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“Uma dívida não deveria ser a causa da morte de um homem pobre”

“Um nó feito na forca não lhe tira a força”


“As gotas da chuva não caem sozinhas”
“Por maior que seja o crocodilo, não pode colher nozes de palmeira”
“A vida do awo é melhor que a do lavrador”
“Há quem prefira a escuridão, embora Ölïrun lhe dê luz”
“Os olhos não enxergam a noite através de um pano preto”
“Quando se chama Ìkú, um vivo responderá”
“O homem jamais é abandonado por sua sombra”
“Não se chega a lugar algum sem antes fazer um bom ëbö”
“Se não entendemos por que fazer ëbö agora, entenderemos depois”
“A mulher brigona tem seus filhos com dificuldade”

Oyeku Meji

1
Îyûkú Meji

Îyûkú perde sua posição para Eji Ogbè


Îyûkú chega ao àiyé e prospera
O nascimento inusitado de Îyûkú Meji
Îyûkú torna-se senhor da noite
O banho de Îyûkú Meji
Îyûkú conquista imensa prosperidade
A vaidade de Îyûkú
Ìkú prefere perseguir os prósperos
Todos os lucros devem beneficiar Casa
Ìkú prefere a carne humana
O ferramenteiro preguiçoso
Ìfá revela os ëwî de Ìkú
Ölasumogbe vive para ver seu filho receber oyè
A boa morte de quem viveu uma boa vida
O morcego não se interessa por amizades
Urso quase morre doente
Chuva chega ao àiyé
Apè faz ëbö para não perder tudo o que tem
Verborragia desnecessária
O ëbö de bujë (jenipapo)
Ògún vai buscar sua mulher em Èsèjè
A mulher de Ìkú revela seus ëwî
Nasce a arte de modelar argila
Îrúnmìlà faz pacto com Ìkú
Fogo readquire sua saúde
Por que a prole de Peixe é abundante
Por que devemos conviver com Anciões
Encantamento para alegria em casa e no trabalho
Não se faz ëbö para quem não se mostra interessado
“Quero ser awo”; o rei que veio da pobreza
Pano Vermelho é aquele que traz vida longa
Os dois amigos que morreram no mesmo dia

2
Îyûkú Meji

- Nasce o segredo dos gêmeos (um espírito, vários corpos); o pudor e o consequente uso de roupas; a chuva; a ação de Ìkú
entre os humanos; o uso de utensílios de barro; a virtude do tecido vermelho; as reformações das civilizações; os predadores
noturnos; o embalsamento; as pinturas; o corno do rinoceronte; as doenças ósseas; o mal estar de alguns homens quando a
mulher entra em trabalho de parto; as esculturas.

- Kafere fun Egún, Îrúnmìlà, Ìbejì , Èñù, Îranmiyàn, Ñàngó; Îsànyìn; Ògún.

Essência

Esse é o mais antigo entre os Odù Ìfá. Representa os tempos em que ainda não havia evolução, e tudo o que viria a
existir ainda se encontrava no seio de Olódúmarè. Por isso é representado pela escuridão da noite, em antagonismo à clareza do
dia e à evolução dos elementos, representado por Eji Ogbè.

Ìfá ensina que da mesma forma que a evolução “saiu” de Olódúmarè, a Ele retornará. Isso significará o final da vida
como a conhecemos, e todo o Universo manifestado retornará a seu estado original. Simbolicamente tal fenômeno é
representado pela morte, e esse é sem dúvida o principal simbolismo de Îyûkú. Esse Odù indica o final inevitável de um ciclo,
sem o qual não poderia haver o início de outro, mais evoluído e aproximado da Ideia Divina de evolução. Esse não é um conceito
exclusivo da religiosidade iorubana; o mesmo é muito difundido na cultura indiana, sendo representado pelos Dias e Noites de
Brahma, sendo o dia Baba Eji Ogbè, e a noite Îyûkú Meji.

Îyûkú é uma elisão da frase “o yèyé Ìkú ”, que significa “O Espírito da Mãe da Morte”. O conceito de morte aqui
deve ser encarado de forma mais ampla. É óbvio que o aspecto literal do termo é presente e atuante nesse Odù; Îyûkú é
conhecido como um dos principais arautos de Ìkú, pois é ele que narra quando esse Ìrúnmîlû começou sua polêmica missão;
mas a morte em seu aspecto simbólico também deve ser considerada. Dessa forma Îyûkú representa o final de um ciclo. Quando
em ibi esse final pode ser precoce e não promover evolução, mas quando em ire trata-se da morte natural de um ciclo, que torna
possível o início de outro, mais evoluído ou simplesmente melhor.

Apesar de estar relacionado à morte, Îyûkú nos mostra o que pode ser feito para que Ìkú não possa agir antes do
período determinado. Os segredos de Ìkú são revelados nesse Odù, e Ìfá mostra toda uma série de cuidados litúrgicos que
podem garantir vida longa a quem dela precisa. Mas a experiência mostra que quando em ibi e sob a influência de Ìkú, Îyûkú
quase que invariavelmente aponta para a morte como resultado natural de um final de ciclo.

Por estar relacionado aos períodos anteriores à evolução conhecida, e por nenhuma criatura de Olódúmarè ter ideia
do que ocorre durante os períodos de inatividade do Universo, Îyûkú está associado à noite, à escuridão e ao desconhecido. Isso
explica em parte a aura “negativa” que alguns pensam existir nesse Odù, mas nesse caso seria chamar de negativo algo que não
se conhece pela simples falta de sabedoria a respeito. Sua associação com a noite o torna próximo às Divindades e Entidades q ue
têm na noite seu “habitat”, tais como Ìyàmi, Egún e toda uma imensa classe de espíritos conhecidos genericamente como Ìmîlû.

O final de um ciclo representa uma passagem inevitável a um novo estágio da existência. As coisas nunca serão as
mesmas depois que Îyûkú se manifesta. Esse fato associa esse Odù à transformação. Sabedoria é a chave para que tais
transformações sejam benéficas e representem uma melhora em todos os aspectos de nossa vida.

3
Quando Îyûkú Meji se apresenta em ibi, Ìfá nos avisa que uma perda de dinheiro se aproxima. Ele diz que não
devemos nos desesperar devido essa situação, pois essa perda nos poupará de infortúnios muito maiores no futuro.

Filosoficamente falando, Îyûkú Meji ensina que ao fazermos uma oferenda estamos “comprando” as bênçãos das
Divindades.

Aqui os instrutores espirituais guiam e inspiram o homem para que o mesmo encontre soluções para seus
problemas. O devoto não deve se queixar se não entende o porquê das coisas acontecerem de uma maneira específi ca em sua
vida. Se persistir no caminho da devoção e do auto aperfeiçoamento, chegará o momento em que ficará clara a ação das
Divindades em nossas vidas, e problemas até então insolúveis parecerão bem mais simples.

Ire

Ìfá nos revela que Îyûkú foi o primeiro Odù a atingir a prosperidade no àiyé. Mas isso não foi fruto do acaso; ele foi
o primeiro a fazer as oferendas prescritas e a seguir os conselhos de Ìfá. A manifestação de Îyûkú sugere que poderemos nos
casar com Ajé (a Riqueza) e Öjà (o Comércio). Mas Ìfá nos avisa que haverá contratempos, que as coisas não acontecerão assim
tão fácil. Ele diz que uma série de intempéries ocorrerá, e as bênçãos materiais desse Odù estarão disponíveis apenas àqueles
que não se desviarem do caminho da austeridade, tenacidade, retidão, honra e fé. Observando esse comportamento e fazendo as
oferendas prescritas, é certo que alcançaremos abundância de recursos materiais.

Ìfá diz que devemos fazer ëbö para termos descendência. Ele afirma que se fizermos as oferendas corretas, um filho
nosso alcançará uma importante posição em sua vida. Mas Ìfá também diz que só poderemos presenciar tal glória se fizermos
ëbö por vida longa. Ou seja, além de fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance em nome do sucesso de nossos filhos,
também devemos nos preocupar em vivermos o suficiente para vê-los triunfar.

Em linhas gerais Îyûkú é um Odù que pressagia considerável abundância material. De forma poética, Ìfá nos fala
sobre uma riqueza que não conhece a si mesma, sobre uma pessoa que não sabe ao certo tudo o que conquistou. Não esmorecer
perante dificuldades, cultivar bom caráter, compaixão e espiritualidade, fazer as oferendas prescritas e se esforçar para ser um
bom devoto e tornar o àiyé um lugar melhor; essas são as condutas que certamente nos conduzirão ao caminho de considerável
prosperidade.

Ìfá revela através desse Odù que Îrúnmìlà passou muitos anos de sua vida em viagem consultando para grandes
personalidades, como Olókun. Esse detalhe de Îyûkú o torna um Odù propício para atividades que necessitem de viagens ou
constantes deslocamentos. As chances de prosperar em tais ramos são grandes, mas também seria prudente considerar a
possibilidade de alcançar boa sorte material em terras distantes, mesmo que num caráter mais definitivo.

Há nesse Odù um ire nisidenì que deve ser comentado. Îyûkú Meji fala sobre o aprendiz ou empregado que é posto
em situação difícil por seu patrão e não raro tem que resolver problemas do trabalho cuja origem é a própria má administraçã o
de seus superiores. O lado ruim da situação é que a tendência tende a ficar insuportável, o que culminará na demissão
(voluntária ou não) do funcionário em questão. Mas o lado bom é que esse mesmo funcionário (se mantiver um comportamento
digno) poderá se valer da experiência e dos contatos adquiridos para montar seu próprio negócio ou direcionar sua vida
profissional para o sucesso.

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Îyûkú Meji é o Odù que explica as razões da numerosa prole dos peixes. Metaforicamente esse Odù fala sobre
abundância de filhos, o que muitas vezes representa abundância de oportunidades, realizações e outras positividades. Ouvir e
seguir os conselhos de Ìfá certamente aumentarão consideravelmente as chances de conseguirmos uma vida repleta de bênçãos,
o que se encaixaria perfeitamente ao simbolismo aqui exposto.

