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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (UFBA). INSTITUTO DE LETRAS.

DISCIPLINA: LET-B78: INTRODUÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA GRAMÁTICA GERATIVA.


DOCENTE: RERISSON CAVALCANTE DE ARAÚJO.

Classes verbais quanto ao tipo do argumento sujeito

Verbos inergativos: verbos intransitivos cujo argumento é simultaneamente argumento externo e


sujeito. Recebe (tipicamente) o papel temático de agente. Exemplos:
correr, trabalhar.
(1) a. João correu na praia.
b. Pedro trabalhou no fim de semana.

Observação: os verbos transitivos, às vezes, podem ser incluídos nessa


categoria, uma vez que o sujeito de tais verbos também é gerado como argumento externo. (Mas, na
maioria das vezes, o termo “inergativos” é usado quando se precisa diferenciar dois subtipos de
intransitivos.)
Exemplos: descobrir, planejar, dizer, matar.
(2) a. Os chineses descobriram a pólvora.
b. Os bandidos planejaram um assalto.

Verbos inacusativos: verbos intransitivos cujo argumento surge como complemento do verbo (ou
numa posição interna a esse complemento) e depois é
promovido a sujeito da sentença. Recebe (tipicamente) o papel
temático de paciente. Exemplos: nascer, morrer, aparecer,
chegar, florescer.
(3) a. O bebê nasceu ontem.
b. O bandido morreu.
c. Novas evidências apareceram.
d. As plantas floresceram.

Inergativos versus inacusativos: O sujeito dos verbos inergativos se comporta normalmente como o
sujeito dos verbos transitivos, enquanto o sujeito dos verbos inacusativos se comporta como o objeto
direto dos verbos transitivos.
Verbos ergativos: são um subconjunto de verbos transitivos diretos, ou seja, que selecionam um
argumento externo (agente) e um argumento interno (paciente), mas que permitem que o argumento
externo seja ou substituído por “se” ou completamente omitido, passando a se comportar como verbos
inacusativos. Ou seja, o argumento interno é promovido a sujeito da oração.
Exemplo: quebrar, abrir, fechar, explodir.
(4) a. João quebrou os vasos.  b. Os vasos (se) quebraram.
(5) a. Pedro abriu a janela.  b. A janela (se) abriu.

Alternância causativa: esse fenômeno que ocorre em (4) e (5) é chamado de “alternância causativa” ou
de “alternância causativo-incoativa” ou “alternância causativo-ergativa”. O nome se refere ao fato de
que a versão (a) dessas frases expressa a causa (agente/causador) do evento, enquanto a versão (b) não
expressa a causa, indicando o início do evento (incoação) sem indicar a causa.

Observação: mas apenas alguns verbos transitivos têm esse comportamento. Muitos outros verbos
transitivos não permitem isso. Confira os exemplos em (2).