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M T

A MATEMÁTICA A
.º ANO
CRISTINA VIEGAS
SÉRGIO VALENTE
MANUAL DO
PROFESSOR

Novo REVISÃO CIENTÍFICA


SIMULADOR Programa

VOL. DE EXAMES Metas


Curriculares
FACULDADE DE CIÊNCIAS
UNIVERSIDADE DO PORTO
Índice vol. 2

3
Tema
Funções Reais
de Variável Real

1. Limites e continuidade
Sucessões: revisão 6
Limites de sucessões 8
Propriedades das funções contínuas 17
Síntese 25
5 + 5 | Teste 1 26
Exercícios propostos 28

2. Derivadas de funções reais de variável real


e aplicações
Derivadas de funções reais de variável real 31
Interpretação cinemática da derivada de
segunda ordem de uma função posição 42
5 + 5 | Teste 2 44
Estudo e traçado de gráficos de funções
diferenciáveis 46
Síntese 61
5 + 5 | Teste 3 62
Exercícios propostos 64

+Exercícios propostos 68
No final encontras:

4
Funções
Exponenciais Calculadoras gráficas
Tema

Casio fx-CG 20 188


e Funções Texas Instruments TI-84 Plus C SE /
192
Logarítmicas / CE-T
Texas Instruments TI-Nspire CX 197
Respostas
Exercícios propostos 204
1. Juros compostos e número de Neper
Juros compostos 80
Número de Neper 84
Exercícios propostos 87
No volume 1 encontras:

2. Funções exponenciais
Função exponencial de base a 88

1
Tema
Função exponencial de base e 97
Cálculo
Limite notável e derivada da função exponencial 100 Combinatório
5 + 5 | Teste 4 102
Exercícios propostos 104

3. Funções logarítmicas
Logaritmo de base a
5 + 5 | Teste 5
Funções derivadas das funções exponenciais
108
118
2
Tema

No volume 3 encontras:
Probabilidades

e das funções logarítmicas 120


122

5
Mais limites notáveis
5 + 5 | Teste 6 134 Trigonometria
Tema

Exercícios propostos 136


e Funções
Trigonométricas
4. Modelos exponenciais

6
Equações diferenciais 144
Exemplos de outros modelos envolvendo funções Primitivas
Tema

exponenciais e funções logarítmicas 150 e Cálculo


Síntese 154 Integral
5 + 5 | Teste 7 156
Exercícios propostos 158

+Exercícios propostos 162

7
Tema

Números
Complexos
3
Tema

Funções Reais
de Variável Real
Este tema está organizado em:

1. Extensão
Limites e da
continuidade
trigonometria a
ângulos
Síntese retos e obtusos e
resolução de triângulos
5 + 5 | Teste 1
5 + 5 | Teste 1
Exercícios Propostos
Síntese
2. Exercícios
DerivadasPropostos
de funções reais de variável real
e aplicações
2. ??? |
5 + 5 Teste 2
5 + 5 | Teste 2
Síntese
Síntese
5 + 5 | Teste 3
Exercícios Propostos
Exercícios Propostos
+Exercícios Propostos
+Exercícios Propostos
1. Limites e continuidade

Sucessões: revisão
Resolução
Exercícios de «Limites
e continuidade»
Já no 11.º ano estudaste vários conceitos relativos a sucessões. Dado que alguns
desses conceitos sustentam outros que pretendemos introduzir, começaremos
com uma breve revisão, na forma de perguntas-respostas-exemplos.

RECORDA
Pergunta 1
Conceitos importantes: O que é uma sucessão?
• Sucessão Resposta
• Termo de uma sucessão
Uma sucessão é uma função cujo domínio é o conjunto dos números naturais (N).
• Ordem de um termo
• Termo geral Quando nada é referido, subentende-se que o conjunto de chegada é o conjunto
• Sucessão monótona dos números reais (R).
• Sucessão limitada A imagem de um objeto i é designada por termo de ordem i e a imagem de um
• Limite de uma sucessão objeto genérico n também é referida como termo geral da sucessão.
• Sucessão convergente Uma sucessão u é frequentemente designada por ( un ) .
• Sucessão divergente
EXEMPLO
• Indeterminação
2n + 1 , o termo de ordem 5 é
Na sucessão ( un ) , de termo geral un = _____
n + 2
2 * 5 + 1 11 8 + 1 = __
8
u5 = _______ = ___ e __ não é termo da sucessão porque a equação 2n
_____
5+2 7 5 n+2 5
11 , ou seja, é impossível em N .
é equivalente a n = ___
2

Pergunta 2
Qual é o significado da expressão «un tende para a»?
Resposta
Dizer que «un tende para a» é dizer que a é limite da sucessão ( un ) .
Escreve-se un " a ou lim un = a .
E o que significa ser «limite de ( un )»?
Não especificámos aqui a natureza de a ; no contexto do estudo feito no
11.º ano, a pode ser um número real, pode ser + ∞ ou - ∞ .
Analisemos os vários casos.

RECORDA
• Diz-se que um número real a é limite da sucessão ( un ) quando, para todo
o número real positivo δ , existir uma ordem p å N tal que
|u
n |
- a < δ § a - δ < un < a + δ
|
An å N, n ≥ p ± un - a < δ |
• Diz-se que a sucessão ( un ) tem limite + ∞ quando, para todo o número real
positivo L , existir uma ordem p å N tal que An å N, n ≥ p ± un > L .
• Diz-se que a sucessão ( un ) tem limite - ∞ quando, para todo o número real
positivo L , existir uma ordem p å N tal que An å N, n ≥ p ± un < - L .

6 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Quando existe um número real que é limite da sucessão ( un ) diz-se que a suces-
são é convergente.
Quando uma sucessão não é convergente diz-se divergente.

EXEMPLOS
Calculadoras gráficas
1 - n tende para - __
1. A sucessão ( un ) definida por un = _____ 1 pois, dado um Casio fx-CG 20 ...... pág. 188
2n + 1 2 TI-84 C SE / CE-T .... pág. 192
qualquer número real positivo δ , tem-se: TI-Nspire CX .......... pág. 197

| 1 - n - - __
_____
2n + 1 ( 2 )
3
| 3 - 2δ
| 4n + 2
§ __ < 4n + 2 § _____ < 4n § n > _____
|
2 - 2n + 2n + 1 < δ § _____
1 < δ § ___________

3 - 2δ
3
| |
4n + 2
<δ§

δ δ 4δ
Portanto, para qualquer δ > 0 , sendo p um número natural maior do
3 - 2δ

1
__
clui que lim un = - .
|
que _____ , tem-se: An å N, n ≥ p ± un - (- __
|
1 < δ , de onde se con-
2) 1 Sejam ( un ) , ( vn ) e ( wn ) as
sucessões definidas por:
2 __
3n - 1 √2 n - 1
A sucessão ( un ) é convergente. un = _____ , vn = _____ e
2n + 5 3
2 n - 1 tende para + ∞ pois, dado um
2. A sucessão ( un ) definida por un = ______
2
- 3n
5_____
wn =
3 2
qualquer número real positivo L , tem-se: Mostra, recorrendo às defini-
3L + 1
2 n 2 - 1 > L § 2 n 2 - 1 > 3L § n 2 > ______
______ ções, que:
3
3 2 a) lim un = __
Portanto, para qualquer L > 0 , sendo p um número natural maior do 2
______ b) lim vn = + ∞
3L + 1 2 n 2 - 1 > L , de onde se conclui
que √______
2
, tem-se: An å N, n ≥ p ± ______
3
c) lim wn = - ∞

que lim un = + ∞ .
A sucessão ( un ) é divergente.

3. A sucessão ( un ) definida por un = 1 - 5n tende para - ∞ pois, dado um


qualquer número real positivo L , tem-se: 2 Recorrendo a teoremas so-
L+1
1 - 5n < - L § 5n - 1 > L § n > ____
bre limites (11.º ano), calcula
5 os limites seguintes.
Portanto, para qualquer L > 0 , sendo p um número natural maior do a) lim (1 − 2 n 2 )
que L + 1 , tem-se: An å N, n ≥ p ± 1 - 5n < - L , de onde se conclui
____ 1
5 b) lim _____
2n + 3
que lim un = - ∞ .
c) lim [(2n − 1) (3 − n)]
A sucessão ( un ) é divergente.
2n − 1
d) lim _____
n+3
Pergunta 3
O que são «indeterminações», no contexto do cálculo de limites?
Resposta
Numa situação de cálculo do limite da soma, produto ou quociente de duas
sucessões, ( un ) e ( vn ) , se o conhecimento dos limites de ( un ) e ( vn ) não é PROFESSOR
u
suficiente para obter o limite de ( un + vn ) , de ( un * vn ) ou de ___n , diz-se que
Soluções
( vn ) 2. a) 1 - 2 * (- ∞)2 = 1 - 2 * (+ ∞) = - ∞
existe uma situação de indeterminação.
∞ , __0 b) _____
1 =0
As situações de indeterminação que estudámos são do tipo ∞ - ∞ , ___ e +∞
∞ 0
0*∞. c) + ∞ * (- ∞) = - ∞
Recordamos, em seguida, alguns exemplos de indeterminações e o modo de d) __
2=2
1
«levantar essas indeterminações».

Capítulo 1 | Limites e continuidade 7


EXEMPLOS

∞-∞
1. lim (10 n 2 - n 3 ) = lim (- n 3 ) = - ∞
______ ______
______ (√n 2 + 10 - n) (√n 2 + 10 + n)
2. lim (√n 2 + 10 - n) = lim ____________________________
∞-∞
______ =
RECORDA √n 2 + 10 + n
(a + b) (a - b) = a2 - b2 ______ 2
2 + 10 ) - n 2
(√n______ 2 + 10 - n 2
n______ 10 10
= lim ________________ = lim _________ = lim _________
______ = ____ = 0
√n 2 + 10 + n √n 2 + 10 + n √n 2 + 10 + n + ∞
n
n ∞-∞ n 3
__ ( )
3. lim (2n + 1 - 3 ) = lim
(2 (2 - ( 2 ) )) = + ∞ * (2 - + ∞ ) = - ∞

___
RECORDA 3n2 - n - 2 ∞ 3n⟋2
• lim an = + ∞ se a > 1 4. lim _________ = lim ____ =3
n +n+1
2 ⟋2
n
• lim an = 0 se 0 < a < 1 __ _____ _____

______ ___
4 n

2 + 1 ∞
√n 2 * 4 +
√ n
1
___ ⟋ 1
n * 4 + ___
n √

____
4+0 2
5. lim ______ = lim _________ = lim ___________ = ____ = __
2 2

3n + 1 1 1 3 +0 3
n * (3 + __) n * (3 + __)

3
n n
Calcula cada um dos limi- -n -n
3 3
2 (1 + ___ lim (1 + ___
tes seguintes. n

-n ___ n)
2 )
n n n
2 +3 ∞
_______ 2 2
a) lim (10n - 2 n 2 ) 6. lim n n+1
= lim ________________
n = lim (__) * _________________ n =
_____ __ 3 +2 2 *2 3 2 *2
3 (1 + (__ __
n
lim 1 +
b) lim (√4n + 3 - 2√n ) 3) ) ( (3 ) )
1+0
c) lim (3 - 2
n n-1
-5 )
-n = 0 * _______ = 0
1+0*2
2n2 - 1
d) lim __________
2
_____ 0
__ ∞
___
n + 3n + 10 n 2 + 1 0
______ 4n2 + 6 ∞
______ 4 n 2 = lim __ 4 =0
4 = ____
= lim ____
3
7. lim ______
n = lim 3
2n
e) lim _______
_______ n +n n3 n +∞
√9 n 2 + 4n 2n2 + 3

___ ___ __
__2 __n

= 2 lim ___ n 2 = 2 lim √n = 2 * (+ ∞) = + ∞
n
3 - 22n - 1 __ 0*∞
__ ∞
f) lim ________ 8. lim *n = 2 lim
2n
2 +3 n+1 (√n ) √n n
1
____
____
√n + 1
______ Estamos agora em condições de avançar.
g) lim _____
√ n + 10
_____
n Limites de sucessões
2 n 2 - 1 × n____
h) lim ( ______
+1
n 3 + 10 4 ) Vamos enunciar teoremas que permitem obter conclusões acerca da existência
e natureza do limite de sucessões por comparação com outras sucessões, desde
que se cumpram as condições da hipótese.

SERÁ QUE…? A afirmação falsa

Sejam ( un ) e ( vn ) duas quaisquer sucessões e seja a å R .


PROFESSOR Considera as afirmações seguintes:
Soluções a) Se, a partir de certa ordem, un ≤ vn e lim un = a , então lim vn ≥ a .
3. a) - ∞ b) 0
b) Se, a partir de certa ordem, un ≤ vn e lim un = + ∞ , então lim vn = + ∞ .
c) + ∞ d) 0
c) Se, a partir de certa ordem, un ≤ vn e lim vn = - ∞ , então lim un = - ∞ .
e) __
2 f) − __1
3 2 Uma destas afirmações é falsa.
g) 1 h) __1
2 Será que consegues identificar a afirmação falsa e provar uma das afirma-
Mais sugestões de trabalho ções verdadeiras?
Exercícios propostos n.os 31 a 33 Será que, relativamente à afirmação falsa, consegues completar a hipótese de
(pág. 28). modo a obteres uma afirmação verdadeira?

8 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


NOTA
Teoremas de comparação*
*  Estes teoremas permitem con-
1. Dadas sucessões convergentes (un ) e (vn ) , se un ≤ vn a partir de certa cluir que as afirmações b) e c) do
Será que…? da página anterior são
ordem, então lim un ≤ lim vn . verdadeiras.
2. Dadas sucessões ( un) e ( vn) , se un ≤ vn a partir de certa ordem A afirmação a) seria verdadeira acres-
centando a hipótese de (vn) ser
e lim un = + ∞ , então lim vn = + ∞ . convergente.
3. Dadas sucessões ( un) e ( vn) , se un ≤ vn a partir de certa ordem
e lim vn = - ∞ , então lim un = - ∞ .

NOTA
Vamos demonstrar os teoremas 1** e 2. A demonstração do teorema 3 é análoga ** A demonstração do teorema 1 vai
à demonstração do teorema 2. ser feita usando o método de redu-
ção ao absurdo.

Demonstração do teorema 1

Sejam ( un ) e ( vn) sucessões convergentes tais que lim un = a e lim vn = b . 4 Identifica as afirmações ver-
dadeiras.
Seja p1 å N tal que An å N, n ≥ p1 ± un ≤ vn .
n
a) An å N, _____
n
< ___2
Vamos supor que a > b . n +1 n
2

n + 1 < ___
b) An å N, ____
2n
a-b a-b
Seja δ = ____ . Como estamos a admitir que a é maior do que b , ____ é um n2 n2
2 2
n+1
c) An å N, _____ ≥ ___
n
número positivo.
2n + 1 3n
Dado que lim un = a , sabemos que existe p2 å N tal que

| |
An å N, n ≥ p2 ± un - a < δ , ou seja, An å N, n ≥ p2 ± a - δ < un < a + δ .
5 Determina o menor valor de
Analogamente, dado que lim v n = b , sabemos que existe p 3 å N tal que
p å N tal que, para todo n å N ,
| |
An å N, n ≥ p3 ± vn - b < δ , ou seja, An å N, n ≥ p3 ± b - δ < vn < b + δ . se tenha:
1
a) n ≥ p ± _____ < __
1
Seja p o máximo do conjunto {p1 , p2 , p3} .
2n - 1 n
n + 5 ___3n
Então, An å N, n ≥ p ± a - δ < un ≤ vn < b + δ . b) n ≥ p ± ____ < 2
n2 n
a-b n + 4 < ___
Sendo δ = ____ , tem-se: c) n ≥ p ± _____
2n
2 n2 + 1 n2
- b 2a
a____ -a+b a+b
• a-δ=a- = ________ = ____
2 2 2
a - b 2b + a - b a + b
• b + δ = b + ____ = ________ = ____
2 2 2
a+b a+b
Concluímos, portanto, que An å N, n ≥ p ± ____ < un ≤ vn < ____ , o que é
2 2
a+b a+b
absurdo, pois ____ < ____ é uma afirmação falsa.
2 2
O absurdo surgiu de admitir a > b e, assim, concluímos, conforme pretendía- PROFESSOR
mos, que a ≤ b . Soluções
4. a) Verdadeira, pois
O absurdo de admitir a > b nas condições da hipótese pode ser evidenciado na An å N, n2 + 1 > n2 > 0 .
representação seguinte, em que, a partir de certa ordem, todos os termos de b) Falsa, pois, se n = 1 , então
(vn) se encontram à esquerda de termos de (un) . n + 1 = 2n .
c) Verdadeira, pois
vn un
An å N, n + 1 > n ‹ 0 < 2n + 1 ≤ 3n .
b–δ b b+δ=a–δ a a+δ
5. a) 2 b) 3 c) 4

Capítulo 1 | Limites e continuidade 9


Demonstração do teorema 2
Sejam (un ) e (vn ) sucessões e suponhamos que lim un = + ∞ .
Seja p1 å N tal que An å N, n ≥ p1 ± un ≤ vn e seja L um qualquer número
real positivo.

6 Dado que lim un = + ∞ , sabemos que existe p2 å N tal que


Prova que, dadas sucessões
An å N, n ≥ p2 ± un > L .
( un ) e ( vn ) , se un ≤ vn a partir
de certa ordem e lim vn = - ∞ , Seja p o máximo do conjunto {p1 , p2} .
então lim un = - ∞ (teorema 3).
Então, An å N, n ≥ p ± vn ≥ un > L , de onde se conclui que lim vn = + ∞ .

Exercícios resolvidos n
2 + 5n
7 1. Prova que a sucessão (un ) de termo geral un = ( _____) tende para
Seja ( un ) uma sucessão que 3n
tende para + ∞ e seja (vn ) +∞ .
uma sucessão tal que Resolução
An å N, vn + un ≤ 0 .
2 + 5n 5n
Indica, justificando, qual é o Tem-se, _____ > ___ . Portanto, para qualquer n å N ,
3n 3n
limite de ( vn) . n n n n
+ 5n
2_____ 5n
___ + 5n
2_____ 5
__
( 3n ) > ( 3n ) , ou seja, ( 3n ) > ( 3 )
n
5
Dado que lim (__) = + ∞ , concluímos, aplicando o teorema 2, que
3
lim un = + ∞ .

8 Determina, por comparação,


2. Seja ( un ) a sucessão de termo geral un = n 4 (cos n - 2) .
os seguintes limites: Mostra que lim un = - ∞ .
a) lim [n(2 - cos n )] Resolução
n
2n + 1
b) lim ( _____)
Vamos construir uma sucessão (vn ) tal que An å N, vn ≥ un e
n lim vn = - ∞ .
n
3n + 2 O contradomínio da função cosseno é [- 1, 1] ;
c) lim ( _____ )
n+1
portanto, An å N, cos n ≤ 1 .
cos n ≤ 1 § cos n - 2 ≤ 1 - 2 § cos n - 2 ≤ - 1
Multiplicando os dois membros desta última desigualdade por n 4 , con-
9 Seja (un ) a sucessão defi- clui-se que An å N, n 4(cos n - 2) ≤ - n 4 .
3n - 1
nida por un = _____ . Então, sendo vn = - n4 , tem-se An å N, vn ≥ un e lim vn = lim (- n4) = - ∞ .
2n + 4
a) Mostra que existe uma or- Portanto, por aplicação do teorema 3, conclui-se que lim un = - ∞ .
dem a partir da qual os ter-
mos da sucessão são todos n
1
maiores do que 1,4.
n
3. Prova que a sucessão (un) de termo geral un = ∑ ____ ____ tende para + ∞ .
3n - 1 i = 1 √n + i
b) Calcula lim ( _____ ) . Resolução
2n + 4
Comecemos por escrever alguns termos da sucessão.
PROFESSOR 1
1
Soluções u1 = ∑ ____ ____ 1
= ____
____ 1__
= __
i = 1 √1 + i √1 + 1 √2
7. lim vn = - ∞ , pois
2
An å N, vn ≤ - un e -un " - ∞ . 1
u2 = ∑ ____
____ 1
= ____
____ 1
+ ____
____ 1__ + __
= __ 1__
8. a) + ∞ b) + ∞ c) + ∞ i=1 √2+i √2+1 √2+2 √ 3 √ 4
9. b) + ∞
continua

10 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação
3
1
u3 = ∑ ____
____ 1
= ____
____ 1
+ ____
____ 1
+ ____
____ 1__ + __
= __ 1__ + __
1__
i=1 √3+i √3+1 √3+2 √3+3 √ 4 √ 5 √ 6

n
1
un = ∑ ____
____ 1
= ____
____ 1
+ ____
____ 1
+ … + ____
____
i=1 √n + i 
√n+1 √n+2 √n+n
n parcelas

A escrita destes termos permite-nos evidenciar que, de termo para termo,


o número de parcelas vai aumentando, mas as parcelas são cada vez
menores. De facto, o número de parcelas tende para infinito e as parcelas
tendem para zero.

Vamos recorrer ao teorema 2 para provar que a sucessão tende para + ∞ ,


construindo uma sucessão (vn) em que cada termo se obtém substituindo
no termo da mesma ordem da sucessão (un) cada parcela pela menor
das parcelas do somatório, como se ilustra em seguida.
1__ = 1 * _____
v1 = __ 1
_____
√2 √2 * 1

1__ + __
v2 = __ 1__ = 2 * __
1__ = 2 * _____
1
_____
√4 √4 √4 √2 * 2

1__ + __
v3 = __ 1__ + __
1__ = 3 * _____
1
_____
√6 √6 √6 √2 * 3

4
1
Tem-se u4 = ∑ ________ , ou seja, o quarto termo da sucessão (un ) é a
i=1 √4+i
soma de quatro parcelas das quais a menor é ____1
____ 1
= _____
_____ .
√4 + 4 √2 * 4 10 Determina, por comparação,
1 os seguintes limites:
Obtemos v4 substituindo cada uma das parcelas de u4 por _____ _____ , n
√2 * 4 n
garantindo deste modo que v4 vai ser menor do que u4 . a) lim ∑ _____
3
_____
k = 1 √n 4 +k
__
1
Será v4 = 4 * _____
_____ . n
1 - √n
b) lim ∑ ____
√2 * 4 n+k
k=1

Raciocinando de forma análoga e tendo em consideração que un é a


1
soma de n parcelas das quais a menor é ____
____ 1___ , conclui-se que
= ___
√n + n √2n
1___ .
vn = n * ___
√2n

Calculemos lim vn . Temos uma situação de indeterminação ∞ * 0 que


sabes «levantar».

___ ___ __
(
1___ ∞=* 0 lim ___
lim vn = lim n * ___
√2n )
n___ ∞
√2n
= lim √
n 2 = lim __
___
2n √
n = +∞
2 PROFESSOR
Soluções
Ora, dado que An å N, un ≥ vn e que lim vn = + ∞ , concluímos, por 10. a) + ∞
aplicação do teorema 2, que lim un = + ∞ . b) - ∞

Mais sugestões de trabalho


Exercícios propostos n.os 34 a 37
O teorema 1 vai ser uma boa ajuda para demonstrar o teorema seguinte que (pág. 28).
constitui uma ferramenta importante no cálculo de limites.

Capítulo 1 | Limites e continuidade 11


Teorema das sucessões enquadradas
Se ( un ) e ( vn ) são duas sucessões convergentes com o mesmo limite, a , e se
uma sucessão ( wn ) é tal que, a partir de certa ordem, un ≤ wn ≤ vn , então
( wn ) é convergente e lim wn = a .

Demonstração
Se provarmos que a sucessão ( wn ) é convergente, podemos aplicar o teorema 1
para concluir que lim un ≤ lim wn ≤ lim vn e, de lim un = lim vn = a , decorre que
lim wn = a .

No entanto, o caminho que nos vai permitir concluir que a sucessão ( wn ) é


convergente envolve precisamente a conclusão de que o limite de ( wn ) é a .
Vejamos como.

Seja δ um qualquer número real positivo.

Dado que lim un = a , sabe-se que existe p1 å N tal que


| |
An å N, n ≥ p1 ± un - a < δ , ou seja, An å N, n ≥ p1 ± a - δ < un < a + δ .

De modo análogo, dado que lim vn = a , sabe-se que existe p2 å N tal que
| |
An å N, n ≥ p2 ± vn - a < δ , ou seja, An å N, n ≥ p2 ± a - δ < vn < a + δ .

Seja p3 å N tal que An å N, n ≥ p3 ± un ≤ wn ≤ vn e seja p o máximo do


conjunto {p1 , p2 , p3} .

Então, An å N, n ≥ p ± a - δ < un ≤ wn ≤ vn < a + δ , de onde se conclui que


An å N, n ≥ p ± a - δ < wn < a + δ .

Dado que δ é um qualquer número real positivo, conclui-se que a é limite


de ( wn ) . Portanto, ( wn ) é convergente e lim wn = a .

O esquema seguinte ilustra o teorema das sucessões enquadradas.


un ≤ wn ≤ vn
¢ 3 4
a

Exercícios resolvidos

cos ___
6
_______
1. Seja ( wn ) a sucessão de termo geral wn = .
2n + 3
Determina lim wn .
in Caderno de Apoio, 12.º ano

Resolução
O limite da sucessão ( wn ) pode ser calculado recorrendo a um teorema
enunciado e demonstrado no 11.º ano relativo ao limite do produto de
uma sucessão limitada por uma sucessão que tende para 0:
Se ( un ) é uma sucessão limitada e ( vn ) é uma sucessão que tende para 0,
então lim ( un * vn ) = 0 .
continua

12 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

Esse teorema não é mais do que um caso particular do teorema das suces-
sões enquadradas que vamos, agora, aplicar.
Atendendo a que o contradomínio da função cosseno é o intervalo
[- 1, 1] , tem-se:

cos ___
An å N, - 1
_____ ≤
6
_______ 1
≤ _____
2n + 3 2n + 3 2n + 3
Então, se considerarmos as sucessões ( un) e (vn ) definidas por
- 1 e por v = _____
un = _____ 1 , tem-se:
n
2n + 3 2n + 3
An å N, un ≤ wn ≤ vn e lim un = lim vn = 0
Recorrendo ao teorema das sucessões enquadradas, conclui-se que:
lim wn = 0 11 Determina, aplicando o
n teorema das sucessões enqua-
2n
2. Determina lim (_____ . dradas, o limite de cada uma
5n + 3 ) das sucessões que a seguir se
Resolução definem pelo termo geral.
Tem-se, para todo o número natural n , _____2n < ___
2n e, sendo n um 2n - 1
n

5n + 3 5n a) un = ( _____)
4n
número natural maior ou igual a 3, tem-se _____ 2n .
2n ≥ ___ n + cos2 n
5n + 3 6n b) vn = ________
n+1
2n ≤ _____
Então, existe uma ordem a partir da qual ___ 2n ≤ ___
2n e, portanto, n
sen n
6n 5n + 3 5n c) wn = (_____)
existe uma ordem a partir da qual se tem: 2
n
n n n 1 cos (2n)
1
__ 2n
_____ 2
__ d) xn = (__ + ________)
( 3 ) ≤ ( 5n + 3 ) ≤ ( 5 ) 2 3
n n
Dado que as sucessões de termo geral (__1 e __ 2 NOTA
3) ( 5 ) tendem ambas para
*  Desde o momento em que se
zero*, conclui-se, pelo teorema das sucessões enquadradas, que: reconhece que a sucessão majoran-
n n
2n
lim (_____ =0 te, __ 2 , tende para 0, é natural
5n + 1 ) (5)
que se considere como sucessão
n minorante a sucessão constante
1
3. Seja (wn) a sucessão de termo geral wn = ∑ _____3
_____ . Determina lim wn . igual a 0, dado que a sucessão em
k = 0 √n3 + k estudo é uma sucessão de termos
Resolução positivos.
n
1 1
Tem-se wn = ∑ _____ 3 3
1
_____ = _____
_____ + _____
3
_____ + _____
3
1 1
_____ + … + _____
3
_____ .
k = 0 √n3 + k √n3 + 0 √n3 + 1 √n3 + 2 √n3 + n

Portanto, o termo de ordem n desta sucessão é uma soma de n + 1 par-


celas, das quais a menor é aquela em que k toma o valor n e a maior
é a parcela em que k toma o valor 0.
n
1
Assim, a sucessão ( un ) definida por un = ∑ _____
3
_____ é tal que
PROFESSOR
k = 0 √n + n
3 Soluções
n
1
An å N, un ≤ wn e a sucessão ( vn ) definida por vn = ∑ ____
11. a) 0 b) 1 c) 0 d) 0
3
__ é tal que
k = 0 √n 3
An å N, wn ≤ vn .
Os dois somatórios são somas de n + 1 parcelas todas iguais (pois não RECORDA
n
dependem de k** ). **  ∑ c = (n - m + 1) * c
k=m
n + 1 e v = _____
Então, un = _____ n+1.
3
_____ n 3
__
√n + n
3 √n3

continua

Capítulo 1 | Limites e continuidade 13


continuação
12 Determina o limite de cada
uma das sucessões (wn) dadas Calculemos os limites destas duas sucessões.
pelo termo geral: 1
n (1 + __ ⎛ 1 ⎞
1 + __
⎜ ⎟

___
n
n + 1 = lim ___________ n ) n n
lim un = lim _____ __ _____
2n ∞
a) wn = ∑ ______ _____ __ 3 _____ = lim n * 3 _____ = 1
2
i = 1 3n +i 3

√ 1
___
√ 1
1 + ___
√ n3 + n 3
√n 3 1 +
52n n2 ⎝ n2 ⎠
b) wn = ∑ _____
3
_____ ∞
___
n+1∞
lim vn = lim _____ n+1 n
+k
__ = lim ____ = lim __ = 1
k = 0 √n 3
3
√n 3 n n

Mais sugestões de trabalho Dado que, An å N, un ≤ wn ≤ vn e que lim un = lim vn = 1 , o teorema


Exercícios propostos n.os 38 e 39 das sucessões enquadradas permite concluir que ( wn ) é convergente
(págs. 28 e 29). e que lim wn = 1 .

PROFESSOR O conceito de limite de funções reais de variável real quando x tende para um
Gestão curricular ponto aderente ao domínio, ou quando x tende para - ∞ ou para + ∞ , que
Os professores que optaram, no 11.° ano, estudaste no 11.º ano, tem por base o conceito de limite de uma sucessão.
por concluir o descritor 4.5 de FRVR11 Portanto, é natural que dos teoremas anteriores decorram teoremas análogos
(assíntotas ao gráfico de funções defi- para funções de variável real.
nidas pelo radical de uma função racio-
nal) no 12.° ano, devem agora fazê-lo. Recordemos, em seguida, o conceito de limite de uma função real de variável
real segundo Heine.

Limite segundo Heine


NOTA Dada uma função real de variável real f e um número real a que seja ponto
* b pode ser um número real, pode aderente ao domínio de f , diz-se que b*  é limite de f(x) quando x tende
ser - ∞ ou + ∞ . para a quando, para toda a sucessão ( xn ) de elementos do domínio de f
que tende para a , a correspondente sucessão (f( xn )) tende para b .

No caso de o domínio de f não ser majorado (respetivamente, minorado),


na definição anterior, admite-se que a seja + ∞ (respetivamente, - ∞).
13 Aplicando a definição de li-
Teorema 4
mite segundo Heine, calcula os
limites seguintes: Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D e sendo a å R um
1 - 3x ponto aderente a D , se Ax å D, f(x) ≥ g(x) e se lim g(x) = + ∞ , então
a) lim _____ x"a
x " 2 x2 + 1
lim f(x) = + ∞**.
x"a
b) lim (x - 3x2)
x"-∞

Demonstração
NOTA
**  Este teorema também é válido Nas condições do teorema, seja ( un ) uma qualquer sucessão de elementos de D
considerando os limites laterais em que tende para a . Queremos provar que a sucessão (f( un ) ) tende para + ∞ .
a , uma vez que estes não são mais do
que limites de restrições de f e g a Ora, dado que lim g(x) = + ∞ e que ( un ) é uma sucessão de elementos de D
x"a
subconjuntos de D . que tende para a , sabe-se que a sucessão (g( un )) tende para + ∞ .
Como Ax å D, f(x) ≥ g(x) , podemos afirmar que An å N, f( un ) ≥ g( un ) e, por
PROFESSOR aplicação do teorema 2 enunciado na página 9, conclui-se que a sucessão (f( un ))
Soluções tende para + ∞ .
12. a) _
2 b) 10 Assim, e dado que ( un ) é uma qualquer sucessão de elementos de D que tende
3
para a , pode afirmar-se que lim f(x) = + ∞ .
13. a) - 1 b) - ∞ x"a

14 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


As demonstrações dos teoremas 5, 6 e 7 são análogas à apresentada na página NOTA
anterior. Recorda a aplicação dos teoremas
sobre limites e as técnicas para
«levantar indeterminações» resol-
vendo os exercícios propostos suge-
Teoremas ridos abaixo.

5. Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D e sendo a å R


um ponto aderente a D , se Ax å D, f(x) ≥ g(x) e se lim f(x) = - ∞ , NOTA
x"a
então lim g(x) = - ∞*. *  Este teorema também é válido
x"a
considerando os limites laterais
em a .
6. Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D , não majorado (respe-
tivamente, não minorado), se Ax å D, f(x) ≥ g(x) e se lim g(x ) = + ∞
x " +∞

(
respetivamente, lim g(x) = + ∞) , então lim f(x) = + ∞ (respetivamen-
x " -∞ x " +∞
te, lim f(x) = + ∞).
x " -∞

7. Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D , não majorado (res-


petivamente, não minorado), se Ax å D, f(x) ≥ g(x) e se lim f(x) = - ∞
x " +∞

(
respetivamente, lim f(x) = - ∞) , então lim g(x) = - ∞ (respetiva-
x " -∞ x " +∞
mente, lim g(x) = - ∞).
x " -∞
NOTA
8. Teorema das funções enquadradas* *  Estes teoremas também se apli-
cam se as hipóteses forem verifica-
Dadas funções reais de variável real f , g e h de domínio D e sendo das na restrição das funções a uma
a å R um ponto aderente a D , se Ax å D, g(x) ≤ f(x) ≤ h(x) e se vizinhança de a , no caso dos limi-
tes quando x tende para a , ou a
lim g(x) = lim h(x) = b , com b å R , então lim f(x) = b . intervalos não majorados (respeti-
x"a x"a x"a
vamente, não minorados) no caso
dos limites quando x tende para
+ ∞ (respetivamente, - ∞) .

Demonstração do teorema 8

Nas condições do teorema, seja (un) uma qualquer sucessão de elementos de D


que tende para a . Queremos provar que a sucessão (f(un )) tende para b .

Ora, dado que lim g(x) = lim h(x) = b e que (un ) é uma sucessão de elementos
x"a x"a
14 Acerca de uma função f sa-
de D que tende para a , sabe-se que as sucessões (g (un )) e (h (un )) tendem be-se que:
x(x + 2)
para b . Ax > 0, f(x) ≥ _______
x+1
Determina, justificando,
Como Ax å D, g(x) ≤ f(x) ≤ h(x) , podemos afirmar que:
lim f(x) .
x " +∞

An å N, g( un) ≤ f( un) ≤ h( un)

e, por aplicação do teorema das sucessões enquadradas, conclui-se que (f (un )) PROFESSOR
Soluções
tende para b . Assim, e dado que (un ) é uma qualquer sucessão de elementos
14. + ∞
de D que tende para a , pode afirmar-se que lim f(x) = b .
x"a
Mais sugestões de trabalho

Se o domínio, D , não for majorado (respetivamente, minorado), o teorema das fun- Exercícios propostos n.os 40 a 42
(pág. 29).
ções enquadradas também é válido no caso de a ser + ∞ (respetivamente, - ∞).

Capítulo 1 | Limites e continuidade 15


Exercícios resolvidos
2x2
________
1. Calcula lim .
x " +∞ x + cos x
in Caderno de Apoio, 12.º ano
15 Acerca de uma função f de Resolução
π π O contradomínio da função cosseno é [- 1, 1] ; portanto,
domínio D = ] - __ , __ [ , sabe-se
que: 2 2
Ax å R, - 1 ≤ cos x ≤ 1 .
Ax å D, 1 - x 2 ≤ f(x) ≤ 1 + x 2
f(x) Então, Ax å R, x - 1 ≤ x + cos x ≤ x + 1 e, sendo x > 1 , tem-se x - 1 > 0 .
Determina lim ______ .
x " 0 2 cos x
Portanto, Ax > 1, 0 < x + cos x ≤ x + 1 e, finalmente,
2x2 2x2
Ax > 1, ________ ≥ ____ .
x + cos x x + 1

___
2x2 ∞ 2x2
Dado que lim ____ = lim ____ = lim (2x) = + ∞ ,
x " +∞ x + 1 x " +∞ x x " +∞

2x2
________
conclui-se que lim = +∞ .
x " +∞ x + cos x

16 Sejam m e M números 2. Seja f uma função real de variável real tal que:
reais distintos e seja f uma 4 ( x 2 - 3)
função limitada, tal que Ax å R, x 2 - 4 ≤ f(x) ≤ __
3
Ax å R, m ≤ f(x) ≤ M .
Justifica que lim f(x) = - 4 .
Indica, justificando, qual é o x"0
valor lógico de cada uma das Resolução
proposições seguintes. 4 ( x 2 - 3) .
Sejam g e h as funções definidas por g(x) = x 2 - 4 e h(x) = __
a) Ax å R, 3
f(x) Tem-se Ax å R, g(x) ≤ f(x) ≤ h(x) .
m ≤ _____
_____ M
≤ _____
x2 + 1 x2 + 1 x2 + 1 Dado que:
b) Ax å R \ {- 1}, • lim g(x) = lim ( x 2 - 4) = 0 - 4 = - 4
f(x) x"0 x"0
m ≤ _____
_____ M
≤ _____
x3 + 1 x3 + 1 x3 + 1 4 ( x 2 - 3) = __
• lim h(x) = lim (__ 4
x"0 x"0 3 ) 3 * (0 - 3) = - 4
o teorema das funções enquadradas permite concluir que lim f(x) = - 4 .
17 Acerca de uma função f , x "0

sabe-se que: x2 + 2
Ax å R, x ≤ f(x) ≤ x + 1
3. Seja f uma função real de variável real tal que Ax å R, 1 ≤ f(x) ≤ _____ .
x2 + 1
Determina, justificando,
Justifica que lim f(x) = 1 .
x " +∞
f(x) Resolução
lim ____ . x2 + 2
x" -∞ x Sejam g e h as funções definidas por g(x) = 1 e h(x) = _____ .
x2 + 1
Tem-se Ax å R, g(x) ≤ f(x) ≤ h(x) .
18 Recorrendo ao teorema das
É imediato reconhecer que lim g(x) = 1 .
funções enquadradas, calcula: x " +∞
x - sen x
lim _______ Determinemos agora lim h(x) .
x " +∞
x " +∞ x + sen x

___
2 + 2 ∞
x_____ x2
lim h(x) = lim = lim ___ = 1
x " +∞ x 2 + 1 x " +∞ x 2
x " +∞
PROFESSOR
Aplicando o teorema das funções enquadradas, podemos concluir
Soluções
que lim f(x) = 1 .
15. _1 x " +∞
2 Esquematicamente, quando x " + ∞ ,
16. a) Verdadeira, pois Ax å R, x 2 + 1 > 0 .
g(x) ≤ f(x) ≤ h(x)
b) Falsa, pois x < - 1 ± x3 + 1 < 0 .
¢ 3 4
17. 1
1
18. 1

16 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Propriedades das funções contínuas
SERÁ QUE…? Arrefecimento de um pudim
RECORDA
As cozinhas dos grandes restaurantes têm Dada uma função f e um ponto
equipamentos de refrigeração rápida. a å Df , diz-se que f é contínua
A Susana trabalha num restaurante e colo- em a se existir lim f(x) .
x"a

cou um pudim acabado de confecionar num Atendendo a que a å Df , a existên-


desses equipamentos. cia de limite em a obriga a que
esse limite seja igual a f(a) . Portan-
A temperatura do pudim, quando foi coloca- to, f é contínua num ponto a å Df
do a arrefecer, era 70 ºC e, em menos de cin- se e só se lim f(x) = f(a) .
x"a
co minutos, ficou à temperatura de 12 ºC.
Será que, em algum instante, a temperatura do pudim foi 65 ºC?

SERÁ QUE…? Missão possível ou missão impossível?

1. Esboça o gráfico de uma função f de domínio [1, 5] , sendo f(1) = - 2 e


f(5) = 4 e tal que a equação f(x) = 0 seja impossível.
2. Esboça o gráfico de uma função f de domínio [1, 5] , sendo f(1) = - 2 e
f(5) = 4 e tal que a equação f(x) = 3 seja impossível.
3. Alguma das funções cujo gráfico representaste nos itens anteriores é uma
função contínua?

Será que é possível esboçar o gráfico de uma função contínua que cumpra as
exigências formuladas nos itens 1 ou 2?

O teorema que vamos enunciar de seguida garante que houve um instante em


que a temperatura do pudim da Susana foi 65 ºC e garante também que qual-
quer função que cumpra as exigências dos itens 1 e 2 do Será que…? acima não
pode ser uma função contínua.

NOTA
Teorema de Bolzano-Cauchy ou teorema dos valores intermédios
De modo informal mas muito su-
Dada uma função real de variável real f , contínua num intervalo I = [a, b] , gestivo, o enunciado do teorema de
Bolzano poderá ser: uma função
com a < b , se k pertence ao intervalo fechado de extremos f(a) e f(b) , contínua num intervalo não passa
então existe c å I tal que f(c) = k . de um valor a outro sem passar
por todos os valores intermédios.
Em particular, se k pertence ao intervalo aberto de extremos f(a) e f(b) ,
então existe c å ] a, b [ tal que f(c) = k . PROFESSOR
Gestão curricular
Esquematicamente, tem-se: A demonstração deste teorema não faz
• f contínua em [a, b] parte do Programa.
Ec å ] a, b [ : f(c) = k
• f(a) < k < f(b) ou f(b) < k < f(a)} Mais sugestões de trabalho
Exercícios propostos n.os 43 a 48
(pág. 29).

Capítulo 1 | Limites e continuidade 17


Em termos geométricos, podemos afirmar que, sendo f uma função contínua
HISTÓRIA em [a, b] , com a < b , e sendo k um valor entre f(a) e f(b) , a reta de equação
Teorema de Bolzano-Cauchy y = k e o gráfico da função f se intersetam em, pelo menos, um ponto cuja
O teorema de Bolzano-Cauchy pare- abcissa está entre a e b .
ce ter sido enunciado pela primeira
vez pelo matemático belga Stevin, y y
no final do século XVI. No entanto, só
f(b) f(b)
no século XIX, os matemáticos Bol-
zano e Cauchy, em trabalhos inde-
pendentes, fizeram a demonstração k k
deste teorema.
f(a) f(a)

O a c b x O ac d eb x

f(c) = k f(c) = f(d) = f(e) = k

Não sendo a função f contínua em [a, b] , a equação f(x) = k , com k com-


preendido entre f(a) e f(b) , pode ter, ou pode não ter, solução em ] a, b [ .
Bernard Bolzano (1781-1848)
A demonstração deste teorema por
Bolzano foi publicada sob o título:
EXEMPLOS
Prova puramente analítica do teore-
ma que afirma que entre dois valores
de sinais opostos existe pelo menos Em qualquer das situações seguintes, k está compreendido entre f(a) e f(b)
uma raiz real da equação. e, nos exemplos 2 e 3, não existe x å ] a, b [ cuja imagem por f seja k .
1. 2. 3.
y y y
f(b) f(b) f(b)
NOTA
k k k
No enunciado do teorema de Bolza-
no-Cauchy, é fundamental a condi-
f(a) f(a) f(a)
ção que exige que a função seja
contínua, mas também é decisivo o
facto de o domínio ser um intervalo O a c b x O a b x O a b x
de números reais. Como sabes do
11.° ano, toda a sucessão é uma fun-
ção contínua. No entanto, dada, por Nenhuma das funções representadas é contínua em [a, b] .
exemplo, a sucessão ( un ) , definida
Repara que, o facto de a função ser contínua em [ a, b [ , como sucede no
por un = n2 - 120 , tem-se u10 = - 20
e u12 = 24 e, no entanto, ( un) não exemplo 3, não é suficiente para garantir que a função tome o valor k .
toma o valor 0, para n entre 10
e 12.

Exercícios resolvidos
1. Acerca de uma função f , sabe-se que é contínua em [1, 6] , que f(1) = 3
e que f(6) = - 1 .
a) Justifica que é verdadeira a afirmação: Ex å ] 1, 6 [ : f(x) = 2 .
b) Mostra que a informação que é dada acerca da função f não é sufi-
ciente para dizer se a afirmação Ex å ] 1, 6 [ : f(x) = 4 é verdadeira ou
é falsa.
Resolução
a) Atendendo a que f(6) < 2 < f(1) e a que f é contínua em [1, 6] ,
o teorema de Bolzano-Cauchy garante que Ex å ] 1, 6 [ : f(x) = 2 .

continua

18 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

b) Os gráficos seguintes apresentam funções nas condições do enunciado.


A afirmação é verdadeira para a função do primeiro exemplo e é falsa
para a função do segundo exemplo.
1. 2.
y y

1 1

O 1 x O 1 x

2. Seja f a função, de domínio R , definida por f(x) = x 4 + 2x + 3 . 19 Seja f a função, de domí-


__
Por processos analíticos, mostra que Ec å ] - 1, 0 [ : f(c) = √5 . nio R , definida por:
f(x) = x 4 - x 3 - 1
Resolução
Por processos analíticos, prova
Como não temos __ conhecimentos que permitam resolver a equação
que f tem pelo menos dois ze-
x + 2x + 3 = 5 , vamos procurar mostrar que a equação tem solução no
4 √ ros no intervalo ]- 1, 2[ : um
intervalo ] - 1, 0 [ recorrendo ao teorema de Bolzano-Cauchy. A função f no intervalo ]- 1, 0[ e outro
é contínua e, portanto, é contínua em [- 1, 0] . no intervalo ]0, 2[ .

