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NIVELAMENTO DE

LIBRAS INTERMEDIÁRIO II

ETAPA 4
LITERATURA SURDA
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br

Nivelamento de Libras Intermediário II


Centro Universitário Leonardo da Vinci

Organização
Prof.ª Ana Clarisse Alencar Barbosa

Autora
Fabiana Schmitt Corrêa

Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch

Pró-Reitoria de Ensino de Graduação a Distância


Prof.ª Francieli Stano Torres

Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância


Prof. Hermínio Kloch

Diagramação e Capa
Renan Willian Pacheco

Revisão
Aline Fernanda Guse
2 NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II

1 LITERATURA SURDA

É a forma de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de torná-


lo acessível e habitável, ajustando-o com suas percepções visuais [...] isso abrange a
língua, as ideias, as crenças, os costumes e os hábitos de povo surdo (STROBEL, 2009).

FONTE: Disponível em: <https://escritadesinais.wordpress.


com/2010/08/26/literatura-surda/>. Acesso em: 30 jun. 2017.

Esse tema talvez chame sua atenção, instigue curiosidade acerca do que poderia
ser diferente entre a literatura e a literatura surda.

As publicações sobre os surdos e a língua de sinais são raras. No entanto, as his-


tórias são contadas e circulam na língua de sinais, que repassa, de uma geração
para outra, os valores, o orgulho de ser surdo, os feitos dos líderes surdos, as
histórias de vida e as dificuldades de participação em uma sociedade ouvinte.
Desse modo, a literatura surda é, num certo sentido, uma tradição “em sinais”
e é, eventualmente, registrada em filmes ou vídeos. Outras formas de registro
são as traduções das histórias para a língua escrita do país, por exemplo, as
histórias que são contadas na língua de sinais brasileira e que são, posterior-
mente, traduzidas para a escrita da língua portuguesa (KARNOPP 2010, p. 172).

Pois bem, vamos esclarecer um pouco desse conceito e compreender as razões


que levaram pesquisadores e autores a definirem esse tipo de literatura.

Agora, imaginemos uma época em que pouco se aceitava, ou talvez nada, em


relação a uma língua sinalizada ainda vista por muitos como inferior e uma comunidade
‘diferente’. Difícil!? Sim! Pense agora no acesso que crianças tinham à literatura e quanto
foi importante que os movimentos literários se ativessem às necessidades também
das crianças surdas. Em tempos passados somente?! Não! Em discussões importantes
atualmente também:

Talvez seja fácil definir e localizar, no tempo e no espaço, um grupo de pessoas;


mas quando se trata de refletir sobre o fato de que nessa comunidade surgem –
ou podem surgir – processos culturais específicos, é comum a rejeição à ideia da
“cultura surda”, trazendo como argumento a concepção da cultura universal, a
cultura monolítica. Não me parece possível compreender ou aceitar o conceito
de cultura surda senão através de uma leitura multicultural, ou seja, a partir de
um olhar de cada cultura em sua própria lógica, em sua própria historicidade,
em seus próprios processos e produções. Nesse contexto, a cultura surda não é
uma imagem velada de uma hipotética cultura ouvinte. Não é seu revés. Não
é uma cultura patológica (SKLIAR, 1998, p. 28).

A autora Karnopp (2008), em seus achados, nos indica que a literatura surda faz
parte da cultura surda. Contempla, segundo a autora, histórias produzidas e histórias

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de vida que encontramos nos contos, fábulas, lendas, piadas, poemas, entre outros. O
material, em geral, reconta a experiência das pessoas surdas, no que diz respeito, direta
ou indiretamente, à relação entre as pessoas surdas e ouvintes, que são narradas como
relações conflituosas, benevolentes, de aceitação ou de opressão do surdo.

Combinado a essa perspectiva, Mourão (2012), falando de cultura surda e focos


de interesse, indica também que:

Essas histórias não interessam só para elas, mas também para as comunidades
ouvintes, através da participação tanto de sujeitos ouvintes quanto de sujeitos
surdos. Os sujeitos surdos transmitem modelos e valores históricos através
de várias gerações de surdos, com artistas plásticos ou outros artistas. [...] até
adaptações de vários gêneros como romance, lendas e outras manifestações
culturais, que constituem um conjunto de valores e ricas heranças culturais e
linguísticas (MOURÃO, 2012, p. 3).