Esse Odù fala sobre a virtude que uma pessoa possui em sonhar com as Divindades. Esses sonhos podem ter
caráter revelador, preventivo ou premonitório. É preciso estar atento aos mesmos, para que informações important es não se
percam na confusão mental gerada pelo cotidiano.

Os problemas inerentes a esse Odù costumam ser intricados, por isso Ìfá nos diz que quando conseguirmos resolver
um de nossos problemas, na verdade estaremos resolvendo muitos outros associados ao primeiro.

Ìfá nos fala sobre uma habilidade incomum ou um talento para realizar alguma tarefa específica ou desempenhar
uma determinada função. Oferendas a Orí e Ûlûdà nos ajudarão a descobrir que talento é esse, pois o mesmo poderá nos
beneficiar de diversas maneiras.

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Ibi

Como já foi visto, Îyûkú Meji é Odù de grande prosperidade, mas Ìfá nos avisa que diversas situações na vida
podem atrapalhar ou até mesmo interromper o fluxo de oportunidades positivas em nossa vida. Ele nos instrui a fazer oferendas
e mantermos um nobre comportamento para que as adversidades inerentes ao àiyé não obstruam o caminho de nosso sucesso.

Ìfá nos fala aqui sobre importantes oportunidades de crescimento profissional que se perdem devido a uma
tendência em priorizar a vida pessoal. Não raro essa prioridade estará relacionada aos prazeres ou desfrutes que o àiyé oferece;
nesse caso tal priorização será sinônimo de irresponsabilidade. Ìfá nos aconselha a sermos responsáveis e a cumprirmos nossos
deveres profissionais; se assim não o fizermos estaremos criando uma imagem a nosso respeito que cedo ou tarde nos trará
consideráveis infortúnios. Por último Ìfá nos orienta a repensarmos nossa vida profissional, pois se falharmos profissionalmente
devido nosso próprio comportamento, ele não dá garantias que voltaremos ao sucesso profissional pelo mesmo caminho em que
caímos.

Îyûkú Meji em ibi fala sobre a pessoa que não tem um nobre comportamento em alguns aspectos de sua vida,
permitindo assim que o mundo a conheça por déspota, ignorante ou injusto. Uma série de sofrimentos será a consequência desse
comportamento, e infelizmente há aqui a tendência em acreditar que os infortúnios encontrados pelo caminho são frutos de
feitiços, quando na maioria das vezes são apenas os frutos maduros de atitudes arrogantes ou desprovidas de sabedoria.

Îyûkú Meji é o Odù Ìfá que ensina como a esposa de Ìkú revelou seus segredos, tornando possível aos humanos
evitar a ação precoce da morte. Através dessa metáfora Ìfá nos adverte a sermos cuidadosos com os segredos que permitimos
aos outros que saibam a nosso respeito. A falta de cuidado a esse respeito poderá nos reservar futuras e desagradáveis
surpresas.

Infelizmente Îyûkú também nos alerta sobre inimigos. Aqui haverá quem não se alegre com nosso sucesso e por
isso procurará meios de nos impedir de progredir. Ìfá também nos fala sobre a resistência que poderemos encontrar num novo
ambiente. Ele nos aconselha a propiciarmos Èñù generosamente, pois ele gerará as condições necessárias para frustrar os planos
daqueles que desejam nos prejudicar.

Apesar de essencialmente estar relacionado à abundância e sucesso material, quando em ibi esse Odù fala sobre
perdas extremas, daquelas que acabam com a vida de uma pessoa, não deixando nada de bom para lembrar os dias felizes. Ìfá
nos aconselha a fazermos regulares oferendas para evitar que esse terrível aspecto de Îyûkú se manifeste em nossas vidas.

Já foi abordado o fato desse Odù estar intimamente relacionado à ação de Ìkú no àiyé. A sua manifestação em ibi
aponta para a emergencial necessidade de oferendas para alguém não tenha sua vida encurtada por doenças ou outras
tragédias. Felizmente Îyûkú Meji narra o pacto feito entre Îrúnmìlà e Ìkú, em que o último concorda em não perseguir alguém
que recorra ao primeiro. Esse fato evidencia que constantes consultas a Ìfá constituem a melhor e mais segura maneira de
alguém manter Ìkú longe de seus caminhos.

Um dos aspectos negativos desse Odù que merece destaque é a decadência. Aqui o fogo deixou de queimar como
antes; perdeu seu vigor e o reconhecimento que possuía. Apenas através de ëbö voltou a ser o mesmo de outrora.
Analogicamente alguém pode ver seus melhore dias ficarem para trás, mas o importante é ter em mente que Ìfá revela que esse
processo é reversível. Se a oferenda prescrita for realizada e se o comportamento sugerido for o adotado, alguém cuja glória
ficou no passado poderá voltar à ativa em grande estilo.

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Quando em ibi, Îyûkú Meji fala sobre uma pessoa que está sendo “surrada pela vida”. Pobreza, infortúnios e
diversas dificuldades poderão estar presentes, mas felizmente Ìfá revela que ëbö, paciência, fé e nobre conduta certamente
reverterão tão infeliz situação. À pessoa que seguir seus conselhos Ìfá assegura vitórias, ascensão social, saúde e prosperidade.

Apesar do enorme potencial que esse Odù aponta para a prosperidade, devemos ser prudentes ao organizar nossos
gastos, para que não caiamos em dívidas que tirarão nossa paz por um bom tempo. É considerado sábio aqueles que se mantém
nos limites da própria carteira. A prodigalidade trará dissabores.

Aqui Ìkú perde seu cajado, e sem o mesmo não podia exercer suas funções a contendo. Ìfá nos fala aqui sobre a
perda de um objeto importante (ou algo semelhante) que de uma forma ou de outra poderá nos atrasar consideravelmente.

Devido a maus tratos, Ìfá nos fala sobre a separação entre familiares.

Ìfá diz que se fizermos as oferendas prescritas, conseguiremos desfrutar de vida longa. Mas ele também nos
aconselha fazer ëbö para que tenhamos quem nos cuide quando a idade avançada chegar. Ele diz que dos filhos que teremos,
poderemos contar apenas um para cuidar de nossas necessidades. Os outros poderão continuar nos amando, mas no fundo não
nos desejarão por perto em virtude de nossa idade.

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Comportamento

Como já foi visto, Îyûkú está relacionado à escuridão, que por sua vez simboliza segredo. Aqui Ìkú tinha um poder
ilimitado. Ele poderia matar qualquer um, desde que assim desejasse. As criaturas só puderam se defender depois que
conheceram os íntimos segredos de Ìkú que revelavam suas fraquezas. Analogicamente Ìfá nos ensina que na revelação de
nossos segredos pode estar nossa perdição. Devemos nos esforçar para não revelar de forma tola e superficial características de
nossa personalidade, que se vierem à tona nos prejudicarão consideravelmente. Se possuirmos inimigos numa situação
influenciada por Îyûkú, só poderemos nos defender dos mesmos se descobrirmos seus segredos.

Îyûkú Meji é o Odù Ìfá que nos ensina que tudo o que conseguirmos em nossa vida, deve ser usado para favorecer
nossa família ou linhagem. Ìfá ensina que independente de onde andarmos e do que fizermos, o bem estar familiar deve ser
nossa primeira prioridade. Esse fato sugere que a pessoa “afilhada” desse Odù terá um papel importante na criação, formação e
prosperidade de seus familiares.

Ìfá nos ensina aqui a importância de honrar nossos pais, especialmente na velhice. Ele diz que a boa vontade dos
pais pode encher a casa dos filhos de bênçãos. Se um filho zela de seus pais com carinho, consideração e paciência, Ìfá diz que
as Divindades não o esquecerão e encontrarão meios inusitados de recompensá-lo por sua benevolência.

Através desse Odù, Ìfá nos explica o porquê dos morcegos não possuírem amigos. Ele diz que uma pessoa pode
desenvolver o desejo de se isolar de outras, simplesmente por não confiar no gênero humano. É claro que isso diminuirá
consideravelmente as chances de sofrer decepções, mas os aspectos positivos das relações interpessoais também não se
manifestarão. Devemos encontrar um meio termo nessa equação, que talvez seja se relacionar socialmente sem manter
expectativas de ganhos, recompensas ou considerações. Se optarmos por nos tornar solitários e desconfiados, criaremos uma
imagem desconfortável para as outras pessoas, que simplesmente desejarão se afastar, assim como ninguém está interessado
em ser amigo de um morcego.

Îyûkú é um Odù que fala sobre vaidade. Na maioria das ocasiões essa vaidade limita-se ao físico, mas várias
circunstâncias da vida podem estender esse comportamento ao psicológico. Em casos extremos um indivíduo pode se tornar
consideravelmente preocupado com sua aparência física, ou desenvolver um comportamento que não admita críticas ou
observações.

Como será visto, Îyûkú Meji é Odù de grande prosperidade. Ìfá nos aconselha a direcionarmos para nossa vida
familiar os benefícios que encontraremos nos mais diversos aspectos da vida. Tudo que conseguirmos no trabalho, em viagens ou
quaisquer outras atividades devem beneficiar nossa “casa”, ou seja, a vida familiar. Esse fato faz de Îyûkú um Odù de estreitos
laços familiares.

Através desse Odù recebemos de Ìfá a orientação para sempre sermos prestativos em relação a nossos pais. Ele
nos diz que chegará o momento de nossa vida que a relação com os pais exigirá paciência, carinho e benevolência dos filhos. Ìfá
assegura bênçãos àqueles que tratarem seus pais com todo o respeito e amor que eles merecem. Aos que não tiverem tal
comportamento, Ìfá diz que oportunidades únicas de crescimento se perderão.

Ao longo de sua vasta obra, Ìfá evidencia a importância de uma nobre conduta. Ao longo de nossa vida, cada Odù
nos favorecerá de maneira distinta se mantivermos a nobreza de atitudes, apesar das dificuldades e tentações que o àiyé
oferece. Particularmente no caso de Îyûkú Meji, Ìfá nos avisa que a pessoa que viveu uma nobre vida, que procurou viver a
verdade, favorecer a evolução do mundo e tratar seus irmãos com bondade e justiça; essa pessoa usufruirá de uma morte
tranquila, cercado por entes queridos que o admirarão e não permitirão que o mundo esqueça seu nome.

