Você está na página 1de 16

FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRÁZ

EDUCAÇÃO ESPECIAL: DEFICIENCIA, PRECONCEITO E DESIGUALDADE;


UMA REFLEXÃO NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO.

CURITIBA
2018
FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRÁZ
JULIANA DOS SANTOS OLIVEIRA

EDUCAÇÃO ESPECIAL: DEFICIENCIA, PRECONCEITO E DESIGUALDADE;


UMA REFLEXÃO NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO.

Trabalho entregue à Faculdade de Educação São


Braz, como requisito legal para convalidação de
competências, para obtenção de certificado de
Especialização Lato Sensu, do curso de Educação
Especial Inclusiva conforme Norma Regimental
Interna e Art. 47, Inciso 2, da LDB 9394/96.

Orientadora: Professora Cecília Landarin Heleno

CURITIBA
2018
RESUMO
Tendo por finalidade conhecer alguns aspectos ligados a Educação Especial e Inclusiva este artigo
enfatiza a importância do estudo da mesma, entre os quais, características que podem indicar desde
a presença da deficiência até propostas de atendimento, que se diferenciam, dependendo da
concepção adotada, conforme defendido por muitos pesquisadores. O trabalho, remonta o leitor ao
caminho do processo de inclusão, e as mudanças relacionadas a essas transformações - politicas e
sociais - bem como os entraves que permearam essas ações. Contudo, as conquistas atingidas no
âmbito legal e as perspectivas que recomendam um exemplo de escola ideal que atenda a todos,
considerando sua individualidade. No decorrer do trabalho buscou-se enfatizar o processo de
construção histórica e tão importante quanto compreender tal processo é a escola assumir a
responsabilidade pela aprendizagem das crianças e jovens que chegam até os espaços educativos
em condição bastante peculiar. O presente estudo foi desenvolvido exclusivamente por meio de
pesquisa bibliográfica a diversos estudiosos que defendem esse tema, permitindo assim, uma nova
analise sob outro enfoque ou abordagem, produzindo novas conclusões. Atitudes proativas ainda são
o grande estopim de mudanças, o que acontece sem informações cada vez mais aprimoradas sobre
o assunto. Porém, para que haja uma verdadeira inclusão, é preciso que os professores tenham o
apoio das famílias dessas crianças, tendo a acessibilidade do mesmo na escola de ensino regular
para obter autonomia e possa exercer sua cidadania. Desta forma, fundamentando-se o perfil
democrático, justo e solidário. Para a realização da pesquisa, relacionou-se diferentes acervos de
cunho bibliográfico e cientifico referentes ao tema tratado.

