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ESCOLASECUNDÁRIADOCARTAXO

Ano lectivo 2010/2011


Ficha de Trabalho
PORTUGUÊS
Curso Profissional _______________________________
11º Ano
Nome: ______________________________________________________Nº____Turma:__
Data:____/_____/2010

Antes de iniciares a resolução desta ficha, lê com atenção o seguinte sermão, escrito por um
grupo de alunas do 11º ano “à maneira de Vieira”, e reflecte sobre a eficácia deste discurso
argumentativo:

Sermão a um ex-namorado

“Amor é como a lua, quando não cresce mingua.”

Tu, meu ex-namorado, dizes que sou a culpada de tudo mas, no fundo, sabes que ambos somos culpados
pelo ponto final na nossa relação. Será que não me soubeste compreender ou eu não me soube
exprimir? Será que eu me soube exprimir e tu não quiseste compreender? Será que eu não me quis
expressar da melhor maneira e tu não conseguiste compreender? Será que eu não me quis exprimir
correctamente e tu não tentaste compreender-me? Será que os sentimentos mudaram e não nos
apercebemos disso? Não é tudo isto verdade? Talvez sim, talvez não.

Qual será a solução para este nosso dilema? Tentarmos de novo e ser felizes ou perdermos este
sentimento para sempre?

A nossa história começou muito bem. Namorámos mais de cinco anos, e sempre nos apoiámos em tudo;
o que terá corrido mal desta vez? De uma coisa eu tenho a certeza… o amor nunca nos faltou em
nenhum momento da nossa relação, verdade?...

II

Em todos os homens existentes na terra, nós, mulheres, destacamos duas virtudes comuns a todos
vós. A coragem é uma virtude que os homens possuem. Demonstram-na nas situações mais extremas e
adversas e de mil e uma maneiras. Os soldados da paz, por exemplo, evidenciam esta qualidade todos
os dias, quando são chamados para socorrer quem mais necessita da sua ajuda. Os polícias trabalham
todos os dias em prol da nossa segurança, arriscando muitas vezes a sua própria vida. Poderia referir
muitos mais exemplos que comprovassem o que digo, mas estaria a tornar-me maçadora.
Outra das vossas melhores qualidades é a vossa protecção em relação aos vossos entes mais queridos.
Está no vosso sangue! O instinto afectivo em relação, por exemplo, aos vossos filhos, conduz-vos à
protecção contra os perigos que espreitam em cada esquina. Esta vossa característica também se

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manifesta quando necessitais de proteger as vossas amadas, de protegê-las dos perigos da vida e,
muitas vezes, preferis ficar com o fardo pesado e vê-las felizes, do que vê-las sofrer.
Foi uma das qualidades que me levou a apaixonar-me por ti e que ainda hoje me fascina…

III

Ser trabalhador é uma grande qualidade tua, que na tua área, arquitectura, é uma virtude
indispensável. Sem todo o teu trabalho, nada do que tens hoje seria possível. Aliás, foi graças a todo o
trabalho a que te deste que me conquistaste. Porque com este meu feitio difícil, sem trabalho nada
conseguirias.
Mesmo depois de tantas discussões, tantos arrufos, tantas insinuações, houve uma qualidade que
nunca te faltou, a sensibilidade. Sempre foste sensível tanto nas situações mais dramáticas e difíceis,
como nas mais triviais e, por isso, louvo-te.

Há ainda que salientar a tua beleza, que me encantou desde o primeiro momento em que te vi. E não
falo apenas dos teus lindos olhos verdes, do teu cabelo louro, da tua pele macia… Nunca conheci
ninguém assim e foi, por essa razão, que te amei e ainda te amo. Como diz o ditado popular, o que está
por fora não interessa, apenas interessa o que está por dentro. Porém, no teu caso tudo importa, és
belo tanto por fora como por dentro. Terminar o nosso namoro foi uma decisão muito complicada,
tentei pesar os “prós” e os “contras”. E apesar de todas estas tuas qualidades, foi preciso terminar a
nossa relação. Tivemos tempo para pensar no que é realmente importante e, quem sabe, apagar o
“ponto final” e colocar uma “vírgula” no nosso amor…