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Îyûkú Meji é o Odù que ensina que o fogo só arde na presença de um comburente. De forma análoga se um
comburente (uma situação motivadora qualquer) é extinto na vida do consulente, sua chama (alegria de viver, entusiasmo)
também se esvai. Por estar relacionado à noite e à escuridão, sob certos aspectos Îyûkú pode representar estados mentais
semelhantes à tristeza ou depressão. Nesse caso será necessário definir qual o “comburente” que está faltando na vida de uma
pessoa, para que a mesma volte a brilhar como o fogo recém alimentado.

Îyûkú Meji é o Odù Ìfá que ensina aos jovens sobre a importância de conviver com os mais velhos, para que a
experiência adquirida por uma geração possa ser sabiamente passada à seguinte. Uma série de contratempos e dificuldades
surge quando há emancipação precoce; quando alguém acredita estar apto para encarar os desafios impostos pela vida, sem
primeiro ter ouvido e aprendido sobre o que é a vida no àiyé. Essa situação dá a Îyûkú Meji uma conotação toda especial de
ancestralidade: a transmissão de experiências. Àqueles que forem sábios e pacientes, Ìfá diz que a sabedoria transmitida pelos
Anciãos se converterá em bênçãos. Àqueles desprovidos de tal paciência, desastres de toda a ordem serão a punição. Essa
mesma questão, ainda que encarada sob outro ponto de vista, pode ser entendida como a necessidade da geração mais nova
absorver conhecimentos e tradições de seus mais velhos, pois Îyûkú também fala sobre a tristeza e calamidade social que ocorre
quanto uma tradição importante morre. Esse Odù aponta para o gosto pelas tradições, e também sob uma certa resistência em
abraçar o novo.

Quando em ibi, Îyûkú Meji fala sobre a tristeza e toda a negatividade que a envolve. Nos caminhos desse Odù
recebemos de Ìfá orientações e informações para lidar com esse grande problema. A relação de Îyûkú com o negro e
desconhecido pode representar estados mentais específicos caracterizados pela presença da tristeza. A compreensão desses
fatores e consequentes oferendas a Ìbejì nos capacitarão a enfrentar as situações que a princípio poderiam gerar tal infortúnio.

Îyûkú Meji retrata o desespero de uma mãe quando percebe que seu filho não vencerá na vida. Ìfá diz que essa
mesma mãe estará disposta a fazer tudo o que puder para mudar a sorte de sua prole, mas nada poderá ser feito se a pessoa em
questão não se mostrar interessada em fazer sua parte. Aqui nasce a máxima de que não se faz ëbö para quem não demonstra
interesse. O caso em questão pode não se limitar à relação mãe/filho, e sim a muitas outras situações que se encaixem no
contexto.

Îyûkú Meji é o Odù dos reformadores. Aqui os Grandes do Universo mandam um enviado para ajudar a
humanidade a evoluir e conhecer um pouco mais sobre sua natureza Divina. O problema é que esse Odù também fala sobre a
resistência em fazer ëbö de alguém que possui uma missão reformadora, mas age como se não soubesse sobre a fortíssima
resistência que encontrará daqueles que não desejam reformas. Essa situação pode levar um reformador ao insucesso, ou até
mesmo colocá-lo em grande risco.

Como todo Odù Meji , Îyûkú fala sobre a necessidade de buscar desenvolvimento espiritual e sabedoria. Mas aqui as
questões profissionais têm muita força, pois esse Odù está relacionado à lavoura e ao comércio. Quando houver desequilíbrios
haverá também a tendência em priorizar em demasia questões temporais, em detrimento das espirituais. Nada de bom advirá
dessa situação.

9
Amores e relacionamentos

Nos caminhos de Îyûkú Meji aparece a situação em que Ògún precisa resgatar sua esposa. Isso pode ser
interpretado de diversas maneiras, mas a princípio é preciso salientar que especificamente nos caminhos desse Odù, a felicidade
conjugal é algo que precisa ser conquistada, pois não serão poucas as adversidades que dificultarão ou impedirão o sucesso
nesse importante aspecto da nossa vida. A forma como Ògún obtém êxito evidencia que a inteligência, a tenacidade e a astúcia
serão armas importantes em nossa “batalha” pelo amor, pois uma ou mais situações podem surgir para nos impedir de vivenciá-
lo.

Esse Odù alude às complexas situações e problemas que podem envolver uma pessoa graças a sua vida sentimental
por demais agitada. Îyûkú Meji é Odù de múltiplos pretendentes, de paixões, adultério, etc.

Aqui a mulher tenta mandar no homem e consegue. Mas Ìfá avisa que chegará o dia em que o home dirá basta, e
as mudanças que daí advirem podem não ser boas para uma mulher dominadora.

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Saúde e bem estar

Ìfá nos aconselha a sermos cuidadosos com nossa saúde. Ele diz que devemos cuidar de uma doença enquanto ela
ainda é tratável. Se assim não o fizermos, essa doença poderá encurtar nossa vida ou consumir todas as nossas economias.

Como já foi visto, foi Îyûkú Meji que ensinou a humanidade a fazer oferendas para resistir por mais tempo à ação
de Ìkú; mas Ìfá também nos revela que devido essa situação Ìkú se uniu aos demais Ajogún para matar o ser humano. Os
aspectos míticos e simbólicos desse Odù sugerem que doenças, acidentes, calamidades e outros males se unirão para encurtar
nossa vida. Por isso as constantes consultas a Ìfá (e posteriores oferendas) são imprescindíveis para alongar saudavelmente
nossa estadia no àiyé.

Como já foi visto, Ìfá nos aconselha a fazermos ëbö por vida longa. A longevidade permitirá que presenciemos o
sucesso de nossos filhos, que certamente ocorrerá se seguirmos atentamente os conselhos trazidos por esse Odù.

Já foi dada uma possível interpretação para a presença do fogo nesse Odù, numa relação com o ostracismo,
esquecimento ou decadência. Seria imprudente não considerar que essa mesma metáfora possa ser aplicada à questões físicas, e
nesse caso a decadência do fogo poderia representar diversos tipos de doenças. Havendo a confirmação de Ìfá sobre essa
possibilidade interpretativa, caberá ao sacerdote fazer o que estiver a seu alcance para ajudar uma pessoa cuja saúde se
extingue, assim como o fogo quando os comburentes se consumem.

Ìfá avisa à mulher grávida que desenvolva bom gênio, pois esse Odù expressa dificuldades gestacionais à mulher
“brigona”. Îyûkú também fala sobre o parto precocemente induzido devido a um susto ou outra situação estressante.

11
Ìfá diz;

- Oferendas a Orí impedirão ou curarão estados depressivos;

- Aqui se tem muitos problemas por possuir vários pretendentes (ou amantes, ou mulheres, etc.);

- Ìfá diz que haverá dificuldades antes de alcançar objetivos, mas a persistência será compensada com prosperidade;

- Aqui as pessoas gostam de tradições; preferem as coisas como elas sempre foram; há resistência a mudanças;

- Alude a crianças que não atingem a maioridade;

- Ensina que assim como a noite, o sofrimento vem e vai;

- Representa transformação em todos os aspectos;

- Há o desejo de ver os filhos alcançarem posições importantes na vida. Para isso, será preciso viver muito tempo;

- A prole dessa pessoa lhe trará grandes alegrias quando a mesma alcançar a velhice;

- Odù de pessoas fisicamente fortes (urso), mas nem por isso imunes a doenças ou perigos;

- Ìfá fala sobre a necessidade de prudência, pois uma doença pode levar alguém à bancarrota;

- Aqui a esposa de Ìkú revela seus segredos. Infelizmente será preciso evitar partilhar segredos com outras pessoas;

- Aqui a mulher manda no homem, até que ele se cansa e faz feitiço para mudar a situação;

- Ìfá diz que a mulher mandona terá problemas para engravidar, ou para manter sua gravidez;

- Representa a sabedoria dos anciões. Ìfá alude sobre os benefícios de viver com gente mais velha.

- O consulente e sua família deveriam fazer ëbö ire àikú;

- Rege pelos e pescoço;

- Pessoa tem potencial para ser um reformador; mas só o será se houver ëbö.

- Roupas e tecidos vermelhos devem ser usados em suas oferendas;

- Fala de realeza e plenitude;

- Nasce a formação das civilizações;

- Pessoas brigam pelo consulente;

- Ëbö com roupas para afastar Ìkú;

12
- Sonhos com Òrìñà;

- Agradeça a Ñàngó;

- Ìkú pode confundi-lo com um amigo. Evite roupas iguais ou comportamento semelhante;

- Aprenda a ouvir conselhos;

- Dívidas constantes;

- Desgostos;

- Constantes mudanças de casa;

- Chuva traz bênçãos. Não se desvia dela nem se usa guarda chuva;

- Îyûkú Meji fala sobre agricultura, comércio e prosperidade;

- Quando em ibi, esse Odù fala sobre consideráveis dificuldades. Mas apesar disso, ouvindo Ìfá essa pessoa poderá
enriquecer;

- Aquele que viveu digna e honradamente terá uma morte tranquila, cercado por pessoas que o ama;

- Aqui a pessoa pode passa a vida toda se preocupando com trabalho, negligenciando sua espiritualidade;

- Ìfá fala sobre inimigos que não desejam que a pessoa fique onde ela acabou de chegar;

- Apesar de propiciar ganhos, Îyûkú fala sobre instabilidade financeira. Num dia se tem muito, no outro não se tem nada;

- Ìfá fala sobre a relação de auxílio para com a família. Tudo o que essa pessoa ganhar deve beneficiar sua casa

- Pessoas se oporão entre o consulente e seu verdadeiro amor. Para vivê-lo será preciso coragem;

- Odù de força de vontade e àñë. Com fé se resolve os problemas, pois há a força necessária para tal;

- Esse Odù fala sobre o comportamento arredio do morcego. Aqui a pessoa terá muitos conhecidos, mas poucos amigos;

- Uma virtude de Îyûkú é que ao resolver um problema, a pessoa na verdade resolve mais de um;

- Há habilidade manual. É preciso inteligência para descobrir do que se trata;

- Aqui Ìkú perde seu öpá. A pessoa pode ter tendência a perder objetos. Ìfá aconselha oferendas a Èñù;

- Haverá momentos de considerável tristeza; tanto no trabalho como em casa;

- Ìfá ensina que Ìkú prefere os prósperos. Ao prosperar, a pessoa deve tomar todo cuidado possível com Ìkú;

13
- Aqui a pessoa deve mostrar interesse em relação a seu próprio desenvolvimento. Há coisas que ninguém fará para ela;

- Há irritação perante conversas sem sentido, longas e Inúteis. Ìfá aconselha falar pouco e agir mais;

- Quando em ire, Ìfá fala sobre uma abundância de filhos. Quando em ibi, a pessoa pode ser estéril ou não reter gravidez;

- Devido a um ëbö feito por Îyûkú para prosperidade, seus filhos não devem usar gorros.