Complementando a fala de Mourão (2012), Morgado (2011) diz que o início


ocorreu de forma natural, concomitantemente ao uso das línguas de sinais nos países.
Esse fato se deu de início nas escolas de surdos, numa época em que crianças e jovens
surdos se comunicavam de forma escondida, já que por muito tempo a língua de sinais
era proibida.

É importante ressaltar, também, que a cultura surda a qual fazemos referência,


não se desprende da literatura surda:

[...] não significa que todas as pessoas surdas no mundo compartilhem a


mesma cultura simplesmente porque elas não ouvem. Os surdos brasileiros
são membros da cultura surda brasileira da mesma forma que os surdos ame-
ricanos são membros da cultura surda norte-americana. Esses grupos usam
línguas de sinais diferentes, compartilham experiências diferentes e possuem
diferentes experiências de vida. No entanto, há alguns valores e experiências
que os surdos, independente do local onde vivem, compartilham, ou seja: “to-
dos são pessoas surdas vivendo em uma sociedade dominada pelos ouvintes”
(WILCOX; WILCOX 2005, p. 78).

Outra questão importante a compreender, ressaltada por Karnopp (2008), faz


referência à cultura surda também, indicando a necessidade de entender que essa cultura
é presente e pode se apresentar como a intenção de reconhecimento, que quer marcar
sua cultura ao seu modo, imagens e sentidos próprios, diferente do apresentado pela
cultura ouvinte.

A literatura surda tem uma tradição diferente, próxima a culturas que transmi-
tem suas histórias oral e presencialmente. Ela se manifesta nas histórias conta-
das em sinais, mas o registro de histórias contadas no passado permanece na
memória de algumas pessoas ou foram esquecidas. [...] O registro da literatura
surda começou a ser possível principalmente a partir do reconhecimento da
Libras e do desenvolvimento tecnológico, que possibilitaram formas visuais
de registro dos sinais (KARNOPP, 2008, p. 2).

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Ao observarmos as literaturas, percebemos facilmente que elas trazem como tema


as experiências das pessoas surdas. Esse contexto abordado numa literatura infantil, por
exemplo, indica para uma criança que experiências como as dela não são únicas, ruins
ou estranhas. Há uma identificação do personagem com fatos da sua vida.

As produções culturais de pessoas surdas envolvem, em geral, o uso de uma


língua de sinais, o pertencimento a uma comunidade surda e o contato com
pessoas ouvintes, sendo que esse contato linguístico e cultural pode propor-
cionar uma experiência bilíngue a essa comunidade (KARNOPP, 2008, p. 6).

Sobre cultura surda, trazemos Strobel (2009, p. 19), que fala de maneira muito
tranquila sobre essa questão, indicando que “A cultura não vem pronta, daí porque ela
sempre se modifica e se atualiza, expressando claramente que não surge com o homem
sozinho e sim das produções coletivas que decorrem do desenvolvimento cultural
experimentado por suas gerações passadas”. Com base em leituras de materiais da
autora, compreendemos de certa forma que a cultura surda é autônoma, quando lemos
que:

Cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a


fim de torná-lo acessível e habitável, ajustando-o com as suas percepções visu-
ais, que contribuem para a definição das identidades surdas e das “almas” das
comunidades surdas. Isto significa que abrange a língua, as ideias, as crenças,
os costumes e os hábitos do povo surdo (STROBEL, 2009, p. 27).

Sobre literatura, Karnopp também destaca:

A literatura surda tem uma tradição diferente, próxima a culturas que trans-
mitem suas histórias oral e presencialmente. Ela se manifesta nas histórias
contadas em sinais, mas o registro de histórias contadas no passado permanece
na memória de algumas pessoas ou foram esquecidas. Assim, estamos privile-
giando a literatura surda contemporânea, após o surgimento da tecnologia, da
gravação de histórias através de fitas VHS, CD, DVD ou de textos impressos
que apresentam imagens, fotos e/ou traduções para o português. O registro da
literatura surda começou a ser possível principalmente a partir do reconheci-
mento da Libras e do desenvolvimento tecnológico, que possibilitaram formas
visuais de registro dos sinais (KARNOPP, 2008, p. 2).

