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Concurso de Acesso

Escrivão de Direito
Técnico de Justiça Principal
2014/2015

Manual de Apoio à Formação

PROCESSO CIVIL IV
 Ação Declarativa

DGAJ-Divisão de Formação - 2015

Direção-Geral da Administração da Justiça


Índice
1 NOÇÕES GERAIS .............................................................................. 4

2 FORMAS DE PROCESSO ...................................................................... 5

2.1 Noções elementares sobre a marcha do processo e respetivos prazos ........ 6

3 AÇÃO DECLARATIVA COMUM ............................................................... 6

3.1 Petição Inicial .......................................................................... 7

3.1.1 Omissão do pagamento da taxa de justiça .................................. 12

3.2 O réu não contesta a ação .......................................................... 14

3.3 O réu contesta a ação ............................................................... 16

3.3.1 Taxa de justiça devida pelo réu .............................................. 18

3.4 A réplica ............................................................................... 19

3.5 Articulados supervenientes ......................................................... 20

4 DA GESTÃO INICIAL DO PROCESSO E DA AUDIÊNCIA PRÉVIA .......................... 22

4.1 Do despacho pré-saneador .......................................................... 23

4.2 Da audiência prévia .................................................................. 24

4.3 Do despacho saneador ............................................................... 25

5 INSTRUÇÃO .................................................................................. 28

5.1 Meios de prova ........................................................................ 29

5.1.1 Prova por documentos ............................................................ 31

5.1.2 Prova por confissão: ............................................................ 32

5.1.3 Prova por declarações de parte ............................................... 34

5.1.4 Prova pericial .................................................................... 35

5.1.5 Prova por inspeção (inspeção judicial) ...................................... 38

5.1.6 Prova testemunhal .............................................................. 39

5.2 Realização da teleconferência ..................................................... 42

6 AUDIÊNCIA FINAL ........................................................................... 45

6.1 Formalidades da audiência (instrução e discussão da causa) ................... 48

7 SENTENÇA ................................................................................... 49

8 SÚMULA DA AÇÃO COMUM ................................................................. 50

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Manual de apoio/Ação declarativa
NOTA PRÉVIA

Este trabalho pretende dar uma perspetiva essencialmente prática e um


contributo para uma mais fácil compreensão da tramitação da ação
declarativa.

Não tem a pretensão de substituir a indispensável consulta do Código de


Processo Civil ou o mérito da interpretação da lei diariamente efetuada pelos
Senhores Juízes.

Visa, isso sim, constituir um instrumento de apoio ao trabalho para a cada vez
mais exigente função do Oficial de Justiça.

Se como tal for encarado por todos e se, consequentemente, o presente texto
contribuir para um mais fácil exercício dessa função, estará alcançado mais
um dos objetivos da Divisão de Formação de Oficiais de Justiça.

___________
Obs. – São do Código de Processo Civil as disposições referidas neste texto, sem menção
da fonte legal.

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Manual de apoio/Ação declarativa
1 NOÇÕES GERAIS

Nas ações (causas) cíveis:

ou alguém pede ao tribunal que “declare” a existência ou inexistência de um


direito ou de um facto, que “declare” que uma determinada pessoa violou um
determinado direito e a condene a repará-lo ou que “autorize” uma mudança
na ordem jurídica - e chamar-se-á, então, ação declarativa (art.º 10.º, n.ºs 1 a
3 );

ou, por outro lado, se alguém já possui um título reconhecido por lei que lhe dá
o direito de exigir de determinada pessoa o pagamento de uma certa quantia, a
prestação de um certo facto ou a entrega de uma certa coisa, mas não
consegue obter o cumprimento desse título por meios voluntários, vem pedir ao
tribunal que “execute” o devedor, obrigando-o a cumprir - chamar-se-á ação
executiva (art.º 10.º, n.ºs 1 e 4 a 6 ).

Espécies de Ações consoante o seu fim (art.º 10.º )

- de simples apreciação

DECLARATIVAS - de condenação

- constitutivas
A
Ç
Õ
E
S
- Pagamento de quantia certa

- Entrega de Coisa Certa


EXECUTIVAS

- Prestação de facto

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Manual de apoio/Ação declarativa
2 FORMAS DE PROCESSO

Quanto à forma, o processo continua a ser comum ou especial, aplicando-se o


especial aos casos expressamente designados na lei e o comum a todos os casos a que
não corresponda processo especial (art.º 546.º).

Forma do processo comum

No que respeita ao processo de declaração são eliminados os processos


comuns ordinário, sumário e sumaríssimo, passando o processo comum de declaração
a seguir a forma única (art.º 548.º).

Forma do processo especial

Aplica-se aos casos expressamente previstos na lei (art.º 549.º)

ALÇADA (em matéria cível) - art.º 44.º da Lei n.º 62/13, de 26 de agosto (LOSJ):

1. Relação: 30.000,00€
2. Tribunais de 1.ª Instância: 5.000,00€

Na tramitação ter-se-ão sempre presentes regras de aplicação do direito


subsidiário vertidas nos art.ºs 546.º e 549.º .

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Manual de apoio/Ação declarativa
2.1 Noções elementares sobre a marcha do processo e respetivos
prazos

Apresentação a juízo dos atos processuais (art.º 144.º):

Dispõe o n.º 1 do art.º 144.º, como regime regra, que os atos processuais que
devam ser praticados por escrito pelas partes são apresentados a juízo por
transmissão eletrónica de dados, nos termos definidos na Portaria n.º 280/2013, de
26 de agosto, valendo como data da prática do ato processual a da respetiva
expedição.

O n.º 7 do mesmo artigo 144.º exceciona as causas em que não seja obrigatória
a constituição de mandatário, permitindo, às partes que não estejam patrocinadas, o
recurso aos seguintes meios:

a) Entrega na secretaria judicial, valendo como data da prática do ato


processual a da respetiva entrega;

b) Remessa pelo correio, sob registo, valendo como data da prática do ato
processual a da efetivação do respetivo registo postal;

c) Envio através de telecópia, valendo como data da prática do ato


processual a da expedição

3 AÇÃO DECLARATIVA COMUM

Conforme já foi referido a ação declarativa, segue forma única


independentemente do valor da ação.

É obrigatória a constituição de advogado nas ações de valor superior à


alçada do tribunal de 1.ª instância – cfr. art.ºs 40.º e 629.º.9

9
Quanto a esta matéria convém verificar o que se disse no Manual de Apoio sobre os pressupostos processuais.

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Manual de apoio/Ação declarativa
3.1 Petição Inicial

A ação inicia-se com o envio ou entrega da petição inicial, a qual é distribuída


na 1.ª Espécie - art.º 212.º.

A análise dos requisitos da petição inicial não difere quanto à forma da sua
apresentação. No entanto, quanto à recusa da petição inicial já os procedimentos são
diferentes consoante a apresentação seja por via eletrónica ou pelas outras formas
permitidas pelo n.º 7 do art.º 144.º.

Vejamos então:

Requisitos da petição inicial - a unidade central terá que verificar se estão


observados os seguintes requisitos (art.º 552.º ):

 Designação do tribunal onde a ação é proposta;

 Identificação das partes, através dos seus nomes, domicílios ou sedes e,


sempre que possível, números de identificação civil e de identificação
fiscal, profissões e locais de trabalho;

 Indicação do domicílio profissional do mandatário judicial;

 Indicação da forma do processo;

 Exposição dos factos essenciais que constituem a causa de pedir e as


razões de direito que servem de fundamento à ação;

 Formulação do pedido;

 Declaração do valor da causa (requisito aplicável ao pedido


reconvencional – n.º 2 do art.º 583.º );

 Designação do agente de execução incumbido de efetuar a citação ou o


mandatário judicial responsável pela sua promoção;

 Apresentação do rol de testemunhas e requerer outros meios de prova.

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Manual de apoio/Ação declarativa
 Assinatura autógrafa da parte ou do mandatário judicial, ou assinatura
eletrónica na transmissão eletrónica de dados.

 Apresentação por entrega direta na secretaria, por remessa pelo correio


ou por envio de telecópia.

Há lugar á recusa de recebimento da petição quando (art.º 558.º ):10

 O endereço do tribunal seja omitido ou a p.i. esteja endereçada a


outro tribunal, juízo do mesmo tribunal ou autoridade;
 Se omita a identificação das partes conforme requisitos indicados;
 Não se indique o domicílio profissional do mandatário judicial;
 Não se indique a forma do processo;
 Não se indique o valor da causa;
 Não tenha sido junto o documento comprovativo do prévio
pagamento da taxa de justiça devida ou da concessão de apoio
judiciário, à exceção do previsto no n.º 5 do art.º 552.º;11
 Falte a assinatura;
 Não esteja redigida em língua portuguesa;
 O papel utilizado não obedeça aos requisitos regulamentares (cfr.
art.º 24.º do DL n.º 135/99, de 22/04, na redação que lhe foi dada
pelo DL n.º 73/2014, de 13 de maio).12

O motivo da recusa é fundamentado, por escrito, porque:

 do ato de recusa de recebimento cabe reclamação para o juiz, podendo


ser interposto recurso do despacho que confirmar ou não o recebimento
(art.º 559.º );
 o autor pode apresentar outra petição ou juntar o documento a que se
refere a primeira parte do disposto na alínea f) do artigo 558.º, num dos

10
Naturalmente que este preceito se refere à recusa da petição inicial entregue pelas formas previstas no n.º 7 do
art.º 144.º: entrega direta na secretaria judicial, remessa pelo correio sob registo e envio através de telecópia. Para
a transmissão eletrónica de dados rege o art.º 17.º da Portaria n.º 280/2013, de 26 de Agosto.
11
Cfr. o que ficou dito a propósito desta matéria aquando do estudo dos atos das partes (art.ºs 144.º e 145.º).
12
Art.º 24.º do DL n.º 135/99, de 22/4:
“Comunicações com os serviços públicos
1 - Sempre que uma pessoa, singular ou coletiva, se dirija por escrito a qualquer serviço público, designadamente nos
requerimentos, petições ou recursos, e não recorra a meios eletrónicos para o efeito, devem ser utilizadas folhas de
papel normalizadas, brancas ou de cores pálidas, de formato tipo A4 ou A5.”

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Manual de apoio/Ação declarativa
10 dias subsequentes à recusa de recebimento ou de distribuição da
petição, ou à notificação da decisão judicial que a haja confirmado,
considerando-se a ação proposta na data em que a primeira petição foi
apresentada em juízo.

Apesar de não ser motivo de recusa, a secretaria deve anotar na petição:

 Se a petição inicial não vem acompanhada dos duplicados e cópias


legais, excetuados os casos de envio através de transmissão eletrónica
de dados (art.º 148.º);
 Se os documentos juntos não correspondem aos referidos na petição,
prevenindo a possibilidade da sua falta, bem como a posterior
responsabilização do funcionário que recebeu a petição;
 Da não exibição do cartão de contribuinte ou de pessoa coletiva;13
 Do incumprimento de obrigações fiscais (cfr. art.º 274.º do CPC, art.ºs
131.º do CIRC, 137.º do CIRS, 124.º do CIMI, 52.º do CIMT e 63.º do
CIS).14

13
D.L. n.º 463/79, de 30 de Novembro – Art.º 9.º n.º 1 – “É obrigatória a menção do número fiscal, quer se trate
de pessoas singulares ou de pessoas coletivas e entidades equiparadas, em todos os requerimentos, petições,
exposições reclamações, impugnações, recursos, declarações, participações, guias de entrega de rendimentos nos
cofres do Estado, relações, notas e em quaisquer outros documentos que sejam apresentados nos serviços da
administração fiscal”;
Art.º 10.º - n.º 1 – “As autoridades, corpos administrativos, repartições públicas ou quaisquer outras entidades
públicas deverão, no cumprimento das obrigações tributárias, nomeadamente de fiscalização, que lhes estejam
cometidas pela legislação fiscal em vigor, exigir dos contribuintes a comprovação do seu número fiscal.”
14
CIRC (Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas) aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-B/88,
de 30 de Novembro
Art.º 131.º
“Garantia de observância de obrigações fiscais
1 - Sem prejuízo das regras especiais do Código de Processo Civil, as petições relativas a rendimentos sujeitos a IRC,
ou relacionadas com o exercício de atividades comerciais, industriais ou agrícolas por sujeitos passivos deste imposto,
não podem ter seguimento ou ser atendidas perante qualquer autoridade, repartição pública ou pessoas coletivas de
utilidade pública sem que seja feita prova de apresentação da declaração a que se refere o artigo 112.º, cujo prazo
de apresentação já tenha decorrido, ou de que não há lugar ao cumprimento dessa obrigação.
2 - A prova referida na parte final do número anterior é feita através de certidão passada pelo serviço fiscal
competente.
(Redação do Decreto-lei n.º DL 198/2001- 3 de Julho)
3 - A apresentação dos documentos referidos no número anterior é averbada no requerimento, processo ou registo da
petição, devendo o averbamento ser datado e rubricado pelo funcionário competente, que restitui os documentos ao
apresentante.”
CIRS (Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de
30 de Novembro
Artigo 137.º
“Garantia de observância de obrigações fiscais
(Redação dada pelo DL 198/2001, de 3 de julho)
1 - Sem prejuízo das regras especiais previstas no Código de Processo Civil, as petições relativas a atos suscetíveis de
produzirem rendimentos sujeitos a este imposto não podem ter seguimento ou ser atendidas perante qualquer
autoridade, repartição pública ou pessoa coletiva de utilidade pública sem que o respetivo sujeito passivo faça prova
da apresentação da última declaração de rendimentos a que estiver obrigado ou de que não está sujeito ao
cumprimento dessa obrigação.
2 - A prova referida na parte final do número anterior é feita através de certidão, passada pelo serviço fiscal
competente.