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Obras de Îyûkú Meji

1) Faremos oferendas às Divindades indicadas por Ìfá para:

Usufruirmos de vida longa;


Garantir o sucesso de nossos filhos;
Vivermos o suficiente a ponto de testemunharmos as realizações e a felicidade de nossos filhos;
Adquirirmos oportunidades de prosperidade e consequente riqueza;
Afastarmos adversidades que podem comprometer o caminho de nosso sucesso;
O cuidado e o carinho dispensado aos pais possam se converter em bênçãos aos descendentes;
Nos reencontrarmos profissionalmente depois de decepções nesse âmbito;
Impedirmos que importantes segredos pessoais sejam revelados a nossos inimigos ou oponentes;
Pararmos de apanhar da vida e possamos ter acesso a ascensão social e as bênçãos inerentes a essa situação;
Conseguirmos transmitir nossos pensamentos e ideias sem sermos perseguidos por isso;
Adquirirmos ire ibùjokò;

2) Se faz um complexo ëbö contendo os èwî de Ìkú para afastar a morte precoce.

3) Se faz oferendas a Èñù e um banho com água de chuva, para que possamos adquirir prosperidade e boa sorte nos negócios,
especialmente o comércio.

4) Îrúnmìlà receberá oferendas para nos abençoar em atividades profissionais que envolvam viagens ou constantes
deslocamentos (ire awàntòlókun).

5) Îrúnmìlà é fonte de bênçãos e abundância em Îyûkú Meji. Oferendas a essa Divindade atrairão consideráveis oportunidades
de crescimento, desenvolvimento e prosperidade.

6) Se oferece a Ìfá o corpo de um animal já morto. Essa obra se faz para que Ìfá faça uma grande revelação ao ofertante.

7) Uma mulher deve oferecer uma galinha e nove ovos à Noite, devido a uma velha àjý que lhe está fechando os caminhos ou
criando dificuldades.

8) A mulher grávida deve fazer oferendas a Ògún, para evitar acidentes que possam lhe causar sangramento e eventual aborto.

9) Oferenda de leitão assado ao Ûlûdà (virtude do Odù)

10) Egún receberá seis carneiros como oferenda daquele que deseja conquistar grande poder. Os carneiros devem ser imolados
em intervalos regulares de seis meses.

11) Um carrego especial é preparado e entregue numa casa em ruínas, para que algum espírito que lá viveu acompanhe e auxilie
aquele que fez o ëbö.

12) Devido a estreita relação de Îyûkú Meji com Ìkú, é mais do que prudente consultar Ìfá como regularidade e fazer as
oferendas prescritas, pois aqui Ìkú se unem aos demais Ajogún para matar o ser humano.

13) Èñù receberá oferendas para frustrar os planos dos que desejam nos prejudicar ou impedir nosso sucesso.

15
14) Inhames serão oferecidos em grande quantidade às Divindades que Ìfá indicar. Essa oferenda visa afastar a terrível ação de
Òfo quando Îyûkú se manifesta em ibi.

15) Ògún receberá oferendas para nos ajudar a vencer as dificuldades que podem impedir que vivamos um bom relacionamento.

16) O carrego de algumas oferendas serão colocadas num buraco cavado à margem de um rio. Isso nós faremos para receber
das Divindades inspiração e intuição para resolvermos problemas aparentemente insolúveis.

17) Îrúnmìlà receberá oferendas para interceder por alguém perante Ìkú.

18) Nesse Odù o fogo representa vida, alegria e entusiasmo. Oferendas devem ser realizadas às Divindades associadas a esse
elemento, para que as mesmas nos ajudem a voltar a ter uma vida repleta das positividades aqui expostas.

19) Esse Odù ensina que oferendas que contenham peixes visam representar e atrair abundância em suas mais diversas formas
de manifestação.

20) Oferendas a Orí e Ìbejì favorecerão a remoção da tristeza quando a mesma ameaçar nossa vida.

21) Lavaremos com 201 folhas a cabeça da pessoa que enfrentará um grande desafio, para que ela possa se sair bem, vencer as
dificuldades e atingir seus objetivos. Todo o ritual será realizado perante o assento de Èñù.

22) Orí e Ûlûdà receberão oferendas para nos ajudar a descobrirmos qual o talento especial que possuímos e que pode fazer
grande diferença em nossa vida.

23) Àkàrà será oferecido a uma Divindade que o aceite. Depois o mesmo será consumido sobre uma esteira, na qual estará
também o assento da Divindade que questão. Isso tudo nós faremos para atrair ire ölà.

24) Para questões amorosas, algumas obras serão preparadas com o àñë das folhas îdúndún e tûtû. A finalidade de tais obras
será vencer dificuldades ou resistências que impeçam nosso sucesso sentimental.

25) Èñù receberá oferendas para nos ajudar a encontrar um importante objeto perdido.

26) Ìfá índica o banho desse Odù àqueles que não possuem cabeça suficientemente forte para lidar com as situações aqui
expressas. Esse banho, juntamente com todo o ritual que o envolve, favorecerá saúde, vida longa, sabedoria e prosperidade.

27) Ìfá aconselha a um homem que faça ëbö com uma cabeça de cobra, para que não seja mais dominado por sua mulher.

28) Para complexas situações envolvendo o poder deletério de Àjý, Ìfá indica a preparação do tambor de Îyûkú.

16
Îyûkú perde sua posição para Eji Ogbè

Quando Eji Oyè se apresenta,


Ìfá nos aconselha a faze ëbö,
Para que não percamos uma posição adquirida.
Você vê por que Ìfá diz isso?
Antes que as coisas existissem,
Îyûkú reinava sobre a não-existência.
Com ele também reinavam o silêncio e a escuridão.
Depois de muito tempo,
Nasceu o desejo de evolução.
E com esse desejo despontou Eji Ogbè,
Que trouxe a luz; que trouxe a vida.
Îyûkú perdeu sua supremacia,
E passou a ser o segundo no mundo,
Atrás de Baba Eji Ogbè.

17
Îyûkú chega ao àiyé e prospera

Ìfá foi consultado para Îyûkú,


No dia que ele veio do îrun para o àiyé.
Ele foi instruído a fazer ëbö,
Para que tivesse vida longa,
Saudável e próspera no àiyé.
Ele ofereceu um cabrito a Èñù;
Ofereceu também cabrito,
Galo e tecido branco a Olókun;
Também ofereceu várias carnes de diferentes animais,
Juntamente com seu gorro.
Tudo isso ele fez ao lado de uma palmeira muito jovem;
Depois ele partiu para o àiyé.
Disseram que ele deveria manter-se resoluto;
Disseram que ele não deveria desviar sua rota,
Independentemente do que acontecesse.
Bem, outros Ìrúnmîlû também quiseram vir para o àiyé,
Mas negaram-se a fazer as oferendas a Èñù,
Pois não o respeitavam;
Achavam que ele era apenas um feiticeiro.
Quando eles começaram a rumar para o àiyé,
Èñù mandou uma chuva torrencial que caiu por vários dias.
Apesar da tempestade, Îyûkú lembrou-se da palavra de Ìfá,
E continuou sua viagem.
Quando ele chegou ao àiyé encontrou Ajé, encontrou Öjà;
Îyûkú casou-se com elas.
Ele começou a vender animais; ele prosperou no àiyé.
Os Ìrúnmîlû estavam atrasados;
Cada um se refugiou em algum ponto para evitar a chuva.
Os que se esconderam na floresta,
São cultuados na floresta até hoje;
Há os que se esconderam no rio, nas colinas, etc.
Îyûkú dançava e regozijava.

18
O nascimento inusitado de Îyûkú Meji

Então chegara a hora de Îyûkú,


Ter um nascimento “tradicional”;
Seu pai era um homem obstinado,
Mas sua mãe era uma àjý.
Quando os poderes da mãe começaram a suplantar a força do pai,
O homem foi a Ìfá;
Ele foi instruído a montar seu próprio Ìfá,
E lhe oferecer uma serpente.
O homem ouviu e seguiu os conselhos;
Depois de um tempo,
Sua esposa que jamais concebia,
Finalmente ela engravidou.
Quando a hora do parto se aproximava,
Numa noite a mulher teve desejo de fazer suas necessidades,
E foi para trás da casa, como de praxe.
A serpente que o marido usara para propiciar seu Ìfá,
Èñù a colocara no caminho da mulher.
Quando ela já estava se abaixando para fazer suas necessidades,
A serpente a atacou. Ah! A mulher fugiu espavorida!
Ela continuou correndo,
Até que chegasse a uma encruzilhada de três caminhos;
Foi ali que ela sentiu as dores,
E trouxe seu filho ao àiyé, a quem chamou de Îyûkú;
Ela dançava e regozijava,
Pois na mesma noite escapara da morte e tivera seu filho.
Quando Îyûkú Meji se manifesta a um homem,
Ìfá o orienta à iniciação,
Para que o poder de uma mulher não o subjugue para sempre,
E para que ele possa ter os filhos que tanto espera.
Quando Îyûkú Meji aparece para uma mulher,
Ìfá revela que ela não faz muita questão de filhos,
E que a razão de não conceber é sua postura perante seu companheiro,
Ele deveria ser mais humilde e submissa a seu marido.

