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BIBLIOTECA PIONEIRA DE CIÊNCIAS SOCIAIS  

PSICOLOGIA 

 
Aconselhamento Psicológico & Psicoterapia 

Auto­afirmação ­ um determinante básico 
 
OSWALDO DE BARROS SANTOS 
 

Conselho Diretor: 
Anita de Castilho e Marcondes Cabral  
Nelson Rosamilha 
Oswaldo de Barros Santos 
 
In memorian: 
Dante Moreira Leite 
 
LIVRARIA PIONEIRA EDITORA São Paulo 
 
Capa: 
Jairo Porfírio 
 
 
1982 
 
Todos os direitos reservados por 
ENLO MATHEUS GUAZZELLI & CIA. LIDA. 02515 ­ Praça Dirceu de Lima, 
313 Telefone: 266­0926 ­ São Paulo 
 

índice 

Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
 
8. Contribuições à Terapia Psicológica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..  
Objetivos  básicos:  desenvolvimento  pessoal  e  psicoterapia.  Metodologia 
psicoterápica: a dinâmica do processo. 
 
PARTE III 
APLICAÇÕES EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 
 
9. Filhos e Alunos Difíceis. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  
Como ocorrem os problemas. Medidas gerais. 
 
10.  Ações  Preventivas  na  Educação, na Família e no Trabalho. . . . . . . . . . . 
..  
 
11. A Vida na sua Terceira Fase: a Valorização do Idoso. . . . . . . . . . . . . . . .  
Técnicas de orientação e psicoterapia 
 
Referências  bibliográficas.  .  .  .  .  .,  .  .  .  .  .  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
..  
English­abstract . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  

 
Introdução 

Os  métodos,  técnicas  ou  modelos  de  atuação,  originários  de  atitudes 
naturais  ou  de  comportamentos  direcionados,  freqüentemente  usados  para ajudar 
as  pessoas  com  problemas  psicológicos,  são  extremamente  variados;  dependem 
de  concepções  filosóficas  e  sociais,  como,  igualmente,  dos  recursos  situacionais, 
profissionais,  éticos  e  operacionais.  Ademais,  as  ciências  do  comportamento 
colocam  dúvidas  e  interrogações  sobre  os efeitos dos procedimentos orientadores 
ou terapêuticos em virtude de pesquisas pouco elucidativas. 
Os  conceitos  e  as  indicações  ou  lembretes  existentes  neste  livro  resultam, 
de  um  lado,  de  informações  bibliográficas  e,  de  outro,  de  observações  e 
inferências  pessoais  que,  em  muitos  anos,  logramos  realizar.  É  uma  ligeira 
coletânea  de  posições  teóricas  e da metodologia correspondente, seguida de uma 
hipótese  sobre  a  auto­afirmação  como  determinante  básico  do  comportamento  e, 
em conseqüência, de procedimentos e técnicas terapêuticas. 
Todas  as  considerações,  sugestões  e  hipóteses estão francamente abertas 
à  crítica  de  todos  aqueles  que  se  dedicam  ao  estudo  ou  à  aplicação  prática  do 
aconselhamento  psicológico  e  da  psicoterapia,  seja  na  situação  natural  e 
espontânea dos relacionamentos humanos, seja na situação profissional. O que se 
pretende  é  colocar  nossas  observações  ­  ainda  que falhas ou limitadas ­ a serviço 
desses  alvos.  Serão  especialmente  acolhidas  as  apreciações  e  contribuições 
relacionadas  com  a  proposição  original,  isto  é,  com  a  hipótese  de  ser  a 
auto­afirmação o determinante básico do comportamento no plano psicológico. 
Agradeço a meus alunos e ex­alunos da Universidade de São Paulo pelo 
incentivo e pistas que me ofereceram e aos clientes que _e proporcionaram o 
mais, fecundo material para estudos e conclusões. Agradeço, também, às 
psicólogas Alice Maria de Carvalho Delitti e Walderez B.F. Bittencourt pela 
gentileza em rever e comentar o texto do capítulo 4, oferecendo úteis 
contribuições. 
 
O.B.S. 
 
PARTE I 
 
VISÃO GLOBAL DOS PROCEDIMENTOS  ORIENTADORES E 
TERAPÊUTICOS 
 
1 ­ Diagnóstico, Orientação, Aconselhamento e Psicoterapia 
 

O longo caminho: do diagnóstico para a assistência psicológica 
 
Poucos  terão  definido  tão  bem  a  evolução  da  Psicologia  no  plano 
operacional,  como Rogers (1942) o fez ao examinar sua contribuição ao bem­estar 
e  à  assistência  que dela se poderia esperar. Disse o fundador do método centrado 
na  pessoa  que,  na  década  de  1920,  o interesse pelo ajustamento do indivíduo era 
essencialmente  de  estilo  analítico  e  de  diagnóstico.  "Floresceram  os  estudos  de 
casos,  os  testes,  os  registros  e  observações  e  os  rótulos  de  diagnóstico 
psiquiátrico.  Com  o  tempo,  essa  tendência  voltou­se  da  diagnose  para  a  terapia, 
para  a  procura  de  meios  e  de  processos  pelos  quais  o  indivíduo  encontre a ajuda 
de  que  necessita.  Atualmente,  preocupamo­nos  mais  com  a  descoberta  de 
recursos  terapêuticos  mais  efetivos  na  assistência  ao  indivíduo.  A  dinâmica  do 
processo de ajustamento substitui a longa fase de descrições e rotulações". 
Realmente,  se  nos  detivermos  no  estudo  das  teorias  e  das  técnicas 
psicológicas,  parece  ser  possível  inferir  que  a  maioria  dos  trabalhos  psicológicos 
era  orientada  mais  no  sentido  de  conhecer  a  personalidade  do  que  em  intervir  no 
complexo  enredo  do  comportamento  humano.  As  técnicas  de  diagnóstico  tiveram 
seu  apogeu  nos  anos  de  1920  a  1960.  A  psicometria  e  os  estudos  estatísticos 
relacionados  com  a  sensibilidade,  a  precisão  e  a  validade  dos  instrumentos  de 
avaliação  psicológica  desenvolveram­se  de  forma  sensível  dando  origem, 
inclusive,  a  um  conjunto  de  normas  publicadas,  em  1954,  pela  American 
Psychological  Association,  conseqüência  natural  do  crescente  interesse  pelos 
pormenores  sobre  os  métodos  de  construção  e  de  aferição  de  testes.  A 
classificação  de  reações  ou de sintomas e o relacionamento de traços e de fatores 
da  personalidade  era  a  tendência  dominante.  E  a  psicologia,  como  estudo  e 
avaliação  do  comportamento,  passa  a  ser  reconhecida  como  ciência  na  medida 
em  que  é  capaz  de  prever  e  descrever,  por  testes,  questionários,  inventarmos  e 
outros  recursos,  o  comportamento  de  indivíduos  ou  de  grupos.  O  próprio 
comportamento  é  analisado,  identificado  e  classificado  por  idades,  sexo,  grupos 
sócio­econômicos  ou  em  variáveis  estatisticamente  determinadas.  Com  Binet, 
Kuhlmann,  Stern,  Terman,  Claparede,  Spearman  e  outros,  surgem  o  estudo  e  a 
elaboração  de  testes  mentais  e  escalas  métricas.  Os  conceitos  de  idade  mental, 
quociente  de  inteligência  e  a  psicometria  atingem  níveis  de  alta  sofisticação;  há 
preocupações  em  se  desvendar  as  "habilidades"  primárias  ou  básicas e têm lugar 
os  estudos  fatoriais  com  Thurstone,  Goodman, Thomson, Vernon, Kelley, Cattell e 
outros  mais;  aparecem  famosos  testes  tais  como  o  "Differential  Aptitude  Test"  ,  o 
"California  Test  of  Mental  Maturity"  ,  o  "Guilford  Zimmerman  Aptitude  Sorve",  o 
"General  Aptitude  Test  Bater".  Na  década  de  1940­1950,  Wechsler  estuda  a 
inteligência  e  desenvolve  as  não  menos  famosas  escalas  denominadas  W  AIS  e 
WISC.  Por  último,  surge  a  contribuição  de  Guilford,  baseada  em  estudos  fatoriais 
pelos  quais  120  combinações  de  habilidades  são  teoricamente possíveis (Guilford 
e  Hoepfner,  1971)  e  os  famosos  estudos  de  Piaget  sobre  o  desenvolvimento 
intelectual  da  criança.  Na  área  da  personalidade, além do Teste de Rorschach, do 
M.M.P.I.,  do  T.A.T.,  do  Teste  de  Machover  surgem  notáveis  técnicas  expressivas 
tais  como  o  P.M.K.  e  inúmeros  questionários,  provas  situacionais  e  clínicas 
(Anastasi,  1948,  1957;  Van  Kolck,  1975).  Esses  estudos  e  trabalhos  de 
mensuração  se  distanciavam  muito  dos  procedimentos  terapêuticos  como  se 
estivéssemos em campos independentes. 
O  aperfeiçoamento  das  técnicas  de  diagnóstico  conduziu  ​ o  ​
Psicólogo  a um 
conhecimento  razoável  das  reações  humanas,  mas  não  lhe  ofereceu  recursos 
suficientes no sentido de manipulá­las. O objetivo fundamental, que seria conhecer 
para  orientar,  prevenir,  corrigir,  recuperar  ​ou  ​
tratar,  continuava  distante.  Ainda 
encontramos  essa  situação  em  muitos  serviços  psicológicos:  a  preocupação  com 
um  bom  diagnóstico.  Se  tal  exigência é por vezes necessária, não menos o é a do 
estudo  dos  meios  e  dos  recursos  pelos  quais  possamos  ajudar  as  pessoas 
atendidas,  por  uma  razão  ou  outra,  em  uma  clínica  psicológica  ​ ou  ​
de  orientação 
ou em um grupo assistencial. 
O  cenário  retratado  marca  a longa trajetória da Psicologia para seu aspecto 
aplicado,  assistencial.  Professores,  chefes,  supervisores,  orientadores,  pais  e  até 
mesmo  psicólogos  tinham  diante  de  si um quadro, tão perfeito quanto possível, do 
ponto  de  vista  descritivo,  etiológico,  causal,  mas  poucos  sabiam  para  alterá­lo.  O 
mais  acurado  diagnóstico  ficava,  assim,  inoperante,  simplesmente  porque  os 
recursos de ajuda, de intervenção, não eram conhecidos ou não aplicados. 
A  literatura  psicológica,  farta  em  técnicas  de  exame  psicológico, 
conservou.­se  relativamente  pobre  em  estudos  e  informações  sobre 
procedimentos  para  atuação  na  conduta.  Estes  se  limitavam,  principalmente,  a 
manipulações  ambientais,  a  técnicas  de  apoio,  avisos,  recomendações  e 
conselhos.  Por  outro  lado,  em  outro  universo,  desenvolvia­se  a  Psicanálise  com 
teorias  e  técnicas  delas  derivadas;  surgiu  a  contribuição  rogeriana,  e  brotaram  os 
processos  de  Skinner  bem  como  outras  teorias  e  técnicas.  A  conjunção  entre  a 
medida  dos  fenômenos  psíquicos  de  um  lado  e  o  tratamento  desses  mesmos 
fenômenos  produziu­se  de  maneira  lenta  e  até  mesmo  hostil  como  se  ​ fossem 
campos  mutuamente  exclusivos.  O  relacionamento  entre  a  psicometria  e  a 
psicoterapia  e  as  preocupações  com  solução  de  problemas  psicológicos  foram 
devidos,  também,  ao  considerável  impulso  motivacional  a  partir  da  II  Grande 
Guerra,  quando  contingentes  imensos  de  ex­combatentes  precisavam  se 
reintegrar  na  vida  civil.  Como  assinalam  Sundberg  e  Tyler  (1963),  drásticas 
alterações  ocorreram.  "Uma  nova  ênfase  nos  problemas  de  adultos  e  de  crianças 
desenvolveu­se  rapidamente.  Os  exames  de  inteligência  e  de  aptidões 
continuaram  sendo  necessários,  porém,  maior  atenção  foi  dirigida  aos  complexos 
e  difíceis  campos  da  personalidade  e  da  motivação.  A  Psicoterapia  tornou­se  a 
preocupação essencial". 
 
