Você está na página 1de 28

DANIEL FERREIRA SANTOS

A MÚSICA MILITAR NO MARANHÃO: ABORDAGEM


HISTÓRICA E INICIATIVAS DA BANDA DO CORPO DE
BOMBEIROS EM PROL DA MÚSICA NAS BANDAS
MARANHENSES

Artigo apresentado à Faculdade Afonso


Cláudio e Alpha Cursos e Consultoria
como requisito básico para a obtenção do
título de especialista no Curso Pós-
Graduação em Regência com ênfase em
Banda.
Orientador: Prof. Dr. Eduardo Gonçalves dos
Santos

Vitória – ES
2018

1

A MÚSICA MILITAR NO MARANHÃO: ABORDAGEM HISTÓRICA E


INICIATIVAS DA BANDA DO CORPO DE BOMBEIROS EM PROL DA
MÚSICA NAS BANDAS MARANHENSES

Daniel Ferreira Santos


danielclarin@hotmail.com
Prof. Dr. Eduardo Gonçalves dos Santos

RESUMO

Esta pesquisa é resultado do trabalho de conclusão do curso de pós-graduação em


Regência com ênfase em bandas e tem como objetivo realizar uma breve
abordagem histórica da prática musical das bandas militares no Maranhão a partir
da pesquisa documental que apresenta uma intensa participação destas
corporações na vida social e cultural do Estado. Alertamos para a importância da
banda do Corpo Militar de Polícia do Maranhão como um dos grupos militares mais
antigos do país e importante instrumento cultural até hoje para este Estado e a forte
influência da regência nas práticas interpretativas do repertório das bandas, aspecto
este que passa a ser preponderante para o fortalecimento das bandas, compromisso
assumido pela Banda do Corpo de Bombeiros com a realização do I Curso de
Aperfeiçoamento em Regência do Estado.

Palavras-chave: Música Militar, Banda de Música, Práticas Interpretativas em


Regência.

1. INTRODUÇÃO

A banda de música militar tem um forte papel na formação da cultura musical


brasileira. Sua presença e atuação no Maranhão se faz notar quase que ao mesmo
tempo em que estes agrupamentos viviam seu apogeu nos países europeus. Isso
nos leva a empreender que o destaque do Maranhão, sobretudo no século XIX,
como um importante centro comercial e cultural no norte brasileiro, favoreceu o
desenvolvimento da música para sopros através das bandas, tendo como principais

agentes, músicos que além das atividades de ensino, integravam as bandas


militares.

Apesar desta importância, há poucas investigações em andamento sobre as Bandas


Militares no Maranhão que apresentem informações sobre a atuação destes grupos,
suas contribuições e os principais personagens responsáveis na difusão da música
militar, que já nos colocou em um importante patamar nacional neste segmento.

Neste trabalho, pretendemos realizar uma breve abordagem histórica da prática


musical das bandas militares que aqui se formaram, alertando para o relevante
papel exercido por estas instituições durante o período de formação e consolidação
no cenário musical maranhense, a partir da pesquisa documental que apresenta
uma intensa participação destas corporações na vida social e cultural do Estado. É
objetivo também deste estudo, discutir sobre a prática interpretativa e o repertório
das bandas militares nos diversos contextos e de que forma, elas continuam a
fortalecer a prática musical por meio de sua atuação na sociedade local.

Para isso, nos propusemos primeiramente discorrer sobre a relação entre a música
militar e as bandas. Em seguida, realizar uma breve abordagem histórica acerca da
organização das Bandas do Maranhão, levando em consideração a criação da
Banda do Corpo Militar de Polícia, haja vista esta ser a mais antiga banda militar em
atividade no Maranhão. O período enfocando nesta seção se dá a partir da
reorganização da banda militar do Corpo de Polícia do Estado que se deu entre o
ano de 1891 e se estende até o início do século XIX, onde a atuação deste conjunto
musical serviu como importante instrumento cultural na sociedade maranhense. Por
fim, apresentamos uma breve trajetória histórica da Banda do Corpo de Bombeiros
do Maranhão, desde sua fundação até os dias atuais, destacando seu pioneirismo
em promover o primeiro curso de aperfeiçoamento-técnico em regência e prática de
banda no Maranhão.

2. A MÚSICA MILITAR E AS BANDAS: UMA ESTREITA LIGAÇÃO

O termo “música militar” tem uma estreita ligação com o desenvolvimento orgânico
das bandas de música, pois é através da atuação de músicos no exercício militar


3

que resultou a organização e formação das bandas. O dicionário musical de Ernesto


Vieira, de 1899 (apud SOUSA, 2013, p. 3), reforça a definição de “banda” ligada à
instituição militar: “corporação de músicos militares em cada regimento ou batalhão”
distinguindo dois tipos destes agrupamentos, a banda particularmente assim
designada e a fanfarra.

Entre os diversos significados do vocábulo “banda” descritos pelo The New Grove
Dictionary of Music and Musician, de maneira geral, ele se refere a um agrupamento
instrumental que combina instrumentos de sopro e de percussão, considerando
ainda uma classificação em “brass band” se for constituída apenas por instrumentos
de metal e de percussão, e “wind band” se for constituída por instrumentos de
madeira, de metal e de percussão.

Um fato marcante na designação e na formação organológica das bandas militares,


tal qual conhecemos atualmente, se dá no final do século XVIII.

Com a introdução dos instrumentos de percussão nos agrupamentos


musicais militares, que até então eram constituídos apenas por
instrumentos de sopro, nascia o modelo da banda de música, na sua
designação alemã “Harmoniemusik”, que teve origem nos agrupamentos
musicais militares da Prússia de Frederico II. Este modelo era constituído
exclusivamente por aerofones, tendo como base um octeto composto por
dois oboés, dois clarinetes, duas trompas e dois fagotes (SOUSA, 2013, p.
53).

