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Manual de Apoio

PROCESSO CIVIL – V
 Recursos

DGAJ
Centro de Formação - 2017

1
Manual de apoio / Recursos
Direção-Geral da Administração da Justiça
NOTA PRÉVIA

Com este trabalho pretende-se dar, numa perspetiva essencialmente prática,


um contributo para uma mais fácil compreensão da tramitação dos recursos
em matéria cível.

Não se tem a pretensão de substituir a indispensável consulta do Código


Processo Civil ou o mérito da interpretação da lei diariamente efetuada pelos
Senhores Juízes.

Visa-se, isso sim, a constituição de um instrumento de trabalho de apoio à


cada vez mais exigente função do Oficial de Justiça.

Se como tal for encarado por todos e se, consequentemente, o presente


texto contribuir para um mais fácil exercício dessa função, estará alcançado
mais um dos objetivos da Divisão de Formação de Oficiais de Justiça.

___________
Obs. – são do Código de Processo Civil as disposições referidas neste texto sem menção
da fonte legal.

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Manual de apoio / Recursos
Índice
OS RECURSOS EM PROCESSO CIVIL ................................................................................. 5
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 5
2. VICIOS E REFORMA DA SENTENÇA ................................................................................... 9
2.1. Erros materiais ............................................................................................................ 10
2.2. Nulidades ..................................................................................................................... 10
3. DOS RECURSOS ................................................................................................................. 13
3.1. Recursos Ordinários .................................................................................................... 13
3.1.1. Recurso independente........................................................................................ 19
3.1.2. Recurso subordinado: ......................................................................................... 19
3.1.3. Recurso por adesão ............................................................................................. 22
3.2. Apelação ................................................................................................................... 23
3.2.1. Recurso urgente .............................................................................................. 26
3.2.2. Apelação em Separado ................................................................................... 27
3.3. Reclamação .............................................................................................................. 35
4. ESPECIFICIDADES DA AÇÃO EXECUTIVA........................................................................ 36
5. DOS RECURSOS NOS TRIBUNAIS SUPERIORES .............................................................. 37
5.1. Tribunal da Relação ................................................................................................ 39
5.1.1. Competências .................................................................................................. 39
5.1.2. Espécies de processos (área cível) ............................................................... 40
5.2. RECURSO DE APELAÇÃO ......................................................................................... 42
6. DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO PARA O SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA ................... 47
6.1. Recurso de Revista.................................................................................................. 47
6.1.1. Decisões de que não cabe recurso de revista ............................................ 56
6.1.2. Revista Excecional .......................................................................................... 56
6.2. Supremo Tribunal de Justiça ................................................................................ 60
6.2.1. Competência .................................................................................................... 60
6.2.2. A Revista no STJ .............................................................................................. 67
6.2.3. Julgamento ampliado de revista .................................................................. 69
6.2.4. Recurso Per Saltum ......................................................................................... 71

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7. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS ....................................................................................... 72
7.1. Recurso para “uniformização de jurisprudência”............................................. 73
7.2. Revisão ...................................................................................................................... 76

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OS RECURSOS EM PROCESSO CIVIL

1. INTRODUÇÃO

Após a realização de uma avaliação global do regime de recursos em processo


civil, o Decreto-Lei n.º 303/2007, de 24 de Agosto, definiu medidas administrativas e
legislativas que visaram a simplificação das regras processuais e procedimentais com
vista a favorecerem a eficiência do sistema e a qualidade das decisões.

A reforma visou atingir três objetivos fundamentais: a simplificação dos


procedimentos e da tramitação, a celeridade processual e a racionalização do
acesso ao Supremo Tribunal de Justiça, com vista a enfatizar as suas funções de
orientação e uniformização da jurisprudência.

A simplificação do regime dos recursos manifesta-se, entre outras medidas,


pela adoção de um regime monista, ou seja, pela eliminação do recurso de agravo e
pela consequente manutenção dos recursos de apelação e revista.

Por outro lado, foi introduzida a regra geral da impugnação de decisões


interlocutórias, apenas com o recurso interposto da decisão final.

Prevê-se, ainda, como mecanismo significativo da simplificação processual, a


concentração, num só ato processual, da interposição de recurso e apresentação das
alegações, bem como dos despachos de admissão e expedição do recurso.

A falada simplificação permite uma maior celeridade processual,


proporcionada, não só na fase de julgamento mas, também, naquela que decorre
perante o tribunal recorrido.

No que toca à opção que visa limitar o acesso ao Supremo Tribunal de


Justiça, permitindo a criação de condições para um melhor exercício da função de
orientação e uniformização da jurisprudência, destaca-se, desde logo, nesse
desígnio, o aumento do valor da alçada da Relação para € 30.000, à qual se alia a

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regra da fixação obrigatória do valor da causa pelo juiz, sendo oportuno assinalar o
concomitante aumento da alçada do tribunal de 1.ª instância para € 5.000.

Finalmente, com o mesmo escopo, destaca-se ainda a regra da “dupla


conforme”, pela qual se consagra a regra da inadmissibilidade de recurso do acórdão
da Relação que confirme, sem voto de vencido e ainda que por diferente
fundamento, a decisão da 1.ª instância.

A par destas opções, reforça-se o uso das novas tecnologias, como forma de
conferir maior rapidez, eficiência, transparência e economia aos serviços de justiça,
na senda da prossecução de um dos principais objetivos das reformas que vêm sendo
implementadas: o da desmaterialização progressiva dos processos judiciais, em
obediência ao disposto no art.º 132.º do C. Proc. Civil e à Portaria n.º 280/2013, de
26 de agosto.

Será que esta reforma tem aplicação no domínio do Código de Processo do


Trabalho? Parece-nos que não, uma vez que apenas se faz referência à legislação
avulsa, no art.º 4.º do Decreto-Lei n.º 303/2007, de 24/8, que o Processo do
Trabalho não é 1.

Com a entrada em vigor, no passado dia 1 de setembro de 2013, da Lei n.º


41/2013, de 26 de junho (Novo Código de Processo Civil ou NCPC), a matéria de
recursos, sofreu algumas alterações. Daí, pareceu-nos oportuno atualizar o presente
texto de apoio à atividade dos oficiais de justiça, onde serão traçadas algumas
linhas orientadoras e esclarecedoras do regime de recursos em processo civil,
aliadas a algumas sugestões de procedimentos, sem esquecer, como sempre, os
entendimentos, porventura, diversos, dos Senhores Magistrados.

1
Relativamente a esta questão Cardona Ferreira escreve: “Mas deste art.º 4.º, não resultam, designadamente
reflexos no âmbito do Código de Processo do Trabalho, que não é “legislação avulsa” mas, sim, estruturante do
sistema judiciário....” (Guia de Recursos em Processo Civil. O novo regime recursório civil – Coimbra Editora, 4.ª
edição, pág.14).
Sobre o mesmo assunto, Abrantes Geraldes pronuncia-se assim: “Perante tal norma, não há qualquer dúvida
quanto à sua aplicação a todos os diplomas que regulam recursos em matérias englobadas na grande categoria do
direito civil e comercial, ainda que devam efetuar-se, quando tal se justifique, as “adaptações necessárias”.”
(Recursos em Processo Civil - Novo Regime, Almedina, dezembro 2007, pág. 13 e sobre o mesmo tema, o mesmo
autor, Almedina, julho 2013).
De novo Abrantes Geraldes, Recursos no Processo do Trabalho, Novo Regime, Almedina 2010, página 12: “Enfim,
atenta a autonomia substancial e formal do processo do trabalho, na falta de uma clara indicação do legislador em
sentido diverso, importava concluir, antes da revisão do processo do trabalho, que o regime dos recursos cíveis
instituído pelo Dec. Lei n.º 303/07 não prejudicava a regulamentação que especificamente constava do CPT, a que
prioritariamente deveria recorrer-se, revertendo para o CPC apenas em situações de lacuna legis.”

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Salientamos, desde já, as seguintes alterações:

o Foram introduzidas limitações ao direito ao recurso relativamente a


meras decisões interlocutórias de reduzido relevo para os direitos fundamentais das
partes;
o Foi eliminada a possibilidade de pedir a aclaração ou esclarecimento de
obscuridades ou ambiguidades da sentença, apenas se consentindo à parte arguir,
pelo meio próprio, a nulidade da sentença que seja efetivamente ininteligível;
o Havendo recurso ordinário da decisão, todas as nulidades de que a mesma
padeça terão que ser arguidas na alegação de recurso podendo o juiz do tribunal
recorrido pronunciar-se sobre tais nulidades, suprindo-as, se for o caso, antes da
subida dos autos ao tribunal superior;
o Quanto aos despachos interlocutórios, em que se apreciem nulidades
secundárias, apenas se admite recurso quando o mesmo tiver por fundamento
específico a violação dos princípios básicos da igualdade e do contraditório ou a
nulidade invocada tiver influência manifesta no julgamento do mérito, por
contenderem com a aquisição processual de factos ou com a admissibilidade dos
meios probatórios.
o Com o NCPC, os poderes dos tribunais de segunda instância foram
reforçados no que toca à reapreciação da matéria de facto impugnada, adotando
critérios interpretativos de forma a alcançar a verdade material, podendo o tribunal
de 2ª instância ordenar a renovação dos meios de prova, reapreciar a prova ou
anular a decisão recorrida.

Quanto ao recurso de apelação, cumpre destacar as seguintes alterações:

o Cabe recurso de apelação não apenas da decisão proferida em 1ª instância


que ponha termo à causa, mas também das que ponham termo ao
procedimento cautelar ou incidente processado autonomamente;
o Cabe recurso (autónomo) de apelação das decisões interlocutórias que
absolvam o(s) réu(s) da instância ou do(s) pedido(s);

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o Cabe recurso de apelação do despacho da admissão ou rejeição de algum
articulado.
o Uma inovação com algum relevo reside em se acolher o regime de resolução
dos conflitos de competência instituído pelo Decreto-Lei n.º 303/2007
estendendo-o à impugnação de decisões sobre a competência relativa do
tribunal. O meio impugnatório adequado passa a ser a reclamação (em vez
da via de recurso) interposta para o presidente do Tribunal superior,
“propiciando a resolução célere de todas as questões suscitadas,
nomeadamente em sede de fixação da competência territorial.

Aplicação no tempo

o Por força do art.º 7.º, das disposições transitórias, da Lei n.º 41/2013, de
26 de junho, aos recursos interpostos de decisões proferidas a partir de 1 de
setembro de 2013, em ações instauradas antes de 1 de Janeiro de 2008, aplica-
se o regime de recursos do Decreto-Lei nº 303/2007, de 24 de Agosto, com as
alterações agora introduzidas, com exceção da regulamentação da “dupla
conforme” introduzida em 2007.
Tal significa que foi definitivamente eliminada a coexistência de dois
regimes processuais distintos, passando a vigorar um único regime para todos os
recursos que, em qualquer instância, venham a ser interpostos,
independentemente da data de início dos processos, importando ressalvar apenas
o valor das alçadas que continua a guiar-se pelas normas em vigor na data da
interposição da ação e, o regime da dupla conforme apenas abarca os recursos de
decisões proferidas em ações instauradas a partir de 1 de janeiro de 2008.
o Para os recursos das decisões proferidas até 31 de Agosto de 2013 nos
processos instaurados depois de 1 de Janeiro de 2008 inexiste um regime transitório,
pelo que, se aplica o princípio enunciado nos artigos 5.º e 6.º das disposições
transitórias, o mesmo é dizer que se aplicam as normas do novo Código de Processo
Civil.

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2. VICIOS E REFORMA DA SENTENÇA

Sentença é o ato pelo qual o juiz decide a causa principal ou algum incidente
que apresenta estrutura de uma causa (art.º 152.º, n.º 2).

Logo que proferida a sentença esgota-se imediatamente o poder jurisdicional


do juiz no que se refere à matéria da causa, conforme dispõe o art.º 613.º, n.º1.

Esse poder jurisdicional traduz-se no poder de julgar, de proferir uma


decisão sobre um litígio.

Após esta decisão, apenas é lícito ao juiz retificar erros materiais, suprir
nulidades, esclarecer dúvidas sobre a sentença e reformá-la quanto a custas e
multas, o mesmo se aplicando, até onde seja possível, aos despachos – art.º 613.º,
n.ºs 2 e 3.

Vedado está, alterar a decisão, mesmo que venha a convencer-se de que ela
não foi a mais justa ou adequada. É uma questão de não violação dos princípios da
segurança jurídica e proteção da confiança2 - art.º 619.º.

Importa agora distinguir entre o recurso e o requerimento a que se referem


os n.ºs 1 do art.º 614.º (erros materiais), 4 do art.º 615.º (causas de nulidades da
sentença) e art.º 616.º (reforma da sentença).

De uma forma geral, tanto o recurso como o requerimento são formas de


impugnação das decisões judiciais visadas. O recurso é dirigido ao tribunal de nível
superior (ad quem) pelo que proferiu a decisão (a quo), com base na competência
em razão da hierarquia; o requerimento atrás referenciado é dirigido ao mesmo
tribunal que proferiu a decisão.

2
Tais princípios encontram-se expressamente consagrados no artigo 2º da Constituição da Republica Portuguesa.
Os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança assumem-se como princípios classificadores do
Estado de Direito Democrático, e implicam um mínimo de certeza e segurança nos direitos das pessoas e nas
expectativas juridicamente criadas a que está imanente uma ideia de proteção da confiança dos cidadãos e da
comunidade na ordem jurídica e na atuação do Estado.

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2.1. Erros materiais

O art.º 614.º dispõe sobre os erros materiais, estipulando que o são:

 A omissão do nome das partes;


 A omissão da decisão sobre custas ou a algum dos elementos previstos no
n.º 6 do art.º 607.º;3
 Erros de escrita ou de cálculo; e
 Quaisquer inexatidões devidas a outra omissão ou lapso manifesto.

A correção destes erros pode ser feita por simples despacho, a requerimento
de qualquer das partes ou, mesmo, oficiosamente: - quem decide, pode tomar a
iniciativa de corrigir.

Deste despacho cabe apelação nos termos gerais – art.º 644.º, n.º 2, al. g).

Havendo recurso, a retificação apenas pode ter lugar antes da subida,


podendo as partes alegar o que entendam no tocante à retificação operada; a
retificação pode ter lugar a todo o tempo no caso de não haver recurso – art.º 614.º,
n.ºs 2 e 3.

2.2. Nulidades

O art.º 615.º refere as causas que podem levar à de nulidade da sentença,


enumerando as seguintes:

 Omissão da assinatura do juiz 4;


 Omissão dos fundamentos de facto e de direito que fundamentam a
decisão;

3
Art.º 607.º, n.º 6: No final da sentença, deve o juiz condenar os responsáveis pelas custas processuais, indicando a
proporção da respetiva responsabilidade.
4
“Hoje, face à omissão da hipótese nas sucessivas normatividades, concluímos que, afinal, Alberto dos Reis ainda
tem razão e que, decerto, a falta de data não constitui nulidade da sentença. Fica, assim, em aberto, apenas, a
consideração, nesta caso, de omissão ou lapso manifesto de caracter material”. (J.O Cardona Ferreira, obra citada,
pág.53 e 54).

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 Oposição real entre os fundamentos da decisão ou ocorrência de
ambiguidade ou obscuridade que torne a decisão ininteligível;
 Omissão de pronúncia sobre questões que devessem ser apreciadas ou
conhecimento de questões sobre as quais o Tribunal não podia pronunciar-
se;
 Condenação em quantidade superior ou em objeto diferente do pedido.

A falta de assinatura do juiz é sanada a requerimento das partes ou


oficiosamente, devendo ser feita no processo declaração indicando a data em que
foi aposta a assinatura, que será dispensada quando forem utilizados meios
eletrónicos – art.º 615.º, n.ºs 1, al. a) e n.ºs 2 e 3.

As restantes nulidades (alíneas b) a e)) 5 só podem ser arguidas perante o


Tribunal que cometeu a nulidade se não couber recurso ordinário. Cabendo recurso
ordinário da decisão, só neste pode a nulidade ser arguida.

2.3. Reforma da sentença

É lícito a qualquer das partes requerer, no tribunal que proferiu a decisão, a


sua reforma quanto a custas e multa, no entanto, cabendo recurso da decisão, o
requerimento será efetuado na alegação. – art.º 616.º n.ºs 1 e 3.