o uso de testes psicológicos 
 
Os  testes  e  as  medidas  em  psicologia  remontam aos estudos da psicologia 
experimental iniciados por Wundt no século passado, desenvolvidos no começo do 
século  por  Binet  e  consideravelmente  valorizados  até  a  década  de  1950­1960, 
quando  teve  início  forte  tendência  contrária  a  seu  uso.  As  razões  que  lhes  foram 
opostas  são,  em  geral,  técnico.científicas  e  filosóficas.  As  primeiras  questionam  a 
validade  técnica  das  medidas  psicológicas  e  as  últimas  o  direito  que  teriam  as 
pessoas  de  invadir  e  medir  um  campo  de  fenômenos  nitidamente  pessoais  ​ ou  ​
de 
utilizar  os  dados  obtidos  em  benefício  de  grupos  ou  de  instituições,  sejam  estas 
educacionais, políticas ou empresariais. 
Parece  ao  autor  que  estamos  em  vias  de  passar  de  um  modismo 
psicológico  a  outro, ambos impregnados de vantagens e de desvantagens, eis que 
negar a existência de testes ou exames é desconhecer a realidade da própria vida. 
O  que  se  faz,  na  verdade,  é  tentar  substituir  a  avaliação  psicométrica  por 
entrevistas  e  observações  clínicas,  mudando­se  ​ o  ​
método  mas  não  a  intenção.  A 
avaliação  não  pode,  porém,  deixar  de  existir  seja  por  um  processo  seja por outro. 
O  excessivo  apego  a  resultados  psicométricos  sem  a  devida  interpretação  do 
contexto ​ individual ​e ​
social ​
foi, e com razão, a origem da resistência aos testes. 
O  problema  do  diagnóstico  e  particularmente  dos  testes  parece 
concentrar­se  em  dois  pólos  essenciais:  1)  a  validade  das  medidas;  2)  o  uso  das 
medidas obtidas uma vez comprovada sua validade técnico­científica. 
O  primeiro ponto parece ser ​ o ​
mais relevante pois, se a medida ​ for ​
precária, 
insegura  e  instável,  tudo  o  mais  que  dela  partir  é  falso  e  altamente  prejudicial.  O 
segundo  ponto  envolve  problemas  sociais,  políticos  e  essencialmente  éticos. 
Testes  e  avaliações  sempre  existiram  e  sempre  existirão,  sob  diferentes  títulos  e 
calcados  no  conhecimento  acumulado  e  na  filosofia  da  época.  Nosso  problema  é 
aperfeiçoar  as  avaliações  no  seu  sentido  intrínseco  e  nas  suas  implicações 
culturais, éticas e terapêuticas.  
Quando  se  coloca o problema do diagnóstico prévio em aconselhamento ou 
terapia,  podem  os  testes  ser  necessários  ou  não.  A  tendência atual é esperar que 
o  diagnóstico  ocorra  como produto de interação entre psicólogo e cliente e na qual 
este  atue  como  participante  no  seu  propalo  Julgamento  A  .pessoa  irá  ao  pouco 
firmando  sua  Imagem  e,  seu  autoconceito.  Para  fins  de  pesquisa  e  para  outras 
atividades  no  campo  da  psicologia,  os  testes  funcionam  como  medidores  ou 
indicadores  de  comportamento  e  sua  utilização  é,  às  vezes,  indispensável,  desde 
que válidos e adequadamente aplicados e Interpretados * 
*  .  No  Brasil  como  no  restante  do  mundo,  os  testes  e  técnicas  de 
diagnóstico  também  floresceram  nas  décadas  de  1930  a  1950.  Vários 
instrumentos de avaliação foram  elaborados, dentre os quais o Teste SENAI AG­3 
e  o  Teste  DEP, a cargo do autor e de seus colaboradores. Tais testes destinam­se 
à medida da inteligência geral, em termos do Fator G. 
 
 
Orientação, aconselhamento e psicoterapia 
 

Orientar,  ​do  ponto  de vista psicológico, significa facilitar o conhecimento e a 


