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ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL

PCC 2339 – MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL I

NOTAS DE AULA

MATERIAIS BETUMINOSOS

Prof ª Sílvia Selmo

1a. Versão 1993


Revisões 1994, 2002
PCC 2339 – MATERIAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL I - MATERIAIS BETUMINOSOS - Prof. Sílvia Selmo

MATERIAIS BETUMINOSOS

SUMÁRIO

1. BETUME - CONCEITUAÇÃO E CARACTERÍSTICAS BÁSICAS .............. 3


2. APLICAÇÕES DOS BETUMINOSOS ................................... 6

3. TIPOS BÁSICOS DE MATERIAIS BETUMINOSOS, EM FUNÇÃO DA ORIGEM .. 6


3.1 Asfalto ou cimento asfáltico ............................. 6
3.2 Alcatrão ................................................. 7
3.3 Piche e breu ............................................. 8

4. PROPRIEDADES TECNOLÓGICAS BÁSICAS DOS BETUMINOSOS ............ 9


4.1 Dureza ................................................... 9
4.2 Ponto de amolecimento .................................... 9
4.3 Viscosidade .............................................. 9
4.4 Dutilidade .............................................. 10
4.5 Massa específica ........................................ 10
4.6 Ponto de Fulgor ......................................... 10
4.7 Betume total ............................................ 11
4.8 Destilação .............................................. 11

5. TERMINOLOGIA, CLASSIFICAÇÕES E ESPECIFICAÇÕES DE MATERIAIS


BETUMINOSOS PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL ......................... 11
5.1 Cimentos asfálticos de petróleo ou CAP .................. 11
5.2 Alcatrões ............................................... 12
5.3 Asfaltos oxidados ....................................... 12
5.4 Asfaltos diluídos ou soluções asfálticas ................ 12
5.5 Emulsões asfálticas ou hidrasfaltos ..................... 13
5.6 Emulsões de alcatrão .................................... 14
5.7 Asfaltos modificados .................................... 14
5.8 Alcatrões modificados ................................... 14
5.9 Misturas betuminosas .................................... 15
5.10 Feltros betumados ou asfálticos ........................ 15
5.11 Membranas asfálticas ................................... 15
5.12 Mantas asfálticas ...................................... 16

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................. 18


7. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ..................................18

ANEXO A – Tabelas de normas ABNT relacionadas à especificação de


materiais betuminosos.

ANEXO B – Terminologia relativa ao uso de materiais asfálticos em


pavimentação.

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1. BETUME - CONCEITUAÇÃO E CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

Tradicionalmente, na Construção Civil, são designados como


materiais betuminosos aqueles que contêm Betume.

Betume é um aglomerante orgânico, sólido, semi-sólido ou


líquido, que pode ocorrer na natureza ou ser obtido por processo
industrial; composto principalmente por hidrocarbonetos de massa
molecular elevada e completamente solúvel em bissulfeto de
carbono. [1], [2]

Os betumes possuem as seguintes características básicas:

1.1 São polímeros (hidrocarbonetos complexos) de ampla


variação na composição química e na massa molecular. Mas, é
possível separá-los em dois grandes grupos químicos [3]:
a) asfaltenos (5 a 25 % dos betumes, massa molecular de 600 a
300.000, partículas entre 5 e 30 nm, aumentam a
viscosidade e a dureza dos betumes);
b) e maltenos, que por sua vez se subdividem em:
- resinas (de natureza polar, forte adesividade e
dispersantes dos asfaltenos, massa molecular de 500 a
50.000, partículas de 1 a 5 nm, a proporção
resina/asfalteno define as características sol/gel do
betume - Figura 1);
- aromáticos (40 a 65% dos betumes, hidrocarbonetos
aromáticos naftênicos de mais baixa massa molecular do
betume - 300 a 2.000, não polares, grande capacidade de
dissolução dos hidrocarbonetos de elevada massa
molecular);
- saturados (5 a 20% dos betumes, hidrocarbonetos
alifáticos, alquil naftenos e alguns alquil aromáticos,
baixa massa molecular, não polares, não viscosos).

1.2 São adesivos e aglomerantes, que dispensam o uso da


água, ao contrário dos aglomerantes minerais da Construção Civil
(p. ex. cimento portland, cal, gesso).

1.3 São hidrófugos, i.e., repelem a água;'

1.4 São facilmente fundidos e solidificados. São


termoplásticos, i.e., não possuem ponto de fusão, amolecendo em
temperaturas variadas. O ponto de fusão, temperatura de perda da
estrutura cristalina ordenada, é típico dos sólidos cristalinos.

1.5 São inócuos, isto é, não interagem quimicamente com os


agregados minerais (ou cargas), que lhe são adicionados como
material de enchimento em diversas aplicações.

1.6 Decorre das últimas duas características (1.4 e 1.5), a


possibilidade de serem recicláveis, isto é, de poderem ser
reaproveitados após uso.

1.7 Tem dutilidade variável e que pode ser afetada por


exposição direta à luz solar.

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A Tabela 1 ilustra a composição dos betumes, em relação aos


hidrocarbonetos mais clássicos.

BETUME TIPO SOL

Asfaltenos

Hidrocarboneto aromático de alto peso

Hidrocarboneto aromático de baixo peso


molecular

Hidrocarbonetos aromáticos naftênicos

Hidrocarbonetos aromáticos
ftê i / lifáti
Hidrocarbonetos saturados

BETUME TIPO GEL


Fig. 1: Representação esquemática de um betume tipo "SOL" e de um
betume tipo "GEL". [3]

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Tab.1: Situação da massa molecular dos betumes em relação aos


hidrocarbonetos clássicos, obtidos de gás natural ou de petróleo.
[16]
Fórmula Nome Estado Utilização
físico

CH4 Metana Gás Combustível para aquecimento

C2H6 Etana Gás Convertido em plásticos

C3H8 Propana Gás Combustível para aquecimento

C4H10 Butana Gás Combustível p/ aquecimento


ou convertido em borrachas

C5H12 Pentana
C6H14 Hexana
C7H16 Heptana Líquido Combustível para motores
(gasolina)
C8H18 Octana
C9, etc..

