A TEORIA BÁSICA DE JEAN PIAGET

José Luiz de Paiva Bello Vitória, 1995

Desde muito cedo Jean Piaget demonstrou sua capacidade de observação. Aos onze anos percebeu um melro albino em uma praça de sua cidade. A observação deste pássaro gerou seu primeiro trabalho científico. Formado em Biologia interessou-se por pesquisar sobre o desenvolvimento do conhecimento nos seres humanos. As teorias de Jean Piaget, portanto, tentam nos explicar como se desenvolve a inteligência nos seres humanos. Daí o nome dado a sua ciência de Epistemologia Genética, que é entendida como o estudo dos mecanismos do aumento dos conhecimentos. Convém esclarecer que as teorias de Piaget têm comprovação em bases científicas. Ou seja, ele não somente descreveu o processo de desenvolvimento da inteligência mas, experimentalmente, comprovou suas teses. Resumir a teoria de Jean Piaget não é uma tarefa fácil, pois sua obra tem mais páginas que a Enciclopédia Britânica. Desde que se interessou por desvendar o desenvolvimento da inteligência humana, Piaget trabalhou compulsivamente em seu objetivo, até às vésperas de sua morte, em 1980, aos oitenta e quatro anos, deixando escrito aproximadamente setenta livros e mais de quatrocentos artigos. Repassamos aqui algumas idéias centrais de sua teoria, com a colaboração do “Glossário de Termos”. 1 - A inteligência para Piaget é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas. Esta adaptação refere-se ao mundo exterior, como toda adaptação biológica. Desta forma, os indivíduos se desenvolvem intelectualmente a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam. O que vale também dizer que a inteligência humana pode ser exercitada, buscando um aperfeiçoamento de potencialidades, que evolui "desde o nível mais primitivo da existência, caracterizado por trocas bioquímicas até o nível das trocas simbólicas" (RAMOZZI-CHIAROTTINO apud CHIABAI, 1990, p. 3). 2 - Para Piaget o comportamento dos seres vivos não é inato, nem resultado de condicionamentos. Para ele o comportamento é construído numa interação entre o meio e o indivíduo. Esta teoria epistemológica (epistemo =

conhecimento.“Não existe estrutura sem gênese. A isto Piaget chamou de “construtivismo sequencial”. se puder agir sobre o objeto de conhecimento para inserí-lo num sistema de relações. É acomodação na medida em que a estrutura se modifica em função do meio. mais “inteligente” será o indivíduo. A adaptação intelectual constitui-se então em um "equilíbrio progressivo entre um mecanismo assimilador e uma acomodação complementar" (Piaget. . etc. verbal e mental. A seguir os períodos em que se dá este desenvolvimento motor. criando estruturas cada vez mais complexas. estruturalistas sem gênese.do nascimento aos 2 anos. O que implica os dois pólos da atividade inteligente: assimilação e acomodação. Não existe um novo conhecimento sem que o organismo tenha já um conhecimento anterior para poder assimilá-lo e transformá-lo.O desenvolvimento do indivíduo inicia-se no período intra-uterino e vai até aos 15 ou 16 anos. e logia = estudo) é caracterizada como interacionista. encadeadas umas às outras. Ou seja. de suas variações. A construção da inteligência dá-se portanto em etapas sucessivas. segundo Dolle. ao nível de uma interação entre o sujeito e o objeto. Ou seja.. portanto. 3 . 1982). mas também para a sociologia e para a antropologia. o problema epistemológico. 52). nem gênese sem estrutura” (Piaget). Em outras palavras. A inteligência do indivíduo. associacionistas. como adaptação a situações novas. 1982). É assimilação na medida em que incorpora a seus quadros todo o dado da experiência ou ëstruturação por incorporação da realidade exterior a formas devidas à atividade do sujeito (Piaget. está relacionada com a complexidade desta interação do indivíduo com o meio. E "essa dialética resolve todos os conflitos nascidos das teorias. a estrutura de maturação do indivíduo sofre um processo genético e a gênese depende de uma estrutura de maturação. além de permitir que os pedagogos tracem uma metodologia baseada em suas descobertas.. Sua teoria nos mostra que o indivíduo só recebe um determinado conhecimento se estiver preparado para recebê-lo. e permite seguir fases sucessivas da construção progressiva do conhecimento" (1974. Piaget situa. genéticas sem estrutura. 4 . quanto mais complexa for esta interação. Período Sensório-Motor . As teorias piagetianas abrem campo de estudo não somente para a psicologia do desenvolvimento. empiristas. com complexidades crescentes. Piaget diz que a embriologia humana evolui também após o nascimento. o do conhecimento. A. p. .