As influências das bandas que integravam as forças militares do exército turco


acabaram servindo como modelo para outros agrupamentos devido ao potencial
atingido pela diversidade de instrumentos percussivos utilizados que
impressionaram outros exércitos europeus durante os conflitos do século XVIII.
Nessa linha de raciocínio, Richard Franko Goldman (1910-1980), citado por Jardim
(2008, p. 7) defende que o conjunto de sopros moderno, conhecido como banda
sinfônica ou banda de música, estabelece-se como conceito a partir do momento em
que Bernard Serrette (1765-1858) proporciona a organização da Banda da Guarda
Nacional Francesa (JARDIM, 2008, p. 7).

Para uma melhor compreensão da organização e estruturação das bandas militares


no Brasil e sua consumação no Maranhão, Sousa (2013) nos apresenta um
panorama musical das bandas na Europa no século XIX, destacando
geograficamente a França, a Alemanha e a Áustria como principais referências:

Os grandes centros musicais europeus eram Paris, Milão, Londres, Viena e


Berlim, mas no panorama musical das bandas de música, a França, a
Alemanha e a Áustria eram as grandes referências na segunda metade do
século XIX. A primeira exposição universal de Londres em 1851 foi um
momento importante ao nível da projeção internacional dos novos
instrumentos das bandas e na Itália, em Espanha e em Portugal foi
marcante a influência francesa antes do final do século XIX, quando Berlim
se tornou também um destacado centro de formação de maestros de onde
irradiaram importantes tendências em relação às bandas de música na
Europa (SOUSA, 2013, p. 53).

A fim de ilustrar tal citação, consta nas publicações de época do Maranhão, a


respeito de um “Concurso europeu de musicas militares” que ocorreu em Paris no
ano de 1867. Nesta ocasião estima-se que mais de 20 mil pessoas estiveram
durante o evento para apreciar as principais bandas militares da Europa, entre elas:

Regimento dos granadeiros da guarda, do gran-ducado de Baden; 1º


Regimento de engenheiros, de Hespanha; Granadeiros da guarda e 2º
regimento da guarda real da Prússia; Regimento Rei de Wurtemberg, da
Áustria; Granadeiros da guarda, da Bélgica; 1º Regimento de infantaria, da
Baviera; Grandeiros e caçadores da guarda, da Hollanda; Da França, a
guarda de Pariz; guardas a cavallo da Russia; e guias de guarda de França.
(PUBLICADOR MARANHENSE,1867. p. 2).

Toda essa repercussão cultural promovida pelas bandas no continente europeu


ecoou na prática musical exercida nos grupamentos militares brasileiros e
consequentemente, alcançaram o Maranhão, por este ser um importante centro
econômico e também por sua proximidade geográfica através das rotas marítimas.

3. A ORGANIZAÇÃO DAS BANDAS MILITARES NO MARANHÃO

Dentre as principais formas de manifestação musical presentes no cenário


maranhense, a saber: música religiosa, atividades musicais nos teatros, nas escolas,
conservatórios e escolas de música, as bandas de música pertencentes às forças
militares se apresentam como um grupo organizado e versátil tanto em repertório
quanto ao caráter de suas performances.

Nos dias atuais, entre os maiores grupos profissionais de música existentes e


atuantes no Maranhão, as bandas militares assumem destaque. Podemos citar a
Banda de Música da Polícia Militar do Maranhão, Banda do 24º Batalhão de

Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, Banda do Corpo de Bombeiros Militar do


Maranhão e a Banda da Guarda Municipal de São Luís.

É importante destacar que o Maranhão é um dos poucos Estados brasileiros que


não possuem Orquestra Sinfônica, relegando esse espaço às Bandas Militares que
muito serviu para divulgar a música de concerto, além de proporcionar uma
aproximação da arte musical com o povo através da execução de peças populares.

Levando em consideração a tradição musical do referido Estado, temos nas Bandas


Militares, organismos fortes de representação musical e que ao longo do
desenvolvimento cultural sempre exerceram ampla função de pioneirismo, atraindo
jovens ao exercício musical. De acordo com Pe. Mohana (apud FERREIRA, 2014, p.
71), a dinâmica da atividade musical maranhense era movimentada pelo grande
número de profissionais atuantes nas cidades e pelas Bandas de Música, que
existiram em quase todos os municípios. Ainda a esse respeito, Ferreira (2014) faz
referência em seu trabalho sobre as duas mais importantes bandas mencionadas
pelo Pe. Mohana: a banda da Polícia Militar e a do Exército em São Luís, pois, são
elas as maiores e que executavam também o repertório erudito (idem, p. 71).

3.1 CONSOLIDAÇÃO DA BANDA DO CORPO MILITAR DE


POLÍCIA DO MARANHÃO

Conforme diversos estudos já realizados sobre a história das bandas de música no


Maranhão, o pesquisador Daniel Cerqueira utiliza-se do livro "A Festa dos Sons",
publicado pelo SIOGE em 1972, como principal alusão que confere à Banda do
Corpo Militar de Polícia, criada em 1836, o título de banda militar em atividade mais
antiga no Estado (CERQUEIRA, 2017, p. 294). A partir da criação do Corpo de
Polícia, através da Lei Provincial n. º 21 de 17 de junho de 1836 proposta pelo
Presidente da Província institui-se, também nesta, força uma banda de música.

De acordo com as publicações em jornais locais a partir do século XIX, podemos


constatar que entre as variações históricas do nome da atual Banda da Polícia

Militar do Maranhão, esta também já foi intitulada como “Banda do Corpo de Polícia”,
“Banda do Corpo de ‘Infanteria’ do Estado”, “Banda da Força Pública do Estado”,
“Banda da Milícia Estadual” e “Banda da Polícia Militar do Estado”.

Outra pesquisa que trata sobre a criação das Bandas das Polícias no Brasil foi a
realizada por Fernando Binder (2006), que afirma que o primeiro corpo policial a ter
banda de música foi o de Minas Gerais, em 1835. Essas bandas das Polícias
Militares provinciais atuavam constantemente em apresentações públicas regulares
(BINDER, 2006, p. 75).