Asfaltos Asfaltos para pavimentação e


C100 e Sólido para impermeabilização
Alcatrões

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2. APLICAÇÕES DOS BETUMINOSOS

No início dos anos 90 (XX), segundo a Shell Brasil S/A [3],


70% do mercado de betume estava na Engenharia Civil (em serviços
de pavimentação). Outras aplicações industriais vêm crescendo e
55% destas são relativas a serviços de impermeabilização1.

Mas o betume é um dos mais antigos materiais usados pelo


homem, podendo-se citar os seguintes registros históricos
clássicos de aplicação:
a) como material de assentamento de alvenarias, na
Mesopotâmia;
b) como material impermeabilizante, na Arca de Noé (citação
bíblica);
c) em serviços de mumificação, pelos egípcios.

Mais próximo ao nosso século, os registros de aplicações


pioneiras são em pavimentos, na França (1802), USA (1838) e
Inglaterra (1869), com betumes de jazidas naturais.

A partir de 1909, iniciou-se o emprego de betume derivado do


petróleo, sendo um resíduo da sua destilação (como será visto a
seguir), tornando-se um material de baixo custo e com uso
crescente em pavimentação, impermeabilização e pinturas
industriais de proteção.

3. TIPOS BÁSICOS DE MATERIAIS BETUMINOSOS, EM FUNÇÃO DA ORIGEM

Em função da sua forma de obtenção, os materiais betuminosos


recebem a seguinte classificação tradicional e segundo [3], os
alcatroados tendem a ser excluídos da classificação de
betuminosos:
a) asfaltos ou cimentos asfálticos, que podem ser naturais ou
de petróleo;
b) alcatrões;
c) piche e breu.

3.1 Asfalto ou cimento asfáltico

Por definição [2], asfalto é o material sólido ou semi-sólido,


de cor entre preta e parda escura, que ocorre na natureza ou é
obtida da destilação do petróleo, que se funde gradualmente pelo
calor, e no qual os constituintes predominantes são os betumes.

O asfalto ou cimento asfáltico é uma mistura de betume com


agregado
3 ou carga mineral [6]. Tem massa específica em torno de 1
kg/dm e cheiro de óleo queimado. [7]

1 Os sistemas de impermeabilização se dividem em sistemas rígidos (a base de cimento Porltand, p. ex.) e sistemas
flexíveis (a base de polímeros, como são as resinas sintéticas, p.ex. a acrílica, os asfaltos, etc..).

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O asfalto pode ser natural (sigla CAN) ou obtido da


destilação do petróleo (sigla CAP).

3.1.1 Cimento asfáltico natural ou CAN

Hoje não se comercializa CAN no Brasil. A especificação


brasileira (EB-94/68) foi, inclusive, cancelada. A título de breve
informação, informa-se que os CAN podem provir de:
a) jazidas de rochas asfálticas, sedimentárias, em geral de
base arenítica ou calcária, impregnadas com 10 a 30 % de asfaltos.
São fragmentadas e aquecidas para extração do asfalto, p. ex. com
ocorrências na Itália, França, Alemanha e Brasil (Piracicaba,
desativada) [1];
b) lagos de asfalto, formados pela ação de intempéries sobre
petróleos que chegaram à superfície, explorados através de
galerias subterrâneas, com ocorrências principais na Venezuela
(Lago de Bermudez, com 360 ha e 2 de profundidade) e na Ilha de
Trindad (50 ha, até 40 m de profundidade).

3.1.2 Cimento asfáltico de petróleo ou CAP [1]

É o asfalto obtido como resíduo da destilação do petróleo,


bem mais abundante e barato.

Nas torres de destilação, a parcela mais pesada do petróleo


dá nafta (derivados da gasolina), querosene e diesel, e o resíduo
ainda pode ser fracionado em óleos graxos, asfalto e negro de
fumo.

Para cada barril de petróleo, se obtém apenas cerca de 50% de


gasolina, daí a notável expansão da indústria petroquímica, que se
baseia no aproveitamento desses resíduos.

Os CAP apresentam teor mais elevado de betume que os CAN e


são mais voláteis, porque o resíduo mineral é menor.

3.2 Alcatrão

É o material semi-sólido ou líquido, resultante da destilação


de materiais orgânicos (hulha, turfa, linhito, lenha, madeira). [6]

A hulha ou carvão mineral é o combustível fóssil de plantas


superiores, decompostas ao abrigo de ar. A madeira em contato com
o O2 se decompõe por reação oxidante, dando em suma, CO2 e H2O.
Entretanto, na ausência do ar, em decomposição anaeróbica, o
oxigênio integrante da celulose irá formar CO2 e H2O, sendo parte
do carbono preservado na sua forma elementar, conforme a reação
abaixo [4], chamada de hulheificação:
CH O (sem ar) ---------> CO2 + 3H2O + CH4 + 4C
6 10 5
(celulose) (metano)

A reação de hulheificação é lenta e gradual, formando


inicialmente a turfa, que evolui até formar o carvão ou hulha,

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propriamente ditos. Uma camada de 15 m de turfa resultará em cerca


de 1 m de carvão.

O alcatrão pode ser obtido como resíduo nos seguintes


processos industriais [1]:
a) em gasômetros, na obtenção de gás de iluminação, a partir
da hulha;
b) em coquerias, para a obtenção do coque siderúrgico, como
feito na Usina Siderúrgica de Volta Redonda (RJ). O coque comum é
aquecido a 1200 oC, sem acesso de ar. A 600 - 700oC o alcatrão
bruto evapora e a 86oC condensa; é redestilado, resultando óleos
leves, médios e pesados, alcatrão destilado e piche.

Como diferenças básicas dos alcatrões destilados, em relação


aos asfaltos, pode-se relacionar [1]:
a) maior sensibilidade à temperatura, são mais moles quando
aquecidos e mais duros quando resfriados;
b) menor resistência às intempéries;
c) maior poder aglomerante.

3.3 Piche e breu

Piche são misturas de apenas 11 a 17% de betume, com muita


argila, pedrisco, etc. [1]. É sólido à temperatura ambiente e funde
de forma heterogênea, com muitos nódulos e grãos na massa fundida.
Apresenta qualidades muito inferiores às dos alcatrões.

O piche é obtido da destilação do alcatrão bruto, mas também


pode ser obtido de asfaltos impróprios para refino.