dos 2 anos aos 4 anos. do faz de conta. ou seja. Seu pensamento continua centrado no seu próprio ponto de vista. Duas crianças “conversando” dizem frases que não têm relação com a frase que o outro está dizendo. Neste período surge a função semiótica que permite o surgimento da linguagem. uma vez que a proposta é de sintetizar as idéias de Jean Piaget.dos 7 anos aos 11 anos. É uma inteligência iminentemente prática. do jogo simbólico. Já é capaz de organizar coleções e conjuntos sem no entanto incluir conjuntos menores em conjuntos maiores (rosas no conjunto de flores. Não há liderança e os pares são constantemente trocados. Período Simbólico . da imitação. É também o período em que o indivíduo “dá alma” (animismo) aos objetos ("o carro do papai foi 'dormir' na garagem"). Neste período já existe um desejo de explicação dos fenômenos. mas dentro do coletivo. A ausência da função semiótica é a principal característica deste período. Existem outras características do pensamento simbólico que não estão sendo mencionadas aqui. neste período. egocentrismo (tudo é “meu”). etc. aproximadamente. . da dramatização. Podendo criar imagens mentais na ausência do objeto ou da ação é o período da fantasia. por exemplo). Sua conduta social. A linguagem está a nível de monólogo coletivo. por exemplo). podendo dramatizar a fantasia sem que acredite nela. superdeterminação (“teimosia”).aproximadamente. Distingue a fantasia do real. Período Operatório Concreto . do desenho. C. Quanto à linguagem não mantém uma conversação longa mas já é capaz de adaptar sua resposta às palavras do companheiro. D. aproximadamente. É a “idade dos porquês”.dos 4 anos aos 7 anos. A inteligência trabalha através das percepções (simbólico) e das ações (motor) através dos deslocamentos do próprio corpo. é de isolamento e indiferenciação (o mundo é ele). etc. Os Períodos Simbólico e Intuitivo são também comumente apresentados como Período Pré-Operatório. Sua socialização é vivida de forma isolada. aproximadamente. todos falam ao mesmo tempo sem que respondam as argumentações dos outros. Com a capacidade de formar imagens mentais pode transformar o objeto numa satisfação de seu prazer (uma caixa de fósforo em carrinho. B. Sua linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas) à palavra-frase ("água" para dizer que quer beber água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações.. pois o indíviduo pergunta o tempo todo. como por exemplo o nominalismo (dar nomes às coisas das quais não sabe o nome ainda). Período Intuitivo .

A partir desta estrutura de pensamento é possível a dialética. chefiando e admitindo a chefia. O lema “o professor não ensina.. do Método . e estabelecer compromissos. sem que no entanto possam discutrir diferentes pontos de vista para que cheguem a uma conclusão comum. comportamentos consagrados.É o período em que o indivíduo consolida as conservações de número. sendo fiéis a ela. 131). organizando então o mundo de forma lógica ou operatória. estritamente. “Aceitar o ponto de vista de Piaget. É o ápice do desenvolvimento da inteligência e corresponde ao nível de pensamento hipotético-dedutivo ou lógico-matemático. volume e peso. perdendo seu ar de ator no palco). libertando-se do concreto em proveito de interesses orientados para o futuro. 1980. em cada um. fundamentalmente. provocará turbulenta revolução no processo escolar (o professor transforma-se numa espécia de ‘técnico do time de futebol’..) Quem quiser segui-lo tem de modificar. aí não está havendo uma escola piagetiana!” (Lima. (. Sua organização grupal pode estabelecer relações de cooperação e reciprocidade. psicológicas e sociológicas). É quando o indivíduo está apto para calcular uma probabilidade. Sua organização social é a de bando. É. O conhecimento destas possibilidades faz com que os professores possam oferecer estímulos adequados a um maior desenvolvimento do indivíduo. A compreensão deste processo é fundamental para que os professores possam também compreender com quem estão trabalhando. Piaget nos mostra que cada fase de desenvolvimento apresenta características e possibilidades de crescimento da maturação ou de aquisições. que permite que a linguagem se dê a nível de discussão para se chegar a uma conclusão.A importância de se definir os períodos de desenvolvimento da inteligência reside no fato de que. Onde houver um professor ‘ensinando’.dos 11 anos em diante. Já é capaz de ordenar elementos por seu tamanho (grandeza). milenarmente (aliás. Já podem compreender regras. finalmente. substância. Período Operatório Abstrato . A obra de Jean Piaget não oferece aos educadores uma didática específica sobre como desenvolver a inteligência do aluno ou da criança.. portanto. E. de compreensão e interpretação da realidade. p. podendo participar de grupos maiores. o indivíduo adquire novos conhecimentos ou estratégias de sobrevivência. A conversação torna-se possível (já é uma linguagem socializada).. 5 . ajuda o aluno a aprender”. incluindo conjuntos. é assim que age a ciência e a pedagogia começa a tornar-se uma arte apoiada. nas ciências biológicas. a “abertura para todos os possíveis”.