Este autor também expõe um quadro que fornece uma visão cronológica da
incorporação das bandas às polícias militares no Brasil:

QUADRO 1: Quadro de fundação das bandas das Polícias de alguns Estados brasileiros.

Fonte: BINDER (2006, p. 75)

Essa mesma informação é apresentada em outras pesquisas, a citar Fountoura


(2011), que também mostra os aspectos históricos das bandas das polícias militares
no Brasil. Já Rocha Sousa (2014, p. 29), apresenta uma ampliação desta lista,
incluindo o ano de criação das polícias dos Estados brasileiros com suas respectivas
bandas de música, exceto a Banda do Corpo de Polícia do Maranhão.

Podemos verificar através dessas informações que, a falta de pesquisas no campo


da música militar no Maranhão, tem impossibilitado a inclusão e a consolidação da
Banda da Polícia Militar como uma importante referência para história das bandas
militares no país, como constatamos nas pesquisas citadas.

Por isso, se faz necessário uma atualização da lista do ano de criação das Polícias
Militares Estaduais e de suas respectivas Bandas de Música apresentada por Rocha


7

Sousa (2014), para que passe a incluir o Estado do Maranhão e a Banda da Polícia
Militar. Desta maneira, utilizamo-nos destas informações para reescrever este
quadro encaixando a Banda da Polícia, conforme podemos ver:
QUADRO 2: Atualização do quadro proposto pelo autor, a partir do quadro de
Rocha Sousa (2013, p. 29).

1 Banda de Música da PMMG 1835


2 Banda de Música da PMMA 1836
3 Banda de Música da PMRJ 1839
4 Banda de Música da PMES 1840
5 Banda de Música da PMSE 1844
6 Banda de Música da PMBA 1849
7 Banda de Música da PMPA 1853
8 Banda de Música da PMCE 1854
9 Banda de Música da PMSP 1857
10 Banda de Música da PMPR 1857
11 Banda de Música da PMAL 1860
12 Banda de Música da PMPB 1867
13 Banda de Música da PMPE 1873
14 Banda de Música da PMPI 1875
15 Banda de Música da PMRN 1886
16 Banda de Música da PMMT 1892
17 Banda de Música da PMMT 1892
18 Banda de Música da PMRS 1892
19 Banda de Música da PMSC 1893
20 Banda de Música da PMGO 1893
21 Banda de Música da PMAM 1893
22 Banda de Música da PMAC 1916
23 Banda de Música da PMMT 1962
24 Banda de Música da PMDF 1966
25 Banda de Música da PMAP 1975
26 Banda de Música da PMRO 1976
27 Banda de Música da PMRR 1989
28 Banda de Música da PMTO 1989

Fonte: Tabela nossa, 2018.

Com base na atualização deste quadro, podemos considerar a Banda da Polícia


Militar do Maranhão como uma das bandas militares mais antigas do Brasil,
perdendo o posto de mais antiga, apenas para a Banda da Polícia do Estado de

Minas Gerais.

3.2 A FIGURA DO MESTRE DE BANDA NO CORPO DE POLÍCIA


DO MARANHÃO (1891–1940).

Contudo, como já mencionado, vislumbramos como período de grande relevância


para a realização deste estudo, o período de reorganização do grupo que, somente
após a extinção do corpo de polícia do Estado e consequentemente de sua Banda
de Música em 22 de novembro de 1889 pela junta provisória, se começa a vivenciar
um momento de reformulações nos dispositivos de segurança que visam atender as
novas demandas políticas advindas da primeira república. Neste contexto, uma das
principais iniciativas para efetivação da Banda de Música do Corpo de Polícia do
Maranhão acontece em 1891, quando o então Governo do Estado convida o
professor de música Euclydes José de Nazareth para lugar de Mestre da Banda,
sendo este responsável em organizar o conjunto musical de acordo com sua
necessidade, como consta no Jornal Pacotilha de 20 de junho:

FIGURA 1: Nomeação do Senhor Euclydes Nazareth como mestre da banda do


Corpo de Polícia.

Fonte: Diário do Maranhão, 20 jun. 1891. Disponível em:


<http://memoria.bn.br/DocReader/720011/22917>. Acesso em: 30 mai. 2017.

Também há registros que do contrato de trabalho que estabelece detalhadamente,


em vinte artigos, a atividade exercida pelo mestre de música, contramestre e

músicos, onde consta a relação nominal dos 28 (vinte e oito) integrantes que
passam a integrar esta Banda1.

Há de se fazer menção que, de acordo com nota de jornal do dia 18 de março de


1891, os músicos selecionados para integrar a banda, eram oriundos do trabalho de
formação musical realizado pela Casa dos Educandos, estabelecimento fundado em
1841, criada com objetivo de oferecer educação a órfãos e pobres, contava com
uma banda de música e oficinas que ensinavam diversos ofícios (PACOTILHA,
1891, p.3)2. A Casa foi responsável pela formação de uma grande parcela dos
músicos que passaram a integrar as bandas das forças militares do Estado,
corporações de outras Províncias e os grupos musicais que atuavam no cenário
musical maranhense.

Em 29 de agosto de 1849, na casa dos educandos artífices, foi criada


pela lei Provincial nº 197, uma banda de música que permaneceu
funcionando durante todo o tempo de existência da casa, sendo extinta
em 13 de dezembro de 1889. Teve como regentes dois professores,
Sérgio Augusto Marinho e Leocádio Ferreira Souza. A banda serviria
para ajudar os alunos a terem uma renda futura e colaborar no aumento
do número de músicos na cidade (CASTRO, 2007 apud SALOMÃO,
2015, p. 63).

Esta instituição teve como um dos principais mestres de sua banda, o professor
Leocádio Ferreira Souza, ex-aluno da Casa e que assume o relevante papel de
instrução musical e mestre de banda, sendo o principal responsável, na época, pela
formação de vários músicos que integraram as bandas militares, não só no
Maranhão, mas também no Pará e no Amazonas, grandes centros culturais e
econômicos do período.

