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JUSTIFICAÇÃO TEÓRICA DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS*

Adroaldo Furtado Fabrício


Professor da Faculdade de Direito da UFRGS, Desembargador
aposentado do TJRGS,
Advogado.

SUMÁRIO: 1. Ação, processo e procedimento. 2. Classificação dos


procedimentos. 3. Critérios de eleição das causas. 4. Procedimentos especiais e
juizados especiais. 5. Procedimentos especiais e autonomia do direito processual. 6.
O sistema do CPC em tema de procedimento. 7. Procedimentos especiais na
legislação extravagante. 8. Procedimentos especiais e cumulação de pedidos. 9.
Conclusões.

1. AÇÃO, PROCESSO E PROCEDIMENTO .

Na doutrina como na própria legislação, a palavra ação tem -se prestado a


variações tão notórias quanto indesejáveis do ponto de vista da precisão da ter minologia, até
mesmo quando empregada por juristas de tomo ou em um mesmo texto legal. Entre essas
múltiplas acepções, mostra -se particularmente persistente na linguagem forense, conquanto já
abandonada pelos especialistas, a de “conjunto ou complexo de at os que compõem o juízo”
[1], à qual melhor corresponderia a palavra processo.

Na busca de um conceito integrado e abrangente, cogitou -se de caraterizar a


ação, segundo os cânones lógicos da Escolástica, através da quádrupla abordagem pelos
ângulos subjetivo (em que aparece como atributo do sujeito e seria um direito do autor),
objetivo (em perspectiva de causa final, na qual a ação é meio ou remédio jurídico), material
(onde o conceito de ação se funde com o de pleito ou demanda) e formal (visualizando a ação
como série de atos ordenados no sentido da solução do litígio). [2] Mais uma vez, como
se pode ver neste último enfoque, recai -se na identificação entre ação e processo, que
terminologia atualizada e cuidadosa não tolera.

Servem essas considerações para lembrar a origem de expressões tantas vezes


repetidas, como “ação ordinária”, “ação especial”, “ação sumária” e assim por diante -- que

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convém evitar, reservando -se o emprego do termo ao significado com o qual se tornou
corrente na doutrina de hoje, ao menos entre os processualistas, a saber, o direito autônomo de
agir em face do Estado-juiz a fim de pôr em movimento o aparelho judiciário relativamente a
determinada situação jurídica concreta. [3] Há, pois, ações que dão origem a processos cuja
tramitação se submeterá a procedimento ordinário, sumário ou especial. [4]

Certo, pode-se aceitar, a bem da simplicidade, o emprego da palavra ação


também no sentido correspondente ao enfoque “objetivo”, de causa final, da tetralogia
escolástica, com o significado de meio ou remédio de que se serve alguém para buscar a tutela
daquilo que pensa e afirma ser o seu direito. Visto assim, facilmente se confunde o conceito
de ação com o de pretensão de direito material -- embora a distinção seja sempre pos sível e
necessária. É assim que se explica, de resto, o uso repetido e geralmente aceito, no título I do
Livro IV do Código de Processo Civil, do vocábulo ação seguido de expressão mais
propriamente definidora do bem da vida cujo reconhecimento ou atribuiç ão o autor persegue
em juízo, ou da relação jurídico -material por ele afirmada: “ação de consignação em
pagamento”, “ação de depósito”, “ação de usucapião” e assim por diante.

Contudo, nota-se que a epígrafe do mesmo Livro anuncia procedimentos, nesse


particular com impecável correção. Esse é um dos pontos em que o vigente Código se revela
superior tecnicamente a toda a legislação precedente, que invariavelmente falava de
“processos especiais”. É verdade que o emprego indiscriminado das duas palavras não é raro,
mas a distinção existe e cumpre respeitá -la, a bem da clareza das idéias. Com efeito, o
processo é o conjunto mesmo dos atos entre si encadeados e orientados no sentido da solução
do litígio, ao passo que por procedimento se designam a forma, a ord em e a disposição dos
mesmos na série variáveis segundo as exigências da relação de direito material a ser tratada
ou segundo outras necessidades e conveniências que ao legislador tenham impressionado.
Com efeito, variáveis e multifários são os provimentos jurisdicionais que podem resultar do
processo civil, e a essa multiplicidade corresponde, por vezes, a necessidade de também
variarem a quantidade, a substância e a disposição dos atos conducentes àquele resultado.
O número, a natureza e a posição relativa que tais atos assumem no conjunto afeiçoam -se
às diferenciadas necessidades, determinando ritos ou procedimentos. [5] O procedimento é,
pois, o conteúdo cujo continente é o processo; aquele é em relação a este como a dezena em
face do número concreto -- que pode ser menor do que a dezena, ou conter mais de uma. [6]