análise  de  caminhos  ou  direções  para  a  conduta,  com  base  em  referenciais 
pessoais  e  sociais.  ​ Aconselhar,  ​paralelamente,  refere­se:  ao  processo  de  indicar 
ou  prescrever  caminhos,  direções e procedimentos ou de criar condições para que 
a  pessoa  faça,  ela  própria,  o  julgamento  das  alternativas  e  formule  suas  opções. 
Psicoterapia  ​ é  o  tratamento  de  perturbações  da  personalidade  ou  da  conduta 
através ​ de métodos e técnicas psicológicas, 
É  fácil  admitir  que  esses três conceitos, expressos em atuações práticas de 
ajuda,  estão  constantemente  se  intercruzando,  seja  nos  hábitos  e  costumes  do 
dia­a­dia,  seja  nos  processos  educacionais  ou  psicológicos formais e intencionais. 
Às  vezes,  uma  simples  ação  orientadora,  em  que  se  facilita  o  acesso  a 
informações  e  se  deixa  à  pessoa  decidir  por  si  só,  pode  ser  muito  mais eficaz do 
que  um  conselho  ou  controle  da  conduta;  noutros  casos,  principalmente  em 
situações  de  emergência  e  de  grande  ansiedade,  um  conselho  pode  ser  mais 
produtivo  da  que  um  demorado  processo  de  orientação  ou  de  terapia;  em  muitos 
casos  porém,  orientações  e  conselhos  não  são  suficientes  para  alterar  a conduta, 
recorrendo  à  terapia,  como  processo  mais complexo, mais difícil e mais demorado 
A  efetividade de uma atuação depende de inúmeros fatores nos quais sobressaem 
a  personalidade  do  cliente,  as  emergências  existentes,  os  recursos  disponíveis  e 
principalmente,  os  objetivos  que  se  quer  atingir  e  os  critérios  sociais  e  filosóficos 
que os determinam. 
Os  conceitos  de  orientação  e  de  aconselhamento,  vistos  pelo  lado  de  seus 
efeitos,  têm variado ao longo da história. Já dizia Sócrates quatro séculos antes de 
Cristo:  "Conhece­te  a  ti  mesmo",  conceito  que  parece  se  renovar  no 
posicionamento  atual  da  linha  existencialista  e  rogeriana,  e  que  com  algumas 
alterações  de  forma  e  de  conteúdo  vem  prevalecendo  através  dos  tempos. 
Todavia, há pensamentos diferentes, 
Williamson  (1939),  um  dos  pioneiros  do  movimento  acadêmico  de 
Orientação,  identificava,  em  certos  aspectos,  o  aconselhamento  com a Educação, 
considerando  que  "à  parte  da  moderna  Educação  referida  como  aconselhamento 
é  a  que  se  refere  a  processos  individualizados  e  personalizados,  destinados  a 
ajudar  o  indivíduo  a  aprender  matérias  escolares,  traços  de  cidadania,  valores  e 
hábitos  pessoais  e  sociais  e  todos  os  outros  hábitos,  habilidades,  atitudes  e 
crenças que irão constituir um ser humano normal e ajustado'" , . 
Como  uma  das  grandes  expressões  no campo do aconselhamento, Rogers 
(1942,  1951)  não  se  preocupa em estabelecer conceitos e definições, De toda sua 
obra,  porém,  se  depreende  que  o  aconselhamento  é  um  método  de  assistência 
psicológica  destinado  a  restaurar  no  indivíduo>  suas  condições  de  crescimento  e 
de  atualização,  habilitando­o  a  perceber,  sem  distorções,  a  realidade  que  o  cerca 
e  a  agir,  nessa  realidade,  de  forma  a  alcançar  ampla  satisfação  pessoal  e  social. 
Aplica­se  em  todos  os  casos  em  que  o  indivíduo  se  defronta  com  problemas 
emocionais,  não  importando  se  se  trata  de  doenças  ou  perturbações  não 
patológicas.  O  aconselhamento  consiste  em  uma  relação  permissiva,  que  oferece 
ao  indivíduo  oportunidade  de  compreender  a  si mesmo e a tal ponto que a habilita 
a  tomar  decisões  em  face  de  suas  novas perspectivas, O cliente passa a se dirigir 
através  da  liberação  e  reorganização  de  seu  campo  perceptual.  A  orientação 
rogeriana  afetou profundamente os princípios e os métodos até então existentes, e 
em  face  dessa  repercussão  dedica  este  livro  um  capítulo  especial  (Cap.  5) à obra 
desse psicólogo, 
Para  Robinson  (1950),  baseado  principalmente  nas  técnicas  de 
comunicação,  e  originariamente  colega  de  Rogers, o aconselhamento é a atuação 
que  "cobre  todos  os  tipos  de  situações  de  duas  pessoas,  na  qual,  uma  delas,  o 
cliente,  é  ajudado  a  ajustar­se  mais  eficazmente  a  si  propalo  e  a  seu  melo",  Sua 
técnica  principal  é  a  comunicação,  através  de  entrevistas  cuidadosamente 
conduzidas  e  testadas  de  momento  a  momento,  que  facilitam  a  tomada  de 
decisões e atuam terapeuticamente. 
De  ponto  de  vista  dos  efeitos  da  relação  ocorrida  no  processo  de 
aconselhamento,  Pepinskye  Pepinsky  (1954)  os  definem  como  resultantes  da 
interação  que  ocorre  entre  dois  indivíduos,  conselheiro  e  cliente,  ​ sob  ​
forma 
profissional,  sendo  iniciada  e  mantida  como  melo  de  facilitar  alterações  no 
comportamento do cliente. 
Hahn  e  Maclean  (1955),  representantes,  como  Williamson,  da  corrente 
clássica  de  aconselhamento,  dão  ênfase  ao  processo  de  diagnóstico  e  tomam  o 
aconselhamento  no  sentido de informações prestadas ao cliente sobre alternativas 
que  se  oferecem  na  solução  de  seus  problemas.  Há  casos,  dizem  esses  autores, 
sobre  os  quais  o  cliente  precisa  ser  instruído!  Há  fatos  que  precisa  conhecer;  há 
aprendizagem a ser realizada. 
Patterson  (1959)  é  de  opinião  que  o  aconselhamento  pode  ser  focalizado 
em  termos  de  áreas  de  problemas  (educacionais,  vocacionais,  conjugais,  etc.), 
assim  como  em  termos  de  ajustamento  pessoal  ou  mesmo  terapêutico.  Segundo 
esse  mesmo  autor,  o  aconselhamento  não  se  limita  a  pessoas  normais;  aplica­se 
ao  excepcional,  ao  anormal  ou  ao  desajustado;  manipula  as  tendências 
adaptativas do indivíduo a fim de que este possa usá­los efetivamente. 
Shoben  (1966),  analisando  as  implicações  científicas  e  filosóficas 
envolvidas  nos  processos  de  assistência  psicológica,  afirma que do ponto de vista 
educacional  e  clínico,  há  dois  alvos:  o  primeiro  é ajudar o estudante ou o paciente 
a  desenvolver  suas  capacidades  para  aperfeiçoar  sua  auto­avaliação  "sem, 
necessariamente,  se  determinar  o  conteúdo  de  suas  conclusões".  Um  segundo 
alvo,  de  certa  forma  contraposto  ao  primeiro,  é  o  de  se  recusar  ajuda  técnica 
sempre  que  esta  possa  ser  solicitada  num  contexto  que  venha violar os princípios 
intrínsecos do valor pessoal. 
Na  corrente  comportamentista,  encontramos  Bijou  (1966)  afirmando  ser  "o 
objetivo  final  do aconselhamento ajudar o cliente a lidar mais eficazmente com seu 
melo  e  a  substituir  o  comportamento  mal  ajustado  pelo  ajustado".  "Parece  claro, 
do  ponto  de  vista  da  análise  experimental  do  comportamento,  que  uma  das  mais 
eficientes  formas  de  produzir  as  alterações  desejáveis  é  pela  modificação  direta 
das  circunstâncias  que  as  suportam,  e  um  dos  meios  mais  efetivos  de  manter 
essas  alterações  é  organizar  um  melo  que  continue  a  suportá­las."  A  aplicação 
das  leis  de  aprendizagem  é  o  melo  pelo  qual  se  adquire  comportamentos 
desejáveis. 
Krumboltz  (1966),  da  corrente  comportamentista,  coloca  os  alvos  do 
aconselhamento  na  mesma  direção  dos  psicólogos  contemporâneos.  Segundo 
seus  conceitos,  "orientadores  e  psicólogos  dedicam­se  a  ajudar  as  pessoas  a 
resolverem  mais  adequadamente  certos  tipos  de  problemas.  Alguns  desses 
problemas  relacionam­se  com  importantes  decisões  escolares  e profissionais, tais 
como:  Que curso devo fazer? A que profissão devo me dedicar? Outros problemas 
se  relacionam  com  dificuldades  pessoais,  sociais  e  emocionais,  tais  como:  Como 
posso  salvar  meu casamento? Como poderei suportar esses horríveis sentimentos 
de  ansiedade,  solidão  e  depressão?  Como  deverei  agir  para  fazer  valer  meus 
direitos?  Como  posso  relacionar­me  melhor  com  os  outros?"  A  essas  questões  o 
conselheiro  acrescenta  outras:  Como  se conceituam os problemas? Como colocar 
alvos?  Que  técnicas  serão  úteis  para  atingir  esses  alvos?  Como  avaliarei  meu 
propalo  trabalho?  Tais  questões  são  tão  familiares  e  nos  apegamos  tanto  a  elas 
que  os  novos  procedimentos  (refere­se  ele  ao  método  comportamental)  podem 
justificar uma verdadeira revolução no aconselhamento 
A  posição  européia,  notadamente  à  francesa,  face  ao  aconselhamento 
psicológico,  é bem diferente da americana. Piéron (Nepveu, 1961), em um de seus 
últimos  trabalhos,  dizia  que  os  métOdos  americanos  aproximam­se  muito  da 
Psicanálise  e  que  a  concepção  francesa  e  a  americana  divergem  muito  no  juízo 
que  fazem  sobre  o  papel  do  conselheiro. "No regime americano, onde a educação 
não  tem  caráter  nacional  e  onde  a  tendência  geral  é  a  de  favorecer  em  tOdos  os 
domínios  as  iniciativas  individuais.  o  conselheiro  se  aproxima  muito  do 
psicoterapeuta;  dirige­se  a  'clientes'  e  não  participa,  de  modo  algum,  dos 
problemas  gerais  da  educação,  nem  se  preocupa  em  participar  de  uma  obra 
coletiva.  Na  França,  ao  contrário,  tem­se  procurado  reduzir,  ao  máximo,  a 
comercialização  em  matéria  de  Orientação.  Esta,  que  tende  a  se  integrar,  cada 
vez  mais,  na  obra  nacional  de  educação,  não visa satisfazer clientes, mas a servir 
os interesses dos Jovens encarando o seu futuro..." 
Embora  haja  movimentos  renovadores,  Nepveu  pareceu  exprimir  bem  a 
tendência  na  época  dominante na França e, talvez, na Europa quando, analisando 
os  métodos  de  Rogers,  de  Super  e  de  Bordin  e  baseando­se  em  contribuições 
européias  de  Nahoum,  Delys e de outros, afirma que uma das atitudes correntes é 
o  "conselheiro  adotar  uma  atitude  de  peritO,  ou  de  amigo  desinteressado". 
"Esforça­se  em  compreender  os  problemas  e  as  pessoas,  em  prever  uma  certa 
possibilidade de êxito, em formular conselhos adequados, bem­vindos e liberais". 
Não  obstante  algumas  controvérsias,  o  aconselhamento psicológico parece 
ter  tOmado  corpo  e expressão na década de 1950­1960. De acordo com relatO de 
Super  (1955),  "essa  nova  expressão  resultou  do  consenso  geral  de  um  grande 
número  de  psicólogos  reunidos  no  Congresso  Anual  da  American  Psychological 
Association,  em  1951,  na  Northwestern  University".  O  "Counseling  Psychology" 
substitui  os  antigos  conceitos  e  métodos,  originários  da  orientação  profissional, 
modelada  por  Parsons  e  seus seguidores, pela idéia de um trabalho mais sensível 
à  "unidade  da  personalidade,  mais  sensível  às  pessoas  do  que  aos  problemas, 
pois  que  a  adaptação a um aspecto da vida está em relação com todos os outros". 
"O  novo  movimento  encerra  dados  teóricos  e  técnicos  da  psicoterapia,  inclui 
orientação  profissional  e  ocupa­se,  sobretudo,  do  indivíduo  como  pessoa, 
procurando  ajudá­lo  a  adaptar­se  com  sucesso  aos  vários  aspectOs  da  vida.  Os 
conselheiros  ou  orientadores,  nesse  novo  ponto  de  vista,  ocupam­se  de  pessoas 
normais  podendo  cuidar,  ainda,  daquelas  que  apresentam  deficiências  e  são  mal 
ajustados,  porém,  de  uma  maneira  diferente  daquela  que  caracteriza  a  Psicologia 
Clínica". 
Stefflre  e  Grant  (1976),  ao  escreverem  sobre  aconselhamento  psicológico, 
chegam  a  algumas  considerações  que  parecem  exprimir  a  dimensão  hoje 
dominante:  a)  "a  definição  de  aconselhamento  depende  dos  diferentes  pontos  de 
vista  das  autoridades  no  assunto.  Essas  diferenças  têm  origem  em  diferentes 
pontos  de  vista  filosóficos...";  b)  "não  se  pode  fazer  uma  distinção  muitO  clara  e 
precisa  entre  aconselhamento  e  psicoterapia";  c)  "o  aconselhamento  é uma forma 
deliberada  de  intervenção  na  vida  dos  clientes".  Esse  mesmo  autor  classifica  o 
aconselhamento  em  quatro  diferentes  posições  ou "sistemas", baseado em quatro 
diferentes  teorias:  a)  Teoria  do  traço­fatOr,  segundo  a  qual  a  mudança  do 
comportamento  "depende  do  conhecimento  que  o  cliente  tenha  de  informações"; 
b)  Teoria  centrada  no  cliente,  pela  qual  o  comportamento  é  modificado  pela 
"reestruturação  do  campo  fenomenológico";  c)  Teoria  comportamental,  segundo  a 
qual,  após  um  diagnóstico  da  situação,  determina­se  os  comportamentos a serem 
extintos  ou  reforçados;  d)  Teoria  psicanalítica,  que  se  propõe'  'claramente  a  uma 
redução  de  ansiedade  na  crença  de  que  daí  resulte  um  comportamento  mais 
flexível e discriminador". 
Para  Rollo  May  (1977),  o  campo  do  aconselhamento  situa­se  entre  os 
problemas  da  personalidade,  para  os  quais  há  necessidade de um terapeUta e o_ 
problemas  de  imaturidade  ou  de  carência  de  instrução,  para  os  quais  há 
necessidade de um educador. 
Uma  revisão  de  alguns  textos  sobre  aconselhamento,  aliada  a  nossa 
própria experiência, poderia nos levar às seguintes considerações: 
1.  A  orientação,  o  aconselhamento  psicológico  e  a  psicoterapia  não  são 
meros  procedimentos  técnicos  ou  operacionais.  Subjacente  a  eles  há  todo  um 
arcabouço  de  posições  filosóficas  operantes  tanto  no  terapeuta  ou  'conselheiro. 
como  nas  pessoas  assistidas,  o  que  estabelece  marcantes  diferenças  entre  a 
psicologia  e  outras  ciências  humanas.  Mesmo  na  posição  clássica  de  liberdade  e 
de  não­diretividade  há,  por  parte  do  psicólogo,  uma  deliberada  e  consciente 
postura  filosófico­social.  Noutro  extremo,  em  que  o  conselheiro  visa  instalar  um 
comportamento específico, há, igualmente, um papel social idealizado. 
2.  O  posicionamento  conceitual  do  orientador,  conselheiro  ou  terapeuta 
flutua,  em  geral,  entre  três  premissas:  a)  o  homem  é  um  produto 
predominantemente  social;  possui  impulsos naturais, bons ou maus, que precisam 
ser  canalizados  para  um  tipo  de  sociedade  na  qual  nos  localizamos  e  que  nos 
assegura  a  sobrevivência  e  o  bem­estar;  b)  o  homem  é  suficientemente  capaz de 
decidir  por  si  mesmo  e  escolher  as  ações  mais.  adequadas para si propalo e p?ra 
os  outroS  desde  que  sejam  criadas  condições  facilitadoras  para  avaliação  auto  e 
hetero­referente  e  para  as  opções  individuais;  c)  a  autodeterminação  é  uma 
utopia;  o  homem  é  o  produto  de  múltiplas  variáveis;  temos  que  atuar nos agentes 
que o controlam e nos comportamentos tal como ocorrem na vida. quotidiana. 
 
