Você está na página 1de 18

CONSTRUÇÃO AÇO E MADEIRA

Estudo sobre a Madeira como material estrutural

Prof. Cláudio Soares Mota

Aluno
Frederico Corrêa de Araújo Luna

Recife, outubro de 2019.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Coberta em Madeira........................................................................4

Figura 2. Anisotropia da Madeira....................................................................5

Figura 3. Teor de umidade x resistência à compressão do eucalipto............7

Figura 4. Foto de uma Peroba........................................................................8

Figura 5. Plantação de Pinus..........................................................................9

Figura 6. Tábuas utilizadas na construção civil............................................11

Figura 7. Fórmula da resistência para dimensionamento da madeira.........12

ii
SUMÁRIO

1.CARACTERÍSTICAS DA MADEIRA COMO MATERIAL ESTRUTURAL 5

1.1 Peso específico 5

1.2 Coloração 6

1.3 Coeficiente de dilatação térmica linear pela temperatura 6

1.4 Anisotropia 6

1.5 Coeficiente de Poisson 7

1.6 Porosidade 7

1.7 Umidade 7

2. CLASSIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES DE MADEIRAS QUANTO À SUA


RESISTÊNCIA 9

2.1 Madeiras duras (Madeira de Lei) 9

2.2 Madeiras macias 10

3. USO DAS MADEIRAS NAS OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL 11

3.1 Madeiras brutas 11

3.2 Madeiras Lavradas 11

3.3 Madeiras Serradas 11

4. CATEGORIAS DAS MADEDEIRAS SERRADAS 13

4.1 1ª Categoria 14

4.2 2ª Categoria 14

4.3 3ª Categoria 14

5. CÁLCULO DA TENSÃO ADMISSÍVEL 15

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 16

iii
iv
1 – Características da madeira como material estrutural

5
1 – Características da madeira como material estrutural

1.CARACTERÍSTICAS DA MADEIRA COMO MATERIAL ESTRUTURAL

A madeira é um material utilizado como elemento estrutural desde as


civilizações mais primitivas, devido a sua abundância na natureza em forma pronta
para uso e suas excelentes propriedades mecânicas, assim como sua durabilidade e
facilidade de trabalhar. Atualmente, no Brasil é usada principalmente em cobertas e
estruturas provisórias. Abaixo, seguem as principais características da madeira:

Figura 1. Coberta em Madeira

Fonte: ZANOLLIN SOLUÇÕES ESTRUTURAIS (2019)

1 Peso específico

Por ser um material natural, o peso específico das madeiras varia muito
conforme a espécie, entretanto, na NBR 6120, o peso específico de algumas
variedades mais utilizadas é determinado na tabela 1, conforme abaixo:

Madeira Peso específico aparente (kN/m3)

Pinho, cedro 5

Louro, imbuia, pau óleo 6,5

Guajuvirá, guatambu, grápia 8

Angico, cabriuva, ipê róseo 10

6
1 – Características da madeira como material estrutural

2 Coloração

A cor da madeira varia de acordo com sua espécie. De acordo com COBRIRE
(2019), “[...]Em espécies que mostram uma diferença distinta entre o cerne e o borne
a cor natural do cerne é geralmente mais escura que o borne, e muito
frequentemente o contraste é conspícuo [...]”.

As tonalidades da madeira podem ir desde o avermelhado, como o do Mogno,


assim como as cores mais claras, como a eucalipto, pinho e pinus e os tons médios,
encontrados no cedro e ipê.

3 Coeficiente de dilatação térmica linear pela temperatura

O coeficiente de dilatação térmica linear da madeira também é diferente


conforme a variedade, entretanto, podemos adotar com uma média:

α = 30 × 10-6 / °C

4 Anisotropia

A madeira é um material natural anisotrópico, ou seja, suas propriedades


físicas variam de acordo com a direção. De acordo com ALMEIDA (2002), “[...] As
três direções principais a considerar são: longitudinal, radial e axial”.

Figura 2. Anisotropia da Madeira

Fonte: Coutinho (1999)

7
1 – Características da madeira como material estrutural

5 Coeficiente de Poisson

O Coeficiente de Poisson é à relação entre a deformação transversal relativa


e a deformação longitudinal relativa. Trata-se de uma grandeza adimensional. Nas
madeiras, este coeficiente pode variar entre 0,82 e 0,009. Uma madeira largamente
usada na construção, como o pinho, por exemplo, de 0,33. (CTB BORRACHA, 2019;
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO
PAULO, 2015)

6 Porosidade

A madeira é um material poroso e, portanto, permeável. De acordo com Siau


(apud Silva, 2007), “Porosidade é a fração de volume na madeira. Este termo é às
vezes confundido com permeabilidade, que se refere à facilidade como que o fluxo
flui através da madeira”.