Tese (Doutorado). Alguns governos municipais. LIMA. USP. 1980.Psicogenético. 284 p. 1990. Existem outras escolas. espalhadas pelo Brasil. 165 p. Isa Maria. Estas iniciativas passam tanto pelo campo do ensino particular como pelo público. 2. Rio de Janeiro: Zahar. ainda se desconhece as teorias de Piaget no Brasil. preocupam-se em aprofundar estudo nestas teorias. Pode-se afirmar que ainda é limitado o número daqueles que buscam conhecer melhor a Epistemologia Genética e tentam aplicá-la na sua vida profissional. que também procuram criar metodologias específicas embasadas nas teorias de Piaget. O nascimento da inteligência na criança. Quando muito oferecem os períodos de desenvolvimento. Todavia. sem permitir um maior entendimento por parte dos alunos. Nem mesmo as Faculdades de Educação. 389 p. PIAGET. . São Paulo. tem suas bases nestas teorias epistemológicas de Jean Piaget. criado por Lauro de Oliveira Lima. ed. já tentam adotá-las como preceito político-legal. São Paulo: Summus. 4. inclusive. 1982. ed. Piaget para principiantes. A influência do meio rural no processo de cognição de crianças da pré-escola: uma interpretação fundamentada na teoria do conhecimento de Jean Piaget. Jean Piaget Referências CHIABAI. na sua prática pedagógica. Lauro de Oliveira. de uma forma geral. Jean. Instituto de Psicologia.

Belo Horizonte Escola do Futuro .Fortaleza Centro Educacional Jean Piaget .São Paulo Grandes Mestres da Educação . São Paulo O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA TEORIA DE PIAGET .Escolinha A Chave do Tamanho Rio de Janeiro Centro Educacional Jean Piaget .São Paulo Instituto Tarcísio Bisinotto .OUTROS SITES SOBRE JEAN PIAGET: Adriana Oliveira Lima .Fortaleza Colégio Oliveira Lima .Vera Zacharias.

elaborador de conhecimentos válidos". a de Jean Piaget (1896-1980). como as demais.br Apresentação O estudo do desenvolvimento do ser humano constitui uma área do conhecimento da Psicologia cujas proposições nucleares concentram-se no esforço de compreender o homem em todos os seus aspectos. Tal esforço. é tecer algumas considerações referidas ao eixo principal em torno do qual giram as concepções do método psicogenético de Piaget. etc. segundo Coll e Gillièron (1987:30). curiosamente aliás. é o de que o modelo piagetiano prima pelo rigor científico de sua produção. Coll. conforme procuraremos discutir na seqüência deste trabalho.1999. na medida em que ela busca. Um outro ponto importante a ser considerado.Márcia Regina Terra* mterra@estadao. compreender o desenvolvimento do ser humano.o materialismo mecanicista e o idealismo . o qual.ambas marcadas pelo antagonismo inconciliável de seus postulados que separam de forma estanque o físico e o psíquico. Dentre essas teorias. tem como objetivo "compreender como o sujeito se constitui enquanto sujeito cognitivo. No entanto. conforme mostra a linha evolutiva da Psicologia. segundo estudiosos.com. al. as condições de produção da representação do mundo e de suas vinculações com as visões de mundo e de homem dominantes em cada momento histórico da sociedade. ao campo da Educação muito embora. O propósito do nosso estudo. .). a partir de diferentes metodologias e pontos de vistas. ela se destaca de outras pelo seu caráter inovador quando introduz uma 'terceira visão' representada pela linha interacionista que constitui uma tentativa de integrar as posições dicotômicas de duas tendências teóricas que permeiam a Psicologia em geral . portanto. Furtado et. 1981. ampla e consistente ao longo de 70 anos. que é a referência deste nosso trabalho.. englobando fases desde o nascimento até o seu mais completo grau de maturidade e estabilidade. 1992. principalmente. a intenção de Piaget não tenha propriamente incluído a idéia de formular uma teoria específica de aprendizagem (La Taille. 1992. Rappaport. que trouxe contribuições práticas importantes. tem culminado na elaboração de várias teorias que procuram reconstituir. não foge à regra.

