme solicitado no projeto, como demonstra os ensaios laboratoriais
realizados, onde a eficácia técnica dos CPs ensaiados, ultrapassou os valores de fck
estipulados. Além do valor inferior em relação ao concreto convencional, sendo neste
estudo, 29,34% mais barato, uma diferença considerável quando acrescentado à
quantidade que será consumida de concreto na obra.
Sendo a principal desvantagem do concreto convencional, a grande possibilidade de
não atingir a faixa de fck assegurada pelo coeficiente de ponderação da NBR
6118:2014, sequer o fck projetado, caso ocorra esse evento e seja utilizado na
estrutura, possivelmente ocasionará em uma patologia grave, onde o concreto é
submetido a carga superior a suportada, podendo a estrutura colapsar, resultando
sobre o responsável técnico da obra um crime civil, penal ou criminal, com vítimas ou
não, segundo Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406-2002) e Código Penal (Decreto Lei
nº 2.848-1940).
Entretanto, caso o proprietário do empreendimento opte pelo concreto convencional,
é recomendável a utilização de um meio de preparo que se assemelhe ao concreto
usinado, dosando todos os materiais do traço do concreto, por meio de unidades de
massa, além de uma fiscalização maior em seu preparo, realizada por um profissional
qualificado. Como sugestão, a aquisição de uma balança com suporte até 150
quilogramas, investimento com valor mínimo em relação ao valor da etapa de
concretagem, que poderá ser aproveitada em outras diversas obras, que possibilitará
um grande ganho na precisão do fck do concreto.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARSAE-MG. Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de
Esgotamento Sanitário do estado de Minas Gerais. Resolução ARSAE-MG 96, de 29
de junho de 2017. Minas Gerais, 2017.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Guia básico de utilização
do cimento portland. 7.ed. São Paulo, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cargas para o cálculo de
estrutura de edificações. NBR 6120/1980. Rio de Janeiro, 1980.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Concreto - Ensaio de
compressão de corpos-de-prova cilíndricos. NBR 5739/2007. Rio de Janeiro,
2007.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Concreto - Procedimento
para moldagem e cura de corpos-de-prova. NBR 5738/2015. Rio de Janeiro, 20015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Concreto de cimento
Portland - Preparo, controle, recebimento e aceitação - Procedimento. NBR
12655/2015. Rio de Janeiro, 2015.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de estruturas de
concreto - Procedimento. NBR 6118/2014. Rio de Janeiro, 2014.
BAUER, Luiz Alfredo Falcão (Coord.); DIAS, João Fernando (Ver. Téc.). Materiais de
construção 1. Rio de Janeiro: LTC, 2000.
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal, 1940. Rio
de Janeiro, 1940.
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil, 2002. Brasília, 2002.
EDITORA PINI LTDA. TCPO 13ª edição - Tabelas de Composições de Preços para
Orçamentos. São Paulo: EDITORA PINI LTDA, 2010.
HELENE, Paulo; ANDRADE, Tibério. Concreto de Cimento Portland. In: Materiais
de construção civil e princípios de ciência e engenharia de materiais. São Paulo:
ISAIA G. C., 2010.
PEDROSO, Fábio Luís. Concreto: as origens e a evolução do material construtivo
mais usado pelo homem. Concreto e Construções, Nº 53, p. 14-19, jan./fev./mar.,
2009.
PET CIVIL UFJF. Semana Especial – Concreto Virado em Obra. Disponível em:
<https://blogdopetcivil.com/2012/06/12/concreto-virado-em-obra/> Acesso em: 20 de
novembro de 2017.
REVISTA M&T - MANUTENÇÃO E TECNOLOGIA. Tecnologias para a qualidade
da mistura. Procuram-se profissionais especializados, 137.ed., ago., 2010.
SINAPI - Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil.
Preços de Insumos. Minas Gerias: Caixa Econômica Federal e IBGE, 2018.
SINAPI - Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil.
Custo de composições - sintético. Minas Gerias: Caixa Econômica Federal e IBGE,
2018.
VARELA, Marcio. Minicurso De Dosagem de Concreto método ABCP/ACI.
Mossoró: Universidade Potiguar, 2009.
VOTORANTIM CIMENTOS. Concreto usinado: vale a pena em pequenas obras?.
Disponível em: <http://www.mapadaobra.com.br/negocios/concreto-usinado-vale-a-
pena-em-pequenas-obras/> Acesso em: 22 de setembro de 2017.