19
Îyûkú torna-se senhor da noite

Ìfá nos ensina aqui que no começo da criação,


As Divindades se reuniam a cada cinco dias,
A fim de definir como as coisas deveriam ser no àiyé.
Numa dessas reuniões Îyûkú pediu a palavra;
Ele disse que demonstraria seu poder,
Fazendo um animal morto ser mais importante que um animal vivo.
Os presentes disseram que aquilo era impossível;
Olófin disse que se na próxima reunião Îyûkú provasse seu ponto,
Ele lhe concederia um pedido especial.
Depois que eles partiram,
Îyûkú foi ao mercado e comprou um cabrito.
Ele pôs uma corda em seu pescoço,
E saiu arrastando o animal pela cidade.
Por não querer ser arrastado, o cabrito chorava e reclamava.
Quando Îyûkú chegou em casa,
Imolou o animal e pôs sua pele para secar.
Depois ele preparou um pequeno atabaque,
E sobre a e pele esticada passou òñé dúdú,
Feito com a carne já em decomposição do cabrito.
Sim! Esse é o tambor de Îyûkú Meji,
Cujo som nenhuma Àjý consegue suportar e foge.
Nos dias seguintes ele saía pela cidade tocando seu tambor;
Îyûkú fazia um grande barulho;
Quando finalmente chegou o quinto dia,
As divindades mais uma vez se reuniram.
Eles disseram que era a hora de Îyûkú provar sua tese.
Ele disse, “Quando eu passeei com um cabrito pela cidade”;
Ele disse, “Quem de vocês o ouviu chorar e reclamar”?
Alguns responderam que ouviram e outros disseram que não.
Ele disse, “Depois quando eu toquei o tambor, quem de vocês não ouviu”?
Ah! Todos tinham ouvido o tambor.
Eles perceberam que morto, o cabrito chamou mais a atenção de quando vivo.
Foi aí que Olófin deu a Îyûkú o oyè de senhor da noite.

20
O banho de Îyûkú Meji

Ìfá foi criado para Îyûkú Meji,


No dia que lhe avisaram que sua cabeça não era suficientemente forte,
Para sustentar seu crescimento e sua multiplicação no àiyé.
Ele perguntou o que poderia ser feito para reparar tal situação;
Disseram que ele precisaria fazer ëbö com duas ovelhas,
Guiné, um leitão,
E outras aves domésticas.
Îyûkú ouviu e fez o ëbö.
Os awo pegaram uma das ovelhas,
E a levaram aos pés de uma jovem palmeira;
Ali eles banharam-na com iyëfá e as ervas apropriadas;
Eles retiraram o gorro que Îyûkú usava,
E lavaram sua cabeça com o mesmo àgbo;
Eles disseram que o gorro deveria ficar aos pés da palmeira,
Pois ele representaria a pobreza e a cabeça fraca de Îyûkú,
Que não mais o acompanhariam dali em diante.
Os outros animais foram imolados;
Uma parte de suas carnes foi enterrada aos pés da palmeira;
Depois os awo protegeram a árvore,
E enterraram a outra parte das carnes no chão da casa de Îyûkú.
Depois eles levaram Îyûkú até uma encruzilhada de três caminhos,
Ali o banharam e também ofereceram um galo,
Três obì e folhas secas de palmeira.
A ovelha poupada,
Îyûkú deveria permitir que ela passeasse pelas ruas,
E depois usá-la para começar um rebanho.
Conforme crescia o rebanho de Îyûkú,
Também crescia suas posses,
Seu poder e prosperidade.

21
Îyûkú conquista imensa prosperidade

Ìfá foi criado para Îyûkú Meji,


No dia que ele começou a prosperar.
Sim, ele estava começando a prosperar com seu rebanho de ovelhas e porcos;
Os awo disseram que ele deveria fazer mais uma oferenda,
Se quisesse continuar colhendo os frutos de seus esforços.
Îyûkú ouviu e fez a oferenda;
Ele ofereceu um preá e um peixe,
Para se proteger de Ìkú e Àrun;
Ele ofereceu um cabrito a Èñù,
Um leitão (?) ao seu Ìfá,
Um cabrito ao seu Orí;
Ele ofereceu galos a Ògún,
E uma tartaruga a Îsànyìn.
Îyûkú comprou a prosperidade das principais Divindades (!!!).
Depois de um tempo,
Îyûkú tornou-se tão próspero que não conseguia medir suas posses.
É assim que Ìfá nos narra,
Como Îyûkú conseguiu que sua prosperidade,
Não fosse interrompida por adversidades.

22
Ìkú prefere perseguir os prósperos

Ìfá foi criado para Îyûkú Meji,


No dia que Ìkú começou a procurar por ele.
Enquanto ele era pobre,
Ìkú não se preocupava com ele,
Mas quando ele passou a prosperar,
Rapidamente chamou a atenção de Ìkú.
Îyûkú passou a ser incomodado por pesadelos,
E isso o levou a Ìfá.
Os awo disseram, “ Ìkú não mata o cabritinho que não se estabeleceu na vida”;
Eles disseram, “ Ìkú não persegue mendigos”;
Disseram, “Ìkú não persegue párias”;
Disseram, “São os prósperos que ele persegue”.
Disseram, “O caminho da prosperidade é duro e tortuoso”.
Îyûkú foi instruído a fazer ëbö,
E o fez rapidamente.

O morcego não se interessa por amizades

Alguém honesto e sábio não terá vida muito longa;


Uma pessoa verdadeira, isso é algo raro;
Por não encontrar ninguém de confiança com quem possa me abrir,
Preferi manter meus pensamentos comigo.
Essa foi a mensagem de Ìfá para Ajaò (o Morcego),
Que é um ser tanto da terra quanto do ar.
Instruíram-no a fazer ëbö, e o fez.
Ele disse, “Se todos os humanos procuram minha amizade, eu digo não”;
Ele disse, “Meus pensamentos, eu os mantenho comigo”;
Ele disse, “Não estou interessado em sua amizade; meus pensamentos, eu os mantenho comigo”.

23
A vaidade de Îyûkú

Îyûkú perguntou a seus seguidores:


“Quem possui um físico encorpado”?
Houve quem respondesse “Eji Ogbè”.
Îyûkú então disse, “Eji Ogbè é magro e comprido”;
Ele disse, “Ìwòrì tem cabeça grande e pernas grossas, mas seu abdome é magro”;
Ele disse, “Òdí tem cabeça pequena e pernas finas, mas seu abdome é largo”;
Ele disse, “Îkànràn tem cabeça grande e abdome largo”;
Ele disse, “Mas suas pernas são desproporcionalmente finas”;
Ele disse, “Îbàrà tem cabeça pequena”;
Ele disse, “Mas seu abdome é largo e suas pernas são gordas”.
Um a um ele foi descrevendo os Odù Àgba;
Ao final ele disse, “Apenas eu sou robusto por inteiro”;
Ele disse, “Aqueles que nascerem sob minha influência”;
Ele disse, “Serão chamados Adéninì (A coroa roliça e corpulenta)”.

24
Todos os lucros devem beneficiar Casa

Îrúnmìlà diz que gerará algo grandioso;


Eu digo que Ìfá fará algo grandioso.
E Ìfá gerou Guerra, Lavoura, Estrada, Mercado e Casa;
Depois de fazer tudo isso,
Îrúnmìlà foi consultar Ìfá para Olókun,
E lá permaneceu por dezesseis anos.
Quando ele voltou para casa,
Guerra foi o primeiro a visitá-lo.
Ele recebeu seu pai com comidas e bebidas;
Após isso, Îrúnmìlà quis esvaziar seus intestinos;
Mas Guerra disse que ele não poderia fazer aquilo em sua casa.
Mercado foi o segundo filho visitado;
Ele recebeu seu pai com comidas e bebidas;
Depois Îrúnmìlà quis aliviar seus intestinos,
Mas Mercado disse que ele não poderia fazer aquilo em sua casa.
O terceiro filho visitado foi Lavoura,
Que também recebeu seu pai com comidas e bebidas.
Depois Îrúnmìlà quis aliviar seus intestinos;
Lavoura disse que ele não poderia fazer aquilo em sua casa.
O quarto filho visitado foi Estrada;
Que recebeu seus pais com comida e bebida.
Depois Îrúnmìlà quis aliviar seus intestinos;
Estrada disse que ele não poderia fazer aquilo em sua casa.
O último filho visitado foi o caçula, Casa;
Ele mandou matar uma cabra e preparar muita comida;
Foram preparados deliciosos inhames;
Ele convidou seus amigos para festejarem o retorno de seu pai;
Então Îrúnmìlà comeu e bebeu até se satisfazer.
Depois ele desejou evacuar seus intestinos,
Casa levou-o até um quarto e disse: “Minha casa é tua; podes fazer onde quiseres”.
Depois que Îrúnmìlà acabou,
Fechou a porta atrás de si.
Pouco depois, Îrúnmìlà quis novamente defecar;

25
Casa arrumou outro quarto para ele.
Depois que Îrúnmìlà acabou, fechou a porta atrás de si.
Foi aí que Îrúnmìlà disse a Casa para limpar o primeiro quarto;
Quando Casa foi fazê-lo, encontrou muito dinheiro.
No segundo quarto, encontrou uma bolsa cheia de pérolas.
Então Ìfá determinou que dali em diante,
Os lucros conseguidos por Guerra, Estrada, Lavoura e Mercado,
Todos os lucros deveriam beneficiar Casa.
Ìfá diz que um visitante virá nos ver;
E que devemos cuidar bem desse visitante,
Para que sua bondade e favores não passem por nós;
Para que esse visitante nos traga abundância.