Na  prática  pedagógica  ou  psicológica  é  difícil  à  distinção  entre  orientação, 
aconselhamento  e  psicoterapia  e  a  maioria  dos  autores  não  se  preocupa  muito 
com  essa  diversificação  teórica.  Alguns,  entretanto,  tentam  traçar  linhas 
demarcatórias.  Assim,  Perry  (1960)  distingue  o  aconselhamento  da  psicoterapia, 
baseando­se  nos  papéis  e  funções  sociais  visados pelo primeiro e na dinâmica da 
personalidade  proposta  pela  psicoterapia.  Outros  autores  parecem  diferençar 
estas  duas  atuações  atribuindo  ao  aconselhamento  os  procedimentos  que  se 
focalizam  no  plano  intelectual,  cognitivo,  consciente,  e  à  psicoterapia  os  que  se 
relacionam  com  fatores  afetivos  e  inconscientes.  Rogers  (1942;  1955) usa os dois 
termos  de  forma  indiferente  ­  como  fará  o  autor  neste  trabalho  ­  porquanto, 
segundo  ele,  não  há  o  que  distinguir  na  série  de  contactos  individuais  que  visam 
assistir  a  pessoa  na  alteração  de  atitudes  ou  do  comportamento.  Wolberg  (1977) 
salienta  que  a  psicoterapia  é  uma  forma  de  tratamento  para  problemas  de 
natureza  emocional  e  na  qual  uma  pessoa, especialmente treinada, estrutura uma 
relação  profissional  com  o  cliente,  com  o  objetivo  de  remover  ou  de  modificar  os 
sintomas  ou  padrões  inadequados  de  comportamento  e  promover  crescimento  e 
desenvolvimento  da  personalidade.  Analisando  o  relacionamento  cada  a vez mais 
intenso  entre aconselhamento e psicoterapia, Albert (1966), por outro lado, declara 
que  o  mesmo  processo  informativo, concerne­se ao aconselhamento acadêmico e 
vocacional,  não  pode  se  limitar  aos  planos  conscientes  e  racionais  da 
personalidade,  já  que  os  níveis  profundos  refletem­se  em  todos  os  aspectos  do 
comportamento. 
Nossa  experiência  vem  indicando  uma  razoável  ocorrência  de  casos  nos 
quais  os  métodos  de  orientação  e  aconselhamento  confundem­se  com  os  de 
terapia.  Se  um  jovem  tem  dificuldade  de  relacionamento.  Com  os  pais  _  se 
aplicarmos  determinadas  técnicas  de  tratamento  emocional,  sejam  elas 
rogenanas,  comportamentais  ou  outras,  estaremos  fazendo  aconselhamento  ou 
terapia?  Se  uma  mulher  procura  o  psicólogo  para  libertar­se  de  um  contínuo 
desinteresse  sexual  pelo  marido,  tendo­se  constatado,  previamente,  não  haver 
problemas  na  área  orgânica  que  possam  ser  responsáveis  pelo  fato  e  verificar­se 
haver  uma  real  incompatibilidade  emocional  entre  mulher  e  marido  e  se  técnicas 
psicológicas  forem  usadas  para tentar soluções, seria essa tarefa aconselhamento 
ou  psicoterapia?  Se  um  jovem,  movido  por profundos sentimentos de insegurança 
na  escolha  de carreira, não consegue tomar decisões e o psicólogo passa a cuidar 
do  problema  nos  seus  aspectos  emocionais,  estaria  efetuando  intervenção 
terapêutica? 
Atualmente,  a  tendência  é  distinguir  aconselhamento  de  psicoterapia  mais 
em  termos  de  ​grau  ​
do  que  em  forma  de  atuação.  Esta  última  é  semelhante  e  até 
certo  ponto  indistinguível  do  primeiro,  tanto  no  seu  feitio  profilático  como  no  de 
recuperação  ou  ..  Cura'  '.  Deixar  ao  psicólogo  os  chamados"  casos  normais  com 
problemas",  diferenciando­os  dos  patológicos  ou  anormais  para  os  psiquiatras,  é 
praticamente  impossível,  mesmo  porque o conceito de normalidade é apenas uma 
proposição  teórica  (Mowrer,  1954).  Quer  nos  parecer,  pois,  que  a  psicoterapia  ou 
o  aconselhamento  são  melhor  descritos  em  termos de um continuum, em lugar de 
um  julgamento  dicotômico.  A  flexibilidade  do trabalho do orientador e do psicólogo 
deve  ser  assegurada,  em  benefício  do  propalo  cliente  por  ele  assistido.  Essa 
atuação,  face  a  casos  claramente  patológicos,  pode  ser  associada  à  de  outros 
profissionais.  A  evolução  de  cada  caso  indicará  a  colaboração  pessoal  de  outros 
especialmente  sem  que  tenhamos  de  determinar,  com  base  em  supostas 
demarcações, os limites da atuação orientadora e da ação terapêutica. 
 
