Você está na página 1de 11

ARTE PRODUZINDO TRANSFORMAÇÃO E HUMANIZAÇÃO

CAMARGO, Soraia Haack1,


MORAES, Lidiane Cirilo de2,
HOFFMANN, Daiane Gaio3,

RESUMO: Este artigo objetiva discorrer acerca da arte como instrumento capaz de produzir
transformação e humanização. Entende-se que ela exerce o poder de transformar o indivíduo,
tornando-o crítico e consciente do seu papel social. Para tanto foi realizada uma pesquisa
bibliográfica de natureza básica, visto que o objetivo desse estudo foi aumentar os
conhecimentos e as reflexões sobre o tema em questão, pois se entende que esse assunto
deveria ser amplamente discutido em salas de aula do ensino superior e trabalhado pelos
educadores nos ensinos fundamental e médio. Espera-se com essas reflexões que alunos e
professores passem a olhar a arte como um fenômeno vital para a vida do ser humano devido
esse potencial transformador e humanizador. A abordagem do problema foi de ordem
qualitativa.

PALAVRAS-CHAVE: Arte; Transformação; Humanização.

1INTRODUÇÃO

O interesse em abordar este assunto, surgiu da necessidade de questionar as


atribuições da arte na sociedade, e o poder transformador intrínseco a ela. Para tanto foram
levantadas algumas questões, tais como: Como a arte pode ser transformadora? É possível que
o indivíduo transforme-se pelo envolvimento cultural e social através da arte?
Se a arte é transformadora, constrói ou desconstrói? A transformação do indivíduo
pela arte é responsabilidade de quem? Quando a arte humaniza? E, se humaniza como ocorre
esse processo de humanização?
Ao abordar o tema, percebemos que é necessário abrir um campo de reflexão sobre a
importância da arte, não apenas nos currículos e nas instituições de ensino formal, mas, torna-
la acessível a todos que anseiem pelo desenvolvimento do gosto e pela fruição da arte no seu
cotidiano, permitindo ao sujeito que se reconstrua a partir dela e possa ver a arte como um
processo criativo, mas também um trabalho que humaniza.

1
Acadêmica do Curso de Artes da UNIVEL – Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel.
2
Acadêmica do Curso de Artes da UNIVEL – Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel.
3
Mestre em linguística. Professora do Curso de Artes da UNIVEL – Faculdade de Ciências Sociais
Aplicadas de Cascavel.
2

2 DESENVOLVIMENTO

A arte é trabalho que precisa ser sentido, mentalizado, projetado e produzido, visando
uma necessidade do ser, e nesse trabalho, há valoração do ser, o qual desenvolve uma
consciência crítica. A valoração da vida se dá pelo processo de conscientização e pela
influência da visão cultural (OSTROWER,1978).
Ao buscarmos a compreensão do processo transformador, podemos perceber que o
fazer criativo transforma não só a arte criada, mas o seu criador, e isso se dá pela ação
simbólica e pelo legado que esse mesmo ser transformado e transformador contribui deixando
sua marca.
É possível reconhecer o mundo em que se vive por intermédio da arte, pois ela
possibilita fazer uma leitura desse mundo. E partindo da própria cultura do indivíduo, ela lhe
dá a oportunidade de participar na sua comunidade; da cultura local, fazendo uso de suas
habilidades, e participando das transformações locais (BASTOS, 2010). Nota-se que neste
ponto a arte começa a humanizar o homem, visto que por meio dela é possível antes de tudo
conscientizar.

3 A ARTE TRANSFORMADORA E HUMANIZADORA

Segundo Ostrower (1978, p.166), “ao exercer o seu potencial criador, trabalhando,
criando em todos os âmbitos do seu fazer, o homem configura a sua vida e lhe dá um
sentido.” Partindo dessa premissa entende-se que a arte tem poder de transformar o indivíduo,
visto que, ao desenvolver um gosto pela arte através da fruição, é possível que o mesmo,
possa teorizar, ou desenvolver o gosto pela busca do conhecimento teórico, e
consequentemente, descobrir um impulso criativo para produzir arte. E, quando busca, dá
sentido à vida, ele desenvolve seu potencial criador.
Compreende-se que Ostrower quer dizer que é o trabalho que dá sentido á vida, pelo
processo criativo; nota-se que, se todos os indivíduos tivessem oportunidade de estudar e
trabalhar encontrariam o caminho da realização e da produção criativa (OSTROWER, 1978).
Tendo em vista essas considerações vale destacar que a arte tem, portanto, um poder
humanizador.
Nesse sentido Soares (2007, p.4) confirma que:
3