Caso a decisão não seja passível de recurso, é ainda lícito às partes


requererem a reforma da sentença nas hipóteses previstas nas alíneas a) e b) do n.º
2 do art.º 616.º6, que contemplam erros de julgamento.

5
b) Não especifique os fundamentos de facto e de direito que justificam a decisão;
c) Os fundamentos estejam em oposição com a decisão ou ocorra alguma ambiguidade ou obscuridade que torne a
decisão ininteligível;
d) O juiz deixe de pronunciar-se sobre questões que devesse apreciar ou conheça de questões de que não podia
tomar conhecimento;
e) O juiz condene em quantidade superior ou em objeto diverso do pedido.
6
a) Tenha ocorrido erro na determinação da norma aplicável ou na qualificação jurídica dos factos;
b) Constem do processo documentos ou outro meio de prova plena que, só por si, impliquem necessariamente
decisão diversa da proferida.

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Processamento subsequente (art.º 617.º)

Sendo a nulidade da sentença ou a sua reforma suscitada no âmbito do


recurso dela interposto, o juiz apreciá-la-á no próprio despacho em que se
pronuncia sobre a admissibilidade do recurso, não cabendo recurso da decisão de
indeferimento.

Se for suprida a nulidade ou reformada a sentença, considera-se que


despacho proferido é complemento e parte integrante desta, ficando o recurso
interposto a ter como objeto a nova decisão (n.º 2 do art.º 617.º). Neste caso, o
recorrente pode, no prazo de 10 dias, desistir do recurso, alargar ou restringir o seu
âmbito, de acordo com a alteração sofrida pela sentença, e ao recorrido é permitido
responder a tal alteração no mesmo prazo (n.º 3 do art.º 617.º).

Se o recorrente, em virtude da obtenção do suprimento pretendido, desistir


do recurso, pode o recorrido no mesmo prazo, ou seja, 10 dias, requerer a subida
dos autos para decidir da admissibilidade da alteração introduzida na sentença,
assumindo, a partir desse momento, a posição de recorrente.

Caso o juiz omita o despacho sobre a nulidade da sentença ou da sua reforma


previsto no n.º 1 do art.º 617.º, pode o relator mandar baixar o processo para que
seja proferido; caso não possa ser apreciado o recurso e houver que conhecer da
questão da nulidade ou da reforma, depois de os autos baixarem, compete ao juiz
apreciar as nulidades ou o pedido de reforma, aplicando-se o disposto no n.º 6 – cfr.
n.º 5 do art.º 617.º.

Em caso de reforma de sentença irrecorrível nos termos do n.º 2 do art.º


616.º (por ter ocorrido erro na determinação da norma aplicável ou qualificação
jurídica dos factos e quando do processo constem documentos ou outros meios de
prova que, só por si, impliquem decisão diferente da proferida), “a parte
prejudicada com a alteração da decisão pode recorrer, mesmo que a causa esteja
compreendida na alçada do tribunal de que recorre, não suspendendo, o recurso, a
exequibilidade da sentença” - (n.º 6 – “disposição inovatória” no NCPC);

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3. DOS RECURSOS

Apelação

Ordinários

Revista

Recursos

Revisão

Extraordinários

Uniformização de
jurisprudência

As decisões judiciais podem ser impugnadas através de recursos, os quais se


classificam como ordinários ou extraordinários (art.º 627.º).

Os recursos ordinários são aqueles que se podem interpor antes de transitada


a decisão; os extraordinários são interpostos após o trânsito em julgado da
sentença.

3.1. Recursos Ordinários

O prazo para interposição de recurso é de 30 dias, a contar da data da


notificação da decisão, salvo nos processos urgentes e demais casos

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expressamente previstos na lei7, em que o prazo para interposição de recurso é de
15 dias (cfr. n.º 1 do art.º 638.º).

- Se a parte for revel e não dever ser notificada nos termos do art.º 249.º, o
prazo corre desde a publicação da decisão, ou seja, desde a data em que se torna
pública e passível de ser consultada na secretaria, começando o prazo a correr no
dia seguinte (cfr. n.º 4 do art.º 249.º e n.º 2 do art.º 638.º), exceto se a revelia da
parte cessar antes de decorrido esse prazo, caso em que a sentença ou despacho
tem de ser notificado e o prazo começa a correr da data da notificação.

No caso de despachos e sentenças orais, reproduzidos no processo, o prazo


para interposição de recurso corre do dia em que foram proferidos, se a parte
esteve presente ou foi notificada para assistir ao ato (art.º 638.º, n.ºs 1, 2 e 3).

Trânsito em julgado

Quando as decisões já não sejam suscetíveis de recurso ordinário ou de


reclamação, nos termos dos art.ºs 615.º e 616.º, consideram-se transitadas em
julgado (art.º 677.º).

Embora a noção de trânsito em julgado não tenha sido alterada, verifica-se


que, nem todas as decisões transitam dentro do mesmo prazo. Tal deve aferir-se,
casuisticamente, de acordo com as regras estabelecidas na conjugação do disposto
nos art.ºs. 638.º, n.ºs 1 e 7 (30 ou 15 dias + 10 dias se o recurso tiver por objeto a
reapreciação da prova gravada), e 644.º.

7
Não havendo recurso da decisão final as decisões interlocutórias que tenham interesse para o apelante
independentemente daquela decisão podem ser impugnadas num único recurso a interpor após o trânsito da
referida decisão – neste caso; nos processos urgentes (providências cautelares, insolvências e expropriações por
utilidade pública urgentes) e nos casos a que se referem as alíneas a) a i) do n.º 2 do art.º 644.º:
a) Decisão que aprecie o impedimento do juiz;
b) Decisão que aprecie a competência absoluta do tribunal;
c) Decisão que decrete a suspensão da instância;
d) Do despacho de admissão ou rejeição de algum articulado ou meio de prova;
e) Da decisão que condene em multa ou comine outra sanção processual;
f) Decisão que ordene o cancelamento de qualquer registo)
g) Decisão proferida depois da decisão final;
h) Das decisões cuja impugnação com o recurso da decisão final seria absolutamente inútil;
i) Nos demais casos expressamente previstos na lei”.

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Manual de apoio / Recursos
Por outro lado, o n.º 4 do art.º 644.º prevê a possibilidade de interposição de
um único recurso das decisões interlocutórias que tenham interesse para o
apelante, a interpor após o trânsito da decisão final, o que vale por dizer que se não
for interposto recurso da decisão final no prazo de 30 dias, passado este prazo, as
decisões interlocutórias podem ainda ser impugnadas no prazo de 15 dias – cfr.
art.º 644.º, n.º 2, al. h) 644.º, n.º 4 e 638.º, n.º 1 parte final.

Digamos que, na prática, nenhuma decisão judicial interlocutória, passível


de recurso, transita sem que decorra o prazo de 15 dias contado a partir do
trânsito da decisão final.

Notas:

1. “Iniciais são as decisões proferidas na fase introdutória do


litígio, o despacho de indeferimento liminar ou o que confirma o
não recebimento da petição pela secretaria; nestes casos, a lei
admite sempre recurso, mesmo que o valor da causa não
ultrapasse a alçada dos tribunais de 1.ª instância -art.ºs, 590.º,
n,º 1, conjugado com o 226.º, n.º 4, 559.º, n.º 2.

Interlocutórias são as decisões proferidas no decurso da instância


e que não conduzam à sua extinção, como o despacho saneador
que, não pondo termo ao processo, conheça de exceções dilatórias
e de nulidades processuais [art.º 590, n.º 2.alínea a)].

Finais são as decisões que põem termo ao processo, como a


sentença final que, julgando procedente alguma exceção dilatória,
absolva o réu da instância (art.º 608.º, n.º 1).” (Fernando Amâncio
Ferreira, Manual dos Recursos em Processo Civil, 2.ª edição, págs. 262 e
263).

2. Da noção de trânsito em julgado retira-se que uma decisão


judicial, seja sentença ou despacho, transita em julgado quando se
torna insuscetível de recurso ordinário ou de reclamação8. Uma vez

8
“O trânsito em julgado da decisão é o momento a partir do qual a decisão passa a revestir-se da certeza e da
segurança jurídica que decorre do art.º 619.º.” (António Santos Abrantes Geraldes, ob. Cit., pág. 25).

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Manual de apoio / Recursos
transitada em julgado, a decisão passa a ter força de caso julgado
(art.ºs 619.º, n.º 1 e 620.º).

A questão que aqui pretendemos colocar é a de saber quando é que


(em que momento) a decisão transita em julgado.

É sabido que o decurso do prazo perentório extingue o direito de


praticar o ato, conforme vem definido no n.º 3 do art.º 139.º.
Independentemente da alegação de justo impedimento, o ato de
interposição de recurso ou reclamação pode ser praticado dentro
dos três primeiros dias úteis subsequentes ao termo do prazo.
Porém, a validade de tal ato fica dependente do pagamento de
uma multa cujos montantes e prazos de pagamento se encontram
fixados nos n.ºs 5 e 6 do art.º 139.º.

Esta possibilidade, aberta pela norma em análise, permite ao


recorrente interpor recurso após o decurso do prazo perentório,
último a correr por força do disposto no art.º 142.º. Será que não
se pode considerar esta possibilidade de prática do ato como uma
efetiva extensão do prazo perentório? Parece-nos que não. Para
efeitos de trânsito em julgado, os três dias úteis
(suplementares), a que se refere o n.º 5 do art.º 139.º do
CPC, não se somam ao prazo de interposição de recurso ou
de reclamação para efeito de determinação da data do
trânsito em julgado da decisão judicial, apenas destruindo os
efeitos do caso julgado já produzido se no decurso desses
três dias for praticado algum ato processual nos termos
referidos em tal dispositivo. No mesmo sentido, a
9
jurisprudência tem vindo a objetivar este entendimento.

http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/f2459eb7a2e7e2b3802572290056bc83?OpenDocu
ment&Highlight=0,06S1732
http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/313b59f13aa24dd98025720b0037105e?OpenDocu
ment
http://www.dgsi.pt/jtcn.nsf/89d1c0288c2dd49c802575c8003279c7/23ffbe4fcc4bc08080257ab8004a73a6?OpenDocu
ment&Highlight=0,00214%2F11.8BEVIS

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Manual de apoio / Recursos
É admissível recurso ordinário nas causas com valor superior à alçada do
tribunal de que se recorre 10 , desde que a decisão impugnada seja desfavorável
para o recorrente em valor superior a metade da alçada desse tribunal. Em caso de
dúvida quanto ao valor da sucumbência, atender-se-á somente ao valor da causa
(art.º 629.º, n.º 1 do CPC).

Exceções:

O recurso é sempre admissível, independentemente do valor da causa,


quando interposto das seguintes decisões:
 Que violem as regras de competência internacional ou em razão da matéria
ou da hierarquia, ou que ofendam o caso julgado;
 Respeitantes ao valor da causa ou dos incidentes, com o fundamento de que
o seu valor excede a alçada do tribunal de que se recorre;
 Proferidas no domínio da mesma legislação e sobre a mesma questão
fundamental de direito, contra jurisprudência uniformizada do Supremo
Tribunal de Justiça.

É sempre admissível recurso para a Relação, independentemente do valor


da causa e da sucumbência:
 Nas ações em que se aprecie a validade, a subsistência ou a cessação de
contratos de arrendamento, com exceção dos arrendamentos para
habitação não permanente ou para fins especiais transitórios;
 Das decisões respeitantes ao valor da causa nos procedimentos cautelares,
com o fundamento de que o seu valor excede a alçada do tribunal de que se
recorre.

O recurso interpõe-se por meio de requerimento, dirigido ao tribunal onde foi


proferida a decisão, no qual se indica a espécie, o efeito e o modo de subida do
recurso interposto. (art.º 637.º do CPC.)

10
Em matéria cível, a alçada dos tribunais da Relação é de € 30.000 e a dos tribunais de 1.ª instância é de € 5.000
( Artigo 44.º Lei n.º 62/2013, de 26 de Agosto - Lei Da Organização do Sistema Judiciário).

17
Manual de apoio / Recursos
A alegação do recorrente deve ser incluída no requerimento de
interposição do recurso.

O ónus de alegar conjuntamente com o requerimento de interposição do


recurso imposto pelo n.º 2 do art.º 637.º, trouxe consigo a obrigatoriedade de o
mandatário judicial do recorrente proceder à notificação do mandatário judicial da
contraparte, nos termos previstos no art.º 221.º 11.

Este requerimento só é submetido a despacho após o decurso dos prazos


concedidos às partes – art.º 641.º. Parece-nos que, a alteração à norma
correspondente – art.º 685.º-C (Findos os prazos concedidos às partes para interpor
recurso) - vem resolver a questão sobre “o momento em que o juiz intervém para
decidir sobre o recurso.

Assim, o processo só é “concluso” depois de decorrido o prazo para


apresentação de contra-alegações e, eventualmente, depois de decorrido o prazo
para apresentação de resposta ao recurso subordinado que seja interposto pela
outra parte.

-No despacho que aprecia a interposição do recurso, o juiz:

-Admite o recurso, ordenando a sua subida e, nesse mesmo despacho, fixa a


sua espécie e determina o efeito – art.º 641.º, n.ºs 1 e 5; ou

-Retém o recurso e, no âmbito do dever de gestão processual – princípio


introduzido com entrada em vigor do NCPC – o juiz, oficiosamente, providencia pelo
suprimento (no prazo geral de 10 dias – art.º 149.º) da falta de eventuais
prossupostos processuais suscetíveis de sanação – art.º 6.º e 641.º, n.º 6; ou

-Não admite o recurso, por algum dos motivos a que se referem o n.º 2 do art.º
641.º.

Os recursos ordinários podem ser independentes, subordinados ou por


adesão.

11
A redação do art.º 221.º não deixa margem para dúvidas quanto à antiga querela de saber quem deve proceder à
notificação da apresentação das alegações. A solução propugnada veio ao encontro daquela que sempre defendemos
e que melhor se coadunava, na nossa modesta opinião, com o pensamento do legislador. Com a redação que foi
introduzida pela reforma dos recursos em 2008 ao art.º 229.º-A do CPC de 1961, os atos processuais que devem ser
praticados por escrito (todos) pelas partes após a notificação da contestação do réu ao autor, são notificados pelo
mandatário judicial do apresentante ao da contraparte.

18
Manual de apoio / Recursos
3.1.1. Recurso independente
É o que não depende de qualquer atitude da parte contrária. Desenvolve-se
por si só, tem vida própria, independentemente da posição a assumir pela parte
contrária.

3.1.2. Recurso subordinado:


Como o próprio nome indica, depende da interposição de recurso
independente, mantendo-se apenas enquanto este se mantiver. Assim, a sua
interposição deverá ter lugar no prazo de 15 ou 30 dias a contar da notificação da
interposição do recurso da parte contrária, consoante a decisão de que se
recorre (cfr. art.º 644.º e 638.º). O recurso caducará se o recurso principal ficar
deserto ou sem efeito, com custas por aquele recorrente (art.º 633.º).

O recorrido (no recurso independente/principal), pode, em vez de se limitar à


apresentação de defesa, contraditando, a argumentação desenvolvida pelo
recorrente, em sede de contra-alegações, interpor recurso quanto à parte da
decisão que lhe foi desfavorável. Neste caso, o tribunal superior reapreciará, na
sua a totalidade, a decisão impugnada. Se tal vier a ocorrer, o recorrente principal
pode ver alterada em seu prejuízo a decisão recorrida (“reformatio in pejus”)12.

O facto de não ser provido o recurso principal não obsta ao conhecimento do


recurso subordinado. O tribunal pode começar por julgar a questão posta no recurso
subordinado, se o conhecimento desta preceder o da questão posta no recurso
principal, de harmonia com o disposto no art.º 608.º, n.º 1.

ARTIGO 608.º
(Questões a resolver - Ordem do julgamento)

1. Sem prejuízo do disposto no n.º 3 do artigo 278.º, a sentença conhece,


em primeiro lugar, das questões processuais que possam determinar a absolvição
da instância, segundo a ordem imposta pela sua precedência lógica.

2. O juiz deve resolver todas as questões que as partes tenham submetido à


sua apreciação, excetuadas aquelas cuja decisão esteja prejudicada pela solução

12
Reforma da decisão para pior.

19
Manual de apoio / Recursos
dada a outras. Não pode ocupar-se senão das questões suscitadas pelas partes,
salvo se a lei lhe permitir ou impuser o conhecimento oficioso de outras.