isto é. 1992. e a Psicologia subjetivista.. 2) O processo de equilibração: a marcha do organismo em busca do pensamento lógico Pode-se dizer que o "sujeito epistêmico" protagoniza o papel central do modelo piagetiano. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. por sua vez. em contraste. reconhecendo.que o rodeia (Coll. entre físico e psíquico. matemático. são reorganizadas pela psique socializada. significando entender com isso que as formas primitivas da mente. portanto. etc. se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido. "(. Ambas as correntes são derivadas de duas grandes vertentes da Filosofia (o idealismo e o materialismo mecanicista) que. as idéias de Piaget contrapõem-se. a primazia do sujeito sobre o objeto (Freitas.. ou seja. de ações que se tornaram reversíveis e passíveis de serem compostas entre si'". afirmando que todo conhecimento provém da experiência. Assim sendo. entende que todo conhecimento é anterior à experiência. Esse processo.). Piaget formula o conceito de epigênese. 1976 apud Freitas 2000:64). o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente físico e social .) a lógica representa para Piaget a forma final do equilíbrio das ações. 1992. como procuraremos expor em seguida. são herdadas do dualismo radical de Descartes que propôs a separação estanque entre corpo e alma. . Nesse sentido. La Taille. 2003. equivale à compreensão dos mecanismos envolvidos na formação do pensamento lógico. na concepção de Piaget. por sua vez. biologicamente constituídas. a compreensão dos mecanismos de constituição do conhecimento. conforme mencionamos mais acima. id est.1) A visão interacionista de Piaget: a relação de interdependência entre o homem e o objeto do conhecimento Introduzindo uma terceira visão teórica representada pela linha interacionista. Quer dizer. privilegia o dado externo. às visões de duas correntes antagônicas e inconciliáveis que permeiam a Psicologia em geral: o objetivismo e o subjetivismo. Freitas. Considerando insuficientes essas duas posições para explicar o processo evolutivo da filogenia humana. Ela é 'um sistema de operações. existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. Como lembra La Taille (1992:17). 2000:63). pois a grande preocupação da teoria é desvendar os mecanismos processuais do pensamento do homem. a Psicologia objetivista. calcada no substrato psíquico. 2000. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito. desde o início da sua vida até a idade adulta.

físico e social (Rappaport. ou seja. ou do pensamento lógico do homem. Nessa linha de raciocínio. a experiência com objetos. portanto. Por sua vez. embora essencial. Esses fatores que são complementares envolvem mecanismos bastante complexos e intrincados que englobam o entrelaçamento de fatores que são complementares. quer sejam: como é que a lógica passa do nível elementar para o nível superior? Como se dá o processo de elaboração das idéias? Como a elaboração do conhecimento influencia a adaptação à realidade? Etc. no método psicogenético. a vivência social e. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. Trata-se de um fenômeno que tem. outras indagações afins. naturalmente.Precipuamente. é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. um caráter universal. uma vez que para tanto é preciso. que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . no modelo piagetiano. o desenvolvimento humano. o 'status' da lógica matemática perfaz o enigma básico a ser desvendado. Imbricam-se nessa questão. Id est. tais como: o processo de maturação do organismo. esse fato per se não assegura o desencadeamento de fatores que propiciarão o seu desenvolvimento.). sobretudo. Tais aspectos deixam à mostra que. O maior problema. Procurando soluções para esse problema central. op. . Piaget sustenta que a gênese do conhecimento está no próprio sujeito. ao tentar descrever a origem da constituição do pensamento lógico. a equilibração do organismo ao meio. Está implícito nessa ótica de Piaget que o homem é possuidor de uma estrutura biológica que o possibilita desenvolver o mental. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. no entanto. haja vista que este só acontecerá a partir da interação do sujeito com o objeto a conhecer. a elaboração do pensamento lógico demanda um processo interno de reflexão. concentra-se na busca de respostas pertinentes para uma questão fulcral: "Como os homens constróem o conhecimento?" (La Taille: vídeo). o trabalho de Piaget leva em conta a atuação de 2 elementos básicos ao desenvolvimento humano: os fatores invariantes e os fatores variantes. o exercício do raciocínio. Simplificando ao máximo. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto).cit. Quer dizer. a relação com o objeto. O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. em sua essência. ainda. nesse sentido. o pensamento lógico não é inato ou tampouco externo ao organismo mas é fundamentalmente construído na interação homem-objeto. Por assim dizer. da mesma forma também não é uma condição suficiente ao desenvolvimento cognitivo humano. Piaget focaliza o processo interno dessa construção.

por sua vez. para Piaget. significando entender. ou seja.). ao nascer. Em vista disso. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. pode-se dizer que. Em síntese. (b) Os fatores variantes: são representados pelo conceito de esquema que constitui a unidade básica de pensamento e ação estrutural do modelo piagetiano. (b) A acomodação. o indivíduo recebe como herança uma série de estruturas biológicas . Quer dizer. mas sim que ela é construída no processo interativo entre o homem e o meio ambiente (físico e social) em que ele estiver inserido. tendo que se adaptar a ela.sensoriais e neurológicas . vídeo). São essas estruturas biológicas que irão predispor o surgimento de certas estruturas mentais. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. a teoria psicogenética deixa à mostra que a inteligência não é herdada. na linha piagetiana. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e. Como o processo de assimilação representa sempre uma tentativa de integração de aspectos experienciais aos esquemas previamente estruturados. Com isso. como o elemento complementar das interações sujeito-objeto.cit.(a) Os fatores invariantes: Piaget postula que. op. que. .:65) emergindo. ao entrar em contato com o objeto do conhecimento o indivíduo busca retirar dele as informações que lhe interessam deixando outras que não lhe são tão importantes (La Taille. considera-se que o indivíduo carrega consigo duas marcas inatas que são a tendência natural à organização e à adaptação. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça.cit. consequentemente. sendo um elemento que se tranforma no processo de interação com o meio. op. visando sempre a restabelecer a equilibração do organismo.que permanecem constantes ao longo da sua vida. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. portanto. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. em última instância. (a) A assimilação consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. Em síntese. Como observa Rappaport (198P1:56). portanto. gerando um processo de acomodação. o 'motor' do comportamento do homem é inerente ao ser. visando à adaptação do indivíduo ao real que o circunda.