Vejamos algumas literaturas para exemplificar:

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FIGURA 1 – EXEMPLO DE LITERATURA SURDA

FONTE: Disponível em: <http://maesamigas.com.br/dia-do-surdo-2609-livros-para-inclusao/>.


Acesso em: 30 jun. 2017.

“Esta história de um menino surdo é parecida com a de muitas outras crianças


que nasceram ou ficaram surdas. Dúvidas, desespero, culpa, acusações, sofrem os pais.
Solidão, um imenso sem-sentido, um mundo que teima em não se organizar, sobre a
criança. O que fazer?” (RODRIGUES, s.d.)

FIGURA 2 – EXEMPLO DE LITERATURA SURDA

FONTE: Disponível em: <http://nomundodalibras.blogspot.com.br/p/literatura-surda.html>.


Acesso em: 30 jun. 2017.

Quando a Rapunzel foi raptada pela bruxa, ela percebeu que a menina não falava,
mas tinha uma grande atenção visual. Rapunzel começou a apontar para o que queria
e a fazer gestos para muitas coisas. A bruxa então descobriu que a menina era surda e
começou a usar alguns gestos com ela.

Disponível em: <https://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/30/cinderela%C2%A0surda-e-rapunzel-surda/>.

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FIGURA 3 – EXEMPLO DE LITERATURA SURDA

FONTE: Disponível em: <http://nomundodalibras.blogspot.com.br/p/literatura-surda.html>.


Acesso em: 30 jun. 2017.

O nascimento de uma ave pertencente a outra espécie em um ninho de cisnes


ouvintes e a dificuldade em estabelecer-se uma comunicação entre eles são contados
em 'Patinho surdo'. No livro, o protagonista reencontra a sua família e aprende a língua
de sinais usada pelos bichinhos da lagoa.

Disponível em: <https://books.google.com.br/books/about/Patinho_Surdo.html?hl=pt-


BR&id=fYLq968qiioC>.

FIGURA 4 – EXEMPLO DE LITERATURA SURDA

FONTE: Disponível em: <http://nomundodalibras.blogspot.com.br/p/literatura-surda.html>.


Acesso em: 30 jun. 2017.

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A história “A cigarra surda e as formigas” – escrita por duas professoras de surdos,


Carmem Oliveira e Jaqueline Boldo, uma ouvinte e a outra surda, respectivamente –
apresenta como tema a importância da amizade entre surdos e ouvintes e faz um apelo
ao final da história “Amiguinhos precisamos respeitar as diferenças”.

Disponível em: <http://internas.netname.com.br/arquivos/telesala/Oficina_Contos_de_fadas_em_


LIBRAS_29_10_11-EI.pdf>.

FIGURA 5 - EXEMPLO DE LITERATURA SURDA

FONTE: Disponível em: <http://internas.netname.com.br/arquivos/telesala/Oficina_Contos_de_


fadas_em_LIBRAS_29_10_11-EI.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2017.

Nessa história a Cinderela e o Príncipe são surdos. No lugar do sapato de cristal,


a personagem principal perde uma das luvas. A escolha da luva se dá em virtude desta
peça ser uma referência às mãos, amplamente utilizadas pelos surdos do mundo inteiro
para se comunicar.

Disponível em: <https://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/30/cinderela%C2%A0surda-e-


rapunzel-surda/>.

A autora Morgado (2011b, p. 21) define também em relação às literaturas que:

[...] são contadas em língua de sinais, sejam frutos de tradução ou não, podendo
ter um tema relacionado com o surdo ou não. [...] não precisa ser contada ex-
clusivamente em língua de sinais, ou seja, ela também pode ser escrita, porém,
o tema deve ser relacionado aos surdos.

Encontramos nesse contexto, também, outras formas de expressão cultural, para


além da literatura, envolvendo a cultura surda. Temos exemplos citados anteriormente,
indicaremos aqui fontes de acesso a essas formas de expressão cultural da comunidade
surda.

