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DIREÇÃO GERAL DOS ESTABELECIMENTOS ESCOLARES

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS Nº 2 DE BEJA


ESCOLA SEDE: ESCOLA SECUNDÁRIA D. MANUEL I, BEJA

Nome: ____________________________________________ Ano.: ______ N.º ____ Turma ______


Data _____/_____ /_____ Avaliação ____________________ Professor(a) ____________________
Observações: ________________________________________________________________________

GRUPO I – Compreensão Oral

Vais ouvir um pequeno excerto de uma entrevista na qual a escritora Alice Vieira fala
sobre si.
De seguida, responde aos itens que se seguem.

1. Para cada item (1.1. a 1.4.), assinala a opção que completa a frase, de acordo
com o sentido do texto.

1.1. A escritora começa por referir que


(A) a sua paixão era escrever livros.
(B) não queria ser escritora.
(C) sempre sonhou ser jornalista.

1.2. Alice Vieira queria ser jornalista porque


(A) era uma profissão que lhe permitia sair de casa.
(B) gostava muito de escrever para o jornal.
(C) adorava ler jornais.

1.3. Alice Vieira deixou a sua profissão de jornalista


(A) porque estava cansada de viajar.
(B) porque queria dedicar-se a escrever livros.
(C) por motivos de saúde.

1.4. O desejo expresso no fim do vídeo é


(A) parar de escrever.
(B) poder escrever, mas com mais tempo.
(C) voltar a trabalhar para um jornal.

Grupo II – Leitura
TEXTO A
Lê o texto.

CARTA À MINHA FILHA

Vivemos num tempo em que se fica com a ideia que temos que escolher
aquilo que é melhor para nós, aquilo que mais nos agrada. Mas isso é o grande
engano dos nossos dias.

Minha filhinha,
5 Estás a dias de sair da barriga da tua mãe e ainda nem sequer tens nome. Ias
ser Salomé, o tempo todo ias ser Salomé, porque era o nome da tua bisavó, avó
da mãe, que a mãe adorava, mas agora parece que já não vais ser. A mãe
lembrou-se de telefonar à tia avó, única irmã da tua bisavó Salomé, e pelos
10 vistos a tua bisavó detestava o nome. Além disso, o nome tinha sido escolhido
por uma madrinha que afinal acabou por se revelar uma bruxa, parece. Por isso
não, já não vais ser Salomé. […] A mãe está com uma barriga gigante, maior do
que quando foi dos manos, e a médica diz que tu és enorme. Por isso o pai
chama-te Ticha Penicheiro (a Ticha Penicheiro é uma jogadora de Basquetebol).
15
Os manos todos os dias perguntam se já nasceste.
O mais velho é o Joaquim e o mais pequenino é o Luís. O Joaquim adora os
Beatles e tem a mania dos Reis de Portugal. Beatles até se entende, mas os
Reis de Portugal? O Luisinho é doido por aviões e anda sempre com um urso de
20 peluche que ele diz que se chama Salomé. O pai é músico. É cantor, imagina tu.
[…] A mãe desenha e faz os cenários do palco do pai. Também nunca pensou
que ia ser essa a vida dela. A vida é mesmo assim. Vai pegar em ti e levar-te
para onde achar que lhe fazes mais falta, onde sentir que lhe fazes mais
25 diferença. O sentido da vida é esse, é a pessoa deixar-se ir. O pai é medroso, a
mãe é corajosa. Em caso de dúvida, a mãe tem sempre razão. O pai vai passar a
vida a correr atrás de ti para te agarrar para tu não caíres. A mãe vai passar a
vida a correr atrás do pai para agarrar o pai para o pai não te agarrar tanto. Será
que vais ser jogadora de Basquetebol, de tanto o pai te chamar Ticha
30 Penicheiro? A vida lá saberá. Vivemos num tempo em que se fica com a ideia
que temos que escolher aquilo que é melhor para nós, aquilo que mais nos
agrada. Mas isso é o grande engano dos nossos dias. Temos é que deixar que
seja a vida a escolher-nos para aquilo que for melhor para os outros. Foi a mãe
que me ensinou estas coisas. O mundo também é capaz de te impingir a ideia de
que é mau. Mas o mundo é um mimado. No fundo, no fundo, ele é bom,
generoso, redentor. Faz de tudo para não parecer, mas é. […].