a concepção do desenvolvimento humano. na linha piagetiana. e assim sucessivamente. Para avançar no desenvolvimento é preciso que o ambiente promova condições para transformações cognitivas. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. que. pois que é no processo de construções sucessivas resultantes da relação sujeito-objeto que o indivíduo vai formar o pensamento lógico. o processo de equilibração pode ser definido como um mecanismo de organização de estruturas cognitivas em um sistema coerente que visa a levar o indivíduo a construção de uma forma de adaptação à realidade. Em última instância. id est. ou uma situação é exatamente igual a outra. A esse respeito. na medida em que toda experiência leva em graus diferentes a um processo de assimilação e acomodação. pois dificilmente um objeto é igual a outro já conhecido. No entanto. Tal processo pode ser representado pelo seguinte quadro: equilibração majorante ambiente  desequilíbrio  assimilação adaptação    acomodação Dessa perspectiva. trata-se de entender que o mundo das idéias. deixa ver que é no contato com o mundo que a matéria bruta do conhecimento é 'arrecadada'. da cognição.. op. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. Vê-se nessa idéia de "equilibração" de Piaget a marca da sua formação como Biólogo que o levou a traçar um paralelo entre a evolução biológica da espécie e as construções cognitivas.cit. para Piaget. o conceito de equilibração sugere algo móvel e dinâmico. Haja vista que o "objeto nunca se deixa compreender totalmente" (La Taille. como destacaremos na próxima seção deste trabalho. imaginar uma situação em que possa ocorrer assimilação sem acomodação. na medida em que a constituição do conhecimento coloca o indivíduo frente a conflitos cognitivos constantes que movimentam o organismo no sentido de resolvê-los. esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio.os processos de assimilação e acomodação são complementares e acham-se presentes durante toda a vida do indivíduo e permitem um estado de adaptação intelectual (. é necessário que se estabeleça um conflito cognitivo que demande um esforço do indivíduo para superá-lo a fim de que o equilíbrio do organismo seja restabelecido. é um mundo inferencial. ainda.).. se não impossível.) É muito difícil. É bom considerar. .

e causalidade reduzida ao poder das ações. em uma forma de onipotência" (id ibid).cit. por exemplo). e não uma norma rígida". o movimento dos olhos. as principais características de cada um desses períodos.3) Os estágios do desenvolvimento humano Piaget considera 4 períodos no processo evolutivo da espécie humana que são caracterizados "por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento (Furtado. Por isso mesmo é que "a divisão nessas faixas etárias é uma referência. causalidade objetivados e solidários. São eles: • • • • 1º período: Sensório-motor 2º período: Pré-operatório 3º período: Operações concretas 4º período: Operações formais (0 a 2 anos) (2 a 7 anos) (7 a 11 ou 12 anos) (11 ou 12 anos em diante) Cada uma dessas fases é caracterizada por formas diferentes de organização mental que possibilitam as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a realidade que o rodeia (Coll e Gillièron.cit. com tempo e espaço subjetivamente sentidos.). o que marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. Assim sendo. Piaget usa a expressão "a passagem do caos ao cosmo" para traduzir o que o estudo sobre a construção do real descreve e explica. Nessa concepção. a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos.). entre os quais situa a si mesma como um objeto específico. (b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. tempo. No recém nascido. a inteligência é anterior à emergência . (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): segundo La Taille (2003). De acordo com a tese piagetiana. agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (id ibid). é a emergência da linguagem. De uma forma geral. porém o início e o término de cada uma delas pode sofrer variações em função das características da estrutura biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulos proporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido. Abordaremos. todos os indivíduos vivenciam essas 4 fases na mesma seqüência. "a criança nasce em um universo para ela caótico. op. a seguir. habitado por objetos evanescentes (que desapareceriam uma vez fora do campo da percepção). as funções mentais limitam-se ao exercício dos aparelhos reflexos inatos. portanto. 1987). o universo que circunda a criança é conquistado mediante a percepção e os movimentos (como a sucção. sem entrar em uma descrição detalhada. conforme lembra Furtado (op. ou seja. Progressivamente. espaço.