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Manual de apoio/Ação declarativa
Nota: dispõe o n.º 3 do art.º 274.º que quando se trate de ações
fundadas em atos provenientes do exercício da atividades sujeitas
a tributação e o interessado não haja demonstrado o
cumprimento de qualquer dever fiscal que lhe incumba, a
secretaria ou o agente de execução deve comunicar a pendência
da causa e o seu objeto à administração fiscal, preferencialmente
por via eletrónica, sem que o regular andamento do processo seja
suspenso.
Quer isto dizer que, no caso da petição inicial, a unidade central
ao verificar a falta de cumprimento do dever fiscal por parte do
autor/exequente/requerente, limita-se a anotar tal facto no rosto
da petição.
Incumbe à unidade de processos, após a distribuição, comunicar o
facto, juntamente com cópia da petição inicial, à administração
fiscal, devendo o processo prosseguir os seus termos uma vez que
tal facto não obsta ao recebimento ou prosseguimento das ações,
incidentes ou procedimentos cautelares.

Deve dar-se entrada à petição inicial fazendo-se menção da recusa. No


caso de ser apresentada nova petição (no prazo de 10 dias), a instância
considera-se iniciada na data da apresentação da primeira p.i. - art.º
560.º .

3 - A apresentação dos documentos de prova referidos nos números anteriores é averbada no requerimento, processo
ou registo da petição, devendo o averbamento ser datado e rubricado pelo funcionário competente, que restituirá os
documentos ao apresentante.”
CIMI (Código do Imposto Municipal sobre Imóveis) aprovado pelo D. L. n.º 287/2003, de 12 de Dezembro
Artigo 124.º
“Entidades públicas
1 - As entidades públicas, ou que desempenhem funções públicas, que intervenham em atos relativos à constituição,
transmissão, registo ou litígio de direitos sobre prédios, devem exigir a exibição de documento comprovativo da
inscrição do prédio na matriz ou, sendo omisso, de que foi apresentada a declaração para inscrição.
2 - Sempre que o cumprimento do disposto no número anterior se mostre impossível, faz-se expressa menção do
facto e das razões dessa impossibilidade, devendo comunicar-se tal facto ao serviço de finanças da área da situação
dos prédios.”
CIMT (Código do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) aprovado pelo D. L. n.º
287/2003, de 12 de Dezembro
Artigo 52.º
“Não atendimento de documentos ou títulos respeitantes a transmissões
Salvo disposição de lei em contrário, não podem ser atendidos em juízo, nem perante qualquer autoridade, autarquia
local, repartição pública e pessoa coletiva de utilidade pública, os documentos ou títulos respeitantes a transmissões
pelas quais se devesse ter pago IMT, sem a prova de que o pagamento foi feito ou de que dele estão isentas.”
CIS (Código do Imposto do Selo – DL n.º 287/2003, de 12 de Novembro
Artigo 63.º
“Obrigações de fiscalização
1 - São aplicáveis a este imposto, na parte referente às transmissões gratuitas, com as necessárias adaptações, as
disposições contidas nos artigos 48.º a 54.º do CIMT. (Redação dada pelo DL n.º 221/2005, de 7 de Dezembro).
2 - Para efeitos do cumprimento das obrigações previstas no número anterior, o imposto do selo sobre as
transmissões gratuitas de bens imóveis considera-se assegurado, desde que esteja instaurado o processo referido no
n.º 2 do artigo 27.º e dele constem todos os imóveis transmitidos. (Redação dada pelo DL n.º 221/2005, de 7 de
dezembro).”

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Manual de apoio/Ação declarativa
Recusa da petição inicial enviada por transmissão eletrónica:

Determina o art.º 17.º da Portaria n.º 280/2013, de 26 de agosto, deve a secção


de processos, após lhe ter sido distribuída a petição inicial, verificar os seguintes
requisitos constantes do art.º 558.º:15

1. Não tenha sido comprovado o prévio pagamento da taxa de justiça


devida ou a concessão de apoio judiciário, exceto nos casos previstos no
16
n.º 5 do art.º 552.º. (alínea f);
2. Não esteja redigida em língua portuguesa (alínea h).

Caso haja motivo de recusa a secção de processos notifica-a por via eletrónica
ao mandatário constituído.

Não aproveitando a parte do benefício concedido pelo art.º 560.º, a petição é


desentranhada, decorrido que seja o prazo de 10 dias para a reclamação da
recusa ou do trânsito em julgado da decisão que confirme o não recebimento,
anulando-se, imediatamente, o registo da distribuição desse ato (art.º 17.º, n.º 3
da Portaria n.º 280/2013, de 26 de agosto e n.º 2 do art.º 559.º do CPC .

Recusa de atos processuais eletrónicos (art.º 17.º)

15
O Citius mandatários procede automaticamente à “recusa” dos restantes requisitos constantes do art.º 558.º, não
validando a peça processual para distribuição na falta de qualquer deles.
16
Art.º 552.º, n.º 5: “Sendo requerida a citação nos termos do art.º 561.º, faltando à data da apresentação da
petição em juízo, menos de cinco dias para o termo do prazo e caducidade ou ocorrendo outra razão de urgência,
deve o autor apresentar documento comprovativo do pedido de apoio judiciário requerido, mas ainda não
concedido.”

11
Manual de apoio/Ação declarativa
O prévio pagamento da taxa de justiça é comprovado:

 Quando o articulado for apresentado por transmissão eletrónica de


dados, via CITIUS, o comprovativo do pagamento é feito pela mesma
via, nos termos do art.º 9.º da Portaria n.º 280/2013;
 Quando o articulado ou requerimento for entregue em mão na
secretaria, remetido pelo correio, sob registo ou através de telecópia,
o comprovativo do pagamento é materialmente junto com a peça
processual respetiva;
 Sempre que se trate de causa que não importe a constituição de
mandatário, e o ato tenha sido praticado diretamente pela parte, é a
parte notificada para que proceda à junção de comprovativo de
pagamento ou da concessão de apoio judiciário, sob pena de ficar
sujeita às cominações legais.

3.1.1 Omissão do pagamento da taxa de justiça

Como já vimos, a taxa de justiça deve ser paga até ao momento da prática do
ato processual a ela sujeito, sendo o comprovativo junto com a peça processual
respetiva – art.º 145.º.

Com a petição inicial deve ser junto o documento comprovativo do prévio


pagamento da taxa de justiça ou da concessão do apoio judiciário na modalidade de
dispensa de taxa de justiça e demais encargos ou ainda da demonstração de
apresentação do pedido nos casos previstos no n.º 5 do art.º 552.º .

Sendo a petição apresentada por transmissão eletrónica de dados, o


documento comprovativo do prévio pagamento da taxa de justiça deverá
acompanhar a peça processual, ficando a parte dispensada da junção do suporte em
papel ao processo, nos termos do n.º 3 do art.º 144.º.

Não sendo junto ou anexado o documento comprovativo e uma vez que a


distribuição é automática, logo que autuada a petição, deverá a secção de processos
recusar a petição inicial17, nos termos do art.º 17.º da Portaria n.º 280/2013. Se for

17
Sem prejuízo do disposto no n.º 4.º do art.º 10.º da Portaria 280/2013, de 26 de agosto: ”Dimensão da peça
processual”[…] Quando a peça em causa seja uma petição inicial ou outro ato processual sujeito a distribuição, a

12
Manual de apoio/Ação declarativa
recusada a PI o autor dispõe de 10 dias para entregar nova Petição ou juntar o
documento em falta.

A junção de documento comprovativo do pagamento da taxa de justiça de


valor inferior18 ao devido nos termos do Regulamento das Custas Processuais,
equivale à falta de junção, devendo o documento ser devolvido ao apresentante,
ficando sujeito às cominações legais.

Não ocorrendo motivo para recusa, a petição inicial é autuada e, sempre que,
nos termos do respetivo Estatuto, o Ministério Público deva intervir acessoriamente
na causa, ser-lhe-á notificada oficiosamente a pendência da ação, logo que a
instância se considere iniciada, sob pena de nulidade - art.ºs 325.º, n.º 1 e 194.º do
CPC, e 3.º, 5.º, n.º 4 e 6.º do Estatuto do Ministério Público, aprovado pela Lei n.º
47/86, de 15 de Outubro.

Sendo caso disso (falta de demonstração de cumprimento de obrigações


tributárias), deverá comunicar-se oficiosamente à administração fiscal, a pendência
e o objeto da causa - art.º 274.º.

O réu é citado, oficiosamente (art.º 226.º), para contestar no prazo de 30


dias, sendo advertido de que a falta de contestação importa a confissão dos factos
articulados pelo autor (art.ºs 563.º, 567.º e 569.º).

Há ações declarativas em que a falta de contestação “não importa a


confissão...” – art.º 568.º (exemplos: ação de investigação de paternidade, ação de
divórcio litigioso, etc.)

Todas as diligências destinadas à citação são oficiosamente realizadas, tendo-


se em atenção o prazo de 30 dias estabelecido nos n.ºs 2 e 3 do art.º 226.º, que
significa o seguinte:

 Passados 30 dias, sem que o Réu se mostre citado, é o autor informado das
diligências efetuadas e dos motivos da não realização do ato (com esta
diligência, além de se manter a parte informada do andamento do processo,
poderemos ter acesso a novos elementos de que a parte disponha, que nos
facilitem o acesso ao citando);

apresentação dos documentos prevista no número anterior deve ser efetuada até ao final do dia seguinte ao da
distribuição.
18
Sem prejuízo do pagamento em 24 horas do remanescente conforme dispõe o art.º 23.º da Portaria nº 419-A/2009.

13
Manual de apoio/Ação declarativa
 Decorridos mais 30 dias, sem que a citação se mostre efetuada, é o
processo imediatamente “concluso” ao juiz, com a informação das
diligências efetuadas e das razões da não realização atempada do ato.

3.2 O réu não contesta a ação

Revelia do réu

A revelia é uma das atitudes possíveis do réu em face da citação e traduz-se


numa atitude passiva de não contestar a ação.

Em termos gerais, a falta de contestação importa a confissão dos factos


articulados pelo autor, de harmonia com o disposto no artigo 567.º, n.º 1.

Temos pois que o réu, na sequência da citação – pessoal ou edital – pode tomar
uma de várias atitudes:
- Confessar o pedido;
- Provocar a intervenção de terceiros;
- Contestar;
- Não contestar, colocando-se em situação de revelia.
Há dois tipos de revelia:
- relativa, em que o réu não contesta, mas comparece em juízo, quanto mais
não seja indicando domicílio para o efeito de receber notificações, para levantar os
duplicados (por meio termo de entrega lavrado nos autos) ou constituindo
mandatário judicial no processo;
- absoluta, em que o réu não só não contesta, como não intervém de qualquer
forma no processo (cfr. art.º 566.º). E neste caso, o juiz, antes de fazer funcionar
qualquer cominação prevista para a revelia, verifica se a citação foi efetuada com
observância do formalismo legal e, na hipótese negativa, ordena a sua repetição.

A situação de revelia produz efeitos tanto na situação processual do réu,


como nos trâmites da ação, consoante ela (revelia) seja operante ou
inoperante.

14
Manual de apoio/Ação declarativa
A revelia diz-se inoperante quando o réu, citado editalmente,
permaneça em situação de revelia absoluta (cfr. art.ºs 567.º, n.º 1 e 568.º, al.ª
b) 2.ª parte) e o Ministério Público não deduza contestação depois de para tal
efeito ser citado nos termos do n.º 1 do art.º 21.º.

A inoperância da revelia traduz-se na inaplicabilidade dos efeitos cominatórios


gerais, o que se compreende na justa medida em que a citação edital não oferece
garantias de o réu ter tomado conhecimento da causa contra si proposta em ordem a
poder exercer o seu direito de defesa.

Por outro lado, a revelia diz-se operante quando, tendo sido regular e
pessoalmente citado ou quando, tendo sido citado editalmente, o réu, dentro
do prazo destinado à defesa, intervenha de qualquer forma no processo, ainda
19
que não ofereça contestação.

