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Filipe A. R. Gaspar http://resumosdosecundario.blogspot.

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Geografia A
1 – A população utilizadora de recursos e organizadora
de espaços
1.1 – A população: evolução e contrastes regionais
1.1.1 – A evolução da população portuguesa desde meados do
século XX
1.1.1.1 – Evolução demográfica
Desde meados do século XX que a população portuguesa tem crescido irregularmente:
 Crescimento demográfico contínuo, devido à alta taxa de natalidade e à menor
taxa de mortalidade;
 Quebra demográfica nos anos 60, causada pelo surto de emigração (o que
diminuiu o crescimento migratório) e pela ligeira redução da taxa de crescimento
natural;
 Aumento significativo da população após a Revolução de 25 de abril de 1974,
resultado do acentuado aumento do crescimento migratório – chegada repentina
dos «retornados» vindos das ex-colónias e diminuição da emigração;
 A taxa de saldo migratório volta a ter valores negativos durante os anos 80, o que,
em conjunto com a descida da taxa de crescimento natural, explica a quase
estagnação da população nessa década;
 Acréscimo da população nas duas últimas décadas – a chegada de imigrantes
naturais de países de língua oficial portuguesa e da Europa de Leste elevou a taxa
de crescimento migratório, compensando os baixos valores e a tendência
decrescente da taxa de crescimento natural.
A variação populacional foi positiva no litoral e negativa no interior.

1.1.1.2 – Principais fatores que influenciaram a evolução demográfica


Fórmulas de demografia
Natalidade
 Taxa de natalidade (TN) = População absoluta ×1000 ;
Mortalidade
 Taxa de mortalidade (TM) = População absoluta ×1000 ;
 Taxa de crescimento natural (TCN) = TN – TM;
 Saldo migratório (SM) = Imigração – Emigração;
SM
 Taxa de crescimento migratório (TCM) = PA
×1000 ;
CN −SM
 Taxa de crescimento efetivo (TCE) = PA
× 1000 .

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Crescimento natural
 A redução da taxa de natalidade acentuou-se a partir dos anos 60, sobretudo
depois de 1975;
 A maior descida da taxa de mortalidade verificou-se durante a primeira metade
do século XX;
 A taxa de crescimento natural tem vindo a diminuir;
 A descida da taxa de mortalidade infantil foi mais lenta, e mais significativa a
partir da década de 60.

Saldo migratório
 A emigração e o êxodo rural tiveram maior impacte nas regiões do interior;
 A imigração tem contribuído para o crescimento demográfico, principalmente nas
regiões do litoral;
 Diminuiu na década de 60, aumentou nos anos 70 e cresceu nas últimas décadas.
Crescimento efetivo
 Considerando a tendência de redução do crescimento natural, o saldo migratório
tem sido o principal componente efetivo da população, desde os anos 90.

1.1.2 – Estruturas e comportamentos sociodemográficos


1.1.2.1 – Estrutura etária da população
A população residente em Portugal tem vindo a sofrer um contínuo processo de
envelhecimento demográfico (aumento da importância relativa da população idosa na
população total), que é resultado do declínio da fecundidade e do aumento da
longevidade.

Declínio da fecundidade
O declínio da fecundidade evidencia-se na redução dos indicadores de natalidade:
Nº de nascimentos
 Taxa de fecundidade = × 1000 ;
Nº de mulheres em idade fértil
 Índice sintético de fecundidade = Nº de crianças que, em média, cada mulher tem
durante a sua vida fértil. Atualmente, é menor que o índice de renovação de
gerações – valor mínimo do índice sintético de fecundidade para assegurar a
substituição de gerações (2,1).
Esses indicadores diminuíram devido:
 ao planeamento familiar;
 aos métodos contracetivos;
 ao aumento dos encargos com a educação e com a saúde;
 à emancipação da mulher;
 ao aumento do nº de divórcios;

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 à diminuição do nº de casamentos.

Aumento da longevidade
O envelhecimento demográfico deve-se ao aumento da esperança média de vida e do
Pop . de 75 e mais anos
índice de longevidade ( ×100 ), que, conjugados com o
Pop . de 65 e mais anos
declínio da fecundidade, conduzem a um progressivo envelhecimento da população,
evidenciado na evolução do índice de envelhecimento (
Pop . de 65 e mais anos
× 100 ). Este é mais elevado no interior do que no litoral.
Pop . entre os 0 e 14 anos

Principais assimetrias regionais


A taxa de natalidade é maior nos Açores, Algarve, Grande Lisboa e Península de
Setúbal, e menor no interior.
A taxa de mortalidade é maior no interior e menor no litoral.
O índice de envelhecimento é maior no interior e menor no litoral e Regiões
Autónomas.
Estes contrastes são resultado do êxodo rural e da emigração, que despovoaram o
interior, acentuando-se também com a maior fixação de imigrantes nas áreas urbanas
do litoral.