Exemplo:

Se, no recurso subordinado interposto pelo réu, este


puser em causa a sua legitimidade, por esta questão
prévia começará o julgamento do tribunal de recurso,
para só depois conhecer da questão de fundo que
constituía porventura objeto do recurso principal. Caso
o réu venha a obter vencimento, o tribunal superior
já não aprecia o recurso independente, exceto se se
verificar o condicionalismo do n.º 3 do art.º 278.º 13.

É facultada pelo n.º 4 do art.º 633.º, a possibilidade de interposição de


recurso subordinado à parte que tenha renunciado ao recurso ou que, expressa ou
tacitamente, tenha aceitado a decisão. Tal não se verifica, todavia, no caso de
renúncia antecipada por esta só ser eficaz se for bilateral (art.º 632.º, n.º1). Ora,
renunciando ambas as partes ao recurso, é inadmissível o recurso independente,
pressuposto do recurso subordinado.

Exemplo:

Num tribunal de 1.ª instância, o autor pediu a condenação


do réu no pagamento da quantia de € 10.000, vindo a ação
a ser julgada parcialmente procedente pelo montante de
€ 8.500.

13
ARTIGO 278.º - (Casos de absolvição da instância)
1. O juiz deve abster-se de conhecer do pedido e absolver o réu da instância:
a) Quando julgue procedente a exceção de incompetência absoluta do tribunal;
b) Quando anule todo o processo;
c) Quando entenda que alguma das partes é destituída de personalidade judiciária ou que, sendo incapaz,
não está devidamente representada ou autorizada;
d) Quando considere ilegítima alguma das partes;
e) Quando julgue procedente alguma outra exceção dilatória.
2. Cessa o disposto no número anterior quando o processo haja de ser remetido para outro tribunal e
quando a falta ou irregularidade tenha sido sanada.
3. As exceções dilatórias só subsistem enquanto a respetiva falta ou irregularidade não for sanada, nos
termos do n.º 2 do artigo 6.º, ainda que subsistam, não tem lugar a absolvição da instância quando,
destinando-se a tutelar o interesse de uma das partes, nenhum outro motivo obste, no momento da
apreciação da exceção, a que se conheça do mérito da causa e a decisão deva ser integralmente favorável
a essa parte.

20
Manual de apoio / Recursos
Numa situação destas, só o réu pode interpor recurso
independente para a Relação, por a sua sucumbência ser
do valor de € 8.500, mas, já não pode fazê-lo o autor por
a sua sucumbência ser apenas de € 1.500, valor que é
inferior aos € 2.500 em que se fixa metade da alçada do
tribunal recorrido (fixada em € 5.000,00 - art.º 44.º, n.º 1
da LOSJ).

Todavia, o autor pode recorrer subordinadamente da


absolvição do réu em € 1.500.

Tanto pela apresentação das alegações do recurso principal como pela


apresentação das alegações do recurso subordinado e da apresentação das contra-
alegações é devida taxa de justiça, a pagar de acordo com o art.º 7.º, n.º 2 do RCP
e o valor a pagar fixa-se de acordo com o art.º 12.º, n.º 2 do mesmo.

Artigo 7.ºRCP
Regras especiais

2 - Nos recursos, a taxa de justiça é fixada nos termos da tabela I-B e é


paga pelo recorrente com as alegações e pelo recorrido que contra-alegue,
com a apresentação das contra-alegações.

Na falta atempada de pagamento da taxa de justiça, há que verificar o estipulado


no art.º 642.º:

Este preceito rege sobre as consequências jurídicas da omissão pelos sujeitos


processuais da junção ao processo do documento comprovativo do pagamento da
taxa de justiça.

Se tal comprovativo, ou o da concessão do apoio judiciário, não se mostrar


junto aos autos no momento definido para o efeito, a secretaria notifica
oficiosamente o faltoso para, no prazo de 10 dias, contados da data da notificação,
proceder ao pagamento omitido, a que acrescerá multa de igual montante, não
inferior a 1 UC nem superior a 5 UC.

Caso não seja cumprido o objeto da notificação, dentro do referido prazo, é


determinado o desentranhamento das alegações em causa. Neste caso, parece-nos

21
Manual de apoio / Recursos
não dever ter lugar o pagamento de qualquer multa por analogia ao preceituado no
n.º 7 do art.º 570.º (art.º 10.º, n.ºs 1 e 2 do Código Civil).

Na hipótese prevista no n.º 3 da norma em análise, a parte deve, em


alternativa ao documento de concessão, juntar aos autos o comprovativo da
apresentação do respetivo requerimento na Segurança Social.

3.1.3. Recurso por adesão

Os recursos que acompanhem os independentes, designam-se recursos por


adesão e não caducam com a desistência do recorrente deste, desde que o
aderente, no requerimento de adesão, declare que faz sua a atividade já exercida
pelo recorrente independente, bem como a que vier a exercer. Se o recorrente
principal desistir, o aderente deve ser notificado para, querendo, passar à posição
de recorrente principal – art.º 634.º n.º 4.

Este recurso pode ser interposto, por meio de requerimento ou de subscrição


das alegações do recorrente, até ao início do prazo referido no n.º 1 do art.º
657.º (art.º 634.º, n.º 3).

Verifica-se a adesão ao recurso sempre que, havendo vários compartes em


regime de litisconsórcio voluntário ou de coligação e com interesse comum, um dos
vencidos, que não interpôs atempadamente recurso, venha declarar que deseja
aproveitar o recurso interposto pelo seu comparte.

A lei não permite a adesão a um recurso interposto pela parte contrária, ainda
que eventualmente os interesses se conciliem.

No litisconsórcio voluntário e na coligação há uma simples acumulação de


ações, mantendo cada litigante uma posição de independência em relação aos seus
14
compartes (art.º 35.º, 2.ª parte e 36.º n.º 1)

14
Art.º 35.º - (O litisconsórcio e a ação)
No caso de litisconsórcio necessário, há uma única ação com pluralidade de sujeitos; no litisconsórcio
voluntário, há uma simples acumulação de ações, conservando cada litigante uma posição de
independência em relação aos seus compartes.

22
Manual de apoio / Recursos
O aderente, como tal, não pode ser considerado recorrente, uma vez que a
simples adesão não envolve uma situação de litisconsórcio ou de coligação na fase
de recursos.

Assim sendo, afigura-se-nos que o aderente só deverá pagar taxa de justiça se


apresentar as suas próprias alegações e, consequentemente, assumir a posição de
recorrente principal, fazendo cessar a adesão (art.ºs 634.º, n.º 4).

1.

2.

3.

3.1.

3.2. Apelação

A apelação é o recurso ordinário interposto da decisão de 1.ª instância


que põe termo à causa ou ao procedimento cautelar ou incidente processado
autonomamente. E ainda, do despacho saneador, que sem por termo ao processo
decida do mérito da causa. (art.ºs 627.º, n.º 2 e 644.º, n.º 1).

A coberto do n.º 2 do art.º 644.º, cabe ainda recurso de apelação das


seguintes decisões do tribunal de 1.ª instância:
a) Da decisão que aprecie o impedimento do juiz;
b) Da decisão que aprecie a competência absoluta do tribunal;
c) Da decisão que decrete a suspensão da instância;
d) Do despacho de admissão ou rejeição de algum articulado ou meio de prova;
e) Da decisão que condene em multa ou comine outra sanção processual; 15

Art.º 36.º - (Coligação de autores e de réus)


1. É permitida a coligação de autores contra um ou vários réus e é permitido a um autor demandar
conjuntamente vários réus, por pedidos diferentes, quando a causa de pedir seja a mesma e única ou
quando os pedidos estejam entre si numa relação de prejudicialidade ou de dependência.
15
“Diz-se pecuniária (de pecúnia) a obrigação que, tendo por objeto uma prestação em dinheiro, visa proporcionar
ao credor o valor que as respetivas espécies possuam como tais.”. “O fim essencial da obrigação pecuniária consiste

23
Manual de apoio / Recursos
f) Da decisão que ordene o cancelamento de qualquer registo;
g) De decisão proferida depois da decisão final;
h) Das decisões cuja impugnação com o recurso da decisão final seria
absolutamente inútil;
i) Nos demais casos especialmente previstos na lei.16.

Conforme já ficou dito, o recurso é interposto mediante requerimento no


qual são indicados a espécie, o efeito e o modo de subida do recurso (art.º 637.º),
e também o fundamento nos casos previstos no art.º 629.º, n.º 2 al.ªs a) e d).

A espécie será sempre a apelação, o efeito pode ser meramente devolutivo


ou suspensivo, e quanto ao modo de subida ele pode efetuar-se nos próprios autos
ou em separado.

No entanto, não se obriga o recorrente a indicar ao abrigo de que norma


interpõe o recurso, nomeadamente para os efeitos do disposto no artigo 644.º.

Assim sendo, e uma vez que o despacho de admissão do recurso só tem


lugar após o decurso dos prazos concedidos às partes (art.º 641.º, n.º 1), só aí se
fixa a espécie, se determina o efeito e se ordena a subida (n.º 5 do mesmo
preceito), convém aqui analisar mais ponderadamente o art.º 644.º, nomeadamente
no que concerne aos prazos para interposição do recurso.

Como já se disse, apenas existe o recurso de apelação e o prazo para,


cumulativamente, interpor recurso e apresentar as alegações, vai diferir consoante
a decisão de que se o recurso foi interposto dentro do prazo perentório, que vai
oscilar entre os 15 e os 30 dias, resultante da conjugação dos art.ºs 638.º e
644.º, a que poderão ainda acrescer 10 dias se a prova houver sido gravada e o
recurso tiver por objeto a sua reapreciação.

em proporcionar ao credor o valor incorporado nas espécies monetárias ou nas notas.” (João de Matos Antunes
Varela, Das Obrigações em Geral, Vol.I, 9.ª edição, págs. 874 e 876).
Exemplos de condenação no cumprimento de obrigação pecuniária são a sanção pecuniária compulsória do art.º
829.º-A do Código Civil (cfr. art.ºs 365.º, nº 2; 716.º, n.º 3; 750.º, n.º 1; 868.º, n.º 1, 874.º, n.º1 e 876.º, n.º1, todos
do CPC), e a indemnização atribuída a uma das partes ao abrigo da litigância de má-fé, nos termos do art.º 542.º,
n.º1.
16
Exemplos: os recursos interpostos nos termos dos art.º 150.º, n.ºs 5 e 6, 257.º, n.º 2 ou 559.º, n.º 2, todos do
CPC).

24
Manual de apoio / Recursos
As restantes decisões proferidas pelo tribunal de primeira instância, as
interlocutórias, podem ser impugnadas no recurso que venha a ser interposto da
decisão final ou do despacho previsto no n.º 1.

Se não houver recurso da decisão final, as decisões interlocutórias que


tenham interesse para o apelante independentemente daquela decisão podem ser
impugnadas, num recurso único, no prazo de 15 dias, após o trânsito da decisão
final.

Como atrás se disse, o requerimento de interposição de recurso é dirigido ao


tribunal que proferiu a decisão recorrida e apresentado no prazo de 30 dias,
devendo incluir as alegações.

Tratando-se de despachos ou sentenças orais, reproduzidos no processo,


ditado para a ata, o prazo para apresentação das alegações conta-se a partir do dia
em que os despachos ou sentenças foram proferidos (cfr. n.º 3 do art.º 638.º).

Porém, o n.º 1 do art.º 638.º fixa em 15 dias o prazo de interposição de


recurso nos seguintes casos:

 Processos urgentes (exemplos: providências cautelares – art.º 363.º;


insolvências - art.º 9.º do CIRE);
 Todos os previstos no n.º 2 do art.º 644.º:
a)Da decisão que aprecie o impedimento do juiz;
b) Da decisão que aprecie a competência absoluta do tribunal;
c) Da decisão que decrete a suspensão da instância;
d) Do despacho de admissão ou rejeição de algum articulado ou meio de
prova;
e) Da decisão que condene em multa ou comine outra sanção processual;
f) Da decisão que ordene o cancelamento de qualquer registo;
g) De decisão proferida depois da decisão final;
h) Das decisões cuja impugnação com o recurso da decisão final seria
absolutamente inútil;
i) Nos demais casos especialmente previstos na lei.

25
Manual de apoio / Recursos
 Todos os previstos no art.º 677.º, ou seja, nas decisões interlocutórias
de segunda instância e nos processos urgentes.

Daqui se retira que o prazo para interposição de recurso é de 30 dias


quando a decisão da 1.ª instância ponha termo ao processo ou incidente processado
autonomamente; ainda quando o despacho saneador decida do mérito da causa sem
contudo pôr termo ao processo ou absolva da instância o réu ou algum dos réus
quanto a algum ou alguns dos pedidos – art.º 638.º, n.º1 e 644.º, n.º 1.

Notas:

1. “Decidir do mérito da causa é julgar o pedido em termos de


fundo, de procedência ou improcedência.

Considera-se que decide do mérito da causa, inclusive, a


sentença ou o saneador que decidam qualquer exceção
perentória, seja em que sentido for...”- (J.O Cardona Ferreira,
Obra citada.)

Decide do mérito da causa, sem pôr termo ao processo, a decisão


proferida no despacho saneador que julgue o pedido reconvencional.

1.
2.
3.
3.1.
3.2.

3.2.1. Recurso urgente

De referir que, mesmo em processo não considerado urgente, a lei classifica


de urgente o recurso interposto da decisão que retire a palavra a mandatário
judicial ou lhe ordene a saída do local onde o ato se realiza – art.º 150.º n.º 6.

***

26
Manual de apoio / Recursos
Quanto ao modo de subida, pode ser nos próprios autos ou em separado
(art.º 645.º do CPC.)

De acordo com o n.º 1, sobem nos próprios autos as apelações interpostas :


a) Das decisões que ponham termo ao processo;
b) Das decisões que suspendam a instância;
c) Das decisões que indefiram o incidente processado por apenso;
d) Das decisões que indefiram liminarmente ou não ordenem a providência
cautelar.

3.2.2. Apelação em Separado

De acordo com o n.º 2, sobem em separado as apelações não compreendidas


no n.º 1.

Na apelação com subida em separado incumbe às partes o ónus de instrução


do recurso, indicando as peças de que pretendem certidão, logo após as conclusões
das alegações – art.º 646.º.

No entanto, não pode o juiz ficar afastado do modo como vai o recurso ser
instruído, embora não haja no atual regime recursório uma norma idêntica à do
revogado art.º 742.º do CPC de 1961, que se destinava a suprir falhas na instrução
do processo devido a deficiente indicação das peças a certificar pela secretaria.

Nesta perspetiva, no despacho em que, conjuntamente, se admite o recurso e


ordena a remessa ao tribunal superior (art.º 641.º – n.º 1), o juiz, ordenará a
passagem das certidões pertinentes.

Os advogados e solicitadores têm acesso à consulta dos processos em que


sejam patronos ou mandatários, através do sistema informático de suporte à
atividade dos tribunais – CITIUS - (art.º 132.º do C.P.C. e do art.º 27.º da Portaria n.º
280/2013, de 26 de agosto). As peças e documentos dos processos disponibilizados
através das consultas eletrónicas valem como certidão para efeitos de instrução do

27
Manual de apoio / Recursos
recurso (art.º 646.º, n.º 3), estando sujeitas à tributação prevista no n.º 4 do art.º
9.º do RCP.

As peças processuais, documentos, autos, termos e demais elementos que se


encontrarem no processo em suporte físico (cfr. art.º 28.º da Portaria n.º 280/2013),
quer constem ou não do correspondente processo digital, poderão ser consultados
pelo mandatário judicial constituído, no prazo de cinco dias, na secretaria judicial
ou fora dela (art.ºs 167.º, 646.º, n.º 2 CPC e 27.º, n.º 1-a) da Portaria n.º 280/2013).

As certidões extraídas do processo em suporte físico são tributadas nos termos


do art.º 9.º do Regulamento das Custas Processuais.

Tramitação:

 As alegações e contra-alegações são autuados num único apenso.


 Findos os prazos para as partes alegarem, o processo deve ser concluso
ao juiz para admitir o recurso, ordenar a subida ao tribunal superior e,
eventualmente, ordenar a passagem de certidões.
 A secretaria passa as certidões requeridas/ordenadas após o que
remete o processo ao tribunal superior.