PALAVRAS-CHAVE: Percurso. Inclusão. Aspectos. Sociedade


1. INTRODUÇÃO

Diante do paradigma da exclusão e inclusão, faz-se necessário refletir a


respeito dos movimentos sociais que almejaram a criação de uma sociedade justa e
igualitária, a partir da transformação da realidade, onde as diferenças ganhavam
mais espaço frente o desejo de igualar os direitos em favor de uma educação
inclusiva. Neste contexto, destaca-se o trabalho da Educação Especial e o
Movimento de Integração Social, como primeiros esforços realizados por conta da
construção de uma sociedade com oportunidades iguais para todos, almejando o
direito pleno e soberano de todos sem aspectos superando barreiras físicas,
espaciais, psicológicas, culturais, entre outras, esses são temas importantes que
não podem ser ignorados, quando a proposta é a construção de uma nova
sociedade onde haja a inclusão.
Este tema justifica-se pelo reconhecimento da escola, como berço da
aquisição da educação escolar, fruto da necessidade e da inventiva humana, como
direito legal, prioritário, instrumento do exercício da cidadania. Tendo como objetivo
comparar os caminhos e descaminhos percorridos com o passar da história na
concretização do processo de inclusão.
A questão que move esta pesquisa é o questionamento: Quais entraves a
comunidade escolar encontra para a concretização do processo de inclusão?
Assim, os textos de Bueno (1997) esclarecem que o limite entre a
normalidade e a anormalidade não pode ser determinada sem considerar produção
da marginalidade inerente à moderna sociedade industrial.
Esses limites são determinados historicamente, servindo a interesses nem
sempre explícitos, dessa mesma sociedade. O alerta do autor, cabe ao fato de que
educação especial tenha sido confinada à adaptação dos procedimentos
pedagógicos diante das dificuldades do alunado, restringindo-se às peculiaridades
da população que absorve.
O objetivo deste artigo é esclarecer ao leitor, a trajetória histórica / social do
processo de Inclusão, suas implicações políticas e legais, suas conquistas e
dificuldades, assim como as mudanças que sugerem o perfil da escola para todos.
A metodologia é a pesquisa bibliográfica em textos científicos da literatura da
área, resgate sociocultural com foco na análise das diferentes concepções
constituídas no decorrer do tempo sobre a educação inclusiva.
Esta pesquisa argumenta acerca do processo de inclusão.
Inicia-se a pesquisa com estudos e reflexões com ênfase no resgate histórico-
social do processo de inclusão no âmbito educacional.
A seguir, aborda-se os entraves que se verificam atualmente para a
concretização da inclusão, sobretudo, valorização das conquistas, estabelecendo
reflexões em favor do perfil da escola ideal, que contemple a educação para todos.
Assim, Mazzotta (2003) aponta para a necessidade de tratarmos a escola e o
aluno como especiais e únicos, uma vez que não devemos generaliza-los, de forma
a aplicar um exemplo como regra. Sendo assim, a educação tem como apoio as
diferenças como uma característica interna ao homem, Santos (2003) afirma, que há
a necessidade de oferecer educação para todos. Assim, para Ferreira (2006),é papel
do professor ,oferecer o ingresso a educação, removendo obstáculos que venham a
excluir os estudantes.

2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL.

Considerando que não há presente sem passado não se pode deixar de


conhecer, embora de forma breve, a trajetória da Educação Especial para entender
melhor as tendências que atualmente são adotadas. De acordo com Chiavini (2016),
reconhecer as concepções e fatos a que se refere à Deficiência ao longo dos
tempos, infere valores e veracidade que auxiliam compreender de maneira
empática, a trajetória da pessoa com deficiência e seu lugar na sociedade atual.
Ainda de acordo com a autora, a prática inclusiva transformadora precisa estar
fundamentada em conhecimentos históricos e teóricos. Sendo assim, os aspectos
históricos são relevantes para que possamos refletir nas decisões de outrora, a fim
de que os atos da contemporaneidade possam transpor as barreiras do
pragmatismo e possam avançar em favor do desenvolvimento integral humano.
Pode-se afirmar que, no decorrer da história, a pessoa com deficiência foi
concebida e estigmatizada pela sociedade, conforme as concepções de homem, de
sociedade, seus valores sociais, morais, religiosos e éticos. O conceito de
deficiência, eventualmente foi redesenhado de acordo com as mudanças
econômicas e sociais, bem como os ideais que permeiam cada período da história
da humanidade. Os acontecimentos refletem uma realidade social, política e
histórica que influenciaram muito a vida educacional dos alunos surdos no mundo,
passando a contribuir para tomadas de posições, referente ao que conhecemos
como formação da identidade do sujeito com deficiência.
Em épocas passadas, a pessoa considerada imperfeita perante a sociedade,
era rejeitada e segregada. Segundo Pessoti (1984, p. 3), na cidade de Esparta, as
crianças nascidas com alguma deficiência, não eram consideradas humanas, e
justificava sua não existência, o que acabava culminando em sua eliminação ou
abandono (PESSOTI 1984, p. 3). Na Idade Média, sob a influência da clerezia
católica, o deficiente era visto como um ser inferior, porem, já acreditava-se que este
possuía alma, ou seja, era filho de Deus , como descreve SCHWARTZMAN, (1999,
p. 3 - 15).. Sendo assim, não eram mais abandonados, e sim, amparados e
refugiados em instituições de caridade. Porem, a pessoa com deficiência mental,
acreditava-se ser o fruto herege da união de uma mulher com o demônio, o que
justificava, o extermínio de ambos, mãe e filho , na fogueira .
Outras práticas abusivas e bizarras eram comumente utilizadas, bem como
praticas de maus-tratos a pessoa com deficiência até meados século XVI, onde a
figura do deficiente mental deixou de ser associada a seres possuídos pelo diabo e
dignas de tortura e fogueira, e passou a ser considerado, doente ou vítima de forças
sobre-humanas, dignas de tratamento e complacência.
Diante disso, no decorrer da historia, as concepções a respeito da pessoa
com deficiência , ganhou proporção em varias áreas do conhecimento. Porem, foi
somente no século XIX que se observou uma atitude de responsabilidade pública
frente às necessidades do deficiente, tornando o tema cada vez mais accessível. Tal
atitude, vem favorecendo, desde então, a discussão e a institucionalização ao
ensino especializado, o que gera uma busca permanente frente a inclusão e
consequentemente a melhora na qualidade de vida destes indivíduos.
3. NECESSIDADE ESPECIAL, PRECONCEITOS E DESIGUALDADES.