cit. op.cit. que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do desenvolvimento. portanto. Contudo. pelo egocentrismo. por exemplo. Para citar um exemplo pessoal relacionado à questão. sugerindo. uma vez que ela possibilita as interações interindividuais e fornece. o egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento. Assim.). conforme pontua La Taille (1992:17) se no período pré-operatório a criança ainda não havia . Na linha piagetiana. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. paradoxalmente. Contudo. conforme alerta La Taille (1992).. o meu filho dizer coisas do tipo "o meu carro do meu pai".da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica. a linguagem é considerada como uma condição necessária mas não suficiente ao desenvolvimento. a emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspectos cognitivos. uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual não faça parte. desse modo. 12 anos): neste período o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem ) e de integrá-los de modo lógico e coerente (Rappaport. ou seja. sem precisar medi-las usando a ação física). às possibilidades de contatos interindividuais fornecidos pela linguagem.). devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica. op. neste estágio. etc. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará. é atribuída. Todavia. ou seja. lembro-me muito bem que me chamava à atenção o fato de.cit.. Tanto é assim. Em uma palavra. conforme demonstram as pesquisas psicogenéticas (La Taille. embora o alcance do pensamento apresente transformações importantes. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor (se lhe perguntarem. isso implica entender que o desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência. Furtado. em grande parte.cit. a capacidade de trabalhar com representações para atribuir significados à realidade.). afetivos e sociais da criança. ainda. entre várias. qual é a vareta maior. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente.cit. op. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais). Além disso. conforme salienta Rappaport (op. principalmente. Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações. op. nessa faixa etária. (c) Período das operações concretas (7 a 11. pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem.). tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem. ele caracteriza-se. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. nesta fase. ela será capaz de responder acertadamente comparando-as mediante a ação mental.

tal reversibilidade será construída ao longo dos estágios operatório concreto e formal. como enfatiza Rappaport (op. de acordo com os estágios do desenvolvimento humano. o estágio final do desenvolvimento que caracteriza o funcionamento do adulto (lógico-formal). a ausência de conservação da quantidade quando se transvaza o conteúdo de um copo A para outro B. portanto. De acordo com os pressupostos da teoria de Piaget.cit. vale ressaltar. a partir da seguinte reflexão: resultados de pesquisas* têm indicado que adultos "pouco-letrados/escolarizados" apresentam modo de funcionamento cognitivo "balizado pelas informações provenientes de dados perceptuais. 2001a:148). adquirir condições de ampliar e aprofundar conhecimentos (lógicoformal) se não lhes é reservada. portanto. ou seja. não teriam alcançado. i. já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. Seu desenvolvimento posterior consistirá numa ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade. "esta será a forma predominante de raciocínio utilizada pelo adulto. De acordo com a tese piagetiana. tais adultos estariam. apesar de herdadas culturalmente. não dependeria do desenvolvimento da estrutura cognitiva a capacidade de desenvolver o pensamento descontextualizado? Bem. ainda. de acordo com a teoria.e. de acordo com a respectiva teoria. a capacidade de desenvolver "novos modos de funcionamento mental"? . "a capacidade de pensar simultaneamente o estado inicial e o estado final de alguma transformação efetuada sobre os objetos (por exemplo. Isso não quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas. existe um desenvolvimento da moral que ocorre por etapas. conforme aponta Rappaport (op. para Piaget. no estágio operatório-concreto. mas não na aquisição de novos modos de funcionamento mental".:63). retomando a nossa discussão. . ao atingir esta fase. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. Com isso. "toda moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por estas regras". autonomia)".cit. que. ainda. Cabe-nos problematizar as considerações anteriores de Rappaport. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio. Para Piaget (1977 apud La Taille 1992:21). ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. Como é que tais adultos (operatórioconcreto) poderiam. ou seja. ainda.aliás. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase a criança.:74) a criança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais e contrói os seus próprios (adquirindo.adquirido a capacidade de reversibilidade. do contexto concreto e da experiência pessoal" (Oliveira. a partir do ápice adquirido na adolescência. de diâmetro menor)".. Isso porque Piaget entende que nos jogos coletivos as relações interindividuais são regidas por normas que.