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Não é correto, pois, afirmar-se que a distinção é meramente “externa e formal”.
Ou que o discrime adotado no atual Código de Processo Civil, ao adotar a denominação de
procedimentos para designar os de seu Livro IV, só se destinasse a sublinhar a presença,
neles, como característica própria, de atos específicos que os extremam do “procedimento
comum”. Não se perca de vista, aliás, que o diploma legal citado jamais fala de “processo
comum”, mas sim e sempre de procedimento comum, inclusive quando cuida de sua
subdivisão em ordinário e sumaríssimo.

Há um trecho do citado Código onde se usa com exclusividade a palavra


“procedimento”, sem jamais aludir a “processo” ou “ação ”: o Título II do mesmo Livro IV,
relativo à chamada jurisdição voluntária ou graciosa. Esse é um indicativo claro de que o
legislador optou por uma diferenciação nítida entre os conceitos: com efeito, em se tratando
de “processo” sem contraditório e sem p artes, embora se haja tomado o partido, por razões
históricas, de manter essas figuras paraprocessuais no Código, o mínimo a fazer -se era deixar
clara a natureza atípica das mesmas. A inexistência aí de processo autêntico, concebido como
actum tria personarum, com pressuposto na lide, obriga a admitir que só se trata de
procedimento, não processo. Bem por isso, aliás, os textos submetidos àquele Título nunca
aludem a partes, mas só a interessados.

Falamos, pois, de procedimento no sentido em que o direit o legislado emprega


a palavra, significando forma de proceder. Não rejeitamos a sugestão da doutrina moderna no
sentido de que “todo poder se exerce mediante um procedimento, caracterizando -se este como
processo, desde que seja feito em contraditório. [7] Mas essa é, certamente, uma outra
acepção, baseada em premissas metodológicas diversas daquelas do legislador do CPC e,
pois, inadequadas à sua exegese: nessa perspectiva, seria necessário admitir -se que toda
atividade estatal se traduzisse em procediment os, alguns processuais, outros não.

2. CLASSIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS .

Em tema de procedimento (ou rito, ou forma do processo), a técnica


legislativa usual é a de começar -se pela definição de um modelo procedimental básico,
destinado à adoção na gener alidade dos casos, verdadeiro rito -padrão, para se
estabelecerem depois, com base nele, as variações por supressão, acréscimo ou

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modificação de atos, donde resultarão procedimentos mais ou menos distanciados do
modelo fundamental, segundo a intensidade e n úmero dessas alterações.

Em regra, o procedimento-tipo é formal e solene, procurando cercar o exercício


da função jurisdicional das mais amplas garantias e franquear às partes os mais largos
caminhos de discussão, de prova e de impugnação das decisões. [ 8] O procedimento assim
estruturado - geralmente denominado comum ou ordinário - serve ao volume maior e
principal das causas, às situações mais freqüentes e destituídas de peculiaridades aptas a
justificar um tratamento diferenciado. Por outro lado, como já ficou brevemente mencionado,
esse procedimento por assim dizer genérico funciona também como um standard básico, seja
no sentido de que a partir dele se constroem os outros, específicos, seja porque em numerosos
casos a diversidade destes em confronto c om aquele é parcial e condicionada, de tal sorte que
o trâmite processual, iniciado em forma diferenciada, retorna ao leito comum do rito básico a
partir de certo momento ou a depender de uma dada condição. A tudo isso se acresça que,
exatamente por terem sido fixados como um modelo, os termos do procedimento especial
prevalecem também no especial, na medida em que as regras jurídicas a este pertinentes sejam
omissas: vale dizer, as normas do rito genérico enchem os vazios da regulação dos especiais, a
estes aplicando-se subsidiariamente. No vigente CPC, o princípio vem expressamente
consagrado no seu art. 273.

O ordinário (ou comum) não é somente o procedimento de mais largo uso. É


também ele que fornece as regras aptas a reger, supletivamente, os demais ritos, nos aspectos
em que estes não se achem especificamente disciplinados. Mais: sua cara cterística de modelo
fundamental e sua aptidão para assegurar as mais amplas garantias fazem dele o procedimento
a ser adotado quando o autor pretenda cumular pedido s a que, em princípio, devam
corresponder ritos diversos (CPC, art. 292, § 2º).

