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FACULDADE CAMPOS ELÍSEOS

PÓS-GRADUAÇÃO EM NEUROPSICOPEDAGOGIA

NEUROPSICOPEDAGOGIA: OS DESAFIOS NO ÂMBITO


ESCOLAR.

Ana Paula Correa da Silva1


Leonardo Rehbein²

Resumo: Este trabalho tem por objetivo mostrar o desafio da neuropsicopedagogia no âmbito
escolar, pois aborda a importância do Neuropsicopedagogo nas instituições de ensino, como
auxiliar na superação dos problemas de aprendizagem em sala de aula, relatando sobre a
atuação do Neuropsicopedagogo com alunos portadores ou não de transtornos e dificuldades
de aprendizagem, atuando na avaliação, intervenção, acompanhamento, buscando orientações
e estratégias para manter um diálogo permanente com a escola, família e com outros
profissionais envolvidos na intervenção do problema trazido em relação à aprendizagem. Os
aspectos metodológicos utilizados para a realização deste trabalho foram análises teóricas e
estudos bibliográficos.

Palavras-chave: Neuropsicopedagogia. Desafios. Aprendizagem.

NEUROPSICOPEDAGOGY: THE CHALLENGES IN THE SCHOOL SITE.

Abstract: This paper aims to show the challenge of neuropsychology in the school environment,
as it addresses the importance of Neuropsychology in the school institution, as an aid in
overcoming learning problems in the classroom, reporting on Neuropsychology pedagogy with
students with or without disorders and learning difficulties, acting in the evaluation, intervention,
follow-up, seeking school orientations and strategies to maintain a permanent dialogue with the
school, family and with other professionals involved in the intervention of the problem brought in

1
Discente: Pós graduanda em Supervisão Escolar– Faculdade Campos Elíseos.
² Orientador: Leonardo Rehbein
2
relation to learning. The methodological aspects used to carry out this work were theoretical
analyzes and bibliographic studies.

Keywords: Neuropsychology. Challenges. Learning.

INTRODUÇÃO

O intuito deste trabalho é refletir sobre as origens e as características


das críticas e visões inerentes à prática do Neuropsicopedagogo e ainda
destacar o desafio dessa profissão.
O contexto educacional tem passado por várias transformações no
decorrer dos anos, nos dias atuais a Escola ainda presencia certos paradigmas
e concepções tradicionais bem explícitas que acabam interferindo no processo
pedagógico. Um desses dilemas diz a respeito à concepção do
Neuropsicopedagogo.
Diante das reflexões anteriores, questionamos qual é o papel do
Neuropsicopedagogo, qual a melhor forma de garantir um trabalho eficiente e
em conjunto com os professores. Partindo dessas ideias é que surgiu a
necessidade de discutirmos e refletirmos sobre esse profissional da área da
educação.
Para entender a trajetória do Neuropsicopedagogo é necessário saber
como surgiu à profissão, buscando entender os desafios e seu funcionamento.

A NEUROPSICOPEDAGOGIA NO BRASIL E SUAS FUNÇÕES

A Neuropsicopedagogia surgiu através de pesquisas, esta reuniu


profissionais das mais diversas áreas e com diferentes visões de educação e
de saúde. Um grupo muito heterogêneo, composto de Educadores
Pedagogos, Educadores Psicopedagogos, Psicólogos, Neuropsicólogos,
Médicos Pediatras, Médicos Psiquiatras infanto juvenis, Fonoaudiólogos,
Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas e Neurocientistas. E assim nasceu o
primeiro projeto que envolvia as Neurociências aplicadas à educação,
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nomeado de Neuropsicopedagogia, unindo Neurociências, Psicologia e
Pedagogia. Foi fundado a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia
(SBNPp) na cidade de Joinville, trazendo normas técnicas, sendo um norteador
sobre essa nova profissão que começava a surgir.

Refinando estudos, agregando pessoas e perspectivas, definiu-se a


Neuropsicopedagogia como uma nova ciência, com metodologia
transdisciplinar, pautada em Neurociência aplicada à Educação, em
interface com a Pedagogia e Psicologia Cognitiva, a qual tem como
objeto de estudo formal, a relação entre o funcionamento do sistema
nervoso e aprendizagem humana, podendo possibilitar a reintegração
pessoal, social e educacional das pessoas. Ela tem foco no
fortalecimento em caráter social, mas, para tanto, não poderia deixar
de colocá-la lado a lado com o caráter científico. (SBNPp, 2016)

Foi o início de uma nova configuração de profissionais educadores, que


tiveram a oportunidade de se tornarem mais qualificados para lidar com as
diversas especificidades que a escola apresenta.
Com o tempo, a Neuropsicopedagogia ganhou credibilidade graças aos
casos solucionados com bom desempenho, usando a intervenção
neuropsicopedagogia. As entidades de classes hoje já conseguem olhar a
Neuropsicopedagogia como uma área de grande suporte das questões da
aprendizagem escolar, também como uma possibilidade de reintegração dos
indivíduos que dela dependem.

