A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SÉRIES INICIAIS COMO INSTRUMENTO DE INFORMAÇÃO, APRENDIZAGEM E LAZER.

Temática: Uso e impacto de las TCI en la Educación, la Ciencia y la Cultura Elaine De Paula – Profª Especialista Creche Municipal Joel Rogério de Freitas – Fpolis - SC Giovani De Paula – Capitão Profº Especialista Núcleo de Pesquisa, Inovação e Tecnologia em Segurança Pública - NuPITEC José Luiz Gonçalves da Silveira – Capitão Prof. Doutorando Núcleo de Pesquisa, Inovação e Tecnologia em Segurança Pública - NuPITEC Endereço para correspondência: Rua Desembargador Gil Costa – 310 , Apto 404, bloco A Florianópolis – Santa Catarina - Brasil CEP: 88.450-070 gonsalves@matrix.com.br 1 INTRODUÇÃO As exigências educativas da sociedade contemporânea são crescentes e estão relacionadas às diferente dimensões da vida das pessoas: ao trabalho, à participação social e política, à vida familiar e comunitária, às oportunidades de lazer e desenvolvimento cultural. O mundo passa atualmente por uma revolução tecnológica que está alterando profundamente as formas de trabalho e de interação, onde, numa economia cada vez mais globalizada, a competitividade desponta como necessária à subsistência humana. No afã de auto-superar o homem moderno terminou o século XX em desarmonia consigo mesmo, sem reflexão crítica sobre as suas reais necessidades, as quais deveriam permear o próximo milênio. Sobre este prisma, torna-se oportuna a discussão sobre as formas de lidar com os novos tempos e, portanto, emergir o discurso sobre a qualidade de ensino na escola, atentando para a ascensão no nível de educação de toda população e detectando os fatores que possam atender às novas exigências educativas que a própria vida cotidiana impõe de maneira crescente no meio social. Neste sentido, um dos instrumentos imprescindíveis para uma formação geral e que possibilite cidadãos críticos, autônomos e atuantes, nesta sociedade em constante mutação, seria a prática de leituras variadas que promovam, de maneira direta ou indireta, uma reflexão sobre o contexto social em que estão inseridas, uma vez que o movimento dialético da leitura deve inserir o leitor na história deste milênio e o constituir como agente produtor de seu próprio futuro. O exercício da leitura, tal qual se encontra atualmente legitimado nas escolas, não vai além de mera decodificação de signos gráficos, os quais são permeados de fragmentos de livros didáticos, para não fugir à regra imposta

coativamente ao longo dos tempos da história do ensino em nosso país, servindo como fonte de disseminação de uma ideologia, a ideologia que vai ao encontro dos interesse dos detentores do poder: a massificação e formatação do conhecimento humano. Tal postura transforma o ato de ler enfadonho, acrítico, mecânico e, dessa forma, distante de uma categoria que una o ato de ler ao prazer, que permita a leitura como fonte de lazer. As fracas experiências com a leitura afasta o leitor do contexto social e cultural, faz com que desconheça o que de mais profundo o homem pensou e escreveu sobre si, alienando-se das informações e, conseqüententemente obsta sua participação ativa e efetiva na sociedade em que está inserido. Por esta perspectiva, obvia-se a necessidade da formação de leitores, pois se percebe que sua participação no contexto social depende de sua visão de mundo, de seus valores, de seus conhecimentos, de sua reflexão e visão crítica, enfim, da leitura como instrumento do conhecimento. Diante dos impasses tecnológicos e culturais do final do milênio, a Escola se revela como uma das instituições mais ameaçadas pelos novos rumos da sociedade. Espaço privilegiado do saber, a Escola mantém a escrita da palavra como texto básico no ensino, embora o mundo das imagens virtuais já faça parte da realidade de muitos alunos. A velocidade das novas linguagens invadiram o cotidiano, atropelando o ritmo harmônico do aprendizado, e ao pretender uma atualização, a Escola assimila o novo sem a devida reflexão. Ou seja, persiste num ritmo de leitura pouco apropriado à formação do pensamento crítico, com as informações e novidades sendo incorporadas de maneira aleatória, sem uma visão científica necessária para a construção do conhecimento. Na pressa de estar em sintonia com as inovações, a Escola desconsidera o processo formador de aprendizagem, limitando-se a investir na circulação de imagens e deixando de observar a qualidade dos textos que oferece a seus alunos como fonte de leitura, promovido no seu espaço. Priorizando a substituição do conhecimentos por informação, a Escola se descompassa e, sem formar leitores críticos ou incutir o hábito da leitura, prepara mal o cidadão que escreverá o “texto futuro”, que escreverá e perpetuará a nossa história. Nesta perspectiva, o exercício da leitura transcende, em muito, a utilização de materiais, muitas vezes empregados como modismos em sala de aula. A formação do leitor impõe-se como prioridade a ser seguida, pressupondo a figura do professor como interlocutor ativo no diálogo da leitura, a fim de instigar e promover leitores que estejam à procura de respostas às suas próprias indagações e a desconfiar dos sentidos das letras impostas por textos insignificantes para, desta forma, encontrar nos livros, a fonte de sua sabedoria e inspiração, resgatando a história do conhecimento, tão necessária nos novos tempos, em que as mudanças são rápidas e atropelam o próprio “saber humano”. O desafio se encontra na necessidade da busca e implementação de mecanismos que propiciem a atração pela leitura na mais tenra idade, na fase da infância, em que a criança está descobrindo seu microcosmo, seu mundo, está despertando para a realidade subjacente e tentando participar desta realidade com suas novas fantasias e descobertas.

A criação dessa disponibilidade. invenção. posteriormente e num estágio mais avançado das civilizações. Daí o surgimento das inscrições rupestres.1 Origem e Importância da Leitura Desde os primórdios da civilização o homem busca habilidades que lhe tornem mais útil a vida em sociedade e que lhe possam tornar mais feliz. sem rupturas no processo ensino-aprendizagem. esta liberdade do leitor que desloca e subverte aquilo que o livro lhe pretende impor. produção de significados. Através da leitura e da escrita o homem conseguiu estreitar os laços de afetividade com seus semelhantes.. simbologia.” 2. transformando a leitura como algo agradável. através da escrita demonstrar aos leitores a relevância do educador na formação de novos leitores. fonte não apenas de informação. resolver os seus conflitos e se .) Apreendido pela leitura. a fim de que o entretenimento que ela busca a motive e recompense. os hieróglifos e as esculturas que denotavam sua própria e mais nobre conquista: a conquista de ser.) deve ser dado à criança algum livro fácil e agradável. cria outras disponibilidades. adequado à sua capacidade. (. numa concepção de que. É o que se pretende ao longo deste trabalho monográfico de pesquisa bibliográfica. ou seja. afirmava o filósofo John Locke: “(. harmonizar os interesses.. que ensejava respeito e admiração pelos companheiros de tribo. mas principalmente de lazer. a leitura pode ser empregada como mecanismo de lazer. o texto não tem de modo algum – ou ao menos totalmente . em seu princípio. Nesse contexto surge a escrita e a leitura como imanentes à própria história da civilização. pois ela é a básica. A criação de mecanismos que possibilitassem a disseminação de seu conhecimento tornava-se um imperativo de saber/poder.. Toda história da leitura supõe.o sentido que lhe atribui seu autor. já no século XVII.” A Escola insere-se neste contexto como instrumento hábil a implementar a leitura na Educação Infantil e Séries Iniciais. dela provém as demais.Oportuno citar o que. que chamamos escrita e leitura. 2 A LEITURA “A leitura é sempre apropriação. motivando os jovens leitores através de uma mudança de concepção. seu editor ou seus comentadores. cultura e formação..