Ao lado do procedimento ordinário ou comum (desconsiderada, neste passo, a


terminologia do CPC, para tratamento do tema de lege ferenda), pode -se construir um
sumário, ou mais de um, com diferentes graus de sumariedade. Busca -se atender, por essa via,
a que, de um lado, em determinadas situações, a própria cognição é sumária, limitada ou
provisória, podendo-se por isso dispensar solenidades, abreviar prazos e restringir atuaçõ es
das partes (sumário substancial); ou, em outra vertente, a que a urgência da prestação
jurisdicional em certas causas, a simplicidade real ou presumida de algumas ou a modesta

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expressão econômica e jurídica de outras apresentam -nas ao espírito do legisl ador como
incompatíveis com a lenta, solene e onerosa tramitação ordinária (sumário formal). [9]

A rigor, no mais lato sentido da expressão, seriam também “especiais” os


procedimentos assim construídos, sumários ou sumaríssimos, na medida em que represe ntam
eles um desvio do modelo fundamental. Contudo, tem -se reservado aquela designação, em
regra, a procedimentos instituídos de modo específico e individualizado para o trato de
determinadas causas, em que a pretensão jurídico -material apresenta peculiari dades tais que
exijam uma particular forma de tratamento em juízo. Embora pertença obviamente ao
legislador do processo a escolha dessas causas, é igualmente claro que só no Direito Material
pode ele encontrar os elementos indicadores da necessidade ou con veniência de estabelecê-los
em correspondência com determinadas “ações” (rectius, pretensões de Direito Material). [10]
Em regra, o problema de ser ou não ser completa a cognitio não se acha envolvido, influindo,
isto sim, na criação das formas sumárias. A cognição, nos processos submetidos a rito
especial, costuma ser plena em profundidade e, se isto não ocorre em alguns casos, o dado é
meramente acidental. O que pode haver é limitação em extensão da cognitio, pela razão de ser
por hipótese limitado o próp rio objeto do pedido. [11]

3. CRITÉRIOS DE ELEIÇÃO DAS CAUSAS.

Não é provável que se possam sistematizar com êxito os vários motivos que
podem levar o legislador à adoção de procedimentos especiais. O que acima ficou dito
sobre a influência, nessa matéri a, da especial configuração da relação jurídica material
contenciosa apenas aponta o mais razoável dos critérios e o que talvez devesse ser o
único, pois só ele se justifica plenamente do ponto de vista doutrinário. Aliás, em
princípio, a generalização do procedimento ordinário deveria ser a mais ampla possível,
com a decorrente redução dos ritos especiais. Estes, ainda nos limites do aludido critério,
só estariam justificados quando aquele fosse absolutamente inadequado para o tratamento
em juízo da matéria considerada. [12]

A verdade, entretanto, é que os legisladores não se orientam somente por essa


diretriz. O peso da tradição histórica, com as complicações e incongruências decorrentes de
múltiplas fontes de influência, nem sempre coevas e entre si coe rentes; a eventual

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interpenetração, em um mesmo processo, de elementos de diversas modalidades de tutela
jurisdicional (de cognição, de execução e de cautela); razões de conveniência momentânea e
local, com caráter meramente emergencial; até mesmo a simple s impaciência do legislador
frente à morosidade do aparelhamento judiciário em contraste com a pressão da demanda
social - tudo influi no sentido de retirar da vala comum do rito ordinário um número crescente
de “ações”, em antagonismo com a recomendação d a doutrina, esta cada vez mais inclinada à
redução numérica dos tipos procedimentais como imperativo da simplificação e da
racionalização. [13] Não há negar, por certo, a possibilidade de uma correta sistematização,
seja a partir da intrínseca irredutibili dade de certos procedimentos ao ordinário, [14] seja
com base na idéia de “exceções reservadas”, embora esta acabe por conduzir à suposta
sumariedade de todo procedimento especial. [15] O que não se pode aceitar é a proliferação
caótica e indiscriminada, submissa a razões sem qualquer compromisso científico.