Uma  das  mais  explícitas  conceituações  e  descrições  dos  papéis  atribuídos 
aos  que  se  especializam  em  Aconselhamento  Psicológico  é  proposta  por Jordaan 
(1968),  em  seu  levantamento  sobre  as  funções  do  Conselheiro  Psicológico. 
Segundo  dados  por  ele  compilados, este atua em diferentes setores da vida social 
(consultórios,  centros  universitários,  escolas,  hospitais,  centros  de  reabilitação, 
serviços  de  orientação  profissional,  departamentos  de  pessoal,  serviços  de 
colocação  e  de  treinamento,  etc.).  Analisando  as  eventuais  diferenças  entre 
Clínica  e  Aconselhamento,  assinala  que  alguns  especialistas  apontam  diferenças 
entre essas duas especializações, outros, porém, consideram tais diferenças como 
irrelevantes.  Segundo  muitos  especialistas,  o  psicólogo­conselheiro  tende  a 
trabalhar  com  pessoas  normais,  convalescentes  ou  recuperadas  e  a  encaminhar 
casos  mais  sérios  a  outros  especialistas.  Usa  técnicas  psicoterápicas  e  outros 
recursos,  tais  como  exploração  de  condições  ambientais,  informações,  testes, 
experiências  exploratórias  e  outros  procedimentos  mais  freqüentemente  do  que  o 
psicólogo  clínico. .Em geral, o conselheiro terá desempenho profissional de acordo 
com a formação que recebeu e das expectativas de trabalho que se oferecem.. 
Os  dados  hoje  existentes  parecem  caracterizar  o 
psicólogo­conselheiro  como  o  profissional  da psicologia de formação mais eclética 
o  que  não  impede,  contudo,  que  se  dedique  também  a  um  determinado  tipo  de 
atuação  na  qual,  particularmente,  venha  a  especializar­se,  a  exemplo  dos  que  se 
dedicam a problemas psicológicos do Trabalho, da Educação, da Família, etc. 
 
Do  ponto  de vista psicológico, a atuação assistencial, profilática, terapêutica 
ou  corretiva  pode  assumir diferentes rótulos classificados por alguns autores como 
formas  ​suportivas,  reeducativas  ​ ou  ​
reconstrutivas  ​
de  tratamento  (Pennington  & 
Berg,  1954;  Wolberg,  1977).  Sem  nos  apegarmos  a  essa  classificação,  pois 
parece­nos  difícil  distinguir  o  que  realmente  ocorre,  em  face  de  um  rótulo 
predeterminado,  vamos  nos  limitar  a  mencionar  apenas  exemplos  de  métodos 
mais  conhecidos,  dando  maior  extensão  ãqueles  com  os  quais  está  o  autor  mais 
familiarizado.  Procurou­se,  porém,  agrupá­los,  tanto quanto possível, em capítulos 
próprios,  pelo  critério  de  seu  posicionamento  conceitual.  Essa  divisão  setorial não 
reflete,  porém,  nenhuma  tentativa  de introduzir uma nova taxionomia no campo da 
psicoterapia.  O  Quadro  1,  a  seguir,  relaciona  exemplos  de  métodos,  devendo­se 
notar  que  muitos  destes,  consoante  a  situação,  podem  se  enquadrar  em  outras 
categorias. 
 
QUADRO 1 
EXEMPLOS  DE  MÉTODOS  DE  ORIENTAÇÃO,  ACONSELHAMENTO 
PSICOLÓGICO E PSICOTERAPIA 
 
MÉTODOS ENTRADOS NO CONTEXTO  MÉTODOS CENTRADOS NO CONTEXTO 
SÓCLO­CULTURAL  PESSOAL 
· ​
Informação ­ orientação ​ · ​
Persuasão ​ ·  · ​
Psicanálise e técnicas analiticamente orien
Manipulação ambiental ​ · ​
Aproveitamento de  Técnicas de reorganização cognitiva ​ · ​
Técn
interesses e recursos pessoais e ambientais ​ ·  crescimento pessoal e autodeterminação ​ · ​
T
Terapia ocupacional ​ · ​
Socioterapia ​· ​Comunidades  suportivas ou de tranquilização ​ · ​
Terapia ge
terapêuticas e vivenciais; processos de grupo  · ​
Terapia biofuncional e bioenergética ​· ​
Psic
· ​ · ​
Análise transacional ​ Terapia primal ​· 
· ​
Psicobiologia ​ Logoterapia ​· ​
Existencialism
 
Nota: Alguns métodos podem ser classificados em uma ou mais categorias: 
outros não são apresentados sob a nomenclatura habitual e enquadram­se na 
classe geral em que são colocados no texto (capítulos 2, 3 e 4). 
   
2 ­ Métodos Centrados no Contexto Sócio­Cultural 

Fundamentos 
 
A  imposição  de  padrões  culturais,  nos  seus  vários  aspectos,  é,  sempre, 
teoricamente  repelida,  na  ânsia  de  liberdade  e  autenticidade  que  envolve  o  ser 
humano.  O  homem  busca  afirmar­se  e  talvez  nisto  consista  todo  o  móvel  da 
conduta humana e sobre o qual falaremos no Capítulo 6. 
Não  obstante  o  alvo  tantas  vezes  cultivado,  vê­se  o  homem  julgado,  aceito 
ou  rejeitado  pela  forma  como  se  ajusta  aos  padrões  que  o  cercam.  A  acepção  é 
válida  em  todas  as  épocas  e  em  todos  os  lugares,  em  todas  as  classes  e  faixas 
etárias.  Mesmo  a  adolescência  contestatória,  às  vezes  iconoclasta  e  irreverente, 
mas  criativa  e  pura  em  muitos  ideais  que  tenta  opor  à  tradição  e  aos  hábitos  e 
costumes,  cria,  para  si  mesma,  um  modelo  ao  qual  os  adolescentes aderem, com 
normas  e  valores  próprios.  Estes  passam  a  ser  os  critérios  de  conduta  e  de 
ajustamento  pelos  quais  os  próprios  adolescentes  são  entre  si  aceitos  ou 
rejeitados.  O  comportamento  grupal,  diluído  em  pequenas  castas  e  classes  ou 
generalizado  em  amplos  segmentos  populacionais,  envolve  princípios normativos. 
Chega­se  ao  paradoxo  de  propor­se a liberdade, a autenticidade, o ser­ele­próprlo 
e essa atitude transforma­se em valor Imposto, o que contraria a idéia fundamental 
de liberdade. 
A  adaptação  da  pessoa  a  certas  normas,  estilos  ou  formas  de  vida  é, pois, 
um  critério  comum  de  ajustamento,  embora  tentemos  rejeitá­lo.  Daí  se  deduz  que 
muitos  procedimentos  profiláticos  ou  educacionais,  como  técnicas  de  reeducação 
ou  de  terapia,  pautam­se,  inexoravelmente,  por  padrões  sócio­culturais,  alguns 
transitórios  ou  superficiais,  frutos  de  modismos  ou  situações  de  emergência, 
outros  permanentes  e profundos, produtos da experiência acumulada na sucessão 
de  gerações em uma espécie de inconsciente coletivo de que nos fala Jung. Como 
ser  diferente,  marginalizado,  ou  não  reconhecido  socialmente,  pode,  em  certos 
casos  ter  o  sentido  de  destruição,  a  pessoa  procura  adaptar­se  aos  sistemas 
existentes  para  atender  à  necessidade  biológica,  básica,  de  sobreviver.  A 
sociedade  indica­lhe  os  caminhos  para  se  preservar;  exige,  de  forma  aparente  ou 
velada,  que  se  "eduque",  isto  é,  que  saiba  falar,  andar,  vestir­se  e  usar  o  sistema 
social  tal  como  existe;  exige  que  estude,  trabalhe,  cuide dos filhos ou de pessoas, 
segundo  certos  padrões;  espera  que  participe  da  vida  comunitária,  que  pague 
impostos  e  que  desfrute  de  seus  bens, móveis e imóveis, segundo certas regras e 
limitações.  Em  suma,  estabelece  certos  determinismos  cuja  observância  é 
essencial  para  que  a  pessoa  seja  aceita.  O  aconselhamento  e  a  terapia  são, 
nestes  casos,  uma  proposta  de  adaptação  a  uma  vida  pré­definida.  A  liberdade 
seria  apenas  a  possibilidade  de  escolha  entre  os  determinismos  que  nos 
pressionam. 
Muitos  procedimentos  de  aconselhamento  psicológico  e  de  psicoterapia 
visam  atingir  os  alvo_  de  que  falamos:  tentam  conduzir  as  pessoas  às  situações 
que  os  valores  sociais  estabelecem  como  adequadas.  Essa  imposição,  se,  em 
muitos  casos,  produz  reações  de  crítica  e  de  oposição  e  até  de  uma  alienação 
conducente  a  quadros  patológicos,  por  outro  lado  pode  gerar  segurança  aos  que 
se  incorporam  à  massa,  às  tradições,  ao  pensamento  grupal.  E  coletivo.  É  a 
tendência  sociocêntrica  em  oposição  à  linha  individualista  ou  centrada na pessoa. 
Até  que  ponto  as  tendências  socializantes  ou  personalizantes  são  benéficas  ou 
prejudiciais,  aprazíveis  ou  aterradoras  não  sabemos.  É  assunto  Dara  os  filósofos, 
sociólogos  e  psicólogos  sociais.  O  que  nos  parece  evidente  é  a  ausência  de 
padrões,  valores  ou  pressões  que,  de  uma  forma  ou  outra,  balizam  o 
comportamento humano. 
Do  ponto  de  vista  do  aconselhamento  psicológico  e  de  tratamento,  há 
recursos  terapêuticos  que  visam  adaptar  o  homem  a  seu  contexto  sócio­cultural 
embora  se  procure,  atualmente,  limitar  ao  máximo  a  subserviência  a  valores 
preestabelecidos,  sem, porém, ignorá­los; tenta­se colocar a pessoa em condições 
de  opção,  ampliando­se  o  leque  de  escolha;  procura­se  aproveitar  as 
potencialidades  individuais  e abrir perspectivas para mudanças sociais; procura­se 
facilitar  o  questionamento  de problemas e situações de vida. E de forma tal que as 
transições  ocorram  na  pessoa  e  na  sociedade  sem  violentá­las  na  sua  essência, 
mas  vigorosas  no  seu posicionamento. O aconselhamento imposto, extremamente 
autoritário,  é  coisa  do  passado,  ainda  que  as  informações,  os  conselhos,  as 
advertências  atuem  em  certos  casos.  Se  os  conselhos  e  recomendações  fossem; 
por  si  sós,  eficientes,  as  Prisões  estariam  vazias  e  os  instrumentos;  de  repressão 
teriam  amplo  sentido.  Há,  pois,  que  estabelecer  um  sistema  de  comunicação,  de 
orientação  e  de  atuação  psicológica  que  produza  resultados  benéficos  para  a 
pessoa  e  para  a  sociedade.  E,  no  caso  em  que  os  valores  sociais  sejam 
predominantes,  muitos  processos  são  usualmente  aplicados  com  maior  ou  menor 
benefício  pessoal  ou  social  consoante  as  exigências  que,  naquele  momento, 
fluem da pessoa ou do grupo. 
 