Tem-se:
• f(- 1) = (- 1)4 + 2 * (- 1) + 3 = 1 - 2 + 3 = 2
Resolução
• f(0) = 3 Exercício 19 (resolução
__ __ passo a passo)
Ora, dado que 2 __< √5 < 3 , ou seja, dado que f(- 1) < √5 < f(0) , pode
afirmar-se que √5 pertence ao intervalo de extremos f(- 1) e f(0) . 20
1 e seja f a
Seja a å ] 0, __
Como a função f é contínua em [- 1, 0] , o teorema de Bolzano-Cauchy 2[
__
permite concluir que Ec å ] - 1, 0 [ : f(c) = √5 . função, de domínio R , defini-
da por f(x) = a x 2 + x + a .
Por processos analíticos, prova
3. Por processos analíticos, prova que a equação cos x = x tem pelo menos que f tem pelo menos um zero
π
uma solução no intervalo ] 0, __ [ . no intervalo ]- 1, 0[ .
2
Resolução
A equação cos x = x é equivalente à equação cos x - x = 0 .
21 Prova, por processos analí-
π
Seja f a função, de domínio [0, __] , definida por f(x) = cos x - x . ticos, que a equação
2
π sen x - tg x = 1
A equação cos x = x tem pelo menos uma solução em ] 0, __ [ se e só se
2 tem pelo menos uma solução
a função f tem pelo menos um zero nesse intervalo. 3π
no intervalo ] ___, π [ .
A função f é uma função contínua, pois é a diferença de duas funções 4
contínuas.
π
Calculemos f(0) e f (__) .
2
π π π π π
• f(0) = cos 0 - 0 = 1 - 0 = 1 • f (__) = cos __ - __ = 0 - __ = - __
2 2 2 2 2
π π
Então, dado que - __ ≤ 0 ≤ 1 , ou seja, dado que f (__) ≤ 0 ≤ f(0) , o teorema
2 2
π
de Bolzano-Cauchy permite afirmar que Ec å ] 0, __ [ : f(c) = 0 .
2
continua

Capítulo 1 | Limites e continuidade 19


continuação
22 Seja f a função, de domí-
+ ∞ [ , definida por
nio [ 1,____ 4. Seja f uma função contínua em [a, b] . Sabe-se que f(a) < a e que
f(x) = x - 1 . No referencial
√ f(b) > b .
está representada parte do grá-
Prova que existe pelo menos um c , entre a e b , tal que f(c) = c .
fico da função f .
y Resolução
P
f A representação seguinte ilustra o enunciado do item. O ponto de coor-
denadas (a, f(a)) está «abaixo» da reta de equação y = x e o ponto de
O A B x coordenadas (b, f(b)) está «acima» dessa reta. Dado que a função é
contínua em [a, b] , o seu gráfico terá de intersetar (pelo menos uma vez)
Para cada ponto P do gráfico
de f , considera os pontos A e
a reta de equação y = x . Esse ponto de interseção, por pertencer à reta de
B pertencentes ao eixo Ox tais equação y = x , tem a ordenada igual à abcissa.
que o ponto A tem abcissa 1 e y
o ponto B tem abcissa igual à
f(b)
de P . y=x
Mostra, por processos analíti- b (c, c)
cos, que existe um ponto P de
abcissa entre 2 e 3 tal que a
área do triângulo [APB] é
igual a 1. a f
f(a)

23 Sejam f e g duas funções a b x


contínuas com domínio [a, b]
(a < b).
Vamos provar, por processos analíticos, o que o gráfico sugere.
Sabe-se que f(a) < g(a) e
Considera a função g , de domínio [a, b] , definida por g(x) = f(x) - x .
f(b) > g(b) .
Prova, por processos analíticos, Tem-se:
que os gráficos de f e g se
• g(a) = f(a) - a e, portanto, g(a) < 0 porque f(a) < a ;
intersetam.
Sugestão: considera a função h • g(b) = f(b) - b e, portanto, g(b) > 0 porque f(b) > b .
definida por h(x) = f(x) - g(x) .
Como a função g é contínua em [a, b] (pois é diferença de duas funções
contínuas) e g(a) < 0 < g(b) , o teorema de Bolzano-Cauchy permite con-
24 Representa graficamente uma
cluir que Ec å ] a, b [ : g(c) = 0 , ou seja, Ec å ] a, b [ : f(c) = c .
função f , contínua num inter-
valo [a, b] , tal que:
• f(a) * f(b) > 0 5. Seja f uma função contínua no intervalo [a, b] , com a < b , tal que
f(a) * f(b) < 0 .
• Ex å ] a, b [ : f(x) = 0
Justifica que a função f tem pelo menos um zero no intervalo ] a, b [ .
PROFESSOR
Resolução
Soluções
24. Por exemplo: De f(a) * f(b) < 0 , conclui-se que f(a) e f(b) têm sinais contrários.
y
Então, 0 pertence ao intervalo aberto de extremos f(a) e f(b) .
f
a b Como, por hipótese, a função é contínua em [a, b] , o teorema de Bolzano-
O x
-Cauchy permite concluir que Ec å ] a, b [ : f(c) = 0 , ou seja, a função f
tem pelo menos um zero no intervalo ] a, b [ .
f(a) * f(b) > 0 e a função tem dois zeros. O conteúdo deste item é frequentemente identificado como corolário* do
NOTA
teorema de Bolzano-Cauchy (ou teorema dos valores intermédios): dada
* Um corolário de um teorema é um uma função f , contínua no intervalo [a, b] , com a < b , se f(a) * f(b) < 0 ,
teorema que decorre diretamente então Ec å ] a, b [ : f(c) = 0 .
do primeiro.
continua

20 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação
25 Seja f uma função contínua
6. Seja f uma função contínua em [a, b] . em [a, b] e tal que f(a) = 2 e
f(b) = - 5 . Seja k um número
Sabe-se que f(a) = - 3 e que f(b) = 5 . real e seja g a função definida
por g(x) = 2f(x) - k .
Seja g a função definida por g(x) = f(x) + k , com k å R .
Determina um conjunto de
Determina um conjunto de valores de k para os quais o teorema de valores de k para os quais o
Bolzano-Cauchy permita afirmar que a função g tem pelo menos um teorema de Bolzano-Cauchy
zero no intervalo ] a, b [ . garanta que a função g tem
pelo menos um zero em ] a, b[ .
Resolução

A função g é contínua em [a, b] porque é a soma de duas funções con-


tínuas (a função f é contínua, por hipótese, e qualquer função constante
é uma função contínua).
Calculemos g(a) e g(b) :

g(a) = f(a) + k = - 3 + k

g(b) = f(b) + k = 5 + k

O teorema de Bolzano-Cauchy permite afirmar que a função g tem pelo


menos um zero no intervalo ] a, b [ se g(a) e g(b) tiverem sinais contrá-
rios, ou seja, se g(a) * g(b) < 0 .
*  k å - 5, 3
g(a) * g(b) < 0 § (- 3 + k)(5 + k) < 0 § ] [ NOTA
* Resolvendo a inequação do 2.° grau.
Interpretemos geometricamente este resultado: o gráfico da função f
pode deslocar-se até cinco unidades «para baixo» ou até três unidades
«para cima», pois essas translações garantem que o gráfico continua a ter,
em simultâneo, pontos de ordenada negativa e pontos de ordenada posi-
tiva.

7. Seja f uma função contínua, de domínio [0, 5] e contradomínio [- 4, - 3] 26 Seja f a função definida
e seja g a função definida por g(x) = f(x) + x . por:
2x3 + x + 1
f(x) = _________
Prova que a função g tem pelo menos um zero. x+2
Por processos analíticos, prova
Resolução que existe um ponto no gráfico
de f cuja abcissa pertence ao
A função g é contínua em [0, 5] porque é a soma de funções contínuas. intervalo ] 0, 1 [ e cuja ordena-
da é igual ao dobro da abcissa.
g(0) = f(0) + 0 = f(0) ; como f(0) å [- 4, - 3] , conclui-se que g(0) < 0 .

g(5) = f(5) + 5 ; como f(5) å [- 4, - 3] , tem-se que


f(5) + 5 å [- 4 + 5, - 3 + 5] , ou seja, g(5) å [1, 2] .

Portanto, g(5) > 0 .

Como a função g é contínua em [0, 5] e g(0) * g(5) < 0 , o corolário do


teorema de Bolzano-Cauchy garante que a função g tem pelo menos um PROFESSOR
zero no intervalo ] 0, 5 [ . Soluções
25. ] - 10, 4 [
continua

Capítulo 1 | Limites e continuidade 21


continuação
27 Seja f a função, de domí-
nio R , definida por: 8. Seja f a função, de domínio R , definida por f(x) = x 3 + 3x - 5 .
f(x) = 1 - x 3 - 3x Sem recorreres à calculadora (a não ser para eventuais cálculos numéri-
Mostra que a função f tem um cos), mostra que a função tem exatamente um zero no intervalo [1, 2]
único zero que pertence ao in- e determina um valor aproximado desse zero com erro inferior a 0,1.
tervalo ] 0, 1 [ .
Resolução
A função é contínua em [1, 2] , f(1) = 13 + 3 * 1 - 5 = - 1 e
28 Determina um valor apro- f(2) = 23 + 3 * 2 - 5 = 9 .
ximado do zero da função f
do exercício resolvido 8 com Portanto, o teorema de Bolzano-Cauchy permite concluir que a função
erro inferior a 0,05. tem, pelo menos, um zero em ] 1, 2 [ .
Sugerimos que apliques o mé-
todo da bisseção, descrito a se- Por outro lado, recorda que a monotonia de uma função pode estudar-se
guir. recorrendo à função derivada (mais à frente voltaremos a este assunto).
Neste caso, a função derivada da função f é a função f ' definida por
Método da bisseção: f '(x) = 3 x 2 + 3 .
Dado o intervalo [a, b] , com
f(a) * f(b) < 0 , determinamos Dado que Ax å R, f '(x) > 0 , conclui-se que a função f é crescente e,
a+b portanto, não pode ter mais do que um zero.
c = ____ .
2
Se f(c) = 0 , encontrámos o zero de f . Para obter um valor aproximado desse zero, vamos calcular, por exem-
Caso contrário, um dos produtos, plo, f(1,5) :
f(a) * f(c) ou f(b) * f(c) é negativo.
Suponhamos, por exemplo, que f(1,5) = 1, 53 + 3 * 1,5 - 5 = 2,875
f(a) * f(c) < 0 .
a+c Então, já sabemos que o zero pertence ao intervalo ] 1; 1,5 [ , pois f(1) < 0
Determinamos, então, d = ____ .
2 e f(1,5) > 0 .
Se f(d) = 0 , encontrámos o zero de f .
Caso contrário, repetimos o proces-
Calculemos, agora, por exemplo, f(1,2) :
so descrito anteriormente, e assim
sucessivamente até obtermos um f(1,2) = 1,23 + 3 * 1,2 - 5 = 0,328
intervalo a que possamos garantir
que pertence o zero de f e que tenha
a amplitude pretendida.
Podemos, então, concluir que o zero de f pertence ao intervalo ] 1; 1,2 [
e, portanto, 1,1 é um valor aproximado do zero de f com erro inferior
a 0,1.

Repara também que, por este processo, podemos ir obtendo valores apro-
ximados do zero de f com erro cada vez menor.

Importante
A utilização da calculadora para localizar zeros de uma função ou, de um modo
PROFESSOR mais geral, para obter valores aproximados de soluções de equações, conduz-nos,
Soluções por vezes, a respostas erradas ou a situações em que não conseguimos decidir se
28. 1,15625 a resposta apresentada é correta.

Mais sugestões de trabalho A fundamentação teórica, nomeadamente o recurso ao teorema de Bolzano-


-Cauchy (ou teorema dos valores intermédios), pode permitir uma análise crítica
Exercícios propostos n.os 49 a 57
(pág. 30).
dos resultados fornecidos pela calculadora. Mais à frente voltaremos a este
assunto.

22 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


SERÁ QUE…? Máximos e mínimos

1. Apresenta um exemplo (expressão analítica ou gráfico) de uma função f


de domínio ] 0, 1 [ , contínua, que:
a) não tenha máximo absoluto, mas tenha mínimo absoluto;
b) não tenha mínimo absoluto, mas tenha máximo absoluto;
c) não tenha nem máximo nem mínimo absolutos.

2. Considerando agora que o domínio da função é ] 0, 1] , responde ao item 1.

3. Procede de forma idêntica, sendo agora [0, 1] o domínio da função.

Será que conseguiste apresentar exemplos para todas as situações?

É possível encontrar exemplos para as três situações do item 1 e do item 2


(embora não seja fácil no caso de 2.c).
Não é possível encontrar exemplos para qualquer dos pedidos no caso do item 3.
O teorema seguinte justifica a referida impossibilidade.

PROFESSOR
Teorema de Weierstrass
Gestão curricular
Qualquer função real de variável real contínua num intervalo [a, b] , sendo A demonstração deste teorema não faz
a < b , admite mínimo e máximo absolutos. parte do Programa.

RECORDA
Dada uma função f e sendo a å Df ,
diz-se que:
Exercícios resolvidos • f(a) é máximo absoluto da fun-
ção se f(a) for a maior das ima-
π 3π
1. Seja g a função, de domínio [__ , ___] , definida por: gens;
4 4
• f(a) é mínimo absoluto da fun-
⎧___
1 π π
se __ ≤ x < __
ção se f(a) for a menor das ima-
⎪ gens.
tg x 4 2
g(x) = ⎨
⎪ π
__ 3π
___
⎩cos x se 2 ≤ x ≤ 4
29 Sejam a , b , c e d núme-
Justifica que a função g tem máximo e mínimo absolutos. ros reais tais que:
a<b<c<d
Resolução
Justifica a afirmação seguinte:
Dado que o domínio da função g é um intervalo da forma [a, b] , o teo- Se uma função f é contínua
rema de Weierstrass permite obter a conclusão pretendida, desde que em [a, b] ∂ [c, d] , então tem
a função seja contínua. máximo e tem mínimo absolu-
tos.
π π
Ora, como a função é contínua em [ __, __ [ (é o quociente entre uma fun-
4 2
π 3π
ção constante e uma restrição da função tangente) e em ] __, ___] (é uma
2 4
restrição da função cosseno), resta-nos investigar se a função é contínua
π
em __ .
2
continua

Capítulo 1 | Limites e continuidade 23


continuação
30 Seja k um número real e
• lim g(x) = lim 1 = ____
___ 1 =0
seja f a função, de domínio − − tg x + ∞
π π
[- 2, 2] , definida por: x " (__) x " (__)
2 2
⎧x 3 + 3x - k se - 2 ≤ x ≤ 1 π
⎪ • lim f(x) = lim cos x = cos __ = 0
f(x) = ⎨ _______
x 2 -____
x π
+
π
+ 2
⎪ se 1 < x ≤ 2 x " (__) x " (__)
2 2
⎩ 2 - √x + 3
π π
a) Justifica que, se k = 8 , o teo- • f (__) = cos __ = 0
rema de Weierstrass permite 2 2
concluir que a função tem
π
máximo e mínimo absolu- Dado que lim g(x) = lim g(x) = g (__) , conclui-se que a função
tos. π -
x " (__) π
+ 2
x " (__)
2 2
b) Considera a restrição de f π π 3π
ao intervalo [- 2, 1] e deter- é contínua em __ . Portanto, f é contínua no intervalo [__ , ___] . Assim,
2 4 4
mina, justificando, o máximo
e mínimo absolutos dessa
o teorema de Weierstrass garante que a função tem mínimo e máximo
restrição. absolutos.

PROFESSOR 2. Seja f a função, de domínio [- 3, 3] , definida por:


Soluções
30. b) f(- 2) = - 14 - k é mínimo abso- ⎰- x se - 3 ≤ x < - 1
f(x) =
luto e f(1) = 4 - k é máximo absoluto. ⎱x - 1 se - 1 ≤ x ≤ 3
Mostra que a função f tem mínimo e máximo absolutos e justifica que
a sua existência não pode ser garantida recorrendo ao teorema de
Weierstrass aplicado à função no intervalo [- 3, 3] .

Resolução
Caça aos
erros! O contradomínio da restrição de f ao intervalo [ - 3, - 1 [ é ] 1, 3] e o
Caderno de exercícios contradomínio da restrição de f ao intervalo [- 1, 3] é [- 2, 2] .
Limites e continuidade Portanto, a função tem máximo absoluto igual a 3 (atingido em - 3) e tem
Mais sugestões de trabalho mínimo absoluto igual a - 2 (atingido em - 1).
O teorema de Weierstrass não permite obter essa conclusão, pois a função
Exercícios propostos n.os 58 e 59
(pág. 30). não é contínua em - 1, não sendo, portanto, contínua em [- 3, 3] .

24
Síntese
1. Dadas sucessões convergentes ( un ) e ( vn ) , se un ≤ vn a partir
de certa ordem, então lim un ≤ lim vn .
Teoremas de comparação 2. Dadas sucessões ( un ) e ( vn ) , se un ≤ vn a partir de certa ordem
p. 9
para sucessões e lim un = + ∞ , então lim vn = + ∞ .
3. Dadas sucessões ( un ) e ( vn ) , se un ≤ vn a partir de certa ordem
e lim vn = - ∞ , então lim un = - ∞ .

Se ( un ) e ( vn ) são duas sucessões convergentes com o mesmo


Teorema das sucessões
p. 12 limite, a , e se uma sucessão ( wn ) é tal que, a partir de certa
enquadradas
ordem, un ≤ wn ≤ vn , então ( wn ) é convergente e lim wn = a .

4. Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D e


sendo a ∈ R um ponto aderente a D , se ∀ x ∈ D, f(x) ≥ g(x)
e se lim g(x) = + ∞ , então lim f(x) = + ∞ .
x→a x→a

5. Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D e


sendo a ∈ R um ponto aderente a D , se ∀ x ∈ D, f(x) ≥ g(x)
e se lim f(x) = - ∞ , então lim g(x) = - ∞ .
x→a x→a

6. Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D ,


não majorado (respetivamente, não minorado), se
pp. 14 Teorema de comparação ∀ x ∈ D, f(x) ≥ g(x) e se lim g(x) = + ∞ (respetivamente,
x→+∞
e 15 para funções
lim g(x) = + ∞), então lim f(x) = + ∞
x→−∞ x→+∞

(
respetivamente, lim f(x) = + ∞).
x→−∞

7. Dadas funções reais de variável real f e g de domínio D , não


majorado (respetivamente, não minorado), se
∀ x ∈ D, f(x) ≥ g(x) e se lim f(x) = - ∞
x→+∞

(
respetivamente, lim f(x) = - ∞), então
x→−∞

lim g(x) = - ∞ (respetivamente, lim g(x) = - ∞).


x→+∞ x→−∞

Dadas funções reais de variável real f , g e h de domínio D e


sendo a ∈ R um ponto aderente a D , se
∀ x ∈ D, g(x) ≤ f(x) ≤ h(x) e se lim g(x) = lim h(x) = b , com
x→a x→a
p. 15 Teorema das funções enquadradas b ∈ R, então lim f(x) = b .
x→a
Se o domínio, D , não for majorado (respetivamente, minorado),
o teorema das funções enquadradas também é válido no caso de a
ser + ∞ (respetivamente, - ∞).

Dada uma função real de variável real f , contínua num intervalo


Teorema de Bolzano-Cauchy ou
p. 17 I = [a, b] , com a < b , se k pertence ao intervalo fechado de
teorema dos valores intermédios
extremos f(a) e f(b) , então existe c ∈ I tal que f(c) = k .

Qualquer função real de variável real contínua num interva-


p. 23 Teorema de Weierstrass
lo [a, b] , sendo a < b , admite mínimo e máximo absolutos.

Capítulo 1 | Limites e continuidade 25


Teste 1 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1
(B) __
n

i=0
n un
1. Seja (un) a sucessão de termo geral un = ∑ Ci . Qual é o valor de lim ____
2n+1
?

5
(A) 0 (C) 1 (D) + ∞
2

2. Seja f a função, de domínio R , representada graficamente.


Sabe-se que f é uma função decrescente.
Qual das proposições seguintes é verdadeira?
f(x) f(x) y
(A) ∀ x ∈ R , ________ ≥ ____
+
2 − cos x 3
f
f(x) f(x)
(B) ∀ x ∈ R , ________ ≤ ____
+
2 − cos x 2
O x
f(x) f(x)
(C) ∀ x ∈ R , ________ ≥ ____

2 − cos x 3
f(x) f(x)
(D) ∀ x ∈ R , ________ ≤ ____

2 − cos x 2

3. Seja f uma função polinomial de domínio [− 5, 5] , contínua, e tal que


f(− 5) = − 3 e f(5) = − 1 .
1
Seja g a função definida por g(x) = ______ .
f(x) + 2
Qual das afirmações seguintes, relativas ao gráfico de qualquer função g
nas condições descritas, é verdadeira?
(A) Pode ter uma assíntota oblíqua.
(B) Tem, pelo menos, uma assíntota horizontal.
(C) Não tem assíntotas verticais.
(D) Tem, pelo menos, uma assíntota vertical.

4. Uma escola tem 2600 alunos. Cada aluno vai receber um cartão de identifi-
cação com um código que é uma sequência de vogais.
Todos os cartões devem ter sequências de igual dimensão.
Qual é a dimensão mínima das sequências a utilizar para que todos os alunos
possam ficar identificados com sequências diferentes?
(A) 4 (B) 5 (C) 7 (D) 8

5. Seja W , conjunto finito, o espaço de resultados associado a uma certa expe-


riência aleatória.
PROFESSOR Sejam A e B dois acontecimentos (A ƒ W e B ƒ W). Sabe-se que:
Soluções • os acontecimentos A e B são acontecimentos independentes;
1 e P(B) = __
• P(A) = __ 1.
1. (B)
2 3
2. (C)
Qual é o valor de P(A ∪ B) ?
3. (D)
5 4 3 2
4. (B) (A) __ (B) __ (C) __ (D) __
Ajuda 6 5 4 3
5. (D)

26 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. Considera as sucessões ( un ) e ( vn ) definidas, respetivamente, por


n
10n − 15 2
un = ________ e vn = ∑ ______
_____ .
3n + 8 i=1 √ 4n2 + i
a) Mostra que existe uma ordem p ∈ N tal que ∀ n ∈ N, n ≥ p ⇒ un > 2 .
n
b) Seja ( wn ) a sucessão definida por wn = ( un ) . Determina lim wn .
c) Determina lim vn , recorrendo ao teorema das sucessões enquadradas.

2. Seja f a função definida ao lado. ⎧__________


x 2 − 7x + 13
se x ≤ 2
a) Mostra que 1 está entre f(0) e ⎪ √ x
4−x
____
−1−1
f(5) e que a equação f(x) = 1 é f(x) = ⎨_______ se 2 < x ≤ 5
impossível. ⎪ x−2
x−5
__________ se x > 5
b) Justifica que a restrição da função f ⎩x 2 − 7x + 10
ao intervalo [3, 6] tem mínimo
e tem máximo absolutos.

3. Seja f a função, de domínio R , definida por f(x) = x 4 + kx + 2 , k ∈ R .


Justifica que, se k å ] - ∞, - 3 [ ∂ ] 3, + ∞ [ , então a função f tem pelo menos
um zero no intervalo ] − 1, 1 [ .

4. Seja a um número real e seja f uma função contínua de domínio [a, a + 2] .


Sabe-se que: • f(a) = f(a + 2) = 0 • f(a + 1) = 0
Prova que a equação f(x) = f(x + 1) tem pelo menos uma solução no inter-
valo ] a, a + 1 [ .

5. O prédio onde mora a Maria tem, à entrada,


dez botões de campainha, numerados de 1 a 10.
Todos os dias, o António passa no prédio da
Maria e toca em quatro campainhas diferentes.
a) De quantas maneiras é que o António pode
escolher os botões em que vai carregar? PROFESSOR
Soluções
b) Se o António tiver escolhido hoje os botões
1. b) + ∞
de campainha com os números 2, 4, 5 e 8 e se
c) 1
tocar num de cada vez, ao acaso, qual é a
5. a) 10C4 = 210
probabilidade de tocar o número 5 imediata-
mente a seguir ao 8? b) __1
4
Apresenta a probabilidade na forma de fra- __
2
c)
ção irredutível. 5
c) Se o António escolher ao acaso os botões de campainha em que vai tocar,
qual é a probabilidade de tocar no botão de campainha da casa da Maria?
Apresenta a probabilidade na forma de fração irredutível. Resolução

Capítulo 1 | Limites e continuidade 27


Exercícios propostos
31 Sejam ( u ) e ( v ) as sucessões definidas por 34 Seja a um número real positivo e seja ( u )
n n n
n
2n - 1 e v = - __ 1 uma sucessão. Determina o conjunto dos valores de
un = _____ n ( 2) .
3n + 2 a que permitem concluir que lim unn = + ∞ , sabendo
a) Prova que a sucessão ( un ) é monótona e que a apenas que An å N, un ≥ a .
sucessão ( vn ) é não monótona.

b) Prova que as duas sucessões são convergentes. 35 Seja ( u ) uma sucessão. Em qual das opções
n
seguintes está definida uma sucessão (vn) que per-
c) Alguma das sucessões, ( un ) e ( vn ) , é limitada?
mite concluir que lim un = - ∞ , sabendo apenas
que An å N, un ≤ vn ?
32 Considera as proposições seguintes relativas -n n
(A) vn = 2 (B) vn = (- 2)
a uma qualquer sucessão ( un ) .
1-n
(C) vn = ____
n2 - 1
(D) vn = _____
p: «A sucessão ( un ) é monótona.» n+1 1 - 2n
q: «A sucessão ( un ) é limitada.»
36 Sejam ( u ) e ( v ) duas sucessões.
n n
r: «A sucessão ( un ) é convergente.»
Sabe-se que lim vn = - ∞ e que
Escreve, em linguagem corrente, cada uma das pro-
posições seguintes e indica o seu valor lógico. An å N, n ≥ 100 ± un ≥ 3 - vn
Indica, justificando, qual é o limite de ( un ) .
a) p ± q b) r ± p c) p ‹ q ± r

d) ~q ± ~r e) ~r ± (~p › ~q) 37 Recorrendo a teoremas de comparação, calcula


os seguintes limites.
33 Determina, caso existam, os seguintes limites n
cos n - n 2 3n + 1
a) lim ________ b) lim _____
de sucessões. 3n + 2 ( n+2)
__
1 - n + n2 - n3 (1 - n 2 )2 - n 4 n √
a) lim ___________ b) lim __________
n
____
c) lim ∑
2 n2 + 1 i=1 n + i
______ _____
c) lim (√n 2 + 2n - √n 2 + 1 )
38 Sejam ( u ) , ( v ) e ( w ) três sucessões. Sabe-
n n n
n+1
2 -se que ( un ) e ( vn ) são convergentes e que:
d) lim ____
3n
n e) lim ( 2 - 32n )
3
• lim ( un + vn ) = 5
|100 - n| + 2n
f) lim ___________
n
4k - 1
g) lim ∑ _____ • lim ( vn - un ) = 1
2n + 5 k=1 n2 + 1
• An å N, un + 2 ≤ wn ≤ vn + 1
n k
2
__ Justifica que a sucessão (wn) é convergente e indica
h) lim ∑
( )
k=1 3 qual é o seu limite.

PROFESSOR b) Se uma sucessão é conver- e) Se uma sucessão não é con- n - 1 = -∞ .


35. (D) porque lim _____
2

gente, então é monótona; pro- vergente, então não é monó- 1 - 2n


Soluções
posição falsa. tona ou não é limitada; propo- 36. + ∞
31. c) São limitadas, pois todas
c) Se uma sucessão é monó- sição verdadeira. 37. a) - ∞ b) + ∞ c) + ∞
as sucessões convergentes são
limitadas. tona e limitada, então é conver- 33. a) - ∞ b) - 2 c) 1 d) 0 38. lim (un + 2) = 4 e
gente; proposição verdadeira.
e) - ∞ f) __ g) 2 h) 2 lim (vn + 1) = 4 , portanto,
32. a) Se uma sucessão é mo- 3
nótona, então é limitada; pro- d) Se uma sucessão não é limi- 2 lim wn = 4 .
posição falsa. tada, então não é convergente; 34. a å ] 1, + ∞ [
proposição verdadeira.

28 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


39 Recorrendo ao teorema das sucessões enqua- 43 Recorrendo a teoremas de comparação, calcula
dradas, calcula os limites seguintes. os seguintes limites.

cos (___) n
x 2 (3 + cos2 x)
a) lim ____________ b) lim
x 2 (3 + cos2 x)
____________
a) lim
3
_________ 2n + 1
b) lim _____ x " +∞ x + 50 x " -∞ x + 50
3n + 2 ( 5n )
3 x2
n n c) lim ________
2n + 1
c) lim _______
2n
d) lim ∑ ____
x " +∞ sen x - 2x
( 3n - 10 ) i=0n + i
2
__ 3 __ __ 5 __ __ 2n + 1 __ 44 Recorrendo ao teorema do limite das funções
e) lim [(√2 - √2 ) (√2 - √2 ) … (√2 - √2 )]
enquadradas, determina os seguintes limites.
x cos x 3 x 2 - sen (2x)
40 Calcula, caso existam, os seguintes limites. a) lim ______ b) lim ___________
x " +∞ x 2 + 1 x " -∞ x2 + 5
____
x 2 + 3x
a) lim ______2 b) lim √x + 5 x + cos x - 1
x"2 (x + 1) x " -1 c) lim ___________
2x - cos x + 2
x " +∞
3 + 3x
x______ 2
c) lim d) lim _______
x " -∞ 2 x " +∞ x(3 - x) 45 Acerca de uma função f , sabe-se que:
- 3xx3 x+1
e) lim ______ f) lim ____ x2 + x - 2 f(x) x 2 + 2x - 1
2
- 1)
x " 1 (x x"2 2-x Ax ≥ - 1, _______ ≤ _____ ≤ _________
x+2 x2 + 1 x+2
3x
_____ x+3
g) lim - h) lim ______ Determina lim + f(x) .
x " 2 4 - x2
3
x"1 (x - 1) x " -1

46 Acerca de uma função g , sabe-se que:


41 Calcula, caso existam, os limites seguintes.
2 x 2 - 3x - 2 3 x 2 - 7x + 2
x 2 + 2x x 2 - 2x Ax > 2, __________ ≤ g(x) ≤ __________
a) lim _______2 b) lim ______ x-2 x-2
x " +∞ (2x + 1) x " 2 x3 - 8
______ ______ Determina lim + g(x) .
x"2
√x 2 - 3x - 2
_________ √ x 2 - 2x
______
c) lim d) lim
x " -1 x2 - 1 x " -∞ 2x
47 Determina os valores de k para os quais a
e) lim
x 2 - 3x
______ - x)
|x - 2x|
2
lim ________
x" +∞ ( x + 1
f)
x " -∞ | x - 3 | × x
função f é contínua, sendo:
2__x 2 - x -1 x 2 + 3x ⎧ k 2 x - 4 se x ≤ 2
g) lim _________ _____ h) lim ______ ⎪

x " 1 √x - √2x - 1 x " -3 | x + 3 | f(x) = ⎨ ______


4 - x2
⎩ x 2 - 2x se x > 2

42 Seja f a função definida por:


48 Justifica que é contínua a função g definida por:
_____ __
⎧ √x 2 + 1 - √2
⎪ ________ se x < 1 ⎧ _____________
3x + 3
se x < - 1
f(x) = ⎨

x-1

___ se x ≥ 1
⎪1 - 2x - 2x 2 + x 3
⎩ sen 4 3
g(x) = ⎨ __ se x = - 1
Determina, caso exista: ⎪ _____________
5
x +x 2
___________ se x > - 1
a) lim f(x) b) lim f(x) c) lim f(x)
⎩ 3 - √x 2 + 12x + 20
x " -∞ x " +∞ x"1

PROFESSOR f) Não existe 42. a) - 1 b) Não existe 46. 5


__
Soluções g) + ∞ h) Não existe √
__2 47. - 1 e 1
c)
39. a) 0 b) 0 c) 0 d) 2
41. a) __1 b) __1 c) __ d) - __1
5 2
e) 0 4 6 8 2 43. a) + ∞ b) - ∞ c) - ∞
40. a) __ b) 2 c) - ∞ e) - 4 f) - 1 g) - 6
10
44. a) 0 b) 3 c) __1 Resolução
9 h) Não existe 2 Exercício 41 f)
d) 0 e) - ∞ 45. - 4 (resolução passo
a passo)

Capítulo 1 | Limites e continuidade 29


49 Seja g a função, de domínio R , definida por 54 Seja f uma função contínua em -1, 3 .
[ ]
3
g(x) = x + x - 1 . Em qual dos intervalos seguintes, Sabe-se que f(- 1) < - 1 e que f(3) > 3 .
é possível garantir, pelo teorema de Bolzano, a exis- Usa o teorema de Bolzano para provar que f tem
tência de uma solução da equação g(x) = - 8 ? pelo menos um ponto fixo em ] - 1, 3 [ , ou seja, um
ponto c tal que f(c) = c .
(A) ] - 3, - 2 [ (B) ] - 2, - 1 [ (C) ] - 1, 0 [ (D) ] 0, 1 [
55 Considera, para um certo número real a , posi-
50 Acerca de uma função f , de domínio R , sabe- tivo, uma função f , contínua, de domínio [- a, a] .
-se apenas que é contínua em [- 2, 2] . Sabe-se que f(- a) = f(a) e que f(a) > f(0) .
Mostra que a condição f(x) = f(x + a) tem, pelo
Tem-se f(- 2) = 1 e f(2) = 3 . Indica qual das expres-
menos, uma solução em ] - a, 0 [ .
sões seguintes define uma função g , de domínio R ,
para a qual o teorema de Bolzano-Cauchy garante 56 Seja f uma função contínua em
[a, b] , tal
a existência de um zero no intervalo ] - 2, 2 [ .
que f(a) = 3 e f(b) = - 1 . Justifica que a função g ,
(A) g(x) = x + f(x) (B) g(x) = x - f(x) 1 , não pode ter domí-
definida por g(x) = ____
f(x)
2
(C) g(x) = x + f(x)
2
(D) g(x) = x - f(x) nio [a, b] .

57 No referencial da figura está representado o


51 Seja f a função, de domínio 1, + ∞ , defini-
____ [ [ gráfico de uma função f , contínua, de domí-
da por f(x) = √x - 1 + x 2 . Prova, por processos nio [1, 5] .
analíticos, que a equação f(x) = x + 1 tem pelo y
f
menos uma solução em ] 1, 2 [ . 4

2
52 Seja f a função definida por:

f(x) = x 3 - 3x + k , k å R O 1 5 x
_ _
Mostra que, se k å ] - 2, -√2 [ ∂ ] 0, √2 [ , o teore- Recorrendo ao teorema de Bolzano-Cauchy, prova
ma de Bolzano-Cauchy permite garantir que a fun- que existe um ponto no gráfico de f cuja ordena-
ção f tem pelo menos um zero entre - 1 e k . da é igual ao quadrado da abcissa.

58 Representa graficamente uma função f , de


53 De uma função f , de domínio 1, 2 , sabe-se
[ ] domínio [- 2, 2] , que não tenha máximo nem mí-
que: nimo absolutos.
• é contínua; • Ax å [1, 2] , f(x) < 0
59 Sejam a , b , c e d números reais tais que
• f(1) = 3f(2)
a < b < c < d e seja f uma função contínua
Seja g a função, de domínio [1, 2] , definida por em [ a, b [ ∂ ] c, d] . Indica, justificando, se a infor-
g(x) = 2f(x) - f(1) . mação dada permite concluir que a função f tem
Prova que a função g tem pelo menos um zero. mínimo e tem máximo absolutos.

PROFESSOR 58. Por exemplo: 59. Não; por exemplo, a função nem tem mínimo absolutos.
Soluções y definida por:
y k
⎧ __1
⎪- se x å [ - 2, 0 [
49. (B) f
⎨ x
50. (A) f(x) = 4
⎪____
1 se x å 2, 4
] ] -2 O 2 x
-2 O 2x ⎩2 - x
é contínua e não tem máximo

30 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


3
1. Extensão da trigonometria
2.aDerivadas
ângulos retos
ede
resolução
de funções
variável real
e obtusos
reais
de triângulos
e aplicações

Derivadas de funções reais de variável real


Funções Reais de
Variável Real
As expressões «concavidade voltada para cima» e «concavidade voltada para
baixo» já fazem parte do vocabulário que utilizas para caracterizar gráficos de
funções, de acordo com a definição seguinte:
Resolução
Exercícios de
«Derivadas de funções
reais de variável real
Dada uma função real de variável real f e um intervalo I contido no domí- e aplicações»

nio de f , diz-se que o gráfico de f tem a concavidade voltada para cima


(respetivamente, para baixo) em I se, dados quaisquer três pontos A , B e
C do gráfico, de abcissas, respetivamente, a , b e c , pertencentes a I e tais
que a < b < c , o declive da reta AB é inferior (respetivamente, superior) ao
da reta BC .

Concavidade voltada para cima

y y y
C C C 60 Seja f uma função definida
no intervalo [1, 6] . Os pontos
B B B
A , B e C , de coordenadas
f
A
f
A A (2, 3) , (3, 5) e (5, 7) , respe-
tivamente, pertencem ao gráfico
O a b cx O a b cx O a b cx
de f .
a) Mostra que o gráfico de f
O declive da reta AB é inferior ao declive da reta BC . não tem a concavidade vol-
tada para cima no interva-
lo [2, 5] .
Concavidade voltada para baixo
b) Será que a informação dada
y C y C y C permite concluir que o gráfi-
B B B co de f tem a concavidade
f f
voltada para baixo? Justifica
a tua resposta.
A A A

O a b c x O a b c x O a b c x

O declive da reta AB é superior ao declive da reta BC .

Pode provar-se que:


O gráfico de uma função real de variável real f tem a concavidade voltada para
cima (respetivamente, para baixo) num intervalo I contido no seu domínio se e
só se, dados quaisquer dois pontos A e B do gráfico de f , de abcissas, respe-
tivamente, a e b , pertencentes a I , a parte do gráfico de abcissas estritamente PROFESSOR
situadas entre a e b ficar abaixo (respetivamente, acima) do segmento de Soluções
reta [AB] . 60. b) Não.

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 31


61 Seja f uma função definida Concavidade voltada para cima, Concavidade voltada para baixo,
no intervalo [- 1, 5] . Sabe-se gráfico abaixo de [AB] gráfico acima de [AB]
que: y y
_
• f(√2 ) = _1
2
_ f
• f(_1 = √2
A
2) A
B f B
• o gráfico de f tem a concavi-
dade voltada para cima no
_
intervalo [_ 1 , √2 .
2 ] O a I b x O a I b x
a) Escreve a equação reduzida da
reta que passa nos pontos do
_
gráfico de abcissas _1 e √2 .
2
b) Justifica que é falsa a propo-
sição: «f (1) = 1». Vamos estudar de que forma é que a função derivada de uma função derivável
permite estudar o sentido da concavidade do seu gráfico e é com esse objetivo
que começamos por recordar alguns conceitos fundamentais nesta área.

Dada uma função real de variável real f e um ponto x0 do seu domínio,


NOTA f (x) - f (x0)
considera-se lim ________ , se existir e for finito, como sendo a taxa ins-
O ponto x0 tem de ser aderente a x"x x - x0
0

Df \ {x0} para que faça sentido consi-


tantânea de variação de f no ponto x0 , designa-se por derivada de f no
f (x) - f (x0)
derar lim ________ . ponto x0 e representa-se por f ' (x0) .
x"x x - x0
f (x) - f (x0)
0

f '(x0) = lim ________


x"x0 x - x0
Quando existe derivada de f em x0 , diz-se que f é diferenciável em x0 ou
que f é derivável em x0 .
Se f é diferenciável em todos os pontos de um conjunto A , diz-se que f é
diferenciável em A .
Diz-se que uma função é diferenciável se for diferenciável no domínio.

A definição de derivada de f no ponto x0 que apresentámos é equivalente a:


62 Se os limites seguintes exis-
tirem e forem números reais, f (x0 + h) - f (x0)
identifica o que representa cada f '(x0) = lim ____________
um deles. h"0 h
f(x) - f(2)
a) lim _
x"2 x-2
f(-1 + h) - f(-1) Geometricamente, o declive da reta tangente ao gráfico de uma função diferen-
b) lim ___________
h"0 h ciável num ponto é o valor da derivada da função na abcissa desse ponto, como
se apresenta em seguida.
PROFESSOR
Soluções __
61. a) y = − x + √2 + __1 Dada uma função real de variável real f , diferenciável num ponto x0 , e dado
2
b) O ponto da reta__ que tem abcissa 1 um referencial o.n., a reta que passa no ponto P0(x0, f (x0)) e tem declive
tem ordenada √2 - __1 que é menor do igual a f '(x0) diz-se reta tangente ao gráfico de f no ponto P0 .
que 1. 2
Uma equação desta reta é y = f '(x0) (x - x0) + f (x0) .
62. a) f ' (2) b) f ' (- 1)

32 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Exercício resolvido
63 Seja f a função definida
Seja f a função definida por f(x) = 3 x 2 - 4x - 1 . Recorrendo à definição por f(x) = x 2 - 4x + 1 .
de derivada de uma função num ponto, calcula f '(1) e determina a equa-
ção reduzida da reta tangente ao gráfico de f no ponto de abcissa 1. a) Determina f '(1) , recorrendo
à definição de derivada de
Resolução uma função num ponto.
f(1 + h) - f(1)
f '(1) = lim ___________ = b) Escreve a equação reduzida
h"0 h da reta tangente ao gráfico
2 2 de f no ponto de abcissa 1.
3 (1 + h) - 4(1 + h) - 1 - (3 * 1 - 4 * 1 - 1)
= lim _________________________________ =
h"0 h
2 Calculadoras gráficas
3(1 + 2h + h ) - 4 - 4h - 1 + 2
= lim ______________________ = Casio fx-CG 20 ...... pág. 188
h"0 h TI-84 C SE / CE-T .... pág. 192
2
h(3h + 2) TI-Nspire CX .......... pág. 198
3 h + 2h
= lim _______ = lim ________ = lim (3h + 2) = 2
h"0 h h"0 h h"0
PROFESSOR
Tem-se f '(1) = 2 . Portanto, o declive da reta tangente ao gráfico da fun- Soluções
ção no ponto de abcissa 1 é igual a 2. 63. a) f ' (1) = - 2 b) y = - 2x

Dado que f(1) = - 2 , uma equação dessa reta é y = 2(x - 1) - 2 . Mais sugestões de trabalho
A equação reduzida da reta tangente ao gráfico de f no ponto de abcissa 1 Exercícios propostos n.os 83 a 87
é y = 2x - 4 . (pág. 64).

PROFESSOR
Provavelmente, recordas que a derivada da função f no ponto 1 poderia ter
Gestão curricular
sido obtida de uma forma mais expedita, recorrendo à função derivada da fun-
Os professores que optaram, no 11.° ano,
ção f . por transitar as regras de derivação cor-
respondentes aos descritores 7.11 e 7.12
Dada uma função real de variável real f , designa-se por função derivada de f para o 12.° ano, devem agora lecioná-las.

a função de domínio D = {x å Df : f é diferenciável em x} que a cada NOTA


x å D faz corresponder f '(x) . * Embora de modo formalmente in-
correto, escreve-se, frequentemente
(f(x)) ' no lugar de f '(x) .
Exercícios resolvidos RECORDA
1. Determina f '(x)* , sendo f a função definida por: __ Derivadas de referência e regras de
2 x 3 + √2 x + π4
__________ derivação (nos pontos em que as fun-
a) f(x) = x - 3x + 1
2 b) f(x) = ções estão definidas e existe derivada).
__ 33__ 4 __
2x + 1
_____ • k' = 0 • x' = 1
c) f(x) = 2 d) f(x) = x + √x + √x

x +3 • ( x2) ' = 2x • ( x3) ' = 3 x2
'
Resolução • __1 = - __
1 , x00
(x) x
2
a) f '(x) = ( x 2 - 3x + 1) ' = ( x 2) ' - 3(x) ' + (1) ' = 2x - 3 * 1 + 0 = 2x - 3 __
__ '
__ __ • (√x ) = ___
1 __ , x > 0
2 x 3 + √2 x + π4 ' ________________
__________ (2 x 3 + √2 x + π4) ' ______
6 x 2 + √2 √
2 x
b) f '(x) = ( )= =
3 3 3 • (kf ) ' = k f ' , k å R
2x + 1 ' _______________________________
(2x + 1) '( x + 3) - (2x + 1 ) ( x + 3) '
2 2
• (f + g) ' = f ' + g '
c) f '(x) = _____
( x2 + 3 ) = ( x 2 + 3)
2
=
• (f * g) ' = f ' * g + f * g '
2( x 2 + 3) - (2x + 1) * 2x ______________
2 x 2 + 6 - 4 x 2 - 2x ___________
- 2 x 2 - 2x + 6
= ___________________ = = f ' f' * g - f * g'
( x 2 + 3)
2
( x 2 + 3)
2
( x 2 + 3)
2 • __ = ___________
(g) g2
__ 3 __ 4 __ '
d) f '(x) = (√x + √x + √x ) = ___
1 __ + ____ 1 + ____ 1__ • (x )' = α xα - 1 , α å Q
α
3
__ 4
2√x 3√x 2 4√x 3 __
'
• (√x ) = _____
n
1
____ , nåN
n
n√x n - 1
continua

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 33


continuação
RECORDA
Derivada da função composta: 2. Seja g a função definida por g(x) = x 2 + 3x e y
(g ∘ f ) '(a) = f '(a) * g '(f(a)) seja f a função representada graficamente.
f
A reta r , de equação y = - 2x - 1 , é tangente
ao gráfico de f no ponto A , de abcissa 1. r

Determina:
g '
b) __ (1)
O x
a) (f * g)'(1)
(f)

c) (g ∘ f ) '(1) d) (f
3 ' A
)(1)
Resolução
É necessário calcular g(1) , g '(x) , g '(1) e f(1) e identificar o valor de
f '(1) .
g(1) = 12 + 3 * 1 = 4 g'(x) = 2x + 3
g '(1) = 2 * 1 + 3 = 5 f(1) = - 2 * 1 - 1 = - 3
f '(1) é igual ao declive da reta r ; portanto, f '(1) = - 2 .
a) (f * g) '(1) = f '(1) * g(1) + f(1) * g '(1) = - 2 * 4 - 3 * 5 = - 23

g '
__ g '(1) * f(1) - g(1) * f '(1)
b) (1) = _____________________ =
(f) (f(1))
2

5 * (- 3) - 4 * (- 2) 7
= ________________
2
= - __
(- 3) 9
Mais sugestões de trabalho c) (g ∘ f ) '(1) = f '(1) * g '(f(1)) = - 2 * g '(- 3) = - 2 * (2 * (- 3) + 3) = 6
os

d) (f )'(1) = f '(1) * 3 * (f(1)) = - 2 * 3 * (- 3) = - 54


Exercícios propostos n. 88 e 89 3 2 2
(pág. 64).

RECORDA Falámos, recentemente, em extremos (mínimo e máximo) absolutos de uma função.


Uma função f atinge um mínimo
(respetivamente, máximo) relativo O teorema seguinte refere-se a extremos relativos.
em a se existir uma vizinhança de
a tal que a imagem de a é a menor
Teorema
(respetivamente, maior) das ima-
gens, considerando todos os objetos Seja f uma função real de variável real cujo domínio contém um intervalo
pertencentes a essa vizinhança.
não vazio I = ] a, b [ . Se f atinge um extremo relativo em x0 ∈ I e se f é
diferenciável em x0 então f '( x0 ) = 0* .
NOTA
* Num intervalo fechado I = [a, b] ,
a função pode atingir um extremo
A função f representada graficamente atinge um máximo relativo em x1 e um
em a ou em b sem que a derivada mínimo relativo em x2 . As retas tangentes ao gráfico nos pontos de abcissas x1
nesse ponto seja 0. e x2 são paralelas ao eixo das abcissas.
y

x2
x1 O x
NOTA
Se f é uma função diferenciável em
] a, b [ , um ponto c ∈ ] a, b [ tal que
f '(c) = 0 diz-se um ponto crítico (ou
ponto de estacionaridade) de f .

34 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


A implicação recíproca do teorema anterior é falsa.
O facto de a derivada de uma função num ponto ser zero não implica que a fun-
ção atinja um extremo nesse ponto, conforme se exemplifica com a função g , y
3 2
definida por g(x) = (x - 1) + 1 . Tem-se g '(x) = 3 (x - 1) . Portanto, g '(1) = 0 . g
No entanto, a função g não atinge nem um máximo, nem um mínimo relativos
no ponto 1, como se pode observar no gráfico que se apresenta à direita.
Em breve, vamos estudar uma condição suficiente para que num zero da deriva-
O 1 x
da a função atinja um extremo relativo.
Recordamos, ainda, os teoremas que relacionam o sinal da função derivada com
a monotonia da função.