Nem se defende o meter à força no trâmite ordinário, qual em leito de Procusto,


causas que não podem ser nele eficientemente tratadas, ou para as quais ele representa uma
demasia. Também não se ne ga que a complexidade crescente da economia, com a decorrente
multiplicação dos tipos negociais e fatos jurídicos, freqüentemente se reflete nos domínios do
processo, de modo a impor a criação de modelos procedimentais igualmente novos. Conviria,
entretanto, que se resistisse mais a essa tendência multiplicadora, compensando -se-a,
outrossim, com a revisão dos procedimentos especiais cuja sobrevivência talvez já não
corresponda a uma necessidade real e presente da vida. É bem provável, de resto, que a
modernização do procedimento ordinário, escoimado de seus excessos de formalismo e de
solenidade, enriquecido de recursos tecnológicos de há muito disponíveis , mas ainda não
incorporados a ele, tornasse dispensáveis e superados alguns dos atuais procedimentos
diferenciados. Isso porque, sem dúvida, a morosidade e a ineficiência do pesado e obsoleto
processo comum, de mãos dadas com o crônico déficit de recursos materiais à disposição do
Judiciário, são seguramente responsáveis, em parte deveras significativa, pel a proliferação dos
ritos especiais onde nem sempre existe uma verdadeira incompatibilidade com aquele. A
especialidade do rito não é mais, em tais casos, do que um expediente de fuga aos
inconvenientes do ordinário, assim como em tempos foi, e por inércia ainda é, a forçada e
indiscriminada adoção de ritos sumários sem a correspondente sumariedade da cognição. [16]

O aprimoramento técnico da legislação processual, também em outros


aspectos, poderia contribuir para a redução numérica do elenco dos procedim entos especiais.

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Estes são conseqüência, em alguns casos, de invasão do processo de conhecimento por
elementos pertencentes ao executório ou ao cautelar. Disso tivemos exemplo na velha “ação
executiva” do nosso primeiro código nacional de processo, e ainda o temos na ação de
nunciação de obra nova, que bem poderia seguir o procedimento -padrão, não fora o fato de
incorporar medida de ordem nitidamente cautelar, que melhor se acomodaria no seu campo
específico, a exemplo do Direito Português. [17]

4. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS E JUIZADOS ESPECIAIS.

Ao lado dos procedimentos especiais de que temos até aqui tratado, cuja
justificação se encontra na especificidade da relação jurídico -material a ser tratada, vem -se
impondo rapidamente uma nova categoria, aquela d os procedimentos que, a mais de serem
especiais, devem ser conduzidos por juízos também especiais. Não se trata de simples
acréscimo à categoria dos processos que se precisavam acomodar formalmente à configuração
diferenciada do órgão julgador (feitos da c ompetência do Tribunal do Júri, processos da
competência originária dos colegiados etc.): aqui, procedimento e juízo são especificamente
criados um para o outro, com vistas a um determinado objetivo e no pressuposto de que a
operação de um supõe a presença do seu correspectivo. Tal é o caso dos juizados especiais e
de pequenas causas, umbilicalmente ligados ao procedimento que para eles se criou, especial
e exclusivamente. No Direito Comparado, seus equivalentes estariam, verbi gratia, nos small
claim courts da prática norte-americana e talvez nos multisseculares Tribunales de las Aguas
de Espanha, particularmente o de Valência. [18]

O modelo adotado no Brasil corresponde, a toda evidência, a mais outra


tentativa de fuga à lentidão e complexidade do rito c omum e ao congestionamento invencível
dos tribunais ordinários, buscada também por via de uma verdadeira mudança de cultura,
envolvendo a criação de juízos imbuídos de novas concepções e mentalidade menos
comprometida com o passado e com o tradicional. [19 ] Não quer isso dizer que se haja optado
por uma alternativa à jurisdição do tipo que vem sendo preconizado, um tanto
apressadamente, por alguns especialistas: a atividade da qual se cuida é rigorosamente
jurisdicional, desenvolvida pelos mecanismos estata is voltados à composição dos litígios,
embora com algumas notas de suma originalidade.

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No Brasil, a pioneira introdução desses procedimentos e juízos, ainda em
caráter absolutamente informal e sem respaldo legislativo, se fez no Estado do Rio Grande do
Sul, sob os auspícios da respectiva Associação de Juízes (AJURIS). [20] Mesmo despidos
de qualquer autoridade formal, os então chamados “conselhos” alcançaram notável êxito,
suscitando um debate nacional donde se originou a edição da Lei nº 7.244/84,
institucionalizadora dessa modalidade de prestação jurisdicional. Confirmando seu
pioneirismo no assunto, o Rio Grande do Sul veio a ser também o primeiro Estado a editar lei
local disciplinando o Sistema de Juizados de Pequenas Causas, que entraria em
funcionamento efetivo em 1986, novamente com absoluta primazia nacional. A experiência
viria a demonstrar que a idéia -força de melhorar as condições de acesso à jurisdição envolvia
necessariamente uma nova postura, uma nova filosofia e uma nova estratégia, tudo a
pressupor uma concepção também renovada da própria função jurisdicional, exatamente
como fora previsto, [21] como de igual modo antevista fora, por razões idênticas, a tenaz
resistência oferecida então e ainda hoje à inovação, por parte dos setores m ais ortodoxos da
doutrina processual e da comunidade forense. [22] Revelou o sistema, outrossim, uma
inesperada utilidade como fecundo laboratório de experiências para soluções e praxes que já
começaram a ser absorvidas pelo processo civil “geral” e incor poradas ao dia-a-dia da prática
judiciária.