Já estabelecida a Banda de Música do Corpo de Polícia Militar, esta passa a atuar


na cidade, como consta na publicação do jornal Pacotilha de 12 de junho de 1891,
apresentando em Palácio seu repertório, conforme mostra a figura abaixo:


1
Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/168319_01/11756>. Acesso em: 31 mai. 2017.
2
Disponível em: <http://memoria.bn.br/docreader/168319_01/11347>. Acesso em 31 mai. 2017.


10

FIGURA 2: Repertório executado pela Banda logo após a nomeação de


novos músicos sob o comando do mestre Euclydes Nazareth.

Fonte: PACOTILHA, Maranhão, 12 jun. 1891. Nº 160, p. 3. Disponível


em: <http://memoria.bn.br/DocReader/168319_01/11689>. Acesso em:
01 jun. 2017.

Na referida ocasião, o repertório apresentado destaca autores, predominantemente


de canções populares, valsas, polkas, marchas, mazurcas, de origem europeia.

Após o episódio que resultou na prisão do Sr. Euclydes, estando este à frente da
Banda durante um contrato em frente ao Hotel do “Commercio”, este solicita sua
exoneração no ano de 1892, passando pouco à frente deste grupo. A repercussão
deste ato, gerou também o pedido de afastamento de 13 (treze) militares da banda
que se mostraram insatisfeitos com o ocorrido, pois considerou-se um ato de
injustiça cometido contra o mestre Euclydes (PACOTILHA, 1892. p. 3).

A crise gerada pelo afastamento do mestre da banda suscitou o desejo de outros


músicos pela posição de direção deste grupo musical militar, sendo apresentado ao
comando do corpo de polícia, o violinista italiano Burgio, como candidato a função
de conduzir a Banda, como podemos constatar:



11

FIGURA 3: Apresentação do violinista italiano ao cargo de mestre da


banda.

Fonte: PACOTILHA, Maranhão, 1 set. 1892. Nº 207, p. 2. Disponível em:


<http://memoria.bn.br/DocReader/168319_01/13952>. Acesso em: 01 jun.
2017.

Em 6 de fevereiro de 1893, é “aclamado” pelo senhor Cunha Martins como mestre


da Banda do Corpo Militar de Polícia, Henrique Thomaz da Cruz.

Todo esse embaraço gerado pelas mudanças na direção da banda do corpo de


polícia repercutiu inclusive em uma redução do quadro de músicos de 35 para 22
militares. Entretanto, isso se justificou não somente pela diminuição das despesas,
mas pela inobservância de critérios para a nomeação de um mestre de banda que,
conforme publicado na época, o militar que assume o posto não apresentava
habilidades necessárias para conduzir aquele grupo musical.

O legado musical deixado pelo mestre da banda Euclydes, nos faz crer que o
repertório executado apresentava músicas para uma larga e rica instrumentação e
de boa aceitação pelos músicos e do público que apreciava suas performances,
como fica explicado no recorte abaixo:



12

FIGURA 4: Redução do número de músicos da Banda do Corpo de


Polícia.

Fonte: PACOTILHA, Maranhão, 29 mar. 1893. Nº 75, p. 2. Disponível


em: <http://memoria.bn.br/DocReader/168319_01/13952>. Acesso em:
30 mai. 2017.

Ainda como reflexo do que ocorria com a ocupação do cargo de mestre de banda, a
edição de três de abril de 1893 do jornal “Pacotilha”, traz à tona a realidade do que
era comum nas bandas militares da época no Brasil por meio da nomeação de
músicos para a função de regente. Essa prática era totalmente antagônica ao que
ocorria em outros países, em que o candidato era submetido a uma exigente banca
para comprovação de conhecimentos musicais exigidos para o exercício da regência
da banda. Como podemos conferir abaixo no exemplo do que ocorre em outros
Estados:



13

FIGURA 5: Concurso para o cargo de mestre da banda da guarda


republicana de Paris, França;

Fonte: PACOTILHA, Maranhão, 3 abr. 1893. Nº 78, p. 2. Disponível


em: <http://memoria.bn.br/DocReader/168319_01/13964>. Acesso em:
30 mai. 2017.

O mestre aclamado sem concurso ou mesmo méritos musicais diante da tropa,


Henrique Thomaz da Cruz, exerce a função de mestre da banda até o dia 1º de
fevereiro de 1894 sendo dispensado do cargo, assumindo seu lugar o Sr. João José
Lentini.

O professor Lentini, mestre de banda e compositor, assume o cargo após seu


retorno da capital federal ao Maranhão, onde frequentou o Conservatório de Música
naquela cidade. Este, já em 1889, dirigia a banda de música do 5º batalhão de
infantaria, no entanto, pediu exoneração da banda do 5º batalhão para seguir paro a
Rio de Janeiro para estudar no Conservatório Nacional de Música (PACOTILHA,
1891. p. 3).

Podemos citar ainda alguns mestres que fizeram parte do corpo de regentes da
banda do corpo de polícia até o período de 1940, são eles: Marcellino Maya; o



14

músico Miguel Sodré; José Bellarmino Alcoforado e Álvaro Malhão Costa, regente
por volta de 1940 (CERQUEIRA, 2018).

4. O REPERTÓRIO E A PRÁTICA INTERPRETATIVA DA


REGÊNCIA NAS BANDAS MILITARES

Um importante ponto a ser trazido à tona pelo papel exercido pelas bandas desde
seus tempos áureos, onde sua presença no meio social era indispensável e
constante, nos salões, festas religiosas, eventos oficiais e festas populares é o
repertório executado no que envolve a diversidade e qualidade interpretativa das
obras.

Conforme apresentado anteriormente, um dos primeiros achados que nos


deparamos com o repertório executado por uma banda durante uma apresentação
pública é de 1891, a partir da restruturação da Banda do Corpo de Polícia com o
mestre Euclydes de Nazareth, onde a banda executava peças populares de
compositores essencialmente estrangeiros.

