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CRIATIVIDADE

Alessandra Jungblut
Renata Mateus

CRIATIVIDADE
Reitor Prof. Celso Niskier
Pro-Reitor Acadêmico Maximiliano Pinto Damas
Pro-Reitor Administrativo e de Operações Antonio Alberto Bittencourt
Coordenação do Núcleo de Educação a Distância Viviana Gondim de Carvalho

Redação Dtcom
Análise educacional Dtcom
Autoria da Disciplina Alessandra Jungblut, Renata Mateus
Validação da Disciplina Maura Xerfan
Designer instrucional Milena Rettondini Noboa

Banco de Imagens Shutterstock.com


Produção do Material Didático-Pedagógico Dtcom

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Ficha catalográfica elaborada pela Dtcom. Bibliotecária – Andrea Aguiar Rita CRB)

J95c

Jungblut, Alessandra.

Criatividade / Alessandra Jungblut. – Curitiba: Dtcom, 2017.

152 p.

ISBN: 978-859-368-533-0

1. Criatividade nos negócios 2. Inovação. 3. Pensamento criativo.

CDD 658.012

© Copyright 2017 da Dtcom. É permitida a reprodução total ou parcial, desde que sejam respeitados os
direitos do Autor, conforme determinam a Lei n.º 9.610/98 (Lei do Direito Autoral) e a Constituição Federal,
art. 5º, inc. XXVII e XXVIII, “a” e “b”.
Sumário

01 Introdução à Criatividade......................................................................................................... 7
02 Processos criativos.................................................................................................................14
03 A criatividade e o ser humano...............................................................................................21
04 Criatividade individual e cultural...........................................................................................28
05 Enfoque holístico e visão sistêmica da criatividade.........................................................36
06 A criatividade e o ensino-aprendizagem como forma de socialização........................43
07 A criatividade convertida em resolução de dilemas existenciais..................................50
08 Relação entre criatividade, tempo e neutralidade no processo criativo.......................57
09 Processo, técnicas e ferramentas do processo criativo..................................................64
10 A Criatividade e o Mercado de Trabalho.............................................................................71
11 Autoestima como fator de criatividade...............................................................................78
12 Emoções que curam e a criatividade..................................................................................85
13 Motivação e Criatividade........................................................................................................92
14 Criatividade: Ideal Humano...................................................................................................99
15 A Criatividade nas Organizações....................................................................................... 106
16 A criatividade e os sistemas de comunicação............................................................... 114
17 A criatividade orienta o pensar e o expressar de forma relacional:
ideal organizacional.............................................................................................................. 121

18 Sobre o trabalho criador que inova................................................................................... 128


19 Capacidade de trabalhar criativamente e a liderança................................................... 135
20 A Cultura da Criatividade no Ambiente das Organizações........................................... 142
TEMA 1
Introdução à Criatividade
Alessandra Jungblut

Introdução
A criatividade possibilitou a humanidade desenvolver cidades, inovar tecnologicamente e
cientificamente e descobrir a si mesmo e ao mundo. Nesta aula, aprenderemos o conceito de
criatividade e suas principais características.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• identificar as concepções, conceituações e contextos referentes à criatividade;


•• conhecer as abordagens comportamentais inerentes à criatividade e aplicadas à teoria
dos hemisférios cerebrais.

1 Conceitos de criatividade e suas


abordagens teóricas
O ser humano, devido à complexidade das redes neurais, é o único ser apto a criar em níveis
artístico e científico e sempre utilizou a criatividade para sobreviver, valendo-se de pedras e outros
recursos disponíveis para os mais diversos fins (MASI, 2003).

Figura 1 – Homem, um ser criativo

Fonte: Nicolas Primola/Shutterstock.com

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CRIATIVIDADE

A criatividade já teve inúmeros significados. Na Grécia Antiga, ela era uma inspiração vinda
dos deuses. A partir do século XVIII, surgiu a noção de genialidade – indivíduos dotados de habili-
dades excepcionais determinadas por fatores genéticos – e a relação entre loucura e criatividade
(Lubart, 2007).
Para Virgolim, Fleith e Neves-Pereira (2008), há um conceito sobre o que é criar. Na literatura
científica, a criatividade depende do objeto de estudo: alguns conceitos são baseados no processo
criativo, outros, no produto da criação, e outros consideram as características de personalidade do
indivíduo. Podemos definir, então, criatividade como “a emergência de um produto novo, relevante
pelo menos para a pessoa que cria a solução, constituindo-se numa atitude que implica conhe-
cimento, imaginação e avaliação” (Noller, 1977 apud Virgolim, Fleith e Neves-Pereira 2008, p. 18).

Para Alencar (2009), uma atividade criativa tem as seguintes características:


•• a resposta deve ser original ou incomum;
•• deve solucionar algum problema ou atingir uma meta, adaptando-se à realidade;
•• há um insight original, que deve ser avaliado, elaborado e desenvolvido;
•• o produto criativo é fruto de trabalho, esforço e conhecimento.

Maslow (1968, apud Alencar, 2009) afirma que a criatividade é mais que inspiração ou ilumi-
nação, é fruto de trabalho, treino, perfeccionismo e atitude criativa.

FIQUE ATENTO!
A criatividade existe em todos os seres humanos. As diferenças entre indivíduos
considerados muito criativos e os demais é a intensidade com que a criatividade é
manifestada.

Segundo Predebon (2010), reagimos a estímulos provocados por experiências anteriores e


somos capazes de ir além, construir hipóteses e conjecturas. A espécie humana tem um potencial
inato e exclusivo de raciocinar construtivamente. Todos nós nascemos criativos, mas esse poten-
cial pode encontrar barreiras durante o processo de socialização (fatores ambientais) quando a
expressão criativa é desencorajada.

Existem algumas ideias sobre criatividade consideradas equivocadas (Alencar, 2009):


•• criatividade se manifesta apenas em produções artísticas;
•• é um fenômeno exclusivamente cognitivo, que não leva em conta a motivação e fatores
afetivos;
•• o processo criativo é individual e não considera a contribuição da sociedade, nem fato-
res ambientais;
•• criar é uma inspiração divina;
•• a genialidade criativa está relacionada com a loucura e a instabilidade emocional;
•• há pessoas que não nascem criativas.

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CRIATIVIDADE

Para tentar esclarecer esses equívocos, estudos foram realizados sob diferentes ângulos e
abordagens no âmbito da Psicologia. Acompanhe!

•• Psicanálise: criatividade como semelhante à fase de fantasia da criança, ou seja, há


o abandono do pensamento lógico em um primeiro momento (pensamento pré-cons-
ciente). Em seguida, esse pensamento é analisado rigorosamente pelo pensamento
consciente.

•• Gestalt: das experiências passadas, aproveitamos o que deu certo, criamos algo novo ou
percebemos de maneira nova velhas ideias. A abordagem admite a criação por insights
ou “iluminações” repentinas, que ocorrem quando o indivíduo está distraído.

•• Humanismo: o ser humano tem potencial criativo, que necessita de condições para
evoluir: estar aberto às experiências; avaliar-se; ser hábil para lidar com elementos e
conceitos; ter segurança e liberdade psicológica (liberdade de expressão e percepções
espontâneas).

•• Comportamental: a criação é uma combinação de elementos que pode ser mantida ou


descartada, dependendo do resultado. Skinner (1974, apud Alencar, 2009) faz uma ana-
logia entre o processo criativo da teoria comportamental e o trabalho do compositor:
ele combina escalas e ritmos até chegar a um resultado satisfatório – o que incentiva
novos comportamentos semelhantes. A criatividade seria uma forma de aprendiza-
gem, e o ambiente é essencial para que se desenvolva.

SAIBA MAIS!
A editora Zahar publicou um booktrailer com base no livro de Steven Johnson, inti-
tulado “De onde vêm as boas ideias?”. Acesse: <https://www.youtube.com/watch?-
v=g6tgH2dWx5c>.

2 Comportamento e as formas de criatividade


Para que o indivíduo possa criar, Lubart (2007) afirma que a soma de fatores cognitivos, cona-
tivos, emocionais e ambientais são essenciais. Cada pessoa tem um perfil que pode ser mais com-
patível com as exigências de determinada tarefa, por exemplo: um arquiteto famoso por seus traba-
lhos é tão criativo quanto uma dona de casa que precisa criar pratos a partir de sobras de alimentos.

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CRIATIVIDADE

Figura 2 – Representação da abordagem múltipla da criatividade

Fatores
Fatores
conativos Fatores Fatores
cognitivos
- estilo emocionais ambientais
- inteligência
- personalidade
- conhecimento
- motivação

Potencial criativo
Arte Literatura Ciência Comércio Outras áreas

Produções criativas

Fonte: LUBART, 2007, p. 19.

O conhecimento, a motivação, o nível intelectual, a personalidade, as atitudes e o ambiente


influenciam fortemente os resultados (criações) (ALENCAR, 2009). Além disso, alguns traços de
personalidade são comumente encontrados em pessoas muito criativas, como independência de
julgamento/pensamento, alto grau de energia, espontaneidade, abertura aos impulsos e fantasias,
maior tolerância à ambiguidade, abertura a novas experiências, autoconceito positivo, persistên-
cia, entre outros.

3 Hemisférios cerebrais, voltando-se


para o criativo (PNL)
Segundo Oliveira (2005), o cérebro humano pode ser dividido em três regiões, conforme a
evolução: o cérebro reptiliano (primitivo e responsável pelo comportamento sexual, alimentar, de
sono-vigília, agressivo e de pertencimento a um grupo social; o cérebro límbico (centro das emo-
ções primitivas, responsável pela adaptação social, estruturação familiar, preocupação com seme-
lhantes e respeito à hierarquia); e o neocórtex (cérebro propriamente dito), responsável por fun-
ções como fala, escrita, capacidade de fazer cálculos, composição artística, motricidade e poder
criativo, e onde encontramos a divisão em hemisférios direito e esquerdo.

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CRIATIVIDADE

Figura 3 – Hemisférios cerebrais

HEMISFÉRIO ESQUERDO HEMISFÉRIO DIREITO

Dominante Não dominante


Forte consciência focal Consciência difusa
Intelectual, formal Sensual, experimental
Propositivo Imaginativo
Objetivo Subjetivo
Pensamento realista Idiossincrático
Dirigido Livre, associativo, ambíguo
Judicial, avaliativo Acrílico
Matemático, científico Artístico
Raciocínio convergente Raciocínio divergente
Racional Não racional
Processamento consciente Processamento pré-consciente
Literal Metafórico
Explícito Implícito
Controle Emoção
Percepção direta Percepção holística
Fonte: adaptado de OLIVEIRA (2005).

Souza (2012) afirma que pessoas criativas apresentam dois padrões de pensamento: um para
reestruturar conceitos, e o outro para avaliá-los. O primeiro padrão está relacionado ao hemisfério
direito (ênfase na percepção, síntese, rearranjo de ideias, uso de metáforas, intuição e comporta-
mento criativo) e o segundo, relacionado ao esquerdo (processos verbais, lógicos e analíticos).

FIQUE ATENTO!
Não podemos afirmar que a criatividade ocorre somente no hemisfério direito, con-
siderando que a avaliação das ideias e sua adequação aos objetivos da criação é
especialidade do hemisfério esquerdo.

Segundo D’Addario (2016), o hemisfério esquerdo é predominante, mas algumas pessoas


têm uma atividade maior no hemisfério direito e são consideradas mais criativas. São concei-
tos atribuídos à Programação Neurolinguística (PNL), que estuda o funcionamento do cérebro e
padrões comportamentais, com uma série de técnicas para estimular o indivíduo a utilizar os dois
hemisférios de forma simultânea, aperfeiçoar a capacidade de comunicação, abandonar limita-
ções e abrir espaço para o desenvolvimento criativo.]

SAIBA MAIS!
A Neurociência é uma disciplina que esclarece aspectos relacionados à criatividade,
explicando como acontece no cérebro humano e quais fatores a influenciam. Saiba
mais em: <http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/7285/2/ULFBA_tes%20373.pdf>.

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CRIATIVIDADE

4 A evolução cocriativa
Quando pensamos em descobertas da humanidade, queremos saber como surgiram e
quem foi o inventor. Antes da Renascença, como afirma Ashton (2016), não era hábito dar cré-
dito às criações – muitas descobertas importantes são fruto de inovações herdadas de pessoas
desconhecidas.
Figura 4 – Evolução e cooperação

Fonte: mmatee/Shutterstock.com

FIQUE ATENTO!

Somos criativos e agimos em colaboração com os demais para garantir a evolução


de nossas tecnologias e arte, ou mesmo para solucionar problemas cotidianos.

Após a globalização, a colaboração tornou-se fácil e ágil, abrindo espaço para o avanço tec-
nológico e das nações. A comunicação e a informação ficaram mais rápidas e amplas, estimu-
lando e promovendo novas descobertas. Segundo Masi (2003), isso ocorre, principalmente, no
campo científico. O predomínio de gênios como Newton ou Galileu (big science) deu lugar aos
“cérebros coletivos” (small science): pesquisadores unidos em organizações que visam produzir
novas teorias e práticas.

EXEMPLO
Para que uma lata de refrigerante seja produzida, são utilizados produtos e tecnolo-
gias originários de vários lugares do mundo, inventados por dezenas de milhares de
pessoas. É impossível produzir sozinho e em apenas um único país. Assim, um dos re-
frigerantes mais famosos do mundo, que é considerado americano, na verdade não é
tão americano quanto imaginamos, uma vez que é fruto da nossa evolução cocriativa.

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CRIATIVIDADE

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• conhecer o conceito de criatividade e suas abordagens teóricas;


•• entender o comportamento e as formas de criatividade;
•• inteirar-se sobre os hemisférios cerebrais;
•• compreender a evolução cocriativa.

Referências
ALENCAR, Eunice. Criatividade: múltiplas perspectivas. 3. ed. Brasília: UNB, 2009.

ASHTON, Kevin. A História Secreta da Criatividade. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

D’ADDARIO, Miguel. Coaching Pessoal. 3. ed. Teaneck: Babelcube Inc., 2016. Disponível em:
<https://books.google.com.br/books?id=b8nSDAAAQBAJ&pg=PT8&dq=coach+hemisf%C3%A-
9rios+cerebrais&hl=pt-BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 26 jan. 2017.

LUBART, Todd. Psicologia da Criatividade. Porto Alegre: Artmed, 2007.

MASI, Domenico de. Criatividade e Grupos Criativos. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

OLIVEIRA, Maria Aparecida Domingues. Neurofisiologia do Comportamento. 3. ed. Canoas:


ULBRA, 2005.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

SOUZA, Bruno Carvalho Castro. Criatividade: a engenharia cognitiva da inovação. Brasília: Edição
do Autor, 2012. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/21143567/criatividade---a-
-engenharia-cognitiva-da-inovacao>. Acesso em: 26 jan. 2017.

VIRGOLIM, Ângela M. R., FLEITH, Denise de S. e NEVES-PEREIRA, Mônica S. Toc, toc... plim, plim:
lidando com as emoções, brincando com o pensamento através da criatividade. 9. ed. Campinas:
Papirus, 2008.

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TEMA 2
Processos criativos
Alessandra Jungblut

Introdução
O processo criativo passa por etapas fundamentais para atingir os objetivos. Atualmente,
nossa sociedade incentiva as novas ideias e está abrindo espaço para a valorização do profissio-
nal criativo.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• interpretar os significados processuais criativos e aplicabilidades em áreas da vida pes-


soal e profissional;
•• reconhecer áreas de abrangência e dificuldades para conservar a criatividade no âmbito
do trabalho.

1 Senso crítico, neutralidade e objetividade na


utilização da criatividade
Os seres humanos são dotados da capacidade de interpretar o mundo por meio de suas
experiências. Um aspecto de nossa vida intelectual é o senso crítico, “(...) um esforço para superar
as primeiras impressões, o óbvio, o imediato, o visivelmente aparente, indo às raízes da realidade”
(LIBANIO, 2006).
É uma forma de liberdade e autonomia, terreno perfeito para que a criatividade se desenvolva.
Ao entrarmos em contato com a realidade, temos a capacidade de interpretá-la, refletir sobre ela
e fornecer respostas originais e importantes para nossa evolução. Sem o senso crítico, o homem
seria simples expectador do mundo, sem questionar ou compartilhar pontos de vista e descober-
tas e incapaz de julgar as próprias ideias.

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CRIATIVIDADE

Figura 1 – “O Pensador”, de Rodin

Fonte: NeydtStock/Shutterstock.com

O processo criativo acontece em etapas interdependentes. Inicialmente, surgem os devaneios,


o pensamento é ilimitado e as ideias fluem livremente, sem interferência – embora sejam influencia-
das por experiências individuais, contexto cultural, conhecimento prévio e uma série de fatores. Na
fase intermediária podemos fazer associações com conceitos existentes. Finalmente, as ideias são
testadas e organizadas objetivamente visando um resultado satisfatório (DI NIZO, 2009).
A fase inicial do processo criativo, momento em que surgem as ideias, é considerada a mais
espontânea. Para Ostrower (2011), a espontaneidade não é independente de influências, mas
implica em coerência consigo mesmo. A independência de influências tem relação com o termo
neutralidade, característica defendida pelo método científico como essencial, apesar de sua apli-
cação ser questionável (OLIVEIRA, 2008). Manter a neutralidade implica em desfazer-se de valores
e julgamentos, o que não ocorre no processo criativo, mesmo em sua fase espontânea.

FIQUE ATENTO!
Criar implica em conhecimento, estudo, informação e pensamento independente
(senso crítico). Mas envolve também a capacidade de deixar as ideias fluírem es-
pontaneamente. A análise e o julgamento são as etapas finais.

2 A utilização da criatividade na sociedade


(condicionamento mental)
Segundo Lubart (2007), um dos primeiros modelos que descrevem o processo criativo foi
desenvolvido por Wallas no início do século XX e compreende quatro etapas:

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CRIATIVIDADE

Figura 2 – Etapas do processo criativo

Coleta de informação
1. Preparação Análise inicial
Trabalho consciente

Descanso
2.Incubação Jogo associativo inconsciente
Esquecimento dos detalhes

Experiência “Eureka”
3.Iluminação
Emergência de ideias

Exame crítico da ideia


4.Verificação
Conclusão dos detalhes

Fonte: adaptado de LUBART, 2007.

•• Preparação – o indivíduo define o problema e busca o máximo de informações. É um


trabalho consciente de aquisição de conhecimento;
•• Incubação – o indivíduo não pensa no problema e pode se concentrar em outras atividades
ou simplesmente relaxar. Ocorre em nível inconsciente, no qual, o cérebro, faz associações
de ideias;
•• Iluminação – quando surge uma ideia interessante, ela se torna consciente por meio de
um insight;
•• Verificação – avaliação e desenvolvimento da ideia.

Comunicar os resultados também é importante, segundo Alencar (2009). Uma ideia pode
resolver um problema individual, porém torna-se socialmente relevante quando é compartilhada.
Mesmo assim, nem sempre a sociedade é receptiva a novas descobertas, e por vezes, demora-se
algum tempo até uma obra ser reconhecida.

EXEMPLO

Van Gogh produziu milhares de obras de arte em vida, porém jamais vendeu um
único quadro. O reconhecimento de sua genialidade artística viria somente após
sua morte (hoje um quadro de Van Gogh é valioso).

Assim, a criatividade depende não apenas do indivíduo, mas, principalmente, de condições


sociais e culturais: acesso livre a experiências culturais variadas, espaço para expressão e padrões
menos rígidos para encorajar a criação.

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CRIATIVIDADE

SAIBA MAIS!

O filme “A Sociedade dos Poetas Mortos” mostra a história de um professor com


métodos pouco ortodoxos e seus alunos.

Ostrower (2011. p.102) aponta a questão do estilo como importante para caracterizar
uma sociedade.

“O estilo não se refere só a uma determinada terminologia. Abrange a maneira de


pensar, de imaginar, de sonhar, de sentir, de se comover, abrange a maneira de agir
e reagir (...). O estilo é forma de cultura”.

Isso explica o porquê de determinadas ideias serem aceitas ou não em certo período ou local.
Porém, o homem também age na sociedade e suas criações influenciam da mesma forma que
são influenciadas.
Na perspectiva comportamental, as respostas do ambiente a um determinado comporta-
mento podem reforçá-lo ou suprimi-lo. Sobre o condicionamento operante, teoria desenvolvida por
Skinner, Goodwin (2010) explica que o comportamento é modelado por suas consequências: se
forem positivas, há maior chance de o comportamento ser repetido; se forem negativas, é provável
que não se repita. Assim, comportamentos criativos em ambientes favoráveis são reforçados e
motivam a sua continuidade.

3 Áreas de atuação ocupadas pelo profissional


criativo (bloqueios emocionais)
Hoje, a criatividade é uma característica extremamente valorizada. Em relação aos espaços
ocupados pelo profissional criativo, Reis (2012) apresenta o conceito de cidades criativas. É na
cidade que se desenvolvem as relações sociais, a cultura local, hábitos, atitudes e outras peculiari-
dades. Pessoas criativas que estão interligadas formam cidades criativas. De acordo com o autor,
quanto mais criativo for o ambiente da cidade, mais o talento de cada habitante e profissional será
estimulado. E o aproveitamento do talento humano é essencial para o fomento da economia.
Florida (2002 apud Reis, 2012) afirma que existe nas cidades uma classe de trabalhadores
criativos que atuam com base no conhecimento. São cientistas, músicos, engenheiros, designers,
advogados, profissionais de saúde, entre outros. A diferença está no objetivo do trabalho: há profis-
sionais pagos para realizar tarefas predeterminadas e outros, cujo objetivo é criar. A criatividade pode
ser utilizada em todos os setores, mas há circunstâncias, nas quais ela passa a ser um requisito.
Essa exigência pode gerar o que chamamos de “bloqueios de criatividade”. Dell’Isola (2012)
apresenta alguns padrões de pensamento que podem bloquear a expressão criativa: acreditar que
há sempre uma resposta certa ao invés de gerar o máximo possível de ideias; usar regras no pro-

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CRIATIVIDADE

cesso de geração de ideias; rejeitar ideias ambíguas (o indivíduo evita o pensamento divergente e
pode bloquear sua criatividade); o medo de errar ou parecer tolo; e a crença de que não é capaz.
Outro obstáculo é citado por Nicolau (2014): o julgamento. As críticas são importantes
no processo de criação, para diferenciarmos se, o que produzimos, é bom ou ruim, porém, seu
excesso pode ser prejudicial. A maioria das invenções é fruto de tentativas e erros, protótipos e
ideias excêntricas.
Figura 3 – O giroscópio, de Da Vinci

Fonte: Mar.k/Shutterstock.com

FIQUE ATENTO!
Um ambiente pode oferecer condições adequadas para estimular a criatividade,
mas cabe ao indivíduo confiar em seu potencial, manter-se motivado e não ter
medo de errar.

4 A criatividade e o mercado de trabalho


Com o crescimento das tecnologias, a criatividade surge como fator competitivo e diferencia-
dor. A economia tem seu fomento em grande parte por empresas que valorizam a criatividade para
gerar riqueza. E as pessoas são os atores principais desse mercado, ou seja, o capital intelectual e
criativo responsável por produzir bens e serviços, que vão diferenciar essas empresas no mercado
e gerar um retorno financeiro positivo.

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CRIATIVIDADE

SAIBA MAIS!
O relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento
(UNCTAD) sobre a Economia Criativa analisa as políticas e aponta direções
possíveis para o desenvolvimento criativo mundial. Acesse em: <http://unctad.org/
pt/docs/ditctab20103_pt.pdf>.

Segundo Reis (2012), a abertura de mercados facilitou a circulação de bens e serviços cria-
tivos no mundo. Porém, há a tendência de serem oferecidos produtos ou serviços semelhan-
tes. Então, surge a valorização da criatividade como forma de diferenciação e competitividade.
Além disso, há a necessidade de produzir, fazer parte de um contexto global e manter a cultura
local, oferecendo algo único e atrativo.

EXEMPLO

O artesanato desenvolvido por uma pequena comunidade no interior do Brasil pode


ser exportado, gerar riqueza e garantir o desenvolvimento daquela região.

Figura 4 – Indústrias criativas

Locais culturais Expressões


culturais tradicionais
Sítios arqueológicos,
museus, bibliotecas, Artesanato, festivais e
exposições, etc. comemorações.

Artes cênicas
Artes visuais
Música ao vivo, teatro,
Pinturas, esculturas,
dança, ópera, circo,
fotografia e antiguidades.
fantoches, etc.

Indústrias
Editoras e mídia criativas
Audiovisuais
impressa
Filme, televisão, rádio,
Livros, imprensa e
demais radiodifusões.
outras publicações.

Novas mídias
Design
Software, videogames,
Interiores, gráfico, moda
conteúdo digital
joalheria, brinquedos. Serviços criativos
criativo.
Arquitetura publicidade,
P&D criativo,
cultural recreativo.

Patrimônio Cultural Arte Mídia Criações Funcionais

Fonte: adaptado de NAÇÕES UNIDAS, 2010.

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CRIATIVIDADE

Segundo Peixoto e Ferreira (2011), temos a necessidade de ter mais profissionais criativos,
que estejam adequados às novas tendências. As organizações ainda possuem pessoas que exe-
cutam muito e criam pouco. A nova geração tem grande potencial criativo, faz atividades simultâ-
neas, mas precisa ser estimulada a ter foco para adaptar-se ao crescente mercado.

FIQUE ATENTO!
O desenvolvimento da criatividade hoje é essencial, o ambiente é propício e a ne-
cessidade de manter o foco na produção de novas ideias/produtos/serviços é im-
portante para obter sucesso.

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• identificar o senso crítico, a neutralidade e a objetividade na utilização da criatividade;


•• conhecer as etapas do processo criativo;
•• compreender a relação entre a criatividade e o mercado de trabalho;
•• aprender o conceito de cidades criativas.

Referências
NAÇÕES UNIDAS. Conferência das Nações Unidas sobre comércio e desenvolvimento - (UNCTAD).
Relatório de economia criativa 2010: economia criativa uma, opção de desenvolvimento. 2010.
Disponível em: <http://unctad.org/pt/docs/ditctab20103_pt.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2017.

DELL’ ISOLA, Alberto. Mentes brilhantes. São Paulo: Universo dos Livros, 2012.

DI NIZO, Renata. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.

GOODWIN, C. James. História da psicologia moderna. 4. ed. São Paulo: Cultrix, 2010.

LIBANIO, João Batista. Introdução à vida intelectual. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

NICOLAU, Marcos. Introdução à criatividade. 2. ed. João Pessoa: Ideia, 2014.

OLIVEIRA, Marcos Barbosa de. Neutralidade da ciência, desencantamento do mundo e controle da


natureza. Sci. stud., [online], v. 6, n. 1, p. 97-116, 2008.

OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

PEIXOTO, Clea Jatahy; FERREIRA, Larissa Torres. Criatividade e mercado de trabalho. FTDR:
Revista Científica da Faculdade de Tecnologia Darcy Ribeiro, p. 47-8, nº 1, jul/dez 2011.

REIS, Ana Carla Fonseca. Cidades criativas: da teoria à prática. São Paulo: Sesi Editora, 2012.

– 20 –
TEMA 3
A criatividade e o ser humano
Alessandra Jungblut

Introdução
O estímulo ao ato de criar envolve uma série elementos, desde os traços de personalidade até
a influência da cultura e do meio social. Aspectos individuais incluem a curiosidade, a flexibilidade,
a motivação e a persistência. Essas características, aliadas a um ambiente adequado, podem con-
tribuir para a expressão criativa.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• identificar tipologias de perfis do ser humano que desenvolvem a personalidade criativa;


•• conhecer os papéis sociais que compõem a formação do indivíduo criativo.

1 A criatividade e a personalidade
(ajustamento e papéis sociais)
A criatividade está presente em nós, manifestada em diferentes intensidades. De acordo com
Alencar e Fleith (2009), a produção criativa de um indivíduo é influenciada por habilidades cogniti-
vas, condições ambientais, motivação, atitudes e traços de personalidade.
O ambiente e a educação são essenciais no desenvolvimento criativo, ao estimular essa ativi-
dade, sem obstaculizar à expressão. Segundo Predebon (2010), existem características favorecem
a criatividade e compõem a chamada “personalidade criativa”:

•• Independência, ousadia
•• Curiosidade
•• Flexibilidade
•• Sensibilidade
•• Leveza, otimismo
•• Fluência verbal e de raciocínio
•• Interesse variado
•• Valorização do diferente
•• Intuição, impulsividade

– 21 –
CRIATIVIDADE

Figura 1 – Personalidades criativas

Fonte: Visual3Dfocus/Shutterstock.com

Essas características não estão presentes em todos os criativos, mas é possível desenvolver
alguns desses aspectos para expressar melhor seu potencial.
A criatividade faz parte da interação do homem com o meio social: ele a utiliza para manter o
equilíbrio entre suas necessidades e a adaptação ao ambiente. Isso é chamado de ajustamento cria-
tivo que, segundo Pacheco (2010), é uma maneira saudável de interagir ativamente, adaptando-se e
equilibrando as demandas externas e internas, sem anular ou supervalorizar nenhuma delas.

EXEMPLO
Uma pessoa preocupada em manter uma alimentação livre de agrotóxicos mora
em um apartamento e não encontra esses produtos em um supermercado próxi-
mo. Então, constrói uma horta vertical em sua sacada.

Na interação social, o homem assume funções denominadas de papéis sociais (ROJAS-BER-


MUDEZ, 2016).
São padrões de comportamento exercidos em sociedade, de acordo com o que é esperado
em várias esferas (família, trabalho, relacionamentos, grupos sociais). Desempenhar papéis faz
parte de nossa identidade e cultura, porém, padrões muito rígidos podem impedir a espontanei-
dade e iniciativa necessárias às mudanças sociais e ao ajustamento criativo. “O destino de uma
cultura depende da criatividade de seus membros” (Moreno,1984 apud Neves, 2008, p. 32).

FIQUE ATENTO!

Deve haver o equilíbrio entre o impulso criativo de nossa personalidade e as circuns-


tâncias do ambiente.

– 22 –
CRIATIVIDADE

2 A criatividade e a socialização
(formação de valores, dogmas e preconceito)
Na infância, iniciamos o processo de socialização, definido como a aquisição de valores,
padrões comportamentais, crenças e atitudes, que se torna mais complexo com o passar do tempo
(Mussen, 1988 apud Neves, 2008). A criatividade, de acordo com Chagas, Apes e Fleith (2008), não é
consequência exclusiva de processos internos, mas resulta da interação do indivíduo com o meio e
se desenvolve constantemente por meio das experiências acumuladas durante a vida.
Ainda na infância, utilizamos a imaginação e a fantasia; conforme crescemos, desenvolve-
mos a linguagem e o conhecimento, adquirimos experiências mais complexas e conseguimos
transformar os sonhos em realidade. É o momento em que a criatividade atinge sua maturidade.

Figura 2 – Socialização e cultura

CULTURA

domínio

seleção de transmissão de
novidade informação
PRODUÇÃO
DE
NOVIDADE

campo indivíduo
estimula a
novidade EXPERIÊNCIA
SOCIEDADE PESSOAL

Fonte: adaptado de CSIKSZENTMIHALYI (2004) apud MOREIRA (2008).

Csikszentmihalyi (1999 apud Chagas, Apes e Fleith, 2008) propõe um modelo sistêmico para
o estudo da criatividade, considerando-a como a soma de aspectos individuais (genética e experi-
ências pessoais), culturais e sociais.
Os aspectos individuais envolvem curiosidade, motivação, persistência, entusiasmo, flexibi-
lidade de pensamento, entre outros. Os aspectos culturais são os hábitos, regras, preconceitos e
conhecimentos compartilhados. Já os aspectos sociais envolvem as relações entre grupos.
Na interação com a cultura, o indivíduo criativo poderá fazer questionamentos e propor
mudanças criativas, desde que encontre um ambiente social adequado que ofereça oportunidade
de escolha, tarefas estimulantes e a aceitação das diferenças.