 Processo eletrónico:
 A diferença consiste apenas no facto de, neste caso, os mandatários
procederem ao exame do processo através da aplicação informática
CITIUS, onde são disponibilizadas as peças processuais, documentos e
demais elementos, dentro do prazo de cinco dias.
 As peças assim disponibilizadas têm o valor de certidão para efeitos de
instrução do recurso.

***

Quanto ao efeito: admitido o recurso, é-lhe fixado o efeito meramente


devolutivo (art.º 647.º), salvo se for interposto:

28
Manual de apoio / Recursos
a) Da decisão que ponha termo ao processo em ações sobre o estado das
pessoas;

b) Da decisão que ponha termo ao processo nas ações referidas no n.º 3 do


artigo 629.º e nas que respeitem à posse ou à propriedade de casa de
habitação;
c) Do despacho de indeferimento do incidente processado por apenso
(Incidente de suspeição, embargos de terceiro, habilitação quando não
documental, habilitação do adquirente ou cessionário)

d) Do despacho que indefira liminarmente ou não ordene a providência


cautelar;
e) Das decisões previstas nas alíneas e) e f) do n.º 2 do artigo 644.º;
f) Nos demais casos previstos por lei;

Nos casos atrás referidos é fixado o efeito suspensivo da decisão (art.º


647.º n.º 3).

Fora dos casos previstos no número 3 do art.º 647.º, o recorrente pode


requerer, ao interpor o recurso, que a apelação tenha efeito suspensivo quando a
execução da decisão lhe cause prejuízo considerável e se ofereça para prestar
caução, ficando a atribuição desse efeito condicionada à efetiva prestação da
caução no prazo fixado pelo tribunal.17

O novo regime de recursos, no art.º 647.º, distingue expressamente o efeito


suspensivo do processo (n.º 2) e o efeito suspensivo da decisão (n.º 3).

O efeito suspensivo do processo só poderá acontecer em caso previsto na


lei, ou seja, em outra norma, como, por exemplo, o recurso a que alude o n.º 6 do
art.º 150.º que, além do efeito suspensivo da decisão tem também efeito
suspensivo do processo, devendo ser processado com urgência18.

17
O incidente de prestação de caução previsto no n.º 4 deste art.º 647.º é urgente (art.º 915.º, n.º 2).
18
“Sem se poder confundir autoridade/(desejável) com autoritarismo (indesejável), o art.º 154.º prevê a direção de
diligências e a eventualidade de terem de ser aplicadas medidas de gestão desses atos. Como é tradicional, e bem,
estão previstas medidas recorríveis. O que continua a suscitar-nos discordância é o efeito suspensivo de recurso, ora
da decisão, ora do próprio processo, o que pode ser, exatamente, o que o infrator poderia pretender. ....Cremos

29
Manual de apoio / Recursos
Quanto ao efeito suspensivo da decisão, a lei prevê os casos das alíneas a) a
f) do art.º 647.º acima referidas.

Quando ao recurso for atribuído efeito suspensivo: a decisão impugnada não


pode ser executada, ainda que provisoriamente, enquanto o recurso não for
definitivamente julgado pelo tribunal superior;

A decisão recorrida não adquire o valor processual de caso julgado antes da


sua confirmação pelo tribunal superior.

Quando ao recurso for atribuído efeito meramente devolutivo: a decisão


judicial é suscetível de execução provisória19 enquanto o recurso é apreciado pelo
tribunal superior.

Neste caso, a eficácia do conteúdo da decisão impugnada não sofre restrições


imediatas, embora o ato possa ser resolvido ou modificado pelo tribunal superior.

Este efeito atribui ao tribunal superior o poder de controlo sobre a decisão


recorrida, pelo que, se essa decisão for confirmada em recurso, os seus efeitos
devem retroagir à data do seu proferimento na instância recorrida.
Mediante requerimento do recorrente, a apelação pode ter efeito
suspensivo, quando a execução da decisão cause prejuízo considerável e ofereça
caução, ficando tal efeito condicionado à efetiva prestação da caução (647.º, n.º 4).
Quando se execute sentença da qual haja sido interposto recurso com
efeito meramente devolutivo, sem que a parte vencida haja requerido a atribuição
do efeito suspensivo, nos termos do n.º 4 do artigo 647.º, nem a parte vencedora
haja requerido a prestação de caução, nos termos do n.º 2 do artigo 649.º, o
executado pode obter a suspensão da execução, mediante prestação de caução –
art.º 704.º, n.º 5.

que, salvo pedido do requerente e razoável evidência de “prejuízo considerável” casuístico, o efeito de recurso, no
âmbito do art.º 154.º, de princípio, deveria ser meramente devolutivo”. (J.O. Cardona Ferreira, obra citada,
pág.145.).(O artigo 154.º é do CPC de 1961 a que corresponde hoje o art.º 150.º)
19
Enquanto a sentença estiver pendente de recurso não pode o exequente ou qualquer credor ser pago sem prestar
caução – art.º 704.º n.º 3 e se o bem penhorado for a casa de habitação efetiva do executado, o juiz pode, a
requerimento daquele, determinar que a venda aguarde a decisão definitiva, nos termos do n.º 4.

30
Manual de apoio / Recursos
Para servir de base à execução, pode o apelado requerer, a todo o tempo, a
extração do traslado, indicando as peças que, além da sentença, ele deve abranger
– art.º 649.º n.º 1.

O requerimento de prestação de caução é autuado por apenso – art.º 915.º


n.º 1.
20
É de salientar que este incidente é urgente por força do disposto no n.º 2
do art.º 915.º do C.P.C.

Se a prestação da caução ou a falta dela der causa a demora excedente a 10


dias, extrair-se-á traslado para se processar o incidente e a apelação seguirá os
seus termos.

Este traslado só compreende, além da sentença, as peças que sejam


indispensáveis, designadas por despacho (art.º 650.º).



Nada obstando à admissibilidade do recurso, o juiz deve proferir despacho


fixando o efeito e regime de subida, bem como ordenar a respetiva subida (art.ºs
641.º, 645.º e 647.º).

O recurso é indeferido quando a decisão não admita recurso, quando for


extemporâneo ou o requerente não tenha as condições necessárias para recorrer;
ainda quando o requerimento de interposição não contenha ou não junte a alegação
do recorrente ou quando esta não tenha conclusões (al.ªs a) e b) do n.º 2 do art.º
641.º).
O recurso pode ser considerado deserto quando o recorrente não tenha
apresentado a alegação 21 , nos termos do n.º 2 do art.º 637.º, ou quando, por
negligência sua, esteja parado durante mais de seis meses. É também julgado

20
Dado o carácter urgente deste incidente, aplica-se-lhe a regra da precedência dos respetivos atos processuais
sobre qualquer outro serviço judicial não urgente, à semelhança do que acontece com os Procedimentos Cautelares
e Insolvências.
Do mesmo modo, é aplicável a regra da continuidade dos prazos e a sua não suspensão durante as férias judiciais,
por força do disposto no art.º 138.º - n.º1 do C. Proc. Civil.
21
Da conjugação dos art.ºs 637.º e 641.º, resulta que apenas pode configurar situação de deserção por falta de
alegações, o caso de interposição de recurso de despachos ou sentenças orais, reproduzidos no processo, uma vez
que, no caso de interposição por requerimento escrito, tal omissão dá lugar ao indeferimento previsto na al. b) do
n.º 2 do art.º 641.º.

31
Manual de apoio / Recursos
deserto o recurso se decorrer mais de um ano sem que se promovam os termos do
incidente que tenha surgido com efeito suspensivo (cfr. art.º 281.º n.ºs 2 e 3).
De acordo com o n.º 4 do art.º 281.º, a deserção é julgada no tribunal onde
se verificar a falta, por simples despacho do juiz ou do relator.

Havendo vários recorrentes, ainda que representados por advogados


diferentes o prazo das respetivas alegações é único, incumbindo à secretaria
providenciar para que todos possam proceder ao exame do processo durante o prazo
de que beneficiam (art.ºs 167.º e 638.º n.º 9).

Se a ampliação do objeto do recurso for requerida pelo recorrido nos termos


do art.º 636, pode ainda o recorrente responder à matéria da ampliação, nos 15
dias posteriores à notificação do requerimento (art.º 638.º, n.º 8).


Tramitação:
 Junção do requerimento de interposição de recurso, juntamente com
as alegações, com o documento comprovativo do prévio pagamento da
taxa de justiça;
 Notificação do recorrido, para no mesmo prazo do recorrente,
apresentar as suas contra-alegações (art.º 638.º n.º 5). Esta notificação
deve ser efetuada pelo mandatário do recorrente ao mandatário do
recorrido (art.ºs 221.º, 255.º e art.º 16.º da portaria 280/2013, de 26
de agosto);
 Junção das alegações do recorrido com o documento comprovativo do
prévio pagamento da taxa de justiça;
 Conclusão (art.º 641.º);
 Expedição para o tribunal superior,
 Se o recurso tiver por objeto a reapreciação da prova gravada, ao
prazo para interposição do recurso e para resposta, 30 dias,
acrescem mais 10 dias (art.º 638.º n.º 7).
 A secretaria deve aguardar por 40 dias a eventual interposição de
recurso atento a que a prova é sempre gravada.

32
Manual de apoio / Recursos
 Havendo necessidade de transcrição da prova gravada, será a mesma
efetuada pela parte (art.º 640.º n. 2)

33
Manual de apoio / Recursos
RECURSO DE APELAÇÃO
(Art.ºs 638.º, 644.º, 645.º e 647.º CPC)
PRAZO DE EFEITO
DECISÃO RECORRIDA INTERPOSIÇÃO E MODO DE SUBIDA
RESPOSTA (a) (b)

Que ponha termo ao processo 30 Nos autos Devolutivo

Despacho saneador que, sem por termo


ao processo, decida do mérito da causa
30 Separado Devolutivo
ou absolva da instância o réu ou algum
dos réus

Que ponha termo ao processo em ações


30 Nos autos Suspensivo
sobre o estado das pessoas

Nos autos/
Processos urgentes 15 Devolutivo
separado

Que aprecie impedimento do juiz 15 Separado Devolutivo

Que aprecie a competência absoluta do


15 Nos autos Devolutivo
tribunal

Que decrete a suspensão da instância 15 Nos autos Devolutivo

Que admita ou rejeite articulado ou meio Suspensivo da


15 Separado
de prova decisão

Que condene em multa ou comine outra Suspensivo da


15 Separado
sanção processual decisão

Que ordene o cancelamento de qualquer Suspensivo da


15 Separado
registo decisão

Proferida depois da decisão final 15 Separado Devolutivo

Cuja impugnação com o recurso final


15 Separado Devolutivo
seria absolutamente inútil

Demais casos previstos na lei 15 Separado Devolutivo

Decisões interlocutórias quando não haja


15 (c) Separado Devolutivo
recurso a final

Suspensivo da
decisão/
Art.º 150.º n.ºs 5 e 6 (d) 15 Separado
processo

34
Manual de apoio / Recursos
(a) A estes prazos acrescem 10 dias se o recurso tiver por objeto a reapreciação da
prova gravada.
(b) Em regra o efeito é meramente devolutivo (art.º 647.º).
(c) Após trânsito da decisão.
(d) Deve ser processado como urgente.

3.3. Reclamação

Do despacho que não admita o recurso, cabe reclamação.

A reclamação, apresentada na secretaria do tribunal recorrido, é dirigida ao


Tribunal Superior que seria competente para conhecer do recurso, dentro de 10
dias, contados da notificação do despacho que não admita o recurso (art.º 643.º).

O recorrido pode responder à reclamação apresentada pelo recorrente, em


prazo idêntico ao concedido ao recorrente.

A reclamação é apresentada na secretaria do tribunal recorrido, autuada por


apenso aos autos principais e é sempre instruída com o requerimento de
interposição de recurso e as alegações, a decisão recorrida e o despacho objeto de
reclamação.

A reclamação, logo que distribuída 22 é apresentada logo ao relator, que, no


prazo de 10 dias, profere decisão que admita o recurso ou o mande subir ou
mantenha o despacho reclamado.

Se o relator não se julgar suficientemente elucidado com os documentos


referidos atrás referidos, pode requisitar ao tribunal recorrido os esclarecimentos ou
as certidões que entenda necessários.

Se a reclamação for deferida, o relator requisita o processo principal ao


tribunal recorrido, que o fará subir no prazo de 10 dias.

22
Espécie 5.ª – art.º 214.º.

35
Manual de apoio / Recursos
4. ESPECIFICIDADES DA AÇÃO EXECUTIVA

Em matéria de recursos, versam os artigos 852.º a 854.º.

Estas disposições são aplicáveis às execuções para pagamento de quantia


certa, para entrega de coisa certa e para prestação de facto por força do disposto
no art.º 551.º n.º 2.

Aplica-se o regime estabelecido para os recursos do processo declarativo, aos


recursos de apelação interpostos de decisões proferidas em procedimentos ou
incidentes de natureza declaratória, inseridos na tramitação da ação executiva
(art.º 853.º)

Cabe ainda recurso de apelação, nos termos gerais:

 Das decisões previstas no n.º 2 do art.º 644.º, quando aplicável à ação


executiva;
 Da decisão que determine a suspensão, a extinção ou anulação da
execução;
 Da decisão que se pronuncie sobre a anulação da venda;
 Da decisão que se pronuncie sobre o exercício do direito de preferência
ou remição.

Cabe sempre recurso do despacho:

 De indeferimento liminar, ainda que parcial do requerimento


executivo;
 De rejeição do requerimento executivo proferido ao abrigo do disposto
no art.º 734.º.

Quanto à subida e aos efeitos dos recursos dos despachos acima identificados
de decisões que não ponham termo à execução nem suspendam a instância, sobem
imediatamente, em separado e com efeito meramente devolutivo.

Sem prejuízo dos casos em que é sempre admissível recurso para o Supremo
Tribunal de Justiça, o recurso de revista apenas é admitido dos acórdãos da

36
Manual de apoio / Recursos
Relação proferidos em recurso nos procedimentos de liquidação não dependente
de simples cálculo aritmético, de verificação e graduação de créditos e de
oposição deduzida à execução (art.º 854.º).

5. DOS RECURSOS NOS TRIBUNAIS SUPERIORES

O Decreto-Lei n.º 303/2007, de 24 de Agosto, alterou o regime dos recursos


e dos conflitos em processo civil através, nomeadamente:

o O valor da alçada da Relação foi elevado para € 30.000;

o O valor da alçada do tribunal de 1.ª instância foi elevado para € 5.000;

o A regra da dupla conforme, pela qual se consagra a inadmissibilidade de


recurso do acórdão da Relação que confirme, sem voto de vencido e ainda que por
diferente fundamento, a decisão proferida na 1ª instância;

o A possibilidade de haver sempre recurso, independentemente do valor da


alçada e da sucumbência nas decisões proferidas contra jurisprudência
uniformizada do STJ;

o A eliminação da figura do recurso de agravo, passando, no novo regime


recursório, a apelação a abranger as decisões elencadas no regime anterior como
suscetíveis de recurso de agravo.

o A introdução de dois regimes para uniformização de jurisprudência:

o A ampliação do recurso ordinário de revista previsto nos art.ºs 732.º-


A e 687.º; e

o O recurso extraordinário do acórdão do STJ para o pleno das secções


cíveis previsto nos art.ºs. 688.º a 695.º.

37
Manual de apoio / Recursos
Com entrada em vigor do NCPC, a nível dos tribunais superiores, as alterações
mais significativas são:

o Os novos poderes/deveres atribuídos ao Tribunal da Relação em matéria de


facto- cfr. art.º 662.º. Efetivamente, com o NCPC, o Tribunal da Relação, além de
poder reapreciar, renovar os meios de prova, anular a decisão de 1.ª instância ou
exigir a sua adequada fundamentação, como podia até aqui, deve, inclusive,
oficiosamente, ordenar, em caso de dúvida fundada sobre a prova realizada, a
produção de novos meios de prova, repetindo a instrução, discussão e julgamento da
causa de acordo com as regras vigentes para a 1.ª instância, podendo as partes
juntar pareceres de jurisconsultos até ao prazo da elaboração do projeto de acórdão
– art.º 651.º n.º 2.
o No que toca ao recurso de revista, afirma-se que se procedeu a um
ajustamento das condições em que se dá como verificada a “dupla conforme” em
termos de impedir o recurso de revista, já que diferentemente do regime ora
vigente, é exigido que o acórdão da Relação confirme a decisão proferida na 1.ª
instância, sem voto de vencido e sem fundamentação essencialmente diferente.
o Note-se como inovação importante a regra do art.º 218.º do NCPC, a qual
dispõe que, em caso de anulação ou revogação da decisão recorrida ou do exercício
pelo STJ de poderes do n.º 3 do art.º 682.º, se tiver de ser proferida nova decisão no
tribunal recorrido e dela for interposta nova apelação ou revista, “o recurso é,
sempre que possível, distribuído ao mesmo relator”.
o O n.º 5 do art.º 652.º vem ajustar as normas reguladoras para os tribunais
de 1.ª Instância, no que respeita as decisões sobre a incompetência relativa, aos
tribunais superiores, ou seja, no caso de se verificar incompetência relativa, do
acórdão da conferência pode ser apresentada reclamação (não recurso, como
previsto anteriormente) com efeito suspensivo. Esta reclamação deve ser
interposta para o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o qual decide
definitivamente a questão (cfr. novo regime constante dos arts. 102.º a 108.º do
NCPC em especial, art.º 108.º, n.º 2).