Contudo, uma importante demonstração dos atributos observados durante as


performances dos músicos militares na época, é descrita por Ernani Braga (1888-
1948), pianista e professor do Instituto Nacional de Música durante uma visita ao
Estado. Ele esteve na banda da polícia a convite do então comandante geral
daquela corporação, como podemos conferir na transcrição da matéria do Jornal “O
Imparcial” de 20 de julho de 1928, abaixo:

Ouvindo a Banda da Força Publica

Accendendo a gentilíssimo convite do coronel Zenobio da Costa, digno


comandante da Força Publica, assisti a um concerto realizado pela banda
de musica dessa briosa corporação militar no salão de ensaios do Quartel.
O habil mestre da banda, professor Bellarmino Alcoforado, e musico de
coração, e conhece bem a technica complexa e difícil da arte da regência.
São absolutamente precisos os seus movimentos, de modo a não
permitirem a menos hesitação nos ataques. Sempre atento a todos os
naipes, facilita-lhes as entradas, indicando-as oportunamente. Ha entre o
regente e os musicos, um entendimento perfeito. As indicações mais subtis
daquelle são, por estes, immediatamente apprehendidas e observadas. De
onde resultam um conjuncto rigoroso e uma execução rica de nuanças.
Presumo que nem todos os elementos da banda estivessem, de inicio, no


15

grão adiantado de efficiencia e homogeneidade com que se apresentam


actualmente, e que o tenham attingido devido tantos os esforços e ao
preparo do sympathico regente, como a bôa vontade dos seus dirigidos. Por
isso, registando aqui a optima impressão que me deu mestre Bellarmino
Alcoforado a frente dos seus músicos, disciplinados e capazes, apraz-me
apresentar, também a eles, as minhas sinceras felicitações, porque forma
um conjuncto excelente, equilibrado, harmonioso que se applaude com o
mais expontaneo enthusiasmo. Todo o extenso e bem organizado
programma teve execução dos méritos que acabo de salientar. Sem
pretender pôr em relevo este ou aquelle numero, vou abrir uma exceção
para o primeiro, por ferir a nota sympathica de nosso orgulho patriótico. Era
Protophonia do Guarany. Mas não será, talvez, esse único motivo desta
minha referencia excepcional. Acredito que nessa obra, ainda pela mesma
influencia de vibrações sympathicas, regente e musicos ultrapassaram os
proprios recursos e possibilidades e conseguiram realizar uma interpretação
inexcedivel de brio e transbordante de enthusiasmo, empolgando o auditorio
que prorompeu em demorada salva de palmas. Assim, é perfeitamente
justificado o desvanecimento com que o commandante Zenobio da Costa
apresenta a banda da Força. E elle, que, com o carinho que lhe demostra,
estimula os seus músicos, obtendo o magnífico resultado que tive o grato
ensejo de constatar (BRAGA, 1928 apud O IMPARCIAL, 1928. p. 1).

É de se notar através do grau de detalhes na análise do professor Ernani Braga, no


trecho acima, ao se referir acerca da técnica, equilíbrio sonoro do grupo musical e
interpretação das obras com total obediência ao gestual empregado pelo regente.
Fica claro também a importância atribuída a referida banda e seu papel de difusão
de repertório e uma forte apropriação da música nacional por meio da execução da
protofonia do Guarany, de Carlos Gomes, como se vê na figura em destaque:

5. AS CONTRIBUIÇÕES DA BANDA DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR


DO MARANHÃO (CBMMA)

Ainda tratando a respeito do desenvolvimento das bandas militares no Maranhão,


apresentamos neste capítulo, as contribuições da banda do Corpo de Bombeiros
Militar do Maranhão, instituição que desde 1903, integra o corpo de segurança do
Estado. Para isso, lançamos mão das fontes históricas disponíveis, já que há poucas
informações sobre a trajetória e a formação da Banda do CBMMA desde sua criação
até os dias atuais.

Igualmente, os corpos de bombeiros são historicamente, grupamentos que



16

valorizaram a música militar e mantiveram bandas ao longo de sua existência. Como


exemplo temos a Banda de Música do CBMPA criada em 1890 pelo mestre
Cincinato Ferreira de Souza, maranhense e ex-aluno da Casa dos Educandos no
Maranhão. E sete anos depois, foi criada a Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de
Janeiro, primeira Corporação de Bombeiros no País sob a batuta do maestro
Anacleto de Medeiros (MENEZES, 2007. p. 165).

5.1 BREVE HISTÓRICO DA BANDA DE MÚSICA DO CBMMA

O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão foi criado no ano de 1901 por meio da
promulgação da Lei nº 294 de 16 de abril, autorizando a organização de um serviço
de combate ao fogo. Porém, este serviço só fica oficialmente instituído através do
Decreto nº 32 do dia 10 de dezembro de 1903, quando a seção de Bombeiros passa
a ser comandada por um Oficial do Corpo de Infantaria do Estado, sendo este o
Alferes Aníbal de Moraes Souto seu primeiro comandante.

FIGURA 6: Foto atual da Banda do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão

Fonte: FanPage do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, 2018.

Podemos sugerir que uma banda de música integrava o serviço desta sessão já que
ela fazia parte da Força Pública do Estado e, conforme a lei nº 901 de 16 de março
de 19203, já estabelecia um corpo militar, uma sessão de bombeiros e a banda de
“muzica”. No entanto, há registros anteriores de uma banda da companhia de


3
O Jornal, Edição 01628 de 19 de março de 1920. Disponível em:
<http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=720593&pagfis=5073>. Acesso em: 24 de abr.
2018.


17

bombeiros atuando no ano de 1906, mas pouco se sabe sobre sua formação
instrumental, repertório ou a cerca dos componentes que a integrava, conforme o
trecho citado na Revista do Norte (p. 174-175), quando da visita ao Maranhão do Dr.
Affonso Penna:
Prestaram-lhe as continencias do estylo uma guarda de honra de
contigentes do 5º e 35º batalhões de infantaria federal e o côrpo de
infantaria do Estado com as respectivas bandas de musica, tocando
tambem nessa occasião a da companhia de bombeiros (REVISTA DO
NORTE, jul. de 1906).