Teorema
Seja f uma função real de variável real, contínua num intervalo I de extremo
esquerdo a e extremo direito b e diferenciável em ] a, b [ .
• Se ∀ x ∈ ] a, b [ , f '(x) > 0 (respetivamente, ∀ x ∈ ] a, b [ , f '(x) < 0), então f é NOTA
crescente (respetivamente, decrescente) em I*. * A conclusão também é válida se a
derivada anular num número finito
• Se ∀ x ∈ ] a, b [ , f '(x) ≥ 0 (respetivamente, ∀ x ∈ ] a, b [ , f '(x) ≤ 0), então f é
de pontos.
crescente em sentido lato (respetivamente, decrescente em sentido lato) em I .
• Se ∀ x ∈ ] a, b [ , f '(x) = 0 , então f é constante em I .

Exercício resolvido
RECORDA
Estuda quanto à monotonia e quanto à existência de extremos relativos Diz-se que uma função é monótona
x4
a função f definida por f(x) = __ - x 3 + x 2 - 1 , sem recorrer à calcula- num conjunto A contido no seu do-
4 mínio se e só se a função é crescen-
dora. Na tua resposta, indica o(s) intervalo(s) em que a função é crescente, te ou é decrescente em A .
o(s) intervalo(s) em que a função é decrescente e a(s) abcissa(s) do(s) Dada uma função real de variável
ponto(s) em que a função atinge um extremo relativo. real f , diz-se que um intervalo I ƒ Df
é um intervalo de monotonia de f
Resolução se a restrição de f a I é monótona.
Vamos recorrer à função derivada. Se uma função é monótona num in-
x4 '
f '(x) = (__ - x 3 + x 2 - 1) = x 3 - 3 x 2 + 2x
tervalo, então é monótona em qual-
4 quer intervalo que esteja contido
nesse. Quando se pede para indicar
f '(x) = 0 § x 3 - 3 x 2 + 2x = 0 § x( x 2 - 3x + 2) = 0 § os intervalos de monotonia de uma
§x=0∨x=1∨x=2 função, subentende-se que se pre-
Registemos a variação de sinal de f ' e o sentido de variação de f numa tendem os intervalos «maximais»
de monotonia, ou seja, intervalos
tabela. em que a função seja monótona e
x -∞ 0 1 2 +∞ não estejam contidos estritamente
noutros em que a função seja mo-
x - 0 + + + + +
nótona.
x 2 - 3x + 2 + + + 0 - 0 +
Sinal e zeros de f ' - 0 + 0 - 0 +
Variação
Mín. Máx. Mín.
e extremos ¢ relativo
£ relativo
¢ relativo
£
de f

• f é decrescente em ] - ∞, 0] e em [1, 2] ;
Mais sugestões de trabalho
• f é crescente em [0, 1] e em [ 2, + ∞ [ ;
Exercícios propostos n.os 90 a 92
• f atinge um máximo relativo em 1 e atinge mínimos relativos em 0 e em 2. (pág. 65).

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 35


Voltemos à localização de extremos relativos de uma função. Com esse objetivo,
vamos introduzir o conceito de derivada de segunda ordem.

Dada uma função real de variável real f , diferenciável num intervalo I tal que
a função derivada f ' é diferenciável em a ∈ I , designa-se a derivada (f ')'(a)
por derivada de segunda ordem de f no ponto a e representa-se por f "(a) .

NOTA Uma função real de variável real f diz-se duas vezes diferenciável num inter-
A derivada de segunda ordem tam- valo I se f "(a) existir para todo a ∈ I . Nesse caso, designa-se por f " a
bém pode ser designada por segun- função que a cada x ∈ I faz corresponder f "(x) .
da derivada.

64 Sejam f , g e h as funções
Exercício resolvido
definidas por:
Seja f a função definida por f(x) = 2 x 3 - 3x + 5 . Determina a derivada
f(x) = x 4 - 3 x 3 + 1
3
de segunda ordem de f no ponto –1.
g(x) = (2x - 1)
Resolução
2x
h(x) = ____
x+1 Pretende-se calcular f "(- 1) .
Determina a derivada de se- A função f é uma função polinomial e, portanto, é diferenciável em R .
gunda ordem de cada uma das
funções f , g e h no ponto 1. A função derivada de f é a função f ' definida por f '(x) = 6 x 2 - 3 que
também é diferenciável em R . Tem-se f "(x) = (6 x 2 - 3) ' = 12x .
Portanto, f "(- 1) = - 12 .

PROFESSOR
Teorema
Gestão curricular
Todos os alunos devem conhecer este Dados uma função real de variável real f , duas vezes diferenciável num inter-
teorema e saber aplicá-lo. No entanto, valo I = ] a, b [ , a < b , e um ponto c ∈ ] a, b [ tal que f '(c) = 0 , se f "(c) > 0
a elaboração da demonstração é facul-
tativa, não sendo, portanto, exígivel aos
(respetivamente, f "(c) < 0), então f atinge um mínimo (respetivamente,
alunos. máximo) relativo em c .

Demonstração
Dado que existe f "(c) e que f "(c) > 0 , sabe-se que existem e são positivos os
f '(x) - f '(c) f '(x) - f '(c)
limites lim __________ e lim __________.
x→c +
x-c x→c -
x-c
f '(x) - f '(c)
Tem-se, portanto, lim __________ > 0 e, dado que f '(c) = 0 , concluímos que
x→c +
x-c
f '(x)
_
lim > 0 . Então, existe um intervalo da forma ] c, c + ε [ , ε > 0 , no
x→c x - c
+

f '(x)
PROFESSOR qual __________ é maior do que 0 e, nesse intervalo, f '(x) > 0 pois x - c > 0 .
x-c
Soluções De modo análogo se conclui que existe um intervalo ] c - ε', c [ , ε' > 0 , no qual
64. f "(1) = - 6 f '(x) < 0 .
g"(1) = 24
h"(1) = − __1
Então, a função f é decrescente em ] c - ε', c] e é crescente em [ c, c + ε [ .
2 Concluímos, portanto, que atinge um mínimo relativo em c .

36 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Exercício resolvido
65 Seja f a função definida
Seja f a função definida por f(x) = x 3 - 3 x 2 + 1 . por f(x) = 6x - x 3 + 1 . Mostra
__
Prova que a função f atinge um mínimo no ponto 2. que f atinge um extremo em √2
e indica a sua natureza.
Resolução
f '(x) = 3 x 2 - 6x Calculadoras gráficas
Portanto, f '(2) = 3 * 22 - 6 * 2 = 0 . Casio fx-CG 20 ...... pág. 188
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 193
f "(x) = (3 x 2 - 6x) ' = 6x - 6 TI-Nspire CX .......... pág. 198

Portanto, f "(2) = 6 * 2 - 6 = 6 .
66 Seja a um número real e
Dado que f '(2) = 0 e que f "(2) > 0 , o teorema anterior permite concluir
seja g a função definida por
que a função f atinge um mínimo no ponto 2. g(x) = a x 3 + x 2 + 2 .
Mostra que a função g atinge
um máximo no ponto 1 se
2.
a = - __
Observação 3
No caso de uma função f , diferenciável num intervalo I = ] a, b [ , a < b , ser
duas vezes diferenciável em c ∈ ] a, b [ e f '(c) = f "(c) = 0 , nada se pode concluir
acerca da existência de um extremo em c , sem mais informação.
Resolução
Exercício 66
(resolução passo
EXEMPLO a passo)

3 4
Considera as funções g e h definidas por g(x) = (x - 1) e h(x) = (x - 1) .
Tem-se:
2
• g '(x) = 3 (x - 1)
• g "(x) = 6(x - 1)
3
• h '(x) = 4 (x - 1)
2
• h "(x) = 12 (x - 1)

Portanto,
g '(1) = g "(1) = 0 e h '(1) = h "(1) = 0

A função g não atinge extremo no ponto 1 e a função h atinge um mínimo


no ponto 1.

y y

g h

O 1 x O 1 x

Mais sugestões de trabalho


Exercícios propostos n.os 93 a 95
(pág. 65).

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 37


SERÁ QUE…? Concavidade do gráfico da função e monotonia da derivada

Na tabela seguinte estão indicados os declives das retas tangentes aos gráficos
de quatro funções f , g , h e j , nos pontos A , B e C .

Função f Função g Função h Função j


Declive da reta tangente no ponto A - 0,25 0,25 - 1,96 1,96
Declive da reta tangente no ponto B - 0,69 0,69 - 0,69 0,69
Declive da reta tangente no ponto C - 1,96 1,96 - 0,25 0,25

Nos referenciais seguintes estão representadas as quatro funções f , g , h e j .


Os gráficos não se apresentam, necessariamente, por esta ordem e não estão
identificados.

I. II.

y y

C
C
B
B
A
A

O x O x

III. IV.

y y

A
B A

C B
C

O x O x

1. Identifica os gráficos, fazendo-os corresponder a cada uma das funções f ,


g , h e j . Explica o teu raciocínio.

2. Completa as frases seguintes e risca o que não interessa de modo a que as


frases obtidas sejam verdadeiras.

a) Os gráficos I e IV têm a concavidade voltada para .


Os declives das retas tangentes a esses gráficos nos pontos A , B e C
sugerem que as funções derivadas das funções representadas sejam fun-
ções crescentes / decrescentes.

b) Os gráficos têm a concavidade voltada baixo. Os declives


das retas tangentes a esses gráficos nos pontos A , B e C sugerem
que as funções derivadas das funções representadas sejam funções
crescentes / decrescentes.

Será que as conjeturas que formulaste vão ao encontro do teorema seguinte?

38 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


PROFESSOR
Teorema
Gestão curricular
Seja f uma função diferenciável num intervalo I . Todos os alunos devem conhecer este
teorema e saber aplicá-lo. No entanto,
O gráfico de f tem a concavidade voltada para cima em I se e só se a função a elaboração da demonstração é facul-
derivada, f ' , for crescente em I . tativa, não sendo, portanto, exígivel aos
alunos.
O gráfico de f tem a concavidade voltada para baixo em I se e só se a fun-
ção derivada, f ' , for decrescente em I .
RECORDA
A expressão «função crescente»
Deste teorema decorrem as seguintes propriedades, no caso de a função f ser (respetivamente, decrescente) é
duas vezes diferenciável em I . usada, no contexto do Programa em
vigor, no sentido de «função estrita-
mente crescente» (respetivamente,
estritamente decrescente).
Dada uma função f duas vezes diferenciável num intervalo I de extremo
esquerdo a e extremo direito b , se, para todo x å ] a, b [ , f "(x) > 0 (respe- NOTA
tivamente, f "(x) < 0), então o gráfico da função f tem a concavidade voltada Esta conclusão também é válida se
para cima (respetivamente, para baixo) no intervalo I . a segunda derivada anular num nú-
mero finito de pontos.

Justificação
Este resultado é consequência do teorema anterior e da relação entre o sinal da
função f " , função derivada de f ' , e a monotonia da função f ' . Com efeito, por
exemplo, se ∀ x ∈ ] a, b [, f "(x) > 0 , então f ' é crescente em I e, portanto, de
67 Representa graficamente
acordo com o teorema anterior, o gráfico de f tem a concavidade voltada para
uma função duas vezes diferen-
cima nesse intervalo.
ciável no intervalo [0, 5] que
seja crescente e cuja função de-
rivada seja decrescente.
Dada uma função f duas vezes diferenciável num intervalo I , se o gráfico da
função f tem a concavidade voltada para cima (respetivamente, para baixo) no
intervalo I então, para todo x ∈ I , f "(x) ≥ 0 (respetivamente, f "(x) ≤ 0).

Justificação
Já sabemos que, se o gráfico da função f tem a concavidade voltada para cima NOTA
no intervalo I , então f ' é crescente em I e, portanto, (f ')' ≥ 0 em I* . * O teorema que estamos a aplicar
neste último passo foi enunciado e
Se o gráfico de uma função tem a concavidade voltada para cima (respetivamente, justificado no 11.° ano.

para baixo) num intervalo, então tem a concavidade voltada para cima (respeti-
vamente, para baixo) em qualquer intervalo que esteja contido nesse. Quando se
pede para indicar os intervalos em que o gráfico tem a concavidade voltada para
cima (respetivamente, para baixo) subentende-se que se pretende os intervalos PROFESSOR
Soluções
«maximais», ou seja, os intervalos em que o gráfico da função tenha a concavi-
67. Por exemplo:
dade voltada para cima (respetivamente, para baixo) e não estejam contidos
estritamente noutros em que a concavidade esteja voltada para cima (respetiva- y O gráfico deve ter
a concavidade vol-
mente, para baixo). tada para baixo.
O 5 x
68 Seja f a função definida
Exercício resolvido
por:
x4 x3 Seja f uma função, duas vezes diferenciável, cuja derivada de segunda
f(x) = ___ - __ + x 2 - 1
12 2 ordem é definida por f "(x) = 4 x 3 - x 2 - 3x . Determina os intervalos em
Determina os intervalos em que o gráfico da função f tem a concavidade voltada para cima.
que o gráfico de f tem a con-
cavidade voltada para cima, Resolução
sem recorrer à calculadora.
Vamos determinar os intervalos em que f " é positiva. Comecemos por
determinar os zeros de f " .
3
f "(x) = 0 § x(4 x 2 - x - 3) = 0 § x = 0 › x = - __ › x = 1
4

3
x -∞ - __ 0 1 +∞
4

x - - - 0 + + +

4x2 - x - 3 + 0 - - - 0 +

Sinal e zeros de f " - 0 + 0 - 0 +

Portanto, concluímos que o gráfico da função f tem a concavidade voltada


3
para cima no intervalo [- __ , 0] e no intervalo [ 1, + ∞ [ .
4
Para indicar que a concavidade do gráfico está voltada para cima (respe-
tivamente, para baixo) é habitual usar o símbolo 8 (respetivamente,
{ ).

No referencial seguinte está representada uma função f e a reta tangente ao


gráfico de f no ponto de abcissa c .
y
Ponto de
inflexão
f(c)

O c x

A parte do gráfico situada à esquerda do ponto de abcissa c tem a concavidade


PROFESSOR voltada para baixo e a parte do gráfico à direita desse ponto tem a concavidade
Soluções voltada para cima.
68. f "(x) = x 2 − 3x + 2 ; a concavidade
está voltada para cima em ] − ∞, 1] e Diz-se que o ponto de coordenadas (c, f(c)) é um ponto de inflexão do gráfico de f .
em [ 2, + ∞ [ .
Dados uma função f de domínio D e c ∈ D , diz-se que o ponto (c, f(c)) é ponto
de inflexão do gráfico de f se existirem números reais a e b , a < c e b > c ,
Mais sugestões de trabalho tais que [a, b] ⊂ D e a concavidade do gráfico de f no intervalo [a, c] tem
Exercícios propostos n.os 96 a 101 sentido contrário à concavidade do gráfico de f no intervalo [c, b] . Também
(págs. 65 e 66). se diz, neste caso, que o gráfico da função f tem ponto de inflexão em c .

40 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Seja f uma função duas vezes diferenciável e suponhamos que o seu gráfico tem NOTA
um ponto de inflexão em c . Isso quer dizer que o gráfico de f muda o sentido Os gráficos seguintes têm um ponto
da concavidade no ponto de coordenadas (c, f(c)) . de inflexão em c .

• Se a concavidade está voltada para cima à esquerda de c e voltada para baixo y

à direita de c , a função f ' passa de crescente para decrescente;


f
• Se a concavidade está voltada para baixo à esquerda de c e voltada para cima
à direita de c , a função f ' passa de decrescente para crescente.
O c x
Em qualquer destas situações, a função f ' atinge um extremo relativo em c
(máximo no primeiro caso e mínimo no segundo) e, portanto, f "(c) = 0 . y
g
Dada uma função f duas vezes diferenciável num intervalo I , se o gráfico
de f tem ponto de inflexão em c , então f "(c) = 0 .

O c x
Exercícios resolvidos
1. Sejam a e b números reais e seja f a função definida por: y
h
f(x) = x 3 + a x 2 + b
Determina a e b , sabendo que o ponto de coordenadas (- 1, 3) é ponto
de inflexão do gráfico de f .
O c x
Resolução
Dado que o ponto de coordenadas (- 1, 3) pertence ao gráfico de f ,
tem-se f(- 1) = 3 , ou seja, - 1 + a + b = 3 e, dado que a função é duas
vezes diferenciável e que o gráfico tem um ponto de inflexão em – 1, tem-
-se f "(- 1) = 0 .
Como f "(x) = 6x + 2a , conclui-se que - 6 + 2a = 0 , ou seja, a = 3 .
Então, b = 1 .

2. Seja f a função definida por f(x) = 0,2 x 5 - x 4 + 3x - 2 . 69 Seja k um número real e


Estuda o gráfico da função quanto ao sentido das concavidades e identifica seja g a função definida por:
x2
a(s) abcissa(s) do(s) ponto(s) de inflexão. g(x) = k x 5 - __ + 1
4
Resolução Determina k , sabendo que o
O estudo será feito recorrendo à função f " , derivada de segunda ordem gráfico da função g tem um
ponto de inflexão com abcis-
da função f . 1.
sa __
f '(x) = x 4 - 4 x 3 + 3 e, portanto, f "(x) = (x 4 - 4 x 3 + 3)' = 4 x 3 - 12 x 2 . 2
Vamos determinar os zeros de f " e estudar e registar a sua variação de sinal.
f "(x) = 0 § 4 x 3 - 12 x 2 = 0 § 4 x 2 (x - 3) = 0 § x = 0 › x = 3

x -∞ 0 3 +∞
x 2 + 0 + + +
x-3 - - - 0 +
Sinal e zeros de f " - 0 - 0 +
Concavidades e pontos 8
de inflexão { P.I.

O gráfico tem a concavidade voltada para baixo no intervalo ] - ∞, 3]


PROFESSOR
e tem a concavidade voltada para cima no intervalo [ 3, + ∞ [ .
Soluções
O ponto de coordenadas (3, f(3)) é ponto de inflexão do gráfico. 69. k = __1
5
continua

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 41


continuação

Repara que uma representação gráfica obtida com uma calculadora não
permite alcançar as conclusões que obtivemos por processos analíticos,
nomeadamente no que respeita à identificação exata do ponto de inflexão.

Mais sugestões de trabalho


Exercícios propostos n.os 102 a 107
(págs. 66 e 67).

PROFESSOR
Gestão curricular
Interpretação cinemática da derivada de
Os professores que optaram, no
segunda ordem de uma função posição
11.° ano, por não lecionar os descritores
6.1, 6.2 e 9.2 de FRVR11, devem fazê-lo Recorda que, dada uma função posição de um ponto P que se desloca numa
agora.
reta, interpretámos a taxa média de variação e a função derivada como sendo
a velocidade média e a velocidade instantânea de P , respetivamente.
De modo análogo, a derivada de segunda ordem também pode ser interpretada
no contexto da cinemática do ponto.

SERÁ QUE…? Uma viagem de automóvel

A família Silva vai de viagem. Quando chegaram à


autoestrada, o pai, que ia a conduzir, mantinha a velo-
cidade instantânea em 100 km/h.
O filho mais novo, Tiago, constantemente perguntava:
o carro não anda mais?!
Será que reconheces o que o Tiago está a pedir ao pai?

Se o carro «não andasse mais» era certamente porque tinha avariado… O que o
Tiago pretendia era que o pai aumentasse a velocidade, ou seja, queria que o pai
«acelerasse».
NOTA
Sejam fixados um instante para origem das medidas de tempo, uma unidade
1 m/s2 é a aceleração de um ponto
cuja velocidade aumenta 1 m/s em de tempo (o segundo, por exemplo), uma reta numérica r com unidade de
1 segundo. comprimento (que pode ser, por exemplo, o metro), e um intervalo I (não
vazio nem reduzido a um ponto).
Nestas condições, dada uma função posição, p , de um ponto P que se des-
loca sobre a reta r durante o intervalo de tempo I e dados dois instantes t1
e t2 do intervalo I , com t1 < t2 , a aceleração média de P no intervalo de
tempo [t1 , t2] é a taxa média de variação de p ' entre t1 e t2 , ou seja,
p '( t2 ) - p '( t1 )
é ____________ , na unidade m/s2 (m s-2) e, dado t ∈ I , a aceleração instantânea
t2 - t1
de P no instante t na unidade m/s2 (m s-2) é a derivada de segunda ordem de
p em t , ou seja, é p "(t) , caso exista.

42 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Exercício resolvido
70 A ficha técnica do Bugatti
Uma partícula desloca-se sobre uma reta numérica, cuja unidade é o Veyron indica que este auto-
metro. A abcissa (nessa reta) da posição da partícula no instante t , em móvel pode ir de 0 a 100 km/h
segundos, é dada por: em 2,46 segundos.

p(t) = 4 t 2 + 20t
a) Determina a velocidade média e a aceleração média da partícula entre
os instantes t = 0 e t = 2 .
b) Calcula a velocidade e a aceleração da partícula no instante t = 2 .

c) Supondo que a partícula esteve em movimento entre os instantes t = 0


Qual é a aceleração média na
e t = 8 , qual foi a velocidade máxima atingida? situação anunciada? Apresenta
o resultado em m/s2, com os
Adaptado do Caderno de Apoio, 12.º ano metros arredondados às déci-
mas.
Resolução
a) A velocidade média entre os instantes t = 0 e t = 2 é dada, em m s-1,
Calculadoras gráficas
p(2) - p(0)
por _________ . Casio fx-CG 20 ...... pág. 188
2-0 TI-84 C SE / CE-T .... pág. 193
p(2) - p(0) _______________ TI-Nspire CX .......... pág. 199
_________ 4 * 22 + 20 * 2 - 0
= = 28
2-0 2
71 Uma partícula é introduzi-
A velocidade média nos dois primeiros segundos é 28 m s . -1
da num acelerador linear de
partículas e submetida desde o
A aceleração média entre os instantes t = 0 e t = 2 é dada, em m s-2,
instante inicial a uma acelera-
por: ção constante de 3 m/s2. Se a
p '(2) - p '(0)
___________ velocidade inicial for igual a
2-0 1000 m/s, qual é a velocidade
da partícula decorrido 0,01 s?
Calculemos p '(t) : p '(t) = (4 t 2 + 20t) ' = 8t + 20
72 Seja s = 2 + 3t + 5 t 2 a
Portanto:
equação que dá (em metros) a
• p '(2) = 36 • p '(0) = 20 posição de um móvel no ins-
tante t (em segundos). O movi-
p '(2) - p '(0) 36 - 20 mento associado a esta equação
Assim, ___________ = _______ = 8 . diz-se «uniformemente variado».
2-0 2
Explica porquê.
A aceleração média da partícula nos dois primeiros segundos é 8 m s-2.

b) A velocidade no instante t = 2 é dada, em m s-1, por p '(2) .

Portanto, a velocidade da partícula no instante t = 2 é 36 m s-1.


A aceleração no instante t = 2 é dada, em m s-2, por p "(2) .
Calculemos p "(t) :
p "(t) = (p '(t)) ' = (8t + 20) ' = 8
Assim, p "(2) = 8 .
A aceleração da partícula no instante t = 2 é 8 m s-2 . PROFESSOR
Soluções
c) At å [0, 8] , p "(t) > 0 . Portanto, p ' é crescente em [0, 8] . Assim, 70. 11,3 m/s2
a velocidade máxima é dada por p '(8) = 8 * 4 + 20 = 52 . 71. 1000,03 m/s
A velocidade máxima que a partícula atingiu foi 52 m s . -1
72. Porque tem aceleração constante,
pois s"(t) = 10 .

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 43


Teste 2 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. Sejam f ' e f " , de domínio R , a primeira e a segunda derivada de uma


função f , respetivamente. Sabe-se que:

5
• a é um número real; • P é o ponto do gráfico de f de abcissa a ;
f(x) - f(a)
• lim ________ = 0 • f "(a) = - 2
x→a x-a
Qual das afirmações seguintes é necessariamente verdadeira?
(A) a é um zero da função f .
(B) f(a) é um máximo relativo da função f .
(C) f(a) é um mínimo relativo da função f .
(D) P é um ponto de inflexão do gráfico da função f .

y 2. Na figura ao lado está representada parte do gráfico de uma função polino-


r mial f . Tal como a figura sugere, o gráfico de f tem a concavidade voltada
f para baixo em ] - ∞, 0] e voltada para cima em [ 0, + ∞ [ .
A reta r , tangente ao gráfico de f no ponto de abcissa 0, é paralela à bissetriz
dos quadrantes pares e interseta o eixo Ox no ponto de abcissa 1.
O 1 x Qual é o valor de f(0) + f '(0) + f "(0) ?
(A) 0 (B) 1 (C) 2 (D) 3

3. Seja f uma função de domínio R , duas vezes diferenciável, e seja f " a


segunda derivada da função f . Sabe-se que f "(x) = x 2 (x - 1) .
Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
(A) O gráfico da função f não tem pontos de inflexão.
(B) O gráfico da função f tem exatamente um ponto de inflexão.
(C) O gráfico da função f tem exatamente dois pontos de inflexão.
(D) O gráfico da função f tem exatamente três pontos de inflexão.

4. Sejam f e g duas funções. Sabe-se que:


• f(x) = x 3 - 6x - 2 • g(1) = 0 2
• g '(x) = __
x
Qual é o valor de (f ∘ g) '(1) ?
(A) 0 (B) - 6 (C) - 9 (D) - 12

PROFESSOR 5. Seja a um número racional positivo, seja f a função, de domínio R+ , defi-


Soluções nida por f(x) = xa + a 2 x e seja r a reta tangente ao gráfico de f no ponto
1. (B) de abcissa a .
2. (A)
Qual é o declive da reta r ?
3. (B)
4. (D) (A) a a - 1 + a 3 (B) aa + a 3 (C) a a - 1 + a 2 (D) aa + a 2
5. (D) Ajuda

44 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


PROFESSOR
Soluções
Grupo II
2. a) k = 4
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos b) A função é crescente em ] − ∞, 1]

e em __ , + ∞ e é decrescente
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões. 5
[3 [

em 1, __ .
5
1. Seja f uma função cujo gráfico tem a concavidade voltada para baixo no [ 3]
intervalo [- 2, 4] . Sabe-se que f(- 2) = 1 e f(4) = 5 .
f(1) = 1 é máximo relativo e
A proposição «f(- 1) = __4 » é uma proposição falsa. Justifica.
f __ = ___ é mínimo relativo.
3 5 23
( 3 ) 27
2. Seja k um número real e seja f a função definida por f(x) = x 3 - k x 2 + 5x - 1 . O gráfico tem a concavidade vol-
a) Determina k de modo que a função atinja um extremo em 1. tada para baixo em − ∞, __ 4 e tem
] 3]
b) Considera k = 4 . Determina os intervalos de monotonia e os extremos da a concavidade voltada para cima
função f e estuda o gráfico da função quanto ao sentido das concavidades em __4 , + ∞ ; o ponto de
[3 [
e existência de pontos de inflexão.
coordenadas __ 4 , ___
25
é ponto de
( 3 27 )
+
3. Esboça o gráfico de uma função diferenciável, de domínio R , que seja inflexão do gráfico.
decrescente, cuja função derivada também seja decrescente e tal que a reta
3. Por exemplo:
de equação y = 3 - 2x seja assíntota ao seu gráfico.
y

4. Nos Estados Unidos, as corridas de dragsters são muito populares. Os carros


têm um arranque rapidíssimo porque as corridas duram poucos segundos. O x
A velocidade é nula à partida e vai aumentando até à meta. Numa corrida,
um dos carros atingiu a meta à velocidade máxima. Para esse carro, a equa-
1 t 3 + 3 t 2 + 3t .
ção da velocidade, em metros por segundo, é dada por v = - __
3 4. a) 54,7 m/s
a) Quanto tempo demorou o carro a chegar à meta e qual a velocidade que b) A aceleração média é 7,7 m/s2
atingiu? Apresenta o tempo em segundos, arredondado às décimas, e a e a aceleração ao fim de 1 s é 8 m/s2.
velocidade em m/s, com os metros arredondados às décimas. c) A aceleração é máxima ao fim de
3 segundos.
b) Determina a aceleração média nos dois primeiros segundos e a aceleração
ao fim de 1 segundo. Apresenta os valores em m/s2, com os metros arre- 5. A afirmação I é falsa.
dondados às décimas. A afirmação II é verdadeira.
A afirmação III é falsa.
c) Determina o instante em que a aceleração foi máxima.

5. Na figura ao lado está representada, num referencial o.n. xOy , parte do y

gráfico de uma função polinomial de grau 3. Seja h uma função, de domí-


f(x)
nio R , cuja função derivada, h ' , é definida por h '(x) = _____ . Sabe-se que: f
x2 + 1
• - 2 e 3 são os únicos zeros da função f ; O x
-2 3
• a função f tem um extremo relativo para x = - 2 ;
• lim h(x) = 3
x→+∞

Considera as afirmações seguintes:


I. A função h tem dois extremos relativos. II. h"(- 2) = 0
III. y + 3 = 0 é uma equação da assíntota ao gráfico da função h quando x
tende para + ∞ .
Indica, justificando, se cada uma das afirmações é verdadeira ou é falsa.
Adaptado de Exame Nacional, 12.º ano, 2.ª fase, 2014
Resolução

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 45


Estudo e traçado de gráficos de funções
diferenciáveis
Quando se fala no traçado do gráfico de uma função, provavelmente a primeira
ideia que te surge é recorrer à calculadora gráfica. Trata-se, como é óbvio, de
uma ferramenta muito útil nesta área mas, se usada sem conhecimento teórico
consistente, pode ser fonte de erros e de conclusões desadequadas.
Começamos por te lançar um desafio.
73 Fixado no plano um refe- SERÁ QUE…? Nem tudo o que parece é!
rencial o.n., a reta de equação
y = x é frequentemente identi- Nas figuras seguintes estão representadas partes dos gráficos, obtidos com
ficada com as bissetrizes dos
quadrantes ímpares porque uma calculadora gráfica, das funções cujas expressões estão indicadas.
«divide» cada um desses qua- (A) (B)
drantes em dois ângulos iguais.
Numa calculadora gráfica, vi-
sualiza a reta de equação y = x
em diferentes «janelas». Certa-
mente observas que nem sempre
a reta representada «divide» os
quadrantes ímpares em ângu-
x2
los iguais. a(x) = ____ b1 (x) = sen x
x-1
Qual é a explicação que encon- b2 (x) = sen (- 40x)
tras para esse facto?
(C) (D)

74 Tendo em consideração o
que conheces acerca das fun-
ções representadas nos gráficos
(A), (C) e (D) do Será que…?,
obtém «janelas de visualização»
na calculadora que permitam c(x) = x - 40 d(x) = x 3 + 10 x 2
obter gráficos semelhantes aos
Com base apenas nestes gráficos, seríamos levados a concluir que:
apresentados.
x2
• a função definida por a(x) = ____ tem domínio R , é ímpar e é crescente;
x-1
• o período da função definida por y = sen (- 40x) , representada a encarnado,
Simulador é metade do período da função seno, representada a azul;
Geogebra: Estudo de
uma função • a função definida por c(x) = x - 40 tem por gráfico uma reta paralela ao
eixo Ox e, portanto, é uma função constante;
• a função definida por d(x) = x 3 + 10 x 2 tem por gráfico uma parábola,
simétrica em relação ao eixo Oy e, portanto, é uma função par.

Será que alguma das conclusões sugeridas é correta, tendo em consideração


o que conheces acerca das funções representadas?
PROFESSOR
Soluções
73. Provavelmente estás a utilizar refe- O que te propomos em seguida é o traçado do gráfico de algumas funções, em
renciais não monométricos. resultado do estudo que é possível fazer-se determinando o domínio, os pontos
74. (A) [− 100, 100] * [− 100, 100] de interseção do gráfico com os eixos (caso existam), os intervalos de monotonia,
(C) [− 0,5; 0,5] * [− 100, 100] os extremos relativos e absolutos (caso existam), o sentido das concavidades,
(D) [− 1, 1] * [− 3,1; 3,1] pontos de inflexão e assíntotas ao gráfico.

46 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Exercícios resolvidos
1 , depois de estu-
1. Esboça o gráfico da função f definida por f(x) = _____
x2 + 1
dares a função e o seu gráfico em relação aos itens atrás referidos.
Resolução
Domínio
A função f é uma função racional. O seu domínio é R , pois
∀x ∈ R , x2 + 1 0 0 .
Pontos de interseção do gráfico com os eixos coordenados NOTA

As abcissas dos pontos de interseção do gráfico com o eixo Ox , se esses No caso desta função, e dado que
x 2 + 1 designa sempre um número
pontos existirem, são as soluções da equação f(x) = 0 . Neste caso, positivo, o gráfico vai ficar todo aci-
1
a equação _____ = 0 é uma equação impossível e, portanto, o gráfico ma do eixo das abcissas.
x2 + 1
não interseta o eixo Ox .
O ponto de interseção do gráfico com o eixo Oy é o ponto do gráfico
que tem abcissa 0.
1
Tem-se f(0) = _____ = 1 e, portanto, o gráfico interseta o eixo Oy no
02 + 1
ponto de coordenadas (0, 1) .
Intervalos de monotonia e extremos relativos
Vamos determinar f '(x) e, em seguida, estudar a variação de sinal de f ' .
1 ' = - ________
f '(x) = (_____
( x 2 + 1) ' 2x
= - _______2
x +1
2 ) ( x 2 + 1)
2
( x 2 + 1)
NOTA
2x
f '(x) = 0 § - _______2 = 0 ∧ x ∈ Df ' * § 2x = 0 § x = 0 * O domínio de f ' é igual ao domínio
( x + 1)
2
de f , pois as funções racionais são
diferenciáveis no domínio. Neste
x -∞ 0 +∞ caso, Df ' = R .
- 2x + 0 -
NOTA
2
( x 2 + 1) + + + Pode evitar-se a segunda e a tercei-
Sinal e zeros de f ' + 0 - ra linhas da tabela ao lado se se re-
ferir que, dado que ( x 2 + 1) só toma
2

Variação e extremos Máx. valores positivos, o sinal de f ' é


de f
£ relativo ¢
determinado pelo sinal de - 2x .

A função é crescente em ] - ∞, 0] e é decrescente em [ 0, + ∞ [ .


A função atinge um máximo relativo (e absoluto) igual a 1 em 0 (f(0) = 1)
e não tem mínimos relativos.
Pontos de inflexão e sentido das concavidades do gráfico
Vamos determinar f "(x) e, em seguida, estudar a variação de sinal de f " .

' (2x) ' * ( x 2 + 1) - 2x [( x 2 + 1) ]'


2 2
2x
f "(x) = - _______2 = - ___________________________ =
( ( x 2 + 1) ) ( x 2 + 1)
4

2
2 * ( x 2 + 1) - 2x * 2x * 2 * ( x 2 + 1)
= - _____________________________
4
( x 2 + 1)

No numerador, 2 e ( x 2 + 1) são fatores comuns às duas parcelas. Vamos


colocar esses fatores em evidência e simplificar a expressão obtida.

continua

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 47


continuação

2 * ( x 2 + 1) [x 2 + 1 - 2x * 2x] 2(3 x 2 - 1)
2(1 - 3 x 2 ) _________
f "(x) = - _______________________ 4
= - _________ 3
= 3
( x 2 + 1) ( x 2 + 1) ( x 2 + 1)
NOTA
2(3 x 2 - 1) 1§
* O domínio de f " , tal como o domí- f "(x) = 0 § _________ 3
= 0 ‹ x ∈ Df " * § 2(3 x 2 - 1) = 0 § x 2 = __
nio de f ' , é R . ( x 2 + 1) 3
__ __
√3 √3
§ x = - __ › x = __
3 3
__ __
√3
__ √3
__
x -∞ - +∞
3 3
2(3 x 2 - 1) + 0 - 0 +
3
( x + 1)
2 + + + + +
Sinal e zeros de f " + 0 - 0 +
Sentido da concavidade 8 P.I. { P.I. 8
do gráfico de f
__
RECORDA √3
__
O gráfico tem a concavidade voltada para cima em ] - ∞ , - e em
Uma função f é par se 3 ]
__ __ __
∀x, x ∈ Df ± - x ∈ Df e √ 3 √ 3 √ 3
__ __ __
∀x ∈ Df , f(- x) = f(x) [ 3 , + ∞ [ e tem a concavidade voltada para baixo em [- 3 , 3 ] .
__ __
Uma função f é ímpar se √
__ 3 √__3
Os pontos do gráfico de abcissas - e são pontos de inflexão.
∀x, x ∈ Df ± - x ∈ Df e __ 3 3
√3 1 1 = __
1 = ____ 3
∀ x ∈ Df , f(- x) = - f(x)
f (- __) = _________
__ 2 = ____
Num referencial cartesiano ortogo- 3 √
1
__ +1 4
__ 4
__3
nal, o gráfico de uma função par é (- 3 ) + 1 3 3
__
simétrico em relação ao eixo Oy e o

__3 3
__
gráfico de uma função ímpar é simé- e, dado que a função f é uma função par, também f (- )=4.
trico em relação à origem do refe- __ __ 3
rencial. √
__3 __ 3 √
__3 __ 3
Os pontos de coordenadas (- , e ( , são pontos de
3 4) 3 4)
inflexão do gráfico da função f .

RECORDA
Assíntotas ao gráfico
A reta de equação y = b é assíntota Assíntotas verticais
ao gráfico de f em + ∞ (respetiva-
A função tem domínio R e é contínua; portanto, não existem assíntotas
mente, em - ∞) se e só se
verticais.
lim f(x) = b
x→+∞
Assíntotas horizontais
(respetivamente, lim f(x) = b).
x→-∞ 1 = ____
lim f(x) = lim _____ 1 =0
x→¿∞ x→¿∞ x 2 + 1 +∞
75 Esboça o gráfico da função f
x
Portanto, a reta de equação y = 0 é assíntota (horizontal) ao gráfico da
definida por f(x) = _____ , função em - ∞ e em + ∞ .
x2 + 1
depois de fazeres um estudo
Todo o estudo realizado e o facto de a função ser contínua permite obter
análogo ao apresentado no
texto. o gráfico que apresentamos de seguida.

y
PROFESSOR
Soluções 1
3
75. 4 f

-1 - 3 O 3 1 x
3 3

continua

48 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

x2
2. Esboça o gráfico da função f definida por f(x) = ____ , depois de estu-
x-1
dares a função e o seu gráfico.
Resolução NOTA
Domínio No caso desta função, e dado que x 2
não toma valores negativos, conclui-
A função f é uma função racional. -se que f(x) < 0 § x < 1 ∧ x 0 0 .
O seu domínio é Df = {x ∈ R : x - 1 0 0} = R \ {1} . Portanto, o gráfico vai ocupar as re-
giões coloridas a azul.
Pontos de interseção do gráfico com os eixos coordenados
y
As abcissas dos pontos de interseção do gráfico com o eixo Ox , se esses
pontos existirem, são as soluções da equação f(x) = 0 .
x2
f(x) = 0 § ____ = 0 ∧ x ∈ Df § x 2 = 0 ∧ x 0 1 § x = 0 O 1 x
x-1
Portanto, o gráfico interseta o eixo Ox na origem do referencial.
O ponto de coordenadas (0, 0) é o ponto de interseção do gráfico de f
com os eixos.
Intervalos de monotonia e extremos relativos
Vamos determinar f '(x) e, em seguida, estudar a variação de sinal de f ' .
x 2 ' ( x 2) ' * (x - 1) - x 2 * (x - 1) '
f '(x) = (____) = ________________________ =
x-1 (x - 1)
2

2x(x - 1) - x 2 * 1 ______
x 2 - 2x
= ______________
2
= 2
(x - 1) (x - 1)
x 2 - 2x
f '(x) = 0 § ______2 = 0 ∧ x ∈ Df '* § x 2 - 2x = 0 ∧ x 0 1 § NOTA
(x - 1) * O domínio de f ' é igual ao domínio
§ x(x - 2) = 0 ∧ x 0 1 § x = 0 ∨ x = 2 de f , pois as funções racionais são
diferenciáveis no domínio.
x -∞ 0 1 2 +∞
x - 2x
2 + 0 - - - 0 + NOTA
2 Na elaboração do quadro (ao lado)
(x - 1) + + + 0 + + +
não podes deixar de ter em conside-
ração o domínio da função.
Sinal e zeros de f ' + 0 - n.d. - 0 +
Variação e Máx. Mín.
£ ¢ n.d. ¢ £
extremos de f relativo relativo

A função é crescente em ] - ∞, 0] e em [ 2, + ∞ [ e é decrescente em [ 0, 1 [


e em ] 1, 2] .
A função atinge um máximo relativo igual a 0 em 0 (f(0) = 0) e atinge um
mínimo relativo igual a 4 em 2 (f(2) = 4).
Pontos de inflexão e sentido das concavidades do gráfico
Vamos determinar f "(x) e, em seguida, estudar a variação de sinal de f " .
2 '
x 2 - 2x ' _______________________________________
2
______ ( x 2 - 2x) ' * (x - 1) - ( x 2 - 2x) * ((x - 1) )
f "(x) = = =
( (x - 1)2 ) (x - 1)
4

2 1
(2x - 2) * (x - 1) - ( x 2 - 2x) * 1 * 2 * (x - 1)
= ____________________________________
4
=
(x - 1)
2
2(x - 1) * (x - 1) - ( x 2 - 2x) * 2(x - 1)
= ______________________________
4
(x - 1)
continua

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 49


continuação

No numerador, 2 e (x - 1) são fatores comuns às duas parcelas. Vamos


colocar esses fatores em evidência e simplificar a expressão obtida.
2
2(x - 1) [(x - 1) - ( x 2 - 2x)] __________________
2( x 2 - 2x + 1 - x 2 + 2x) ______
2
f "(x) = ______________________
4
= 3
= 3
(x - 1) (x - 1) (x - 1)
A função f " não tem zeros, mas muda de sinal em 1.

x -∞ 1 +∞

3
(x - 1) - 0 +

Sinal de f " - n.d. +

Sentido da concavidade
{ n.d. 8
do gráfico de f

O gráfico tem a concavidade voltada para baixo em ] - ∞, 1 [ e tem a


concavidade voltada para cima em ] 1, + ∞ [ e não existem pontos de
inflexão.
Assíntotas ao gráfico
Assíntotas verticais
A função é contínua; portanto, só a reta de equação x = 1 poderá ser
RECORDA
assíntota vertical ao seu gráfico.
A reta de equação x = a (a ∈ R) é
x2 1 = -∞
assíntota ao gráfico de f se e só se lim f(x) = lim ____ = ___-
x→1 x - 1 0
- -
lim f(x) = ¿ ∞ ou lim f(x) = ¿ ∞ . x→1
x→a− x→a+
Já podemos concluir que a reta de equação x = 1 é assíntota ao gráfico
de f . No entanto, como o objetivo é fazer uma representação gráfica da
função, vamos determinar também o limite à direita de 1.
x2 1 = +∞
lim f(x) = lim ____ = ___
+
x→1
+
x→1
+
x - 1 0
Assíntotas não verticais
x2
____ ∞
___
f(x)
____ x-1
____ x2
_______ x2 ∞
_____ x2
RECORDA lim = lim = lim = lim 2 = lim __2 = 1
x→+∞ x x→+∞ x x→+∞ x(x - 1) x→+∞ x - x x→+∞ x
Se a reta de equação y = mx + b é
assíntota ao gráfico de f em + ∞ ,
então: Então, se existir uma assíntota em + ∞ , será uma reta com declive igual a 1.
f(x)
m = lim ____ e b = lim [f(x) − mx] x2 x 2 - x(x - 1)
lim [f(x) - 1 * x] = lim (____ - x) = lim __________ =
x→+∞ x x→+∞
∞-∞
x→+∞ x→+∞ x - 1 x→+∞ x-1

___
x2 - x2 + x x ∞ x
= lim ________ = lim ____ = lim __ = 1
Simulador x→+∞ x-1 x→+∞ x - 1 x→+∞ x
Geogebra: Assíntotas
não verticais A reta de equação y = x + 1 é assíntota ao gráfico de f em + ∞ .
f(x)
De modo análogo se conclui que lim ____ = 1 e lim [f(x) - 1 * x] = 1 .
x→-∞ x x→-∞
Portanto, a reta de equação y = x + 1 também é assíntota ao gráfico de f
em - ∞ .
Num referencial o.n. xOy , assinalamos os pontos de coordenadas (0, 0) ,
(2, 4) e representamos as retas de equações x = 1 e y = x + 1 (em traço
interrompido).
continua

50 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

Tendo em consideração o estudo da monotonia da função e do sentido


das concavidades do seu gráfico e o facto de a função ser contínua, pode-
mos obter o gráfico em baixo.
y

76 Esboça o gráfico da função f


x2 − x
(2, 4) definida por f(x) = _____ ,
2−x
1 depois de fazeres um estudo
O x
análogo ao apresentado no
1 texto.

O estudo feito também permite concluir que o contradomínio da função


é D f' = ] - ∞, 0] ∪ [ 4, + ∞ [ .

Repara que é esta função que está representada graficamente na figura (A),
da página 46, bem como nas figuras seguintes.

_____
3. Esboça o gráfico da função f definida por f(x) = √x 2 - 4 , depois de
estudares a função e o seu gráfico em relação aos itens atrás referidos.

Resolução

Domínio

O domínio da função f é {x ∈ R : x 2 - 4 ≥ 0} = ] - ∞, - 2] ∪ [ 2, + ∞ [ .

Pontos de interseção do gráfico com os eixos coordenados

As abcissas dos pontos de interseção do gráfico com o eixo Ox , se esses


pontos existirem, são as soluções da equação f(x) = 0 .
_____
√x 2 - 4 = 0 § x 2 - 4 = 0 § x 2 = 4 § x = - 2 ∨ x = 2
PROFESSOR
O gráfico interseta o eixo Ox nos pontos de coordenadas (- 2, 0) e (2, 0) Soluções
e não interseta o eixo Oy , pois 0 não pertence ao domínio da função. 76.

Intervalos de monotonia e extremos relativos

Vamos determinar f '(x) e, em seguida, estudar a variação de sinal de f ' .


_____ ' ( x 2 - 4) '
2x x
f '(x) = (√x 2 - 4 ) = _________
_____ = ______
_____ = _____
_____ NOTA
2√x 2 - 4 2√x 2 - 4 √x 2 - 4 * O domínio de f ' é
x * ] − ∞, − 2 [ ∪ ] 2, + ∞ [ ,
f '(x) = 0 § _____
_____ = 0 ∧ x ∈ Df ' § x = 0 ∧ x ∈ Df '
√x 2 - 4 pois a função não é diferenciável em
− 2 e em 2.
continua

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 51


continuação

Dado que 0 ∉ Df ' , a função derivada não tem zeros.

x -∞ -2 2 +∞
2x - - + +
x -4
2
+ 0 0 +
Sinal e zeros de f ' + n.d. n.d. +
Variação e extremos Mín. Mín.
de f
¢ rel. rel. £

A função é decrescente em ] - ∞, - 2] e é crescente em [ 2, + ∞ [ .


A função atinge um mínimo relativo (e absoluto) igual a 0 em - 2 e em 2
(f(- 2) = f(2) = 0) e não tem máximos relativos.