A mulher de Ìkú revela seus ëwî

No dia que espancaram a mãe de Ìkú,


No mercado de Ejigbòmûkùn,
Ìkú gritou alto, enfurecido!
Ìkú fez do elefante a esposa de seu cavalo (?);
Ele fez do búfalo sua corda;
Deixou o escorpião preparado para a luta.
Ìfá foi criado para Òlòjongbodù,
A esposa de Ìkú;
Eles perguntaram o que seu marido não podia comer,
Para que ele parasse de matar todos ao seu redor.
Ela disse que Ìkú, seu marido,
Ele não poderia comer preá;
Não poderia comer peixe;
Não poderia comer ovo de pata.
Se Ìkú comesse essas coisas,
Suas mãos tremeriam,
E que ele vomitaria sem parar.

26
Ìkú prefere a carne humana

Deixe-nos ter um bom comportamento,


Para que possamos morrer em paz;
Para que nossos filhos nos carreguem em suas mãos,
No momento de nosso funeral.
Ìkú regozijou com a criação do homem;
Ìkú os juntava para comê-los.
Dois preás estão brincando na terra;
Dois peixes estão brincando na água;
A galinha pôs seus ovos no telhado;
A cabra entregou muitos de seus filhos;
O forte carneiro com três anos de idade;
O boi que é oferecido como um bife fresco;
Todos foram criados para apaziguar Ìkú;
Mas todos esses seres não o saciaram.
Ìkú continua de olho na carne humana;
Sempre que tinha chance, abatia um humano para si.
Os humanos começaram a reclamar daquela situação;
Quando eles foram perante Olófin,
Ìkú argumentou: “Eles se alimentam de plantas e animais”;
Ele disse, “Eu não vejo nenhum deles vir até ti reclamar dessa sina”.
Olófin deu razão a Ìkú.
Desde então os humanos precisam se conformam,
Com a inevitabilidade de ter sua carne comida por Ìkú.
Îyûkú Meji criou Ìfá para os humanos,
No dia que Ìkú os abatia sem nenhuma dificuldade;
Eles foram instruídos a fazer ëbö para lidar com aquela situação;
Eles ouviram e fizeram as oferendas;
Eles ofereceram èwò (purê de inhame) com pequenos seixos escondidos na massa;
Eles ofereceram um frango jovem, quase um pinto, mas a ave não foi imolada,
Ela foi presa a um poste ao lado da casa de Èñù.
Quando Ìkú chegou para comer mais um humano,
Ele foi presenteado com o èwò.
Assim que provou, seus dentes se depararam com os seixos.

27
Ìkú pensou, “Os humanos conseguem comer isso”?
Ele pensou, “Suas mandíbulas são assim tão poderosas”?
Ìkú começou a se preocupar..
Sim, apesar de seu poder,
Ìkú não é muito corajoso;
Foi nesse exato momento que o pequeno frango cantou muito alto.
Ah! Ìkú se assustou!
Ele partiu imediatamente, acreditando estar sofrendo algum ataque.
Se os humanos eram donos de mandíbulas tão poderosas,
E possuíam encantamentos de proteção,
Como ele, Ìkú, poderia continuar a comê-los?
Ah! Ele se uniu aos demais Ajogún!
Desde então Ìkú não mata um humano diretamente;
Ele conta com a ajuda de um de seus irmãos;
Àrun adoece o ser humano, daí Ìkú o mata.
Ûjö põe um humano contra o outro, e eles se matam;
Àkîbà gera acidentes, e aí Ìkú os mata;
Fìtìbò atrai cataclismos, e aí Ìkú os mata.
É assim que Ìfá nos ensina,
Sobre os estratagemas que Ìkú usa,
Para continuar a matar os seres humanos.

Por que devemos conviver com Anciões

Ìfá foi consultado para Jovem,


No dia que ele quis auxiliar os Anciãos,
Quando esses construíam casas.
Ele foi aconselhado a fazer ëbö,
Para que pudesse ser sábio e previdente, como os Anciãos.
Jovem ouviu, mas não fez o ëbö.
Ele viu os Anciões construindo casas,
E decidiu trabalhar por conta própria.
Jovem construía os alicerces mais rapidamente que os Anciões,
Mas as casas feitas por ele desmoronavam em pouco tempo.
Olófin chamou Jovem e os Anciões para saber o que estava acontecendo;
Os Anciões disseram, “Antes de nos abandonar, ele não aprendeu a fazer telhados”;
Disseram, “Por isso eles acumulam água e as casa caem”.
Olófin ouviu tudo e disse, “Você, Jovem”;
Ele disse, “Apenas depois de conviver com Anciões, e compartilhar de sua sabedoria”,
Ele disse, “É que você poderá agir por conta própria”.

28
Ìfá revela os ëwî de Ìkú

Você sobreviverá; eu sobreviverei;


É assim que as pessoas se cumprimentam em Ìfû,
É assim que afastamos Ìkú.
Ìfá foi criado para o “Pai que afasta a Morte”;
É Îyûkú que afasta a morte de nossas cabeças;
Ìkú mata qualquer tipo de árvore;
Ìfá foi consultado para Ayùre (uma árvore);
Ela teve sorte, Ìkú não pôde matá-la.
Que Ìkú passe direto por nós!
Ìkú não pode comer preá;
Ìkú não pode comer peixe;
Ìkú não pode comer ovos;
Ìkú não pode comer banana.
Tudo isso eu dei a Ìkú,
E seus membros começaram a tremer.
Ìkú se enfraqueceu e não pode se levantar.
Eu dei èlùbî a Ìkú,
E sua armadilha começou a enfraquecer.
Ìkú, afaste-se de minha cabeça!
Gbiramù, Ìkú caiu e foi amarrado!
Àwòdì, ajude-me a amarrar Ìkú!
Leve Ìkú para longe de mim!
Marcaremos Îyûkú no èlùbî;
Joguemos sobre o alguidar que conterá os ëwî de Ìkú.
Prepararemos òñè para esse Odù,
E com bucha nova nos banharemos sobre o alguidar.
Tudo isso será colocado na encruzilhada,
Ou num caminho abandonado,
Para que Ìkú se afaste de nossas cabeças.

29
O ferramenteiro preguiçoso

Ìfá nos fala aqui sobre Ferramenteiro,


Afilhado de Ñàngó,
Que era um excelente artesão.
Muitos clientes o procuravam,
Para que ele criasse diferentes ferramentas para diferentes trabalhos.
Mas Ferramenteiro gostava de sair à noite para se divertir;
Ele só voltava de madrugada,
E devido ao cansaço deitava-se e só acordava muito tarde.
Graças a essa rotina seus trabalhos foram atrasando,
E seus clientes começaram a reclamar.
Quando alguém ia buscar uma ferramenta já encomendada e paga,
A mesma não estava pronta.
Ferramenteiro então resolveu contratar um ajudante,
Mas não alterou em nada seu comportamento.
Ele também proibira seu ajudante de acordá-lo pela manhã.
Quando algum cliente aparecia para reclamar,
O ajudante ouvia as reclamações, mas nada podia fazer.
Então um dia o ajudante se cansou,
E foi reclamar com Ferramenteiro,
Que achou aquilo uma afronta e despediu o ajudante.
O rapaz então resolveu montar uma oficina para si mesmo,
E aos poucos começou a prosperar.
Quando se viu sem dinheiro,
Ferramenteiro foi a Ìfá,
Acreditando ser vítima de feitiços.
Îyûkú Meji lhe revelou que seu problema não era feitiço;
Que ele estava apenas plantando a má propagando que colhera,
E que ele deveria fazer ëbö para uma doença que se aproximava.
Îyûkú não deu nenhuma garantia,
De que Ferramenteiro voltaria a prosperar no ramo de ferramentas.

30
Ölasùmògbè vive para ver seu filho receber oyè

Àgádá criou Ìfá para Ölasùmògbè, quando elo chorava por não ter descendência.
Instruíram-no a oferecer uma cabra,
Um ìruûñìn ,
Uma roupa feita em casa e dinheiro.
Ölasumogbe ouviu e ofereceu o ëbö;
Disseram-lhe então para oferecer um segundo ëbö,
Para que ela pudesse viver o suficiente,
Para ver seu filho receber um oyè.
Depois de um tempo Ölasumogbe engravidou e teve um filho;
Quando o menino cresceu,
Tornou-se o sumo-sacerdote do Ìmîlû Òsàrà.
No dia que ele receberia o oyè,
Começou a chover muito forte,
Mas ele quis parar para cumprimentar sua mãe,
Pois se cumprimenta amigos e parentes quando se recebe um oyè;
A chuva foi ficando mais forte,
E o filho de Ölasumogbe começou a cantar:

“Ölasumogbe, eu não posso parar para te ver”;


“Mas apesar da chuva, e de eu estar sob ela, eu conheço o rei!”!

É isso o que as pessoas cantam até hoje,


Nos festivais de Òsàrà e Olóñë.
Ìfá diz que se fizer ëbö,
Essa pessoa terá um filho,
E viverá para vê-lo receber um oyè.

31
Îrúnmìlà faz pacto com Ìkú

É Îyûkú que nos revela,


Que Ìkú não pode matar aqueles que se colocam sob a proteção de Îrúnmìlà.
Havia Èñù, o imprevisível;
Ele arrumou algum dinheiro,
E subornou o filho de Ìkú.
O menino contou que se Ìkú não estiver com seu öpá òrùkú,
Ele não podia levar ninguém consigo.
Ah! Èñù perguntou quem poderia ajudá-lo a roubar o öpá de Ìkú;
Foi Tartaruga que ajudou Èñù a roubar o öpá de Ìkú;
Quando Ìkú não encontrou seu öpá,
Levou as mãos à cabeça;
Ele foi a Ìfá;
Ele disse, “Como poderei cumprir minhas responsabilidades”;
Ele disse, “Se não encontro meu öpá”?
Îrúnmìlà disse, “Se você concordar em não levar ninguém que recorra a mim”;
Îrúnmìlà disse, “Se o dia de voltar ao îrun ainda não tiver chegado”;
Îrúnmìlà disse, “Ajudar-te-ei a encontrar seu öpá”.
Ìkú aceitou o pacto;
Îrúnmìlà fez ëbö,
E Èñù devolveu o öpá de Ìkú.