FIQUE ATENTO!

Questionar a realidade e propor mudanças socioculturais positivas é uma função


importante e própria de pessoas criativas.

– 23 –
CRIATIVIDADE

SAIBA MAIS!
Para entender mais sobre o processo de socialização e a relação entre indivíduo, so-
ciedade e cultura, acesse: <http://wright.ava.ufsc.br/~alice/conahpa/anais/2009/
cd_conahpa2009/papers/final157.pdf>.

3 A criatividade no contato humano


(introversão x extroversão)
Um dos preconceitos que conhecemos refere-se à questão do que é próprio de indivíduos
introvertidos e extrovertidos. Por exemplo, os extrovertidos são líderes mais competentes e os
introvertidos são tristes. Algumas das ideias preconcebidas sobre isso, segundo Cain (2012), são
a crença de que o mundo é de maioria extrovertida, e também, a simplificação dos termos, já que
temos tipos diferentes de introvertidos e extrovertidos.
Jung (2011) aborda a questão introversão x extroversão como parte de sua teoria da perso-
nalidade (tipos psicológicos). De acordo com autor, definir-se como um ou outro é difícil, tendo
em vista a tendência humana a compensar o aspecto unilateral de seu tipo, ou seja, podemos ser
essencialmente introvertidos e apresentar comportamentos extrovertidos para que nossa psique
possa manter o equilíbrio.
A extroversão caracteriza-se por interesses predominantemente objetivos (mundo externo,
atividades em grupo) e a introversão, por interesses predominantemente subjetivos (mundo
interno, atividades individuais). Na realidade, todos apresentamos os dois tipos de atitude, porém,
um é preponderante. O ideal é o equilíbrio, para nos sentirmos confortáveis, tanto com o mundo
externo, quanto com o interno.

Figura 3 – Yin e Yang

Introversão

Extroversão

Fonte: FEIST; FEIST & ROBERTS, 2015, p.79.

– 24 –
CRIATIVIDADE

Segundo Cain (2012), a supervalorização dos extrovertidos pode fazer com que os introver-
tidos sintam dificuldade em aceitar-se. Os introvertidos tendem a ser mais criativos porque pos-
suem uma experiência interna mais rica, são mais focados e persistentes, enquanto os extroverti-
dos têm a necessidade de obter atenção do grupo.

SAIBA MAIS!

A revista Superinteressante traz um artigo a respeito das pessoas consideradas intro-


vertidas. Acesse: <www.super.abril.com.br/comportamento/timidos-sem-vergonha/>.

4 O Ser criativo
A autoaceitação é uma das características que auxiliam a expressão criativa, assim como a
leveza. De acordo com Castilho e Sanmartin (2013), a ação criadora vai além da resolução de pro-
blemas e atende necessidades intrínsecas de realização. O jogo, as brincadeiras e a diversão são
importantes aliados no desenvolvimento de pessoas criativas. No adulto, redescobrir a esponta-
neidade e a alegria e divertir-se no processo criativo é importante para pessoas que querem vencer
as repressões e enfrentar o medo do julgamento alheio. O foco é o processo de criação em si, ao
invés da simples espera por recompensa ou punição.
O ato de dedicar-se à produção criativa com prazer e satisfação está relacionado aos aspec-
tos motivacionais. Amabile (1996 apud Alencar e Fleith, 2009) afirma que a motivação intrínseca
é o que leva o indivíduo a buscar mais informações, arriscar-se e sair do comum, buscando novas
estratégias criativas. De acordo com Ostrower (2011), a criatividade é uma habilidade caracterís-
tica do ser humano e o ato de criar é uma necessidade. Dessa forma, o homem como ser criativo
por natureza encontra satisfação na realização desse potencial.

EXEMPLO
Podemos observar essa motivação em personalidades que se destacaram. Leonardo
da Vinci foi um criativo obcecado pela observação do mundo. Carregava consigo um
caderno para anotar pensamentos e inventos e desenhar o que via nas ruas. Tinha
interesses variados, como pintura, geometria, anatomia, entre outros (Herbert, 2002).

– 25 –
CRIATIVIDADE

Figura 4 – Leonardo Da Vinci

Fonte: Georgios Kollidas/Shutterstock.com

Virgolim, Fleith e Neves-Pereira (2008) trazem uma perspectiva humanista, a questão da


autorrealização. É por meio da criatividade que o ser humano se realiza. Para isso, é necessário
segurança e liberdade psicológica, ou seja, segurança de ser aceito como é e liberdade psicológica
para expressar-se livremente, sem impedimentos.

FIQUE ATENTO!
Exercer a criatividade é uma necessidade humana e é por meio dela que o ser hu-
mano se realiza. Para isso, é preciso motivação e um ambiente adequado à livre
expressão.

Fechamento
Ao final desta aula, você teve a oportunidade de:

•• conhecer algumas características atribuídas à personalidade criativa;


•• aprender o conceito de ajustamento criativo;
•• compreender a influência da personalidade, da cultura e da sociedade no desenvolvi-
mento da criatividade;
•• observar as diferenças entre introversão e extroversão no processo criativo.

– 26 –
CRIATIVIDADE

Referências
ALENCAR, Eunice e FLEITH, Denise. Criatividade: múltiplas perspectivas. 3. ed. Brasília: UNB, 2009.

CAIN, Susan. O Poder dos Quietos: como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que
não para de falar. Rio de Janeiro: Agir, 2012.

CASTILHO, Marta Andrade e SANMARTIN, Stela Maris. Criatividade no Processo de Coaching.


São Paulo: Trevisan Editora, 2013.

CASTRO, Carol. Tímidos sem vergonha. Superinteressante, 2014. Disponível em: <http://super.
abril.com.br/comportamento/timidos-sem-vergonha/>. Acesso em: 21 fev. 2017.

CHAGAS, Jane F., APES, Cristiana C. e FLEITH, Denise S. A relação entre criatividade e desen-
volvimento: uma visão sistêmica. pp. 210-230. In: DESSEN, Maria A. e COSTA JR, Áderson Luiz.
A Ciência do Desenvolvimento Humano: tendências atuais e perspectivas futuras. Porto Alegre:
Artmed, 2008.

FEIST, Jess; FEIST, Gregory J. e ROBERTS, Tommi-Ann. Teorias da personalidade. 8. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2015.

HERBERT, Janis. Da Vinci para crianças. São Paulo: Zahar, 2002.

JUNG, Carl G. Tipos Psicológicos. 4. ed. Coleção Obra Completa – v. 6. Petrópolis: Vozes, 2011.

MOREIRA, Mafalta Vaz Pinto. Criatividade organizacional, uma abordagem sistémica e pragmá-
tica. 2008. 185 f. Dissertação (Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico) – FEUP.
Porto, Portugal. 2008.

NEVES, Sissi Malta. Os papéis sociais e a cidadania. In ZANELLA, Andrea V., et al. Psicologia e
práticas sociais. [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. pp. 28-48.
Disponível em: <http://books.scielo.org/id/886qz/pdf/zanella-9788599662878-05.pdf>. Acesso
em: 21 fev. 2017.

OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

PACHECO, Cristina V. Razão x Emoção: um atendimento clínico sob a luz da Gestalt- Terapia.
[online] Monografia. Florianópolis: Comunidade Gestáltica, 2010. Disponível em: <https://view.
officeapps.live.com/op/view.aspx?src=http://www.comunidadegestaltica.com.br/sites/default/
files/CRISTINA%20VIEIRA%20PACHECO.docx>. Acesso em: 21 fev. 2017.

PEREIRA, Kariston et al. A Criatividade na sociedade do conhecimento: um ensaio sobre a impor-


tância dos fatores culturais e nãocognitivos. 4º CONHAPA – Congresso Nacional de Ambientes
Hipermídia para Aprendizagem, Florianópolis, 2009.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ROJAS-BERMÚDEZ, Jaime G. Introdução ao Psicodrama. São Paulo: Ágora, 2016.

VIRGOLIM, Ângela M. R., FLEITH, Denise S. e NEVES-PEREIRA, Mônica S. Toc, toc... plim, plim:
lidando com as emoções, brincando com o pensamento através da criatividade. 9. ed. Campinas:
Papirus, 2008.

– 27 –
TEMA 4
Criatividade individual e cultural
Alessandra Jungblut

Introdução
O ato de criar depende de aspectos individuais, culturais e do meio social para se desenvolver
plenamente. A criatividade adquire uma importância cada vez maior em nosso dia a dia e é indis-
pensável para garantir nossa sobrevivência e o gerenciamento do conhecimento, além de ser uma
ferramenta importante para a autorrealização e o sucesso profissional.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
•• identificar particularidades individuais e culturais para o desenvolvimento da criatividade;
•• entender sobre a necessária sabedoria em ser criativo para a conquista de êxito.

1 Como desenvolver a criatividade


O ser humano possui potencial para produzir coisas novas, criar, ter ideias e desenvolvê-las.
Segundo Lubart (2007), o meio familiar pode facilitar o desenvolvimento criativo ao valorizar a
criança, aceitar sua individualidade, opinião e autonomia. O ambiente escolar, o contexto cultural
e os instrumentos tecnológicos também têm impacto sobre a expressão criativa. Na escola tradi-
cional, a tendência é valorizar o pensamento convergente (as “respostas certas”), a memorização
e a obediência, mas esse meio pode também favorecer a resposta criativa, quando incentiva a
expressão e a construção de relações entre diferentes matérias.
Sobre a cultura, Lubart (2007) afirma que existem tradições restritivas em alguns locais, nos
quais não é possível criar novas formas de pintar os ícones da cultura religiosa ou mesmo de
compor canções de estilo musical diferente. É preciso adaptar-se e utilizar os meios disponíveis. E
a tecnologia, como a internet e a televisão, agem como importantes meios de disseminar informa-
ções e conhecimento, além de ser um importante campo de pesquisa e criação.
Segundo Di Nizo (2009), para criar não basta apenas ter uma grande ideia. É preciso ter foco
e concentração em um objetivo para colocá-la em prática. “Ter ideias não é o mesmo que ser cria-
tivo. Criação é execução, e não inspiração. Muitos têm ideias; poucos dão os passos necessários
para concretizar aquilo que imaginam” (ASHTON, 2016, p.63).

FIQUE ATENTO!

Criar não é algo mágico. Buscar novos conhecimentos e exercitar a produção de


ideias é um passo importante para se tornar uma pessoa ainda mais criativa.

– 28 –
CRIATIVIDADE

Figura 1 – Criatividade requer prática

Fonte: Alphaspirit/Shutterstock.com

Além da influência de aspectos socioculturais, existem várias técnicas e métodos para


desenvolver seu potencial criativo. Para Predebon (2010), cada pessoa escolhe a abordagem
mais aprazível, desde que abandone o paradigma de ser incapaz de criar e lembre-se de que a
simplicidade é desejável e que não há descoberta sem experiência. Alencar e Fleith (2009) citam
algumas técnicas: a tempestade cerebral (ou brainstorming), a sinética, as combinações força-
das, a listagem de atributos e os exercícios sensoriais de imaginação. São sugestões de exercí-
cios que favorecem o hábito de pensar criativamente.

EXEMPLO
A técnica de combinações forçadas sugere fazer associações entre duas coisas
que parecem distantes, buscando uma ligação entre eles – carro e peixe; gato e
geladeira; livro e lâmpada, etc.

2 Por que é necessário ser criativo?


Uma ideia criativa pode solucionar um problema individual ou tornar-se socialmente relevante
ao ser compartilhada e aceita pela sociedade. Nas artes, a ação criativa expressa a interação entre
indivíduo e cultura, e a criatividade, após ser estudada nos últimos anos, é apontada atualmente
como essencial à sobrevivência humana.
Nosso momento histórico destaca-se por profundas e rápidas mudanças, com problemas
que demandam soluções criativas. As informações tornam-se obsoletas em pouco tempo e fica

– 29 –
CRIATIVIDADE

difícil para o ser humano prever o tipo de conhecimento necessário para os próximos anos – é
preciso ampliar nossa capacidade de pensar e criar (ALENCAR & FLEITH, 2009).

Figura 2 – Criar para evoluir

Fonte: mmatee/Shutterstok.com

Ashton (2016) demonstra a importância da criatividade retomando um período histórico, no


qual havia preocupação com o crescimento populacional. Thomas Malthus publicou em 1798
um ensaio, no qual relatou o perigo da falta de alimentos causado pelo constante aumento da
população. O crescimento atingiu níveis mais elevados do que o previsto, no entanto, a fome no
planeta diminuiu. Isso só foi possível pelo aumento da capacidade criativa, ou seja, o crescimento
populacional aumentou também o número de pessoas criativas, interconectadas, desenvolvendo
soluções e produzindo. Além disso, é por meio da criatividade que o ser humano descobre manei-
ras sustentáveis de utilizar os recursos naturais.

EXEMPLO

O desgaste do solo e o uso abusivo de agrotóxicos estimulou o desenvolvimento


da agricultura orgânica.

3 Criatividade e inteligência
A inteligência humana está associada à capacidade de raciocínio, aprendizagem, resolução
de problemas e adaptação ao meio. Até a metade do século XX, pesquisas sobre inteligência eram
suficientes para explicar o funcionamento mental. Segundo Bee e Boyd (2011), para compreender
e medir diferenças individuais de inteligência surgiram a abordagem psicométrica e o teste de QI.

– 30 –
CRIATIVIDADE

Atualmente, temos abordagens amplas como a teoria de Robert Sternberg e os três tipos dife-
rentes de inteligência: a analítica/componencial (planejamento, organização, memória); a criativa/
experiencial (respostas não convencionais, exame crítico de ideias, associações); e a prática/con-
textual (manejo de questões práticas, percepção social). Outra teoria emergente foi a de Howard
Gardner (Inteligências Múltiplas), que admite oito tipos de inteligência: linguística, lógico-matemá-
tica, espacial, corporal/cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista (BEE e BOYD, 2011).
De acordo com Freitas-Magalhães (2003), a criatividade já foi associada à inteligência, pois
acreditava-se que era uma característica apenas de indivíduos inteligentes. Porém, estudos reali-
zados por Wallach e Kogan mostraram que existem pessoas inteligentes com pouca expressão
criativa, e pessoas com baixo nível intelectual, com bom desempenho criativo.
Isso ocorre porque os inteligentes considerados pouco criativos apresentaram um sentimento
de insegurança em situações de ambiguidade e preferem padrões já conhecidos de desempenho.
Já os indivíduos criativos com baixo nível intelectual sentem-se mais seguros quando não há ava-
liação de desempenho.

FIQUE ATENTO!

O autoconceito positivo faz parte de uma personalidade criativa.

Figura 3 – Inteligência versus Criatividade

Fonte: Sakonboon Sansri/Shutterstock.com

A relação entre criatividade e inteligência foi muito debatida entre psicólogos. De acordo com
Del Isola (2012), são coisas distintas e independentes. Essa diferença existe, segundo Gardner (1996
apud DEL ISOLA, 2012), devido à relação entre pensamento divergente e pensamento convergente.
Pessoas inteligentes são convergentes, emitem respostas corretas convencionais aos problemas.

– 31 –
CRIATIVIDADE

Já as pessoas com desempenho criativo elevado apresentam pensamento divergente: diante de


um problema, fazem associações diferentes e interpretações e emitem respostas originais.

SAIBA MAIS!
Confira o vídeo publicado no canal do Projeto Fronteiras do Pensamento explicando
a diferença entre inteligência e criatividade. Acesse: <https://www.youtube.com/
watch?v=yLC707jeDKs>.

4 Criatividade e êxito
Para Maslow (apud FEIST, FEIST & ROBERTS, 2015), criatividade e autorrealização são sinô-
nimos. Pessoas autorrealizadas são criativas na medida em que percebem a verdade, a beleza e
a realidade de maneira única, e não precisam ser grandes artistas ou poetas. São pessoas que
conseguiram sair do comum e desenvolver seu potencial, tanto na vida pessoal como no trabalho.
Além disso, a prática criativa permite o exercício natural da inovação, ou seja, uma forma de
fugir da linha evolutiva normal e dar um salto em direção ao novo. É a ação individual sendo um
diferencial na vida de outras pessoas, permitindo a realização pessoal e nos tornando pessoas
mais felizes (PREDEBON, 2010).

Figura 4 – Criatividade e êxito

Fonte: Lightspring/Shutterstock.com

De acordo com Linkner (2014), a criatividade é importante não apenas para artistas e pes-
soas do meio publicitário, mas para o sucesso em outras áreas. Pessoas que ocupam cargos
gerenciais consideram a presença de pessoas criativas como vitais para o crescimento de suas

– 32 –
CRIATIVIDADE

empresas. Porém, Bes e Kotler (2011) alertam para se distinguir criatividade de inovação nas orga-
nizações de trabalho. A criatividade é uma ferramenta para o alcance da inovação.

SAIBA MAIS!
Sobre criatividade e inovação, Barlach publicou uma tese intitulada “A humana sob
a ótica do empreendedorismo inovador”. Acesse: <http://www.teses.usp.br/teses/
disponiveis/47/47134/tde-01122009-084339/pt-br.php>.

Ideias e soluções novas e interessantes devem ser gerenciadas para atingir os objetivos, ou
seja, devem ser materializadas no mercado para que as pessoas possam sentir-se efetivamente
participativas. “As pessoas propõem ideias e, devido à falta de regras claras acerca do que fazer
com elas, estas definham antes de chegarem a algum lugar. Desse modo, as pessoas ficam des-
motivadas e param de propor novas ideias” (BES & KOTLER, 2011, p. 22-23).

FIQUE ATENTO!
O meio social é importante para o desenvolvimento da criatividade. Portanto, é im-
portante incentivar a participação das pessoas, ouvir ideias e contribuir para um
clima de aceitação e motivação.

5 Os valores culturais facilitadores da criatividade


Além de aspectos relacionados à personalidade e ao ambiente social, o desenvolvimento da
criatividade recebe a influência de valores culturais. Segundo Leal e Rocha (2008), o ser humano
transforma a realidade a partir da consciência de seus próprios valores. Um objeto é avaliado
a partir de critérios de valor, sejam eles subjetivos ou objetivos, que refletem a cultura e podem
mudar de acordo com as tendências históricas. Os valores são parte da construção cultural, são
crenças que orientam um modo de conduta, transmitidas pelos pais, professores ou outras figuras
significativas para o indivíduo, são o reflexo do que o indivíduo considera desejável ou indesejável,
do que ele seleciona como importante.
Segundo Chagas, Aspesi e Fleith (2008), a organização social e cultural estabelece critérios
para avaliar o que é produzido levando em conta os conhecimentos próprios de seus integrantes.
Cada área de conhecimento (matemática, física, música etc.) possui um conjunto de regras e
procedimentos que permitem considerar se o produto criativo é considerado bom ou não. Para
um bom desempenho criativo, o indivíduo precisa conhecer a área em que pretende desenvolver
sua criação e, ao dominar o conhecimento, promover mudanças e atualizar procedimentos. Fato-
res sociais e históricos como guerras, crises econômicas e desastres naturais também podem
influenciar a qualidade e a quantidade de produções criativas. Além disso, características culturais
de determinado local ou tempo podem facilitar ou dificultar a aceitação de ideias ou produtos cria-
tivos (por exemplo: um renomado pianista clássico pode não ter o mesmo prestígio se estiver em
uma tribo indígena isolada do mundo).

– 33 –
CRIATIVIDADE

Existem, assim, demandas sociais que favorecem a criatividade, como o fato de vivermos em
um tempo em que organizações criativas representam vantagem competitiva e acabam incenti-
vando cada vez mais a expressão. Como afirma Csikszentmihalyi (1996, apud CHAGAS; ASPESI &
FLEITH, 2008, p. 227), “é mais fácil desenvolver a criatividade das pessoas mudando as condições
do ambiente, do que tentando fazê-las pensar de forma criativa”.
O ambiente de trabalho deve ser considerado como um importante espaço para o desenvol-
vimento da criatividade. Segundo Muzzio (2017), a cultura que emerge do contexto organizacional
pode motivar a criatividade dos indivíduos mantendo valores, regras e práticas convergentes com
a ação criativa. Uma cultura organizacional em que há interação entre as características individu-
ais e as características e objetivos da própria organização podem ser determinantes da expres-
são criativa no momento em que estimulam as relações interpessoais, a comunicação, as novas
ideias, a confiança e o comprometimento com o trabalho.

Fechamento
Ao final desta aula, você teve a oportunidade de:

•• conhecer as condições que facilitam a expressão da criatividade;


•• compreender a importância da criatividade para o desenvolvimento social e para o
crescimento pessoal;
•• aprender algumas abordagens relacionadas à inteligência e sua relação com a
criatividade.

Referências
ALENCAR, Eunice e FLEITH, Denise. Criatividade: múltiplas perspectivas. 3. ed. Brasília: UNB, 2009.

ASHTON, Kevin. A História Secreta da Criatividade. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

BARLACH, Lisete. A criatividade humana sob a ótica do empreendedorismo inovador. Instituto


de Psicologia. São Paulo: USP, 2009. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponi-
veis/47/47134/tde-01122009-084339/pt-br.php>. Acesso em: 21 fev. 2017.

BEE, Helen e BOYD, Denise. A Criança em Desenvolvimento. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

BES, Fernando T. e KOTLER, Philip. A Bíblia da Inovação. São Paulo: Leya, 2011.

CHAGAS, Jane F., ASPESI, Cristiana C. e FLEITH, Denise S. A relação entre criatividade e desenvolvi-
mento: uma visão sistêmica. pp. 210-230. In: DESSEN, Maria A. e COSTA JR, Áderson L. A Ciência do
Desenvolvimento Humano: tendências atuais e perspectivas futuras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

DELL’ISOLA, Alberto. Mentes Brilhantes. São Paulo: Universo dos Livros, 2012.

DI NIZO, Renata. Foco e Criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.

– 34 –
CRIATIVIDADE

FEIST, Jess; FEIST, Gregory e ROBERTS, Tommi-Ann. Teorias da Personalidade. 8. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2015.

FREITAS-MAGALHÃES, Prof. Dr. Psicologia da Criatividade: estudo sobre o desenvolvimento da


expressão criadora da criança. 7. ed. Ramada, Portugal: ISCE, 2003.

LEAL, Raimundo S. e ROCHA, Nivea M. F. Estética, valores e cultura: ampliando a subjetividade na


análise organizacional. V ENEO/ANPAD, Belo Horizonte, 2008, pp. 01-16. Disponível em: <www.
anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnEO/eneo_2008/2008_ENEO547.pdf.> Acesso em: 16 mar. 2017.

LINKNER, Josh. Criativo e Produtivo: os 5 passos da inovação empresarial que geram resultados
imediatos. Ribeirão Preto: Novo Conceito Editora, 2014.

LUBART, Todd. Psicologia da Criatividade. Porto Alegre: Artmed, 2007.

MUZZIO, Henrique. Indivíduo, liderança e cultura: evidências de uma gestão da criatividade. Revista
RAC, Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, art. 6, pp. 107-124, Jan./Fev. 2017. Disponível em: <http://dx.doi.
org/10.1590/1982-7849rac2017160039>. Acesso em: 16 mar. 2017.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

– 35 –
TEMA 5
Enfoque holístico e visão
sistêmica da criatividade
Alessandra Jungblut

Introdução
A atitude criativa é o que move o ser humano a criar. Para isso, é preciso curiosidade, capaci-
dade de questionar e se abrir para o novo. A realização pessoal ocorre por meio da satisfação de
criar algo que se considera bom, é brincar com as ideias, é testar hipóteses diferentes.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• conhecer os âmbitos comportamentais da criatividade por intermédio dos modos de


pensar e expressar-se;
•• entender as inter-relações entre criatividade e espontaneidade.

1 A atitude criativa
Ações criativas iniciam a partir de questionamentos sobre situações. O ser humano observa
as situações e investiga novos modos de olhar e novas soluções possíveis. Atitude, segundo Rodri-
gues (1981, apud GOULART, 2006), é uma predisposição a favor ou contra um objeto social. Ela
surge da percepção e do sentimento que temos sobre algo e pode influenciar nosso comporta-
mento em determinadas ocasiões.
A atitude criativa deriva da curiosidade, do hábito de questionar, da vontade de desenvolver
algo. São as atitudes mentais e emocionais que desenvolvemos ao investigar uma realidade. Pro-
mover a atitude criativa é motivar o indivíduo a desenvolver suas criações, fazendo com que ele
perceba que existem opções disponíveis. O indivíduo com atitude criativa vê o mundo com a inge-
nuidade de uma criança e o conhecimento de um adulto – possui grande capacidade de atenção e
de observação e, para ele, o mundo é cheio de surpresas (FERREIRA et al, 2011).

Todas as pessoas criativas são uma síntese de muitas atitudes aparentemente


contraditórias. Trata-se do direito de ser ao mesmo tempo lógico e ilógico ou in-
trovertido e extrovertido. Todos esses “eus” coabitam e são utilizados sabiamente.
Em interação constante e ativa com seu meio ambiente, a criatividade se abre
para receber as mensagens. Ao fazê-lo, corre o risco de receber informações in-
quietantes e dissonantes. Admite-se que ser curioso é ser um explorador, o que
investiga vários territórios. O ser curioso procura verificar o que foi dito e tenta
descobrir aquilo que ainda não tenha sido dito (FERREIRA et al, 2011, p. 162).

– 36 –
CRIATIVIDADE

Predebon (2010) afirma que, entre os métodos disponíveis para desenvolver a criatividade,
estão as abordagens atitudinais, cujo objetivo é justamente ampliar a atitude criativa por meio de
um trabalho psicológico, com técnicas de reflexão e assimilação de novos valores. Ele se refere
a uma teoria das aberturas, na qual uma pessoa se torna mais criativa quando está mais aberta.
Pessoas tornam-se mais abertas ao aprimorar algumas características como flexibilidade, articu-
lação, comunicabilidade, inquietude e leveza. O desenvolvimento dessas características objetiva
ampliar a atitude criativa.

Figura 1 – F.A.C.I.L.: aberturas à criatividade


Característica de pessoas que não

Flexibilidade adotam posições definitivas, podendo


rever suas convicções e valores, sem
maiores traumas.

Encontrada em pessoas com alto grau de

Articulação conciliação e participação no ambiente.


Gostam de se manter informadas e
vivenciam muito uma posição gregária

Qualidade dos extrovertidos. Pessoas que


Comunicabilidade conseguem estabelecer fáceis pontes de
comunicação com o mundo.

Característica de pessoas questinadoras

Inquietude e prospectivas, as que duvidam de muita


coisa e sempre querem conferir se normas
e consensos são realmente “respeitáveis”.

Caracteriza o sujeito que não leva o


mundo muito a sério, sem que isso se
Leveza traduza em superficialidade. Pessoas que
mantêm o bom humor com mais
facilidade, naturalmente.
Fonte: adaptado de PREDEBON, 2010, p. 51.

SAIBA MAIS!

Assista ao vídeo “Mude, mas comece...”, sobre mudanças de atitude e a abertura ao


novo. <https://www.youtube.com/watch?v=A2hk9jtL7WA>.

Indivíduos com atitude criativa, segundo Ferreira (2011), são persistentes mesmo diante de
grupos opostos às suas ideias e confrontam o ceticismo e até a hostilidade. A atitude inovadora
resiste e persiste ao buscar constantemente o estado de harmonia.

FIQUE ATENTO!

A atitude criativa tem origem na interação do homem com o mundo e é própria de


pessoas abertas ao novo, curiosas e dispostas a lidar com o pensamento divergente.

– 37 –
CRIATIVIDADE

2 Conduta encaminhada à autorrealização


O ser humano é motivado a satisfazer necessidades. Maslow (1970, apud FELDMAN, 2015)
desenvolveu um modelo chamado Hierarquia das Necessidades Humanas e as dividiu em neces-
sidades fisiológicas, de segurança, de amor e pertencimento, de estima e de autorrealização.
Esta última “é um estado de satisfação em que as pessoas realizam seu mais alto potencial
da maneira que lhes é peculiar” (FELDMAN, 2015, p. 293). Para atingir esse nível, o ser humano
deve suprir primeiro as necessidades fisiológicas mais básicas, depois a necessidade de segu-
rança, e assim por diante.

Figura 2 – Pirâmide das Necessidades Humanas de Maslow

Autorrealização
Estado de
satisfação

Estima
Necessidade de desenvolver um
sentimento de autovalorização

Amor e pertencimento
Necessidade de receber e dar afeição

Necessidades de segurança
Necessidade de um ambiente seguro e protegido

Necessidades fisiológicas
Impulsos primários: necessidades de água, alimento e sexo

Fonte: FELDMAN, 2015, p. 293.

Segundo Rogers (2009), a criatividade está presente em todos, esperando as condições


adequadas para se manifestar e existe em função da tendência do ser humano em realizar suas
potencialidades. A autorrealização é, portanto, o objetivo maior da criação. Para o autor, a maior
parte das descobertas consideradas de grande valor social foi motivada por objetivos pessoais
dos criadores, ou seja, o ser humano cria porque isso o satisfaz.

FIQUE ATENTO!

A autorrealização é o estado máximo de satisfação humana. Ela é conquistada no


momento em que o indivíduo está motivado a desenvolver seu potencial criativo.

– 38 –
CRIATIVIDADE

Para que o produto criativo seja construtivo e positivo, Rogers (2009) enfatiza a importância
do autoconhecimento, de estar aberto às experiências. Ao ficar na defensiva e não aceitar a si
mesmo, o indivíduo não permite a livre circulação dos estímulos e não consegue criar algo bom –
torna-se rígido. Outra condição interna para a criatividade é o sentimento positivo em relação à sua
própria criação. Não é o julgamento do outro que vai satisfazer o indivíduo, mas sim, a consciência
de que fez um bom trabalho e realizou suas potencialidades emergentes.
Além disso, a autorrealização passa pela capacidade de brincar com as ideias, criar hipóte-
ses improváveis, unir elementos impossíveis. Esse exercício amplia a visão criativa da vida e pode
efetivamente resultar em descobertas valorosas.

3 A criatividade e a urgência em
transformar estilos de pensar e expressar
Para Maslow, segundo Feist, Feist e Roberts (2015), pessoas autorrealizadas são criativas,
conseguem sentir prazer mesmo em atividades triviais e são resistentes à aculturação. Isso não
significa que ignoram as normas ou agem de maneira antissocial, mas apresentam autonomia,
padrões próprios e não seguem o senso comum.

Figura 3 – Abertura ao desconhecido

Fonte: Image Flow/Shutterstock.com

Para ter criatividade e autonomia é preciso estar aberto às emoções e aprender a dominar
os condicionamentos. Segundo Predebon (2010), é necessário fugir das limitações impostas. A
aprendizagem de conceitos, valores e regras é importante para a formação da personalidade e o
bom convívio em sociedade, mas a extrema rigidez é um obstáculo ao processo criativo, quando
insistimos em obter verdades definitivas, sem conciliar o que já existe com o novo.

– 39 –
CRIATIVIDADE

EXEMPLO
Uma pessoa é recebida no novo emprego. Em um primeiro momento, é possível que
alguns não simpatizem com ela, pois representa o novo, o desconhecido. Com o tem-
po, mudam sua opinião sobre ela e ficam amigos. É essa abertura ao novo que pos-
sibilitou isso. A abertura ao pensamento criativo funciona de maneira semelhante.