A Neuropsicopedagogia é um campo do conhecimento que interage com


outros conhecimentos e princípios de diferentes partes das Ciências Humanas:
Psicológicas, Pedagógicas, Sociológicas, Antropológicas, entre outras,
desconstruindo o fracasso escolar, entendendo o erro apresentado pelo
indivíduo no processo de construção do seu conhecimento, da aprendizagem
significativa e suas interações como fator importante no desenvolvimento das
habilidades cognitivas.
As bases teóricas e práticas que sustentam a formação dos profissionais
de neuropsicopedagogia vêm das Neurociências e da educação, os estudos
nessas áreas ajuda o Neuropsicopedagogo a compreender a complexidade do
funcionamento cerebral e suas articulações, contribuindo para entender como
se processa o ensino-aprendizagem. Através das Neurociências o profissional
de Neuropsicopedagogia passa a entender sobre a complexidade do
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funcionamento cerebral e as articulações entre o cérebro e o comportamento
humano. Segundo os autores Cosenza e Guerra (2011):

As neurociências estudam os neurônios e suas moléculas


constituintes, os órgãos do sistema nervoso e suas funções
específicas, e também as funções cognitivas e o comportamento que
são resultantes das atividades dessas estruturas. (p. 142)

Portanto, associada ao conhecimento das Neurociências, que possui


direta relação com a aprendizagem humana, e esta por sua vez enraizada nos
ambientes educacionais, nasce a NEUROPSICOPEDAGOGIA. Tendo como
objetivo de apontar soluções e avançar em todos em sentidos dentro da
educação brasileira, considerando as diferenças de cada sujeito, de cada
cidadão.

O NEUROPSICOPEDAGOGO: SEUS DESAFIOS, SUAS COMPETÊNCIAS.

Atualmente na confrontação com novos desafios que chegam todos os


dias no âmbito escolar e que pedem uma radical mudança nos conceitos de
ensinar e aprender, do aprender a aprender, ou melhor, o saber como
administrar a didática pedagógica da escola onde se depara com um mundo de
competições, pois a sociedade busca cada vez mais o êxito profissional e a
competência a qualquer custo, a escola também segue esta concepção.
Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem
sofrer com um problema de aprendizagem. A busca incansável e imediata pela
perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros
impostos, sendo necessário refletir sobre como se tem processado as
iniciativas de melhorar a vida escolar e social desses alunos, não extrapolando
suas atribuições como profissional, buscando interagir com os pais, de modo a
trazer informações necessárias para contribuir no sucesso escolar. Assim
Turuel já dizia que:

Para evitar que o aprendizado escolar se torne um paradoxo, os pais


têm a responsabilidade e o dever de traçar as regras e os limites, em
casa, no intuito de que seus filhos aprendam o respeito e cresçam
conhecendo valores éticos e morais. Assim, é preciso entender: há
uma grande diferença entre criança “ativa” e criança “mal-educada”.
Crianças precisam ter vivacidade, devem brincar, perguntar e até
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mesmo fazer bagunça. O problema surge quando essas atitudes
passam dos limites, quando o filho não respeita aquilo que os pais
consideram o mais correto para ele. Os pais têm o dever de educar
os filhos. Isso significa, inicialmente, impor as regras essenciais ao
seu bom convívio em casa e, em seguida, na sociedade como um
todo. (TURUEL, 2017.)

O profissional irá trabalhar com alunos portadores ou não de transtornos


e dificuldades de aprendizagem, atuando na avaliação, intervindo,
acompanhando, trazendo orientações de estudos e no ensino, traçando
estratégias de aprendizagem e mantendo um diálogo permanente com a
família e a escola, se possível mantendo diálogos com outros profissionais que
acompanham e estão envolvidos no caso. Pois a participação dos familiares
se torna imprescindível para o sucesso da prática, sendo uma parceria com
todos os envolvidos no processo educacional, num processo coletivo,
estimulando o grupo a avançar, superando obstáculos e desafios, visando
atingir os objetivos e projetos planejados.