Procedimentos comuns 
 
 
Como  se  verifica  em  vários  autores  (hahn  &  MacLean,  1955;  Stefflre  & 
Grant,  1976;  Sundberg  &  Tyler,  1963;  Wolberg,  1977),  há  grande  variação  nos 
procedimentos  adotados  nesta  categoria  metodológica  de  tipo  "orientador"  ou 
“diretivo" . 
Ainda  que  prevaleça  o  sentido  sociocêntrico,.  Baseado  em  padrões 
culturais,  tenta­se,  do  ponto  de  vista  psicológico,  reduzir  ao  mínimo  a  diretividade 
procurando­se  reduzir  tensões  e  preparar  a  pessoa  para  decisões  socialmente 
desejáveis.  Em  geral,  os  procedimentos  mais  comuns  são:  1)  Discussão  com  o 
psicólogo  dos  prós  e contras de cada situação; 2) Informação, pelo psicólogo, com 
base  no  diagnóstico,  das  possíveis  causas  e  da  possível  evolução  das  reações 
observadas;  3)  Opinião  do  psicólogo  no  sentido  de  estimular  ou  de  impedir  a 
consecução  de  certos  planos;  4)  Planejamento  de  situações,  com  o  cliente, 
envolvendo assuntos relacionados com os problemas tratados. 
Dificilmente  se  encontra,  na  literatura,  a  citação  de pormenores técnicos do 
método,  isto  é,  sobre  o  tipo  de  diálogo  e  atuação  pelo  qual  o  psicólogo  conduz  o 
relacionamento  com  o  cliente.  Em  geral"  são  citados  métodos  de  interpretar 
resultados  de  testes  face  a  uma  situação  considerada  e  prognósticos  que  podem 
ser  levantados.  Limitam­se  os  autores  a  afirmar  que  "o  cliente  deve  ser 
informado",  que"  deve  tomar  conhecimento  J'  ,  que  o  psicólogo  deve  considerar 
isto ou aquilo e que o cliente deve decidir. 
Em  geral,  qualquer dos procedimentos aqui citados, como outros, análogos, 
,embora com nomenclatura diferente, compreendem três etapas: 
 
Fase catártica 
 
O  psicólogo  ouve  o  cliente  mantendo  atitudes  não  críticas,  facilitando  sua 
expressão.  O  cliente  expõe seus problemas e o psicólogo usa várias intervenções, 
tais  como  repetição,  sumário  e  proposição  de  questões,  esperando  que  o 
problema  seja  devidamente  enquadrado  em  hipóteses  prováveis.  Essa  fase  pode 
durar  uma  ou  mais  sessões,  na  medida  em  que  seja  necessário  chegarem, 
psicólogo e cliente, a uma estruturação formal dos problemas a enfrentar. 
 
Fase de diagnóstico 
 
Preparado  emocionalmente  o  cliente  na  fase  catártica,  pode  seguir­se  o 
diagnóstico,  orientando­se  sua  execução  de  acordo  com  os  problemas  ou 
hipóteses  fixados  na  etapa  anterior.  Anamnese,  testes,  questionários,  entrevistas 
com  familiares.e  outras  pessoas  são  usados.  Exames  médicos  e  pareceres 
escolares  ou  profissionais  podem  ser  incluídos  no  diagnóstico.  Este  envolve  mais 
de  uma  pessoa  e,  em algumas clínicas, uma grande equipe participa do ​ estudo do 
caso  ​
e  da  formulação  de hipóteses e de planos (Vide outros comentarmos sobre o 
diagnóstico, no Capítulo anterior). 
Ao mesmo tempo, o psicólogo procura conhecer as oportunidades de 
estudos,  de  trabalho,  de  vida  social,  de  recreação  e  de  eventuais  tratamentos 
específicos  disponíveis  para  o  cliente;  precisa  recorrer  a  diferentes  especialistas, 
entre  os  quais  orientadores  educacionais,  assistentes  sociais,  médicos, 
professores  e  até  mesmo  a  outros  profissionais.  Como  tem  que  julgar  a 
disponibilidade  de  recursos  da  comunidade,  seu  trabalho  pessoal  geralmente  é 
insuficiente. 
Quando  o  diagnóstico  é  necessário,  temos  notado  ser  mais  eficaz  o 
procedimento  que  identifique:  1)  ​o  nível  potencial  ​
do  cliente,  e  que  se  estende 
desde  suas  condições  de  saúde  até  seus  níveis  de  escolarização  e  de  condições 
sócio­econômicas,  incluindo  nível de inteligência, de aptidões e reações sensoriais 
e  motoras;  2)  ​
as  condições  de  adaptabilidade  ​que  favorecem  ou  delimitam  o  uso 
de  suas  potencialidades,  penetrando­se  no  estudo  da  personalidade  do  cliente  e 
nos  seus  dinamismos.  Todos  os  planos  geralmente  consideram  as  expectativas 
sociais  e,  de  outro  lado,  as  potencialidades  individuais, inclusive as facilitações ou 
barreiras que a pessoa pode encontrar (Barros Santos, 1978). 
 
Fase de decisões 
 
Com  o  quadro  do  cliente  diante  de  si,  o  psicólogo  é  levado à compreensão 
do  comportamento  do  cliente  e  à  decisão  sobre  os  procedimentos  aplicáveis  para 
prevenção,  ajustamento  ou alteração de conduta. A característica básica reside na 
maior  dose  de  iniciativa  e  decisão  atribuída  ao  psicólogo.  Este  espera  o  cliente 
colocar  os  problemas  e  as  soluções,  mas,  se  estas  não  surgirem,  assume  o 
psicólogo  o  papel  de  proponente.  O  diálogo  é  Uma  troca  de  idéias.  O  psicólogo 
informa,  de  modo  impessoal,  sobre  os  dados  apurados,  baseando­se  em 
interpretações  clínicas  e  estatísticas  (Meehl,  1954;  Super,  1955;  Coule,  1960; 
Goldman,  1961).  Evita  personalizar  as  situações  e  oferece  panoramas  gerais, 
impedindo  o  aparecimento  de  nova  ansiedade  quando  certos  dados  possam 
contrariar  os  alvos  do  cliente.  Ao  discutir  com  este,  o  psicólogo,  ao mesmo tempo 
que  ​informa,  ​
tenta  explorar em cada idéia ou fato novo os sentimentos manifestos. 
Essa  atuação,  informativa  e  exploratória,  leva  o  cliente  a  conhecer  suas 
possibilidades  e,  desde  que  não  gere  tensões,  produz  condições  favoráveis  para 
escolhas  e  decisões.  É  uma  etapa  difícil,  principalmente  quando  existem  dados 
fortemente  contrários  às  expectativas  da  pessoa.  Em  geral,  é  mais  cauteloso 
esperar  que  esta,  pouco  a  pouco,  com  a  atmosfera  de  conforto  criada  pelo 
psicólogo,  possa  ir,  ela  própria,  inferindo  conclusões.  As  interferências  no  sentido 
de  ordenar,  proibir,  persuadir  não  têm,  em  geral,  mostrado  eficácia.  A  informação 
e  a  exploração  subseqüentes  e  imediatas  nos  parecem  ser  o  procedimento  mais 
adequado  até  agora  encontrado.  O  psicólogo  julga  e  avalia  as  possibilidades  do 
cliente,  mas  o  faz  atenuando  qualquer  grau  de  dependência  ou  de  ansiedade,  na 
medida  em  que  seja  capaz  de,  concomitantemente  com  a  informação,  incluir 
atitudes  que  conduzam  o  cliente  a  explorar­se  a  si  mesmo  e  à  tomada  de 
decisões. 
 