A trajetória da pessoa com deficiência sempre foi marcada por rejeição,


discriminação e preconceito por suas raízes históricas e culturais. Esse conceito
passou a ser motivo de preocupação por se tratar da convivência de pessoas
especiais que viviam isoladas, sem perspectivas de serem consideradas iguais
apesar das diferenças e dificuldades. As dificuldades foram consideradas como fator
problema, onde as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência passavam a dar
trabalho e serem vistas como empecilho, e acabam sendo rejeitadas virando motivo
de pena e separação das pessoas, onde tinham em mente que o mais forte
sobrevive, gerando preconceito e abandono entre as pessoas.
Por sua vez a sociedade grega, garante atendimentos ás necessidades
básica garantidas pelos escravos, onde os homens perfeitos poderiam se
estabelecer e dedicar-se aos trabalhos e servir de modelo padrão. Onde se
encaixavam no ¨leito de Procusto¨ dos espartanos da mitologia grega, esse leito
estabelecia a forma do corpo das pessoas e os modelava para serem tratados como
perfeitos e atingir os parâmetros legais e monstruosos da padronização. Conforme
Marx, ¨determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de
produção, que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das forças
produtivas materiais¨, os homens vão se relacionando e se organizando no meio
para garantirem a sobrevivência e o cumprimento das exigências estabilidades no
decorrer nos séculos. Com isso passaremos a entender a forma de vivencia das
sociedades primitivas e como tratavam as pessoas portadoras de necessidades
especiais e seus métodos de sobrevivência.
A Educação Especial tem como princípio fundamental, atuar mediante
alternativas para a realização da Educação Inclusiva, pois provê, em sua atuação,
atenuar inúmeros fatores que se constituem como necessidades diferentes,
específicas de categorias diferentes, que afetam a vida pessoal, educacional e social
do aluno.
O Professor de Educação Especial necessitará se organizar de várias formas,
para que seus métodos de trabalhos sejam coerentes à garantia e a permanência
dos alunos especiais no ambiente escolar, para que estes possam interagir com os
alunos do ensino regular de forma livre.
Para Mazzota (1993, p 30): “[...] E, quanto mais ‘saber’ tiver o professor, mais
fará com que os alunos a adquiram”, sendo assim, o professor deverá cada vez mais
estar capacitado e motivado para obter conhecimentos que permitam desenvolver
suas habilidades em relação aos processos de ensino e aprendizagem dos alunos
com necessidades especiais, para que estes possam receber o ensino que lhes é
indispensável para a vida pessoal e social.
O professor de Educação Especial tem papel importante para o
desenvolvimento do trabalho educativo, assim, este deverá trabalhar de forma que
desenvolva sua própria competência profissional, prestando apoio e dando o aporte
necessário para que o aluno desenvolva-se plenamente, através da troca de
experiências entre seus pares e entre seus alunos, de forma que todos adquiram
conhecimentos para a vida profissional e educativa.
Conforme Mazzota, (1993, p. 31), [...] “o saber consiste na posse, pelo
educador especializado, de certo número de conhecimentos que ele é o único em
possuir, e que tem, ou se impõe o dever de transmitir, e que só ele é capaz de
transmitir”, essa atuação exige que o professor esteja centrado nos valores do saber
do aluno, e seu principal foco consista na perspectiva de ampliar a busca pelos
conhecimentos, de forma a oferecer um ensino de qualidade. Mantendo uma
aproximação com a realidade do aluno e a construção de uma relação social entre
ambos que fortaleça a aprendizagem.
A inclusão escolar está articulada à igualdade e ao acesso de serviços de
forma a oferecer ensino igualitário, sem distinção de etnia, cor, sexo, poder
econômico, religioso ou qualquer tipo relacionado ao preconceito, respeitando os
limites e a capacidade de cada um, onde os meios de aprendizagem sejam iguais
para todos.