Christiansen (2016) afirma que a codependência pode interferir negativamente na expressão


de ideias. A necessidade de sempre agradar ao outro, a baixa autoestima, o sentimento de não ser
importante, a dificuldade de comunicação, o medo da crítica e da rejeição, o perfeccionismo e a
negação de suas próprias necessidades e sentimentos são alguns aspectos que indicam depen-
dência do outro e dificultam a expressão autônoma.
Além de tomar consciência e buscar a autovalorização, o ser humano também pode contri-
buir para o estímulo à expressão, criando ambientes cooperativos que incentivam as novas ideias.

SAIBA MAIS!

Leia o artigo “A Criatividade e a Aventura do Novo”, de José Predebon. Acesse:


<http://www.predebon.com.br/textos/IM00001.html>.

4 A arte da criatividade e o estado de espontaneidade


A visão sistêmica compreende o ser humano como criativo por natureza, e o mundo, como algo
em constante transformação e evolução. O próprio mundo é para o indivíduo a fonte de novas ideias
– influencia ao mesmo tempo em que é influenciado, como um ciclo de reciprocidade (Moreira, 2008).
Segundo Moreno (1974, apud FATOR, 2010), a ação espontânea tem um caráter transforma-
dor e permite ao indivíduo manter sua condição criativa. Pois, no momento em que o indivíduo se
preocupa mais com o resultado do que com o processo criativo, acaba se tornando conservador e
menos receptivo a mudanças e tende a repetir os resultados.
Desta forma, a espontaneidade não é algo que está armazenado no indivíduo – simplesmente
surge de maneira livre e não depende da vontade, mas sim, das situações que se apresentam em
determinado momento.

EXEMPLO
Conta-se que Newton descobriu a Lei da Gravidade quando uma maçã caiu em sua
cabeça. Nessa história, a espontaneidade ocorre no momento em que ele tem a
ideia repentina de que, se a maçã caiu, é porque há uma força que a atraiu. A espon-
taneidade é resposta a um acontecimento (Guimarães, 2011).

– 40 –
CRIATIVIDADE

Figura 4 – A descoberta de Newton

Fonte: corbac40/Shutterstock.com

Segundo Ostrower (2011), a espontaneidade existe mesmo com a influência do meio social
sobre a criatividade humana. O ser humano atinge sua maturidade e seleciona o que considera
mais relevante na sua interação com o mundo. Ser espontâneo é estar aberto a essa interação,
sem rigidez ou preconceitos. A espontaneidade é o que nos torna flexíveis e garante nossa adap-
tação ao meio social e a tudo que é novo.

FIQUE ATENTO!
A espontaneidade não é uma energia que permanece no indivíduo. Ela surge de
repente, motivada por uma situação. É o ponto de partida da criatividade e, para ser
espontâneo, é preciso estar receptivo.

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• aprender sobre a atitude criativa e as aberturas à criatividade;


•• conhecer a teoria de Maslow sobre as necessidades humanas;
•• identificar modos de pensar que facilitam o desenvolvimento da criatividade;
•• compreender o conceito de espontaneidade.

– 41 –
CRIATIVIDADE

Referências
CHRISTIANSEN, James. Codependência: quebre o ciclo e liberte-se. [E-book].Teaneck: Babelcube
Inc., 2016.

FATOR, Tânia. A teoria psicodramática e o desenvolvimento do papel profissional. São Cae-


tano do Sul: USCS, 2010. Disponível em: <http://repositorio.uscs.edu.br/handle/123456789/131>.
Acesso em 17 fev. 2017.

FEIST, Jess; FEIST, Gregory e ROBERTS, Tommi-Ann. Teorias da Personalidade. 8. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2015.

FELDMAN, Robert S. Introdução à Psicologia. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.

FERREIRA, Cristiano Vasconcellos, et. al. Projeto do Produto. Rio de janeiro: Elsevier: ABEPRO, 2011.

GOULART, Iris B. Temas de Psicologia e Administração. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.

GUIMARAES, Gustavo Queiroz. Uma nova resposta ao conceito de espontaneidade.  Rev. bras.
psicodrama [online]. 2011, v.19, n.1, p. 135-142.   Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0104-53932011000100011>. Acesso em: 15 mar. 2017.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

MOREIRA, Mafalda Vaz Pinto. Criatividade organizacional: uma abordagem sistêmica e pragmá-
tica. Portugal: Repositário Aberto da Universidade do Porto, 2008. Disponível em: <http://hdl.han-
dle.net/10216/12180>. Acesso em: 15 mar. 2017.

OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

TV CULTURA DIGITAL. Mude, mas comece. Provocações, 2004. Disponível em: < https://www.
youtube.com/watch?v=A2hk9jtL7WA>. Acesso em 17 mar. 2017.

– 42 –
TEMA 6
A criatividade e o ensino-aprendizagem
como forma de socialização
Renata Mateus

Introdução
A criatividade é inerente do ser humano, mas com o passar do tempo, ela pode ser explorada
ou “bloqueada”.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• compreender os vínculos entre satisfação de aprender sobre criatividade e ensinar para


a criação de algo com sentido;
•• conhecer os ingredientes fundamentais da criatividade.

1 O prazer de aprender e a educação criativa


O ensino mecânico, presente ainda nas salas de aula, ocasiona o pouco interesse por parte
dos alunos e a desmotivação dos professores, quando o processo deveria ser prazeroso. É nesse
sentido que a criatividade pode atuar, quebrando paradigmas tradicionais, mudando a mentali-
dade, buscando a motivação para aprendizagem.
O desafio é fazer com que, em qualquer nível de aprendizado, seja ele escolar, universitário,
pós ou até mesmo no próprio trabalho ou vida pessoal, o indivíduo aprenda, estude, envolva-se em
uma atividade intelectual, de forma prazerosa, despertando o desejo de aprender.

FIQUE ATENTO!

Um conteúdo “interessante”, é aquele que proporciona um sentimento de bem-es-


tar, ou seja, satisfaz a pessoa, provoca prazer ao aprender.

Charlot (2009), em uma entrevista, revela que a fórmula para ensinar é simples: aprender é
igual a atividade adicionada de sentido e prazer, porém resolvê-la é o problema. Segundo o autor
não há o prazer de aprender, pois quando o aluno não estuda, o professor simplesmente afirma que
caso o aluno persista dessa forma, não irá passar de ano. Isso só faz com que a escola se afirme
como um lugar no qual apenas se estuda sobre assuntos “chatos” para poder passar de ano.

– 43 –
CRIATIVIDADE

Assim, ao trabalharmos com criatividade no processo de aprendizagem, estamos possibi-


litando aos alunos o prazer de criar. Uma vez que a criatividade não faz parte do processo de
ensino, passamos a ter uma conformidade e passividade com as coisas, ao invés de pensadores
livremente criativos e originais.

Figura 1 – Prazer em aprender

Fonte: Lucky Business/Shutterstock.com

EXEMPLO

Os pais podem incentivar o uso de objetos recicláveis na construção de brinquedos,


estimulando a imaginação e criatividade da criança.

Famílias também podem e devem participar ativamente na contrução de uma personalidade


criativa, incentivando a curiosidade, propondo desafios inovadores e interessantes, reforçando a
auto-estima positiva, permitindo o erro, promovendo um ambiente de conforto emocional e de
tolerância com o fracasso ou frustrações.
Para Renzulli (apud OLIVEIRA, 2010), é necessário que haja uma integração das estruturas
educacionais, para que assim consiga-se proporcionar um ambiente de criatividade na escola, que
pode ser aprendida e estimulada, e para isso é necessário que haja:

•• um professor com propriedade de seu conteúdo e gostando do que faz e que conheça
e explore com seus alunos técnicas que estimulem o desenvolvimento da criatividade;
•• o aluno, com capacidades e aptidões, interesses e estilos reconhecidos;
•• o currículo, contendo uma estrutura, conteúdo e metodologia e o apelo ao imaginário.

– 44 –
CRIATIVIDADE

Para Oliveira (2010, p. 86) um docente criativo deve ser

[...] aberto a novas experiências e mudanças, ser ousado e curioso, ter confiança em si
próprio, trabalhar com idealismo e paixão, proporcionar clima criativo nas aulas, permitir
ao aluno pensar, desenvolver ideias e pontos de vista e fazer escolhas, valorizar o trabalho
criativo, não rechaçar os erros, mas torná-los pontos do processo de aprendizagem, consi-
derar os interesses e habilidades dos alunos.

Figura 2 – Educação criativa

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

Atualmente, se faz necessário uma escola aberta e um profissional que possibilite respostas
criativas, que incentive a criatividade, buscando desenvolver o potencial criativo de cada um.

SAIBA MAIS!
Ken Robinson é uma referência na área de criatividade voltado ao processo ensino-
aprendizagem. Confira um TED feito por ele sobre criatividade nas escolas. Acesse
em: <https://www.youtube.com/watch?v=M2pRR_w-5Uk>.

A criatividade precisa ser vista pelas escolas como uma forma de atrair novamente os alunos,
proporcionando aulas prazerosas, que estimulem e desenvolvam o potencial criativo de cada um.
É preciso excluir barreiras que possibilitam a manifestação criativa, fazendo com que a escola
forme cidadãos criativos para um mundo complexo em mudanças.

2 Ingredientes fundamentais da criatividade:


imaginação, humor, liberdade
Temos que estar sempre atentos a ingredientes que somados nos ajudam a manter nossa
criatividade. Conhecimento em uma determinada área, que lhe garanta um domínio, capacidade
de pensamento criativo, que permite encontrar novas possibilidades e um novo olhar de mundo, e
a paixão que impulsionará a fazer algo por prazer.

– 45 –
CRIATIVIDADE

FIQUE ATENTO!
Com conhecimento e imaginação, as ideias podem ser combinadas, alteradas e
recombinadas. Assim, para se ver problemas conhecidos de um novo ângulo, é ne-
cessária imaginação criativa.

Além disso, para se ter boas ideias é necessário estar de bem, com bom humor, que nesse
caso é estar em um estado de espírito que, independentemente de qualquer aflição, o indivíduo
permanece bem, possibilitando continuar criando e tendo novas ideias, sem que os problemas
atrapalhem o processo criativo. Para Virgolim, Fleith e Pereira (2008), precisamos trilhar caminhos
que nos levem à felicidade, entre eles o prazer, a alegria e a diversão que a criatividade pode conter.
Para atingir o objetivo da criatividade é necessário valorizarmos o humor, como disposição
para aprender, e exercícios de liberdade e autoconfiança. O respeito à liberdade e à criatividade em
concordância com o instintivo deve ser o principal recurso educativo.
Esse são os ingredientes básicos de uma vida criativa. O prazer fornecerá motivação e ener-
gia ao processo criativo que, para acontecer, precisa de um ambiente favorável, com liberdade,
onde o prazer é a força motriz.

3 Aprender criando e criar aprendendo:


a formação de valores, dogmas e preconceito
Na aprendizagem, a criatividade faz com que o processo tenha significado e sucesso, pois é
ele que permite que o aprendiz não veja o fracasso como algo vergonhoso. Mirshawka (2003 apud
DI NIZO, 2009, p.85), afirma que “a ignorância é uma bênção, porque é o estado ideal para aprender.
Se você admitir que não sabe, é mais provável que faça as perguntas que o farão aprender [...].
Quanto mais você sabe, mais percebe que não sabe. A chave é aceitar essa incerteza, mas não se
deixar paralisar por ela”.

Figura 3 – Aprender criando

Fonte: Syda Productions/Shutterstock.com

– 46 –
CRIATIVIDADE

Hoje, as práticas educacionais aplicadas estão seguindo o princípio de que primeiro apren-
de-se para depois fazer. Assim, precisamos dar liberdade ao processo de ensino-aprendizagem,
possibilitando ao aluno aprender criando e criar aprendendo. Algumas escolas já estão criando
salas ambientes, nas quais os alunos desenvolvem um determinado projeto e a partir dele são
aplicadas as disciplinas necessárias.

EXEMPLO
O aluno é convidado a participar de um projeto de desenvolvimento de um carrinho
ou de aproveitamento da água da chuva. A partir desse projeto são aplicados os
conceitos de Matemática (o que é necessário de cálculo), ou Português (nome do
produto, desenvolvimento de um manual), arte (criação do produto), entre várias
outras formas de aplicação.

Conforme crescemos, vamos assumindo um poder de julgamento e de juízo, que faz com
que nossa imaginação diminua e a de conhecimento aumente. Assim, até os seis anos de idade,
podemos dizer que somos extremamente criativos e, quando iniciamos o processo de alfabetiza-
ção e temos contato com o meio social, os reguladores passam a fazer parte do nosso dia a dia:
“não pode”; “não deve”; “isso não existe”.
Periscinoto (2002) retratou o comportamento humano relacionado com a imaginação e o
conhecimento, em que perdemos nossa espontaneidade, que é uma das características das pes-
soas criativas, passando a ter medo de determinadas ações, de ousar, pensando sempre o que
outros acharão de nossas atitudes, deixando de criar.
Então, a escola desempenha um papel fundamental na mudança de mentalidades, na supe-
ração dos preconceitos e no combate a atitudes discriminatórias, envolvendo valores de reconhe-
cimento e respeito ao outro.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), a escola permite que as crianças con-
vivam com diferentes origens, níveis socioeconômicos, costumes, dogmas religiosos, que são dife-
rentes do que cada criança conhece. É onde ensina-se as regras da sociedade e espaço público,
que permite o conviver democrático com as diferenças, que apresentam conhecimentos sistema-
tizados sobre o mundo e a pluralidade de povos, e fornece subsídios para debates e discussões.

4 A necessidade psicossocial de pessoas criativas


Para Oliveira (2010), a criatividade pode ser entendida como um fenômeno sociocultural, que
integra uma complexa rede de variáveis das pessoas com as da sociedade. O psicossocial está
ligado a essa cultura e às relações interpessoais que o indivíduo tem, e envolve tanto aspectos
psicológicos quanto os sociais.

– 47 –
CRIATIVIDADE

FIQUE ATENTO!

Para o desenvolvimento psicossocial do indivíduo é necessário trabalhar o padrão


de mudança nas emoções, personalidade e relações sociais.

É nesse sentido que a criatividade pode atuar, pois seres criativos precisam conexões sociais
significativas, e a motivação e a autoconfiança são fatores importantes para o sucesso do indiví-
duo, enquanto emoções negativas como a ansiedade podem prejudicar o processo criativo.

Figura 4 – A criatividade e a necessidade psicossocial

Fonte: ESB Professional/Shutterstock.com

Diversos questões psicossociais que influenciam no desenvolvimento originam-se do


ambiente (cultura, educação, família, nível socioeconômico, entre outros). Em algumas fases de
nossa vida recebemos mais influências externas no nosso desenvolvimento, quando por exemplo,
passamos a frequentar a escola. Cada indivíduo irá processar de alguma maneira, alguns passam
a desenvolver melhor suas habilidades sociais, como a comunicação e a fala, já outros, no início, se
reprimem e demoram para adaptar-se à nova rotina, passando por um longo período de transição.

SAIBA MAIS!
A Teoria do Modelo Componencial da Criatividade explica de que forma os fatores
cognitivos, motivacionais, sociais e de personalidade influenciam o processo criati-
vo. O livro A Ciência do Desenvolvimento Humano: Tendências atuais e perspectivas
futuras, em seu capitulo 11, trata a respeito desse modelo.

Assim, a criatividade envolverá a capacidade que o indivíduo tem de inventar e reinventar


à sua maneira, e de desenvolver novos recursos de adaptação e resistência dele em relação ao
ambiente.

– 48 –
CRIATIVIDADE

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender os vínculos entre satisfação de aprender sobre criatividade e ensinar para


a criação de algo com sentido;
•• conhecer os ingredientes fundamentais da criatividade.

Referências
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade
cultural e orientação sexual. Brasília: MEC/ SEF, 1997.

CHARLOT, Bernard. Sentido e prazer para aprender. Revista Patio, n. 9, 2009. Disponível em: <http://
loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/5861/sentido-e-prazer-para-aprender.aspx>. Acesso em:
22 mar. 2017.

COSTA JUNIOR, Áderson Luiz; DESSEN, Maria Auxiliadora. A ciência do desenvolvimento humano:
Tendências atuais e perspectivas futuras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

DI NIZO, Renata. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.

OLIVEIRA, Zélia Maria Freire. Fatores influentes no desenvolvimento do potencial criativo. Estudos
de Psicologia, Campinas: 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v27n1/v27n1a10.
pdf>. Acesso em: 22 mar. 2017.

VIRGOLIM, Angela Magda Rodrigues; FLEITH, Denise de Souza; PEREIRA, Mônica Souza Neves.
Toc, Toc... Plim, Plim! Lidando com as emoções, brincando com o pensamento através da criativi-
dade. 9. ed. Campinas: Papirus, 2008.

PERISCINOTO, Alex. É preciso desenvolver a abertura para novas ideias. 2002. Disponível em:
<http://www.sescsp.org.br/online/artigo/1442_IMAGINACAO+VERSUS+CONHECIMENTO#/tag-
cloud=lista>. Acesso em: 05 abr. 2017.

– 49 –
TEMA 7
A criatividade convertida em resolução
de dilemas existenciais
Renata Mateus

Introdução
Problemas surgem todos os dias, sejam eles em nossa fase de aprendizagem na escola ou
até nos ambientes organizacionais. Assim, a criatividade pode nos ajudar a buscar soluções e uma
nova forma de encará-los.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
•• compreender sobre os contextos que integram o universo bidimensional da criatividade
desde os parâmetros mentais, físicos, lúdico, energético, racional e emocional;
•• reconhecer o ser criativo pela sintonia do indivíduo com sua essência.

1 Análise dos esquemas mentais básicos


e a criatividade
Bzuneck (1991) diz que os esquemas mentais são todos os conjuntos organizados de conhe-
cimentos adquiridos, sejam conceitos, regras, princípios, generalizações, habilidades e outros con-
teúdos, localizados em nossa memória de longa duração, que formam nossos esquemas mentais,
nos quais cada nó representará um esquema.
Esse esquema é dinâmico, pois há uma contínua transformação das informações absorvidas,
através de complementações, melhoramentos, ou até na formação de novos nós ou novas associa-
ções entre os existentes. Além disso, podem acontecer modificações ou substituições de determi-
nados esquemas em consequência de choques de ideias ou interesses com novas informações.

Figura 1 – Esquemas mentais

Fonte: Moon Light PhotoStudio/Shutterstock.com

– 50 –
CRIATIVIDADE

Conforme aprendemos novos conteúdos, criamos esquemas mentais correspondentes.


Assim, quando temos um novo problema, buscamos a ideia de procedimentos conhecidos para
criar um novo modelo ideal para solucioná-lo.

FIQUE ATENTO!

É necessário que criemos esquemas mentais básicos para depois utilizá-los na re-
solução de problemas mais difíceis.

Os esquemas mentais, ou mapas mentais, ajudam-nos a aprender, organizar e armazenar a


quantidade de informações que desejamos, e a classificá-las na forma que seja fácil acessá-las. Toda
nova informação que adquirirmos será cruzada automaticamente com as informações já armazena-
das. Com um grande número de conexões, será mais fácil encontrar informações que necessitamos.

EXEMPLO
Quando você se depara com um problema, busca informações que já tem, para
assim ter um ponto de partida no raciocínio, e a partir desses dados, com novas
informações, cria um novo mapa mental.

A criatividade depende da riqueza de numerosas associações e operações mentais, afinal ela


é o uso das habilidades mentais para criar novas ideias e conceitos, entendida a partir dos recur-
sos mentais característicos ao indivíduo.

SAIBA MAIS!
Mapas mentais são técnicas gráficas, que utilizam uma palavra como ponto de
partida para adicionar novas ideias, facilitando a compreensão de um problema
e como você o interpreta. No livro “Mapas Mentais e sua elaboração: um sistema
definitivo de pensamento que transformará a sua vida, de Tony Buzan, você encontra
modelos de mapas mentais para desenvolver.

2 Muitos dilemas se resolvem ao passar do plano


físico ao lúdico
Segundo o dicionário Houaiss, a palavra “lúdico” significa jogo, recreação, qualquer atividade
que vise mais divertimento. Assim, o lúdico é importante para o desenvolvimento mental e social
dos indivíduos, pois é dessa forma que seremos livres para criar nosso mundo simbólico, estimu-
lados à fantasia e a imaginação, elementos fundamentais à criatividade.

– 51 –
CRIATIVIDADE

Com a ludicidade, temos prazer, alegria e entretenimento na hora de aprender. Por meio de
jogos e brincadeiras desenvolvemos habilidades cognitivas e motoras, estimulando a curiosidade,
a autoconfiança e a autonomia, proporcionando o desenvolvimento da linguagem, do pensamento,
da concentração e da atenção.

FIQUE ATENTO!
As brincadeiras são importantes para o desenvolvimento do indivíduo, ajudando na
estruturação de conhecimentos, fazendo com que os indivíduos sejam desafiados
a produzir e oferecer situações problema, a fim de motivar a percepção e constru-
ção de esquemas de raciocínio e ser uma forma de aprendizagem diferenciada.

Algumas empresas perceberam que a ludicidade é uma necessidade de todos, portanto, esti-
mular a criatividade incentivando brincadeiras e jogos é um grande diferencial. Não é apenas diver-
são, pois é um facilitador da aprendizagem, desenvolvimento pessoal, social e cultural.

Figura 2 – Vivência lúdica

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

Assim, é necessária a prática lúdica, permitindo adquirir experiências cognitivas. Para Silva
e Gonçalves (2010), nas organizações, o foco é desenvolver melhorias para a empresa e buscar
solução de problemas, desenvolvendo o autoconhecimento, a motivação, liderança, socialização,
integração, criatividade, entre outras habilidades.

EXEMPLO
O lúdico possibilita ajudar no desenvolvimento de um novo produto. Imagine que
uma organização precisa lançar um novo produto. Se ficar presa nos fatos e dados
que possui, dificilmente conseguirá enxergar novas formas de produzir algo.

– 52 –
CRIATIVIDADE

Brotto (2001) mostra que as atividades lúdicas possibilitam que conheçamos a nós mesmos,
aceitando e mediando nossa personalidade, fazendo com que nos desprendamos do real, pois o
lúdico proporciona uma trama entre a ficção e a realidade. A ludicidade não aliena, mas permite
que o real fique interrompido, fazendo com que possamos avaliar e analisar cenários e as possí-
veis consequências decorrentes das decisões adotadas.

3 A criatividade é fonte de energia e transformação


Todos possuímos um potencial criativo, que pode ser incentivado e desenvolvido com determi-
nadas atitudes e técnicas, seja qual for o ambiente em que se está inserido (família, trabalho, escola).

FIQUE ATENTO!

A criatividade é uma fonte de energia, necessária para uma vida criativa, já que
todos podemos nos tornar mais criativos.

A criatividade, hoje, é importante, pois o indivíduo criador é aquele que amplia seus conheci-
mentos, e ela é a matéria-prima para construção de uma transformação da sociedade e de novos
modelos de negócios. A criatividade é uma poderosa ferramenta para a aprendizagem, pois é
capaz de transformar as informações recebidas pelos indivíduos. É um processo de transforma-
ção do conhecimento e de ideias prévias em ideia novas e inovadoras, que passam a ser um novo
conhecimento (ULBRICHT; VANZIN; SILVA; BATISTA, 2013).
Educadores e educandos devem estar atentos ao processo de despertar, desenvolver, usar e
manter a criatividade, para que isso reflita e promova uma transformação da sociedade e levem à
reflexão e a construção de novos conhecimentos.

Figura 3 – Fonte de energia e transformação

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

– 53 –
CRIATIVIDADE

Um ambiente que estimula a criatividade possibilita ganhos preciosos às empresas, à socie-


dade, ao ambiente escolar, mas principalmente aos indivíduos, que se transformam em observa-
dores natos, cheios de curiosidades, energia, entusiasmo e perseverança (DI NIZO, 2009).
Quando as empresas se adaptam às mudanças da sociedade, apenas fazem o mínimo para
sobreviver, pois é preciso antecipar-se às transformações, agindo com criatividade. Para Mottin
(2004), em tempos de mudanças, as lideranças devem agir como fatores de integração, motivação e
energia de realização. É preciso, então, que as empresas aproveitem a energia criativa de seus cola-
boradores, proporcionando-lhes meios para criar, sem deixar que o passado escravize suas ideias.

4 Razão e emoção na criatividade -


condicionamento mental
Costumamos perceber a realidade por meio de crenças e valores aprendidos. Isso se deve
aos processos de condicionamento da sociedade e da metodologia educacional, que levam grande
parte dos indivíduos a não dar devido valor e subutilizar seus recursos criativos. Somos condiciona-
das pelo ambiente a pensarmos e agirmos da mesma forma, com uma certa falta de atividade inte-
lectual e criativa. Não quer dizer que não tenhamos criatividade, mas mostra o quanto precisamos
ser despertados para as oportunidades, não se deixando acomodar pela rotina (MARTINS, 2011).

A educação não consiste apenas em ensinar por condicionamento ou por repetição, mas,
sobretudo, favorecer o desenvolvimento da pessoa através do exercício das suas estru-
turas criativas ou de descoberta pessoal. Assim, o que importa é promover na criança a
responsabilidade por si própria e pela sua ação, favorecer o desenvolvimento das capaci-
dades de imaginação e de criatividade, desenvolvendo o seu próprio autoconceito e, por
conseguinte, melhorando ou otimizando a sua atitude para com a vida. (PORTUGAL, 1991
apud MARTINS, 2011, p.308).

Para Vieira (1999), o processo criativo não envolve apenas a emoção, mas também o esforço
em conseguir informações e a habilidade de combinar esses dados, que provém de diversas fon-
tes de informação, com as informações acumuladas ao longo dos anos por nós, como leituras,
filmes, observações, vivências e toda e qualquer experiência vivenciada.
Portanto, está em nós, sentirmos, percebermos e transformarmos esse potencial de emoção,
que está a volta, em expressão de nossa sensibilidade.

– 54 –
CRIATIVIDADE

Figura 4 – Razão e emoção como fonte de criatividade

Fonte: Jesus Sanz/Shutterstock.com

SAIBA MAIS!
A revista eletrônica Temática (UFBP) publicou uma série de artigos sobre criatividade
e as questões da razão e emoção. Acesse em: <http://www.insite.pro.br/2005/55-
Neuroci%C3%AAncias%20e%20cogni%C3%A7%C3%A3o.pdf>.

O processo criativo faz com que os dados trazidos para a solução de um problema, junto com
as informações de nossa bagagem, se encontrem, formando um circuito criativo. Assim, é impor-
tante que inputs racionais e emocionais associem-se na criação de uma nova ideia, provocando
algum tipo de emoção e atraindo a atenção das pessoas para a ideia transmitida.

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender que criamos esquemas mentais ao receber novas informações;


•• entender que todos nós possuímos potencial criativo, que pode ser desenvolvido com
técnica;
•• saber que o processo criativo necessita das emoções, além de novas informações, da
habilidade para combinar dados e de um ambiente propício.

– 55 –
CRIATIVIDADE

Referências
BROTTO, Fábio Otuzi. Jogos Cooperativos: o jogo e o esporte como um exercício de convivência.
Santos, SP: Projeto Cooperação, 2001.

BUZAN, Tony. Mapas Mentais e sua elaboração: um sistema definitivo de pensamento que trans-
formará a sua vida. Tradução Euclides Luiz Calloni, Cleusa Margô Wosgrau. São Paulo: Cultrix, 2005.

BZUNECK, José Aloyseo. Conceitos e funções dos esquemas cognitivos para a aprendizagem –
implicações para o ensino. Semina, Londrina, v. 12, n.3, p. 142-145, 1991.

DI NIZO, Renata. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.

MARTINS, Vítor Manuel Tavares. A Qualidade da Criatividade como Mais Valia para a Educação,
2011. Disponível em: <http://www.ipv.pt/millenium/Millenium29/37.pdf>. Acesso em: 27 mar. 2017.

MOTTIN, Ernani José. Criatividade: Passo a passo. Porto Alegre: Age, 2004.

NICOLAU, Marcos. Razão e Criatividade: artigos sobre Neurociências e Cognição. Revista eletrô-
nica Temática, Insite.com.br, 2014. Disponível em: <http://www.insite.pro.br/2005/55-Neuroci%-
C3%AAncias%20e%20cogni%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em 29 mar. 2017.

SILVA, T. A. C.; GONÇALVES, K.G.F. Manual de Lazer e Recreação: o mundo lúdico ao alcance de
todos. São Paulo: Phorte, 2010.

ULBRICHT, Vania Ribas; VANZIN Tarcísio; SILVA, Andreza Regina Lopes da; BATISTA Cláudia
Regina. Contribuições da criatividade em diferentes áreas do conhecimento. São Paulo: Pimenta
Cultural, 2013.

VIEIRA, Stalimir. Raciocínio criativo na publicidade: uma proposta. São Paulo: Loyola, 1999.

VIRGOLIM, Angela Magda Rodrigues; FLEITH, Denise de Souza; PEREIRA, Mônica Souza Neves.
Toc, Toc... Plim, Plim! Lidando com as emoções, brincando com o pensamento através da criativi-
dade. 9. ed. Campinas: Papirus, 2008.

ULBRICHT, Vania Ribas; VANZIN Tarcísio; SILVA, Andreza Regina Lopes da; BATISTA Cláudia
Regina. Contribuições da criatividade em diferentes áreas do conhecimento. São Paulo: Pimenta
Cultural, 2013.

– 56 –
TEMA 8
Relação entre criatividade, tempo e
neutralidade no processo criativo
Renata Mateus

Introdução
Aprendemos que o homem sempre viveu em sociedade, isto é, associado a outros indivíduos
de sua espécie. E, a partir do momento que o consumo passou a fazer parte do dia a dia desses
indivíduos, a sociedade foi impactada diretamente.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• entender os tempos necessários à criatividade;


•• compreender quais são os bloqueios do processo criativo.

1 Tempo objetivo X tempo subjetivo


Para entendermos o quanto o tempo impacta no processo criativo, primeiramente, precisa-
mos entender o que é o tempo. Hoje, temos uma cultura que reforça a ideia de que o tempo está
atrelado a questão do dinheiro, que é medido por máquinas, isso é, um tempo com objetivo da pro-
dução apenas. Mas, segundo Bittencourt (2005), temos o tempo subjetivo, da experiência compar-
tilhada com o outro, tempo que nos auxilia e que cria os significados da vida. Então, criou-se uma
nova proporção do tempo que não mais a “natural” (estações, dia e noite, nascimento e morte) e
também não mais subjetiva (percepções e experiências).

FIQUE ATENTO!
No ponto de vista existencial, Bittencourt (2005) esclarece que o tempo é o horizon-
te do entendimento do indivíduo. Mesmo que o indivíduo seja o criador do tempo,
ele não o determina.

Ainda nesse sentido, Elias (1998) mostra que o tempo não existe em si mesmo, e é, antes
de tudo, um símbolo social, organizado em calendários, que ajuda na organização das relações
entre as pessoas (feriados, datas de aniversários, períodos de férias, vencimento de contratos), e
possui uma função social reguladora da vida humana, parte de um método civilizador criado para
pressionar a nós mesmos.

– 57 –
CRIATIVIDADE

Figura 1 – O tempo

Fonte: Billion Photos/Shutterstock.com

Mas o tempo individual, criado a partir do tempo biológico de cada indivíduo, também leva
em consideração o tempo social. Assim, cada pessoa tem uma relação com o passado, presente
e futuro, de forma que o significado de passado e de presente podem sofrer alterações, conforme
a trajetória de cada pessoa. Já o futuro é o lugar dos sonhos de cada um, dos projetos a serem
realizados, e da espera pela morte.
Para Melucci (2007), os tempos que experimentamos são diferentes uns dos outros, pare-
cendo, por vezes, até opostos. Existe em especial, uma separação entre tempos internos, que cada
pessoa vive sua própria experiência interna (emoções), e o tempo exterior, notado de outros ritmos
e regulado pelas diversas formas de pertencimento de cada um. Temos muitas temporalidades que
convivem simultaneamente. Assim, a criatividade é generalizada e contínua, pois estamos sempre
revendo e aprimorando processos, atividades, produtos e integrando-os de novas maneiras.