As literaturas foram apresentadas, mas temos, ainda, a poesia que faz parte desse
repertório rico mostrado até então, para tanto, apresentamos a afirmação de Sutton-
Spence e Quadros (2006, p. 116):

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Uma das contribuições principais da poesia sinalizada para o empoderamento
do povo surdo é a maneira com que os poemas retratam a experiência das
pessoas surdas. [...] Diante de [...] ameaça à identidade pessoal e cultural dos
surdos, os poemas que descrevem e validam a experiência surda são fortemente
usados para o empoderamento do povo surdo.

Sobre essa citação, podemos refletir acerca da importância do trabalho com


estudantes com surdez numa perspectiva educacional, e os aspectos que podem
influenciar positivamente em suas vidas.

POESIA EM LIBRAS

Com relação à poesia, se compararmos as de ouvintes, elas são diferentes em


muitos aspectos, primeiro pela modalidade, uma é auditiva e a outra é visual. Para os
ouvintes, a poesia se torna linda quando produz rima, palavras rebuscadas, prosódia etc.
Diferente do que encontramos em Libras, a beleza da poesia está na configuração da mão,
no movimento. Nas pesquisas de Quadros e Sutton-Spence (2006, p. 112), encontramos
a afirmação de que a “[...] poesia em língua de sinais, assim como a poesia em qualquer
língua, usa uma forma intensificada de linguagem [“sinal arte”] para efeito estético”.

Para explicitar o que fica evidente em uma poesia em língua de sinais, Morgado
(2011, p. 62) identifica formas de serem apresentadas s poesias, os recursos utilizados
pelos poetas surdos:

• modificação de sinais;
• variação de sinais;
• utilização de componentes não manuais (expressão corporal e facial);
• uso de classificadores;
• recorrência a metáforas;
• interiorização de personagens com suas características;
• mudança de papéis para representar diferentes personagens ou situações.

Pensando nos registros, já que é uma modalidade visual, há o entendimento de


que;

Além da escrita, outras formas de documentação, como filmagens, são funda-


mentais para o registro de formas linguísticas que vão se perdendo ou se trans-
formando. Para uma comunidade de surdos manter o leque de possibilidades
artísticas e expressões da língua de sinais, os registros visuais são indispensáveis
na criação de bibliotecas visuais e podem contribuir para uma escrita posterior,
com traduções apropriadas (KARNOPP, 2010, p. 162).

Citaremos alguns exemplos de poesias e poetas da área:

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FIGURA 6 – RECORTES DA POESIA DA BANDEIRA BRASILEIRA – NELSON PIMENTA

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZCxI09cMf6U>. Acesso em: 30 jun.


2017.

Nesta poesia, evidencia-se a configuração de mão preponderante em B ou em 5.

  “[...] versos sinalizados do poema  Bandeira brasileira, de Nelson Pimenta,


destacado ator e poeta surdo brasileiro. Utilizando-se das noções da estrutura
fonológica, gesto e dos efeitos da modalidade sobre a linguagem espacial, o
estudo pretende verificar a construção do poema em Libras [...]” (ARAÚJO,
2016, p. 180).

FIGURA 7 – RECORTES DA POESIA RIO – FERNANDA MACHADO

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=dDw2WSqIS8k>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Nessa poesia fica evidenciada também a configuração de mão aberta.

FIGURA 8 – POESIA FELIZ NATAL – FERNANDA MACHADO

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=6ZXqoaNmm2w>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Neste poema, a poetiza [...] não usou soletração alguma e apresentou mais sinais
poéticos e neologismos. Sutton-Spence e Quadros (2006, p. 147) explicam que neologismo,
também em línguas de sinais, “pode ser usado para efeito poético de muitas maneiras,
trazendo a língua ao primeiro plano porque o poeta produziu a forma que ainda não é
parte da língua”. Resumindo o poema de Fernanda Machado, vemos que é uma narrativa
sobre uma pessoa pegando bolas coloridas, colocando-as na árvore de natal; cada bola

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expressava a história de um elemento do nascimento de Jesus: anjo, Maria, José, Rei


Herodes, três Reis Magos, burro. Fernanda sinalizou a cor de cada bola relacionando-a
a um personagem ou a objetos como estrela. No final, quebra-se a bola vermelha, que
simbolizava Rei Herodes, e dela sai uma luz que voa para o céu e se transforma em
trenó com renas, Papai Noel e saco de presentes (SILVEIRA E KARNOPP, 2013, p. 7).