Isso implica entender que "o desenvolvimento cognitivo é condição necessária ao pleno exercício da cooperação. em que há a legitimação das regras e a criança pensa a moral pela reciprocidade. 1992). Não obstante esse fato. mas não condição suficiente. ou seja. sendo que cada um deles consegue conceber a si próprio como possível 'legislador' em regime de cooperação entre todos os membros do grupo. Para Piaget. relações de coação . corresponde ao último estágio do desenvolvimento da moral. quer seja o respeito a regras é entendido como decorrente de acordos mútuos entre os jogadores. as regras não correpondem a um acordo mútuo firmado entre os jogadores. 10 anos de idade).que corresponde à noção de dever. a teoria psicogenética de Piaget não tinha como objetivo principal propor uma teoria de aprendizagem. portanto. explícitas (como os 10 Mandamentos. ou seja. a moralidade implica pensar o racional. (b) heteronomia (crianças até 9. (c) autonomia. Assim sendo. porém não suficiente ao desenvolvimento da moral. ele [Piaget] nunca participou diretamente nem coordenou uma pesquisa com objetivos pedagógicos". as regras são seguidas. por sua vez. as relações interindividuais que são regidas por regras envolvem. pois uma postura ética deverá completar o quadro" (idem p. em 3 dimensões: a) regras: que são formulações verbais concretas. Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange 3 fases: (a) anomia (crianças até 5 anos). c) valores: que dão respostas aos deveres e aos sentidos da vida. Coll (1992:172) faz a seguinte observação: "ao que se sabe. envolvendo não apenas a noção de 'dever' mas a de 'querer' fazer. Vemos. imutável. a própria moral pressupõe inteligência. 4) As conseqüências do modelo piagetiano para a ação pedagógica Como já foi mencionado na apresentação deste trabalho.podem ser modificadas consensualmente entre os jogadores. . A esse respeito. por exemplo). por exemplo). portanto. permitindo entender de onde são derivados os princípios das regras a serem seguidas. 21). em que a moral é = a autoridade. b) princípios: que representam o espírito das regras (amai-vos uns aos outros. Quer dizer. a inteligência é uma condição necessária. Nesse sentido.que pressupõe a noção de articulação de operações de dois ou mais sujeitos. sendo que o dever de 'respeitálas' implica a moral por envolver questões de justiça e honestidade. porém o indivíduo ainda não está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelo sentido de hábito. e de cooperação . o modelo piagetiano. Assim sendo. em que a moral não se coloca. haja vista que as relações entre moral x inteligência têm a mesma lógica atribuída às relações inteligência x linguagem. que uma das peculiaridades do modelo piagetiano consiste em que o papel das relações interindividuais no processo evolutivo do homem é focalizado sob a perspectiva da ética (La Taille. portanto. mas sim como algo imposto pela tradição e. de dever. de forma contraditória aos interesses previstos.

apesar dos complicadores decorrentes da "dicotomia entre os aspectos estruturais e os aspectos funcionais da explicação genética" (idem. De acordo com Coll (op. principalmente. Por outro lado. contrapondo-se. c) uma outra contribuição importante do enfoque psicogenético foi lançar luz à questão dos diferentes estilos individuais de aprendizagem. os erros passam a ser entendidos como estratégias usadas pelo aluno na sua tentativa de aprendizagem de novos conhecimentos (PCN. dessa forma. "ao difícil entendimento do seu conteúdo conceitual como pelos método de análise formalizante que utiliza e pelo estilo às vezes 'hermético' que caracteriza as publicações de Piaget" (idem p. exigindo um alto grau de especialização e de prudência profissional. que a aplicação educacional da teoria genética tem como fatores complicadores. a fim de se evitar os riscos de sérios erros. veio a se tornar uma das mais importantes diretrizes no campo da aprendizagem escolar. inclusive. 1998). entre outros: a) as dificuldades de ordem técnica. entre outros. 192) e da tendência dos projetos privilegiarem. Coll (op.curiosamente.) ressalta. o objeto a conhecer não deve estar nem além nem aquém da capacidade do aprendiz conhecedor. no entanto os resultados práticos obtidos com tais aplicações não podem ser considerados tão frutíferos.cit. p. em grande parte. dentro da concepção cognitivista da teoria psicogenética. ou seja. Em resumo. na Europa e no Brasil. as relações entre teoria psicogenética x educação.) as tentativas de aplicação da teoria genética no campo da aprendizagem são numerosas e variadas. ao caráter fundamental de transmissão do saber acumulado culturalmente que é uma função da instituição escolar. nos USA. por exemplo. como contribuições contundentes da teoria psicogenética podem ser citados.cit. por exemplo: a) a possibilidade de estabelecer objetivos educacionais uma vez que a teoria fornece parâmetros importantes sobre o 'processo de pensamento da criança' relacionados aos estádios do desenvolvimento. b) a predominância no "como" ensinar coloca o objetivo do "o quê" ensinar em segundo plano. segundo o autor. um reducionismo psicologizante em detrimento ao social (aliás. e) a idéia de que o indivíduo apropria os conteúdos em conformidade com o desenvolvimento das suas estruturas cognitivas estabelece o desafio da descoberta do "grau ótimo de desequilíbrio". 174). conforme aponta Coll (1992). 1998). . também. Uma das razões da difícil penetração da teoria genética no âmbito da escola deve-se. c) a parte social da escola fica prejudicada uma vez que o raciocínio por trás da argumentação de que a criança vai atingir o estágio operatório secundariza a noção do desenvolvimento do pensamento crítico. por ser esta de caráter preeminentemente político-metodológico e não técnico como tradicionalmente se procurou incutir nas idéias da sociedade. (PCN. d) a idéia básica do construtivismo postulando que a atividade de organização e planificação da aquisição de conhecimentos estão à cargo do aluno acaba por não dar conta de explicar o caráter da intervenção por parte do professor. metodológicas e teóricas no uso de provas operatórias como instrumento de diagnóstico psicopedagógico. b) em oposição às visões de teorias behavioristas que consideravam o erro como interferências negativas no processo de aprendizagem.