A revelia é ainda inoperante quando a vontade das partes for ineficaz para
produzir o efeito jurídico que pela ação se pretenda obter (exemplos: ações sobre
direitos indisponíveis tais como Ações de investigação ou impugnação de
paternidade, Divórcio sem o Consentimento do Outro Cônjuge, etc.), quando se trate
de factos para cuja prova se exija documento escrito e ainda quando o réu ou algum
dos réus for incapaz e a causa estiver no âmbito da incapacidade (art.º 568.º, b), c) e
d)).

Se o Réu não contestar, o processo vai “concluso” ao juiz que, não se


verificando qualquer das hipóteses a que alude o art.º 568.º, ordena a notificação dos
advogados das partes para, no prazo de 10 dias, alegarem por escrito, nos termos do
disposto no art.º 567.º.

Nesta notificação ter-se-á em conta que, apesar de não contestar, o réu pode
ter constituído mandatário, e se assim tiver acontecido, o mandatário é igualmente
notificado para alegar, contando-se primeiro o prazo do autor e depois o do réu, um
após o outro.

19
O réu, mesmo que a revelia seja operante, pode ser absolvido da instância com fundamento na procedência de
uma exceção dilatória que seja de conhecimento oficioso do tribunal (dado que o réu não contestou a ação).
Com efeito, a revelia operante não impede o juiz de absolver o réu da instância ou do pedido. Se se vier a apurar,
por exemplo, que os factos alegados pelo autor não justificam a procedência da ação, face ao direito substantivo
aplicável, o réu deverá ser absolvido do pedido. (José João Batista, Processo Civil I, Parte Geral e Processo
Declarativo – Coimbra Editora-8.ª edição - pags.386).

15
Manual de apoio/Ação declarativa
Findo esse prazo, o processo é “concluso” para ser proferida sentença,
julgando a causa conforme for de direito – cfr. parte final do n.º 2 do art.º 567.º.

3.3 O réu contesta a ação

A contestação é o segundo articulado e através dela o réu exerce o seu direito


de defesa, opondo-se à pretensão ou pedido do autor.

Num sentido material, a contestação é o ato pelo qual o demandado responde à


pretensão formulada pelo requerente20.

Numa aceção formal, como ato de resposta escrita à petição do autor, a


contestação pode, no entanto, revestir uma dupla variante, em função do seu
conteúdo, com relevante interesse para a definição do seu regime: a contestação-
defesa e a contestação–reconvenção.

 Contestação–defesa: o réu limita-se a repelir, direta ou indiretamente, a


pretensão do autor, nos termos em que esta é deduzida.

Aqui importa distinguir duas modalidades de contestação–defesa (art.º 571.º,


n.º 1):

- por impugnação - quando o réu contradiz os factos articulados na

petição ou quando afirma que esses factos não podem produzir o

efeito jurídico pretendido pelo autor (art.º 571.º, n.º 2 (1.ª parte));

- por exceção - quando o réu alega factos que obstam à apreciação do


mérito da ação ou que, servindo de causa impeditiva, modificativa ou
extintiva do direito invocado pelo autor, determinam a
improcedência total ou parcial do pedido (art.º 571.º, n.º 2 (2.ª
parte));

20
Com a contestação se consolida, no seu aspecto substancial, o esquema de constituição da relação processual,
iniciado com a proposição da acção (geradora da relação de acção) e prosseguido com a citação do réu.
Integrado assim o núcleo fundamental do princípio do contraditório, a contestação tem o grande mérito de completar
em regra a versão (geralmente tendenciosa ou incompleta, porque unilateral) dos factos e do direito trazida a juízo
pelo autor, facilitando ao tribunal o apuramento da verdade dos factos e a correta aplicação do direito (Alberto dos
Reis, Código anotado, III).

16
Manual de apoio/Ação declarativa
As exceções dilatórias são aquelas que obstam o conhecimento do mérito da
causa (sem contudo obstarem à proposição de nova ação sobre o mesmo objeto),
como sucede com a incompetência absoluta do tribunal, a ilegitimidade, a falta de
personalidade judiciária, a incapacidade judiciária ou a irregularidade da
representação não devidamente sanadas, a litispendência ou a coligação ilegal de
partes (art.ºs 576.º e 577.º), e o tribunal deve, em regra, conhecer delas
oficiosamente (cfr. art.ºs 578.º e 104.º).
As exceções perentórias são as que se baseiam em causas impeditivas,
modificativas ou extintivas do direito do autor e apontam para a improcedência da
ação. São exemplo típico deste género de exceções, nas ações de condenação, o
pagamento, a remissão, a novação, a prescrição, a caducidade, o erro, o dolo, a
coação, a simulação, etc. (art.º 576.º, n.ºs 1 e 3).

Contestação – reconvenção: este articulado pode inclusivamente servir para o


réu nele formular um pedido autónomo contra o autor (reconvenção), verdadeiro
contra-ataque processual.

O réu deduz uma pretensão autónoma contra o autor, distinta do simples


pedido de improcedência da ação ou do não conhecimento do mérito desta.

É o caso de o réu, na ação de despejo, vir requerer na contestação a


condenação do autor no pagamento da indemnização devida pelas benfeitorias que
ele introduziu no imóvel.

***
 Dentro do prazo para apresentação da contestação, o réu pode requerer, sem
prévia audição da parte contrária, a prorrogação do prazo da contestação, até ao
limite máximo de 30 dias (art.º 569.º, n.º 5).

 A apresentação deste requerimento não suspende o prazo em curso, razão


por que o juiz decide no prazo máximo de 24 horas, por despacho insuscetível de
recurso, que a secretaria notifica imediatamente ao réu, nos termos estabelecidos
no n.º 5, 2.ª parte e no n.º 6 do art.º 172.º, n.º 6 do art.º 569.º.

Concedida a prorrogação por 10 dias, o prazo de contestação de 30 dias


(art.º 569.º, n.º 1 ) conta-se como se fosse de 40 dias, ou seja, se o prazo para
apresentação de contestação terminava em 18 de Setembro, passaria a terminar
a 28 do mesmo mês.

17
Manual de apoio/Ação declarativa
Concedida a prorrogação, os benefícios dela não se estendem aos outros réus
que a não hajam requerido, donde, para eles, o prazo limite para apresentação da
contestação é determinado nos termos do n.º 2 do art.º 569.º, em função do último
prazo que se tiver iniciado sem qualquer prorrogação.

O prazo para apresentação da réplica, se houver lugar à mesma, pode ser


igualmente prorrogado a requerimento das partes, nos termos do disposto no art.º
586.º , aplicando-se as regras estipuladas nos n.ºs 5 e 6 do referido art.º 569.º, à
exceção do limite máximo prorrogável que não pode ir além do prazo estabelecido
para apresentação do articulado respetivo.

O oficial de justiça quando recebe qualquer requerimento a solicitar a


prorrogação dum prazo deve encarar o ato como urgente, já que o pedido não
suspende o prazo em curso.

3.3.1 Taxa de justiça devida pelo réu

Com a contestação e sem prejuízo das disposições relativas à p.i., a falta de


junção do documento comprovativo, não implica a recusa da peça processual,
devendo a parte proceder à sua junção nos 10 dias subsequentes à prática do ato
sob pena de sujeitar às cominações dos art.ºs 570.º21, ou em alternativa o documento
que comprove a concessão do benefício do apoio judiciário, a menos que esteja a
aguardar a decisão dos serviços da segurança social, caso em que juntará somente o
comprovativo do pedido formulado (cfr. art.ºs 25.º - n.º 3, a) e 26.º - n.º 4 da Lei n.º
34/2004, de 29/07).

O indeferimento do pedido de apoio judiciário implica para o réu a obrigação


de comprovar nos autos o pagamento prévio da taxa de justiça inicial, no prazo de 10
dias a contar da notificação da segurança social a que se reporta o n.º 1 do art.º 26.º
da Lei n.º 34/2004, de 29/07.

Perante a não comprovação do pagamento da taxa de justiça inicial do réu,


a secretaria, após o termo do prazo ou logo que se aperceba da sua falta, notifica
oficiosamente o réu para efetuar o seu pagamento, acrescido duma multa de igual
montante mas nunca inferior a 1 UC, nem superior a 5 UC – art.º 570.º, n.ºs 3 e 4.
21
Art.º 145.º, n.º 3 do CPC.

18
Manual de apoio/Ação declarativa
Se, findos os articulados, o réu persistir na falta do pagamento, será
notificado, novamente, para no prazo de 10 dias efetuar o pagamento da taxa de
justiça e da multa omitida, acrescida de outra multa de montante igual ao da taxa
de justiça mas não inferior a 5 UC nem superior a 15 UC.

Nesta última hipótese, a secretaria avisa o réu de que o não pagamento


daquelas quantias implica o desentranhamento da contestação que tiver sido
apresentada e que da omissão do pagamento as multas não ficarão em dívida (n.ºs 5
a 7 do art.º 570.º).

Caso o réu, na contestação, deduza pedido reconvencional (art.º 583.º)


distinto do pedido do autor (art.º 299.º, n.º 2), o valor da ação passa a ser o
resultante da soma dos pedidos (valor = pedido inicial + pedido reconvencional) e se
daqui resultar a incompetência do tribunal, deverá o juiz remeter oficiosamente o
processo para o tribunal competente, nos termos do art.º 93.º, n.º 2.

Se o réu reconvinte não indicar o valor da reconvenção, o processo vai logo


“concluso” ao juiz para o convidar a fazê-lo (art.º 583.º, n.º 2).

A apresentação da contestação é oficiosamente notificada ao autor (art.º


575.º), pela secretaria.

Tendo sido citados vários réus, a notificação ao autor só se efetua depois de


apresentada a última contestação ou depois de decorrido o prazo para o seu
oferecimento (art.º 575.º, n.º 2), tendo-se em particular atenção que qualquer um
dos réus beneficia do prazo que tiver começado a correr em último lugar nos termos
do n.º 2 do art.º 569.º.

3.4 A réplica

À contestação, apenas nos casos a seguir enumerados, pode o autor


responder na réplica (art.º 584.º, n.º 1) para:

 defender-se do pedido reconvencional deduzido pelo réu;

19
Manual de apoio/Ação declarativa
 em ação de simples apreciação negativa22para demonstrar os
fundamentos do pedido (as causas e razões do seu direito) e negar,
antecipadamente, as declarações contrárias do réu.

A réplica é oferecida no prazo de 30 dias (art.º 585.º).

O prazo para apresentação deste articulado pode ser prorrogável em termos


análogos ao da contestação – cfr. art.ºs 586.º e 569.º, n.ºs 4, 5 e 6.

Apresentada réplica, deverá o mandatário do autor notificar o mandatário do


réu do articulado apresentado (art.ºs 221.º).

3.5 Articulados supervenientes

Conforme ensina o Professor Lebre de Freitas, terminada a fase dos articulados,


em três casos é ainda admissível a apresentação pelas partes, de peças com a função
de articulados:23

22
“Nas acções de simples apreciação negativa, cabe ao autor demonstrar os fundamentos do pedido (as causas e
razões do seu direito) e negar, antecipadamente, as declarações contrárias do réu; a este cabe alegar e demonstrar,
por seu lado, os fundamentos do direito que contrapõe ao do autor” – Ac. STJ 03B2066, de 03/07/2003 in
www.dgsi.pt.
Exemplos: (1) AA intentam uma ação em que pedem que se julguem não justificados os factos e o direito de
propriedade dos R.R. sobre o prédio referido na escritura de 30 de Maio de 2004 exarada de fls. xxx a xxx do livro
127-C do Cartório Notarial de xxxxxxxxxxxxxx, cujo extrato, emitido naquele Cartório foi publicado no F………. em
........ (2) AA demanda, na comarca da xxxxxxx, BB e mulher CC, para impugnar a escritura de justificação notarial
em que os réus declaram ter adquirido, por usucapião, a propriedade do imóvel rústico identificado no artigo 1.º da
petição inicial. Alega, em síntese, que é filha e daí herdeira legitimária de DD a quem o prédio pertence, sendo que
os réus não adquiriram o prédio pelos meios que declaram na dita escritura de justificação. (3) AA intentam a
presente ação declarativa com processo comum na forma ordinária de simples apreciação negativa contra B, C e
mulher D, E e mulher F, e G pedindo a declaração da inexistência de servidão de passagem, acesso ou trânsito para
identificado imóvel constituído em propriedade horizontal de que os demandados são donos de frações destinadas a
comércio, servidão essa que, na tese destes, onerava parte não edificada de identificado prédio urbano da Autora.
(4) “A” e mulher “B”, “C” e mulher “D”, “E” e marido “F” intentaram no Tribunal Judicial de ... ação declarativa
com processo sumário contra, “G” e mulher “H”, pedindo que seja declarado a inexistência do direito que os RR
invocaram na escritura de justificação notarial, outorgada a 23 de Outubro de 2003 no Cartório Notarial de ...,
lavrada a fls. 140 do Livro de Notas 132-F, referente ao prédio rústico, sito na ..., freguesia de ..., concelho de ...,
composto por cultura arvense com área de 400m2, inscrito na respetiva matriz rústica, sob o artigo ... da seção ...
Fundamentam o seu pedido no facto de serem falsas as declarações contidas na aludida escritura, nomeadamente a
alegada compra verbal por parte dos RR ao falecido “I”, de que os AA são os únicos herdeiros, bem como a posse que
invocam desde o ano de 1976, data em que se terá realizado a alegada aquisição. (5) “A” intentou ação ordinária
contra “B” e “C” pedindo que: a) seja declarado nulo o contrato xxxxxxxx com data de xx.xx.xxxx, assinado por
xxxxxxxxx, tendo por objeto a aquisição de xxxxxxxxxxxxx; b) Caso assim se não entenda, se declare ineficaz para a
Sociedade xxxxxxxxxxx a aquisição de bens feita ao acionista fundador yyyyyyyyy; c) Por efeito da declaração de
nulidade ou ineficácia, sejam nulos todos os atos que os administradores da xxxxxx.
23
“No caso da alínea c), a superveniência da matéria alegada acarreta a superveniência (relativamente à fase dos
articulados) da apresentação do articulado. Nos outros dois casos, o conteúdo da peça não é superveniente, só o
sendo o momento da sua apresentação. Embora a lei a continue a reservar para a primeira figura, existente desde
1961, a denominação de articulado superveniente pode, com base nesta característica comum de superveniência da
apresentação do articulado, ser estendida às duas restantes figuras, ambas oriundas da revisão de 1995-1996” – José
Lebre de Freitas, A Ação Declarativa Comum à luz do Código de Processo Civil de 2013, 3.ª edição, páginas 141 e 142.