mais cedo germinará bons f resultados. a fantasia dos deuses. para sua formação integral. pelo espírito. O homem se organizou politicamente. que é o de oferecer aos alunos mecanismos e situações em que eles “aprendam a ler e. um meio e não um fim em si mesma. originando a busca da informação. o mito poético que sempre embalou o homem. Na busca desse conhecimento. sobre o que passaremos a discorrer nas próximas linhas. como centro de convergência de todos os outros interesses. aprendam algo”. muitas vezes o único acesso disponível para a maioria do público infantil. o mundo da leitura. A busca do conhecimento tornou-se imperativa para novas conquistas e para o estabelecimento do homem como ser social. a infância como uma fase especial de evolução e formação do ser.2 Escola e Leitura No que se refere à Escola e aos objetivos da leitura ou ao “Para que ler na escola?”. levando-a a usar o raciocínio e a cultivar a liberdade e o hábito da leitura. No dizer de Bárbara Vasconcelos de Carvalho: “O conto infantil é uma chave mágica que abre as portas da inteligência e da sensibilidade da criança. pode-se afirmar que ainda não existe nos currículos conhecidos e analisados. percebe-se que quanto mais cedo o homem iniciar. O que fez andersen o grande escritor universal e imortal foram as estórias ouvidas quando criança. Mas voltando-nos ao campo do conhecimento humano. que é o que por ora nos interessa. daí a importância da Educação Infantil para enriquecer essa imaginação da criança. Oportuna a citação: . Ou seja. não é de se olvidar a relatividade da importância dos livros didáticos. uma concretização de um pressuposto geral básico. descortinaram as portas do saber. Daí a importância do papel da escola em relação à leitura. Se dimensionarmos essa função social como sendo a necessidade do conhecimento e a apropriação de bens culturais. do seu prazer. e conhecimento também é arte. do saber humano. ensinando-lhe a libertar-se no plano metafísico. o da articulação entre a função social da leitura e o papel da escola na formação do leitor. lendo. com a abstração a que nominamos “Estado”. que se perpetua ao longo da história da civilização. a imaginação humana é imperiosa para a construção do conhecimento. o mundo da simbologia. 2. qual seja. Com o desenvolvimento da linguagem.organizar num estágio atual da civilização. oferecendolhe condições de liberação saudável. a leitura funciona. em certa medida.” Por outras palavras. a força das mensagens humanas aperfeiçoou-se a tal ponto ser imprescindível à sua própria existência. deve despertar-lhe para este mundo. Nessa caminhada na construção do conhecimento humano.

o som e o ruído das palavras.P. e a escola representa a única oportunidade de ler que muitas crianças têm. agir e sentir do povo brasileiro. Essa produção de sentido. mormente no que concerne aos caminhos por onde permeiam na construção do seu conhecimento. dúvidas e indagações.“ A escola precisa ser um espaço mais amplamente aberto a todos os aspectos culturais do povo. Precisa investir em bons livros. às oportunidades de lazer e desenvolvimento cultural. que lhe possibilitarão a leitura.7) O conceito básico de leitura. não sei também como possa ser palavra. portanto. aquilo que ouvi pronunciado como palavra enquanto não lhe conhecer o significado. considerando que a cultura de um povo se fortalece muito pelo prazer da leitura. Nesse sentido. com os seus objetivos.” (Sto. que representa o conjunto de formas de pensar. o conhecimento completo das palavras. por consegüinte. à vida familiar e comunitária. e ir além do ensinar a ler e a fazer as quatro operações. segundo entendimento de alguns autores como elemento principal. as exigências educativas da sociedade contemporânea são crescentes e estão relacionadas às diferentes dimensões da vida das pessoas: ao trabalho. passa ser então a “produção de sentido”. se efetivará pelo hábito da leitura. a construção do conhecimento. porque. uma vez inserida e enfatizada no contexto escolar. 3 A LEITURA NA ESCOLA: COMPROMISSO DE TODAS AS ÁREAS? “Com as palavras não aprendemos senão palavras. É necessário propiciar nas salas de aula e na biblioteca a dinamização da cultura viva. é determinada pelas condições socioculturais do leitor. seus conhecimentos de mundo e de língua. Agostinho: De Magistro) Como já salientado em outras linhas. . à participação social e política.1985. antes. diversificada e criativa. é principalmente através da leitura que os alunos poderão encontrar respostas aos seus questionamentos. Afinal. Só depois de conhecer as coisas se consegue. se o que não é sinal não pode ser palavra. e não apenas vinculados e adstritos a uma metodologia tradicional. nesse contexto.” (BRAGA. dentre outros aspectos.

