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Fichamento das citações principais de “É isto um homem?”, de Primo Levi.

p. 13 – “A noite chegou, e todos compreenderam que olhos humanos não deveriam


assistir, nem sobreviver a uma noite dessas. Nenhum dos guardas, italianos ou
alemães, animou-se a vir até nós para ver o que fazem os homens quando sabem que
vão morrer.”

p. 14 – “Elas não esqueceram as fraldas, os brinquedos, os travesseiros, nem todas as


pequenas coisas necessárias às crianças e que as mães conhecem tão bem. Será que
vocês não fariam o mesmo? Se estivessem para ser mortos, amanhã, junto com seus
filhos, será que hoje não lhes dariam de comer?”

p. 15 – “E lá recebemos as primeiras pancadas, o que foi tão novo e absurdo que não
chegamos a sentir dor, nem no corpo nem na alma. Apenas um profundo assombro:
como é que, sem raiva, pode-se bater numa criatura humana?”

p. 15 – “ Assim opõe-se a ela a certeza da morte, que fixa um limite a cada alegria, mas
também a cada tristeza”.

p. 20 – ARBEIT MACHT FREI

p. 24 e 25 - Pela primeira vez,então, nos damos conta de que a nossa língua não tem
palavras para expressar esta ofensa, a aniquilação de um homem. Num instante, por
intuição quase profética, a realidade nos foi revelada: chegamos ao fundo. Mais para
baixo não é possível. Condição mais miserável não existe, não dá para imaginar. Nada
mais é nosso: tiraram-nos a roupa, os sapatos, até os cabelos; se falarmos, não nos
escutarão – e, se nos escutarem, não nos compreenderão. Roubaram também o nosso
nome, e se quisermos mantê-lo, deveremos encontrar dentro de nós a força para
tanto, para que, além do nome, sobre alguma coisa de nós, do que éramos.

p. 25 – “pois quem perde tudo, muitas vezes, perde também a si mesmo; transformado
em algo tão miserável, que facilmente se decidirá sobre sua vida e sua morte, sem
qualquer sentimento de afinidade humana. Duplo significado da expressão Campo de
extermínio.”

p. 35 – “Aqui estou, então: no fundo do poço. Quando a necessidade aperta, aprende-se


em breve a apagar da nossa mente o passado e o futuro. Quinze dias depois da chegada,
já tenho a fome regulamentar, essa fome crônica que os homens livres desconhecem;
que faz sonhar à noite; que fica dentro de cada fragmento de nossos corpos.”

p. 39 – “Seu sentido, porém, que não esqueci nunca mais, era esse: justamente porque o
Campo é uma grande engrenagem para nos transformar em anima, não devemos nos
transformar em animais; até num lugar como esse pode-se sobreviver, para relatar a
verdade, para dar nosso depoimento; e, para viver, é essencial esforçar-nos por
salvar ao menos a estrutura, a forma da civilização.”
p. 50 – “As músicas são poucas, talvez uma dúzia, cada dia as mesma, de manhã e á
noite: marchas e canções populares caras a todo alemão. Elas estão gravadas em nossas
mentes: serão a última coisa do Campo ser esquecida: são a voz do Campo, a
expressão sensorial de sua geométrica loucura, da determinação dos outros em nos
aniquilar, primeiro, como seres humanos, para depois matar-nos lentamente.”

p. 54 – Na enfermaria...”Quando se trabalha, se sofre, não há tempo de pensar; nossos


lares são menos que uma lembrança. Aqui, porém, o tempo é nosso; de beliche para
beliche, apesar da proibição, nos visitamos e falamos, falamos. O Bloco de madeira,
apinhado de humanidade sofredora, está cheio de palavras, de lembranças e de uma dor
diferente. Heimweh, chama-se em alemão essa dor. É uma palavra bonita; significa “dor
do lar.”

p. 55 - “Ninguém deve sair daqui; poderia levar ao mundo, junto com a marca gravada
na carne, a má nova daquilo que, em Auschwitz, o homem chegou a fazer do
homem.”

p. 87 – “Desejaríamos, agora, convidar o leitor a meditar sobre o significado que


podiam ter para nós, dentro do Campo, as velhas palavras “bem” e “mal”, “certo” e
“errado”. Que cada qual julgue, na base do quadro que retratamos e dos exemplos que
relatamos, o quanto, de nosso mundo moral comum, poderia subsistir aquém dos arames
farpados.”

p. 88 – “Estamos convencidos de que nenhuma experiência humana é vazia de


conteúdo, de que todas merecem ser analisadas; de que se podem extrair valores
fundamentai (ainda que nem sempre positivos) desse mundo particular que estamos
descrevendo. Desejaríamos chamar a atenção sobre o fato de que o Campo foi uma
notável experiência biológica e social.[...] Nenhum pesquisador poderia estabelecer
um sistema mais rígido para verificar o que é congênito e o que é adquirido no
comportamento do animal-homem frente à luta pela vida.”

p. 88 – “frente à pressão da necessidade e do sofrimento físico, muitos hábitos,


muitos instintos sociais são reduzidos ao silêncio.”

p. 91 – Aqui Levi descreve os “muçulmanos”, assim chamados pelos SS e alemães.


Eram a gente comum do campo, a “multidão anônima”, os não-homens que marcham e
se esforçam silenciosamente; totalmente submersos, estão tão vazios que nem sofrem
mais. “Eles povoam minha memória com sua presença sem rosto, e se eu pudesse
concentra numa imagem todo o mal do nosso tempo, escolheria essa imagem que
me é familiar: um homem macilento, cabisbaixo, de ombros curvados, em cujo
rosto, em cujo olhar, não se possa ler o menor pensamento.”

p. 99 -