<>

38
Manual de apoio / Recursos
4.

5.

5.1. Tribunal da Relação

Os tribunais da Relação são, em regra, tribunais de 2.ª instância - cfr. art.º 67.º da LOSJ.

Funcionamento:

Os tribunais da Relação compreendem secções em matéria cível, em matéria


penal e em matéria social e funcionam, sob a direção de um presidente, em
plenário e por secções - cfr. art.ºs 67.º da LOSJ.

O julgamento nas secções é efetuado por três Juízes, cabendo a um Juiz as


funções de relator e aos outros, as de adjunto. – cfr. art.ºs 74.º e 56.º LOSJ.

4.

5.

5.1.

5.1.1. Competências

Ao presidente da Relação compete, entre outras:

- Conhecer dos conflitos de competência cuja apreciação competia


anteriormente às secções – cfr. art.º 76.º n.º 2 da LOSJ;

Às secções

compete, segundo a sua especialização e de acordo com o art.º 73.º da


LOSJ:
- Julgar recursos;

39
Manual de apoio / Recursos
- Julgar as ações propostas contra juízes de direito e juízes militares
de 1.ª instância, procuradores da República e procuradores-adjuntos, por
causa das suas funções;
- Julgar processos por crimes cometidos pelos magistrados e Juízes militares
referidos na alínea anterior e recursos em matéria contraordenacional a eles
respeitantes;
- Julgar os processos Judiciais de cooperação judiciária internacional em
matéria penal;
- Julgar os processos de revisão e confirmação de sentença estrangeira, sem
prejuízo da competência legalmente atribuída a outros Tribunais;
- Conceder o exequatur às decisões proferidas pelos Tribunais eclesiásticos;
- Julgar, por intermédio do relator, os termos dos recursos que lhe estejam
cometidos pela lei de processo;
- Praticar, nos termos da lei de processo, os atos jurisdicionais relativos ao
inquérito, dirigir a instrução criminal, presidir ao debate instrutório e proferir
despacho de pronúncia ou não pronúncia nos processos referidos na alínea c);
- Exercer as demais competências conferidas por lei.

5.1.2. Espécies de processos (área cível)

No Tribunal da Relação existem as seguintes espécies (art.º 214.º):

1.ª- Apelações em processo comum e especial

São os recursos ordinários interpostos, em processos comuns e especiais, das


decisões finais e dos despachos saneadores que, não pondo termo aos processos,
decidam do mérito da causa (cfr. art.º 644.º, n.º 1), e os interpostos das decisões
interlocutórias da 1.ª instância (cfr. art.º 644.º, n.ºs 2 a 4).

40
Manual de apoio / Recursos
Nos processos comuns de valor inferior à alçada da 1.ª instância, em geral, não
é admissível recurso da sentença a não ser por violação das regras de competência
internacional ou em razão da matéria ou da hierarquia (incompetência absoluta), ou
por ofensa do caso julgado (cfr. art.º 629.º, n.º 2) e 96.º, al. a).

2.ª -Recursos em processo penal;

3.ª - Conflitos e revisão de sentenças de tribunais estrangeiros;

Nesta espécie encontram-se os conflitos de jurisdição e competência


previstos nos art.ºs 109.º a 114.º, os quais passam a ser resolvidos pelos Presidentes
dos tribunais superiores para que se recorre. Trata-se de matéria que deixa de estar
afeta às respetivas secções, ao pleno das secções ou ao plenário.

Uma sentença estrangeira, para ter efeitos executivos e de caso julgado em


Portugal, tem de ser revista e confirmada pelo Tribunal da Relação, nos termos
previstos nos art.ºs 978.º a 985.º, salvo se houver tratado ou convenção em
contrário.

4.ª - Causa de que a Relação conhece em 1.ª instância

Nesta espécie de distribuição temos o “ exequatur”.

Por exemplo, de acordo com o n.º 1 do artigo 1626.º do Código Civil as


decisões dos tribunais e repartições eclesiásticas, quando definitivas, sobem ao
Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica para verificação e são, depois, com os
decretos desse Tribunal, transmitidas por via diplomática ao tribunal da Relação
territorialmente competente, que as tornará executórias, independentemente de
revisão e confirmação, e mandará que sejam averbadas no registo civil.

Aos Tribunais Eclesiásticos compete, assim, decidir sobre a validade do


casamento canónico e a dispensa do casamento rato e não consumado.

O Tribunal da Relação conhece em primeira instância, entre outros, os


seguintes processos:

41
Manual de apoio / Recursos
 Ação de indemnização contra magistrados prevista nos art.ºs 967.º e
seguintes.

 Perda de direito de asilo (art.º 39.º, n.º 2 da Lei n.º 15/98, de 26/3).

 Pedido de escusa (art.º 119.º).

5.ª - Reclamação

É a reclamação contra o indeferimento do recurso prevista no art.º 643.º.

5.2. RECURSO DE APELAÇÃO

TRAMITAÇÃO

Recebidos os autos no tribunal da Relação, procede-se à distribuição nos


termos dos art.ºs 204.º e 214.º, e o juiz a quem o processo for distribuído fica a ser
o relator (art.º 652.º, n.º 1).
Com a distribuição ficam também fixados os juízes adjuntos, segundo a ordem
de precedência, seguintes ao relator - cfr. art.ºs 652.º, n.º 2 do CPC e 56.º, n.º 2 e
74.º, n.º 1 da LOSJ.

Distribuído e autuado o processo, é o mesmo concluso ao relator para


despacho liminar, em que fará o saneamento de eventuais questões prejudiciais tais
como, a correção do efeito e do modo de subida do recurso, ou a verificação de
quaisquer circunstâncias que obstem ao conhecimento do objeto do recurso (cfr.
art.º 652.º, n.º 1-b), nomeadamente, por:

- A decisão não admitir recurso;


- Ilegitimidade das partes;
- Extemporaneidade do recurso;
- A decisão recorrida não é desfavorável ao recorrente em valor superior a
metade ao valor da alçada do tribunal de 1.ª instância;
- O recorrente não juntar as alegações com o requerimento, e/ou aquelas
não conterem conclusões.

42
Manual de apoio / Recursos
Entendendo não poder conhecer do objeto do recurso, o relator mandará
notificar as partes para se pronunciarem no prazo de 10 dias (cfr. art.º 655.º, n.º 1),
salvo se a questão prejudicial tiver sido suscitada por uma das partes, caso em que
apenas será ouvida a contraparte que não haja tido oportunidade de se pronunciar
(cfr. n.ºs 2 dos art.ºs 654.º e 655.º).

A decisão que não conheça do objeto do recurso é irrecorrível, apenas


podendo ser impugnada através de reclamação para a conferência – art.º 652.º, n.ºs
3 e 4.

Vejamos outras situações que podem ocorrer:

 Correção do efeito atribuído ao recurso e ao modo de subida e convite


ao aperfeiçoamento das conclusões das alegações

 Quanto ao erro no modo de subida

Se o recurso tiver subido em separado, quando devesse subir nos próprios


autos, o relator após proferir decisão, que é notificada às partes, requisita o
processo ao tribunal recorrido.

Recebido o processo na Relação, o caderno separado em que o recurso antes


subiu é incorporado naquele e o recurso é, daí em diante, tramitado nos próprios
autos do processo.

Decidindo o relator, inversamente, ou seja, que o recurso que subiu nos


próprios autos deveria ter subido em separado, o tribunal notifica as partes para
indicarem as peças processuais necessárias à instrução do recurso, as quais são
autuadas com o requerimento de interposição do recurso e com as alegações,
formando um apenso e baixando, em seguida, os autos principais à 1.ª instância. –
cfr. art.º 653.º.

 Erro quanto ao efeito do recurso

43
Manual de apoio / Recursos
O relator pode entender que o efeito atribuído ao recurso pelo juiz do tribunal
da 1.ª instância deve ser alterado, pelo que, antes de proferir uma decisão, poderá
mandar notificar as partes para se pronunciarem em cinco dias - cfr. art.º 654.º, n.º
1, salvo se já o tiverem feito (n.º 2).

Decidindo o relator que à apelação, recebida pelo juiz no tribunal “a quo”


com efeito meramente devolutivo, deveria ter sido atribuído o efeito suspensivo, o
apelante poderá, depois de notificado deste despacho, requerer, no prazo de 10
dias (art.º 149.º), a expedição dum ofício ao tribunal da 1.ª instância para ser
suspensa a execução, no qual se identificará a sentença em execução a suspender –
cfr. art.º 654.º, n.º 3.

Quando, ao invés, se julgue que a apelação, recebida nos dois efeitos, devia
sê-lo no efeito meramente devolutivo, o relator, a requerimento do apelado (a
apresentar no prazo de 10 dias a contar da notificação do despacho liminar),
mandará extrair traslado (a expensas do apelado) contendo o acórdão, a sentença
recorrida e eventualmente outras peças que forem indicadas, traslado que baixará à
1.ª instância a fim de permitir ao apelado a instauração da respetiva ação executiva
– cfr. art.ºs 654.º, n.º 4 e 649.º e seguintes.23

 Aperfeiçoamento das conclusões das alegações

Sendo o recorrente convidado a aperfeiçoar as conclusões das alegações no


prazo de cinco dias, nos termos do n.º 3 do art.º 639.º, o recorrido tem igual prazo
(a contar da notificação feita nos termos dos art.ºs 221.º e 255.º) para responder.

 Prolação de decisão sumária


Se o relator entender que a questão a decidir é simples, designadamente por
ter já ter sido jurisdicionalmente apreciada, de modo uniforme e reiterado, profere
então decisão sumária, que pode consistir em simples remissão para as precedentes
decisões, de que se juntará cópia - cfr. art.º 656.º.
23
“A norma reporta-se à situação em que a apelação tenha sido recebida ”nos dois efeitos”, o que à primeira vista,
parece contrariar a alternativa antes suposta. Mas, como referem LEBRE DE FREITAS e RIBEIRO MENDES, CPC anot.,
vol. III, pág. 80, a tal segmento subjaz a constatação de que o “efeito suspensivo” também é “devolutivo”, na
medida em que atribui a tribunal superior a tarefa de reapreciar a decisão. A alternativa a tal efeito suspensivo (e
também devolutivo) é, assim, a atribuição de efeito “meramente devolutivo” (e por isso, não suspensivo da eficácia
da decisão ou da tramitação do processo).” – Abrantes Geraldes, obra citada, nota de rodapé n.º 297, pág. 238.

44
Manual de apoio / Recursos
O relator pode igualmente concluir que o recurso é infundado.

Quer numa situação quer noutra, estamos no âmbito de uma decisão


individual proferida pelo relator, não influindo naturalmente nesta a opinião dos
adjuntos. Desta decisão não cabe recurso para o STJ, a não ser que sobre tal decisão
haja impugnação, caso em que será submetida à conferência (relator e dois
adjuntos) de cujo acórdão cabe recurso - cfr. art.º 652.º, n.ºs 2 e 3.

 Realização de diligências
Esta faculdade prende-se ao art.º 6.º e 411.º, quanto aos poderes atribuídos ao
relator de direção do processo, nesta fase (cfr. n.º 1 do art.º 652.º).

Por exemplo, o relator pode determinar a renovação dos meios de prova nos
termos do n.º 3 do art.º 662.º, ou solicitar ao tribunal “a quo” qualquer certidão que
não tenha acompanhado o processo.

 Autorização ou recusa de junção de documentos e pareceres


A junção de documentos nesta fase do processo deve ser feita em conjunto
com a apresentação do requerimento de interposição de recurso e das alegações,
competindo ao juiz relator pronunciar-se sobre a sua admissibilidade ou rejeição -
cfr. art.º 651.º.

 Apreciação de incidentes suscitados


Sobre esta matéria, tenha-se em atenção que os incidentes inominados
seguem a disciplina dos art.ºs 292.º a 294.º.

 Suspensão da instância
Estamos perante as situações previstas nos art.ºs 269.º a 272.º do CPC.

 Julgar extinta a instância por causa diversa do julgamento ou julgar


findo o recurso, por não haver que conhecer do seu objeto
Quanto à extinção da instância, os motivos pela qual a mesma se opera estão
reportados no art.º 277.º do CPC.

45
Manual de apoio / Recursos
 Prosseguimento do recurso
Como já vimos, o relator para além de proferir despacho de aperfeiçoamento
ou julgar sumariamente o objeto do recurso, pode entender que o processo se
encontra em condições de prosseguir, ou seja, a seu ver não existem quaisquer
circunstâncias que obstem ao conhecimento do objeto do recurso.

O relator profere, então, despacho de admissão, o qual será depois notificado


às partes. Posteriormente, o processo volta ao relator, dispondo o mesmo do prazo
de 30 dias para elaborar o projeto de acórdão (art.º 657.º, n.º 1), ordenando-se a
inscrição do processo em tabela.

Esta tabela, que é assinada pelo presidente do tribunal ou da secção,


conforme o caso, é dada publicidade através da afixação em local próprio do
tribunal - cfr. art.ºs 51.º e 71.º, da LOSJ.

Com a inscrição do processo em tabela, ou seja, com a indicação do dia que


for designado para julgamento, fica-se a saber qual a data correspondente à sessão
anterior à daquele dia, porque é na sessão anterior ao julgamento do recurso que o
processo, acompanhado com o projeto de acórdão, vai com vista simultânea, por
meios eletrónicos, aos dois juízes-adjuntos, pelo prazo de cinco dias, ou, quando tal
não for tecnicamente possível, o relator ordena a extração de cópias do projeto de
acórdão e das peças processuais relevantes para a apreciação do objeto da
apelação. Se o volume das peças relevantes tornar excessivamente morosa a
extração de cópias, o processo vai com vista aos dois adjuntos, pelo prazo de cinco
dias a cada um. O relator pode, igualmente, dispensar os vistos aos adjuntos - cfr.
art.º 657.º.

Havendo necessidade de inscrever um novo processo para julgamento, é


ordenado à secção o aditamento da tabela.

No dia do julgamento, o relator começa por fazer uma apresentação sucinta


do projeto de acórdão e, de seguida, procede-se à votação seguindo-se a ordem de
intervenção no processo dos juízes-adjuntos – cfr. art.ºs 659.º, n.º 3 e 652.º, n.º 2.

46
Manual de apoio / Recursos
A decisão tanto pode ser tomada por unanimidade, como por maioria. Há
unanimidade, quando todos os intervenientes (relator e adjuntos) têm o mesmo
sentido de voto na decisão que conduzirá ao acórdão definitivo, lavrado pelo juiz
relator – cfr. art.º 659.º, n.º 3. A decisão é tomada por maioria quando há dois votos
conformes contra um voto vencido, sendo que no caso de não ser possível formar-se
maioria entre os três, o presidente desempata - cfr. art.º 659.º, n.º 3.

Aos vícios e à reforma do acórdão aplicam-se as disposições dos art.ºs 613.º a


617.º (cfr. art.ºs 666.º a 668.º).

Se do acórdão não for interposto recurso, o processo baixa à 1.ª instância,


sem ficar na Relação qualquer traslado – art.º 669.º.

6. DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO PARA O SUPREMO TRIBUNAL DE


JUSTIÇA

De acordo com o n.º 3 do art.º 652.º e, salvo o disposto no artigo 643.º,


quando a parte se considere prejudicada por qualquer despacho do relator, que não
seja de mero expediente, pode requerer que sobre a matéria do despacho recaia um
acórdão; o relator deve submeter o caso à conferência, depois de ouvida a parte
contrária.