Neste. num contexto cada vez mais globalizado. onde educador e educando sejam vistos como agentes e sujeitos simultâneos nas relações de ensino e aprendizagem. principalmente. Indiscutivelmente. a legitimação das diferenças entre os grupos sociais. referindo-se especificamente as aulas de língua portuguesa. atual passa por uma revolução tecnológica que está alterando profundamente as formas de trabalho e de interação entre as pessoas e as entidades. esta é. torna-se salutar discutir as diferentes formas de lidar com esses “novos tempos” e. provavelmente uma das mais relevantes maneiras com que se possa atender às novas exigências educativas que o cotidiano impõe de maneira sistemática e crescente nas relações sociais: A discussão crítica e aberta da educação. o ensino tradicional de língua portuguesa pode ser caracterizado por seu feitio predominantemente normativo e conceitual. não será um “excluído”. considerado por muitos como conditio sine qua nom para o desenvolvimento. submetendo-os à rígida formalidade gramatical Tais elucubracões nos induzem a repensar quais as maneiras mais adequadas para abordar a língua portuguesa na Educação Infantil e Séries Iniciais. na atual prática pedagógica. a instituição escolar deve se constituir num espaço que produza conhecimento. todo e qualquer processo de construção deve estar engajado numa prática democrática. dentro deste contexto. deveriam permear o momento contemporâneo em que vivemos. privilegiando-se um modelo ancorado na visão da língua como um código fechado e estático. ou seja. numa nova concepção humanista. constata-se. que vem se perpetuando ao longo das gerações. delineando papéis desprendidos da mitificação unilateral ou seja. a necessidade de se fazer emergir a discussão sobre a qualidade de ensino nas escolas. acompanhando a evolução da sociedade em constante mutação. encontra-se inserido de maneira inarredável. atentando para a ascenção no nível de educação de toda a população. historicamente estigmatizadas como sendo inadequadas. Por este viés . percebendo-a como uma forma de interação entre sujeitos. Em sua constante e ansiosa busca de auto superação. o qual. cônscio de seus direitos e obrigações. A transformação das condições de reprodução desse processo. pela dicotomia formada pela língua padrão que é utilizada na instituição escolar. Trilhando por essa linha de pensamento. o ápice do processo ensino aprendizagem resulta na memorização de regras e conceitos dissociados das práticas cotidianas da língua falada dos alunos. apenas para exemplificar. Dessa forma. e a superação dos limites em prol de uma atuação positiva. participará de maneira efetiva do “pacto social”. do momento político-social e cultural em que se encontrar. e aquela normalmente utilizada pelos alunos de classes populares. em especial da Educação Infantil e Séries Iniciais em razão de sua importância na formação inicial do futuro cidadão. de maneira a concebê-los como produtores do discurso em .O mundo. senão a única. o homem moderno fecha o século XX em desarmonia com o tempo de reflexão e da crítica que. ocasionados. Sob esse prisma. valorando a iniciativa à pesquisa. passa necessariamente por uma revisão na concepção de linguagem que encaminha o ensino da língua portuguesa de forma holística.

que ocorre a apreensão dos alunos das normas convencionais. como num jogo de adivinhações. não servindo apenas como uma atividade meramente de cópia ou de decodificação dos sinais gráficos. escrita e reescrita de textos significativos. publicidades. de entregar-se a essa leitura. mas sim. é estar contextualizado no texto. revistas. ler é produzir sentido. questione. onde através da apropriação do conhecimento historicamente constituído. Muito além disso. alienando os alunos do contexto em estão inseridos. Nesse sentido. sente e dialoga pois segundo LAJOLO apud GERALDI. dentre outros recursos. dentre as quais citamos algumas como: trabalho com imagens. jogo de rimas. Dessa forma.. (1985. caminhada de leitura. o aluno esteja inserido nessa construção e produção do conhecimento como elemento nuclear. não convém obrigar o público infantil a reproduzir exercícios de fixação. sendo imprescindível tal postura na formação inicial do futuro leitor. . É na leitura.91): “Ler não é decifrar. Portanto. texto coletivo. interação. com base nos vários meios da escrita e leitura existentes na realidade circundante. produção de textos. ou rebelar-se contra ela. jornais. de maneira a facilitar e permitir que o aluno observe.contextos sócio histórico determinados. interpretando-o e atribuindo-lhe algum significado. atividades com rótulos. e construção de subjetividade e conhecimento. ler e produzir textos nas escolas deve estar associado a ação simbólica sobre o mundo. p. notícias de jornal. É . o sentido de um texto. explore. onde o aluno consiga constituir-se como um sujeito que pensa. conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um. a leitura e a escrita são componentes dinâmicos. propondo outra não prevista. Aliado à essa interação com o meio. sem que ocorra necessidade .” Assim. etc. música. a partir do texto. vinculados a um contexto social que não pode ser reduzido a um aprendizado técnico lingüístico e entendido como um fato neutro e linear. leitura e escrita como processo discursivo e de produção de sentido. proporcionar práticas de leitura e escrita em contextos significativos que estabeleçam uma estreita familiarização com todo um suporte de materiais escritos disponíveis: livros. se percebe que devem englobar todas as disciplinas e todos os níveis de ensino. ser capaz de atribuir-lhe significado. torna-se importante a criação de situações para que o exercício da leitura e escrita produzam reações. critique. Sob este prisma. analise. reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e dono da própria vontade. as relações no processo de construção da linguagem devem seguir algumas técnicas que tornarão o ensino mais agradável e produtivo. que resulta apenas em palavras e frases desconexas e sem sentido aparente para o leitor.

é a essência da questão. como crônicas. que tradicionalmente transmite um conhecimento fragmentado. Pois se ler é produzir . isto é. transformam-se numa leitura prazerosa e natural. a leitura. ou ainda que atente apenas para a linearidade da escrita. enfim. estimulando o aluno a empenhar-se na realização consciente e divertida de um trabalho lingüístico que lhe faça muito mais sentido. Com essa concepção. Outros textos. fazendo com que o aluno “dê asas à sua imaginação” sem os exageros dos pruridos da lógica formal de nossa língua. interlocução e inferências. além de levá-los a refletir sobre as intenções subjacentes de cada palavra. como os conhecidos “gibis”. e muito menos ao livro didático.. mas é o de tentar apoiar-se sobre estas práticas incontroladas e disseminadas para conduzir esses leitores. O problema não é tanto o de considerar como nãoleitura estas leituras selvagens que se ligam a objetos escritos de fraca legitimidade cultural. músicas. 2000): “(. por exemplo. tendo como base suas vivências e expectativas. libertando-o de axiomas preconcebidos. mas lêem coisa diferente daquilo que o cânone escolar define como uma leitura legítima. e encontrar outraas leituras. É preciso utilizar aquilo que a norma escolar rejeita como um suporte para dar acesso à leitura na sua plenitude. próprias de nossa língua portuguesa. mas também a textos cotidianos. charges. não pode estar associada somente ao livro de literatura. o de despertar a atenção e o interesse do aluno pela leitura. 103-104.) Aqueles que são considerados não leitores lêem. que estabelecem uma estreita ligação com o leitor através do repertório comum e de uma linguagem coloquial. o paradigma de que o aluno precisa escrever para que o professor corrija precisa ser transformado na instituição de uma escrita que sirva de mecanismo de prática e interação. mas sim almejando o significado das suas formas de construção. poesias. pela escola. ao encontro de textos densos e mais capazes de transformar a visão do mundo. Através de materiais e contextos significativos.de memorização de uma infinidade de regras e exceções.. Nas palavras de Roger Chartier (pg. alienado e alheio à realidade dos alunos. mas também sem dúvida por múltiplas outras vias. Este aspecto. as maneiras de sentir e de pensar.” A concretização positiva na escola está no desafio dos professores em olhar para as produções dos alunos com uma visão não somente crítica e que busque os seus erros.