Miguel Araújo. Músico.


Crónica publicada na revista VISÃO, nº 1287 de 2 de novembro de 2017
(texto adaptado).

1. Para responderes a cada item (1.1. a 1.4.), seleciona a opção que permite obter
uma afirmação adequada ao sentido do texto.

           
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1.1. Miguel Araújo escreve uma carta

(A) aos seus filhos sobre a irmã que vai nascer.


(B) à sua filha que está para nascer.
(C) à sua filha Salomé, que vai nascer.
(D) à sua filha que já nasceu.

1.2. O autor chama “Ticha Penicheiro” (linha 13) à filha porque

(A) adora basquetebol.


(B) é fã da jogadora.
(C) a filha que está para nascer é grande.
(D) os filhos adoram desporto.

1.3. Com a expressão “Em caso de dúvida, a mãe tem sempre razão.” (linha 23),
o autor pretende dizer que

(A) a opinião da mãe é a mais importante.


(B) a mãe esclarece sempre as dúvidas.
(C) a mãe é que faz tudo.
(D) a mãe sabe tudo.

1.4. Na opinião de Miguel Araújo,

(A) devemos escolher o que é melhor para nós.


(B) devemos escolher o que mais nos agrada.
(C) devemos deixar que a vida nos escolha.
(D) não devemos viver como queremos.

TEXTO B

Lê o texto.

LEANDRO, REI DA HELÍRIA – CENA II, 2º ATO

OS MESMOS MAIS PASTOR


PASTOR: Quem vem lá?
REI (imponente): Nada temais! Sou Leandro, o rei da Helíria!
PASTOR (rindo): Pois eu sou o Rei de Copas! Ah! Ah! Entrai, entrai no meu palácio,
que estais entre iguais! Ah! Ah! Ah! E isto foi o que sobrou do meu último
5
banquete! (Estende-lhe um bocado de pão. Olha-o de frente e recua, muito
surpreendido, murmurando) A cor dos olhos... O tamanho das barbas... O porte
altivo...
BOBO: Que foi?
PASTOR: Nada, nada...
10 BOBO: Não faças caso... Ele não regula com eles todos bem aparafusados... Mas é
inofensivo.

(Entretanto o rei, cansado, vai-se aproximando da fogueira, senta-se junto dela,

           
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estende-se
e adormece)
PASTOR: Está assim há muito?
BOBO: Isso é história muito complicada...
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PASTOR (ofendido): Não sou burro!
BOBO: É uma história muito comprida...
PASTOR: Eu também não tenho pressa. E o melhor que me podem dar é uma boa
história! Daquelas que metem muito sangue, muita espadeirada, inimigos por
todos os lados com lanças espetadas nas barrigas...
20 BOBO: Olha que às vezes há palavras que matam muito mais depressa do que
uma valente espadeirada...
PASTOR: Nunca vi!
BOBO: Então, enquanto a tempestade não amaina, vou-te contar como tudo
aconteceu. PASTOR: Morreu muita gente?
25 BOBO: Morreu ele. (Aponta o rei)
PASTOR (com medo): Não! Não me digas que é uma alma do outro mundo! Isso é
que não! Tudo menos uma alma do outro mundo!
BOBO: Acalma-te. Aqui só há almas deste mundo.
PASTOR: Mas tu disseste...
BOBO: Morreu o rei. O que tinha poder. O que era senhor do reino de Helíria. Ficou
30 apenas o que havia por baixo da coroa. Ou seja: um pobre diabo igual a todos
nós...
PASTOR: Estranha história deve ser essa...
BOBO: Tudo começou quando ele decidiu dar o reino à filha que mais o amasse, e
a sua filha preferida declarou que lhe queria tanto como a comida queria ao sal...
35 PASTOR: Grande vai o mal na casa onde não há sal...
BOBO: Que dizes?
PASTOR: Nada, nada... É uma coisa que a minha Briolanja anda sempre a dizer.
BOBO: Pena o rei não conhecer a tua Briolanja... Talvez tudo tivesse sido diferente,
porque foi depois disso que tudo se complicou...