Podemos verificar também o registro fotográfico feito por Chicó Teixeira em frente ao
Quartel da Milícia Estadual, na qual músicos integram a guarda de honra.

FIGURA 7: Guarda de honra juntamente com as bandas de música prestando continências ao Dr.
Affonso Penna.

Fonte: REVISTA DO NORTE, jul. de 1906.

A Banda de Música do CBMMA foi instituída oficialmente por meio da Lei nº


5.856/19934 que fixa o efetivo do Corpo de Bombeiros na qual estabeleceu o
quantitativo de vagas para a primeira formação da Banda de Música e de corneta,
prevendo um total de 76 (setenta e seis) componentes. Apesar disso, somente sob o
comando do então Coronel Guilherme Baptista Ventura, do Exército Brasileiro e
comandante geral do CBMMA, foi publicado o primeiro edital para o preenchimento

4
Disponível em: < http://www.diariooficial.ma.gov.br/public/index.jsf>. Acesso em: 10 jun. 2018.


18

de 35 (trinta e cinco) vagas para soldado BM Músico, por meio do Edital Nº 01/94-
DPF, datado de 25 de fevereiro de 1994.

Além do ingresso dos músicos previstos neste certame, foram acrescidos ao quadro
inicial da Banda, 12 (doze) militares provenientes da Banda de Música da Polícia
Militar do Estado do Maranhão e mais 06 (seis) bombeiros militares que já
desempenhavam dentro da corporação, atividades voltadas à prática musical,
principalmente em formaturas militares.

Conforme registros documentais, a primeira formação da Banda do CBMMA teve


como primeiro regente o 1º SGT BM Waldemiro de Castro Pereira, músico da Banda
da Polícia Militar do Maranhão que assume a função após ser nomeado pelo
governador para incorporar no Corpo de Bombeiros no ano de 1994. Este
permaneceu como Regente Titular até o ano de 1999 quando passa para a reserva
remunerada no posto de 1º Tenente Músico do Quadro de Oficial Especialista
Bombeiro Militar - QOEBM.

A Banda teve como sucessor do Tenente Waldemiro, o então 2º Tenente QOEBM


Músico Francisco Belarmino Filho, que galgou o posto de 1º Tenente e
posteriormente o posto de Capitão QOEBM Músico, indo para reserva remunerada

FIGURA 8: 1º Tenente BM Waldemiro, primeiro FIGURA 9: Capitão BM Belarmino, segundo


regente titular da Banda do Corpo de Bombeiros regente titular da Banda do Corpo de Bombeiros
Militar do Maranhão (1994 - 1999). Militar do Maranhão (1999 - 2003).

Fonte: Departamento de Pessoal, CBMMA.



19

no ano de 2003. Assume então, o 2º Tenente QOEBM Ronilton dos Santos Silva,
indo para a reserva remunerada no ano de 2011 como Capitão QOEBM Músico.

Por ocasião do afastamento do Capitão Ronilton, após completar 30 anos de efetivo


serviço, assume a função de Regente Titular da Banda da corporação o 1º Tentente
QOEBM Músico Neliomar Ericeira Azevedo, que logo é promovido ao posto de
Capitão QOEBM, indo para reserva remunerada no ano de 2017 como Capitão
QOEBM Músico.

FIGURA 10: Capitão BM FIGURA 11: Capitão BM FIGURA 12: Major QOEBM
Ronilton, terceiro regente titular Neliomar, quarto regente titular da Vieira, atual regente titular da
da Banda do Corpo de Bombeiros Banda do Corpo de Bombeiros Banda do Corpo de Bombeiros
Militar do Maranhão (2003 - Militar do Maranhão (2011 - Militar do Maranhão.
2011). 2017).

Fonte: Departamento de Pessoal, CBMMA.

Atualmente, a Banda de Música do CBMMA conta com o posto de Major QOEBM,


conforme prevê a Lei 10.670 de 3 de agosto de 2017, com a função de Regente
Titular, ocupado pelo músico João Francisco Trindade Vieira.

O Major Vieira, comandante atual da Banda de Música, nasceu na cidade de Viana


em 28 de fevereiro de 1970. Começou a frequentar a Escola de Música “JOSÉ
PITEIRA" em sua cidade natal aos 16 anos de idade, onde aprendeu teoria musical
e iniciou sua carreira como clarinetista. Já residindo em São Luís/MA, frequentou o
Colégio Universitário (COLUN) onde continuou os estudos musicais com o professor



20

Francisco Rodrigues (ex-músico da Banda da Polícia Militar do Estado do


Maranhão). Aos 19 anos incorporou nas fileiras da Polícia Militar como Soldado
Músico, sendo transferido no ano de 1994 para atuar na primeira formação da
Banda do CBMMA. Frequentou o curso técnico em música da Escola de Música do
Estado do Maranhão, onde estudou clarineta com o Prof. Tomaz de Aquino Leite
entre os anos de 1998 a 2006.

A sessão de músicos do CBMMA possui um efetivo atual previsto de 111 (cento e


onze) cargos de músicos/corneteiros distribuídos entre oficiais e praças. Entretanto o
quadro existente de executantes e administrativos é de 43 (quarenta e três)
bombeiros músicos.

Desse modo, o corpo musical é formado por:

•06 Oficiais;
•18 (dezoito) Subtenentes, entre estes 03 (três) corneteiros;
•12 (doze) Primeiros-Sargentos;
•07 (sete) Soldados.

A Banda do CBMMA ao longo dos 24 anos de atuação, tem desenvolvido um


relevante serviço social e cultural à sociedade maranhense por meio de sua forte
atuação nos mais variados contextos. Sua missão está atrelada a visão institucional
do Corpo de Bombeiros Militar que é alcançar e resgatar vidas, trabalho este que é
realizado incessantemente por meio da intensa atividade musical em todo Estado.