convém que recorramos às palavras de Denise Fernandes Tavares: “O sorriso. do latim “ inter esse”. Neste diapasão.. as relações de produção. que significa “estar entre” . fazendo-as amar o livro estaremos assimilando responsabilidades e cumprindo o nosso dever com as gerações que formarão os homens de amanhã. ou seja. pesquisas sobre conteúdos programáticos.. que o faça entender-se não apenas como produto. estar engajado. a sua certeza íntima que estamos abrindo novos horizontes e possibilidades para centenas de crianças. e também como agente de transformação de uma realidade que não é estática. com olhar ativo e crítico. envolvido. muitas vezes o único acesso disponível para a maioria do público infantil. que brinca. compensa a luta que possamos ter. mas. será possível auxiliar o aluno na construção do conhecimento. mas dinâmica e suscetível `a constantes mudanças.) A ideologia contida no livro didático serve para consolidar a hegemonia da classe dominante e. Criando-se fantasias. como partícipe da construção da história da coletividade. através da leitura. tal só ocorrerá se houver interesse. dandolhes o hábito da leitura. O livro didático vêm despertando a atenção dos mais variados segmentos da pedagogia moderna. a alegria duma criança que lê.. E compensa. não é de se olvidar a relatividade da importância dos livros didáticos. para que aquele sorriso e aquela alegria existam. 4 ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO E SUA RELEVÂNCIA NA FORMAÇÃO DO LEITOR "(. acima de tudo. conteúdos . aflorando seu pensamento infantil e sua capacidade intuitiva para a realidade circundante.)" FREITAG.” Nessa caminhada na construção do conhecimento humano. o público da educação infantil e séries iniciais precisa ser estimulado. aspectos psicopedagógicos e metodológicos. através da multiplicidade de linguagem. com ela. Na criação e formação de sua própria identidade. que ouve estórias.(. ainda.. Atenção investigativa e descritiva. empenhado. sobre o que passaremos a discorrer nas próximas linhas. Assim. despertando o seu potencial imaginativo.sentido. Estaremos ensinando quanto vale o livro.

fazendo com que os . para a disseminação de idéias que. um meio de enriquecer as aulas. muitas vezes também único. que tem como objetivo analisar e selecionar os principais livros que merecem integrar o catálogo de compras do governo. Nesse sentido. no entanto persiste o ensino. dos diferentes modelos pelos quais tem pautado sucessivamente suas concepções e práticas pedagógicas. Assim. ou seja. o livro didático institui-se.. induzindo à crença de que a ninguém é permitido ignorar o conhecimento. Atualmente. das práticas sociais. sobretudo. o propósito inicial do livro didático é subsidiar a prática educativa de forma que se assegurem informações suficientes para modelar o conhecimento a ser adquirido pela grande maioria da população. das ciências. característica esta que parece constituir sua própria essência: “a Escola é uma instituição burocrática. eis que com o surgimento do guia do Livro Didático. na Escola. como instrumento para assegurar a aquisição dos saberes escolares. isto é. de fazer a escolha certa dos livros a serem usados e discernir sobre quais as informações relevantes e que estará transmitindo em sala de aula. historicamente. fizemos a constatação de que os livros didáticos são os mais lidos em todo país. seleciona-se no campo da cultura. a avaliação. daqueles saberes e competências julgados indispensáveis à inserção das novas gerações na sociedade. poderão se transformar em uma ferramenta de dominação. muitas vezes. na prática pedagógica. Assim. a escolha do livro didático evoluiu no que concerne às práticas pedagógicas.ideológicos. dentre outros aspectos. divide-se e controla-se o tempo. mal empregadas. idéias desatualizadas.. um livro de qualidade? Apesar das grandes mudanças que a escola tem experimentado ao longo dos tempos. estanque e controlado ou manipulado. fundamentalmente ortodoxa: nela se ordenam e se hierarquizam ações e tarefas. extraída da revista VEJA de nº . e não um fim em si mesmo. são fatores com os quais talvez se possa entender as polêmicas em curso no nosso sistema educacional: Manter ou rejeitar o livro didático? Defendê-lo ou condená-lo? O que é. parcelado. com pouca ou nenhuma inovação. Em contraposição à essa realidade. afinal. os saberes e as competências a serem ensinados. o livro didático pode ser.. sofrem um processo de fragmentação e seleção. aprendidos e avaliados.. o professor acaba sendo um referencial. bem antes que o estabelecido em Programas e Currículos. Respaldando a argumentação. o ensino. se organizam e se distribuem em categorias alunos e professores. regula-se e avalia-se o trabalho. destacou os erros conceituais. portanto. pois organizam de maneira sistemática com seqüências progressivas e antipedagógicas o ensino torna-se em síntese didatizado e meramente escolarizado. disseminar uma ideologia: a ideologia daqueles que detêm os Fatores de Poder. a aprendizagem. uma característica é mantida. principalmente do professor. 7 de fevereiro de 2001. elaborado pela Secretaria do Ensino fundamental do Ministério da Educação (MEC)... conforme pode ser observado na pesquisa constante no ANEXO I. o único instrumento de leitura que a grande camada da população escolar têm à sua disposição. dos conhecimentos.. a transmissão do saber. Daí a responsabilidade. Tendo a consciência de que o livro didático é.. quando funciona como um veiculo único de informações com suas verdades absolutas e incontestáveis.

Tal ação fará com que estes se tornem construtores de seu próprio espaço. inexistia. Tais iniciativas são de grande ousadia e relevância. através da investigação de suas necessidades e interesses. de maneira a que ocorra uma interação com situações de seu cotidiano. na qual a criança passou a ocupar um espaço privilegiado. nos dão indicativos de melhoria nas práticas que se direcionam na busca de uma melhor qualidade na educação. por motivos econômicos. estimulará os alunos a refletirem sobre a realidade circundante de modo a que percebam. deve atentar também para a qualidade de suas aulas. Com intuito de capacitar cidadãos a fim de enfrentar um mercado de trabalho tão competitivo . principalmente com o advento do Capitalismo e da Supremacia burguesa. Por esta mesma linha de pensamento. As críticas aos livros didáticos e a intervenção do governo na sua revisão. pois vasculham em interesses de grandes editores que. no entanto. com particularidades que deveriam ser respeitadas. em que se torne interessante incentivar e implementar a pesquisa dos alunos de mais de um livro didático. Cumpre ressaltar que o grande responsável pelo bom uso do livro continuará sendo o professor que. atentando principalmente para a qualidade dos conteúdos. vistas como adultos em miniatura. Antes disso. através de práticas criativas e dinâmicas. fizeram com que surgisse uma nova organização familiar e educacional. Naqueles tempos não havia histórias dirigidas especificamente ao público infantil. movidos. pois outros aspectos subjacentes devem ser considerados nessa avaliação. respaldará sua escolha nos livros que pretenda utilizar. em sua grande maioria. não atentam para a imprescindível qualidade que deve existir nos livros didáticos. a articulação dos conteúdos dos livros didáticos. Destarte. enquanto período de desenvolvimento humano. da vida adulta. sem discussões e reflexões a respeito.autores e editores negligentes sejam mais cuidadosos nas revisões de seus exemplares.conhecimento. conhecendo a realidade de seus alunos. Tal metodologia comprometeria sobremaneira o desenvolvimento intelectual das futuras gerações. com uma leitura critica. os significados subjacentes de cada texto ou situação. o professor como sendo grande responsável pelo processo ensino aprendizagem dos alunos e pela adoção da leitura que estes fazem em sala de aula. as crianças. As profundas transformações ocorridas no âmbito social e econômico. Pouco adiantaria mudar o conteúdo se o professor continuasse adotando uma prática tradicional de ensino. fazendo com que seus alunos se limitassem a copiar e a memorizar textos. 5 A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA NA FORMAÇÃO DE LEITORES Numerosos estudos nos fazem supor que os livros preparados para a infância remontam ao final do século XVII. participavam desde a mais tenra idade . pois a infância. não se pretende mascarar a precariedade educacional com um discurso dogmático que releve apenas as publicações didáticas de má qualidade.