Pontos de inflexão e sentido das concavidades do gráfico


Vamos determinar f "(x) e, em seguida, estudar a variação de sinal de f " .
_____ _____
' x ' * √x 2 - 4 - x * (√x 2 - 4 )'
x
f "(x) = _____
_____ = __________________________
_____ 2 =
(√x 2 - 4 )
(√x 2 - 4 )
_____ _____
x2
1* x -4-x*
√ 2 2x
______
_____ √ - 4 - _____
x 2_____ _____
2√x 2 - 4 _________________√x 2 - 4
= __________________
(* √x - 4 )
2

= =
x -4
2 x -4
2

x2 - 4 - x2 _____- 4
= _____________
_____ = _____________
√x - 4 * ( x - 4) √x 2 - 4 * ( x 2 - 4)
2 2

_____
Dado que ∀ x ∈ Df " ,√x 2 - 4 * ( x 2 - 4) > 0 , conclui-se que
∀ x ∈ Df " , f "(x) < 0 .
Portanto, o gráfico de f tem a concavidade voltada para baixo em
] - ∞, - 2] e em [ 2, + ∞ [ e não existem pontos de inflexão.
Assíntotas ao gráfico
Assíntotas verticais
A função é contínua e não existem pontos aderentes ao domínio que não
lhe pertençam. Portanto, não existem assíntotas verticais.
Assíntotas não verticais
_____ ___
∞ _____ _______
f(x) √x2 - 4 ∞ x2 - 4
lim ____
x→+∞ x
= lim
x→+∞
_____
x
= lim _____
x→+∞ √
x2
= √ x2
lim __2 = 1
x→+∞ x

Se existir assíntota em + ∞ é uma reta com declive igual a 1.


_____ _____
_____ (√x 2 - 4 - x) (√x 2 - 4 + x)
∞-∞
lim [f(x) - x] = lim (√x 2 - 4 - x) = lim __________________________
_____ =
x→+∞ x→+∞ x→+∞ √x 2 - 4 + x
2 - 4 - x2
x_____ -4 4 =0
= lim ________ = lim _______
_____ = - ____
x→+∞ √x 2 - 4 + x x→+∞ √x 2 - 4 + x +∞
NOTA Portanto, a reta de equação y = x é assíntota ao gráfico da função em
* A função é par, pois +∞ .
x ∈ Df ± − x ∈ D_______
f e Como a função f é uma função par*, pode concluir-se que a reta de
Df , f(−x) = √(− x) − 4 =
∀x ∈_____
2
equação y = - x é assíntota ao gráfico da função em - ∞ .
= √x − 4 = f(x)
2

continua

52 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

Todo o estudo realizado e o facto de a função ser contínua permite obter


o gráfico que apresentamos em seguida.
y

77 Esboça o gráfico da função f


f _____
definida por f(x) = 3 − √x 2 + 4 ,
depois de fazeres um estudo
-2 O 2 x análogo ao apresentado no
texto.

|x + 3|
4. Esboça o gráfico da função f definida por f(x) = _____ , depois de estu-
2x + 1
dares a função e o seu gráfico.
Resolução
Domínio
Dado que a função módulo tem domínio R , só temos de nos «preocu-
⎰ 1⎱
par» com o denominador. Portanto, Df = R \ ⎱- _ .
2⎰
Pontos de interseção do gráfico com os eixos coordenados (ver gráfico ao
lado)
1 § x = -3
f(x) = 0 § |x + 3| = 0 ∧ x 0 - __
2 y
O gráfico interseta o eixo Ox no ponto de coordenadas (- 3, 0) . 3

|0 + 3|
f(0) = _______ = 3
2*0+1 -3 O x

O gráfico interseta o eixo Oy no ponto de coordenadas (0, 3) .


Intervalos de monotonia e extremos relativos
A função f é contínua mas, pelo que conhecemos da função módulo,
é possível que não seja diferenciável em todo o domínio.
Comecemos por definir a função sem recorrer ao módulo:
⎧______
-x - 3
⎪ se x < - 3
⎨ 2x + 1
f(x) =
x+3
⎪_____ 1
__
⎩2x + 1 se x ≥ - 3 ∧ x 0 - 2
Portanto, para x < - 3 , tem-se:
- x - 3 ' (- x - 3) ' * (2x + 1) - (- x - 3) * (2x + 1) '
f '(x) = (______) = ____________________________________ =
2x + 1 (2x + 1)
2

- 1 * (2x + 1) - (- x - 3) * 2 _____________
- 2x - 1 + 2x + 6 _______
5
= ______________________
2
= 2
= 2
(2x + 1) (2x + 1) (2x + 1)
1 , atendendo a que -______
Para x > - 3 ∧ x 0 - __
x-3 x+3
= - _____ , tem-se:
2 2x + 1 2x + 1
5 PROFESSOR
f '(x) = - _______
(2x + 1)
2 Soluções
77.
A função não é diferenciável no ponto - 3, pois:
-x - 3
______
f(x) - f(- 3) -0 - (x + 3)
__________ 2x + 1
________ - 1 = __
1
lim = lim = lim ____________ = lim _____
x→-3

x+3 x→-3

x+3 x→-3 (x + 3) (2x + 1)

x→-3 2x + 1

5
continua

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 53


continuação

x+3
_____
f(x) - f(- 3) -0
__________ 2x + 1
________ x+3 1 = - __
1
lim = lim = lim ____________ = lim _____
x→-3
+
x+3 x→-3 x+3
+
x→-3 (x + 3) (2x + 1)
+
x→-3 2x + 1 5 +

Concluindo:
⎧_______
5
⎪ (2x + 1)2 se x < - 3
f '(x) = ⎨
5
⎪- _______ 1
2
se x > - 3 ∧ x 0 - __
⎩ (2x + 1) 2

A observação das expressões que definem f ' evidencia que esta função
não tem zeros. Se existir um extremo, será atingido em - 3, onde a função
não é diferenciável.

x -∞ -3 1
- __ +∞
2
5
_______
2 +
(2x + 1)

5
- _______2 - n.d. -
(2x + 1)
Sinal de f ' + n.d. - n.d. -
Variação e extremos Máx.
£ ¢ n.d. ¢
de f rel.

Dado que a função é contínua e é crescente em ] - ∞, - 3] e é decrescente


1 , conclui-se que a função atinge um máximo relativo em - 3.
em [ - 3, - __
2[
A função também é decrescente em ] - __ 1 , + ∞ e não tem mínimos.
2 [
Pontos de inflexão e sentido das concavidades do gráfico
Vamos determinar f "(x) e, em seguida, estudar a variação de sinal de f " .

' 5 [(2x + 1) ]'


2 1
5
_______ ______________ 5 * 2 * 2 * (2x + 1)
_________________ 20
=- =- = - _______3
( (2x + 1) )
2
(2x + 1)
4
(2x + 1)
4
(2x + 1)
⎧ _______
20
⎪- (2x + 1)3 se x < - 3
f "(x) = ⎨
20
⎪_______ 1
se x > - 3 ∧ x 0 - __
⎩ (2x + 1)3 2

x -∞ -3 1
- __ +∞
2
20
- _______3 +
(2x + 1)

20
_______
3 - n.d. +
(2x + 1)
Sinal de f " + n.d. - n.d. +
Sentido da 8 P.I. { n.d. 8
concavidade de f

continua

54 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

Assíntotas ao gráfico
Assíntotas verticais
1
A função é contínua no domínio; portanto, só a reta de equação x = - __
2
poderá ser assíntota vertical ao seu gráfico.

5
__
lim f(x) = lim
|_____
x + 3 | ___
= 2- = - ∞
1
x→(- __
-
1
x→(- __
-
2x + 1 0
2) 2)

1 é assíntota ao gráfico
Já podemos concluir que a reta de equação x = - __
2
de f . No entanto, como o objetivo é fazer uma representação gráfica da
1:
função, vamos determinar também o limite à direita de - __
2

5
__
lim f(x) = lim
|_____
x + 3 | ___
= 2 = +∞
+
1
x→(- __
+
1
x→(- __
+
2x + 1 0
2) 2)

Assíntotas horizontais

___
-x - 3 ∞ -x 1
lim f(x) = lim ______ = lim ___ = - __
x→-∞ x→-∞ 2x + 1 x→-∞ 2x 2

1 é assíntota (horizontal) ao gráfico da


Portanto, a reta de equação y = - __
2 78 Esboça o gráfico da função f
função em - ∞ . |x − 2|
definida por f(x) = _____ , de-

___ 2x
x+3 x 1 pois de fazeres um estudo aná-
lim f(x) = lim _____ = lim ___ = __

x→+∞ x→+∞ 2x + 1 x→+∞ 2x 2 logo ao apresentado no texto.

1 é assíntota (horizontal) ao gráfico da


Portanto, a reta de equação y = __
2
função em + ∞ .

Para fazer um esboço do gráfico, começamos por representar as assínto-


tas, a traço interrompido, e os pontos de interseção com os eixos. Neste
caso, o ponto de interseção com o eixo Ox , coincide com um ponto em
que a função atinge um extremo e é um ponto de inflexão.
PROFESSOR
Soluções
y
78.
3

1
2
-3
-1 O x
2

Mais sugestões de trabalho


Exercícios propostos n.os 108 e 109
(pág. 67).

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 55


Problemas resolvidos
4x
1. Considera as funções f e g , de domínio R , definidas por f(x) = _____2
1+x
x+1
e g(x) = ____ .
2
Resolve os itens de a) a d2) sem recorreres à calculadora gráfica.
a) Estuda a função f quanto à monotonia e existência de extremos
e quanto à existência de assíntotas não verticais ao seu gráfico.
b) Determina o contradomínio da função f .

c) Justifica que, se o gráfico de g intersetar o gráfico de f , a(s) abcissa(s)


do(s) ponto(s) de interseção pertence(m) ao intervalo [− 5, 3] .
d) Considera a função h definida por h(x) = f(x) − g(x) .

d1) Calcula h(− 5) , h(0) , h(1) e h(3) e identifica três intervalos dis-
juntos de modo que a cada um deles pertença, pelo menos, um zero
da função h . Justifica.
d2) Seja ε o erro que se comete ao considerar 2 como um valor aproxi-
mado de um zero da função h no intervalo ] 1, 3 [ .
Sem efetuares mais cálculos, indica um majorante de ε .
d3) Utilizando uma calculadora gráfica, determina valores aproximados
às décimas para as soluções da equação f(x) = g(x) .
Resolução
x ' 1 * (1 + x ) − x * 2x
2
1 − x2
a) f '(x) = 4 _____2 = 4 * ________________ = 4 * _______2
(1 + x ) 2
(1 + x 2 ) (1 + x 2 )
f '(x) = 0 § 1 − x 2 = 0 § x = − 1 ∨ x = 1

x -∞ −1 1 +∞
1−x 2 - 0 + 0 -
79 Seja f uma função, de do- 2 2
(1 + x ) + + + + +
mínio R , duas vezes diferen-
Sinal de f ' - 0 + 0 -
ciável.
Sabe-se que f '(1) * f '(3) < 0 e Variação e extremos Mín. Máx.
¢ £ ¢
que ∀x ∈ [1, 3] , f "(x) < 0 . de f rel. rel.
Prova que a função tem um e
um só extremo no intervalo A função é crescente em [− 1, 1] e é decrescente em ] − ∞, − 1] e
] 1, 3 [ e indica se é mínimo ou em [ 1, + ∞ [ . A função atinge um mínimo relativo em – 1 e atinge um
se é máximo. máximo relativo em 1.

___
4x ∞ 4x 4=0
lim f(x) = lim _____2 = lim ___2 = lim __
x→¿∞ x→¿∞ 1 + x x→¿∞ x x→¿∞ x

Portanto, a reta de equação y = 0 é a única assíntota não vertical ao


gráfico de f .
Como a função é decrescente em ]- ∞, -1] e crescente em [-1, 1] ,
sabemos que f(-1) = -2 é o valor mínimo de f em ]- ∞, 1] . Além
disso, sendo f decrescente em [1, + ∞[ e lim f(x) = 0 , podemos
x → +∞
concluir que f é positiva em [1, + ∞[ e, portanto, -2 é de facto míni-
PROFESSOR mo absoluto. Um argumento idêntico permite concluir que f(1) = 2 é
Soluções máximo absoluto.
79. É máximo.
continua

56 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

b) O estudo feito na alínea a) e o facto de a função ser contínua, permi-


tem afirmar que o contradomínio de f é o intervalo [− 2, 2] .
c) Dado que o contradomínio da função f é [− 2, 2] , os eventuais pontos
de interseção do gráfico da função f com o gráfico da função g só
podem ter ordenadas neste intervalo.
x+1 x+1
− 2 ≤ g(x) ≤ 2 § ____ ≥ − 2 ∧ ____ ≤ 2 § x ≥ − 5 ∧ x ≤ 3
2 2
Portanto, as abcissas dos pontos de interseção que eventualmente exis-
tam pertencem ao intervalo [− 5, 3] .
20 16
d1) h(− 5) = f(− 5) − g(− 5) = − ___ − (− 2) = ___
26 13
1 1
h(0) = f(0) − g(0) = 0 − __ = − __
2 2
h(1) = f(1) − g(1) = 2 − 1 = 1
12 − 2 = − __
h(3) = f(3) − g(3) = ___ 4
10 5
Dado que a função h é contínua em qualquer dos intervalos [− 5, 0] ,
[0, 1] e [1, 3] , o teorema de Bolzano-Cauchy permite concluir que a
função tem pelo menos um zero em cada um dos intervalos ] − 5, 0 [ ,
] 0, 1 [ e ] 1, 3 [ .
d2) Sabemos que a função h tem pelo menos um zero no intervalo ] 1, 3 [ .
Este intervalo tem amplitude igual a 2; então, o ponto médio desse in-
tervalo é um valor aproximado de um zero da função com erro inferior
a metade da amplitude do intervalo, ou seja, com erro inferior a 1.
Portanto, 1 é majorante de ε .
d3) As soluções da equação f(x) = g(x) são os zeros da função h , que já
sabemos que pertencem ao intervalo [− 5, 3] .
Recorrendo a uma calculadora gráfica, obtemos os valores - 3,2 , 0,1
e 2,1 , com arredondamento às décimas.

80 Sejam f e g as funções
definidas por f(x) = x 3 + x 2 e
g(x) = 1 - x 2 . Por processos
analíticos, prova que, no inter-
2. Seja f a função definida por f(x) = - x 3 + 3 x 2 - x + 4 . De todas as retas 3
valo [− 2, − __] , os gráficos
tangentes ao gráfico de f , há uma que tem declive maior do que o declive 2
de todas as outras. Determina a abcissa do ponto do gráfico em que essa das duas funções se intersetam
num único ponto e determina a
reta lhe é tangente. abcissa desse ponto recorrendo
Resolução à calculadora gráfica.
Apresenta o valor pedido arre-
Já sabes que o declive da reta tangente ao gráfico de uma função (diferen-
dondado às décimas.
ciável) num ponto é dado pela derivada da função na abcissa desse ponto.
Portanto, pretende-se determinar o valor de x para o qual a função deri-
vada atinge o valor máximo. Vamos recorrer à função derivada de f ' , PROFESSOR
ou seja, vamos recorrer a f " . Soluções
80. − 1,6
continua

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 57


continuação

Simulador f "(x) = (f '(x))' = (− 3 x 2 + 6x − 1)' = − 6x + 6


Geogebra: A central
elétrica f "(x) = 0 § − 6x + 6 = 0 § x = 1
Dado que a função derivada de f " é constantemente igual a − 6 e, por-
tanto, é negativa, concluímos que 1 é um máximo de f ' (1 é zero da deri-
vada de f ' e a segunda derivada de f ' é negativa).
A reta tangente que tem maior declive é tangente ao gráfico no ponto de
abcissa 1.
RECORDA
• Se uma função é diferenciável num
ponto, então é contínua nesse 3. Seja f uma função diferenciável em R que tem dois zeros. Prova que a
ponto. derivada tem, pelo menos, um zero.
• Se uma função é diferenciável
Resolução
em I = ]a, b[ e atinge um extremo
num ponto de I , então a derivada Suponhamos que f(a) = f(b) = 0 , com a < b .
nesse ponto é zero.
Podemos justificar que a derivada tem pelo menos um zero em ] a, b [
recorrendo ao teorema de Lagrange. Dado que a função é diferenciável,
81 Observa a figura seguinte. também é contínua e, portanto, o teorema de Lagrange permite afirmar
f(b) − f(a)
B que ∃ c ∈ ] a, b [ : f '(c) = ________ , ou seja, ∃ c ∈ ] a, b [ : f '(c) = 0 , pois
b−a
f(a) = f(b) .
E F O mesmo resultado pode ser justificado recorrendo ao teorema de Weiers-
trass. Como a função é contínua em [a, b] , o teorema de Weierstrass
A C
D G garante que a função tem máximo e mínimo absolutos nesse intervalo.
Sabe-se que: Se o máximo e o mínimo são iguais, a função é constante em [a, b] e,
• o triângulo [ABC] é isósceles portanto, a derivada é nula nesse intervalo. Se o máximo e o mínimo são
‾ = BC
(AB ‾); diferentes, então pelo menos um dos extremos é atingido num ponto que
• os pontos D e G perten- pertence a ] a, b [ e, nesse ponto, a derivada é zero.
cem a [AC] , o ponto E per-
tence a [AB] e o ponto F
pertence a [BC] ; 4. Seja f uma função polinomial de grau 3 que tem três zeros distintos.
• [DEFG] é um retângulo; Mostra que a função f ' tem exatamente dois zeros.
•‾DG = 2 e ‾ DE = 1 . Resolução
Determina ‾ AC de modo que a
área do triângulo seja a menor Sejam a , b e c os zeros de f , com a < b < c .
possível. O exercício anterior permite concluir que f ' tem pelo menos um zero
entre a e b e tem pelo menos um zero entre b e c , ou seja, f ' tem pelo
menos dois zeros.
82 Seja f uma função diferen- Ora, dado que f ' é uma função polinomial de grau 2, não pode ter mais
ciável num intervalo e cuja de- do que dois zeros.
rivada não tem zeros. Prova y
que a função tem, no máximo,
um zero.
Sugestão: usa o método de re-
dução ao absurdo.
a O b c x

PROFESSOR
Soluções Então, f ' tem exatamente dois zeros.
‾=4
81. AC
continua

58 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


continuação

5. Considera a função f definida por f(x) = x 4 − 8x .


Determina o conjunto dos valores de k ∈ R para os quais a equação
f(x) = k é impossível.

Resolução
A equação f(x) = k é impossível se e só se k não pertencer ao contrado-
mínio de f .
Podemos recorrer a uma calculadora para obter uma representação gráfica
de f análoga à que se apresenta abaixo e, visualizando o gráfico, pesquisar
o mínimo.

No entanto, a informação apresentada pela calculadora não é suficiente


para responder ao problema, atendendo à «aparente» irracionalidade do
mínimo que é indicado.

Aliás, a calculadora também pode não apresentar o valor exato, mesmo


no caso do valor ser racional.

Vamos, então, recorrer à função derivada para confirmar que a função


atinge um mínimo absoluto e obter o seu valor.
f '(x) = ( x 4 − 8x) ' = 4 x 3 − 8

Portanto:
f '(x) = 0 § 4 x 3 − 8 = 0 §
3
__
§ x 3 = 2 § x = √2

3
__
x -∞ √2 +∞

4x3 − 8 - 0 +
Sinal e zeros de f ' - 0 +
Variação e extremos Mín. NOTA
de f
¢ absoluto £ * Para esta conclusão também con-
tribui o facto de sabermos que
3
__
Então, o mínimo de f é igual a f (√2 ) . lim f(x) = lim x 4 = + ∞
x→¿∞ x→¿∞
e o facto de a função ser contínua.
3
__ 3
__ 4 3
__
f (√2 ) = (√2 ) − 8 * √2 = Caderno de exercícios
3
__ 3 3 __ 3
__
= (√2 ) * √2 − 8 * √2 =
Derivadas de funções reais
de variável real e aplicações
3
__ 3
__ 3
__
= 2√2 − 8√2 = − 6√2
__ Mais sugestões de trabalho
* 3
Concluímos, então, que o contradomínio de f é o intervalo [ − 6√2 , + ∞ [ Exercícios propostos n.os 110 a 112
e, portanto, o conjunto dos valores de k ∈ R para os quais a equação (pág. 67).
3
__ +Exercícios propostos
f(x) = k é impossível é ] − ∞, − 6√2 [ . (págs. 68 a 77).

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 59


As calculadoras, para além de não permitirem, em muitos casos, obter valores
exatos, podem ser «enganadoras» acerca dos gráficos que apresentam.
Seja f a função definida por:
f(x) = sen (40x)
O gráfico seguinte é obtido com uma calculadora na denominada «janela trigonomé-
trica»:
[− 3π, 3π] * [− 1,6; 1,6]

NOTA
*  O modelo Casio fx-CG 20, por
exemplo, assinala, em qualquer
janela, 378 pontos. Podes verificar
esse facto considerando vários in- De acordo com o gráfico apresentado, a função tem, neste intervalo, exatamente
tervalos para x e observando as 13 zeros.
alterações no dot, que indica preci-
samente o intervalo entre duas Na verdade, a função definida por f(x) = sen (40x) tem 241 zeros no intervalo
abcissas consecutivas. Observa, por [− 3π, 3π] .
exemplo, estas duas situações:

O que se passa?!

As calculadoras obtêm coordenadas de um número finito de pontos do gráfico*


que unem, dois a dois, considerando que a função é monótona nos intervalos
definidos pelas suas abcissas. Ora, por vezes isso não acontece. Por exemplo, no
π 3π
gráfico acima, a função apresenta-se como crescente no intervalo [__ , ___] .
2 4
π 3π
Se obtivermos um gráfico que bem represente a função no intervalo [__ , ___]
2 4
constatamos como «fomos enganados».

No primeiro caso,
12,6
____ ) 0,03333333
378
e, no segundo caso,
____
20
) 0,05291005291
378

60 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Síntese
Dada uma função real de variável real f , diferenciável num intervalo I tal
que a função derivada f ' é diferenciável em a ∈ I , designa-se a derivada
(f ')'(a) por derivada de segunda ordem de f no ponto a e representa-se
p. 36 Derivada de segunda ordem por f "(a) .

Uma função real de variável real f diz-se duas vezes diferenciável num in-
tervalo I se f "(a) existir para todo a ∈ I . Nesse caso, designa-se por f "
a função que a cada x ∈ I faz corresponder f "(x) .

Dados uma função real de variável real f , duas vezes diferenciável num interva-
Teorema lo I = ] a, b [ , a < b , e um ponto c ∈ ] a, b [ tal que f '(c) = 0 , se f "(c) > 0
p. 36
(extremos) (respetivamente, f "(c) < 0), então f atinge um mínimo (respetivamente,
máximo) relativo em c .

Seja f uma função diferenciável num intervalo I .

O gráfico de f tem a concavidade voltada para cima em I se e só se a fun-


ção derivada, f ' , for crescente em I .

Teoremas O gráfico de f tem a concavidade voltada para baixo em I se e só se a


p. 39
(concavidades) função derivada, f ' , for decrescente em I .

Dada uma função f duas vezes diferenciável num intervalo I de extremo


esquerdo a e extremo direito b , se, para todo x ∈ ] a, b [ , f "(x) > 0 (res-
petivamente, f "(x) < 0), então o gráfico da função f tem a concavidade
voltada para cima (respetivamente, para baixo) no intervalo I .

Dados uma função f de domínio D e c ∈ D , diz-se que o ponto (c, f(c)) é


ponto de inflexão do gráfico de f se existirem números reais a e b , a < c
e b > c , tais que [a, b] ⊂ D e a concavidade do gráfico de f no inter-
pp. 40 valo [a, c] tem sentido contrário à concavidade do gráfico de f no inter-
e 41
Ponto de inflexão valo [c, b] . Também se diz, neste caso, que o gráfico da função f tem
ponto de inflexão em c .

Dada uma função f duas vezes diferenciável num intervalo I , se o gráfico


de f tem ponto de inflexão em c , então f "(c) = 0 .

Sejam fixados um instante para origem das medidas de tempo, uma unida-
de de tempo (o segundo, por exemplo) uma reta numérica r com unidade
de comprimento (que pode ser, por exemplo, o metro) e um intervalo I
(não vazio nem reduzido a um ponto).

Nestas condições, dada uma função posição, p , de um ponto P que se


p. 42 Aplicação à cinemática desloca sobre a reta r durante o intervalo de tempo I e dados dois instan-
tes t1 e t2 do intervalo I , com t1 < t2 , a aceleração média de P no inter-
valo de tempo [t1 , t2] é a taxa média de variação de p' entre t1 e t2 , ou
p'( t2) − p'( t1)
seja, é __________ , na unidade m/s2 (m s−2) e, dado t ∈ I , a aceleração
t2 − t1
instantânea de P no instante t na unidade m/s2 (m s−2) é a derivada de
segunda ordem de p em t , ou seja, é p"(t) , caso exista.

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 61


Teste 3 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. Na figura está o gráfico de uma função f de domínio ] 1, 3 [ , duas vezes


diferenciável. Seja x ∈ ] 1, 3 [ .

5
y
Qual das afirmações é verdadeira?
f
(A) f '(x) > 0 ∧ f "(x) > 0
(B) f '(x) < 0 ∧ f "(x) > 0
O x
(C) f '(x) > 0 ∧ f "(x) < 0 1 3

(D) f '(x) < 0 ∧ f "(x) < 0


Adaptado de Teste Intermédio, 12.º ano

2. De uma função f , sabe-se que a sua derivada de segunda ordem é dada por:
2
f "(x) = ( x 2 − 4) ( x 2 + 3) (x + 1)
Quantos pontos de inflexão tem o gráfico da função f ?
(A) Um (B) Dois (C) Três (D) Quatro

3. Sejam f e g duas funções diferenciáveis em R . Sabe-se que:


• f(1) = f '(1) = 1
• ∀ x ∈ R, g(x) = (2x − 1) * f(x)

Qual é a equação reduzida da reta tangente ao gráfico de g no ponto de


abcissa 1?
(A) y = 2x + 1 (B) y = 2x - 1
(C) y = 3x − 2 (D) y = 3x + 2

4. Seja f : R " R uma função tal que:


• f é diferenciável • f '(0) > 0 • ∀x ∈ ] − ∞, 0 [ , f "(x) < 0

Em qual dos referenciais pode estar representada a função f ?


(A) (B) (C) (D)
y y y y

O x O x O x O x

PROFESSOR
Soluções 5. Num teste de Filosofia um aluno deve indicar o valor lógico de cada uma de
1. (A) quatro proposições. Se o aluno responder ao acaso, qual é a probabilidade
2. (B) de errar todas as respostas?
3. (C) 1 4 1 4
(A) ___ (B) ___ (C) __ (D) __
4. (C) 16 16 8 8
5. (A) Ajuda

62 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões. y

1. No referencial ao lado está representado o gráfico de uma função polino-


f'
mial de grau 3 que é a função derivada de uma função f .
Pela observação do gráfico de f ' , indica, justificando, os intervalos de mono-
tonia e as abcissas dos extremos da função f , os intervalos em que o gráfico
da função f tem a concavidade voltada para cima e as abcissas dos pontos O x
-3 -1 2
2 3
de inflexão.
PROFESSOR
2
2. Para cada k å R , seja f a função definida por f(x) = k x 3 − k x 2 + 5x − 3 . Soluções
a) Determina k de modo que a função f atinja um máximo em 1. 1. A função f é decrescente em

− ∞, − __ e é crescente em
b) Considera k = − 1 e determina os intervalos de monotonia e os extremos 3
] 2]
da função e estuda o sentido das concavidades do seu gráfico e a existência
− __ , + ∞ .
3
de pontos de inflexão. [ 2 [
x3
3. Considera a função f definida por f(x) = _____
A função f atinge um mínimo rela-
. Estuda a função de modo
tivo no ponto de abcissa − __ e não
3
x −3
2

a fazeres um esboço do seu gráfico, sem recorreres à calculadora. tem máximos. 2


O gráfico da função f tem a
Nesse estudo deves determinar: concavidade voltada para cima
• o domínio da função e as coordenadas dos pontos de interseção do gráfico
em − ∞, − __1 e em [ 2, + ∞ [ .
com os eixos; ] 3]
• os intervalos de monotonia e extremos, caso existam; O gráfico tem pontos de inflexão nos
pontos de abcissas − __1 e 2.
• o sentido das concavidades do gráfico e as coordenadas dos pontos de 3
inflexão, caso existam; 2. a) − 1
• equações das assíntotas ao gráfico da função. b) A função f é decrescente em

− ∞, − __ e em [ 1, + ∞ [ e é
5
‾ = BC
4. Considera todos os triângulos isósceles [ABC] , com AB ‾ = 4 . Deter- ] 3]
mina o comprimento do lado [AC] do triângulo que tem maior área.
crescente em − __ , 1 .
5
[ 3 ]
5. Seja f uma função, de domínio R . Sabe-se que :
f - _ = - _ é mínimo relativo e
5 310
• a reta de equação x = 0 é assíntota ao gráfico da função f ; ( 3) 27
f (1) = - 2 é máximo relativo.
• f(− 5) * f(3) < 0 • lim [f(x) + 3x] = 0
x→−∞
O gráfico tem a concavidade voltada
f(x + h) − f(x)
• lim ___________ existe e é positivo, para qualquer número real x não nulo. para cima em − ∞, − __1 e tem
h→0 h ] 3]
Considera as afirmações seguintes: a concavidade voltada para baixo

I I. O teorema de Bolzano-Cauchy permite garantir, no intervalo ] − 5, 3 [ , em − __1 , + ∞ ; o ponto do gráfico


[ 3 [
a existência de pelo menos um zero da função f .
de abcissa - __1 é ponto de inflexão.
I II. O gráfico da função f admite uma assíntota horizontal quando x tende __ 3
para − ∞ . 4. 4√2

IIII. A função f é necessariamente crescente em R \ {0} . 5. A afirmação I é falsa.


A afirmação II é falsa.
Elabora uma composição na qual indiques, justificando, se cada uma das A afirmação III é falsa.
afirmações é verdadeira ou é falsa. Na tua resposta, apresenta três razões
diferentes, uma para cada afirmação.
Adaptado de Exame Nacional, 12.º ano, Época especial, 2014
Resolução

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 63


Exercícios propostos
__
x 4 − 2x + √2
_________
83 Seja f uma função de domínio R e seja k um c) f(x) =
5
__ 3 __ 4 __
número real. Sabe-se que os pontos A(1, 2) , B(5, 6)
d) f(x) = √2x + √3x + √4x
e C(6, k) pertencem ao gráfico de f . Determina o
x2 + 1
conjunto dos valores de k para os quais o declive da e) f(x) = _____
5x - 3
reta AB é superior ao declive da reta BC . 4
f) f(x) = (2x + 1)
3
84 Sejam f e g as funções definidas por: 1
g) f(x) = (___)
____ 2x
f(x) = √x + 2 2
g(x) = ____ _____
x-3 h) f(x) = √x 2 + 1
Recorrendo à definição de derivada de uma função 4
i) f(x) = (2x + 1) (3x + 1)
num ponto, calcula f '(- 1) e g '(1) .
3
j) f(x) = x 2 ( x 2 + 1)
f(- 2 + h) - f(- 2)
85 Determina lim _____________ , sabendo
h→0 5h 2x − 1
que f '(- 2) = 3 . 89 Seja f a função definida por f(x) = _____ e
3−x
86 Acerca de uma função g sabe-se que g(1) = - 1 seja g a função representada graficamente. A reta r
é tangente ao gráfico da função g no ponto de
e que g '(1) = - 3 .
abcissa - 2.
g(x) + 1
a) Determina lim _______ . y r
2 x→1 x -1
b) Escreve a equação reduzida da reta tangente ao
g
gráfico de g no ponto de abcissa 1.

87 Seja d uma função par. 1

f(1 + h) - f(1) O 1 x
Sabe-se que lim ___________ = 3 .
h→0 h
Indica, justificando, o valor de f '(- 1) .
Determina:
88 Determina f '(x) , sendo f a função definida por: a) f '(− 2) e g '(− 2)
'
b) (f * g) '(− 2) e __f (− 2)
a) f(x) = 1 - 3x (g)
b) f(x) = 3 x 2 - x 3 + π4 c) (f ∘ g) '(− 2)

g) f '(x) = − ___ b) (f * g) ' (− 2) = − __


3 11 e
PROFESSOR 88. a) f '(x) = − 3
8x4 10
Soluções b) f '(x) = 6x − 3 x 2 '
h) f '(x) = ____ x
____ __f (− 2) = ___19
83. ] - ∞, 7 [ 4x − 2
c) f '(x) = _____
3
√x 2 + 1 (g) 40
84. f '(- 1) = _1 ; g ' (1) = - _1
5
i) f '(x) = 2 (3x + 1) (15x + 7)
3
c) (f ∘ g) ' (− 2) = __
15
2 2 d) f '(x) = __1_ + _____ + ___
1 1
__
85. _ j) f '(x) = 2x ( x 2 + 1) (4 x 2 + 1)
3 4
2 2
√2x √ 3
3x √4x
2 3
5
5 x 2 − 6x − 5 89. a) f '(- 2) = __1 e
86. a) - _
3
b) y = - 3x + 2 e) f '(x) = _________ 5
(5x − 3)
2
2
g '(− 2) = __
3
87. f '(- 1) = - 3 f) f '(x) = 8 (2x + 1)
3
2

64 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


90 Estuda quanto à monotonia e quanto à exis- 3x
94 Seja f a função definida por f(x) = ____ .
x+1
tência de extremos as funções definidas por:
Determina a equação reduzida da reta tangente ao
a) f(x) = x - x + 1
2 3
gráfico de f ' no ponto de abcissa 1.
x2 + 3
b) f(x) = _____
x+2
95 Sejam a e b números reais e seja f a função
definida por f(x) = a x 3 + b x 2 − 3 .
x
91 Seja f a função definida por f(x) = _____ .
2 x -9 Determina a relação que tem de existir entre a e b
Mostra que ∀x ∈ Df , f '(x) < 0 , mas a função não é
para que a função atinja um máximo relativo no
decrescente.
ponto - 1.

92 Acerca de uma função f , diferenciável, de 96 Seja f uma função duas vezes diferenciável
domínio R , conhece-se a variação de sinal da fun-
em ] a, b [ e seja c ∈ ] a, b [ .
ção derivada.
a) Se a função atinge um máximo em c , o que
x −∞ 1 2 3 +∞ podes dizer acerca de f "(c) ?
f' − 0 + 0 − 0 −
b) Se f "(c) > 0 e f '(c) = 0 , o que podes dizer acerca
de f(c) ?
Indica os intervalos de monotonia e identifica a
existência de extremos da função f .
97 Representa graficamente uma função duas
93 Determina f "(x) , sendo f a função definida vezes diferenciável no intervalo [0, 5] que seja
por: decrescente e cuja função derivada seja crescente.

3 x 2 + x 4 − 6x
a) f(x) = __________
2 98 Estuda o sentido das concavidades do gráfico
3
b) f(x) = (2x + 1) da função f definida por:
x2 + 3
2
c) f(x) = ____ a) f(x) = _____
x-1 x +1
2

x x2
d) f(x) = _____ b) f(x) = _____
2x − 3 x -2
2

__
PROFESSOR d) f "(x) = ______
12 98. a) Concavidade voltada
em ] - 2, - 2 + √7 ] ; (2x − 3)
3 __
Soluções __ √
__3
f (- 2 - √7 ) __é máximo relativo para cima em - ∞, -
] e
90. 94. y = − __ x + __
3 3 3 ]
e f (- 2 + √7 ) é mínimo rela- 4 2 __
a) f é decrescente em ] − ∞, 0] √3
tivo. em __, + ∞ e voltada para
e em __ 2 , + ∞ e é crescente 95. b = __ a ∧ a ≥ 0
3 [ 3 [
[3 [ 92. f é decrescente em 2 __ __

__3 √
__
3
em 0, __ ; f(0) é mínimo
2
] − ∞, 1] e em [ 2, + ∞ [ e é 96. a) f "(c) ≤ 0 baixo em -
[ 3 , 3 ].
[ 3]
crescente em [1, 2] ; f(1) é mí- b) É mínimo da função.
relativo e f __2 é máximo nimo relativo e f(2) é máximo b) Concavidade voltada para
(3) 97. Por exemplo: __
relativo. relativo.
cima em ] - ∞, - √ 2 [ e em
b) f é crescente em y __
93. a) f "(x) = 3 + 6 x 2
__ ] √ 2 , + ∞ [ e voltada para
] − ∞, − 2__− √7 ] e em b) f "(x) = 48x + 24 __ __
O x baixo em ] -√2 , √2 [.
[ − 2 + √7 , + ∞ [ e __é decres- c) f "(x) = _____
4
(x − 1)
3
cente em [ - 2 - √ 7 , - 2 [ e

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 65


99 Na figura está parte da re- 103 Sejam a , b e c números reais e seja g a
y
presentação gráfica de uma fun- função definida por g(x) = x3 + ax2 + bx + c .
h
ção polinomial h , de grau 4.
O x Determina a , b e c de modo que a função atinja
Qual das expressões seguintes em 1 um extremo relativo igual a 6 e o seu gráfico
pode definir a função h'' ? tenha um ponto de inflexão com abcissa 3.
2 2
(A) (1 - x) (B) (1 + x)
(C) x2 - 1 (D) 1 - x2 104 A reta t é tangente ao gráfico de f no ponto A
de abcissa 4.
100 Já sabes que o gráfico de uma função quadrá-
tica tem a concavidade voltada para cima se e só se y
t
o coeficiente do termo de grau 2 é positivo. Prova f
este resultado recorrendo à segunda derivada. 2 A

O 4 x
101 Sejam a e b números reais e seja f a função
definida por f(x) = 2 x 3 + a x 2 + 2b + 1 .
Sabe-se que o ponto de coordenadas (2, - 3) é A segunda derivada de f no ponto 4:
ponto de inflexão do gráfico da função f . 1
(A) é 2. (B) é __.
a) Determina a e b . 2

b) Estuda o sentido das concavidades do gráfico da (C) é 0. (D) não existe.


função f .
105 No referencial seguinte está representado o
102 De uma função f , de domínio R , sabe-se que gráfico da função f ' , função derivada da função f
a primeira derivada é positiva em R , e a segunda é de domínio [0, a] .
negativa em R- e é positiva em R+ .
y
Qual pode ser a representação gráfica de f ? f'
a
(A) (B)
y y O x

O x O x

(C) (D)
y y
a) Justifica que a função f é contínua e que atinge
dois extremos relativos no intervalo ] 0, a [ .
O x O x
b) Justifica que o gráfico da função f tem um ponto
de inflexão.

PROFESSOR 101. a) a = − 12 e b = 14 102. (B)


Soluções b) A concavidade está voltada 103. a = − 9 , b = 15 e c = − 1
99. (C) para baixo em ] − ∞, 2] e está
104. (C)
voltada para cima em [ 2, + ∞ [ .

66 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


106 Na figura seguinte está a representação gráfica 109 Esboça o gráfico de uma função f , de domí-
da função f ' . nio R , compatível com cada uma das afirmações.
y
a) ∀x ∈ R, f '(x) > 0 ∧ f "(x) = 0
f'
1
b) ∀x ∈ R, f '(x) > 0 ∧ f "(x) > 0
O 1 x
c) ∀x ∈ R, f '(x) < 0 ∧ f "(x) > 0

Indica, justificando, os valores de x para os quais x3 - 1


110 Seja f a função definida por f(x) = _____ .
x+2
a função f atinge extremos e as abcissas dos pon-
a) Determina o declive da reta secante ao gráfico
tos de inflexão do seu gráfico.
da função f nos pontos A e B de abcissas - 1
e 0.
107 Seja g uma função de domínio R e seja
b) Justifica a existência de um ponto C do gráfico
g '(x) = (x + 3)2 a sua função derivada.
de f em que a reta tangente tem declive igual ao
Qual das afirmações é verdadeira? da reta AB .
(A) g é decrescente em ] - ∞, - 3] . c) Determina, recorrendo à calculadora, um valor,
(B) g tem um extremo para x = - 3 . aproximado às centésimas, da abcissa de um
ponto C nas condições da alínea anterior.
(C) g tem um ponto de inflexão para x = - 3 .
(D) O gráfico de g tem a concavidade sempre vol- 111
Um polinómio P de grau 5 tem cinco zeros
tada para cima.
distintos. Mostra que P ' tem quatro zeros.
in Caderno de Apoio, 12.º ano
108 Sem recorreres às potencialidades gráficas da
calculadora ou a programas de gráficos, estuda a 112 Seja f uma função diferenciável cuja deriva-
função f e esboça o respetivo gráfico, sendo a fun-
da tem, pelo menos, um zero. Prova que não pode
ção f definida por:
haver mais do que um zero da função maior do que
x 2 + 2x + 1
a) f(x) = _______ o maior zero da função derivada.
2x + 1
3x
b) f(x) = ______2
(x - 1)
x
c) f(x) = _____
x2 - 1
x
d) f(x) = _____ Resolução
|x - 2| Exercício 108 c)
x (resolução passo
e) f(x) = _____
_____ a passo)
√x 2 - 1

PROFESSOR 109. Por exemplo: b) c)


Soluções y y
a)
106. A função f atinge um mí- y
nimo em x = − 2 . O gráfico de
O x
f tem dois pontos de inflexão: O x
um de abcissa − 1 e outro de
abcissa 1. O x

110. a) m = __
107. (C) 3
2
c) - 0,62

Capítulo 2 | Derivadas de funções reais de variável real e aplicações 67


+Exercícios propostos
Itens de escolha múltipla
Resolução
Exercícios de Limites e continuidade
«+Exercícios
propostos» 113 Seja (u ) uma sucessão. Em qual das opções seguintes está definida uma su-
n
cessão (xn) que permite concluir que lim un = + ∞ sabendo que ∀n ∈ N, un ≥ xn ?
n2 + 1
(A) xn = _____
1 - 2n
(B) xn = _____
1 - 2n n +1
2

-n n
1
(C) xn = (__)
1
(D) xn = (__)
2 2

114 Seja f a função definida por f(x) = - x 3 e seja ( x ) y


n
uma sucessão tal que lim f( xn) = - ∞ . f

A sucessão ( un ) é tal que ∀n ∈ N, un ≥ xn . O x


Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
(A) lim un = − ∞ (B) lim un = 0

(C) lim un = + ∞ (D) Não existe lim un .

115 Seja f a função, de domínio R , representada graficamente.

y
f

O x

Sabe-se que f é uma função decrescente.


Qual das proposições seguintes é verdadeira?
f(x) f(x) f(x) f(x)
(A) ∀x ∈ R , ________ ≥ ____ (B) ∀x ∈ R , ________ ≤ ____
+ +
2 - cos x 3 2 - cos x 2
f(x) f(x) f(x) f(x)
(C) ∀x ∈ R , ________ ≥ ____ (D) ∀x ∈ R , ________ ≤ ____
− −
2 - cos x 3 2 - cos x 2

116 De uma função f , contínua em R , sabe-se que f(3) = 7 e f(6) = 1 .

Qual das afirmações seguintes é necessariamente verdadeira?


PROFESSOR (A) 1 < f(5) < 7
Soluções
113. (C)
(B) f(5) > f(4)

114. (C) (C) A função f não tem zeros em [3, 6] .


115. (C) (D) 2 pertence ao contradomínio da função f .
116. (D)

68 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


117 Para um certo valor de k é contínua em R a função f definida por:
⎧_______
x____
⎪ se x < 0
f(x) = ⎨ 3 − √9 − x

⎩k(x − 2) se x ≥ 0
Qual é esse valor de k ?
(A) − 3 (B) − 2
(C) 2 (D) 3

118 Seja f uma função contínua de domínio - 4, 4 . Sabe-se que:


[ ]
• f é par; • f(4) = - 2
Qual das afirmações é necessariamente verdadeira?
(A) A equação f(x) = 0 é impossível.
(B) A equação f(x) = 0 tem exatamente duas soluções.
(C) A equação f(x + 2) = 0 tem pelo menos uma solução.
(D) A equação f(x) + x = 0 tem pelo menos uma solução.

Derivadas de funções reais de variável real


119 Acerca de uma função diferenciável g , sabe-se g(− 2) = g '(− 2) = − 2 .
g(x) + 2
Qual é o valor de lim _______ ?
x→−2 x 2 − 4

(A) 0
1
(B) __
2
(C) 1
1
(D) __
4

120 Seja g uma função com derivada nula no ponto 2.

Pode afirmar-se que:


(A) g tem um extremo relativo no ponto 2.
(B) g é contínua no ponto 2.
(C) g(2) = 0
(D) g "(2) = 0

121 Acerca de uma função g duas vezes diferenciável em R , sabe-se que atinge
um máximo em 1. PROFESSOR
Qual das afirmações é necessariamente verdadeira? Soluções
(A) g '(1) = 0 ∧ g "(1) ≥ 0 117. (A)

(B) g '(1) > 0 ∧ g "(1) = 0 118. (D)

(C) g '(1) = 0 ∧ g "(1) ≤ 0 119. (B)

(D) g '(1) > 0 ∧ g "(1) > 0 120. (B)


121. (C)

Tema 3 | Funções Reais de Variável Real 69


122 A função f satisfaz a condição f '(a) · f "(a) < 0 .

Qual pode ser o gráfico de f ?


(A) (B)
y y
f
f

O a x O a x
(C) (D)
y y
f f

O a x O a x

123 Observa a representação gráfica da função g .

y
g

O a x

Qual das afirmações é verdadeira?


(A) g(a) · g '(a) > 0 (B) g '(a) · g "(a) < 0

(C) g(a) · g "(a) < 0 (D) g(a) · g '(a) · g "(a) < 0

124 Seja h'(x) = (x - 1)n a função derivada da função h . Quais, de entre as


opções seguintes, podem ser valores de n para os quais h tem, respetivamente,
um extremo e um ponto de inflexão no ponto de abcissa 1?
(A) 2 e 3 (B) 1 e 2 (C) 1 e 3 (D) 2 e 4

Itens de construção
Limites e continuidade

125 Sejam ( a ) e ( b ) duas sucessões, tais que:


n n

• lim an = + ∞ • lim bn = − ∞
Indica o valor lógico de cada uma das proposições seguintes, em que ( un ) é uma
qualquer sucessão.
PROFESSOR a) Se ∀n ∈ N, un > an , então lim un = + ∞ .
Soluções
122. (C) b) Se ∀n ∈ N, un < an , então un não tende para + ∞ .
123. (C) c) Se ∀n ∈ N, un > bn , então un não tende para − ∞ .
124. (B) d) Se ∀n ∈ N, un < bn , então lim un = − ∞ .
125. a) V b) F c) F d) V

70 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


126 Sejam ( a ) e ( b ) duas sucessões e sejam a e b dois números reais dife-
n n
rentes tais que:
• lim an = a
• lim bn = b
Seja ainda ( cn ) uma qualquer sucessão tal que ∀ n ∈ N, an ≤ cn ≤ bn .
Indica o valor lógico de cada uma das proposições seguintes.
a+b
a) A sucessão (cn) é convergente e lim cn = ____ .
2
a+b
b) Se a sucessão (cn) for convergente, então lim cn = ____ .
2
c) Se a sucessão (cn) for convergente, então a ≤ lim cn ≤ b .