Variações no processo 
 
Em  inúmeros  casos,  na  fase  catártica  ou  na  fase  de  decisões,  o  cliente  se 
sente  mais  à  vontade  "falando  dos  seus  problemas"  do  que  dos  motivos 
originariamente  expostos  como  razões  para  consulta.  A  redução  da  ansiedade 
criada  pelas  atitudes  do  psicólogo  permite,  pois,  distinguir  os  casos  em  que 
ocorrem  problemas  emocionais  generalizados  dos  que  procuram,  apenas, 
informações  para  uso  predominantemente  intelectual.  Nessas  circunstâncias, 
vê­se  o  psicólogo  na  contingência  de  continuar  o  processo  no  esquema  original 
previsto,  de  transformá­Lo  em  processo  terapêutico  específico  ou,  ainda,  de 
combinar ambos. 
O  atendimento  do  caso pode ter início com atitudes e técnicas centradas na 
pessoa,  o  que,  além  de  preparar  o  cliente  para  um  melhor  diagnóstico,  quando 
este se revelar necessário, permite iniciar uma assistência terapêutica que será útil 
nas  situações  em  que,  ao  lado  dos  aspectos  intelectuais,  haja  situações 
emocionais a serem manipuladas. 
Quando  o  método  é  aplicado  principalmente  em  casos  de  orientação 
vocacional  ou  profissional,  sem  problemas  emocionais  graves,  temos  notado  que 
os  clientes,  quando  submetidos  apenas  à  reflexão  de  sentimentos,  mostraram 
pouco  ou  nenhum  avanço  no  sentido  de  equacionar  melhor  suas opções. Sempre 
que  o  psicólogo  intervinha  apenas  com  técnicas  rogerianas,  não  se  notava  o 
aparecimento  de  respostas  que  revelassem  modificação  de  comportamento 
associada  a  eventuais  decisões.  Em  se  tratando  de  casos  em  que predominavam 
problemas cognitivos  
O  que  se  supôs  antes  e  se  verificou  posteriormente  ­  a  técnica  de 
informação,  discussão  e  explanação  refletiu­se  favoravelmente  no  aumento  das 
possibilidades  de  decisão.  Tais  efeitos  concordam,  em  parte,  com  o  que  afirmam 
os  partidários  desse  método  e  segundo  os  quais  os  problemas  de  escolha  nem 
sempre  são  originariamente  emocionais.  Estudos  de  Watley  (1967),  concernentes 
à  predição  do  sucesso  de  estudantes  atendidos  por  conselheiros  de  orientação 
doutrinária  e  técnicas  diferentes,  demonstraram  que  os  conselheiros  filiados  à 
teoria  informativa  (teoria  e  traços  da  personalidade)  predisseram  com  mais 
exatidão  o  grau  de  sucesso  dos  indivíduos  estudados  do  que  os  filiados  à 
orientação  não  diretiva,  dos  chamados  ecléticos  ou  dos  que  não  tinham  doutrina 
técnico­científica bem definida. 
 
A  maioria  das  técnicas  ou  de  recursos  terapêuticos  baseados  no  contexto 
sócio­cultural  não  tem  nomes  consagrados.  Muitos  mesclam­se  entre  si.  Vamos 
enumerá­los  com  pequenas  explicações  já  que  constituem  variações  do 
procedimento geral descrito. 
Informação­Orientação 

É  um  processo  tradicional  de  interação,  de  natureza  predominantemente 


Profilática.  Visando  oferecer.  E  discutir  alternativas  de ação conduzidas, em geral, 
Sob  a  forma  de:  a)  procedimentos  de  apoio;  b)  análise  de  opções  envolvendo 
Questões.  Lembretes.  Consulta  a  dados  existentes.  Observação  da  realidade 
circunstancial  confrontação  com  modelos  de  conduta  e  resultados; c) reflexão dos 
sentimentos  provocados  pelas  alternativas  estudadas.  Aplica­se,  em  geral,  a 
pessoas  que  mantenham  contato  com  a  realidade.  Motivadas  e  suficientemente 
desenvolvidas para análise de informações. 
Os  procedimentos  informativos  ou  orientadores  atuam  geralmente no plano 
racional,  desde.  que  haja prévia liberação de estados emocionais que perturbem a 
tomada de decisões. É um dos procedimentos mais usados através do tempo e útil 
sempre  que  a  pessoa  precise  de  informações  para  comparar  os  possíveis  efeitos 
de  suas  opções.  Enquadram­se  estes  procedimentos  no  campo  habitual  dos 
Orientadores  ou  conselheiros.  Seja  no  campo  familiar,  escolar,  profissional  ou 
social. 
 
Persuasão 

Trata­se  de  imposição  comportamental,  no  plano  da  ideação  e  da  ação, 
baseada  em  padrões  de  conduta  previamente  definidos  como  únicos  possíveis  e 
válidos.  De  efeito  sugestivo,  atua  sob  a  forma  de  dissuasão  racional,  geralmente 
associada  a  recompensas  e  punições.  É  de  valor  ético  discutível  e  somente 
indicado  em  situações  de  emergência  e  de  perigo  para  o  cliente  ou  para  outras 
pessoas.  Inclui,  muitas  vezes,  a  doutrinação  e  a  orientação  das  pessoas  para 
comportamentos  sociais  ou  políticos  emanados  de  um  grupo  dominante.  Um 
exemplo extremado deste procedimento é a chamada "lavagem cerebral". 
 
Manipulação ambiental 
 
Consiste  em  uma  atuação  planejada  e  diretiva  sobre  agentes  externos, 
presentes  na  família,  na  escola,  no  trabalho  ou  na  comunidade,  visando  eliminar 
ou  atenuar  a  exposição  do  cliente  às  fontes  de  frustração  ou  de  conflito.  Pode 
exigir  amplo  diagnóstico  do  cliente  e  dos  fatores  externos  atuantes  em  seu 
comportamento  para  localizar  as  variáveis  nele  intervenientes  e  a  aplicação  de 
medidas  que  conduzam  alvos  desejados.  Muitas  vezes  o  processo  é  indireto,  ou 
seja,  o  próprio  cliente  não  tem conhecimento dos alvos e das intenções que visam 
alterar  seu  comportamento,  o  que  ocorre  em  casos  de  deficiência  grave  e 
incapacitante no plano intelectual ou emocional. 
Aproveitamento de interesses e de recursos pessoais e ambientais 

Partindo  de  prévio  diagnóstico  global!  E  diferencial,  visa  utilizar  ao  máximo 
o  potencial  e  a  estrutura  individual,  usando  caminhos  não  bloqueados.  Inclui  o 
Estudo  da  dinâmica  do  comportamento  e  dos  alvos  e  das  necessidades 
individuais,  procurando­se  conciliá­las  com  as  ofertas  e  as  necessidades  sociais. 
Multo  usado  no  Campo  da  Orientação  Vocacional  e  Profissional  e  na  Educação, 
baseia­se  nas  possibilidades  da  comunidade  ou  da  instituição,  procurando­se 
facilitar  à  pessoa  seu  ajustamento  a  uma  ou  mais  alternativas  que  a  sociedade 
oferece.  É  menos  diretivo  Do  que  os  procedimentos  _tj.anteriores,  já  que  oferece 
opções  no  campo  do trabalho, Do lazer, da família, das atividades comunitárias ou 
em outras áreas do comportamento social.  
Terapia ocupacional 

Compreende  atividades  de  lazer,  de  recreação  e,  principalmente,  tarefas 


que  revelem  ​ utilidade  ​
e  sentimento  de  auto­afirmação.  As  atividades  podem  ser 
livres,  dirigidas  ou  semidirigidas  e  propiciam  redução  de  tensões,  exploração  de 
aptidões  e  de  interesses,  melhora  de  comunicação  e:  da  expressão  e  podem  ter 
ação  preventiva.  educativa  ou  terapêutica  (Willard  &Spackman.  1970). Pode atuar 
como  procedimento  complementar  ou  como  técnica  terapêutica  essencial, 
principalmente  quando  outros  métodos  são  inviáveis.  Pode  incluir  outras 
atividades,  tais  como  esporte,  teatro,  movimentos  associativos,  atividades 
artísticas,  cívicas,  sociais,  religiosas, bem como trabalhos manuais e artesanais. É 
aplicável,  também,  no  campo  empresarial  para  liberação  de  tensões, 
desenvolvimento pessoal enriquecimento do trabalho e melhora da comunicação. 
A  ​ laborterapia  ​
é  algo  paralelo  que  se  diferencia  de  terapia  ocupacional 
porque  estabelece  um  padrão  mínimo  de  (desempenho  a  atingir,  periodicamente 
revisto  e  neste  sentido,  tem  amplos  efeitos  pedagógicos  e  psicológicos  tanto para 
pessoas  ditas  normais  corno  deficientes.  Muitas  vezes  recorre­se  a  oficinas 
especiais  ou  "protegidas",  mas  a  tendência  atual  é  usar  o  ambiente  normal  de 
trabalho. 
Socioterapia 

 
Confunde­se  com  outros  métodos  e  técnicas  já  que  o  aconselhamento  e  a 
psicoterapia  de  qualquer  estilo  são,  também,  socioterápicos.  Mescla­se,  mais 
comumente,  com  a  manipulação  ambiental,  com  comunidades terapêuticas e com 
as  técnicas  de  grupo  em  geral.  Em  essência,  visa  um contexto grupal, de que são 
exemplos  a  terapia  familiar  (Bowen,  1978),  a  terapia  institucional  (para  pessoas 
que  têm  vida  em  comum) e equipes de trabalho. Nestes e noutros casos, a ênfase 
é  dirigida  para  os  sentimentos  e  as  relações  intragrupos  e  intergrupos; 
concentra­se  nos  problemas  de  agrupamentos  humanos  em  geral como, também, 
em  grupos  especiais  tais  como  grupo  de  doentes,  grupo  de  viciados  (o  A.A.A.  é 
um exemplo), grupo de minorias raciais, grupo de delinqüentes, etc. 
Os  procedimentos aplicados correspondem, em geral, às técnicas de grupo, 
sob orientações psicológicas as mais diversas (vide capítulo 4). 
 