” Por esta perspectiva. tem a função de desacomodar o aluno. vejamos: “O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante. é oportuno reforçar a assertiva de que o professor deve selecionar diferentes tipos de textos. devendo fazer circular em seu meio uma diversidade de materiais.” Sob este prisma. dentre eles. para um desenvolvimento social sustentável. Com o passar dos tempos e com o surgimento de novos autores. o professor precisa estar capacitado e preparado para provocar em sala de aula. romper com a alienação(.já naquela época. um alargamento vivencial para as crianças. literários ou não. fica com a tarefa primordial de assegurar aos seus alunos o aprendizado da leitura. Nesta direção.) já que ler não é apenas decodificar signos gráficos. não como habilidades lingüísticas. aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora através das influências da atmosfera cultural geral e dos esforços conscientes da educação e bibliotecas públicas. despertar-lhe o senso crítico. que projetem a vida contemporânea do local onde os alunos estão inseridos.. tornava-se imperioso o preparo eficiente das crianças para o trabalho e. bem como de outros .. a linguagem. especialmente o livro. em consonância com o discurso de STÜBIE (1997): “A leitura na escola. Conforme FREIRE (1996): “(. que principia no lar. A Escola há que estar atenta para a formação do leitor. através da disseminação de uma leitura prazerosa e ao mesmo tempo vinculada à construção do conhecimento. é a precondição de qualquer realização humana”. mas como um processo de descoberta e de atribuição de sentidos que venha possibilitar a interação leitor-mundo.) O ato de ler não se esgota na decodificação pura da palavra escrita (. a partir de leituras diversificadas. embora persistissem resquícios ideológicos amalgamados à transmissão de valores da sociedade então vigente. conforme Eriche Fromm “o elemento básico da cultura.. permitindo assim... que promovam a formação de leitores livres. consequentemente. Nesse desiderato a Escola deve estar atenta à esta concepção da leitura como fonte do conhecimento e de sua responsabilidade na formação do leitor. discussões que conduzam os alunos ao estabelecimento de elos com outras realidades. com conteúdos ricos e variados. criada com uma concepção ideológica compro metida com um destinatário específico: a criança. reorganiza-se a Escola para que a atenda às novas exigências. a prática da leitura. como espaço socializador do conhecimento.. Nesse sentido. os livro infantis vão gradativamente sofrendo transformações e promovendo. Bamberger nos dá alguns indicativos que podem ser aplicados pela Escola para induzir o hábito da leitura aos seus alunos. Concebe-se assim. a Escola. repensando-se todos os produtos culturais destinados a infância e.) A leitura do mundo precede a leitura da palavra.” Surge assim a Literatura Infantil. a efetivação do real sentido do que está sendo lido. Senão .

a que alguns poucos alunos já têm acesso. a Escola deve estar atenta ao uso que se faz dos recursos eletrônicos e definir . De se considerar: discussões.Ler criticamente é admitir pluralidade de intrpretação. Onde o saber é livre. desvelar significados ocultos. busca construir mecanismos eficientes a fim de competir com o advento dos recursos visuais. por que não dizer metafísica da importância da leitura e do saber humano.. os diversos pontos de vistas. auditivos e multimídia. ó meu Pai. então a leitura só pode ser compreendida numa perspectiva crítica..” ( INDURSKY e ZINN. O desenvolvimento intelectual da população representa um fator políticosocial básico para o alcance do progresso e aspiração de toda a sociedade. (.lugares e tempos. Por exemplo. despertar a consciência. A amplitude que enseja a formação desses agentes se inicia na Educação Infantil e Séries Iniciais. por meio dela. Onde a clara fonte da razão não perdeu o veio no triste deserto de areia do hábito rotineiro.. façamos uma reflexão sobre as palavras de Rabindranath Tagore-Gitanjali: “Onde o espírito vive sem medo e a fronte se mantém erguida. o que promoverá a consolidação da sustentação de um país que intitula-se como um Estado Democrático de Direito e que tem como um dos seus fundamentos constitucionais básicos a educação como “direito de todos e dever do Estado e da família (. Dentro desse céu de liberdade. “Se educar é preparar para a vida. Onde o mundo não foi dividido em pedaços por estreitas paredes domésticas. compreender e transformar a realidade. estimulando reflexões e confrontos entre os alunos. resgatar a consciência do mundo.. estasbelecendo.)”. em pensamento e ação sempre crescentes.) Para que possam crescer felizes as crianças. aqueles que irão representar os interesses nacionais no plano internacional hão de estar plenamente capacitados para esse mister. no entanto.. deixa que se erga minha pátria. p 23 ) Com a virada do milênio a escola. Onde o espírito é levado à Tua Presença. Numa visão holística e. uma relação dialética com o texto. não há como negar os avanços tecnológicos.” Nesta ótica. visando incentivar o hábito da leitura. 1985. e esta não pode estar à margem da modernidade. Onde o esforço incansável estende os braços para a perfeição. Onde as palavras brotam do fundo da verdade.