A idéia se impôs pelos seus bons resultados, a ponto de subir sua expressão
legislativa à hierarquia de norma constitucional, já não como simples autorização, mas na
figura de determinação imperativa de implant ação dos novos órgãos judiciários, inclusive
com a extensão de sua competência, mutatis mutandis, à esfera criminal (Constituição da
República, art. 98, I). [23]

5. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS E AUTONOMIA DO DIREITO


PROCESSUAL.

À parte as objeções já lembr adas à adoção de procedimentos especiais e ,


sobretudo, à sua descontrolada multiplicação - ligadas a aspectos eminentemente pragmáticos
da atividade forense, eventualmente embaraçada por essa pletora de ritos e formas - outra
restrição já lhe foi feita no puro plano teórico, questionando em termos estritamente técnico -
jurídicos a admissibilidade do procedimento especial como categoria. Assim, certos setores da

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doutrina vêem na existência de tais procedimentos uma concessão à idéia de subordinação do
Direito Processual ao Direito Material. Vista desse ângulo a questão, seria incompatível com a
idéia de autonomia a diferenciação de procedimento com base nas peculiaridades do direito
subjetivo material afirmado pelo autor: representaria isso uma intromissão dos critérios do
direito dito “substantivo” na solução de um problema estritamente processual. A crítica aduz,
outrossim, que a rigidez característica dos procedimentos especiais limita a atividade do órgão
jurisdicional, prendendo-a a regras rituais determinadas antes mesmo de se saber se as normas
de Direito Material invocadas são efetivamente aplicáveis ao caso concreto, dúvida que só o
julgamento de mérito poderá suprimir em definitivo. [24]

O primeiro ponto da objeção leva longe demais a idéia de autono mia, além de
desconsiderar o grande paradoxo de que o processo, sendo busca da verdade, nada mais é,
enquanto tramita, do que um sistema de verdades provisórias, continuamente aperfeiçoadas.
E, mais, dessa idéia extrai conseqüências que não são necessárias . Autonomia não é
antinomia. Os campos, ramos ou departamentos em que se distribui a ciência jurídica não são
estanques e incomunicáveis; ao contrário, interpenetram -se e mutuamente se influenciam.
Tenha-se presente, de resto, no atinente especificamente à s fronteiras entre Direito Material e
Direito Processual, que elas nem sempre se apresentam precisas e nítidas, existindo ainda
territórios disputados, como o da prova e o da legitimatio ad causam, apenas para
exemplificar. Nada há de estranho, portanto, e m que se atenda, na disciplina do procedimento,
a eventuais particularidades do Direito Material segundo afirmado pelo autor, que talvez
tornem a relação jurídico-substancial insuscetível de tratamento judicial eficiente e adequado
dentro do procedimento genérico. Para sustentar-se a autonomia do Direito Processual não é
necessário negar-lhe o caráter instrumental que todos lhe reconhecem.

O segundo aspecto da crítica radica no insuperável e fascinante paradoxo de só


se poder saber o que há para julgar d epois que se julgou. Antes disso, tudo se tem de basear na
razão afirmada pelo autor, tomada como se verdade fosse. E não apenas para a identificação
do procedimento a ser seguido, mas igualmente para uma vasta gama de efeitos outros:
definição da competência do foro e do juízo, fixação do valor da causa, necessidade ou não de
oitiva do parquet, verificação das “condições da ação” e assim por diante. Se é exato que o
processo é eminentemente dialético, e assim precisa ser para alcançar seu objetivo final de
superação do litígio segundo o Direito, não é menos certo que lhe é impossível prescindir, até
que se chegue a tal resultado, das verdades provisórias oferecidas pelas partes. Nisso se

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baseia, aliás, a doutrina contemporânea da ação e de suas condições. E nisso, de resto, talvez
residam todo o tormento e a glória toda dos operadores e estudiosos do processo.