De acordo com SILVA (2007), a porosidade pode ser calculada de acordo com
a fórmula abaixo:

Va = 1 – G (0,685 + 0,01 M/Gs)

Onde:

Va = Fração de vazios

G = Densidade básica da madeira (g/cm³)

M = Teor da umidade da madeira

Gs = Densidade aparente da madeira (a M%) (g/cm³)

7 Umidade

A madeira é um material higroscópico, ou seja, tem a capacidade de absorver


umidade até se encontrar em equilíbrio com a umidade do ar atmosférico. Essa
característica é de extrema importância para a concepção de estruturas em madeira,
pois o teor de umidade da madeira altera sua capacidade mecânica.

8
1 – Características da madeira como material estrutural

De acordo com NBR 7190, a umidade de referência para a realização de e


ensaios e cálculos de resistência deve ser de 12%.

Em geral, quanto maior a umidade, menor a resistência mecânica da madeira,


conforme mostra o gráfico abaixo, em que se utilizou a madeira de Eucalipto como
exemplo.

Figura 3. Teor de umidade x resistência à compressão do eucalipto

Fonte: Pigozzo (1982)

9
2 – Classificação das espécies de madeira quanto à sua resistência

2. CLASSIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES DE MADEIRAS QUANTO À SUA


RESISTÊNCIA

Ao classificarmos as madeiras pela sua estrutura celular do tronco, podemos


dividi-las em dois grandes grupos: as madeiras duras e as madeiras moles. A
principal forma de dividir esses tipos de árvores é pela sua reprodução. Enquanto as
árvores de madeiras duras são angiospérmicas, o que significa que as suas
sementes são protegidas por um fruto, as árvores de madeira mole são
gimnospérmicas, portanto, suas sementes caem no chão sem nenhuma proteção.

8 Madeiras duras (Madeira de Lei)

As madeiras duras são aquelas provindas de árvores frondosas, ou seja,


árvores que tem uma copa com abundância de folhas. Essas árvores são de
crescimento lento, como a Peroba, Ipê, Aroeira e Carvalho.

Figura 4. Foto de uma Peroba

Fonte: Wikimedia Commons

10
2 – Classificação das espécies de madeira quanto à sua resistência

9 Madeiras macias

As madeiras macias provêm das árvores coníferas e tem o seu crescimento


mais rápido, por isso seu uso é comum em várias aplicações produtivas, como na
fabricação de móveis, papel e estruturas na construção civil. Como exemplo desse
tipo de árvores, temos o pinheiro, pinus, cedro, sequoia e espruce.

Figura 5. Plantação de Pinus

Fonte: Shutterstock

11
3 – Uso das madeiras nas obras de Engenharia Civil

3. USO DAS MADEIRAS NAS OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL

De acordo com o uso que será empregado à madeira na construção civil, ela
pode receber ou não diversos tipos de trabalho, tratamento e beneficiamento. Dentro
desse contexto, podemos separar as madeiras em: madeiras brutas, lavradas e
serradas.

10 Madeiras brutas

A madeira bruta é aquela que não passa por um acabamento mais refinado,
e, portanto, pode ser utilizada onde não há necessidade de grande precisão
dimensional ou apelo estético, tendo a vantagem de ser mais econômica. Ideal para
o uso em escoras, estruturas provisórias e estruturas que não ficam visíveis aos
usuários.

11 Madeiras Lavradas

Madeira lavrada é aquela que foi trabalhada para atender demandas mais
precisas com dimensões mais padronizadas. Ideal para estruturas de madeira, como
cobertas, vigas e pilares de madeiras.

12 Madeiras Serradas

De acordo com a Secretaria de Infraestrutura e Meio-ambiente do Estado de


São Paulo, madeiras serradas é “aquela que resulta diretamente do desdobro de
toras ou toretes, constituída de peças cortadas longitudinalmente por meio de serra,
independentemente de suas dimensões, de seção retangular ou quadrada.

Segue abaixo quadro com os tipos de madeira serrada e seus critérios de


classificação:

12
3 – Uso das madeiras nas obras de Engenharia Civil

Descrição Espessura (cm) Largura (cm)


Bloco, Quadrado ou Filé > 12 > 12
Pranchões >7 > 20,0
Prancha 4,0 – 7,0 > 20,0
Viga > 4,0 11,0 – 20,0
Vigota 4,0 – 8,0 8,0 – 11,0
Caibro 4,0 – 8,0 5,0 – 8,0
Tábua 1,0 – 4,0 > 10,0
Sarrafo (ou Short) 2,0 – 4,0 2,0 – 10,0
Ripa < 2,0 < 10,0

Figura 6. Tábuas utilizadas na construção civil

Fonte: ECOTRAT

13
4 – Categorias das madeiras serradas

4. CATEGORIAS DAS MADEDEIRAS SERRADAS

A categoria da madeira é um critério adotado em norma para o cálculo da


resistência do material para dimensionamento, que é obtido multiplicando a
resistência minorada da madeira por 3 coeficientes: k1, k2 e k3, sendo o k1 variável
de acordo com a classe de carregamento, o k2 de acordo com a classe de umidade
e o k3 com a categoria. Segue abaixo um detalhamento de cada tipo de categoria.