20
Manual de apoio/Ação declarativa
a) Havendo sido deduzida uma exceção no último articulado (normal ou
eventual) integrado na respetiva fase, a parte contrária pode responder-lhe
na audiência preliminar ou na audiência final (art.º 3.º, n.º 4);
b) Havendo insuficiências ou imprecisões na alegação da matéria de facto
(articulado ou articulados deficientes) o juiz pode convidar a parte a supri-
las, com direito a resposta da parte contrária (art.ºs 590.º, n.ºs 2-b) e 4, e
591.º, n.º 1-c))
c) Ocorrendo factos supervenientes, a parte a quem aproveitam pode alega-los
em articulado superveniente (stricto sensu), com direito a resposta da parte
contrária (art.º 588.º)

Todavia, deter-nos-emos apenas nos casos a que alude a anterior alínea c).

Preceitua o art.º 611.º que a sentença deve “tomar em consideração os factos


constitutivos, modificativos ou extintivos do direito que se produzem posteriormente
à propositura da ação, de modo que a decisão corresponda à situação existente no
momento do encerramento da discussão.”

Para isso, os factos supervenientes que ocorram ou cheguem ao conhecimento


das partes depois de apresentado o último articulado típico da ação, podem ser para
esta transportados através dos articulados supervenientes nos termos dos artigos
588.º e 589.º, e neles indicam as provas.

Junto aos autos um articulado superveniente, o processo é concluso ao juiz e se


for deferido, o articulado é pela secretaria notificado à parte contrária para
responder no prazo de 10 dias , indicando as provas (art.º 588, n.ºs 4 e 5).

Os factos articulados que interessarem à decisão da causa constituem tema da


prova nos termos do disposto no art.º 596.º (art.º 588, n.º 6).



Findos os articulados, ou decorrido o prazo para a sua apresentação, o


processo, que até aqui viu os seus atos praticados essencialmente pelas partes e pela
secretaria, entra numa fase em que o juiz tem papel preponderante, podendo ser
este o primeiro momento em que tem contacto com os autos, pelo que o processo

21
Manual de apoio/Ação declarativa
lhe é remetido (art.º 590.º) para verificação e suprimento de irregularidades com
vista à regularização da instância.

Nesta fase o juiz toma contacto com o que se passou na fase anterior (fase dos
articulados), assume a partir daqui a direção do processo, controlando a regularidade
da instância, convidando as partes a colmatar eventuais deficiências dos articulados,
decidindo aquilo que pode desde logo ser decidido, definindo as grandes questões
que vão ser objeto de prova e julgamento e tomando as medidas necessárias para
que se obtenha a justa composição do litígio em prazo razoável.24

De entre os atos ou diligências que terão lugar nesta fase processual,


destacam-se o despacho pré-saneador, a audiência prévia, o despacho saneador, o
despacho destinado a identificar o objeto do litígio e a enunciação dos temas da
prova, bem assim o despacho destinado a programar e agendar a audiência final.25

4 DA GESTÃO INICIAL DO PROCESSO E DA AUDIÊNCIA PRÉVIA

Gestão inicial do processo (art.º 590.º)

Em matéria do indeferimento liminar e quanto aos casos previstos na lei


para a sua admissibilidade, importa referir, como nota prévia, que o que até aqui se
encontrava disciplinado no anterior 234.º-A do CPC de 1961, no novo regime
encontra-se disseminado em diversos artigos.

Assim, e de acordo com o n.º 1 do art.º 590.º, nos casos em que, por
determinação legal ou do juiz, seja apresentada a despacho liminar, a petição, é
indeferida quando o pedido seja manifestamente improcedente ou ocorram, de
forma evidente, exceções dilatórias insupríveis e de que o juiz deva conhecer
oficiosamente, aplicando-se o disposto no artigo 560.º (apresentação de nova
petição).

24
“A denominação desta fase processual como fase de condensação é suficiente e pode manter-se, desde que nela se
compreenda, não só o peneirar de que, após o eventual aperfeiçoamento doas articulados deficientes, resulta o
apuramento das questões essenciais da causa, mas também o saneamento do processo, isto é, verificação da sua
regularidade, com eventual correção das irregularidades dos articulados e sanação das nulidades e da falta de
pressupostos processuais gerais ou específicos” – José Lebre de Freitas, ob. cit., pág. 152.
25
Paulo Pimenta, Processo Civil Declarativo, 2014, página 211.

22
Manual de apoio/Ação declarativa
Contudo, convém referir que de acordo com o art.º 569.º n.º 1 (parte final) e “.. no
caso de revogação de despacho de indeferimento liminar da petição, o prazo para a
contestação inicia-se com a notificação em 1.ª instância daquela decisão.“

Apresentado o último articulado ou expirado o prazo respetivo, o processo é


concluso ao Juiz para, em princípio, ser:

• Proferido despacho pré-saneador (art.º 590.º, n.º 2);


• Convocada uma audiência prévia (art.º 591.º); ou
• Proferido despacho saneador (art.º 595.º).

4.1 Do despacho pré-saneador

Este despacho destina-se a efetuar a sanação da falta de pressupostos


processuais e (ou) a convidar as partes ao aperfeiçoamento dos articulados (art.º
590.º, n.º 2).

A este despacho chama o novo código, como aliás já o denominava a doutrina,


de despacho pré-saneador dada a finalidade que se lhe reconhece de regularização
da instância processual e das eventuais irregularidades dos articulados, em momento
anterior ao despacho saneador.

Neste despacho prevê-se a possibilidade de o juiz:


• Providenciar pelo suprimento de exceções dilatórias;
• Providenciar pelo aperfeiçoamento dos articulados; e
• Determinar a junção aos autos de documentos que lhe
permitam a apreciação de exceções dilatórias ou o conhecimento, no todo ou
em parte, do mérito da causa no despacho saneador.

O juiz convida as partes a suprir irregularidades dos articulados bem como a


suprir insuficiências ou imprecisões na exposição ou concretização da matéria de
facto alegada, fixando prazo para o efeito nos precisos termos previstos nos n.ºs 3 e
4 do art.º 590.º.

Deste despacho não cabe recurso – n.º 7 do art.º 590.º

23
Manual de apoio/Ação declarativa
4.2 Da audiência prévia

A audiência prévia vem substituir a audiência preliminar prevista no


regime anterior.

Quando há lugar à audiência prévia, esta destina-se a algum ou alguns dos fins
seguintes:

• Realizar tentativa de conciliação;


• Facultar às partes a discussão de facto e de direito, nos casos
em que ao juiz cumpra apreciar exceções dilatórias ou quando tencione
conhecer imediatamente, no todo ou em parte, do mérito da causa;
• Discutir as posições das partes, com vista à delimitação dos
termos do litígio, e suprir as insuficiências ou imprecisões na exposição da
matéria de facto que ainda subsistam ou se tornem patentes na sequência do
debate;
• Proferir despacho saneador, podendo, logo aí, e caso o mesmo
não ponha termo ao processo, definir o objeto do litígio e o tema da prova;
• Proferir, após debate, despacho nos termos do n.º 1 do art.º
596.º e decidir as reclamações deduzidas pelas partes.

Inovador na audiência prévia é a possibilidade de se:

• Determinar, após debate, a adequação formal, a simplificação


ou a agilização processual;
• Programar, após audição dos mandatários, os atos a realizar na
audiência final, estabelecer o número de sessões e a sua provável duração e
designar as respetivas datas.

O despacho que marque a audiência prévia indica o seu objeto e finalidade.

Não é motivo de adiamento a falta das partes ou dos seus mandatários.

A audiência prévia é, sempre que possível, gravada, aplicando -se, com as


necessárias adaptações, o disposto no artigo 155.º .

Se a audiência prévia também se destinar à realização de uma tentativa de


conciliação, são igualmente notificadas as próprias partes (cujos mandatários não

24
Manual de apoio/Ação declarativa
estejam munidos de poderes especiais) para comparecerem pessoalmente ou
fazerem-se representar por mandatário judicial com poderes especiais, quando
residam na área da comarca, ou na respetiva ilha (tratando-se de Regiões
Autónomas), ou quando, aí não residindo, a comparência não represente sacrifício
considerável, atenta a natureza e o valor da causa e a distância da deslocação (art.º
594.º, n.º 2 ).

O juiz deve empenhar-se ativamente na obtenção da solução de equidade


mais adequada aos termos do litígio – n.º 3 do art.º 594.º.

No caso de frustração da conciliação, consigam-se em ata as concretas soluções


avançadas pelo juiz, bem como os fundamentos que justificam a persistência do litígio – n.º 4
do art.º 594.º.

Não realização da audiência prévia

A audiência prévia não se realiza nas ações não contestadas em que a revelia
seja inoperante e nas ações que devam findar no despacho saneador pela
procedência de exceção dilatória, tendo esta já sido debatida nos articulados (art.º
592.º).

4.3 Do despacho saneador

O despacho saneador, seja ditado para a ata da audiência prévia, seja


proferido por escrito quando esta não é realizada, ou, sendo feita, a complexidade
das questões a resolver o justifiquem, tem uma dupla finalidade: a verificação da
regularidade da instância, através do apuramento das ocorrências dos pressupostos
processuais ou de uma exceção dilatória, e a apreciação de nulidades; o
conhecimento imediato do mérito da causa – art.º 595.º, n.ºs 1 e 2.

 Dispensa da audiência prévia (art.º 593.º)

O juiz pode dispensar a realização da audiência prévia apenas quando esta se


destine à prolação de:
• Despacho saneador;

25
Manual de apoio/Ação declarativa
• Despacho de adequação formal, simplificação ou agilização
processual; ou
• Despacho de delimitação do objeto do litígio e da enunciação
dos temas de prova.

Neste caso, o juiz profere, no prazo de 20 dias subsequentes ao termo dos


articulados:
 Despacho saneador; despacho a determinar a adequação formal, a
simplificação ou a agilização processual; despacho a identificar o
objeto do litígio e a enunciação dos temas da prova; despacho
destinado a programar os atos da audiência final, a estabelecer o
número de sessões e a sua provável duração e a designar as
respetivas datas – n.º 2 do art.º 593.º.

Nestes casos, as partes depois de notificadas dos respetivos despachos, podem


reclamar dos mesmos e requerer, em 10 dias, a realização de audiência prévia, que
deve ser realizada num dos 20 dias seguintes, conforme determina o n.º 3 do art.º
593.º.

 Identificação do objeto do litígio e enunciação dos temas da prova


(art.º 596.º)

Quando a ação deva prosseguir e proferido o despacho saneador, o juiz


profere despacho destinado a identificar o objeto do litígio e a enunciar os temas da
prova. Vem este despacho substituir aquele em que o juiz fixava a base instrutória e
selecionava a matéria de facto.26

As partes podem reclamar deste despacho, no prazo geral de 10 dias, sendo


que o despacho que decidir as reclamações apenas pode ser impugnado no recurso
interposto da decisão final.