Comunidades terapêuticas ​ e ​
vivenciais; processos de grupo 
 
São  geralmente  usadas  quando  se  busca  um  relacionamento  grupal  e  um 
trabalho  de  grupo  e,  neste  caso,  assemelha­se  à  socioterapia.  As  comunidades 
terapêuticas  e  vivenciais  são,  também,  destinadas  aos casos que não possam ser 
atendidos  em  clínicas  ou  consultórios  comuns  por  dificuldades  diversas. 
Aplicam­se  igualmente  às  pessoas  que  tenham  problemas  de  residência,  de 
locomoção  e  as  que  precisam  de  constante  assistência,  seja  médica  ou 
psicológica. 
Em  alguns  casos  caracteriza­se  uma  ​internação  ​ou  seja  um regime de vida 
em  clínica,  hospital  ou comunidade em que a pessoa submete­se a um tratamento 
médico,  psicológico  e  social  em  geral  programado  pela  instituição  que  a  acolhe. 
Modernamente,  os  "internos"  são  convidados  para  colaborar,  podendo  até 
participar  da  direção  dos  programas  em  regime  de  co­gestão,  visando­se 
confrontação  com  a  realidade  e  auto­afirmação.  A  interação entre os participantes 
é  discutida  em  sessões  especiais  prevendo­se,  também,  relações  externas  e  o 
gradativo término da internação com o conseqüente autogoverno. . 
Os  procedimentos  e  todas  suas  variações  médicas,  psicológicas  ou sociais 
são  planejados  e  aplicados  por  equipes  multidisciplinares,  com  a  cooperação  dos 
participantes,  podendo  ser  usados  tanto  em  hospitais  como  em  escolas, 
empresas,  estabelecimentos  penais,  centros  de  abrigo  e  proteção  e  obras 
assistenciais. 
O  ​ hospital­dia,  centro­dia  ​ou  ​ centro  terapêutico  ​ é  uma  variação 
metodológica  na  qual  o  cliente  conserva  o  vínculo  com  a  família  e  freqüenta  o 
centro  diariamente  ou  algumas  vezes  por  semana.  Aplica­se  a  pessoas  para  as 
quais  a  tarefa  terapêutica de consultório ou de ambulatório é insuficiente e para as 
quais a internação comum é desnecessária ou contra­indicada. 
Tanto  a internação ou hospitalização comum como o centro­dia implicam na 
existência  de  várias  atividades  que  compreendem,  em  geral:  1)  Assistência 
médica  em  geral;  2)  Atividades  psicoterápicas  tais  como  sessões de grupo, jogos, 
dança,  esporte,  artes  plásticas  e  musicais,  artesanato,  participação  em  tarefas 
para  o  centro;  3)  Psicoterapia  específica,  conforme  o  caso;  4)  Contacto  com  a 
realidade; 5) Trabalho com a família, fazendo desta uma ativa participante. 
O centro­dia, ou centro terapêutico, vem sendo usado também no campo da 
gerontologia,  pelo  qual  conserva  o  idoso  seus  vínculos  familiares  sendo, 
simultaneamente,  assistido  por  uma  equipe  especializada,  em  um  melo  que  lhe 
proporciona convivência e atividade produtiva. 
A  vivência  comunitária  é  outra  variação  do  procedimento  de  internação  e 
comunidade  terapêutica.  Pode  assumir  várias  formas,  desde  instituições 
destinadas  a  menores  excepcionais  ou  desemparados,  até  instituições  penais  ou 
conjunto  residencial  para  idosos.  Esse sistema tem algumas vantagens e algumas 
desvantagens.  Em  geral  provê  meios  assistenciais  mais  facilmente  e  menos 
onerosos  mas,  por  outro  lado,  afasta  o  indivíduo  da  realidade  existencial 
contribuindo,  até  certo  ponto,  para  uma  segregação  social  ou  etária.  Outro  perigo 
é  o  ​
envelhecimento  ​
ou  saturação  da comunidade ou seja, o cansaço resultante de 
uma  constante  vida  em  comum.  Os  inconvenientes  apontados  podem  ser 
removidos  com  uma  organização  suficientemente  ampla  e  flexível,  com 
programações  variadas  e  com população parcialmente rotativa. Pode­se, também, 
em  certos  casos,  limitar  a  estada  residencial  a  alguns  dias  por  semana  ou 
intercalá­la com temporadas em outros locais, principalmente junto à família. 
 
 
3 ­ Procedimentos Centrados no Contexto Pessoal 

Fundamentos 
 
Ao  longo  dos  tempos,  a  sociedade  revê  os  focos  de  referência  em  que 
balisa seus alvos, concentrando­se ora na pessoa, ora no grupo ou 'sistema, o que 
acarreta,  no  campo  do  aconselhamento  psicológico  ou  da  psicoterapia, 
correspondentes  alterações.  O  conceito  humanístico,  'voltado  para  uma  atitude 
antropocêntrica,  geralmente  se  sucede  ao  período  sociocêntrico,  no  retorno  a  um 
equilíbrio  natural.  Essas  tendências  se  alternam  e,  às  vezes,  coexistem.  Hoje 
parece  estarmos  diante  de  uma  orientação  predominantemente  personalista  em 
que  o  indivíduo  é  o  centro.  Nesta  conceituação,  acentuada  depois  da  II  Grande 
Guerra,  o  foco  preferencial  tem  sido  o  homem,  a  pessoa  antes  do  grupo,  embora 
alguns sistemas sociais existam como alvo prioritário. 
Embora  essas  colocações  e  a  luta  pelos  direitos  humanos  definam  uma 
marcante  filosofia  social,  a  distância  é  bem  grande  entre  a  idéia  e a ação. Mesmo 
no  aconselhamento  tipicamente  centrado  na  pessoa,  quando  terapeuta  e  cliente 
buscam  libertar­se  das  amarras  sociais,  estas  não  conseguem  ser  eliminadas. Os 
seres  vivos  têm  medo  de  mudanças  e  apegam­se  às  estruturas  existentes.  No 
humanismo  psicológico,  pois,  o  efeito  máximo  atingido  parece  limitar­se  a  uma 
proposição  para  o  futuro,  isto  é,  ao  planejamento  para  geração  posterior.  O 
humanismo  é  um  desenvolvimento  e  um  aproveitamento  daquilo  que  é  a  pessoa, 
com  ênfase  na  inovação,  no  enriquecimento  experiencial  e  no  crescimento,  o que 
não  significa  constante  oposição social mas a capacidade e a habilidade de extrair 
do  melo  o  que  é  útil  à  pessoa  e,  em  contrapartida,  oferecer  ao  melo  o  que  pode 
ser  a  ele  necessário  para  o  equilíbrio  geral.  Neste  ponto,  o  aconselhamento  e  a 
psicoterapia de linha chamada' 'humanística" são contrários à educação de massa, 
à modelagem social e à socialização planejada. 
Os  métodos  e  técnicas  dirigidos  pelo  enfoque  humanístico  partem  do 
princípio  de  que  a  pessoa,  como  organismo  total,  é  um  ser  com  características 
próprias,  que  age  e  interage de acordo com as coordenadas básicas, biopsíquicas 
e  sociais  de sua personalidade, em uma equação pessoal de que nos falam tantos 
autores.  O  meio  social  é  um  corpo  à  parte,  tão  significativo  quanto  O  ente 
biopsíquico,  mas  não  o alvo irremovível e indiscutível. A pessoa é o centro e não o 
sistema  de  valores  e  de  hábitos  sociais.  Francamente  opostos  ao  domínio 
sóclo­cultural,  da  primeira categoria de métodos (Capítulo 2), coloca como objetivo 
básico  a  satisfação  e  o  bem­estar individual, sem que isto implique em rebeldia ou 
subversão  mas,  ao  contrário,  em  busca  de  valores  e  de  opções  que  conciliem  o 
EU pessoal com o EU social. 
Os  métodos  e  os  procedimentos  práticos  atuam  tanto  no  plano  consciente 
como  no inconsciente da personalidade e tendem a ser fenomenológicos ou, como 
diz  Tyler:  "Lida  com  o  mundo  como  a  pessoa  o  vê  mais  do  que  com  a  realidade