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A corrente de pensamento historiográfico chamada de metódica nasce com a proposta de

lançar sobre as pesquisas em história uma visão científica. Para tal, as hipóteses filosóficas
deveriam ter deixadas de lado pelo profissional que escreve a história. Para alcançar o objetivo
ao qual se pretende, o historiador deveria utilizar técnicas que dizem respeito aos inventários.
Deveriam utilizar a crítica documental. G.Monod e G.Fagniez, ligados a esta forma de pensar,
fundam, no ano de 1876 a Revista Histórica, que pretendia publicar investigações que fossem
originais sobre os diversos períodos da história, era muito voltada aos profissionais
universitários que tinham contato com arquivos.A Revista História diz-se neutra, entretanto
vê-se claramente sua tendência a apoiar a república francesa, o nacionalismo, a instauração de
leis escolares. Os metódicos chegam a fazer a elaboração de cartilhas escolares. Depois de
alguns anos da criação de A Revista Histórica, Charles-Vitor Langlois e Charles Seignobos,
historiadores ligados à Escola Metódica, dita positivista, escreveram uma obra na qual
definiram as regras que seriam voltadas à disciplina de história. Deram o nome a essa obra de
Introdução aos estudos históricos. Langlois e Seignobos dão uma grande contribuição para a
objetividade e a cientificidade da história. Desconsideravam a teologia e a filosofia da história .
Ocorre, com os metódicos, uma verdadeira quebra epistemológica,ao afastarem de suas
análises o providencialismo cristão, o progressismo racionalista e até o finalismo marxista.
Para Langlois e Seignobos a história deve se deter a aplicação de documentos. Eles se
apropriam de pensamentos de Von Ranke, para o qual o historiador deve ser passivo ao
escrever a história. Consideram vestígios dignos de serem utilizados como fonte histórica
apenas os documentos escritos.Documentos voluntários ( um decreto, por exemplo) tem
grande valia. O historiador, para eles, deve se preocupar muito com os documentos, uma de
suas tarefas prioritárias era a de justamente reconhecer os documentos e os proteger para
que não sejam destruídos. Para escrever a história o historiador deveria usar um método de
análise, permeado, claro, pela cientificidade. O documento estando reconhecido e classificado,
os historiadores, para fazerem sua pesquisa, deveriam fazer uma série de operações analíticas.
Começar-se-ia com a crítica externa, crítica de erudição, na qual iria se identificar a origem do
documento, se é cópia ou não, se é falsificado ou não, etc. Depois fazia-se necessária uma
crítica interna que, grosso modo, seria saber o que o autor quis dizer com o texto e quais suas
intenções ao escrever ele. Se teve má fé ou não, por exemplo.Depois viriam as operações
sintéticas que aconselha-se seguir por partes. Na primeira parte o historiador deveria fazer a
comparação entre vários documentos para se estabelecer fatos particulares, depois, na
segunda parte, deveria se isolar atos em questões mais gerais. Na terceira parte o historiador
deveria ligar os fatos, usando inclusive a dedução. Na quarta parte selecionava-se fatos
relevantes entre muitos documentos e na quinta fazia-se algumas generalizações. A
historiografia metódica privilegia muita a história política, um exemplo disso é Ernest Lavisse
que escreve uma obra que no próprio título mostra a que veio: a obra tinha como título
História da França, cuja análise se deu a partir de uma ideia de Estado-nação. Lavisse é um
homem muito nacionalista. Republicano também, mas mais nacionalista. Ele privilegia, em
suas obras, aspectos políticos, militares e diplomáticos. A história escrita por Lavisse, assim
como a história escrita pelos metódicos de uma forma geral, é a história dos grandes feitos,
dos grandes acontecimentos, dos grandes herois. A escola gratuita e laica veio com a Terceira
República, na França. A Escola Metódica participa desse processo. Criam materiais escolares
que, claro, deveriam fazer, entre outras coisas, com que os alunos sentissem grande amor pela
República. Lavisse chega a elaborar um grande manual de história,intitulado Petit Lavisse , com
240 páginas. A história serve aí para defender um projeto político. A classificação de
positivistas que se dá a esta escola é inadequada. Os metódicos desenvolvem muito mais seu
método a partir de Leopold Von Ranke do que do próprio August Comte.A história que se
pretende positivista na perspectiva de Comte é feita mesmo por L. Bordeau, que diz que a
história deve desprezar os acontecimentos singulares e os “grandes personagens” e é preciso
dar importância às multidões. Bordeau também defende princípios de filosofia da história. O
programa de Bordeau é diferente do que se tinha com os redatores de A Revista Histórica, que
dava muito importância ao fato, ao evento histórico em detrimento de uma história mais das
massas. Também não aceitavam uma filosofia da história. Monod chega a afirmar que a
história não passa de uma ciência descritiva.

Chamada por Marc Bloch e Lucien Febvre de histoire événnementielle , por se dedicar a
acontecimentos singulares, de forma isolada, a Escola Metódica surge na França, em torno da
revista A História, no contexto de instituição da terceira república, e da das práticas
metodológicas do Positivismo comtiano e do Historicismo alemão (Guy Bourdé e Hervé martin,
As Escolas históricas, 1983). Seus nomes mais conhecidos são Charles Seignobos e Henri
Langlois, que lançaram, em 1898, o Introduction aux études historiques ( Introdução aos
estudos históricos), uma obra referencial de princípios e métodos historiográficos. Apesar de
se auto-intitularem ‘positivistas’, no intuito de ressaltar seu alegado compromisso com a
imparcialidade científica, sua inspiração vem de fato de Leopold von Ranke (Boudé e Martin,
1983), da crítica heurística severa, e adotam suas premissas: a primeira diz que o historiador
não deve julgar o passado, só dizer o que realmente ocorreu; a segunda diz que o historiador
deve ser imparcial na percepção dos acontecimentos; a terceira diz que o conjunto de res
gestae existe em si objetivamente, já têm uma estrutura definida e não demanda explicações
transcendentais (como sugerem os filósofos); a quarta conclama que o historiador resgate o
passado de forma passiva, como um espelho reflete a imagem de um objeto. Por último,
adverte que a tarefa do historiador é reunir dados, documentos escritos, “seguros”,
produzidos voluntariamente. Qualquer reflexão teórica seria inútil.

Surgiram alguns críticos a respeito deste modo de trabalhar com a história.As principais críticas
vieram dos historiadores ligados ao grupo que dirigia a revista Annales.Chamaram a história
metódica de historizante. Diziam que o documento não devia ser apenas o escrito e voluntário,
para os Annales testemunhos involuntários também servem de fonte histórica. Criticavam a
ideia de fixar-se apenas em fatos singulares, diziam que também é importante compreender as
diferentes sociedades considerando a longa duração, diziam que a história deveria levar em
consideração não apenas questões políticas e militares, mas também culturais, etc. Criticaram
também o receio que tinham os metódicos de empenhar-se em debates. No entanto a crítica
dos Annales é relativamente limitada.Deixam de levantar algumas outras questões, por
exemplo a questão da objetividade em história. Outros movimentos também criticaram os
metódicos, como foi o caso dos presentistas ou relativistas que diziam que a história não é
objetiva pois o historiador é comprometido por questões de seu tempo, a história seria
subjetiva. Os marxistas também criticaram os metódicos, dizendo que o conhecimento é
produzido por um sujeito social comprometido com sua classe e seu tempo.Na compreensão
do passado deve-se levar em consideração todas as determinações sociais