26
Não é pacífica esta opção do legislador. Vejamos o que entende Abílio Neto em anotação a este artigo, em “Novo
Código de Processo Civil, Lei n.º 41/3013”, Anotado, Junho/2013, página 220: “O comando deste artigo suscita,
quanto a nós, uma questão crucial, que pode pôr em causa toda a arquitetura da presente reforma: a identificação
do objeto do litígio, e, por arrastamento, o enunciado dos temas da prova, devem obedecer à regra de ouro antes
consagrada no n.º 1 do art.º 511.º, ou seja, atendendo às “várias soluções da questão de direito, que deva
considerar-se controvertida”? Ou ao invés, estamos perante um pré-julgamento cujo resultado se antecipa através da
conformação do enunciado do objeto do litígio, o qual, por seu turno, ditará o âmbito dos temas da prova? O âmbito
de aplicação das normas de direito material é sempre e incontroversamente tão linear que legitime, em sede
processual, esta enorme e fundamental simplificação? E a generalidade dos advogados têm a preparação técnica o
traquejo e a serenidade indispensáveis para, no decorrer de uma audiência prévia, muitas vezes em condições de
trabalho adversas, reagir, de imediato, a uma identificação do objeto do litígio perversa, que inviezará o desfecho da
lide, de forma praticamente irremediável? Será esta a tão proclamada justiça material que se pretende?”

26
Manual de apoio/Ação declarativa
Estes despachos e reclamações podem ter lugar oralmente no decurso da
audiência prévia se esta for gravada.

 Termos posteriores aos articulados nas ações de valor não superior


a metade da alçada da Relação (art.º 597.º)

Apesar do processo comum de declaração seguir a forma única, o legislador


vem neste artigo dicotomizar de que forma se regem os termos posteriores aos
articulados nas ações de valor não superior a metade da alçada da Relação.

Assim para as ações de valor não superiores a € 15.000, findos os articulados,


o juiz, consoante a necessidade e a adequação do ato ao fim do processo, pode optar
por:

• Assegurar o exercício do contraditório quanto a exceções não


debatidas nos articulados;
• Convocar uma audiência prévia;
• Proferir por escrito despacho saneador, podendo, logo aí, e
caso o mesmo não ponha termo ao processo, definir o objeto do litígio e o
tema da prova;
• Determinar, após audição das partes, a adequação formal, a
simplificação ou a agilização processual;
• Proferir despacho destinado a programar os atos a realizar na
audiência final, a estabelecer o número de sessões e a sua provável duração e
a designar as respetivas datas;
• Designar logo dia para a audiência final, observando o disposto
no artigo 151.º.

Da análise da presente norma, parece resultar que a diferença entre as ações


não superiores a €15.000 e aquelas superiores a este valor se resume a: enquanto nas
primeiras se prevê a possibilidade de realização de audiência prévia consoante a
necessidade e a adequação do ato ao fim do processo, nas de valor superior a
€15.000, a audiência prévia é, por princípio, obrigatória.

Contudo, é ao juiz que caberá em ambos os casos decidir qual o “caminho” a


seguir, conforme é referido na exposição de motivos constante da proposta de Lei n.º
113/XII: “Importa-se para o processo comum o princípio da gestão processual, consagrado e

27
Manual de apoio/Ação declarativa
testado no âmbito do regime processual experimental, conferindo ao juiz um poder autónomo de
direção ativa do processo, podendo determinar a adoção dos mecanismos de simplificação e de
agilização processual que, respeitando os princípios fundamentais da igualdade das partes e do
contraditório, garantam a composição do litígio em prazo razoável”

Esquematizando:

Findos os articulados
Art.º 590.º

O juiz convoca a audiência prévia


Dispensa a audiência prévia e
destinada a algum ou alguns dos fins
profere despacho saneador
previstos no
Art.º 593.º n.º 1 do art.º 591.º

As partes depois de notificadas dos


despachos podem reclamar e requerer, em
10 dias, a realização da audiência prévia.
n.º 3 do art.º 593.º

5 INSTRUÇÃO

Esta fase do processo - a instrução - destina-se a carrear para os autos os


meios de prova que neles vão ser utilizados, para livre apreciação pelo tribunal (art.º
607.º, n.º 5), procurando demonstrar a realidade dos factos descritos nos articulados.

A possibilidade de produzir prova antes de identificado o objeto do litígio e de


enunciados os temas da prova, e até antes de ser proposta a ação (produção
antecipada de prova) encontra-se garantida pelos art.ºs 419.º e 420.º., o que

28
Manual de apoio/Ação declarativa
constitui um desvio ao entendimento de que, em sentido cronológico, a fase de
instrução se desenvolve entre o final da audiência prévia ou, não tendo esta lugar,
entre a notificação às partes do despacho saneador e o início da audiência final.

5.1 Meios de prova

Definição legal (art.º 341.º do Cód. Civil): “As provas têm por função a
demonstração da realidade dos factos”.

Segundo Castro Mendes, a “prova é o pressuposto da decisão jurisdicional que


consiste na formação através do processo no espírito do julgador da convicção de
que certa alegação singular de facto é justificavelmente aceitável como fundamento
da mesma decisão” – Do Conceito da Prova, página 741.

Em matéria de repartição do ónus (encargo) da prova, a regra geral, que advém


do art.º 342.º do CC, é a seguinte:

- A quem invoca um direito em juízo incumbe fazer a prova dos factos


constitutivos do direito alegado, quer o facto seja positivo, quer
negativo. –
- À parte contrária compete provar os factos impeditivos, modificativos
ou extintivos desse direito.27

Indicação das provas


Momento da apresentação (art.º 423.º)

Os documentos destinados a fazer prova dos fundamentos da ação ou da defesa


devem ser apresentados com o articulado em que se aleguem os factos
correspondentes, podendo sê-lo também, até 20 dias antes da data em que se realize
a audiência final, contudo, a parte é condenada em multa, exceto se provar que os
não pôde oferecer com o articulado.

27
Na acção de condenação destinada a obter o pagamento de uma divida pecuniária, cabe ao autor alegar e provar a
existência dos factos constitutivos do crédito, cuja titularidade se arroga e que firma estar sendo violado, provando,
nomeadamente, a realização do facto jurídico (v.g., a compra e venda) donde o crédito nasceu.
Ao réu competirá, por seu turno, provar os factos impeditivos (como a sua situação de menor, de interdito ou de
inabilitado, o erro ou a coacção de que tenha sido vitima), modificativos (a opção feita por uma outra prestação) ou
extintivos (o pagamento, a remissão, etc.) do crédito do autor. (Antunes Varela, J. Miguel Bezerra, Sampaio e Nora,
Manual de Processo Civil, 2.ª edição, pag. 453).

29
Manual de apoio/Ação declarativa
A apresentação posterior dos documentos, só será admitida, se não tiver sido
possível a sua apresentação antes, ou se a apresentação se tenha tornado necessária
em virtude de ocorrência posterior.

Face a esta alteração, passa a ser obrigatório aquando da apresentação da


petição inicial e da contestação, a indicação imediata do rol de testemunhas e de
outros meios de prova, sem prejuízo de os requerimentos probatórios poderem ser
alterados:

• Pelo Autor, na réplica, se esta for admissível, ou no prazo de 10 dias a contar


da notificação da contestação;

• Pelo Réu, no prazo de 10 dias a contar da notificação da réplica do Autor;

• Por ambas as partes na audiência prévia quando esta tenha lugar ou nos 20
dias que antecedem a data designada para a audiência final – cfr. art.ºs 552.º, n.º 2,
572.º, d) e 598.º .

• Incumbe às partes a apresentação das testemunhas


indicadas em consequência do aditamento ou da alteração do rol de testemunhas –
cfr. art.º 598.º, n.º 3.

Os meios legalmente admissíveis para demonstrar quaisquer factos relevantes


para a causa, ou meios de prova, podem ser classificados:

5.1.1.1.1.1.1.1 Meios de prova Previsão legal

Art.ºs 362.º a 387.º do Cód. Civil e 423.º a 451.ºdo Cód.


5.1.1.1.1.1.1.2 Documental
Proc. Civil.

Art.ºs 352.º a 361.º do Cód. Civil e 452.º a 465.º do Cód.


Por confissão
Proc. Civil.

Declarações de Art.º 466.º do Cód. Proc. Civil.


parte

Art.ºs 388.º a 389.º do Cód. Civil e 467.º a 489.º do Cód.


Pericial
Proc. Civil.

30
Manual de apoio/Ação declarativa
Inspeção judicial e Art.ºs 390.º e 391.º do Cód. Civil e 490.º a 494.º Cód.
verificação não Proc. Civil.
judicial qualificada

Art.ºs 390.º a 391.º do Cód. Civil e 495.º a 526.º do Cód.


Testemunhal
Proc. Civil.

5.1.1 Prova por documentos

Diz-se prova documental a demonstração da realidade de um ou mais factos


através de documentos.

Dizem-se autênticos os documentos escritos elaborados por oficial


público provido de fé pública, com observância das formalidades legais, na
esfera das suas competências (art.º 363.º-2 CC) – Lebre de Freitas, in A Acção
Declarativa Comum, edição 2000, pg. 204.

Gozam da presunção de autenticidade, embora esta presunção possa ser ilidida


por prova em contrário, pela arguição da sua falsidade ou por conhecimento oficioso
- cfr. art.ºs. 371.º e 372.º do CC.

A subscrição destes documentos pela autoridade ou oficial público e o


reconhecimento da respetiva assinatura por notário ou a autenticação com o
selo branco em uso no respetivo serviço constituem alguns dos requisitos
essenciais para a presunção da autenticidade destes documentos, à exceção
dos anteriores ao século XVIII – art.º 370.º do Cód. Civil.

Não sendo autênticos, os documentos são particulares – art. 363.º, n.º 2 in


fine do CC.

São os escritos ou assinados por qualquer pessoa privada; não gozam de


presunção formal de autenticidade, embora possam vir a ser reconhecidos pela
contraparte - cfr. art.ºs 373.º e 376.º do CC.

Para efeitos de prova documental são especialmente relevantes os documentos


escritos.

31
Manual de apoio/Ação declarativa
O regime processual da prova por documentos consta dos artigos 423.º e
seguintes, devendo ter-se especial atenção que deverá ser sempre notificada a
junção aos autos de documentos, quer juntos por iniciativa da parte, quer
requisitados pelo tribunal (art.ºs 427.º e 439.º).

5.1.2 Prova por confissão:

A confissão é uma declaração de ciência pela qual uma pessoa reconhece a


realidade de um facto que lhe é desfavorável e favorece a parte contrária (art.º
352.º do CC).
A confissão pode ser judicial ou extrajudicial.

A confissão judicial é feita em juízo e só vale no processo em que seja


produzida, a menos que se trate de procedimento preliminar (ex. providências
cautelares) ou incidental (ex. embargos de terceiro), casos em que a confissão vale
para a ação principal – art.º 355.º n.ºs 1 a 3 Cód. Civil.

Quando escrita, a confissão tem força probatória plena contra o confitente –


art.º 358.º n.º 1 Cód. Civil.

A confissão judicial espontânea tem lugar por iniciativa do confitente e é


formalizada nos articulados ou em qualquer outro ato processual, pela própria parte
ou através de mandatário com poderes especiais para o efeito – art.º 356.º n.º 1 Cód.
Civil -, podendo revestir-se da forma de depoimento de parte.

Sendo provocada (a pedido da contraparte ou de uma comparte – n.º 3 do art.º


453.º), a confissão formaliza-se através de

- depoimento de parte

- prestação de informações ao tribunal

- prestação de esclarecimentos ao tribunal

(art.º 356.º, n.º 2 Cód. Civil)

32
Manual de apoio/Ação declarativa
O depoimento de parte é determinado pelo juiz, em qualquer estado da causa,
oficiosamente ou a requerimento das partes, e consiste em registar no processo as
declarações prestadas pelas partes relativamente a factos pessoais ou dos quais deva
ter conhecimento – art.ºs 452.º e 454.º.

Em regra, o depoimento de parte é prestado na audiência final e no próprio


tribunal onde corre o processo, ressalvados os casos de urgência e de impossibilidade
do depoente comparecer no tribunal – art.º 456.º, n.º 1.

É aplicável ao depoimento das partes residentes fora da comarca ou da


respetiva ilha, no caso das regiões autónomas, o regime da teleconferência previsto
para as testemunhas no art.º 502.º.

Se ambas as partes tiverem depor perante o tribunal, depõe em primeiro lugar


o réu e depois o autor. Deponde mais de um autor ou de um réu, não podem assistir
au depoimento de qualquer deles os compartes que ainda não tenham prestado
depoimento, e quando deponham no mesmo dia, são recolhidos a uma sala, donde
saem segundo a ordem por que devem depor – art.º 458.º.

A parte, antes de prestar depoimento, é advertida pelo tribunal da importância


moral do juramento que vai prestar e do dever de ser fiel à verdade, bem como das
sanções aplicáveis às falsas declarações. A parte presta o seguinte juramento: “Juro
pela minha honra que hei de dizer toda a verdade e só a verdade” – cfr. art.º
459.º, n.ºs 1 e 2.