A arte humaniza, e se ela humaniza, precisamos mais do que nunca, da sua


utilização no meio educacional e mais ainda na sociedade de modo geral. Pois se
temos consciência de que a educação é a base estrutural, juntamente com a família,
de uma sociedade plena, também temos consciência de que precisamos cada dia
mais, de pessoas comprometidas com o tema da humanização dos indivíduos.
Humanizar no sentido completo e pleno da palavra. Mais do que oferecer aos
indivíduos condições de vivência, de sobrevivência, dar a eles a oportunidade de ser
quem realmente são, com toda a sua individualidade e peculiaridades (SOARES,
2007, p.4).

Neste ponto alguém poderia nos questionar: Como seria possível a humanização pela
arte, visto que somos todos humanos? Vale lembrar que, apesar de humanos, precisamos ser
educados em relação ao outro, em relação à sociedade, e a tudo que nos cerca, ou seja,
precisamos ser humanizados. Aí a arte exerce sua função social humanizadora, visto que dará
ao indivíduo a capacidade de sensibilizar-se.
Considerando que o homem passa a exprimir-se, e acaba revelando o mundo em que
vivem suas crenças, seus medos e desejos, a arte assume assim fundamental importância na
vida do ser humano, pois é por meio dela que o homem vai se exprimir e revelar suas
intenções.
Conforme Vygotsky apud Silva (2004, p.7):

Afirma que a arte sempre implica transformação, e enfatiza o seu sentido social ao
escrever que "A arte é o social em nós [...]; quando cada um de nós vivencia uma
obra de arte, converte-se em pessoal sem, com isso, deixar de continuar social". O
contato de cada indivíduo com uma música, um poema ou um quadro implica uma
apreciação que envolve aspectos cognitivos, afetivos e sociais a partir de seus
referenciais histórico-culturais. Para Bronowski (1983), a obra de arte só existe
quando a recriamos para nós. Pressupõe, assim, a participação ativa e efetiva do
sujeito no processo de fruição (VYGOTSKY apud SILVA, 2004, p.7).

A arte é frequente na nossa vida, fazendo parte da história de todos nós, desde os
primórdios da civilização vem nos mostrando e contando como era a vida há alguns anos, é
um processo que está sempre em construção e modificação, conforme ressalta Buoro (2003), a
arte “se faz presente, desde as primeiras manifestações de que se tem conhecimento, como
linguagem, produto da relação homem/mundo” (BUORO, 2003, p.20). Por meio da artes
expressa-se as relações do homem com o mundo revela-se a história.
De acordo com Lugão (2009 p.29-30):

A função social da arte fica nítida à medida que ela transforma e nos traz o
conhecimento do mundo, não um conhecimento abstrato, mas afetivo e real. [...] A
criação artística é a necessidade humana de perceber e entender a representação da
realidade humano-social, de expressar e objetivar significados e valores coletivos.
[...]Por meio da arte o sujeito torna-se consciente de sua existência social como fruto
4

de diferentes práticas e relações sociais, e em determinado momento histórico


(LUGÃO, 2009,p.29-30).
.

Desde as civilizações primitivas a arte acompanha a humanidade. A expressão humana