4. EDUCAÇÃO ESPECIAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA.

A Educação Especial orienta as ações de atendimento no processo


educacional dos alunos com necessidade especial, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades/superlotação, atendendo suas especificidades
de forma ampla e organizando o desenvolvimento das práticas colaborativas na
perspectiva da educação inclusiva, onde atua de forma articulada com o ensino
comum.
A Educação Inclusiva por sua vez, é responsável por grande partem do
sistema de inclusão no âmbito escolar, ela oferece caminhos pedagógicos que parte
de princípios de uma educação igualitária a todos, a fim de garantir que as unidades
escolares ultrapassem o patamar que se encontram e fortaleçam os currículos para
a efetivação da inclusão como forma prioritária. A educação inclusiva provém de
modos eficazes dos trabalhos dos docentes para construir uma ponte entre as
crianças como um todo, independentemente de suas necessidades, especiais ou
não, para que juntas possam participar com dignidade e desfrutarem dos seus
direitos de forma igualitária na aquisição de hábitos e atitudes que facilitem a
convivência social e a valorização da autonomia dentro e fora de sala de aula.
A escola se torna inclusiva quando reconhece as necessidades dos alunos e
adota práticas pedagógicas que visam à participação de todos com propostas que
ultrapassem os limites de exclusão, onde o progresso seja redefinido de forma
igualitária para aplicações compatíveis com os ideais de inclusão.
Portanto, incluir somente a criança, sem ater-se às suas reais necessidades
não significa inclusão, bem como:

Reconhecer a necessidade de atendimento educacional especializado, não


significa dizer que seja o mesmo para todos, pois alunos que apresentam os
distúrbios de aprendizagem têm características diferenciadas das dos
portadores de necessidade especial. Aqueles possuem integridade geral de
suas funções sensoriais, intelectuais, físicas e emocionais e uma
necessidade especial na aprendizagem, diferentemente dos portadores de
necessidade especial que têm dificuldades nos processos adaptativos em
geral, decorrentes das limitações impostas pela necessidade especial de
que são portadoras. (CARVALHO, 2000, p. 49)

A Escola Inclusiva tem como objetivo oferecer recursos que proporcionem


interação e igualdade entre os alunos, respeitando as diferenças e os ritmos de
aprendizagem de forma benéfica com o intuito voltado à realização da inclusão
escolar de forma reconhecida e valorizada, independente da clientela atendida.
Deve abranger um trabalho voltado à realização das práticas pedagógicas inclusivas
e um trabalho fortalecido de toda equipe escolar para ofertar um ensino qualificado
para que os alunos possam atingir seu potencial.
5. O PAPEL DA FAMÍLIA NO PROCESSO INCLUSIVO DA PESSOA COM
DEFICIENCIA