Relativamente a qualquer ação submetida a determinado rito especial, quando a


lei do processo remete ao Direito Material para a identificação das hi póteses do seu
cabimento, quer significar que o autor só será admitido a demandar sob tal procedimento
descrevendo uma fattispecie correspondente a algum dos modelos abstratos inseríveis no rito
considerado. E não, naturalmente, que dita afirmação tenha de ser sempre verdadeira. Não há
confundir a indagação sobre se o procedimento foi adequadamente escolhido (vale dizer, se
está ajustado à espécie de pedido formulada) com esta outra sobre se o autor tem realmente o
direito que invoca (isto é, se o pedido de verá ser julgado procedente). [25]

6. O SISTEMA DO CPC EM TEMA DE PROCEDIMENTO.

O legislador do Código pensou poder prescindir de uma “parte geral” em que


se reunissem as disposições aplicáveis à generalidade dos processos. Disso resultou que
muitas dessas regras, porque indispensáveis, restaram perdidas e dispersas em vários pontos
do texto, por vezes deveras surpreendentes e sob epígrafes de todo inadequadas.

Assim, há um livro intitulado “Do processo de conhecimento” que inclui regras


genéricas, aplicáveis inclusive a outros processos que não o de conhecimento. Outrossim,
outro livro, o quarto, exibe a epígrafe “Dos procedimentos especiais”, como se estes fossem
todos estranhos ao processo de cognição. Anota -se, mais, a extrema impropriedade do art.
274, que faz entender seja o “procedimento ordinário” o mesmo para os processos de
declaração e executório, pela alusão ao Livro II. A própria menção ao Livro I é
despropositada, já que ali não se cuida apenas do procedimento ordinário, tendo abrangência
geral muitas de suas regras, e aludindo algumas outras, claramente, a procedimento diverso do
ordinário. Todos esses equívocos decorrem da inexistência de uma parte geral. [26]

Objeção semelhante pode ser feita ao art. 270, que, além de absolutamente
desnecessário, encerra proposição de todo em todo incorreta. Desnecessário porque não
precisa a lei anunciar previamente do que vai tratar a seguir; [27] incorreto por colocar a
categoria dos procedimentos especiais ao lado do processo de conhecimento, do exe cutório e

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do cautelar, como se constituíssem aqueles uma quarta classe pertencente à mesma
catalogação em que se inserem as demais. É de justiça ressaltar, já que o autor do anteprojeto
tem suportado sozinho e por vezes imerecidamente o peso da crítica, qu e a incongruência não
constava do texto remetido ao Congresso Nacional: foi na Câmara dos Deputados que o artigo
recebeu o esdrúxulo acréscimo da parte final.

Como quer que seja, o sistema incorporado ao CPC, na classificação dos


procedimentos, inovou em relação à legislação precedente e até mesmo em face da doutrina
assentada. A primeira grande divisão se faz em procedimento comum e especial; só em um
segundo momento, como subclassificação, vai surgir menção ao procedimento ordinário,
integrando juntamente com o sumaríssimo aquela primeira categoria. Daí que a expressão
procedimento comum não se refere a um determinado rito ou forma processual; designa, isto
sim, uma categoria abstrata que abarca dois tipos de procedimento.

Inexiste, já se vê, pelo meno s em teoria, uma tripartição em ordinário, sumário


e especial, como é da tradição e da doutrina. A esse resultado nosso Código só chega em duas
etapas distintas de classificação, pois as duas primeiras classes se agrupam sob a denominação
de comum. Importa, pois, evitar a confusão (na qual, aliás, o próprio legislador incidiu
algumas vezes) que resulta da falsa sinonímia entre comum e ordinário: aquela classe contém
esta subclasse, sendo, pois, mais extensa do que ela.

Nenhuma vantagem prática se extrai d essa complicação classificatória. Do


ponto de vista dos procedimentos especiais, que aqui nos interessam prioritariamente, o dado
importante é a subsidiariedade do leito comum que é o procedimento -padrão: a ele retornam
aqueles sempre que não haja regulaçã o específica em sentido diverso; é no modelo geral que
se buscam as regras para encher os vazios da regulamentação dos especiais e é sobre a
plataforma comum que se constr oem as formas diferenciadas. O sistema do Código cria
dúvidas sobre qual seja esse st andard: o procedimento comum ou o ordinário? Em regra, será
o ordinário, pela razão já mencionada de não existir, como categoria concreta, procedimento
comum. Pode-se até admitir que, para determinadas situações excepcionais, esse papel possa
ser desempenhado pelo sumário, mas nunca pelo comum.

7. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DA LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE.

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As codificações não costumam ser exaustivas, nem mesmo devem aspirar a
semelhante objetivo. Ainda pertencendo ao ramo do Direito cuja codificação se
empreende, determinadas matérias podem e outras devem merecer regulação em separado,
mediante leis especiais. Sucede que, embora tenham os Códigos também o escopo de
reunir em um só corpo de normas, de modo ordenado e sistemático, todas as disposições
pertinentes a determinada área jurídica, é igualmente certo que eles se vocacionam a uma
certa permanência temporal, a um mínimo de estabilidade e fixidez. Ora, é consabido que
determinados aspectos da realidade social podem achar -se, no momento da codificação,
em fase transitiva ou de rápida mutação, o que desaconselharia a sua inclusão no código.
Quando se fotografa uma realidade estática ou em movimento lentíssimo (uma montanha,
um cômoro de areia), pode -se contar com a fidelidade da representação fotográfica ao
modelo por longo tempo. Não assim quando o objeto fotografado está em mutação ou em
movimento rápido (o pôr -do-sol; um campo de neve). Também a realidade social
apreendida e normatizada pelo codificador permanecerá por maior ou menor tempo tal
como se achava em tal momento, segundo o grau de estabilidade que tenha alcançado em
cada um dos seus aspectos particulares.

É igualmente exato que determinados institutos jurídicos, conquanto


pertencentes ao ramo do Direito coberto pela codificação e razoavelmente esta bilizados em
sua evolução, são marcados por singularidades de tal ordem que não passariam sem dano pelo
processo de uniformização sistêmica que a codificação supõe. Essas originalidades podem
dizer respeito ao Direito Material ou ao Processual, mas mesmo a quelas se comunicam
inevitavelmente ao campo do processo e, mais especificamente, ao do procedimento.

Nessa perspectiva, merecem especial atenção alguns institutos recentemente


elaborados pelo Direito legislado nacional, ou para ele importados, e por iss o ainda em fase de
desenvolvimento ou adaptação, bem como alguns outros que, conquanto antiqüíssimos,
merecem uma especial atenção do Poder Público em razão da carga de interesse social que
nele se envolve. Exemplo da primeira espécie poderia ser o contrat o de alienação fiduciária:
da segunda, a locação residencial. Tanto em um como em outro caso, embora por motivos
diversos, a regulação dos institutos não se integra ao direito codificado, permanecendo em leis
esparsas. E daí sói resultar a edição, relativa mente a cada um deles, de lex specialis de
conteúdo misto, regendo tanto os aspectos de Direito Material quanto aqueles pertinentes ao
processo. Vem a ser essa uma outra e prolífica fonte de procedimentos especiais.

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Não se pode negar legitimidade, em prin cípio, a essa vertente, desde que
efetivamente se trate de institutos diferenciados por alguma das notas apontadas. Cumpre
advertir, uma vez mais, que o condenável é o exagero e a desatenção do legislador ao
interesse da sistematização e relativa uniformiz ação dos procedimentos, a fim de que não se
caia na situação caótica denunciada por RAMOS MÉNDEZ [28] e muito semelhante
àquela que vivenciamos no Brasil.

8. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS E CUMULAÇÃO DE PEDIDOS.

Tendo em conta, sobretudo, o interesse da economia, as leis do processo


autorizam e de certo modo estimulam a cumulação de pedidos no mesmo processo. Os
resultados dessa salutar política legislativa, entretanto, podem ser em grande parte
comprometidos pela existência[AFF1] de procedimentos difer enciados.

O ponto de contato entre os dois temas está em que a acumulação objetiva de


demandas está condicionada à identidade de rito ao qual se deva submeter a tramitação de
cada um dos pedidos formulados (CPC, art. 292, § 1º, inc. III). Admite -se, porém, que a
cumulação se dê ainda quando inexista tal identidade dos procedimentos prescritos desde que
o autor, mediante opção pelo rito ordinário, enseje a uniformização procedimental. No fito de
favorecer a cumulação e, por via dela, os interesses da econo mia, da simplificação e da
prevenção de julgados conflitantes, faculta -se ao autor, se o prefere, fazer adotar para todos os
pedidos em concurso o rito ordinário, com implícita renúncia ao procedimento especial a
priori indicado para algum ou alguns deles.