2 A neutralidade do processo criativo


O desenvolvimento do potencial criativo depende de um trabalho que deve ocorrer desde a
infância dos indivíduos, levando-os à reflexão e ao desenvolvimento do senso crítico. Esse desen-
volvimento tem grande importância na descoberta do mundo em que vivemos, não apenas acei-
tando as coisas como são, mas avaliando, julgando e propondo mudanças.

EXEMPLO

É importante fazer diversos questionamentos: como seria se eu não tivesse medo


de fazer tal coisa? Como seria se não existisse a questão da aprovação dos outros?
Como seria se você não tivesse nenhum impedimento?

– 58 –
CRIATIVIDADE

Figura 2 – Neutralidade na criatividade

Fonte: Sangoiri/Shutterstock.com

Assim, no processo de criação é necessário não abandonar esse senso crítico, mas é neces-
sário deixar de lado os julgamentos. É importante não limitar a imaginação e sair da zona de con-
formidade e neutralidade, sem limitar sua criatividade.

3 A objetividade na criação: tempo de criação e


tempo criador
O criativo deve estar sempre atento ao foco de sua atenção, pois criatividade exige tempo.
Assim, ela pode ser inibida caso tente desenvolver muitas tarefas em pouco tempo ou ao mesmo
tempo. Para Amabile (1999), a pressão que o tempo desempenha tem um impacto sobre a criati-
vidade. Porém, a motivação também é um fator importante que interfere nesse processo. Assim,
quando o criativo tem o sentimento de que o trabalho que está realizando é importante e motiva-
dor, mesmo que haja pressão com o tempo, a criatividade pode aflorar. Mas se ele está sem foco,
distraído, ocupado com pequenas atividades rotineiras, com muito tempo dedicado em reuniões
que objetivam a inspiração de novas coisas, sem tempo pré-estabelecido, o resultado é o estresse
e não há pensamento criativo.

– 59 –
CRIATIVIDADE

Figura 3 – Tempo para criar

Fonte: Andrew Krasovitckii/Shutterstock.com

Sem a pressão do tempo podemos desenvolver o processo criativo, desde que haja motiva-
ção para isso, mas também podemos ter uma boa performance criativa sob pressão e com pouco
tempo. O crucial na questão do tempo é saber separar as coisas importantes das corriqueiras e dedi-
car o tempo necessário às importantes. Portanto, podemos concluir que o gerenciamento do tempo
é uma habilidade essencial para o sucesso em qualquer atividade, inclusive a do processo criativo.

SAIBA MAIS!
O design think é uma técnica de solução criativa de problemas, considerando uma
sequência de espaços de ação com tempos para cada uma delas. No livro Design
Thinking & Thinking Design: Metodologia, ferramentas e umas reflexões sobre o
tema, você poderá conhecer a fundo essa técnica.

O processo criativo não obedece uma linha linear de começo, meio e fim e, em sua maioria, o
resultado desse processo é demorado e precisa de tempo para um retorno positivo.

4 Bloqueios e obstáculos à criatividade


Para Weiner (2010), o nosso pensamento criativo pode ser treinado, capacitado, mas tam-
bém bloqueado. Esses bloqueios podem ser internos ou externos, dificultando que os indivíduos
tenham ideias inovadoras, que sejam aceitas e implementadas. A cultura, educação, empresas ou
nós mesmos, somos fontes de bloqueios. Os bloqueios são considerados uma parte natural e, por
conseguinte, inevitável do processo criativo.

– 60 –
CRIATIVIDADE

Vejamos alguns desses bloqueios mais detalhadamente:

1. Bloqueios individuais e organizacionais: a mentalidade de cada indivíduo cria ideias


repetitivas e pouco originais, assim como respostas fixas. Pela ação destes bloqueios,
nos sentimos incapazes de pensar algo diferente, mesmo quando nossas respostas
usuais não funcionam mais. Já na questão organizacional, é importante refletirmos se
as organizações estão preparadas para aceitar novas ideias e se existem ferramentas
necessárias para implementá-las.

EXEMPLO

Quando temos uma resposta pronta, a tendência é utilizá-la em situações similares,


não procurando novas respostas alternativas e originais.

2. Bloqueios perceptivos: a percepção é um processo de seleção e criatividade, que é


influenciado por experiências anteriores, estado emocional e expectativas. É impor-
tante entendermos que as frustrações e dificuldades fazem parte do processo criativo
e que necessitamos perseverar. A forma como fomos educados nos leva a preferir o
que é comum e tradicional, dificultando nossa capacidade de olhar algo e dar um novo
significado, criando novas relações. Além disso, a percepção é diferente de pessoa para
pessoa, pois possui raízes nas vivências únicas de cada indivíduo, nos seus próprios
interesses, desvios e valores.
3. Bloqueios culturais: as pessoas estão sujeitas às pressões, expectativas dos outros e
nas normas sociais e institucionais. Este tipo de bloqueio é provocado pelas tradições
e/ou pela própria educação e incluem um comportamento normativo, gerando o “medo”
de ser diferente. Assim, quando iniciamos nosso aprendizado escolar, começamos a
limitar o campo da criatividade e logo somos dominados pela educação tradicional.

FIQUE ATENTO!

As questões socioculturais são de fundamental importância na ativação ou blo-


queio da criatividade.

4. Bloqueios emocionais: raiva, ansiedade, insegurança, ódio, baixa autoestima e até


mesmo o amor são alguns dos bloqueios emocionais à criatividade. Além destes, o
medo também pode afetar esse processo, o medo de falhar, de ser diferente, da crítica,
do ridículo, da rejeição ou até mesmo dos supervisores. Estes sentimentos interferem
no pensamento criativo.

– 61 –
CRIATIVIDADE

Figura 4 – A criatividade sem bloqueios

Fonte: Gaudilab/Shutterstock.com

FIQUE ATENTO!
A partir do momento que enfrentamos os bloqueios, reestabelecemos a criativida-
de, e assim, quanto mais confiarmos no nosso processo criativo, menos problemas
teremos com os bloqueios.

SAIBA MAIS!

No Livro Os segredos da criatividade, Silvia Adela Kohan aborda técnicas para


desenvolver a imaginação, evitar bloqueios e expressar ideias.

Portanto, à medida que nos conhecemos, percebemos o que nos bloqueia, e com base nesse
conhecimento, podemos descobrir como vencer estes bloqueios.

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• entender o quanto o tempo impacta no processo criativo;


•• reconhecer a importância do senso crítico para desenvolver o processo criativo;
•• saber que foco, motivação e gerenciamento do tempo são habilidades necessárias
para a criação;
•• identificar os tipos de bloqueios ao processo criativo.

– 62 –
CRIATIVIDADE

Referências
AMABILE, Teresa M. Como (não) matar a criatividade. HSM Management, p. 111-6, 1999.

BITTENCOURT, Maria Inês Garcia de Freitas. Reflexões sobre o tempo: instrumentos para uma
viagem pelo ciclo vital. Psychê [online]. v.9, n.15, pp. 93-104, 2005. Disponível em: <http://pepsic.
bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-11382005000100008#I>. Acesso em: 24
mar. 2017.

DESSEN, Maria Auxiliadora; JUNIOR, Áderson Luiz Costa. A Ciência do Desenvolvimento Humano:
Tendências atuais e perspectivas futuras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

ELIAS, Norbert. Sobre o tempo. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

KOHAN, Silvia Adela. Os segredos da criatividade: técnicas para desenvolver a imaginação, evitar
bloqueios e expresser ideias. Tradução de Gabriel Perissé. Coleção Guias do Escritor. Belo Hori-
zonte: Editora Gutemberg, 2013.

MARINHO-ARAÚJO, Claisy Maria. A ciência do desenvolvimento humano: para além de uma Psico-
logia do Desenvolvimento. Psicol. Esc. Educ. v.10, n.1, Campinas: 2006.

MELO, Adriana; ABELHEIRA Ricardo. Design Thinking & Thinking Design: Metodologia, ferramen-
tas e uma reflexões sobre o tema. São Paulo: Novatec, 2015.

MELUCCI, Alberto. Juventude e Contemporaneidade. Brasília: Unesco, MEC, ANPEd, 2007.

PRADO, Renata Muniz; ALENCAR, Eunice M. L. Soriano de; FLEITH, Denise de Souza. Diferenças
de gênero em criatividade: análise das pesquisas brasileiras. Bol. psicol [online]. v.66,
n.144, pp. 113-124, 2016. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0006-59432016000100010>. Acesso em: 24 mar. 2017.

WEINER, Rui Silvestre de Bastos. A criatividade no ensino do design. Tese de Mestrado. Universi-
dade das Belas Artes, Universidade do Porto, 2010.

– 63 –
TEMA 9
Processo, técnicas e ferramentas do
processo criativo
Renata Mateus

Introdução
O processo criativo envolve muitas etapas, para que resulte no objetivo a ser alcançado. Para isso,
além das etapas, há diversas técnicas e ferramentas que facilitarão o desenvolvimento da criatividade.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• compreender o que é o processo criativo e a diferença entre criatividade e inovação;


•• entender o processo criativo, identificando técnicas de criatividade;
•• conhecer e entender as técnicas e ferramentas que facilitam o processo criativo.

1 Criatividade x inovação
Ao falar de processo criativo, é importante sabermos diferenciar criatividade de inovação. A
criatividade está diretamente relacionada ao nosso potencial de gerar novas ideias, a invenção, que
surge da criatividade, está relacionada a um protótipo que é desenvolvido baseado nas ideias ou
na combinação delas, sendo que ao menos uma deve ser nova. Portanto, a inovação é a realização
dessa invenção.

EXEMPLO

Uma inovação pode ser um produto, bem, serviço ou processo novo ou significativa-
mente melhorado. Nas empresas, por exemplo, pode ser uma nova metodologia orga-
nizacional implantada no local de trabalho, em um projeto ou nas relações externas.

É importante ressaltar que, diferentemente da inovação que é mensurável, a criatividade, por


ser algo subjetivo, é difícil de ser mensurada. A inovação se relacionada diretamente a todo o traba-
lho necessário para transformar a ideia em um produto, no campo conceitual ou concreto, viável.

– 64 –
CRIATIVIDADE

Figura 1 – Criatividade e inovação

CRIATIVIDADE INOVAÇÃO

Dar origem. Introduzir uma novidade.

Propor algo diferente do usual. Adotar e implementar uma nova ideia.

Dar uma nova dimensão. Fazer acontecer o inusitado.

Fonte: elaborada pela autora, 2017.

FIQUE ATENTO!
A inovação é um ato intencional que afeta pessoas e empresas. É por meio dela que
as organizações utilizam o potencial criativo de seu capital humano para buscar
novas soluções às necessidades apresentadas.

As empresas podem usar o potencial criativo de seus colaboradores para desenvolver soluções
que atendam às necessidades e problemas que ainda não foram solucionados, mas, para que isso
ocorra, é preciso que as organizações não fiquem apenas no campo da criatividade (geração de
ideias), mas passem a inovar, ou seja, a colocar em prática, para que não fique um “buraco” entre
a identificação do problema, as ideias para solucioná-lo e a geração de valor a partir dessas ideias.

SAIBA MAIS!
Martha Gabriel, em um TED, falou sobre a relação entre a criatividade e a inovação
no ambiente empresarial, diferenciando esses dois conceitos. Para conferir esse
conteúdo, acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=d9oAIsEBclI>.

A criatividade é muito relevante no dia a dia das organizações por permitir o pensamento
criativo, o que leva à inovação. No entanto, é fundamental que ela seja canalizada na solução de
problemas e necessidades.

2 Processo criativo
Para entendermos o processo criativo, é importante compreender que as ideias não surgem
do nada, ou são apenas frutos do acaso, de uma euforia momentânea, de um simples click, pelo
contrário, são fruto de um enorme esforço mental.

– 65 –
CRIATIVIDADE

Figura 2 – Abordagens do processo criativo

Definição do processo criativo Fases do processos criativo

Fayga
Ostrower
Processo existencial, o qual abrange o pensar, o sentir, o consciente, o
Três momentos: insight, elaboração e inspiração.
(1987) inconsciente e, principalmente, a intuição.

Elias Paul Processo que permite ao indivíduo compreender elementos que faltam e,
Torrance assim, formar ideias ou hipóteses, além de testá-las e comunicar os 4 fases: preparação, incubação, iluminação e revisão.
(1976) resultados, ou, após os resultados, modificá-las e testá-las novamente.

George
Frederick 5 fases: primeira apreensão, preparação, incubação, iluminação
Kneller Processo mental e emocional.
e verificação.
(1978)
Autores

Alex F.
O processo criativo, dificilmente, será explicado de forma perfeita, pois há 7 fases: orientação, preparação, análise, ideação, incubação,
Osborn
(1987) muitos elementos intangíveis e variáveis. síntese e avaliação.

Wilferd A.
Peterson Não há magia, mas, sim, um trabalho árduo. 4 fases: saturação, incubação, iluminação e verificação
(1991)

Fonte: adaptada de PANIZZA, 2004.

Panizza (2004) enumera diversos autores que descrevem as etapas do processo criativo de
forma muito semelhante, tendo como alguma diferença o número de fases do processo. O que
podemos perceber de similaridade é que há sempre uma etapa inicial de identificação do pro-
blema, seguida pela fase de não consciência, momento dos insights, e, por fim, a crítica.

FIQUE ATENTO!
Mesmo didaticamente separando em etapas definidas, o processo não ocorre de
forma contínua e linear, podendo retornar a etapas e fases anteriores, reelaborando-
-as com um novo ponto de vista.

De maneira macro, podemos dizer que o processo criativo possui 4 etapas básicas:

•• identificação e definição do problema: é necessário ter um problema que implique em


mudanças para dar início ao processo criativo. A pergunta geral é: qual o objetivo a ser
resolvido? Para responder a essa pergunta, nos basearemos em um objetivo que norte-
ará o desenvolvimento do pensamento;

– 66 –
CRIATIVIDADE

EXEMPLO
Você precisa fazer uma análise profunda de um problema a ser solucionado, para isso
você deve obter um raio-x da situação, ser o mais fiel possível em relação ao que se
irá enfrentar. Para isso, é importante o acesso a todos os tipos de informações exis-
tentes: dados estatísticos, opiniões de terceiros, expectativas das pessoas, coisas que
já tenham sido feitas (outros objetos), entre outros. Essa análise, se feita de forma
inadequada ou com poucos dados, pode fazer com que as estratégias escolhidas não
ajudem a resolver a situação existente.

•• coleta de dados: etapa de extrema importância para ajudar a entender o que se neces-
sita para chegar ao objetivo final. Não se pode ter informações insuficientes nem em
demasia, pois uma fará que faltem informações para a resolução do problema e outra
poderá atrapalhar em perceber o que realmente é importante;
•• incubação e ideação/iluminação ou geração e seleção de ideias: embora não seja um
processo necessariamente consciente, é importante que o criativo dê um tempo para que
a mente processe todas as informações coletadas, as quais devem ser cruzadas com o
repertório já existente, estabelecendo novas conexões até que surjam novas ideias;
•• verificação, consenso e implementação da ideia desenvolvida: está é a fase de crítica
e verificação da ideia gerada a partir das fases anteriores. Aqui é possível melhorar e
adaptar a solução encontrada, como também perceber que a solução encontrada não
é a mais adequada, fazendo com que se inicie todo o processo novamente. Por fim,
ocorre a aceitação de uma das soluções encontradas e inicia-se a implementação.

Portanto, as ideias não nascem ao acaso, há um trabalho árduo a ser percorrido para que
boas ideias surjam e ajudem a solucionar problemas e desafios propostos diariamente.

3 Treinando a criatividade: técnicas de criatividade


Para que a criatividade aflore, são necessárias algumas condições a serem enfrentadas,
como receptividade a novas ideias, imersão no assunto, dedicação e desprendimento para obten-
ção de respostas sem se prender a elas, imaginação em equilíbrio com o julgamento, interrogar
para conhecer e buscar o novo, usar os erros para observá-los sob uma nova ótica e submissão às
obras de criação, deixando se levar pela criação.

FIQUE ATENTO!
É importante manter a criatividade sempre ativa, e as pequenas ações do dia a dia
nos ajudam a fazer isso, bem como os momentos mais complexos, como achar
uma nova solução para um problema no trabalho.

– 67 –
CRIATIVIDADE

Há várias técnicas de desenvolvimento da criatividade, as quais seguem uma dinâmica e


formas, como veremos a seguir.

•• Brainstorming e Brainwritting: criado por Osborn (1953 apud WEINER, 2010), é definida
como uma “tempestade” ou “chuva” de ideias, que a partir de um grupo de pessoas
buscarão a solução de um problema.
•• BIP: para Barreto (1997), é necessário basear-se em três questões para o processo
criativo: bom humor, irreverência e pressão.
•• Mapa Mental: desenvolvido por Tony Buzan (1974 apud WEINER, 2010) , é um dia-
grama ou gráfico criado para organizar as informações sobre determinado tema.
•• Scamper: para Osborn (1953 apud WEINER, 2010), o processo criativo é formado pela
resposta a sete perguntas que consistem das seguintes palavras: Substitua – combine
– adapte – modifique – proponha novos usos – elimine – reorganize.
•• Seis chapéus: desenvolvida na década de 1980 por Bono, busca usar o máximo da
experiência dos participantes durante uma discussão.
•• Caixa Morfológica: desenvolvida por Osborn e Arnold (1957 e 1962 apud WEINER,
2010), combina soluções, para elementos estruturais ou funcionais previamente sele-
cionados, para um produto. O fundamento dessa técnica é decompor o problema nos
seus elementos básicos.

Todas essas técnicas facilitam a geração de ideias, pois seguem metodologias e ajudam a
compreender o problema, gerar ideias e selecionar as já existentes, além de planejar as atividades.
Essas técnicas podem ser realizadas em grupos ou de maneira individual.

Quadro 1 – Técnicas para a geração de ideias

Nº de pessoas Finalidade
Técnica
Individuais Em grupo Compreender Gerar Selecionar

Brainstorming/Brainwritting X X X

Mapa Mental X X X

SCAMPER X X X

6 Chapéus X X X

Fonte: adaptado do MANUAL DE CRIATIVIDADE EMPRESARIAL, 2010.

SAIBA MAIS!
Para conhecer mais sobre cada uma dessas técnicas, leia o capítulo 5 do “Manual
de Criatividade Empresarial”. Acesse: <http://www.cria.pt/media/1366/manual-cre-
atividade-portugues_pt_web.pdf>.

– 68 –
CRIATIVIDADE

Além das técnicas abordadas até aqui, cada vez mais surgem outras a serem exploradas.
Veja a seguir.

•• Pesquisa visual: serve para analisar conteúdo, gerar alternativas e até comunicar uma
ideia. Nela você faz uma coleta visual de tudo o que está relacionado ao universo do
projeto, sejam concorrentes ou referências, para depois serem analisadas (similari-
dade, cor, forma, traço, grid etc.) a fim de encontrar um padrão de repetição ou tendên-
cia. Dessa forma, é possível identificar caminhos interessantes a serem abordados ou
como o seu projeto pode se diferenciar dentre os que já existem.
•• Brain duping visual: é comparada ao brainstorming, só que ao invés de ser verbal é
totalmente visual e consiste na técnica do esboço livre dentro dos objetivos do projeto.
Com diversos esboços, é necessário revisar todos e encontrar possíveis caminhos de
soluções para serem aprimorados.

Com essas técnicas podemos acelerar o processo de geração de alternativas e em grande


parte dos métodos, durante o seu decurso, não são permitidos julgamentos, pois todas as ideias
são válidas e o máximo de ideias deve ser produzido.

4 Ferramentas para o processo criativo


Além das técnicas já citadas, existem diversas ferramentas que nos ajudam a aflorar e a esti-
mular a criatividade e o processo criativo, como as listadas a seguir.

Figura 3 – Ferramentas para a criatividade

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

•• Doodle: ajuda a desbloquear o espírito criativo com rabiscos online dos nossos pensa-
mentos e ideias. Além disso, possibilita publicar e compartilhar com a rede.

– 69 –
CRIATIVIDADE

•• Coffitivity: atua como um som ambiente de um café, auxiliando na concentração e na


criatividade.
•• Evernote: uma ferramenta para se ter sempre que precisar registrar as ideias, não
importando onde esteja e o que esteja fazendo.
•• Photocopa: possibilita fazer upload de uma foto e gerar uma paleta de cores inspirada
pelas cores da imagem.

Existem milhares de ferramentas online e aplicativos que ajudam no processo criativo, até
mesmo para desenvolver as técnicas apresentadas, principalmente como o brainstorming (como
o Spider Scribe) e mapas mentais (como o Mind Meister).

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender o que é o processo criativo;


•• entender a diferença entre criatividade e inovação;
•• conhecer as técnicas e ferramentas que facilitam o processo criativo.

Referências
GOLEMAN, Daniel; RAY, Micheal L.; KAUFMAN, Paul. O Espírito Criativo. Tradução de Gilson Cesar
Cardoso de Souza. 6. ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2013.

Manual de Criatividade Empresarial. Universidade do Algarve/ CRIA, 2010. Disponível em: <http://
www.cria.pt/media/1366/manual-creatividade-portugues_pt_web.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017.

PANIZZA, Janaina Fuentes. Metodologia e processo criativo em projetos de comunicação visual.


São Paulo, 2004. 248 p. Dissertação de Mestrado em Ciências da Comunicação. Escola de Comu-
nicação e Artes, Universidade de São Paulo.

SANMARTIN, Stela Maris. Criatividade e Inovação na Empresa: do Potencial à Ação Criadora. São
Paulo: Editora Trevisan, 2012.

GABRIEL, Martha. A lagarta e a borboleta: da criatividade à inovação. In: TEDx Talks, 2014. Disponí-
vel em: <https://www.youtube.com/watch?v=d9oAIsEBclI>. Acesso em: 07 jun. 2017.

WEINER, Rui Silvestre de Bastos. A criatividade no ensino do design. Porto, 90 f. Dissertação (mes-
trado em Design Gráfico e Projetos Especiais). Faculdade de Belas Artes, Universidade do Porto,
Porto, 2010. Disponível em: <https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/67408/2/23828.
pdf>. Acesso em: 07 maio 2017.

– 70 –
TEMA 10
A Criatividade e o Mercado de Trabalho
Renata Mateus

Introdução
A criatividade faz parte do dia a dia das pessoas, seja nas pequenas atitudes ou na criação de
novos projetos. Engana-se quem acredita que a criatividade é inerente apenas a quem trabalha na
área de marketing ou correlatas, ela está presente em todos os lugares, independente se o profissio-
nal atua ou não na área.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• compreender a importância do papel criativo dentro das organizações;


•• identificar os atributos do profissional criativo e inovador;
•• entender como o clima favorece o comportamento criativo e quais barreiras no
ambiente de trabalho podem prejudicá-lo.

1 O papel do criativo dentro das organizações:


criatividade pessoal e organizacional
No mundo globalizado e tecnológico de hoje, as empresas já sabem que, para se manter com-
petitivas, necessitam criar e adaptar seus modelos de negócios continuamente. A inovação, para
Casadesus-Masanell e Zhu (2013 apud GREGORY, ROSA e CASAROTTO FILHO, 2013), é a busca das
empresas por novas formas de deter e criar valor para todos os seus contatos internos ou externos
(clientes, fornecedores, colaboradores), que estejam envolvidos no processo e com a organização.

FIQUE ATENTO!
Johnsos, Chistensen e Kagermann (2008 apud GREGORY, ROSA e CASAROTTO FI-
LHO, 2013) afirmam que 50% dos executivos acreditam que, para o sucesso das
organizações, a inovação nos modelos de negócios será mais importante do que a
inovação de produtos. A criatividade das pessoas e equipes, no início desse proces-
so de inovação, assume um papel fundamental, já que a inovação será a implanta-
ção das ideias criativas.

– 71 –
CRIATIVIDADE

Para Gregory, Rosa e Casarotto Filho (2013), os modelos de negócios podem abranger a
criatividade da seguinte forma:

•• práticas de gestão (Líder/Gestor): o líder ou gestor é o agente de mudança e facilitador


da criatividade e inovação nas organizações. São eles que motivarão suas equipes a
perceber que a mudança é uma oportunidade para aperfeiçoar o modelo de negócio e
incentivarão a aprender através do compartilhamento de informações;
•• motivação organizacional (Cultura Criativa): é o suporte para que os colaboradores
inovem nas empresas; tem como base o valor depositado na criatividade e o entu-
siasmo da empresa a respeito das capacidades e possibilidades da realização;
•• recursos: é a estrutura que a empresa deve disponibilizar para dar suporte e tornar
possível a inovação;
•• expertise, habilidades criativas e motivação para a tarefa (criatividade do indivíduo/
equipe): é a competência ou qualidade de especialista. As habilidades criativas e a moti-
vação para tarefas individuais ou em grupo são peças fundamentais para a criatividade.

Figura 1 – Impacto do ambiente organizacional na criatividade

Criatividade
Líder/ da equipe
gestor

Inovação Criatividade

Criatividade
Cultura
do indivíduo
criativa cta
pa
Im
Ambiente
de trabalho

Fonte: GREGORY, ROSA e CASAROTTO FILHO, 2013, p.223.

Sempre pensamos que a criação de novos produtos é uma, ou mesmo a única, forma de
explorar a criatividade no ambiente de trabalho, mas, segundo Goleman, Ray e Kaufman (2013), há
outras maneiras de utilizá-la, como veremos a seguir.

5. Informação: as Tecnologias da Informação e Comunicação exigem elevados índices de


criatividade, já que a avalanche de informações que recebemos todos os dais não terão
nenhum valor se não forem tratadas de forma criativa.
6. Conhecimento: o conhecimento, sendo essencial em um mundo competitivo que
necessita da criatividade nas empresas, é mais valorizado do que o próprio patrimônio
físico nos dias de hoje.
7. Mudança: para crescer, as organizações precisam se reinventar constantemente atra-
vés da criatividade. A chave para o futuro não depende apenas das novas ideias, mas
também de colocá-las em prática, inovando.

– 72 –
CRIATIVIDADE

8. Carreira: os trabalhadores modernos têm novas expectativas, buscando organizações


onde possam desenvolver a imaginação, a inspiração e as ideias, além de praticar a
criatividade.
9. Design: ligado a todos os setores da organização, ajuda a diferenciar o produto, a marca
ou até mesmo a empresa de seus concorrentes.
10. Consumidor: é quem conduz o mercado, exigindo alto nível de criatividade da empresa,
pois demanda novos produtos que se adéquem às suas necessidades, com qualidade,
novidades, inteligência e durabilidade.
11. Gestão: as pessoas criativas com novas motivações exigem novas metodologias de
gestão, que permitam associar as necessidades dos trabalhadores com talento às
necessidades da empresa.

SAIBA MAIS!
Leia sobre o papel da criatividade no ambiente empresarial atualmente no Manual de
criatividade empresarial, capítulos 2, 3 e 4. Acesse: <http://www.cria.pt/media/1366/
manual-creatividade-portugues_pt_web.pdf>.

Assim, é importante que as empresas também adotem uma orientação voltada ao surgi-
mento de novas ideias, pois não adianta a empresa ter colaboradores motivados, que pensem
criativamente, se o ambiente organizacional não for propício para o surgimento de novas ideias.

EXEMPLO
Para se ter um ambiente propício à criatividade, é necessário criar espaços para seus
funcionários interagirem durante o expediente. Empresas já proporcionam para seus
colaboradores lugares calmos, para relaxar, com atividades de lazer e descanso, como
salas de jogos, ambientes de massagem e cafés, que quebram a rotina diária e melho-
ram o clima organizacional.

2 O comportamento criativo: atributos do profissional


criativo e inovador

As pessoas criativas têm a habilidade de descobrir novas formas de abordar ou apresentar


soluções a um problema com uma maneira diferente de pensar, muitas vezes pouco convencional.
Possuem a capacidade de adaptar-se a diversas situações e de cumprir os objetivos estabelecidos.

– 73 –
CRIATIVIDADE

FIQUE ATENTO!
A mente criativa procura diferentes formas de pensamento e é capaz de reinterpre-
tar a realidade segundo novos parâmetros lógicos, ajudando, por exemplo, a solu-
cionar problemas em ambientes empresariais, vendo-os sob uma nova perspectiva.

Quando falamos do perfil de um líder criativo, isso engloba também a capacidade de ser origi-
nal, ser aberto a novas experiências, ter facilidade de comunicação, espírito inovador e assertividade.

Figura 2 – Elementos para a atitude criativa

Fonte: adaptado de MANUAL DE CRIATIVIDADE EMPRESARIAL, 2010

Com isso, percebemos que quando possuímos uma predisposição para encontrar soluções e
para a mudança, como resultado, temos uma atitude criativa, relacionada ao uso de novas formas
e metodologias, que não correspondem às lógicas tradicionais.

3 O clima que favorece o comportamento criativo


As empresas estão cada vez maiores e mais complexas, exigindo novas ferramentas para a
sua gestão. É fundamental que a organização tenha em sua equipe pessoas com o perfil criativo,
porém não é apenas isso que a torna inovadora. É necessário que proporcionem a seus colaborado-
res um ambiente de estímulo, captura e disseminação de novas ideias, alimentando a criatividade.
Para uma organização desenvolver a cultura da criatividade, é necessário que reconheça o
potencial ilimitado de cada colaborador, cultive o trabalho em grupo, promova a tolerância ao erro
e às diferenças e valorize as habilidades e os esforços de cada um.

– 74 –
CRIATIVIDADE

FIQUE ATENTO!
Treinamentos focados no desenvolver criativo do colaborador ajudam a aumentar a
conexão entre os funcionários e a trabalhar molduras mentais para se adequarem à
cultura da criatividade, introduzindo técnicas criativas que podem ser adotadas no
trabalho diário de um grupo.

A empresa deve incentivar e desenvolver a cultura criativa, pois é dessa forma que surgirá
o desenvolvimento de soluções inovadoras, que realinham as atividades, aceitam as mudanças
organizacionais e melhoram a flexibilidade estratégica. Portanto, para uma empresa ser criativa, ela
deve apresentar diversos comportamentos e características que favoreçam o fluxo da criatividade.

Quadro 1 – Diferenças entre as empresas criativas e não criativas

Empresa criativa Empresa não criativa

Volta ao mercado Pouco monitoramento do mercado

Flexibilidade Rigidez

Liderança participativa e transformadora Tomada de decisão hierarquizada

Ambientes colaborativos à criatividade Ambientes tradicionais

Adaptação constante Receio de inovação

Compartilhar conhecimento Escassez de colaboração

Sistema de incentivos e desafiador Pouca motivação ao novo

Paciência e compreensão ao fracasso Punição as falhas

Comunicação aberta para todos Centralização da informação

Estrutura leve Estrutura hierarquizada e centralizada

Fonte: adaptado do MANUAL DE CRIATIVIDADE EMPRESARIAL, 2010.

Com tanta inovação é essencial avaliar todos os novos processos. As empresas utilizam o
método PDCA (“Plan” – planejar / “Do” - fazer ou executar / “Check” - checar, analisar ou verificar /
“Action” - agir de forma a corrigir eventuais erros ou falhas), para fazer essa análise.

– 75 –
CRIATIVIDADE

EXEMPLO

Na criação de um novo produto, é importante avaliar desde a criação até o momento


da compra, avaliando se o produto atendeu às necessidades do cliente e ao objetivo da
empresa, bem como se os processos de inovação tiveram o retorno desejado.