Para que haja uma sociedade inclusiva, antes de tudo deve haver uma
conscientização sistêmica e empática da necessidade de se fazer incluir. Tal ato
exige desde uma estruturação de pensamentos , até mudanças de paradigmas
culturais e sociais. Tal adequação requer tempo e aceitação da pessoa com
deficiência em sua normalidade, respeitando-a integralmente em sua singularidade.
Desse modo, as mudanças em relação ao pensamento da sociedade frente às
deficiências, serão desencadeadas e norteadas pela aceitação e respeito. Aceitação
esta, que se deve começar pela própria família.
Ao analisar a historia da educação especial, bem como da pessoa com
deficiência, constatou-se que era comum que os pais de “filhos especiais”, tardavam
a matricular seus filho na escola regular, quando de sequer o faziam. Isso se dava
por conta a crença de que seus filhos não teriam capacidade de aprender e de se
desenvolver como as demais “crianças normais”. Era comum, que os pais de
crianças com deficiência, acreditarem e valorizarem seus filhos não por suas
habilidades e sim por suas visíveis limitações. Dessa maneira, resumiam suas
obrigações a levar seus filhos periodicamente ao medico acompanhando seu estado
de saúde.
Uma vez que essas crianças não se enquadravam no “padrão comum”, eram
segregados da vida social, tornando-se anormais, sem nenhuma capacidade
intelectual, espiritual, física, psíquica, o que os tornavam incapazes de terem uma
vida saudável e comum. Quando , tardiamente, essas crianças chegavam a
frequentar a escola regular, bem como espaços sociáveis de interação, em sua
maioria já estavam defasados de aprendizagem e consequentemente, muitas de
suas habilidades que poderiam ter sido desenvolvidas, já haviam se perdido.
A falta de informação das família , acerca da deficiência , levava muitos pais a
um estado de completo desespero e desamparo. Levando muitas vezes a se
sentirem culpados e deprimidos , vindo a desencadear um processo depressivo em
todos os componentes da família, o que por muitas vezes se convertia em um
quadro de descaso e exclusão da pessoa com deficiência. ARDORE (1988 , p. 8),
afirma, que a a chegada de uma criança com deficiente na família, afeta não
somente os pais, mas todo o núcleo familiar, em especial, os irmãos, pois a mesma
demanda total atenção e em alguns casos, cuidado pervasivo por parte dos pais, o
que resulta em uma desatenção aos demais filhos.
Aproximar a criança com deficiência intelectual de outras crianças, possibilita
o diálogo e a socialização, o que facilita a aceitação e a interação por parte destes
indivíduos. Por ser ativo, o diálogo se modifica, pois cada um dos sujeitos envolvidos
tem suas próprias vivências de diálogos entrelaçados com outros sujeitos, situação
permitida, pela partilha de ideias e concepções. Sendo assim, a família possui um
papel fundamental no processo de inclusão e conscientização para uma sociedade
mais justa e cada vez mais incluída.
O modelo ecológico do desenvolvimento humano de acordo com
Bronfenbrenner (1996),remonta a uma nova perspectiva sobre o desenvolvimento
humano, considerando a pessoa, o processo, o tempo de aprendizado e seu
contexto. Sendo assim, sua abordagem enfatiza a importância da convivência da
criança com o meio em seu processo de aprendizagem. Dessa forma, para que haja
desenvolvimento, o nível emocional e social da criança deve estar ativamente ligado
uma participação ativa com outras pessoas de seu meio.
O processo de interação da criança com deficiência intelectual com outras
crianças sem comprometimento cognitivo, intrinsicamente ligado aos vários
ambientes onde vive influenciam significativamente em seu desenvolvimento. Por
este motivo, o papel da família no processo de inclusão é de extrema importância,
pois favorece a autonomia e promove a autoestima do sujeito com deficiência.

6. A INCLUSÃO ESCOLAR SOB UM NOVO OLHAR.

No que se refere ao campo educacional, para que todos possam ter acesso
as oportunidades oferecidas, o processo de inclusão da pessoa com deficiência tem
passado por vários processos de reformulação e reestruturação do ambiente escolar
em sua totalidade .
De acordo com Chiavini (2016), entende-se como escola inclusiva, aquela
que não segrega, acolhendo a todos sem distinção e ensinando de forma igualitária.
De acordo com a autora, a escola inclusiva promove a interação social e a
valorização das habilidades e da diversidade, na filosofia de que são as diferenças
que fortalecem a todos os indivíduos.
O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política, cultural,
social e pedagógica, em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos,
aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. De tal modo, a
educação especial passa a fazer parte e somar com a proposta pedagógica da
escola regular, em todas suas modalidades, promovendo o atendimento à pessoa
com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades.
A educação especial atua de forma conjunta com o ensino comum, no
objetivo de orientar e dar subsídios às necessidades educacionais do alunocom
deficiência, direcionando suas ações para o atendimento às suas especificidades.
Sendo assim, a educação especial tem orientado a organização de redes de apoio,
e a formação continuada, no intuito de identificar os recursos e serviços que
promovam o desenvolvimento das práticas colaborativas.
Partindo do pressuposto de que as pessoas se modificam continuamente,
este cenário vm sendo modificado de acordo com a realidade em que estão
inseridas. Sendo assim, torna-se necessário uma atuação pedagógica voltada para
alterar a situação de inclusão, reforçando a importância da participação de todos os
envolvidos na promoção da aprendizagem dos alunos.
A deficiência passou a ganhar novo enfoque e com o passar do tempo muita
coisa mudou. Atualmente, a pessoa com deficiência passa a ser vista a com mais
carinho e empatia. Neste cenário, as famílias, com filhos com necessidades
especiais, começaram a receber maior apoio; no entanto, o preconceito e a
discriminação sempre fizeram e ainda fazem parte da vida da criança com
deficiência.
È fato, que, para que uma mudança significativa aconteça, serão necessários
um importante empenho familiar e da comunidade escolar, bem como da sociedade
em geral . Também vale lembrar que para a efetiva mudança neste cenário
aconteça, o poder público precisa se mobiliar na criação de politicas publicas
voltadas a área educacional, para o desenvolvimento pleno das pessoas com
necessidades especiais. “As deficiências não são fenômenos dos nossos dias.
Sempre existiram e existirão” (CARVALHO, 1997, p. 36)
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Partindo da ideia de que a escola é o espaço privilegiado do saber, berço das