1.1.2.2 – Estrutura da população ativa e do emprego


Chama-se população ativa ao conjunto de indivíduos, com o mínimo de 15 anos de
idade, que constituem mão-de-obra disponível e entram no circuito económico,
incluindo os desempregados e aqueles que cumprem serviço militar. Chama-se
população inativa ao conjunto de indivíduos, de qualquer idade, que não podem ser
considerados economicamente ativos. A proporção entre a população ativa e inativa é
influenciada por alguns fatores, como:
 o envelhecimento demográfico – o aumento do número de pessoas reformadas, a
redução da taxa de natalidade e a entrada mais tardia dos jovens no mundo do
trabalho levaram a uma diminuição da taxa de atividade;
 a participação da mulher no mercado de trabalho;
 o saldo migratório, que pode fazer aumentar o nº de ativos, quando é positivo, ou
levar à sua diminuição, se for negativo.
Pop . ativa
Nas últimas décadas, a taxa de atividade ( × 100 ) tem evoluído da
Pop. total
seguinte forma:
 diminuição motivada pelo surto de emigração dos anos 60;
 aumento nas décadas de 70 e 80, devido ao saldo migratório positivo;
 aumento mais lento nas últimas décadas, pela crescente participação da mulher
no mercado de trabalho e pelo crescimento da imigração.
O setor primário, ao longo dos anos, tem dado emprego a cada vez menos pessoas,
devido ao êxodo rural e à crescente mecanização e modernização da agricultura. Tem
uma maior representatividade no Centro.

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O setor secundário tende a empregar menos população. Tem uma maior


representatividade no Norte.
O setor terciário, atualmente, emprega mais de metade da população ativa, o que
reflete a tendência de terciarização da economia, que se explica pela expansão e
diversificação do comércio e dos serviços. Tem uma maior representatividade em
Lisboa, no Algarve e na Madeira.

1.1.2.3 – Qualificação escolar e profissional


Em Portugal, os níveis de escolaridade e qualificação profissional da população
situam-se ainda abaixo dos níveis médios comunitários, apesar dos progressos das
últimas décadas:
 acentuada redução da taxa de analfabetismo e aumento da taxa de alfabetização;
 aumento dos diferentes níveis de escolaridade em geral;
 aumento da escolaridade feminina nos níveis mais altos;
 redução da população ativa sem instrução e um aumento relativamente
acentuado da que detém níveis de escolaridade mais elevados.
É importante a promoção de políticas de emprego que contemplem a formação e a
reabilitação profissional, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida, de modo a
permitir a diversificação de competências profissionais que confiram uma maior
adaptabilidade e, assim, maior empregabilidade.

1.1.3 – Os principais problemas e possíveis soluções


1.1.3.1 – Problemas sociodemográficos
Envelhecimento demográfico
O declínio da fecundidade e o aumento da esperança média de vida refletem-se no
envelhecimento demográfico e na diminuição do nº de ativos, dificultando a
sustentabilidade social e económica.
O envelhecimento da população reduz o índice de sustentabilidade potencial (ISP) –
Pop . entre os 15 e 64 anos
= nº de ativos por cada idoso – o que leva à diminuição
Idosos(65 e mais anos)
das contribuições da população ativa. Em conjunto com o aumento das despesas com
a saúde, serviços de apoio aos idosos e pensões de reforma, há um desequilíbrio
crescente das contas da Segurança Social.
O envelhecimento demográfico revela-se nos índices de dependência:
Jovens (0−14)
 Jovens – × 100 – baixou devido à redução da população
Pop . ativa(15−64)
jovem.

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Idosos (65 e+anos)


 Idosos – × 100 – agravou devido ao aumento da
Pop . ativa(15−64)
população idosa.
Jovens+ Idosos
 Total – ×100 – diminuiu, embora tenha uma tendência
Pop . ativa
crescente.
Os índices de dependência total e idosa são menores nos Açores e na Madeira, onde
o ISP é maior, e são maiores no Alentejo e no Centro, onde o ISP é menor.