O piche pode ser ainda refinado, perdendo quase todo o betume


e o resíduo é o breu, sólido à temperatura ordinária e de maior
dureza que os outros betuminosos, mas com boa resistência às
intempéries.

O emprego de piche e breu não é hoje reconhecido pelas normas


de pavimentação, nem de impermeabilização. Mas o piche foi,
basicamente, o único material disponível no Brasil, até a década
de 20, quando abriram indústrias para fabricar materiais de
impermeabilização no Rio de Janeiro e São Paulo, procedentes da
Europa. Até então, nas obras de maior porte, utilizava-se asfaltos
importados. [9]
A utilização de piche é hoje voltada para a fabricação de
tintas primárias de imprimação, impermeabilizantes ou anti-
corrosivas, para madeira, ferro e taludes (erosão). O piche de
alcatrão de hulha tem grande compatibilidade com o epóxi,
poliuretanos e borracha clorada. Também é usado para a fabricação
de mastiques, assim como na fixação de tacos, "blokrets"e lajotas
de pavimentação. [8]

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4. PROPRIEDADES TECNOLÓGICAS BÁSICAS DOS BETUMINOSOS

Antes de abordar a terminologia e especificação dos


betuminosos para construção civil, é conveniente explicar as
propriedades tecnológicas básicas de interesse para a fabricação e
uso desses materiais.

4.1 Dureza

Essa propriedade é das mais importantes, e foi por muito


utilizada para a classificação de diversos betuminosos, como será
visto no item 5.

Um betuminoso muito duro, provavelmente terá pouca dutilidade


e pode trincar sob baixas temperaturas. Se for de baixa dureza,
provavelmente, escorrerá em clima quente. Essa característica é
decisiva na fabricação ou uso de materiais betuminosos para
impermeabilização.

A determinação da dureza é normalizada pela NBR 6576, e


representa a medida ou índice de penetração em décimos de mm, de
uma agulha padrão (diâmetro de 1 a 1,2 mm), aplicada durante 5 s
sobre uma amostra padronizada a 25oC. O resultado do ensaio,
geralmente, é citado como um número sem a unidade correspondente
(décimos de mm ou dmm).

4.2 Ponto de amolecimento

É uma temperatura de referência para preparo ou utilização


dos betuminosos. Em geral, se situa na faixa de 36 oC a 62 oC e
acompanha a progressão da dureza.

O ensaio é normalizado pela NBR 6560, método do anel e bola.


A amostra de betuminoso é fundida e moldada em um anel padronizado
e vazado. Sobre a amostra de betume moldada no anel, uma bola de
aço padronizada é assentada, e o conjunto é aquecido até que a
bola desça de nível e atinja uma placa de referência, pela
deformação do betuminoso contido no anel.

4.3 Viscosidade

Chama-se viscosidade à resistência oposta por um fluido à


deformação sob a ação de uma força. Como o ponto de amolecimento,
é propriedade de interesse à fabricação e aplicação dos
betuminosos.

Um dos métodos de avaliação é o ensaio feito pelo


Viscosímetro Saybolt-Furol e normalizado pelo MB-517/71.
3 A
viscosidade representa o tempo em segundos que 60 cm de uma
amostra leva para passar através de um orifício padrão, devendo-se
indicar a temperatura de ensaio.

O resultado do ensaio é uma medida de tempo em s e é, em


geral, acompanhado da sigla SSF - p. ex. 30 SSF, o que significa
30 s no Saybolt-Furol.

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O método embora prático não é muito preciso, mas foi muito


utilizado para especificação da consistência de aplicação dos
betuminosos em pavimentação, pois é uma propriedade factível de
controle em usinas ou nas obras. Uma vez levantada a curva
"viscosidade x temperatura" e indicada a viscosidade SSF de
aplicação, está definida a temperatura de aplicação do produto.

Outras medidas possíveis de viscosidade, são a cinemática


(Stokes) e a viscosidade absoluta _(em Poises), pela NBR 5847,
com base em tempo de escoamento dos betuminosos em vasos especiais
calibrados com óleos de referência e em uma dada temperatura. Tais
ensaios são realizados na presença de vácuo (padronizado), sendo
apenas vácuo inicial no caso da viscosidade cinemática e
permanente para o caso da viscosidade absoluta.

4.4 Dutilidade

É uma propriedade relacionada à capacidade de deformação sem


fissuras. O ensaio é normalizado pela NBR 6293, em que um corpo-
de-prova, em forma de "gravata borboleta", é tracionado de forma
padronizada (5cm/s), medindo-se quantos centímetros se estende
antes de romper. Este ensaio é realizado em um banho aquoso, com
densidade próxima a do material a ser ensaiado, visando a
manutenção do nível do fio, que progressivamente, vai se formando
na região central do corpo-de-prova tracionado.

4.5 Massa específica

A massa específica dos betuminosos serve para avaliar a sua


uniformidade e o teor de 3 impurezas. Para asfaltos e alcatrões
varia
3 entre 900 a 1400 kg/m , mas a maioria fica entre 1000 e 1100
kg/m .

A massa específica dos betuminosos líquidos e semi-sólidos


pode ser determinada pela NBR 6296. Para os sólidos pode ser
determinada pelo processo da balança hidrostática.

4.6 Ponto de Fulgor

É importante para o manuseio dos betuminosos, porque logo


acima do ponto de fulgor há o ponto de combustão e, portanto, o
perigo do material inflamar. No ponto de fulgor, os gases
desprendidos do material e adjacentes à superfície se inflamam,
mesmo que seja temporariamente.

O método de medida do ponto de fulgor é normalizado pela NBR


11341 (método de Cleveland), e se resume em passar uma chama sobre
uma amostra padrão, em intervalo de tempo definido, até haver
lampejos provocados pela inflamação dos vapores liberados pela
amostra.

Para segurança dos operários envolvidos na aplicação de


materiais betuminosos, é recomendado que a temperatura de
aplicação seja sempre bem inferior à temperatura do ponto de

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o
Fulgor, tendo como ordem de limite inferior 20 C abaixo da
referida temperatura.

4.7 Betume total

Medida muito usada em betuminosos para pavimentação,


inclusive para recomposição do traço de pavimentos. A solubilidade
da amostra original em bissulfeto ou tetracloreto de carbono
(menos tóxico), dá a quantidade de betume total existente no
material.