relações interpessoais, das significações socioculturais, das ações intencionais, das
experiências de aprendizagens em favor da legitimação do direito a educação,
como exercício soberano da democracia.
Neste contexto, surge a trajetória do processo da Educação Inclusiva ao
longo da história, com suas lutas e concepções, percorrendo vasto caminho no
modo como lidar com a deficiência. As mudanças nesta relação ocorreram
gradualmente, seguindo as transformações e tendências na organização sócio –
politico- econômica das sociedades, caracterizando assim três paradigmas: a
Institucionalização, a Normalização e a Inclusão, todas elas com suas conquistas e
contradições a respeito da inclusão. Para construir o ideal de uma escola onclusiva e
aberta a diversidade, primeiro deve-se restituir inúmeros pré-conceitos e concepções
antes existentes e que tendem a sustentar e fundamentar argumentos que acabam
indiretamente influenciando na prática profissional.
O papel do professor frente a escola inclusiva , é primordialmente o de
resgatar a autoestima e a identidade de seu aluno com deficiência, conhecendo
suas dificuldades e respeitando e valorizando suas potencialidades , partindo da
valorização de suas potencialidades e respeitando suas limitações.
E frente ao cenário da inclusão e da equidade, sobrepõe-se o fundamental
papel da família. É fato confirmado que a família constituir-se como base
indispensável para todas as pessoas. Desta maneira, a criança com deficiência
necessita intensamente do seu grupo familiar, dependendo dele intensamente.
É no seio familiar, que a criança com deficiência ira desenvolver o sua
autoestima e maturação, adquirindo habilidades de que necessita para construir sua
autonomia. Necessita também, desenvolver as noções cognitivas , reforçando e
aproximando sua idade cronológica , no intuito de criar possibilidades o e
habilidades , que irão contribuir para seu desenvolvimento. É de responsabilidade
dos pais a função principal de ensinar aos filhos as noções destinadas à defesa da
vida, ensinar habilidades psicofísicas que vão se formando na criança, no decorrer
de seu desenvolvimento evolutivo, até alcançar a maturidade adulta.
É direito de toda criança com deficiência ser aceita como é, primeiramente no
âmbito familiar, seguindo-se da escola e na sociedade.
Contudo é necessário salientar, que hoje a condição, para percorrer o
caminho do processo de inclusão, está atrelada a necessidade de termos uma
escola aberta às diferenças e que prime pela qualidade de suas ações.
Ao educador, frente a escola inclusiva, faz-se necessário refletir e reelaborar
saberes, os quais são necessários para a feitura de uma prática educativa,
veementemente, inclusiva. Sabe-se que os docentes responsáveis com seus papéis
de educar para e na vida, são a pedra angular que pode fazer a inclusão acontecer
nas escolas, diariamente.
Portanto, o processo de inclusão deve e precisa estar intrínseco na vivência
democrática contemporânea. Sobretudo, somente professores comprometidos com
amorosidade ética diante dos educandos podem cumprir os reclamos da Educação
Inclusiva.
Trata-se então, da necessidade da escola em manter autonomia para
desenvolver seu Projeto Político Pedagógico, sobremaneira, a atender as
especificidades de sua demanda, trabalhando para o provimento de recursos
materiais, humanos e em parceria com politicas públicas consistentes que tornem
viáveis o processo de inclusão para todos.
Pelos estudos concatenados neste artigo conclui-se, o perfil que sugere a
escola inclusiva, pressupõe que todos tenham o direito de se educar juntos na
escola de sua comunidade, tendo a mesma oportunidade de acesso, de
permanência e de aproveitamento, sem que sejam feitas exigências quanto às
características individuais dos alunos. É imprescindível que a escola se estruture
para: respeitar, aceitar, acolher diferenças e sobretudo, apresente respostas
adequadas às necessidades educativas de todos os alunos em prol de uma
sociedade mais justa e igualitária.
REFERÊNCIAS

ARDORE ,M. REGEN, M. HOFFMANN, V. M. B. (1988) “Eu tenho um irmão


deficiente... Vamos conversar sobre isto?” São Paulo: Apae e Edições Paulinas.