SAIBA MAIS!
No artigo Gestão da Criatividade, José Cláudio Cyrineu Terra aborda temas como
treinamento para a criatividade nas organizações e o clima, motivação e recompen-
sas para a criatividade nas organizações. Acesse: <200.232.30.99/download.asp?fi-
le=3503038.pdf>.

Por fim, implementar um processo criativo na organização exige a adoção de um enfoque


criativo em toda a gestão, o que resultará em diversos benefícios, como protagonismo das mudan-
ças, repostas mais eficazes às exigências do mercado, melhora na produtividade, confiança e
motivação e um melhoramento no ambiente de trabalho da empresa.

4 Barreiras no ambiente de trabalho


Além dos bloqueios internos e externos que o indivíduo sofre no processo criativo, dentro das
organizações existem elementos que estimulam a criatividade e aqueles que bloqueiam, como:

•• existência de uma estrutura vertical;


•• procura de uma única resposta a um problema;
•• procura de respostas com lógicas e normas;
•• pensamento de que a criatividade é apenas para atividades artísticas;
•• medo do fracasso e erro;
•• falta de abertura a novas ideias;
•• pensamento de que a criatividade é pouco eficaz em termos de resultados econômicos;
•• geração de ideias e inovação são tarefas apenas para o setor de Pesquisa e Desenvol-
vimento (P&D).

– 76 –
CRIATIVIDADE

Figura 3 – O equilíbrio criativo na empresa

Fonte: Corepics VOF/Shutterstock.com e Roman Samborskyi/Shutterstock.com

Para que uma empresa seja criativa, é preciso que ela proporcione as condições para que
isso aflore, indo contra o condicionamento imposto pela própria sociedade, o qual desperdiça e
inibe a criatividade de seus colaboradores.

Fechamento
Chegamos ao final do conteúdo, que abordou sobre a relação de criatividade com o mundo
corporativo.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender como as organizações podem explorar a criatividade;


•• conhecer o comportamento do criativo;
•• entender como proporcionar um clima favorável à criatividade no ambiente corporativo.

Referências
GOLEMAN, Daniel; RAY, Micheal L.; KAUFMAN, Paul. O Espírito Criativo. 4 ed. Tradução Gilson
Cesar Cardoso de Souza. Editora Cultrix: São Paulo, 2013.

GREGORY, Rodrigo Pereira; ROSA, Letícia Kern da; CASAROTTO FILHO, Nelson. O papel da criativi-
dade na inovação em modelos de negócios. In Contribuições da criatividade em diferentes áreas
do conhecimento. (Vania Ribas Ulbright, Tarcísio Vanzin, Andreza Regina Lopes da Silva e Claudia
Regina Batista, Orgs.). São Paulo: Pimenta Cultural, 2013. Disponível em: < http://www.academia.
edu/9139784/_eBook_-_PDF_Contribui%C3%A7%C3%B5es_da_criatividade_em_diferentes_%-
C3%A1reas_do_conhecimento>. Acesso em: 07 maio 2017.

MANUAL DE CRIATIVIDADE EMPRESARIAL. Universidade do Algarve/CRIA, 2010. Disponível em: <http://


www.cria.pt/media/1366/manual-creatividade-portugues_pt_web.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017.

TERRA, José Cláudio Cyrineu. Gestão da Criatividade. Revista de Administração, São Paulo v.35,
n.3, p.38-47, julho/setembro 2000. Disponível em: <200.232.30.99/download.asp?file=3503038.
pdf>. Acesso em: 18 abr. 2017.

– 77 –
TEMA 11
Autoestima como fator de criatividade
Alessandra Jungblut

Introdução
Situações difíceis podem causar desânimo e falta de motivação para desenvolver a criatividade.
Experiências como rejeição, fracasso e críticas excessivas podem afetar de maneira negativa o indi-
víduo e conduzir a um autoconceito negativo e a um sentimento de baixa autoestima. Desenvolver a
autoestima permite ao ser humano obter maior confiança em seu potencial criativo.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• identificar as aflições que obstaculizam a criatividade;


•• conhecer as características valorativas que estimulam a criatividade;

1 Os sofrimentos psíquicos que


impedem a criatividade
Segundo Bock et al (2009), o sofrimento psíquico pode acontecer com qualquer pessoa e
advém de situações altamente estressantes ou mesmo da perda de alguém próximo. É possível
superar essas situações sem comprometer a adaptação social, ou seja, o indivíduo continua com
suas atividades rotineiras criando formas de canalizar produtivamente este mal-estar.
O sofrimento pode acarretar desânimo e falta de motivação. Segundo Predebon (2010),
essas características dificultam o engajamento e os processos de criatividade e inovação. Em
casos patológicos, não só inibem a criatividade como também os tornam pessoas infelizes e evi-
tadas pelo meio social.
Segundo Winnicott (1975 apud Franco, 2010), o viver infeliz é aquele no qual não existe o
elemento criativo. A criatividade é a experiência de sentir o valor da vida e essa capacidade é
desenvolvida já na primeira infância. Algumas pessoas, no entanto, apenas reagem às situações
cotidianas e sua criatividade desaparece devido à falta de estímulos, restando apenas ações com-
pulsivas e ausência de liberdade. Sobre essa questão, Freud (1996 apud Franco, 2010), aponta a
submissão como uma forma não criativa de lidar com a realidade. Uma vida saudável é aquela em
que há a aceitação da realidade e a intenção de transformá-la por meio do ato criativo.

– 78 –
CRIATIVIDADE

EXEMPLO

Em um relacionamento amoroso, no qual não há respeito e aceitação da individuali-


dade do outro, há o risco de um dos parceiros ter sua criatividade tolhida em função
da falta de liberdade de expressão.

Figura 1 – Autoconceito

Fonte: fgnvzql/Shutterstock.com

De acordo com Alencar e Fleith (2009), um aspecto importante para o desenvolvimento da


criatividade é o autoconceito. Ele afeta a personalidade e pode favorecer ou restringir o potencial
criativo. Em função de experiências de fracasso, rejeição e críticas excessivas, há pessoas que
crescem com uma imagem extremamente negativa de si mesmas e não se sentem capazes de
criar. São crenças negativas que causam sofrimento ao indivíduo ao provocar sentimentos de
incapacidade, insegurança e baixa autoestima.

2 Debilidades de estima por si mesmo


O autoconceito, segundo Branden (2009), é tudo o que pensamos sobre nós mesmos –
características físicas, psicológicas, pontos positivos e negativos – e a autoestima faz parte do
autoconceito como um componente avaliador de adequação ou inadequação.

SAIBA MAIS!
Leia este artigo sobre autoestima, autoconceito e autoimagem publicado na Revista
Equilíbrio Corporal e Saúde. Acesse: <http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.
php/reces/article/view/22/19>.

– 79 –
CRIATIVIDADE

A autoestima envolve sentimentos de competência pessoal e de valor pessoal e é definida


como a “(...) soma da autoconfiança com o autorrespeito. Ela reflete o julgamento implícito da
nossa capacidade de lidar com os desafios da vida (entender e dominar os problemas) e o direito de
ser feliz (respeitar e defender os próprios interesses e necessidades) ” (BRANDEN, 2009, p. 10-11).
Para Rosenberg (1989 apud Assis e Avanci, 2004), a autoestima é uma atitude, uma avaliação
que o indivíduo faz de si mesmo e que pode ser tanto positiva (aprovação) como negativa (desa-
provação). A forma como nos sentimos com relação a nós mesmos afeta diretamente nossas
experiências em vários setores da vida e o modo como reagimos às situações.
A baixa autoestima faz o indivíduo sentir-se desajustado como pessoa; ele não se sente
merecedor e competente. São pessoas que sofrem com a insegurança, a dúvida, a culpa, o medo
de participar plenamente da vida e uma vaga sensação de não ser bom o suficiente. Nem sempre
esses sentimentos são conscientes, mas estão enraizados no indivíduo.
Pessoas com baixa autoestima podem ser amadas pela família, admiradas pelos amigos e
colegas de trabalho e, ainda assim, não conseguirem amar a si mesmas. Indivíduos que obtêm
sucesso podem se sentir como impostores caso não consigam desenvolver uma autoestima posi-
tiva (BRANDEN, 2009).

Figura 2 – O ciclo da baixa autoestima

Esforço
reduzido
Baixa
Baixa
expectativa Fracasso real
autoestima
de desempenho
Alta
ansiedade

Fonte: FELDMAN, 2015.

De acordo com Feldman (2015), algumas pessoas possuem um sentimento crônico de baixa
autoestima e o fracasso é visto como algo inevitável em suas vidas. Essa crença eleva o nível de
ansiedade desses indivíduos, tornando as tarefas mais difíceis de serem executadas e ocasio-
nando o insucesso – o que confirma sua crença. É um ciclo autodestrutivo onde as consequências
negativas reforçam o sentimento de baixa autoestima.

FIQUE ATENTO!

A falta de autoestima pode gerar ansiedade, comprometer o bom desempenho e


ser autodestrutiva.

– 80 –
CRIATIVIDADE

3 Como desenvolver a autoestima


O desenvolvimento da autoestima, de acordo com Assis e Avanci (2004), tem início na infân-
cia. As experiências nesse período moldam a opinião que a criança terá sobre si mesma e atos
constantes de humilhação, depreciação e punições podem contribuir para a formação de crenças
negativas. Porém, pessoas significativas para a criança (família, por exemplo) podem ensiná-la a
enfrentar as dificuldades e a ter autoconfiança.
Segundo Branden (2009), a verdadeira autoestima não envolve competitividade e compara-
ções, ou seja, sentir-se melhor que os demais ou superestimar as próprias habilidades não reflete
o sentimento de autoestima. Para ter autoestima não é preciso ser perfeito.

EXEMPLO

Posso compreender aspectos negativos a respeito de meu comportamento e ainda


assim gostar de mim mesmo e me aceitar.

Para Adler (1964 apud FEIST, FEIST E ROBERTS, 2015), cada pessoa é livre para criar seu
estilo de vida. Embora a personalidade seja formada por aspectos genéticos e sociais, o indivíduo
é ator em seu próprio ambiente e é capaz de desenvolver autoestima.

Figura 3 – Criar a si mesmo

Fonte: pathdoc/Shutterstock.com

Para desenvolver a autoestima e sentimentos de autoconfiança e respeito próprio, Branden


(2002) apresenta seis pilares:

12. Viver conscientemente: ter consciência da realidade e das próprias ações, objetivos e
valores. Aceitar a realidade é estar aberto às experiências;

– 81 –
CRIATIVIDADE

13. Autoaceitação: aceitar-se como é, reconhecendo seus sentimentos e seu próprio valor
independente de aprovação ou desaprovação;
14. Viver com responsabilidade: assumir responsabilidade pelas próprias escolhas e ações;
conquistar o que se deseja sem esperar ou culpar os outros; manter uma atitude ativa;
15. Autoafirmação (autenticidade): evitar fingir para ser aceito, valorizar a sua própria ver-
dade; fingir implica em rejeitar a si mesmo; pessoas autênticas sabem ser elas mes-
mas e se mostram assim para o mundo;
16. Viver com um propósito: ter objetivos e lutar por eles com disciplina, perseverança e
confiança no próprio potencial;
17. Viver com integridade: agir de acordo com os próprios ideais e valores, ser coerente.

FIQUE ATENTO!

Pessoas com baixa autoestima desde a infância podem desenvolver a autoestima


durante a vida e aprender a ter sentimentos positivos sobre si mesmas.

4 Relações entre a alta autoestima e a criação criativa


Segundo Predebon (2010), o autoconhecimento permite que o indivíduo tenha consciência
de si mesmo e consequentemente obtenha um aumento de sua autoestima, que, por sua vez, pro-
piciará maior segurança para desenvolver a atividade criativa e para enfrentar as consequências
positivas (aceitação social) ou negativas de seus resultados.
Isso porque o novo pode gerar oposição entre o grupo social, e a autoestima permite a sereni-
dade necessária para lidar com críticas sem perder a motivação de continuar criando. Para Ashton
(2016), a pessoa criativa comete erros, está exposta à rejeição e os maiores criadores são os mais
críticos de si mesmos.

Figura 4 – Brincando com as ideias

Fonte: Sunny studio/Shutterstock.com

– 82 –
CRIATIVIDADE

Por isso, sentimentos positivos a respeito do próprio valor são tão importantes – o que deter-
mina o sucesso no processo criativo não é o nível de inteligência, de talento ou de esforço, mas
principalmente, a reação perante às adversidades da criação.

SAIBA MAIS!
O filme “Julie e Julia” apresenta a história de duas mulheres em épocas diferentes que
enfrentaram adversidades, confiaram em seu potencial criativo e desenvolveram a
persistência em busca de seus objetivos. Acesse em: <https://www.youtube.com/
watch?v=qqQICUzdKbE>.

Oech (1988) afirma que pessoas criativas são aquelas que acreditam em seu potencial.
Quem vê a si mesmo como criativo sente liberdade para brincar com o conhecimento e valoriza
até mesmo as pequenas ideias. Essa liberdade é descrita por Predebon (2010) como leveza, oti-
mismo e jovialidade. É uma característica de pessoas excepcionalmente criativas. Além disso,
a própria prática criativa propicia o crescimento e alimenta aspectos positivos de nossa individua-
lidade, permitindo maior incremento na autoestima.

FIQUE ATENTO!
Autoestima é importante para a criatividade – indivíduos conscientes de seu pró-
prio valor não desistem facilmente e possuem a estrutura necessária para enfrentar
eventuais críticas.

Fechamento
Ao final desta aula, você teve a oportunidade de:

•• aprender sobre o sofrimento psíquico e sua influência no desempenho criativo;


•• identificar os conceitos de autoestima e autoconceito;
•• compreender o que é a baixa autoestima e sua relação com a criatividade;
•• conhecer alguns aspectos que facilitam o desenvolvimento da autoestima.

Referências
ALENCAR, Eunice e FLEITH, Denise. Criatividade: múltiplas perspectivas. 3. ed. Brasília: UNB, 2009.

ASHTON, Kevin. A história secreta da criatividade. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.

ASSIS, Simone Gonçalves e AVANCI, Joviana Quintes. Labirinto de espelhos: formação da autoes-
tima na infância e na adolescência. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2004.

– 83 –
CRIATIVIDADE

BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair e TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: uma
introdução ao estudo de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

BRANDEN, Nathaniel. Como aumentar sua autoestima. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

_________________ Autoestima e os seus seis pilares. 7 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

FELDMAN, Robert S. Introdução à Psicologia. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.

FEIST, Jess; FEIST, Gregory e ROBERTS, Tommi-Ann. Teorias da Personalidade. 8. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2015.

FRANCO, Sérgio de Gouvêa. Sofrimento e o viver criativo. Revista Liceu On-Line - FECAP, São
Paulo, v. 1, n. 1, p. 12-15, 2010.

OECH, Roger Von. Um toc na cuca. 12. ed. São Paulo: Editora de Cultura, 1988.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

– 84 –
TEMA 12
Emoções que curam e a criatividade
Alessandra Jungblut

Introdução
A criatividade faz parte da natureza humana, assim como as emoções. Para criar, o ser
humano utiliza suas experiências, suas emoções e sua imaginação a fim de modificar a realidade.
Os estados emocionais podem contribuir ou retardar o desempenho criativo, e a expressão das
emoções é importante para manter a saúde, adquirir autoestima e agir com espontaneidade.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• conhecer o sistema emocional relativo à criatividade;


•• identificar as terapêuticas que auxiliam no restabelecimento da saúde do corpo e da
alma pelas elaborações da criatividade.

1 As emoções pelo ato criativo


Segundo Vygotsky (1998 apud BARROCO, 2007), o ser humano possui dois tipos de impulso
para a criação: o reprodutivo – reproduz o que já existe para se adaptar ao ambiente – e a função
criadora, que utiliza a experiência e o conhecimento prévio e cria novos elementos e normas por
meio da imaginação. A imaginação expressa nossas emoções e sentimentos, e o processo cria-
tivo depende desses elementos. Para criar, o ser humano usa sua experiência, evoca sentimentos
e emoções, usa a imaginação e então modifica a realidade.
Segundo Sousa (2014), o estado emocional, somado aos traços de personalidade, pode esti-
mular ou retardar o desempenho criativo. Situações que originam emoções positivas levam a um
aumento da criatividade: as pessoas se sentem mais seguras para correr riscos e explorar novas
possibilidades, tornam-se mais flexíveis e perseverantes. Emoções negativas fazem o indivíduo
compreender a situação como ameaçadora e problemática – consequentemente, vai buscar uma
solução sistemática, restrita e analítica.

EXEMPLO
Uma empresa, na qual os líderes estimulam o potencial individual e acolhem novas
ideias, pode gerar um sentimento positivo e segurança para que as pessoas se
expressem. Uma empresa restritiva, na qual há agressiva cobrança de resultados,
pode tornar os indivíduos mais temerosos e dificultar a espontaneidade.

– 85 –
CRIATIVIDADE

Figura 1 – Espontaneidade e expressão

Foto: GaudiLab/Shutterstock.com

Reis, Guedes e Bahia (2014) afirmam que as pessoas diferem na forma como experimentam
e se comportam perante as emoções. Para ser criativo, é preciso saber lidar com as próprias
emoções, adaptando-se às situações e criando novas formas de reagir ao ambiente. Essa forma
criativa de lidar com as próprias emoções é chamada de criatividade emocional.
Existem pessoas emocionalmente criativas que enxergam desafios em situações conside-
radas por outras como ameaças, são capazes de compreender as necessidades do outro, são
menos vinculadas a padrões sociais, exploram o significado das próprias experiências emocionais
e toleram aspectos conflituosos em si e nos outros.

FIQUE ATENTO!
Emoções positivas aumentam a criatividade, estimulando a espontaneidade. Emo-
ções negativas desencorajam o ato criativo e incitam o indivíduo a manter padrões
tradicionais.

2 Saúde do corpo e da alma pelas elaborações


da criatividade
A criatividade é o que nos faz existir e nos afasta de uma vida apenas reativa, segundo Winni-
cott (1983 apud FRANCO, 2010). Se a criatividade não existisse, o ser humano apenas reagiria aos
estímulos e, na ausência de estímulos, não haveria ação humana. Portanto, a criatividade é o que
dá sentido à existência e liberdade para adaptar-se ao ambiente de forma saudável.

– 86 –
CRIATIVIDADE

SAIBA MAIS!
O artigo “O Viver Criativo”, da psicanalista Vera Marieta Fisher, apresenta a origem
do potencial criativo, conceitos de criatividade e a importância de criar. Acesse:
<http://www.gpc.org.br/conversa-com-um-psicanalista-o-viver-criativo/>.

Segundo Perls (1997 apud PACHECO, 2010), uma pessoa saudável está em constante mudança
a fim de adaptar-se, manter o equilíbrio e satisfazer suas necessidades na relação com o mundo. São
os ajustamentos criativos que permitem uma relação adequada entre o indivíduo e as circunstâncias
do meio (regras sociais, hábitos culturais, necessidades do outro, limitação de recursos etc.).
Um indivíduo não é saudável quando evita o contato, não consegue lidar com consequências
negativas de seus esforços, evita experiências novas por medo, não aceita a emoção, não sabe
diferenciar o que são as suas próprias necessidades, aceita tudo o que vem do outro sem questio-
nar e necessita de constante aprovação. O objetivo do ser humano é desenvolver a identidade cria-
tiva, ou seja, tomar consciência de seu potencial e descobrir ferramentas para lidar com o mundo.

Figura 2 – Consciência de si mesmo

Fonte: A_lion_A/Shutterstock.com

Moreno (2014 apud DI NIZO, 2015) acredita que a adaptação ao ambiente nem sempre repre-
senta uma convivência saudável: há o risco de uma padronização nos modos de pensar e agir.
Para ele, o ideal de uma integração saudável com o mundo são as respostas espontâneas. O ado-
ecimento emocional acontece quando há o adormecimento da espontaneidade e da criatividade.
Todos nós temos necessidade de pertencer a um grupo, mas é preciso ajustar nossas próprias
necessidades e objetivos de forma equilibrada, sem agredir e sem deixar de expressar nossos
talentos e dons.

FIQUE ATENTO!

O adoecimento emocional ocorre devido à ausência da espontaneidade e da criatividade.

– 87 –
CRIATIVIDADE

3 A criatividade terapêutica
Atividades criativas são frequentemente utilizadas de maneira terapêutica, contribuindo para
o bem-estar e a cura de várias patologias em todas as idades. Antony (2009) traz um exemplo de
psicoterapia com crianças que estão em sofrimento em função de baixa autoestima e depressão.
O terapeuta utiliza atividades corporais, o desenho, a pintura ou mesmo fantoches, para incentivar
a descarga de tensões e a expressão de emoções reprimidas que podem causar o adoecimento.

Figura 3 – Arteterapia, criatividade e saúde

Fonte: belushi/Shutterstock.com

Elmescany (2010), ao tratar sobre a criatividade e sua função terapêutica, apresenta o con-
ceito de resiliência – característica que representa a capacidade do indivíduo de enfrentar situa-
ções conflituosas e superá-las, fortalecendo-se e descobrindo novos significados para sua vida.

EXEMPLO

Uma pessoa que descobre ser portadora de uma doença grave pode deixar-se levar
por sentimentos negativos e ficar paralisada diante da vida ou buscar alternativas
para enfrentar a situação de forma positiva.

A arteterapia é um exemplo de intervenção que promove a resiliência, auxiliando por meio da


criatividade a expressão de emoções e favorecendo a comunicação. Essa modalidade terapêutica
pode ser utilizada para auxiliar pessoas doentes fisicamente a restabelecer a autoestima e a auto-
aceitação, encarar seus medos, desenvolver formas de enfrentamento e descobrir potencialidades
por meio da atividade artística (ELMESCANY, 2010).
Outras modalidades terapêuticas envolvem grupos. Segundo Zinker (2007), a criatividade
é utilizada em terapias de grupo para inventar brincadeiras que podem estimular a espontanei-
dade das pessoas. Além disso, o grupo recria situações e cada membro pode expressar suas
dificuldades e encontrar nas outras pessoas o suporte para solucionar questões conflitivas ou de

– 88 –
CRIATIVIDADE

sofrimento psíquico. Esse suporte significa mostrar aos participantes outras formas de enxergar
determinada situação e descobrir várias soluções possíveis.

SAIBA MAIS!
O artigo “Por que você deveria fazer algo criativo todos os dias” fala sobre um estu-
do realizado sobre a relação entre criatividade e as emoções. Acesse: <http://super.
abril.com.br/blog/como-pessoas-funcionam/por-que-voce-deveria-fazer-algo-cria-
tivo-todos-os-dias/

4 De onde renasce a criatividade do indivíduo em


fase de adoecimento
Segundo Lima (2009), o indivíduo pode perder sua capacidade criativa no momento em que
passa por situações que geram ansiedade, preferindo manter comportamentos já conhecidos que
oferecem segurança, ou quando passa por situações restritivas de maneira constante.
Perls (1997 apud LIMA, 2009) apresenta algumas características próprias de pessoas que
sofrem de neurose: a desistência de buscar a satisfação, a incapacidade de saber o que é real-
mente importante para si mesmo, a percepção prejudicada, a impossibilidade de entrar em con-
tato com as próprias emoções e a perda da espontaneidade e da criatividade.

Figura 4 – O contato com as emoções

Fonte: bilha golan/Shutterstock.com

Durante o adoecimento, segundo Brennan (2006), há uma oscilação de sentimentos: o indi-


víduo passa da tristeza para a felicidade, da calma para a raiva, da raiva para o medo, da fraqueza
para a revolta, e assim por diante. Emoções contidas não permitem um fluxo adequado de energia
e sentimentos como o medo podem bloquear a criatividade.

– 89 –
CRIATIVIDADE

Para redescobrir esse potencial é preciso aceitar essas emoções, expressá-las e em seguida
aprender a superar o que for negativo, como no conceito de resiliência. A psicoterapia, para redes-
cobrir o potencial criativo, e o estabelecimento de metas, para canalizar a energia criativa, podem
ser úteis para conquistar satisfação e bem-estar.

FIQUE ATENTO!

Os sentimentos negativos podem bloquear a criatividade se não forem expressos e


transformados em algo positivo.

Fechamento

Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• conhecer a relação entre as emoções e a criatividade;


•• identificar emoções que inibem ou que estimulam a criatividade;
•• aprender o conceito de resiliência;
•• compreender a importância da expressão dos sentimentos.

Referências
ANTONY, Sheila Maria da Rocha. Os ajustamentos criativos da criança em sofrimento: uma com-
preensão da gestalt-terapia sobre as principais psicopatologias da infância. Revista Estudos e
Pesquisas em Psicologia, UERJ, Rio de Janeiro, ano 9, n. 2, p. 356-375, 2009.

BARROCO, Sonia Mari Shima. Psicologia educacional e arte: uma leitura histórico-cultural da
figura humana. Maringá: Eduen, 2007.

BRENNAN, Barbara Ann. Luz emergente: a jornada da cura pessoal. 9. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

DI NIZO, Renata. Equipes solidárias: por que em grupo e não sozinho? São Paulo: Summus, 2015.

ELMESCANY, Érica de Nazaré Marçal. A arte na promoção da resiliência: um caminho de interven-


ção terapêutica ocupacional na atenção oncológica. Revista Nufen, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 21-41,
2010.

FRANCO, Sérgio de Gouvêa. Sofrimento e o viver criativo. Revista Liceu [On-line] - FECAP, São
Paulo, v. 1, n. 1, p. 12-15, 2010.

FISHER, Vera Marieta. Conversa com o psicanalista: “o viver criativo’. Grupo Psicanalítico de
Curitiba (PR), s.d. Disponível em: http://www.gpc.org.br/conversa-com-um-psicanalista-o-viver-
criativo/. Acesso em: 31 mar. 2017.

– 90 –
CRIATIVIDADE

LIMA, Patrícia Albuquerque. Criatividade na Gestalt-Terapia. Revista Estudos e Pesquisas em Psi-


cologia – UERJ, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 87-97, 2009.

PACHECO, Cristina Vieira. Razão x Emoção: um atendimento clínico sob a luz da Gestalt Terapia.
Comunidade Gestáltica, Florianópolis, 2010. Disponível em: <http://comunidadegestaltica.com.
br/monografias/razao-x-emocao-um-atendimento-clinico-sob-luz-da-gestalt-terapia>. Acesso em:
31/03/2017.

PRADO, Ana Carolina. Porque você deveria fazer algo criativo todos os dias. Superinteressante,
2016. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blog/como-pessoas-funcionam/por-que-voce-
deveria-fazer-algo-criativo-todos-os-dias/>. Acesso em: 31 mar. 2017.

SOUSA, Silvia D’Avó Saldanha. Criatividade e regulação emocional. Psicologia (Secção de Psicologia
Clínica e da Saúde, Núcleo de Psicoterapia Cognitiva-Comportamental e Integrativa), Universidade
de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2014. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10451/18104>.
Acesso em: 31/03/2017.

REIS, Inês; GUEDES, Davis e BAHIA, Sara. Expressões de criatividade na emoção. Revista de Psico-
logia da Criança e do Adolescente, v. 5, n. 1, pp. 41-56. Lisboa, 2014.

ZINKER, Joseph. O processo criativo em Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 2007.

– 91 –
TEMA 13
Motivação e Criatividade
Alessandra Jungblut

Introdução
Para expressar a criatividade é preciso motivação, a qual se origina no próprio indivíduo.
Portanto, a criação de um ambiente favorável à expressão de novas ideias é importante para o
desenvolvimento de pessoas criativas.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• conhecer as “motiva ações” que visam a criatividade;


•• identificar os modos do fazer motivado como meta do ato criativo.

1 Motivar-se para a criatividade


A expressão da criatividade, como outros comportamentos humanos, depende da motiva-
ção. Segundo Chiavenato (2007), motivar-se significa encontrar motivos para a ação. É uma força
ou impulso que conduz o indivíduo a expressar determinado comportamento e pode ser deter-
minada por estímulos externos ou ambientais (motivação extrínseca) ou por estímulos internos
(motivação intrínseca).
Bergamini (2003) destaca que a motivação está relacionada a necessidades internas do indi-
víduo e que não é possível incutir motivação em alguém – ou seja, é o próprio indivíduo que se
encontra motivado ou não dependendo de suas necessidades e interesses. Os fatores ambien-
tais não criam necessidades internas, mas podem servir como complemento para a motivação
quando apresentam fatores que interagem com os motivos internos.

EXEMPLO
Marília é gerente de produção e está sempre envolvida nas discussões para melhorar
o fluxo de trabalho de sua equipe. Ao compartilhar suas ideias, se sente realizada. A
empresa em que trabalha oferece espaço para discussão e está aberta a novas ideias.
Nesse caso, a motivação é intrínseca e o ambiente é favorável.

– 92 –
CRIATIVIDADE

SAIBA MAIS!
O filme “À Procura da Felicidade” (2007) apresenta com muita propriedade a questão
da automotivação. O personagem Chris Gardner (Will Smith), apesar de enfrentar o
fracasso como vendedor de equipamentos médicos e perder sua casa, consegue se
manter altamente motivado para encontrar novas formas de sobreviver e cuidar do
filho. Assista ao trailer: <https://www.youtube.com/watch?v=2tYV9iYr-DM>.

O processo criativo, para Predebon (2010), só acontece no momento em que há um estímulo


motivador, caso contrário as pessoas teriam a tendência a comportamentos conservadores e lógi-
cos. O entusiasmo ao realizar uma tarefa ou alcançar uma meta desperta a energia e mobiliza a
competência individual. Ao transformar tarefas em meios de afirmação e obstáculos em desafios,
o ser humano torna-se motivado para a criatividade e conquista a realização pessoal. As pessoas
são motivadas por diferentes estímulos e não há uma receita que sirva para todos, porém algumas
características podem auxiliar no impulso à criatividade: manter expectativas positivas, equilibrar o
idealismo com a objetividade e planejar o futuro.

Figura 1 – Motivação e entusiasmo

Fonte: Alphaspirit/Shutterstock.com

De acordo com Amabile (1996 apud DESSEN e COSTA JR., 2008), a criatividade possui três
componentes: habilidades de domínio (conhecimento sobre algo), processos criativos relevantes
(traços de personalidade, estilo cognitivo e estratégias que favorecem novas ideias) e motivação
intrínseca. Indivíduos são mais criativos quando têm interesse e satisfação em realizar uma tarefa.
A motivação intrínseca favorece a busca de novos conhecimentos, o desenvolvimento de habilida-
des e o hábito de apresentar ideias diferentes e não convencionais.

FIQUE ATENTO!
A criatividade precisa de um estímulo motivador. A motivação intrínseca ocorre in-
ternamente e pode ser facilitada mantendo-se expectativas positivas, equilíbrio entre
idealismo, objetividade e planejamento. Além disso, um ambiente favorável à expres-
são de ideias pode contribuir como incentivo à criatividade (motivação extrínseca).

– 93 –
CRIATIVIDADE

2 Modos de empowerment criativo


O empowerment, segundo Moraes (2012), significa a obtenção de poder para decidir e assu-
mir resultados. Esse processo ocorre no momento em que as organizações oferecem aos seus
colaboradores condições adequadas ao empowerment com base em quatro pilares ou bases:
poder, motivação, liderança e desenvolvimento. No momento em que o poder é compartilhado e
há liberdade para tomar decisões e assumir responsabilidades, a criatividade é estimulada e as
pessoas sentem-se à vontade para expor novas ideias.
A motivação ao empowerment criativo requer tempo para pensar em novas possibilidades,
manutenção de um ambiente alegre e descontraído, objetivos gerais claros, orientação diante de
atitudes equivocadas e o reconhecimento de esforços.