40 (A luz vai diminuindo e apaga-se sobre o bobo, o rei e o pastor, e ilumina as


princesas e os príncipes)

Alice Vieira, Leandro, rei da Helíria, Alfragide, Editorial Caminho, 2016 [1991], pp.71-73.

2. Faz a caracterização do rei com base nas suas ações e palavras e nas das outras
personagens.
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3. “Ele não regula com eles todos bem aparafusados...” (linha 11)

3.1. Identifica o recurso expressivo presente na fala anterior e comenta a sua


expressividade.

           
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4. “Olha que às vezes há palavras que matam muito mais depressa do que uma
valente espadeirada...”. (linhas 23-24)

4.1. Explica o significado desta fala do Bobo, tendo em conta o conhecimento que
tens desta história.
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5. O Pastor demonstra ter compreendido as palavras de Violeta quando disse ao


pai que lhe queria tanto como a comida quer o sal. Confirma esta afirmação.
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Grupo IV – Gramática

1. Associa o grupo de palavras sublinhado em cada frase da coluna A à função


sintática que lhe corresponde na coluna B.

Coluna A Coluna B
a) – Quem vem lá? (1)Sujeito
           
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b) – Mas é inofensivo.
(2)Predicado
c) – Vou-te contar como tudo aconteceu.
(3)Complemento direto
d) O Rei decidiu dar o reino à filha que mais o
(4)Complemento indireto
amasse.
(5)Predicativo do sujeito
e) – Grande vai o mal na casa onde não há
(6)Modificador do nome
sal...

a): _________; b)______; c); ________; d) ________; e): ______

2. Reescreve na passiva a frase que se segue.


O Rei daria o reino à filha que mais o amasse.
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3. Reescreve as frases no discurso indireto.


PASTOR: Quem vem lá? ________________________________________________
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REI (imponente): Nada temais! Sou Leandro, o rei da Helíria! ____________________


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4. Para responderes a cada item (4.1. e 4.2.), seleciona a opção que completa cada
afirmação.

4.1. A única opção onde não existe uma oração subordinada adjetiva relativa é
(A) O Rei, que andava muito triste, desistiu de viver.
(B) A filha que ele mais amava dececionou-o.
(C) O Pastor pediu que lhe contassem a história.
(D) O Bobo, que era muito amigo do Rei, protegia-o sempre.

4.2. A única opção onde existe uma oração subordinada adverbial causal é
(A) O Bobo ajudava o Rei sempre que este precisava.
(B) O Rei andava muito triste uma vez que já não tinha forças.
(C) Quando tudo parecia perdido, encontraram uma gruta.
(D) A gruta onde se abrigaram era habitada por um pastor.

Grupo IV – Escrita

Tanto o texto A como o texto B têm por base o amor que une pai e filha. Trata-se
de um sentimento tão importante e tão forte que a própria sociedade criou o Dia do
Pai, para comemorar esta relação.

           
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Escreve um texto de opinião referindo a tua perspetiva sobre a importância ou
não de existirem dias do Pai, da Mãe e dos Avós. Fundamenta o teu ponto de vista em
pelo menos dois argumentos.

Escreve um texto com um mínimo de 150 e um máximo de 200 palavras.

O teu texto deve apresentar a seguinte estrutura:


– uma introdução, na qual explicites o tema a tratar;
– um desenvolvimento, no qual apresentes o teu ponto de vista sobre o tema e
recorras a dois argumentos ou exemplos para ilustrar o teu ponto de vista;
– uma conclusão, na qual reforces a tua perspetiva.

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FIM
Cotações
Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1.1 1.2 1.3 1.4
I
3 3 3 3 12
II – Texto A 1.1 1.2 1.3 1.4
3 3 3 3 12
Texto B 2. 3.1. 4.1 5
6 7 7 6 26
III 1. 2. 3 4.1. 4.2
5 4 5 3 3 20
IV
Item único
30
Total 100

Bom trabalho!
A professora, Dina Neves

           
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