Após ter sido feito o interrogatório preliminar destinado a identificar o


depoente, o juiz interroga-o sobre cada um dos factos que devem ser objeto de
depoimento, sendo este sempre reduzido a escrito, na parte em que houver confissão
do depoente, ou em que este narre factos ou circunstâncias que impliquem a
indivisibilidade da declaração confessória – art.ºs 460.º e 463.º, n.º 1.

O depoente deve responder com precisão e clareza às perguntas feitas, não


podendo ser lido depoimento que haja escrito, podendo, no entanto, socorrer-se de
documentos ou apontamentos de datas ou de factos para responder às perguntas –
cfr. art.º 461.º.

A confissão é irretratável, apenas podendo ser retiradas as confissões expressas


de factos, feitas nos articulados, enquanto a parte contrária não as tiver aceitado
especificadamente – art.º 465.º.

33
Manual de apoio/Ação declarativa
A confissão extrajudicial é a feita por qualquer modo diferente da confissão
judicial – art.º 355.º, n.º 4 do Cód. Civil.

Quando escrita em documento autêntico ou autenticado e feita à parte


contrária ou a quem a represente, a confissão extrajudicial tem força probatória
plena semelhante à dos documentos que a suportam – art.º 358.º n.º 2 do Cód. Civil.

Sendo verbal, a confissão é livremente apreciada pelo tribunal e só pode ser


provada por testemunhas nos casos em que seja admitido este meio de prova, tal
como são livremente apreciadas pelo tribunal as confissões feitas a terceiro, as
contidas em testamentos e as que constem de documento particular – art.º 358.º
Cód. Civil.

A inadmissibilidade da confissão está prevista no art.º 354.º do Cód.


Civil.

5.1.3 Prova por declarações de parte

O CPC de 2013 introduziu, a par da prova por confissão, mas como meio de
prova autónomo, a figura da prova por declarações de parte.

Estamos perante um novo meio de prova que prevê que as partes possam
requerer, até ao início das alegações orais em 1.ª instância, a prestação de
declarações sobre factos em que tenham intervindo pessoalmente ou de que tenham
conhecimento direto.

Às declarações de parte aplica-se o estabelecido para a prova por confissão


bem como o dever de cooperação para a descoberta da verdade – cfr. art.ºs 452.º a
465.º (com as necessárias adaptações…) e 417.º.

O tribunal aprecia livremente as declarações das partes exceto no caso de as


mesmas constituírem confissão.28

28
“A apreciação que juiz faça das declarações de parte importará sobretudo como elemento de clarificação do
resultado das provas produzidas e, quando outros não haja, como prova subsidiária, máxime se ambas as partes
tiverem sido efetivamente ouvidas” – José Lebre de Freitas, obra citada, página 278.

34
Manual de apoio/Ação declarativa
5.1.4 Prova pericial

A prova pericial tem por fim a perceção ou apreciação de factos por meio de
peritos, quando sejam necessários conhecimentos especiais que os julgadores não
possuem, ou quando os factos, relativos a pessoas, não devam ser objeto de inspeção
judicial – art.º 388.º Cód. Civil – e é oficiosamente ordenada pelo juiz () ou a
requerimento das partes (art.ºs 467, n.º 1, 477.º e 475.º).

No despacho que ordenar a perícia, o juiz fixa o seu objeto, nomeia os peritos
(um ou três – art.º 467.º, n.º 1 e 468.º, n.º 1) e designa local e data para a sua
realização – art.º 478.º.

A perícia pode ser:


- requisitada pelo tribunal a estabelecimento, laboratório ou serviço
oficial apropriado (art.º 467.º, n.ºs 1 e 2);
- realizada por um único perito29, ouvindo-se previamente as partes,
que podem sugerir alguém (art.º 467.º, n.º 2);
- realizada por três peritos (art.º 468.º);
- nas ações de valor não superior a metade da alçada da Relação (até
15.000 €), a perícia é realizada por um único perito (n.º 5 do art.º
468.º)

Os estabelecimentos, laboratórios e serviços oficiais a que sejam requisitadas


as perícias podem contratar terceiros para a sua realização, que não tenham
qualquer ligação com o objeto do processo, nem com as partes envolvidas.

O perito nomeado pode ser condenado em multa ou destituído pelo juiz,


quando não desempenhar as funções de forma diligente (art.º 469.º) e deste facto
deve ser informado.

Os peritos estão sujeitos ao regime de impedimentos e suspeições


estabelecido para os juízes – art.ºs 470.º e seguintes.

29
A regra instituída é a da perícia realizada por um só perito, sem prejuízo da perícia colegial (até 3 peritos) quando
o juiz o determine por iniciativa própria ou a pedido das partes ou ainda quando tenha lugar a 2ª perícia – art.ºs. 468º
e 488º al. b) CPC.

35
Manual de apoio/Ação declarativa
Na perícia (seja ela individual ou colegial), havendo acordo das partes sobre
o(s) perito(s), o juiz procede à sua nomeação, salvo se fundadamente tiver razões
para pôr em causa a sua idoneidade ou competência.

Na falta de acordo, o juiz nomeia o perito (art.º 467, n.ºs 1 e 2). Tratando-se
de perícia colegial (com 3 peritos), cada parte escolhe um perito e o juiz nomeia o
terceiro – art.º 468.º n.º 2.

As partes são oficiosamente notificadas do despacho que ordena a realização


da perícia, que nomeia os peritos e designa a data e o local do começo da diligência
(art.º 478.º), sendo simultaneamente notificados para em 10 dias efetuarem o
pagamento antecipado dos encargos nos termos do art.º 20.º do RCP, devendo ser
remetido o respetivo DUC-Guia nos termos dos n.ºs 1 e 3 do art.º 21.º da Portaria n.º
419-A/2009, de 17 de Abril.

Além de ser notificado às partes, o despacho é também notificado aos peritos


(por via postal registada – cfr. art.º 251.º), com a informação de que um eventual
pedido de escusa30 deve ser apresentado no prazo de 5 dias a contar da notificação,
que se presume efetuada no 3.º dia posterior ao do registo postal da carta.

A primeira perícia

A diligência tem o seu início no dia e hora previamente designados para o


efeito, sob a presidência do juiz,

À exceção dos funcionários públicos que intervenham nessa qualidade, os


peritos prestam compromisso de cumprimento consciencioso da função, perante o
juiz, se este assistir ao início da diligência, ou por escrito, no relatório (art.º 479.º).

Salvo em casos de urgência, a secretaria, no prazo de 5 dias a contar da


apresentação do relatório pericial, notifica oficiosamente as partes, enviando-lhes
fotocópias da referida peça e informando-as da possibilidade de reclamarem,
pedirem esclarecimentos, de requererem a audição dos peritos na audiência final ou
a realização de segunda perícia, no prazo de 10 dias contados a partir da respetiva
notificação – cfr. art.ºs. 149.º; 162.º, n.º 1; 219.º, n.º 3; 220.º, n.º 1 e 485.º a 487.º.

30
É aplicável aos peritos, com as necessárias adaptações, o regime de impedimentos (art.ºs 115.º a 117.º) e
suspeições (art.º 119º a 126º) previsto para os juízes – art.º 470º, nº 1 CPC.

36
Manual de apoio/Ação declarativa
Exemplo:

Fica por esta via notificado(a) do relatório pericial do qual se junta


fotocópia, podendo dele reclamar, pedir esclarecimentos, requerer a
audição dos peritos na audiência final ou a realização de segunda
perícia, no prazo de 10 (dez) dias a contar da presente notificação –
art.ºs. 485.º a 487.º CPC.

Oficiosamente ou a requerimento das partes, o juiz pode:


 determinar que os peritos completem, esclareçam ou fundamentem,
por escrito, o relatório apresentado, conforme previsto nos n.ºs 3 e 4
do art.º 485.º, ou
 ordenar a realização de segunda perícia.

Segunda perícia (art.º 488.º)

À segunda perícia aplica-se o estabelecido para a primeira, com as seguintes


alterações:
- a segunda perícia é realizada por 2 ou 3 peritos (perícia colegial)31 quando a
primeira o haja sido, não podendo, porém, intervir perito participante na primeira
perícia;

A segunda perícia não invalida a primeira, sendo ambas livremente apreciadas


pelo tribunal – art.º 489.º.

Os peritos na audiência final

Oficiosamente ou a requerimento das partes, o juiz pode ordenar a notificação


dos peritos para comparecerem na audiência final, a fim de prestarem, sob
juramento32, os esclarecimentos que lhes forem pedidos.

Os peritos de estabelecimentos, laboratórios ou serviços oficiais são ouvidos


por teleconferência a partir do seu local de trabalho (art.º 486.º, n.º 2).

31
Cfr. art.º468.º, n.º 1.
32
Recorde-se que os peritos prestam compromisso para realização da perícia (art.º 479.º) e prestam juramento em
audiência de julgamento (art.º 486.º.º n.º 1 CPC).

37
Manual de apoio/Ação declarativa
5.1.5 Prova por inspeção (inspeção judicial)

Este meio de prova consiste na inspeção de coisas ou de pessoas realizada pelo


tribunal (art.º 490.º ) sendo os seus resultados livremente apreciados (art.ºs 391.º CC
e 607.º do CPC), podendo o juiz ordenar a sua realização, em qualquer altura,
oficiosamente ou a requerimento as partes (art.º 490.º).

Quando requerida, incumbe à parte disponibilizar ao tribunal os meios


adequados à realização da inspeção, sem prejuízo da isenção de custas ou do
benefício concedido no âmbito do apoio judiciário – art.º 490, n.º 2.

O despacho que designar dia e hora e local de realização da inspeção judicial é


notificado aos mandatários judiciais e às próprias partes (art.º 247.º, n.ºs 1 e 2,
491.º).

Se, no despacho atrás referido, o juiz designar um técnico para apoiar o


tribunal, este deverá ser oficiosamente convocado para comparecer à audiência de
discussão e julgamento, salvo se for dispensado – art.º 492.º e 601.º.

Da realização da diligência é lavrado auto – art.º 493.º.


No auto registam-se todos os elementos úteis para o exame e decisão da causa,
podendo, por determinação do juiz, ser tiradas fotografias para serem juntas ao
processo.

Verificações não judiciais qualificadas (art.º 494.º)

Estamos perante um novo meio de proceder à inspeção judicial, anteriormente


realizada pelo juiz, que tem lugar sempre que seja legalmente admissível a inspeção
judicial, mas o juiz entenda que se não justifica, face à natureza da matéria, a
perceção direta dos factos pelo tribunal. Para o efeito incumbe técnico ou pessoa
qualificada para proceder aos atos de inspeção de coisas ou locais ou de
reconstituição de factos e elaborar relatório sobre as verificações efetuadas.

Aplica-se a estas verificações, com as necessárias adaptações, o disposto para a


inspeção judicial.

38
Manual de apoio/Ação declarativa
“Mais não se trata do que de uma perícia oficiosamente ordenada, com um só
perito e sem a possibilidade de alargamento, pelas partes, do respetivo objeto nem
de reclamações contra o relatório apresentado.
Qualificada pode ela, rigorosamente, ser dita quando a pessoa designada tenha
poderes de atestação e o relatório constitua documento autêntico; mas esta
situação, ressalvada na parte final do art.º 492-2, configura prova documental.”33

5.1.6 Prova testemunhal

A prova testemunhal consiste, em suma, no depoimento prestado por terceira pessoa34 -


que não é parte na ação -, em que revele o conhecimento que tem sobre os factos controvertidos
em apreciação.

A força probatória dos depoimentos das testemunhas é livremente apreciada


pelo tribunal – art.ºs 396.º do Cód. Civil e 607.º, n.º 5 do CPC.

Lugar da inquirição: O tribunal da causa (art.º 501.º) à exceção das situações


previstas nos art.ºs 457.º, 502.º, 503.º e 506.º.

 Gravação da audiência final e documentação dos


demais atos presididos pelo juiz (art.º 155.º).

Estabelece-se a obrigatoriedade da gravação da audiência final das ações,


incidentes e procedimentos cautelares, a forma como é efetuada e o prazo de 2 dias
que a secretaria tem para a disponibilizar às partes.

Em regra, o registo é efetuado por gravação sonora, sem embargo do recurso a


outros processos técnicos de que o tribunal possa dispor (n.º 2).

A gravação é efetuada em sistema sonoro, no caso através do “Habilus media


studio” disponível na aplicação informática “Citius” em uso nos tribunais.

A audiência final de ações, incidentes e procedimentos cautelares é sempre


gravada e apenas devem ser assinalados na ata o início e o termo de cada
depoimento, informação, esclarecimento, requerimento e respetiva resposta,
despacho, decisão e alegações orais (n.º 1)

33
José Lebre de Freitas, obra citada, páginas 300 e 301.
34
Incumbe ao juiz verificar a capacidade natural das pessoas arroladas como testemunhas – art.º 495.º, n.º 2.