FIGURA 9 – POESIA LEI DE LIBRAS – FERNANDA MACHADO

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=BF4xfLCB1TM>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Igualmente às anteriores, mão aberta em evidência. Claro, há muitas configurações


de mãos envolvidas, mas de forma clara, essa aparece com mais evidência, o mesmo se
refere a outras poesias.

Finalizando sobre poesia, Karnopp (2010, p. 13) resume sabiamente que “assim
como na literatura escrita, em relação à palavra, a literatura surda se vale de recursos que
escapam do uso cotidiano de Libras e criam efeitos estéticos, que têm uma repercussão
positiva entre a comunidade surda e contribuem para o desenvolvimento de sua
identidade”.

PIADA EM LIBRAS

Outras questões que envolvem a literatura surda, em expressões diferentes, são as


piadas. Sobre as piadas em Libras, algo muito curioso acontece. Inevitavelmente, o tema
central da piada envolve surdos e ouvintes, uma forma cômica de provocar o ouvinte
em relação a sua audição. Outra situação é a questão da interpretação de uma piada, é
provável que ela perca seu sentido ao ser traduzida, já que envolve uma modalidade
diferente da auditiva para sua elaboração.

Surdos reúnem-se frequentemente para contar histórias e, entre as preferidas,


estão as histórias de vida, as piadas e aquelas que incluem elementos da cul-
tura surda, com personagens surdos, com tramas que, em geral, envolvem as
diferenças entre o mundo surdo e o ouvinte (KARNOPP, 2008, p. 7).

Seguem alguns exemplos de piadas em libras que podem ser visualizadas a


partir da fonte indicada:

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FIGURA 10 – PIADA EM LIBRAS – LEGENDADA

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=k9EnDMhtzYQ>. Acesso em: 30


jun. 2017.

FIGURA 11 – PIADA EM LIBRAS – LEGENDADA

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=kaagcZVusx4>. Acesso em: 30 jun.


2017.

FIGURA 12 – PIADA EM LIBRAS: LUA DE MEL – SEM LEGENDA

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WZf-MVtgLVM>. Acesso em: 30


jun. 2017.

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CURTA METRAGEM

FIGURA 13 – CURTA METRAGEM: O CURIOSO

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=DPD9yberusQ>. Acesso em: 30


jun. 2017.

O curta é criação de Alexs Pimentel em parceria com o Ministério de Surdos


Neemias. Os atores são surdos do ministério, sendo ele, um dos trabalhos realizados na
Primeira Igreja do Evangelho Quadrangular, Curitiba, PR. O filme faz abordagem de
alguns conflitos existentes na comunidade surda e junto com ele é elaborada uma série
de estudos para serem aplicados em grupos pequenos de surdos. Os temas abordados
são: drogas, internet, conflitos em família, como: alcoolismo, choques culturais etc.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=HBQleAIGFxc>.

FIGURA 14 – CURTA METRAGEM: O CUPIDO

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=nccGYSGcrsQ>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Às vezes, você tem que ouvir com o coração. Uma noite de sábado, no meio de
um concerto improvisado, ela percebe um cliente que não tenha visto antes, com um
olhar de completo desinteresse em seu rosto. Laura, normalmente, não se importava,
mas com esse cara, é como se ela nem estivesse lá. Quem é ele? E por que Laura não
pode parar de olhar para ele?

Disponível em: <https://filmow.com/cupido-t96982/>.

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NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II 13

As propagandas também fazem parte da literatura em Libras, desejam despertar


para a língua e para questões a ela relacionadas. Vejamos alguns exemplos:

FIGURA15 – PROPAGANDA RBS

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=k5QfKtvFDoA>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Comercial mostra como é importante a criança surda ser bem recebida por
crianças ouvintes. Pais, ensinem seus filhos a receberem com naturalidade a criança
que não pode ouvir como eles ouvem. São todas crianças querendo aprender, brincar,
interagir.