O acórdão da conferência é suscetível de recurso nos termos previstos na


segunda parte do n.º 4 do artigo 671.º, que mais adiante analisaremos. Daqui se
infere que não cabe recurso das decisões individuais.

6.

6.1. Recurso de Revista

De acordo com o estipulado no n.º 1 do art.º 671.º cabe recurso de revista


para o Supremo Tribunal de Justiça do acórdão da Relação proferido sobre a
decisão do tribunal de 1.ª instância que conheça do mérito da causa ou que

47
Manual de apoio / Recursos
ponha termo ao processo, absolvendo da instância o réu ou alguns dos réus
quanto ao pedido ou reconvenção deduzidos.

Prazo para a interposição de recurso:

É de 30 dias o prazo para a interposição do recurso, contado a partir da


notificação da decisão às partes pelo Tribunal - cfr. art.º 671.º, n.º 1 ex vi do art.º
638.º, n.º 1.

Efeito do recurso

Em regra, o recurso tem efeito devolutivo, à exceção das ações sobre o estado
de pessoas em que tem efeito suspensivo - cfr. art.º 676.º, n.º 1.

Modo de subida

Nuns casos sobe nos próprios autos, enquanto noutros sobre em separado, nos
termos previstos no art.º 675.º.

Vícios e reforma do acórdão

Tal como acontece na 1.ª instância, em que as decisões proferidas são


suscetíveis de serem retificadas ou reformadas de acordo nos termos dos art.ºs
613.º a 617.º, também os acórdãos proferidos na Relação estão sujeitos às mesmas
regras - art.º 666.º.

Também aqui, importa saber se o acórdão admite ou não recurso de revista.


No caso de admitir, a parte terá de interpor recurso e suscitar a questão na sua
alegação. Se, ao invés, o acórdão não admitir recurso, o meio de reação será
através de requerimento dirigido ao juiz conselheiro que submetê-lo-á à
conferência.

Se na sequência das questões levantadas (reforma, retificação ou arguição de


nulidades) a parte persistir em apresentar reclamações e levante sistematicamente

48
Manual de apoio / Recursos
incidentes no sentido de impedir o trânsito em julgado da decisão, o Relator em
conferência ordena que seja cumprido o disposto no art.º 670.º, baixando os autos à
1ª Instância, ficando na Relação o incidente autuado por apenso à ação respetiva, a
qual transita, ficando a aguardar a decisão deste incidente nos termos da parte final
do art.º 670.º n.º 2.

Tramitação

- O prazo para interposição do recurso é de 30 dias, após notificação do


acórdão da Relação;

 Junção do requerimento de interposição de recurso que deve ser


acompanhado das alegações, devendo o recorrente indicar a espécie, o efeito e o
modo de subida do recurso24,
- Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrente ao mandatário do
recorrido das alegações (art.ºs 221.º e 255.º)25
- Junção das alegações do recorrido, com o documento comprovativo do prévio
pagamento da taxa de justiça inicial; as contra-alegações são notificadas pelo
mandatário do recorrido ao mandatário do recorrente, devendo aquele apresentar o
respetivo comprovativo
 Conclusão e despacho;
 Remessa do processo ao STJ.

Quanto aos acórdãos interlocutórios ou intercalares temos três situações a


analisar:

a) Os acórdãos interlocutórios proferidos na pendência do processo na


Relação que acompanham o recurso de revista (art.º 673.º).

24
No recurso de revista excecional (art.º 672.º) e no recurso para uniformização de jurisprudência (art.º 688.º),
devem ser indicados os motivos que devem levar o tribunal a admiti-los.
25
A junção do documento comprovativo da notificação à parte contrária fica dispensada se as peças processuais
forem tramitadas eletronicamente nos termos definidos na Portaria n.º 280/2013, de 26/8.

49
Manual de apoio / Recursos
Estamos assim, perante acórdãos interlocutórios proferidos pela Relação, que
não são recorríveis autonomamente, ou seja, são acórdãos que apenas podem ser
impugnados no recurso de revista que venha a ser interposto no âmbito de apelações
de decisões da 1ª instância que conheça do mérito da causa ou que ponha termo ao
processo, absolvendo da instância o réu ou algum dos réus quanto a pedido ou
reconvenção deduzidos. Excetuam esta regra:

 Os acórdãos cuja impugnação com o recurso de revista seria


absolutamente inútil;
 Os demais casos expressamente previstos na lei, como por
exemplo o estatuído no n.º 5 do art.º 116.º.

Em resumo, são acórdãos, cuja interposição de recurso ocorre


conjuntamente com a interposição de recurso do acórdão final.

Prazo para a interposição de recurso

O prazo para a interposição do recurso é de 30 dias contados a partir da


notificação do acórdão “final “ às partes. Devemos ter em conta que nesta situação
o requerimento de interposição de recurso abrange para além das decisões previstas
no n.º 1 do art.º 671.º, os acórdãos interlocutórios que a parte pretende impugnar
em conjunto com aquelas.

Modo de subida:

O recurso destas decisões acompanha o recurso das decisões finais, por isso, a
subida é nos próprios autos.

Efeito da interposição do recurso:

Por regra, efeito meramente devolutivo, mesmo nos casos em que o recurso da
decisão final tenha efeito suspensivo, esse efeito não se comunica à decisão
interlocutória impugnada conjuntamente com a decisão final.

50
Manual de apoio / Recursos
Tramitação

- O prazo para interposição do recurso “cola-se” ao prazo de 30 dias previsto


no ponto 1, após notificação do acórdão “final”;

 Junção do requerimento de interposição de recurso que deve ser


acompanhado das alegações, devendo o recorrente indicar a espécie, o efeito e o
modo de subida do recurso,
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrente ao mandatário do
recorrido das alegações. (art.ºs 221.º e 255.º)
 Junção das alegações do recorrido, com o documento comprovativo do
prévio pagamento da taxa de justiça inicial;
 Conclusão e despacho;
 Remessa do processo ao STJ.

b) Os acórdãos interlocutórios proferidos na pendência do processo que


são “autónomos”.

A lei prevê a possibilidade situações de exceção, ou seja, prevê a hipótese de


haver recursos de acórdãos interlocutórios que não precisam acompanhar recursos
previstos no n.º 1 do art.º 671.º.

Essas situações de exceção são as que a seguir se indicam desde que os


acórdãos apreciem decisões interlocutórias que recaiam unicamente sobre a
relação processual (art.º 671.º, n.º2):

o Nos casos em que o recurso é sempre admissível;


o Quando estejam em contradição com outro, já transitado em julgado,
proferido pelo Supremo Tribunal de Justiça, no domínio da mesma
legislação e sobre a mesma questão fundamental de direito, salvo se
tiver sido proferido acórdão de uniformização de jurisprudência com ele
conforme.

51
Manual de apoio / Recursos
São também autónomos os recursos previstos nas alíneas a) e b) do art.º
673.º como foi já referido.

Prazo para a interposição de recurso

São recursos de revista “autónomos” e o prazo para a interposição é de 15


dias, contados a partir da notificação da decisão às partes pelo Tribunal. - cfr. artº
677.º.

Efeito da interposição do recurso

Efeito meramente devolutivo – art.º 676.º-n.º 1 a contrario.

Modo de subida:

O recurso destas decisões tem subida em separado. – cfr. art.º 675.º, n.º 2.

Tramitação

 Junção do requerimento de interposição de recurso que deve ser


acompanhado das alegações, devendo o recorrente indicar a espécie, o efeito e o
modo de subida do recurso;
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrente ao mandatário do
recorrido das alegações. (art.ºs 221.º e 255.º)
 Junção das alegações do recorrido no prazo de 15 dias, com o documento
comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial;
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrido ao mandatário do
recorrente das contra-alegações. (art.ºs 221.º e 255.º)
 Conclusão e despacho;
 Remessa do apenso ao STJ.

c) Os acórdãos interlocutórios proferidos na pendência do processo


quando não há ou é inadmissível recurso de revista, de decisões
previstas no n.º 1 do art.º 671.º e que também são autónomos.

52
Manual de apoio / Recursos
Se não houver ou não for admissível recurso de revista das decisões
previstas no n.º 1, os acórdãos proferidos na pendência do processo na Relação
podem ser impugnados, caso tenham interesse para o recorrente
independentemente daquela decisão, num recurso único a interpor após o trânsito
em julgado daquela decisão, no prazo de 15 dias após o referido trânsito – n.º 4
do art.º 671.º.

Prazo para a interposição de recurso

O recurso é interposto no prazo de 15 dias após o termo do prazo de 30 dias


que a lei estipula para interposição de recurso do acórdãos – cfr. 671.º n.º 4

Efeito da interposição do recurso

Efeito meramente devolutivo – art.º 676.º, n.º 1 a contrario.

Modo de subida

O recurso destas decisões tem subida em separado. – cfr. art.º 675.º, n.º 2.

Tramitação (cfr.a tramitação da apelação em separado)

 Junção do requerimento de interposição de recurso que deve ser


acompanhado das alegações, devendo o recorrente indicar a espécie, o efeito e o
modo de subida do recurso;
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrente ao mandatário do
recorrido das alegações, devendo apresentar comprovativo no tribunal da
notificação efetuada; (art.ºs 221.º e 255.º)26
 Junção das alegações do recorrido no prazo de 15 dias, com o documento
comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial;

26
A junção do documento comprovativo da notificação à parte contrária fica dispensada se as peças processuais
forem tramitadas eletronicamente nos termos definidos na Portaria n.º 280/2013, de 26/8.

53
Manual de apoio / Recursos
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrido ao mandatário do
recorrente das contra-alegações devendo apresentar comprovativo no tribunal da
notificação efetuada; (art.ºs 221.º e 255.º)
 Conclusão e despacho;
- Remessa do apenso ao STJ.

54
Manual de apoio / Recursos
ACÓRDÃO RECORRIDO
PRAZO DE
E INTERPOSIÇÃO E SUBIDA EFEITO
RESPOSTA
RECURSO DE REVISTA

Proferido ao abrigo de decisão que


conheça do mérito da causa ou ponha
termo ao processo, absolvendo da
30 dias Nos autos Devolutivo a/b)
instância o réu ou algum dos réus
quanto a pedido ou reconvenção (art.º 638.º/1) art.º 675.º art.º 676.º/1
deduzidos

(art.ºs 671.º/1)

Acórdãos cuja impugnação com o


recurso de revista seria 15 dias Separado Devolutivo
absolutamente inútil
(art.º 677.º) art.º 675.º art.º 676.º/1
(art.º 673.º, a)

Demais casos expressamente


15 dias Separado Devolutivo
previstos na lei
(art.º 677.º) art.º 675.º art.º 676.º/1
(art.º 673.º, b)

Acórdãos intercalares ao abrigo do Separado


30/15 dias Devolutivo c)
art.º 671.º/3 ou nos autos

Acórdãos intercalares ao abrigo do 15 dias Separado Devolutivo

art.º 671.º/4 art.º 671.º/4 art.º 675.º art.º 676.º/1

Processos urgentes 15 dias Separado Devolutivo

(art.º 677.º) art.º 677.º art.º 675.º art.º 676.º/1

a) Suspensivo em questões sobre o estado de pessoas (art.º 676.º, n.º 1).


b) Exceção à “dupla conforme” (art.º 671.º, n.º 3) em que não é admitida revista do
acórdão da Relação, salvo nas 3 situações previstas no art.º 672.º, n.º 1.
c) Ainda que a decisão final possa ter efeito suspensivo, este terá sempre efeito
devolutivo.

55
Manual de apoio / Recursos
6.

6.1.

6.1.1. Decisões de que não cabe recurso de revista

Até aqui falámos dos acórdãos, quer finais quer intercalares dos quais cabe
recurso de revista.

Contudo existem situações onde a lei veda a admissibilidade do recurso de


revista, são elas:

Nos termos do art.º 652º, nº 5, al. a), do NCPC, o acórdão da Relação que
incida sobre matéria da competência relativa da Relação, é impugnável
mediante reclamação, com efeito suspensivo para o Presidente do Supremo
Tribunal de Justiça e não através da via recursória prescrita para a generalidade
dos acórdãos

Das decisões proferidas na Relação no âmbito do art.º 662.º (alteração da


decisão proferida em 1.ª Instância, no que respeita à matéria de facto), também
não é admissível recurso de revista. - cfr. 662.º n.º 4.

Não é admitida revista do acórdão da Relação que confirme, sem voto de


vencido e ainda que por diferente fundamento, a decisão proferida na 1.ª instância
(dupla conforme), salvo nas situações a seguir descritas e que se integram na:

6.1.2. Revista Excecional

Cabe recurso de revista, excecionalmente, do acórdão da Relação referido no


n.º 3 do art.º 671.º (dupla conforme):

 Quando esteja em causa uma questão cuja apreciação, pela sua


relevância jurídica, seja claramente necessária para uma melhor
aplicação do direito; 27

27
Por exemplo a necessidade de existência de legislação nova.

56
Manual de apoio / Recursos
 Quando estejam em causa interesses de particular relevância social; 28

o
 Quando o acórdão da Relação esteja em contradição com outro, já
transitado em julgado, proferido por qualquer Relação ou pelo
Supremo Tribunal de Justiça, no domínio da mesma legislação e sobre
a mesma questão fundamental de direito, salvo se tiver sido proferido
acórdão de uniformização de jurisprudência com ele conforme.

Como acabámos de referir, estas três situações de exceção são as


contempladas no art.º 672.º, e que a lei prevê haver recurso de revista excecional
independentemente de serem decisões que não estejam abrangidas pela regra da
dupla conforme. Todas elas são exceções à regra de irrecorribilidade em
situações de dupla conforme.

No que diz respeito ao recurso de revista excecional, este tipo de recurso


tem uma especificidade própria. Quando a parte recorre deve indicar na sua
alegação, sob pena imediata de rejeição do recurso, as razões que em seu entender
são fundamento para a revista excecional. Assim, conforme os casos, deve
mencionar de forma clara e objetiva quais as razões que no seu entender a
apreciação da questão é necessária para uma melhor aplicação do direito, as razões
pelas quais os interesses de particular relevância social ou ainda quais as razões de
identidade que determinam a contradição do acórdão recorrido com outro já
transitado em julgado quer na Relação quer no STJ - cfr. 637.º e 641.º, n.ºs 1 e 2.

Prazo para a interposição de recurso

O recurso é interposto no prazo de 30 dias – cfr. 638.º n.º 1.

Efeito da interposição do recurso

28
Por exemplo ações ligadas ao ambiente, saúde e património histórico.

57
Manual de apoio / Recursos
A regra é o efeito devolutivo. - cfr. 676.º n.º 1.

Modo de subida

Nos próprios autos. - cfr. 675.º.

Tramitação

 Junção do requerimento de interposição de recurso que deve ser


acompanhado das alegações, devendo o recorrente indicar a espécie, o efeito e o
modo de subida do recurso, bem como as razões da revista excecional;
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrente ao mandatário do
recorrido das alegações, devendo apresentar comprovativo no tribunal da
notificação efetuada (art.ºs 221.º e 255.º)29.
 Junção das alegações do recorrido no prazo de 30 dias, com o documento
comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial;
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrido ao mandatário do
recorrente das contra-alegações devendo apresentar comprovativo no tribunal da
notificação efetuada (art.ºs 221.º e 255.º)
 Conclusão e despacho;
 Remessa do processo ao STJ.

29
A junção do documento comprovativo da notificação à parte contrária fica dispensada se as peças processuais
forem tramitadas eletronicamente nos termos definidos na Portaria n.º 280/2013, de 26/8.

58
Manual de apoio / Recursos
REVISTA EXCECIONAL art.º 672

Requerimento + alegações

Relator

Rejeição do recurso Recebimento do recurso

- falta de pressupostos gerais; Remessa ao STJ

- falta de fundamentos;

Falta de alegações ou conclusões


STJ

Apreciação preliminar sumária

Admissão do recurso

Tramitação como recurso de


revista “normal”, pelo relator

59
Manual de apoio / Recursos
6.2. Supremo Tribunal de Justiça

Definição

O Supremo Tribunal de Justiça é o órgão superior da hierarquia dos Tribunais


Judiciais, sem prejuízo da competência própria do Tribunal Constitucional – cfr.
art.º 31.º da LOSJ.