O profissional da Neuropsicopedagogia assume papel importante na


abordagem e solução do problema da dificuldade de aprendizagem na fase de
alfabetização, pois aprender a ler é para a criança enfrentar novos desafios em
relação ao conhecimento linguístico, esta tarefa se torna complexa exigindo um
trabalho de equipe multidisciplinar, assim o objetivo é identificar quais as
causas das dificuldades de aprendizagem, onde está o problema, podendo ser
fundamentada nos vários tipos de transtornos biopsico e sociofamiliar.

Os educadores se questionam como solucionar as dificuldades no


processo ensino-aprendizagem da linguagem escrita e como
despertar o interesse dos alunos em prestar atenção nas atividades.
Cabe ressaltar que o fracasso de alguns alunos, em particular na
aquisição da linguagem escrita e leitura, em sua maioria, não é de
ordem disléxica e sim tipicamente de um analfabetismo funcional.
(CARNEIRO & CARDOSO, 2009)

O Neuropsicopedagogo tem o conhecimento suficiente para contribuir


de forma decisiva nesse processo de transformação. Ele sabe que, quem
ensina, ensina um "alguém". Portanto, o docente precisa ajustar o seu modo de
ensinar à melhor forma de como esse "alguém" aprende, buscando entender,
como esse aluno aprende.
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Diante desse desenvolvimento de trajetória, o Neuropsicopedagogo tem


várias responsabilidades, como desmistificar a questão do insucesso escolar,
ajudando a escola a assumir sua responsabilidade no insucesso educacional, e
também saber partilhar seu conhecimento neurocientífico. O
Neuropsicopedagogo tem o papel de ajudar os educadores a entenderem o
funcionamento desse sistema e a prepararem suas aulas para estimular o
cérebro de forma eficaz. O sucesso depende do respeito ao processo
neurobiológico da aprendizagem.
O trabalho do Neuropsicopedagogo deve acontecer sempre que um
aluno encontre dificuldade para seguir na mesma etapa que os outros demais,
buscando ajudá-lo de forma compreensiva para que possa o aprendizado, ser
algo prazeroso, trazendo para o aluno em dificuldade, processos dinâmicos e
interativos, buscando estímulos para que ele possa aprender, sem que sofra
com as dificuldades do aprendizado, descobrindo como que, para aquele aluno
o ambiente pode estar tendo papel importante no seu processo de
aprendizagem, pois tanto o ambiente físico e social tem papel importante nesse
processo de ensino. Pois, Davis e Oliveira (1994), relatam que:
“O desenvolvimento é o processo através do qual o indivíduo constrói
ativamente, nas relações que estabelece com o ambiente físico e social, suas
características”. (p.19)

O profissional precisa ficar atento no aluno como um todo, pois as


dificuldades de aprendizagem estão interligadas com várias questões, porque
podem derivar de causas emocionais, diferenças funcionais ou até de
alterações no desenvolvimento das funções, como também do nível de
pensamento.
Na aprendizagem o aluno tem na concentração e na atenção, aspectos
importantes e fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e motor, o
aprendizado depende de alguns outros fatores, estímulo, interesse e da
funcionalidade adequada das estruturas que irão receber tais estímulos e
principalmente da atenção deste aluno.
Cabe ao profissional Neuropsicopedagogo utilizar de sua formação para
melhorar o desempenho desse aluno com dificuldades, trazendo para ele
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atividades lúdicas, modalidade não verbal, equivalente às atividades escolares,
com objetivo geral de facilitar o funcionamento dos processos, habilidades e
estratégias de pensamento, em particular a atenção, por meio de: jogos, entre
outras atividades, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo e motor.

Estas atividades têm como objetivos específicos, estimular a atenção e a


necessidade de utilização de regras para qualquer atividade individual, de
grupo e da vida; propiciar o desenvolvimento da motivação para novas tarefas
e comportamento ativo, desenvolver a percepção e a interpretação da
realidade; requerer a atenção nas tarefas de encontrar semelhanças e
diferenças por meio da comparação dos objetos; e, principalmente, estimular a
percepção analítica por meio da divisão do todo em partes (desenvolvendo o
pensamento divergente) e estimular e mediar à integração das partes em um
todo (desenvolvendo o pensamento convergente).