FIGURA 16 – PROPAGANDA BANCO DO BRASIL

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=BUxyREWqzQ4>. Acesso em: 30


jun. 2017.

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14 NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II
FIGURA 17 – SURPRESA EM LÍNGUA DE SINAIS – PROPAGANDA SAMSUNG

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=JEVT6b7zMUQ>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Um homem surdo caminha pela rua: o que acontece em volta dele o faz emocionar!
Para remover o novo serviço de call center visivo, dedicada às pessoas surdas, a Samsung
criou este experimento em que um homem, acompanhado por sua irmã, vive um dia
'sem fronteiras'. Ele encontra pessoas que usam a língua dos sinais e a sensação de
sentir-se incluso o faz emocionar!

FIGURA 18 – IMAGEM DO CURTA METRAGEM TAMARA

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=LOJlL6P9LQ0>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Tamara é uma curta-metragem de animação sobre uma menina e o seu sonho


de ser bailarina. A música para, mas isso não detém Tamara, que segue a sua dança…
Uma bonita história que nos mostra que, apesar das dificuldades, devemos perseguir
os nossos sonhos (link acima).

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NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II 15

FIGURA 19 – CONQUISTANDO O IMPOSSÍVEL

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=exAW6xD7HQU>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Uma história bem interessante!

FÁBULAS

A autora Karnopp (2008, p. 18) resume esse gênero textual como “[...] um texto
de ficção. As fábulas são narrativas em que os personagens são animais personificados
que representam histórias sobre a vida humana. O objetivo final da fábula é realizar
um ensinamento através de uma lição de moral”.

Seguiremos com alguns exemplos de fábulas em Libras:

FIGURA 20 – FÁBULA EM LIBRAS

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4ABlBDfTNpU>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Por um longo tempo, três touros sempre pastaram juntos. Um leão, escondido no
mato, espreitava-os na esperança de fazer deles seu jantar, mas tinha receio de atacá-los
enquanto estivessem em grupo. Desse modo, resolveu arquitetar um malicioso plano.
Assim, passado algum tempo, por meio de maliciosas e traiçoeiras palavras, e os muitos
mexericos que espalhou entre eles, acabou por criar no grupo um desfavorável clima
de discórdia, até finalmente conseguir separá-los. Assim, desfeito o grupo por conta do

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16 NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II

desentendimento, tão logo eles pastavam sozinhos, atacou-os sem medo algum. E um


após outro foram sendo devorados, sempre que ele sentia fome.

Disponível em: <http://sitededicas.ne10.uol.com.br/fábula-o-leao-e-os-tres-touros.htm>.

FIGURA 21 – FÁBULA EM LIBRAS

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=NtN98y67ukM>. Acesso em: 30


jun. 2017.

A Cia. Arte e Silêncio apresenta a Fazenda: Pato.  O pato é um dos poucos


animais da natureza que anda, nada e voa com razoável competência. É o único animal
que consegue dormir com metade do cérebro e manter a outra em alerta. É dotado de
perfeito senso de direção e comunidade.

Nesse canal, podemos achar outras fábulas que envolvem outros animais também.

FIGURA 22 - FÁBULAS SITE INES

FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aGmij9mBQvI>. Acesso em: 30


jun. 2017.

Fábula clássica da literatura, em Libras, contando a história do rato que salvou


um leão.

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NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II 17

DICIONÁRIO LIBRAS

MONETÁRIO

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18 NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II

Vamos praticar?

Vídeo em Libras para treinar os sinais:


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Q1_pYheuAfc>.

AUTOATIVIDADE:

1 Assista ao vídeo da Cinderela surda. Disponível em: <https://www.youtube.com/


watch?v=AE2aos08PjY>. Escreva qual alteração teve para que a história fosse
transformada em Literatura Surda. Na sua opinião, é importante que a criança surda
tenha contato com a Literatura Surda? Por quê?