Funcionamento
De acordo com o art.º 48.º LOSJ:

- O Supremo Tribunal de Justiça funciona, sob a direção de um presidente,


em plenário do Tribunal, em pleno das secções especializadas e por secções.
- O plenário do Tribunal é constituído por todos os Juízes que compõem as
secções e só pode funcionar com a presença de, pelo menos, três quartos dos Juízes
em exercício.
- Ao pleno das secções especializadas ou das respetivas secções conjuntas é
aplicável, com as necessárias adaptações, o disposto no número anterior.
- Os Juízes tomam assento alternadamente à direita e à esquerda do
Presidente, segundo a ordem de antiguidade.

6.2.

6.2.1. Competência

De acordo com o art.º 52.º da LOFJT:

Compete ao Supremo Tribunal de Justiça, funcionando em plenário:

- Julgar os recursos de decisões proferidas pelo pleno das secções criminais;


- Exercer as demais competências conferidas por lei.

Competência do Presidente do STJ

De acordo com o art.º 62.º da LOSJ:

60
Manual de apoio / Recursos
a) Presidir ao plenário do Tribunal, ao pleno das secções especializadas e,
quando a elas assista, às conferências;
b) Homologar as tabelas das sessões ordinárias e convocar as sessões
extraordinárias;
c) Apurar o vencido nas conferências;
d) Votar sempre que a lei o determine, assinando, neste caso, o acórdão;
e) Dar posse aos vice- presidentes, aos Juízes, ao secretário do Tribunal e
aos presidentes dos Tribunais da Relação;
f) Dirigir o tribunal, superintender nos seus serviços e assegurar o seu
funcionamento normal, emitindo as ordens de serviço que tenha por
necessárias;
g) Exercer ação disciplinar sobre os oficiais de justiça em serviço no
tribunal, relativamente a pena de gravidade inferior à de multa;
h) Exercer as demais funções conferidas por lei.

2- Das decisões proferidas nos termos da alínea g) do número anterior cabe


reclamação para o plenário do Conselho Superior da Magistratura.

3 - Compete ainda ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça conhecer dos


conflitos de jurisdição cuja apreciação não pertença ao tribunal de conflitos e,
ainda, dos conflitos de competência que ocorram entre:

a) Os plenos das secções;


b) As secções;
c) Os tribunais da Relação;
d) Os tribunais da Relação e os tribunais de comarca ou os tribunais de
competência territorial alargada;
e) Os tribunais de comarca ou tribunal de comarca e tribunal de competência
territorial alargada sediados na área de diferentes tribunais da Relação.
4 - A competência referida no número anterior é delegável nos vice-
presidentes.

61
Manual de apoio / Recursos
Competência do Presidente de secção

1 - Cada secção é presidida pelo mais antigo na categoria dos seus Juízes.
2 - Compete ao presidente de secção presidir às secções e exercer, com as
devidas adaptações, as funções referidas nas alíneas b), c) e d) do n.º 1 do
artigo 62.º da LOSJ.

Compete às secções cíveis

As secções cíveis julgam as causas que não estejam atribuídas a outras


secções, as secções criminais julgam as causas de natureza penal e as secções
sociais julgam as causas referidas no artigo 126.º -cfr. art.º 47.º LOSJ

Compete ao pleno das secções

a) Julgar o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República


e o Primeiro-Ministro pelos crimes praticados no exercício das suas funções;

b) Julgar os recursos de decisões proferidas em 1.ª instância pelas secções;

c) Uniformizar a jurisprudência, nos termos da lei de processo.

Competência das secções

a) Julgar os recursos que não sejam da competência do pleno das secções


especializadas;
b) Julgar processos por crimes cometidos por Juízes do Supremo Tribunal de
Justiça e dos Tribunais da Relação e magistrados do Ministério Público que exerçam
funções junto destes Tribunais, ou equiparados, e recursos em matéria
contraordenacional a eles respeitantes;
c) Julgar as ações propostas contra Juízes do Supremo Tribunal de Justiça e
dos Tribunais da Relação e magistrados do Ministério Público que exerçam funções
junto destes Tribunais, ou equiparados, por causa das suas funções;
d) Conhecer dos pedidos de habeas corpus, em virtude de prisão ilegal.

62
Manual de apoio / Recursos
e) Conhecer dos pedidos de revisão de sentenças penais, decretar a anulação
de penas inconciliáveis e suspender a execução das penas quando decretada a
revisão;
f) Decidir sobre o pedido de atribuição de competência a outro tribunal da
mesma espécie e hierarquia, nos casos de obstrução ao exercício da jurisdição pelo
tribunal competente;
g) Julgar, por intermédio do relator, os termos dos recursos a este cometidos
pela lei de processo;
h) Praticar, nos termos da lei de processo, os atos jurisdicionais relativos ao
inquérito, dirigir a instrução criminal, presidir ao debate instrutório e proferir
despacho de pronúncia ou não pronúncia nos processos referidos na alínea a) do n.º
1 do artigo 53.º e na alínea b) do presente artigo;
i) Exercer as demais competências conferidas por lei.

63
Manual de apoio / Recursos
O regime dos recursos para o STJ sofreu de igual modo, com a entrada em vigor
do Decreto-Lei n.º 303/2007, alterações relevantes.

As soluções legislativas, que a nosso ver transporta a marca da inovação para


este novo regime recursório, e de que já demos conta, é o regime do recurso de
revista e a “dupla conforme”.

No regime pretérito a parte podia recorrer até ao STJ, mesmo quando


existiam por exemplo duas decisões convergentes: a decisão do Tribunal da 1.ª
Instância e a decisão da Relação.

Com a entrada em vigor do novo regime recursório assiste-se a uma


racionalização no acesso ao STJ, no sentido de não ser possível recorrer até àquele
Tribunal, sempre que uma decisão da Relação confirme uma decisão da 1ª instância,
e na decisão tomada na Relação não haja voto vencido.

Esta regra de não admissão do recurso de revista do acórdão da Relação que


confirma, sem voto vencido a decisão proferida na 1ª instância é a dupla conforme.
Contudo, a lei prevê algumas exceções a esta regra. Mais adiante iremos nos
debruçar sobre elas.

Para além da norma impeditiva de admissibilidade de recurso de revista de


acórdãos do tribunal da Relação para o Supremo Tribunal de Justiça, existe uma
outra condição, que é a de o valor da causa ter de ser superior ao valor da alçada do
tribunal da Relação (artigo 629º, nº 1).

Nos recursos para o STJ, não há lugar ao acréscimo do prazo de mais 10 dias
para alegar e contra- alegar, previsto no art.º 638.º n.º 7, pois o recurso para o STJ
não pode ter como fundamento a reapreciação da prova gravada.

64
Manual de apoio / Recursos
No Supremo Tribunal de Justiça existem as seguintes espécies:

1.ª Revistas;

São os recursos interpostos dos acórdãos do Tribunal da Relação sobre decisões


da 1ª instância, que conheça do mérito da causa ou que ponha termo ao processo,
absolvendo da instância o réu ou algum dos réus quanto ao pedido ou reconvenção
deduzidos.

São, também os recursos interpostos das decisões intercalares previstas nos


n.ºs 2 e 4 do art.º 671.º, que mais adiante iremos abordar.

2.ª Recursos em processo penal;

3.ª Conflitos;

Nesta espécie de distribuição encontram-se os conflitos de jurisdição e


competência previstos nos art.ºs 110.º a 113.º, e que de acordo com a alteração
introduzida pelo Dec. - Lei 303/2007, passaram a ser resolvidos pelos Presidentes
dos Tribunais Superiores e neste caso, pelo Presidente do STJ. Esta matéria deixa de
estar afeta às respetivas secções, ao pleno das secções ou ao plenário.

4.ª Apelações;

São os recursos interpostos dos acórdãos que o tribunal da Relação conhece em


1.ª Instância, como por exemplo ação de indemnização contra Magistrados.

Cabe também nesta espécie de distribuição o recurso “Per saltum”, que é o


recurso interposto das decisões da 1.ª instância que sobe diretamente para o STJ.

5.ª Causas de que o tribunal conhece em única instância.

Sempre que os Magistrados Judiciais ou os Funcionários de Justiça não


concordem com avaliação do seu desempenho funcional atribuídos pelos respetivos
inspetores, bem como, as sanções disciplinares que estão acometidos, e, haja
recurso contencioso vindo do Conselho Superior Magistratura.

65
Manual de apoio / Recursos
Exemplo: A interposição de recurso contencioso feita por oficial de justiça, de
acórdão proferido pelo Plenário do Conselho Superior da Magistratura, que nega
provimento ao recurso hierárquico apresentado da deliberação do COJ e que
apreciou o desempenho funcional do oficial de justiça com uma notação inferior
aquela que o funcionário acharia a justa e adequada.

Já no que diz respeito aos Magistrados e de acordo com os art.ºs 164.º e 165.º
do Estatuto dos Magistrados Judiciais, pode reclamar ou recorrer quem tiver
interesse direto, pessoal e legítimo na anulação da deliberação ou da decisão
tomada pelo Conselho Superior da Magistratura.

6.ª Recursos extraordinários para uniformização de jurisprudência.

A lei prevê que excecionalmente, as partes possam recorrer das decisões do


STJ sempre que este proferir acórdão contraditório com outro anteriormente
proferido, não sendo admitido se o acórdão recorrido estiver de acordo com
jurisprudência uniformizada do STJ

Das deliberações do Conselho Permanente reclama-se para o Plenário do


Conselho.

Das decisões do presidente, do vice-presidente ou dos vogais do Conselho


Superior da Magistratura reclama-se para o plenário do Conselho. Das deliberações
do Conselho Superior da Magistratura recorre-se para o Supremo Tribunal de Justiça.

À semelhança do que acontece no Tribunal de Relação, quando o recurso é


recebido no STJ, o mesmo fica sujeito às regras da distribuição, a qual obedece às
normas estipuladas no art.º 204.º, conjugadas com os art.ºs 215.º a 218.º. O recurso
é distribuído a um juiz conselheiro que fica sendo o relator.

66
Manual de apoio / Recursos
6.2.2. A Revista no STJ

Já analisamos a tramitação da interposição do recurso de revista no tribunal


da Relação. Vejamos agora como se processa no STJ.
Recebido o processo no STJ, há que proceder à respetiva distribuição, com
este ato, fica-se a saber qual o Juiz Conselheiro a quem é afeto o processo,
passando a ser o relator do processo.
Com a indicação do relator são igualmente selecionados dois Juízes
conselheiros (são os dois Juízes seguintes ao relator na escala de antiguidade na
secção a que todos pertencem) cfr. 652.º n.º 2 do CPC e art.ºs 56.º n.º 2 da LOSJ.
Assim, depois de distribuído e autuado o processo, a secção abre conclusão ao
respetivo Juiz Conselheiro.
Depois de examinados os autos e à semelhança do que está previsto para a
apelação, por força do disposto no art.º 679.º, o Juiz Conselheiro pode:
 Proferir decisão sumária.
 Não conhecer do objeto do recurso

Se entender que o recurso não deveria subir ou tão pouco ser apreciado pelo
STJ, convida as partes no prazo de 10 dias a pronunciarem-se sobre a sua
admissibilidade - cfr. art.º 655.º.
 Aperfeiçoamento das conclusões das alegações
Pode ainda convidar as partes a aperfeiçoarem as suas conclusões das
alegações apresentadas na Relação (art.º 652.º n.º 1, alínea a), parte final), e caso
entenda que o recurso não será de admitir, profere decisão sumária nos termos do
art.º 656.º.

 Manter recurso
O Juiz Conselheiro, após apreciação liminar do recurso e não havendo motivos
para a sua rejeição, profere decisão de admissão do mesmo, dispondo do prazo de
30 dias para elaborar o projeto de acórdão.

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Manual de apoio / Recursos
Decorrido o prazo para Juiz Conselheiro elaborar o projeto de acórdão, o
processo é inscrito em tabela para o julgamento - cfr. 659.º.

Têm-se entendido que a inscrição do processo para julgamento, precede uma


decisão do Juiz Conselheiro.

A inscrição do processo em tabela tem publicidade e está disponível, para


consulta, na página eletrónica do Supremo Tribunal de Justiça em “ www.stj.pt”,
no item “sessões - distribuição” .

Na sessão anterior ao julgamento do recurso, o processo, acompanhado com o


projeto de acórdão, vai com vista simultânea, por meios eletrónicos, aos dois juízes-
adjuntos, pelo prazo de cinco dias, ou, quando tal não for tecnicamente possível, o
relator ordena a extração de cópias do projeto de acórdão e das peças processuais
relevantes para a apreciação do objeto da revista. O relator pode dispensar os vistos
aos Conselheiros adjuntos – cfr. art.º 657.º.

Após a inscrição em tabela nos termos do art.º 659.º, n.º 1, o julgamento


realiza-se nos termos do art.º 659.º n.º 2 e a decisão é tomada por maioria dos
Juízes.

De acordo com o preceituado no art.º 681.º, o relator pode, oficiosamente ou


através de requerimento fundamentado de alguma das partes, determinar a
realização de audiência para discussão do objeto do recurso permitindo aos
mandatários das partes efetuar alegações orais.

Após ser proferido acórdão, nos termos do art.º 663.º, é o mesmo registado em
livro próprio e notificado às partes aguardando-se o prazo para o trânsito em
julgado.

O resultado do acórdão é igualmente divulgado na página informática do


Supremo Tribunal de Justiça www.stj.pt”, na parte “sessões – sessões
marcadas”

Se, no momento da elaboração do acórdão, o relator ficar vencido será o


acórdão lavrado pelo 1.º adjunto vencedor (cfr. art.º 663.º n.º 3).

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Manual de apoio / Recursos
Notificado o acórdão, podem as partes, no prazo geral de 10 dias, requerer
alguma retificação ou reforma do acórdão, aplicáveis por força dos art.ºs 613.º a
617.º, sendo as mesmas questões decididas em conferência (logo, o Relator irá
pronunciar-se sobre as questões levantadas pela parte, e o processamento é igual
para a inscrição dos autos em tabela, com prévia entrega do projeto da decisão
sobre a questão, aos adjuntos que intervieram no acórdão) – conforme dispõe o art.º
666.º n.º 2 e art.º 685.º.

Se não for levantada qualquer uma das situações referidas anteriormente e


após trânsito, os autos baixam à 1.ª Instância nos termos do art.º 669.º.

6.2.3. Julgamento ampliado de revista

O julgamento ampliado de revista é definido por Abrantes Geraldes, obra


citada, pág.404, como “..uma forma mais solene de apreciar um determinado caso,
convocando para a decisão não apenas a formação que normalmente integra o
colectivo, mas todos os juízes que desempenham funções nas secções cíveis do
Supremo”.

A função do julgamento ampliado de revista é permitir que sobre uma


determinada questão haja uniformização na interpretação da lei, e
consequentemente que sobre ela recaia um acórdão e que este oriente na -
uniformização de jurisprudência.

Enquanto o recurso de revista é julgado por três juízes conselheiros (relator e


dois adjuntos), no julgamento ampliado de revista intervém o pleno das secções
cíveis do Supremo, composto por todos os juízes das secções cíveis.

Este julgamento alargado tanto pode ser requerido por qualquer das partes,
como pelo Ministério Público, devendo fazê-lo até ao início do prazo que o relator
dispõe para proferir o acórdão. A lei permite, ainda, que o mesmo possa ter lugar
por sugestão do relator ou pelos adjuntos e é obrigatoriamente proposto por estes
sempre que se verifique a possibilidade de vencimento de solução jurídica que

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Manual de apoio / Recursos
esteja em oposição com jurisprudência uniformizada, no domínio da mesma
legislação e sobre a mesma questão fundamental de direito - cfr. art.º 686.º.

O requerimento é dirigido ao Presidente do STJ.

Determinado o julgamento pelas secções reunidas, o processo vai com vista ao


Ministério Público, por 10 dias, para emissão de parecer sobre a questão que origina
a necessidade de uniformização da jurisprudência.

Se a decisão a proferir envolver alteração de jurisprudência anteriormente


uniformizada, o relator ouve previamente as partes caso estas não tenham tido
oportunidade de se pronunciar sobre o julgamento alargado, sendo aplicável o
disposto no artigo 681.º.

Após a audição das partes, o processo vai com vista simultânea a cada um dos
juízes que devam intervir no julgamento, aplicando-se o disposto nos n.ºs 2 e 3 do
artigo 657.º.

O acórdão proferido sobre o objeto da revista é publicado na 1.ª série do


Diário da República (art.º 687.º, n.º 5).