Através deste ensaio, também é possível fazer uma


identificação da composição do betume [7], visto que os asfaltenos
são solúveis tanto no CCl4 como no CS2, já os maltenos, além de
solúveis nestes dois compostos, são também solúveis em éter.

4.8 Destilação

Método empregado para qualificar a quantidade e os tipos de


resíduos contidos em betuminosos, assim como a rapidez relativa
com que esses resíduos são obtidos.

O resíduo da destilação pode ainda ser qualificado quanto à


dureza, dutilidade e solubilidade em dissulfeto ou tetracloreto de
carbono, o que serve também para estimar as propriedades dos
betuminosos após a perda de voláteis e a sua oxidação natural em
serviço.

A porção do resíduo final da destilação, que é insolúvel,


tanto em CCl4 como em CS2, fornece o teor de carga mineral
existente no betume, sendo mais um parâmetro industrial da sua
qualidade.

5. TERMINOLOGIA, CLASSIFICAÇÕES E ESPECIFICAÇÕES DE MATERIAIS


BETUMINOSOS PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL

5.1 Cimentos asfálticos de petróleo ou CAP

CAP é o aglutinante betuminoso obtido pela refinação de


petróleo, com características necessárias para emprego em
pavimentação.

Os CAP necessitam de aquecimento, para liquefazerem e


permitirem operações de mistura (concreto asfáltico), impregnação
(macadames) ou espalhamento.

Por muitos anos, foram normalizados no Brasil pela EB-78/70,


revisada em 1981 e depois pelo Regulamento Técnico do CNP n.
21/86.

A especificação de 81, classificava os cimentos em quatro


tipos, segundo o índice de penetração, a saber: CAP 50-60, 85-100,
100-120, 150-200.

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Seguindo as tendências internacionais, o Conselho Nacional de


Petróleo emitiu uma portaria em 1986, introduzindo no Brasil a
classificação dos betuminosos pela sua viscosidade absoluta,
medida em centiPoises. Por este critério, mais moderno, são
especificados apenas 3 tipos de CAP (CAP 7, CAP 20 e CAP 55),
conforme a Tab. I – Anexo A, onde constam as demais
características especificadas.

Por não haver familiaridade das empresas usuárias com essa


classificação, até hoje é permitida a comercialização dos CAP pela
dureza (indicação do índice de penetração), mas com a tendência de
entrar cada vez mais em desuso.

Os CAP são usados como material aglomerante em concretos


asfálticos e como matéria-prima dos mais diversos produtos para
impermeabilização e pavimentação.

O emprego de CAP nos diversos serviços de pavimentação está


resumido na Tab. II – Anexo A, sendo que a terminologia usada
nessa tabela para a designação dos serviços consta no Anexo B,
extraídas de publicação do IBP [10].

Atualmente, os CAP mais usados em impermeabilização são os


CAP com dureza 85-100, 50-60 e 30-40, todos com ponto de
amolecimento na faixa de 40-50oC.

5.2 Alcatrões

Os alcatrões encontram emprego em misturas com outros


polímeros ou fibras, para uso como mastique (material de
calafetação) ou material de enchimento de juntas em saneamento,
com excelente resistência a agentes agressivos. São ainda usados
em formulações com outros materiais, conforme item 5.8.

5.3 Asfaltos oxidados

São obtidos pela passagem de uma corrente de ar, através de


uma massa de asfalto destilado de petróleo, em temperatura
adequada, com ou sem a presença de um catalisador. [17]

Em relação aos CAP comum, são mais sólidos e duros, menos


sensíveis às variações de temperatura e às intempéries, porém são
menos adesivos e menos aglutinantes.

Portanto, são mais adequados à impermeabilização e


normalizados para este fim, pela NBR 9910/87 [17], que os
classifica em quatro tipos: I, II, III e IV, conforme a Tab. III –
Anexo A, reproduzida dessa norma.

Os asfaltos oxidados são comercializados em "placas' de 50 kg


e empregados com aquecimento em temperatura da ordem de 200 oC.

5.4 Asfaltos diluídos (AD) ou soluções asfálticas

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São ligantes asfálticos tratados com solventes orgânicos de


petróleo e que podem ser aplicados com pequeno aquecimento (60oC a
100oC) ou a frio. São menos viscosos, o que facilita o emprego,
mas têm menor poder aglomerante.

Para emprego em pavimentação [2], os asfaltos diluídos são


classificados conforme os seguintes tipos, em função do prazo de
"cura" (tempo para ocorrer a evaporação do diluente ou solvente):
a) asfaltos diluídos de cura rápida (CR ou ADR), obtidos pela
diluição do CAP em um diluente leve, tipo nafta;
b) asfaltos diluídos de cura média (CM ou ADM), obtidos pela
diluição do CAP em um diluente médio, tipo querosene. São
classificados pela viscosidade cinemática.

Há ainda asfaltos diluídos de cura lenta, obtidos pela


diluição do CAP em um diluente tipo diesel, não sendo usados em
pavimentação.

As aplicações dos ADR e ADM em serviços de pavimentação


constam da Tab. II – Anexo A.

Para emprego como material de imprimação em


impermeabilização, as soluções asfálticas são especificadas pela
NBR 9686/86, conforme a Tab. IV - Anexo A.

5.5 Emulsões asfálticas ou hidrasfaltos

São produtos em que uma fase asfáltica é dispersa em uma fase


aquosa (emulsão direta) ou uma fase aquosa é dispersa em uma fase
asfáltica (inversa), com o auxílio de um agente emulsificante,
apresentando partículas carregadas eletricamente ou neutras. Os
hidrasfaltos resultam compostos de 50 a 70% de CAP, em torno de 1%
de emulsificante e o restante de água.Foram desenvolvidas para
viabilizar a aplicação do asfalto a frio.Em pavimentação apenas
são usadas as emulsões diretas.