Défice de qualificação e situação perante o emprego


O défice de qualificação da população ativa em Portugal é potenciador do
desemprego, porque dificulta a adaptabilidade e a reconversão profissional.
Devido à crise económica mundial e ao seu grave impacte em Portugal, a taxa de
Pop . desempregada
desemprego ( ×100 ) tem vindo a aumentar:
Pop . ativa
 os jovens dos 15 aos 24 anos são o grupo etário com maior dificuldade de inserção
no mercado de trabalho;
 o desemprego feminino é ligeiramente menor;
 no nível de escolaridade superior, a taxa de desemprego é menor.
Ao nível regional, a taxa de desemprego é menor no Centro e maior em Lisboa.
Outros problemas são o desemprego de longa duração, o emprego temporário e o
subemprego.

1.1.3.2 – Possíveis soluções


Rejuvenescimento da população
Para rejuvenescer a população, deve-se incentivar o aumento da natalidade:
 aumento dos abonos de família;
 redução dos impostos;
 alargamento do período de licença de parto;
 desenvolvimento de serviços de apoio à conciliação entre a vida familiar e
profissional:
 promoção de empregos mais seguros e melhor remunerados.
Outra forma de rejuvenescer a população é favorecendo a imigração, que vem:
 aumentar e rejuvenescer a população ativa;
 influenciar positivamente a natalidade;
 contribuir para a sustentabilidade das contas da Segurança Social.

Valorização da população
Deve-se valorizar a população ativa, através da sua formação escolar e profissional:
 aumento dos níveis de escolaridade e de qualificação profissional;
 promover a adaptabilidade e reconversão profissional através do reforço da
formação inicial e da aprendizagem ao longo da vida;
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 promover uma maior facilidade na transição dos jovens para a vida ativa;
 formação no domínio das novas tecnologias e áreas de maior oferta de emprego;
 igualdade de género;
 melhoria das condições de higiene e segurança.

1.2 – A distribuição da população


1.2.1 – Contrastes e principais fatores
1.2.1.1 – Contrastes
Pop. total (nº de habitantes)
Em Portugal, a densidade populacional ( ) é:
Superfície do território (km2)
 maior no litoral ocidental (Setúbal a Viana do Castelo), litoral algarvio e concelhos
do sul da Madeira. Assim se revela a:
 litoralização – concentração da população e das atividades económicas no litoral;
 bipolarização – densidade populacional bastante mais elevada nas duas áreas
metropolitanas de Lisboa e Porto.
 menor no interior, litoral do Alentejo e maior parte das ilhas açorianas,
consequência do êxodo rural e da emigração.

1.2.1.2 – Fatores
Fatores físicos
Onde a dens. pop. é maior:
Onde a dens. pop. é menor:
 Clima mais húmido e ameno;
 Relevo menos acidentado, com  Alta amplitude térmica e secura
planícies; acentuada;
 Extensa linha de costa;  Relevo mais acidentado;
 Solos mais férteis.  Menor acessibilidade natural;
 Solos mais pobres.

Fatores humanos

Onde a dens. pop. é maior:


Onde a dens. pop. é menor:
 Prática agrícola mais moderna e
produtiva;  Condições naturais menos propícias à
 Mais cidades e áreas urbanizadas; agricultura;
 Maior densidade e qualidade das  Menos serviços;
redes e infraestruturas de transporte e  Menor densidade e qualidade das
comunicação; redes e infraestruturas de transporte e
 Maior implantação de atividades comunicação;
industriais e terciárias – maior oferta  Menor implantação de atividades
de emprego. 6 industriais e terciárias – menor oferta
de emprego.
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1.2.2 – Problemas e possíveis soluções


1.2.2.1 – Problemas

Onde a dens. pop. é maior:


Onde a dens. pop. é menor:
 Desordenamento do território;
 Sobrelotação de equipamentos,  Envelhecimento demográfico;
infraestruturas e serviços;  Despovoamento;
 Congestionamentos de trânsito;  Abandono dos campos;
 Degradação ambiental;  Falta de mão-de-obra;
 Desqualificação social e humana.  Degradação do património natural e
edificado.

1.2.2.2 – Soluções
 Ordenamento do território;
 Melhoria das acessibilidades;
 Criação dos serviços essenciais de apoio à população;
 Desenvolvimento das atividades económicas geradoras de emprego e qualificação
da mão-de-obra;
 Concessão de benefícios e incentivos a empresas e a profissionais qualificados.