Ambiente físico: o espaço da leitura deve ser agradável. pois fornece as crianças informações. propiciando ao leitor elaborar seu próprio conhecimento. quando o tempo da reflexão assegura um diálogo em que as experiências de vida são compartilhadas. incumbida então da função de promover a formação do leitor. facilitar a escrita. 3.” ( www. que se sente inibido e receoso de tocar nas obras. a que impõe a leitura aos seus alunos.com clareza quais objetivos a serem atingidos com o seu uso.. muitas vezes restrita. ao contrário do que ocorre na leitura do livro. terá que rever as condições. ao invés de serem sujeitos de sua própria leitura e criação. seja na sala de aula. mesmo de forma inconsciente. ao incentivarmos a leitura. mas quem não sabe apreciar o livro pode desestimular o aluno. tornando-os seres passivos e distantes de sua realidade fática circunstancial. enriquecer seu vocabulário. pois através dele nos tornamos mais sensíveis ao mundo e capazes de entender nossas próprias reações.Livro acesso aos livros: ao livros devem estar dispostos de forma a permitir à criança fácil manuseio. seja na biblioteca.cidadelivro. estamos deflagrando um movimento para desenvolver pessoas críticas. A utilização inadequada dos meios eletrônicos como mecanismo básico do ensino e leitura induzem a formatação do conhecimento.Fator pessoal: representado pelo professores. 2. o que importa é a criança sentir-se a vontade para ali permanecer para entregar-se à leitura com prazer e familiarizar-se com o livro. pois sua postura frente ao livro é fundamental para a formação do hábito de ler na criança.com. “(. lazer. cabe salientar alguns fatores relevantes na tentativa de solucionar essas dificuldades: 1. . Às vezes a organização formal das prateleiras constitui barreira para o aluno. agilizar o raciocínio e aguçar a imaginação. criativas e preparadas para construir a nação do futuro. O livro incrementa a missão de educar. A utilização inadequada desses meios induzem seus “leitores” a uma mera assimilação de fatos. O entusiasmo contagia.. Assim. acolhedor e informal.) O livro desempenha um papel importante na vida e na formação do ser humano. Partindo então do pressuposto que o incentivo à leitura ainda consiste numa das maiores dificuldades para os professores e para as escolas. br) A Escola. participativas. cultura.

o que lhe dará auxílio no direcionamento de sua prática. mas sim encarar o trabalho de leitura com seriedade. pode-se constatar que na maioria da escolas não existem critérios para o incentivo à leitura.. faz-se necessário nas escolas o redimensionamento de todo o trabalho. verdadeiros leitores. revistas. Por esta direção citamos STÜBE (1997. o que pouco contribui para a formação de leitores que estão a procura de respostas às suas infinitas indagações. buscando-se o auxílio pelo emprego de livros. placas.. admissão de resultados convergentes em relação a confrontos existentes durante o processo da leitura. quadrinhos. Em contraposição a essas condições. partindo da seleção de materiais. O professor deverá ser capaz de escolher livros de acordo com os interesses do leitor. da arte (em suas . Dessa forma reportando-nos exclusivamente às Educação Infantil e às séries iniciais. disponibilizar vários tipos de leitura. tendo em vista o atendimento dos interesses e a fase do desenvolvimento dos usuários. p 32) : “Tudo o que faz parte do contexto em que o homem vive é possível de leitura. resultando na absorção de um conhecimento parcial e limitado. que forneçam subsídios aos professores nas tarefas de tornarem seus alunos . poderá acabar com a motivação do pequeno leitor”. munindo-se de embasamento teórico sobre a ciência da leitura. Com as inovações propostas a prática da leitura se fará constante. Por derradeiro. listas.Acervo da biblioteca: é importante a atualização da biblioteca. A escola se organizou muito centradamente no aspecto cognitivo e se esqueceu. conhecer o interesse e o nível de desenvolvimento e contexto social da criança com a qual trabalha. publicidade.. permeadas unicamente por textos fragmentados e insignificantes. rótulos. garantia de espaço para discussões. Tal fato faz com que as aulas de leitura culminem em apenas mais uma das atividade da rotina em sala de aula. mudança de postura de alguns profissionais e. citando BRAGA : “A falta de adequação entre a obra e o interesse do aluno. etc. quase que completamente. tabelas. o professor poderá utilizar vários recursos metodológicos para despertar o prazer de ler em seus alunos: “ A literatura é um grande desafio ao educador da atualidade.)” Assim. pois segundo BRAGA (1985): “Só ensinamos bem o que conhecemos e acreditamos”.4. jornais. principalmente. o processo de atribuição de sentidos mostra-se mais amplo que a mera decodificação(. são muitas vezes o único material de leitura que os alunos dispõe para ler. ao professor incumbe não ficar adstrito ao espaço fechado da sala de aula. e que os livros considerados didáticos.

com o imaginário e com a arte da palavra.” (BRAGA. engaja o ser por inteiro na leitura e se transforma em atividade lúdica e cognitiva. 1995. nas entrelinhas da maioria dos bons livros. Necessário também é a existência de consenso entre professores e alunos no sentido de que a literatura é objeto de lazer e compreensão do mundo que. levar o leitor ao âmago de suas emoções. não é de se pensar em literatura como instrumento de transmissão de normas lingüisticas ou comportamentais. virão como conseqüência.diversas manifestações) do prazer. alegra. oportunizando o contato com o belo.da literatura. precisa rever suas práticas. Portanto. ao pretenderem uma rápida atualização com o presente. Alcançados tais objetivos.. do agradável.Fato lamentável numa época de poluição. quase sempre aleatórias à realidade dos alunos.36) No atual contexto social faz-se mister que os professores estejam comprometidos com a literatura. incentivem o pensamento reflexivo e crítico. no dizer de Fombeure: “É lendo que nos tornamos leitores”. Tornar o livro um objeto “amigo” do aluno. capacitando-os a reconhecer os valores subjacentes nas relações sociais. mormente diante de leituras impostas em salas de aulas onde faz imperar um dualismo: de um lado algumas escolas que. outras escolas utilizam textos fragmentados de manuais didáticos como único meio auxiliar para a leitura. culturais. respeitados os interesses e crenças do leitor. objetivando o trabalho de unidades curriculares como mera fixação e memorização de conteúdos. descritas.p. Em contraposição. Ela poderá oferecer um vasto horizonte à criatividade e fantasia. 6 LEITURA COMO FONTE DE INFORMAÇÃO E PRAZER A escola. de massacre do homem em função da máquina e do progresso. são condições que reforçarão o estabelecimento do hábito de ler por prazer e entretenimento. de famílias desestruturadas. de estimular o pensamento ou induzir o aluno ao prazer em ler. no que concerne à leitura . espaço que convencionamos como sendo específico e privilegiado do saber. emociona.. que leiam por prazer e acompanhem o desenvolvimento dos seus alunos. propicia prazer. Esta antinomia existente em tais práticas de leitura estão longe de resgatar a história do conhecimento humano. os demais propósitos referentes a relevância da leitura. Então. políticas e econômicas da sociedade. que também tenham ou adotem o salutar hábito da leitura pois. mas não deverá ser usada como simples recurso para a aprendizagem de conteúdos educativos. . do lúdico. muito provavelmente. assimilam o novo sem a devida reflexão utilizando inadequadamente instrumentos modernos de ensino e tornando seus leitores passivos diante de imagens efêmeras.