As emulsões asfálticas são classificadas:


a) em função da ruptura (tempo de evaporação da água): como
emulsões de ruptura rápida - RR (40 min), ruptura média -
RM (até 2 h) ou ruptura lenta - RL (até 4h);
b) em função da carga elétrica das partículas, como:
- emulsões aniônicas (c/ partículas carregadas
negativamente e com afinidade maior c/ agregados de
natureza básica, calcários e dolomitos);
- emulsões catiônicas (c/ partículas carregadas
positivamente e de maior afinidade com agregados de
natureza ácida como granitos e quartzitos). As catiônicas
têm maior adesão às superfícies e são recomendadas
especialmente para remendos em pavimentação, em
impermeabilizações e tintas;
- emulsões especiais, c/ partículas asfálticas sem carga ou
carregadas simultaneamente, positiva e negativamente.

As emulsões asfálticas catiônicas (identificadas pela letra


C após a indicação do tempo de ruptura), têm diversos empregos em
pavimentação. Na Tab. II – Anexo A, pode-se observar que as

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catiônicas de cura rápida são próprias para pinturas ou


tratamentos superficiais, e as de cura média e lenta para misturas
a frio.

Mas para uso em lama asfáltica (vide glossário ao final), há


uma especificação à parte, sendo as emulsões identificadas pelo
código LA, seguido da indicação se a emulsão é aniônica (p. ex.
LA-1), catiônica (p. ex. LA-1C) ou especial (LA-E).

Os serviços de pavimentação em que as emulsões são utilizadas


também constam na Tab. II – Anexo A.

Para emprego em impermeabilização, as emulsões asfálticas são


classificadas quanto ao teor de material inerte presente, em
emulsões sem carga e emulsões com carga, conforme a NBR 9686/86
[18] e a NBR 9687/86 [19], respectivamente. As principais exigências
para essas emulsões estão na Tab. V – Anexo A.

5.6 Emulsões de alcatrão

É o material resultante da dispersão de alcatrão em água,


obtido com o auxílio de agente emulsificante, apresentando
partículas carregadas eletricamente.

5.7 Asfaltos modificados

Pela terminologia de betuminosos para pavimentação [2],


asfalto modificado é o material resultante da adição de
determinadas substâncias, p. ex. polímeros, aos CAP e seus
derivados (emulsões, soluções, etc).

A partir da década de 80, a tecnologia de asfaltos


modificados com polímeros iniciou no Brasil, com aplicação nos
serviços de impermeabilização, enquanto para pavimentação ainda é
embrionária.

Em impermeabilização, as misturas com elastômero, p. ex., são


empregadas tanto para a fabricação de mantas de impermeabilização
(item 5.12) ou para a execução de membranas "in loco" (item 5.11),
como também para a produção de mastiques. Pelo custo bem mais
elevado (US$ 6/kg contra US$ 1/kg dos produtos usuais à base de
asfalto), o uso potencial por enquanto é em serviços de reparo de
impermeabilização e onde já tenha se comprovado a ineficiência dos
sistemas tradicionais. Recomenda-se leitura do artigo indicado
como leitura complementar, no item 7.

Cabe salientar que pela terminologia de materiais para


impermeabilização [6], asfalto modificado é aquele devidamente
processado, de modo a se obter determinadas propriedades. Por esse
conceito, se enquadram todos os tipos de asfaltos anteriores, mas
a tendência é de reservar este termo aos asfaltos modificados com
polímeros.

5.8 Alcatrões modificados

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Por analogia, são os materiais resultantes da adição de


determinadas substâncias, p. ex. polímeros, aos alcatrões.

Alcatrões com epóxi são usados em tintas industriais ou


alcatrões com elastômeros em mastiques, para calafetações, onde
seja preciso elevada resistência química - tanques de efluentes,
lagoas de rejeitos, etc.

5.9 Misturas betuminosas

São as misturas de betuminosos entre si, com ou sem a adição


de cargas, resultando produtos de consistência variada.

Juntando-se um pouco de alcatrão ao asfalto, tem-se maior


aderência; ou um pouco de asfalto ao alcatrão, maior resistência à
temperatura.

5.10 Feltros betumados ou asfálticos

São produtos constituídos por fibras ou fios naturais


(celulose, algodão) ou sintéticos sem fiação ou tecelagem,
impregnados de betuminosos e usados como armadura ou proteção em
impermeabilização.

Os feltros asfálticos são classificados pela NBR 9228/86 [11],


segundo a massa do cartão não impregnado, em feltros 250, 350 e
500, conforme a Tab. VI – Anexo A. Também é usual citar o tipo de
feltro acompanhado da sua resistência à tração, em kg ou N (p. ex.
500/30 ou 500/300).

Ainda segundo essa norma, os feltros asfálticos não devem


apresentar desagregação, pontos sem saturação, bordas fissuradas,
excesso de saturante na superfície, etc.

Os feltros são, principalmente, utilizados como material de


reforço em membranas asfálticas (item 5.11) e também como elemento
para liberar a movimentação de lajes de cobertura sobre paredes de
alvenarias, por efeito térmico, com o objetivo de reduzir fissuras
das paredes por cisalhamento.

5.11 Membranas asfálticas

São sistemas impermeabilizantes, moldados "in loco", com ou


sem armadura e que têm o asfalto como material impermeabilizante
básico.

A aplicação de mantas asfálticas será vista em disciplina


específica de técnicas construtivas, mas cabe adiantar que é hoje
regulamentada por normas específicas como a NBR 12190/01 [12], a NBR
9574/86 [13], e a NBR 9575/98 [14], onde constam os procedimentos e
detalhes construtivos, conforme o tipo de impermeabilização (tipos2
de asfalto, número de camadas, consumo mínimo de asfalto em kg/m ,
etc.).

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As membranas asfálticas tanto podem ser feitas com asfaltos


oxidados, soluções ou emulsões asfálticas, sendo as duas últimas
mais utilizadas, pela facilidade de aplicação.

A diferença básica quanto ao desempenho de uma membrana de


AOP ou de solução asfáltica, para uma membrana de emulsão
asfáltica está na absorção de água, que é maior nestas. Isto
porque a porosidade remanescente na membrana de emulsão, pela
evaporação da água, é mais interligada do que a remanescente em
uma membrana de solução asfáltica ou de AOP endurecidos.

O local de aplicação às vezes é também restritivo ao uso de


um tipo ou outro de membrana, como por exemplo, em reservatórios
de água, em que o contato permanente com a água pode reemulsionar
a emulsão da membrana.