Figura 2 – As bases do empowerment

PODER MOTIVAÇÃO

• Dar poder às pessoas • Proporcionar motivação


• Delegar autoridade e • Incentivar as pessoas
responsabilidade às pessoas • Reconhecer o bom trabalho
• Confiar nas pessoas • Recompensar as pessoas
• Dar liberdade e autonomia • Festejar o alcance de metas

EMPOWERMENT

LIDERANÇA DESENVOLVIMENTO

• Proporcionar liderança • Dar recursos às pessoas


• Orientar as pessoas • Treinar e desenvolver
• Definir metas e objetivos • Proporcionar informação
• Abrir novos horizontes • Compartilhar conhecimento
• Avaliar o desempenho • Criar talentos e competências

Fonte: adaptado de Chiavenato, 2007.

Chiavenato (2007) também aponta o empowerment como importante método para a gestão
de pessoas e o desenvolvimento de um ambiente adequado à criatividade. Em ambientes direcio-
nados para isso, as pessoas estão envolvidas nas decisões, nas atribuições de responsabilidades
pelo alcance de metas, na liberdade para escolher métodos de trabalho, no incentivo ao trabalho
de equipe integrado e coeso e na autoavaliação do desempenho. Uma liderança que é capaz de
oferecer esse método de trabalho é chamada de renovadora.
Esse estilo de gestão envolve não apenas o bom relacionamento com as pessoas, mas prin-
cipalmente o foco na criatividade e na inovação que ocorrem por meio da aprendizagem e da
mudança. Hoje não basta mais manter estratégias tradicionais – as pessoas precisam aprender
novos hábitos e conceitos para se sentirem motivadas a contribuir com ideias e soluções, acres-
centando um diferencial competitivo para as empresas.

– 94 –
CRIATIVIDADE

FIQUE ATENTO!
O empowerment é uma nova maneira de trabalhar com pessoas. É o ato de “em-
poderamento” ou fortalecimento das pessoas por meio de um trabalho em equipe
onde há autonomia e liberdade para tomar decisões e assumir responsabilidades.

3 O espaço motivacional que gera tempos


de criatividade
Apesar de a motivação não pode ser incutida no indivíduo, é importante a criação de um
ambiente adequado e aberto à expressão criativa. Segundo Schmitt e Brown (2004), algumas pes-
soas possuem um potencial criativo adormecido que precisa ser despertado.
Para desencadear a criatividade, é preciso transformar o ambiente (no caso das empresas,
a sua cultura) de modo que as pessoas sintam que podem criar. Isso é possível pelo aumento do
fluxo de comunicação e confiança, da abertura à expressão da imaginação (mesmo que as ideias
não sejam implementadas de imediato), do hábito de recompensar o esforço e do rompimento
do paradigma de que é preciso ter sempre a solução certa. A tendência tradicional é implementar
soluções que já foram testadas e comprovadas, porém é a inovação e as ideias não testadas que
permitem avançar.

FIQUE ATENTO!
Ao pensarmos em inovação, é importante perceber que as melhores soluções são
aquelas que nunca foram testadas. Portanto, manter um ambiente propício à expres-
são criativa envolve a abertura ao novo, a manutenção da comunicação e da confiança,
o reconhecimento dos esforços e a liberdade para experimentar. Novas ideias devem
ser encorajadas e acolhidas, mesmo que não sejam imediatamente implementadas.

Figura 3 – Ambiente criativo

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

– 95 –
CRIATIVIDADE

Amabile (2001 apud ALENCAR, 2009, p. 83) afirma que “um ambiente social de apoio é vital
para o desenvolvimento de motivações, atitudes e habilidades”, ou seja, é preciso ter oportunidades
para identificar habilidades e desenvolver a criatividade. Segundo Predebon (2010), no momento
em que a motivação é ativada, o indivíduo pode fazer o melhor uso de seu potencial criativo.
A motivação otimiza a competência, esta gera mais criatividade e, consequentemente, mais
sucesso, o que é traduzido em mais motivação, como um ciclo de retroalimentação. Manter-se
motivado é essencial para que o ser humano possa lidar bem com a mudança ou com as situa-
ções imprevistas sem perder a capacidade de criar novas soluções.

SAIBA MAIS!

Neste artigo, Eunice Alencar discute a criação de ambientes organizacionais para a pro-
moção da criatividade. Acesse: <http://www.scielo.br/pdf/rae/v38n2/a03v38n2.pdf>.

4 O cuidar-se como ato criativo


A motivação intrínseca, segundo Deci e Ryan (1985 apud GUIMARÃES e BZUNECK, 2002),
envolve necessidades psicológicas inatas de autodeterminação ou autonomia, de competência
e de pertencer a um grupo social. No momento em que o indivíduo consegue satisfazer essas
necessidades, consegue encontrar a motivação necessária para conduzir sua vida.
A vida adulta, como afirma Roberto (2004), requer maturidade, capacidade de decisão, resis-
tência e força sem perder a espontaneidade e a criatividade. Para isso, o ser humano deve ser
responsável por cuidar de si mesmo além de cuidar do outro. O ato de cuidar-se é importante para
a autoafirmação na sociedade, tendo em vista que a vida adulta torna o indivíduo suscetível às
influências sociais e às reações das outras pessoas.

EXEMPLO
Ao assumir o papel de chefe de família, o indivíduo deve estar apto a agir de maneira
independente, tomar decisões. Essa aptidão envolve o cuidado consigo mesmo, ou
seja, a capacidade de ter autoestima e segurança necessárias para dar conta de suas
responsabilidades sem perder a espontaneidade e a autonomia.

A responsabilidade, segundo Csikszentmihalyi e Nakamura (2009), é um traço presente em


pessoas criativas. Ser criativo envolve o respeito pelas realizações humanas do passado, a visua-
lização de possibilidades futuras e o agir no presente fazendo um bom trabalho. A motivação para
resultados é o que constitui as pessoas criativas, comprometidas e responsáveis.

– 96 –
CRIATIVIDADE

Figura 4 – Crescimento pessoal

Fonte: Lightspring/Shutterstock.com

Segundo Predebon (2010), a realização pessoal gera a motivação necessária para que o ser
humano possa criar. Para isso, é preciso disciplina e mudanças de atitude com o objetivo de cresci-
mento pessoal. Não somos perfeitos, portanto não devem existir sentimentos de culpa, arrependi-
mento ou cobrança. Para sentir-se bem, o indivíduo precisa ter consciência de que está se tornando
melhor a cada dia e errando cada dia menos, além de dedicar alguns minutos diariamente para
a introspecção e para o planejamento de suas próximas ações. Além disso, a transformação de
obstáculos em desafios é uma maneira rápida de mobilizar esforços para conquistar os objetivos.

Fechamento
Ao final desta aula, você teve a oportunidade de:

•• aprender sobre motivação intrínseca e extrínseca;


•• identificar as relações entre motivação e criatividade;
•• conhecer o conceito de empowerment criativo;
•• compreender a relação entre responsabilidade e criatividade.

– 97 –
CRIATIVIDADE

Referências
ALENCAR, Eunice; FLEITH, Denise. Criatividade: múltiplas perspectivas. 3. ed. Brasília: UNB, 2009.

ALENCAR, Eunice. Promovendo um ambiente favorável à criatividade nas organizações. RAE -


Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 38, n.2, p. 18-25. Abr./jun. 1998. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/rae/v38n2/a03v38n2.pdf>. Acesso em: 17 abr. 2017.

BERGAMINI, Cecília W. Motivação: uma viagem ao centro do conceito. Revista GV-executivo, v. 1,


n. 2, p. 63-67, jan. 2003. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/
article/view/34822/33620>. Acesso em: 10 mar. 2017.

CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier,
2007.

CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly; NAKAMURA, Jeanne. Criatividade e Responsabilidade. In: GARDNER,


Howard e cols. Responsabilidade no trabalho: como agem (ou não) os profissionais responsáveis.
Porto Alegre: Artmed, 2009.

DESSEN, Maria Auxiliadora; COSTA JR, Áderson Luiz. A ciência do desenvolvimento humano: ten-
dências atuais e perspectivas futuras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

GUIMARÃES, Sueli Édi Rufini; BZUNECK, José Aloyseo. Propriedades psicométricas de uma
medida de avaliação da motivação intrínseca e extrínseca: um estudo exploratório. Londrina/PR.
Revista Psico-USF, v. 7, n. 1, pp. 01-08, jan/jun 2002.

MORAES, Fábio Cássio Costa. Desafios estratégicos em gestão de pessoas. Curitiba: IESDE Bra-
sil, 2012.

MUCCINO, Gabriele. À Procura da felicidade. [Filme]. Direção de Gabriele Muccino. Roteiro de Ste-
ven Conrad. Produção Columbia Pictures em associação com Sony Pictures, EUA, 2006.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ROBERTO, Gelson Luiz. Aquém e além do tempo. Porto Alegre: Editora Letras de Luz, 2004.

SCHMITT, Bernd H.; BROWN, Laura. Gerenciamento criativo: planos e ferramentas para transfor-
mar sua empresa em um estúdio de criação. São Paulo: Nobel, 2004.

– 98 –
TEMA 14
Criatividade: Ideal Humano
Alessandra Jungblut

Introdução
O ser humano precisa de foco e objetividade para solucionar questões e, para isso, usa a cria-
tividade. No processo criativo, o comprometimento total e o trabalho são características fundamen-
tais. Além disso, manter uma atitude mental aberta, equilibrar imaginação e realidade, fazer pergun-
tas certas e pensar no futuro auxiliam na autorrealização e no desenvolvimento dessa habilidade.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• entender o alcance de metas e objetivos pela criatividade;


•• identificar o ideal humano em termos da criatividade que abre caminhos no rumo do
futuro.

1 O alcance de metas e objetivos pelo exercício


da criatividade
O homem moderno, segundo Di Nizo (2009), precisa de foco e objetividade para lidar com as
questões cotidianas, já que o tempo está cada vez mais escasso. O pensamento lógico é útil para
resolver questões simples que demandam respostas prontas e consolidadas. Diante de situações
complexas, no entanto, é preciso pensar criativamente e ter ideias originais. Isso significa que a
conquista de metas e objetivos passa necessariamente pela capacidade de criar. Pessoas criati-
vas mantêm um alto padrão de inovação e são necessárias para a evolução de nossa sociedade,
por isso é preciso ousar ser e fazer diferente. É importante salientar, portanto, que o estímulo à
expressão criativa deve estar em consonância com o foco.

FIQUE ATENTO!

Ter ideias apenas não basta, pois elas precisam ser trabalhadas e aplicadas em
função dos objetivos.

Como afirma Ashton (2016), para se obter sucesso em qualquer área, é preciso estar com-
pletamente comprometido. Dedicar-se por inteiro ao objetivo e evitar distrações, além de persistir
mesmo diante dos fracassos, é essencial para que o ser humano consiga aproveitar seus talentos

– 99 –
CRIATIVIDADE

de maneira produtiva e criativa. Estar imerso no processo criativo e ter foco nos objetivos é o que
conduz o indivíduo a conquistar o que deseja, independente de obstáculos que possam surgir
durante o processo.

Figura 1 – Foco nos objetivos

Fonte: Patpitchaya/Shutterstock.com

Para Ashton (2016), os chamados bloqueios criativos referem-se, na verdade, aos produtos
que o criador considera ruins. Nesses casos, é preciso trabalhar mais e persistir até encontrar o
resultado satisfatório. A falta de ideias, também considerada como um bloqueio, pode ser facil-
mente solucionada por meio de tarefas simples como fazer um passeio ou mudar de ambiente.
Outro aspecto que pode dificultar o ato criativo é a preocupação com a avaliação externa.
No entanto, é a motivação intrínseca que move o indivíduo a criar, é a sua paixão ao realizar
algo. A paixão significa uma escolha sem recompensa, pois esse sentimento é a própria recom-
pensa em si, que, unida ao conhecimento, traz satisfação ao indivíduo que cria e aprova o que fez.

EXEMPLO
Woody Allen, um dos cineastas mais produtivos de sua geração, nunca esperou a ins-
piração surgir para criar seus roteiros. Ele costuma trabalhar o dia todo, utilizando todo
o seu tempo, além disso, evita participar de cerimônias de premiação, pois acredita
que a avaliação é subjetiva, depende do gosto pessoal, portanto é ele quem deve acre-
ditar e gostar de seu próprio trabalho.

2 A formação da criatividade
Segundo Maslow (1968 apud PREDEBON, 2010, p. 20), “o homem criativo não é o homem
comum ao qual se acrescentou algo; o homem criativo é o homem comum do qual nada se tirou”.
Essa citação reafirma a natureza criativa do ser humano e a influência de fatores externos que
podem inibir a expressão da criatividade.

– 100 –
CRIATIVIDADE

O potencial criativo, para Alencar e Fleith (2009), é inibido em ambientes onde se estimula o
medo do ridículo e da crítica, onde a imaginação e a fantasia são vistas como perda de tempo e
onde estão presentes atitudes negativas com relação ao hábito de arriscar algo fora dos padrões.
Predebon (2010) afirma que a eclosão da criatividade pessoal pode ser facilitada por padrões
de comportamento pré-criativos, ou seja, formas de comportamento que podem estimular a criati-
vidade e encontram-se divididos em duas vertentes complementares: o ligar-se e o soltar-se.
O ligar-se, segue o autor, significa manter um alto nível de atenção permanente e concen-
tração em determinada atividade, é estar alerta, exercer a curiosidade, registrar ideias e manter a
disciplina. Já o soltar-se é abrir espaço para explorar hipóteses e adaptar soluções de acordo com
o contexto. Esse comportamento abrange o cultivo a interesses variados e uma visão mais leve do
mundo, sem censurar-se, fugindo da rotina e não levando tão a sério as críticas. Esses comporta-
mentos pré-criativos são a porta de entrada para a criatividade e para o desenvolvimento de uma
personalidade criativa.

EXEMPLO
Um professor, ao acompanhar seus alunos em uma viagem, precisa estar atento ao
que acontece ao seu redor para identificar problemas e oportunidades (ligar-se) e, ao
mesmo tempo, ser capaz de mudar a programação de acordo com a necessidade
para motivar os alunos (soltar-se).

Figura 2 – Três Pilares da Criatividade

Atenção Fuga Movimento


A que? De que? Em que sentido?

Elementos da Ideias No tempo e no


situação atual. dominantes. espaço.
Características, Pensamento A outro ponto de
atributos e convencional. vista.
categorias.
Restrições
Diferença e Do geral para o
mentais atuais
similaridades. particular e vice-
Suposições, Julgamentos
versa.
padrões e prematuros.
paradigmas. Barreiras e Livre associação
O que funciona e regras. de ideias.
o que não Suposições.
funciona. Explorar
Experiências conexões entre
Coisas em que
passadas. conceitos,
não temos
tecnologias e
prestado atenção Tempo e lugar.
objetos.

Fonte: SIQUEIRA, 2015, p. 22.

– 101 –
CRIATIVIDADE

O processo criativo em si, como colocado por Siqueira (2015), tem início no momento em que
o indivíduo percebe a oportunidade de criar algo novo ou quando sente que há um problema a ser
resolvido. A partir daí, a criatividade fundamenta-se em três princípios ou ações mentais: atenção,
fuga e movimento. A atenção envolve a concentração no problema ou situação; a fuga representa
o ato de afastar-se do pensamento convencional, quebrando os limites; e o movimento diz respeito
à atitude de combinar elementos e soltar a imaginação. Segundo o autor, todos os métodos que
visam a desenvolver a criatividade possuem esses três pilares e diferem apenas na ênfase atribu-
ída a cada um deles.

FIQUE ATENTO!
É possível desenvolver uma personalidade criativa por meio de comportamentos
pré-criativos e utilizar técnicas mentais baseadas nos princípios de atenção, fuga
e movimento.

3 A criatividade e o ideal humano


Boff (2010) explica que para Paulo Freire o ser humano foi feito para transformar o mundo, é
dotado de possibilidades inesgotáveis e encontra-se sempre aberto ao aperfeiçoamento. Porém,
encontra-se em uma tensão entre a transcendência e a realidade concreta, ou seja, ao mesmo
tempo em que é livre para imaginar também precisa estar adaptado a uma realidade. O ideal
humano é o equilíbrio entre essas dimensões, onde a criatividade significa a liberdade de enxergar
novas perspectivas e transformar a realidade.

Figura 3 – O ser humano domina seu potencial

Fonte: Tiko Aramyan/Shutterstock.com

– 102 –
CRIATIVIDADE

A tendência do indivíduo, conforme Rogers (2009), é expandir suas potencialidades, desen-


volver-se e amadurecer, objetivando atingir um ideal (tornar-se o que gostaria de ser). Nenhuma
pessoa é igual à outra, e o ser humano deve buscar descobrir a si mesmo e apresentar-se ao
mundo de maneira autêntica. Essa autenticidade se manifesta no próprio produto criativo, ou seja,
a pessoa que cria imprime sua marca, sua visão de mundo.
Maslow (1970; 1987 apud FELDMAN, 2015), descreve a autorrealização como um estado de
satisfação em que o indivíduo desenvolve todo o seu potencial, sendo a autorrealização o objetivo
máximo do ser humano. É o momento em que ele conquista o sucesso por meio de seu potencial
criativo e se sente à vontade consigo mesmo, quando não há mais aquela ânsia por alcançar algo,
pois está satisfeito em ter utilizado ao máximo seus talentos.

SAIBA MAIS!
O artigo “A experiência criativa infantil em Abraham Maslow” traz informações so-
bre o desenvolvimento saudável da criatividade e a autorrealização. Acesse: <http://
www.faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/7f2HDPxI4K4jn-
LY_2013-5-13-16-1-47.pdf>.

FIQUE ATENTO!

O ideal humano é o equilíbrio entre a liberdade para soltar a imaginação e a fantasia e


o mundo concreto, utilizando o máximo de seu potencial para atingir a autorrealização.

4 A criatividade é a palavra chave que abre


portas para o futuro
Como afirma Masi (2003), temos hoje uma grande necessidade de criatividade por diversos
motivos: alívio da fome, continuidade do progresso científico e tecnológico, aumento e distribui-
ção das riquezas, construção de novos modelos sociais, ampliação dos estados de paz e alegria,
manutenção do sistema ecológico e capacidade de contemplar a beleza, entre outros.
Para que a criatividade possa estar aliada ao progresso, é preciso que venha acompanhada
da inovação. Segundo Bes e Kotler (2011), a criatividade conduz à inovação quando é gerenciada e
aplicada corretamente visando a atingir um objetivo. Siqueira (2015) explica que os hábitos, e não
as habilidades, predominam no momento em que precisamos escolher e traçar um objetivo, o que
remete à tendência humana de permanecer na zona de conforto.
Devido a isso, a atitude de pensar fora da caixa adquiriu uma grande importância no momento
de pensar sobre a criatividade e a inovação: pensar diferente, romper paradigmas e ideias domi-
nantes, o que é possível pela habilidade de questionar, de valorizar mais a pergunta certa do que
a resposta certa, como reafirmado por Siqueira (2015, p. 39): “A qualidade de nossas perguntas
determina a qualidade de nossa criatividade. Não há respostas boas e inovadoras para perguntas
fracas e tímidas”.

– 103 –
CRIATIVIDADE

SAIBA MAIS!

Leia a entrevista com Clóvis de Barros Filho sobre a atitude de “pensar fora da caixa”.
Acesse: <http://exame.abril.com.br/carreira/hora-de-desmontar-a-caixa/>.

Figura 4 – Pensar fora da caixa

Fonte: Punyhong/Shutterstock.com

Para Menna Barreto (2011), o mundo nunca esteve tão aberto à inovação nem necessitou
tanto de pessoas criativas, tendo em vista as grandes mudanças no cenário econômico e tecnoló-
gico e na perspectiva de futuro que vislumbramos. Já no âmbito pessoal, os indivíduos precisam
pensar sobre o futuro e sobre a relação com seu próprio envelhecimento. Garantir um destino
pleno e realizado requer o desenvolvimento máximo da criatividade, ou seja, a criatividade sendo
um fator imprescindível para a realização pessoal, passará a ser também um fator de sobrevivên-
cia. O ser humano precisa manter o entusiasmo e a alegria de criar para garantir um futuro pleno
e realizado, evitando o ostracismo.

Fechamento
Ao final desta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender a importância do foco e do comprometimento para a criatividade;


•• conhecer os comportamentos pré-criativos e os três pilares da criatividade;
•• aprender sobre o ideal humano, equilíbrio e autorrealização;
•• identificar as perspectivas da criatividade para o futuro.

– 104 –
CRIATIVIDADE

Referências
ALENCAR, Eunice; FLEITH, Denise. Criatividade: múltiplas perspectivas. 3. ed. Brasília: UNB, 2009.

BES, Fernando T.; KOTLER, Philip. A Bíblia da Inovação. São Paulo: Leya, 2011.

BOFF, Leonardo. Transcendência. In: STRECK, Danilo R.; REDIN, Euclides e ZITKOSKI, Jaime J.
(Orgs.). Dicionário Paulo Freire. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.

DI NIZO, Renata. Foco e Criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.

CASTILHO, Marta Andrade; SANMARTIN, Stela Maris. Criatividade no processo de coaching. São
Paulo: Trevisan Editora, 2013.

FELDMAN, Robert S. Introdução à Psicologia. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.

MASI, Domenico de. Criatividade e grupos criativos: descoberta e invenção. Vol. 1. Rio de Janeiro:
Sextante, 2005.

MENNA BARRETO, Roberto. Você e o futuro: criatividade para uma era de mudanças radicais. São
Paulo: Summus, 2011.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

SIQUEIRA, Jairo. Criatividade aplicada: habilidades e técnicas essenciais para a criatividade, inova-
ção e solução de problemas. Rio de Janeiro: Jairo Siqueira/Clube dos Autores, 2015.

– 105 –
TEMA 15
A Criatividade nas Organizações
Alessandra Jungblut

Introdução
O ambiente de trabalho é o local ideal para desenvolver e expressar o potencial criativo. A cul-
tura e o clima organizacional e as lideranças podem estimular a motivação dos indivíduos para ações
criativas que serão transformadas em inovação. Uma organização inovadora utiliza a criatividade
para solucionar problemas e tomar decisões, além de contar com um setor de RH estratégico com
foco no desenvolvimento.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• compreender a importância da criatividade no âmbito das organizações;


•• entender sobre a utilização da criatividade como instrumento de Recursos Humanos.

1 A criatividade e o comportamento humano


nas organizações
O grande diferencial das empresas, segundo Chiavenato (2005), são as pessoas que nelas
trabalham – elas produzem, vendem, motivam, comunicam, tomam decisões e dirigem o negó-
cio, são parceiras e responsáveis pela inovação nas organizações. As invenções modernas, assim
como quase tudo o que existe, são criadas e desenvolvidas no meio organizacional, por isso a
importância de pessoas criativas.
Para Predebon (2010), é nas organizações que se encontra o ambiente ideal para desenvol-
ver e expressar o potencial criativo. Considerando que estamos vivendo a era do conhecimento, a
criatividade está em alta devido a vários fatores, entre eles a abertura de mercados e a competiti-
vidade, a valorização do consumidor, as novas tecnologias, a valorização do design e a mudança
de uma gestão controladora para uma gestão facilitadora. No entanto, em alguns locais, ainda é
possível encontrar fatores restritivos, como tecnologias obsoletas, organização inadequada, falta
de foco no consumidor e a própria cultura organizacional inflexível.

– 106 –
CRIATIVIDADE

EXEMPLO
A empresa XCom, especializada na produção de câmeras fotográficas, está muito
preocupada em manter a tradição. Devido a isso, não investe em novos produtos e
tecnologias que atendam à demanda do mercado e não possui um espaço criativo
para o desenvolvimento de novas ideias e produtos, ficando ultrapassada e perdendo
espaço para a concorrência.

Figura 1 – Cultura organizacional criativa

Fonte: Jacob Lund/Shutterstock.com

A cultura organizacional, para Robbins (2010), é o sistema de valores compartilhados pelos


integrantes de uma organização, o que é completado por Kotler e Bes (2011) ao afirmar que em
uma cultura criativa há interesse e proatividade na inovação, as ideias estão por toda a parte e em
todos os níveis da organização.
Em ambientes como esses, as pessoas querem contribuir com suas ideias e as expressam
em qualquer local onde estejam reunidas, pois são motivadas a isso. Nas culturas criativas, esse
tipo de atitude contagia o ambiente, sendo iniciada em qualquer departamento da empresa, além
disso todos acabam acompanhando as mudanças e inovações com orgulho.

FIQUE ATENTO!
A cultura organizacional é a percepção compartilhada por todos a respeito de como
as coisas funcionam e como devem se comportar. Ela conta com indivíduos moti-
vados a expressar suas ideias.

– 107 –
CRIATIVIDADE

2 O ser humano enquanto gerador da criatividade nas


organizações
O ambiente organizacional pode facilitar a expressão criativa. Segundo Andriopolus (2001
apud Manenti, 2013), além da cultura organizacional, também o estilo de liderança e o clima orga-
nizacional (imagem que as pessoas têm sobre a organização) influenciam a criatividade.
O líder, como afirma Predebon (2010), tem um importante papel na criação de um ambiente
adequado à criatividade: abrir espaço para que seus liderados exerçam suas competências e faci-
litar o encorajamento mútuo para criar e atingir os objetivos.
Uma liderança criativa é construtiva, multiplicadora de criatividade e apresenta característi-
cas básicas como segurança (o líder conhece seu próprio valor, abre todo o espaço possível para
a equipe e não se sente ameaçado pelo sucesso do subordinado) e desapego (capacidade de
encorajar o outro e sentir uma alegria verdadeira pelo seu crescimento).
Para avaliar se o clima organizacional está propício à criatividade, Isaken (2001 apud Aranda,
2009) apresenta nove dimensões que devem ser observadas: desafio e envolvimento, liberdade,
confiança/abertura, tempo de ideia, jogo/humor, conflito, suporte de ideias, debate e tomada de
riscos, veja na quadro 1.

Quadro 1 – A criatividade no clima organizacional

Definições das dimensões do clima organizacional

Grau no qual as pessoas se envolvem diariamente em operações, metas a longo


Desafio e
prazo e visões. O clima é dinâmico, elétrico e inspirador. As pessoas encontram di-
envolvimento
versão no trabalho.

Independência do comportamento exercido pela pessoa na organização. Em um


clima com muita liberdade, as pessoas são dotadas de autonomia e recursos que
Liberdade
definem muito seu trabalho. Os indivíduos são fornecidos de oportunidades e têm
inciativa para adquirir parte das informações sobre seu trabalho.

Confiança/ Seguridade emocional nos relacionamentos. Quando existe um alto grau de confian-
abertura ça os indivíduos se abrem genuinamente e fracamente com os outros.

Tempo de valor que as pessoas podem utilizar para produzir novas ideias. Flexíveis
Tempo de Ideia
linhas de tempo permitem às pessoas explorar e desenvolver novas alternativas.

Jogos espontâneos e fáceis no local de trabalho. O profissional relaxado em uma


Jogo/Humor
atmosfera de trabalho com jogos e risadas é um indicador dessa dimensão.

Presença de tensões emocionais na organização. Quando o nível de conflito é alto,


Conflito grupos de pessoas não gostam umas das outras. O clima pode ser caracterizado
como “ambiente de guerra”.

– 108 –
CRIATIVIDADE

Definições das dimensões do clima organizacional

São tratadas novas ideias. Quando o clima organizacional favorece a criatividade, as


Suporte de
novas ideias são bem recebidas pelos superiores. Os superiores ouvem as iniciati-
Ideias
vas de cada uma das pessoas.

Discordância entre pontos de vista, ideias, experiência e conhecimentos. No debate


Debate organizacional algumas vozes são ouvidas e as pessoas estão desejosas de que
suas ideias sejam seguidas e revistas.

Tomada de Tolerância sobre incerteza e ambiguidade no local de trabalho. As pessoas no geral


risco permanecem no limbo ao seguir suas ideias.

Fonte: ISAKEN (2001 apud ARANDA, 2009, p. 44).

McShane e Von Glinow (2014) apresentam estes aspectos facilitadores da criatividade no


trabalho:

•• reconhecer que o erro faz parte do processo criativo;


•• favorecer a motivação ao mostrar a importância do trabalho;
•• conceder autonomia, liberdade de buscar novas ideias;
•• manter a comunicação aberta e oferecer recursos suficientes para o trabalho;
•• oferecer segurança e ambientes diferenciados.

SAIBA MAIS!
Para saber mais sobre o estímulo à geração de ideias no ambiente organizacional
e sobre as metodologias de gestão da criatividade e da inovação, leia “Gestão de
Ideias” de David, Carvalho e Penteado. Acesse: <http://repositorio.utfpr.edu.br:8080/
jspui/bitstream/1/2058/1/gestaoideias.pdf>.

3 A criatividade na resolução de problemas


e tomada de decisões
Para McShane e Von Glinow (2014), a criatividade nas organizações influencia na tomada de
decisões. Por meio dela é possível imaginar oportunidades e modos de utilizar o conhecimento
para ampliar os mercados, descobrir soluções e escolher alternativas. Criatividade gera vantagem
competitiva e é um importante recurso para o desenvolvimento da carreira.

– 109 –
CRIATIVIDADE

Segundo Siqueira (2015), muitas vezes o indivíduo apresenta sua ideia com entusiasmo,
mas ela é rapidamente descartada simplesmente porque apresentou algum indício de dificuldade
em sua implementação. Ideias devem ser examinadas e trabalhadas até que se tornem viáveis,
mesmo que seu resultado final se transforme em uma ideia diferente da original.

FIQUE ATENTO!
Descartar uma ideia sem realizar uma avaliação detalhada, pode inibir a expressão
criativa da equipe. Ideias devem ser analisadas e lapidadas para se transformar em
algo relevante.

Após a fase criativa (de geração de várias ideias), é o momento de classificar, comparar e
escolher a solução mais adequada. Siqueira (2015) apresenta uma metodologia eficaz de aná-
lise e soluções chamada Solução Criativa de Problemas (SCP). Esse método foi desenvolvido por
Osborn e Parnes e permite que indivíduos e organizações tornem-se mais criativos e inovadores.

Figura 2 – SCP (Solução Criativa de Problemas)

1 Estruturação
de oportunidades

2 Exploração
de dados Entendimento
do desafio

Formulação
3 do problema

Geração
4 de ideias
Produção
de ideias

5 Desenvolvimento
de soluções
Preparação
para a ação

6 Viabilização
da mudança

Ação

Fonte: Siqueira, 2015, p.161.

Esse método, como afirma Siqueira (2015), é constituído pelos três estágios a seguir.

– 110 –
CRIATIVIDADE

18. Entendimento do desafio: é preciso fazer as perguntas certas para poder selecionar um
objetivo, oportunidade ou problema. Em seguida, é o momento de reunir conhecimentos
e organizar informações sobre o assunto de acordo com a importância ou relevância.
19. Geração de ideias: esse momento é dividido em duas partes: a fase divergente e a fase
convergente. Na fase divergente, são geradas várias opções de resposta, há a ausência
de julgamento e procuram-se ideias para solucionar a questão considerando diferentes
pontos de vista. Na fase convergente, selecionam-se as melhores ideias e estratégias.
20. Preparação para a ação: examinar cuidadosamente as ideias promissoras e elaborar um
plano de ação, procurando o apoio necessário para implementar a solução com sucesso.

EXEMPLO
A empresa X.Y está com dificuldades em cumprir prazos e está recebendo várias re-
clamações de seus clientes. A direção da empresa ainda não sabe por onde começar
a resolver essa questão e marca uma reunião com a equipe, que procura responder
às perguntas: “Qual o setor que apresenta maior dificuldade com os prazos?”, “Por que
isso acontece?”, “O que pode ser feito para agilizar este processo?”. As perguntas aju-
dam a equipe a encontrar o problema e estabelecer objetivos. A partir daí, são geradas
ideias para solucionar a questão e as melhores são selecionadas e postas em prática.