IV

Mas, como sabemos, nada é perfeito e todos nós temos defeitos. Por isso, não vou acabar o meu
discurso sem falar nos defeitos comuns a todos vocês, homens, e nos teus em particular.
Começo pela presunção dos homens que é, ao que me parece, demasiadamente exagerada. É certo que
alguns homens não a possuem, pois existem sempre excepções à regra. Mas toda a presunção que vejo
dentro de vós deixa-me bastante irritada. Sei que alguma vaidade pode ser benéfica para a nossa
auto-estima, mas em exagero só nos faz parecer aquilo que não somos.
Outro dos vossos defeitos é o machismo; essa vossa ideia de que sois superiores a nós, mulheres, e
que, por isso, deveis ter direitos que nós não temos, é totalmente descabida. Como é possível que
alguns de vós (não muitos, felizmente), ainda penseis que o lugar da mulher é em casa a tratar dos
filhos e da lida da casa? É um pensamento retrógrado e que em nada contribui para um bom
relacionamento entre homens e mulheres.
Essa vossa ideia de superioridade leva-vos, por vezes, a maltratar as mulheres. E são tantas e de
todas as classes sociais as mulheres maltratadas, espancadas, violentadas pelos seus companheiros!

Passando agora ao particular, aos teus defeitos, quero dizer-te que o ponto final da nossa relação me
custou imenso, mas não foi de ânimo leve que tomei essa decisão. A tua insensibilidade em relação aos
meus problemas e dúvidas provocou em mim uma sensação de vazio, que até hoje não consegui
preencher. Essa insensibilidade foi desvanecendo, foi minando a nossa relação.
O meu desgosto contigo não se ficou apenas por esta tua incapacidade de entendimento; a tua
intolerância para comigo surpreendeu-me pela negativa, pois as tuas atitudes egoístas, em relação às
minhas esperanças, e aos meus medos, desiludiram-me totalmente, e a minha alma e o meu coração
escureceram.
O teu ciúme dos meus amigos também me entristeceu muito. O facto de não confiares em mim e de
não me teres dado liberdade para aquilo fazer o que eu mais gostava, fez com que a revolta e o vazio
fossem crescendo dentro de mim… Lembras-te de quando acabei o meu curso e andava à procura de
emprego? Eu andava completamente de rastos, porque não conseguia encontrar um emprego que nos

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pudesse dar estabilidade, mas tu, em vez de me apoiares e ajudares a procurar um emprego, não me
deste qualquer importância. Doeu muito!

VI

Depois de todas estas palavras que te disse, cada uma profundamente sentida, espero que as guardes
no teu coração e, acima de tudo, que te lembres de todos os momentos que passámos, tanto bons como
maus. Admito que também errei em muitas situações, não te apoiei sempre, fui um pouco egocêntrica,
não consegui por vezes compreender-te da melhor maneira, mas qual seria a piada do Mundo se
fôssemos perfeitos?
Mas estas palavras serviram para eu desabafar e, sobretudo, para que reflictas porque, afinal de
contas, continuas a ser o meu melhor amigo. Talvez que estas palavras também sirvam para aliviar esta
pressão que existia entre nós. Embora tenha sido um desabafo sobre tudo o que me atormentava
desde que “acabámos”, o que gosto e o que não gosto tanto em ti, quero que saibas que ainda acredito.
Que a solução para este nosso problema, talvez não seja a separação; sinceramente acho que
merecemos uma segunda oportunidade… o nosso amor exige-nos isso…

”Há homens que são como as velas,


queimam-se para dar luz aos outros”
Padre António Vieira

Escolha Múltipla - "Resumindo o Sermão de Santo António aos Peixes"

Responde às questões sobre o Sermão de Stº António aos Peixes, de Padre António
Vieira, escolhendo para cada pergunta a resposta correcta e mais completa de
entre as quatro hipóteses apresentadas.

1. O "Sermão de Santo António aos Peixes" apresenta uma estrutura


a) lírica.
b) narrativa.
c) argumentativa.
d) dramática.

2. O "Sermão de Santo António aos Peixes" foi uma das formas encontradas
pelo seu autor para
a) Chamar a atenção para a situação dos índios, denunciada pelo Padre António Vieira
em várias situações e documentos.
b) Criticar os índios.
c) Chamar a atenção para a situação dos colonos, denunciada pelo Padre António Vieira
em várias situações e documentos.
d) Chamar a atenção dos portugueses para a situação em que se encontrava a Igreja.