2 - Veja o conto disponível no vídeo a seguir e responda:


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=u7OC3_2uAdw>.

1. Qual é a idade da narradora no conto?


2. Quem são as pessoas que fazem parte do conto?
3. Em que lugar a narradora foi?
4. Havia animais no conto, com qual animal ela gostava de brincar? Como ele era?
5. O que ela comeu no local?
6. Quem fez o café?
7. O que a irmã gostava de comer?
8. Onde foram pedalar?
9. O que fizeram no local?
10. O que aconteceu quando voltaram?

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NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II 19

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Márcia Maria de Melo. O poema em libras bandeira brasileira de Nelson


Pimenta. Revista sinalizar. Goiás, v. 1. n. 2, p. 179-189, 1 jul. 2016.

BARBOSA, Eva dos Reis Araujo. Santa Luzia: No mundo da Libras. 2013.

KARNOPP, Lodenir. Literatura Surda. Florianópolis: UFSC – Universidade Federal


de Santa Catarina, 2008.

KARNOPP, Lodenir. Produções culturais de surdos: análise da literatura surda.


Cadernos de Educação (UFPel), v. Ano 19, p. 155-174, 2010.

MORGADO, Marta. Literatura em língua gestual. In: KARNOPP, Lodenir;

KLEIN, Madalena; LUNARDI-LAZZARIN, Marcia (Orgs.). Cultura surda na


contemporaneidade: negociações, intercorrências e provocações. 1. ed. Canoas:
Editora da ULBRS, 2011a.

MORGADO, Marta. Literatura das línguas gestuais. Lisboa: Universidade Católica


Editora, 2011b.

MOURÃO, Claudio H. N. Adaptações e tradução em literatura surda: a produção


culturas em língua de sinais. Disponível em: <http://www.portalanpedsul.com.br/
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Acesso em: 20 maio 2017.

RODRIGUES, Luciane Andrade. Oficinas contos de fadas em Libras. Disponível em:


<http://internas.netname.com.br/arquivos/telesala/Oficina_Contos_de_fadas_em_
LIBRAS_29_10_11-EI.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2017.

SEMINÁRIO ANPED SUL, IX, 2012, Caxias do Sul, Mourão. Adaptação e tradução
em literatura surda: a produção cultural surda em língua de sinais. Rio Grande do
Sul: ed. da UCS, 2012. Disponível em: <http://www.portalanpedsul.com.br/admin/
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SILVEIRA, Carolina Hessel; KARNOPP, Lodenir Becker. Literatura surda: análise


introdutória de poemas em libras. 2003. Disponível em: <http://portal.sme.prefeitura.
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20 NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II

SKLIAR, Carlos (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre:


Mediação, 1998.

STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. 2. ed. revisada.


Florianópolis: Editora UFSC, 2009.

SUTTON-SPENCE, Rachel; QUADROS, Ronice Müller. Poesia em língua de sinais:


traços da identidade surda. In: QUADROS, Ronice Müller (Org.). Estudos Surdos I.
Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2006.

WILCOX, Sherman; WILCOX, Phyllis. Aprender a ver. Trad: Tarcísio Leite. Rio de
Janeiro: Arara Azul, 2005.

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NIVELAMENTO DE LIBRAS INTERMEDIÁRIO II 21

GABARITO DAS AUTOATIVIDADES:

Atividade 1

Na história A cinderela surda, os personagens principais são surdos. Ao invés de perder


o sapatinho de cristal, a Cinderela perde a Luva, pois na cultura surda as mãos são
muito valorizadas, pelo fato de serem instrumentos de comunicação.
É de suma importância para a criança surda ter uma história baseada na realidade dela,
para que ela também possa se espelhar nas personagens.

Atividade 2

1. 5 anos.
2. A narradora, a irmã, o pai, a mãe e a avó.
3. Sítio ou fazenda da avó.
4. Cachorro, era grande marrom com branco.
5. Tangerina e bolo de chocolate.
6. A avó.
7. Tangerina e bolo de cenoura.
8. No cemitério.
9. Pegaram flores para dar para a avó e para a mãe.
10. O pai descobriu que as flores foram furtadas do cemitério e deu uma surra.

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