127 Determina os seguintes limites de sucessões.


n
3n + 1 3n + 1
a) lim _____ b) lim (_____)
n+3 n+3
n + sen n n2 + 1
c) lim _______ d) lim ______2
2 1 − 2n
n+1 n
2 +π 2i − 3
e) lim ______
n f) lim ∑ ______
3 2
i=1 2n + 1
n n
n 1 + cos n
g) lim ∑ ______
2 + 2i
h) lim (________)
i=0 n 3
n n n
n2 + 1
i) lim (______2 )
2
j) lim ∑ __i
1 − 2n i= 0 2

n 2 , sabendo que ∀n ∈ N, n ≥ 4 ± 2n ≥ n 2 .
128 Determina lim __
n
3

1 . Tal como o grá-


129 Seja f a função definida por f(x) = __
x y
fico sugere, os eixos coordenados são as únicas assíntotas ao PROFESSOR
f Soluções
gráfico da função.
O x 126. a) F b) F c) V
Seja ( xn ) uma sucessão tal que lim f( xn ) = + ∞ e seja ( un )
127. a) 3 b) + ∞
uma sucessão de termos positivos tal que ∀n ∈ N, un ≤ xn .
Determina lim un . Justifica. c) + ∞ d) − _1
2
e) 0 f) __1
2
130 Calcula os limites seguintes. g) 1 h) 0
2x − x + 1 x +1 j) + ∞
a) lim _________ b) lim ______2
3 2 i) 0
x→+∞ 2 x +1 (x + 1)
x→−1
______ 128. lim __
n2 = 0
n
3
x2 − 9 √ 2x2 + 1
c) lim ______ d) lim ______
129. lim un = 0
x→3 x − 3x
2 x→−∞ x
_____ 130. a) + ∞ b) + ∞__
1 − √ 2x − 1 x
e) lim ________ f) lim _____2 c) 2 d) −√2
x→1 x3 − 1 x→2 4 − x

e) − __1 f) + ∞
3

Tema 3 | Funções Reais de Variável Real 71


131 Considera funções f e g , de domínio R , tais que f é limitada e lim g(x) = 0 .
x→a
Mostra que existe uma função h de domínio R e de limite nulo tal que
∀x ∈ R, − h(x) ≤ f(x) * g(x) ≤ h(x) e conclui que lim [f(x) * g(x)] = 0 .
x→a

in Caderno de Apoio, 12.º ano

132 Determina:
2x2 x + sen x
a) lim _______ b) lim ________
x→−∞ x + sen x x→+∞x + cos x

133
a) g é uma função contínua no intervalo [a, b] . O que podes dizer acerca do
número de zeros de g se:
a1) g(a) * g(b) < 0 ? a2) g(a) * g(b) > 0 ?
b) Repete a alínea a) supondo que g é contínua e injetiva.

134 Seja g a função, de domínio


[1, 2] , definida por g(x) = x 3 − 2x − 1 .
a) Prova, recorrendo ao teorema de Bolzano-Cauchy, que a função tem exata-
mente um zero.
b) Sem recorreres à calculadora, a não ser para efetuares cálculos numéricos,
determina um valor aproximado do zero da função com erro inferior a 0,1.

135 Seja f a função definida por f(x) = x 3 − x .

a) Por processos analíticos, mostra que existe um ponto no gráfico de f com


abcissa entre 1 e 2 cuja ordenada é igual ao inverso da abcissa.
b) Recorrendo à calculadora, determina a abcissa do ponto referido na alínea a),
arredondada às décimas.

136 Seja g uma função contínua em R , tal que:

• ∀x ∈ R, (g ∘ g ) (x) = x
PROFESSOR • para um certo número real a , tem-se g(a) > a + 1 .
Soluções Mostra que a equação g(x) = x + 1 é possível no intervalo ] a, g(a) [ .
132. a) − ∞ b) 1
133. a1) A função g tem pelo menos Derivadas de funções reais de variável real
um zero em ] a, b [ .
a2) Nada se pode concluir acerca da π
137 Seja f a função, de domínio 0, __
existência de zeros de g em ] a, b [ .
[ ] , definida por:
2
⎧_________
x π
se 0 ≤ x < __
b1) A função g tem exatamente um
zero em ] a, b [ . ⎪ tg x + __π 4
b2) A função g não tem zeros em f(x) = ⎨ ( 4)
] a, b [ . ⎪sen __π − x se __π ≤ x ≤ __π
134. b) 1,6
⎩ (4 ) 4 2
135. b) 1,3 Justifica que a função f tem máximo e mínimo absolutos.

72 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


PROFESSOR
Soluções
1
138 Seja f a função definida por f(x) = ____
____ . 138. b) y = __
1 x + __
11
√1 − x 16 16
1
a) Mostra que f '(− 3) = ___ , recorrendo à definição de derivada de uma função
16 139. a) f '(1) = 5 , g(1) = − 2 e g '(1) = __1 .
num ponto. 2
b) − __ d) ___
21 25
c) 6
b) Escreve a equação reduzida da reta tangente ao gráfico de f no ponto de 2 4
140. a) f '(x) = __ x − x 2 e
10
abcissa − 3. 3
f "(x) = __ − 2x
10
3
2 e seja g uma função diferen-
139 Seja f a função definida por f(x) = x 3 − __ b) f '(x) = _____2 e f "(x) = − _____ 4
x (x + 1)
2
(x + 1)
3

ciável em R e tal que a reta de equação x − 2y = 5 é tangente ao seu gráfico no c) f '(x) = ____ x
____ e
ponto de abcissa 1. √x 2 + 1
f "(x) = ________ 1 ____
Determina: ( x 2 + 1)√x 2 + 1
x 2 − 6x − 1
a) f '(1) , g(1) e g '(1) b) (f * g)' (1) d) f '(x) = _______ e
( x 2 + 1)
2

− 2 x 3 + 18 x 2 + 6x − 6
c) (g 3)' (1) d) (f ∘ g)' (1) f "(x) = ______________
( x 2 + 1)
3

141. Por exemplo:


140 Determina as derivadas de primeira e segunda ordem das funções defini- a) y
das por: f
5x2 − x3 2x
a) f(x) = _______ b) f(x) = ____ O 6x
3 x+1 1 3
_____
3−x
c) f(x) = √x 2 + 1 d) f(x) = _____
x2 + 1 b) y

141 Nos casos em que seja possível, esboça o gráfico de uma função f derivá-
vel em [1, 6] e tal que: O 1 2 3 f 5 6x

a) f tem um zero em x = 3 e f ' não tem zeros; c) Não é possível, pois entre dois
zeros da função teria de existir pelo
b) f e f ' têm cada uma um único zero em x = 2 e x = 5 , respetivamente; menos um zero da derivada.
c) f tem dois zeros em x = 1 e x = 3 e f ' não tem zeros; d) y
f
d) f não tem zeros e f ' tem dois zeros em x = 3 e em x = 5 .
O 1 3 5 6x

142 Seja P(x) = 18 x 6 − 3 x 4 + 0,1 um polinómio.


143. a) a = - 3 e b = - 6
Mostra, por processos não gráficos, que o polinómio P(x) não tem zeros no
b) f é crescente em - 1, - __1 e
1 , __
intervalo [__ 1 . [
3]
3 2] é decrescente em ] - ∞, - 1] e

143 Sejam a e b números reais e seja f a função definida por: em - __1 , + ∞ ; f(- 1) = 1 é mí-
[ 3 [
nimo relativo e f - __ 1 = __ 13
é
f(x) = a x 3 + b x 2 − 3x + 1 ( 3) 9
máximo relativo; o gráfico de f tem
a) Determina a e b de modo que a função atinja um extremo relativo igual a concavidade voltada para cima
a 1 em – 1.
em - ∞, - __ 2 e tem a concavidade
] 3]
b) Considera a = − 3 e b = − 6 e determina os intervalos de monotonia e extre-
voltada para baixo em - __2, + ∞ ;
mos de f e estuda o gráfico da função quanto ao sentido das concavidades [ 3 [
e pontos de inflexão do seu gráfico. o ponto de coordenadas - , __
2 __
11
( 3 9)
é ponto de inflexão.

Tema 3 | Funções Reais de Variável Real 73


2x2 + 1
144 Considera a função g definida por g(x) = ______ .
x +1
2

Determina o contradomínio da função, sem recorreres à calculadora. Apresenta


os cálculos que efetuares.

145 A função f , representada graficamente, é uma função polinomial de grau 3.

y
1
O
1 x
f

Determina, recorrendo à observação do gráfico, o conjunto-solução de cada


uma das condições:

a) f '(x) ≥ 0

b) f(x) * f "(x) ≥ 0

146 A figura representa parte do gráfico de h' (função derivada de h).

h'
x5
x1 x2 O x
3
x4 x6 x7 x

Para que valor (ou valores) de x , de entre os assinalados:

a) h' toma o maior valor?

b) h atinge um extremo?

c) h" é positiva?

147 A reta representada no referencial em baixo é o gráfico da segunda derivada


de uma função f , duas vezes diferenciável em R .
f'' y
PROFESSOR
Soluções
144. D ' = [ 1, 2 [
O 2 x
145. a) ] − ∞, 0] ∪ [ 4, + ∞ [
b) ] − ∞, 2] ∪ [ 6, + ∞ [
146. a) x1 Justifica que o gráfico de f tem exatamente um ponto de inflexão e indica
b) x4 e x6 o número mínimo e máximo de extremos relativos da função e o seu tipo.
c) x6 e x7

74 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


148 Uma partícula é introduzida num acelerador linear de partículas e submetida,
desde o instante inicial, a uma aceleração constante de tal forma que a respetiva
velocidade sofre um acréscimo de 1000 m/s para 5000 m/s em 0,001 segundos,
instante em que choca com a parede do acelerador. Determina:

a) a aceleração da partícula;

b) o espaço percorrido pela partícula no referido período de 0,001 segundos.


in Caderno de Apoio, 12.º ano

149 Sem recorreres às potencialidades gráficas da calculadora ou a programas


de gráficos, estuda a função f e esboça o respetivo gráfico, sendo a função f
definida por:
x4 4x
a) f(x) = __ − 2 x 2 + 4 b) f(x) = _____2
4 1+x
x2 x2 − 1
c) f(x) = _____
_____ d) f(x) = _____
√x 2 − 4 2−x
2x3 x2
e) f(x) = ______2 f) f(x) = _____2
(x − 2) 2+x

⎧ 2
150 Sejam a e b números reais e seja f definida por f(x) = ⎨x − b se x < 2
⎩ax − 3 se x ≥ 2
Determina a e b de modo que a função seja diferenciável em 2.

151 Considera a função f definida por f(x) = x 4 − x 2 − 1 .

Resolve os itens seguintes sem recorreres à calculadora.

a) Determina o conjunto dos valores reais de k para os quais a equação f(x) = k


é impossível.

b) Seja a um número real. A condição f(x) > a tem como conjunto-solução


a reunião de três intervalos disjuntos. Determina o conjunto dos valores que a
pode tomar.

152 Sejam f e g as funções, de domínio R , definidas, respetivamente, por


f(x) = x − x 3 e g(x) = 2 x 3 .
PROFESSOR
Seja a um número real e sejam r e s retas, tais que: Soluções
148. a) 4 * 10 m/s2
6
• a reta r é tangente ao gráfico da função f no ponto de abcissa a − 1 ;
b) s = 1000 * 0,001 + __1 * 4 * 10 *
6

• a reta s é tangente ao gráfico da função g no ponto de abcissa a . −6


2
* 10 = 1 + 2 = 3 (metros)
Sabe-se que as retas r e s são perpendiculares.
150. a = 4 e b = − 1
a) Por processos analíticos, mostra que existe um valor de a , nas condições
151. a) − ∞, − __
5
descritas, que pertence ao intervalo ] 1, 2 [ . ] 4[
b) − __, − 1
b) Determina o valor de a referido na alínea a) recorrendo a uma calculadora 5
[ 4 [
gráfica. Apresenta o valor pedido arredondado às décimas.
152. b) a ) 1,6

Tema 3 | Funções Reais de Variável Real 75


153 Mostra que, de todas as retas com declive negativo que passam no ponto
A(4, 2) , existe uma que determina com os eixos coordenados um triângulo de
área mínima.
Determina uma equação dessa reta e mostra que é paralela à reta r que passa
nos pontos de coordenadas (0, 2) e (4, 0) .

154 Numas águas-furtadas, pretende-se abrir uma janela retangular de área


máxima. A janela deve ser aberta numa fachada em forma de triângulo isósceles,
e dois dos respetivos lados devem ser paralelos à base do triângulo, como se
ilustra na figura. Representando esta fachada por [ABC] , ‾
AB = ‾
AC , determina
as dimensões da janela em função da base a = BC‾ e da altura b = AH
‾ do triân-
gulo (onde H é, portanto, o ponto médio do segmento de reta [BC] ).

H
B C
a

in Caderno de Apoio, 12.º ano

«Os seis mais»

n
i
155 Seja ( w ) a sucessão de termo geral w = ∑ ____
* n n 2
. Determina lim wn .
i=1 n +i

* 156 Num certo dia, um montanhista saiu às 8 horas de um abrigo de monta-


nha (abrigo A) e iniciou a sua escalada, tendo chegado às 15 horas a outro
abrigo (abrigo B). Passou o resto do dia e a noite nesse abrigo e, no dia seguinte,
iniciou às 8 horas o regresso pelo mesmo caminho, tendo chegado ao abrigo A
às 14 horas (para baixo todos os santos ajudam!)
Mostra que, apesar do ritmo das viagens não ser o mesmo, o montanhista esteve,
em ambos os dias, pelo menos uma vez, à mesma hora, no mesmo local.

* 157 Seja f uma função contínua em [a, b] .

a) Prova que a média geométrica de dois valores da função, ambos positivos,


PROFESSOR também é valor da função. ____
Soluções Nota: A média geométrica de dois números positivos r e s é √r * s .
154. _ e _.
a b
2
2 2 b) Verifica, em particular, que a equação f (x) = f(a) * f(b) admite solução no
155. __1
intervalo [a, b] se f(a) e f(b) forem ambos positivos.
2

76 Tema 3 | Funções Reais de Variável Real


* 158 Para x ∈ R , seja E(x) a «parte inteira de x», isto é, o maior número
inteiro menor ou igual a x , ou ainda, o único número inteiro E(x) tal que
x ∈ [E(x), E(x) + 1] .
1 .
Calcula o valor de lim xE (__
x→0 [
+
x )]

* 159 Mostra que, de todas as retas com declive negativo que passam no ponto
A(a, b) , com a > 0 e b > 0 , existe uma que determina com os eixos coordena- Simulador
Geogebra: O triângulo
dos um triângulo de área mínima.
de área mínima
Determina uma equação dessa reta, mostra que é paralela à reta r que passa
nos pontos de coordenadas (0, b) e (a, 0) e que, consequentemente, a reta r e
as retas paralelas aos eixos que passam no ponto A decompõem esse triângulo
em quatro triângulos iguais.
in Caderno de Apoio, 12.º ano

* 160 Do mesmo modo que definimos f " nos pontos em que f ' é diferenciável,
podemos definir f ''' como função derivada de f " nos pontos em que esta é dife-
(n)
renciável, e assim sucessivamente. Vamos designar por f a função derivada de
ordem n de uma função f , n vezes diferenciável (escrevemos, em geral, f ' , f "
(1) (2) (3)
e f '" no lugar de f , f e f ).
1.
Seja f a função, de domínio R \ {0} , definida por f(x) = __
x
a) Define f '(x) , f "(x) e f '"(x) .
(n)
b) Conjetura uma expressão para f (x) e comprova a sua validade recorrendo
ao método de indução matemática.

PROFESSOR
Soluções
158. 1

160. a) f '(x) = − __ 1 , f "(x) = __


2 e
x2 x3
f '''(x) = − __
6
x4
n
(− 1) n !
b) f (x) = ______
( n)

x n+1

Tema 3 | Funções Reais de Variável Real 77


Funções

4 Exponenciais
Tema

e Funções
Logarítmicas
Este tema está organizado em:

1. Juros compostos e número de Neper


Exercícios Propostos

2. Funções exponenciais
5 + 5 | Teste 4
Exercícios Propostos

3. Funções logarítmicas
5 + 5 | Teste 5
5 + 5 | Teste 6
Exercícios Propostos

4. Modelos exponenciais
Síntese
5 + 5 | Teste 7
Exercícios Propostos

+Exercícios Propostos
1. Juros compostos e número
de Neper

Juros compostos
Uma aplicação importante das progressões geométricas diz respeito aos juros
compostos: quando se deposita um dado capital numa instituição bancária, se o
juro proporcionado por esse capital, terminado o período estipulado, é acres-
centado ao capital inicial e é sobre esse novo capital que é calculado o juro no
período seguinte, e assim sucessivamente, diz-se que o depósito é feito em regime
de juros compostos.

EXEMPLO

Resolução Suponhamos que, no dia 1 de julho de 2014, foram depositados 1000 euros,
Exercícios de «Juros em regime de juros compostos, a uma taxa anual de 2%. O depósito prolon-
compostos e número gou-se por três anos.
de Neper»
Então, decorrido o período de um ano, no dia 30 de junho de 2015, os 1000
euros proporcionaram 20 euros de juro (0,02 * 1000). Esse valor foi acres-
centado aos 1000 euros iniciais e foi sobre 1020 euros que foi aplicada a taxa
de 2% pelo período de um ano com início em 1 de julho de 2015.
Decorrido o segundo ano de depósito, ou seja, no dia 30 de junho de 2016,
os 1020 euros que constituíam o valor acumulado em 1 de julho de 2015,
proporcionaram um juro de 20,40 euros (0,02 * 1020) que foi acrescentado
aos 1020 euros.
Assim, no dia 1 de julho de 2016, o capital disponível era 1040,40 euros,
e foi a esse capital que se aplicou a taxa de 2% no período de tempo que
terminou em 30 de junho de 2017, data em que se levantou o montante de
1060,80 euros (1040,40 + 0,02 * 1040,40).

De modo formal, tem-se:

Dados um número real r , uma unidade de medida de tempo T e um número


natural n , designa-se por «aplicar a um dado capital, disponível num instante
inicial t0 , juros compostos à taxa de r% pelo período de tempo T , durante
n períodos de tempo T » a operação que consiste em calcular um juro igual
a r% do capital disponível no início de cada período de tempo com duração
igual a T e adicioná-lo ao capital findo esse período, começando este proces-
so a partir do instante t0 e levando-o a cabo n vezes seguidas.

No exemplo que apresentámos, tem-se que:


NOTA • r é 2; • T é o período de 1 ano;
Quando se aplicam juros compos- • t0 é o dia 1 de julho de 2014;
tos, cada vez que o juro é acrescen-
tado ao capital existente, diz-se que • a taxa de r% relativamente ao período de tempo T é de 2% ao ano;
o juro é capitalizado. • os n períodos de tempo T são 3 períodos de 1 ano e, portanto, n é 3.

80 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


SERÁ QUE…? Juros compostos

Supõe que o António tem algum dinheiro disponível e que uma instituição
bancária lhe propõe aplicar a esse capital juros compostos à taxa de 2% ao
ano. Admite que o António aceita a proposta e quer ter ideia do «potencial»
do seu investimento. Vamos ajudar o António «nas contas».
Sejam C0 o capital inicial e Cn o capital disponível decorridos n anos.
Completa os espaços em branco: 1 Determina qual é o capital
• Decorrido um ano, o capital é igual a C0 + * C0 euros, ou seja: acumulado pelo António se in-
vestir, durante quatro anos,
C1 = C0 (1 + ) = C0 * numa modalidade de juros
compostos à taxa de 2,5% ao
• Decorridos dois anos, o capital é igual a C1 + 0,02 * , ou seja: ano, um capital inicial de 500
euros.
C2 = C1 (1 + ) = C1 * = C0 * 1,02 * = C0 * 1,02
• Decorridos três anos, o capital é igual a C2 + * , ou seja:
C3 = C2 (1 + ) = C2 * = C0 * 1,02 * = C0 * 1,02

Será que consegues escrever uma expressão que dê o capital que o António
vai ter disponível decorridos n anos, se nunca fizer levantamentos nem
depósitos durante esses anos?

A expressão que deves ter encontrado como resposta ao desafio anterior resulta RECORDA
de os capitais disponíveis, ano após ano, serem termos consecutivos de uma pro- Uma sucessão ( un ) de termos não
gressão geométrica de razão 1,02. nulos é uma progressão geométrica
un + 1
se e só se o quociente ____ for
Com efeito, tem-se: un
constante. Esse quociente é a razão,
Cn + 1 ____________
____ Cn (1 + 0,02)
C + Cn * 0,02 ___________ r , da progressão e tem-se:
= n = = 1 + 0,02 = 1,02
Cn Cn Cn un = u1 * r n - 1

De um modo geral:

Aplicando, a um capital inicial C0 , juros compostos à taxa de r% por um


período de tempo T , o capital disponível ao fim de n períodos de tempo T ,
com n å N , é dado por: n
r
Cn = C0 (1 + ____)
100

Justifiquemos esta afirmação.


r
Cn + Cn * ____ Cn (1 + ____)
r
C 100 100 r
Dado que ____n+1
= ____________ = ___________ = 1 + ____ , a sucessão dos capi- NOTA
Cn Cn Cn 100
r
tais disponíveis é uma progressão geométrica de razão 1 + ____ .
No caso de r ser negativo, a situação
100 traduz-se, em linguagem corrente,
dizendo que o capital se desvaloriza
r
Como o primeiro termo é C0 (1 + ____) , tem-se: à taxa - r % .
100
n-1 n
r r r
Cn = C0 (1 + ____) (1 + ____) = C0 (1 + ____)
100 100 100
PROFESSOR
n
r Soluções
Portanto, Cn = C0 (1 + ____) .
100 1. 551,91 €

Capítulo 1 | Juros compostos e número de Neper 81


2 Foi efetuado um depósito Exercícios resolvidos
de 800 € num banco, em regi-
me de juro composto, à taxa 1. No dia 15 de setembro de 2015, a Sofia soube que tinha entrado na uni-
anual de 1,9%. versidade. Nesse mesmo dia depositou o dinheiro que tinha recebido no
a) Qual é o capital acumulado seu dia de anos. Quer levantar o dinheiro quando acabar o mestrado,
decorrido um ano de depó- para fazer uma jantarada.
sito?
Sabendo que a Sofia depositou 135 euros em regime de juros compostos
b) Se o depósito durar três anos,
qual é o «ganho» proporcio-
à taxa de 2,2% ao ano e que prevê levantar o capital acumulado no dia
nado pelo depósito feito? 14 de setembro de 2020, qual é o montante que vai receber?
c) Escreve uma expressão que Resolução
permita obter o capital acumu-
De 15 de setembro de 2015 a 14 de setembro de 2020, decorrem cinco
lado ao fim de n anos.
períodos de um ano.
d) Determina, recorrendo a uma
calculadora, ao fim de quan- Portanto, o capital acumulado em regime de juros compostos à taxa anual
tos anos é possível obter um de 2,2% ao ano é dado por:
capital acumulado superior 5
2,2
a 1000 €.
C5 = 135 * (1 + ____) = 135 * 1, 022 ) 150,52
5
100

3 No dia 14 de setembro de 2020, a Sofia vai receber 150,52 euros.


Foi feito um depósito de
2400 €, em regime de juro com-
posto, no dia 1 de setembro de 2. O sr. Rodrigues ganhou 1520 euros numa aposta premiada. Depositou
2016. Determina a taxa de juro 1500 euros em regime de juros compostos à taxa anual de 2,4% no dia
anual que foi aplicada a esse
capital, sabendo que em 31 de 15 de dezembro de 2016. Determina, recorrendo à calculadora, a partir
agosto de 2018 o capital acumu- de que data é que o sr. Rodrigues pode levantar o capital acumulado se
lado ascendia a 2521,50 €. quiser obter, no mínimo, um lucro de 250 euros.
Resolução
4 Determina, recorrendo a O sr. Rodrigues pretende obter, no mínimo, 1750 euros.
uma calculadora, quantos anos Ora, o capital acumulado decorridos n períodos de um ano é dado por:
são necessários para que o ca- n
pital acumulado seja mais do 2,4
Cn = 1500 * (1 + ____) = 1500 * 1, 024
n
que o dobro do capital deposi- 100
tado em regime de juro com- Tem-se:
posto à taxa anual de 2%. 5
C5 = 1500 * 1,024 ) 1688,85

Calculadoras gráficas C10 = 1500 * 1,02410 ) 1901,48


7
Casio fx-CG 20 ...... pág. 189 C7 = 1500 * 1,024 ) 1770,89
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 193
TI-Nspire CX .......... pág. 199 C6 = 1500 * 1,0246 ) 1729,38
Portanto, o sr. Rodrigues só poderá levantar o capital no dia 14 de dezembro
de 2023 se quiser obter, pelo menos, 250 euros de lucro.

SERÁ QUE…? Dividindo uma taxa anual


PROFESSOR
Soluções Suponhamos, agora, que a Beatriz quer depositar 1000 euros durante um
2. a) 815,20 € ano. A instituição a que entrega o seu capital oferece uma taxa de 4% ao
b) 46,47 € ano. A Beatriz sugere que se divida o ano em quatro trimestres e se aplique
n
c) 800 * 1, 019 , n å N juros compostos à taxa de 1% por trimestre durante os quatro trimestres
d) 12 anos do ano.
3. 2,5%
Será que a proposta da Beatriz lhe traz alguma vantagem no fim do ano?
4. 36 anos

82 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


À primeira vista, pode parecer que é indiferente aplicar, durante um ano, a taxa
anual de 4% ou aplicar juros compostos de 1% por trimestre.
No entanto, os cálculos que fizeste devem mostrar que a segunda modalidade é
vantajosa, embora a diferença seja quase irrisória: o capital acumulado é 1040 €
no primeiro caso e 1040,60 € no segundo caso.
Mas pode ser que a Beatriz esteja a pensar depositar em breve um milhão de
euros e fazer um bom «negócio»!

De um modo geral, tem-se:

Dado um número real r , um número natural n e um capital C0 , disponível


no início de um determinado período de um ano, dividindo esse ano em n
períodos iguais de medida temporal T e aplicando ao capital inicial C0 juros
r
compostos à taxa de __ % durante esses n períodos, o capital disponível no
n n
r
_____
fim do ano é dado por Cn = C0 (1 + .
100n )

No caso do depósito da Beatriz (Será que …? da página anterior) tem-se:


• r=4
• n=4
• C0 = 1000
NOTA
1 do ano, ou seja, T é um trimestre;
• T é __ r diz-se taxa de juro nominal – é a
4 r 4
• a taxa de 1% corresponde a _______ , ou seja, _______ . taxa fixada para o período de um
100 * n 100 * 4 ano.

Exercícios resolvidos 5 Qual é a taxa nominal que


1. O Carlos depositou 2000 euros num banco à taxa nominal de 3%. corresponde à taxa mensal de
0,15%?
Pretende que apliquem juros compostos semestrais. Qual será o capital
disponível decorrido um ano de depósito? Apresenta a resposta em euros,
arredondada às centésimas. 6 A Maria vai fazer um depó-
Resolução sito de 10 000 €, por um ano,
em regime de juro composto.
Dado que o período T é o semestre, tem-se n = 2 , pois um ano corres- Indica, justificando, qual das
ponde a dois semestres. Então, o capital disponível decorrido um ano é, modalidades seguintes é mais
2
3 vantajosa:
em euros, dado por C2 = 2000 (1 + _______) ) 2060,45 .
100 * 2 • taxa nominal de 2%, sendo
os juros capitalizados men-
2. A Dora tem 1000 euros que quer investir e vai fazer um depósito em regime salmente;
de juros compostos mensais. A taxa nominal é 3,6% e o depósito vai • taxa nominal de 2,1%, sendo
durar três anos. os juros capitalizados semes-
tralmente.
Qual será o capital disponível decorridos esses três anos?
Resolução PROFESSOR
Dado que o período T é o mês, tem-se n = 12 , pois um ano tem 12 meses, Soluções
ou seja, tem 12 períodos T . Então, o capital disponível decorrido um ano 5. 1,8%
12
3,6 6. A segunda modalidade é mais vanta-
é, em euros, dado por C12 = 1000 (1 + ________) . 2 12
100 * 12
josa, pois 1 + ____ > 1 + ___ .
0,021 0,02
( 2 ) ( 12 )
continua

Capítulo 1 | Juros compostos e número de Neper 83


continuação

No início do segundo ano, é este o capital inicial e, mantendo-se as condi-


ções, no final do segundo ano, o capital disponível é dado por:
12 12 24
3,6 3,6 3,6
C24 = 1000 (1 + ________) (1 + ________) = 1000 (1 + ________)
100 * 12 100 * 12 100 * 12

Um raciocínio análogo permite concluir que o capital disponível no final


do terceiro ano é dado, em euros, por:
36
3,6
C36 = 1000 (1 + ________) ) 1113,87
100 * 12

Podemos generalizar este resultado:


nk
r
A expressão Ck = C0 * (1 + _______) dá o capital acumulado em k anos por
100 * n
um capital inicial C0 depositado, em regime de juros compostos, a uma taxa de
juro anual de r% , sendo n o número de vezes que o juro é capitalizado, durante
r
um ano, à taxa de __ % .
n

EXEMPLO

7 Qual é o capital acumulado


Consideremos um capital de 3000 euros depositado por 5 anos a uma taxa
por 7500 €, depositados durante anual de 2,4%. Os juros vão ser capitalizados todos os meses.
10 anos em regime de juro com-
posto, à taxa nominal de 1,8%, Então, o capital acumulado ao fim dos 5 anos é dado por:
se os juros forem capitalizados: 12 * 5
2,4
a) a cada três meses? C5 = 3000 * (1 + ________)
100 * 12
b) semestralmente?
ou seja, é aproximadamente 3382,09 euros.

Número de Neper
SERÁ QUE…? Taxa de juro ao segundo

Numa campanha publicitária destinada a cativar clientes jovens, uma insti-


tuição bancária vai aplicar juros à taxa de 100%, durante um ano, aos pri-
meiros dez jovens investidores, com idade inferior a 18 anos, que queiram
fazer um depósito não superior a 100 euros. A Beatriz quer depositar 100
euros nesta campanha, mas pretende propor que sejam aplicados juros com-
postos. Está indecisa acerca dos períodos que quer pedir para serem conside-
rados: trimestre, mês, dia, … porque quer ganhar muito, mas não quer levar
o banco à falência, o que pensa que deve acontecer se o período considerado
for o segundo, ou a décima de segundo.
PROFESSOR Recorda o resultado enunciado na caixa da página 83 e ajuda a Beatriz, cal-
Soluções culando os valores em falta na tabela seguinte em que n é o número de
7. a) 8975,51 € períodos de medida T .
b) 8971,90 €
continua

84 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação

Capital disponível no final do ano


T n
(em euros, arredondado ao cêntimo)
6 meses 2
1 mês 261,30 €
365
1 hora
1 minuto 525 600
1 segundo

Será que há hipótese de o capital da Beatriz atingir 300 euros, decorrido


um ano?

Se calculaste o capital acumulado considerando períodos de 1 segundo ou, even-


tualmente, períodos de medida ainda inferior, deves estar a «desconfiar» que a
Beatriz não consegue obter 300 €. Talvez nem consiga obter 280 € …

Na verdade, é possível provar que, ainda que o período seja «infinitamente


pequeno», ou seja, ainda que os juros sejam capitalizados de forma contínua, os
100 euros depositados pela Beatriz pelo período de um ano nunca chegam a
atingir 272 euros.

Para obteres os valores do capital disponível no final do ano multiplicaste o


n
1 .
capital inicial por fatores do tipo (1 + __
n)

Tem-se:
1 2
1 =2
• (1 + __ 1 = 2,25
• (1 + __
1) 2)

10 50
1
• (1 + ___ ) 2,594 1
• (1 + ___ ) 2,692
10 ) 50 )

100 500
1
• (1 + ____ ) 2,705 1
• (1 + ____ ) 2,716
100 ) 500 )

1000 5000
1
• (1 + ___ ) 2,717 1
• (1 + ___ ) 2,718
1000 ) 5000 )
NOTA
* Estas demonstrações são faculta-
Pode-se provar que, tal como os cálculos efetuados sugerem, a sucessão ( un ) , tivas. Podes encontrá-las consul-
n tando o seguinte QR Code:
1 , é crescente e é majorada*.
de termo geral un = (1 + __
n)

Então, (un) é uma sucessão convergente.


RECORDA
O limite desta sucessão é um número irracional, que se designa por número de Toda a sucessão crescente e majo-
Neper e se representa por e . rada é convergente.

Capítulo 1 | Juros compostos e número de Neper 85


NOTA
Número de Neper
O número de Neper também se
designa por número de Euler. O número representado pela letra e designa-se por número de Neper e é o
n n
Neper e Euler são matemáticos; 1 , ou seja, lim 1 + __
1 =e.
limite da sucessão de termo geral un = (1 + __
o primeiro é escocês e viveu nos sé-
n) ( n)
culos XVI e XVII e o segundo é suíço
e viveu no século XVIII. O número e é um número irracional cujo valor arredondado às milésimas
é 2,718.

8 Admite que a Beatriz (Será Exercícios resolvidos


que… da página anterior) de- 2n
1
1. Determina o limite das sucessões ( un ) e ( vn ) definidas por un = (1 + __
positou 100 euros, depois de
conseguir que o banco concor- n+2 n)
1
__
e vn = (1 + ) .
dasse em capitalizar os juros de
n
forma contínua à taxa de 100%,
durante um ano.
Resolução
Qual será o capital acumulado
pelo depósito da Beatriz? 2n n 2
1 = lim 1 + __
lim un = lim (1 + __ 1 =
n) [( n) ]
n 2
9 Determina os seguintes limi- 1
= [lim (1 + __ =
tes de sucessões. n) ]
n
n+1 = e2
a) lim (____)
n
2-n n+2
1
b) lim (1 + __)
1
lim vn = lim (1 + __ =
n n)
n
2
c) lim (2 + __)
n 2
1 * lim 1 + __
= lim (1 + __ 1
n
n) ( n) =
= e * 12 = e

2 - 3n
1
2. Determina o limite da sucessão ( un ) definida por un = (1 + __ .
n)
Resolução
2 - 3n 2
1
lim (1 + __ 1 * ______________
= lim (1 + __ 1 =
n) n) 1
n 3
__
[lim (1 + n ) ]
1 =
= 12 * __
e3
PROFESSOR = e- 3
Soluções
n
8. 271,83 € 2n + 2 .
3. Determina o limite da sucessão ( un ) definida por un = (__
9. a) e b) __1 c) + ∞ 3n )
e
Resolução
n n
Caderno de exercícios 2n + 2 = lim _
lim (__ n+1
2 __
Juros compostos e número 3n ) (3 * n ) =
de Neper
n n
2 * 1 + __
= lim (_ 1 =
Mais sugestões de trabalho 3) ( n)
Exercícios propostos n.os 10 a 17
(pág. 87). =0*e=0

86 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Exercícios propostos
10 Um capital foi depositado em regime de juros 15 O Tio Patinhas depositou dinheiro num banco
compostos à taxa anual de 1,3%. Os capitais acumu- que capitaliza o juro de mês a mês. Qual é a taxa de
lados, ano após ano, são termos consecutivos de juro anual mínima para que o capital ao fim de
uma progressão geométrica. um ano tenha duplicado? Apresenta a taxa aproxi-
Qual é a razão dessa progressão geométrica? mada às unidades.

(A) 0,013 (B) 1,3 (C) 1,13 (D) 1,013


16 Determina os seguintes limites de sucessões.
3n -n
1
a) lim 1 + __
1
b) lim 1 + __
11 Determina o capital acumulado ao fim de um ( n) ( n)
ano por um capital de 1000 euros depositado a n
n
c) lim ____
2-n
n+1
d) lim ____
uma taxa anual nominal de 8%, sendo o juro capi- (n + 1) ( 2n )
talizado:
n+1 2n - 3
3 + 3n 1
a) semestralmente; e) lim _____ f) lim 1 + __
( n ) ( n)
b) de 2 em 2 meses;

c) mês a mês. 17 Seja ( un ) a sucessão de termo geral


n
un = (1 + __1 e seja f uma função tal que
12 Calcula a taxa anual a que esteve depositado n)
lim f( un ) = + ∞ .
um capital que duplicou em 18 anos, sendo os juros
capitalizados uma vez por ano. Indica o resultado Em qual dos referenciais seguintes pode estar repre-
em percentagem, aproximado às décimas. sentada a função f ?
(A) (B)
y y
13 Uma população está a diminuir à taxa anual
de 2%. Se nada for feito para contrariar essa evolu-
ção, daqui a quantos anos a população terá dimi- O e x O e x
nuído 20% em relação à população atual?

14 Uma bateria recarregável perde 10% da sua (C) (D)

capacidade de carga por cada 20 carregamentos. y y

Se inicialmente acumula energia para 130 h de fun- e e


cionamento e se deixa de ser funcional quando não
acumula energia para 24 h, determina quantas vezes O x O x
pode ser recarregada.

PROFESSOR c) 1083,00 € 15. 72% e) + ∞


Soluções 12. 3,9% 16. a) e 3 f) e 2
10. (D) b) e −1 17. (A)
13. 11 anos (aproximadamente).
11. a) 1081,60 € c) e
14. Até 320 vezes.
b) 1082,71 € d) 0

Capítulo 1 | Juros compostos e número de Neper 87


2. Funções exponenciais

Função exponencial de base a


Considera um estudo relativo a uma população de bactérias numa
cultura. Recorrendo a técnicas laboratoriais foram recolhidos
alguns dados.
A contagem inicial revelou a existência de 1000 bactérias.
Representemos por Q(t) o número, em milhares, de bactérias exis-
tentes na cultura t horas depois da contagem inicial.
Tem-se, portanto, Q(0) = 1 .
A contagem do número de bactérias foi sendo feita de hora a hora.
Em relação ao número de bactérias ao fim de 1, 2 e 3 horas, os
resultados obtidos foram os seguintes:
Q(1) = 1,198 Q(2) = 1,451 Q(3) = 1,743
Q(t + 1)
O cálculo de ______, para t = 0 , t = 1 e t = 2 , conduz aos seguintes resulta-
Q(t)
Resolução dos (tomando os valores aproximados com arredondamento às milésimas):
Exercícios de «Funções
exponenciais» Q(1)
____ Q(2)
____ Q(3)
____
= 1,198 ) 1,211 ) 1,201
Q(0) Q(1) Q(2)
Vamos admitir que, numa situação ideal, esta população de bactérias tem cresci-
Q(t + 1)
mento geométrico, com ______ = 1,2 e, portanto, Q(t) = 1, 2 , t å N0 .
t

Q(t)
Se representarmos graficamente parte desta função, podemos obter um gráfico
como o seguinte:
y

Calculadoras gráficas 2
Casio fx-CG 20 ...... pág. 189
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 194
1
TI-Nspire CX .......... pág. 200

0 1 2 3 4 5 6 7 x

t
Consideremos agora Q1(t) = 1,2 , com t å Q .
Se admitirmos que recolhemos dados de meia em meia hora, podemos acrescentar
alguns pontos a este gráfico.
1
__ ___ 3
__ ____
Temos, por exemplo, 1,2 2 = √1,2 ) 1,095 e 1,2 2 = √1,23 ) 1,315 .

88 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Obtemos, então, esta representação:
y

0 1 2 3 4 5 6 7 x

x
Recorrendo a uma calculadora gráfica e introduzindo a expressão 1,2 , podemos
obter uma representação idêntica à seguinte:

18 Escreve como potência de ex-


poente natural.
-1
a) 3
-2
3
A representação gráfica sugere-nos que o domínio desta função possa ser R . b) (__)
4
Mas nunca, até agora, atribuímos significado a potências de expoente irracional. -3
c) (__)
1
Vamos ver que é possível atribuir significado a a x para qualquer valor real de x , 2
desde que a seja um número positivo.

Relativamente a potências de expoente racional, recorda: 19 Escreve na forma de raiz.


1
__
a) 5 2
Propriedade Exemplos
3
__
0
1 =1 b) 2 4
Aa å R, a 1 = a •5 =51
• (_
2)
1
- __
c) (__)
2 2
1
• (- 3) = - 3 3
Aa å R \ {0}, a 0 = 1
• 01 = 0 • 30 = 1

Aa å R, an = 
a * a * … * a , n å N2 • 34 = 3__* 3 * 3 *__3__ 20 Escreve como potência de base
2
n fatores • (- √5 ) = -√5 * (- √5 )
natural.
__

1 = __
n
1 ,nåN
1
• 2 = __
-3

23 √ 1
a) __
3
Aa å R \ {0}, a-n = (__ _____
a ) an -4 4


2 3 -2
• (__ = (__)
3
1
b) (__)
3) 2 4
1
____
• 3 = √3
2
m
__
n
__ 1
__ __
+
A a å R , a n = √am , n å N2 , m å Z 0,2 5 PROFESSOR
•4 = 4 5 = √4
3 -3 ___ Soluções
- __ ___ 4
• 5 4 = 5 4 = √5-3 1 2
18. a) __1 b) __4 3
c) 2
(3) (3)
__
__ __ 4 __
Uma função, de domínio R , definida por uma expressão do tipo f(x) = ax ,

c) __
4
3
19. a) √5 b) √2 = √8
3

sendo a um número real positivo, diferente de 1, designa-se por função expo- - __1 __
2
2
nencial de base a . 20. a) 3 2 3
b) 4

Capítulo 2 | Funções exponenciais 89


21 Escreve: Um dos objetivos deste capítulo é a definição das funções desta família e o
estudo dessas funções quanto à monotonia, quanto à continuidade e quanto aos
a) 16 como potência de base 4;
limites em - ∞ e em + ∞ .
1
b) 8 como potência de base __ ;
2 Para cumprir esse objetivo, vamos começar por estudar a família de funções
c) 1 como potência de base - 2; definidas por f(x) = ax , com a > 0 e x å Q .
d) 8 como potência de base 4;
São exemplos de funções desta família, as funções, de domínio Q , definidas por
e) 0,01 como potência de base 10; x __
1 e j(x) = √3 x .
g(x) = 2 , h(x) = (__
x
f) 0,04 como potência de base 5. 2)

Seja a > 1 e seja f a função, de domínio Q , definida por f(x) = ax . A restrição


da função f a N é a sucessão de termo geral un = an .

Vamos provar que a sucessão (un) é crescente, ou seja, vamos provar que, dado
a > 1 e sendo m e n números naturais quaisquer, n < m ± an < am .

NOTA Comecemos por recorrer ao método de indução matemática para provar que,
* Repara que a variável de indução dado um número natural n , A k å N, an < a n + k* .
é k.
Para k = 1 , obtém-se a afirmação an < a n + 1 que é verdadeira, pois
PROFESSOR a > 1 ‹ an > 0 ± a * an > 1 * an ± an + 1 > an .
Soluções -3
21. a) 42 b) __1 Seja k um qualquer número natural.
(2)

0
__
3
Hipótese de indução: an < a n + k
c) (- 2) d) 4 2
-2
e) 10 f) 5- 2 Tese de indução: an < a n + k + 1

Mais sugestões de trabalho a > 1 ‹ an + k > 0 ± a * an + k > 1 * an + k ± an + k + 1 > an + k


Exercícios propostos n.os 38 a 44 Ora, an < a n + k ‹ a n + k < a n + k + 1 ± an < a n + k + 1 .
(pág. 104).
Concluimos, portanto, que A k å N, an < a n + k . Pode, então, afirmar-se que, para
quaisquer n, m å N, n < m ± an < am , pois n < m § ∃ k å N : m = n + k .

NOTA Esta conclusão pode estender-se ao caso em que n e m são números racio-
**  Se estiveres interessado, podes nais** e traduz que a função definida no conjunto dos números racionais por
consultar a justificação desta afir- f(x) = ax , com a > 1 , é crescente.
mação no QR Code seguinte.
Consideremos, agora, a função, de domínio Q , definida por f(x) = ax , com
0<a<1.

Sejam p, r å Q , tais que p < r .

1>1.
Tem-se: p < r § - p > - r e 0 < a < 1 § __
a
-p -r
Então, p < r ± - p > - r ± (__ 1 > __ 1
( a ) ± a > a , de onde se conclui que
p r
a)
a função definida por f(x) = ax , com 0 < a < 1 , é decrescente.

Em resumo:

NOTA Dado um número real positivo, a , a função f definida no conjunto dos


Se a = 1 , a função definida por números racionais por f(x) = ax é crescente se a > 1 e é decrescente se a < 1 .
f(x) = ax é constante.

90 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


A demonstração de que a função f definida no conjunto dos números racionais
por f(x) = ax é contínua em 0 pode ser consultada no QR Code ao lado.

A continuidade da função f em qualquer ponto do domínio pode ser justificada PROFESSOR


recorrendo à continuidade da função no ponto zero, de modo artificioso, mas Gestão curricular
simples. A demonstração do descritor 2.2 é fa-
cultativa, não sendo, portanto, exigível
Sendo q um qualquer número racional, tem-se ax = a q * a x - q . aos alunos.

Então, lim ax = lim ( a q * a x - q ) = a q * lim a x - q =* a q * 1 = a q NOTA


x"q x"q x"q
* Tem em consideração que
x " q § x - q " 0 e que
Dado um número real positivo, a , a função f definida no conjunto dos lim ax = 1 .
x"0
números racionais por f(x) = a x é contínua.

Vamos agora justificar que, no caso de a > 1 , lim ax = + ∞ e lim ax = 0 . PROFESSOR


x " +∞ x " -∞
Gestão curricular
Recorda que, sendo a > 1 , provámos no 11.º ano que lim an = + ∞ . Todos os alunos devem saber que
lim ax = + ∞ (descritor 2.3). No entanto,
Então, dado um número real positivo L , existe p1 å N tal que x"+∞
a respetiva demonstração é facultativa,
A n å N, n ≥ p1 ± an > L . não sendo, portanto, exigível aos alunos.

Seja (qn) uma sucessão de números racionais que tende para + ∞ . Então, existe
p å N tal que An å N, n ≥ p ± qn > p1 .
NOTA
Assim, An å N, n ≥ p ± a > a > L , de onde se conclui que lim a = + ∞ .
qn ** p1 x ** Aplicamos aqui o facto de a função
x " +∞
definida por ax , x å Q , ser crescen-
1
Ainda no caso de a > 1 , tem-se: lim ax = lim a-x = _______ 1 =0.
= ____
te, dado que estamos a considerar
x " -∞ x " +∞ lim ax + ∞ a>1.
x " +∞

Finalmente, e repetindo raciocínios análogos aos aplicados em situações anterio-


res, pode-se justificar que, se 0 < a < 1 , lim ax = + ∞ e lim ax = 0 .
x " -∞ x " +∞

Concluindo:

Seja a um número real positivo e seja f a função definida no conjunto dos


números racionais por f(x) = a x .
• Se a > 1 , então lim a x = + ∞ e lim a x = 0 .
x " +∞ x " -∞

• Se 0 < a < 1 , então lim a x = 0 e lim a x = + ∞ .


xĺ+∞ xĺ-∞

Estudámos a família de funções definidas por f(x) = ax , sendo a > 0 e sendo x


um número racional.

O passo seguinte é definir uma extensão de f ao conjunto dos números reais.


Para que essa extensão tenha significado, é necessário dar sentido a ax , sendo x
um número irracional.

A extensão é feita de modo que as características e as propriedades da função


definida por f(x) = ax , de domínio Q , se mantenham para a função definida
por f(x) = ax , de domínio R .

Capítulo 2 | Funções exponenciais 91


Dado um número irracional, x , e sendo ( qn ) uma sucessão de números racio-
nais que tende para x , prova-se que a sucessão definida por a q é convergente n

e que o limite dessa sucessão não depende da sucessão ( qn ) escolhida; define-


-se a x como sendo esse limite.