que a escrita ajuda a conceber e a mudar. esta ambigüidade da prática educativa tornam os alunos alheios a realidade que os circundam..” Assim. novos escritos e novos leitores. Neste sentido torna-se oportuno citar FOUCAMBERT (1994. 121): “(. Entretanto mudar as condições de produção da leitura na escola não significa apenas alterar os instrumentos de sua codificação e decodificação.) a leitura aparece também como um instrumento de conquista de poder por outros atores. Faz-se mister que as escolas revejam as condições restritas impostas ao ensino da leitura. com uma visão crítica e reflexiva e através do discernimento. e assim perceber os direitos que se tem. tornando-os distintos cultural e socialmente. A leitura do mundo precede a leitura da palavra(. este é o grande desafio. Nesse sentido torna-se leitor pela transformação da situação que faz que não se o seja. .. vai muito mais além: Conforme Paulo Freire (1997. seleção de materiais variados.. principalmente.Neste sentido. a leitura como prática social faz a diferença para aqueles que dominam. ela supõe a busca de novos pontos de vista sobre uma realidade mais ampla. os mantêm na condição de detentores do Poder Manter grande parte da população escolar perto do alcance desta linguagem formal. não se permita a perpetuação de sua condição de dominados. o direito das elites que. chamado linguagem formal. o redimensionamento de todo o trabalho educativo que engloba: ousadia. antes de ser meio de lazer ou evasão. p.p. tornando-os vulneráveis a dominação de uma minoria que pensa e se mantêm bem informados.. O “acesso a leitura” de novas camadas sociais implica que leitura e produção de texto se tornem ferramentas de pensamento de uma expreriência social renovada.) o ato de ler não se esgota da decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita. Parte-se então do pressuposto que a prática da leitura significa a possibilidade de domínio através de um instrumento de poder.) linguagem e realidade se prendem dinamicamente.. pois é desta forma que estão escritas as leis que regem nosso país. a invenção simultânea e recíproca de novas relações. com um discurso ideológico em prol da liberdade e da justiça. a fim de que. 11): “(.” Exige-se da escola.. mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo.

o mais importante é a capacidade de se aliar isso ao prazer e entretenimento. das seguintes ações: a) Substituição dos livros didáticos por livros de literatura. conseqüentemente. como fonte de acesso ao conhecimento e ao poder . e) Realização de atividades com bulas de remédios.espaço para socialização. Com a troca de informações. receitas caseiras. etc. enfim novas propostas de trabalhos pedagógicos com leituras críticas e variadas. respeito a opiniões divergentes. g) Exploração de receitas culinárias. h) Trabalho com jornais. gibis. d) Manipulação de argila e construção de maquetes. objetivando despertar o interesse e a vontade de ler por parte dos alunos através. poderá se propor nas escolas alternativas de promoção de leitura. de adaptá-lo.” Com essa ideologia na prática pedagógica. f) Criação de caixinhas de remédios e elaboração de bulas com base em algum medicamento natural conhecido. i) Leitura de histórias em quadrinhos: As histórias em quadrinhos têm um efeito surpreendente como mecanismo de incentivo à leitura. Além da leitura como informação e. por essa linha de pensamento que. empregados como modismos em sala de aula ou como atividade ligada a lição e a intenção didática instrucional. compreensiva e mais agradável como processo pedagógico. Leitura é conhecimento. articulado a uma leitura significativa e. criando personagens das histórias. c) Atividades com ORIGAMI. experiências e conselhos. bulas de remédios. e o conhecimento é um processo de construção em que o protagonista é o aluno. por exemplo. educação que tende a ajustar o indivíduo à sociedade em lugar de promovê-lo em sua própria linha. b) Dramatizações com a participação dos alunos. Tais histórias atraem os alunos . e respaldando tal assertiva é oportuno citar Paulo Freire: “Uma educação que procura desenvolver a tomada de consciências e a atitude crítica. Assim. pois é de se deduzir.. jornais. a leitura singular dos livros didáticos devem ceder espaço aos livros de literatura infantil. fundamentados na releitura das histórias. Reafirmamos que o exercício e prática da leitura transcende ao uso de materiais como meios auxiliares de ensino. liberta-o em lugar de submetê-lo. revistas. portanto. o prazer na prática da leitura levará automaticamente o leitor ao conhecimento. que fazem parte dos objetos de uso cotidiano. de domesticá-lo. a contrário sensu. arte japonesa que constitui na dobradura artística de papéis. como faz com muita freqüência a educação em vigor num grande número de países do mundo. graças à qual o homem escolhe e decide.

haja visto a diversidade de opções a que se deparava. Essa é a atual conjuntura da literatura infantil no mundo contemporâneo. Há muito a se discutir. Para isso. como alternativas e complementares. a criança. pois. lúdica e prazerosa um "modelo" capaz de ampliar e produzir seus próprios conhecimentos. contudo eivado de valores que objetivavam a transmissão de valores da sociedade então vigente. despertando o seu raciocínio. como enfatizamos nos capítulos iniciais. sobre a qual passaremos também a discorrer frente à realidade nacional. não apenas como fonte de conhecimento. os livros ofereciam às crianças. nas salas de aula. surge a literatura infantil. 7. exigirá a quebra de alguns paradigmas no processo educativo. se faz mister uma mudança na postura dos educadores e também da consciência de que. Nessa linha de desdobramento evolutivo. pois é o que se deduz da falta de registros a respeito. a literatura infantil passa a abranger um público específico. Posteriormente. recriando a vida como ela ainda poderia ser vivida. A fantasia transforma a leitura em modalidade de ensino e de prazer. que os textos infantis vêm a sofrer adaptações. Sob esta ótica. um antepassado . A realização destas propostas pedagógicas. visando. semelhante ao mundo fático.1 A Literatura Infantil no Brasil . ainda que houvesse uma fantasia subjacente. criado com o intuito de ensinar latim através de gravuras constituindo. talvez dos atuais livros didáticos ilustrados para crianças. mas também como informação e prazer! 7 LITERATURA INFANTIL Algumas publicações nos dão conta de que os primeiros livros para crianças tenha sido o trabalho de Comenius : Orbis Sensualium Pictus (1658). promovendo o alargamento vivencial do leitor infantil. esta audaciosa proposta. poderá estimular nos alunos a vontade e o prazer da leitura.pela identificação que estes fazem com alguns personagens. de maneira sistemática. com moldes ideológicos comprometidos com um destinatário específico. j) Feira de leitura: conforme poderá ser verificado nas fotos consignadas no ANEXO 2. refletir e pesquisar para que se consiga concretizar de maneira efetiva. passando a ser entendida como agente emancipatório e capaz de projetar a criança para além do seu universo cotidiano. Antes dessa época não havia nada que pudesse ser tratado como literatura infantil. Somente com o passar dos tempos e com a verificação da realidade mutante. sobretudo. incitando-o a participar de problemas e buscar soluções refletidas. Trata-se de um primeiro passo e de um grande desafio: romper barreiras para melhor ensinar. uma educação que permita ao aluno o exercício pleno de sua cidadania e o seu desenvolvimento como pessoa humana através do hábito de ler.