AZEVEDO, Tânia Franklin Pedroso de. Educação da pessoa com necessidades


especiais: Educação Especial e sua História. Temas sobre Desenvolvimento, São
Paulo, v. 9, n. 50, p. 40-47, maio/jun. 2000.

BALEOTTI, Luciana R., MANZINI, Eduardo J. Experiência escolar do aluno com


deficiência física no ensino comum: o ponto de vista do aluno. In:

BAPTISTELLA, Rosa Luiza. Escola pública integra crianças com deficiência. O


Estado de S. Paulo, p. A-6, 26 fev. 1998.

BARROS, Alessandra Santana. A integração do deficiente físico em escolas


regulares: relato de experiência. Temas sobre Desenvolvimento, São Paulo, v. 8,
n. 46, p. 20-27, set./out. 1999.

BAUTISTA, Rafael. Necessidades educativas educacionais. Lisboa: Ediciones Ajibe,


1993

Bronfenbrenner, U. A Ecologia do Desenvolvimento Humano: Experimentos


Naturais e Planejados. Porto Alegre, Artes Médicas, 1996.

BUENO, José Geraldo Silveira. A integração de pessoas com deficiência:


contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memmon, 1997.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O processo de integração escolar


dos alunos portadores de necessidades educativas especiais no sistema
educacional brasileiro. Séries diretrizes nº 11. Brasília: Secretaria de Educação
Especial (SEESP), 1995.
___________ Ministério da Educação e do Desporto. Secretária de Educação
Especial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, 1994.
___________ Ministério da Educação e do Desporto. Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, nº 9394 de 20 de dezembro de 1996.
___________ Ministério da Justiça. Secretária Nacional dos Direitos Humanos.
Declaração de Salamanca, e linha de ação sobre necessidades educativas
especiais. 2. ed., Brasília: CORDE, 1997.

CARVALHO, Rosita Edler. Temas em Educação Especial, Rio de Janeiro: WVA,


1998

CHIAVINI, Jaqueline A.F. Condutas Pedagógicas Inclusivas na Deficiência


Intelectual: O papel do professor frente à escola inclusiva. Curso de pôs graduação
lato senso em Educação Especial: Deficiência Intelectual. CEJAC/FALC,
Itapeva, p. 01-29, jun. 2016.
FERREIRA, Windyz B. Educar na diversidade: práticas educacionais inclusivas na sala de
aula regular. In: Ensaios Pedagógicos - Educação Inclusiva: direito à diversidade. Brasília:
SEESP/MEC, 2006.

MACHADO, Nilson José. et. al. Pensando e fazendo educação de qualidade. São
Paulo: Moderna, 2001

MANTOAN, Maria Tereza Eglér. A integração de pessoas com deficiência:


contribuições para uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Memmon,1997

MAZZOTA, Marcos. Educação Especial no Brasil: histórias e políticas públicas. São


Paulo: Cortez, 1999

MAZZOTTA, Marcos José da Silveira. Deficiência, Educação Escolar e


Necessidades Especiais: reflexões sobre inclusão socioeducacional, 2003.

PESSOTI, Isaías. Deficiência Mental: da superstição à ciência. São Paulo: T. A.


Queiroz: Ed. da Universidade de São Paulo, 1984, p3.

SANTOS, Mônica P. A Inclusão da Criança com Necessidades Educacionais


Especiais. Artigo 63, 2007.

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: o paradigma da próxima década. Mensagem da


APAE, ed. esp., a. XXXV, n. 83, out/dez, 1998.

SASSAKI, Romeu Kazumi. Terminologia sobre deficiência na era da Inclusão.


Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos (4.ed., Rio de Janeiro: WVA,
2002)

SCHWARTZMAN, J.S. Histórico. Em J.S. Schwartzman (Org.), Síndrome de Down


(p. 3- 15). São Paulo: Mackenzie, 1999.