32
Ìkú não reconhece bujë

Um cão possui honra;


Agî Ãlà (Òrìñà funfun, identificado com o planeta Vênus) é glorioso como a lua nova.
Uma criança é valiosa como contas,
Mas se for aleijada, não pode amarrar ìlûkû nos braços de outra.
Ìfá foi criado para Ondëñëroro, de Òkè Àpà;
Que estava vivendo em Opoloro,
Quando Ìkú e Àrun estavam observando-o.
Disseram que Ìkú estava procurando por ele,
E que quando Ìkú chegasse,
Encontraria apenas bujë (jenipapo).
Disseram que ele deveria oferecer um ëbö;
O que ele deveria oferecer?
Disseram que ele deveria oferecer dezesseis búzios,
Dois pombos,
Duas galinhas,
Sua roupa e jenipapo.
Ìfá diz que essa pessoa deve usar jenipapo como se fosse pomada;
Deve colocar o jenipapo na água,
E depois se esfregar com ele.
Ondëñëroro fez isso, e começou a ficar com a pele avermelhada.
Quando Ìkú chegou, o encontrou todo rubro.
Ìkú disse, “A pessoa que vim buscar não está aqui”.
Para não levar a pessoa errada, Ìkú foi embora sem levar ninguém.
Quando Ìkú chegou em casa,
Olódúmarè lhe perguntou: “Onde está a pessoa que você foi buscar ”?.
Ele disse, “A pessoa que encontrei era vermelha, e estava nua”.
Olódúmarè disse, “Ah! Ele era o seu ûru (carrego). Você deveria tê-lo trazido”.
Ìkú quis voltar para pegar Ondëñëroro,
Mas Olódúmarè disse, “A serpente não levanta a cabeça duas vezes”.
É assim que Ìfá nos narra como Ondëñëroro escapou de Ìkú.

33
Urso quase morre doente

A fumaça é a glória do fogo;


O raio é a glória da chuva;
A roupa comprida é a glória de Egún.
Ìfá foi criado para Ofafà (o Urso),
Filho de “Aquele que possuirá riquezas pela manhã”;
Ele foi instruído a fazer ëbö para não adoecer;
O ëbö era cabrito,
Roupa preta e dinheiro.
Ofafà ouviu, mas não ofereceu o ëbö.
Não demorou muito e ele adoeceu;
Ele quase morreu;
Então ele procurou Ìfá novamente,
Disseram: “O ëbö que você não quis fazer”;
Disseram, “Agora é preciso duplicá-lo”;
Disseram, “Assim você recuperará sua glória”;
Disseram, “E não haverá árvore em que não poderá subir”.
Dessa vez Ofafà ouviu e fez o ëbö.
Ìfá diz que essa pessoa é famosa,
E deve fazer ëbö enquanto sua doença é curável;
Pois Àrun o pegará de um jeito,
Que será preciso vender sua casa;
É preciso fazer ëbö para não ficar sem saída.

34
Chuva chega ao àiyé

Ìfá foi criado para Chuva,


No dia que ela estava vindo îrun para o àiyé.
Disseram que ela encontraria grandes inimigos em seu caminho;
Seria preciso um grande ëbö para vencê-los.
Chuva ouviu e fez o ëbö;
Ela ofereceu um tecido preto,
E vários animais pesados, (bois, carneiros, cabritos, etc.).
Quando ela chegou ao àiyé,
Seus inimigos eram Sol,
Claridade,
E Estiagem;
Eles se uniram para expulsar chuva do àiyé;
Mas Èñù protege quem faz ëbö...
O tecido preto que Chuva ofereceu,
Èñù o transformou em pesadas nuvens que cobriram Sol;
Os animais pesados que Chuva ofereceu,
Èñù os transformou em torrentes de água,
Que quando caem ao chão,
Não diferenciam ricos de pobres, poderosos de fracos.
É por isso que quando Chuva se apresenta,
Seus inimigos não podem impedi-la de agir.

35
Apè faz ëbö para não perder tudo o que tem

Minha mão direita, oyè;


Minha mão esquerda, oyè;
Dois oyè tornam-se verdade em frente à cuia;
Ìfá foi criado para Apè,
Com cabeça de dendê;
Juntamente com Alágerò Òpèrò,
No dia que Apè não quis perder tudo o que possuía.
Ìfá aconselhou-o a fazer ëbö,
E Apè o fez no dia que guardou seus pertences.
Desde esse dia,
Quando Apè segura seus filhos,
A criança não cai.
Apè dançava e regozijava;
Ele louvava os awo,
Que louvavam Ìfá;
Èñù colocou-lhe palavras na boca,

Mo ru iyán, mo ru iyán o Ilé Eu ofereci inhames


Odùn pa pòjù, ilé Odùn pa pòjù Na casa não há infortúnios

Isso é quando Ìfá nos aconselha fazer ëbö,


Para que nossas posses apenas cresçam,
Até que não possamos mais saber,
O que de fato possuímos no àiyé.

36
Nasce a arte de modelar argila

Ìfá foi criado para as pessoas do àiyé,


No dia que elas não conseguiam levar água para suas casas.
Elas tentavam carregar com as mãos,
Mas a água escorria.
Elas foram instruídas a fazer ëbö;
“O que vai nesse ëbö”?
Disseram, “Uma enxada, um galo, um pombo, um cabrito”;
Disseram, “Vocês devem preparar uma fogueira”;
As pessoas ouviram e ofereceram o ëbö.
Disseram, “Vocês devem cavar um buraco em que caiba um homem em pé”;
Disseram, “A alguns metros da margem do rio”,
Disseram, “É lá que vocês colocarão o ërù”.
As pessoas seguiram as orientações de Ìfá;
Quando elas cavaram o buraco,
Encontraram um barro desconhecido;
Eles pegaram aquela lama,
E perceberam que ela podia ser moldada;
A fogueira que preparam para o ëbö,
Eles deixaram a lama secar próximo a ela.
No outro dia,
Como um jogo; como uma brincadeira,
A lama estava dura!
Então eles moldaram artefatos,
Que depois usaram para carregar água.
Eles cantavam,
“Quem nos ensinou sermos engenhosos”?
“Foi Îyûkú que nos ensinou”.

37
A boa morte de quem viveu uma boa vida

Os botes são instáveis,


Assim como aos seres humanos;
Ìkú esfrega seu corpo com carvão;
E também o faz com osùn;
A cabra, sabendo disso,
Esfrega seu corpo com a terra vermelha que encontramos na lavoura.
Essa foi a mensagem de Ìfá para Ìtu,
Esposo da cabra,
E compadre do carneiro;
Esse Odù também apareceu para o grande galo da cidade de Ötà,
Esposo da boa galinha.
Ìfá diz que o covarde não deveria falar como um herói,
Pois o herói certamente não falará como um covarde;
Um rei não permite que se brigue com mulheres,
E nisso eu estou de acordo;
A pessoa que foi gentil e generosa,
Morrerá tranquila cercada pelo carinho dos filhos;
Esse Odù também apareceu para Apá Morù,
Que toda manhã oferecia um peixe como ëbö,
Para que sua esposa tivesse filhos.
É a primeira vez que eu venho a Arò,
E me pergunto: “O que estão fazendo aqui”?
Responderam-me que estão procurando um novo líder para essa cidade;
Eu disse que o novo líder morrerá de velho,
Como aconteceu com Olúyýýyýýtuyý e sua esposa.

38
Ògún vai buscar sua mulher em Èsèjè

Aquele que tem sorte,


Mas não tem bom comportamento,
Que o faça prosperar;
Esse foi o awo que criou Ìfá para Ògún,
O grande guerreiro,
A admirável Divindade que está sempre pronta para a guerra;
Ògún levava a guerra à a cidade de Èsèjè,
Devido a sua esposa, Mòyùnmù.
Ele ia lá para trazer sua esposa Mòyùnmù para casa,
Contra o desejo das pessoas;
As pessoas perguntaram a Ògún,
Que força usaria para trazer sua esposa para casa.
Ògún respondeu dizendo,
Que evocaria os princípios vitais da folha sagrada îdúndún,
E as pessoas permaneceriam quietas,
Até ele sair de lá com Mòyùnmù e chegar com ela em casa.
Disse também que evocando os princípios vitais,
Da folha sagrada tûtû,
Tudo transcorreria bem com ele;
Disse ainda que ele é como um fogo que não se pode tocar,
A não ser que a pessoa queira se queimar;
Disse que nenhuma criança consegue abraçar um baobá;
Ao retornar de lá,
Ògún chamou seus amigos,
E lhes disse que já conseguira trazer sua esposa de volta.