Tramitação

- Junção do requerimento de interposição de recurso acompanhado das


alegações, contendo estas o pedido do julgamento ampliado de revista (cfr. art.º
637.º, n.º 2) ou em requerimento autónomo até ao início do prazo para o relator
elaborar o projeto de acórdão – cfr. art.º 686.º, n.º 1.
- Conclusão ao Presidente do STJ, podendo a sua decisão ser de:
- Não recebimento do pedido - a secretaria após notificação da
mesma aos mandatários das partes, conclui novamente o
processo ao relator, dispondo este de 30 dias para elaboração
do acórdão.
- Recebimento do pedido, sendo que, neste particular, podem
ocorrer duas situações:
- Ou o Supremo já anteriormente uniformizou jurisprudência na
questão em apreciação e pretende agora confirmar ou revogar o

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Manual de apoio / Recursos
anteriormente decidido, podendo a questão nunca ter sido abordada
e a deliberação ir no sentido da necessidade da existência de
acórdão uniformizador.
 Ordenado julgamento de recurso, o processo vai com vista ao Ministério
Público por 10 dias, para emissão de parecer, sobre a questão que determinou a
necessidade de jurisprudência -cfr.687.º n.º 1.
 Notificações das partes que não tenham tido oportunidade de se pronunciar
sobre o julgamento alargado, para comparecerem no tribunal no dia designado para
o efeito. A audição das mesmas é efetuada de acordo com o previsto no art.º 681.º,
ou seja, no dia designado o tribunal procede à audição e discussão oral das questões
que entende deverem ser discutidas.
 Decorrido o prazo para Juiz Conselheiro elaborar o projeto de acórdãos, o
processo é inscrito em tabela para o julgamento.- cfr. art.º 659.º.
A inscrição do processo em tabela tem publicidade e está disponível no site do
Supremo Tribunal de Justiça em “ www.stj.pt”, na parte “tabela de sessões”

 Na sessão anterior ao julgamento do recurso, o processo, acompanhado com


o projeto de acórdão, vai com vista simultânea, por meios eletrónicos, aos Juízes
conselheiros que integram o pleno das secções cíveis, pelo prazo de cinco dias, ou,
quando tal não for tecnicamente possível, o relator ordena a extração de cópias do
projeto de acórdão e das peças processuais relevantes para a apreciação do objeto
do recurso cfr.- art.º 687.º n.º 3.
 O julgamento só se realiza com a presença de, pelo menos, três quartos
dos juízes em exercício nas secções cíveis.
 O acórdão proferido pelas secções reunidas sobre o objeto da revista é
publicado na 1.ª série do Diário da República.
 O acórdão proferido é registado no livro de registo de acórdãos competente
e é notificado às partes.

6.2.4. Recurso Per Saltum

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Manual de apoio / Recursos
Para poder haver recurso de uma decisão da 1ª instância diretamente
para o STJ, a lei prevê que tal situação só possa ocorrer se:
 A decisão recorrida haja posto fim ao processo ou seja um despacho
saneador que sem por fim ao processo decida do mérito da causa, desde que,
cumulativamente:
a) O valor da causa seja superior à alçada da relação;
b) O valor da sucumbência seja superior a metade da alçada da relação;
c) As alegações e contra-alegações só podem suscitar questões de
direito;
d) Não pode haver impugnação de quaisquer decisões interlocutórias
conjuntamente com a decisão prevista no art.º 644.º, n.º 1.
Após conclusão do processo ao relator a sua decisão pode ser orientada em
dois sentidos:
 Admissão do recurso, ordenando o seu processamento como revista, exceto
no que concerne aos efeitos de subida ao qual se aplica o regime disposto para a
apelação;
 Indeferimento do recurso por o mesmo não preencher os requisitos
definidos no art.º 678.º n.º 1 al. a) a d) e, em consequência, ordenar a remessa do
processo ao Tribunal da Relação, para aí ser julgado como apelação.
Se o requerimento for apresentado pelo recorrente, o mandatário do recorrido
pronuncia-se nas contra-alegações. Se inversamente, for o recorrido a suscitar a
questão nas contra-alegações, a lei prevê que o mandatário do recorrente,
notificado que seja das mesmas, dispõe do prazo de 10 dias para se pronunciar - cfr.
art.º 678.º, n.º 2.

7. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS

Como já referido anteriormente, os recursos extraordinários são os que podem


ser interpostos após o trânsito das decisões.

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Manual de apoio / Recursos
7.

7.1. Recurso para “uniformização de jurisprudência”.

Regra geral as decisões proferidas pelo STJ são irrecorríveis.

Contudo com a entrada em vigor do Decreto-Lei 303/2007, de 24 de Agosto, as


partes passam a dispor de um novo recurso extraordinário, nos casos em que o
Supremo, em secção, profira acórdão contraditório com outro anteriormente
proferido, no domínio da mesma legislação e sobre a mesma questão fundamental
de direito – cfr. art.º 688.º, n.º 1.

Assim, a lei prevê que excecionalmente, as partes possam recorrer das


decisões do STJ sempre que este proferir acórdão contraditório com outro
anteriormente proferido, não sendo admitido se o acórdão recorrido estiver de
acordo com jurisprudência uniformizada do STJ

Os acórdãos proferidos no âmbito de julgamento ampliado de revista não são


passíveis deste tipo de recurso extraordinário, bem como o não é admitido se a
orientação perfilhada no acórdão recorrido está de acordo com jurisprudência
uniformizada do Supremo Tribunal de Justiça. – cfr. art.º 688.º, n.º 3.

O requerimento de interposição do recurso para uniformização de


jurisprudência, é dirigido ao pleno das secções cíveis do STJ e é acompanhado da
alegação do recorrente, a qual deverá obrigatoriamente, sob pena de rejeição,
identificar os elementos que determinam a contradição alegada e a violação
imputada ao acórdão recorrido, bem como juntar cópia do acórdão “fundamento” –
cfr. art.ºs 690.º e 692.º, n.º 1.

O recurso para uniformização de jurisprudência é interposto no prazo de 30


dias, contados do trânsito em julgado do acórdão recorrido.

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Manual de apoio / Recursos
A parte recorrida dispõe também do prazo de 30 dias para responder à
alegação do recorrente, contado a partir da data em que tenha sido notificado da
respetiva apresentação.

O requerimento de interposição, que é autuado por apenso, deve conter a


alegação do recorrente, na qual se identificam os elementos que determinam a
contradição alegada e a violação imputada ao acórdão recorrido devendo o
recorrente juntar cópia do acórdão anteriormente proferido pelo Supremo, com o
qual o acórdão recorrido se encontra em oposição - cfr. art.º 690.º, n.º 2

Para além das partes, o Ministério Público também pode recorrer.


O recurso de uniformização de jurisprudência deve ser interposto pelo Ministério
Público, mesmo quando não seja parte na causa, destinando-se unicamente à
emissão de acórdão de uniformização sobre o conflito de jurisprudência – cfr. art.º
691.º.

Prazo para a interposição de recurso

O recurso é interposto no prazo de 30 dias após trânsito em julgado do


acórdão do Supremo.

Efeito da interposição do recurso

O recurso tem efeito meramente devolutivo. - cfr. art.º 693.º.

Tramitação

 Junção do requerimento de interposição de recurso acompanhado das


alegações e cópia do acórdão anteriormente proferido pelo STJ (certidão), com o
qual o acórdão recorrido se encontra em oposição.
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrente ao mandatário do
recorrido das alegações, devendo ser apresentado comprovativo no tribunal da
notificação efetuada (art.ºs 221.º e 255.º) 30 , embora haja situações em que a
notificação deverá ser efetuada pela secretaria (ex. recurso contra despacho de
indeferimento liminar da petição).
30
A junção do documento comprovativo da notificação à parte contrária fica dispensada se as peças processuais
forem tramitadas eletronicamente nos termos definidos na Portaria n.º 280/2013, de 26/8.

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Manual de apoio / Recursos
 Autuação do requerimento, alegações e cópia do acórdão, por apenso ao
processo;
 Junção das alegações do recorrido no prazo de 30 dias, com o documento
comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça inicial ou expirado prazo;
 Notificação, a efetuar pelo mandatário do recorrido ao mandatário do
recorrente das contra-alegações devendo apresentar comprovativo no tribunal da
notificação efetuada (art.ºs 221.º e 255.º)
 Conclusão ao relator para exame preliminar;
 A decisão do relator pode ser de:
- Rejeição liminar do recurso – aqui podemos estar perante acórdãos
onde não há a oposição invocada que lhe serviu de fundamento, ou se o
acórdão recorrido está de acordo com jurisprudência uniformizada do
STJ. Nestas situações pode haver reclamação para a conferência. - cfr.
692.º n.º 3.
Há igualmente lugar à rejeição do recurso, se o relator entender que a
decisão não admite recurso, que este foi interposto fora de prazo ou se
o requerente não tem as condições necessárias para recorrer, ou ainda
se não contenha ou junte a alegação do recorrente ou quando esta não
tenha conclusões.
- Admissão do recurso- se o recurso for admitido por decisão do relator
ou por deliberação da conferência31, a fase seguinte é a do julgamento,
sendo efetuado de acordo com o disposto no art.º 687.º.

- Vista do processo ao Ministério Público, por 10 dias, para emissão de parecer,


salvo se for recorrente ou recorrido.

- Elaboração do projeto de acórdão no prazo de 30 dias.

- Inscrição processo em tabela, ou seja, inscrição do processo para


julgamento.

31
Da decisão do relator de não admissão do recurso, o recorrente pode reclamar para a conferência, podendo esta
deliberar em sentido contrário à decisão do relator, e assim sendo, no sentido de admissão do recurso - cfr. 692.º
nºs 2 e 3 do CPC.

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Manual de apoio / Recursos
- Na sessão anterior ao julgamento do recurso, o processo, acompanhado com
o projeto de acórdão, vai com vista simultânea, por meios eletrónicos, a todos os
Juízes que compõem o pleno das secções cíveis, pelo prazo de cinco dias, ou,
quando tal não for tecnicamente possível, o relator ordena a extração de cópias do
projeto de acórdão e das peças processuais relevantes para a apreciação do objeto
da apelação. O relator pode dispensar os vistos aos desembargadores adjuntos - cfr.
art.º 657.º.
- O julgamento só é realizado com a presença de, pelo menos três quartos dos
juízes em exercício nas secções cíveis.
- A decisão pode ser de rejeição ou provimento do recurso. Se o recurso não
obtiver provimento, o mesmo é dizer que se não reconhece ao acórdão recorrido
qualquer contradição com outro anteriormente proferido do recurso. Se
contrariamente, o recurso tiver provimento, estamos perante a existência de
contradição jurisprudencial, revogando este acórdão o acórdão recorrido e
uniformizando jurisprudência – art.º 695.º.
- O acórdão de uniformização de jurisprudência deve ser publicado no D.R., I
série – cfr. art.º 687.º, n.º 5.

7.2. Revisão

Como recurso extraordinário que é, destina-se a atacar decisões já transitadas


em julgado.
De acordo com o estipulado no art.º 696.º, a decisão transitada em julgado só
pode ser objeto de revisão quando:
a) Outra sentença transitada em julgado tenha dado como provado que a
decisão resulta de crime praticado pelo juiz no exercício das suas funções;
b) Se verifique a falsidade de documento ou ato judicial, de depoimento ou
das declarações de peritos ou árbitros, que possam, em qualquer dos casos, ter
determinado a decisão a rever, não tendo a matéria sido objeto de discussão no
processo em que foi proferida;
c) Se apresente documento de que a parte não tivesse conhecimento, ou de
que não tivesse podido fazer uso, no processo em que foi proferida a decisão a rever

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Manual de apoio / Recursos
e que, por si só, seja suficiente para modificar a decisão em sentido mais favorável
à parte vencida;
d) Se verifique nulidade ou anulabilidade de confissão, desistência ou
transação em que a decisão se fundou;
e) Tendo corrido a ação e a execução à revelia, por falta absoluta de
intervenção do réu, se mostre que faltou a citação ou que é nula a citação feita;
f) Seja inconciliável com decisão definitiva de uma instância internacional de
recurso vinculativa para o Estado Português;
g) O litígio assente sobre ato simulado das partes e o tribunal não tenha feito
uso do poder que lhe confere o artigo 612.º, por se não ter apercebido da fraude.
(no sistema anterior é o recurso extraordinário de oposição de terceiro)

Prazo para a interposição


O recurso é interposto no tribunal que proferiu a decisão a rever, e, não pode
ser interposto se tiverem decorrido mais de cinco anos sobre o trânsito em julgado
da decisão, salvo se respeitar a direitos de personalidade, sendo o prazo para a
interposição do recurso de 60 dias, contados:
a) No caso da alínea a) do artigo 696.º, do trânsito em julgado da sentença em
que se funda a revisão;
b) No caso da alínea f) do artigo 696.º, desde que a decisão em que se funda a
revisão se tornou definitiva;
c) Nos outros casos, desde que o recorrente obteve o documento ou teve
conhecimento do facto que serve de base à revisão.

O requerimento de interposição de recurso, que é autuado por apenso, é


apresentado no tribunal onde o processo estiver, mas é dirigido ao tribunal que
proferiu a decisão a rever, e deve especificar quais os fundamentos do recurso
bem como as provas que possui – cfr. art.ºs 697.º e 698.º.
As decisões proferidas em processo de revisão admitem os recursos
ordinários a que estariam originariamente sujeitas no decurso da ação em que foi
proferida a sentença a rever – cfr. art.º 697.º n.º 6.

Tramitação

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Manual de apoio / Recursos
 Apresentação do requerimento de interposição e alegações no tribunal
onde se encontra o processo, especificando os fundamentos do recurso, juntando as
provas que possui (art.ºs 697.º e 698.º). No caso da alínea g) do art.º 696.º deve
mencionar o prejuízo resultante da simulação processual. Nos casos das alíneas a),
c), f) e g) do artigo 696.º, o recorrente, com o requerimento de interposição
apresenta certidão, consoante os casos, da decisão ou do documento em que se
funda o pedido.
 Junção do documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de
justiça inicial;
 Autuação por apenso ao processo onde foi proferida a decisão a rever;
 Remessa do processo ao tribunal a que for dirigido o recurso, se for diverso
daquele onde foi interposto;
 Conclusão e despacho de admissão;
 Notificação pessoal da parte contrária para responder em 20 dias;
 Conclusão após resposta do recorrido ou após termo do respetivo prazo.

O recurso de revisão não tem efeito suspensivo (art.º 699.º).


Fora dos casos previstos nas alíneas b), d) e g) do art.º 696.º, logo em seguida
à resposta do recorrido ou ao termo do prazo respetivo, o tribunal conhece do
fundamento da revisão, procedendo às diligências que foram consideradas
indispensáveis; Nos casos das alíneas. b), d) e g), após a resposta do recorrido ou ao
termo do prazo respetivo, seguem-se os termos do processo comum declarativo
(art.º 700.º, n.ºs 1 e 2).

Se o recurso tiver sido dirigido a algum tribunal superior, pode este requisitar
as diligências, que se mostrem necessárias, ao tribunal de 1.ª instância donde o
processo subiu – cfr. n.º 3 do art.º 700.º.

Se o recurso for julgado procedente é revogada a decisão recorrida, com os


efeitos constantes do art.º 701.º.

Ser estiver pendente ou for promovida a execução da sentença a rever, não


pode o exequente ou qualquer credor obter a satisfação do seu crédito sem prestar

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Manual de apoio / Recursos
caução, a qual poderá ser prestada por qualquer dos meios consignados no art.º
623.º do Código Civil – cfr. art.º 702.º.

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Manual de apoio / Recursos
Coleção “PROCESSO CIVIL”

Autor:

Direção-Geral da Administração da Justiça - Centro de Formação

Titulo:

“Manual de Apoio à Formação - Noções Gerais”

Coordenação técnico-pedagógica:

Jorge Ribeiro; José Oliveira; José Póvoas; Maria do Carmo; Miguel


Vara.

Coleção pedagógica:

Centro de Formação

2.ª edição de abril de 2017

Direção-Geral da Administração da Justiça


Divisão de Formação
Av. D. João II, n.º 1.08.01 D/E – piso 10..º, 1994-097 Lisboa, PORTUGAL
TEL + 351 21 790 64 21 Fax + 351 21 154 51 02 EMAIL formacao@dgaj.mj.pt
https://e-learning.mj.pt