39
Manual de apoio/Ação declarativa
A secretaria dispõe do prazo de 2 dias a contar do respetivo ato, para
disponibilizar às partes a gravação efetuada (n.º 3).

A falta ou deficiência da gravação deve ser invocada, no prazo de 10 dias a


contar do momento em que a gravação é disponibilizada (n.º 4).

A secretaria dispõe do prazo de cinco dias, a contar do respetivo ato, para


proceder à transcrição de requerimentos e respetivas respostas, despachos e
decisões que o juiz, oficiosamente ou a requerimento tenha determinado. O prazo
para arguir qualquer desconformidade da transcrição é de cinco dias, a contar da
notificação da sua incorporação nos autos (n.ºs 6 e 7).

A realização e o conteúdo dos atos processuais presididos pelo juiz são


documentados em ata, cuja redação incumbe ao funcionário judicial, sob direção do
magistrado, na qual são recolhidas as declarações, requerimentos, promoções e atos
decisórios orais que tiverem ocorrido (n.º 7).

Os despachos e as sentenças proferidos oralmente no decorrer de ato de que


deva lavar-se auto ou ata são aí reproduzidos, sem prejuízo do disposto no n.º 1 do
art.º 155.º.
A fidelidade da reprodução é garantida pela assinatura do juiz aposta no auto
ou ata (n.º 3 do art.º 154.º).

 Designação das testemunhas para inquirição e


notificação (art.º 507.º)

As testemunhas são a apresentar pelas partes, salvo se a parte que as indicou


requerer, com a apresentação do rol, a respetiva notificação para comparência ou a
inquirição por teleconferência. Não são notificadas as testemunhas que as partes
devam apresentar.

 Limite do número de testemunhas (art.º 511.º)

A nova lei reduz significativamente o limite ao número de testemunhas que é


fixado em 10 para cada parte, diminuindo o número para 5 testemunhas nas ações de
valor até € 5.000,00, sendo admissíveis outras tantas em caso de reconvenção, para
prova dos factos alegados nesse contexto.

40
Manual de apoio/Ação declarativa
Contudo, o juiz pode, face à natureza e extensão dos temas da prova, por
decisão irrecorrível, admitir a inquirição de testemunhas para além do limite
previsto.

De notar que o novo diploma deixa de impor limitações ao número de


testemunhas por facto uma vez que deixou de existir base instrutória.

 Quando se realiza a inquirição: Normalmente na


audiência final, presencialmente ou por
teleconferência (no caso de processos pendentes
em tribunais sediados nas áreas metropolitanas de
Lisboa e Porto, não há lugar a teleconferência para
audição de testemunhas residentes nas referidas
áreas).

As testemunhas podem ser inquiridas antecipadamente, mesmo antes de proposta


a ação, nos termos dos art.ºs 419.º e 420.º.

O requerimento da produção antecipada de prova na pendência da ação, é


decidido pelo juiz, depois de ouvir a parte contrária.

As testemunhas são convocadas para comparecer no tribunal ou no lugar que for


determinado por aviso registado nos termos do art.º 251.º.

 Formalismo da inquirição:

a) a inquirição faz-se pela ordem do rol, chamando-se primeiro as


testemunhas do A. e depois as do réu (art.º 512.º);
b) juramento (art.ºs 513.º, n.º 1 e 459.º);
c) interrogatório preliminar (art.º 513.º, n.º 1);
d) inquirição propriamente dita.

Incidentes da inquirição:

a) Impugnação: com os fundamentos constantes nos art.ºs 495.º a 497.º -


falsa identidade, incapacidade natural, impedimento e recusa (art.º 514.º).
b) Contradita: vidé art.º 521.º.

41
Manual de apoio/Ação declarativa
c) Acareação: se houver oposição direta, acerca de determinado facto, entre
depoimentos das testemunhas ou entre eles e o depoimento da parte, pode ter lugar
a acareação das pessoas em contradição (art.º 523.º).

 Alteração ou aditamento do rol de testemunhas (art.º 598.º)

O requerimento probatório pode ser alterado na audiência prévia.

O rol de testemunhas pode ser alterado ou aditado, nos termos do disposto no


art.º 598.º, até 20 dias antes da data em que se realize a audiência final, podendo a
contraparte usar da mesma faculdade no prazo de cinco dias contados da notificação do
pedido de alteração ou aditamento.

Incumbirá às partes a apresentação das testemunhas indicadas nessa alteração ou


adicionamento.

5.2 Realização da teleconferência

As testemunhas dirigem-se ao tribunal da sua residência a fim de ali serem


inquiridas remotamente pelo juiz da causa através do sistema de teleconferência.

A utilização deste sistema exige um rigoroso sincronismo na observância de três


tipos de procedimentos:

1 – Em ambos os tribunais;

2 – No tribunal onde decorre a audiência; e

3 – No tribunal onde a testemunha presta o depoimento.

42
Manual de apoio/Ação declarativa
1 – Em ambos os tribunais

a) Providenciar pela operacionalidade do equipamento e prestar todas as


informações acerca do seu período de utilização e de disponibilidade;

b) Elaboração de um mapa mensal de todas as marcações prévias de utilização


dos equipamentos (as do próprio tribunal e as solicitadas por outros tribunais),
enviando-se uma cópia à Direcção-Geral da Administração da Justiça no primeiro dia
do mês seguinte àquele a que o mapa diz respeito;

c) Quando, por qualquer motivo, não seja possível realizar a videoconferência,


os funcionários de ambos os tribunais deverão descrever nos respetivos mapas os
motivos que impossibilitaram a sua realização.

2 – No tribunal onde decorre a audiência

a) Designada data para a audiência e obtido o número da linha telefónica


respetiva, comunicará e indagará junto do tribunal onde o depoimento será prestado
da disponibilidade do equipamento e, agendada a data, notificará a testemunha a
inquirir da data, hora e local da inquirição (notificação a efetuar nos termos do art.º
251.º);

b) A gravação do depoimento é efetuada no tribunal onde decorre a audiência.

3 – No tribunal onde a testemunha presta o depoimento

a) Atendendo a que, neste tribunal, se trata de ato processual que não exige a
participação ou intervenção de Magistrado Judicial ou do Ministério Público, deve o
secretário de justiça designar previamente o(s) funcionário(s) que assegurará(ão) a
realização das várias diligências, mediante a elaboração de uma escala nominal de
funcionários, em que se preveja o regime de substituição;

b) No dia e hora marcados o(s) funcionário(s) de justiça, designado(s),


assegurará(ão) a disponibilidade do equipamento para que o tribunal onde decorre a
audiência possa estabelecer a ligação e, logo que contactado pelo tribunal onde
decorre a audiência, assinalará a realização do ato, no respetivo mapa;

43
Manual de apoio/Ação declarativa
c) Estabelecida a ligação, o funcionário identifica-se, indicando o seu nome,
categoria profissional e tribunal onde se encontra;

d) Seguidamente identifica a pessoa a inquirir, nome e dados relativos ao


documento de identificação desta, iniciando-se, então, a inquirição;

e) Logo que concluída, o funcionário certificar-se-á de que já não é mais


necessária a intervenção da testemunha e só após indicação nesse sentido a
desobrigará.

 Registo da Prova

A prova é registada no sistema informático de suporte à atividade dos


tribunais (Citius – Habilus Media Studio), de acordo com o previsto no art.º 155.º e a
que acima fizemos referência.

 A notificação para inquirição (art.º 502)

O tribunal da causa designa data para a audiência, ouvido que seja o tribunal
onde a testemunha deve prestar depoimento, e procede à notificação desta para
comparecer.

Se as testemunhas residirem fora da comarca onde corre o processo, ou na


respetiva ilha, no caso das Regiões Autónomas, terão que ser apresentadas pelas
partes, nos termos previstos no n.º 2 do art.º 507.º, desde que o declarem aquando
do seu oferecimento.

Caso contrário, ou seja, se nada for requerido, são ouvidas por


teleconferência, na própria audiência, a partir do tribunal da comarca da área da sua
residência, sendo notificadas para lá comparecerem nos termos do disposto no art.º
251.º.

Existindo os meios técnicos necessários no local da residência das


testemunhas residentes no estrangeiro, são estas ouvidas por teleconferência.

44
Manual de apoio/Ação declarativa
Não tem lugar a inquirição por teleconferência nos processos pendentes em
tribunais sediados nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto35 quando a testemunha
a inquirir resida na respetiva circunscrição. Excecionam-se os casos previstos no art.º
520.º.

6 AUDIÊNCIA FINAL

Juntas as provas ou terminado o prazo para a sua apresentação a secretaria faz


o processo “concluso”.

É de ter em conta que, o juiz pode, nas ações de indemnização fundadas na


responsabilidade civil, se a duração do exame para a determinação dos danos se
prolongar por mais de 3 meses, designar dia para a audiência, a requerimento do
autor, sem prejuízo do disposto no n.º 2 do art.º 609.º . (art.º 600.º, n.º 1).

Marcação e início pontual das diligências (art.º151.º )

a). O juiz deve providenciar pela marcação das datas das diligências
mediante prévio acordo com os mandatários judiciais que devam comparecer,
para o que pode encarregar a secretaria de realizar de forma expedita os contactos
prévios necessários (eletrónica, via telefónica, fax, etc.), a fim de prevenir o risco
de sobreposição de datas de diligências.

b). Quando a marcação não possa ser feita com o prévio acordo dos
mandatários judiciais, devem estes, se impedidos noutro serviço judicial já
marcado, comunicar o facto ao tribunal e identificar expressamente a diligência e

35
Cfr. Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro.

A Área Metropolitana de LISBOA integra os seguintes municípios: Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais,
Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Sesimbra, Setúbal, Seixal, Sintra e Vila Franca de
Xira (www.aml.pt).

A Área Metropolitana do PORTO integra os seguintes municípios: Arouca, Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos,
Porto, Póvoa de Varzim, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, S. João da Madeira, Trofa, Vale de Cambra, Valongo, Vila
do Conde e Vila Nova de Gaia (www.amp.pt).

45
Manual de apoio/Ação declarativa
o processo a que respeita, no prazo de cinco dias, propondo datas alternativas,
após contacto com os restantes mandatários interessados.

c). O juiz pode alterar a data inicialmente fixada, pelo que apenas se
procede à notificação dos demais intervenientes após o decurso do prazo de cinco
dias, atrás referido.

Assim, decorrido o prazo do n.º 2 do art.º 151.º, deve ser paga a 2.ª
prestação da taxa de justiça, devendo o interessado comprovar o pagamento no
prazo de 10 dias, contados da notificação para a audiência final (n.º 2 do art.º 14.º
do RCP).

Caso o documento comprovativo do pagamento ou da concessão de benefício


de apoio judiciário não tiver sido junto ao processo, estabelece o n.º 3 do art.º 14.º
do RCP, que a secretaria deve oficiosamente notificar o interessado para, no prazo
de 10 dias, efetuar o pagamento da segunda prestação da taxa de justiça, acrescido
de multa de igual montante, mas não inferior a 1 UC nem superior a 10 UC.

Verificando-se a continuação da omissão do pagamento36, no dia da audiência


final ou da realização de qualquer outra diligência probatória, a secretaria
continuará o processo com conclusão para que o tribunal, caso assim o entenda,
determine a impossibilidade de realização das diligências de prova que tenham sido
ou venham a ser requeridas pela parte em falta. É este o sentido da nova redação do
n.º 4 do art.º 14.º do RCP.

Já quando se verifiquem as circunstâncias de não haver lugar a audiência final e


não for dispensado o pagamento da segunda prestação nos termos do n.º 5 do art.º
14.º da RCP, é o montante em questão incluído na conta de custas.

d). Verificada a impossibilidade de realização da diligência no dia e hora


designados, deve o tribunal de imediato dar conhecimento do facto aos
intervenientes processuais que hajam sido convocados a fim de serem notificadas do
adiamento.

e). Os mandatários judiciais devem dar prontamente conhecimento ao tribunal


e quaisquer circunstâncias impeditivas da sua presença.

36
Não tiver sido junto ao processo o documento comprovativo do pagamento da segunda prestação da taxa de
justiça, ou esta e da multa ou ainda da concessão de benefício de apoio judiciário.

46
Manual de apoio/Ação declarativa
f). Ocorrendo justificados obstáculos ao pontual início das diligências deve o
juiz comunica-los aos mandatários e a secretaria às partes e demais intervenientes
processuais, dentro dos trinta minutos subsequentes à hora marcada para o seu
início.

g). A falta da comunicação implica a dispensa automática dos intervenientes


processuais.

De notar que a falta de comunicação prevista no n.º 6 implica que os


intervenientes se possam ausentar sem serem sujeitos a qualquer sanção, o que pode
comprometer a realização da diligência no dia designado.