Figura 7. Fórmula de cálculo da resistência para dimensionamento da madeira

Fonte: Varela

A categoria das madeiras pode ser definida por inspeção visual e/ou
mecânica, conforme alguns exemplos abaixo, retirados da NBR 7190:

Classificação pelo método Visual


Primeira Segunda Terceira
Defeito
Categoria Categoria Categoria
Inclinação máxima das
8º (1:7) 12º (1:5) 18º (1:3)
fibras
% máxima da área da
seção transversal
25% 33% 50%
ocupada
pelo nó
Comprimento máximo das 2 vezes a largura 3 vezes a largura
Sem limitações
rachas da peça da peça

14
4 – Categorias das madeiras serradas

Já a classificação mecânica, de acordo com material da Universidade Federal


de São Carlos, depende da “Realização dos ensaios de caracterização mecânica
(compressão, cisalhamento e modulo) e físicos (densidade básica e aparente)
permitindo a classificação conforme as classes de resistência C20, C25 ou C30 para
as resinosas/coníferas e C20, C30, C40 ou C60 para as folhosas/dicotiledôneas.”

13 1ª Categoria

Segundo a NBR 7190: Projeto de estruturas de madeira (1997), permite se


usar o coeficiente de madeira de primeira categoria quando: “[...] todas as peças
estruturais forem classificadas como isentas de defeitos, por meio de método visual
normalizado, e também submetidas a uma classificação mecânica que garanta a
homogeneidade da rigidez das peças que compõem o lote de madeira a ser
empregado. Não se permite classificar as madeiras como de primeira categoria
apenas por meio de método visual de classificação.”

Neste caso, o coeficiente K3 adotado será 1,00 e, portanto, poderá haver o


melhor aproveitamento estrutural do material. Ideal para obras onde os elementos
serão bastante solicitados quanto aos esforços de compressão, tração ou flexão.

14 2ª Categoria

De acordo com a NBR 7190: Projeto de estruturas de madeira (1997) as


madeiras de segunda categoria são classificadas assim quando: “[...] não houver a
aplicação simultânea da classificação visual e mecânica;”. Nesse caso o coeficiente
K3 adotado será 0,8.

Ideal para obras de menor complexidade ou onde a madeira não será usada
em elementos estruturais de alta solicitação.

15 3ª Categoria

A madeira de terceira categoria não pode ser usada em estruturas, e,


portanto, não tem coeficiente K3. Só pode ser utilizada em formas, tapumes e etc.

15
5 – Cálculo da tensão admissível

5. CÁLCULO DA TENSÃO ADMISSÍVEL

Solicita-se calcular as tensões admissíveis de uma madeira cujo resultados


obtidos através de ensaios foram:

σt (tensão de ensaio à tração) = 900kg/m²;

σc (tensão de ensaio à compressão) = 600kg/m²;

δ (tensão de ensaio ao cisalhamento) = 200kg/cm²

A tensão admissível será a tensão de ensaio, minorada coeficiente de


minoração e multiplicada pelos coeficientes k1, k2 e k3. Adotando carregamento de
longa duração (k1 = 0,7), madeira serrada, em Recife (classe de umidade 3) (k2 =
0,8), madeira de primeira qualidade (k3 =1) e carregamento paralelo as fibras,
temos:

ftd = 900 / 1,8 * 0,7 * 0,8 * 1 = 280kg / m²

fcd = 600 / 1,4 * 0,7 * 0,8 * 1 = 240kg / m²

δd = 200 / 1,8 * 0,7 * 0,8 = 62,22kg / cm²

16
6 – Referências bibliográficas

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT. NBR 6120: Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de


Janeiro, 2000.

ABNT. NBR 7190: Projeto de Estruturas de madeira. Rio de Janeiro, 1997.

ALMEIDA, Filipe A. Leitão. A madeira como material estrutural – projeto da estrutura


da cobertura de um edifício. 2012. 310 p. Dissertação de mestrado – Faculdade de
Engenharia da Universidade do Porto, Porto - Portugal, 2012.

SITE UFRGS. Dilatação térmica. [S.l] [2019?]. Disponível em:


<http://www.if.ufrgs.br/cref/leila/dilata.htm> Acesso em: 15 out. 2019.

VARELA, Márcio. Estruturas de madeira. [2019?]. Disponível em:


<https://docente.ifrn.edu.br/marciovarela/disciplinas/estruturas-metalica-e-
madeira/estrutura-de-madeira/aula-2-tracao-atualizada-1> Acesso em: 15 out. 2019.

17