Vamos, de modo informal, ilustrar este conceito.


π
SERÁ QUE…? O número 2

Sejam ( un ) e ( vn ) duas sucessões das quais apresentamos os primeiros


quatro termos.
u1 = 3,1 u2 = 3,14 u3 = 3,141 u4 = 3,1415
v1 = 3,2 v2 = 3,15 v3 = 3,142 v4 = 3,1416
O termo de ordem n da sucessão ( un ) é o valor arredondado, por defeito,
Simulador
Geogebra: do número irracional π , com n casas decimais, e o termo de ordem n da
Transformações de sucessão ( vn ) é o valor arredondado, por excesso, do número irracional π ,
gráficos de funções
exponenciais com n casas decimais.

1. Escreve os dois termos seguintes de cada uma das sucessões ( un ) e ( vn ) .


22 Seja k um número real me-
2. Obtém valores aproximados dos seis primeiros termos das sucessões ( xn )
nor do que 2 e seja f a função, un vn
de domínio R , definida por e ( yn ) definidas por xn = 2 e yn = 2 .
x
f(x) = (2 - k) .
Será que as sucessões ( xn ) e ( yn ) são convergentes? Em caso afirmativo,
Determina o conjunto dos va-
lores de k para os quais a fun- qual é o limite de cada uma delas?
ção f é decrescente.

23 Sem recorrer à calculadora, Estamos, agora, em condições de estender ao conjunto dos números reais a função
definida no conjunto dos números racionais por f(x) = ax .
compara os seguintes pares de
números (se não são iguais,
indica qual deles é o maior). Seja a um número real positivo, diferente de 1.
__ __
√5 √2
a) 2 e4 A função, de domínio R , definida por f(x) = a x é designada por função
__
b) 8
√8
e 23π exponencial de base a .
__
√2
1 1
c) (__) e __ Pode-se provar que esta função tem contradomínio R+ e mantém as caracte-
3 9
rísticas que já reconhecemos para a correspondente função de domínio Q :
• é contínua;
PROFESSOR
• é decrescente se 0 < a < 1 e é crescente se a > 1 ;
Soluções
22. ] 1, 2 [
• se 0 < a < 1 , então lim ax = 0 e lim ax = + ∞ ;
x " +∞ x " -∞
__ __ __
23. a) 4
√2
=2 2√2 √8
=2 ; se a > 1 , então lim a = + ∞ e lim ax = 0 .
x
__ __ x " +∞ x " -∞
√2 √5
portanto, 4 >2 .
__ __
√8 √8
b) 8 = 23 ; __
__ Tem-se, também, para quaisquer números reais x e y e sendo a e b números
, pois π > √8 .
√8
portanto, 2 > 23

2
reais positivos, as propriedades algébricas seguintes:
c) __1 = __1 ;
9 (3) 1
• __x = a -x
y
• ax * ay = a x + y • (ax) = a x y
__
√2
portanto, __1 < __1 a
9 (3) x
ax ax a
• __y = a x - y • __x = (__)
x x
• a x b = (ab)
repara que 0 < __1 < 1 . a b b
( 3 )

92 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Nos referenciais seguintes representam-se graficamente duas funções exponen- 24 No referencial seguinte estão
ciais, uma de base maior do que 1 e outra de base entre 0 e 1. Estes gráficos representadas partes dos gráficos
evidenciam algumas das características das funções que foram referidas no des- das funções f , g e h definidas,
taque da página anterior. respetivamente, por:
x x
f(x) = 1,5 , g(x) = 2 e
• a>1 • 0<a<1 x
h(x) = 3
y y
y

y = ax y = ax

1 1
a

O x O x O x
1 1

a) Identifica o gráfico de cada


Introduzido o conceito de potência de expoente irracional, pode-se considerar, uma das funções f , g e h .
+
em R , a função potência definida por f(x) = x b , com b å R . Pode-se provar b) Por observação dos gráficos,
que esta função também é contínua. determina os conjuntos-solu-
ção das condições seguintes:
Observação b1) f(x) = g(x)
Não confundas função exponencial com função potência. b2) f(x) ≤ g(x)
Numa função exponencial, a variável está no expoente, numa função potência, b3) h(x) ≤ g(x)
a variável está na base. Observa os seguintes exemplos:
Calculadoras gráficas
Funções exponenciais: Funções potência: Casio fx-CG 20 ...... pág. 190
x x TI-84 C SE / CE-T .... pág. 195
x↦3 x ↦ 0, 5 x ↦ πx x ↦ x3 x ↦ x 0,5 x ↦ xπ TI-Nspire CX .......... pág. 201

Exercícios resolvidos NOTA


Abreviadamente, escrevemos:
1. Determina os limites seguintes.
• se a > 1 :
x
a) lim
1
2 + (__
x 2x + 1
b) lim ____ a +∞ = + ∞ a -∞ = 0
x " -∞ ( 3) ) x " +∞ πx
• se 0 < a < 1 :
Resolução a +∞ = 0 a -∞ = + ∞
x -∞
a) lim
x 1
2 + (__ =2
-∞ 1
+ (__ = 0 + (+ ∞) = + ∞
A observação dos gráficos é suges-
x " -∞ ( 3) ) 3) tiva dos resultados enunciados aci-
x x ma.
b) lim
2x + 1 = lim _____
____ 2 * 2 = 2 * lim 2 =2*0=0
__ y = ax
x " +∞ πx x " +∞ πx x " +∞ ( π )
y
1
__
x
2. Prova que não existe lim 2 .
x"0 0<a<1 a>1
Resolução
1
__ 1
__
-∞ +∞
Este limite não existe, pois lim 2x = 2 -
= 0 e lim 2 x = 2+
= +∞ . O x
x"0 x"0

PROFESSOR
x x+1
3. Sabendo que 3 = 6 e que 2 = k , determina o valor de: Soluções
x-1 x
a) 3 b) 9 24. a) f " azul ; g " verde ;
x x+1 h " vermelho
c) 2 (em função de k) d) 6 (em função de k)
b1) {0} b2) [ 0, + ∞ [ b3) ] - ∞, 0]
continua

Capítulo 2 | Funções exponenciais 93


continuação
25 Explica por que razão os grá-
ficos das funções f e g defini- Resolução
x x
3 6
das por f(x) = 2 e g(x) = (__)
1 x-1
= __ = __ = 2
x
a) 3
2 3 3
são simétricos em relação ao eixo x 2 x x 2 2
das ordenadas. b) 9 = (3 ) = (3 ) = 6 = 36

k
1 = __
* 2-1 = k * __
x x+1
c) 2 = 2
2 2
x+1 x
d) 6 = 2x + 1 * 3x + 1 = k * 3 * 3 = k * 6 * 3 = 18k
26 Sabendo que 4x = 6 , deter-
mina:
x+1 x-2 2x
4. Resolve as equações seguintes.
x
a) 4 b) 4 c) 4 1__ 8
= __ c) ____
x x+1 -x
x -x
a) 2 = 8 b) 25 x+3
=2
d) 2 e) 4 √5 4
x -2 x x-1 2x x
d) x * 3 = 9x e) 3 + 3 = 108 f) 3 + 3 = 12

NOTA Resolução*
x x 3
*  As funções exponenciais de base a) 2 = 8 § 2 = 2 § x = 3
a são funções crescentes se a > 1 1
- __
e são funções decrescentes se b) 25
1__ § 5
= __x +1 2(x + 1)
=5 2 1 § x + 1 = - __
§ 2(x + 1) = - __ 1§
0 < a < 1 ; portanto, são sempre √5 2 4
5
§ x = - __
funções injetivas. Então, para quais-
quer números reais x1 e x2 , tem-se: 4
x1 x2
a = a § x1 = x2 x x x x
8 8 8 8
c) ____ = 2 § ______ = 2 § __x = 2 * 43 § __
-x -x -x -x 6

4x+3 x 3
4 *4 4 (4) = 2 * 2 §
x -x + 6
§2 =2 § x = - x + 6 § 2x = 6 § x = 3
27 Resolve as equações seguintes.
x-2
x+1 d) x * 3 = 9x § x * 3x - 2 - 9x = 0 § x(3x - 2 - 9) = 0 §
a) 2 = 16
b) 8
x+1
=4
x § x = 0 › 3x - 2 = 9 § x = 0 › 3x - 2 = 32 § x = 0 › x - 2 = 2 §
x §x=0›x=4
c) 5 = 0,04
__ x x-1 x x x
d) 5 * 5 = √5
x
e) 3 + 3 = 108 § 3 + 3 * 3-1 = 108 § 3 (1 + 3-1 ) = 108 §
x+1
- 4 = 24
x
1 = 108 § 3x * __ 108 * 3
4 = 108 § 3x = _______
e) 4
§ 3 (1 + __
x
§
f) 12 * 3 - 3 = 27
x 2x 3) 3 4
x x
g) 2
3+x
- 21 - x = 6 § 3 = 81 § 3 = 34 § x = 4
2x x x 2 x
f) 3 + 3 = 12 § (3 ) + 3 - 12 = 0
Podemos considerar esta equação como uma equação do 2.º grau na
PROFESSOR x x
variável 3 . Substituindo 3 por y , obtém-se:
Soluções _____ ___
−x
25. g(x) = 2 = f(- x) ; portanto, o grá- - 1 ¿ √1 + 48
_________ - 1 ¿ √49
______
y + y - 12 = 0 § y =
2 §y= §
fico de g obtém-se aplicando ao grá- 2 2
fico de f a reflexão de eixo Oy . -1 ¿ 7
§ y = _____ § y = - 4 › y = 3
2
b) __
3
26. a) 24
8 __ x x x
Tem-se, portanto, 32x + 3 = 12 § 3 = - 4 › 3 = 3 § x = 1
c) 36 d) √6 ⏟equação

e) __1 impossível
6 5. Resolve as condições seguintes e apresenta o conjunto-solução recorrendo
27. a) x = 3 b) x = - 3 à notação de intervalos.
1
__
c) x = - 2 d) x = - __1 4-x x x x
2 a) 3 >9 b) 5 ≥ 7 c) 2 ≤ 8
e) x = __
3
f) x = 1 › x = 2 x2
d) 4 ≥ 8
x
e) 2
2-x
+3>2
x x
f) (2 - 1)(4 - 2 ) ≤ 0
x
2
g) x = 0
continua

94 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação
NOTA
Resolução • Se a > 1 , tem-se, para quaisquer
4-x 4-x 2 números reais x1 e x2 :
a) 3 >9§3 > 3 § 4 - x > 2 § -x > -2 § x < 2
x1 > x2 § a x > a x 1 2

C.S. = ] - ∞, 2 [ pois as funções exponenciais de


x x 0 base maior do que 1 são funções
5 5 5
b) 5 ≥ 7 § __x ≥ 1 § __ __
x x
(7) ≥ (7) § x ≤ 0
crescentes, e também se tem:
7 a x > a x ± x1 > x2
1 2

C.S. = ] - ∞, 0] Portanto, a > a x § x1 > x2 .


x1 2

1
__ 1
__ • Se 0 < a < 1 , tem-se, para quais-
1 1 - 3x
c) 2 ≤ 8 § 2 ≤ 2 § __ ≤ 3 § _____ ≤ 0
x x 3
quer números reais x1 e x2 :
x x
x1 > x2 § a x < a x 1 2

pois as funções exponenciais de


x -∞ 0 1
__ +∞
3 base entre 0 e 1 são funções
decrescentes, e também se tem:
1 - 3x + + + 0 -
a x < a x ± x1 > x2
1 2

x - 0 + + + Portanto, a > a x § x1 < x2 .


x1 2

1 - 3x
_____ - n.d. + 0 -
x
Cálculos auxiliares
n.d. – não definida
1 , +∞ 2 x 2 - 3x = 0 §
C.S. = ] - ∞, 0 [ ∪ [ __ [ § x(2x - 3) = 0 §
3
x2 x 2x 2
§ x = 0 › 2x - 3 = 0 §
d) 4 ≥ 8 § 2 ≥ 23x § 2 x 2 ≥ 3x § 3
§ x = 0 › x = __
3 2
§ 2 x 2 - 3x ≥ 0 § x ≤ 0 › x ≥ __ (ver cálculos auxiliares ao lado)
2
3 0 3
C.S. = ] - ∞, 0] ∪ [ __ , + ∞ [ 2
2
x x 2
4 + 3 * 2 - (2 )
4 + 3 > 2x § ____________
+ 3 > 2 § __ *
2-x x NOTAS
e) 2 x x >0⇔
2 (*2 ) (*2 ) 2 x x
* Tem-se Ax å R, 2 > 0 .
x

x 2 x
§ - (2 ) + 3 * 2 + 4 > 0 ** Esta substituição pode ser feita
logo que reconheças que é útil.
x
Substituindo 2 por y**, obtém-se - y 2 + 3y + 4 > 0 . Pode, por exemplo, ser feita na con-
dição __
4 + 3 > 2x , obtendo-se:
x
- y 2 + 3y + 4 > 0 § y > - 1 ‹ y < 4 (ver cálculos auxiliares ao lado) 2
__
4+3>y
x 2 x x x y
Portanto, - (2 ) + 3 * 2 + 4 > 0 § 2 > - 1 ‹ 2 < 4 .
x
Ora, a condição 2 > - 1 é uma condição universal em R . Então, a sua Cálculos auxiliares
conjunção com outra condição é equivalente a essa outra condição. - y 2 + 3y + 4 = 0 §
x 2 x x x 2 _____
Portanto: - (2 ) + 3 * 2 + 4 > 0 § 2 < 4 § 2 < 2 § x < 2 - 3 ¿ √9 + 16
§ y = _________ §
-2
C.S. = ] - ∞, 2 [
-3 ¿ 5
_____
§y= §
x
f) (2 - 1)(4 - 2 ) ≤ 0
x -2
§ y = -1 › y = 4
Vamos determinar os zeros e estudar a variação de sinal de cada um
x x
dos fatores, 2 - 1 e 4 - 2 , para, em seguida, identificarmos a varia-
-1 4
ção de sinal da função definida pelo produto dos dois fatores.
x x x x
2 -1=0§2 =1§x=0 e 2 -1>0§2 >1§x>0
x x x
4 - 2 = 0 § 2 = 4 § 2 = 22 § x = 2 e
x x x
4 - 2 > 0 § 2 < 4 § 2 < 22 § x < 2
continua

Capítulo 2 | Funções exponenciais 95


continuação
28 Resolve as inequações seguin-
tes. Organizemos estes resultados numa tabela, para obtermos conclusões
acerca da variação de sinal da função definida por (2 - 1) (4 - 2 ) .
x x
1-x x x
a) 3 >9 b) 2 ≥ 3

c) 2
-x + 1
> 43x x+1 1__
≥ __ x -∞ 0 2 +∞
d) 5 x
√5 x
2 -1 - 0 + + +
1
__
x2 x x
e) 3 < 9 f) 2 ≤ 4 4-2
x
+ + + 0 -
x
1-3
g) _____ ≤0 (2x - 1) (4 - 2x)
x - 0 + 0 -
2 -8
x x
Portanto, (2 - 1)(4 - 2 ) ≤ 0 § x ≤ 0 › x ≥ 2
C.S. = ] - ∞, 0] ∂ [ 2, + ∞ [

29 Sejam f e g as funções, de 6. Dois balões esféricos, balão A e balão B,


domínio R , definidas por: deslocam-se na atmosfera, por cima de
x 2-x um solo plano e horizontal. Num de-
f(x) = 3 e g(x) = 10 - 3
terminado instante, é iniciada a conta-
a) Determina, por processos ana-
gem de tempo. Durante dois minutos,
líticos:
as distâncias medidas em metros, do
a1) as coordenadas dos pontos
de interseção dos gráficos centro do balão A ao solo e do centro
das duas funções em refe- do balão B ao solo, são dadas, respeti-
rencial o.n.; vamente por:
a2) o conjunto-solução da con- -0,01t -0,02t
dição f(x) ≥ g(x) .
a(t) = 2 - 0,02t + 3 e b(t) = 6 * 2 - 0,02t + 2

b) Obtém representações dos grá- A variável t designa o tempo, medido em segundos, que decorre desde
ficos das funções f e g que o instante em que foi iniciada a contagem de tempo.
permitam visualizar os pontos
de interseção dos dois gráficos. Sabe-se que, alguns segundos após o início da contagem do tempo, os
centros dos dois balões estavam à mesma distância do solo.
Determina quanto tempo decorreu entre o instante inicial e o instante em
que os centros dos dois balões estavam à mesma distância do solo.
Apresenta o valor pedido em segundos.
PROFESSOR
Soluções Adaptado de Teste Intermédio, 12.º ano, 2013
28. a) x < -1 b) x ≤ 0 Resolução

c) x < __1 d) x ≥ - __
2 a(t) = b(t) § 2-0,01t - 0,02t + 3 = 6 * 2-0,02t - 0,02t + 2 §
7 3
e) x > 0 ‹ x < 2 f) x < 0 › x ≥ __1 § 2-0,01t + 1 = 6 * 2-0,02t § 6 * 2-0,02t - 2-0,01t - 1 = 0 §
2
g) x ≤ 0 › x > 3 2
§ 6(2-0,01t) - 2-0,01t - 1 = 0 § 6y2 - y - 1 = 0 §
y = 2-0,01t
29. a1) (0, 1) e (2, 9) ______________
a2) ] - ∞, 0] ∪ [ 2, + ∞ [ √ 2
1 ¿ (-1) - 4 * (-6) 1¿5 1§
1 › y = __
§ y = ___________________ § y = _____ § y = - __
b) 2*6 12 3 2
1 › 2-0,01t = __
§ 2-0,01t = - __ 1 § 2-0,01t = __


3 2 2
equação impossível

§ 2-0,01t = 2-1 § - 0,01t = - 1 §


§t=_ - 1 § t = 100
- 0,01
Mais sugestões de trabalho
Assim, t = 100 .
Exercícios propostos n.os 45 a 53
(págs. 104 a 106).
Portanto, decorreram 100 segundos.

96 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Função exponencial de base e
n
1
Recorda que a sucessão de termo geral un = 1 + __
( n ) é convergente para um
número que se designa por e .

No contexto do nosso estudo, a função, de domínio R , definida por f(x) = ex ,


ou seja, a função exponencial de base e será designada apenas por função
exponencial e pode ser representada por exp: exp (x) = ex .

Pode-se provar que o número e também é limite, quando y tende para + ∞ ou 30 Mostra que o conjunto-solu-
y
1 :
para − ∞ , da função f , de domínio R \ [- 1, 0] , definida por f(y) = 1 + __ 1
ção da condição 1 + __ > 0
( y) y
é R \ [- 1, 0] .
y y

lim 1 = lim 1 + __
1 + __ 1 =e
y " +∞ ( y ) y " -∞ ( y)

Deste resultado, decorre o seguinte:

Seja (un) uma sucessão que tende para + ∞ ou para - ∞ e seja k um número
real. Então:
u n
k
__
lim 1 + = ex
( un )

Justifiquemos esta conclusão, no caso de k ser um número real positivo e ( un )


ser uma sucessão que tende para + ∞ .
k
u ⎛ u⎞
__ n

⎜ ⎟
⎛ ⎞k u
n
k
__ 1
__
Tem-se que 1 + = 1+ e que a sucessão definida por vn = __n tende
( un ) ⎜ __
un ⎟ k
⎝ ⎝ ⎠
k ⎠
para + ∞ .

y
un
1 = e e que a sucessão definida por v = __
1 + __
RECORDA
Então, dado que lim n é
y " +∞ ( y) k Se lim f(x) = b , então, se ( xn ) é
un
__ x " +∞
1⎞ =e. ⎛ uma sucessão que tende para + ∞ ,
uma sucessão que tende para + ∞ , pode concluir-se que lim 1 + ___
k

⎜ __ un ⎟ a sucessão (f(xn)) tende para b .


⎝ k⎠
k
u ⎛ u⎞
__ n

⎜ ⎟
⎛ ⎞k
n
k
__ 1
__
Portanto, lim 1 + = lim 1 + = ek .
( un ) ⎜ __ un ⎟
⎝ ⎝ k⎠ ⎠

No caso de k ser um número negativo ou no caso de ( un ) ser uma sucessão que


tende para - ∞ , as justificações são análogas à anterior e, no caso de k ser 0,
un
k
tem-se lim 1 + __ = lim (1) = 1 = e 0 = ex .
u n

( un )

Capítulo 2 | Funções exponenciais 97


O resultado anterior e a definição de limite segundo Heine permitem concluir
que, sendo k um número real:

x x
k k
lim (1 + __) = lim (1 + __) = e k
x " +∞ x x " -∞ x

EXEMPLOS
n
2
1. lim (1 + __) = e 2
n
n+2 n+2
3 -3
2. lim (1 - ____) = lim (1 + ____) = e -3
n+2 n+2
n n n
4 2
3. lim (1 - __2 ) = lim (1 + __) * lim (1 - __) = e 2 * e -2 = e 0 = 1
2
n n n
2x x 2
π π
1 + __) = (lim (1 + __) ) = ( eπ ) = e 2π
2
4. lim
x " +∞ ( x x " +∞ x

Exercícios resolvidos
1. Calcula os seguintes limites de sucessões ou justifica que o limite não existe.
n n+3
n-2
a) lim ____ b) lim 1 + _____
3
(n + 3) ( 2n + 1 )
n n
3n - 3 1
c) lim _____ d) lim __ - 1
( n+2 ) (n )

31 Calcula, caso existam, os se- Resolução


n n
2 ⎞ lim 1 - __
2 ⎛
n (1 - __
guintes limites de sucessões.
n) ( n ) e -2 -5
⎜ ⎟
n n
3 n-2 1
a) lim ____ = lim _______ = ___________n = ___

a) lim (1 - __) (n + 3) =e
n 3
__ 3
__ e3
n 1+ ) lim (1 + )
n ⎝ ( n ⎠ n
3
b) lim (1 + ___)
2n
2n + 5 b) Vamos apresentar a resolução deste item por dois processos.
c) lim (1 + ___)
2
3n
1.º processo
n
n+3 n+3 n
d) lim (____)
3
3 3 3
lim (1 + _____) = lim (1 + _____) * lim (1 + _____) =

1
n+2
2n + 1 2n + 1 2n + 1
2n
3
e) lim (__ - 1)
n
4 ⎞ ⎛
2n (1 + ___
⎜ ⎟
n
2n )
nn
2n + 1 + 3 2n + 4 = lim _________
= lim (_______) * 13 = lim (_____ =
2n + 1 2n + 1 ) 1
2n (1 + ___
n ⎝ 2n ) ⎠
PROFESSOR 2
__
lim (1 + ) 1 3
n 2 - __ __
e2
Soluções __ = ___________n = _____1 = e 2 = e 2
⎛ 1⎞
3

31. a) e -3 b) e 2 __
⎜ ⎟ e2
__
4
lim ⎝1 + 2
__
c) e 3 d) e n⎠
-6
e) e
continua

98 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação

2.º processo n+3


3 ⎞
__ ⎛
⎜ ⎟
n+3
3 2
lim (1 + _____) = lim 1 + ____

1
=
2n + 1 1
n + __
⎝ 2⎠
1
n + __ 5
__
⎛3 ⎞
__ 2 ⎛
3 ⎞2
__
⎜2
= lim 1 + ____
1
n + __
⎟ 2
* lim 1 + ____
n +

1
__
= ⎟
⎝ 2⎠ ⎝ 2⎠
3
__ 5
__ 3
__
= e2 * 12 = e 2

c) Vamos apresentar a resolução deste item por dois processos.


32 Determina o limite da suces-
1.º processo n são ( un ) definida por
3 ⎞ ⎛
3n (1 - ___)
⎜ ⎟
n n
3n + 1
3n - 3 3n
lim (_____) = lim _________ = un = (_____)

3

n+2 2 2n - 1
n 1 + __)
⎝ ( n ⎠ por dois processos diferentes, um
n
dos quais deve recorrer a um dos
1
lim (1 - __
teoremas de comparação para
n) e -1 sucessões.
= lim ( 3 ) * __________n = + ∞ * ___
n
= +∞
2 e2
lim (1 + __
n)

2.° processo (recorrendo a um dos teoremas de comparação para


sucessões). 33 Determina o limite da suces-
3n - 3 2,5n 3n - 3
An å N4, _____ > _____ , ou seja, An å N4, _____ > 1,25 são ( un ) definida por
n+2 2n n+2 n
n+3
3n - 3
n
un = (_____)
Então, A n å N4, ( _____) > 1,25 . 2n + 2
n

n+2 por dois processos diferentes, um


n dos quais deve recorrer ao teore-
Dado que lim 1,25 = + ∞ , pois 1,25 > 1 , conclui-se que:
ma das sucessões enquadradas.
n
3n - 3
lim ( _____) = + ∞
n+2
n n
n n
1
d) lim __ - 1
(-1) 1
__ n 1
__
(n ) = lim (- 1 * (1 - n )) = lim ((- 1) * (1 - n ) )
Este limite não existe. 34 Mostra que a sucessão ( u )
n
definida por
Com efeito, tem-se: n
3-n
un = (____)
n
1 é convergente para e -1 , portanto
• a sucessão de termo geral (1 - __ n+1
n)
-n não tem limite.
1
a sucessão de termo geral (1 - __ é convergente para e ;
n)
n
• a sucessão de termo geral (- 1) não tem limite (os termos desta
sucessão são, alternadamente, iguais a - 1 e a 1).
n
n 1
Se existisse lim (( - 1) * (1 - __ , então, também existia
n) )
n -n
1 * 1 - __
lim((- 1) * (1 - __
n 1 .
n) ( n) ) PROFESSOR
n -n Soluções
n 1 * 1 - __
Ora este limite não existe, pois (- 1) * (1 - __ 1 n
= (- 1) . 32. + ∞
n) ( n)
33. 0

Capítulo 2 | Funções exponenciais 99


ex - 1
_____
Limite notável, lim
,
x" 0 x
e derivada da função exponencial
RECORDA Calculemos a função derivada da função exponencial.
f(x + h) - f(x)
f '(x) = lim __________
exp (x + h) - exp (x)
exp ' (x) = lim ________________ =
h"0 h h"0 h
e -e x ex ( e h - 1)
= lim ______ = lim _______ =
x + h

h"0 h h"0 h
eh - 1
= ex * lim _____
h"0 h
eh - 1
Dado que a função exponencial é contínua, lim _____ é uma situação de inde-
0 h"0 h
terminação do tipo __ .
0
eh - 1
No entanto, pode-se provar que lim _____ = 1 . Este limite é habitualmente refe-
h"0 h
Simulador rido como um limite notável.
Geogebra: Limites
notáveis
Limite notável
ex - 1
lim _____ = 1
x"0 x

e h - 1 = ex * 1 = ex = exp (x) .
Então, exp ' (x) = ex * lim _____
h"0 h
Tem-se, portanto, exp ' (x) = exp (x) , o que quer dizer que a função exponencial
é solução da equação f ' = f .

exp ' (x) = exp (x) , ou seja, ( ex) ' = ex A função exponencial é diferenciável em R e exp ' (x) = exp (x) .

35 Calcula os limites seguintes. Exercícios resolvidos


e 3x - 1
a) lim _____
x"0 5x 1. Calcula os limites seguintes.
e -1 - 1
b) lim ______
x
e 3x - 1 x2 - 4
x " 1 x - x2 a) lim _____ b) lim ______
x"0 2x x " -2 1 - ex + 2
ex - e 3
c) lim _____
x"3 x - 3
Resolução
ex - e-x
d) lim ______ 0
__
x e 3x - 1 0 1 e 3x - 1 1 e 3x - 1
a) lim _____ = __ * lim _____ = __ * lim _____ * 3 =
x"0

e -__1
x
2x 2 x"0 x 2 x " 0 3x
e) lim _____ x"0 3x = y
x " 0 √x e -1
y
1 * lim _____ 3
1 * 1 * 3 = __
= __ * 3 = __
1
__ 2 y"0 y 2 2
f) lim [x (e x - 1)]
x " +∞ 0
__
x2 - 4 0 x+2 1
x ex - 2 e 2
g) lim _______ b) lim ______ = lim (x - 2) * lim ______ = - 4 * ___________ =
x " -2 1 - e x + 2 x " -2 1 - e x + 2 ex + 2 - 1
x-2 - lim ______
x"2 x " -2
x " -2 x + 2
PROFESSOR
1
= 4 * ____________ 1
= 4 * ___________ 1
= 4 * ___ = 4
Soluções ex + 2 - 1 x + 2 = y
_______ ey - 1
_____ 1
35. a) __ b) − 1
3 lim lim
c) e 3 d) 2 e) 0 x " -2 x + 2 y"0 y
5
f) 1 g) 3 e 2
continua

100 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação

2. Determina f '(x) , sendo f a função definida por: Simulador


Geogebra: A exponencial
a) f(x) = x ex b) f(x) = e x2 + 1 e a reta tangente

Resolução
a) f '(x) = (x ex) ' = x ' * e x + x * ( ex) ' = 1 * ex + x * e x = ex (1 + x)

b) Tem-se f(x) = (g ∘ h) (x) , sendo h(x) = x 2 + 1 e g(x) = ex . RECORDA

Então, f '(x) = (g ∘ h) '(x) = h '(x) * g '(h(x)) . Se f e g são funções diferenciáveis,


então:
E, dado que g '(x) = ( ex) ' = ex , tem-se g '(h(x)) = g '( x 2 + 1) = e x + 1 .
2
(f ∘ g) '(x) = g '(x) * f '(g(x))

Portanto, f '(x) = ( e x + 1) ' = ( x 2 + 1) ' * e x + 1 = 2x e x + 1 .


2 2 2

(e u(x))' = u'(x) * e u(x)

3. Mostra que, se g é uma função diferenciável e f é a função definida por


36 Determina f '(x) e os zeros
f(x) = e g(x) , então f '(x) = g '(x) * e g(x) .
de f ' , sendo f a função definida
Resolução por:

Seja h(x) = ex . a) f(x) = x e 2x


x
Então, f = h ∘ g e h '(x) = ex . b) f(x) = ____
0,2x
e
2
Portanto, f '(x) = g '(x) * h '(g(x)) = g '(x) * e g(x) c) f(x) = ( e 3x - 1)
3
__
d) f(x) = x e x

4. Seja f a função definida por f(x) = e - e + 2 . 2x x

Escreve a equação reduzida da reta tangente ao gráfico de f que tem 37 Seja f a função definida por:
____
declive igual a 1. f(x) = √ex + 1
Resolução Escreve a equação reduzida da
reta tangente ao gráfico de f no
O declive da reta tangente ao gráfico de uma função num ponto é o valor ponto de abcissa 0.
da derivada na abcissa desse ponto. Vamos, portanto, resolver a equação
f '(x) = 1 .
PROFESSOR
f '(x) = ( e - e + 2) ' = (2x) 'e - e + 0 = 2 e - e
2x x 2x x 2x x Soluções
36. a) f ' (x) = e2x + 2x e2x = e2x (1 + 2x) ;
f '(x) = 1 § 2 e - e = 1 § 2 e - e - 1 = 0
2x x 2x x − __1
2
e0,2x − 0,2x e0,2x __________
1 − 0,2x
Substituindo ex por y , obtém-se 2 y 2 - y - 1 = 0 . b) f ' (x) = ____________ 2
= ;5
(e )
0,2x e0,2x
____ c) f ' (x) = 2 * 3 e3x * ( e3x - 1) =
1 ¿ √1 + 8
______
2y - y - 1 = 0 § y =
2 § = 6 e3x ( e3x − 1) ; 0
4
3__ __ 3__ 3
d) f ' (x) = e x − x * __2 * e x = e x 1 − __ =
3 3
1¿3 1›y=1
§ y = ____ § y = - __ x ( x)
4 2 __
3
x-3
= e x * ____ ; 3
x
__
1 › ex = 1 § x = 0
Então, 2 e 2x - ex - 1 = 0 § ex = - __ √ __
37. y = __ 2
x + √2
2
4
⏟equação
impossível Caderno de exercícios
Funções exponenciais
Concluímos, portanto, que a reta tangente ao gráfico da função f que
tem declive igual a 1 é tangente ao gráfico no ponto de abcissa 0.
Mais sugestões de trabalho
Dado que f(0) = e 0 - e 0 + 2 = 2 , a equação reduzida da reta tangente ao
Exercícios propostos n.os 54 a 58
gráfico de f no ponto de abcissa 0 é y = x + 2 . (págs. 106 e 107).

Capítulo 2 | Funções exponenciais 101


Teste 4 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. De acordo com o INE (Instituto Nacional de Estatística), a percentagem de


utilizadores de internet, na faixa etária dos 10 aos 15 anos, atingiu 92,7%

5
em 2008.
Os dados fornecidos pelo INE permitem concluir que a utilização da inter-
net por indivíduos dessa faixa etária cresceu à taxa média anual de 8,05%
desde 2005.
Qual foi a percentagem (arredondada às décimas) de utilizadores da inter-
net, na faixa etária dos 10 aos 15 anos, em 2005?
(A) 71,5% (B) 72,5% (C) 73,5% (D) 74,5%

2. Seja e o número de Neper. Das afirmações seguintes apenas uma é falsa.


Qual?
(A) O número e é um número irracional. n
1
(B) O número e é o limite da sucessão (1 + __) .
n
(C) A sucessão de termo geral en tende para + ∞ .
(D) A sucessão de termo geral e-n tende para - ∞ .

3. No referencial da figura está parte do gráfico da


-x
função f definida por f(x) = 9 . y f
P é o ponto do gráfico de f que tem ordena-
1.
da __
1 P
3
3
Qual é a abcissa do ponto P ?
__
(A) √2 (B) 2 O x
__
√ 2 1
(C) __ (D) __
2 2

4. Seja r a função quadrática representada no y


referencial ao lado. 2
Qual é o contradomínio da função g , definida
r(x) r
por g(x) = 2 ?
(A) ] − ∞, 4] (B) ] 0, 4] O x
(C) ] − ∞, 2] (D) ] 0, + ∞ [

PROFESSOR 5. Sejam f , g , h e r as funções definidas por f(x) = 2 - 3x , g(x) = 2 - 3 x2 ,


Soluções x _
1 e r(x) = √2 x.
h(x) = (__
1. (C) 2)
2. (D) Escolhendo, ao acaso, duas destas funções, qual é a probabilidade de as duas
3. (D) funções escolhidas serem decrescentes?
1
(A) __
1
(B) __
1
(C) __
1
(D) __
4. (B)
2 4 6 8
5. (C) Ajuda

102 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. O sr. António ganhou um prémio de 25 000 euros na lotaria de Natal. Esse


prémio está sujeito a um imposto de 20%. O sr. António quer «recuperar»
o que pagou de imposto e vai depositar o dinheiro que recebeu.
O depósito vai ser feito no regime de juro composto, a uma taxa anual de
1,9%.
Qual o número mínimo de anos que tem de durar o depósito, para que o
sr. António recupere o que pagou de imposto?

2. Resolve as condições seguintes:


x-1
a) 100 = 0,001
x
b) 5 + 5x − 2 = 150
x+1 x+1 -x
c) 9 + 3
x
=4 d) 2 * 3 -3 ≤5

⎧ __1x
3. Seja f a função, de domínio R , definida por f(x) = ⎨e se x < 0

⎩e - e -x
se x ≥ 0

x

a) Mostra que o gráfico da função f tem uma única assíntota horizontal


e não tem assíntotas verticais.
f(x)
b) Determina lim ____ .
x"0
+
x
c) Escreve a equação reduzida da reta tangente ao gráfico de f no ponto de
1.
abcissa - __
2

4. No referencial ao lado estão parcialmente y


representadas as funções f e g definidas por
x 2-x B
f(x) = 2 e g(x) = 5 - 2 .
Os gráficos intersetam-se nos pontos A e B ,
o ponto C pertence ao eixo Ox e os pontos A
PROFESSOR
B e C têm abcissas iguais.
Soluções
O C x
Resolve os itens que se seguem, sem recorrer 1. No mínimo, 12 anos.
à calculadora. 2. a) x = - __
3
b) x = 4
2
a) Identifica qual dos gráficos representa a função g . c) x = 0 d) x ≤ 0

b) Determina a abcissa do ponto do gráfico da função g que tem orde- 3. b) 2


nada - 3. c) y = - __
4 x - __
1
e2 e2
c) O gráfico da função g tem uma assíntota horizontal. Indica, justificando, 4. a) Azul b) x = - 1
uma equação dessa assíntota. c) y = 5 d) 4 (u.a.)
d) Determina a área do triângulo [ABC] . 5. 0

n
n+1
5. Considera a sucessão ( un ) de termo geral un = ____
( 2n ) .
Determina lim un , por dois processos diferentes. Resolução

Capítulo 2 | Funções exponenciais 103


Exercícios propostos
38 Escreve na forma de potência de expoente 42 Escreve, na forma de potência de expoente - 2,
natural: os números:
-1 2
2
__ 3
__ 2
b) 5
a)
(3)
a)
(5)
-6
-3 c) 16
2
__
b) 2 d)
(3)
1
-2 __ 12
__ e) 2
8 3
f) (√5 )
c)
(3)

39 Escreve na forma radical: 43 Escreve:

1
__ a) 8 como potência de base 2;
3
a) 2 1
3
__ b) 16 como potência de base __ ;
2 4
b) 3
1
c) 0,008 como potência de base 5;
- __
1 4
c) __ 1
(2) d) 0,125 como potência de base __ .
4

40 Escreve na forma de potência de base natural: 44 Dados a, b å R , qual das expressões seguin-
_____ tes não é equivalente a 3a + b ?

3
a)
1
__
4 (A) 3 * 3
a b
__
b) √2
-3
a -b
(B) 3 : 3
1 ,aåN a b
c) ___
5
__ (C) (3 )
√a
(D) _____
1
-a - b
3
41 Mostra, sem recorrer à calculadora, que são
inteiros os números: 45 Seja k um número real tal que 2k -1
______ >0 e
1
__ k
2
a) 16 2k - 1
x

seja f a função definida por f(x) = (_____ .


2
__
3
k )
b) 27
Determina o conjunto dos valores de k para os quais
1,5
c) 9 a função f é crescente.

__ -2 -2 __
3

42. a) __ b) __1 d) __1


5
41. a) √16 = 4 ou −3 2
PROFESSOR c) 5
__1 __
2
(3) (5) (4)
Soluções -2
1 (42)2 = 4 2 = 4 -2 44. (C)
c) __1 d) __
3
8
38. a) __ b) __1
3 2 ___ 3 __
c) 3 3
(4) ( 27 )
(2) b) √27 = √3 = 3 = 9 ou
2 6 2
(2) 45. ] - ∞, 0 [ ∪ ] 1, + ∞ [
__
2 __
6 -2 -2
_____ _ ___
(3 ) = 3 = 3 = 9 e) __1 f) __1
3 3 3 3 2
39. a) √2 b) √3 = √27
3
__
3 __ __ ( 16 ) ( 25 )
_____
c) 9 2 = √9 = √3 = 3 = 27 ou
4 3 6 3
c) √2 −2
b) __1
3
__
3 __
3 __
6 43. a) 2
(4)
9 = (3 ) = 3 = 3 = 27
2 2 2 2 3
- __1 - __
3 - __1
3 2 5
40. a) 4 b) 2 c) a

104 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


46 Sabendo que 5x = 2 , indica o valor de: 50 Determina o domínio e os zeros (caso existam)
2x da função f definida por:
a) 5
x
b) 5
-x a) f(x) = 3 - 3
x
__
2
2+x
b) f(x) = _______
c) 5
x x+1
-x 3 -9
d) 25
x+1
_____________
x -x
e) 5 c) f(x) = √( 4 - 1) ( 2 - 2)

47 Sabendo que 3x + 1 = 6 , calcula o valor de:


51 Sejam f e g duas funções definidas em R ,
x 2x
a) 3 b) 3 -3 x
respetivamente, por: f(x) = 2x e g(x) = 4 .
2

x
__
2 -x + 1
c) 3 d) 3 a) Mostra que f é uma função par. Como se reflete
essa característica no gráfico em referencial o.n.?
48 Escreve as expressões seguintes na forma de
b) Determina analiticamente o conjunto das solu-
produto.
x ções da condição f(x) ≥ g(x) .
x+1
- 5x 1
__ 1-x
a) 5 b)
(2) + 2
x+1
c) 8 + 23x - 2 d) 4 + 2
x x+1
52 Admite que o número de habitantes de uma
determinada freguesia de Lisboa pode ser dado, em
49 Determina o conjunto-solução de cada uma milhares, por n(t) = 15 * 2
0,04t
, sendo t expresso
das condições seguintes. em anos e correspondendo t = 0 ao ano 1950.
x 1-x
a) 2 = 0, 125 Responde aos itens seguintes utilizando processos
__ x
analíticos e de acordo com o modelo apresentado.
x 2
b) 4 ≤ (√8 )
a) Qual é o número de habitantes nesta freguesia,
x
c) 3 + 3
x+1
- 12 = 0 no corrente ano? Apresenta o valor arredondado
às unidades.
x+1
d) 9 + 3x + 2 = 4
b) Em que ano é que esta freguesia atingiu 60 000
e) 2
2-x
+3≤2
x habitantes?
n(t + 1)
x c) Determina o valor de ______ arredondado às
f) x * 2 > 8x n(t)
centésimas e interpreta esse valor no contexto
g) x 2x + 1 = x 4 da situação descrita.

c) ___ * 23x = 33 * 23x - 2


33
PROFESSOR 50. a) D = R ; 1 c) 1,03; a cada ano, a população
4 da freguesia aumenta 3%.
Soluções b) D = R \ {- 2}; não existem
__ d) 2x(2x + 2)
zeros
b) __1
46. a) 4

d) __1 e) 10
2
c) √2
2{}
49. a) __ b) 0, __
3 3
[ 4]
c) D = [- 1, 0] ; - 1 e 0

4 c) {1} d) {− 1} e) [ 2, + ∞ [ 51. b) ] - ∞, - 1] ∪ [ 3, + ∞ [
__
d) __
3
47. a) 2 b) 4 c) √2 f) ] − ∞ , 0 [ ∪ ] 3, + ∞ [ 52.

{ }
2 0,04(ano corrente - 1950)
a) 15 * 2 * 1000
g) 0, 1, __
-x 3
48. a) 4 * 5 x
b) 3 * 2
2 b) 2000

Capítulo 2 | Funções exponenciais 105


53 Um vírus atacou os perus de um aviário. 54 Determina, caso existam, os seguintes limites
O veterinário deste aviário estima que, t dias após de sucessões.
o dia em que o vírus foi detetado, o número de n+1
a) lim 1 + ____
2
perus infetados seja dado, aproximadamente, por: ( n + 3)
200
i(t) = ___________
2 - 0,1t 2n
1+6*2 2n + 1
b) lim _____
(t = 0 corresponde às 8 horas do dia em que o vírus ( 2n - 3 )
foi detetado.) n
3
c) lim 3 + __
( n)
n-2
2n + 1
d) lim _____
( 3n - 2 )
4n
2n - 1
e) lim _____
( 3 - 2n )
n
n2 - 1
f) lim _____
(n+1)

55 Determina, caso existam, os limites seguintes.


a) Na altura em que o vírus foi detetado, já havia
perus infetados e passados uns dias esse número 1 - e 2x
a) lim _____
já era dez vezes superior. Quantos dias tinham x " 0 3x
passado? ex - 2 - 1
b) lim ______
b) Um outro aviário também foi afetado por esse x"2 4-x
2

1 - e 2x
vírus, tendo o vírus sido detetado no mesmo dia c) lim _____
em que foi detetado no primeiro aviário. O nú- x"03x e -1
2x2 - x
d) lim _______
mero de perus infetados nesse aviário é dado,
aproximadamente, por: 2x-1
1
x " __
e -1
2
200
d(t) = ___________
2 - 0,05t
e 2x - 1
e) lim _____
1+3*2 x"0 2 x
(t = 0 corresponde às 8 horas do dia em que o 2
__
f) lim [3x (e x - 1)]
vírus foi detetado.) x " +∞

Num determinado dia, o número de perus infe- ex - 1 - x


g) lim ______
tados era idêntico nos dois aviários. Quantos x"1 x-1
dias tinham decorrido desde o dia em que o vírus xex + e
lim ______
2

h)
foi detetado? x " -1 x + 1

PROFESSOR d) 0 e) e 4 f) + ∞ f) 6 g) 0 h) 3e
Soluções
55. a) − __
2 b) − __1 c) − __
2
53. a) 40 b) 20 3 4 3
54. a) e 2 b) e 4 c) + ∞ d) __1 e) Não existe.
2

106 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


56 Determina os zeros da função f ' , sendo: 58 No referencial da figura estão representadas a
reta r e parte do gráfico da função f definida por
a) f(x) = ex (3x - 1)
f(x) = ex . A reta r passa na origem do referencial
ex + 1
b) f(x) = ____
2
e é tangente ao gráfico de f no ponto A .
x-1
y
c) f(x) = ( x 2 + 1) ex
r
x e-x
d) f(x) = ____
x+2 A

57 Sejam f e g as funções, de domínio R , defi-


nidas por: f

f(x) = e + x
x
O B x
g(x) = e 2x

Resolve a equação f '(x) = g '(x) . Determina a área do triângulo [AOB] , sabendo


que o ponto B pertence ao eixo das abcissas e que
o triângulo [AOB] é retângulo em B .

__ __
1 - √3
______ 1 + √3
______
PROFESSOR b) e
2 2 57. C.S. = {0}
Soluções
c) - 1
58. __
e
56. a) - __
2 __ __
3 d) - 1 - √3 e - 1 + √3 2

Capítulo 2 | Funções exponenciais 107


4
HISTÓRIA
John Napier (ou Neper)
Exponenciais e
Funções
Logarítmicas
3. Funções logarítmicas

Logaritmo de base a
SERÁ QUE…?

x
Como se vai designar?

1. Resolve as equações seguintes.


x
a) 3 = 9 b) 9 = 27
x
2. Justifica que a equação 2 = 6 tem exatamente uma solução em R e, sem
recorrer à calculadora, indica, justificando, um intervalo de amplitude
unitária a que pertença a solução da equação.

John Napier (1550-1617) Será que conheces uma forma de designar a solução desta equação?
«Senhor realizei esta longa jornada
propositadamente para ver a vossa x
pessoa e para saber por que meca-
A solução da equação 2 = 6 é o número a que se deve elevar 2 para obter 6 e é
nismo de imaginação ou de engenho provável que não saibas que esse número é designado por logaritmo de base 2
vós viestes a pensar, em primeiro de 6 e é representado por log2 (6) .
lugar, neste extraordinário auxiliar x
da Astronomia que são os logarit- Tem-se então: 2 = 6 § x = log2 (6) .
mos; mas, senhor, tendo sido inven-
tado por vós, eu pergunto a mim A equivalência anterior sugere a existência de uma relação entre a função inversa
próprio como é que ninguém os in- da função exponencial de base 2 e o conceito de logaritmo de base 2.
ventara antes, quando agora, que
são conhecidos, parece tão fácil.»
in Memoirs of John Napier of Merchiston,
Seja a um número real positivo, diferente de 1.
+
Edinburgh, 1834 – Saudação
de Briggs a Napier
A função f : R " R definida por f(x) = ax (função exponencial de base a)
-1 +
é uma função bijetiva. A sua inversa é uma função bijetiva f : R " R ,
-1
designada por logaritmo de base a . Escreve-se f (x) = loga (x) e tem-se:
Resolução
Exercícios de «Funções ax = y § x = loga (y)
logarítmicas»

RECORDA
EXEMPLOS
Se f é uma função bijetiva de A para
B , então, dados a å A e b å B , x -1 -1 x
f(a) = b § a = f (b)
-1 1. Se f(x) = 2 , então f (x) = log2 (x) . 2. Se f(x) = log3 (x) , então f (x) = 3 .
4 3
3. 3 = 81 § 4 = log3 (81) 4. log2 (8) = 3 § 8 = 2
59 Completa:
2
a) 3 = 9 § 2 =
1 1 Em particular, o logaritmo de base 10 designa-se por logaritmo decimal e repre-
b) log5 (__) = - 1 § __ =
5 5 senta-se por log e o logaritmo de base e designa-se por logaritmo neperiano
0
c) 4 = 1 § 0 = e representa-se por ln.