se mostra por várias maneiras, seja essa verbal ou não verbal e também artística. As
sociedades humanas cresceram, desenvolveram-se evoluíram. Foi inventada a literatura, a
dança, a escultura, o desenho e outras formas de artes, assim surgiram às novas artes, estilos e
técnicas. Nota-se, portanto que através dos séculos nós humanos firmamos nossa
"imortalidade" (simbólica) pela memória de nossas obras.
A arte tem imensa capacidade de unir vários fatores, criando um mundo próprio,
transmitindo um grande número de informações, por exemplo: questionar, criticar,
sensibilizar, mostrar a realidade, apontar o belo e colaborar com a formação pessoal.
Quando lançamos um olhar ao passado, no período neolítico, os hominídeos, quando
surge a Idade da Pedra Polida, começou ocorrer o desenvolvimento das cidades, da roda, da
escrita, do arado e dos bois. E, começam a acontecer algumas revoluções, criando seus
instrumentos de caça e pesca objetos úteis e necessários para sua sobrevivência.
Então, surge o advento do Trabalho e com ele a técnica, ou seja, o desenvolvimento
das habilidades. E surgem os utensílios de cerâmica, e saem das cavernas para construírem
suas casas, visto que, já não são mais temerosos, pois dominam o fogo, os grandes animais e
trabalham, desenvolveram suas crenças, sua sociedade, e isso, os humanizou. Surgem as
grandes civilizações.
Percebemos que o homem se constrói e se transforma, tornando-se produto de sua
própria história. Assim foi na pré-história e continua sucessivamente. Mas, e na atualidade?
Como a arte pode humanizar?
O que diferencia um ser humano de um animal é sua habilidade para aprender e das
relações sociais. Entendemos que o que valoriza o homem, é o valor do seu trabalho. E, na a
Arte, onde está o seu valor?
De acordo com Parmigiani (2011, p.3):

São os fatores que corroboram para o embrutecimento do ser humano, fato que se
torna mais visível em populações que vivem em situação de extrema pobreza ou
privada da garantia dos direitos básicos de saúde, lazer, moradia, alimentação e
educação (PARMIGIANI, 2011, p.3).

Entendemos que a desumanização não é o destino do homem, mas, sim a


consequência de injustiças sociais.
5

Contudo, podemos compreender que a alienação do sujeito enquanto humano, se dá


pelo fato de existir as discrepâncias sociais. E, por tanto, para que se corrigir essas injustiças,
seja necessário, oportuniza ao sujeito uma válvula de escape, desta situação de penúria em
que está inserido. Igualmente a humanização ocorre, corrigindo as injustiças sociais,
inserindo o indivíduo, à arte.
De acordo com Peixoto (2003, p.41),

[...] o indivíduo humano é automediador, significando que se constitui a si mesmo


historicamente, no seio da sociedade, ou seja: “constitui todas as suas
potencialidades, as quais não são pressupostas como algum estado original dado,
mas são constituídas na e pela práxis”, que, como esfera do ser humano, é coletiva,
acontece no âmbito social, comunitário (PEIXOTO, 2003, p. 41).

Peixoto (2003, p.41) esclarece que como esfera específica do humano, “a práxis é
atividade que, ao produzir e ser produzida no movimento histórico, expressa a totalidade do
homem e do mundo “da matéria e do espírito, de sujeito e objeto, do produto e da
produtividade” (KOSÍK, 1976, apud, PEIXOTO, 2003, p.41).
Um exemplo bem atual e que pode revelar a sensibilidade artística do homem frente ao
meio social é a reciclagem. Tantos materiais podem ser reutilizados e transformados
artísticamente e comercializado, gerando lucro ao seu criador e ao meio ambiente. Ou,
mesmo, as ONGs, com seus projetos transformadores, que recebem crianças, jovens e adultos,
os quais têm a possibilidade de participar e atuar nas manifestações artísticas, tais como:
teatro popular, sessão cinematográfica, bibliotecas públicas ambulantes, brinquedotecas, ou
mesmo, criando arte pelo fazer artístico, usando os recursos de sustentabilidade. Entendemos
que:
Conforme Peixoto (2001, p.106):

Pelo fato de que o processo de hominização se dá em espaço e tempo determinados,


é no seu contexto que devem ser definidos os objetivos específicos para a educação.
Entretanto, para transformar o homem em alguém autoconsciente e participante de
sua sociedade e de sua cultura, podem ser estabelecidas metas em acordo com
algumas necessidades humanas básicas comuns. Segundo elas, o homem precisa
estar capacitado a buscar meios de sobrevivência, a desenvolver condições de se
comunicar e a tomar decisões de modo livre e autônomo, (SAVIANI, 1980) dentro e
apesar das circunstâncias. Esse conjunto de fatores pode, ainda, permitir ao
indivíduo desenvolver uma certa sabedoria como ser humano, melhor aproveitando
para si, enquanto indivíduo, do processo de produção da vida na construção e
transformação do mundo físico e social (PEIXOTO, 2001, p.106).
6