Por outro lado, a escolha de uma solução asfáltica para essa


aplicação também deve ponderar a possibilidade de liberação de
voláteis nocivos (policíclicos aromáticos) ou ainda a sua
concentração, com riscos de incêndio, dependendo das
características de ventilação do reservatório.

5.12 Mantas asfálticas

São produtos à base de asfalto modificados com ou sem


armadura (véu ou tecido de reforço), impermeáveis, fabricados em
rolos, obtidos por calandragem, extensão ou outros processos,
destinados à impermeabilização.

Podem ser aplicadas de forma aderida ou não ao substrato


(conforme a natureza das movimentações previstas para a obra e
características da manta).

A fabricação nacional de mantas asfálticas começou na década


de 70. Hoje, as mantas possuem armaduras diversas (véu de fibra de
vidro, polietileno, lâminas metálicas, filme de polietileno
externo, para evitar pegajosidade da manta enrolada) e acabamentos
especiais para proteção solar (escamas de ardósia ou lâmina de
alumínio, em locais não transitáveis), bem como resistência
elevada para resistirem à penetração de raízes de árvores e outras
solicitações desfavoráveis.

As mantas podem ser classificadas:


a) quanto ao acabamento superficial: superfície granular,
metálica ou anti-aderente . As duas primeiras podem ser expostas
às intempéries, enquanto a terceira deve ser protegida (apenas
contém filme de polietileno);
b) quanto à forma de aplicação no substrato: totalmente
aderidas, parcialmente aderidas, não aderidas;
c) quanto à resistência mecânica: são classificadas segundo a
especificação brasileira vigente.
As exigências para mantas asfálticas com armadura constam da
NBR 9952/98 [15], conforme a Tab. VII - Anexo A. As mantas com
armadura devem ser planas, de bordas paralelas, não serrilhadas e

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apresentar espessura uniforme. As exigências específicas,


avaliadas segundo métodos normalizados, são quanto à:

a) espessura (mínima nominal de 3 mm), sendo que nenhum ponto


da manta pode ter menos de 90% do valor nominal, e a média de no
mínimo 10 pontos deve ser igual ou maior que o valor nominal;

b) massa por metro quadrado, no mínimo igual ao valor


indicado pelo fabricante;

c) estanqueidade, corpos-de-prova da manta são submetidos a


pressão de coluna de água de 500 mm por 16 h. O eventual vazamento
será detectado por contraste de indicador (fenolftaleína) colocado
para impregnar um papel filtro sob a manta e que reage com a água
da coluna de pressão, pois está é alcalinizada com carbonato de
sódio;

d) carga e alongamento na ruptura (longitudinal e


transversal), produto carga x deformação, conforme a Tab. VII –
Anexo A;

e)absorção de água, conforme a Tab. VII – Anexo A;

f) flexibilidade à baixa temperatura (-5 oC), em que corpos-


de-prova devem ser aprovados em ensaio de estanqueidade após
dobramento com resfriamento prévio na temperatura indicada;

g) resistência a impacto, não devendo a manta perfurar ou


apresentar vazamentos após o ensaio, feito com pesos e base
padronizados conforme a classe e categoria da manta;

h) resistência ao puncionamento de força de 245 N, atuante


por 1 hora e à temperatura de 23 oC, verificando-se após a
estanqueidade da manta;

i) resistência ao envelhecimento por ensaio acelerado (168 h


em estufa a 70 oC com ventilação forçada), não devendo apresentar
sinais de fissuração, bolhas e características mecânicas no ensaio
de tração inferior a 80% dos valores medidos inicialmente.

O número de amostras para a verificação dessas propriedades


depende da metragem quadrada do 2 lote adquirido (a NBR 9952
prescreve 1 amostra para cada 1000 m de manta). A amostra deve ser
de 1 m2 e a sua extração deve ser feita nas bordas das mantas, para
não avariar o rolo.

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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] BAUER, L. A. (Coord.). Materiais de Construção. LTC., (última


revisão 1988).
[2] ABNT. NBR 7208 - Materiais betuminosos para emprego em
pavimentação. ABNT, Rio de Janeiro, 1990.
[3] ALMEIDA, ANJOS. Revista impermeabilizar 02/93. p 36-8.
[4] PICADA, D.S, LOPES, J.A. Rochas Sedimentares – Apostila de
Geologia Aplicada à Engenharia. Porto Alegre, 1971.
[5] PICCHI, F.A. Impermeabilização de coberturas. PINI, São Paulo,
1986.
[6] ABNT. NBR 8083 - Materiais e sistemas utilizados em
impermeabilização. ABNT, Rio de Janeiro, 1983.
[7] PETRUCCI, E.G.R. Materiais de Construção. Porto Alegre, 1975.
[8] ASFALTOS VITÓRIA. Catálogo de Produtos, 1994.
[9] PACHECO, C. A. Impermeabilização – Uma história enxuta.
Téchne, 1, p. 17-18. PINI, São Paulo, 1993.
[10] INSTITUTO BRASILEIRO DO PETRÓLEO - IBP. Informações básicas
sobre materiais asfálticos. 4 ed. rev. Rio de Janeiro,
IBP/Comissão de Asfalto, 1990.
[11] ABNT. NBR 9228 - Feltros asfálticos para impermeabilização.
ABNT, Rio de Janeiro,1986.
[12] ABNT. NBR NB-279 - Seleção da impermeabilização. ABNT, Rio de
Janeiro.
[13] ABNT. NBR NBR 9574 - Execução de impermeabilização. ABNT, Rio
de Janeiro.
[14] ABNT. NBR 9575 - Elaboração de projetos para
impermeabilização. ABNT, Rio de Janeiro.
[15] ABNT. NBR 9952 - Mantas asfálticas com armadura para
impermeabilização. ABNT, Rio de Janeiro.
[16] PATON, W.J. – Materiais de Construção para Engenharia Civil.
São Paulo, 1978.
[17] ABNT. NBR 9910 – Asfaltos oxidados para impermeabilização.
ABNT, Rio de Janeiro, 1987.
[18] ABNT. NBR 9686 – Solução asfáltica empregada como material de
imprimação na impermeabilização. ABNT, Rio de Janeiro, 1986.

[19] ABNT. NBR 9687 – Emulsões asfálticas com carga para


impermeabilização. ABNT, Rio de Janeiro, 1986.

7. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

O texto a seguir é recomendado visando complementar informações a


cerca de asfaltos elastoméricos:

- INFANTI Fº , R. O avanço, a difusão e as aplicações do asfalto


elastomérico em sistemas de impermeabilização. 8 º Simpósio
Brasileiro de Impermeabilização, Anais. IBI – Instituto Brasileiro
de Impermeabilização.

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ANEXO A – TABELA I
Regulamento Técnico CNP n° 21/86
Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP)

Quadro de Especificações

Requisitos Métodos de Ensaios Tipos de CAP


(IBP/ABNT) CAP-7 CAP-20 CAP-55
1. Viscosidade a 60°C, poise (*) NBR 5847 700 ± 300 2000 ± 1000 5500 ± 2500
2. Viscosidade a 135°C, SSF, mínimo MB-517 100 120 170
3. Viscosidade a 177°C, SSF MB-517 15-60 30-150 50-150
4. Penetração Normal 100g, 5s, 25°C, 0,1 mm, mínimo NBR 6576 90 50 20
5. Ponto de Fulgor, °C, mínimo NBR 11341 220 235 235
6. Solubilidade no Tricloroetileno, %, peso, mínimo 99,5 99,5 99,5
7. Índice de Suscetibilidade Térmica (**) P-MB-107/MB-164 (-2) a (+1) (-2) a (+1) (-2) a (+1)
8. Efeito do Calor e do Ar
8.1 - Variação em Peso, %, máximo MB-425 1,0 1,0 1,0
8.2 - Viscosidade a 60°C, poise, máximo NBR 5847 3000 9000 24000
8.3 - Ductilidade a 25°C, cm, mínimo NBR 6293 50 20 10

(*) Período de 1 ano.

(500)(log PEN ) + (20)( t o C) − 1951


(**) Índice Pfeifer Van Doormall = onde (toC) = Ponto de amolecimento, MB-164
120 − (50)(log PEN ) + ( t o C)

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NOTA: O produto não deve produzir espuma quando aquecido a 175°C.

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ANEXO A – TABELA II
SUGESTÕES PARA EMPREGO DE MATERIAIS ASFÁLTICOS EM PAVIMENTAÇÃO (termos no Anexo B)
Serviços Cimentos asfálticos Emulsões asfálticas catiônicas Asfaltos Diluídos
Tipos de CAP Ruptura Rápida Ruptura Média R. Lenta Cura Rápida (RR) Cura Média (CM)
55 20 7 RR-1C RR-2C RM-1C RM-2C RL-1C CR-70 CR-250 CM-30 CM-70 CM-250
1. Imprimação X X
2. Pintura de ligação X (a) X (a) X (a) X (a) X (a) X (b)
3. Tratamentos superficiais
Simples X X (b) X X
Duplas X X (c) X X
Triplas X X (c) X X
4. Macadame betuminoso X X X
5. Pré-misturado a quente X X
6. Pré-misturado a frio:
Aberto X X X X
Denso X X X X X
7. Areia-asfalto a quente X X
8. Areia-asfalto a frio X X X
9. Concreto asfáltico X X X
10. Mistura na estrada X X X
11. Solo Betume (d) X X
12. Lama asfáltica (e)
Observações:
a) As emulsões asfálticas catiônicas são usadas em pintura de ligação normalmente diluídas em água (1:1), mas a mistura não deve ser estocada;
b) Não se deve usar AD tipo CR-70 como pintura de ligação sobre superfície betuminosa;
c) Não se usa a emulsão RR-1C nos tratamentos superficiais onde as declividades longitudinais e transversais forem elevadas;
d) Em solo betume também podem ser usadas as Emulsões para Lama Asfáltica;
e) As Emulsões para Lama Asfáltica podem ser tipo Aniônicas (LA-1; LA-2), Catiônicas (LA-1C; LA-2C), Especiais (LA-E).

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ANEXO A – TABELA III


ESPECIFICAÇÃO DE ASFALTOS OXIDADOS PARA IMPERMEABILIZAÇÃO, CONFORME NBR 9910/87.

Tipos de asfalto I II III IV

Ponto de amolecimento 0C 60-75 75-95 95-105 85-105

Penetração (250C, 100g, 5s), 0,1 mm 25-40 20-35 15-25 40-55

Ductibilidade (250C, 5 cm/min)cm, mínimo 5 - - 10

Perda por aquecimento cm massa 1 1 1 1


(1630C. 5 h)% max

Penetração resíduo (% da penetração 60 60 75 60


original), min

Solubilidade em CS 2 ,% em massa min 99 99 99 99

Ponto de fulgor 0C mínimo 235 235 235 235 22/27


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ANEXO A – TABELA IV
ESPECIFICAÇÃO DE SOLUÇÕES ASFÁLTICAS PARA IMPERMEABILIZAÇÃO, CONFORME NBR-9686/86.

Requisitos / Especificações Critérios

Viscosidade Saybolt-Furol, SSF a 25 oC, s 25 a 75


Ensaio de destilação – Destilado, % em volume do total da
amostra:
a) até 225 oC 35 % mínimo
b) até 360 oC 65 % máximo
Ensaio sobre o resíduo de destilação:
a) penetração a 25 oC, 100 g, 5 s (0,1 mm) 20 a 50
b) ponto de amolecimento (anel e bola), oC 60 a 80
Solubilidade em C2S 99 % mínimo

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ANEXO A – TABELA V
ESPECIFICAÇÃO DE EMULSÕES ASFÁLTICAS PARA IMPERMEABILIZAÇÃO, CONFORME NBR-9687/86.

Requisitos / Especificações Emulsões Asfálticas com Emulsões Asfálticas sem

carga carga

Massa específica relativa (25°C) 1100 a 1200 980 a 1040


Resíduo por evaporação (mínimo) 60% 50%
Cinzas (sobre resíduo por evaporação) - máximo 30% 8%
Inflamabilidade (aquecimento à 32°C) (*) nenhuma possibilidade nenhuma possibilidade
Secagem total (tempo máximo) 24 horas 24 horas
Escorrimento à quente, fluidez ou formação de bolhas - não deve ocorrer
(100°C)
Flexibilidade (quebra ou trinca) à 0 °C - não deve ocorrer
Resistência à água (formação de bolhas ou remulsificação) - não deve ocorrer
Teste de chama direta - carbonização do local

(*) Nenhuma possibilidade de ignição ou fogo, quando submetido à temperatura indicada.