Além da participação ativa nas diversas atividades internas do CBMMA, a Banda de


Música assume também um importante papel educativo-cultural por seu grande
potencial de mobilização e alcance, representando a Instituição sempre com
qualidade e profissionalismo. Desta forma, a corporação tem investido
progressivamente na qualidade musical de seus componentes e na estruturação
deste organismo musical afim de promover apresentações públicas que atendam a
corporação e a comunidade de forma a oportunizar o enriquecimento cultural e
social.



21

5.2 IMPLEMENTAÇÃO DO I CURSO DE APERFEIÇOAMENTO


EM REGÊNCIA REALIZADO PELA BANDA DO CBMMA

Todo o estudo histórico a respeito das bandas e seus mestres nos mostram o
importante papel que assume o regente à frente dos grupos musicais. Para isso, a
formação e a vivência musical desses regentes são preponderantes para alcançar
um patamar de excelência artística desses grupos.

A consciência desta realidade nos mostra a necessidade constante de atualização


das práticas desenvolvidas pelas bandas, com o objetivo de experienciar
competências e práticas musicais crescentes com vistas a acompanhar os padrões
modernos da atuação e da função desempenhada pelas bandas militares.

5.2.1 Desenvolvimento do Curso

Tendo em vista a necessidade de aperfeiçoamento na área de regência e com a


finalidade de capacitar os aspirantes ao cargo de regente de banda, surge no
primeiro semestre de 2018, a oportunidade da realização de um curso de
aperfeiçoamento em regência. A possibilidade de participar de um curso como esse,
há muito, era algo bastante almejado por diversos maestros que já passaram por
esse importante grupo musical e por todos os músicos que a compõem.

O Curso teve início no dia 26 de março do corrente ano com a apresentação do


Trabalho de pesquisa do Prof. Me. Daniel Lemos Cerqueira (UFMA) sobre “A
influência das bandas de música na História da Música do Maranhão” e o
encerramento previsto para o dia 29 de junho, totalizando 15 semanas letivas de
aula.



22

FIGURA 13: Aula Inaugural do I Curso de Regência de Banda Militar do Estado em parceria com a
Escola de Música do Estado em Março/2018.

FONTE: Arquivo pessoa, 2018.

Justificamos ainda que, na estrutura organizacional dos quadros de especialistas


músicos das forças auxiliares, é escassa e sazonal a promoção de cursos que
venham atender e servir de requisitos para o desenvolvimento das funções de
músico e/ou mestre de banda, que os habilitem com conhecimentos satisfatórios
para ocuparem os cargos de Oficiais Músicos destas corporações musicais.

O curso aborda conceitos e fundamentos teóricos e práticos da regência que


servirão de base para um trabalho prático individual de desenvolvimento de uma
técnica gestual eficiente. Os diversos aspectos do trabalho do regente serão
abordados buscando um repertório de soluções e ferramentas a serem usadas no
trabalho com os conjuntos musicais, sendo dada ênfase à vivência por meio da
disciplina de Prática de Banda de Música que servirá como laboratório. O
aprimoramento gestual e dos fundamentos da regência virão a partir da análise do
desempenho apresentado nas sessões práticas.



23

O curso conta com uma carga horária total de 160 horas/aula, distribuída entre as
disciplinas de Iniciação à Regência, Prática de Banda, Pedagogia e Prática
Instrumental e Inglês Básico. A EMEM ofereceu, além da estrutura física adequada
às atividades musicais, professores para ministrar a disciplina de Iniciação à
Regência e professores de instrumentos que apresentação palestras sobre a
Pedagogia e Prática Instrumental.

As aulas foram programadas semanalmente, às segundas, quartas e sextas-feiras,


com a participação de professores da Escola de Música, do Banda do CBMMA e
também convidados, conforme o cronograma abaixo:

QUADRO 3: Cronograma de aulas, com respectiva carga-horária das disciplinas e


professores ministrantes.

Período Dia/Horário Disciplina Professor

26/03 Segunda - 9h Aula Inaugural Prof. Me. Daniel Lemos


(UFMA-UNIRIO)

02/04 a 28/05 Segundas – 8h às Inglês Instrumental Básico Cap. QOEBM Henrique


10h (20h)

02/04 a 14/05 Segundas – 10h às Pedagogia e prática Conforme cronograma


12h instrumental (20h) específico

SGT BM Daniel Ferreira


28/03 a 27/06 Quartas – 8h às 12h Prática de Banda (60h) (CBMMA/EMEM) e Prof.
Jairo Moraes (EMEM)

06/04 a 29/06 Todas as sextas – Iniciação à Regência Prof. Hezir Pereira (EMEM)
9h às 12h (40h)

28/05 a 04/06 Segundas – 8h às Noções de Arranjo para


SGT Elder (CBMMA)
12h Banda de Música* (10h)

11/06 a 18/06 Segundas – 8h às Elaboração e editoração Prof. Thales do Vale


12h Musical* (10h) (EMEM)

CH TOTAL 160

Fonte: SANTOS, 2018.



24

5.2.3 Das principais atividades pedagógicas

Como uma das propostas complementares às atividades pedagógicas do curso, está


a realização de 2 (dois) concertos didáticos para a aplicação prática dos conteúdos e
repertórios para banda. No primeiro concerto realizado, a Banda apresentou um
repertório voltado para as Marchas e Dobrados. Entre os compositores, estavam
Anacleto de Medeiros, Joaquim Naegele, Pedro Salgado e estadunidense John
Philip Sousa.

Como forma de registro e analisar o desempenho técnico dos regentes, foi gravado
em vídeo de frente, a performance de cada regente, e disponibilizado em canal do
YouTube para consulta dos professores e alunos da turma, disponível no link:
<https://www.youtube.com/channel/UCXWJa9awE2Gu1zYAxUrllqA?view_as=subscriber>.

Para a realização do primeiro curso de aperfeiçoamento direcionado a músicos


militares, já promovido no Estado do Maranhão, foi instituída uma parceria com a
Escola de Música do Estado do Maranhão “Lilah Lisboa”. Essa é uma instituição de
grande prestígio local e a única que oferece cursos reconhecidos pelo Conselho
Estadual de Educação, encarregada pela formação técnica em instrumento e canto
no Estado.