39
Verborragia desnecessária

Oh, sim! Escutem bem;


Não saiam por aí sem antes oferecer alguma soma ou algum objeto determinado;
Não se chega a lugar algum sem antes fazer um bom ëbö.
Para quê esse ëbö? E o que vai nele?
Pense bem, e enquanto estiver pensando não se esqueça de Ìyàmi;
Nós faremos ëbö contra a quebra de um ëwî;
Nós perguntaremos o que oferecer e a quem;
E não continuaremos até que o ëbö seja feito.
Tolos;
Uma vez feito o ëbö, os motivos não serão vistos imediatamente,
Mas uma coisa é certa,
Os motivos certamente aparecerão.
Morte por contaminação é o que nos ameaça,
Assim como pilhagens e quebras de ëwî.
Devemos evitar fazer essas coisas erradas;
Quer seja voluntária ou involuntariamente,
Tendo conhecimento ou não,
Devemos evitar fazer o que é errado, quebrar tabus.
Faremos um ëbö agora?
Bem, então podemos continuar;
Você vê por que Ìfá fala essas coisas?
“Deixe-nos agora contemplar a casa de Eri; a palmeira floresce pela manhã”;
Îrúnmìlà criou Ìfá para si mesmo,
No dia que ele quis casar-se com Dorminhoca Rebelde;
Orí rompe, Orí suporta;
Pela manhã eu me casarei;
Sim; Orí é aquele que carrega a boa fortuna de uma criança.
Também há o Pequeno Bastão;
Que é usado para espalhar o orvalho.
Dois pés se chocam num caminho estreito,
Ìfá foi criado para “Quando minhas roupas estiverem prontas, case-se comigo ou me enterre’”,
Quando silenciosa e furtivamente ela veio do îrun para o àiyé (o morim vermelho?),
Todos devem fazer ëbö antes de ir a algum lugar;

40
Noz de Palmeira fez ëbö;
Morim Vermelho também;
Agora Morim Vermelho não vai para o îrun;
É usado em oferendas para ire àikú;
É exatamente o que fazem os awo.
Observemos o caso de Torrão de Terra;
Não sigamos seu exemplo,
Pois ele se quebra no solo.
Uma cabana serve para nos proteger,
Mas jamais para prender um ladrão;
É assim que conhecemos Hiena Manchada.
Consultaram Ìfá para Alapá, o sobrevivente;
Filho de “Aquele que saúda o awo”;
A pessoa que não reconhece esses muros manchados (varíola),
Jamais andará por um caminho torto.
Alapá é um oyè assassino,
O visitante que se veste com uma mortalha.
Quem envelheceria o suficiente para andar num caminho cheio de curvas?
Palavras fortes não cabem aqui, covarde!
Consideremos o caso de Leopardo,
Também chamado “Quem não tem beleza, não tem valor”;
Ele usava ferramentas de ferreiro como amuleto contra caçadores;
Esse é aquele que chamamos de velho!
Ëbö por vida longa; é isso que os awo fazem.
Eri rebenta, suporta e depois mostra suas folhas;
Pela manhã estarei casado.
Bom e velho àñë, filho de Îrúnmìlà;
Ìfá diz que ele deve apoiar-me.
A bananeira veio ao mundo com seus filhos praticamente feitos;
Desde o îrun eu carrego minha cabaça de boa sorte.
Orí carrega o doce amadurecimento de uma criança;
O Ancião que Estava Sempre Triste foi se consultar com Ìfá;
Öbalúwayé da cabeça febril, “enxames de insetos ao redor”;
Ancião que caminhava contra o tempo,
Sempre em agitação.
A morte negra apresenta-se como peste negra;
A morte vermelha apresenta-se como osùn;
Se você não passar o unguento, o sol o derrubará.
Disseram, “Matem o aleijado, e o amarrem a um corcunda”.
Filho de um covarde, que sentia o coração bater;
O ancião que finge ser corajoso não gagueja como um covarde;
Um velho covarde não dá grandes passos;
A bebida dos antigos espíritos é servida no instrumento de Orò.
Nosso rei não manda uma mulher cobrir suas costas;
Palavras, palavras...
Consultaram Ìfá para Bode Preto,
Marido de Cabra...

41
“Conversa Incoerente” consultou Ìfá para Carneiro,
Marido de Ovelha...
Palavras assim são constrangedoras...
Criaram Ìfá para Grande Galo,
Marido de Galinha Gorda...
Palavras, palavras...
Criaram Ìfá para Proprietário Robusto;
Disseram a ele, “Mate o aleijado, e prenda-o a um corcunda”,
“Mate o corcunda, e faça um remédio”.
Ouçam covardes,
Bravos Anciões,
Não fiquem falando exageradamente.
Criaram Ìfá para Mãe Extraordinária,
No dia que ela entrou no mundo com muitas crianças.
Ìfá disse, “Aonde viemos parar”?
Eu respondo, “Esse lugar é chamado Orò”,
Onde as crianças alcançam idade respeitosa,
E as pessoas saúdam seus superiores.
Eu digo, “Qual será o resultado disso”?
Eles dizem, “Alguém se casará na casa de meu pai; com belas e intocadas noivas”.
Quando elas engravidarem,
Seus filhos se tornarão homens de beleza e coragem.

Por que a prole de Peixe é abundante

Quando alvorece um novo dia,


As pessoas já pensam no dia que virá.
Ìfá foi criado para Peixe,
No dia que ele foi gerar seus milhares de descendentes,
Tanto nos rios como nos oceanos.
Ele foi instruído a fazer ëbö,
Para que sua prole fosse imensa.
Peixe ouviu e fez o ëbö;
É por isso que não há rio ou oceano,
Em que Peixe não esteja presente;
Peixe espalhou seus filhos pelo mundo;
Ele dançava e regozijava.

42
Os dois amigos que morreram no mesmo dia

Èjí Îyû apareceu para dois amigos,


No dia que eles foram aconselhados a fazer ëbö,
Para que Ìkú não os surpreendesse.
Eles ouviram, mas não fizeram o ëbö;
Eles acharam que eram jovens demais para morrer.
Bem, então Ìkú apareceu e ceifou suas vidas no mesmo dia.
Sim, ambos morreram em suas respectivas lavouras.
Durante a vida eles tinham acordado que quando um morresse,
Os ritos seriam executados na casa do outro.
Quando os filhos dos dois defuntos,
Estavam carregando os corpos para os locais devidos,
Bem, eles deveriam fazê-lo entoando os cantos apropriados,
Mas como eles passaram a vida toda na lavoura com os pais,
Nenhum deles sabia cantar o que era preciso.
Então eles inovaram, cantando:

Jóro jóro a lu mî. Jóro a lu mi Precisamos consultar para conhecer o futuro

É isso que se canta até hoje durante os funerais em Ìfû.

43
Fogo readquire sua saúde

Èkùrò wòyówòyó awo Àsáyìn ìkìn;


Esse foi o awo que consultou Ìfá para Fogo,
No dia que Àrun ameaçou seu brilho.
Sim, Fogo estava doente e já não conseguia brilhar como antes;
Ele foi instruído a oferecer um cabrito,
Um preá,
E um peixe como ëbö.
Fogo ouviu e fez a oferenda;
Apesar disso, sua energia vital não retornou;
Ele não conseguiu voltar a brilhar.
Îrúnmìlà voltou a consultar Ìfá;
Uma oferenda com bastante azeite de dendê foi prescrita.
Fogo voltou a fazer a oferenda;
Dessa vez o dendê reativou suas chamas,
E Fogo voltou a arder fortemente.
Ele foi instruído a jamais esquecer a ajuda que recebera,
É por isso que se Fogo chegar a um lugar sagrado,
Ele apenas circunda o àñë de Ìfá (?).

44
Encantamento para alegria em casa e no trabalho

A alegria que se recebe em casa,


Não é tão forte quanto a que se recebe fora.
Ìfá foi criado para Onikàbidùn,
No dia que ele queria aumentar sua alegria.
Os awo prepararam cinco enxadas com ògùn,
E Onikàbidùn as levou para casa.
As pessoas da casa levaram as enxadas para a lavoura;
E as pessoas da lavoura levaram as enxadas para casa;
Ambos os grupos se encontraram na estrada;
As pessoas da lavoura disseram que suas enxadas escavariam riquezas;
As pessoas da casa disseram que suas enxadas sepultariam tristezas.
Onikàbidùn dançava e regozijava;
Louvava os awo,
Que louvavam Ìfá,
Èñù colocou-lhes palavras na boca;

Iyöyö ke wa fun mio Júbilo, deixe as pessoa virem a mim com alegria
A miyö nìlé, a miyö lájò Alegria em casa, alegria no sítio.

Ìfá nos aconselha a fazer oferendas a Ìbejì.

45
Não se faz ëbö para quem não se mostra interessado

Ovelha Velha consultou Ìfá em nome de seu filho, Carneiro;


Tanto Carneiro quanto sua irmã Ovelha,
Já tinham vindo ao àiyé,
Mas apenas Ovelha fez as oferendas a Èñù.
Ah! Ovelha Velha sabia que Carneiro não prosperaria;
Que se depararia com instransponíveis dificuldades.
Foi Îrúnmìlà que criou Ìfá para ela;
Ele disse, “Para ir ao àiyé e ter êxito”,
Ele disse, “Lava-se a cabeça com 201 folhas na casa de Èñù”;
Ele disse, “Depois oferendas devem lhe ser realizadas”.
Como é possível lavar a cabeça de alguém ausente?
Como seria possível colher as 201 folhas,
Se àquela hora elas já estavam dormindo?
O ëbö não foi feito.

46
“Quero ser awo”; o rei que veio da pobreza

O home rico leva suas questões à corte;


E não será considerado culpado.
Uma dívida não deveria ser a causa da morte de um homem pobre.
Essa foi a mensagem de Ìfá para “Quero ser awo ”,
Quando ele foi aconselhado a comer àkàrà,
Para acabar com sua pobreza.
Os awo disseram que Olófin estava ascendendo uma vela para cada destino;
Ele foi aconselhado a fazer ëbö com quatro pombas,
Quatro mudas de roupas e dinheiro.
Ele ouviu e fez o ëbö;
Pouco tempo depois o rei de Îyï faleceu,
E “Quero ser awo” ficou em seu lugar.
Ìfá fala sobre alguém que está vivendo na pobreza,
Sendo castigado por dificuldades.
Ìfá diz que essa pessoa será rica;
Será servida por muitos,
E herdará uma posição em sua família.

47
Pano Vermelho é aquele que traz vida longa

Ìfá foi criado para todos os tipos de tecidos,


No dia que eles foram aconselhados a fazer ëbö,
Para que não corressem o risco de voltar ao îrun antes do tempo.
Dentre todos eles,
Apenas Pano Vermelho fez o ëbö.
Quando o dono dos tecidos morreu,
Sua família quis sepultá-lo com todos seus tecidos;
Eles os colocaram no quintal para formar o carrego.
Èñù apareceu e disse, “Isso não está certo”;
Ele disse, “Pano Vermelho fez ëbö por vida longa”;
Ele disse, “Isso não está certo”.
Então as pessoas não quiseram problemas com Èñù ,
E retiraram Pano Vermelho do carrego.
Desde então ninguém é sepultado usando um tecido vermelho.

48