PROFESSOR EXEMPLOS
Soluções
b) __1 = 5-1
2
59. a) 2 = log3 (9) 1. log (x) = 2 § x = 10 2. ex = 5 § x = ln (5)
5
c) 0 = log4 (1)

108 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Tendo em consideração o conceito de inversa de uma função bijetiva*, tem-se: NOTA
* Se f é uma função bijetiva de A
+ para B , então:
Ax å R, loga ( a x) = x e A x å R , a log (x) = x a
-1
Ax å A, ( f ∘ f ) (x) = x e
-1
Ax å B, (f ∘ f ) (x) = x
60 Escreve o número 2 como:
EXEMPLOS
a) logaritmo de base 5;
= (a ) =3 =9
log2 (5) 2 2
1. ln ( e ) = π
π
2. 2 =5 3. a 2loga (3) loga (3)
b) potência de base 5.

61 Determina, sem recorrer à


As propriedades das funções logaritmo de base a decorrem de propriedades das calculadora:
funções exponenciais de base a . a) 5
1 + log5 (3)
b) 3
2log3 (4)

10
c) log (1000) d) log4 (2 )
Seja a um número real positivo, diferente de 1. 1
__
e) ln (
+ e3)
A função f , de domínio R e contradomínio R , definida por f(x) = loga (x)
é a função inversa da função exponencial de base a . Portanto, esta função:
• é contínua e é injetiva;

• tem um único zero (loga (x) = 0 § x = 1);

• é decrescente se 0 < a < 1 e é crescente se a > 1 ;

• se 0 < a < 1 , então lim loga (x) = - ∞ e lim loga (x) = + ∞ ;


x " +∞ x"0

• se a > 1 , então lim loga (x) = + ∞ e lim loga (x) = - ∞ . • a>1


x " +∞ x"0
y

y=x
a
Justifiquemos, por exemplo, que a função logaritmo de base a , sendo a > 1 ,
1
é crescente. y = ax
O
1 a x
Sejam x1 e x2 dois quaisquer números reais positivos tais loga ( x1) ≤ loga ( x2 ) .
y = log a (x)
Então, dado que a função exponencial de base maior do que 1 é uma função
crescente, tem-se: • 0<a<1
y
loga ( x1) ≤ loga (x2) ± a log (x ) ≤ a log (x ) ± x1 ≤ x2
a 1 a 2 y = ax
y=x
Portanto, por contrarrecíproco, tem-se: x1 > x2 ± loga ( x1) > loga ( x2 ) . 1
a

Assim, concluímos que a função logaritmo de base a , sendo a > 1 , é crescente. O a1 x

Tendo em consideração que o gráfico de uma função bijetiva e o da sua inversa y = log a (x)

são simétricos, num referencial ortonormado, em relação à reta de equação


PROFESSOR
y = x , apresentamos, na margem, gráficos para as funções logaritmo de base a .
Soluções
log5 (2)
60. a) 2 = log5 ( 52 ) b) 2 = 5
Estes gráficos sugerem características da função logaritmo de base a que apre-
log5 (3)
sentámos na caixa acima. 61. a) 5 * 5 = 5 * 3 = 15
2
log (4)
(
b) 3 3
) = 4 = 16
2

Tem-se também, para quaisquer números reais positivos x e y e qualquer c) log ( 10 ) = 3


3

número real z , sendo a e b números reais positivos diferentes de 1, as proprie- d) log4 (4 ) = 5


5

dades algébricas apresentadas na página seguinte. e) ln ( e -3 ) = - 3

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 109


62 Determina os valores reais de
Propriedade 1
a para os quais a função f defi-
nida por f(x) = 1 - log3 - a (x) é loga (x) + loga (y) = loga (xy)
crescente.

Demonstração

Tem-se:
63 Escreve, em linguagem cor- a log (x) + log (y) = a log (x) * a log (y) = x * y
a a a a

rente, as propriedades 1 a 4.
Então, a log (x) + log (y) = xy .
a a

De a log (x) + log (y) = xy e do conceito de logaritmo de base a decorre que


a a

64 Escreve as expressões seguin-


loga (x) + loga (y) = loga (xy) .
tes na forma de um logaritmo.
a) log3 (6) + log3 (2)
log (9) - log2 (3)
b) 2

c) 5 * log (2) Propriedade 2


d) 1 + log3 (4) 1 = - log (y)
loga __
(y) a
e) ln (5) - 2
log (5) + log (3)
______
f) Demonstração
2

1 + log (y) Prop.


loga __
1 1 * y = log (1) = 0
= loga __
(y) a
(y ) a

PROFESSOR 1 = - log (y) .


Portanto, loga __
Soluções (y) a

62. 0 < 3 - a < 1 § a å ] 2, 3 [


63. Considerando sempre números
positivos e logaritmos de bases iguais: Propriedade 3
a) A soma dos logaritmos de dois nú-
meros é igual ao logaritmo do produto x
loga (x) - loga (y) = loga __
desses números ou, abreviadamente, (y)
a soma de logaritmos é o logaritmo do
produto.
b) O logaritmo de um número é o si- Demonstração
métrico do logaritmo do inverso desse 1 Prop.
loga (x) - loga (y) = loga (x) + (- loga (y)) = loga (x) + loga __
Prop. 2 1
número. =
(y)
c) A diferença dos logaritmos de dois
= loga x * __1 = log __ x
números é igual ao logaritmo do quo- ( y) a
(y)
ciente desses números ou, abreviada-
mente, a diferença de logaritmos é o
logaritmo do quociente.
d) O logaritmo da potência de um nú- Propriedade 4
mero é igual ao produto do expoente
pelo logaritmo desse número. loga ( xz) = z loga (x)
64. a) log3 (12)
b) log2 (3) Demonstração
c) log ( 2 ) = log (32)
5

d) log3 (3 * 4) = log3 (12) Tem-se: x = a log (x) . a

z
e) ln __
5 Então, xz = (a log (x)) = a zlog (x) .
a a

( e2 )
__
f) log (3√5 ) De a z log (x) = xz e do conceito de logaritmo de base a , conclui-se que
a

z loga (x) = loga ( xz ) .

110 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


EXEMPLOS

65 Determina, recorrendo a pro-


1. log3 (6) + log3 (1,5) = log3 (6 * 1,5) = log3 (9) = 2 priedades dos logaritmos, o valor
5 1 exato de:
2. log2 (5) - log2 (20) = log2 (___) = log2 (__) = log2(4 ) = - log2 (4) = - 2
-1
20 4 a) log4 (8) + log4 (2)
1
__ ___ 1
ln (25) 1 b) ln (__)
3. _______ = __ ln (25) = ln (252) = ln (√25 ) = ln (5) e
2 2 ___ __
c) log (√20 ) - log(√2 )

Propriedade 5 (mudança de base) 66 Prova que, se u ∈ R+ e x 0 0 ,


então, loga (u) = loga (ux) e apli-
logb (x) x

loga (x) = ________ ca esta propriedade no cálculo de


logb (a) log√2__ (4) .

Demonstração
Prop. 4
Tem-se: loga (x) * logb (a) = logb (a log (x)) = logb (x)
a

logb (x)
Assim, de loga (x) * logb (a) = logb (x) , conclui-se que loga (x) = _______ .
logb (a)

EXEMPLO
3
log2 (8) log ( 2 ) __
log4 (8) = _______ = ________ =3
2 Fragmentos de um tabela de logaritmos de
log2 (4) log2 ( 22 ) 2 Briggs, calculados com 14 casas decimais

67 Recorre à calculadora para


log (x) ln (x)
Em particular, loga (x) = ________ e loga (x) = _______ . obteres valores arredondados às
log (a) ln (a)
centésimas de:
Na generalidade das calculadoras, as funções log e ln podem ser acedidas através a) log (6) b) ln (20)
do teclado e permitem, por aplicação da propriedade 5, obter valores (exatos ou
c) log5 (100) d) log3 (24)
aproximados) dos logaritmos de qualquer base de números positivos.
Atualmente, muitas calculadoras já permitem obter diretamente esses valores.

Exercícios resolvidos
1. Considera as funções reais de variável real f e g definidas, respetivamente,
por f(x) = 21 - x e g(x) = ln (3x + 2) .
a) Determina o domínio de f e o domínio de g .

b) Justifica que f e g são funções injetivas e, tomando para conjuntos de


-1
chegada os respetivos contradomínios, caracteriza as funções f e g -1
(funções inversas de f e de g).
PROFESSOR
c) Sabendo que g(a) = 5 , determina a . Soluções
Resolução 65. a) log4 (16) = log4 ( 42 ) = 2

a) O domínio da função f é R , pois a função f é a composta de duas fun- b) ln __1 = - ln (e) = - 1


(e)
ções de domínio R : uma função afim e a função exponencial de base 2. ___
__1

Em relação à função g , atendendo a que os números que têm logaritmo


c) log √
___
20
( 2)
= log (102) = __1
2
2, + ∞ .
são os números positivos, tem-se: Dg = {x å R : 3x + 2 > 0} = ] - __
3 [ 67. a) 0,78 b) 3,00
c) 2,86 d) 2,89
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 111


continuação
68 Sejam f e g as funções defi-
nidas por: b) Quer a função f quer a função g são funções injetivas, pois resultam

2ex - 2 + 1 da composição de funções injetivas: funções polinomiais de grau 1,


f(x) = _______
3 função exponencial de base 2 e funções logaritmo neperiano. Tem-se:
log (1 - 2x)
g(x) = __________ + 1 f(x) = y § 21 - x = y § 1 - x = log2 (y) § x = 1 - log2 (y)
3
Tomando para conjunto de che- e -2
g(x) = y § ln (3x + 2) = y § 3x + 2 = e y § x = _____
y

gada de f e g os respetivos con- 3


tradomínios, caracteriza a função
inversa de f e a função inversa Portanto, os contradomínios de f e g são, respetivamente, R+ e R .
de g .
Então, tomando para conjuntos de chegada os respetivos contradomí-
nios, as funções f e g são bijetivas e tem-se: f -1: R+ → R é a função
69 Seja f a função definida por
2, + ∞ é a
bijetiva definida por f -1(x) = 1 - log2(x) e g-1: R → ] - __
f(x) = 9 - x 2 e seja g a função [
3
definida por g(x) = log3(f(x)) . -1 ex - 2
______
função bijetiva definida por g (x) = .
a) Determina o domínio da fun- 3
ção g e o contradomínio da
restrição da função f ao do- c) Tem-se: g(a) = 5 § a = g -1 (5) .
mínio de g . e -2 .
Então, recorrendo à alínea b), conclui-se que a = _____
5

b) Determina o contradomínio da 3
função g (tem em considera-
ção a alínea a) e as característi- 2. Determina, sem recorrer à calculadora:
cas da função logaritmo – con- __
tinuidade, monotonia, limite a) log4 (32) b) log8(√2 )
quando x tende para 0).
Resolução

70 Determina, sem recorrer à a) Seja x o número log4 (32) .

calculadora: x 2x 5 5
x = log4 (32) § 4 = 32 § 2 = 2 § 2x = 5 § x = __
a) log2 (32) b) log __
√2 (1) 2
Portanto, log4 (32) = .5
__
c) log2 __
1__ d) log5 (0,04)
(√2 )
2
__ __
b) Seja x o número log8 (√2 ) .
3
e) log4(√2 )
__ __ 1
__
1 § x = __
x = log8 (√2 ) § 8 = √2 § 2 = 2 2 § 3x = __
x 3x 1
2 6
__
Calculadoras gráficas 1
Portanto, log8 (√2 ) = __ .
Casio fx-CG 20 ...... pág. 190 6
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 195
TI-Nspire CX .......... pág. 201
3. Acerca de dois números positivos x e y , sabe-se que loga (x) = 4 e
loga (y) = 5 .
PROFESSOR
Determina:
Soluções
3x - 1 a) loga (xy) b) loga ( x 2 )
68. f (x) = 2 + ln ____ ,
-1
( 2 )
Df = __1 , + ∞ e D 'f = R
-1 -1
c) logy (a) d) loga (y)
2

]3 [
3x - 3 Resolução
-
g-1 (x) = _______ , Dg = R e
1 10
-1

2 a) loga (xy) = loga (x) + loga (y) = 4 + 5 = 9


D 'g - ∞, __1
-1
b) loga (x 2) = 2 loga (x) = 2 * 4 = 8
] 2[
69. a) Dg = ] - 3, 3 [ e D 'f | ] - 3, 3[ = ] 0, 9] log (a) 1
c) logy (a) = _______ = __
a
b) ] - ∞, 2] loga (y)5
c) - __1
__ 1
__
70. a) 5 b) 0 2 1
d) loga (y) = loga (√y ) = loga (y ) = __ loga (y) = __ * 5 = __
1 5
2
d) - 2 e) __1
2
2 2 2
6
continua

112 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação
71 Admite que log (2) = c e que
4. Na figura está parte da representação gráfica da função f , de domínio log (3) = d . Exprime, em função
R+ , definida por f(x) = ln x (ln designa logaritmo de base e). de c e/ou d :
a) log (9) b) log (200)
y c) log (18) d) log (15)
f
B C
Resolução 72 Determina 5x , sabendo que:
A Exercício 73 (resolução
D
passo a passo) x = log5 (4) * log4 (3)
O 2 6 x
73 No referencial abaixo, estão
representados parte do gráfico
da função f definida por
Os pontos A e C pertencem ao gráfico da função f e são vértices de um
f(x) = loga (x - 2)
retângulo [ABCD] , de lados paralelos aos eixos do referencial.
e um retângulo que tem dois vér-
As abcissas de A e de C são 2 e 6, respetivamente. tices sobre o gráfico de f e um
lado contido no eixo Ox .
Qual é a área do retângulo [ABCD] ? y

Resolução

A área do retângulo [ABCD] é dada por AD ‾ * CD ‾ , sendo ‾


AD = 6 - 2 = 4 O f 5 x
e sendo ‾CD igual à diferença entre as ordenadas dos pontos C e D .
Então, ‾ 6 = ln (3) .
CD = f(6) - f(2) = ln (6) - ln (2) = ln (__ Determina a , sabendo que o
2) retângulo tem área 8.
Portanto, ‾
AD * ‾
CD = 4 * ln (3) = ln (34) = ln (81) .
74 Determina, em R , o domí-
Assim, a área do retângulo [ABCD] é igual a ln (81) . nio de cada uma das funções f
definidas por:
a) f(x) = log3 (x + 2)
5. Determina o domínio, em R , de cada uma das funções f definidas por:
b) f(x) = log3 (x 2 + 2)
log2 (1 - x)
a) f(x) = log3 (2 - x) - log ( x 2 ) b) f(x) = __________ c) f(x) = log5 ( | x - 3 | )
1 + ln (x) ____________
d) f(x) = √1 + log __1 (x - 2)
2
Resolução
e) f(x) = log5 (4 - x 2 )
+
a) Dado que o domínio das funções logaritmo é R , o domínio da função f x+1
f) f(x) = ln (____)
é D = {x å R : 2 - x > 0 ‹ x > 0} . 2 x-2
PROFESSOR
Tem-se: 2 - x > 0 ‹ x 2 > 0 § x < 2 ‹ x 0 0
Soluções
Portanto, D = ] - ∞, 2 [ \ {0} . 71. a) 2d b) c + 2

+
c) c + 2d d) d + 1 - c
b) Dado que o domínio das funções logaritmo é R e dado que não é x log5 (4)
log4 (3)
log4 (3)
72. 5 = ( 5 ) =4 =3
log2 (1 - x)
possível dividir um número por 0, o domínio da expressão __________ 4
__
1 + ln (x) 73. a = √3
é D = {x å R : 1 - x > 0 ‹ x > 0 ‹ 1 + ln (x) 0 0} .
74. a) ] - 2, + ∞ [ b) R
Tem-se: c) R \ {3} d) ] 2, 4]

1 - x > 0 ‹ x > 0 ‹ 1 + ln (x) 0 0 § x < 1 ‹ x > 0 ‹ ln (x) 0 - 1 § e) ] - 2, 2 [

§ x < 1 ‹ x > 0 ‹ x 0 e -1 f) ] - ∞, - 1 [ ∂ ] 2, + ∞ [
Mais sugestões de trabalho
1
Portanto, D = ] 0, 1 [ \ __
{e} . Exercícios propostos n.os 100 a 108
(pág. 136).
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 113


continuação
75 Determina o domínio de cada
uma das funções f e g defini- 6. Considera as funções reais de variável real f e g definidas por:
das por: f(x) = log (x) + log (x - 1) g(x) = log [x(x - 1)]
a) f(x) = ln (x + 2) + ln (x - 1) Mostra que a função f é uma restrição da função g .
g(x) = ln [(x + 2) (x - 1)]
Resolução
b) f(x) = log3 ( x 2 )
Df = {x å R : x > 0 ‹ x - 1 > 0} = ] 1, + ∞ [
g(x) = 2 log3 (x)
Dg = {x å R : x(x - 1) > 0} = ] - ∞, 0 [ ∂ ] 1, + ∞ [

Dado que:
• as duas funções têm conjunto de chegada igual (R);
Simulador
Geogebra: • Df ƒ Dg ;
Transformações de
gráficos de funções • Ax å Df , f(x) = g(x) (Propriedade 1)
logarítmicas
conclui-se que a função f é uma restrição da função g .

NOTA 7. Determina lim log2 (x) - log__1 (x) e lim log2 (x) * log__1 (x) .
x"0
+
( 2 ) x"+∞ ( 2 )
Observa os gráficos das funções lo-
Resolução
garitmo de base 2 e de base __
1 , de
2 lim (log2 (x) - log __1 (x)) = - ∞ - (+ ∞) = - ∞ - ∞ = - ∞
modo a melhor perceberes o exercí- x"0
+ 2
cio resolvido 7.
lim (log2 (x) * log __1 (x)) = + ∞ * (- ∞) = - ∞
y x " +∞ 2
y = log 2 (x)
log ( x 3) + 2x
8. Determina lim ___________ .
x"0 log (x)
+

O x Resolução
-∞
log ( x 3) + 2x ____ 3 log (x) + 2x 3 log (x) 2x
lim ___________ = lim ___________ = lim ________ + _______ =
-∞
y = log 1 (x)
log (x) log (x) x " 0 [ log (x) log (x) ]
+ + +
2 x"0 x"0

= lim 2x
3 + _______ 0 =3+0=3
= 3 + ____
Abreviadamente, é habitual escrever:
x"0
+
[ log (x) ] -∞
• Se a > 1 :
loga (+ ∞) = + ∞ 9. Resolve as equações seguintes.
+
loga (0 ) = - ∞
a) log (2x - 1) = log (x - 2) b) log6 (x) + log6 (x - 5) = 2
• Se 0 < a < 1 : c) 2 log3 (x) - log3 (x - 2) = 2
loga (+ ∞) = - ∞
+
loga (0 ) = + ∞ Resolução
a) Atendendo a que a função logaritmo decimal é injetiva, somos tenta-
76 Calcula os seguintes limites.
dos a escrever: log (2x - 1) = log (x - 2) § 2x - 1 = x - 2 § x = - 1
1
ln (__
x)
No entanto, substituindo x por - 1 na equação log (2x - 1) = log (x - 2) ,
a) lim _______
x"0
+
x obtém-se a expressão log (- 3) = log (- 3) , que não tem significado
1 porque não existe logaritmo de um número negativo.
b) lim x log __1 (__
x " +∞ ( 2 x ))
Portanto, as equações log (2x - 1) = log (x - 2) e 2x - 1 = x - 2 não
2 ln (x) + 1
c) lim _______ são equivalentes.
x " +∞ ln (x) + 3
A resolução da equação log (2x - 1) = log (x - 2) pode ser apresentada,
PROFESSOR por exemplo, de uma das seguintes formas:
Soluções Resolução 1
75. a) Df = ] 1, + ∞ [ log (2x - 1) = log (x - 2) § 2x - 1 = x - 2 ‹ 2x - 1 > 0 ‹ x - 2 > 0 §
Dg = ] - ∞, - 2 [ ∂ ] 1, + ∞ [ 1 ‹ x > 2 § x = -1 ‹ x > 2
§ x = - 1 ‹ x > __
b) Df = R \{0} ; Dg = R
+ 2
Portanto, a equação log (2x - 1) = log (x - 2) é impossível.
76. a) + ∞ b) + ∞ c) 2
continua

114 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação
NOTA
Resolução 2 Na resolução de equações com lo-
Comecemos por determinar o domínio da expressão. garitmos, usam-se, frequentemente,
as equivalências:
D = {x å R : 2x - 1 > 0 ‹ x - 2 > 0} loga (x) = loga (y) § x = y
2x - 1 > 0 ‹ x - 2 > 0 § x > __1 ‹x>2§x>2 loga (x) = y § x = a y
2
bem como as propriedades operató-
Para x > 2 , ou seja, para x å ] 2, + ∞ [ , tem-se: rias. Em todas as situações, é im-
portante ter presente que só os nú-
log (2x - 1) = log (x - 2) § 2x - 1 = x - 2 § x = - 1
meros positivos têm logaritmo.
Dado que - 1 não pertence ao intervalo ] 2, +∞ [ , a equação é impossível.
77 Resolve as equações seguintes.
b) log6 (x) + log6 (x - 5) = 2 § log6 [x(x - 5)] = 2 ‹ x > 0 ‹ x - 5 > 0 §
a) log2 (x + 3) = log2 (1 - x)
§ x 2 - 5x = 62 ‹ x > 5 § x 2 - 5x - 36 = 0 ‹ x > 5 §
b) ln (2 - x) - ln (x - 4) = 0
§ (x = - 4 › x = 9) ‹ x > 5 § x = 9
c) log2 (x - 6) + 1 = log2 (3 - x)
C.S. = {9} d) log3 (x) + log3 (x - 8) = 2
c) Comecemos por determinar o domínio: {x å R : x > 0 ‹ x - 2 > 0} e) log6 (x + 4) - log6 (x - 1) = 1
x>0‹x-2>0§x>2 f) 2 ln (x) = ln (5) + ln (x + 1,2)
No intervalo ] 2, + ∞ [ , tem-se:
2 log3 (x) - log3 (x - 2) = 2 § log3 ( x 2) = 2 + log3 (x - 2) §
§ log3 ( x 2) = log3 ( 32) + log3 (x - 2) § log3 ( x 2) = log3 [9(x - 2)] §
§ x 2 = 9x - 18 § x 2 - 9x + 18 = 0 § x = 3 › x = 6
O número 3 e o número 6 são solução da equação dada, pois são
ambos maiores do que 2.
C.S. = {3, 6} NOTA
Na resolução de inequações com lo-
garitmos, para além do domínio e
10. Resolve as inequações seguintes. das propriedades operatórias, tem
de ter-se em consideração que a
a) log__1 (2 - x) ≤ log__1 (x) b) log3 (x - 1) < 2
2 2 função logaritmo de base a :
c) log2 (x) ≤ 4 - log4 (x) d) 2 log2 (x + 1) - log2 (x + 5) ≤ 1 • é crescente se a > 1 ;
• é decrescente se 0 < a < 1 .
e) x ln (x) ≥ 2 ln (x)
Calculadoras gráficas
Resolução Casio fx-CG 20 ...... pág. 190
a) O domínio, neste caso, é {x å R : 2 - x > 0 ‹ x > 0} = ] 0, 2 [ . TI-84 C SE / CE-T .... pág. 196
TI-Nspire CX .......... pág. 202
Para x å ] 0, 2 [ , tem-se:
NOTA
* 2 - x ≥ x § - 2x ≥ - 2 § x ≤ 1
log __1 (2 - x) ≤ log __1 (x) ⇔
2 2
* Dado que 0 < __
1 < 1 , a função lo-
2
O conjunto-solução é ] 0, 2 [ © ] - ∞, 1] . garitmo de base __
1 é decrescente.
2
C.S. = ] 0, 1]
2
b) log3 (x - 1) < 2 § log3 (x - 1) < log3 3 §
§ x - 1 < 32 ‹ x - 1 > 0 § x < 10 ‹ x > 1 § x å ] 1, 10 [
C.S. = ] 1, 10 [ PROFESSOR
Soluções
Frequentemente, escreve-se, imediatamente, a equivalência
77. a) C.S. = {- 1} b) C.S. = ∅
log3 (x - 1) < 2 § x - 1 < 32 ‹ x > 1 , não apresentando a substituição
de 2 por log3 ( 32 ) , que se considera implícita. c) C.S. = ∅ d) C.S. = {9}
e) C.S. = {2} f) C.S. = {6}
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 115


continuação
78 Resolve as inequações se-
guintes e apresenta o conjunto- c) log2 (x) ≤ 4 - log4 (x) § log2 (x) + log4 (x) ≤ 4 §
-solução usando a notação de log2 (x) log2 (x)
intervalos de números reais. § log2 (x)+ _______ ≤ 4 § log2 (x) + _______ ≤4§
log2 (4) 2
a) log2 (x) < log2 (5)
b) log 1__ (x) < log 1__ (5) § 2 log2 (x) + log2 (x) ≤ 8 § 3 log2 (x) ≤ 8 §
2 2
8
__ 3
__
c) log3 (1 - x) ≤ 2 8 § x ≤ 23 ‹ x > 0 § x ≤ √
§ log2 (x) ≤ __
8
2 ‹x > 0 §
d) log (x + 2) + log (x + 3) >
3
__
> log (12) 3
§ x ≤ 4√4 ‹ x > 0
e) log81 (x 2) ≤ __
1 __
3
2 C.S. = ] 0, 4√4 ]

d) Comecemos por determinar o domínio da condição

2 log2 (x + 1) - log2 (x + 5) ≤ 1 .
D = {x å R : x + 1 > 0 ‹ x + 5 > 0} = ] - 1, + ∞ [
Vamos indicar três formas de apresentar a resolução, tendo já em conside-
ração que x å ] - 1, + ∞ [ .
Resolução 1
2
2 log2 (x + 1) - log2 (x + 5) ≤ 1 § log2 (x + 1) ≤ 1 + log2 (x + 5) §
2
§ log2 (x + 1) ≤ log2 (2) + log2 (x + 5) §
2 2
§ log2 (x + 1) ≤ log2 (2x + 10) § (x + 1) ≤ 2x + 10 §
§ x 2 + 2x + 1 ≤ 2x + 10 § x 2 - 9 ≤ 0 § x å [- 3, 3]
C.S. = [- 3, 3] © ] - 1, + ∞ [ = ] - 1, 3]
Resolução 2
2
2 log2 (x + 1) - log2 (x + 5) ≤ 1 § log2 (x + 1) - log2 (x + 5) ≤ 1 §
2 2
(x + 1) (x + 1)
§ log2(______) ≤ 1 § ______ ≤ 2 §
x+5 x+5
x 2 + 2x + 1 - 2 (x + 5) x2 - 9
§ _________________ ≤ 0 § _____ ≤ 0
x+5 x+5
Vamos resolver esta condição, em R , recorrendo a um quadro de
variação de sinal.

Cálculos auxiliares
x2 - 9 = 0 § x = - 3 › x = 3 x + 5 = 0 § x = -5

x -∞ -5 -3 3 +∞
x -9
2
+ + + 0 - 0 +

x+5 - 0 + + + + +
x -9
2
______ - n.d. + 0 - 0 +
x+5
PROFESSOR
x2 - 9
Soluções
Portanto, _____ ≤ 0 § x å ] - ∞, - 5 [ ∂ [- 3, 3]
78. a) ] 0, 5 [ b) ] 5, + ∞ [ x+5
c) [ - 8, 1 [ d) ] 1, + ∞ [ C.S. = (] - ∞, - 5 [ ∪ [- 3, 3] ) © ] - 1, + ∞ [ = ] - 1, 3]
e) [ - 3, 0 [ ∂ ] 0, 3]
continua

116 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação
79 Resolve as inequações se-
Resolução 3 guintes e apresenta o conjunto-
x2 - 9
Tal como na resolução 2, chegamos à condição ______ ≤ 0 . Embora se -solução usando a notação de
x+5 intervalos de números reais.
trate de uma inequação fracionária, podemos resolvê-la sem construir
a) log2 (x - 1) ≥ 1 + log2 (2 - x)
um quadro de sinais atendendo a que, no domínio da inequação,
b) log2 (x - 1) ≤ 5 - log2 (13 - x)
a expressão x + 5 só toma valores positivos.
c) 2 log __1 (x + 1) ≤ log __1 (x) - 1
4 4
Tem-se, portanto: d) x ln (2 - x) ≥ 2x
2-x
x2 - 9
______ ≤ 0 ‹ x å ] - 1, + ∞ [ § x2 - 9 ≤ 0 ‹ x å ] - 1, + ∞ [ e) _____ ≤ 0
x-5 log (x)
§ x å [- 3, 3] © ] - 1, + ∞ [ f) log2 (x + 1) · log _1 (6 - 3x) ≥ 0
3

C.S. = ] - 1, 3]
+
e) O domínio é R .

x ln (x) ≥ 2 ln (x) § x ln (x) - 2 ln (x) ≥ 0 § (x - 2) ln (x) ≥ 0

Cálculos auxiliares
ln (x) = 0 § x = 1 x-2=0§x=2

x 0 1 2 +∞

ln (x) - 0 + + +

x-2 - - - 0 +

(x - 2) ln (x) + 0 - 0 +

C.S. = ] 0, 1] ∂ [ 2, + ∞ [

Observação
Nas resoluções que apresentámos, usámos, frequentemente, propriedades
algébricas dos logaritmos, nomeadamente, por exemplo, quando substi-
tuímos log6 (x) + log6 (x - 5) por log6 [x(x - 5)] , ou quando substituímos
2
2 log2 (x + 1) por log2 (x + 1) .
Nestas situações tivemos sempre em consideração os domínios das
expressões iniciais, domínios esses que estavam contidos nos domínios PROFESSOR
das expressões seguintes. Soluções

79. a) __, 2
5
A situação inversa, em que se substitui uma expressão por outra que tem [3 [
o domínio estritamente contido no primeiro, pode conduzir a resoluções
b) ] 1, 5] ∂ [ 9, 13 [
erradas, como se exemplifica em seguida.
c) ] 0, + ∞ [
A equação log3 ( x 2) = 2 tem como soluções os números - 3 e 3, pois: d) [2 - e2 , 0]
2
log3 ( x 2) = 2 § x 2 = 3 § x 2 = 9 § x = - 3 › x = 3 e) ] 0, 1 [ ∂ [ 2, + ∞ [

f) ] - 1, 0] ∂ __, 2
5
Se substituirmos log3 (x 2) por 2log3 (x) , obtemos a equação 2log3 (x) = 2 [3 [
que tem apenas a solução 3:
2 log3 (x) = 2 § log3 (x) = 1 § x = 3 Mais sugestões de trabalho
Exercícios propostos n.os 109 a 120
Ou seja, «perdeu-se» uma solução! (págs. 137 a 139).

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 117


Teste 5 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. Seja f a função bijetiva, de domínio ] - 4, + ∞ [ , definida por:

f(x) = 2 log4 (x + 4)

5 Qual dos pontos seguintes pertence ao gráfico da função inversa de f ?

(A) A(1, 0) (B) B(1, 2)

+
(C) C(1, - 2) (D) D(1, - 1)

2. Considera a função f , de domínio R , definida por f(x) = log2 (x) . O ponto P


é o ponto do gráfico que tem ordenada __

1
1 . Qual é a abcissa do ponto P ?
2
1__
__
(A) 2 (B) __ (C) __ (D) √2
2 √2

3. Sejam a e b dois números reais positivos. Sabe-se que ln (ab) = k e que


ln ( a3) = 6k .
a
Qual é o valor de ln (__) ?
b
(A) - 2 (B) 2 (C) k (D) 3k

+
4. No referencial da figura está representada a função f , de domínio R ,
definida por f(x) = ln (x) .
y
f
D C

O A B x

Os pontos A e C pertencem ao gráfico da função e são vértices do retân-


gulo [ABCD] , cuja aresta [AB] está contida no eixo Ox .

Seja c a abcissa do ponto C .

A área do retângulo [ABCD] é dada por:


PROFESSOR (A) c ln (c) (B) (c - e) ln (c) (C) ln ( cc - 1 ) (D) c ec
Soluções
1. (C)
5. No desenvolvimento de (3x + 2)4 há um termo cuja parte literal é x3 .
2. (D)
3. (D) Qual é o coeficiente numérico desse termo?
4. (C) (A) 214 (B) 216 (C) 218 (D) 220
5. (B) Ajuda

118 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1 + ln (3x)
1. Considera a função f , de domínio ] 0, + ∞ [ , definida por f(x) = _________ .
x
Resolve, por processos analíticos, as alíneas a) a d).
a) Determina, caso existam, os zeros da função f .
b) Calcula lim f(x) .
x"0 n
1
c) Seja ( un ) a sucessão de termo geral un = 1 - __
( n) .
1 = ln ( 3e ) e determina o limite da sucessão (f( u )) .
Mostra que f (__
e) n

d) Resolve a condição x f(x) ≥ ln (e - ex) e apresenta o conjunto-solução


recorrendo à notação de intervalos.
e) Sejam A e B os pontos do gráfico da função f que têm ordenada igual
à abcissa. Determina a área do quadrado de que uma diagonal é o seg- PROFESSOR
mento de reta [AB] . Soluções
Recorre a uma calculadora gráfica para resolver este item. Apresenta os 1. a) ___
1
gráficos que te permitiram obter a resposta, bem como as coordenadas 3e
b) - ∞
dos pontos relevantes, com três casas decimais.
c) ln (3e)
Apresenta o valor pedido arredondado às décimas.
d) _1 , 1
[4 [
2. Considera a função f definida por f(x) = e x - e x2 - 2 .
2

e) 2,2 (u.a.)
Determina, recorrendo ao estudo da monotonia da função, o conjunto dos
valores de k para os quais a equação f(x) = k é impossível.

3. O tempo h , em horas, que uma bebida tirada do frigorífico a uma tempera-


tura de T graus Celsius demora a atingir a temperatura ambiente, A graus
A - T , sendo 0 < T < A - 2 .
Celsius, pode ser dada pela função h = 2log2(_____
2 ) 2. ] - ∞, - 2 [
a) Determina A sabendo que uma bebida que foi tirada do frigorífico a 3. a) 34 °C
uma temperatura de 2 graus Celsius demorou 8 horas a atingir a tempera-
4. y = __1 x + __
5
tura ambiente. 2 4
b) Supondo que A = 9T , mostra que h = 4 + log2(T ) .
2
5. a) 8C6 * 12C3 = 6160
12
C3 * 6C6 ___
+
4. Acerca de uma função g sabe-se que tem domínio R , não tem zeros e a reta b) 1 - _ = 27
8
C6 * 12C3 28
de equação y = 2x - 3 é assíntota ao seu gráfico. Seja f a função definida
x2 + x . Mostra que existe uma assíntota oblíqua ao gráfico de f
por f(x) = _____
g(x)
e determina a sua equação reduzida.
Resolução
5. Uma rádio local recebeu 20 pedidos para transmitir músicas, todas diferentes,
das quais vai escolher nove. Apenas 40% dos pedidos são de músicas portu-
guesas. A emissora, no entanto, faz questão de passar música portuguesa e
estrangeira na proporção de 2 para 1.
a) Mostra que há 6160 modos diferentes para fazer a seleção das nova músicas.
b) Supondo que o Pedro pediu duas músicas portuguesas, qual é a probabili-
dade de ouvir pelo menos uma delas, admitindo que a escolha das músicas
pela emissora é aleatória, dentro do critério estabelecido?

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 119


Funções derivadas das funções exponenciais
e das funções logarítmicas
Simulador Já sabemos que ( ex) ' = ex .
Geogebra: Derivada
da função exponencial Vamos agora obter uma expressão da função derivada da função exponencial de
e derivada da função base a (a > 0 e a 0 1).
logarítmica
Geogebra: Derivada da Dado k å R+ , tem-se k = e ln (k) . Então, se k = ax , tem-se ax = e ln (a ) . Aplicando x

função inversa a propriedade 5, relativa a logaritmos, conclui-se que ax = e x ln (a) = e ln (a)x .

RECORDA Seja f(x) = ax . Então, f(x) = e ln (a) x e, aplicando a regra de derivação da função
(f ∘ g) '(x) = g '(x) * f '(g(x)) composta, tem-se:
f '(x) = (e ln (a) x)' = (ln (a) x)'e ln (a) x = ln (a) e ln (a) x = ln (a) ax
Portanto:

Se f(x) = ax , então Ax å R, f '(x) = ln (a) f(x) = ln (a) ax

Repara que, se aplicarmos esta regra para calcularmos a derivada da função


(ax)' = ax · ln (a)
exponencial, obtemos o resultado que já conhecemos, pois ln (e) = 1 .

80 Determina uma expressão para EXEMPLOS


f '(x) e os zeros de f ' , sendo:
1. (3 )' = ln (3)3
x -x
x x
a) f(x) = 2 + 2
)' = ( x 2 + 1) ' · ln (5) · 5x
x2 + 1 +1
= 2x · ln (5) · 5x + 1 = 2 ln (5) x 5x + 1
1
__ 2 2 2
2. (5
b) f(x) = x * 3 x
(neste caso, aplicamos também a regra para derivar a função composta)

81 ln (x)
Para obter a função derivada da função logaritmo neperiano, comecemos por
Determina lim _____ e ex - 1
x"1 x - 1 observar que o limite notável lim _____ = 1 permite concluir que:
x + 2 , recorrendo a: x
lim ________
x"0
x " -2 ln (x + 3) ln (y + 1)
ex - 1 lim ________ = 1
a) lim _____ = 1 y"0 y
x"0 x
ln (x + 1) Seja y = ex - 1 . Então, x = ln (y + 1) e x " 0 ± y " 0 .
b) lim ________ = 1
x"0 x ex - 1 y ln (y + 1)
Assim, lim _____ = 1 ± lim ________ = 1 ± lim ________ = 1 .
x"0 x y " 0 ln (y + 1) y→0 y
ln (y + 1)
Vamos ver como o resultado lim ________ = 1 é útil para obter a função deri-
y"0 y
PROFESSOR
vada da função f definida por f(x) = ln (x) .
Soluções x+h
x -x
80. a) 2 ln (2) - 2 ln (2) = ln (____)
f(x + h) - f(x) ln (x + h) - ln (x) x
x -x
= ln (2) ( 2 - 2 ) ; 0
f '(x) = lim ___________ = lim ______________ = lim _________ =
h"0 h h"0 h h"0 h
__1 __1
b) 3 - x * ____
1 * 3 x ln (3) =
h 0 h
ln (1 + __ ln (1 + __
x

x2
x ) __
x) 1 ln (1 + y) 1 1 = __
1
= lim _________ = lim _________ * __ = lim ________ * __ = 1 * __
__1 0
x - ln (3)
= 3x * _______ ; ln (3) h"0 h h
__ " 0 h
__ x y= h
__ y " 0 y x x x
x x x
x
ln (x) Portanto:
81. lim _____ = 1
x"1 x - 1

x+2 =1 1.
Se f(x) = ln (x) , então Ax å R , f '(x) = __
+
lim _____ x
x " - 2 ln (x + 3)

120 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


ln (x)
Tendo em consideração que loga (x) = ______ , conclui-se que:
ln (a) ln ' (x) = __
1
x
ln (x) ' 1 ln ' (x) = _____
1 ⋅ __ 1
1 = _______ log 'a (x) = 1______
log 'a (x) = ______ = _____
( ln (a) ) ln (a) ln (a) x ln (a) x x ln (a)

Portanto: NOTA
ln ' (x) também se escreve (ln (x)) ' e
+ 1
Se f(x) = loga (x) , então Ax å R , f '(x) = ______ . log 'a (x) também se escreve
x ln (a)
[loga (x)]' .

EXEMPLOS

1
1. lo g '2 (x) = _______ , x > 0
ln (2) x NOTA
1 = 2x * _____
2. ln '( x2 + 1) =* ( x2 + 1) ' * _____
1 = _____
2x * Aplicando a regra de derivação da
x2 + 1 x2 + 1 x2 + 1 composta de funções.

Completamos a lista de «regras de derivação» com a função derivada da função 82 Seja f uma função diferenciá-
definida por f(x) = xa , com a å R e x > 0 . Esta função é diferenciável e vel tal que A x å Df , f(x) > 0 .
f '(x) = a x a - 1 , fórmula esta que generaliza a que já conhecias para a å Q . Mostra que:
f '(x)
a) [ln (f(x))] ' = ____
+ f(x)
Se f(x) = xa , a å R , então Ax å R , f '(x) = a x a - 1 .
f '(x)
b) [loga (f(x))] ' = _________
f(x) ln (a)
Este resultado pode justificar-se escrevendo xa na forma e a ln (x) .

1 * xa = a * x a - 1 .
Assim, ( xa) ' = (e a ln (x))' =* (a ln (x)) 'e xln (a) = a * __
83 Determina uma expressão
x para f '(x) e os zeros de f ' , sendo:
x
a) f(x) = _____
ln (x)
b) f(x) = ln (ex + 1)
Exercício resolvido 1 - log (x)
c) f(x) = _________
Determina uma expressão da função derivada da função f , sendo: x
2
log2 (x + 1) ln (x)
a) f(x) = x ln (2x) b) f(x) = __________ c) f(x) = ( x 2 + 1)
π
d) f(x) = ______
x+1 x
Resolução
a) f '(x) = (x ln (2x)) ' = x ' * ln (2x) + x * (ln (2x)) ' =
1 = ln (2x) + 1
= ln (2x) + x * 2 * ___
2x
log2 (x + 1) ' (log2 (x + 1))' * (x + 1) - log2 (x + 1) * (x + 1) '
b) f '(x) = (__________) = _______________________________________ =
x+1 (x + 1)
2 PROFESSOR
Soluções
1
__________ 1 - log (x + 1)
* (x + 1) - log2 (x + 1) ______ ln (x) - 1
(x + 1) ln (2) ln (2) 2
83. a) _______2 ; e
= ____________________________
2
= ________________
2
= [ln (x)]
(x + 1) (x + 1) ____
ex
b) x ; f ' não tem zeros
log2 (e) - log2 (x + 1) e +1
= ________________ log (x) - log (e) - 1
c) _____________ ; 10e
2
(x + 1)
x2
c) f '(x) = [( x 2 + 1) ]' = ( x 2 + 1) ' * π * ( x 2 + 1)
π π-1 π-1 ln (x) (2 - ln (x))
= 2πx ( x 2 + 1) d) ____________ ; 1 e e2
x2

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 121


RECORDA
Já referimos como «limite notável»
Mais limites notáveis
uma situação de indeterminação do
tipo __ envolvendo a função expo-
0 +
Já sabes que lim ex = + ∞ , lim ln (x) = + ∞ e lim x k = + ∞ , se k å R .
0 x " +∞ x " +∞ x " +∞
ex - 1
nencial: lim _____ = 1
x"0 x
Pode-se provar (exercício 84) que:
PROFESSOR
Gestão curricular ex
__
lim = + ∞, k å R
Todos os alunos devem saber que x " +∞ xk
lim __ = + ∞ . No entanto, a respetiva
ex
x " +∞ x k

demonstração é facultativa, não sendo, Este limite é referido como limite notável*.
portanto, exigível aos alunos.
Em particular, tem-se lim __ ex = + ∞ , o que permite concluir que:
NOTA x " +∞ x

*  Só se trata de uma situação de


indeterminação no caso de k ser ln (x)
positivo. lim _____ = 0
x " +∞ x

Justificação

Considerando y = ex , tem-se: x = ln (y) e x " + ∞ ± y → + ∞ .