A regra jurídica em foco implica duas idéias: a de que todo procedimento


especial é instituído em prol do autor, e , portanto, disponível a líbito deste, e a de serem todos
os procedimentos especiais redutíveis ao ordinário. Mas, conquanto não esteja a o pção
condicionada à anuência do demandado, pelo menos o segundo desses postulados não é de
aceitar-se com tal amplitude. Pode suceder que o réu seja interessado, quiçá mais do que o
autor, na adoção de procedimento diverso do ordinário. [29] Casos há, conv ém lembrar, em
que a angularização da relação processual só se pode dar após satisfeito algum requisito, a
cargo do autor, condicionante da citação; é o que se dá, verbi gratia, na ação de substituição
de título ao portador e nos embargos de terceiro: na e strutura dos correspondentes ritos

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especiais, há exigência da prévia justificação de determinados pressupostos, sem o que o réu
sequer será citado (arts. 909 e 1.050 do CPC). Pode -se lembrar, mais, que o procedimento
especial das ações possessórias enseja ao réu, sem reconvir, postular a proteção interdital para
a sua própria posse e a indenização de danos (art. 922). Há que pensar duas vezes, portanto,
antes de afirmar-se que o rito especial só interessa ao autor e por isso é sempre
unilateralmente disponível. Em casos como os apontados, nem sempre é de se admitir, sem
anuência do réu, a substituição do rito, mesmo que para possibilitar cumulação.

Por outro lado -- e esse é o ponto que ora mais interessa -- há determinadas
“ações” intrínseca e irredutivel mente submetidas ao procedimento especial, impraticável a
conversão para o ordinário. Resulta, pois, que elas são também inacumuláveis com outras
sujeitas a diverso procedimento. Bastaria lembrar um exemplo dramático: o mandado de
segurança. Ou indagar-se da possibilidade de processar -se ordinariamente uma ação de
usucapião, com as imanentes e impostergáveis providências do art. 942 do CPC, [30] ou de
ajustar ao procedimento genérico atos e prazos como os do seu art. 915.

Já o Código de 1939 continha norm a similar à enfocada (art. 155, parágr.


único), de aparência igualmente liberal e irrestrita. Mas os tribunais cedo descobriram a
irredutibilidade de alguns procedimentos especiais ao ordinário e tiveram de vetar, por
impossibilidade de uniformização do ri to, cumulações requeridas sob a invocação daquele
dispositivo. [31] E mesmo os setores da doutrina que prestigiam sem ressalvas o chamado
princípio da preferibilidade do rito ordinário e da plena disponibilidade do procedimento,
independentemente do conse nsus partium, recuam frente a certas hipóteses. [32]

A acumulabilidade de ações a que correspondem diferentes formas de processo


- vale dizer, a incidência do art. 292, § 2º, - só é possível, em verdade, quando entre os
procedimentos envolvidos não se a che nenhum dos irredutíveis ao ordinário ou dos instituídos
também no interesse e benefício do demandado, ou em contemplação do interesse público.

CONCLUSÕES.

É do maior interesse, não apenas a bem da simplificação e da operacionalidade


do processo, mas também na busca do aprimoramento técnico do sistema, que os ritos

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especiais se reduzam a número bem menor do que o atualmente existente, de acordo, aliás,
com uma tendência mundial.

Isso não significa, porém, que se deva condenar ao desaparecimento essa


categoria. O que se impõe é uma criteriosa seleção dos casos para os quais o trâmite ordinário
seria realmente inadequado ou superabundante em atos e formalidades. Em princípio, o
critério dessa seleção terá sempre de levar em conta as particulares ne cessidades do trato em
juízo da relação de direito material considerada.

Também se justifica, embora não na enorme quantidade hoje conhecida, a


prescrição legal de procedimentos especiais para determinadas causas ligadas a institutos de
direito material ainda não completamente sedimentados na legislação nacional, e , por isso,
não codificados. É aceitável que leis extravagantes regulem no mesmo texto os aspectos de
direito material e aqueles de processo atinentes ao mesmo instituto.

Igualmente justificável, e recomendável mesmo, é que se mantenham


procedimentos específicos para as causas submetidas aos juizados especiais e de pequenas
causas, com máxima ênfase na simplificação, oralidade e busca da conciliação.

Não compromete de modo algum a autonomi a do direito processual a


existência de procedimentos cuja escolha se determina pela natureza da pretensão de direito
material, desde que essa é apenas uma das muitas e inevitáveis opções que só se podem
fazer a partir dessa referência.

(Abril de 1994)

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