3. Num sermão, o Exórdio é

a) A utilização de um desfecho forte para impressionar o auditório.


b) O desenvolvimento de ideias.
c) A exposição do plano a desenvolver e das ideias a defender.
d) A finalização do discurso, em que se retoma o tema principal e se exorta os ouvintes.

4. Num sermão, a Peroração é

a) A utilização de um desfecho forte para impressionar o auditório.


b) O início do discurso, em que se apresenta o tema principal e se exorta os ouvintes.
c) A exposição do plano a desenvolver e das ideias a defender.
d) A argumentação utilizada.

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5. A frase bíblica que serviu de base ao Sermão foi
a) Et pluribus unum.
b) Dominus vobiscum.
c) Cogito, ergo sum.
d) Vos estis sal terrae.

6. As duas propriedades do sal são


a) Criar e preservar.
b) Criar e destruir.
c) Destruir e salgar.
d) Preservar e evitar a corrupção.

7. Todo o "Sermão de Santo António aos Peixes" é uma alegoria porque


a) Os peixes são o contrário dos homens.
b) Os peixes revelam comportamentos que em nada os dignificam.
c) Os peixes são metáforas dos homens.
d) Os peixes nem se dignam ouvir o que lhes diz o pregador.

8. A quem pretende o orador referir-se quando utiliza a figura do polvo?


a) Aos frades e a outros religiosos.
b) Aos índios do Brasil.
c) Aos colonos portugueses.
d) A Santo António.

9. As três primeiras espécies de peixes referidas no sermão são


a) A rémora, o torpedo e o quatro-olhos.
b) O xareo, os roncadores e os pegadores.
c) A rémora, o peixe Tobias e o torpedo.
d) Os roncadores, os pegadores e os voadores.

10. O "Sermão de Santo António aos Peixes" foi pronunciado em


a) Roma, quando o Padre António Vieira ali se deslocou, à corte papal.
b) Lisboa, quando o orador foi mandado regressar à metrópole.
c) S. Miguel, nos Açores, quando o religioso ali foi desembarcado pelos holandeses.
d) S. Luís do Maranhão, no Brasil, antes de uma viagem a Portugal.

11. Através dos «pegadores» Padre António Vieira pretende referir-se


aos
a) Que não vêem o que lhes vem nas costas.
b) Exploradores, que sugam o sangue dos nativos.
c) Parasitas que passam a vida a viver às custas dos outros.
d) Vingativos que apenas têm uma ideia fixa.

12. O «conceito predicável» é introduzido


a) Na Peroração.
b) Na Confirmação.
c) Na Exposição.
d) No Exórdio.

13. Na frase do sermão “Cuidas que só os Tapuias se comem uns aos outros?
Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os Brancos”, o
verbo comer constitui uma
a) Polissemia.
b) Antítese.
c) Metáfora.
d) Anáfora.

14. Na frase do sermão “traçou a traição às escuras, mas executou-a


muito às claras”, que figura de estilo podemos encontrar?
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a) Polissemia.
b) Antítese.
c) Apóstrofe.
d) Oximoro.

15. Na frase do sermão “que se há-de fazer a este sal, e que se há-de
fazer a esta terra?”, podemos encontrar uma
a) Interrogação retórica.
b) Exclamação retórica.
c) Gradação crescente.
d) Enumeração.

16. Na frase do sermão “Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade”,
que recurso de estilo podemos encontrar?
a) Uma anáfora.
b) Uma antítese.
c) Uma comparação.
d) Uma apóstrofe.

17. Todo o sermão constitui uma


a. Anáfora.
b. Antítese.
c. Alegoria.
d. Apóstrofe.

18. O "Sermão de Santo António aos Peixes" constitui uma sátira social,
visto que o seu principal objectivo é
a. Ridicularizar os peixes.
b. Ridicularizar os homens.
c. Criticar o comportamento dos homens.
d. Criticar o comportamento dos peixes.

"Peixes grandes comem peixes pequenos", de Pieter Brueghel.

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