A arte pode humanizar no sentido em que também gera renda ao individuo, tirando-o
da marginalidade; inserindo-o ao contexto econômico e social. O homem produz arte e pode
utilizar-se dos lucros que ela gera, com a comercialização, através de feiras e exposições.
A arte humaniza também quando coloca o indivíduo em contato com o outro
indivíduo. Quando lhe mostra que o outro também pertence ao mundo. Através do
conhecimento das outras culturas pode-se aprender e respeitar os diferentes valores existentes
na sociedade em geral.
De acordo com Trojan (apud PEIXOTO, 2001, p. 109):

A arte, com a riqueza de sua simbologia, “possibilita ao ser humano uma forma de
suspensão da realidade, a partir da qual retorna ao dia-a-dia transformado e
enriquecido, ou seja, com a sua compreensão da realidade humana ampliada”. Isso
“faz com que o indivíduo singular se identifique com a humanidade em geral” e
possa se perceber “... particularmente mais humano ao mesmo tempo em que
compartilha esse significado e se sente parte da humanidade” (TROJAN, apud
PEIXOTO, 2001, p. 109).

Vale, portanto, destacar que no contexto de ensino, segundo os Parâmetros


Curriculares Nacionais, o ensino da arte é de suma importância para a formação do
conhecimento e do processo de ensino e aprendizagem, “(...) o aluno que conhece arte pode
estabelecer relações mais amplas quando estuda um determinado período histórico” (PCN,
1997, p.14). Uma função igualmente importante que o ensino da arte tem a cumprir diz
respeito à dimensão social das manifestações artísticas. A arte de cada cultura revela o modo
de perceber, sentir e articular significados e valores que governam os diferentes tipos de
relações entre os indivíduos na sociedade. A arte solicita a visão, a escuta e os demais
sentidos como portas de entrada para uma compreensão mais significativa das questões
sociais. Essa forma de comunicação é rápida e eficaz, pois atinge o interlocutor por meio de
uma síntese ausente na explicação dos fatos.
A arte também está presente na sociedade em profissões que são exercidas nos mais
diferentes ramos de atividades; o conhecimento em artes é necessário no mundo do trabalho e
faz parte do desenvolvimento profissional dos cidadãos.

Os seres humanos que não conhecem a arte têm o seu processo de aprendizado
restrito, passando despercebidos os conhecimentos de mundo que o estudo da arte propicia.
Conforme Vasquez (apud PEIXOTO, 2001, p.118):
7

A arte só pode ser conhecimento - conhecimento específico de uma realidade


específica: o homem como um todo único, vivo e concreto - transformando a
realidade exterior, partindo dela para fazer surgir uma nova realidade, ou obra de
arte. O conhecer artístico é fruto de um fazer; o artista não converte a arte em meio
de conhecimento copiando uma realidade, mas criando outra nova. A arte só é
conhecimento na medida em que é criação. Tão somente assim pode servir à verdade
e descobrir aspectos essenciais da realidade humana (VASQUEZ, apud PEIXOTO,
2001, p.118).

Tanto quanto outros conhecimentos, a arte exerce sua função, pois está atrelada às
outras áreas e tem o potencial para levar o indivíduo ao pensamento crítico e a percepção
estética, considerando, que também se desenvolve a sensibilidade, a percepção e a
imaginação, propiciando uma contemplação do processo que está implícito nos movimentos
artísticos.
Nota-se que a educação, o processo de ensino aprendizagem e a valorização do ensino
da arte serão de fundamental necessidade para a formação pessoal dos alunos. Viver e
aprender a realidade ajudará a torná-los mais humanos. Pois, o mundo que vivemos é tão
complexo, contudo, temos questões que nos acompanham e a Arte nos mostra e esclarece
fatos e nos faz sentir, ignorar, construir ou destruir a partir de um olhar de entendimento.
Por isso, a arte é a disciplina que promoverá um conhecimento verdadeiro do que é o
indivíduo. Oportunizando ao indivíduo perceber o mundo e fazer uma leitura do mesmo, a
partir de si mesmo, se construindo e reconstruindo e tornando-se participante da sua própria
cultura.
Tendo em vista essas reflexões, nota-se que um dos grandes desafios da valorização da
arte nas escolas e na sociedade é fazer com que ela passe a ser uma disciplina valorizada pela
sociedade.
Considerando que o homem por meio da arte consegue exprimir-se, e acaba revelando
o mundo em que vive suas crenças, seus medos e desejos, a arte assume assim fundamental
importância na vida do ser humano, pois é por meio dela que o homem vai revelar suas
intenções.
A arte é frequente na nossa vida, fazendo parte da história da humanidade, desde os
primórdios da civilização vem nos mostrando e contando como era a vida há alguns anos, é
um processo que está sempre em construção e modificação, conforme ressalta Buoro (2003), a
arte “se faz presente, desde as primeiras manifestações de que se tem conhecimento, como
linguagem, produto da relação homem/mundo” (BUORO, 2003, p.20).
Por meio da arte se expressa às relações do homem com o mundo, revela-se a história.
Por isso entendemos que a arte deve ser valorizada como instrumento capaz de revelar
a individualidade e o caráter social do homem. Ela é instrumento capaz de nos humanizar e
8