Como instrumento de avaliação prática final, será realizado no dia 01 de julho de


2018 o concerto de encerramento do curso com a participação de regentes
selecionados que será promovido em alusão ao Dia Nacional do Bombeiro Militar no
Teatro Artur Azevedo, sendo o I Concerto Sinfônico da banda do Corpo de
Bombeiros Militar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa sobre as bandas militares nos esclarece aspectos relevantes sobre o


serviço social e cultural oferecido ao longo do tempo à sociedade maranhense
através de uma forte atuação nos mais variados contextos. Sua história e
personagens nos esclarecem um pouco das relações políticas do grupo, sua
organização, repertórios, assim como da seriedade e importante papel do cargo de


25

mestre de banda à frente destes grupos musicais, sendo agentes culturais de


destaque e responsáveis pela difusão da música instrumental e da manutenção da
tradição das bandas de música.

A realização deste trabalho nos permitiu desvendar a importância da Banda de


Música da atual Polícia Militar do Maranhão (Banda do Corpo Militar de Polícia),
sendo um dos grupos musicais militares mais antigos em atividade no Maranhão e
no Brasil, assim como verificar como se deu toda sua restruturação a partir do início
da República, consolidando o grupo como um dos principais organismos culturais
mantidos pelo Estado.

Destacamos também, as contribuições da Banda de Música do Corpo de Bombeiros


Militar para o fortalecimento do cenário da música militar no Estado do Maranhão
através da implementação do primeiro curso de regência de bandas voltados aos
músicos militares, com o objetivo de assegurar boas práticas no desenvolvimento da
regência e da prática de banda.



26

REFERÊNCIAS

BRASIL. Biblioteca Nacional Digital [memoria.bn.br] Brasil: Fundação Biblioteca


Nacional. Disponível em: <http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx>. Acesso em:
mai. 2017 a abr. 2018.

BINDER, Fernando Pereira. Bandas militares no Brasil: difusão e organização


entre 1808- 1889. Dissertação (Mestrado) Universidade Estadual Paulista Instituto
de Artes. São Paulo, 2006.

CERQUEIRA, L. Daniel. Audio-Arte: Memórias de um Blog Musical. Edição do


Autor. Rio de Janeiro, 2017.

CERQUEIRA, L. Daniel. As bandas na História da Música do Maranhão.


Apresentação de Slides. 48 slides. São Luís, 2018. Disponível em:
<https://www.academia.edu/36261028/As_bandas_na_História_da_Música_do_Mar
anhão>. Acesso em: 26 mar. 2018.

FERREIRA, Ana Neuza Araújo. O ensino de música no Nordeste: um estudo
histórico-organizacional sobre a Escola Lilah Lisboa de Araújo, em São Luís do
Maranhão. São Luís, 2014.

FONTOURA, Marcos Aragão. A Banda da Polícia Militar do Rio Grande do Norte:


música e sociedade. João Pessoa, 2011.

JARDIM, Marcelo. Pequeno Guia Prático para o Regente de Banda. Vol. I. 1. ed.
Rio de Janeiro: Edições Funarte, 2008.

MARANHÃO. Secretaria de Estado da Cultura. Biblioteca Benedito Leite. Revista do


Norte, São Luís, Anno V, nº 5, jan. a jul. 1906. Disponível em:
<http://www.cultura.ma.gov.br/portal/sgc/modulos/sgc_bpbl/acervo_digital/arq_ad/20
1408272224051409189045_77561409189045_7756.pdf>. Acesso em: 10 mai. 2018.

MARTINS. R. M. (org.). Coleção Ausência Presente nº 2: A Festa dos Sons. São


Luís: SIOGE, 1972.

MENEZES, José. O Corpo de Bombeiros no Pará. Ed. 2º. Belém, 2007.

O IMPARCIAL. Diário Matutino e Independente, Maranhão. Ano III, Nº 746, sexta-


feira, 20 jul. 1928. Disponível em: <http://memoria.bn.br/docreader/107646/4081>.
Acesso em: 10 de jun. 2017.

PACOTILHA. Jornal da Tarde, Maranhão. Ano XI, Nº 75, quarta-feira, 18 de mar.


1891. Disponível em: <http://memoria.bn.br/docreader/168319_01/11347>. Acesso
em 31 mai. 2017.



27

__________. Jornal da Tarde, Maranhão. Ano XI, Nº 112, sábado, 25 de abr. 1891.
Disponível em: <http://memoria.bn.br/docreader/168319_01/11495>. Acesso em 31
de mai. 2017.

__________. Jornal da Tarde, Maranhão. Ano XII, Nº 204, segunda-feira, 29 de


ago. 1892. Disponível em: <http://memoria.bn.br/docreader/168319_01/13235.>.
Acesso em 5 de jun. 2017.

PUBLICADOR MARANHENSE. O Publicador Maranhense, Folha Official e Diaria,


Maranhão, ed. 244, 1867. Disponível em:
<http://memoria.bn.br/docreader/720089/18919> . Acesso em: 31 mai. 2017

ROCHA SOUSA, Antônio Carlos. Banda de Música da Polícia Militar do Estado


do Piauí: História, Acervo e Memória, de 1875 a 2013. Teresina, 2014.

SADIE, S., & TYRRELL, J. (Eds.). The New Grove Dictionary of American Music.
Vol I, 1986: p. 134.

SALOMÃO, Kátia. O ensino de música no Maranhão (1860 – 1912): uma ênfase


nos livros escolares de Domingos Thomaz Vellez Perdigão e Antônio Claro dos Reis
Rayol. Dissertação (Mestrado), Curso de Mestrado em Educação, Universidade
Federal do maranhão, 2015.

SOUSA, Pedro Alexandre Marcelino Marquês de. As Bandas de Música no distrito


de Lisboa entre a Regeneração e a República (1850-1910): História, organologia,
repertórios e práticas interpretativas. Tese de Doutoramento em Ciências Musicais,
Universidade Nova de Lisboa. Lisboa, 2013.