Então,
ex y ln (y)
lim __ = + ∞ ± lim _____ = + ∞ ± lim _____ = 0
x " +∞ x y " +∞ ln (y) y " +∞ y

Os dois limites que destacámos, ambos referidos como limites notáveis, tradu-
zem, formalmente, o que se pode sugerir, em linguagem corrente, afirmando que
a função «exp» cresce mais rapidamente do que qualquer potência de x e que
84 a) Prova que
a função «ln» cresce mais lentamente do que x .
Ax ≥ 1, ( ex - x) ' > 0
e deduz que Ax ≥ 1, ex - x > 0 . Observa as tabelas abaixo.
b) Tendo em conta a conclusão A primeira, evidencia que a exponencial se torna muito superior à potência x 3
obtida em a), verifica que para valores elevados de x (os valores da exponencial são valores arredon-
x2 '
Ax ≥ 1, (ex - __) > 0 e de- dados).
2
duz que Ax ≥ 1, ex - __ x2 > 0 .
2 A segunda, evidencia que o logaritmo neperiano cresce muito lentamente para
c) Recorre a b) para concluir valores positivos de x , mesmo se o crescimento for comparado com o cresci-
ex x
que Ax ≥ 1, __ > __ e deduz mento de x .
x 2
ex
que lim __ = + ∞ .
x " +∞ x
+
x 1 2 3 … 10 … 20 … 60 …
d) Seja k å R .
Tem em consideração que e x
2,718 7,389 20,086 … 22 026,466 … 4,851 * 10 8
… 1,142 * 10 26

x k
__
k
⎛ __xk ⎞k x3 1 8 27 … 1000 … 8000 … 216 000 …
e e
⎜ ⎟
e
x
__ = __ = __ ___ 1
xk ( x ) kk __ x
⎝k⎠
e conclui que x 1 2 3 … 10 … 100 … 5000 …
ex
lim __k = + ∞ ln (x) 0 0,693 1,099 … 2,303 … 4,605 … 8,517 …
x " +∞ x

122 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Exercícios resolvidos
85 Calcula, caso existam, os se-
1. Calcula os limites seguintes. guintes limites.
__ ln ( x 2 )
e + ______
x
x
___3
ex + e-x
a) lim b) lim a) lim ______
x " +∞ ( x 3 x ) x " +∞ e 2x x " +∞ x
ln (2x + 1) e x+1
_____
b) lim
c) lim _________ d) lim [5x - 3 ln (x)] x " +∞ e x + x
x " +∞ x+3 x " +∞
x2
c) lim _____
e) lim ( x 2 ex ) f) lim (x ln (x)) x " +∞ 2 e 0,1x
x " -∞ x"0
+

2
ln ((x + 1) )
Resolução d) lim ___________
∞ ___
___ ∞
2x + 1
x " +∞

e ln ( x 2 )
x
ex ln ( x 2 ) ∞ + ∞
a) lim (__3 + ______) = lim __3 + lim ______ = 2
e) lim x ln (__)
x " +∞ x x x " +∞ x x " +∞ x x"0 [ x ]
+

ln (x) f) lim [x - ln (x)]


= + ∞ + 2 lim ______ = + ∞ + 2 * 0 = + ∞ x " +∞
x " +∞ x
loga (x)

___ 3 g) lim _______
x (2x) __
1 * lim _____ x " +∞ x
___ = __ 1
= 1 * _________
3 ∞
b) lim =
x " +∞ e 2x 8 e 8 e 2x 2x = y
lim _____3
x " +∞ 2x

x " +∞ (2x)

= __ 1
1 * _______ 1 * ____
= __ 1 = __ 1*0=0
8 ey 8 + ∞ 8
__
lim
y " +∞ y 3


___
ln (2x + 1) ∞ ln (2x + 1) 2x + 1
c) lim _________ = lim (_________ * _____) =
x " +∞ x+3 x " +∞ 2x + 1 x+3
ln (2x + 1) 2x + 1 ln (y)
= lim _________ * lim _____2x +=1 = y lim ____ * 2 = 0 * 2 = 0
x " +∞ 2x + 1 x " +∞ x + 3 y " +∞ y
ln (x)
x * (5 - 3 ______)] =
∞-∞
d) lim
x " +∞
[5x - 3 ln (x)] = lim
x " +∞ [ x
ln (x)
= lim [x * (5 - 3 lim ______ )] = + ∞ * (5 - 3 * 0 ) = + ∞ * 5 = + ∞
x " +∞ x " +∞ x

___
x 2 ∞ _________
1 1 1 =0
e) lim ( x 2 ex ) = lim ___ = _______ ____
∞*0
= y =
-x -x -x = y
e e e +∞
lim _____2 lim __2
x " -∞ x " -∞
x " -∞ (- x) y " +∞ y

1
- ln (__
x)

___
ln (x) ln (y)
= lim ______ = lim ________ 1= - lim _____ = 0
0 * (-∞) ∞
f) lim (x ln (x))
x"0
+
x"0 1
__ +
x"0 1
__ __ = y y " +∞
+
y
x
x x

2. Calcula os limites seguintes, tendo em consideração que, se u é um


número positivo e diferente de 1 e v é um qualquer número real, tem-se
RECORDA
uv = e vln (u).
Se x > 0 e a > 0 e a 0 1 , tem-se
x
2
a) lim __ b) lim ( xx ) x = alog (x) ; em particular, x = eln (x) .
a

x " +∞ x x"0
+
Portanto, uv = eln (u ) = ev ln (u) .
v

Resolução

PROFESSOR
x ___
e xln (2)
a) lim __ = lim _____ = ln (2) * lim _______
2 ∞ e xln (2) = Soluções
x " +∞ x x " +∞ x x " +∞ x ln (2) x ln (2) = y
85. a) + ∞ b) e c) 0
e y d) 0 e) 0 f) + ∞
= ln (2) * lim __ = ln (2) * (+ ∞) = + ∞ ln (x) _____
y " +∞ y g) lim _____ * 1 =0
x " +∞ x ln (a)
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 123


continuação
86 Calcula, caso existam, os 0 * (- ∞)

seguintes limites. 0
0 lim ( x ln (x) )
b) lim ( xx ) = lim ( e x ln (x)) = e
+
x"0
x
1
a) lim x * (__)
x"0
+
x"0
+

x " +∞ [ 2 ]
1
__
Na alínea f) do exercício resolvido 1, provámos que lim (x ln (x)) = 0 . +
x"0
b) lim x x
x " +∞ Portanto, lim ( x ) = e = 1 .
+
x 0
x→0

A estratégia que utilizámos no exercício 2 pode ser usada para calcular limi-
tes de algumas sucessões.

3. Calcula os seguintes limites de sucessões.


2n - 1
_____ 2n + 1
_____
3n - 2 n + 1 3 n 2 - 2 2 - 3n
a) lim _____ b) lim ______
( 4n + 1 ) ( n+3 )
Resolução
2n - 1
_____ 3n - 2
2n - 1 ln _____
_____
3n - 2 n + 1
a) lim _____
n + 1 ( 4n + 1 )
( 4n + 1 ) = lim (e )

_____ 3n - 2 = lim _____


2n - 1 ln _____ 2n - 1 3n - 2
_____
Ora, lim
[( n + 1 ) ( 4n + 1 )] ( n + 1 ) * lim (ln ( 4n + 1 )) .
3n - 2 = __
Dado que lim (_____ 3 e dado que a função «ln» é contínua,
87 Sejam (x ) e (y ) duas suces- 4n + 1 ) 4
n n
sões tais que: 3n - 2
conclui-se que lim ln (_____ 3 .
= ln (__
( 4n + 1 )) 4)
• An å N, xn > 0
• lim xn = a, a å R+ Então, lim _____ 3n - 2 = 2 * ln __
2n - 1 ln _____ 3
[( n + 1 ) ( 4n + 1 )] (4) .
• lim yn = b, b å R
Mostra que lim (xny ) = a b . n A continuidade da função «exp» permite, agora, concluir que:
2
_____ 3n - 2
2n - 1 ln _____ 3 3
( 4n + 1 ) 2 * ln (__) ln (__) 2
lim (e
n+1
)=e 4
= (e
4 3
) = __ 9
___
88 Usa o resultado do exercício ( 4 ) = 16
87 para calcular:
2n + 1
_____ 2n + 1 3n 2 - 2
2n - 1
_____ _____ ______
3 n 2 - 2 2 - 3n ln
b) lim ______ (e 2 - 3n ( n+3 )
n + 2 n+3
lim (_____ = lim )
2n + 3 ) ( n+3 )
3n2 - 2
2n + 1 * ln ______
Concentremos a atenção no cálculo de lim _____ ( n + 3 )] .
[ 2 - 3n
89 Calcula:
n2 + 1
_____
n + 2 2 - 3n lim _____ 3n2 - 2
2n + 1 * ln ______ 2n + 1
_____ 3n2 - 2
______
lim (_____ ( n + 3 )] = lim 2 - 3n * lim [ln ( n + 3 )]
2n + 3 ) [ 2 - 3n

3 n 2 - 2 = + ∞ e que lim (ln (x)) = + ∞ , conclui-se


Ora, dado que lim ______
PROFESSOR n+3 x " +∞

Soluções 3n2 - 2 = + ∞ .
que lim ln ______
86. a) 0 b) 1 [ ( n + 3 )]

88. __1 Assim, lim _____ 3n2 - 2


2n + 1 * ln ______ 2
__
4 [ 2 - 3n ( n + 3 )] = - 3 * (+ ∞) = - ∞ .
89. + ∞
Finalmente, dado que lim ex = 0 , pode-se concluir que:
x " -∞
Mais sugestões de trabalho 2n + 1
_____
3 n 2 - 2 2 - 3n
lim (______) =0
os
Exercícios propostos n. 121 a 129
(págs. 139 e 140). n+3

124 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Problemas resolvidos
1. Estuda a função f definida por f(x) = x 2 e-x quanto ao domínio, interva- NOTA
los de monotonia* e existência de extremos relativos; em relação ao grá- * Como é habitual, pretendem-se os
fico da função, estuda o sentido das concavidades* e existência de assín- intervalos «maximais» relativos à
monotonia da função e às concavi-
totas. Conclui qual é o contradomínio da função. dades do gráfico.
Resolução
Domínio: o domínio é R .
Monotonia e extremos: vamos obter a função derivada e os seus zeros.
f '(x) = (x 2 e-x)' = 2x e-x + x 2(- 1)e = 2x e-x - x 2 e-x
-x

f '(x) = 0 § 2x e-x - x 2 e-x = 0 § x e-x (2 - x) = 0 §


§ x = 0 › e-x = 0 › 2 - x = 0 § x = 0 › x = 2
⏟equação
impossível
Como a função é diferenciável em R , os extremos só podem ocorrer
em 0 e em 2.
Atendendo a que e-x só toma valores positivos, o sinal de f ' coincide
com o sinal de x(2 - x) .
Vamos resumir, num quadro, a variação de sinal da derivada e a sua
relação com a monotonia da função f .

x -∞ 0 2 +∞ 90 Determina expressões para


Sinal e zeros de f ' - 0 + 0 - f '(x) e f "(x) e os zeros de cada
uma das funções, f ' e f " , sen-
Monotonia e Mín. Máx. do f a função definida por:
¢ £ ¢
extremos de f rel. rel.
a) f(x) = 2(e0,5x + e-0,5x )
A função é decrescente em ] - ∞, 0] e em [ 2, + ∞ [ e é crescente b) f(x) = 3x e-0,2x
em [0, 2] . ln (x)
c) f(x) = _____
4 é máximo
4 ; portanto, 0 é mínimo relativo e __ x
f(0) = 0 e f(2) = __ x
d) f(x) = ______
e2 e2 ln (2x)
relativo.

Sentido das concavidades e pontos de inflexão: vamos obter a segunda


derivada.
PROFESSOR
f "(x) = (2x e-x - x 2e-x)' = 2 e-x + 2x(- 1) e-x - (2x e-x + x 2(- 1)e-x) = Soluções
= 2 e-x - 2xe-x - 2xe-x + x e = e-x(x 2 - 4x + 2)
2 -x
90. a) f '(x) = e0,5x - e-0,5x ; 0
__ __ f "(x) = 0,5(e0,5x + e-0,5x) ;
f "(x) = 0 § x2 - 4x + 2 = 0 § x = 2 - √2 › x = 2 + √2
f " não tem zeros
A variação de sinal de f " coincide com a variação de sinal da função b) f '(x) = e-0,2x (3 - 0,6x) ; 5
definida por x 2 - 4x + 2 , pois e-x só toma valores positivos. Então,
f "(x) = e-0,2x (0,12x - 1,2) ; 10
tem-se: 1 - ln (x)
c) f '(x) = ________ ; e
__ __ x2
x -∞ 2 - √2 2 + √2 +∞ 2 ln ( x)-3
__
3

f "(x) = _________ ; e 2
x3
Sinal e zeros de f " + 0 - 0 +
ln (2x) - 1 __
d) f '(x) = _________
e
;
Concavidades e pontos de 8 P.I. { P.I. 8 ln2 (2x) 2
inflexão do gráfico de f 2 - ln (2x) __
f "(x) = _________
e2
;
x ln3 (2x) 2
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 125


continuação

Assíntotas: a função é contínua em R e, portanto, o gráfico não tem


assíntotas verticais.
NOTA A decisão de procurar uma assíntota horizontal ou uma assíntota não
Caso tivéssemos optado por estu- vertical (que poderá ser horizontal ou oblíqua) pode ser tomada arbi-
dar a existência de assíntota não trariamente, ou pode resultar de algum conhecimento prévio acerca
vertical, teríamos começado por das funções envolvidas. Neste caso, vamos começar por investigar a
f(x)
calcular lim ____ e concluído que existência de assíntota horizontal, em + ∞ .
x → +∞ x
x2 1 1 =0
lim f(x) = lim (x 2 e-x) = lim __x = ______ = _____
∞*0
este limite é 0. O passo seguinte se-
x " +∞ e e x
+ ∞
lim __2
x " +∞ x " +∞
ria calcular lim [f(x) − 0x] , ou x " +∞ x
x → +∞
seja, lim f(x) .
x → +∞ Conclui-se, portanto, que a reta de equação y = 0 é assíntota horizon-
tal ao gráfico de f quando x " + ∞ .
Estudemos agora a existência de assíntotas quando x " - ∞ .
f(x) x 2 e-x
lim ____ = lim ____ = lim (x e-x) = - ∞ * (+ ∞) = - ∞
x"-∞ x x"-∞ x x"-∞

Não existem assíntotas ao gráfico de f quando x " - ∞ .


Contradomínio: o estudo da monotonia da função, conjugado com o
facto de Ax å R, f(x) ≥ 0 , permite concluir que 0 é mínimo absoluto.
Para obtermos o contradomínio da função, vamos calcular lim f(x) .
x " -∞
2
lim f(x) = lim ( x 2 e-x) = (- ∞) * e+∞ = + ∞ * (+ ∞) = + ∞
x " -∞ x " -∞

Dado que a função é contínua, o teorema de Bolzano-Cauchy permite


concluir que o contradomínio da função é [ f(0), + ∞ [ , ou seja,
D 'f = [ 0, + ∞ [ .
⎧2x + 1 + ex se x ≤ 0
91 Faz um estudo análogo ao do ⎪

2. Estuda a função f definida por f(x) = ⎨_________


3x + ln (x) quanto ao
texto para a função f , definida


se x > 0
por: x
domínio, continuidade, intervalos de monotonia e existência de extremos
a) f(x) = ex(x2 - x)
1
__
relativos; em relação ao gráfico da função, estuda o sentido das concavi-
b) f(x) = x e x dades e existência de assíntotas.
3 Resolução
c) f(x) = ________
1 + 2e-2x
Domínio, continuidade e diferenciabilidade
2x
________ O domínio é R . A função pode não ser contínua no ponto 0 e é con-
d) f(x) =
ln (x) - 1
tínua em todos os outros pontos.
1
__
e) f(x) = ln (x + ) lim f(x) = f(0) = 2 * 0 + 1 + e 0 = 1 + 1 = 2
x x"0
-

3x + ln (x) 0 + (- ∞)
f) f(x) = ln (e x - 1) lim f(x) = lim _________ = ________ + = -∞
1 x"0
+
x"0
+
x 0
__
g) f(x) = ln (x - )
x Conclui-se, portanto, que a função não é contínua em 0. Logo, não
é diferenciável no ponto 0.
Monotonia e extremos
(2x + 1 + ex) ' = 2 + 0 + ex = 2 + ex
3x + ln (x) '
_________ ln (x) ' ln ' (x) * x - ln (x) * x '
( ) = (3 + ______) = 0 + ___________________ =
x x x2
1 * x - ln (x) * 1
__
x
______________ 1 - ln (x)
= = ________
x 2 x2
⎧2 + e

x
se x < 0
Então, f '(x) = ⎨________
1 - ln (x)
⎩ x2

se x > 0
continua

126 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação

Determinemos os zeros de f ' .


2 + ex = 0 ‹ x < 0) › (1 - ln (x) = 0 ‹ x > 0) § x = e
f '(x) = 0 § (
equação
impossível

A função poderá atingir extremos em e (zero da derivada) e em 0


(ponto em que a função não é diferenciável).
Registemos, num quadro, a variação de sinal da função derivada e as
conclusões relativas à monotonia da função f .

x -∞ 0 e +∞

2 + ex +

1 - ln (x) + 0 -

Sinal e zeros de f ' + n.d. + 0 -


NOTA
Variação e extremos Máx.* Máx. * Recorda que o limite de f(x) à di-
£ £ ¢
de f rel. rel.
reita de 0 é - ∞ .

A função é crescente em ] - ∞, 0] e em ] 0, 2] e decrescente em [ 2, + ∞ [ .


92 Faz um estudo análogo ao
Sentido das concavidades e pontos de inflexão: vamos obter a segunda do texto para a função f , defi-
derivada. nida por:
⎧x 3 ex se x ≤ 0
(2 + ex) ' = ex ⎪

f(x) = ⎨ x
_____
⎪2x + se 0 < x < 1
1 - ln (x) ' ______________________________
(1 - ln (x)) ' * x 2 - (1 - ln (x)) * ( x 2) ' ⎩ ln (x)
________ = =
( x2 ) x4
1 * x 2 - (1 - ln (x)) * 2x
- __
x
_____________________ - x - (1 - ln (x)) * 2x
= = _________________ =
x 4 x4
x(- 1 - (1 - ln (x)) * 2) _____________
- 1 - 2 + 2 ln (x) _________
2 ln (x) - 3
= ___________________ = =
x4 x3 x3
⎧e x

se x < 0
Então, f "(x) = ⎨_________
2 ln (x) - 3


se x > 0
x3
3
__
f "(x) = 0 § 2 ln (x) - 3 = 0 ‹ x > 0 § x = e 2
3
_
x -∞ 0 e2 +∞

ex +

2 ln (x) - 3 - 0 +

Sinal e zeros de f " + n.d. - 0 +

Concavidades e pontos de 8 — { P.I. 8


inflexão do gráfico de f

Assíntotas verticais
A função é contínua em R \ {0} ; como já verificámos que lim f(x) = - ∞ , +
x"0
podemos concluir que a reta de equação x = 0 é a única assíntota vertical
ao gráfico de f .
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 127


continuação
93 Obtém, com uma calcula-
dora, uma representação gráfi- Assíntotas não verticais
ca da função f definida e estu- f(x) 2x + 1 + ex 2x + 1 ex 0
dada no problema resolvido 2 lim ____ = lim ________ = lim _____ + lim __ = 2 + ____ =
e reflete sobre a importância
x " -∞ x x " -∞ x x " -∞ x x " -∞ x -∞
do estudo que fizemos para o =2+0=2
esclarecimento e compreensão
do gráfico obtido. lim [f(x) - 2x] = lim (2x + 1 + ex - 2x) = lim (1 + ex) = 1 + 0 = 1
x " -∞ x " -∞ x " -∞

Portanto, a reta de equação y = 2x + 1 é assíntota ao gráfico de f em


-∞ .
3x + ln (x) ln (x) ln (x)
Tendo em consideração que _________ = 3 + ______ e que lim ______ = 0 ,
x x x " +∞ x
justifica-se a «procura» de uma assíntota horizontal.
ln (x)
lim f(x) = lim (3 + ______) = 3 + 0 = 3
x " +∞ x " +∞ x
Portanto, a reta de equação y = 3 é assíntota ao gráfico de f em + ∞ .

3. Considera a função g definida por g(x) = ln (x + 1) - x .


a) Determina o conjunto-solução da condição g(x + 1) ≥ g(x) .
94 Seja h a função definida
por h(x) = ln ( x 2 + 1) - ln (x) . b) Escreve equações das assíntotas ao gráfico de g .

a) Determina o conjunto-solução c) Recorrendo ao estudo da monotonia da função, mostra que


da condição h(x) > ln (2) . Ax å Dg , g(x) ≤ 0 .
b) Estuda a função quanto à Resolução
monotonia.
a) g(x + 1) ≥ g(x) § ln (x + 2) - (x + 1) ≥ ln (x + 1) - x §
c) Mostra que o gráfico de h
tem uma assíntota vertical.
§ ln (x + 2) - 1 ≥ ln (x + 1) § ln (x + 2) ≥ 1 + ln (x + 1) §
d) Determina o contradomínio
da função h recorrendo às § ln (x + 2) ≥ ln (e) + ln (x + 1) § ln (x + 2) ≥ ln (e(x + 1)) §
alíneas b) e c) e reflete sobre
a resposta que apresentaste § x + 2 > ex + e ‹ x + 2 > 0 ‹ x + 1 > 0 § x - ex ≥ e - 2 ‹ x > - 1 §
em a). e-2
§ x(1 - e) ≥ e - 2 ‹ x > - 1 § x ≤ ____ ‹ x > - 1
1-e
e-2
C.S. = ] - 1, ____]
PROFESSOR
Soluções 1-e
93. O gráfico obtido com uma calcula- b) O domínio de g é Dg = ] - 1, + ∞ [ ; dado que a função é contínua, só a
dora não é elucidativo, nomeadamente,
reta de equação x = - 1 poderá ser assíntota vertical ao gráfico de g .
acerca do sentido das concavidades do
gráfico. +
lim g(x) = lim [ln (x + 1) - x] = ln ( 0 ) + 1 = - ∞ + 1 = - ∞
+ +
x " -1 x " -1

Portanto, a reta de equação x = - 1 é assíntota ao gráfico de g .

Estudemos, agora, a existência de assíntotas não verticais.


g(x) ln (x + 1) - x ln (x + 1) x
lim ____ = lim __________ = lim ________ - lim __ =
x " +∞ x x " +∞ x x " +∞ x x " +∞ x

+ ln (x + 1) ____
________ x+1
94. a) C.S. = R \ {1} = lim [ * - 1 = 0 * 1 - 1 = -1
x2 - 1 , x > 0 ; x + 1 " +∞ x+1 x ]
b) h '(x) = ______
x( x 2 + 1) lim [g(x) - (- x)] = lim [ln (x + 1) - x + x] = lim ln (x + 1) = + ∞
h é decrescente em ] 0, 1] e é cres- x " +∞ x " +∞ x " +∞

cente em [ 1, + ∞ [ .
Não existem assíntotas não verticais ao gráfico de g .
d) D ' = [ h(1), + ∞ [ = [ ln (2), + ∞ [
continua

128 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação

1 1-x-1 -x
c) g '(x) = [ln (x + 1) - x] ' = ____ - 1 = _______ = ____
x+1 x+1 x+1
g '(x) = 0 § - x = 0 ‹ x å Dg § x = 0

x -1 0 +∞ 95 Seja f a função definida


-x + 0 - por f(x) = x ln (x 2) .
x+1 + + + a) Estuda a função f quanto à
monotonia e existência de
Sinal e zeros de g ' + 0 - extremos.
Máx.
Variação e extremos de g £ ¢ b) Determina os valores de k å R
abs.
para os quais a equação
f(x) = k tem exatamente
Tem-se: g(0) = ln (0 + 1) - 0 = ln (1) = 0 duas soluções.
Então, atendendo a que g(0) é máximo absoluto da função g e aten- Sugestão: recorre ao estudo
feito na alínea a) e aos limites
dendo a que g(0) = 0 , conclui-se que A x å Dg , g(x) ≤ 0 .
em - ∞ e em + ∞ .
c) Mostra que o gráfico da fun-
4. Considera a função real f , de domínio R \ {1} , definida por: ção f não tem pontos de infle-
2
____
x-1
xão e que não existem assín-
f(x) = 1 + e totas.
a) Determina uma expressão analítica da função derivada de f , identifica
os intervalos de monotonia da função f e os extremos, caso existam.
b) Estuda a existência de assíntotas ao gráfico de f .
c) Recorrendo a conclusões obtidas em a) e b), determina o contradomí-
nio de f .
d) Tomando para conjunto de chegada o contradomínio de f , a função f
é bijetiva. Mostra que f (x) = ________
-1 2 +1.
ln (x - 1)
Resolução
2
____ ' 2 e x-1
2
____
a) f '(x) = (1 + e
x-1
) = - ______ 2
(x - 1)
A função derivada não tem zeros; tem-se A x å R \ {1}, f '(x) < 0 . NOTA
Portanto, a função f é decrescente em ] - ∞, 1 [ e em ] 1, + ∞ [* e não *  Repara que não podes concluir
tem extremos. que a função é decrescente no do-
mínio porque o domínio não é um
b) A função f é contínua. Assim, só a reta de equação x = 1 poderá ser intervalo.
assíntota vertical ao gráfico da função.
2
____ 2
___
-

lim f(x) = lim (1 + e x - 1 ) = 1 + e 0 = 1 + e-∞ = 1 + 0 = 1


- -
x"1 x"1

O facto de o limite de f(x) à esquerda de 1 não ser - ∞ , nem ser + ∞ ,


não é conclusivo acerca da reta de equação x = 1 ser assíntota ao grá-
fico de f . Calculemos o limite de f(x) à direita de 1.
2
____ 2
___
+
PROFESSOR
lim f(x) = lim (1 + e x - 1 ) = 1 + e 0 = 1 + e+∞ = 1 + ∞ = + ∞
+ +
x"1 x"1 Soluções
Portanto, a reta de equação x = 1 é assíntota ao gráfico de f . 95. a) Decrescente em [ - e -1, 0 [ e
2
____ 1
____ em ] 0, e -1] e crescente em ] - ∞, - e -1]
lim f(x) = lim (1 + e x - 1 ) = 1 + e -∞ = 1 + e 0 = 1 + 1 = 2 e em [ e -1, + ∞ [ .
x " -∞ x " -∞

Concluímos, então, que a reta de equação y = 2 é assíntota ao gráfico f(- e -1 ) é máximo relativo e f( e -1 ) é mí-
nimo relativo.
de f em - ∞ .
b) k = - __2 , k = 0 e k = __
2
e e
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 129


continuação

2
____ 1
____
lim f(x) = lim (1 + e x - 1 ) = 1 + e +∞ = 1 + e 0 = 1 + 1 = 2
x " +∞ x " +∞

Assim, a reta de equação y = 2 também é assíntota ao gráfico de f em


+∞ .

c) Das alíneas a) e b) e do facto de a função ser contínua, conclui-se que


o contradomínio de f é ] 1, 2 [ ∪ ] 2, + ∞ [ .

2
____ 2
____
d) 1 + e
x-1 2 = ln (y - 1) §
= y § e x - 1 = y - 1 § ____
x-1
2
§ x - 1 = ________ 2
§ x = ________ +1
ln (y - 1) ln (y - 1)

-1 2
Então, f (x) = ________ +1.
ln (x - 1)

5. A partir do instante em que foi admi-


nistrada uma certa medicação por via
oral, a quantidade de medicamento
existente no sangue (em mg/l) é dada
por f(t) = 120( e -0,5t - e -t ) , sendo t
dado em horas.

a) Qual a quantidade de medicamento


no sangue 30 minutos depois de ter
sido administrada a medicação?

Apresenta o resultado em mg/l, com


os mg arredondados às décimas.

b) Por processos analíticos, mostra que


a quantidade máxima de medica-
mento no sangue é 30 mg/l.

c) Sabe-se que a eficácia do tratamento exige que a quantidade de medi-


camento no sangue não seja inferior a 10 mg/l. Recorrendo à calculado-
ra gráfica, determina durante quanto tempo é que é garantida essa
quantidade mínima.

Reproduz o(s) gráfico(s), devidamente identificado(s), que te permi-


tiu(ram) obter a resposta.

Apresenta o resultado em horas e minutos, com os minutos arredonda-


dos às unidades.

Resolução

a) 30 min = 0,5 h

f(0,5) = 120(e -0,5 * 0,5 - e -0,5) ) 20,7 (mg/l)


continua

130 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação
96 A partir do instante em que
b) f '(t) = 120( e -0,5t - e -t) ' = 120(- 0,5 e -0,5t + e -t) foi administrada uma certa me-
dicação por via oral, a quanti-
f '(t) = 0 § - 0,5 e -0,5t + e -t = 0 § e -0,5t (- 0,5 + e -0,5t) = 0 § dade de medicamento X exis-
tente no sangue (em mg/l) é
dada pela fórmula:
§ e -0,5t = 0 › - 0,5 + e -0,5t = 0 § e -0,5t = 0,5 § - 0,5t = ln (0,5) §
f(t) = 50( e-0,3t - e-2t ) , com t em
⏟ equação
impossível
horas
a) Qual é a quantidade de me-
ln (0,5)
§ t = _______ § t = - 2 ln (0,5) § t = ln (0,5) § dicamento existente no orga-
-2
- 0,5 nismo ao fim de 5 horas?
-2
Apresenta o resultado arre-
1
§ t = ln (__ § t = ln (4) dondado às décimas.
2) b) Ao fim de quanto tempo a
quantidade de medicamento
no sangue atinge o valor má-
x 0 ln (4) +∞
ximo? Apresenta o resultado
120 e - 0,5t + + + em horas e minutos, com o
número de minutos arredon-
- 0,5 + e - 0,5t + 0 - dado às unidades.
Sinal e zeros de f ' + 0 - c) Sabe-se que a eficácia do tra-
tamento depende da existên-
Máx.
Monotonia e extremos de f £ abs.
¢ cia de uma quantidade míni-
ma de 5 mg/l no organismo.
Utiliza a calculadora gráfica
A quantidade máxima é atingida para t = ln (4) ; o valor máximo da para determinar durante
quanto tempo é garantida a
concentração é: quantidade mínima no orga-
nismo, efetuando um estudo
f(ln (4)) = 120( e -0,5ln (4) - e -ln (4)) = 120(e ln (4 ) - e ln (4 )) =
-0,5 -1
prévio da função que legitima
__ o processo.
= 120(4 - 4-1) = 120 ( __
-0,5
√ 1 - __
4 4)
1 =
Apresenta o resultado em
horas, arredondado às déci-
1 - __
= 120 (__ 1 = mas.
2 4) in Caderno de Apoio, 12.° ano

1 = 30
= 120 * __
4
A quantidade máxima de medicamento no sangue é 30 mg/l.

c)

y
PROFESSOR
Soluções
f 96. a) 11,2 mg/l b) 1 h 7 min
c) A função é contínua e é crescente
10 ⎡ 20 ⎤
ln __
⎢ (3) ⎥
em 0, _______ e decrescente
⎣ 1,7 ⎦
O 0,192 4,777 x ⎡ ⎡
ln __

20
(3)
em _______, + ∞ .

⎣ 1,7 ⎣
4,777 - 0,192 = 4,585
Recorrendo à calculadora, conclui-se
que a quantidade de medicamento no
A eficácia do medicamento está garantida durante, aproximadamente, organismo é superior a 5 mg/l durante,
4,585 horas, ou seja, 4 horas e 35 minutos. aproximadamente, 7,6 horas (entre os
instantes 0,063 e 7,675).
continua

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 131


continuação
97 Sejam f e g duas funções
x
de domínio [a, b] . 6. Seja f a função definida por f(x) = 2 + x 3 .
Prova que, se f é decrescente e Mostra, sem recorrer à calculadora, que esta função tem um único zero
g é crescente, então a função e que esse zero pertence ao intervalo ] - 1, 0 [ .
f - g é monótona.
Resolução
Dado que não temos «ferramentas» que nos permitam resolver a equação
98 Considera as funções f e g
f(x) = 0 , vamos recorrer ao teorema de Bolzano-Cauchy e ao estudo da
definidas por:
monotonia da função.
f(x) = ln (2 x 2 - 1)
g(x) = 2 - e (x + 1)
2
Comecemos por provar que a função f tem pelo menos um zero no refe-
a) Mostra que a função f é de- rido intervalo.
crescente e a função g é cres- 3 1 - 1 = - __
f(- 1) = 2-1 + (- 1) = __ 1 f(0) = 20 + 03 = 1 + 0 = 1
cente no intervalo ] - 2, - 1 [ . 2 2
b) Utilizando a alínea anterior,
A função f é contínua em R , portanto, é contínua em [- 1, 0] . Dado
prova que os gráficos das que f(- 1) < 0 < f(0) , o teorema de Bolzano-Cauchy permite concluir que
restrições das duas funções existe pelo menos um zero de f no intervalo ] - 1, 0 [ .
ao intervalo ] - 2, - 1 [ se in-
Por outro lado, tem-se f '(x) = (2 + x 3)' = 2 ln (2) + 3 x 2 .
x x
tersetam num único ponto e,
recorrendo à calculadora grá- x
Sabe-se que A x å R, 2 > 0 , que ln (2) é um número positivo e que
fica, determina valores apro-
ximados às centésimas para A x å R, 3 x 2 ≥ 0 . Então, A x å R, f '(x) > 0 .
as coordenadas desse ponto. Pode-se, então, concluir que a função f é crescente (em sentido estrito)
em R . Portanto, não pode ter mais do que um zero.
Como já sabemos que a função tem pelo menos um zero no intervalo
] - 1, 0 [ , pode-se garantir que esse zero é único.

7. A intensidade I , em decibéis, de
um som audível, pode ser dada
por I(P) = 170 + 10 log (P) ,
onde P é o valor da potência,
numa certa unidade, do som
emitido.
a) Determina a intensidade de um som
cuja potência é igual a 10-8, na referida
unidade.
b) Sabe-se que um som de intensidade
ntensidade
igual ou superior a 100 decibéis
béis é pre-
judicial à saúde. Determina a partir de
que potência devem ser usados
dos meios
de proteção auditiva.
c) Dois sons de potências P1 e P2 são
emitidos por uma mesma fonte.e. Sabendo
que a intensidade do primeiro é dupla da
do segundo, mostra que P1 = 1017 * P22 .
ue, qualquer que seja P , I(xP) = I(P) + 30
d) Determina o valor de x tal que,

PROFESSOR
e interpreta o valor de x no contexto descrito.
Soluções e) Exprime a potência de um som em função da sua intensidade.
98. b) (-1,31; 0,90)
continua

132 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


continuação
99 O altímetro é um aparelho
Resolução utilizado em aviões que permi-
-8 -8
a) I( 10 ) = 170 + 10 log ( 10 ) = 170 + 10 * (- 8) = 90 (decibéis) te obter a altitude a partir da
pressão atmosférica.
b) Vamos determinar os valores de P (na unidade considerada) para os
quais I(P) ≥ 100 .
-7
I(P) ≥ 100 § 170 + 10 log (P) ≥ 100 § log (P) ≥ - 7 § P ≥ 10
É necessário usar meios de proteção para sons de potência superior
-7
a 10 .
c) Tem-se I( P1) = 2I( P2 ) .
Admite que a altitude h acima
I( P1) = 2I( P2) § 170 + 10 log (P1) = 2 [170 + 10 log ( P2 )] § do nível do mar, em km, é dada
§ 170 + 10 log ( P1) = 340 + 20 log ( P2) § em função da pressão atmosfé-
rica, em atm, por:
§ 10 log ( P1) - 20 log ( P2) = 170 § 1
h(p) = 20 log __
(p)
§ log (P1) - 2 log ( P2) = 17 §
a) Num determinado instante a
§ log (P1) - log (P22) = 17 § pressão atmosférica é 0,4 atm.
P1 P1 A que altitude se encontra o
§ log ___ = 17 § ___ = 1017 § avião?
( P22 ) P2 2
Apresenta o resultado em
quilómetros, arredondado às
§ P1 = 1017 * P22 unidades.
b) Determina quantos quilóme-
d) I(xP) = I(P) + 30 §
tros subiu um avião se a
§ 170 + 10 log (xP) = 170 + 10 log (P) + 30 § pressão atmosférica se redu-
ziu a metade.
xP
§ log (xP) - log (P) = 3 § log (___) = 3 § Apresenta o resultado em
P quilómetros, arredondado às
§ log (x) = 3 § x = 103 § x = 1000 unidades.

Interpretação
A diferença de intensidade entre dois sons, em que a potência de um
PROFESSOR
é 1000 vezes superior à do outro, é igual a 30 decibéis.
Soluções
99. a) h(0,4) ) 8 (km)
e) 170 + 10 log (P) = I § 10 log (P) = I - 170 §
I - 170 p
b) h __ - h(p) =
______
I - 170
§ log (P) = ______ § P = 10
0,1I - 17
10
§ P = 10 (2)
10
0,1I - 17 = 20 log __
2 - 20 log __1 =
Portanto, P(I) = 10 . (p) (p)
= 20 log (2) ; aproximadamente 6 km.

Caça aos
erros!

Caderno de exercícios

PERIGO Funções logarítmicas

Mais sugestões de trabalho

RUÍDO Exercícios propostos n.os 130 a 141


(págs. 140 a 142).

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 133


Teste 6 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

x+e
1
__
x
x+3
1. Seja f uma função de domínio R . A reta de equação y = ____ é assíntota
2

5
ao gráfico de f . Qual é o valor de lim ______ ?
x " +∞ f(x)

(A) 1 (B) 2 (C) 3 (D) 4

2. Seja a um número real e seja f a função, de domínio R , definida por


f(x) = ex + a . O teorema de Bolzano-Cauchy garante que a função f tem
pelo menos um zero no intervalo ] - 1, 1 [ . A qual dos intervalos seguintes
pode pertencer a ?

(A) ] - 2e, - e [
1
(B) ] - e, - __ [
e
1
(C) ] - __, e [ (D) ] e, 2e [
e

+
3. Seja f a função, de domínio R , representada
y
graficamente e seja g a função, de domínio R ,
x f
2 .
definida por g(x) = ______
ln (2)
A
A reta de equação y = -2x + 5 é tangente ao grá-
fico de f no ponto A de abcissa 1.
Qual é o valor de (g ∘ f ) ' (1) ?
(A) - 2 (B) - 4 O x
y = -2x + 5
(C) - 8 (D) - 16

n
n+3
4. Qual é o limite da sucessão de termo geral un = (____) ?
n+1
(A) 0 (B) 1 (C) e (D) e2

5. Considera uma grelha quadriculada como a da figura ao 1 2 3


lado. Nessa grelha vão ser colocadas cinco fichas, todas
4 5 6
iguais, não mais do que uma por quadrícula.
PROFESSOR 7 8 9
Soluções
Supondo que as fichas são colocadas ao acaso, qual é a pro-
1. (B)
babilidade de a linha de cima ficar toda preenchida?
1 3
2. (B) (A) __ (B) __
3 5
3. (D)
5 10
4. (D) (C) ___ (D) ___
42 63
5. (C) Ajuda

134 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. A acidez ou alcalinidade de uma substância são medidas pelo valor do seu


+
pH que é dado por pH = - log (x) , sendo x a concentração de iões H3 O ,
3
medida em mol/dm .
+ 3
a) Determina a concentração de iões H3 O , em mol/dm , no sangue arterial
humano, sabendo que o pH do sangue arterial humano é 7,4.
PROFESSOR
Escreve o resultado em notação científica, isto é, na forma a × 10b , com
Soluções
b inteiro e com a entre 1 e 10. Apresenta o valor de a arredondado às
1. a) x ) 4 * 108 b) ) 0,5
unidades.
+ 2. A função é decrescente em
b) A concentração de iões H3 O no café é tripla da concentração de iões - _1
+
H3 O no leite. Qual é a diferença entre o pH do leite e o pH do café? ] 0, e 2] e é crescente em
- _1 - _1
Apresenta o resultado arredondado às décimas. [ e 2 , + ∞ [ ; g(e 2 ) = - ___
1 é mí-
2e
nimo absoluto.
2. Seja g a função definida por g(x) = x 2 ln (x) . O gráfico da função tem a concavi-
-_
3

Estuda a função g quanto à monotonia e existência de extremos e quanto ao dade voltada para baixo em ] 0, e 2 ]
sentido das concavidades do seu gráfico e existência de pontos de inflexão. e tem a concavidade voltada para
-_
3

cima em [ e 2 , + ∞ [ ; o ponto de
3. Seja g uma função de domínio R e seja g ' a sua função derivada. - _
3
__
3
(e , - 2e3 ) é ponto
2
Sabe-se que coordenadas
⎰ex + 2 e 2x - 3x se x < 0
g '(x) = de inflexão do gráfico.
⎱x ln (x) se x > 0
3. a) No intervalo ] - ∞, 0 [ , o grá-
e que g não é diferenciável em 0. fico da função g tem a concavidade
a) Estuda a função g quanto ao sentido das concavidades do seu gráfico e voltada para baixo em
quanto à existência de pontos de inflexão no intervalo ] - ∞, 0 [ . - ∞, ln _
3
e tem a concavi-
] ( 4 )]
b) Mostra que o gráfico de g ' tem uma única assíntota e define-a por uma
dade voltada para cima em
equação.
ln __ , 0 . O ponto de abcissa
3
c) A função g não é diferenciável em 0. Será que pode concluir-se que a
[ (4) [
função g não é contínua em 0?
ln _ é ponto de inflexão do grá-
3
(4)
4. Considera as funções f e g definidas, respetivamente, por f(x) = 2 ex - 3x fico da função g .
e g(x) = 4 ln (ex + 1) . b) y = -3x
a) Determina f '(1) recorrendo à definição de derivada de uma função num c) Da informação disponível não é
ponto. possível concluir que a função não
seja contínua em 0, porque há fun-
b) Sejam r e s duas retas. Sabe-se que a reta r é tangente ao gráfico de f ções que não são diferenciáveis em
no ponto A e que a reta s é tangente ao gráfico de g no ponto B . pontos em que são contínuas, como,
por exemplo, a função definida por
Determina as coordenadas dos pontos A e B , sabendo que os pontos
f(x) = |x| .
têm a mesma abcissa e que as retas r e s são paralelas.
4. a) f '(1) = - 1
b) A(ln (3), 6 - 3 ln (3)) e
5. Seja a um número real maior do que 1 e seja f a função, de domínio B(ln (3), 4 ln (4))
] - a, + ∞ [ , definida por f(x) = ln (x + a) . Sejam A e B os pontos de interse-
ção do gráfico de f com os eixos coordenados. Sabe-se que a reta AB tem
declive __1 . Mostra que a2 = e a - 1 .
2 Resolução

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 135


Exercícios propostos
100 Escreve o número 7 na forma de: 104 Se log (a) = x , qual das expressões seguintes
3

a) potência de base 2; b) logaritmo de base 10; é equivalente a log3 (9a2) ?


2
c) potência de base 7; d) potência de base 10; (A) 4x (B) 2x
__
(C) 2 + 2x (D) 4 + x
2
e) potência de base 49; f) logaritmo de base √2 .

101 Determina o valor de x que satisfaz cada 105 Simplifica as expressões seguintes para os va-
uma das equações seguintes. lores de x e y que lhes dão significado:
a) 3 = 8
x
b) ln (x) = - 1 log (xy) log (x2) + log (x)
a) _________ b) ________________
1
c) log8 (x) = __ 1 1
d) e = 3,6 log ___ log (y) + log ___
x
3 ( xy ) ( xy )
1
e) log4 (x) + __ = 0 f) 2
-x
= 12
2 106 Admite que log (3) = a e log (5) = b .
2 2

Exprime, em função de a e/ou b os logaritmos


102 Sem recorrer à calculadora, determina o valor
seguintes:
de:
__ __ ___ __
√3 √3 + 1 a) log2 (15) b) log2 (25) c) log2 (2,5)
a) log2(2 ) √
b) log5 (5 * 5 3)
√12
:2
__ __
log (5) + log (3) log3(√6 ) - log3(√2 ) d) log2 (120) e) log5 (2) f) log3 (5)
c) 2 2 2 d) 3
__ __
√7 3 log (p)
e) log3 (15 : 5 7)

f) 2 2

107 Caracteriza a função inversa da função bijeti-

103 Escreve na forma de um único logaritmo: va f definida por f(x) = log2 (x + 1) , sendo:

a) Df = ] - 1, + ∞ [
a) log (9) + log (3)
b) Df = ] - 1, 7]
b) 3 log2 (5) - 0,5 log2 (25)

1
c) log2 __
1
__
( x ) - log2( x2 ) , x > 0 108 Caracteriza a função inversa da função bijeti-
1
____
d) log2 (3) * log3 (6)
va g definida por g(x) = 2 - 3 x + 4 , sendo:
e) 1 + ln (x) , x > 0
a) Dg = R \ {- 4}
log (x)
f) _____ - 2 , x > 0
2 b) Dg = ] - ∞, - 4 [

PROFESSOR a) - 1 __
102. __ 104. (C)
__ Df = ] - ∞, 3] ; D 'f = ] - 1, 7]
-1 -1

Soluções b) √12 + √3 = 3√3 105. a) - 1 b) - 3


__ 108. a) g-1 (x) = ________
1 -4;
100. a) 2log2 (7) b) log (107) c) 15__ d) √3 log3 (2 - x)
106. a) a + b b) 2b
c) 71 d) 10log (7) e) √7 f) p3 Dg = ] - ∞, 2 [ \ {1} ;
__1 __7 c) b - 1 d) 3 + a + b -1

f) log√2 (√2 )
__
D 'g = R \ {- 4}
2
e) 49 103. a) log (27)
e) __1 f) __
b -1

b) log2 (25) c) log2 (x) b a b) g-1 (x) = ________


1
-1
101. a) log3 (8) b) e -4;
d) log2 (6) e) ln (ex) -1
107. a) f (x) = 2 - 1 ;
x log3 (2 - x)
c) 2 d) ln (3,6) _
√x Df = R ; D 'f = ] - 1, + ∞ [ Dg = ] 1, 2 [ ; D 'g = ] - ∞, - 4 [
e) __1
-1 -1

f) - log2 (12) ___


-1 -1

f) log
2 ( 100 ) -1 x
b) f (x) = 2 - 1 ;

136 Tema 4 | Funções Exponenciais e Funções Logarítmicas


109 Determina o domínio de cada uma das funções 114 Para um certo valor de a e para um certo valor
e
definidas por: de b , o gráfico da função f , de domínio ] - __, + ∞ [ ,
ln (9x - 1) 2 a
a) f(x) = 4 + log2 (1 - x) b) g(x) = ___________ definida por f(x) = ln (ax + e) + b está parcialmente
4
representado no referencial em baixo.
x+1
c) h(x) = ln (x) - ln [(x - 1) ] d) r(x) = log3 _____
2
(5 + x)
y
x
e) m(x) = _____________
2 f
f) n(x) = log2 [(x - 3) ] 2
2 - log (3 - x)
1

110 Determina, caso existam, os zeros das funções -1 O x

definidas por:
a) f(x) = 1 - log2 (x + 3)
Tal como a figura sugere:
b) g(x) = 2 + ln (x + 1)
2
• a reta de equação x = - 1 é assíntota ao gráfico
x+1
c) h(x) = x - x log3 _____
( 2 ) da função f ;
x-1
d) r(x) = ________ • o gráfico da função f interseta o eixo Oy no
log (x - 2) ponto de ordenada 2.

111 Determina a å R de modo que o ponto P de Quais são os valores de a e de b ?

coordenadas (a, 5) pertença ao gráfico da função f (A) a = e e b = 1 (B) a = - 1 e b = 1


definida por f(x) = log2 (x + 1) . (C) a = e e b = 2 (D) a = - 1 e b = 2

112 Seja A(a, 6) , com a å R , um ponto do gráfi- 115 Determina, caso existam, os limites seguintes.
x-3
co da função f definida por f(x) = 2 . Determi-
a) lim - ln (1 - x 2 )
na as coordenadas do ponto que é simétrico do x"1
ponto A em relação à reta de equação y = x .
b) lim log__1 (x + 1)
x " +∞ 2

113 O ponto de coordenadas (1, 3) pertence ao log2 (x)


_______
c) lim
x"0 x-1
gráfico de uma função bijetiva cuja inversa é definida
ln ( x 2 ) - 1
por f(x) = log2 (ax) , para um certo valor real de a , d) lim _________
x " +∞ 3 - ln (x)
diferente de 0.
e) lim
x " +∞
[log2 (8x + 1) - log2 (x + 2)]
Qual é o valor de a ?
1 2 ln (x + 2)
________
(A) __ (B) __ (C) 1 (D) 3 f) lim (subtrai e soma ln (x) ao numerador)
3 3 x " +∞ ln (x)

PROFESSOR d) ] - ∞, - 5 [ ∂ ] - 1, + ∞ [ d) Não tem zeros. 115. a) - ∞


Soluções e) ] - ∞, 3 [ \ {- 97} 111. a = 31 b) - ∞
109. a) ] - ∞, 1 [ f) R \ {3} c) + ∞
112. (6, 3 + log2 (6))
b) - ∞, - __1 ∂ __1 , + ∞ 110. a) - 1 d) - 2
] 3[ ]3 [ 113. (B)
e) 3
+
b) Não tem zeros.
c) R \ {1} 114. (A) f) 1
c) 0 e 5

Capítulo 3 | Funções logarítmicas 137


116 Considera o gráfico da função f definida por i) log2 (x - 1) - log2 (3 - x) ≤ 1

f(x) = ln (4e - x) - 1 . j) 2 log (x) ≤ 1 + log (2 - 0,1x)


Sem recorrer à calculadora, responde aos itens se- k) ln (x) ≥ 2 - ln (x)
2

guintes.
l) log4 (x + 4) ≤ log2 (2x + 5)
a) Determina as coordenadas dos pontos em que o
gráfico de f interseta os eixos coordenados.
119 A fórmula A(p) = - 0,52 + 0,55 ln (p) , com p
b) Escreve uma equação da assíntota vertical ao
gráfico de f . expresso em quilogramas e A em metros, é usada
por alguns pediatras para determinar a altura que se
espera que tenha uma criança, em função da sua
117 Determina o conjunto-solução de cada uma
massa corporal. A fórmula só é um modelo adequa-
das equações seguintes. do para valores de p no intervalo [e2,3, e4,1] , ou
a) log5 (x2 - 6x - 2) = 1 seja, para crianças de massa corporal entre 10 kg e