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ANEXO A - TABELA VI
ESPECIFICAÇÃO DE FELTROS ASFÁLTICOS PARA IMPERMEABILIZAÇÃO, CONFORME NBR 9228/86.

C A R A C T E R ÍS T IC A S T IP O

250 350 500

M a s s a d o f e lt r o a s f á lt ic o s a t u r a d o , m í n im a ( k g / m 2 ) 0 ,5 5 0 ,7 7 1 ,1 0

M a s s a d o c a r t ã o a b s o r v e n t e s e c o , m ín im a ( k g / m 2 ) 0 ,2 5 0 ,3 5 0 ,5 0 t

P o r c e n t a g e m d e s a t u r a ç ã o m í n im a ( % ) 120 120 120

P o n t o d e a m o l e c im e n t o s a t u r a n t e ( 0 C ) 34 a 35 a 35 a
65 65 65

F le x i b ilid a d e a 1 0 0C ( m a n d r il de 3 ,0 cm de (A ) (A ) (A )
d iâ m e t r o )

R e s is t ê n c ia à t r a ç ã o d o f e l t r o a s f á lt ic o s a t u r a d o
m ín im a ( N / 0 , 0 5 m )

s e n t i d o l o n g it u d in a l 130 200 300

s e n tid o tra n s v e rs a l 130 200 300

A lo n g a m e n t o na ru p tu ra do f e lt r o a s f á lt ic o
s a t u r a d o n o m ín im o ( % )
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s e n t i d o l o n g it u d in a l 2 2 2
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ANEXO A - TABELA VII


ESPECIFICAÇÃO DE MANTAS ASFÁLTICAS PARA IMPERMEABILIZAÇÃO, CONFORME NBR 9952/98

Mantas Tipo I Tipo II Tipo III Tipo IV

Espessura 3 mm 3 mm 3 mm 3 mm

Carga de ruptura 140 N 180 N 400 N 550N

(média)

Alongamento 20 % 20 % 30 % 35 %

(médio)

Resistência ao 2,45 J 2,45 J 4,9 J 4,9 J

impacto

Puncionamento Corpos-de-prova Corpos-de-prova Corpos-de-prova Corpos-de-prova


estático devem permanecer devem permanecer devem permanecer devem permanecer
estanques estanques estanques estanques
Absorção de água 3% 3% 3% 3%

Flexibilidade a baixa Não pode apresentar Não pode apresentar Não pode apresentar Não pode apresentar
temperatura fissuras fissuras fissuras fissuras

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ANEXO B
TERMINOLOGIA DE MATERIAIS ASFÁLTICOS EMPREGADOS EM
PAVIMENTAÇÃO, ADAPTADO DE GLOSSÁRIO - IBP [10]

1. Areia-asfalto a frio Mistura de asfalto diluído (AD) ou emulsão asfáltica e areia, podendo ou não
conter fíler, feita em equipamento apropriado, espalhada e comprimida a frio.
2. Areia-asfalto a quente Mistura de cimento asfáltico (CAP) e areia, podendo ou não conter fíler, feita em
usina apropriada, espalhada e comprimida a quente.
3. Asfalto diluído Aglomerante resultante da diluição de CAP em solvente de petróleo, em
quantidade e tipo adequado para produzir: Asfalto Diluído de Cura Rápida – com
diluente leve (nafta, p.ex.); Asfalto Diluído de Cura Média – com diluente médio
(querosene).
4. Concreto asfáltico Mistura de agregados graduados, fíler e CAP, feita em usina apropriada,
espalhada e comprimida a quente, conforme exigências de projeto
5. Cura de AD Processo de evaporação do diluente orgânico em um AD, devendo resultar um
asfalto com as propriedades previstas em projeto.
6. Imprimação Aplicação de camada de material asfáltico sobre a superfície de uma base de
pavimentação concluída, antes da execução de um revestimento asfáltico, para:
a) aumentar a coesão da superfície da base; promover aderência entre o
revestimento final e a base; c) impermeabilizar a base.
7. Lama asfáltica Mistura fluida de agregados, fíler, emulsão asfáltica e água, devidamente
espalhada e nivelada.
8. Macadame betuminoso Aplicação alternada de material asfáltico sobre agregados de granulometria
controlada, previamente espalhados e compactados e até se obter uma
espessura final desejada. Pode ser usado como revestimento de pavimento.
9. Mistura na estrada Mistura de AD ou emulsão asfáltica e agregados no local da aplicação, seguida
(road-mix) de espalhamento e compressão.
10. Pintura de ligação Camada de material asfáltico usada para promover a aderência de um
revestimento asfáltico a uma base ou revestimento pré-existente.
11. Pré-misturado a frio Mistura de AD ou emulsão asfáltica e agregados, em equipamento apropriado,
seguida de espalhamento e compressão a frio. Segundo a granulometria dos
agregados, pode ser aberto ou denso.
12. Pré-misturado a quente Mistura de CAP e agregados a quente, em usina, espalhada e comprimida
também a quente.
13. Ruptura de emulsão Processo de evaporação da fase aquosa em uma emulsão asfáltica e da sua
reação com agregados minerais, devendo resultar um conglomerado com as
propriedades previstas em projeto.
14. Tratamento superficial Revestimento constituído de material asfáltico e agregado, no qual este é
simples de penetração colocado uniformemente sobre o material asf’áltico, em uma só camada e
invertida submetido à compressão e acabamento.
15. Tratamento superficial Revestimento constituído de duas aplicações de material asfáltico, cobertas
duplo de penetração cada uma por agregado mineral (graúdo, na primeira camada e miúdo, na
invertida segunda camada). A primeira camada é aplicada sobre a base ou revestimento
pré-existente imprimado.
16. Tratamento superficial Revestimento constituído de três aplicações de material asfáltico, cobertas cada
triplo de penetração uma por agregado mineral (graúdo, na primeira camada, médio na segunda e
invertida miúdo, na terceira). A primeira camada é aplicada sobre a base ou revestimento
pré-existente imprimado.
17. Solo-betume Mistura de AD ou emulsão asfáltica e solo, no local da aplicação ou em
equipamento especial seguido de espalhamento e compressão.

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