Os Oficiais de Justiça não podem deixar de observar a regra da pontualidade do


início dos atos a realizar em juízo que está implícita no n.º 6 do art.º 151.º,
informando oportunamente - na linha das orientações que forem dadas pelos
Senhores Magistrados - os intervenientes processuais e mandatários judiciais afetados
pelos atrasos, usando de correção e urbanidade (cfr. art.º 157.º, n.º 3).

A inobservância destes deveres pode trazer consequências de natureza disciplinar.

O julgamento é feito pelo juiz singular (art.º 599).

As testemunhas residentes na área da comarca ou nas áreas metropolitanas de


Lisboa e Porto, para as causas pendentes em tribunais aqui sediados, são notificadas
mediante a expedição de aviso registado (art.º 251.º), para comparecerem sob
pena de serem condenadas em multa no caso de faltarem injustificadamente
(art.º 27, n.º 1 do RCP) e de ser ordenada a sua comparência sob custódia nos termos
do n.º 4 do art.º 508.º.
Se a notificação de alguma testemunha, ou parte, não tiver sido possível, é
notificada, oficiosamente, a parte que a indicou, dos motivos da falta de
notificação, para requerer o que tiver por conveniente.

As causas de adiamento da audiência encontram-se previstas no art.º


603.º CPC.

47
Manual de apoio/Ação declarativa
Assim, haverá adiamento se:

a) houver impedimento do tribunal;


b) faltar algum dos advogados e, na marcação da audiência, não tiver sido
observado o disposto no art.º 151.º , ou
c) ocorra motivo que constitua justo impedimento.

Sempre que constatar a falta de algum interveniente, após a realização da


chamada, o oficial de justiça deve verificar, através da consulta do processo, se a
pessoa foi devidamente notificada e informar o facto ao juiz.

Não prescindindo da sua audição a parte que indicou a testemunha faltosa, esta deve
justificar a falta na própria audiência ou nos cinco dias imediatos.

A falta de testemunhas não é motivo de adiamento dos outros atos de


produção de prova, sendo as presentes ouvidas mesmo que tal implique a alteração
da ordem em que o deveriam ser.

A falta do A. ou do R. só é relevante se tiver sido requerido o respetivo


depoimento de parte, nos termos do art.º 452.º, ou as declarações de parte nos
termos do art.º 466.º.

6.1 Formalidades da audiência (instrução e discussão da causa)

A audiência final desenrola-se com observância do disposto nos art.ºs 604.º a 606.º.
Não havendo razões para adiamento, realizar-se-á a audiência final (art.º
604.º, n.º 1):

a)- Tentativa de conciliação das partes (art.º 604.º, n.º 2 ), a qual só deve
ser efetuada:
- se a causa estiver no âmbito do poder de disposição das partes;
- se as partes estiverem presentes ou se se tiverem feito representar
por procurador com poderes especiais para transigir;

b)- Parte instrutória da audiência - destina-se à produção das provas, que


são, em regra, o depoimento de parte, os esclarecimentos verbais dos peritos e a
prova testemunhal (art.º 604.º, n.º 3);

48
Manual de apoio/Ação declarativa
c)- Alegações orais, nas quais os advogados exponham as conclusões, de facto
e de direito, que hajam extraído da prova produzida, podendo cada advogado
replicar uma vez.

As alegações orais não podem exceder, para cada um dos advogados, uma hora
e as réplicas trinta minutos; o juiz pode, porém, permitir que continue no uso da
palavra o advogado que, esgotado o máximo do tempo legalmente previsto, com base
na complexidade da causa.

Nas ações de valor não superior à alçada do tribunal de primeira instância, os períodos de
tempo previstos para as alegações e as réplicas são reduzidos para metade.

d)- Audiência do técnico: pode ter lugar a qualquer momento, antes das
alegações orais, durantes as mesmas ou depois de findas (art.º 604.º, n.º 7).

Da audiência final é lavrada ata (art.º 155.º, n.º 7 ).

Concluída a audiência final, o processo vai concluso ao juiz para ser proferida
a sentença no prazo de 30 dias (art.º 607.º ).

7 SENTENÇA

A forma e o conteúdo da sentença estão previstos nos art.ºs 607.º a 612.º .

Proferida esta, procede-se a:

-Notificação do M.ºP.º (art.º 252.º, notificação que deve ser sempre


efetuada, mesmo que não seja parte, para os fins do disposto no art.º 3.º, n.º 1
als. f), e o) do Estatuto do Ministério Público, e das partes na sua pessoa ou na
pessoa dos seus mandatários, caso tenham constituído mandatário (art.ºs
247.º, 249.º e 253.º);
- Notação estatística no “citius”37; e
- Registo em livro especial (n.º 4 do art.º 153.º).

Aguarda-se pelo prazo de 30 dias (art.º 638.º, n.º 1 ) que a decisão transite
em julgado (art.º 628.º), sem prejuízo do disposto no art.º 139.º.

37
Cfr. Oficio Circular n.º 30, de 1 de Setembro de 2006, da DGAJ.

49
Manual de apoio/Ação declarativa
Quando as decisões já não sejam suscetíveis de recurso ou de reclamação, nos
termos dos art.ºs 615.º e 616.º, consideram-se transitadas em julgado (art.º 628.º).

O recurso interpõe-se por meio de requerimento, dirigido ao tribunal onde foi


proferida a sentença, o requerimento de interposição de recurso é acompanhado das
alegações.

Em prazo idêntico (30 dias) ao da interposição, pode o recorrido responder à


alegação do recorrente. Se o recurso tiver por objeto a reapreciação da prova
gravada, ao prazo de interposição e de reposta acrescem 10 dias (art.º 638.º - n.ºs 5
e 7).

Findos os prazos para alegações e resposta, o juiz emite despacho sobre o


requerimento e, exceto nos casos dos n.ºs 2 e 3 do art.º 641.º, ordena a subida dos
autos ao tribunal superior.

 Findo este prazo, sem que nada seja requerido, elabora-se a conta. Esta é
notificada, remetendo-se as guias, sendo caso disso, e, pagas as custas, fazem-se os
vistos “fiscal” e “correição” (art.º 142.º, n.º 2, da Lei n.º 62/13, de 26 de agosto).

Não sendo pagas as custas, colhidas as informações sobre bens suscetíveis de


penhora do devedor, informa-se o Ministério Público, para requerer ou não a
execução por custas (art.º 35.º do RCP).

8 SÚMULA DA AÇÃO COMUM


Prazos gerais para os atos processuais:

Juiz – 2 dias para despachos de mero expediente – art.ºs 152.º/4 e 156.º/3

10 dias outros despachos

Ministério Público – 2 dias para promoções de mero expediente – art.º 156.º, n.º 1

10 dias outras promoções – art.º 156.º, n.º 1.

Secretaria – 5 dias – art.º 162.º, n.º 1

Partes – prazo geral = 10 dias (art.º 149.º)

50
Manual de apoio/Ação declarativa
Receção e verificação da petição 552.º
inicial
Secretaria Imediato
Recusa de recebimento 558.º

Apresenta nova p. i. 560.º 10 dias


Autor
Reclamação para o juiz 559.º + 10 dias
149.º

Distribuição da reclamação na 208.º+212.º Bi-diária


espécie 9.ª + Portaria
Secretaria 280/2013

Conclusão

Juiz Despacho – confirma recusa da p.i.


Reclamação

Secretaria Notifica despacho ao autor

Autor Conforma-se ou interpõe recurso 559.º 15 dias


644.º,n.º2,
i)

Juiz Despacho de admissão/rejeição do


recurso –

Secretaria Distribuição (secção central) 208.º+212.º Bi-diária


+ Portaria
280/2013

Secção de Processos 563.º, 226.º

Citação (oficiosa e por via postal)


do réu para contestar em 30 dias
2 meses
(este prazo é prorrogável até ao
(art.º 226.º,
máximo de 30 dias – 569.º)
n.ºs 2 e 3)
Em caso de frustração da via postal, 231.º, n.ºs 7
citação por agente de execução ou ou 9
por oficial de justiça

O réu é citado mas não contesta

Secretaria Findo o prazo da contestação (com 566.º + 30 dias +


a dilação aplicável), o processo é 567.º dilação
concluso

51
Manual de apoio/Ação declarativa
Juiz Ordena notificação das partes nos 567.º/2 2 dias
termos do n.º 2 do art.º 567.º

Secretaria Notificações das partes para exame 567.º/2 10 dias


e alegações escritas

Autor/Réu Apresentação de alegações escritas 10 + 10 dias


(também pelo réu que junte
procuração a favor de mandatário
judicial)

Secretaria Conclusão 5 dias

Juiz Sentença 567.º, n.º 2 30 dias


+ 607.º

Notifica Ministério Público e as 247.º,


partes, regista a sentença; Notação 249.º,
estatística 252.º, 253.º
e 153.º n.º
4
Secretaria
Aguarda trânsito em julgado 638.º 30 dias
(mínimo)

Após trânsito, elaboração da conta 29.º RCP 10 dias


(10 dias) e demais atos

Juiz Correição

FIM

O réu é citado e apresenta


contestação

Réu Apresenta a contestação (e 569.º e 30 dias +


eventualmente reconvenção) 144.º dilação

Secretaria Notifica a contestação ao autor 575.º e 5 dias


221.º /1
ARTICULADOS

Autor Oferece réplica em 30, só se houver 584.º e 30 dias


reconvenção ou em ação de simples 586.º
apreciação negativa, notifica-a ao
réu (art.º 221.º e 255.º).

O prazo é prorrogável, no máximo,


por igual período (até 30 dias) –
art.º 586.º.

52
Manual de apoio/Ação declarativa
Partes Articulados supervenientes – as 588.º e
partes podem apresentá-los até ao 589.º
encerramento da audiência final
prevendo-se o prazo de 10 dias para
o contraditório.

Secretaria Findos os articulados, o processo é 590.º, n.º 1 5 dias


concluso

Juiz Despacho para suprimento de 590.º n.º 2 10 dias


exceções dilatórias ou para
aperfeiçoamento dos articulados

Secretaria Notifica as partes do despacho 247.º e 5 dias


249.º

Juiz Ou, Designa audiência prévia para 591.º


um dos 30 dias subsequentes.

Secretaria Notifica as partes para a audiência 247.º e 5 dias


SANEAMENTO

prévia 249.º

Juiz Ou, não realiza a audiência prévia. 592.º e


593.º/1

Secretaria Notifica as partes do despacho, que 593.º/3 5 dias


antecede.

Partes Podem reclamar dos despachos 593.º 10 dias


previstos na al. b) a d), do art.º
593.º, requerendo em 10 dias a
realização de audiência prévia.

Secretaria Abre conclusão

Juiz Designa data para a audiência 593.º/3


prévia num dos 20 dias seguintes.
INSTRUÇÃO

Juiz Designa data para a audiência final 591.º n.º 1


al. g)
INSTRUÇÃO

53
Manual de apoio/Ação declarativa
Eventual realização de diligências -
de prova

O prazo de cumprimento das


deprecadas está fixado em 2 meses
(3 meses no caso de diligências a
realizar no estrangeiro) – art.º 176.º

Estes prazos podem ser encurtados


ou alargados – n.º 3

Secretaria Notifica as partes e convoca as 247.º +


pessoas que devam intervir na 251.º
audiência final (testemunhas,
peritos, etc.)

Juiz + Audiência final 599.º, 604.º


Partes +
Secretaria e segs.

Partes As alegações orais não podem 604.º, n.º 5


exceder por cada advogado uma
hora, e as réplicas trinta minutos.
Nas ações de valor não superior à
alçada da 1.ª instância, os períodos
de tempo das alegações são
reduzidos a metade.

Secretaria Lavra ata e faz o processo concluso 607.º 30 dias


para em 30 dias ser proferida a
sentença (607.º)

Juiz Profere sentença 607.º 30 dias

Secretaria Notifica Ministério Público e as 249.º, 5 dias


partes 252.º,
253.º; e 153
Registo da sentença e notação – n.º 4
estatística
SENTENÇA

Após o trânsito em julgado da 638.º 30 dias


sentença, elaboração da conta e
cobrança das custas contadas

Min. Visto fiscal


Público

Juiz Correição
CORREIÇÃO

54
Manual de apoio/Ação declarativa
Coleção “Concurso para acesso- Escrivão de Direito e
Técnico de Justiça Principal – 2014/2015”

Autor:

Direção-Geral da Administração da Justiça - Divisão de


Formação

Titulo:

“Manual de Apoio à Formação-Ação Declarativa”

Coordenação técnico-pedagógica:

Jorge Ribeiro; José Póvoas; Zulmira Simas.

Colaboração: Miguel Vara.

Coleção pedagógica:

Divisão de Formação

1.ª edição de Abril de 2015

55
Manual de apoio/Ação declarativa