A partir de 1808 criaram-se colégios por todo o país. que a educação até então oferecida pelos Jesuítas com intenção religiosa. a escola não existia . portanto. tornando o ensino menos teórico e fatigante.Até o início do século XIX. para que ela seja criança enquanto for criança. Monteiro Lobato tornou-se o maior clássico da literatura brasileira.. retrata bem a importância da obra de Monteiro Lobato: “É importante que a criança viva em seu mundo. suas fantasias. sem precocidade vulgares. dentre vários outros. em paralelo à excelência da educação dos colégios particulares. Deflagra-se a criação de instituições de imprensa que fazem circular vários jornais infanto-juvenis. suas aventuras. despertavam nas crianças o interesse pela informação e cultura. denota uma preocupação educacional. mas não lhe impõe os problemas. Foi original em seus escritos. Teodoro Morais e. É isso que faz a obra de Lobato. sem permissividades. porque o nosso objetivo é dar-lhes condições de crescer. Alguns nomes emergem como merecedores de destaque desta “nova pedagogia”: Rui Barbosa. principalmente os folhetins infantis. Por razões evidentes. Foi a partir da chegada da família Real ao Brasil com D João VI. permitindo-nos admitir como a primeira fase da literatura específica para crianças no Brasil. sem ser perturbada. Não haviam professores formados e com capacitação adequadas. A literatura infantil no Brasil. declara “gratuito a todos a instrução primária” . precursores da Escola Nova no Brasil. é livre para ser criança. Com isso garantia-se a instrução popular. Não escreveu apenas livros para crianças. redimensionando o ensino. Bárbara Vasconcelos. ao esboçar-se no final do século XIX. Lobato realizou uma obra onde a criança. e tudo que povoasse sua imaginação. emergindo a possibilidade de se pensar num livro recreativo e consequentemente na literatura infantil. garantida posteriormente na Constituição de 1824.” . de Minas Gerais ao Rio de Janeiro. pois o valor dos jornais que circulavam na época. A criança merece beleza e respeito. A partir desse momento a educação. Ele não mente à criança. desinibida e autêntica. seus jogos e brinquedos. embora utilizasse o rico acervo da literatura clássica infantil de todo o mundo. mas sim criou um novo universo para elas. Anísio Teixeira e Lourenço Filho . institucionalizada e seriada. em sua obra “A literatura Infantil”. ao menos da forma tal qual a conhecebemos hoje. em nossos dias. sendo que muito menos cogitava-se o livro em sala de aula. tomava novos rumos. podemos ressaltar. Sua maior fonte de inspiração foi a própria criança: os ingredientes de sua vivência. Uma das importantes emancipações foi a formação de professores e o nascimento do livro-texto. E é isso que é importante. Bahia etc. não poderíamos deixar de também fazer alusão a um dos maiores nomes da literatura infantil: Monteiro Lobato.

fazendo com que sua presença fique viva nos lares. social.” . é a precondição de qualquer realização humana. principalmente no que se refere ao seu desenvolvimento e crescimento intelectual. a linguagem. teatro. afetiva. Em seu descobrimento da vida. Portanto. deslumbrando os mistérios que a aproximam do mundo exterior através dos símbolos. A literatura infantil. num mundo cheio de fantasia e beleza. também é um dos mais eficientes mecanismos de recreação e lazer. despejam sobre a criança informações que cerceam a sua capacidade imaginativa. nas escolas e. folclore. Diz Erich Fromm: “ o elemento mais básico da cultura. crescerão e se desenvolverão na busca de soluções para as suas inquietações e problemas de ordem intelectual. ética e moral. tais como a massificação da informação pela televisão. A literatura desempenha papel fundamental na vida da criança. dos Contos de Fadas. os mitos. poesias. é um objeto tão importante e mais indispensável do que o berço” Friedrich Bertuch Uma das formas de recreação mais importante para a criança. culminando num alheamento de perspectiva crítica.A criação literária de Monteiro Lobato contribuiu sobremaneira para a educação. É o caminho não apenas de sua descoberta. fábulas. Os condicionamentos impingidos pela vida moderna. afetivo e espiritual é a leitura. servindo como um método prático de terapia educacional. Nessa curiosidade e deslumbramento deverá encontrar estímulos sadios e enriquecedores que serão a tônica de sua motivação e crescimento como pessoa humana. para o quarto de uma criança. inspirando as novas gerações para o hábito da leitura. os filmes infantis instigando à violência. psicológico. dentre outros aspectos. mas também um dos mais completos meios de enriquecimento e desenvolvimento de sua personalidade. a criança está ávida por descobrir e entender a realidade circundante. os programas televisivos inadequados. não apenas pelo seu conteúdo recreativo que desempenha. da leitura infantil. como meio de comunicação e modalidade da leitura. Com a leitura e os livros a criança e o jovem encontrarão caminhos. mas também pela riqueza de motivações. a comunicação via ciberespaço. sugestões e de recursos que oferece ao seu desenvolvimento. motivo de orgulho nacional. deve-se estimular e propiciar ao alcance das crianças os livros infantis. principalmente. Sua obra infantil tem servido de inspiração para educadores e homens de teatro no Brasil e no exterior. permitindo-lhe penetrar em seu universo mágico dos sonhos. 8 A LITERATURA E A CRIANÇA “Um livro infantil. nos corações das crianças.

persuadir o público que tem compromisso com a educação. de que o futuro está na educação. de maneira a que o hábito da leitura seja propugnado desde a mais tenra idade. da Escola ao próprio Estado. contribuindo em sua formação sob todos os aspectos. na crença e firme convição como educadora.A leitura infantil é um dos fatores básicos para a criança buscar a sua realização como pessoa humana. incumbe-nos. a implementar ações voltadas para a formação do futuro cidadão. daquele adequado ao mundo contemporâneo. e porque não dizer de nossa própria existência. Que as vicissitudes do cotidiano nos permita avançar através da leitura. sobretudo. centro para onde deveriam convergir todos os interesses: o aluno. incumbindo às novas gerações uma grande responsabilidade quanto à mudança de concepção ideológica. rumo a uma Sociedade Livre. 9 CONCLUSÃO Ao longo dessas linhas buscou-se inspiração. sendo a incultação do hábito da leitura o mais ideal dos instrumentos para essa conquista. de nossa história. na realidade da família ao professor. está justamente em fazer frente às ideologias dominantes que insistem em práticas educativas tradicionais e descomprometidas com o objetivo máximo da educação. Nesse desiderato. O desfio do novo educador. comprometidos com o amanhã e com o futuro de nossos filhos. através de um discurso pragmático e não meramente dogmático. Justa e Igualitária. principalmente na Educação Infantil e Séries Iniciais. valores supremos de qualquer nação! "Ouvir historias é o início de aprendizagem para ser leitor" .

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