O Profissional de Neuropsicopedagogia deve manter uma prática crítica


constante, necessita buscar na formação continuada o seu aperfeiçoamento
como técnico e pessoa. Sendo assim, antes de tudo, o Neuropsicopedagogo
necessita formar um vínculo forte com a equipe de professores para ser capaz
de exercer a cooperação coletivamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A realização desse estudo proporcionou uma compreensão mais efetiva


sobre a aplicação da Neuropsicopedagogia no processo de aprendizagem,
através da atuação do Neuropsicopedagogo no ambiente escolar.
Diante da complexidade do processo educativo, o qual é destinado a uma
heterogeneidade de alunos, cada um com suas características psíquicas,
físicas, econômicas, sociais, culturais próprias; torna-se improvável que um
único método de ensino atinja a todos, principalmente os alunos que
apresentam alguma dificuldade de aprendizagem.
A Neuropsicopedagogia como um conhecimento transdisciplinar,
fundamentada nos estudos das Neurociências aplicada à educação,
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considerando os aspectos da Psicologia e da Pedagogia, é um método de
apoio para a superação das dificuldades de aprendizagem.

Assim sendo, a atuação do Neuropsicopedagogo tem como objetivo


principal promover uma educação de qualidade, com foco no trabalho efetivo
da Educação Inclusiva, bem como o atendimento prioritário às crianças e
jovens com dificuldades de aprendizagem.
A função do Neuropsicopedagogo junto com a Equipe Técnica das
Escolas é atender a demandas relacionadas aos processos de aprendizagem
no âmbito da coletividade, entretanto com possibilidade de tratar
particularidades relacionadas à construção do conhecimento científico-
acadêmico, com o intuito de promover o desenvolvimento sócio pessoal e
educacional de todos os alunos que possuem dificuldades, elaborando
estratégias próprias da Neuropsicopedagogia.

O Neuropsicopedagogo proporcionará ao professor e a escola, ações


mais efetivas no âmbito da sua atuação como mediadores da aprendizagem.
Já o professor tendo ações mais concretas poderá sanar as dificuldades
apresentadas por seus alunos em sala de aula, e ainda, ter a possibilidade de
perceber, distinguir e encaminhar aqueles que necessitam de uma avaliação e
intervenção individualizada do Neuropsicopedagogo. Já este, mapeará as
áreas cerebrais e suas relações com as habilidades cognitivas e não cognitivas
envolvidas na aprendizagem, com seus comprometimentos e dificuldades, bem
como seu impacto comportamental.
Portanto o profissional de Neuropsicopedagogia é uma peça
fundamental no ambiente escolar, trazendo métodos capazes de inserir
novamente o aluno com dificuldades de volta ao circulo de ensino, melhorando
significamente a vida tanto escolar, como social deste aluno que passou por
tantos momentos de angustia e estresse por não estar conseguindo
acompanhar o restante da turma, deixando o docente apreensivo, pois não há
nada mais satisfatório para um professor do que ver seus alunos aprenderem e
se sentirem felizes pela conquista.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CARNEIRO, ROSÂNGELA RABELLO; CARDOSO, FABRÍCIO BRUNO. ESTIMULAÇÃO


DO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS FUNCIONAIS HEMISFÉRICAS EM ESCOLARES
COM DIFICULDADES DE ATENÇÃO: UMA PERSPECTIVA NEUROPSICOPEDAGÓGICA. REV.
PSICOPEDAG., SÃO PAULO , V. 26, N. 81, P. 458-469, 2009 . DISPONÍVEL EM
<HTTP://PEPSIC.BVSALUD.ORG/SCIELO.PHP?SCRIPT=SCI_ARTTEXT&PID=S0103-
84862009000300013&LNG=PT&NRM=ISO>. ACESSOS EM 08 MAIO 2019.

COSENZA, R. M. & GUERRA, L. B. (2011). NEUROCIÊNCIA E EDUCAÇÃO: COMO O


CÉREBRO APRENDE. PORTO ALEGRE: ARTMED.

DAVIS, C. & OLIVEIRA, Z. M. T. DE (1994). PSICOLOGIA NA EDUCAÇÃO. SÃO


PAULO: CORTEZ.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROPSICOPEDAGOGIA – SBNPP. NOTA


TÉCNICA Nº 01/2016. JOINVILLE/SC., 16 MAR. 2016. DISPONÍVEL EM:
HTTP://WWW .SBNPP.COM.BR/WP-CONTENT/UPLOADS/2016/11/NOTA-
T%C3%A9CNICA-01-2016-AGOSTO.PDF. ACESSO EM: 8 MAIO 2019.

TERUEL, JOSÉ ROBERTO. A NEUROPSICOPEDAGOGIA NO CONTEXTO


ESCOLAR. PSICOLOGADO. EDIÇÃO 02/2017. DISPONÍVEL
EM<HTTPS://PSICOLOGADO.COM.BR/ABORDAGENS/PSICOLOGIA-
COGNITIVA/A-NEUROPSICOPEDAGOGIA-NO-CONTEXTO-ESCOLAR >.
ACESSO EM 07 DE MAIO DE 2019.