p. São Paulo: Editora Ática. sobretudo. (Org) Piaget e a Escola de Genebra. que é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. na medida em que é evidenciada uma tentativa de integração entre o sujeito e o mundo que o circunda. São Paulo: Editora Ática. Psicologias: uma introdução ao estudo de psiclogia. PIAGET.B. 1987.T. 3. COLL. A propósito da "desconstrução". Vygotsky e Bakhtin: Psicologia e Educação: um intertexto. envolve mecanismos complexos e intrincados que englobam aspectos que se entrelaçam e se complementam.. São Paulo: Saraiva. LEITE. 13. Y.B. p. 2000 LA TAILLE. 1999 COLL. cremos ser lícito concluir que as idéias de Piaget representam um salto qualitativo na compreensão do desenvolvimento humano. Paradoxalmente. M.M. GILLIÈRON. Em face às discussões apresentadas no decorrer do trabalho. 19(1):3-6.C.ed. 1994 FURTADO. TEIXEIRA. Jean Piaget: o desenvolvimento da inteligência e a construção do pensamento racional. a vivência social e.motivo de caloroso debate entre acadêmicos*). a equilibração do organismo ao meio.B. São Paulo: Cortez..no que pese a rejeição de Piaget pelo antagonismo das tendências objetivista e subjetivista . F. (org) Piaget e a Escola de Genebra. In. J. uma vez que permanece. A construção do real na criança. .L. L.A. Tal processo. Porto Alegre. In LEITE. C.ed.T. C. Considerações finais A referência deste nosso estudo foi a teoria de Piaget cujas proposições nucleares dão conta de que a compreensão do desenvolvimento humano equivale à compreensão de como se dá o processo de constituição do pensamento lógico-formal. tais como: o processo de maturação do organismo. a predominância do indivíduo em detrimento das influências que o meio exerce na construção do seu conhecimento. O. M. jan/jun. Educação e Realidade. 5. 164-197. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BECKER. contudo . a experiência com objetos. de.1992. Prefácio. matemático.. In. 2003. L. As contribuições da Psicologia para a Educação: Teoria Genética e Aprendizagem Escolar. 15-49 FREITAS. São Paulo: Editora Cortez.A.o papel do meio no funcionamento do indivíduo é relegado a um plano secundário. pode-se considerar que a teoria psicogenética trouxe contribuições importantes ao campo da aprendizagem escolar. ainda. BOCK.

Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. 2. Campinas: Mercado das Letras.M.S. jul/dez. A. p. In LA TAILLE. J. novas leituras. Educação e Realidade. Secretaria de Estado da Educação. RIBEIRO. jul/dez.ed. In RAPPAPORT. 51-75 RIBEIRO. 2001 (b). Piaget._________ O lugar da interação social na concepção de Jean Piaget.ed. Seis estudos de psicologia. Letramento. 2002). ________Desenvolvimento do juízo moral e afetividade na teoria de Jean Piaget. VIGOTSKII. cultura e modalidades de pensamento. (org. 18(2):3-10.H. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. 2001a. Educação e Realidade.T.M.ed. 15-44 PIAGET. 1992 p.. M.K.) Os significados do letramento. p.K. 21-37 OLIVEIRA. p. FIORI. KLEIMAN.11-22 _________A construção do conhecimento.R. LURIA. (Org) Educação de Jovens e Adultos: novos leitores. Compreendendo Piaget: uma introdução ao desenvolvimento cognitivo da criança. 2002 _________(org. Modelo piagetiano.K. LEONTIEV. São Paulo: Summus. Vygotsky. 1994 ___________Desconstruindo o construtivismo pedagógico.147-160 _________ Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Alfabetismo e Atitudes. Brasília: MEC/SEF. EPU. 1990. M. p.Vol.. Desenvolvimento e Aprendizagem.. Piaget: perfil biográfico.A. L. p. DANTAS. OLIVEIRA. 2001 SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. 13. ?: 1981. (?): Zahan Editora.de. São Paulo.47-74 LURIA. In. In. Diferenças culturais de pensamento.da. Luria (2001) Ver Becker (1994) e Silva (1993..H. C.1994) * * . 7. novas leituras. 1993 * Doutoranda em Lingüística Aplicada/IEL Ribeiro (2001. In. V. T.. DANTAS. M. In.R. Em resposta a um pedagogo 'epistemologicamente correto'.R. Campinas: Mercado das Letras. Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. Vygotsky. Porto Alegre.V. 1. Teorias do Desenvolvimento: conceitos fundamentais . São Paulo: Icone.) Educação de Jovens e Adultos:novos leitores. 1998 SILVA. Campinas: Mercado das Letras. São Paulo: Papirus. Editora Forense:? PULASKI. 1980 RAPPAPORT. A. DAVIS. Linguagem. 19(2):9-17. Piaget. Porto Alegre.ed. A. Oliveira ( 2001B). OLIVEIRA. 2001. 13.B. 1992. In LA TAILLE. São Paulo: Summus.S. M. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira.

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