4 A cRHiatividade
O setor de Recursos Humanos (RH), segundo Ulrich (et al, 2014), pode agregar valor a uma
organização ao concentrar seus esforços na capacitação e no desenvolvimento do talento humano,
com a finalidade de manter a competitividade e adaptar-se às mudanças no mercado de trabalho.
O conhecimento em si já não é mais a vantagem competitiva de uma organização, na verdade é o
que ela é capaz de criar.
Como afirma Alencar (2009), a criatividade nas empresas recebe especial atenção devido
ao fato de que a sobrevivência e a expansão dependem da diversificação de produtos, de saber
antecipar as demandas de mercado, de melhorar a qualidade dos produtos e serviços e de recrutar
e reter bons empregados.
A inovação, como apontado por Kassoy (1999), pode ser definida como a criatividade apli-
cada, o que pode ser feito também pelo setor de RH ao utilizar estrategicamente os elementos
criativos como forma de adaptação (criatividade adaptativa) ou como forma de inovação (criativi-
dade inovadora).
A criatividade adaptativa é utilizada quando a empresa necessita de várias pequenas ideias
para aplicar no dia a dia como forma de reduzir custos, aperfeiçoar produtos e processos e melho-
rar o atendimento – são exemplos as pequenas alterações, como alterar um texto ou diminuir
o excesso de scripts para os vendedores. Já a criatividade inovadora diz respeito às pessoas e
possibilita mudanças comportamentais que o momento exige – são exemplos o treinamento para
a criatividade, a seleção de indivíduos com perfil criativo e ações que promovem harmonia entre
objetivos pessoais e objetivos da empresa.

– 111 –
CRIATIVIDADE

Figura 3 – O RH e as estratégias criativas

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

FIQUE ATENTO!

O setor de RH pode contratar pessoas com perfil criativo e também promover trei-
namentos com objetivo de desenvolver a criatividade.

Kassoy (1999) apresenta algumas formas de estimular a inovação na empresa, como semi-
nários, monitorias, comunicação interna, reuniões periódicas, campanhas, laboratório de criativi-
dade e banco de ideias. Esses são alguns exemplos, mas cada empresa pode usar a sua própria
criatividade para encontrar outras formas de intervenção de acordo com as necessidades e carac-
terísticas organizacionais.

SAIBA MAIS!
Leia o artigo As 25 frases que bloqueiam a criatividade nas empresas, da Revista Me-
lhor RH, para isso, acesse: <http://www.revistamelhor.com.br/conheca-as-25-frases-
-que-bloqueiam-a-criatividade-nas-empresas/>.

Fechamento
Ao final desta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender a influência da cultura, do clima e das lideranças na criatividade;


•• identificar aspectos facilitadores de criatividade nas organizações;
•• aprender sobre o método de Solução Criativa de Problemas (SCP);
•• conhecer estratégias de RH voltadas à criatividade e inovação.

– 112 –
CRIATIVIDADE

Referências
ALENCAR, Eunice; FLEITH, Denise. Criatividade: múltiplas perspectivas. 3. ed. Brasília: UNB, 2009.

ARANDA, Mariela Haidée (2009). A importância da criatividade no processo de inovação. Porto


Alegre, 168 f. Dissertação de mestrado. Escola de Engenharia, Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção, UFRGS.Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/15689>. Acesso em:
20 mar. 2017.

BERG, Ernesto. As 25 frases que bloqueiam a criatividade nas empresas. Revista Melhor RH,
25 mar. 2015. Disponível em: <http://www.revistamelhor.com.br/conheca-as-25-frases-que-blo-
queiam-a-criatividade-nas-empresas/>. Acesso em: 14 maio 2017.

CHIAVENATO, Idalberto. Comportamento Organizacional: a dinâmica do sucesso das organiza-


ções. 2. ed. São Paulo: Elsevier-Campus, 2005.

DAVID, Denise Elizabeth Hey; CARVALHO, Hélio Gomes de; PENTEADO, Rosângela de Fátima
Stankowitz. Gestão de ideias. Curitiba: Aymará Educação, 2011. Disponível em: <http://repositorio.
utfpr.edu.br:8080/jspui/bitstream/1/2058/1/gestaoideias.pdf>. Acesso em: 16 maio 2017.

KASSOY, Gisela. Estímulo, desenvolvimento e resgate da criatividade na empresa. In: BOOGS, Gus-
tavo G. Manual de Treinamento e Desenvolvimento. 3. ed. ABTD – Associação Brasileira de Trei-
namento e Desenvolvimento. São Paulo: Makron Books, 1999.

KOTLER, Philip; BES, Fernando Trías de. A Bíblia da Inovação. São Paulo: Leya, 2011.

MANENTI, Diogo Zapparoli (2013). Antecedentes e consequências da criatividade organizacio-


nal. Coimbra: 186 f. Tese de doutorado. Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Dis-
ponível em: <http://hdl.handle.net/10316/24191>. Acesso em: 16 mar. 2017.

MCSHANE, Steven L.; VON GLINOW, Mary Ann. Comportamento Organizacional: conhecimento
emergente, realidade global. 6. ed. Porto Alegre: McGraw Hill, 2014.

PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ROBBINS, Stephen; JUDGE, Timothy A.; SOBRAL, Filipe. Comportamento Organizacional: teoria e
prática no contexto brasileiro. 14. ed. São Paulo: Pearson Education, 2010.

SIQUEIRA, Jairo. Criatividade Aplicada: habilidades e técnicas essenciais para a criatividade, ino-
vação e solução de problemas. Rio de janeiro: Jairo Siqueira/Clube dos Autores, 2015.

ULRICH, Dave et al. Competências globais do RH: agregando valor competitivo de fora para den-
tro. Porto Alegre: Bookman, 2014.

– 113 –
TEMA 16
A criatividade e os sistemas
de comunicação
Renata Mateus

Introdução
O mundo empresarial sofre constantes mudanças e, devido a isso, as organizações necessi-
tam utilizar a criatividade para se reinventarem constantemente. Assim, nesta aula veremos como a
comunicação ajuda nesse processo e o que pode ser feito para exercitar a atividade criativa.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• entender a relação entre a criatividade e os modos de comunicação corporativa através


de linguagens orais, corporais, expressivas etc.;
•• identificar os modos de exercício da atividade criativa em organizações.

1 A criatividade e a comunicação nas organizações


A comunicação permite que entremos em contato uns com os outros, que nos expressemos,
que possamos falar o que pensamos e compartilhar nossas opiniões e conhecimentos, o que é fun-
damental em uma organização. Dessa forma, uma empresa é vista como um espaço de convivência
entre pessoas, um local onde deve ocorrer constantemente interações comunicativas. Para que haja
um ambiente criativo, é necessário que essas interações ocorram e, quando isso não acontece, o sis-
tema de comunicação empresarial acaba sendo um dos fatores inibidores à criatividade. Marchiori
(2009) define as organizações como redes e, para que ela exista, é necessário que haja relaciona-
mentos, ou seja, a comunicação é primordial.
Scroferneker (2006) define a comunicação organizacional como uma forma de a empresa se
relaciona, ou melhor, se comunicar com seus diversos públicos, sejam eles internos ou externos. Hoje,
é fundamental que as empresas estejam inseridas em um ambiente inovador, o que também contem-
pla a comunicação, pois elas precisam ser rápidas, ágeis e flexíveis para sobreviver ao mercado atual.

EXEMPLO

A existência de canais de comunicação possibilita a democratização das informa-


ções, o que favorece a criatividade, pois, assim, os problemas são melhor avaliados,
discutidos entre os colaboradores, possibilitando encontrar melhores soluções.

– 114 –
CRIATIVIDADE

Quando há uma desorganização nas informações, ou centralização do conhecimento, ou


mesmo falhas na comunicação, ter o pensar criativo torna-se difícil, pois, como as áreas têm ape-
nas fragmentos de informações, não é possível avaliar o todo.

Figura 1 – Comunicação organizacional

Fonte: Panchenko Vladimir/Shutterstock.com

Além de uma boa comunicação verbal, é importante estar atento à comunicação não verbal.
Kohan (2013) afirma que na sociedade é fundamental o modo de se apresentar, as vestimentas, as
mímicas, os gestos, a postura do corpo, a expressão facial, os movimentos das mãos e do corpo,
entre várias outras formas de comunicação. Todos esses elementos ajudam na compreensão da
mensagem a ser transmitida e a criar um fluxo de informação, que facilitará a criação de um clima
de confiança, contribuindo para a manifestação de novas ideias.

FIQUE ATENTO!
A criatividade exige uma comunicação aberta e livre de julgamentos sem, no entan-
to, abrir mão da necessidade de obter resultados definitivos e mensuráveis. Assim,
a gestão deve priorizar o desenvolvimento de ideias, mantendo as possibilidades
abertas e evitando o fechamento prematuro.

Por fim, comunicação e criatividade são fatores que interferem diretamente no desempenho de
uma organização, e a comunicação torna-se de extrema importância para se ter uma cultura criativa.

2 Posturas éticas e criatividade


Nizo (2009) explica que, em meio a uma complexa vida organizacional, na qual temos de ser cada
vez mais ágeis e criativos, precisamos manter também a confiabilidade nos negócios, dando relevân-
cia à interdependência entre ética e criatividade como atitude individual e disciplina empresarial.

– 115 –
CRIATIVIDADE

Figura 2 – Comunicação e ética nas organizações

Fonte: Rei and Motion Studio/Shutterstock.com

A partir do momento em que as empresas possuírem a mesma tecnologia e o mesmo nível


de competência para a realização de algum produto ou serviço, apenas a criatividade será o dife-
rencial. Com isso, os colaboradores deverão aprender a construir e administrar de forma criativa e
inovadora, exercendo o novo e transformando ideias.

SAIBA MAIS!
Leia a entrevista com Lucas Foster sobre empreendedorismo, criatividade, respon-
sabilidade e ética. Acesse: <http://www.valor.com.br/cultura/blue-chip/4314332/
empreender-com-criatividade-responsabilidade-e-etica>.

Hoje, o conhecimento é o impulso para o desenvolvimento e a criatividade é uma caracte-


rística essencial para as equipes. No entanto, o grande desafio é reconhecer a linha tênue entre
criatividade e ética e, também, determinar os limites da empresa, dentro de um código de ética,
mostrando o que é permitido ou não. Para Ardito (2007, p. 06), precisamos nos questionar “até
onde devemos estimular a criatividade sem romper os limites da ética?” ou “até onde devemos
colocar a inteligência e a criatividade na busca da inovação e da vantagem competitiva das corpo-
rações sem romper as barreiras do certo ou errado, do moralmente correto e do eticamente justo?”

3 Resistência às mudanças
Atualmente, a mudança é necessária e fundamental para empresas e instituições em todo o
mundo. Porém, ao invés de tentarmos transformar nossos comportamentos, somos resistentes
a mudanças, a qualquer tipo de comportamento que tenha o objetivo de mudar a condição atual.
Nossa natureza tende a uma proteção, criando modelos de respostas prontas, tendendo a usá-las
em contextos semelhantes ou até mesmo iguais, não procurando novas possibilidades. Para Oli-
veira (2010), esse aspecto desafia as organizações a realizar as mudanças necessárias, muitas
vezes marcadas por uma resistência às novas ideias.

– 116 –
CRIATIVIDADE

EXEMPLO
Quando temos um problema com um cliente, nossa tendência é seguir normas e
padrões de procedimentos da empresa já preestabelecidos, o que nos impossibilita
de pensar e agir de modo diferente, trazendo novas soluções. Daí vem a famosa
resposta para a pergunta “Por que você está fazendo dessa forma?”: “Porque sem-
pre foi feito assim”.

Figura 3 – Resistência a mudança

Fonte: My Life Graphic/Shutterstock.com

Assim, a cultura criativa instituída em uma empresa melhora e flexibiliza as estratégias e


garante que a mudança não seja deixada de lado devido a resistências. Portanto, a gestão pre-
cisa ter um papel ativo nessa mudança, motivando suas equipes a percebê-la como algo bom e
positivo, uma oportunidade para aprimorar o modelo de negócio e permitir que a empresa adquira
vantagens competitivas.

FIQUE ATENTO!
O receio de mudanças impede a organização de visualizar oportunidades e for-
mular estratégias que permitam a adaptação a novas situações. Nesse sentido, a
criatividade ajuda a procurar alternativas e formular soluções que respondam ao
novo. Portanto, a predisposição para encontrar soluções e para a mudança, que é
positiva, implica também na existência de uma atitude criativa.

As empresas necessitam mudar para encarar o aumento da competitividade, se adequar às


novas leis, incluir novas tecnologias, ou atender as diferentes preferências dos consumidores. No
entanto, diversas empresas resistem às mudanças, mesmo entendendo que ela seja importante.
Kotter e Schlesinger (1979 apud LIMA; CARRIERI; PIMENTEL, 2007) apontam seis estratégias
para superar a resistência a mudanças:

– 117 –
CRIATIVIDADE

•• educação e comunicação;
•• participação e envolvimento;
•• facilitação e suporte;
•• negociação e acordo;
•• manipulação e cooperação;
•• coerção explícita e/ou implícita.

FIQUE ATENTO!

A aplicação de técnicas criativas ajudam na resolução de problemas e na gestão da


mudança, embasado na inovação para intensificar a competitividade.

Como visto, não basta apenas passar por treinamentos para desenvolver o potencial criativo,
é necessário que as empresas construam um ambiente que valorize e cultive a criatividade.

4 Como exercitar a atividade criativa


Como vimos anteriormente, no contexto atual, precisamos exercitar nossos poderes cria-
tivos. Como fazer isso? Como nosso cérebro funciona baseado em imagens, quando usamos a
imaginação, exercitamos a criatividade.

SAIBA MAIS!
Leia o livro “Os Segredos da Criatividade. Técnicas Para Desenvolver a Imaginação,
Evitar Bloqueios e Expressar Ideias”, de Silvia Adela Kohan, para descobrir algumas
técnicas para exercitar a criatividade.

Figura 4 – Exercitando a criatividade

Fonte: Sunny studio/Shutterstock.com

– 118 –
CRIATIVIDADE

Por meio de técnicas para auxiliar o aperfeiçoamento do potencial criativo, a criatividade deve
ser treinada com persistência. Para isso, é necessário enfrentar algumas situações para que o
processo criativo obtenha êxito ao final:

•• receptividade;
•• imersão;
•• dedicação e desprendimento;
•• imaginação e julgamento;
•• interrogação;
•• uso de erros;
•• submissão à obra de criação.

Por fim, é necessário se despojar de crenças e velhas ideias, dando lugar ao novo, vendo o
que ninguém mais vê, pensando no que mais nenhuma pessoa está pensando. Obter isso envolve
fazer novas combinações de ideias e pensamentos, descobrir novas formas de busca, enfim, des-
pertar o espírito de colaboração.

Fechamento
Chegamos ao final desta aula, que abordou sobre a relação de criatividade com o mundo
corporativo.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• entender a relação entre a criatividade e a comunicação organizacional;


•• identificar as práticas criativas nas organizações.

Referências
ARDITO, Roberto V. Criatividade e Ética: os limites corporativos na Gestão da Tecnologia e da
Inovação. Relampa 2007; 20(1): 4-6. Disponível em: <http://www.relampa.org.br/audiencia_pdf.
asp?aid2=64&nomeArquivo=editorial(3)-20-01.pdf>. Acesso em: 26 maio 2017.

KLINK, Angela. Empreender com criatividade, responsabilidade e ética. Valor Econômico. 13 nov.
2015. Disponível em: <http://www.valor.com.br/cultura/blue-chip/4314332/empreender-com-cria-
tividade-responsabilidade-e-etica>. Acesso em: 26 maio 2017.

KOHAN, Silvia Adela. Os segredos da criatividade: técnicas para desenvolver a imaginação, evitar
bloqueios e expressar ideias. Tradução Gabriel Perissé. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2013.

LIMA, Marcelo Simão; CARRIERI, Alexandre de Pádua; PIMENTEL, Thiago Duarte. Resistência
à mudança gerada pela implementação de sistemas de gestão integrada (ERP): um estudo de
caso. Revista Gestão e Planejamento, Salvador, v. 8, n. 1, p. 89-105, jan.-jun. 2007. Disponível em:
<file:///C:/Users/M%C3%A1rcia/Downloads/258-3233-1-PB.pdf>. Acesso em: 05 jun. 2017.

– 119 –
CRIATIVIDADE

MARCHIORI, Marlene. A Relação Comunicação-Organização, Uma Reflexão sobre seus Proces-


sos e Práticas. In: Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e de Relações
Públicas - Abrapcorp, 3, 2009, São Paulo, SP. Anais (on-line). São Paulo: Abrapcorp, 2009. Disponí-
vel em: <http://www.uel.br/grupo-estudo/gecorp/backup-03-10-2012/publicacoes/[TRAB-CONG]
ABRAPCORP_2009_MARCHIORI_artigo_organizacao_e_comunicacao_final_01.pdf>. Acesso em:
05 jun. 2017.

SCROFERNEKER, Cleusa Maria Andrade. Trajetórias teórico-conceituais da Comunicação Organi-


zacional. Revista Famecos, Porto Alegre, n. 31, p.47-52, dez. 2006. Quadrimestral. Disponível em:
<http://revistas.univerciencia.org/index.php/famecos/article/viewFile/1110/832>. Acesso em: 05
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NIZO, Renata Di. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.

OLIVEIRA, Zélia Maria Freire de. Fatores influentes no desenvolvimento do potencial criativo. Estu-
dos de Psicologia I, Campinas I 27(1) I 83-92 I janeiro – março, 2010.

– 120 –
TEMA 17
A criatividade orienta o pensar e o
expressar de forma relacional:
ideal organizacional
Renata Mateus

Introdução
Somos seres inteligentes, com a capacidade de pensar, questionar e argumentar, mas também
precisamos estar entre as pessoas, conversando e interagindo. Por isso, o trabalho em grupo é de
extrema importância para o desenvolvimento criativo.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• compreender a importância da criatividade na geração de grupos de trabalho;


•• entender as relações entre o pensamento e a expressão criativa nos vínculos do grupo
que redefine o ideal de trabalho nas organizações.

1 Teoria de grupos criativos: coesão, status


e conformidade às normas sociais
Todo grupo inicia com um objetivo em comum, o qual nos atrai fazendo com que desejemos
pertencer a tal grupo. No entanto, é fundamental que haja coesão nesse grupo, para se obter
bons resultados.
Aqui, vamos entender coesão como todas as forças que atuam sobre os membros de um
grupo para que, assim, permaneçam nele, ou seja, é o que liga todos individualmente num todo
unificado, partilhando de uma identidade e atração mútua e tendo a oportunidade de participa-
rem das decisões. Portanto, a cooperação e a homogeneidade de atitudes conduzirão à atração
interpessoal e à coesão, fatores que irão permitir que as pessoas permaneçam juntas, confiem e
sejam leais entre si, sintam-se seguras e se deixem influenciar pelo grupo. Dessa forma, quando
um grupo se coloca diante de um problema concreto que requer produção de respostas genuínas,
ou seja, é um fato comum às pessoas, as quais são, cada vez mais, forçadas pelo mercado de
trabalho a serem criativas em grupo.
Para Masi (2003, p. 594), na sociedade atual, a criatividade de grupo vem se sobrepondo à
criatividade individual, diminuindo o trabalho físico, repetitivo, chato e cansativo e aumentando as
atividades de tipo intelectual e criativo. O autor define grupo criativo como “um sistema coletivo em
que operam sinergicamente personalidades imaginativas concretas, cada uma contribuindo com
o melhor de si, num clima entusiástico, graças a um líder carismático e a missão compartilhada”.

– 121 –
CRIATIVIDADE

Figura 1 – Grupo criativo

Fonte: Pressmaster/Shutterstock.com

Masi (2003) diz, ainda, que os meios culturais favorecem a criatividade, propiciando a uma
mente criativa oportunidades criativas, mas, para que isso ocorra, é necessário que nós estejamos
expostos e abertos aos diferentes estímulos culturais, sejam eles contrários ou semelhantes, para
absorvê-los.

FIQUE ATENTO!
O contexto social também ajuda no estímulo à criatividade, proporcionando uma
visão transformadora, sem discriminações, com tolerância e aceitando opiniões
divergentes.

Masi (2003) explica que o grupo criativo é variado, sendo composto de personalidades ima-
ginativas e pessoas concretas, e que ele se torna criativo quando são discutidos os critérios para
selecionar os membros e líderes, a localização do poder e os métodos de administração. O autor
ainda identifica algumas características constantes em uma equipe criativa, veja a seguir.

•• Individualmente: o foco.
•• Membros do grupo: forte motivação à atividade criativa e realizadora; habilidades ele-
vadas por um forte compartilhamento emotivo, diversidade de interesses e experiên-
cias, miscigenação de experiências, no nível do grupo.
•• Grupo no seu conjunto: aspecto emergente - preeminência de um líder-fundador capaz
de uma dedicação quase heroica ao objetivo; convivência pacífica dos membros; equilí-
brio de natureza afetiva e profissional; capacidade interdisciplinar; complementaridade
e afinidade cultural.

– 122 –
CRIATIVIDADE

SAIBA MAIS!

Para aprofundar o assunto, leia o livro “Criatividade e grupos criativos (vol.2): Fantasia
e concretude”, de Domenico De Masi.

Por fim, o autor reforça que a carência pode tornar-se estímulo à criação para os indivíduos
criativos, pois eles possuem uma forte capacidade de adaptação, valorizam recursos, mesmo que
mínimos, e conseguem produzir sob estresse. Em oposição a essas situações estimulantes no
estresse, temos a contrapartida no ócio, que permite o afastamento dos problemas e propicia que
as ideias acumuladas no inconsciente passem para o consciente.

2 A criatividade e os vínculos grupais


O pensamento criativo do indivíduo, com suas operações cognitivas e conhecimentos arma-
zenados, irá estabelecer novas conexões entre ideias. Como atuamos em rede, nossos pensa-
mentos também serão estimulados e influenciados por outros contextos sociais e trabalhos em
grupos, nos quais as ideias são construídas a partir da expressão e comunicação do pensamento
do outro. Isso ocorre por meio de um processo criativo que estimulará o pensamento criativo e
facilitará a comunicação e a interação entre as pessoas.
As interações que ocorrem em um trabalho em grupo contribuem para a estruturação e rees-
truturação do problema inicial, permitindo a exposição de diferentes pontos de vista e o esclareci-
mento de questões indefinidas.

Figura 2 – Vínculos grupais

Fonte: Solis Images/Shutterstock.com

– 123 –
CRIATIVIDADE

Na sociedade atual, a valorização da atividade criativa é inevitável, já que os trabalhadores


estão cada vez mais aculturados, o maquinário pode desenvolver quase todas as funções repetiti-
vas e executivas e o mercado exige cada vez mais bens e serviços novos e customizados.
O trabalho conjunto de pessoas que se complementam é uma das alternativas que são usa-
das como incentivo no ambiente empresarial, compondo, dessa forma, um grupo criativo com
diversos perfis, que poderá produzir resultados potencialmente mais amplos.

EXEMPLO
Observe que um grupo criativo pode ser composto por diversas pessoas, como um
humorista, um filósofo, um matemático e um psicólogo, por exemplo. Todos eles jun-
tos formam esse grupo, mesmo que um deles não tenha o perfil criativo, será consi-
derado como peça fundamental para o equilíbrio do conjunto. Por fim, a comunicação
ajuda na busca de um modelo de identidade grupal, construindo os vínculos.

Dessa maneira, ao falar sobre criatividade, faz-se necessário o elo, pois ele relacionará a opor-
tunidade de refletir, propor, interpretar e avaliar criteriosamente as ideias e seus possíveis fatos em
relação à relevância e à capacidade de desenvolver o senso crítico e a busca do conhecimento no
dia a dia, gerando e mantendo os vínculos.

3 O grupo e o poder criador


O verdadeiro poder criador envolve a capacidade do grupo em lidar com incertezas, com-
plexidades e perspectivas que, muitas vezes, são conflitantes. Para isso, os integrantes do grupo
precisam manter a mente aberta e devem conectar-se para gerar um ambiente de relação no qual
ideias e performances boas possam aparecer.
Quando falamos de grupos criativos, é importante estarmos atentos às questões que estão
no entorno, como incentivar e não bloquear a criatividade dos membros e dos grupos por meio de
uma organização que estimule essa criatividade.

EXEMPLO
Existem diversos bloqueios à criatividade que podem inibir as pessoas de participa-
rem ou criarem grupos criativos. Bloqueios como julgamento de ideias, ambiente
hierárquico tradicionalista e estresse, inibem as pessoas de darem ideias e aceitarem
novas propostas.

Existem diversas técnicas para desenvolver a criatividade, mas ela também tem muitos pres-
supostos, veja:

•• exista um só tipo de criatividade;


•• que todo o trabalhador é criativo por constituição;

– 124 –
CRIATIVIDADE

•• que os trabalhadores individuais estão desprovidos de ideias em consequência de blo-


queios psicológicos;
•• de que sejam necessárias intervenções de formação capazes de derrubar essas bar-
reiras psicológicas.

Figura 3 – O poder criador

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

FIQUE ATENTO!
Veja que a prática em grupo demanda uma complexa rede de relacionamentos in-
tergrupais e numa variedade de ideias. Por essa razão, inserir o brincar no currículo
provoca o desenvolvimento físico, intelectual, criativo, social e a linguagem.

O desenvolvimento da interação social envolve comportamentos manifestos e não mani-


festos. Esses comportamentos podem ser reações mentais ou físicas, como rejeição, apoio,
pensamentos, sentimentos, ou até mesmo uma aproximação ou afastamento na relação entre as
pessoas com o objetivo de dar relevância a percepções e distorções das ideias com o processo
de socialização.

SAIBA MAIS!
Para saber mais sobre o assunto, leia o livro “O poder criador da mente: princípios e
processos do pensamento criador e do ‘Brainstorming’”, de Alex F. Osborn, trata em
alguns capítulos sobre a colaboração criadora por equipes, colaboração criadora
por grupos e explicação da fluência do grupo.

Esse processo em que há interação e ao mesmo tempo restrição em consequência dos obs-
táculos do dia a dia, provoca a necessidade de uma comunicação interpessoal contínua, conser-
vando o intenso conjunto relacional.

– 125 –
CRIATIVIDADE

4 Ao viver criativamente, se descobre o autêntico


ideal de trabalho
Na sociedade atual, a necessidade de qualificação profissional e acadêmica aumentou, tor-
nando o papel da criatividade essencial e de maior importância, tanto para os indivíduos quanto
para as próprias organizações e até mesmo para o país.
Alencar (2002) destaca que a criatividade é uma aptidão indispensável, essencial para lidar
com as adversidades do dia a dia, proporcionando um bem-estar emocional e consequentemente
uma melhor qualidade de vida. Além disso, ela se tornou fundamental ao mercado de trabalho,
fazendo com que os colaboradores que chegam ao mercado hoje estejam focados em colaborar
e abertos à diversidade.

Figura 4 – Ideal de trabalho

Fonte: Roman Samborskyi/Shutterstock.com

FIQUE ATENTO!
As características dos indivíduos, como a personalidade e as habilidades cognitivas
aliados ao ambiente onde está inserido, e aqui inclui-se o ambiente empresarial, atu-
am reciprocamente, numa interação dinâmica lúdica, tornando a pessoa criativa.

As rotinas do trabalho que usam um sistema de recompensa e punição, o que não facilita o
processo de criatividade, e que acabam rejeitando uma nova visão do mundo, precisam se aten-
tar à necessidade da manifestação criativa. Para que as pessoas expressem a sua criatividade, é
necessário que elas possuam o motivo, os meios e a oportunidade.
Há pouco tempo a separação entre trabalho, ócio e jogo era marcante, porém hoje diversas
profissões possuem conotações lúdicas, que desenvolvem o ócio e o jogo, e tornam o trabalho
produtivo, leve, participativo e harmonioso. Masi (2003) coloca que o trabalho não caracteriza
nossa vida e nossa coletividade, mas é caracterizado pela valorização do tempo livre, do jogo
para produzir riqueza e conhecimento. Assim, pode-se dizer que o trabalho entrou na vida e a vida
entrou no trabalho.

– 126 –
CRIATIVIDADE

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• entender que a criatividade é importante para os grupos de trabalho, mantendo-os


coesos;
•• compreender a força criativa gerada pelos vínculos dos grupos;
•• entender o que é o autêntico ideal de trabalho em relação à criatividade.

Referências
ALENCAR, Eunice Maria Lima Soriano de. O contexto educacional e sua influência na criatividade.
Linhas Críticas. Linhas críticas, Brasília, v.8, n.15, jul/dez 2002.

MASI, Domenico de. Criatividade e grupos criativos (vol.2) - Fantasia e concretude. Rio de Janeiro:
Sextante, 2003.

– 127 –
TEMA 18
Sobre o trabalho criador que inova
Renata Mateus

Introdução
Vivemos em um mundo envolvido em rotinas, sejam elas de trabalho ou de nossa própria
vida pessoal. Esse cotidiano nos apresenta um desafio de olhar com outros olhos, um olhar inova-
dor, diferente do que já vivemos, para que possamos sobrevier.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• conhecer as diferenças entre o trabalho criador e o escravizador;


•• identificar saídas para os dilemas do trabalho.

1 Erga versus douleia (trabalho que escraviza)


Antigamente, existiam dois conceitos de trabalho muito importantes para o povo grego: a erga
e a douleia. Enquanto a primeira estava ligada ao ócio criador, isso é, indicava qualquer trabalho que
estava voltado à criação e não à necessidade de sobrevivência, a segunda estava relacionada ao
trabalho voltado à sobrevivência. A douleia, então, pode ser entendida como todo trabalho que os
indivíduos fazem para prover seu sustento, incluindo tarefas diárias e indispensáveis. (SALIS, 2004)

EXEMPLO

Trabalhos como cuidados com a saúde, higiene e alimentação também eram tra-
tados como douleia.

Arendt (2004) mostra que, para os gregos, a natureza da atividade era secundária em relação
à liberdade de seu exercício. Servidão, ou douleia, era a ausência de liberdade por uma “sujeição à
necessidade”:

um homem livre e pobre preferia a insegurança de um mercado de trabalho que mudasse


diariamente a um trabalho regular e garantido; este último, por lhe restringir a liberdade
de fazer o que desejar a cada dia, já era considerado servidão (douléia), e até mesmo o
trabalho árduo e penoso era preferível à vida tranquila de que gozavam muitos escravos
domésticos.. (ARENDT, 2004, p. 41)

– 128 –
CRIATIVIDADE

Já a erga, conhecida pelos trabalhos voltados à criação, desenvolvimento de talentos, refle-


xão, conhecimento e realização de projetos pessoais, era considerada o trabalho que procurava
tornar melhor o indivíduo e também a busca da excelência por meio do desenvolvimento das habi-
lidades de cada um. Os gregos reconheciam que na erga, o tempo era um aliado, pois os talentos
não poderiam ser desenvolvidos com pressa, já que se buscava a perfeição. Esse tempo, investi-
gando os talentos e capacidades, era chamado de “ócio criador”, um tempo respeitado e ampla-
mente praticado pelos cidadãos.

Figura 1 – Erga = busca por habilidades

Fonte: Ollyy/Shutterstock.com

Aqui, segundo Salis (2004), percebemos a importância do ócio, uma vez que suas funções
estavam voltadas para a descoberta, a libertação, o uso dos talentos e as possibilidades de cada um.

FIQUE ATENTO!
O ócio criador também passou a ter grande valor na douleia, pois permitia que o
indivíduo transformasse sua rotina num desafio para a criatividade e a inovação. As
tarefas do dia a dia eram transformadas em novas possibilidades.