nos transformar. Estudar a Arte de modo consciente em sala de aula é dar ao indivíduo a
capacidade de pensar e refletir sobre seu contexto, suas funções, suas capacidades.
Conforme o Parâmetro Curricular nacional destaca-se o papel do educador, como
segue abaixo:

É muito importante que o educador saiba o seu papel e que esteja em constante
atualização perante a escola e sociedade, o professor de arte deve trabalhar a
subjetividade do aluno no ensino da arte, estimulando-o à criação artística. Ensinar
arte em consonância com os modos de aprendizagem do aluno significa não isolar a
escola da informação social e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de
imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais. Nesse contexto, o aluno
aprende com prazer a investigar e compartilhar sua aprendizagem com colegas e
outras pessoas, ao relacionar o que aprende na escola com o que se passa na vida
social de sua comunidade e de outras. (PCN. MEC.GOV. BR, p.44).

A Lei 9394/96, em seu paragrafo primeiro destaca a abrangência da educação,


englobando os processos formativos de âmbito familiar, de convivência no trabalho, no
ensino e pesquisa, movimentos sociais, manifestações culturais e organizações sociais civis,
na forma abaixo estabelecida:

Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida


familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa,
nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
culturais.
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente,
por meio do ensino, em instituições próprias.
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.
(BRASIL, 1996)

Destaca o Parâmetro Curricular Nacional:


Uma função igualmente importante que o ensino da arte tem a cumprir diz respeito à
dimensão social das manifestações artísticas. A arte de cada cultura revela o modo
de perceber, sentir e articular significados e valores que governam os diferentes tipos
de relações entre os indivíduos na sociedade. A arte solicita a visão, a escuta e os
demais sentidos como portas de entrada para uma compreensão mais significativa
das questões sociais. Essa forma de comunicação é rápida e eficaz, pois atinge o
interlocutor por meio de uma síntese ausente na explicação dos fatos.
(PCN. MEC. GOV. BR, 1987, p.19)

Por tanto, tendo como ensino curricular obrigatório, a arte, nos diversos níveis da
educação básica, será possível fomentar o desenvolvimento cultural dos alunos.

4 METODOLOGIA
9

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de natureza básica, visto que o objetivo desse
estudo foi aumentar os conhecimentos e as reflexões sobre o tema em questão. A abordagem
do problema foi de ordem qualitativa. Utilizamos, como principais fontes teóricas, livros e
artigos impressos e digitais.
Uma pesquisa bibliográfica configura-se como um processo sistemático de construção
do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos, e/ou corroborar
ou refutar algum conhecimento pré-existente. A pesquisa bibliográfica abrange
a leitura, análise e interpretação de documentos.
A pesquisa bibliográfica tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições
científicas disponíveis sobre determinado tema. Ela dá suporte a todas as fases de qualquer
tipo de pesquisa, uma vez que auxilia na definição do problema, na determinação dos
objetivos, na construção de hipóteses, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e
na elaboração do relatório final.

5 CONCLUSÕES

Retomando nossos questionamentos iniciais: Como a arte pode ser transformadora?