As descobertas ocasionadas pelo trabalho denominado erga podiam e deviam apoiar a dou-
leia, transformando as atividades cotidianas em desafios à criatividade. Através desses dois con-
ceitos, os gregos acreditavam que todos podíamos alcançar o equilíbrio da subsistência usando
seu tempo criador também no dia a dia.

– 129 –
CRIATIVIDADE

2 Sobre o desafio de se transformar


o cotidiano e a rotina do trabalho
Hoje, o trabalhador está envolvido em uma rotina de trabalho tão intensa, que pode até per-
miti-lo ter grandes ideias, mas o impossibilita de colocá-las em prática. Quebrar a rotina é um dos
principais problemas a ser enfrentado por esse indivíduo, fazendo com que fique desestimulado
e acabe acomodando-se. Com isso, as pendências acabam acumulando-se e a insatisfação tam-
bém, no entanto, não há esforço suficiente para mudar a situação.

SAIBA MAIS!
O livro “Um chute na rotina - Os Quatro Papéis Essenciais no Processo Criativo”, de
Roger Von Oech, fala sobre o processo criativo, como ocorre a geração de ideias,
como aplicá-las, o sucesso que isso traz, além de mostrar uma série de estratégias
práticas para fazer a criatividade fazer parte da rotina.

Nizo (2009) mostra que ser criativo exige esforço, mas proporciona prazeres infindáveis. Para
que isso ocorra, é necessário que o indivíduo se abra para o mundo e o explore, deixando a moro-
sidade de lado. Essa é a grande dificuldade de muitas pessoas, ou seja, ousar, ser diferente, trans-
gredir as obviedades. Na rotina de fazer e olhar as coisas da mesma forma e ao mesmo tempo, as
equipes não são encorajadas a desenvolver o potencial gerador de ideias.

FIQUE ATENTO!

De maneira tímida, os gestores e líderes começam a perceber que cabe a eles a


atitude inovadora que sirva de exemplo às equipes.

Figura 2 – Rotinas de trabalho

Fonte: Phovoir/Shutterstock.com

– 130 –
CRIATIVIDADE

Assim, faz-se necessário estimular a expressão criativa e incentivar um clima participativo,


que seja aberto a novas e melhores ideias, desmistificando que a criatividade é apenas para as
mentes brilhantes, uma vez que todos podem e devem pensar criativamente (NIZO, 2009).
No dicionário, encontramos a definição da palavra “rotina” como o caminho já explorado,
conhecido, em geral trilhado automaticamente; já o termo “criatividade” vem em lado contrário,
pois propõe desviar e descobrir novos caminhos, andar no mundo das possibilidades e da imagi-
nação (HOLANDA, 2010). Assim, com ao passar do tempo, os antigos padrões de comportamento
voltam a ter influência, pois, como estão acomodados à rotina, são mais confortáveis do que um
novo comportamento.
Para Masi (2000), o futuro trará oportunidades àqueles que souberem libertar-se do tradicio-
nal e do trabalho como dever ou obrigação, apostando na mistura de atividades, onde o trabalho e
o tempo livre, ou o estudo e o jogo, se confundem, como no ócio criativo.

3 O ócio criador
Atualmente, grande parte das pessoas adultas dedicam-se ao trabalho, mas, segundo Masi
(2000), estamos caminhando para uma sociedade em que grande parte do tempo será dedicado
a outras atividades. Para o autor, tanto no trabalho quanto em outras atividades, fazemos mais
coisas com o cérebro que manuais, e dentre as atividades cerebrais as mais apreciadas e valoriza-
das no mercado de trabalho, hoje, são as atividades criativas, que estão atreladas ao ócio criativo.
No entanto, em alguns momentos, podemos atribuir à palavra “ócio” uma conotação negativa,
mas, na verdade, se formos buscar seu sentido original, ele é positivo. Na Antiguidade, Masi (2000)
mostra que os gregos consideravam aqueles que exerciam o trabalho físico como escravos; já
aqueles que realizavam as atividades não físicas, como política, estudo, poesia e filosofia, eram
considerados cidadãos e estavam aptos para os trabalhos “ociosos”. Como podemos observar, a
palavra ócio em sua origem estava ligada às atividades “mentais”, que proporcionavam o pensar,
tinha uma conotação positiva.
Hoje, dedicar-se ao pensar diferente, a criar novas coisas, tornou-se essencial em qualquer
atividade. Nesse sentido, Masi (2000) afirma que devemos nos dedicar às nossas potencialidades
durante o tempo livre, ou ocioso, pois é nele que passamos a maior parte do dia.

SAIBA MAIS!
Quer saber mais sobre o ócio criativo, leia: “O ócio criativo” de Domenico de Masi.
Acesse: <https://wbrasiljr.files.wordpress.com/2012/08/o-c3b3cio-criativo-domenico-
de-masi.pdf>.

Para Masi (2000), na era Pós-industrial, ainda sofremos com a herança da era Industrial, em
que trabalhávamos mais com mãos, isto é, fisicamente. Com o avanço da tecnologia, muitos per-
deram seus postos de trabalho para as máquinas. Alguns podem considerar esse fato ruim por
vários fatores, como, por exemplo, a perda de postos de trabalho, mas junto com a tecnologia
veio uma série de oportunidades, proporcionando aos indivíduos evoluírem em análises, desenvol-

– 131 –
CRIATIVIDADE

verem novos produtos e automatizarem processos, possibilitando tempo para outras atividades
analíticas. Porém, por mais sofisticadas e inteligentes que sejam as máquinas, jamais substituirão
o homem nas atividades criativas, pois essas exigem o pensar fora do processo e de uma forma
diferente do que está sendo feito. Assim, na busca por trabalho, tem mais oportunidade quem
oferece serviços do tipo intelectual, cientifico ou artístico.

EXEMPLO
Trabalhamos oito horas por dia, dormimos outras oito e em outras oito nos diver-
timos, instruímos e tratamos do nosso corpo. Ao longo do ano, apenas um mês é
dedicado ao ócio. Apesar disso, achamos essa rotina, que nos condiciona e nos
impede de imaginar um outro estilo de vida, natural.

Figura 3 – O ócio criador

Fonte: Andrey_Popov/Shutterstock.com

Masi (2000) afirma que a sociedade baseada no ócio proporciona um ambiente melhor até
para aqueles que trabalham, pois torna-se mais agradável trabalhar com pessoas descansadas e
que se divertem.

4 Paideia como a arte de formar indivíduos


criadores e com coragem de Ser
Segundo Oliveira (2006), a palavra grega paideia é derivada de paidos (criança), e significa
“criação dos meninos”. Porém, essa palavra não se limita apenas a ideia de educação, pois significa
também cultura, instrução e toda a formação do homem, representando uma educação integral.

– 132 –
CRIATIVIDADE

Figura 4 – Formação criativa

Fonte: Poznyakov/Shutterstock.com

Oliveira (2006) mostra que esse conceito assumiu com Platão o sentido do ideal educativo,
relacionando-o com a formação do homem como cidadão para vida, valorizando o movimento.
Entre os gregos, era muito prestigiada a capacidade criativa das crianças na criação dos jogos.
Eles consideravam que a brincadeira era fundamental à educação, inclusive mais do que o próprio
brinquedo. Dessa forma, considerava-se mais a capacidade de ironizar, inventar e disfarçar, ou
seja, o principal recurso educativo era baseado na expressividade e na criatividade.

FIQUE ATENTO!
Há também um fator mais importante que o próprio conceito de paideia e que deve
ser considerado como fundamento de reflexão do ser: o de trabalho, que, conjuga-
do à paideia, proporcionou uma diminuição do conceito original, pois focou-se na
questão de propriedade e técnica.

Por fim, essa metodologia colabora no desenvolvimento da capacidade de lidar com confli-
tos, tomar decisões e determinar compromissos, ampliando as possibilidades de ações dos indi-
víduos sobre todas essas relações.

– 133 –
CRIATIVIDADE

Fechamento
Chegamos ao final desta aula, que abordou sobre a relação de criatividade com o mundo
corporativo.

Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender a importância da criatividade na geração de grupos de trabalho através


do conhecimento da diferença entre Erga e Douleia.
•• entender as relações entre o pensamento e a expressão criativa através do desafio de
se transformar o cotidiano e a rotina do trabalho, aproveitando o ócio criador;
•• entender a redefinição do ideal de trabalho nas organizações.

Referências
ARENDT, Hannah. A condição humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

HOLANDA, Aurelio Buarque. Míni Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 8. ed. Curitiba: Posi-
tivo, 2010.

MASI, Domenico de. O ócio criativo. 3. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. Disponível em: <https://
wbrasiljr.files.wordpress.com/2012/08/o-c3b3cio-criativo-domenico-de-masi.pdf>. Acesso em: 08
jun. 2017.

OLIVEIRA, Mária Lúcia. Escola não é lugar de brincar? In: Humor e alegria na educação. (Valéria
Amorim Arantes, Org.). São Paulo: Summus, 2006.

SALIS, Viktor. D. Ócio Criador, Trabalho e Saúde. São Paulo: Claridade, 2004.

– 134 –
TEMA 19
Capacidade de trabalhar criativamente e
a liderança
Renata Mateus

Introdução
A relação entre criatividade e trabalho é de extrema importância para as organizações. No
entanto, ela também deve fazer parte do pensamento dos gestores da empresa. Proporcionar às
equipes um ambiente estimulador, ajuda com que eles se sintam bem.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• compreender a relação entre liderança e criatividade no trabalho;


•• entender a importância da qualidade de vida no trabalho, o papel do líder e as metas
dos colaboradores.

1 Liderar é criar formas novas de trabalhar


Todos nós podemos e devemos pensar criativamente e é aí que entra o papel do líder, que é o de
estimular e incentivar a ação criativa e o clima participativo, além de estar aberto a novas e melhores
ideias. Uma gestão capaz de promover uma liderança voltada à criatividade, como um suporte para
a inovação, assume a direção do futuro dentro de uma cultura criativa.

FIQUE ATENTO!
A criatividade nas organizações deve ser pensada tanto na dimensão pessoal quan-
to empresarial. Deve-se considerar o desbloqueio dos Modelos Mentais, que são
suposições e visões do mundo já internalizadas em nós, e que influenciam nossos
comportamento e decisões.

Segundo Mottin (2004), liderar é ir a frente, é ser um realizador, um facilitador, assumindo


para si a missão de levar adiante as ideias criativas de seu grupo. E aqui falamos de conhecer
novas formas de utilização de um produto, mas principalmente a integração de conceitos e pro-
cessos e a conexão entre ideias.

SAIBA MAIS!

Leia o livro “Criatividade: passo a passo”, de Ernani José Mottin, sobre a relação de
liderança e criatividade.

– 135 –
CRIATIVIDADE

Nos dias de hoje, com o volume de acontecimentos e constantes transformações, o líder


deve agir como agente de integração, motivação e energia de realização, sendo proativo e tendo
autonomia, sabendo utilizar sua inteligência emocional, racional e intuitiva, para agirem como
transformadores em um ambiente que exige cooperação e fraternidade. Nesse sentido o carisma
se torna imprescindível ao líder.
Já a falta de criatividade pode propiciar consequências àquelas empresas que ainda se ape-
gam a antigos hábitos e que perdem a oportunidade de mudar. Por isso, é imprescindível liderar de
forma que a criatividade, a autonomia e o pensamento estratégico estejam presentes. É ela que
permite a criação de novos produtos ou serviços e auxilia na geração de empregos, pois contribui
socialmente nesse mundo de transformações, onde as empresas buscam não somente a sobrevi-
vência, mas também a expansão.

Figura 1 – Gestão criativa

Fonte: ESB Professional/Shutterstock.com

Observe que o líder tem papel fundamental para estimular o ambiente à criatividade e ele
pode fazer isso de várias maneiras.

EXEMPLO
O estímulo à criatividade pode ser feito pelo líder através de uma comunicação clara
dos objetivos organizacionais, ou mediando conflitos, ou promovendo a abertura ao
diálogo e a aceitação às diversidades, ou incentivando o comprometimento e o envol-
vimento pleno de todos da equipe.

O líder deve estar disposto a aprender e a ensinar, ou seja, a contribuir para que a sua equipe
esteja motivada e capacitada, encontrado novas formas de alavancar os resultados através do
trabalho em equipe e do direcionamento das tarefas. Por isso, a criatividade é fundamental no
ambiente de trabalho e a liderança deverá ser favorável à criação, pois em ambientes excessiva-
mente sem flexibilidade, os colaboradores não se sentirão motivados a defender novas ideias.

– 136 –
CRIATIVIDADE

Carnegie (2012) explica que o líder deve aprender a ser um mentor, um orientador, além de
dedicar-se a ajudar seus funcionários fazendo com que eles realizem o que eles têm de melhor, a
desenvolverem os próprios talentos e encorajá-los a usarem a própria iniciativa e discernimento.
Por fim, como colocado por Perry (s/d apud MAXWELL, 2012, p.24): “liderança é acolher as pes-
soas onde elas estão para levá-las para algum lugar”. Isso é, o líder tem o papel de influenciar os
colaboradores a alcançar os objetivos propostos pela empresa, desenvolvendo as competências
de sua equipe na busca por melhores resultados.

2 A criatividade como filosofia de qualidade de vida


no trabalho: meta do líder

As gestões das organizações veem percebendo que seus funcionários merecem e querem
viver melhor. Por isso, cada vez mais temos investimento em iniciativas para melhorar a qualidade
de vida tanto dos colaboradores quanto dos familiares. Investir no capital humano da empresa
possibilita resultados extremamente positivos no desempenho das atividades e consequente-
mente no progresso da empresa.
O desempenho do funcionário está diretamente ligado à qualidade de vida na empresa, pois
quando ele está satisfeito e motivado com os processos de trabalho escolhidos, conquista rapida-
mente a alta produtividade. Assim, é necessário satisfazer não só as necessidades básicas, como
alimentação ou segurança, considerada a saúde física, mas também as necessidades de saúde
mental, como sentimentos e emoções, que também fazem parte das organizações.

FIQUE ATENTO!
Chiavenato (2010) mostra que a qualidade de vida no trabalho está diretamente
ligada à motivação, responsável por interferir nas atitudes e comportamento das
pessoas, o que acaba impactando na produtividade individual e na do grupo, conse-
quentemente, a criatividade é a vontade de inovar ou aceitar mudanças.

A qualidade de vida no ambiente organizacional envolve desde as questões de saúde dos


colaboradores, até questões como estilo de vida e clima organizacional.

EXEMPLO
A qualidade de vida nas organizações envolve a preocupação com a alimentação dos
colaboradores; as questões de saúde, como preocupação com postura; auxílio psico-
lógico em situações de perda e depressão; atenção às causas financeiras; e também
com a quebra da rotina como forma de diminuir o stress.

Dessa forma, surgem programas que visam a proporcionar benefícios tanto na vida profissional
quanto pessoal, melhorando a motivação, a criatividade e a produtividade das equipes de trabalho.

– 137 –
CRIATIVIDADE

Figura 2 – Qualidade de vida no trabalho

Fonte: Sudowoodo/Shutterstock.com

Ao mesmo tempo, a criatividade proporciona benefícios às equipes de trabalho, aumentando


a satisfação com o trabalho e o rendimento do funcionário, proporcionando um ambiente mais leve,
com capacidade para superar situações avessas, atingindo os objetivos e melhorando, assim, a qua-
lidade de vida. Com criatividade, atinge-se os objetivos dentro de prazos estabelecidos, reduzindo a
pressão e a sobrecarga de demandas que os colaboradores percebem, além de sair da monotonia.
A criatividade nos permite viver melhor, perceber os acontecimentos de maneira diferente e
buscar soluções para os problemas, sejam eles pessoais ou profissionais. Dessa forma, a prática
da criatividade permite que se elimine mentalmente os processos diários e busque-se fazer coisas
novas para obter respostas, eleve-se a produção, abaixando os custos, e por fim aumente-se a
satisfação do cliente e a autoestima do colaborador. Mas, para que isso ocorra, é necessário inves-
timento em programas orientados a resultados e não somente à geração de ideias. É nesse ponto
que entra o papel do líder, como agente facilitador desse processo criativo.

Figura 3 – Criatividade e bem-estar

Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock.com

– 138 –
CRIATIVIDADE

Por fim, Csikszentmihalyi (1996 apud JESUS, 2014) relata que, para a maioria das pessoas, a
felicidade vem de momentos de criação e do processo de descoberta, fazendo com que a prática
criativa melhore significativamente o bem-estar dos indivíduos.

3 A felicidade: aonde o líder quer chegar


com seus colaboradores
Mottin (2004), ao explicar o amor ao trabalho, relata que, quando amamos o que fazemos,
não devemos ser administrados pela força ou medo. Devemos construir sistemas que simplifi-
quem e ajudem a criatividade, ao invés de nos preocuparmos com comprovações e controles
sobre as pessoas. Para o autor, as pessoas buscam tanto qualidade quanto amor no trabalho.

FIQUE ATENTO!
Nem sempre há um ambiente propício para a criatividade nas organizações, mas
há uma abertura por parte das pessoas para tornar as empresas mais favoráveis
a ela.

Para muitos, o trabalho é algo penoso e necessário apenas para assegurar o sustento e sobre-
vivência, o que acarreta às empresas consequências como a alta rotatividade, a baixa produção,
os erros e os desperdícios crônicos. Já outras pessoas encaram o trabalho como fonte de felici-
dade e de oportunidades para se viver uma vida equilibrada e plena de significado. Nesse caso, a
organização é recompensada pelo entusiasmo de seus funcionários, bem como contribuições à
inovação e ao crescimento dos negócios.

Figura 4 – Criatividade e felicidade no trabalho

Fonte: Jacob Lund/Shutterstock.com

– 139 –
CRIATIVIDADE

Hoje, vivemos um tempo marcado pela urgência criativa nas organizações, no entanto, por
outro lado, há uma busca intensa do indivíduo por experienciar a felicidade. Csikszentmihalyi (1995
apud SILVA, 2002) mostra que ser humano significa ser criativo e é uma via para a felicidade. Para
o autor, no momento da criação, sentimos a vida com sentido. Ele defende ainda a ideia de que a
felicidade de um dia prevê a criatividade do dia seguinte. Isto é, quando estamos felizes tendemos
a ser mais criativos, facilitando a busca de soluções e o alcance de nossos objetivos, nos encami-
nhando a um maior sucesso e a um estado de felicidade, que, dentro de um ciclo, estimulará ainda
mais a criatividade.

SAIBA MAIS!
Csikszentmihalyi é um dos principais autores da área e possui diversos livros que
relatam a relação entre criatividade e felicidade, entre eles estão: A psicologia da
felicidade, A descoberta do fluxo: a psicologia do envolvimento com a vida cotidiana
e Gestão qualificada: a conexão entre felicidade e negócio. Boa leitura!

A prática da liderança criativa pode deixar o ambiente de trabalho mais divertido, inovador e
feliz, ajudando a equipe a criar um resultado superior e diferente, já que ela estimula os profissio-
nais a fugirem da rotina dos processos, buscando novas oportunidades.

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• compreender a relação entre liderança e criatividade no trabalho, percebendo que lide-


rar é criar novas formas de trabalhar, fazendo com que a criatividade torne-se uma
filosofia de qualidade de vida no trabalho;
•• entender que a meta do líder é buscar a criatividade para assim proporcionar a felici-
dade de seus colaboradores.

Referências
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organiza-
ções. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

CARNEGIE, Dale. Como fazer amigos e influenciar pessoas. 52. ed. atualizada. São Paulo: Com-
panhia Editora Nacional, 2012.

MOTTIN, Ernani José. Criatividade: passo a passo. Porto Alegre: Age, 2004.

JESUS, Saul Neves de; IMAGINÁRIO, Susana; MOURA, Inês; VISEU, João; RUS, Cláudia.

– 140 –
CRIATIVIDADE

Criatividade e motivação dos artistas como preditores da sua saúde mental. Psicologia, saúde &
doenças, 2014, p. 544 - 556. Disponível em: <http://www.scielo.mec.pt/pdf/psd/v15n3/v15n3a01.
pdf>. Acesso em: 06 jun. 2017.

MAXWELL, John C. Os 5 níveis da liderança. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

SILVA, Onã. ReCreativity: flow and The Psychology of Discovery and Invention. LINHAS CRÍTICAS,
Brasília, v.8, n.15, jul/dez 2002. Disponível em: <periodicos.unb.br/index.php/linhascriticas/article/
download/6488/5244>. Acesso em: 07 jun. 2017.

– 141 –
TEMA 20
A Cultura da Criatividade no Ambiente
das Organizações
Renata Mateus

Introdução
Hoje, as organizações precisam se reinventar constantemente para fazer parte do mercado
competitivo. Para isso, necessitam estar abertas à criatividade e à inovação.

Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:

•• conhecer os casos de empresas certificadas como criativas, tais como Google, Disney
etc.;
•• identificar cenários indicativos de organizações inovadoras e produtivas temperadas
pela cultura da criatividade.

1 As empresas criativas
A criatividade está cada vez mais presente no mundo empresarial e temos diversos exemplos
de empresas criativas. Uma delas é a Google, referência para muitas organizações, principalmente
pela criatividade que emprega no trabalho. Segundo Casaqui (2009), a empresa oferece aos cola-
boradores condições que se tornaram diferenciais, como massagens gratuitas, design inusitado,
liberdade para personalizar as estações de trabalho e de poder dedicar 20% do tempo de trabalho a
projetos pessoais.

FIQUE ATENTO!

A Google tornou-se reconhecida pelas condições únicas e fora do comum de seus


ambientes de trabalho.

Para a empresa, o modelo de gestão adotado é o principal fator de sucesso, que acaba
atraindo os talentos que irão compor suas equipes de trabalho pelo mundo. Os colaboradores
acreditam na missão que a organização possui de “transformar o mundo em um lugar melhor
para viver, organizando todas as informações existentes” (CASAQUI, 2009, p.170). Outro fator de
sucesso é o próprio ambiente, que lembra mais um parque de diversões, estimulando os colabora-
dores e fazendo com que passem boa parte de seu tempo na empresa.

– 142 –
CRIATIVIDADE

Figura 1 – Sede da Google na Califórnia

Fonte: Benny Marty/Shutterstock.com

Por fim, a Google sustenta a ideia de ambiente democrático, no qual as colaborações e opini-
ões dos funcionários são estimuladas e bem aceitas, pois o sentido da criatividade para eles é algo
ligado à manifestação do jogo no trabalho, o qual serve à estratégia mercadológica.

EXEMPLO

Há outras empresas consideradas criativas. Entre elas estão a 3M, focada em inova-
ção com o post-it; o grupo Pão de Açúcar, que antecipa tendências, como no caso dos
alimentos orgânicos; e as experiências que o Airbnb proporciona.

Outra empresa vista como exemplo de criatividade e inovação é a Apple, reconhecida por
seus produtos com excelência no design, nas cores e formatos, por propiciar uma experiência
inovadora ao cliente e pelo conceito de tecnologia de ponta. Operando em 180 pontos de venda
no mundo e com mais de 20 mil funcionários, a Apple demonstrou que investir em criatividade
e consequentemente na inovação, sua filosofia organizacional, transformou-se numa vantagem
competitiva valiosa e comprovadamente bem-sucedida. Segundo Almeida (2015), esse foco em
inovação tem sido vital para que a empresa se mantenha competitiva em um mercado com acir-
rada concorrência. Hoje, os concorrentes já desenvolveram produtos semelhantes, o que ajuda a
Apple a conservar a motivação para que a empresa dê continuidade em suas inovações, criando
novos produtos.

SAIBA MAIS!
Em “Nos bastidores da Disney”, o autor Tom Connellan revela os sete segredos do su-
cesso da empresa, que também é considerada inovadora. Acesse: <http://www.pro-
jeto.camisetafeitadepet.com.br/imagens/banco_imagem_livros/87_livro_site.pdf>.

– 143 –
CRIATIVIDADE

Como último case, vamos discutir sobre a Disney. Connellan (1998) relata que a organização
tem a capacidade de ouvir qualquer colaborador que tenha uma ideia criativa. Como empresa,
estão sempre procurando novas maneiras de fazer as coisas e de encontrar soluções criativas
para os problemas. Em muitas organizações, os executivos acabam deixando seus egos interferir
no trabalho, ou seja, se a ideia não for dada por eles, não é boa. Na Disney, é diferente. Os executi-
vos não estão preocupados com a origem da ideia, escutam a todos, seja o funcionário um mem-
bro do elenco, um convidado, um vice-presidente ou até mesmo o faxineiro. O que importa é que,
se a ideia for boa, deve ser aproveitada e receber o devido crédito.

2 Criatividade como âmbito da inovação


organizacional
De acordo com Rosenfeld e Servo (1984 apud CRESPO; WECHSLER, 2001), é importante per-
ceber a diferença entre os conceitos de criatividade organizacional e inovação. A primeira refere-se
à geração de novas ideias, enquanto a segunda está vinculada a colocá-la em prática, ao processo
de introduzir, adotar e implementar uma nova ideia.

FIQUE ATENTO!
A criatividade, segundo Rosenfeld e Servo (1984 apud CRESPO; WECHSLER, 2001),
é um atributo que até pode pertencer a uma única pessoa, porém a inovação requer
a colaboração de muitas pessoas.

Crespo e Wechsler (2001) ressaltaram que a empresa que pretende incentivar a criatividade
deve preocupar-se mais no recrutamento de colaboradores, bem como na capacidade que estes
têm de inovar, do que com suas próprias experiências educacionais. As empresas precisam desen-
volver constantemente produtos e serviços inovadores e de qualidade, renovando o modo que
operam, para manterem-se competitivas no mercado global e, para isso, precisam da capacidade
de seus colaboradores para inovar. Então, segundo Bruno-Faria (2008), a inovação possui uma
relação muito próxima com a criatividade, mesmo usando outras fontes de inspiração.

Figura 2 – Criatividade e inovação

Fonte: Ivelin Radkov/Shutterstock.com

– 144 –
CRIATIVIDADE

Para Petrini (1998, p. 21 apud BRUNO-FARIA, 2008), o que “costuma faltar não é criatividade
no sentido de criação de ideias, mas a inovação no sentido de produção de ações, o que pode
caracterizar a baixa inovação nas organizações”. Isso quer dizer que o líder pode tanto estimular
quanto inibir a criatividade de sua equipe, impactando no processo de inovação e evidenciando o
vínculo entre inovação e criatividade. Além disso, a liderança criativa passa a ser um dos facilita-
dores para colocar em prática a criatividade e as estruturas flexíveis e inovadoras que permitem ao
potencial criativo ser exposto.

3 Criatividade e produtividade
As empresas são impactadas diariamente por pressões e desafios, efeitos da economia, da
tecnologia, das questões sociais, da qualificação profissional, da busca pelo conhecimento etc.
Com isso, sentem-se obrigadas a adequarem-se a essa realidade e, ao mesmo tempo, a reagirem,
com o propósito de alcançar, constantemente, a qualidade, o conhecimento e a produtividade.

FIQUE ATENTO!

No cenário atual, a criatividade tem mostrado cada vez mais ser importante para os
profissionais que buscam o sucesso pessoal e profissional.

Colocar a criatividade em prática eleva a produção e diminuindo custos, aumentando assim


a satisfação de clientes e a própria autoestima do trabalhador. A pressão e o desafio do dia a dia
devem transformar-se em motivação para alcançar a produtividade.

SAIBA MAIS!

Leia “Criativo e Produtivo: Os 5 passos da inovação empresarial que geram resul-


tados imediatos” (Josh Linkner), que trata do tema de produtividade e criatividade.

Para as empresas serem criativas e inovadoras, é necessário que haja um gerenciamento dos
colaboradores que promovem a criatividade e a inovação, além disso a liderança deve ser voltada
para o desenvolvimento de novas formas de trabalho. Ou seja, a meta do gerenciamento criativo e
inovador é incrementar a produtividade, a fim de que possa melhor competir no mercado de trabalho.

– 145 –
CRIATIVIDADE

Figura 3 – Criatividade e produtividade

Fonte: This Is Me/Shutterstock.com

A partir de novas soluções para problemas nas empresas, conquista-se inovações valiosas,
motivações, desenvolvimento das habilidades pessoais e do desempenho efetivo do grupo, tudo
isso vinculando o aprimoramento da produtividade com a criatividade e a qualidade no trabalho.

4 Criatividade como facilitador na resolução


de problemas e tomada de decisões
Através da criação e do trabalho criativo, as empresas poderão desenvolver um potencial
predisposto a enfrentar problemas e situações difíceis, que não podem ser resolvidos apenas
com investimentos.

Figura 4 – Tomada de decisão e resolução de problemas

Fonte: Vladgrin/ Shutterstock.com

– 146 –
CRIATIVIDADE

Para aproveitar o potencial criativo da força de trabalho, a empresa deve manter gestores e
colaboradores criativos, além disso deve proporcionar um ambiente de confiança, onde as pes-
soas se sintam livres e motivados a contribuir para o sucesso da organização.

EXEMPLO
São necessárias outras condições que incentivem as pessoas a colaborar na eficácia
da organização, como uma liderança de apoio, incentivos ao conhecimento e proces-
sos de grupo que favoreçam a criatividade. Algumas empresas já possuem projetos
que estimulam a inovação onde as pessoas apresentam novas soluções para a em-
presa e são premiadas por isso.

Por fim, a partir do momento em que os colaboradores recebem treinamento para a resolu-
ção de problemas em equipe e se envolvem em projetos de inovação, Borghini (2005) afirma que
se espera uma melhoria no seu envolvimento com a organização, seguida de uma sistematização
do conhecimento que passa a ser explicado claramente, sem restrições.

Fechamento
Chegamos ao final desta aula, que abordou sobre a relação de criatividade, inovação e reso-
lução de problemas no mundo corporativo.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:

•• conhecer os casos de empresas certificadas como criativas, tais como Google, Disney
e Apple;
•• perceber como a criatividade está relacionada com a inovação e produtividade
organizacional;
•• identificar a criatividade como facilitadora na resolução de problemas e tomada de
decisões.

Referências
ALMEIDA, Rodrigo Figueredo de et al. A inovação como vantagem competitiva: Estudo de caso
Apple. X Workshop de Pós-Graduação e Pesquisa do Centro Paula Souza, São Paulo, 2015. Dis-
ponível em: <http://www.cps.sp.gov.br/pos-graduacao/workshop-de-pos-graduacao-e-pesquisa/
010-workshop-2015/workshop/trabalhos/Sistemas_Produtivos/Gest_Estrat_TI/A_inov_como_
vantagem_competitiva.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2017.

BRUNO-FARIA, Maria de Fátima; VEIGA, Heila Magali da Silva; MACÊDO, Laura Ferreira. Criatividade
nas organizações: análise da produção científica nacional em periódicos e livros de Administração
e Psicologia. rPot, v. 8, n. 1, janeiro-junho 2008, p. 142-163. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.
org/pdf/rpot/v8n1/v8n1a09.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2017.

– 147 –
CRIATIVIDADE

CASAQUI, Vander; RIEGEL, Viviane. Google e o consumo simbólico do trabalho criativo. Comunica-
ção, mídia e consumo. São Paulo, v. 6, n. 17, p. 161-180, novembro 2009.

CONNELLAN, Tom. Nos bastidores da Disney: os segredos do sucesso da mais poderosa empresa
de diversões do mundo. 19. ed. São Paulo: Futura, 1998. Disponível em: <http://www.projeto.cami-
setafeitadepet.com.br/imagens/banco_imagem_livros/87_livro_site.pdf>.

CRESPO, Mari Lucia Figueiredo; WECHSLER, Solange Muglia. Clima criativo: um diagnóstico para
inovação nas organizações educacionais e empresariais. Psicodebate. Psicologia, Cultura y
Sociedad. Ano I, n. 1, 2001. Disponível em: <http://www.palermo.edu/cienciassociales/publicacio-
nes/pdf/Psico1/1%20PSICO%20005.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2017.

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