É possível que o indivíduo transforme-se pelo envolvimento cultural e social através da arte?
Se a arte é transformadora, constrói ou desconstrói? A transformação do indivíduo pela arte é
responsabilidade de quem? Quando a arte humaniza? E se humaniza como ocorre esse
processo de humanização? Podemos afirmar que nossas considerações finais são na verdade
considerações iniciais resultantes de reflexões que podem ser usadas por outros pesquisadores
que desejarem ir mais fundo ao tema.
Pôde-se compreender que a arte possui caráter transformador na medida em que
promove a humanização do indivíduo.
Ao abordar o tema, percebemos que é necessário abrir um campo de reflexão sobre a
importância da arte, isto significa que é preciso torná-la acessível a todos permitindo ao
sujeito que se reconstrua a partir dela.
De fato, não podemos permitir que o pessimismo interfira na fé que temos na
humanidade, nem que os sonhos se desfaçam. Não podemos nos conformar com a sociedade
acostumada a falta de tudo, até mesmo, da convivência social, pois quando nos revoltamos,
nos questionamos e refletimos sobre os acontecimentos, assim como os pré-históricos que
10

saíram das cavernas e dominaram seus medos, nos recriamos passamos a existir como
sociedade.
Nesse tempo presente, ainda urge sairmos da caverna, da indiferença e como
sociedade organizada lançarmos um olhar não ao nosso umbigo, e sim mais além, sentir que
há pessoas que precisam ser humanizadas. Entretanto, cabe a nós, professores de artes,
proporcionar o acesso à arte transformadora. Pois quando assim fazemos nos humanizamos
também, e desenvolvemos nosso trabalho que configura nossa vida e nos dá sentido para
viver.

REFERÊNCIAS

BASTOS; Flávia Maria cunha. O Perturbamento do Familiar: Uma proposta teórica para
Arte/Educação baseada na comunidade. BARBOSA; Ana Mae. Arte/Educação
Contemporânea: consonâncias internacionais. 3ª Ed. São Paulo: Cortez, 2010.

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da


educação nacional. Planalto, Brasília. 20 dez. 1996.

BUORO, Anamelia Bueno. O olhar em Construção: Uma experiência de ensino e


aprendizagem da arte na escola. 6ª. Ed. São Paulo: Cortez, 2003. 160 p.

LUGÃO; Káthia Gomes. O Ensino da Arte no Desenvolvimento Integral do Indivíduo-


Conhecer a Si Próprio. Rio de Janeiro, 2009. 58 f. Monografia (Pós-Graduação em “Lato
Sensu”). Universidade Candido Mendes. Disponível em:
http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/C203672.pdf acesso em: 27 jun.
2013.

OSTROWER; Fayga. Criatividade e Processos de Criação. 2 ª ED. Petrópolis: Vozes, 1978.

PARMIGIANI; Joanice. A Arte Como Possível Caminho para Re-humanizar o Ser.


Disponível em: http://www.educadoressociais.com.br/artigos/a_arte_como_possivel.pdf
acesso em: 10 jun. 2013.

PCN. Parâmetros curriculares nacionais: arte / Secretaria de Educação Fundamental. –


Brasília: MEC/SEF, 1997.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro06.pdf acesso em 10 mai. 2013.

PCN. Parâmetros curriculares nacionais: arte / Secretaria de Educação Fundamental. 1998.


Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/arte.pdf. Acesso em 05 mai. 2013.

PEIXOTO; Maria Inês Hamann. EDUCAÇÃO E ARTE: UM NEXO CATEGÓRICO.


Revista Planetária - ArtForum Internacional. 2009. Disponível em:
11

http://revistaartforumcultural.blogspot.com.br/2013/04/artigo-sobre-educacao-e-arte-por-
maria.html. Acesso em: 08 out 2013.

PEIXOTO; Maria Inês Hamann. Relações arte, artista e grande publico: a pratica estético-
educativa numa obra aberta. Campinas, 2001. Tese de Doutorado. Univ. Estadual de
Campinas.

PEIXOTO, Maria Inês Hamann. Arte e grande público: a distância a ser extinta. Campinas,
São Paulo, SP: Autores Associados, 2003. 102 p. Disponível em:
http://www2.pucpr.br/reol/index.php/DIALOGO?dd1=814&dd99=view
acesso em: 05 out 2013.

SILVA; Silvia Maria Cintra da. Algumas Reflexões Sobre a Arte e a Formação do
Psicólogo. Psicol. cienc. prof. v.24 n.4 Brasília dez. 2004. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-98932004000400012&script=sci_arttext
acesso em: 05 out. 2013.

SOARES; Alexsandro Rosa. A Importância da Arte para a Socialização. Revista Ibero


Americana. Disponível em: http://www.rieoei.org/opinion42.htm acesso em: 03 out. 2013.